O tesouro no fim do arco-íris

O Cavaleiro cobiçava, no fim do arco-íris, um tesouro.
Foi atrás, agressivamente, tirando todos do caminho,
Quebrou portas, invadiu fazendas, lutou como um touro,
Chegando lá, encontrou um baú e um pergaminho.

O Bobo, por sua vez, também queria riquezas,
Só que foi devagar, no seu ritmo desventurado.
Consertou portas quebradas, ajudou sem avarezas,
Chegou dias depois, e viu o cavaleiro desolado.

O Cavaleiro abrira o baú, e ele estava vazio!
Cadê o tesouro, pelo qual ele agira de forma tão vil?

No pergaminho, a mensagem de fastio:
“A felicidade está no caminho, seu imbecil”.

Arnaldo Gunzi
Nov 2022

Recomendação: o Almanaque de Naval Ravikant.

Uma recomendação de leitura para esta Black Friday é o Almanaque de Naval Ravikant.

Ele é empreendedor e investidor no Vale do Silício. Este livro é uma série de tweets e entrevistas, compiladas por um seguidor.

Naval tem uma habilidade imensa para condensar conceitos em poucas palavras e gerar pérolas de pensamento. Seguem algumas abaixo:

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Se você ainda não sabe no que deveria trabalhar, o mais importante é descobrir. Você não deveria fazer um monte de trabalho duro se não souber.

Doutores não o farão saudável. Nutricionistas não o farão magro. Professores não o farão esperto. Gurus não o farão calmos. Mentores não o farão rico. Treinadores não o farão em forma. No final das contas, a responsabilidade é sua.

A educação gratuita é abundante, por toda a Internet. É o desejo de aprender que é escasso.

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Não é realmente sobre trabalho duro. Você pode trabalhar num restaurante 80 horas por semana, e não ficará rico. Ficar rico é sobre saber o que fazer, com quem fazer junto, e quando. É mais sobre entender do que trabalho pesado.

Fuja da competição através da autenticidade. Quando você está competindo com outros, é porque você os está copiando. Porém, todo ser humano é diferente. Não copie. Ninguém é melhor em ser você do que você mesmo.

O pior resultado desse mundo é não ter autoestima. Se você não se ama, quem irá fazê-lo?

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Seja impaciente com ações, paciente com resultados.

O maior superpoder é a habilidade de mudar a si mesmo.

Tubarões comem bem, porém levam uma vida cercados de tubarões.

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Conhecer um pouco da sabedoria de Naval é algo que recomendo para todo mundo.

“Não se leve tão a sério. Você é apenas um macaco com um plano” – Naval Ravikant

Uma pedra lançada ao ar

Uma bela reflexão.

“Para uma pedra lançada ao ar, não há nada de ruim em descer, assim como subir também não foi bom” – citação das Meditações, de Marcus Aurelius.

Para a filosofia estoica, coisas como riqueza e patrimônio são indiferentes – não é ruim ter, mas também não é ruim não ter. Não é o mais importante, por assim dizer.

Trilha sonora: Vinte e nove – Legião Urbana.

Dois tempos: télico e atélico

O termo “telos” vem do grego, e significa “meta”, “objetivo”.

De tudo o que fazemos, podemos pensar que estamos fazendo algo tendo um objetivo em mente (télico) ou não (atélico).

Pode parecer que o ideal é todas as atividades serem télicas. Trabalhar. Ir para a escola. Fazer cursos para aperfeiçoamento de algum tema.

Porém, na verdade, o tempo atélico é tão importante quanto. Olhar para o vazio. Não ter nenhuma tarefa consumindo toda a concentração. Apenas brincar com as crianças.

São nos momentos atélicos que conseguimos ver além do óbvio. Pensar. Respirar. Ter energia para os momentos télicos. E, porque não, viver.

No Tao, temos a contraposição entre o cheio e o vazio. O vazio é tão importante quanto o cheio. Só conseguimos utilizar uma casa pelo espaço vazio que ela tem. Um copo só cumpre a sua função pelo vazio que será preenchido pelo líquido.

Portanto, equilibre o tempo télico e o atélico.

Sugestões de atividades:

  • Fique 10 min sem fazer nada
  • Faça uma caminhada de 30 min
  • Apenas brinque com seus filhos, sem ficar mexendo no celular

(Inspirado em reflexão de Sahil Bloom)

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Pequena vingança satisfatória

Estava eu a dirigir pela movimentada Rodovia Presidente Dutra, em SP, quando uma SUV vem a toda velocidade, cortando outros veículos e pedindo passagem – aquelas piscadelas de farol acompanhado de aproximação excessiva do carro. Este tipo de ocorrência é algo costumeiro, para quem trafega pela cidade, mas não deixa de ser extremamente irritante.

Eu estava a 110 Km/h, velocidade limite, então a SUV deveria estar facilmente a 150 ou mais.

Na primeira oportunidade que teve, o veículo fez a ultrapassagem(pela direita) e continuou, a toda velocidade, cortando os outros…

Uns 5 km depois, e eis que vejo a SUV citada, parada no posto da Polícia Rodoviária. O motorista claramente nervoso, a prestar esclarecimentos aos oficiais.

Não é bem uma “vingança”, na medida que não tive ação alguma, mas não deixa de ser satisfatória. Causas geram consequências, a questão é que o timing entre as duas coisas pode variar bastante. Neste caso, foi Instant Karma na veia…

Quem é voluntário para responder?

Quando o professor faz a pergunta, “Quem é voluntário para responder?”, no Brasil, uma ou duas mãos se levantam, timidamente, ou pior, ninguém levanta a mão. Aí, o professor intima alguém para se voluntariar à força: “fulano, o que você acha…” . Quem nunca vivenciou a situação?

Já presenciei uma turma de alunos japoneses (do Japão, não os descendentes), e quando o professor chama algum voluntário, é o exato oposto: há uma corrida para ver quem levanta a mão primeiro.

A ideia é que a educação é um tema extremamente importante, e demonstrar interesse, ser voluntário, é um passo para aprender mais. O objetivo do aluno não é só passar de ano, é tirar 10 em tudo, é ser o primeiro numa sociedade ultra-competitiva (sem entrar no mérito da questão, isso tem os seus prós e contras).

É claro que não dá para generalizar. Um monte de gente nem se interessa de verdade e levanta a mão só para constar, ao passo que o oposto também é possível, alguém tem vergonha de participar mas está genuinamente interessado na aula.

Uma consequência é a posição japonesa no ranking Pisa (uma avaliação mundial no nível segundo grau), sempre nos primeiros lugares. E o Brasil no ranking Pisa? Confira aqui no link (https://ideiasesquecidas.com/2019/12/03/ranking-de-educacao-pisa-2018/).

De forma geral, uma dica é sempre se voluntariar a responder ou participar, quando parte do público. Realmente, sempre aprendemos mais quando a nossa participação é maior!

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Winston Churchill, o homem que mudou o mundo 

Adolf Hitler quase venceu a Segunda Guerra Mundial. Em 1940, a Alemanha tinha invadido a Polônia, Bélgica, Holanda. A França tinha caído, e as tropas inglesas que haviam ajudado na defesa estavam evacuando em Dunkirk (tem até um filme a respeito). 

Os EUA não tinham entrado na guerra. A Rússia tinha um pacto de não-agressão com a Alemanha. A Itália era aliada da Alemanha.  

A única oposição real ao poderio alemão era a Inglaterra. Um homem, Winston Churchill, se opôs ferrenhamente a Hitler, e levou a nação-ilha a resistir, até a situação mudar. 

Era o homem certo no momento certo no lugar certo. 

Ele entendeu, desde sempre, que era inútil negociar com Hitler. Ele também entendeu que deveria modernizar o exército, com tanques e aviões. Por tudo isso, foi taxado de extremista, nacionalista, beligerante.  

Churchill tinha um vasto conhecimento e imaginação. E habilidade para criar a partir de seu conhecimento. Ele era tão letrado que podia citar Lord Byron e Shakespeare de cabeça. Estudava história, tinha paixão. 

Churchill usava palavras como bombas. Incendiava a paixão do povo britânico, através de discursos como o “The finest hour” e o “sangue, suor e lágrimas”. 

Também teve os seus erros, como subestimar o Japão, ou confiar demasiadamente em Stalin, por exemplo. 

Como Churchill mudou o mundo e o que podemos aprender com ele? 

O começo

O jovem Winston sempre achou que estava destinado à grandeza. Modéstia não era parte de sua característica. Impaciência para alcançar a grandeza. Tinha certeza de que a fortuna estava com ele. 

Escreveu 5 livros ainda na faixa dos 20 anos, participou da guerra dos Boers, e protagonizou uma fuga épica nesta, tornando-o famoso. 

Falhou duas vezes no vestibular, porque seu interesse maior era em inglês e história, não em matérias como latim. Entrou na terceira tentativa, mas seu pai o considerava uma pessoa de pouco valor. 

Veio de uma família aristocrata, de duques britânicos. 

Buscou abertamente riscos que o pudessem colocar na rota da grandeza esperada. 

Fazia treinamento exaustivo de seus discursos. Decorava o discurso todo, podia recitar de trás para frente. Além disso, devorava um estante de livros para escrever artigos e discursos. 

“Estude história, estude história. Na história, jaz todos os segredos da política de estado.” 

“Política é tão excitante quanto a guerra. Porém, na guerra, você só pode morrer uma vez, na política, várias vezes.” 

Ao invés de esperar por sua vez no congresso, desde o começo atacava oponentes mais poderosos como Neville Chamberlain, um político da época. 

Brilhante, com 30 e poucos anos já era parlamentar em ascensão. Ele ia para onde poderia ter oportunidades de agir. 

Como Almirante da Marinha 

Churchill se tornou almirante da marinha, com 36 anos. Missão de modernizar marinha britânica, ante a evolução da marinha alemã. 

Deu dois passos ousados, antevendo o futuro. Navios mais rápidos a óleo ao invés de carvão, e armamentos maiores. 

Porém, havia um risco. A Inglaterra não tinha acesso confiável a petróleo, para os navios a óleo. Isso foi resolvido com aumento da participação na companhia Anglo Persa de petróleo, que hoje é a British Petroleum, BP. 

O segundo problema, era que o armamento de 50 polegadas não existia, era inovador demais. Se fosse esperar todo o ciclo de testes, isso significaria dois anos a mais de atraso. A solução foi crer que funcionaria, e projetar os navios já com o novo armamento. 

Ele pensava grande e ousava, quando a maioria não o faria. 

Para tal, também tinha que se livrar dos oficiais incompetentes e ficar com os mais competentes. 

Influência do almirante Fisher: “Ataque primeiro, ataque pesado, continue atacando. Sem piedade, implacável, sem remorso. Se você odeia, odeie; se você luta, lute.” 

Outra inovação arriscada, à época (cerca de 1915), também era utilização de aviões (só para comparação, o famoso voo de Santos Dumont foi em 1906). Churchill estava sempre à frente da curva.

 

Primeira grande guerra

Diante de indecisão dos políticos, assumiu a frente. Tinha juventude, energia e experiência militar. 

A marinha, armada anteriormente, estava pronta e ajudou a vencer a guerra. 

Ocorreu um erro de seu mentor, Fisher, ao atacar o estreito de Dardanelos, ao buscar vitórias fáceis que não mudam o jogo. A Inglaterra não foi bem sucedida em Dardanelos, e o erro caiu na conta de Churchill. 

Após uma ascensão meteórica, agora ele caia. 

O custo político foi abdicar da posição de almirante, e foi enviado a ocupar um cargo menor, burocrático. Em poucos meses, abdicou do cargo. Não queria uma aposentadoria remunerada de pouca importância. 

Voltou ao exército, e foi à guerra, como major. Churchill foi ridicularizado, como alguém que tinha sido chefe da Marinha poderia se rebaixar a oficial subalterno? 

Esse episódio mostra que Churchill tinha a pele no jogo. Gostava de liderar não só com palavras, mas com o exemplo. 

Outro exemplo de visão. Ele defendeu tanques, outra inovação, para se contrapor aos alemães, que estavam se armando. Na época, a infantaria ainda usava cavalos. 

Novas oportunidades 

Churchill esperou pacientemente por uma posição. 

Nesse meio tempo, ele voltou a escrever. 

Ele escreveu um livro sobre a Primeira Guerra Mundial, incorporando muito de sua visão e experiência. Ele, que gostava tanto dos livros de história, agora estava escrevendo história. 

Nota: Churchill tinha tanta capacidade narrativa que ganhou prêmio Nobel em 1953. 

E o lado escritor ajudou a carreira política. Churchill assumiu como chanceler, e uma das grandes decisões da época foi a volta ao padrão ouro. 

Era uma época de trauma da primeira guerra. Pacifismo e desarmamento estavam na mente das pessoas.  

Em contrapartida, Churchill queria se armar, ante ameaças crescente de Hitler e Stalin. 

Perante a opinião pública, Hitler projetava imagem de pacifista moderado, amante da paz, que só queria se proteger e apenas reivindicava o que era de direito. Um pensamento da época era que a Alemanha, tão maltratada depois da primeira guerra, agora para compensar poderia se armar. 

Nessa época, outra inovação era o avião Spitfire, moderno, para fazer frente à Força Aérea alemã. Episódio curioso é que houve uma campanha de doações, chegando à casa de 500 milhões dólares (atuais) para salvar o projeto. Este avião foi imprescindível na Segunda Guerra. 

O avanço de Hitler e a Segunda Guerra 

A Alemanha de Hitler avançou sobre a Áustria, e depois ameaçava a Tchecolosváquia. 

Nessa época, o primeiro-ministro britânico da época, Neville Chamberlain, encontrou Hitler três vezes, para discutir a paz. 

Hitler queria os sudetos tchecos, e tinha como justificativa proteger os alemães da região e voltar à fronteira pré-Primeira Guerra. 

Chamberlain e Hitler chegaram a um acordo, cedendo os sudetos. Chamberlain voltou à Inglaterra saudando a paz, e convicto de que Hitler pararia por aí. Mas foi um total desastre. 

Hitler anexou os sudetos, e meses depois, a Tchecolosváquia toda. Depois, partiu para a Polônia. 

Com a Rússia, a Alemanha assinou um pacto de não agressão, essencialmente partilhando a Polônia. 

Churchill, que sempre fora crítico à política de apaziguamento de Chamberlain e de outros políticos da época, estava certo.  

A agressão alemã continuou: Finlândia, Bélgica, e isso derrubou Chamberlain. Churchill assumiu, como Primeiro-Ministro inglês, aos 65 anos. 

Após a queda da linha Maginot e da França, ele sabia que seria o próximo alvo. Liderou as preparações, como concentrar os spitfires. 

Os ingleses refutaram os alemães, após resistir aos bombadeios, na famosa “Battle of Britain”. 

Após a tentativa frustrada de conquistar a Inglaterra, Churchill sabia que Hitler compensaria indo para leste. Conhecia o inimigo. 

Joseph Stalin não era confiável. Mas como inimigo dos alemães, faria exatamente o necessário, tinha objetivos alinhados. 

A ameaça de invasão passou, mas daí em diante, começou o cerco. Submarinos, navios patrulhando as fronteiras da Inglaterra. O quanto uma ilha pode sobreviver? 

A maré virou com a entrada dos EUA na guerra, após os ataques japoneses a Pearl Harbor. 

O presidente americano, Franklin Roosevelt, era como um par de Churchill, alguém com trajetória e pensamentos semelhantes. 

Agora, o grande império britânico tinha ficado pequeno com o esforço de guerra, e com a Rússia e os EUA no jogo. Churchill sabia que seu ápice tinha passado, seu grande desafio tinha sido nos anos anteriores: segurar Hitler sozinho e trazer aliados para a guerra. 

Era uma questão de tempo até os Aliados vencerem o Eixo. 

Pós Segunda Guerra 

Stalin foi um dos grandes vencedores da Segunda Guerra: Rússia ocupando leste europeu e quebrando acordos. Uma reflexão era que Hitler tinha caído, porém Stalin estava mais forte do que nunca. O mundo tinha trocado um ditador por outro. 

Após a guerra na Europa, a Inglaterra tinha dificuldades de manter a marinha. Estavam exaustos. Numa geração, duas guerras mundiais. O cidadão comum queria comida na mesa, não combater o restante da guerra no oceano Pacífico. 

Como reflexo, o partido de Churchill perdeu as eleições após a guerra. 

O primeiro-ministro seguinte foi o oposto a Churchill. Alguém sem grande destaque, nada de liderança forte. Povo queria sossego, não entrar na história. 

Fora do governo, aos 70 anos, Churchill voltou a ser escritor. Escreveu a História da Segunda Guerra. Novamente, sendo um dos protagonistas, escrevendo e participando da história. 

Após a guerra e com liderança do Partido Trabalhista inglês, não houve êxito na Inglaterra ao implantar o estado de bem-estar social. Em 1947, houve racionamento de comida e de energia. Cotas de carvão, comida, fábricas fechando, cotas de roupa. Até o sabão em falta. 

Algumas causas de problemas: empréstimos e gastos demais. 

Isso levou Churchill a pronunciar, famosamente, “O capitalismo concentra riquezas, socialismo reparte misérias”. 

Tal situação levou Churchill de volta ao cargo de Primeiro-Ministro, em 1951, ficando mais seis anos, até se licenciar por problemas de saúde. 

Conclusões

Se Churchill nunca tivesse existido, talvez a Inglaterra não estaria preparada para encarar Hitler. Talvez tivesse feito um tratado de paz em 1940, dando tempo e recursos para a Alemanha consolidar os territórios conquistados na Europa e marchar para leste sem a preocupação de dividir o seu exército. Os EUA não teriam entrado na guerra, ou entrariam muitos anos depois. O mapa geográfico da Europa seria outro, e talvez o Terceiro Reich existisse até hoje… 

Churchill atingiu seu ápice ao encarar Hitler, praticamente sozinho, e manejar a situação até conseguir virar o jogo. 

Sir Winston Churchill morreu em 24 de janeiro de 1965, aos 90 anos. 

O que a história de Churchill pode nos ensinar? Algumas pequenas reflexões. 

– Estudar muito. Ter um background literário e histórico imenso ajudou Churchill a escrever discursos, entender os inimigos e estratégias. 

– Manter a posição que acredita, de forma coerente. A maré vira a favor e contra, e houve tempos em que Churchill estava em baixa (era taxado de retrógrado, armamentista, beligerante). Porém, no final ele estava certo, e se destacou por isso. 

– Coragem para ousar e buscar riscos. Inovações como navio a óleo, o avião spitfire e tanques, valiosos tanto na Primeira quanto na Segunda Guerra, demorariam anos a mais não fosse a visão e coragem de Churchill. 

– Aliados. Grande parte do sucesso de Churchill dependeu de alianças. Ele não poupou esforços ao voar para a Rússia de Stálin e os EUA de Roosevelt, para costurar alianças, e isso, com quase 70 anos! 

– Não ter vergonha de dar passos para trás. Churchill preferiu abandonar um cargo burocrático e sem importância para assumir um cargo menor na marinha, sendo ridicularizado por muitos. O conhecimento de campo e a pele no jogo mostraram-se de enorme valia no futuro. No final das contas, Churchill mudou o mundo, os que o ridicularizaram, não. 

Por fim, uma última mensagem de Winston Churchill: “Nunca, nunca, nunca desista”. 

Este conteúdo é um resumo baseado em “How Winston Churchill changed the world”, da série “The Great Courses”, além de outras fontes. 


Veja também: 

Churchill, o destino de uma nação: https://amzn.to/3aWCZHw 

O filme Dunkirk é sobre o resgate dos soldados britânicos na França. https://amzn.to/3eg4eia 

The Gathering Storm, filme sobre Churchill na HBO. 

A curva da Felicidade x Dinheiro

Uma pequena reflexão.

Não ter um mínimo de recursos é ruim, sem dúvida. Há uma correlação aqui: um estado de miséria é ruim, e vai melhorando proporcionalmente à renda: saúde, alimentação, moradia, educação, etc…

Entretanto, a partir de um certo ponto, não necessariamente mais vai ser melhor – virão outros problemas (muita pressão, exigências, medo de perder, entre outros).

Procure ficar na faixa ótima.

Trilha sonora: A Felidade – Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

Veja também:

Eu nem estudei e consegui tirar 6

Um dos itens culturais que mais me estarrecem até hoje, em termos Brasil x Japão, é a questão de estudos.

No Brasil é uma vergonha estudar muito. Quem o faz é o nerd, o desajustado social esquisito. O descolado é ser o safo, estudar pouco e garantir o mínimo. Já presenciei frases como: “Eu nem estudei e consegui tirar 6”.

Na cultura oriental, não é vergonha estudar muito, e os alunos estudam para tirar 10, e não para tirar o mínimo. A vergonha é estudar pouco. Está mais para “Estudei que nem louco e tirei só 8,5”.

Não só Japão, mas Coreia e China também têm culturas semelhantes.

É lógico que não é tão preto-e-branco assim, há diferenças enormes entre as pessoas, mas eu quis ressaltar uma diferença cultural que percebo existir.

Para fechar, um pequeno poema escrito nos banheiros dos cursinhos:

“Enquanto você está cagando, tem um japonês estudando”.

Veja também:

Gráficos e Reflexões – Pequena vantagem, milha extra e políticos

Seguem algumas representações gráficas de ideias diversas.

O gráfico a seguir é baseado numa frase de Napoleon Hill, “O mundo recompensa quem está disposto a percorrer uma milha a mais”.

Sobre energia x dia da semana:

Sobre Políticos x Analistas

Veja também:

Lei de Gérson

Comentário de colega meu: “No Brasil, você faz o certo, e é trouxa por causa disso. Lei de Gérson total.”

O que é essa tal “Lei de Gérson”?

Quem é mais novo não vai conhecer, mas Gérson foi um dos grandes jogadores da Copa de 1970, no México, da qual o Brasil foi campeão mundial. Excelente meia-armador, fazia lançamentos longos e precisos, era o “canhotinha de ouro”.

Eu não vi o Gérson jogar, mas vi ele comentar jogos de futebol na década de 90 em diante. Também tinha o apelido de “papagaio”, porque falava bastante.

Pois bem, o jogador protagonizou um comercial, nos anos 1970, em que dizia gostar de levar vantagem em tudo.

Da Wikipedia (https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_G%C3%A9rson).

O entrevistador pergunta por que Gérson escolheu os cigarros Vila Rica. Ao iniciar a resposta, Gérson saca um maço de Vila Rica e oferece um cigarro ao entrevistador. Enquanto o entrevistador fuma seu cigarro Vila Rica, Gérson explica os motivos que o fizeram preferir aquela marca.

“Por que pagar mais caro se o Vila me dá tudo aquilo que eu quero de um bom cigarro? Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também, leve Vila Rica!”.

Mais tarde Gérson se disse arrependido por ter associado sua imagem ao anúncio, visto que qualquer comportamento pouco ético foi sendo aliado ao seu nome nas expressões Síndrome de Gérson ou Lei de Gérson.

Gérson continua sua carreira de comentarista, até os dias de hoje. Infelizmente, ele foi só um ator num comercial infeliz, sua postura na vida não lembra em nada a “Lei de Gérson”.

Eu, particularmente, acho a “Lei de Gérson”, o “jeitinho brasileiro”, algo ruim: dar um jeito de furar a fila, conseguir piratear algo e ainda se orgulhar disso, esse tipo de coisa.

Conheci uma pessoa que repetia, à exaustão: “Aos amigos, tudo, aos inimigos, o rigor do estatuto”, como se fosse algo bom. O correto seria exatamente o oposto, ter bons estatutos, e todos seguirem o mesmo, sejam amigos ou não – e é exatamente assim que acontece nos países desenvolvidos, o certo é certo, o trem sai exatamente às 18:15h, sem “quebrar o galho” de um amigo atrasado.

A frase a seguir não vai pegar nunca, mas vamos lá: “Bons estatutos para amigos e inimigos”.

Veja também:

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/lei-de-gerson-como-surgiu-lei-da-vantagem-atribuida-ao-jogador.phtml

O instinto da fé

Alguns highlights sobre o livro “The Faith Instinct”, de Nicholas Wade.

O ponto principal do autor é que religiões representam uma vantagem evolutiva para a espécie humana – não pensando como indivíduo, mas pensando como grupo.

Há traços de religião desde 50 mil anos atrás, mostrando que o instinto da fé está desde então embutido no cérebro do ser humano.

Algumas vantagens: esperança em tempos difíceis, possibilidade de vitória mesmo sendo um oprimido (afinal, o último na Terra será o primeiro no paraíso), círculos mútuos de confiança, atividade comuns como dança.

A religião ajudou na seleção natural? Se não fosse importante, teria sido eliminada, entretanto todas as nações do mundo têm religião de alguma forma. E se isso acontece, é porque há benefícios para a sociedade.

É similiar à linguagem. Todos os povos do mundo têm linguagem. Cada uma evoluiu de forma diferente, porém, há predisposição mental do ser humano para ser capaz de se comunicar através de linguagem (ao contrário de leitura e escrita, ou matemática, que devem ser aprendidos por um longo tempo na escola). Tanto a linguagem quanto a religião só fazem sentido em um contexto social, em grupos.

Há maior coesão em grupos com religião comum. O indivíduo tem uma razão a mais para lutar pelo grupo. Há um paradoxo: o indivíduo perder a vida e a oportunidade de passar os genes adiante – porém, existe a teoria de que passar os genes de semelhantes do seu grupo é tão importante quanto.

Ao invés de seleção natural, pensar em seleção de grupos.

Em contextos de guerras, colheita ou obras, é necessária uma enorme uma coesão social para coordenar esforços e dividir recompensas. A religião pode ajudar a aumentar a coesão, a superar medo da morte e da insegurança em geral.

Não sabemos exatamente como decisões morais são tomadas. Não dá para mudar opinião da pessoa através de raciocínio puro.

Danos ao cérebro podem fazer pessoas agirem com menos moral. Ex. Chocolate em forma de cocô vai ser repugnante para muitos, exceto pessoas com distúrbio em uma determinada região do cérebro – o que mostra que há alguns gostos pré-programados.

Charles Darwin, junto à teoria da evolução das espécies, também especulou sobre teoria moral. Juntos, animais conseguem combater ameaças maiores. Porém, os membros do grupo não devem atritar entre si. O seguidor deve ter naturalmente um grau de submissão ao líder. Há uma hierarquia de poder – há posição social até em macacos. Há também troca de informação constante – pessoas em vilarejos fofocam sem parar.

Por que existem rituais exigentes em religiões? Para seguir a religião, há a necessidade de fazer sinais custoso em termos de tempo e sacrifício. Um dos objetivos é evitar aproveitadores, que só querem tirar vantagem sem contribuir. Outra, é estimular quem já está no grupo. Deve ser sinalização difícil de falsificar, ir para Meca, vestir indumentárias desconfortáveis. Existe um grau ótimo de exigência x benefícios.

A música também é um fator presente em todas as culturas, promove coesão e sincronia entre pessoas.
Até o Talebã, que baniu boa parte das religiões, permite cânticos musicais.

Também existe um link entre música e capacidade de atração sexual – desde o passarinho cantando até o rock star dos nossos tempos.

Religiões envolvem música, dança, linguagem.

Será que o autor está certo? Outra possibilidade é a diametralmente oposta: a religião é sub-produto da evolução, com pouco efeito no resultado final.

Seja como for, a religião é parte constante da humanidade, desde a idade das pedras até os dias de hoje!

Link da Amazon: https://amzn.to/3F4xqGK

Agradeço ao amigo Cláudio Ortolan por emprestar o livro.

Veja também: