Mais histórias do Mulá Nasrudin

Recontando algumas histórias do Mulá Nasrudin, personagem folclórico do Oriente Médio.


O alfaiate e o desejo de Alá

O Mulá Nasrudin encomendou um terno novo ao alfaiate, que prometera o prazo de 10 dias para terminar.

Ao final do período, Nasrudin foi buscar a roupa, mas ainda não estava pronta. O alfaiate prometeu:

  • Se Alá quiser, em uma semana entrego a peça.

Uma semana depois, Nasrudin foi novamente ao alfaiate, que ainda não tinha terminado. Uma nova promessa:

  • Se Alá quiser, em mais alguns dias termino.

Dias depois, Nasrudin retornou, mas, adivinhe, a peça ainda não estava pronta.

  • Se Alá quiser, semana que vem finalizo.

Ao qual, o Mulá retrucou:

  • E qual o prazo, se tirarmos Alá?

A caçada de urso nenhum

O Mulá Nasrudin foi convencido por amigos, a contragosto, a caçar ursos na floresta.

Ao final de alguns dias, os caçadores retornaram de mãos vazias. Nasrudin comentou: “Que bom nenhum urso”.

Os colegas estranharam o comentário, ao qual Nasrudin complementou:

  • Melhor nenhum urso do que algum!

O pagamento pelo banho

Nasrudin foi ao banho público. Como ele estava sujo e maltrapilho, os atendentes praticamente o ignoraram. Ao final do banho, contudo, o Mulá deu uma moeda de ouro para cada atendente, como gorjeta.

Na semana seguinte, Nasrudin foi ao mesmo banho, impecável, trajado como um príncipe. Foi extremamente bem atendido, ganhou loções exóticas e atenção personalizada.

Ao final da experiência, ele deu a mais enferrujada das moedas de centavos como gorjeta para os atendentes, complementando:

  • A gorjeta da semana passada foi para o tratamento de hoje, a gorjeta de hoje, pelo tratamento da semana passada.

O Empréstimo pago corretamente

O Mulá Nasrudin emprestou dinheiro para um aventureiro, mesmo tendo certeza que este não honraria o pagamento.

Para a sua surpresa, o mesmo devolveu corretamente o valor emprestado, na data correta.

Tempos depois, o aventureiro pediu novamente empréstimo, um valor maior do que da primeira vez.

Desta vez, Nasrudin negou:

  • Você já me enganou da primeira vez, quando honrou um empréstimo que eu saberia que não honraria. Não vai me enganar uma segunda vez!

Hábito de comer açúcar

Quando o Mulá Nasrudin tinha a função de juiz no vilarejo, uma mãe pediu a ele que proibisse o filho de consumir açúcar.

O Mulá pensou um pouco, e pediu para a mãe retornar em duas semanas.

Na audiência seguinte, o Mulá pediu para esperar mais duas semanas, depois, mais duas.

Finalmente, depois de tanto tempo, a sentença: Nasrudin ordenou que o filho consumisse apenas metade do açúcar.

A mãe, mais intrigada pela demora do que pela sentença, perguntou pelo motivo dos adiamentos da decisão, ao qual, Nasrudin respondeu:

  • Eu não podia dar uma sentença sem saber se seria possível ou não executar. Usei esse tempo para experimentar se era possível ou não ficar sem açúcar.

(Ah, se todos os juízes fossem assim)

Veja também:
https://ideiasesquecidas.com/2020/08/15/5-contos-do-budismo/

Apenas um bronze?

Uma lição que fica para mim, na emocionante celebração da medalha de bronze de Bruno Fratus. Cara, é muito, muito difícil conseguir uma medalha.

Primeiro, você tem que ser o melhor do Brasil na modalidade. Não é o melhor do bairro. É o melhor do Brasil inteiro!

Mas só isso não basta, tem que ter nível olímpico, estar entre os melhores do esporte mundial.

Para isso, foco, treinamento incessante, exercícios. Resolver problemas extra esporte. Equilibrar as contas.

Chegando lá, você tem que enfrentar outros atletas de altíssimo nível, os melhores dos melhores do mundo em sua geração, que também dedicaram incontáveis horas de treinamento intenso.

Além de tudo o que depende de você, os deuses do Olimpo também devem estar sorrindo.

Uma contusão, um erro, um vento, um sorteio de chaves, um buraco no campo, um árbitro equivocado, tudo isso pode contar a favor ou contra.

Portanto, não é só um bronze. Não é apenas uma participação nas Olimpíadas. É o esforço de toda uma vida dedicada ao esporte.

Parabéns aos atletas brasileiros nas Olimpíadas de Tóquio 2020!

(De: https://twitter.com/EmilioSansolini/status/1421047424156676096)

Complexidade e outros pensamentos

Uma ideia minhas, algumas de outras pessoas e uma chamada à ação.

Fiz um meme, baseado em outro que vi.

O que conseguimos entender do passado / enxergar do futuro:

Lembra Sócrates: “Tudo o que sei é que nada sei”

Ou Nietzsche: “Não existem fatos, apenas interpretações”.

Frases de que gosto:

“Tudo é óbvio, desde que você saiba a resposta” – Livro de Ducan Watts.

“O mais importante na comunicação é ouvir o que não foi dito.” – Peter Drucker

“Dizem que muito do que falo é óbvio. Mas se é tão óbvio, por que ninguém disse isso antes? E por que ninguém pratica?” – Peter Drucker

“O maior inimigo da criatividade é o bom senso” – Pablo Picasso

Dedicado ao STF:

“As leis são como as teias de aranha que apanham os pequenos insetos e são rasgadas pelos grandes…” Sólon, legislador ateniense

Chamado à ação:

  • Tente criar um meme engraçado ou inspirador sobre qualquer assunto e poste em suas redes sociais.

Seleção de frases – Naval Ravikant

Algumas frases selecionadas.

Doutores não o farão saudável. Nutricionistas não o farão magro. Professores não o farão esperto. Gurus não o farão calmos. Mentores não o farão rico. Treinadores não o farão em forma. No final das contas, a responsabilidade é sua – Naval Ravikant

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A educação gratuita é abundante, por toda a Internet. É o desejo de aprender que é escasso.

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Os supereducados são piores do que os subeducados, tendo trocado o bom senso pela ilusão do conhecimento.

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O sistema educacional atual é completamente obsoleto.

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Aumente a serotonina no cérebro sem drogas: luz solar, exercício, pensamento positivo e triptofano.

A realidade é que a vida é um jogo de um único jogador. Você nasceu sozinho. Você vai morrer sozinho. Todas as suas interpretações estão sozinhas. Todas as suas memórias estão sozinhas. Em três gerações, você e as lembranças de você se vão e ninguém se importa. Antes de você aparecer, ninguém se importou.

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O que eu fiz foi decidir que minha prioridade número um na vida, acima da minha felicidade, acima da minha família, acima do meu trabalho, é a minha própria saúde. Começa com minha saúde física.

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Seja impaciente com ações, paciente com resultados.

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Você é basicamente um monte de DNA que reagiu ao ambiente.

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O maior superpoder é a habilidade de mudar a si mesmo.

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Tubarões comem bem, porém levam uma vida cercados de tubarões.

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O pior resultado desse mundo é não ter autoestima. Se você não se ama, quem irá fazê-lo?

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A direção que você está indo importa mais do que o quão rápido você se move, especialmente com alavancagem.

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É muito importante ter espaço livre. Se você não tem um dia ou dois toda semana no calendário, você não será capaz de pensar.

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5 regras para a vida

Cada um de nós é livre para escolher as regras que melhor cabem para guiar a sua vida.

Neste começo de ano, escolha as suas próprias regras.

Regras para a vida, de Arnaldo Gunzi.

1 – O mundo é cíclico
2 – Resultados são não-lineares
3 – O longo prazo chega um dia
4 – A felicidade está no caminho
5 – Somos feitos do que pensamos


1 – O mundo é cíclico


O mundo é cíclico. Causas geram consequências, talvez não imediatamente, mas um dia, de alguma forma, as sementes geram frutos.

É como empurrar água numa banheira: ela vai, bate na borda e retorna em seguida.

Jogamos jogos iterativos, uma, duas, centenas de milhares de vezes, com outras pessoas que habitam este planeta.


2 – Resultados são não-lineares

Ações são lineares, porém resultados são não-lineares.
Só conseguimos agir linearmente – ou seja, um pouco por dia. Mesmo fazendo muita coisa por dia, o limite é de 24h.

No entanto, esse um pouco por dia, por vários dias, num mundo cíclico, gera o efeito dos juros compostos.

Já dizia Einstein que os juros compostos são a força mais poderosa do universo. Juros sobre juros, resultados sobre resultados, crescendo exponencialmente.

O efeito é que os resultados serão invisíveis no dia-a-dia, por muito tempo, fazendo-o questionar: “Para que tanto esforço?”

Até que, um dia, os resultados chegam. É como se fosse uma função não-linear, descontínua, aos saltos.

Ciclos podem ser virtuosos ou viciosos. Ciclos virtuosos são para cima. Em geral, é muito difícil subir, temos a gravidade se opondo.

Ciclos viciosos são o oposto, para baixo. Novamente, o resultado não virá no dia, mas no acúmulo dos dias, meses e anos. Quando a pessoa percebe, está numa armadilha difícil de sair. É extremamente mais fácil descer do que subir. Tais ciclos devem ser interrompidos imediatamente, sob o risco de se tornarem intransponíveis com o tempo.

Sub-tópico: Alavancagem. Alavancar é tomar emprestado a força de outros, seja na forma de trabalho (terceirização, por exemplo), dinheiro (investimento) ou know-how. A alavancagem acelera os ciclos, é como se o expoente fosse um número maior (para bem ou para o mal).

Como disse Arquimedes: “Dê-me uma alavanca e moverei o mundo”.

Sub tópico: as regras não estão escritas. Não há um livro que contenha as regras absolutas do que vai dar certo e o que não vai.


3 – O longo prazo chega um dia


Neste mundo cíclico e não-linear, ficamos impacientemente esperando pelos resultados. Estes não virão a curto prazo, só a longo prazo.

O longo prazo pode ser vários anos. Ou décadas, muitas décadas.

No xadrez, o ser humano tem capacidade de analisar algumas poucas jogadas à frente. Já um computador pode analisar centenas de jogadas. O ser humano faz uma jogada que maximiza o resultado de curto prazo. Já um bom software pode fazer jogadas estranhas a curto prazo, porém boas a longo prazo. Hoje em dia, nenhuma pessoa consegue vencer os computadores no xadrez.

Ganhos de curto prazo podem satisfazer o nosso ego, encher os nossos receptores de prazer e satisfação. Tal como uma “escapadinha” pode gerar satisfação momentânea, porém problemas conjugais e filhos rejeitados, que se perpetuarão pelos anos vindouros.

No longo prazo, os resultados do mundo cíclico são exponenciais.


No final do dia, o longo prazo é que conta de verdade.

4 – A felicidade está no caminho


Trabalhamos, estudamos e nos esforçamos tanto para conseguir o nosso lugar ao Sol neste mundo.

O que não percebemos é que não é conquistar isso tudo que nos trará felicidade.

É como se estivéssemos escalando uma montanha, e após conseguir, avistamos outra montanha, maior ainda, e outra, e outra.

Passar pelo colégio, depois pela graduação, conseguir uma boa colocação, família, outra colocação melhor, viajar para fora, pós-graduação, resolver problemas de saúde, resolver problemas na família. São inúmeros pratos girando, e se todos estiverem ok, procuramos mais pratos para girar, até o ponto em que algum deles começa a cair.

O mito grego de Sísifo remete a um condenado pelos deuses a rolar uma pedra morro acima. É uma pedra enorme, e Sísifo faz um esforço tremendo para conseguir o feito. Porém, no exato momento em que ele consegue o objetivo, a pedra rola para baixo, para o ponto inicial, obrigando-o a começar tudo de novo, todos os dias, todas as décadas, eternamente.

O escritor francês Albert Camus reinterpretou o mito de Sísifo, acrescentando um final um pouco diferente: nota-se um leve sorriso em Sísifo, no momento em que ele está concentrado, rolando a pedra morro acima.

A felicidade está no caminho percorrido, e não no final. O momento é aqui, e agora.


5 – Somos feitos do que pensamos

Assim como o nosso corpo é constituído daquilo que comemos, a nossa mente é feita do que consumimos.

O fast-food da mente são a mídia vazia que invade as múltiplas telas de nossos lares: aquele vídeo sensacionalista, a foto da comida do restaurante bacana que o primo postou, o boato atacando x ou y, a fofoca que não melhora o mundo em nada, os famosos que mostram a bunda em troca de likes…

Consumas desgraças e serás apenas desgraça. Consumas futilidade, serás outra.

Assim como uma alimentação de qualidade necessita de tempo e esforço na preparação, bons pensamentos exigem uma quantidade enorme de trabalho para serem selecionados e digeridos. Bons livros (em papel ou digitais), bons professores, grandes nomes para seguir, bons grupos para entrar.

É como se o software modificasse o hardware. Os pensamentos (software) vão alterando as redes neurais, um pouquinho por vez, até o momento em que o cérebro todo (hardware) está reconectado com a nova realidade.

Sub tópico. Diga-me com quem andas, e direi quem és. A boa frase continua tão válida hoje quanto no passado, aliás será válida para todo o sempre. Não se associe ao vampiros emocionais que vão sugar a sua energia. Não se associe à sociopatas que querem o seu trabalho em troca de nada. Não se associe àqueles que têm satisfação em ver o outro para baixo (porque, dessa forma, sentem-se superiores). Não se associe à cínicos, pessimistas crônicos, ou pessoas de mau caráter. Associe-se a quem vai te jogar para cima.


Conclusão. O grande filósofo Friedrich Nietzsche disse algo assim. É como se estivéssemos numa margem de um rio enorme, e tivéssemos que atravessar para o outro lado. Há algumas pontes construídas ao longo do rio. Porém, utilizar a ponte tem um pedágio, e o preço é a sua alma…


Construa o seu próprio barquinho para realizar a jornada.

A mente deve ser cultivada como um jardim

Este texto é inspirado no livro, “O homem é aquilo que pensa”, do escritor britânico James Allen, publicado originalmente em 1903.

O homem é aquilo que pensa.

A mente é como um jardim. E, como todo jardim, pode ser cultivado ou abandonado.

Um jardim abandonado terá proliferação de ervas daninhas.

Um jardim cultivado dará flores e frutos.

Devemos eliminar pensamentos inúteis, perigosos, e cultivar pensamentos bons, úteis.

Nossos pensamentos se tornarão padrões e hábitos, que se transformarão em nossa personalidade. Por fim, isso influenciará nosso destino.

Mudando os nossos pensamentos, o nosso destino também mudará.

O mundo é mudado por nós, e não o oposto.

Temos a total responsabilidade por nossas vidas.

O homem é limitado apenas pelos pensamentos que escolhe.

Notas finais:

De forma similar à Allen, há outros pensadores que também citam o tema.

Há uma frase de Buda, que diz “Somos aquilo que pensamos”.

Ou Shakespeare, através de seu personagem Próspero, na obra Tempestade: “Somos feitos da matéria de nossos sonhos”.

Vejo muita gente que adora cultivar o corpo em academias, crossfit e similares. Ou em dietas, salões de beleza. Porque tanta gente cultiva o corpo e e tão poucos cultivam a mente?

Veja também:

Link do livro na Amazon https://amzn.to/3ng6BFr

https://ideiasesquecidas.com/2020/10/15/o-ecossistema-faz-toda-a-diferenca/

https://ideiasesquecidas.com/2019/10/27/o-que-e-sucesso-meme/

https://ideiasesquecidas.com/2018/07/16/o-que-e-felicidade-para-mim/

Algumas histórias do mulá Nasrudin

Nasrudin é processado

Um dia, o mulá Nasrudin disse: “Os sábios desta cidade são sabem merda nenhuma”.

O pessoal da cidade processou Nasrudin, demandando que ele provasse o que dizia ou sofresse punição.

“OK”, disse Nasrudin.

Ele deu um pedaço de papel e caneta para o público. “Cada um de vocês, escrevam o que é merda?”.

Eles escreveram e entregaram o papel ao juiz.

“O cientista escreveu que merda é uma composição de água e detritos de comida”.

“O filósofo escreveu que é uma manifestação dos ciclos de mudanças da vida”.

“O médico escreveu que é matéria descartada do corpo para boa saúde”.

Nasrudin, então, completou: “Vejam só, todos os sábios deste lugar, não sabem merda nenhuma”.

O dia da festa

Nasrudin foi ao palácio, num dia de festança. Foi barrado na entrada pelos servos, por estar trajando roupas esfarrapadas.

O mulá voltou para casa, vestiu-se com roupas extravagantes, e dessa vez, foi aceito na entrada.

Nasrudin então começou a derramar comida e vinho em suas roupas, causando estranheza em outro convidado, que indagou, “O que você está fazendo?”

“Oh, estou alimentando a minha roupa primeiro. Afinal das contas, ela é que foi aceita na festa”.

Você está correto

O juiz Nasrudin estava ouvindo um caso. Após o promotor apresentar o seu lado, Nasrudin falou, “Você está correto”.

Após o defensor explanar a sua versão, Nasrudin afirmou: “Você está correto”.

A esposa de Nasrudin estava ouvindo o caso, e afirmou, “isso não faz sentido, como ambos podem estar corretos?”

“Sabe de uma coisa”, disse Nasrudin. Você também está correta!

O pássaro que salvou a minha vida

Nasrudin estava andando no deserto, e encontrou um homem santo, que se apresentou: “Sou um místico, devotado à apreciação da vida, especialmente pássaros”.

“Que maravilha”, Nasrudin respondeu. “Sabe, um dia um pássaro salvou a minha vida”.

O homem santo gostou do mulá, e passaram horas conversando – mas, todas as vezes, Nasrudin se recusava a contar a história.

Outro dia, após diversas súplicas do homem santo, Nasrudin finalmente concordou em contar a história:


“Um dia, faz uns seis anos, eu não tinha comido há muito tempo e estava morrendo de fome. Então, peguei um passarinho numa armadilha, e assim, ele salvou a minha vida”.

Veja outras histórias do mulá Nasrudin:

https://ideiasesquecidas.com/2020/02/22/a-sabedoria-do-mula-nasrudin/

https://ideiasesquecidas.com/2019/05/05/e-depois/

https://ideiasesquecidas.com/2019/01/06/o-fardo-que-carregamos/

Se encontrar alguém melhor do que você, contrate-o

David Ogilvy foi um publicitário de sucesso, frequentemente considerado como o “pai da propaganda”. Escreveu alguns livros, como “Confissões de um publicitário”, cheio de ensinamentos valiosos.

Ogilvy

Segue um punhado de frases deste gigante.

 

Se encontrar alguém melhor do que você, contrate-o. Se necessário, pague a ele mais do que você ganha.

 

Tolere os gênios.

 

Tente fazer com que trabalhar seja divertivo. Quando as pessoas não estão se divertindo, raramente produzem bons resultados.

 

O que você mostra é mais importante do que o que você diz.

 

Grandes ideias são normalmente simples.

 

Delegue, faça o seu pessoal pensar. Esta é a única maneira de descobrir se são realmente bons.

 

 

Procure o conselho de seus subordinados. Ouça mais e fale menos.

 

Despreze os bajuladores dos chefes. São geralmente as mesmas pessoas que tiranizam seus subordinados.

 

A melhor forma de conquistar novas contas é criar para os nossos clientes atuais.

 

A busca pela excelência é menos lucrativa que a busca pelo tamanho, mas é mais gratificante.

 

Somente negócios de Primeira Classe, em uma maneira de Primeira Classe.

 

 

Fonte: Citações de David Ogilvy.

Qual a importância de uma única opinião?

Qual a importância de uma única opinião, no meio do mar de opiniões deste mundo?

 

Só no Brasil, são 200 milhões de pessoas, cada uma com a sua cabeça. No mundo, 7 bilhões de seres humanos – o que é uma única voz no meio de tanta gente?

 
Só para dar uma dimensão, imagine que um trem de 140 m é a população total do mundo. Um único ser humano representa 0,00002 mm do comprimento deste trem!

Qual a importância de opiniões como as seguintes?

 

A minha resposta é: uma única opinião vale muito, vale muito mais do que a gente imagina! A seguir, explico o por quê.


O Paradoxo de Sorites

Tome um monte de areia. Um grão de areia não é nada perto deste monte de areia. Então, retire um grão de areia deste monte – o mesmo permanece exatamente igual, não faz diferença alguma.

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Um monte de areia menos um grão de areia é igual a um monte de areia.

Então, retire mais um grão de areia, depois outro grão de areia… de grão em grão, o monte vai sumir, chegando a zero grãos.

“Soros” significa “monte” em grego – será que George Soros sabia disso?

 

A ideia é essa, o todo é tremendamente maior do que cada uma das partes, entretanto, cada partezinha dessas é o que forma o todo.

 


 
Redes de opiniões

 

Seres humanos não são grãos de areia, e uma das principais diferenças está na forma de conexão. Grãos de areia são todos iguais, indistinguíveis uns dos outros, e se ligam apenas a seus vizinhos. Seres humanos não, são todos diferentes entre si, e alguns tem conexões milhares de vezes maiores do que outros, segundo uma lei de Pareto.

 

Uma personalidade como Neymar tem 100 milhões de seguidores, e a opinião dele acerca de qualquer coisa, um shampoo novo que seja, potencialmente atingirá muita gente.

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Potencialmente, todos nós temos uma série grande de contatos, principalmente a se considerar um perfil de classe média num grande centro urbano de um país como o Brasil.

 
Além disso, há pouquíssimas novas opiniões. O que há de monte são as mesmas ideias, copiadas e coladas, repetidas à exaustão até virarem verdade absoluta. A internet é um enorme ctrl+c e ctrl+v. Mais fundo ainda, o cérebro é um grande ctrl+c ctrl+v de ideias prontas, lugares comuns.

O senso comum é a opinião de meia dúzia de pessoas que viralizou e atingiu um público enorme.

Exemplo. O quadro mais famoso do mundo é o de Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. Por quê? Os críticos de arte dirão que este é sensacional, enigmático, revolucionou a história das artes, etc. Talvez este realmente seja enigmático, mas esta não é a única causa de seu sucesso. No livro Hitmakers, o autor Derek Thompson argumenta que a Mona Lisa era somente mais um quadro esquecido no museu, até que foi roubado, ganhou as manchetes, e recuperado tempos depois, e entrou no imaginário popular apenas após a paródia L.H.O.O.Q de Marcel Duchamps, que apresenta a Mona Lisa de bigode….

 

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Há pessoas famosas por serem famosas, num ciclo eterno de realimentação.
Uma opinião bem embasada, forte e diferente do senso comum tem um valor inestimável, é isto que faz com que a cultura mude, é isto que faz toda a diferença, por mais que seja apenas uma única pessoa gritando “o Rei está nu”.

 


 

Um raio laser de ideias

O laser, hoje em dia onipresente em nossas vidas (scanner de código de barras, leitor de cds, impressoras a laser), significa “amplificação da luz por emissão estimulada de radiação” – o que não quer dizer muita coisa a princípio.

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Trocando em miúdos, é mais ou menos assim, “ampliação de luz a partir do efeito Maria-vai-com-as-outras“.

Um átomo é colocado num estado de alta energia. Na presença de uma onda de luz já existente, este átomo libera energia na forma de um fóton (luz), na mesma frequência e mesma fase da onda de luz que a estimulou. Quando passa uma luz, estimula a liberação de outros fótons com as mesmas características, de forma coerente e sincronizada – daí vem o seu poder.

 
Somos como cada átomo desses, cada um com a sua luz interna, que pode ser estimulada e entrar em sintonia com outras luzes de outras pessoas, quem sabe, assim, formando um raio laser poderoso de ideias – sendo este capaz de mudar alguma coisa de verdade no mundo.

Quando o primeiro grita “o Rei está nu”, outros tantos que estão acompanhando também podem o fazer, em coro, expondo aquilo que cada um de nós, individualmente, não conseguiria.

O paradoxo de Sorites não existe no caso do ser humano, porque é como se pudéssemos sincronizar os grãos de areia: ao cair um, caem todos de uma só vez.

Daí a importância das opiniões. Muitas vezes, não vai dar em nada – é como um fóton isolado que se perdeu no universo, mas, outras vezes, pode se transformar num raio laser, capaz de deixar a sua marca no universo.

 


Links:

https://en.wikipedia.org/wiki/Sorites_paradox

https://en.wikipedia.org/wiki/Laser

 

O homem mais forte do mundo e o Bobo da corte

Esta é a história do Homem Mais Forte do Mundo, forte não em termos de força física, mas no sentido moderno, do business corporativo.

Ele era um executor de tarefas impiedoso. Meta dada era meta cumprida, qualquer fosse o custo para tal. Cobrava as pessoas com força e autoridade, utilizando ferozmente suas armas, os chicotes e as cenouras do mundo corporativo. Com seus escudos e lanças, matava os leões modernos de cada dia.

Trabalhava de 8 da manhã às 9 da noite no escritório e até de madrugada em casa, frequentemente exigindo que os subordinados o fizessem também. Ao mesmo tempo, ele era cuidadoso no linguajar, de forma que as palavras não o pudessem comprometer pelas regras modernas de assédio moral. Entretanto, o seu gesto corporal era claro: ou se submetia às regras, ou estaria fora…

Ele navegava bem pelas conexões deste mundo, fazendo as alianças necessárias para subir às mais altas das montanhas, frequentemente utilizando alguns dos ex-parceiros como degraus no meio do caminho.

Desafiá-lo era enfrentar alguém com uma couraça impenetrável e um gancho de direita nocauteador, rude, preciso e impiedoso.

A moral e a ética, embora fossem apregoadas incessantemente da boca para fora, frequentemente ficavam de lado na prática.

De fato, ele subiu alto. Depois de um tempo, o Homem Mais Forte do Mundo era frequentemente capa de revistas corporativas, conhecido como alguém que resolvia qualquer parada, que valia qualquer dinheiro.

 
Numa dessas festas corporativas, ele encontrou o Bobo da Corte, vil e inútil, da mais baixa camada social. E o Bobo o desafiou para um duelo de palavras, para ver quem era o mais forte de verdade.

Bobo:

Sou o bobo, sou um nada.
Sou um palhaço, uma piada.
Porém, a verdade conto:
Mais bobo, menos que nada, és tu,

És um zero à esquerda,

És um boçal, o verdadeiro palhaço,

Um inútil, um merda,
A verdadeira piada.

Homem forte: Estás de brincadeira? Sou grande, sou forte, sou admirado por todos, alcancei o que poucos alcançaram, fiz o que poucos fizeram.

Bobo:

Sim, tens razão,
És tão forte, mas tão forte,
Que a tua grossa couraça
Impede qualquer sentimento,

Tuas glórias são as desgraças de outrem,
Por onde passas, terras arrasadas,
Onde caminhas, não nasce a grama.

Homem forte: Tu me insultas, me calunias, mas o que tens além de palavras? Eu tenho tudo, sou alto gestor da empresa, tenho milhões no banco, imóveis, investimentos, e você, nada tem.

Bobo:
Deixarás o teu saco de ouro na Terra no dia que partires,
Assim como deixarás um mar de ressentimento,
Veja só, os fantasmas dos que ficaram para trás,
Os que foram traídos por tuas promessas vazias,
Os que foram apunhalados por tuas fofocas,

O teu ouro é tirado de outrem,
Colhes o fruto e derrubas a árvore,
Desfrutas do presente e cauterizas o futuro.
És o mais covarde dos homens.

Homem forte: Mentiras contas a mil, sou admirado pelos colegas à minha volta, sou idolatrado pelos meus amigos.

Bobo:

Amigos verdadeiros não tens,
Apenas interesseiros e bajuladores,
Não o admiram, apenas o temem,
Por trás, esses mesmos fazem piadas com o teu nome,

És denominado “coração de gelo”,
És denominado “grandíssimo FDP”,
O domingo é o teu dia mais triste,
Em que ficas com tua verdadeira companhia,
Em que ficas com a Solidão.

Homem forte: Novamente mentes, namoro uma linda modelo, atriz de novelas, a mais cobiçada de todas.

Bobo:

Novamente, enganas a ti mesmo,
Ela não enamora a ti, apenas a teu dinheiro,
A presença dela é alugada,
Movida a joias e luxos,

Não há mulher verdadeira que o suporte,
Acabas invariavelmente sozinho.
Tens um filho, mas é como se não tivesse nenhum,
Já que nenhum é o tempo que passam juntos,
Conheces mais a foto dele do o mesmo de verdade.

Homem forte: Pelo menos, sou saudável e viril, não um mirradinho como tu és.

Bobo:

Qual nada,
Corpo algum aguenta ser maltratado,
Não és uma máquina infalível,
És movido a estimulantes,

Dormes com sedativos,
Começastes devagar, mas agora
Do álcool és escravo,

Derrotas a todos, menos a ti mesmo.

O Homem forte pensava na resposta, quando viu os colegas a seu redor gargalhando, rindo com escárnio, apontando-lhe os dedos, liberando o sentimento verdadeiro preso nesses anos todos.

Bobo:

Tua couraça dura consumiu o interior macio,
És forte por fora e um vácuo interno.
És por fora reluzente como o ouro,
És por dentro, vazio, inerte, um nada.

Mais bobo, menos que nada, és tu,
És um boçal, o verdadeiro palhaço,
A verdadeira piada.

O Homem forte sabia que tinha sido derrotado, pela primeira vez na vida, e pôs-se a chorar, a soluçar com todas as forças, incessantemente.

Por fim, o Homem Mais Forte do Mundo chegou à sua conclusão: “Não sou o homem mais forte do mundo, mas sim, o homem mais fraco do mundo…”

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2015/07/02/a-vida-e-como-uma-peca-de-teatro/

https://ideiasesquecidas.com/2015/07/25/como-ler-shakespeare-e-como-ler-algebra-abstrata/

Sozinho, acompanhado, início, meio e fim

Para algumas pessoas que adoram fazer tudo por si sós, sem consultar os outros:

“Sozinho andamos mais rápido, acompanhados chegamos mais longe…”

 

Antes só do que mal acompanhado? Prefiro o inverso:

“Antes mal acompanhado do que só”.

 

Mas, melhor ainda, “Antes bem acompanhado do que só”.

 

Todo mundo gosta do último passo, do momento em que a bola entra dentro do gol. Ninguém gosta da inúmera quantidade de trabalho realizada previamente, antes de gerar o fruto final. Entretanto, toda a preparação é condição necessária (mas não suficiente) para um fim bem-sucedido. Tentar inverter a lógica, e obter o resultado sem fazer o início e o meio, não vai dar certo:

“Quem quer chegar logo ao final, encontra mais rapidamente a saída”.

 

Falando em final, uma dica.

Vi uma apresentação muito bem feita, só que, no final, o palestrante encerrou bruscamente. Sem dar muitos indícios de que a apresentação tinha acabado, passou rapidamente para o próximo palestrante. Resultado: foi tão rápido que a plateia não aplaudiu, simplesmente porque não deu tempo de o fazer.

Dê indícios de que a apresentação está no final. Feche com uma conclusão, uma chamada à ação. Agradeça a presença do público. E receba as merecidas palmas.

 

Obrigado.

 

 

 

 

 

 

 

 

Chiquinho do Acordeon

  
Vou compartilhar uma história, uma dúvida, e um momento de tensão.
Eu estava no aeroporto de Curitiba. Era sexta feira à tarde, e faltavam mais duas horas para o meu voo para São Paulo. 
Fui para o segundo andar, onde há uma série de lanchonetes. Tomei um lanche, que estava horrível mas mesmo assim custou caro.
Depois do lanche, abri o laptop e fiquei trabalhando um pouco. Estava muito barulho ali, então resolvi sair da lanchonete e ir para um canto distante do aeroporto, onde tinha pouca circulação de pessoas. 
Estava quase na hora de ir para a área de embarque, quando surge, longe, um velhinho. E este caminha em minha direção, obviamente querendo falar algo. 
Estava meio na cara que era alguém precisando de dinheiro, então achei que ele fosse pedir uma esmola. Antes mesmo dele chegar, já tinha pensado em dar uns trocados. 
O velhinho tinha cabelos totalmente brancos, um rosto de quem viveu bastante, de quem teve muitos sofrimentos e alegrias.
Chegando à mesa, ele me cumprimentou e perguntou: “Você quer me ajudar comprando o meu disco?”
O velhinho saca um cd, onde está escrito “Dedos elétricos”.
Pergunto quanto é, e ele me diz “Vinte reais”. Diz que ele era muito bom com o acordeon, e que as músicas são de sua autoria.  
Um turbilhão de pensamentos toma a minha cabeça. Meio caro para um cd meia boca de alguém que nem conheço. Poderia falar um “não” puro e simples. A segunda alternativa era dar uns 2 reais de esmola, e falar para ele ficar com o cd. Mas escolhi a terceira alternativa, a de comprar o cd, não pelo produto em si, mas porque o velhinho veio vender a sua arte, o seu trabalho. 
Já que resolvi comprar, outra alternativa que veio à minha cabeça foi pedir um desconto. Acabei não fazendo isso, porque não queria rebaixar o trabalho do velhinho. 
Falei: “Ok, então me dê um desses”. Abri a carteira, e me deparei com um problema. Só tinham notas de 50 reais. Perguntei: “tem troco?”
Ele olhou para a nota de 50 com uma cara de quem gostaria muito de ficar com ela e falou, “não tenho troco não, mas eu vou lá trocar. Todo mundo me conhece aqui, pode confiar”.
De novo, o impasse. Eu poderia cancelar tudo, falar que não dá tempo e ir embora. Mas, já que tinha chegado até aqui, resolvi ir em frente: “ok, pode ir lá trocar. Mas daqui a 10 min tenho que ir embora “.

O velhinho andou, e depois de um tempo perdi-o de vista. Certamente um turbilhão de pensamentos também deve ter passado pela sua cabeça. Poderia ir embora com os 50 reais, eu nunca o encontraria de novo. 
Fiquei sentando, me perguntando: “será que ele volta ou não volta?”
Olho no relógio, foram-se 5 minutos. 
Depois, mais 5 minutos. 

 

Momento de tensão….
Comecei a guardar minhas coisas. Ia esperar no máximo mais cinco minutos e ir embora. 
E eis que o velhinho surge. Devolve o troco de 30 reais, fala que o telefone dele está escrito no cd e se despede. 
Chegando em casa, coloco o cd para tocar. A gravação é bem tosca, com qualidade ruim. As músicas até que são legais, mas nada de espetacular. Uma delas me lembra a música “Baião”, do fantástico Luís Gonzaga.

Normalmente não dou esmolas, nem fico comprando o que me oferecem. Já disse “não” inúmeras vezes, milhares de vezes. Não sou legal, nem bondoso com estranhos. Muito menos confio em alguém assim. 
Se ele viesse pedir esmola, ganharia uns dois reais no máximo. 
Não sei se ele é realmente músico, se a história é verdadeira ou não. Gosto de acreditar que sim. 

O que me tocou é que ele veio vender algo de que tinha orgulho, o fruto de seu trabalho, talvez o que ele tenha de melhor a oferecer nesta vida. 
Fiquei me imaginando com 85 anos de idade, sem dinheiro. E eu tentando vender algo de que me orgulhe para um rapaz na faixa dos 30. Pode ser que ele diga “não”, pode ser que ele me dê uma esmola. Eu poderia aceitar a esmola por caridade, mas não venderia um trabalho da qual me orgulho por uma esmola. Ficaria feliz em vender pelo preço justo. 

Obs. Pesquisei sobre “Chiquinho do Acordeon” no Google. Retornou um outro artista: outras músicas, outros álbuns, outra região do Brasil. Portanto, o velhinho do aeroporto não pirateou este outro homônimo.