Se encontrar alguém melhor do que você, contrate-o

David Ogilvy foi um publicitário de sucesso, frequentemente considerado como o “pai da propaganda”. Escreveu alguns livros, como “Confissões de um publicitário”, cheio de ensinamentos valiosos.

Ogilvy

Segue um punhado de frases deste gigante.

 

Se encontrar alguém melhor do que você, contrate-o. Se necessário, pague a ele mais do que você ganha.

 

Tolere os gênios.

 

Tente fazer com que trabalhar seja divertivo. Quando as pessoas não estão se divertindo, raramente produzem bons resultados.

 

O que você mostra é mais importante do que o que você diz.

 

Grandes ideias são normalmente simples.

 

Delegue, faça o seu pessoal pensar. Esta é a única maneira de descobrir se são realmente bons.

 

 

Procure o conselho de seus subordinados. Ouça mais e fale menos.

 

Despreze os bajuladores dos chefes. São geralmente as mesmas pessoas que tiranizam seus subordinados.

 

A melhor forma de conquistar novas contas é criar para os nossos clientes atuais.

 

A busca pela excelência é menos lucrativa que a busca pelo tamanho, mas é mais gratificante.

 

Somente negócios de Primeira Classe, em uma maneira de Primeira Classe.

 

 

Fonte: Citações de David Ogilvy.

Qual a importância de uma única opinião?

Qual a importância de uma única opinião, no meio do mar de opiniões deste mundo?

 

Só no Brasil, são 200 milhões de pessoas, cada uma com a sua cabeça. No mundo, 7 bilhões de seres humanos – o que é uma única voz no meio de tanta gente?

 
Só para dar uma dimensão, imagine que um trem de 140 m é a população total do mundo. Um único ser humano representa 0,00002 mm do comprimento deste trem!

Qual a importância de opiniões como as seguintes?

 

A minha resposta é: uma única opinião vale muito, vale muito mais do que a gente imagina! A seguir, explico o por quê.


O Paradoxo de Sorites

Tome um monte de areia. Um grão de areia não é nada perto deste monte de areia. Então, retire um grão de areia deste monte – o mesmo permanece exatamente igual, não faz diferença alguma.

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Um monte de areia menos um grão de areia é igual a um monte de areia.

Então, retire mais um grão de areia, depois outro grão de areia… de grão em grão, o monte vai sumir, chegando a zero grãos.

“Soros” significa “monte” em grego – será que George Soros sabia disso?

 

A ideia é essa, o todo é tremendamente maior do que cada uma das partes, entretanto, cada partezinha dessas é o que forma o todo.

 


 
Redes de opiniões

 

Seres humanos não são grãos de areia, e uma das principais diferenças está na forma de conexão. Grãos de areia são todos iguais, indistinguíveis uns dos outros, e se ligam apenas a seus vizinhos. Seres humanos não, são todos diferentes entre si, e alguns tem conexões milhares de vezes maiores do que outros, segundo uma lei de Pareto.

 

Uma personalidade como Neymar tem 100 milhões de seguidores, e a opinião dele acerca de qualquer coisa, um shampoo novo que seja, potencialmente atingirá muita gente.

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Potencialmente, todos nós temos uma série grande de contatos, principalmente a se considerar um perfil de classe média num grande centro urbano de um país como o Brasil.

 
Além disso, há pouquíssimas novas opiniões. O que há de monte são as mesmas ideias, copiadas e coladas, repetidas à exaustão até virarem verdade absoluta. A internet é um enorme ctrl+c e ctrl+v. Mais fundo ainda, o cérebro é um grande ctrl+c ctrl+v de ideias prontas, lugares comuns.

O senso comum é a opinião de meia dúzia de pessoas que viralizou e atingiu um público enorme.

Exemplo. O quadro mais famoso do mundo é o de Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. Por quê? Os críticos de arte dirão que este é sensacional, enigmático, revolucionou a história das artes, etc. Talvez este realmente seja enigmático, mas esta não é a única causa de seu sucesso. No livro Hitmakers, o autor Derek Thompson argumenta que a Mona Lisa era somente mais um quadro esquecido no museu, até que foi roubado, ganhou as manchetes, e recuperado tempos depois, e entrou no imaginário popular apenas após a paródia L.H.O.O.Q de Marcel Duchamps, que apresenta a Mona Lisa de bigode….

 

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Há pessoas famosas por serem famosas, num ciclo eterno de realimentação.
Uma opinião bem embasada, forte e diferente do senso comum tem um valor inestimável, é isto que faz com que a cultura mude, é isto que faz toda a diferença, por mais que seja apenas uma única pessoa gritando “o Rei está nu”.

 


 

Um raio laser de ideias

O laser, hoje em dia onipresente em nossas vidas (scanner de código de barras, leitor de cds, impressoras a laser), significa “amplificação da luz por emissão estimulada de radiação” – o que não quer dizer muita coisa a princípio.

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Trocando em miúdos, é mais ou menos assim, “ampliação de luz a partir do efeito Maria-vai-com-as-outras“.

Um átomo é colocado num estado de alta energia. Na presença de uma onda de luz já existente, este átomo libera energia na forma de um fóton (luz), na mesma frequência e mesma fase da onda de luz que a estimulou. Quando passa uma luz, estimula a liberação de outros fótons com as mesmas características, de forma coerente e sincronizada – daí vem o seu poder.

 
Somos como cada átomo desses, cada um com a sua luz interna, que pode ser estimulada e entrar em sintonia com outras luzes de outras pessoas, quem sabe, assim, formando um raio laser poderoso de ideias – sendo este capaz de mudar alguma coisa de verdade no mundo.

Quando o primeiro grita “o Rei está nu”, outros tantos que estão acompanhando também podem o fazer, em coro, expondo aquilo que cada um de nós, individualmente, não conseguiria.

O paradoxo de Sorites não existe no caso do ser humano, porque é como se pudéssemos sincronizar os grãos de areia: ao cair um, caem todos de uma só vez.

Daí a importância das opiniões. Muitas vezes, não vai dar em nada – é como um fóton isolado que se perdeu no universo, mas, outras vezes, pode se transformar num raio laser, capaz de deixar a sua marca no universo.

 


Links:

https://en.wikipedia.org/wiki/Sorites_paradox

https://en.wikipedia.org/wiki/Laser

 

O Homem mais forte do mundo e o Bobo da corte

Esta é a história do Homem mais forte do mundo, forte não em termos de força física, mas no sentido moderno, do business corporativo.

Ele era um executor de tarefas impiedoso. Meta dada era meta cumprida, qualquer fosse o custo para tal. Cobrava as pessoas com força e autoridade, utilizando ferozmente suas armas, os chicotes e as cenouras do mundo corporativo. Com seus escudos e lanças, matava os leões modernos de cada dia.

Trabalhava de 8 da manhã às 9 da noite no escritório e até de madrugada em casa, frequentemente exigindo que os subordinados o fizessem também. Ao mesmo tempo, ele era cuidadoso no linguajar, de forma que as palavras não o pudessem comprometer pelas regras modernas de assédio moral. Entretanto, o seu gesto corporal era claro: ou se submete às regras, ou está fora…

Ele navegava bem pelas conexões deste mundo, fazendo as alianças necessárias para subir as mais altas das montanhas, às vezes utilizando alguns dos ex-parceiros como ponte ou degraus no meio do caminho. Desafiá-lo era enfrentar alguém com uma couraça impenetrável e um gancho de direita nocauteador, rude, preciso e impiedoso.
A moral e a ética, embora fossem apregoadas incessantemente da boca para fora, frequentemente ficavam de lado no cotidiano.

 

De fato, ele subiu alto. Depois de um tempo, o homem mais forte do mundo era frequentemente capa de revistas corporativas, conhecido como alguém que resolve qualquer parada, que valia qualquer dinheiro.

 
Foi numa dessas festas corporativas, que ele encontrou o Bobo da Corte, vil e inútil, da mais baixa camada social. E o Bobo o desafiou para um duelo de palavras, para ver quem era o mais forte de verdade.

Bobo:

Sou o bobo, sou um nada.
Sou um palhaço, uma piada.
Porém, a verdade conto:
Mais bobo, menos que nada, és tu,

És um zero à esquerda,

És um boçal, o verdadeiro palhaço,
A verdadeira piada.

Homem forte: Estás de brincadeira? Sou grande, sou forte, sou admirado por todos, alcancei o que poucos alcançaram, fiz o que poucos fizeram.

Bobo:

Sim, tens razão,
És tão forte, mas tão forte,
Que a tua grossa couraça
Impede qualquer sentimento tenhas,
Tuas glórias são as desgraças de outrem,
Por onde passas, terras arrasadas,
Onde caminhas, não nasce a grama.

Homem forte: Tu me insultas, me calunias, mas o que tens além de palavras? Eu tenho tudo, sou alto gestor da empresa, tenho milhões no banco, imóveis, investimentos, e você, nada tem.

 

Bobo:
Deixarás o teu saco de ouro na Terra no dia que partires,
Assim como deixarás um mar de ressentimento,
Veja só, os fantasmas dos que ficaram para trás,
Os que foram traídos por tuas promessas vazias,
Os que foram apunhalados por tuas fofocas,
O teu ouro é tirado de outrem,
Colhes o fruto e derrubas a árvore,
Desfrutas do presente e cauterizas o futuro.
És o mais covarde dos homens.

Homem forte: Mentiras contas a mil, sou admirado pelos colegas à minha volta, sou idolatrado pelos meus amigos.

 

Bobo:

Amigos verdadeiros não tens,
Apenas interesseiros e bajuladores,
Não o admiram, apenas o temem,
Por trás, esses mesmos fazem piadas com o teu nome,
És denominado “coração de gelo”,
És denominado “grandíssimo FDP”,
O domingo é o teu dia mais triste,
Em que ficas com tua verdadeira companhia,
Em que ficas com a Solidão.

 

Homem forte: Novamente mentes, namoro uma linda modelo, atriz de novelas, a mais cobiçada de todas.

 

Bobo:
Novamente, enganas a ti mesmo,
Ela não enamora a ti, apenas a teu dinheiro,
A presença dela é alugada,
Movida a joias e luxos,
Não há mulher verdadeira que o suporte,
Acabas invariavelmente sozinho.
Tens um filho, mas é como se não tivesse nenhum,
Já que nenhum é o tempo que passam juntos,
Conheces mais a foto dele do o menino de verdade.

Homem forte: Pelo menos, sou saudável e viril, não um mirradinho como tu és.

 

Bobo:
Qual nada,
Corpo algum aguenta ser maltratado,
O corpo não é uma máquina infalível,
De estimulantes precisas,
Começaste devagar, mas agora
Do álcool és escravo,

Derrotas a todos, menos a ti mesmo.

O Homem forte pensava na resposta, quando viu os colegas a seu redor gargalhando, rindo com escárnio, apontando-lhe os dedos, liberando o sentimento verdadeiro preso nesses anos todos.

Bobo:
Tua couraça dura consumiu o interior macio,
És forte por fora e um vácuo interno.
És por fora reluzente como o ouro,
És por dentro, vazio, inerte, um nada.
Mais bobo, menos que nada, és tu,
És um boçal, o verdadeiro palhaço,
A verdadeira piada.

O Homem forte sabia que tinha sido derrotado, pela primeira vez na vida, e pôs-se a chorar, a soluçar com todas as forças, incessantemente.

Por fim, o Homem mais forte do mundo chegou à sua conclusão: “Não sou o homem mais forte do mundo, mas sim, o homem mais fraco do mundo…”

 

Sozinho, acompanhado, início, meio e fim

Para algumas pessoas que adoram fazer tudo por si sós, sem consultar os outros:

“Sozinho andamos mais rápido, acompanhados chegamos mais longe…”

 

Antes só do que mal acompanhado? Prefiro o inverso:

“Antes mal acompanhado do que só”.

 

Mas, melhor ainda, “Antes bem acompanhado do que só”.

 

Todo mundo gosta do último passo, do momento em que a bola entra dentro do gol. Ninguém gosta da inúmera quantidade de trabalho realizada previamente, antes de gerar o fruto final. Entretanto, toda a preparação é condição necessária (mas não suficiente) para um fim bem-sucedido. Tentar inverter a lógica, e obter o resultado sem fazer o início e o meio, não vai dar certo:

“Quem quer chegar logo ao final, encontra mais rapidamente a saída”.

 

Falando em final, uma dica.

Vi uma apresentação muito bem feita, só que, no final, o palestrante encerrou bruscamente. Sem dar muitos indícios de que a apresentação tinha acabado, passou rapidamente para o próximo palestrante. Resultado: foi tão rápido que a plateia não aplaudiu, simplesmente porque não deu tempo de o fazer.

Dê indícios de que a apresentação está no final. Feche com uma conclusão, uma chamada à ação. Agradeça a presença do público. E receba as merecidas palmas.

 

Obrigado.

 

 

 

 

 

 

 

 

Chiquinho do Acordeon

  
Vou compartilhar uma história, uma dúvida, e um momento de tensão.
Eu estava no aeroporto de Curitiba. Era sexta feira à tarde, e faltavam mais duas horas para o meu voo para São Paulo. 
Fui para o segundo andar, onde há uma série de lanchonetes. Tomei um lanche, que estava horrível mas mesmo assim custou caro.
Depois do lanche, abri o laptop e fiquei trabalhando um pouco. Estava muito barulho ali, então resolvi sair da lanchonete e ir para um canto distante do aeroporto, onde tinha pouca circulação de pessoas. 
Estava quase na hora de ir para a área de embarque, quando surge, longe, um velhinho. E este caminha em minha direção, obviamente querendo falar algo. 
Estava meio na cara que era alguém precisando de dinheiro, então achei que ele fosse pedir uma esmola. Antes mesmo dele chegar, já tinha pensado em dar uns trocados. 
O velhinho tinha cabelos totalmente brancos, um rosto de quem viveu bastante, de quem teve muitos sofrimentos e alegrias.
Chegando à mesa, ele me cumprimentou e perguntou: “Você quer me ajudar comprando o meu disco?”
O velhinho saca um cd, onde está escrito “Dedos elétricos”.
Pergunto quanto é, e ele me diz “Vinte reais”. Diz que ele era muito bom com o acordeon, e que as músicas são de sua autoria.  
Um turbilhão de pensamentos toma a minha cabeça. Meio caro para um cd meia boca de alguém que nem conheço. Poderia falar um “não” puro e simples. A segunda alternativa era dar uns 2 reais de esmola, e falar para ele ficar com o cd. Mas escolhi a terceira alternativa, a de comprar o cd, não pelo produto em si, mas porque o velhinho veio vender a sua arte, o seu trabalho. 
Já que resolvi comprar, outra alternativa que veio à minha cabeça foi pedir um desconto. Acabei não fazendo isso, porque não queria rebaixar o trabalho do velhinho. 
Falei: “Ok, então me dê um desses”. Abri a carteira, e me deparei com um problema. Só tinham notas de 50 reais. Perguntei: “tem troco?”
Ele olhou para a nota de 50 com uma cara de quem gostaria muito de ficar com ela e falou, “não tenho troco não, mas eu vou lá trocar. Todo mundo me conhece aqui, pode confiar”.
De novo, o impasse. Eu poderia cancelar tudo, falar que não dá tempo e ir embora. Mas, já que tinha chegado até aqui, resolvi ir em frente: “ok, pode ir lá trocar. Mas daqui a 10 min tenho que ir embora “.

O velhinho andou, e depois de um tempo perdi-o de vista. Certamente um turbilhão de pensamentos também deve ter passado pela sua cabeça. Poderia ir embora com os 50 reais, eu nunca o encontraria de novo. 
Fiquei sentando, me perguntando: “será que ele volta ou não volta?”
Olho no relógio, foram-se 5 minutos. 
Depois, mais 5 minutos. 

 

Momento de tensão….
Comecei a guardar minhas coisas. Ia esperar no máximo mais cinco minutos e ir embora. 
E eis que o velhinho surge. Devolve o troco de 30 reais, fala que o telefone dele está escrito no cd e se despede. 
Chegando em casa, coloco o cd para tocar. A gravação é bem tosca, com qualidade ruim. As músicas até que são legais, mas nada de espetacular. Uma delas me lembra a música “Baião”, do fantástico Luís Gonzaga.

Normalmente não dou esmolas, nem fico comprando o que me oferecem. Já disse “não” inúmeras vezes, milhares de vezes. Não sou legal, nem bondoso com estranhos. Muito menos confio em alguém assim. 
Se ele viesse pedir esmola, ganharia uns dois reais no máximo. 
Não sei se ele é realmente músico, se a história é verdadeira ou não. Gosto de acreditar que sim. 

O que me tocou é que ele veio vender algo de que tinha orgulho, o fruto de seu trabalho, talvez o que ele tenha de melhor a oferecer nesta vida. 
Fiquei me imaginando com 85 anos de idade, sem dinheiro. E eu tentando vender algo de que me orgulhe para um rapaz na faixa dos 30. Pode ser que ele diga “não”, pode ser que ele me dê uma esmola. Eu poderia aceitar a esmola por caridade, mas não venderia um trabalho da qual me orgulho por uma esmola. Ficaria feliz em vender pelo preço justo. 

Obs. Pesquisei sobre “Chiquinho do Acordeon” no Google. Retornou um outro artista: outras músicas, outros álbuns, outra região do Brasil. Portanto, o velhinho do aeroporto não pirateou este outro homônimo. 

Reflexões pós férias

Tirei um período de férias. Quando retornei, duas das pessoas mais competentes que conheço disseram algo como: “É bom tirar férias de vez em quando, organizar a vida, cuidar da família, e voltar com a corda toda!”

 
Por outro lado, duas das pessoas  menos competentes que conheço disseram aproximadamente isso: “Que vida boa! Queria saber como você faz para tirar férias. Faz vários anos que não tiro, porque não paro de trabalhar!”

 

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Se isto fosse uma fábula de Esopo, os personagens seriam formigas, cigarras e teria uma moral da história: “Quem é competente não precisa parecer competente. Já quem não é competente, precisa parecer competente.”

 

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A Caixa de Pandora

Nov. de 2015.
Atentado do Estado Islâmico em Paris.
Tragédia ambiental em Mariana.
Massacres na África.
Governo Dilma.

No noticiário: acidentes de trânsito, desvio de verbas na Petrobrás, novos impostos, fome, doença, violência, guerra.

 

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Mas, no fundo da Caixa de Pandora, há a Esperança.

 

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