O Anticristo, de Nietzsche, em 40 frases

Resumo em uma frase

O próprio subtítulo já diz tudo: “Maldição ao cristianismo”

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Introdução

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), é, segundo suas próprias palavras, “Dinamite pura”. É alguém que faz filosofia com o martelo. E, neste livro, ele martela o cristianismo, com frases como “as três virtudes cristãs são as três espertezas cristãs”, e “o sacerdote gosta mesmo é do pedaço mais saboroso da bisteca”.

O Anticristo foi publicado em 1888, na Alemanha.

Nietzsche afirma o diametralmente oposto do senso comum: a compaixão é ruim, o cristianismo é fraqueza, o cristianismo inverteu todos os valores da sociedade (transvaloração de todos os valores).

 

Independente de concordar ou não, esta é a opinião de Nietzsche. Por despertar fortes emoções assim, ele ganhou uma legião de admiradores, e também uma legião de inimigos.

 

Seguem alguns trechos do livro, para serem amados ou odiados, sem meio-termo. Conteúdo explosivo a seguir, que não representam necessariamente a opinião deste espaço. Mas, lembrando, “As convicções são inimigos mais perigosos da verdade do que as mentiras.”

 

 

Resumo em 40 frases (mais ou menos)

 

Este livro é para pouquíssimos. E talvez eles não existam. Apenas o depois de amanhã é meu. Alguns nascem póstumos.

 

 

Tenho uma predileção por perguntas para as quais ninguém hoje tem a coragem, a coragem para o proibido.

 

 

  • O que é bom? Tudo o que eleva o sentimento de poder, a vontade de poder, o próprio poder no homem.
  • O que é mau? Tudo o que vem da fraqueza.
  • O que é felicidade? o sentimento de que o poder cresce, de que uma resistência é superada.

 

Os fracos e malogrados devem perecer: primeiro princípio de nosso amor aos homens.

 

O que é mais nocivo do que qualquer vício? A ativa compaixão por todos os malogrados e fracos – o cristianismo.

 

O cristianismo tomou partido de tudo o que é fraco, baixo, malogrado, transformou em ideal aquilo que contraria os instintos de conservação da vida forte; corrompeu a própria razão das naturezas mais fortes de espírito, ensinando a perceber como pecaminosos os valores supremos do espírito.

 

O cristianismo é chamado de religião da compaixão. A compaixão se opõe aos afetos que elevam a energia do sentimento de vida: ela tem efeito depressivo.

 

A compaixão se opõe à lei da evolução, que é a lei da seleção.

 

A compaixão é a prática do niilismo. É instrumento multiplicador da miséria e conservador de tudo o que é miserável – a compaixão persuade ao nada.

 

O sucesso de Kant é apenas um sucesso de teólogo, ele foi um freio a mais na retidão alemã.

 

Kant inventou uma razão expressamente para o caso em que não é preciso preocupar-se com a razão.

 

Nem a moral nem a religião, no cristianismo, têm algum ponto de contato com a realidade. São causas imaginárias (Deus, alma, livre-arbítrio) e efeitos imaginários (pecado, salvação, graça, castigo). Um comércio entre seres imaginários (Deus, espíritos). Um mundo de pura ficção, que falseia, desvaloriza e nega a realidade.

 

Eles não se denominam fracos, denominam-se “bons”. Deus-de-gente-pobre, Deus-de-pecadores, Deus-de-doentes.

 

Antes ele tinha apenas seu povo, seu “povo eleito”. Ele partiu em andança para o exterior, até estar em toda parte.

 

Cristão é o ódio ao espírito, ao orgulho, coragem, cristão é o ódio aos sentidos.

 

Quanto às três virtudes cristãs, fé, amor e esperança, eu as denomino três espertezas cristãs.

 

O conceito de Deus falseado, o conceito de moral falseado. Os sacerdotes traduziram em termos religiosos o próprio passado de seu povo.

 

Simplificaram a psicologia, reduzindo-a à fórmula de “obediência ou desobediência a Deus”.

 

O sacerdote formula até as taxas a lhe pagar, não esquecendo os mais saborosos pedaços da carne, pois o sacerdote é um comedor de bisteca.

 

Deus perdoa quem faz penitência – em linguagem franca: quem se submete ao sacerdote.

 

(Um estudioso da época chamou Jesus de “gênio”).
Nada de conceito de “gênio” tem algum sentido no mundo de Jesus. Falando com o rigor do fisiológico, caberia uma outra palavra – a palavra “idiota”.

 

A palavra “cristianismo” é um mal-entendido. No fundo, houve apenas um cristão, e ele morreu na cruz. O “evangelho” é o oposto do que ele viveu, um “disangelho”.

 

Paulo era o gênio em matéria de ódio, na lógica implacável do ódio. Simplesmente riscou o ontem, inventando uma história. Falseou a história de Israel para que ela aparecesse como pré-história: todos os profetas falaram do seu “Redentor”.

 

O cristianismo é a revolta de tudo o que rasteja no chão contra aquilo que tem altura: o evangelho dos “pequenos” torna pequeno.

 

 

Paulo foi o maior dos apóstolos da vingança.

 

Que resulta disso? Que convém usar luvas ao ler o Novo Testamento.

 

O sacerdote conhece apenas um grande perigo: a ciência – a sadia noção de causa e efeito.

 

O pecado foi inventado para tornar impossível a ciência, a cultura, toda elevação e nobreza do homem; o sacerdote domina mediante a invenção do pecado.

 

O bem-aventurado não é provado, mas apenas prometido: a bem-aventurança é ligada à condição de “crer” – a pessoa deverá ser bem-aventurada porque crê.
A “prova da força” é, no fundo, apenas fé.

 

A fé não desloca montanhas, mas coloca montanhas onde elas não existem.

 

O cristianismo necessita da doença, como a cultura grega necessita de uma abundãncia de saúde.

 

Todos os caminhos retos, honestos, científicos têm de ser rejeitados como caminhos proibidos pela igreja. “Fé” significa não querer saber o que é verdadeiro.

 

Não nos enganemos: grandes espíritos são céticos. Zaratustra é um cético.

 

A necessidade da fé, de um sim ou não, é uma necessidade de fraqueza.

 

A “Lei”, a “vontade de Deus”, tudo apenas palavras para as condições sob as quais o sacerdote chega ao poder e o sustenta.

 

As convicções são inimigos mais perigosos da verdade do que as mentiras.

 

A desigualdade dos direitos é a condição para que haja direitos.
Uma cultura elevada é uma pirâmide. Pode erguer-ses apanas num terreno amplo, tem por pressuposto uma mediocridade forte, sadiamente consolidada.

 

O cristianismo foi o vampiro do Império Romano.

 

Todo espírito no Império Romano era epicúrio, então surgiu Paulo… Paulo, o ódio chandala a Roma, ao “mundo”, feito carne, feito gênio, o judeu.

 

Com isso chego ao final e pronuncio a minha sentença. Eu condeno o cristianismo, faço à Igreja cristã a mais terrível das acusações que um promotor já teve nos lábios. Ela é, para mim, a maior das corrupções imagináveis. A Igreja cristã nada deixou intacto com seu corrompimento, ela fez de todo valor um desvalor, de toda verdade uma mentira, de toda retidão uma baixeza de alma.

 

Guerra mortal ao vício: o vício é o cristianismo.

 

Link do livro:

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/filosofia/o-anticristo-30247451

 

Veja também

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Steve Jobs em 40 frases

 

 

Steve Jobs em 40 frases (mais ou menos)

Sobre como conheceu a esposa, Laurene.

Eu estava no estacionamento, com a chave do carro, e me perguntei: ‘Se esta fosse a minha última noite na Terra, eu preferiria passar numa reunião de negócios ou com esta mulher?’ Atravessei correndo o estacionamento e perguntei se ela gostaria de jantar comigo. Ela disse que sim, andamos até a cidade e estamos juntos desde então.

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Steve Wozniak e eu gostamos muito da poesia de Bob Dylan e passávamos um bom tempo pensando no que ele dizia. Estávamos na Califórnia. Era possível passar a noite num banco com a namorada. A Califórnia tem um senso de experimentação e de abertura a novas possibilidades.

 

Se você cria algo que acaba ficando muito bom, deveria logo partir para outra coisa maravilhosa, não ficar estagnado naquilo por muito tempo. Simplesmente descubra o que vem a seguir.

 

Qualidade é mais importante do que quantidade. Um home run é muito melhor do que dois doubles.

 

Este tem sido um de meus mantras – foco e simplicidade. O simples pode ser mais difícil do que o complexo: é preciso trabalhar duro para tornar incrivelmente simples.

 

Somos organizados como uma empresa iniciante. A Apple é a maior empresa iniciante do planeta.

 

Olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: “Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?” E se a resposta é “não” por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.

 

Muitas empresa escolhem cortar gastos e talvez seja a coisa certa para eles. Escolhemos um caminho diferente. Nossa crença é que de se continuássemos apresentando ótimos produtos aos clientes, eles continuariam abrindo a carteira.

 

Como se comunica às pessoas que elas estão num ambiente em que a excelência é esperada? Não se diz isso. Não se coloca no manual do empregado. Essas coisas são inúteis. Tudo o que importa é o produto que resulta do trabalho em grupo. Ele dirá muito mais do que qualquer coisa que venha de sua caneta.

 

Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.

 

Faça o melhor que pode em todos os trabalhos. Sucesso gera mais sucesso, então seja faminto por ele.

 

Os botões do novo Mac estão tão bonitos que dá vontade de lambê-los.

 

 

E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar.

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Aqueles que são loucos o bastante para achar que podem mudar o mundo são aqueles que mudam.

 

Penso nas coisas da vida como uma música de Bob Dylan ou dos Beatles.

 

A simplicidade é a máxima sofisticação.

 

Sobre ligar os pontos:
Eu não tinha ideia do que queria fazer na minha vida. E lá estava eu gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado. E então decidi largar a faculdade e acreditar que tudo ficaria bem.

 

Sobre o iPhone tocar músicas, e acabar canibalizando parte da receita do iPod: ‘Se nós não canibalizarmos, alguém o fará’.

 

A missão da Apple é fazer algo ‘absurdamente bom’.

 

Inovação não tem nada a ver com quantos dólares se dedica a pesquisa e desenvolvimento. A IBM gasta cem vezes mais nisto do que a Apple. Tem a ver com as pessoas que temos, como nos conduzimos e o quanto entendemos do assunto.

 

Você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja.

 

 

Tínhamos acabado de lançar nossa maior criação – o Macintosh – e eu tinha 30 anos. E aí fui demitido.

 

Isto é para os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os que são peças redondas nos buracos quadrados. Os que vêem as coisas de forma diferente. Eles não gostam de regras. E eles não têm nenhum respeito pelo status quo. Você pode citá-los, discorda-los, glorificá-los ou difamá-los. A única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. (Comercial ‘Pense Diferente’, de 1984)

 

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Inovação provém de dizer não a mil coisas para garantir que não tomemos o caminho errado ou tentemos fazer demais.

 

Não leve tudo tão a sério. Se quiser levar sua vida de forma criativa como um artista, você não pode olhar muito para trás. É preciso estar disposto a pegar tudo o que já fez e já foi e jogar fora.

 

Há um DNA muito forte na Apple que se refere a pegar uma tecnologia de última geração e torná-la simples para as pessoas.

 

Ser o homem mais rico do cemitério não me interessa… Ir para a cama à noite dizendo que fizemos algo maravilhoso… Isso é o que importa para mim.

 

Cometemos muitos erros porque ninguém fez isso antes.

 

Picasso tinha um ditado: ‘Bons artistas copiam, grandes artistas roubam.’ Nunca tivemos vergonha de roubar grandes ideias… Parte do que tornou o Macintosh ótimo foi que as pessoas que trabalharam nele eram músicos, poetas, artistas, zoólogos e historiadores, que também calhavam de ser os melhores cientistas de computação do mundo.

 

Ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo.

 

Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama.

 

John Sculley arruinou a Apple, e a arruinou por levar para o topo da Apple uma série de valores que eram corruptos e corromperam algumas pessoas importantes que estavam lá, afastou alguns dos que não eram corruptíveis, admitiu mais corruptos e lhes pagou coletivamente dezenas de milhões de dólares e se importava mais com as próprias glórias e riqueza do que com o que tinha construído a Apple = que era fazer grandes computadores para as pessoas usarem.

Comentário para entender: Sculley “puxou o tapete” de Steve Jobs, e assumiu a Apple, nos anos 90. Sculley era o executivo tradicional, o do corte de custos e margem de lucro, que fez a Apple multiplicar de tamanho nos primeiros anos de sua gestão – mas acabou falindo a empresa a longo prazo. A Apple tinha virado tipo uma Dell, de commodities e não de sonhos. A Apple acabou sendo resgatada posteriormente pelo próprio Steve Jobs.

 

O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar.

 

A morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se
tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade.

 

 

Continuem famintos. Continuem tolos. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e são o novo, eu desejo isso para vocês.

 

 

Estamos aqui para deixar uma marca no universo.




 

Links e fontes

Steve Jobs em 250 frases – Alan Ken Thomas

Steve Jobs – as verdadeiras lições de liderança – Walter Isaacson

https://ideiasesquecidas.com/2014/05/15/discurso-de-steve-jobs-introducao/

https://ideiasesquecidas.com/2015/07/14/pense-diferente/

Comercial “Think Different”

 

Discurso de formatura de Stanford, em 2005

 

Bônus. Trilha sonora, “One too many mornings”, de Bob Dylan, interpretado por Joan Baez.

Jobs encontrou Bob Dylan próximo a Palo Alto, em 2004. “Sentamos no pátio fora da sala e conversamos por duas horas”, diz Jobs. “Eu estava realmente nervoso, porque ele era um de meus heróis. Tinha medo dele não ser tão esperto afinal, ser apenas uma caricatura dele mesmo, como acontece com muitos. Mas fiquei maravilhado. Ele era afiado.” Jobs disse que uma de suas canções favoritas era “One too many mornings”.

 

 

Notas sobre Tribos

Transcrevo aqui notas sobre o livro Tribos, do autor Seth Godin. Ele escreve sobre marketing e business em geral, e sempre tem bons insights.

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O que é um tribo?
É um grupo de pessoas conectadas umas com as outras, com um líder e uma ideia comum.

Nós pertencemos a várias tribos.

Tribos fazem nossa vida melhor.

A Internet eliminou a geografia, atualmente podemos ter tribos globais.

 

A oportunidade: encontrar ou criar uma tribo, e liderá-la.

 

Alguns exemplos:
Joel Spolsky está mudando o mundo, ensinando como conduzir uma pequena companhia de software.

Mohamed Yunus e Al Gore criaram tribos para as suas causas, de microcrédito e de preservação do ambiente.
Os vários seguidores apaixonados do TED Talks formam uma tribo.

 

O que é necessário?
Para criar uma tribo, é necessário um interesse comum e uma forma de conexão, como itens principais.
Além disso, deve-se motivar, conectar e alavancar:

  • Transformar o interesse comum numa paixão
  • Fornecer ferramentas para melhorar a comunicação
  • Alavancar a tribo para ganhar novos membros

 

Sobre a falta de líderes
Precisamos de você. Pela primeira vez espera-se que todos liderem. O mercado está recompensando quem muda coisas e cria produtos e serviços memoráveis.

 

Crie um movimento

Criar um movimento é mais do que dizer o que fazer. Grande líderes empoderam as pessoas a se comunicar. Estabelecem as fundações para a conexão entre as pessoas.

 

Fãs verdadeiros
Mil fãs verdadeiros é o suficiente. Eles darão atenção e suporte suficiente, eles formam uma tribo.

As organizações prezam demais por números, ao invés de fãs.

 

Medo

Por que nem todos criam um movimento? Por conta do medo.

Revisitando o princípio de Peter. Todos são promovidos até o nível em que são paralizados pelo medo.
Preste atenção no medo, a fim de superá-lo.

 

Memorável

Um produto memorável é como uma vaca púrpura (em referência ao livro anterior de Godin, Purple Cow).

Vacas marrons são chatas. Vacas púrpuras são memoráveis.

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Voluntários

Tribos são voluntárias. Grande líderes não tentam agradar a todos.

Um grupo motivado e conectado é melhor que um grupo apenas maior.

 

Medo, fé e religião

Pessoas que desafiam o status quo fazem algo difícil. A fé é necessária para superar o medo.

Religião é uma série de crenças impostas, como a religião do MBA ou o código de valores de uma grande companhia.
A fé é subestimada, e a religião, superestimada.

 

Hereges
A gerência moderna quer hereges. Estes desafiam o status quo, fazem as mudanças antes que as mudanças aconteçam.

 

Espalhar a palavra
Mostre este texto para mais alguém ler. Divulgue o movimento.

 

O segredo da liderança
Faça o que você acredita. Pinte uma imagem do futuro e vá em busca deste. As pessoas seguirão.

Precisamos de sua liderança.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As 36 Estratégias Secretas Chinesas

A China tem mais de 5 mil anos de história, e muito desta história é de guerras.

O tratado chinês de guerra mais conhecido é a fabulosa “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu, entretanto, não é o único. Muito pelo contrário, há vários tesouros escondidos…

O livro “36 estratégias secretas de guerra” é uma valiosa compilação de vários ensinamentos de guerra. O autor desta obra é desconhecido, assim como o período em que foi escrito, e também há mais de uma versão deste tratado.

As 36 Estratégias dos Chineses

O número 36 não é por acaso.

Seis multiplicado por seis dá 36, na aplicação da estratégia, é necessário cálculo cuidadoso, e através dos padrões, a pessoa encontrará a estratégia (1).

 

Comumente, divide-se os 36 estratagemas em 6 grupos de 6, mostrados a seguir.

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Segue a seguir um resumo das estratégias.


 

Estratégias vantajosas (1 a 6)

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1 – Enganar os céus para atravessar o oceano. A origem é uma história em que um exército temia atravessar o oceano. Um conselheiro bolou um plano: combinou uma grande festa com um homem rico, e o exército inteiro se embebedou na casa deste. Quando esses acordaram, viram que a casa do homem rico era um barco, e que estavam no meio do oceano! A estratégia significa criar algo falso para distrair o inimigo, e atingir o objetivo sem que o mesmo perceba.

2 – Sitiar Wei para salvar Zhao. O exército de Wei atacou, venceu e sitiou o estado de Zhao. O exército de Qi, aliado da cidade sitiada, veio em socorro a Zhao. Mas isto significava batalhar diretamente com o poderoso exército Wei. Entretanto, ao invés disso, marcharam em direção à cidade de Wei, que estava desprotegida de seu exército. Assim que isto ficou claro, o exército de Wei teve que retornar à sua base, as pressas. Zhao foi libertada sem batalha alguma! A estratégia significa evitar o ponto forte do inimigo, e atacar o ponto fraco.

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3 – Matar alguém com uma faca emprestada. Quando não se tem força suficiente para se opor ao inimigo, utilizar a força de aliados ou de grupos para tal. Induzir alianças para destruir o inimigo.

4 – Poupar energia enquanto o inimigo se cansa. Saber quando utilizar o tempo e o espaço corretos. Um exemplo é chegar cedo ao palco da batalha, escolher o melhor lugar – que tenha a vantagem natural da altura e do espaço de manobra – e esperar o inimigo vir lutando contra o tempo e contra o terreno.

5 – Saquear uma casa em chamas. Aproveitar a oportunidade de saquear um lugar quando há caos e confusão. Quando o inimigo está numa grande crise, este é o momento para atacar.

6 – Simular um ataque ao leste, mas atacar a oeste. A dissimulação está na essência da estratégia. O inimigo não pode concentrar forças em todos os lugares. A estratégia consiste em ocultar as suas verdadeiras intenções e fazer o inimigo concentrar forças no local errado.

 


Estratégias Oportunistas (7 a 12)

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7 – Criar algo do nada.  Uma sucessão de blefes pode dar certo, se os atores envolvidos acreditarem neste. Um bom exemplo é a história (fictícia) do genro do Bill Gates:

Pai: – Filho, escolhi uma ótima moça para você casar.
Filho: – Mas pai, eu prefiro escolher a minha mulher.
Pai: – Ela é filha do Bill Gates…
Filho: – Bem, neste caso, eu aceito.

Então, o pai vai encontrar o Bill Gates.
Pai: – Bill, eu tenho o marido para a sua filha!
Bill Gates: – Mas a minha filha é muito jovem para casar!
Pai: – Mas este jovem é vice-presidente do Banco Mundial…
Bill Gates: – Neste caso, tudo bem.
Finalmente, o pai vai ao Presidente do Banco Mundial.
Pai: – Senhor Presidente, eu tenho um jovem muito bem recomendado para ser vice-presidente do Banco Mundial.
Pres. Banco Mundial: – Mas eu já tenho muitos vice-presidentes.
Pai: – Mas senhor, este jovem é genro do Bill Gates.
Pres. Banco Mundial: – Neste caso ele pode começar amanhã mesmo!

8 – Fuga secreta por Chen Can. Atingir o inimigo pela retaguarda, onde ele estiver desprotegido, e de forma inesperada. Esta estratégia deriva de uma história de Lui Bang, 200 a.C., que viria posteriormente a ser imperador da China. O exército de Liu Bang estava em retirada, e mandou destruir todas as pontes que acessavam o seu acampamento. Meses depois, ele ordenou que reconstruíssem as pontes. O inimigo, desconfiado, passou a se preparar para um ataque iminente pela pontes. Mas, para surpresa do inimigo, Liu Bang utilizou a passagem secreta de Chen Can, contornando as montanhas por um longo caminho, para um ataque-surpresa.

9 – Observar o fogo do outro lado do rio. Quando houver desordem e lutas internas entre as forças do inimigo, deve-se esperar enquanto este se enfraquece.

10 – Uma adaga atrás de um sorriso. Conquistar a confiança do inimigo, para desarmá-lo. O que parece fraco (macio) por fora, pode ser forte (duro) por dentro.

Na Arte da Guerra de Sun Tzu, há uma frase memorável a respeito:

Quando capaz, finja incapacidade; quando ativo, finja inativo. Quando perto do objetivo, finja estar muito longe; quando muito longe, faça com que pareça perto.

11 – A ameixeira morre no lugar do pessegueiro. Fazer sacrifícios quando perdas são inevitáveis. É o popular “perder os anéis para salvar os dedos”. O poema significa que essas duas árvores são tão íntimas que uma está disposta a morrer pela outra.

12 – Roubando um bode pelo caminho. Aproveitar uma oportunidade de ganho fácil, por menor que seja. Aproveitar as vantagens que surgem pelo caminho.

 


 

Estratégias Ofensivas (13 a 18)

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13 – Bater no capim para assustar a cobra. Ao invés de capturar a cobra, deve-se assustá-la dando batidas no capim, e fazer a captura quando ela aparecer. É uma estratégia ofensiva, para fazer o inimigo revelar as cartas que tem na manga. Um exemplo é fazer um lance inicial alto num leilão, para testar quem quer realmente bancar a concorrência.

14 – Tomar um cadáver emprestado para ressuscitar uma alma. Uma pessoa fraca pode requerer sua assistência para ficar forte e conseguir se opor ao inimigo. Por outro lado, mesmo o exército forte precisa da ajuda de vários exércitos fracos para chegar aos seus objetivos.

Um exemplo muito bom é o Natal. Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro. O Natal no dia 25/dez só surgiu no século IV, aproveitando que vários povos já comemoravam esta data como sendo o solstício de inverno. Ou seja, tomaram um cadáver (data comemorativa de povos conquistados pelo Império Romano) para ressuscitar uma alma (tomar para si esta comemoração).

Outro exemplo: fazer de Tiradentes um herói nacional, um século depois de sua morte.

15 – Atrair um tigre para fora de sua toca. Um tigre é muito forte em seu estado natural, mas vai se retrair em ambiente desconhecido.

Uma estratégia de negociação é chamar o outro lado para uma reunião, e colocar muita gente do seu time por muito tempo para fazer pressão em cima do oponente.

Para quem gosta de futebol, um tigre fora de sua toca é como jogar fora de casa, com a torcida contra, com os gandulas contra, com todo o ambiente desfavorável.

16 – Soltar um inimigo para recapturá-lo depois. Há situações em que é melhor não encurralar o inimigo, e sim soltar e perseguir de perto até este se cansar.

Numa pescaria, puxar bruscamente o peixe vai fazer a linha arrebentar. É melhor tensionar e liberar seguidas vezes, até o peixe esgotar suas forças.

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Outro exemplo. Recapturado e solto 7 vezes.

17 – Dar tijolo para obter jade. Abrir mão de algo de pouco valor, para obter algo de muito valor. O comércio tem dezenas de casos assim: itens grátis para degustação (que levam a compra por impulso ou retribuição), compras com “frete grátis”, desconto ao comprar mais de um produto, ganhar de brinde algum produto encalhado, etc…

18 – Capturar o líder dos bandidos. Quando o centro de gravidade orbitar fortemente no líder, e este for capturado, a organização toda irá desmoronar.

 


 

Estratégias de Confusão (19 a 24)

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19 – Tirar a lenha de debaixo do caldeirão. Ao invés do confronto direto, utilizar táticas para minar a moral do inimigo. A estratégia vem da seguinte frase.

Retire a lenha, para evitar que a água ferva, corte a grama destruindo as raízes.

 

História: o grande Confúcio era conselheiro do imperador de Lu, o que fazia com que este tivesse força e sabedoria. A fim de atacar Lu, o inimigo primeiramente tirou Confúcio da jogada. Ele fez oferendas de ouro, presentes, bebidas, cavalos e oitenta beldades para o imperador de Lu. Este aceitou as oferendas e passou a levar uma vida de libertinagem, ignorando Confúcio, que pediu exoneração do cargo meses depois. Sem a sabedoria de Confúcio, o império Lu foi facilmente manipulado e conquistado, anos depois.

20 – Tornar as águas turbulentas para pegar um peixe. Fazer um lamaçal para o peixe ficar confuso e capturá-lo. Um exército confuso proporciona a vitória ao inimigo.

Algumas dicas para evitar a confusão:

  • Canais de comunicação eficientes
  • Procedimentos claros
  • Feedback preciso

21 – Mudar de pele como uma cigarra dourada. Escapar sem ser percebido, como a cigarra que muda de pele. Adaptar-se à mudanças que ocorrem constantemente no meio-ambiente.

22 – Fechar as portas para pegar o ladrão. Quando o inimigo é fraco, ele perde o espírito de luta ao se ver cercado como o ladrão preso na casa. Sun Tzu diz, quando a vantagem for de 10 para 1, cerque-o por todos os lados.

23 – Fazer amizade com o distante e atacar o próximo. Formar alianças estratégicas com sócios distantes para atacar um concorrente local.

Exemplo: uma companhia pode fazer parte de uma aliança internacional com outras companhias, e com isso obter vantagem sobre o concorrente local.

 

24 – Passagem emprestada para atacar Guo. Utilizar algum recurso de outrem, como uma passagem por dentro do território, para atacar o inimigo. Na estratégia 3, matar com uma faca emprestada, é o terceiro que faz a ação, agora na estratégia 24, sou eu que faço a ação, e o terceiro apenas empresta recursos.

Exemplo: vender o seu produto com a marca de outra companhia, para “pegar emprestado” o nome desta.


 

Estratégias de Dissimulação (25 a 30)

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25 – Substituir vigas e pilares por outros inferiores. Alterar estruturas importantes, como vigas e pilares, por materiais de qualidade inferior, e com isso enfraquecer o inimigo.

Exemplo: Uma vez comprei um carro, que tinha uma lataria muito bonita. Alguns meses depois, problemas começaram a acontecer. O carro ficava acelerado, por conta de uma pecinha que tinha quebrado. A vidro elétrico também quebrou. Depois, o para-brisa. Debaixo da aparência, peças inferiores.

26 – Apontar para a amoreira, mas repreender a acácia. Consiste em repreender indiretamente, utilizar alguém fraco para mandar a mensagem para alguém forte. Uma variação desta estratégia é “Matar a galinha para assustar o macaco”.

A galinha é muito mais fraca do que o macaco, e matar a galinha tem como objetivo controlar o macaco.

27 – Fingir-se de louco, mas manter-se são. É melhor fingir que não sabe e não tomar providência do que fingir que sabe tudo e se meter em um situação que não é possível contornar. Melhor fingir-se tolo numa situação difícil e se preparar para um momento posterior.

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O imperador romano Cláudio era figura pouco destacada. Era coxo e gago. Não demonstrava nenhuma aptidão política.

Quando os legionários assassinaram o seu predecessor Calígula, encontraram Cláudio escondido atrás de uma cortina. Cláudio foi poupado, porque parecia bobo, inepto, daria um imperador fantoche perfeito.

Mas, por trás da aparência, Cláudio era um homem estudado, bem educado, brilhante governante e estrategista, retomando o poder quando as circunstâncias foram favoráveis.
O seu governo foi brilhante na parte política e militar.

28 – Tirar a escada depois que o inimigo subir no telhado. Utilizar iscas para atrair o inimigo para uma armadilha. Quando ele estiver subido no telhado, tirar a escada, deixando-o sem saída.

29 – Cobrir a árvore de flores. Melhorar a imagem de algo, para passar uma impressão diferente da real. Popularmente, enfeitar a noiva para o casamento.

Um exemplo muito comum é o IPO de companhias. Os executivos, muito interessados em fazer a abertura de capital e embolsar uma pequena fortuna, fazem de tudo para que a imagem e as contas da empresa pareçam boas, muitas vezes cortando gastos de curto prazo e criando problemas de médio e longo prazo com isso.

30 – O convidado no papel do anfitrião. Quando o anfitrião é fraco, e o convidado, forte, este assume o papel de anfitrião e conduz a cerimônia.

Exemplo. Entrevistas com políticos experientes. Independente da pergunta que o jornalista faz, o político vai responder o que for melhor para ele.


 

Estratégias Desesperadas (31 a 36)

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31 – A trama da beleza. De forma geral, significa focar no ponto fraco do inimigo. Até mesmo os mais poderosos generais (homens) são muito manipuláveis por mulheres bonitas e charmosas.

Exemplos abundam na história. Sansão derrotado por Dalila, Betsabá conquistando o coração de Davi – e colocando o seu filho Salomão no trono, Cleópatra, Helena de Troia, etc…

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32 – A trama da cidade vazia. É uma estratégia desesperada, para confundir o inimigo.

Vem de uma história ocorrida com o grande estrategista Zhuge Liang KongMing. Ele estava encurralado pelo inimigo, e fez algo completamente inesperado: simplesmente abriu os portões da cidade, e passou a varrer a entrada, calmamente.

O oponente, que já tinha caído em várias armadilhas de KongMing, desconfiou de alguma trama, e desistiu do ataque.

Para esta estratégia funcionar, deve-se ter bastante conhecimento psicológico sobre o oponente.

33 – A manobra do agente duplo. Utilizar o próprio espião do inimigo para disseminar informações falsas.

Sun Tzu dedica um capítulo inteiro da Arte da Guerra para o conceito de espionagem. Aqui nas 36 estratégias, não é diferente, informação e contra-informação são a forma de saber o que está acontecendo e planejar ações.

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34 – O método da autolesão. Causar dano a si mesmo, como forma de ganhar a confiança do inimigo. Exemplo de um general chinês, que amputou o próprio braço para dizer que tinha sido traído, mas na verdade era apenas um engodo para se infiltrar entre os oficiais do inimigo.

35 – Manobras interligadas. Utilização conjunta, serial ou paralela, das estratégias descritas acima. Saber cada uma das estratégias é bom, mas saber qual utilizar, quando, onde e como, é a verdadeira Arte da Guerra.

36 – Fuga – a melhor trama. Se nada mais dar certo, fugir é uma excelente opção. Não há nada de errado em se retrair hoje, para poder batalhar amanhã.

 


Conclusão

Os 36 estratagemas é um dos tratados de guerra que são referência na história da humanidade. Fiel ao estilo chinês, as estratégias são descrições simples (originalmente escritas em 4 caracteres), metafóricas, mas de significado profundo se compreendidas  em sua essência, e devastadoras quando aplicadas.

Há inumeráveis outros exemplos de uso, que abordo de quando em quando neste espaço, e continuarei abordando, pelo tema ser muito rico, e pelo ser humano ser extremamente complexo.

 


Links e notas de rodapé:

(1) As 36 estratégias dos chineses – Wee Chow Hou & Lan Luh Luh

(2) https://super.abril.com.br/historia/jesus-nasceu-no-dia-25-de-dezembro/

 

 

​Skin in the Game (Pele no Jogo), de Nassim Taleb

Nassim Taleb é a mente destoante dos tempos modernos, o Nietzche de Wall Street. Ele é daquelas pessoas polarizantes: ou você ama muito ou você odeia muito.

Ele é libanês, radicado nos Estados Unidos, tendo trabalhado como trader por muitos anos, e testado suas ideias sobre o que (não) conhecemos sobre risco. O novo livro de Nassim Taleb, Skin in the Game, segue na esteira das ideias do Cisne Negro e de Antifrágil.

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Está tudo interligado. Um Cisne Negro é um evento de baixa probabilidade e alto impacto, e a questão é que tal evento tem mais chance de acontecer do que os nossos modelos conseguem medir. O conceito de antifragilidade é que há organismos que ganham com a desordem, e conseguem sobreviver e até se beneficiar de cisnes negros.

Hoje em dia, com o mundo esta ficando cada vez mais complexo, o que significa Cisnes Negros cada vez maiores. E essa complexidade é ainda mais forte por haver tantas pessoas sem a pele no jogo: o burocrata que decide intervenção no Iraque, o político que entende somente as consequências de primeira ordem, as corporações que são “grandes demais para falhar” e usam dinheiro público para sobreviver. Se der tudo certo, ok, venci. Se der errado, grito “foi um cisne negro” e com isso justifico socializar as perdas.

Seguem algumas ideias, sem muita ordem.

Ter a pele no jogo obriga a pessoa a passar no teste do tempo, como na natureza.

Via negativa: normalmente não sabemos o que funciona, mas sabemos o que não funciona. Não dá para saber de antemão se algo vai funcionar ou não, mas dá para testar, e vamos saber o que não vai funcionar. O que não funciona é o que não passa no teste de sobrevivência, o teste do tempo.

Cicatrizes do mágico. Taleb viu um show em que o mágico usava um picador de gelo. Após o show, ele percebeu gotas de sangue caindo da mão do mágico: é um indício de que ele realmente se arriscou ao fazer o papel, de que não foi algo fake. O mágico passou a ter o respeito do autor.

Trump é Antifrágil. Os jornalistas o atacam por ele ser um empresário e ter tido prejuízo da ordem de milhões de reais. Ora, mas assim como no caso do mágico com cicatrizes, é exatamente por isso que ele é respeitado pelas pessoas comuns: ter a coragem de empreender (com o seu dinheiro, não dinheiro dos outros), falhar. Perder milhões é como mostrar as cicatrizes de ter empreendido no mundo real.

A ordem em que as coisas acontecem conta muito. Um funcionário público que ficou rico é completamente diferente de um rico que virou funcionário público. O primeiro não teve a pele no jogo, e provavelmente se beneficiou do próprio sistema para tal. O segundo sobreviveu ao teste do tempo, que com todas as ressalvas é um bom indício, e só então foi ao serviço público.

Nunca atravesse um rio com profundidade média de 0,5 metro. Porque não é só a média que importa, mas também a variância. Um rio de 0,5 m de profundidade vai ter trechos muito mais profundos e outros bem rasos.

Sobre a “regra de prata”. A “regra de ouro” é algo como “faça aos outros somente o que você faria a si mesmo”. A “regra de prata” é a versão via negativa, mais robusta do que a primeira: “não faça aos outros o que você não faria a si mesmo”. É interessante porque realmente eu não sei o que o outro quer, mas certamente sei o que o outro não quer. Taleb aproveita para dar uma espetada no filósofo Immanuel Kant, dizendo que o seu imperativo categórico é complicadíssimo e não funciona na prática…

Jornalistas: ter o reconhecimento de jornalistas produz o oposto do que se espera. O ideal é ser ignorado, ou até mesmo odiado pelos jornalistas, aí sim é um indício de que o trabalho é bom e vai sobreviver ao teste do tempo.

O efeito Lindy. Surgiu numa cafeteria chamada Lindy, em que o pessoal da Broadway se reunia. Eles brincavam que, se uma peça já está há um mês em cartaz, ela vai durar mais um mês. A expectativa de vida é igual ao tempo já sobrevivido. E esta é uma heurística muito boa. Trabalhos clássicos dos filósofos gregos de 2 mil anos atrás vão durar muito mais do que um livro qualquer lançado hoje.

A academia virou uma competição atlética, em que o participante quer uma medalha – tendo ou não alguma utilidade prática. É um meio auto-contido, em que as referências cruzadas aos próprios trabalhos são a medida de sucesso. E uma dessas medalhas é o prêmio Nobel, que para Taleb, era melhor que não existisse, para que os pesquisadores se concentrassem em procurar soluções de verdade.

Sour grapes. Há relatos de que as pessoas, ao não conseguirem alcançar as uvas que estavam longe, imaginavam que as mesmas deveriam estar verdes. Isto inspirou o conto de Esopo, posteriormente.

A falha do Behavior Economics é modelar os tendências de comportamento de um indivíduo, sendo que isto não necessariamente vai se refletir no comportamento de um grupo de indivíduos. Taleb ataca com todas as letras Richard Thaler, que para piorar ganhou um prêmio Nobel. Mas, de forma não coerente, Taleb poupa Daniel Kahneman, o fundador da Economia comportamental, prêmio Nobel também, porém amigável às ideias do libanês.

Entre dois médicos, um todo almofadinha, com roupas caras, diplomas na parede, e outro desarrumado, gordo, barba por fazer, parecendo um açougueiro, sem diploma algum na parede, qual escolher? Para quem conhece Taleb, é claro que é o segundo, sem dúvida. Isto porque se o segundo apresenta todas as desvantagens citadas, e ainda assim está no mercado há um bom tempo, é porque este sobreviveu ao teste do tempo, e tem talento real. O primeiro pode ter aparência, mas terá competência real? A natureza não está ligando nem um pouco para a aparência física e sim para performance no mundo real.

A ditadura da minoria. Imagine um grupo de pessoas, onde uma delas não abre mão de ir para a praia, e os outros todos têm uma leve preferência a ir às montanhas. O grupo todo acaba indo para a praia, já que aquele único fulano não abre mão deste resultado. O mais intolerante vence, acaba levando o grupo todo junto.

Ser papa garante bons médicos. Quando o papa João Paulo II foi baleado, ele foi levado ao melhor hospital da região e tratado pelos melhores médicos. Ora, porque não levaram ele para uma capela, para rezar?

Já dizia Aristoteles, a inveja vem dos semelhantes, do mesmo grupo. Alguém muito pobre vai invejar o seu primo que tem um tênis novo, e não um multibiliardário como Bill Gates. É mais provável um socialista que come caviar na França falar de desigualdade social do que a classe trabalhadora, que quer mais é viver o dia-a-dia.

O intelectual idiota: são aqueles que aplaudem quando o povo vai na mesma linha deles, mas quando não entendem o resultado, dizem que é populismo. São os que não compreendem como alguém como Trump pode ter vencido as eleições. Tem um monte de intelectual idiota por aí.

Conclusão

Sinto ao ler Taleb o mesmo que ao ler Nietzsche: com um martelo, ele ataca as fundações de barro de todos os ídolos do mundo atual (os acadêmicos, os economistas, os jornalistas, os intelectuais idiotas), e os demole, um a um. Ele também prefere o êxtase de Dionísio (no caso um malandro das ruas chamado Tony Gordo, ou um médico açougueiro) ao mundo ordenado de Apolo (para Taleb, um matemático quantitativo com phD chamado Dr. John ou um médico almofadinha com diplomas na parede).

Fiel ao seu estilo, Taleb ataca tudo quanto é celebridade intelectual do nosso tempo. Steven Pinker, Richard Thaler, Thomas Piketty, Paul Krugman, usando sem parar a palavra “bullshit”. Ele também se envolveu em polêmica com Mary Beard, ao meu ver, de forma exagerada e injusta – mas este é o estilo dele, opiniões fortes, críticas e discussões.

Estes conflitos geram um monte de inimigos, mas esta é justamente a tática de Taleb. Melhor o livro ser avaliado de forma ótima por alguns e péssima por vários outros, do que todos darem uma nota média. Ele pratica a antifragilidade no mundo real.

Algumas recomendações finais envolvem colocar a pele no jogo, empreender no mundo real.

Taleb é mais fácil de ler do que praticar. Porque praticar o que ele diz envolve esforço real, significa literalmente ter a pele no jogo, e muito poucos têm coragem para tal.

Como apresentar a sua ideia em 30 segundos ou menos

O período médio de atenção do indivíduo é de 30 segundos. É por isso que os comerciais de TV têm 30 segundos.

“Mas eu não conseguiria expor meu pensamento em 30 segundos”. Ora, a TV faz isso o tempo todo!
Para criar o seu discurso:
1. Ter um objetivo claro, bem definido, para a mensagem.
2. Saber com quem está falando, conhecer o público alvo.
3. Definir a abordagem, como chegar lá, a estratégia para passar a mensagem.
4. Procurar um gancho: algo que prenda a atenção, incomum, inusitado, interessante, dramático.
5. Peça o que você quer: no final da mensagem, faça uma exigência de ação direta ou indireta.
O trabalho final deve ser como um quadro: pintar uma imagem na cabeça do ouvinte, com clareza e tocando o seu coração.
Treino: uma mensagem de trinta segundos pode precisar de semanas de treinamento. Ou, de outra forma, é preciso muita preparação para passar uma mensagem cativante em pouco tempo.
O “quem diz” é muito mais importante do que o “o que se diz”. Postura, linguagem corporal, primeiras impressões, estilo, são sempre levados em conta pelo ouvinte.
Quero mais… deixe sempre um gostinho de “quero mais” na boca do consumidor.
Ação: tente seguir tais técnicas em seu próximo discurso de elevador.
Veja também:
Fonte: Como apresentar as suas ideias em 30 segundos ou menos – Milo O. Frank.

O Crepúsculo dos Ídolos em 40 frases

O Crepúsculo dos ídolos, é um livro do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, publicado em 1889.

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O subtítulo “ou Como se filosofa com o martelo” já diz tudo: ele usa o martelo para atacar a filosofia, a razão, a moral, os costumes, destruir tudo.
“Ídolo com pés de barro” se refere a uma história bíblica: uma estátua, um ídolo, com a cabeça de ouro, peito de prata, pernas de ferro e pés de barro. Apesar de todo o seu resplendor, uma pedrinha rolando morro abaixo atingiu o seus pés de barro, e derrubou o ídolo. E é isto que Niezsche mais gosta de fazer: derrubar ídolos atacando os seus pés de barro, principalmente os maiores ídolos de seu tempo.

Gosto muito de Nietzsche, por ele ser provocativo e politicamente incorreto.

Segue abaixo alguns excertos do livro.

 


 

Prólogo

No mundo há mais ídolos do que realidades.

Este pequeno escrito é uma declaração de guerra, não se trata de ídolos contemporâneos, mas de ídolos eternos.

Posso fazer perguntas com o martelo e, talvez, ouvir como resposta aquele famoso som oco que fala das entranhas infladas – quão agradável para aquele que possui ouvidos por trás dos ouvidos, ante ao qual precisamente aquilo que gostaria de permanecer em silêncio, tem de ser ouvido alto e em bom tom.

 


Parte 1. O problema de Sócrates

Sócrates e Platão são sintomas de declínio, instrumentos da dissolução grega.

Sócrates pertencia ao povo mais baixo: Sócrates era plebe. Sabe-se inclusive quão feio ele era. Os antropólogos entre os criminalistas nos dizem que o típico criminoso é feio: monstro de aspecto, monstro de alma.

Em tudo Sócrates é exagerado, bufão, caricatura, e oculto, de segundas intenções, subterrâneo.

Com Sócrates, o gosto grego se modifica em favor da dialética. O gosto aristocrático é vencido com isso; a plebe ascende ao primeiro plano com a dialética.

Ele trouxe uma variante no combate entre homens jovens e adolescentes. Sócrates também era um grande erótico.

Sua apavorante feiúra o exprimia para todos os olhos: ele fascinou ainda mais intensamente como resposta, como aparência de cura para esse caso.

Sócrates fez da razão um tirano, e não é pequeno o perigo disto.

O modo com que Sócrates fascinava: ele parecia ser um médico, um salvador. É engano dos moralistas achar que é possível sair da decadência ao fazer guerra contra ela. Sair da decadência está fora de sua força, é novamente a mesma expressão de decadẽncia.

 


 

Parte 2: A “razão” na filosofia

Tudo o que há séculos os filósofos manejaram foram conceitos-múmia, nada de efetivamente vivaz veio de suas mão.

Outra idiossincrasia dos filósofos não é menos perigosa: ela consiste em confundir o último e o primeiro. Eles põem no início, como início, aquilo que vem no final – infelizmente!

Quatro teses:
1 – As razões pelas quais este mundo foi classificado como aparente fundamenta, muito mais, sua realidade. Uma espécie diversa de realidade é absolutamente indemonstrável
2 – As características que se deu ao “verdadeiro ser” das coisas são características do não ser, do nada. O mundo é aparente na medida em que é apenas ilusão ótico-moral.

3 – Fabular sobre “outro” mundo distinto deste não tem absolutamente qualquer sentido.

4 – Dividir o mundo em “verdadeiro” e “aparente”, seja da maneira do cristianismo, seja da maneira de Kant é apenas uma sugestão de decadência.

 


 

Como o “mundo verdadeiro” se tornou fábula

Abolimos o mundo verdadeiro: Que mundo restou? Talvez o mundo aparente? Mas não! Com o mundo verdadeiro abolimos também o mundo aparente!

 


 

Moral como contranatureza

Todas as paixões possuem uma época em que são meramente nefastas, em que puxam para baixo suas vítimas com o peso da estupidez.

Atacar as paixões pela raiz significa atacar a vida pela raiz: a práxis da Igreja é hostil à vida.

O que é mais venenoso contra os sentidos não foi dito pelos impotentes, mas pelos ascetas impossíveis, por aqueles que haviam tido a necessidade de serem ascetas.

Para uma nova criação, como o novo Reich, ter inimigos é mais necessário que amigos: somente no antagonismo ele se torna necessário.

É ingenuidade dizer “assim e assim o ser humano deveria ser”.


Os quatro grandes erros

Não há erro mais perigoso do que confundir a consequência com a causa: é a autêntica corrupção da razão.
A fórmula mais universal que está na base de toda religião e moral, reza: “faz isso e aquilo, não faça isso e aquilo”. Este é o grande pecado da razão, a mortal irracionalidade.

Erro do espírito como causa, confundido com a realidade! E convertido em medida da realidade! E denominado Deus.

Erro das causas imaginárias – partir do sonho a uma determinada sensação, imputa-se retrospectivamente uma causa.

A doutrina da vontade foi essencialmente inventada com a finalidade de punir, isto é, de querer encontrar um culpado.

O cristianismo é uma metafísica de carrasco.

 

Qual é a nossa teoria? Ninguém dá ao ser humano suas características, nem Deus, nem a sociedade, nem seus pais e antepassados, nem ele próprio. Ninguém é responsável pelo fato de existir. Nós negamos a Deus, negamos a responsabilidade em Deus: somente dessa forma é que redimimos o mundo.


Os “melhoradores” da humanidade

Conhece-se minha exigência ao filósofo de colocar-se para além do bem e mal. Não existem absolutamente fatores morais. Moral é apenas uma interpretação de certos fenômenos, uma interpretação equivocada.

Em todas as épocas, se quis “melhorar” os seres humanos, a isso se chamou moral.


Sentenças

É preciso ser um animal ou um deus para viver sozinho – diz Aristóteles. Falta o terceiro caso: é preciso ser ambos – um filósofo…

Da escola de guerra da vida – O que não me mata me fortalece.

Ajuda-te a ti mesmo, e então todos ainda te ajudarão. Princípio do amor ao próximo.

Torna-se caranguejo quando se procura pela origem. O historiador olha para trás; por fim, acaba acreditanto também no para trás.

Desconfio de todos os sistemáticos e fujo do caminho deles. A vontade de sistema é uma falta de retidão.

Quão pouco se precisa para a felicidade! O som de uma gaita de fole. A vida seria um erro sem música.

O psicólogo tem de afastar a vista de si mesmo para poder enxergar algo.

Tu és autêntico? Ou apenas um ator?

Procurei pelos grandes seres humanos, e sempre encontrei apenas os macacos do seu ideal.

És alguém que só olha? Ou que se põe ao trabalho? Ou alguém que desvia o olhar, pondo-se de lado?

Queres caminhar junto? Ou à frente dos outros? Ou seguir o próprio caminho? É preciso saber o que se quer e que se quer.

O ser humano é um erro de Deus? Ou Deus é um erro do ser humano?


 

O MARTELO FALA

“Por que tão duro!” -falou ao diamante um dia o carvão: “não somos afinal parentes próximos?”
Por que tão frágeis? Ó meus irmãos, assim vos pergunto: vós não sois afinal – meus irmãos?
Por que tão frágeis, tão prontos a ceder e a amoldar-se? Por que há tanta negação, tanta renegação em vossos corações?
Tão pouco destino em vossos olhares? E vós não quereis ser destino e algo inexorável: como poderíeis um dia vencer comigo?
E se as vossas durezas não querem relampejar e cortar e despedaçar: como poderíeis vós criar comigo?
Todos os criadores são em verdade duros. E venturança precisa parecer-vos imprimir a vossa marca sobre milênios como sobre cera, –
Venturança de escrever sobre a vontade de milênios como sobre bronze – como sobre algo mais duro do que o bronze. Totalmente duro solitariamente é o que há mais nobre.
Esta nova tábua, ó meus irmãos, coloco sobre vossas cabeças: tornai-vos duros! –


 

Nota: Resumos têm uma utilidade resumida. Recomendo a leitura do livro inteiro para uma visão mais completa.

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/filosofia/filosofos/nietzsche/crepusculo-dos-idolos-46580797

 

 

Elogio ao ócio

algo de podre nos valores do mundo atual. Elogiamos aqueles que trabalham muito, fazem horas acima do combinado e usam fins de semana para se preocupar com o que ocorre na semana.

O teletrabalho só levou a preocupação para casa. Ao invés do pensamento idealizado de que era possível trabalhar na praia, a realidade é que, mesmo de férias na praia, o trabalho vem a tiracolo.

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Não raro, surgem problemas atrelados a este comportamento: estresse, remédios para dormir de noite, estimulantes para não dormir durante o dia, doenças físicas e mentais.

O ser humano original, da época do neandertal, foi feito para liberar adrenalina em casos esparsos: ao caçar a sua comida, para ele mesmo não virar comida, e para fins sexuais. O neandertal não ficava alerta 24h por dia, atormentado infinitamente.

Vem à cabeça a imagem de Íxion, condenado pelos deuses gregos a ficar eternamente girando, preso à uma roda em chamas:

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E, por outro lado, estamos num país com 13 milhões de desempregados. Tal número seria muito maior se o índice de desemprego levasse em conta aqueles que desistiram de procurar trabalho formal.

Com o aumento da tecnologia e da produtividade, é possível produzir mais com menos. Com o aumento de produtividade, esperava-se que sobrasse mais tempo para todos, como no antigo desenho dos Jetson, em que o trabalho dele era apertar um botão e ficar olhando.

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O tiro saiu pela culatra. Com o aumento da produtividade, aumentou a responsabilidade de quem toma conta do processo. E o efeito foi tirar do mercado quem não acompanhou a mudança.

Ou o fulano trabalha demais ou não tem emprego.

Será possível chegar num meio termo?

 


 

O trabalho é uma virtude supervalorizada

Um artigo de 1935, “Elogio ao ócio”, do filósofo e matemático Bertrand Russell, traz um questionamento sobre o tema.

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Suponha uma fábrica de alfinetes, que tinha 8 funcionários full-time. Digamos que o aumento de produtividade faz com que sejam necessário apenas 4 para fazer o mesmo serviço. Ao invés de os 8 funcionários trabalharem meio-período, o que acontece é que 4 trabalham full-time, e 4 ficam fora da indústria de alfinetes. Esta é a “Moralidade do estado escravo”.

 

Russell aponta que o lazer é essencial para a civilização. Em tempos antigos o lazer de poucos era possível devido ao trabalho de muitos. Mas o labor era valioso, não porque trabalhar é bom, mas porque o lazer é bom.

Deveríamos aprender a aceitar um lugar para o prazer em nossas vidas, o que somente é possível com tempo livre. E deveríamos gastar mais tempo em educação, num sentido geral: utilizar o tempo de forma construtiva.

Historicamente, a pequena classe que tinha tempo ocioso desfrutou de vantagens injustas, entretanto esta pequena classe contribuiu com quase tudo o que chamamos de civilização. Ela cultivou a arte e as ciências, escreveu livros, inventou as filosofias, e refinou as relações sociais.

Hoje em dia as universidades são supostamente responsáveis por produzir, de forma mais sistemática, o que a classe ociosa produzia por acidente e sub-produto. Mas as universidades têm vários problemas. Da sua torre de marfim, não estão cientes das preocupações e problemas do homem comum.

Acima de tudo, haverá felicidade e desfrutar da vida, ao invés de nervos destroçados, cansaço e indigestão. O trabalho será suficiente para fazer o lazer agradável, mas não o suficiente para causar exaustão. Uma pequena porcentagem usará este tempo para perseguir temas de interesse pessoal, e produzir trabalhos de importância pública. E isto fará as pessoas mais ternas e menos atormentadas. A vida boa é resultado de facilidade e segurança, não de esforço árduo.

Deveria ser moralmente elogiável permitir que as pessoas trabalhassem 20 horas por dia, o suficiente para obter uma renda satisfatória.

 


O nativo preguiçoso

Este situação lembra a piada do Dr Livingstone e o nativo preguiçoso na rede.

O Dr. Livingstone, famoso explorador da África, uma vez encontrou um homem deitado numa rede, em pleno dia. Ele perguntou:
– Você não deveria estar trabalhando?
– Mas para que trabalhar?
– Para juntar dinheiro
– E para que dinheiro?
– Com dinheiro você pode comprar uma boa casa
– E para que uma casa?
– Você pode montar uma rede e descansar tranquilamente na sua casa, quando estiver de férias
– Mas já estou numa rede, descansando na minha casa!

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Comentário

É impressionante que o texto de 100 anos atrás de Russell continue tão atual.

Mais ou menos na mesma linha, há o livro “Ócio criativo”, do pensador italiano contemporâneo Domenico de Masi. Certamente é um livro mais citado pelo título do que lido de verdade, porque é denso e prolixo.

Certamente, ambos os trabalhos são mais ideais teóricos do que formas práticas de  colocar tais ideias em ação.

Na minha opinião, a própria natureza humana não permite que trabalhemos menos; entre dois funcionários, um que quer trabalhar 4h e outro que quer trabalhar 8h, a escolha óbvia do empregador é o segundo. Por outro lado, se é possível que eu trabalhe 20h por semana por metade do salário, ou 40h com o dobro do salário, certamente a minha escolha é a segunda.

A conclusão é de que o texto de Russell vai continuar atual por mais 100 anos. Vamos continuar neste ciclo de poucos trabalharem cada vez mais, seja no escritório ou fora dele, e outros tantos ficarem de fora deste processo. É da natureza humana buscar o máximo para si mesmo… até o ponto em que isto ficará insustentável. Alguma coisa continua errada.

“Há algo de podre no reino da Dinamarca” – Hamlet, de William Shakespeare.

 

“Esta cova em que estás com palmos medida
É a conta menor que tiraste em vida
É de bom tamanho nem largo nem fundo
É a parte que te cabe deste latifúndio”

“É uma cova grande pra tua carne pouca

Mas a terra dada, não se abre a boca”

João Cabral de Melo Neto – Morte e Vida Severina


 

Notas

O exemplo da fábrica de alfinetes é uma clara referência ao trabalho clássico de Adam Smith, “A riqueza das nações”, em que ele usa uma fábrica de alfinetes para exemplificar o ganho de produtividade devido à separação do trabalho.

 

 

Texto completo, In praise of idleness:

http://www.zpub.com/notes/idle.html

 

A Teoria dos Cisnes Negros

Um resumo das ideias poderosas de Cisnes Negros, popularizadas por Nassim Taleb: eventos de baixa probabilidade, porém alto impacto.

São duas partes. Uma com as definições, e a segunda com ações que devemos tomar.

 


 

A Teoria dos Cisnes Negros – Parte 1

Vivemos num mundo em que não conhecemos. Esta é a premissa básica da teoria dos Cisnes Negros, popularizada pelo pensador contemporâneo Nassim Taleb. Ele trabalhou por muito tempo como trader no mercado financeiro, e neste ramo, viu várias pessoas fazerem fortunas espetaculares para tudo virar pó em alguns dias.

https://fm.cnbc.com/applications/cnbc.com/resources/img/editorial/2015/10/13/103073957-GettyImages-475064080.1910x1000.jpg

Cisnes Negros são eventos de baixa probabilidade, mas impacto extremamente elevado. É um outlier difícil de acontecer, mas que pode ocorrer um dia, e, se ocorrer, terá efeitos catastróficos.

Esta é a definição, mas não o problema real. O grande problema é que o ser humano tende a subestimar a existência de Cisnes Negros. Uma das razões é que, por serem tão raros, alguns desses eventos nunca ocorreram na história. E, mesmo nos casos em que ocorreram, rapidamente o conhecimento humano se adapta para mostrar que o evento era previsível, não era tão aleatório assim. É o que Taleb chama de “falácia narrativa”. Um exemplo são os economistas “profetas” que afirmaram que “era evidente que a crise de 2008 iria ocorrer, devido aos riscos dos títulos sub-prime”. Tudo isso a posteriori, é claro.

O termo Cisne Negro remete a uma história. No séc XVII pensava-se que todos os cisnes fossem brancos. Por mais cisnes que fossem vistos, eles eram todos brancos. Até que, na Austrália, foi descoberto o primeiro cisne negro. Apesar de milhares de anos de observações de cisnes brancos, bastou um único evento de cisne negro para derrubar a hipótese de que “todos os cisnes são brancos”. Este termo foi criado pelo filósofo inglês David Hume, nos anos 1700, justamente para demonstrar o “Problema da Indução”, ou seja, a fraqueza do nosso processo de raciocínio indutivo.

 


Não-linearidade do mundo

O mundo é não-linear.  A lei de potências governa o mundo, não a curva gaussiana de probabilidade normal.

Vale a pena pontuar alguns casos de não-linearidade histórica:  os ataques terroristas de 11/09/2001, o surgimento do Google, a crise financeira de 2008, o surgimento da internet,  o tsunami de 2004 na Indonésia. Nem a internet, nem o Google, foram previstos pelos livros de ficção científica, nem pelos acadêmicos e executivos.

Os ataques de 11/09 são um caso bastante ilustrativo. Foi algo completamente imprevisto, deixando o mundo inteiro em choque, e mudando completamente o rumo da história. O mundo ficou paranoico com o terrorismo. Dificilmente as guerras posteriores no Iraque e no Afeganistão teriam justificativas não fosse o combate ao terror.

A história é como uma caixa-preta. Conhecemos apenas os eventos da história, mas não os fatores que causaram o mesmo. Temos apenas a interpretação de historiadores, que é feita a posteriori e a partir de um ponto de vista subjetivo, não conhecemos os reais geradores dos eventos. Os eventos importantes são não-lineares. A história não rasteja, ela anda aos pulos. Entretanto, agimos como se fosse possível prever o curso da história, e pior ainda, mudá-lo.

Apesar de nossos avanços tecnológicos, ou talvez por causa deles, o futuro será governado cada vez mais por eventos extremos.

 


 

O desconhecido desconhecido

Há fatos que conhecemos, que conhecemos que desconhecemos, e os que desconhecemos que desconhecemos, e é neste domínio em que somos surpreendidos pelos cisnes negros.

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A ciência, os acadêmicos e os executivos das empresas tendem a focar no que conhecemos, e passar a falsa impressão de que não há fatos que desconhecemos que desconhecemos. Todas as soluções caem em alguma categoria dentro do conhecimento existente. É como aquela piada, do bêbado que perdera a chave do carro no meio da rua, mas procurava a mesma debaixo do poste porque era o único lugar que tinha iluminação.

O mundo conhecido, dos acadêmicos e MBAs mundo afora, é o da curva gaussiana. Ela tem erroneamente tem o nome de “curva normal”, indicando que é fenômeno normal do mundo. Mas a curva normal ignora grandes variações, joga fora o desconhecido – ignora o não-linear.  Taleb chama o mundo gaussiano de “Mediocristão”.

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O mundo real é governado pelo não-linear, exponencial, Pareto, é regido por leis de potência e pelo improvável: alguns poucos ficam com tudo, alguns eventos são ordens de magnitude maiores dos que todos os que já ocorreram,  o que desconhecemos é muito maior do que o que conhecemos. Este é o “Extremistão”, em oposição ao “Mediocristão”: o mundo escalável, exponencial, o-vencedor-leva-tudo, onde o resultado é desproporcional ao volume de trabalho, onde pode-se ficar milionário ou falido num instante.

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 O problema do Peru

Um peru é alimentado todos os dias pelo seu dono, por 1000 dias. Baseado em modelos de forecast que extrapolam o passado, ele supõe que o dia 1001 também será um dia feliz, em que será alimentado por um ser humano. Entretanto, o dia 1001 é Natal, e o peru vai para o forno.

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Assim como no problema do peru, no mundo real a mesma mão que alimenta, pode ser a da degola.

 


 

A Teoria dos Cisnes Negros – Parte 2

Como viver num mundo em que não conhecemos?

O passado pode não modelar completamente o futuro, quando estamos no Extremistão. Não conseguimos extrair informação de onde não existe.

Há três linhas de ação, com relação a opções para cisnes negros negativos, aproveitar cisnes negros positivos, e diminuir a ocorrência de cisnes negros .


 

Opções para Cisnes Negros negativos

Aceitar que não podemos prever o futuro implica em tomar medidas de precaução contra cisnes negros negativos: seguros, opções, planos B.

Taleb, por conta de sua formação como trader, explora bastante o uso de opções. Uma opção, no mercado financeiro, é um instrumento que dá o direito, mas não a obrigação, de comprar (ou vender) uma ação, num determinado momento a um determinado preço. Este direito não é de graça, é necessário pagar uma taxa, que na linguagem dos seguros é chamada de prêmio.

O seguro de veículos (ou casa, vida) é uma opção: pagando o prêmio do seguro, tenho a opção de “vender” (recuperar grande parte do valor) o automóvel à seguradora, no caso de problemas. Tenho o direito de fazer isto, mas não a obrigação. Se eu não exercer a opção dentro de um prazo, a seguradora fica com o prêmio.

Um seguro é uma opção de venda. Há no mercado financeiro a operação inversa: uma opção de compra. Posso comprar uma ação a um determinado valor, numa determinada data futura, pagando hoje um prêmio para obter este direito.

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Em suma, ter opções de compra ou de venda, ter seguros para as coisas mais importantes, ter redundâncias, ter um estoque, uma reserva de valor, são formas de precaução contra eventos imprevistos – não podemos prever o futuro, mas nos precaver para o mesmo.

 

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Ter opções

 

A questão é que o preço do prêmio pode ser caro, e o evento pode nunca ocorrer, então muita gente opta por não ter esses seguros.

Nos dias de hoje, com a busca das empresas em enxugar custos e tornar-se eficiente, com metas de redução de custos em todo lugar, as redundâncias, seguros e estoques têm se tornado cada vez menores. Isto pode gerar um ganho no curto prazo, mas não necessariamente no longo prazo.

Desprezar o seguro porque o prêmio é caro e gerar ganhos de curto prazo em detrimento do longo é como contar os centavos dentro da variação da curva normal conhecida, ao invés de centenas de dólares da variação de uma curva exponencial desconhecida. É como recolher centavos à frente de um rolo compressor. É como olhar para as folhas das árvores e esquecer da floresta, ou como ficar contando as pulgas e deixar passar o elefante, é pensar pequeno e deixar escapar o grande.

A natureza é um exemplo de organismo resiliente. Os animais e plantas devem se adaptar ao meio ambiente e serem eficientes, mas também devem ser eficazes em sobreviver a longo prazo. Digamos que um mamífero tenha uma adaptação ótima ao ambiente, o que lhe permita viver sem gordura. Entretanto, suponha que esta evolução ocorreu fora de uma época glacial. Quando chegar a próxima era glacial, este mamífero não sobreviverá para deixar seus genes, ao passo que os mamíferos não tão ótimos, porém robustos, terão sobrevivido, gerando os descendentes do mundo atual.

 


 

Cisnes Negros positivos e Estratégia Barbell

Para os cisnes negros positivos, a recomendação é a oposta: expor-se ao risco. Muita exploração agressiva, tentativa e erro, participar de festas e conversar com desconhecidos completos, tentar algo que nunca fora feito antes. A grande maioria dessas tentativas vai dar em nada, mas um único acerto pode valer todas as tentativas.

Se, por um lado, uma estratégia é a de ter opções, seguros e robustez, por outro lado devemos explorar agressivamente as oportunidades, qual a proporção entre esses? Essa é a estratégia “barbell”, remetendo à imagem de uma barra de pesos: ser extremamente conservador em um extremo (digamos, 90% do investimento em títulos bastante sólidos, renda fixa, ouro) e extremamente agressivo em outro extremo (digamos 10% do investimento em opções de alta volatilidade).

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A pior estratégia é ficar 100% no meio do caminho, nem tão conservador, nem tão agressivo: não há possibilidade de um cisne negro positivo, e também há risco de ser atingido por um cisne negro negativo.

 

Investidores-anjo não sabem qual a startup que vai realmente dar certo, então tendem a investir um valor pequeno (para o investidor, não para a startup) em várias empresas iniciantes, e acompanhar a evolução desta. O capitalismo, por permitir que centenas de milhares de empreendedores criem suas empresas, e principalmente, fracassem, permite que haja espaço para o surgimento de Apples e Microsofts, ao contrário do socialismo – em que a empresa estatal nunca fracassa porque é bancada por recursos públicos.

 


 

Ter a pele no jogo

O mundo contemporâneo está ficando cada mais conectado, com pessoas se especializando cada vez mais e empresas cada vez maiores. Isto traz um aumento proporcional na complexidade dos sistemas, e um loop de feedback cada vez mais distante e indiretos – as pessoas que tomam as decisões sentem cada vez menos os efeitos dessas decisões, o que faz com que elas não tenham a “pele no jogo”.

As empresas cada vez maiores podem ficar grandes demais para cair, exigindo algum socorro governamental quando isto acontece. Na prática, ocorre a privatização dos lucros, mas a socialização dos prejuízos, uma assimetria prejudicial à sociedade como um todo.

E, por serem grandes demais para ir à bancarrota, essas empresas podem tomar ações temerárias, como vender títulos podres a fim de obter ganhos de curto prazo – aumentando o tamanho do evento Cisne Negro – e com isso colocando em risco todo o sistema financeiro mundial.

Taleb é dos que defendem que empresas não podem se tornar “too big to fail” – evitar a complexidade na fonte, ao invés de ter a tarefa impossível de lidar com esta. Ele também é forte defensor da via negativa: simplificar ao invés de complicar, diminuir ao invés de aumentar, pequeno ao invés do gigante, projetos exequíveis e falíveis passo a passo.

 


 

Conclusões

Há várias formas de encarar o mundo. Algumas mais platônicas, em que achamos que a ciência pode modelar o mundo, os algoritmos do big data e os sensores da internet das coisas vão nos dar informações melhores do que qualquer outro ser humano, uma crença em alguma instituição, como o estado ou os economistas, ou no comunismo, vão nos dar todas as respostas que precisamos.

Outra forma de ver o mundo é assumir que não há como sabermos de tudo. Sempre haverá mais no céu e na terra do que sonha a nossa vã filosofia.  Há desconhecidos desconhecidos que fogem ao nosso controle. É sábio nos precaver de imprevistos, através de seguros, opções e redundâncias. Ser cético para com a ciência e as certezas e abraçar a aleatoriedade.

Para explorar oportunidades, exploração agressiva de tentativa e erro na prática (não na teoria), heurísticas, exposição (controlada) aos riscos, em domínios escaláveis (Extremistão).

Em termos de projetos, é melhor ter vários ciclos simples e rápidos de tentativa e erro no mundo real do que por um mega projeto planejado detalhe a detalhe do começo ao fim.

Vivemos em mundo que não conhecemos.

Resumo em uma frase: Não seja o peru.

 


 

Links

Vale a pena ler os seguintes livros.

 

A Lógica do Cisne Negro

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Iludidos pelo Acaso

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Antifrágil, coisas que se beneficiam com o caos.

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Peter Drucker em 40 frases

Peter F. Drucker nasceu na Áustria, em 1909. É considerado o fundador da Administração moderno. Em 95 anos de vida, escreveu mais de 30 livros e dezenas de artigos de profunda sabedoria.

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Apresento aqui algumas de suas ideias, em mais ou menos 40 frases.

 


Planejamento

Planejamento de longo prazo não tem relação com decisões futuras, mas com o futuro das decisões presentes.

O melhor jeito de prever o futuro é criando-o.

A única coisa que sabemos sobre o futuro é que será muito diferente do que imaginamos.

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Sobre reuniões

Ou você trabalha ou você se reúne. Não é possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

Reuniões demais são sintomas de uma má administração.


 

Eficácia

Não há nada mais inútil do que fazer com grande eficiência algo que não deveria ser feito.

Ser eficaz é mais importante do que ser eficiente. Fazer a coisa certa é mais importante do que fazer certo alguma coisa.

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Inovação
Se você quer algo novo, tem que parar de fazer o velho.

Inovação é o instrumento específico do empreendedor. É o ato de dotar recursos com nova capacidade para criar riqueza.

O que é possível de ser medido é possível de ser melhorado.

Pratique o abandonamento sistemático. As coisas ficam obsoletas. Se for para serem superadas, que sejam por você mesmo.

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Conhecimento

O conhecimento deve ser aperfeiçoado, desafiado e aumentado continuamente, ou desaparece.

O computador é um imbecil.

O mais importante na comunicação é ouvir o que não foi dito.

Quando um assunto se torna completamente obsoleto, ele vira matéria obrigatória na faculdade.

O conhecimento e a informação são os recursos estratégicos para o desenvolvimento de qualquer país. Os portadores destes recursos são as pessoas.

Prepare-se para passar a vida toda estudando.

Opiniões contrárias dão alternativas, estimulam a imaginação e ajudam a desafiar ideias pré concebidas. Encoraje opiniões contrárias.

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Pontos fortes e fracos

Resultados são obtidos explorando oportunidades, e não resolvendo problemas.

É muito mais fácil ir de uma performance de primeira classe para uma de excelência do que sair da incompetência para o mediocridade.

Conheça os seus pontos fortes. Aplique-o em áreas onde você possa contribuir. Assegure que os valores da empresa sejam compatíveis com os seus.

O sucesso vem para aqueles que conhecem a si mesmo. Trabalhadores do conhecimento devem ser os seus próprios CEOs.

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Administração

Muito do que chamamos de gerenciamento consiste em dificultar o trabalho das pessoas.

Executivos devem à organização e aos colegas não tolerar indivíduos que não performam em trabalhos importantes.

Nenhuma instituição sobrevive se precisa de gênios ou de super-homens para administrá-la. Ela deve ser organizada de forma que possa ser gerenciada por seres humanos médios.

Gerenciamento é substituir músculos por cérebro, folclore por conhecimento, e força por cooperação.
O propósito de uma empresa é de criar um cliente.


 

Coragem

Para todo empreendimento de sucesso, alguém, algum dia, teve que ter um ato de coragem.

Pessoas que não assumem riscos em geral cometem dois grandes erros por ano. Pessoas que assumem riscos geralmente cometem dois grandes erros por ano.

Existe o risco que você não pode correr, e o risco que você não pode deixar de correr.

 

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Ação
Planos são apenas boas intenções a menos que sejam imediatamente postos em prática.

Ideias não movem montanhas. São as escavadeiras que o fazem. Ideias devem ser executadas para surtirem efeito.


 

Tempo
O tempo é o recurso mais escasso do ser humano e a menos que seja gerenciado, nada mais pode ser gerenciado.

Conheça o seu tempo.


 

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Liderança

Administração é fazer certo as coisas. Liderança é fazer as coisas certas.

Liderança efetiva não é fazer discursos ou ser querido, liderança é definida por resultados e não por atributos.

Muitas discussões sobre a tomada de decisão assumem que apenas executivos sêniores tomam decisões. Este é um erro perigoso.

Posição não confere privilégios ou poderes. Posição impõe responsabilidade.

A produtividade do trabalho não é responsabilidade do trabalhador, mas do administrador.

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Perguntas

O que deve ser feito?
Qual é o correto?
Como posso contribuir?


 

É óbvio

Dizem que muito do que falo é óbvio. Mas se é tão óbvio, por que ninguém disse isso antes? E por que ninguém pratica?

 


Segunda-feira

O que você vai fazer de diferente na segunda-feira, após ler este texto?

Ideias provocativas – Freaknomics 1

Freak

 

Quando eu era pequeno, jornais (em papel) ainda existiam. Era dividido por cadernos. Tinha o de esportes, o de cidades, os classificados. E tinha o de Economia. Falava de inflação, juros, impostos. E, eu não entendia nada do que estava escrito.
Hoje, continuo não entendendo nada de economia, principalmente de macro-economia. Mas aprendi a gostar da parte micro da economia, a parte que trata mais de incentivos econômicos, comportamento de indivíduos e empresas.
Um dos responsáveis pela divulgação disto é Steven Levitt, autor de Freaknomics e outros livros da mesma linha. Ele tem um blog, onde expõe ideias, algumas interessantes, provocativas, e outras completamente estúpidas e absurdas (ou não).
Já postei alguma coisa sobre eles aqui.
Seguem alguns posts de ideias aleatórias


 

Garçonetes x Aeromoças
Por que aeromoças não recebem gorjetas, enquanto garçonetes recebem?
As duas fazem mais ou menos a mesma coisa: entregam comidas e bebidas ao cliente.
Levitt não responde a pergunta, mas a minha impressão é a seguinte: ser aeromoça tem (ou tinha) um certo status, um certo glamour. Este glamour se perderia completamente se elas recebessem gorjeta.


Tanto faz votar ou não
Eu represento um voto em 200 milhões. Se eu convencer meia dúzia de pessoas, são 6 votos em 200 milhões. A não ser que o sujeito seja um militante em tempo integral, o que o indivíduo pode fazer no todo de uma eleição federal é muito pouco. É mais eficaz gastar o meu (escasso) tempo em algo que dê mais chance de retorno.


 

Esses caras do Freaknomics tem um novo livro, “When to rob a bank”, que nada mais é do que uma seleção de ideias do blog.

Effective Executive – Parte 2

Effective Executive - Parte 2

Eficácia: saber o que deve ser feito
Eficiente: fazer muito bem alguma coisa

É melhor ser eficaz ou eficiente?
A resposta de Drucker é que é melhor ser eficaz. Saber qual a meta real a ser atingida, qual a verdadeira resposta por trás da pergunta.
Uma secretária que digita bem é eficiente no que faz. Mas não é eficaz, se não souber o que escrever.
Computadores são extremamente eficientes. Não erram, são velozes, não reclamam, trabalham sem parar. Mas não são nada eficazes. Não sabem o que devem fazer. Somente os humanos são eficazes para fazer o computador eficiente trabalhar.