O declínio do Clubhouse

Ué, o negócio mal começou e já está em declínio?

Sim, tão rápido quanto subiu, este vem caindo.

Posso falar do ponto de vista de usuário (não-frequente).

O conteúdo é tudo.

Atualmente, a maioria dos grupos que vejo são do tipo caça-níquel: como ficar rico, café da manhã com campeões. Os âncoras falam um pouco, para logo a seguir mandar um “dê uma olhada no meu instagram, tem um link para um curso que é gratuito para quem fizer isso nos próximos 30 minutos…”. Odeio esse tipo de bait.

Alguns grupos interessantes, como os puxados por Lex Fridman, não vejo mais. Ou de matemática diferencial, que já cheguei a ver no passado. Por ser tudo ao vivo e não ficar gravado, não dá nem para pesquisar e ver conteúdo passado.

Algumas causas do declínio:

  • Concorrência (Twitter spaces, Spotify copiou também).
  • Talvez os bons produtores de conteúdo tenham achado que não vale a pena fazer algo que não vai ficar gravado e não vai ser dele, perdendo assim o poder de escala. É melhor fazer um podcast mesmo…
  • Reabertura do mundo, sobrando menos tempo para o on-line.

Ainda assim, há discussões bastante interessantes.

  • Há alguns meses, no conflito Israel x Palestina, havia uma sala onde árabes e israelenses do mundo todo falavam de suas experiências. Exemplo de caso: um árabe egípcio disse que fora criado a vida inteira odiando judeus, mas nos EUA estes foram os que mais abriram as portas para a sua carreira…
  • Tem um “plantão médico” de manhã e um “giro de notícias”, ambos muito bons – mas como o meu horário é errático, só de vez em quando consigo pegar algum deles.
  • Vi uma notícia de que o Clubhouse fez uma parceria com o TED. Não sei como vai ficar, mas é promissor. Conteúdo bom não surge do nada, tem que ser criado, curado e remunerado.

Vejamos os próximos capítulos dessa guerra de áudios, e que vença o melhor!

O cérebro lagarto e a pirâmide invertida de Maslow

Os três cérebros

Existe um modelo neurológico simples e extremamente útil: a dos três cérebros.

Todos temos um cérebro lagarto, um cérebro macaco, e um cérebro humano.

Seria um aspecto da evolução.

O “eu lagarto” está preocupado com segurança, necessidades básicas como respirar, comer, se reproduzir. Também é aí a decisão confronto ou fuga. Ocupa o centro do cérebro.

O “eu macaco” seria aquele com necessidades de socialização, comunidade, família. Ocupa as camadas externas do cérebro.

Já o “eu humano” é o mais recente de todos, e ocupa a camada externa do cérebro. Seria aquilo que nos faz diferentes de qualquer outro animal. Capacidade de pensar a longo prazo, criatividade, grande talento para inovar.

Uma utilidade prática. Quando estamos falando com uma pessoa desconhecida, vendendo algo, esta começa no modo “eu lagarto”: será que ele é confiável? O que ele quer?

Somente depois que o “eu lagarto” fica confortável é que o “eu humano” vai ouvir a mensagem. Talvez por isso, pessoas muito técnicas sejam ruins de persuasão: não é o argumento lógico que importa para o lagarto.

A anti-pirâmide de Maslow

O modelo dos três cérebros é parecido com a famosa pirâmide de necessidades de Maslow.

Usualmente, interpretamos a pirâmide de baixo para cima: devemos estar com as necessidades básicas fisiológicas satisfeitas, depois as de segurança e social, para conseguirmos correr atrás da autoestima e autorrealização.

Para as poucas pessoas que realmente têm um enorme propósito, pode-se falar de “Anti-pirâmide de Maslow”.
A autorrealização, ou a realização da missão é tão forte que a pessoa abre mão de conforto físico, necessidades sociais e afetivas, e até a própria segurança, a fim de atingir o objetivo.

Ou, como dizem, “Quem tem o por quê, arruma o como”.

“Quem não tem uma causa pela qual morrer não tem motivo para viver” – Martin Luther King

O bizarro Telemarketing filantrópico

“Senhor, somos da instituição filantrópica anjos xyz, de apoio ao combate ao câncer infantil, e conseguimos o seu contato através de indicação do pessoal da sua empresa…”

Recebi, há poucos dias, uma ligação assim. É normal instituições de caridade ligarem aleatoriamente, mas eu achei essa ligação diferente.

A atendente passou a comentar sobre uma criança com câncer no estômago, descreveu uma cena triste e que os remédios acabariam amanhã. Amanhã! Falou das credenciais da instituição voluntária e do hospital destinatário dos esforços. Pediu doação até 12h do dia seguinte e meus contatos (e-mail, whatsapp).

Talvez até seja uma instituição idônea, e espero que realmente seja, mas o meu “detector de bullshit” ligou vários sinais amarelos.

A conversa acima está com o roteiro muito bem escrito, para caber em alguns minutos, e utiliza todas as técnicas possíveis de persuasão:

  • Cita uma referência à alguém conhecido, que fez a indicação
  • Conta uma história emocionante de uma criança doente (é mais eficaz do que falar que dezenas de crianças são atendidas)
  • Cria um senso de urgência (amanhã sem falta)
  • A atendente dá a entender que é uma voluntária do programa
  • Apresenta credenciais (CNPJ, nome, telefone)

Note o uso perfeito do Ethos (credenciais, quem é a instituição, credibilidade da indicação) – Pathos (emoção, história triste) – Logos (lógica: alguém precisa, é urgente).

Perguntei o nome do responsável da minha empresa que tinha feito a indicação, e a atendente não soube responder. Depois, fui checar junto ao pessoal da empresa que trabalha com voluntariado (inclusive sempre participo das campanhas): resultado, a minha empresa não faz parceria nem autoriza contatos utilizando o nome dela, se foi indicação de alguém, foi uma iniciativa pessoal, não corporativa.

Eu tenho absoluta convicção: quem me ligou é de uma empresa de telemarketing, treinada e com roteiro escrito, tal qual um banco liga para vender cartão de crédito. Um voluntário, daqueles de que temos a imagem em nossa cabeça, teria uma postura completamente diferente.

Pode até ser uma instituição séria, com um bom trabalho, e espero que seja. Porém, declinei da ajuda neste caso – não gostei da abordagem. Continuo a ajudar o pessoal que eu conheço ser realmente voluntário.

Reciprocidade e a sabedoria das ruas

Fui surpreendido, num semáforo em São Paulo na região da Luz, no último fim de semana. Estava eu parado, quando surge um rapaz com um rodo, sabão com água, e começa a limpar o vidro dianteiro do carro.

Falei para ele que não precisava (o que não era verdade, estava sujo), e que eu não tinha dinheiro trocado. Ele respondeu, com muita naturalidade, que era cortesia, outro dia eu poderia dar alguma coisa em troca.

Não tive opção a não ser procurar alguns reais para dar ao rapaz…

O truque do limpador de para-brisas é velho. Desde que me conheço como gente, já faziam isso. A diferença, nesse caso, é que o rapaz argumentou com tanta elegância que parecia que tinha feito um curso de persuasão…

A sexta regra da persuasão, do autor Robert Cialdini, é a Reciprocidade. Dar para receber. Diz o livro que a reciprocidade é tão generalizada que todas as sociedades seguem essa regra.

“Dê tijolos para obter jade” é uma frase com significado correlato, que consta nas 36 estratégias chinesas de guerra.

Para virar uma estratégia: dê algo, uma amostra grátis, um favor, antes de pedir algo em troca.

Como o limpador aplicou a técnica: o vidro estava realmente sujo; ele me deu a opção de ir embora sem recompensá-lo, sem penalidade alguma, sem agressividade (que é comum em flanelinhas e outros que utilizam a mesma técnica).

Imagino que o rapaz não fez um curso de negociação em Harvard, mas sim, fez um curso infinitamente mais efetivo: inúmeras tentativas e erros, na prática. Ele deve ter testado as mais diversas técnicas, recebido uma quantidade gigantesca de “nãos”, até convergir a uma abordagem que maximiza os resultados e a sua energia gasta.

O grande pensador Nassim Taleb cita, com muita frequência, a “sabedoria das ruas”. Fazer um curso de negociação em Harvard não faz ninguém um grande negociador, aprender, a duras penas, na prática, sim. E é assim com toda a gama de conhecimentos práticos na vida.

Taleb: “Pessoas que constroem musculatura com aparelhos caros em academias são capazes de levantar pesos extremos, demonstram números e musculatura impressionantes, porém, não são capazes de levantar uma pedra; eles seriam completamente derrotados numa briga por alguém treinado em condições caóticas, que cresceu brigando nas ruas. Sua força é extremamente dependente do domínio, e não existe além do lúdico, na verdade, sua força é como se fosse uma deformidade”.

Um exemplo prático da afirmação de Taleb: a sabedoria das ruas do limpador venceu a mim, e toda a minha filosofia sobre negociação e persuasão!

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2020/09/28/dicas-de-livro-de-comunicacao-e-negociacao/

https://ideiasesquecidas.com/2018/03/23/as-36-estrategias-secretas-chinesas/

https://ideiasesquecidas.com/2017/08/09/a-teoria-dos-cisnes-negros


Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/

Dicas de livro de comunicação e negociação

Comunicação e negociação são habilidades cada vez mais essenciais, à medida em que deixamos de ter funções técnicas e passamos a assumir posições mais gerenciais.

Seguem aqui 4 indicações.

  • O corpo fala – Pierre Weil
  • Como Apresentar as Suas Ideias Em 30 Segundos Ou Menos – Milo Frank
  • Never split the difference – Chris Voss
  • Start with No – Jim Camp

Os dois primeiros são antigos, e pode ser difícil encontrar hoje em dia.

Cuidado. Utilizar com responsabilidade.

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2018/12/20/comunicacao-assertiva/

https://ideiasesquecidas.com/2019/04/18/o-corpo-fala/

https://ideiasesquecidas.com/2020/08/02/negocie-como-se-sua-vida-dependesse-disso/


Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/

Por que escrever artigos, blogs e posts no IN?

As minhas razões são: para ensinar… e, principalmente, para aprender!

Ler e ouvir um conceito apresenta uma retenção de 20% do conhecimento. Já praticar e ensinar, 95%. É a “Pirâmide do Aprendizado”.

Tente ensinar também, seja através de posts ou aulas voluntárias. Não é tão fácil quanto parece.

Um pequeno guia para uma boa escrita:

  • O conteúdo agrega valor ao leitor?
  • A narrativa está coerente? Coloque-se no lugar de quem está lendo.
  • Gramática correta, sem palavras redundantes, linguagem simples, com figuras ilustrativas.
  • O toque pessoal é fundamental. Não estamos aqui para repassar ideias de outrem, mas para adicionar uma pitada da sua própria receita.

Faz sentido? O que mais é interessante considerar?
Postar nos comentários.

Dicas para criar conexões de qualidade

Esta é uma pergunta recorrente. Não sou expert no tema, e gostaria da ajuda dos meus contatos nesta rede para mais dicas.

  • Não peça, dê. Crie conteúdo de valor, que ajude os outros. Tem gente que pede conexão e, no minuto seguinte, já pede indicações ou quer vender algo. Qual a chance de uma abordagem assim dar certo?
  • Procure por grupos e temas de interesse. Veja quem é ativo em sua área. Peça conexão com um nota educada.
  • Pergunte por conselhos e dicas – é mais fácil para contatos já conhecidos
  • Na época pré-pandemia, marcar almoço ou café para um bate-papo (sem pedir coisas)
  • Uma coisa que notei: um post viraliza quando é algo positivo, que as pessoas têm orgulho de compartilhar

Como diria o filósofo Immanuel Kant: não use as pessoas como meio, e sim, como um fim em si mesmas.

Não se apaixone pela solução

Christopher Vogler é uma espécie de roteirista dos roteiristas de Hollywood. Numa de suas aulas, ele afirma que um criador não deve se apaixonar pela solução.

Adotar tal abordagem pode levar a becos sem saída.

Eu já quebrei a cara me apaixonando pela solução. Há uns 10 anos, eu tinha uma base de dados para processar antes de uma análise de estoques. Não era absurdamente grande, mas também não era pequena: uma dúzia de planilhas, com umas 15 mil linhas cada.

Usei a minha ferramenta favorita, Excel VBA, ao invés de algum banco SQL. Remover duplicatas, juntar bases, essas coisas. O problema foi que o Excel 2007 não aguentou: os cálculos demoravam mais de meia hora, a planilha travava, e o pior, não dava para confiar na solução (alguma fórmula está errada ou o cálculo travou no caminho?).

Mesmo após ficar evidente que não era a melhor solução, havia a dúvida – faltam poucas semanas de trabalho, se eu recomeçar do zero, vai atrasar a entrega… ledo engano. Atrasou do mesmo jeito. Tive que quebrar muita pedra, e o resultado poderia poderia ser melhor.

A dica de Vogler é fazer o contrário: apaixone-se pelo problema, independente da solução. A história tem vida própria, ela escolhe o próprio final!

Trilha sonora: O mundo anda tão complicado – Legião Urbana

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2013/12/01/a-solucao-otima-para-o-problema-errado/

https://ideiasesquecidas.com/2016/01/27/a-verdade-e-o-conto/

Três dicas para melhorar a oratória

1. Fale alto e claro, com força e convicção.

2. Pronuncie todas as sílabas. Não engula vogais nem consoantes em seu discurso.

3. Postura. Não fale de braços cruzados ou de costas para o seu interlocutor. Fale de frente, peito aberto, sem medo.

São observações simples na teoria, porém difíceis de executar na prática. Treine bastante e se policie em qualquer conversa importante.

Como apresentar a sua ideia em 30 segundos ou menos

O período médio de atenção do indivíduo é de 30 segundos.

“Mas eu não conseguiria expor meu pensamento em 30 segundos”. Ora, a TV faz isso o tempo todo!

Para criar o seu discurso:

1. Ter um objetivo claro, bem definido, para a mensagem;

2. Saber com quem está falando, o público alvo;

3. Definir a abordagem, a estratégia para passar a mensagem;

4. Procurar um gancho: algo que prenda a atenção, incomum, inusitado, interessante, dramático;

5. Peça o que você quer: no final da mensagem, faça uma exigência de ação direta ou indireta;

O trabalho deve ser como um quadro: pintar uma imagem na cabeça do ouvinte, com clareza e tocando o seu coração.

Treino: uma mensagem de trinta segundos pode precisar de semanas de treinamento. É preciso muita preparação para passar uma mensagem cativante em pouco tempo.

O “quem diz” é tão importante quanto o “o que se diz”. Postura, linguagem corporal, primeiras impressões, estilo, são sempre levados em conta pelo ouvinte.

Quero mais… deixe sempre um gostinho de “quero mais” na boca do consumidor.

Ação: seguir tais técnicas em seu próximo discurso de elevador.

Fonte: Como apresentar as suas ideias em 30 segundos ou menos – Milo O. Frank.

Vide também:

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/

https://ideiasesquecidas.com/2018/09/07/ethos-pathos-e-logos

https://ideiasesquecidas.com/2016/09/24/qual-e-o-seu-pitch/

Jornal para cachorro

Presenciei uma cena dos tempos modernos, hoje, numa banca de jornais na Av. Paulista:

  • Oi, você tem jornal?
  • É para cachorro? Tenho sim.

Hoje em dia, o papel do jornal tem mais demanda do que o jornal em si…

Eu mesmo, faz uns três anos que não compro um jornal. Eu estava lá na banca para recarregar o Bilhete Único de transportes.

Outrora, há não tanto tempo atrás, jornais eram uma fonte importante de informação. Quem controlava o jornal controlava a informação.

Vários impérios se formaram em torno de jornais.

Assis Chateubriand, com o extinto Diário de São Paulo e outros, dominava a cena nos anos 1940.

Adolpho Bloch, da revista Manchete.

Roberto Civita, que controlava o grupo Abril, hoje vendido por valor simbólico e dívidas bilionárias.

A família Frias, da Folha de S.Paulo, e a família Mesquita, de O Estado de S. Paulo, jornais também sofrendo fortes golpes da realidade .

No mundo, a mesma coisa. Um exemplo cultural: o filme Cidadão Kane, de 1941, gira em torno de Charles Kane, um poderoso magnata das comunicações.

Cena do filme “Cidadão Kane”

Hoje em dia, a informação não precisa mais do papel para ser transmitida. Ela é sem fio, na nuvem, escrita com zeros e uns. E o jornal? Talvez o cachorro use!


Ideias técnicas com uma pitada de filosofia:

https://ideiasesquecidas.com/

https://www.valor.com.br/empresas/6034021/familia-civita-vende-abril-e-da-calote-de-r-16-bilhao

https://en.wikipedia.org/wiki/O_Estado_de_S._Paulo

https://pt.wikipedia.org/wiki/Di%C3%A1rios_Associados

https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2011/07/110718_magnatas_bg_cc

https://en.wikipedia.org/wiki/Citizen_Kane

Comunicação assertiva

5 dicas para a comunicação assertiva:

  • Fale com entusiasmo e orgulho
  • Mantenha tom de voz e expressão corporal positiva
  • Olho no olho
  • Seja claro e conciso
  • Verifique o entendimento da outra pessoa

Sempre me achei um péssimo comunicador. Porém, praticando consistentemente os passos descritos, melhorei bastante.