Como a maçã virou abóbora

No livro “After Steve: How Apple Became a Trillion-Dollar Company and Lost Its Soul”, o jornalista Tripp Mickle, do Wall Street Journal, investiga o que vem acontecendo com a Apple pós Steve Jobs: virou uma máquina de fazer dinheiro, mas perdeu a magia.

O livro foca em duas pessoas: o criativo designer Jony Ive e o eficiente novo CEO Tim Cook, e como o primeiro acabou definhando em importância até a sua saída.

A Apple, com Jobs, destacou-se por estar na intersecção artes e tecnologia.

Nenhum nome representa tanto o lado “arte” da Apple quanto Jony Ive, que era considerado como o “parceiro espiritual” de Jobs. Ele começou trabalhando com Jobs no projeto do iMac. Se deram muito bem, desde então. Se a Apple precisava de um hit, Ive entregava, independente de custos: o design na frente das finanças.

Jony Ive acabou sendo a segunda pessoa mais importante da Apple. Respondia direto a Jobs. Ive complementava Steve. Paciente, focado, ao contrário do chefe. Teve papel importante no segundo ato da Apple, ao se envolver no design do iPhone, iPod, iPad entre outros.

Com Jobs e Ive, o design era maior do que a engenharia. Com Tim Cook, o oposto.

É de conhecimento geral que Tim Cook é o atual CEO da Apple, e após um período de desconfiança, fez a empresa se tornar a mais valiosa do mundo, tendo atualmente inimaginável valor de mercado de 1 trilhão de dólares.

Cook teve a habilidade de navegar no mundo pós-Jobs. Entre outras ações, abriu caminho para Apple na China, e teve uma participação maior no mundo da política.

A Apple de Cook começou a deixar o design de lado, e ser guiada cada vez mais pelos números. Eficiência, baixos custos, ganhos de escala, supply chain. Negociadores em destaque, espremendo fornecedores e garantindo centenas de milhões a cada contrato. Finanças na frente do design.

A Apple continuou tentando inovar, porém sem o mesmo impacto do iPhone. Alguns produtos pós-Jobs.

  • Apple Watch. Uma das apostas da empresa é em wearables, como o relógio. Destaca-se a mudança de foco, de tecnologia para moda chique com relógios caros e personalizados. Ao invés de ser tecnologia premium, o mais barato produto de amanhã, agora concorria no setor de moda.
  • Aquisição do Beats e desenvolvimento dos fones sem fio Airpod.
  • O Apple Maps, clone do Google Maps, foi um fracasso.
  • Apple Music. O iTunes, na sua concepção original, foi um divisor de águas. Porém, o surgimento do streaming de música, com um acervo infinito por uma mensalidade pequena, fez a Apple lançar o seu próprio serviço. Onde Jobs inventava, agora Cook copia. Não há nenhum diferencial importante que torne a Apple Music superior ao Spotify, por exemplo. Apesar disso, atingiu fatia importante do mercado.
  • Carro autônomo da Apple, com grande expectativa? Vem sendo um experimento sem fim.
  • Outra ideia é uma versão Netflix da Apple – se vai vingar ou não, não sabemos.

A Apple de Cook é eficiente. Com as vendas do iPhone estáveis, como ele poderia fazer para extrair mais dinheiro dos já convertidos? Houve uma guinada, de produtos para serviços, aproveitando o ecossistema de fãs da Apple. Icloud, Music, App store.

Com Cook, houve aumento de importância das áreas operacionais, e Jony Ive ficou sendo apenas mais um no time. Uma hora decidiu sair. Para evitar publicidade negativa, a Apple ofereceu a ele o título de Chief Design Officer, e ocupação de meio período, mas na prática, ele estava exausto.

Ive foi sendo cada vez mais escanteado, até finalmente pedir as contas, em 2019.

A Apple de Cook, eficiente, lucrativa e chata, está cada vez mais parecida com a Microsoft. Os rebeldes viraram o sistema. 1984 cada vez mais parecida com 1984. Os piratas viraram a marinha.

Bateu o relógio da meia-noite, e a magia acabou. A maçã virou abóbora.

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Trilha sonora: Joan Baez, Love Minus Zero/No Limit

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Como surgiu o Prêmio Nobel

No ano de 1888, o empresário Alfred Nobel leu o seu próprio obituário, nos jornais.

A confusão: fora o seu irmão, Ludvig, quem morrera, não ele. Os jornais cometeram esse erro, mas pior ainda foi o conteúdo da matéria, o rotulando como o “Mercador da Morte”.

Por que “mercador da morte”? Porque Alfred Nobel inventou a dinamite. Antes de Nobel, era extremamente perigoso lidar com nitroglicerina, e a sua invenção permitiu a manipulação segura do explosivo. Além disso, Nobel foi detentor de mais de 355 patentes de invenções diversas. A dinamite foi logo adotada mundo afora, enriquecendo o inventor.

Pois bem, após o obituário o condenar pela invenção de explosivos, Nobel resolveu mudar sua imagem. Trecho do biógrafo Kenne Fant, descrito no link do rodapé:

“Nobel ficou tão obcecado com a sua reputação após a morte, que ele reescreveu o testamento, deixando a maioria de sua fortuna para uma causa que nenhum obituário futuro poderia caluniar”.

Alfred deixou 94% de sua fortuna a 5 prêmios: Física, Química, Medicina, Literatura e Paz. Anos depois, o Banco Central da Suécia doou grande quantia para estabelecer o prêmio de Economia, em homenagem a Alfred Nobel.

É irônico que o Prêmio Nobel da Paz tenha sido criado pelo inventor da dinamite.

E você, o que você quer escrito no seu obituário?

Links:

https://www.history.com/news/did-a-premature-obituary-inspire-the-nobel-prize

https://en.wikipedia.org/wiki/Alfred_Nobel

Anedotas de Pablo Picasso

O grande pintor Pablo Picasso, além de prolífico com o pincel, é famoso também por curiosas anedotas que envolvem sua pessoa.

Citando algumas.

1) Quadros que se parecem com a realidade

Pablo Picasso era famoso pelos quadros cubistas abstratos. Um dia, um transeunte perguntou a ele: “Por que você não pinta quadros que se parecem com a realidade?”

“Como assim?”, retrucou o pintor.

O homem pegou uma foto no bolso e disse: “Olhe, é a minha esposa”.

Ao que Picasso comentou: “Ela é muito diminuta e plana”.

2) Picasso estava num parque. Uma senhora o reconheceu e pediu para ele pintar um retrato dela.
Alguns minutos depois, o pintor lhe entregou um desenho. Ela ficou feliz em ver como ele tinha capturado a essência de sua pessoa num belo trabalho, e perguntou quanto ela lhe devia.

“5000 francos, madame”, respondeu.

A mulher, indignada, rosnou que era um valor absurdo para um trabalho feito em 5 minutos.

Picasso, então, respondeu: “Não, minha senhora, esse trabalho levou a minha vida toda”.

3) O jovem Pablo tinha um pavor a sapos. Os garotos de sua classe, a fim de se divertir com isso, de quando em quando pegavam um sapo e deixavam em sua cadeira, para assustá-lo.

Um dia, Pablo teve uma ideia. Chegou mais cedo à escola e deixou um sapo de papel em seu lugar. Retornou mais tarde, quando a sala estava cheia, e fingiu a mesma reação de pavor ao sapo de papel.

Os valentões da sala passaram a usar a versão de papel dali em diante, por ser muito mais fácil fazer um sapo de papel do que pegar um de verdade.

Internamente, porém, o futuro pintor estava rindo dos bobões, afinal sapos de papel não lhe causavam desconforto algum…


Não sei se tais histórias realmente pertencem a Picasso ou são apócrifas, mas são divertidas assim mesmo. Como diria Yogi Berra, famoso por seus aforismos, “Eu não disse tudo o que eu disse”.

“Deus é na verdade apenas mais um artista. Ele inventou a girafa, o elefante, e o gato. Ele não tem estilo de verdade.” – Pablo Picasso.

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As 10 regras de ouro de Sam Walton

O que o fundador do Walmart tem a nos ensinar?

Fiz um infográfico, para ilustrar, e também coloquei no formato de planilha bizurada.

Planilha bizurada:

Link para download:  
https://1drv.ms/x/s!Aumr1P3FaK7jn2qhEBa5Cl6JJaCT

Veja também:

O homem que nunca trabalhou, gastou tudo em festas, viagens e morreu pobre

A primeira vez que ouvi falar de Jorginho Guinle foi há uns 20 anos, lendo a matéria de uma revista Veja ou similar. O playboy, herdeiro do Copacabana Palace, o mais luxuoso e famoso hotel do Rio de Janeiro, gabava-se de nunca ter trabalhado, e dizia ter torrado a sua fortuna em festas, viagens, mulheres, comida, bebida, tudo do bom e do melhor que o dinheiro poderia comprar. Porém, tinha errado a conta: achava que viveria 75 anos, mas continuava saudável depois disso, quebrado, falido, sem um tostão furado no bolso (faleceu aos 88 anos, em 2004).

Lembro da reportagem ter causado uma sensação de repulsa – um sujeito assim era o oposto de tudo o que eu acreditava ser uma vida nobre, aquela de dedicação a um trabalho decente e honesto, de querer plantar sementes para outros colherem ao invés de apenas consumir todos os frutos para mim sem ter plantado nenhuma.

Ontem vi o filme “Jorginho Guinle – Só se vive uma vez”, no Prime Video. É um filme nacional, de 2019, sobre o playboy. Logo, me vem à cabeça a reportagem citada, e um pensamento do tipo “como é que o brasileiro dá valor a uma pessoa fútil assim”. Entretanto, movido pela curiosidade, assisti ao filme, eu mesmo dando valor a uma pessoa fútil assim.

A família Guinle era mais fabulosamente rica do que apenas o Copacaba Palace. O início foi com a fundação da Companhia Docas do Porto de Santos. O comércio internacional no início do século passado gerou uma fortuna imensa à família, que também investiu em uma série de outros negócios, envolvendo desde eletricidade até bancos.

Além da fortuna, havia também os contatos. O presidente Getúlio Vargas, entre outros, era frequente à mesa dos Guinle.

O filme logo foca nas desventuras de Jorge Eduardo Guinle, que segue em linha do que já foi descrito: festas, viagens caríssimas à Europa, romances com atrizes de Hollywood (Rita Hayworth, Jayne Mansfield, Marilyn Monroe, dentre uma lista grande), casamentos, joias caras, restaurantes luxuosos, champanhe da melhor qualidade.

Pertenciam à família Guinle, entre outros:

  • O Palácio das Laranjeiras, em Botafogo, residência oficial do governador do Rio de Janeiro
  • A Granja Comari, em Teresópolis, que hoje é utilizada pela Seleção Brasileira de Futebol
  • O Jóquei Clube do Rio de Janeiro
  • O hotel Copacabana Palace

A seguir o declínio gradual dos negócios da família, a morte do pai, a venda de ativos para continuar a manter o alto padrão anterior.

Lembro de uma história budista, onde havia 7 tipos de inferno. Não lembro de todos, mas para dar um exemplo, um dos infernos era o de existir alimento mas a pessoa passar fome eternamente, outro era dela ser despedaçada fisicamente todos os dias, etc. O sétimo inferno era o das vaidades infinitas: ter que estar sempre participando de festas cada vez mais luxuosas, estar preso num ciclo infindável de nunca ser rico, bonito, talentoso, bom o suficiente quanto os pares.

Nesse ponto, notei algo. Essas frases de efeito, de nunca ter trabalhado, de ser um playboy que errou na conta de quando morreria, o maior playboy do Brasil, etc, eram uma máscara. Chegou num ponto da vida em que ele interpretava um personagem de si mesmo. Talvez ele quisesse ser reconhecido pela versão ideal de playboy, talvez por sinceridade, não sei.

“Nenhum playboy de hoje pode ser meu sucessor. Todos têm um grave defeito: eles trabalham”

Pensando bem, eu acho extremamente mais honesto viver a vida de playboy e assumir isso, do que ser o hipócrita que posa de bom moço; do que fazer doações de mixaria só para suavizar a imagem; do que usar os chavões usuais de meio-ambiente e responsabilidade social apenas para a aparência. Jorginho Guinle continua não sendo um modelo a ser seguido, fique bem claro, só acho ele mais honesto do que outros ricaços na mesma situação.

Jorginho Guinle foi um epicurista de intensidade máxima.

“O segredo do bem viver é morrer sem um centavo no bolso. Mas errei o cálculo e o dinheiro acabou antes da hora”.

Obs. A trilha sonora do filme, com muito jazz e participação especial de Daniel Boaventura, é um espetáculo à parte.

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Veja também:

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

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Os fracassos de Papanicolau até o exame que leva o seu nome

Poucos cientistas estudaram a fase inicial do câncer tão intensivamente quanto George Papanicolau.
Ele era um médico grego, quando chegou aos EUA em 1913, sem um centavo no bolso.

Papanicolau foi levando a vida como vendedor de carpetes, antes de conseguir uma posição na Universidade de Cornell, NY.

Mas mesmo em Cornell, era para uma tarefa menor. Estudar ciclo menstrual de porquinhos da Índia, uma espécie que não sangra nem apresenta outros sinais evidentes na menstruação.

Ele aprendeu a extrair células uterinas e analisar as suas formas. Sabendo a morfologia das células, ele conseguia dizer a posição do ciclo menstrual.

A seguir, ele expandiu o estudo para pacientes humanos. O método também funcionava em seres humanos, porém era uma invenção inútil. Faz séculos que mulheres sabem os seus ciclos, sem ajuda do método de Papanicolau.

Sem se abalar com as críticas, o médico continuou pesquisando, coletando tudo quanto era amostra de doenças ginecológicas – fibróides, cistos, tubérculos, inflamações.

O câncer, ele descobriu, tinha tendência de criar formas anormais, aberrantes.

Entusiasmado, ele publicou o artigo com a descoberta em 1928, apenas para sofrer mais críticas. O método não era muito acurado nem sensitivo. E havia outras formas de detectar câncer cervical.

Após duas invenções inúteis em 20 anos, ele desapareceu por um tempo.

Entre 1928 e 1950, Papanicolau voltou ao tema com ferocidade.

Será que o câncer também não muda a morfologia com o tempo?

Ele e colaboradores adaptaram o método não para detectar o câncer, mas sim, o pré-câncer.

Em 1952, ele conseguiu convencer o Instituto Nacional do Câncer a realizar o maior teste da história, utilizando o seu método. 150 mil mulheres fizeram o teste de Papanicolau. Encontraram câncer invasivo em 555 casos. Se não tivessem sido testadas, não teriam sabido, pois não havia sintomas. E as mulheres testadas estavam numa idade 20 anos a menos que a idade média de casos.

Papanicolau transformou um caso de câncer virtualmente incurável em curável, e o seu teste é o padrão mundial utilizado até hoje.

Lição da história. Não desistir após resultados negativos.

Fonte: “O imperador de todos os males”, Siddhartha Mukherjee.

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As piores frases de Nietzsche

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), é, segundo suas próprias palavras, “Dinamite pura”. É um escritor cuja pena é um martelo, que usa para derrubar ídolos, e por isso, é amado e odiado com a mesma intensidade. Descubra o motivo, na coletânea a seguir.

Atenção: conteúdo explosivo.

Que importa que a vida seja longa! Que guerreiro quer ser poupado?

Deus está morto!

Não enfrentes monstros sob pena de te tornares um deles. Se contemplas o abismo, a ti o abismo também contempla.

O ser humano é um erro de Deus? Ou Deus é um erro do ser humano?

Todos os criadores são em verdade duros. E venturança precisa parecer-vos imprimir a vossa marca sobre milênios como sobre cera.

Totalmente duro solitariamente é o que há mais nobre. Esta nova tábua, ó meus irmãos, coloco sobre vossas cabeças: tornai-vos duros!

Supondo que a verdade seja uma mulher – não seria bem fundada a suspeita de que todos os filósofos entendem pouco de mulheres?

Com o risco de desagradar a ouvidos inocentes eu afirmo: o egoísmo é da essência de uma alma nobre; aquela crença inamovível de que, a um ser “tal como nós”, outros seres têm de sujeitar-se por natureza e a ele sacrificar-se.

Toda elevação do homem foi, até o momento, obra de uma sociedade aristocrática – e assim será sempre: de uma sociedade que acredita numa longa escala de hierarquias e escravidão em algum sentido.

A casta nobre sempre foi, no início, a casta de bárbaros: sua preponderância não estava primariamente na força física, mas na psíquica.

O olhar do escravo não é favorável às virtudes do poderoso: é cético e desconfiado.

O amor ao próximo é sempre algo secundário, em parte convencional e ilusório, em relação ao temor ao próximo.

Sobre a convicção do filósofo: chegou o asno, belo e muito forte.

Demonstramos profunda incompreensão do animal de rapina e do homem de rapina (César Bórgia, por exemplo), incompreensão da natureza, ao procurar por algo doentio no âmago desses mais saudáveis monstros.

Sempre, desde que existem homens, houve também rebanhos de homens (clãs, comunidades, tribos, povos, Estados, igrejas) e sempre muitos que obedeceram, em relação ao pequeno número dos que mandaram.

O surgimento de Napoleão é a história da superior felicidade que este século alcançou em seus homens e momentos mais preciosos.

Independência é algo para poucos: é prerrogativa dos fortes. Quem procura ser independente sem ter a obrigação disso, demonstra que é não apenas forte, mas temerário além de qualquer medida.

É inevitável que nossas mais altas intuições pareçam bobagens, delitos, quando chegam indevidamente aos ouvidos daqueles que não são feitos para elas.

As religiões soberanas estão entre as maiores causas que mantiveram o tipo homem num degrau inferior. Destroçar os fortes, debilitar as grandes esperanças, tornar suspeita a felicidade da beleza, dobrar tudo que era altivo.

Um povo é um rodeio que a natureza faz para chegar a 6 ou 7 homens.

Tudo que é grande talvez tenha sido loucura no início.

Ouço, com prazer, que o nosso Sol se dirige velozmente à constelação de Hércules: espero que o homem desta Terra siga o exemplo do Sol.

O homem que aspira a uma coisa grande considera todo aquele que lhe cruza o caminho, ou como um meio, ou como um obstáculo, ou descanso temporário.

Os maiores acontecimentos e pensamentos são os últimos a serem compreendidos. As gerações que vivem no seu tempo não vivenciam tais acontecimentos – passam ao largo deles.

Todo pensador profundo tem mais receio de ser compreendido do que de ser mal compreendido. Neste caso talvez sofra sua vaidade; mas naquele sofrerá seu coração.

A loucura é algo raro em indivíduos – mas em grupos, partidos, povos e épocas é a norma.

Tenho uma predileção por perguntas para as quais ninguém hoje tem a coragem, a coragem para o proibido.

O que é bom? Tudo o que eleva o sentimento de poder, a vontade de poder, o próprio poder no homem.
O que é mau? Tudo o que vem da fraqueza.
O que é felicidade? o sentimento de que o poder cresce, de que uma resistência é superada.

Os fracos e malogrados devem perecer: primeiro princípio de nosso amor aos homens.

O cristianismo tomou partido de tudo o que é fraco, baixo, malogrado, transformou em ideal aquilo que contraria os instintos de conservação da vida forte; corrompeu a própria razão das naturezas mais fortes de espírito, ensinando a perceber como pecaminosos os valores supremos do espírito.

O cristianismo é chamado de religião da compaixão. A compaixão se opõe aos afetos que elevam a energia do sentimento de vida: ela tem efeito depressivo.

A compaixão se opõe à lei da evolução, que é a lei da seleção.

A compaixão é a prática do niilismo. É instrumento multiplicador da miséria e conservador de tudo o que é miserável – a compaixão persuade ao nada.

Nem a moral nem a religião, no cristianismo, têm algum ponto de contato com a realidade. São causas imaginárias (Deus, alma, livre-arbítrio) e efeitos imaginários (pecado, salvação, graça, castigo). Um comércio entre seres imaginários (Deus, espíritos). Um mundo de pura ficção, que falseia, desvaloriza e nega a realidade.

Eles não se denominam fracos, denominam-se “bons”. Deus-de-gente-pobre, Deus-de-pecadores, Deus-de-doentes.

Cristão é o ódio ao espírito, ao orgulho, coragem, cristão é o ódio aos sentidos.

Quanto às três virtudes cristãs, fé, amor e esperança, eu as denomino três espertezas cristãs.

O conceito de Deus falseado, o conceito de moral falseado. Os sacerdotes traduziram em termos religiosos o próprio passado de seu povo.

Simplificaram a psicologia, reduzindo-a à fórmula de “obediência ou desobediência a Deus”.

O sacerdote formula até as taxas a lhe pagar, não esquecendo os mais saborosos pedaços da carne, pois o sacerdote é um comedor de bisteca.

Deus perdoa quem faz penitência – em linguagem franca: quem se submete ao sacerdote.

Nada de conceito de “gênio” tem algum sentido no mundo de Jesus. Falando com o rigor do fisiológico, caberia uma outra palavra – a palavra “idiota”.

A palavra “cristianismo” é um mal-entendido. No fundo, houve apenas um cristão, e ele morreu na cruz. O “evangelho” é o oposto do que ele viveu, um “disangelho”.

Paulo era o gênio em matéria de ódio, na lógica implacável do ódio. Simplesmente riscou o ontem, inventando uma história. Falseou a história de Israel para que ela aparecesse como pré-história: todos os profetas falaram do seu “Redentor”.

O cristianismo é a revolta de tudo o que rasteja no chão contra aquilo que tem altura: o evangelho dos “pequenos” torna pequeno.

Que resulta disso? Que convém usar luvas ao ler o Novo Testamento.

O sacerdote conhece apenas um grande perigo: a ciência – a sadia noção de causa e efeito.

O pecado foi inventado para tornar impossível a ciência, a cultura, toda elevação e nobreza do homem; o sacerdote domina mediante a invenção do pecado.

O bem-aventurado não é provado, mas apenas prometido: a bem-aventurança é ligada à condição de “crer” – a pessoa deverá ser bem-aventurada porque crê.

A fé não desloca montanhas, mas coloca montanhas onde elas não existem.

Não nos enganemos: grandes espíritos são céticos. Zaratustra é um cético.

A necessidade da fé, de um sim ou não, é uma necessidade de fraqueza.

A “Lei”, a “vontade de Deus”, tudo apenas palavras para as condições sob as quais o sacerdote chega ao poder e o sustenta.

As convicções são inimigos mais perigosos da verdade do que as mentiras.

A desigualdade dos direitos é a condição para que haja direitos.

Uma cultura elevada é uma pirâmide. Pode erguer-ses apanas num terreno amplo, tem por pressuposto uma mediocridade forte, sadiamente consolidada.

O cristianismo foi o vampiro do Império Romano.

Eu condeno o cristianismo, faço à Igreja cristã a mais terrível das acusações que um promotor já teve nos lábios. Ela é, para mim, a maior das corrupções imagináveis.

A Igreja cristã nada deixou intacto com seu corrompimento, ela fez de todo valor um desvalor, de toda verdade uma mentira, de toda retidão uma baixeza de alma.

No mundo há mais ídolos do que realidades.

Este pequeno escrito é uma declaração de guerra, não se trata de ídolos contemporâneos, mas de ídolos eternos.

Posso fazer perguntas com o martelo e, talvez, ouvir como resposta aquele famoso som oco que fala das entranhas infladas – quão agradável para aquele que possui ouvidos por trás dos ouvidos, ante ao qual precisamente aquilo que gostaria de permanecer em silêncio, tem de ser ouvido alto e em bom tom.

Sócrates e Platão são sintomas de declínio, instrumentos da dissolução grega.

Sócrates pertencia ao povo mais baixo: Sócrates era plebe. Sabe-se inclusive quão feio ele era. Os antropólogos entre os criminalistas nos dizem que o típico criminoso é feio: monstro de aspecto, monstro de alma.

Em tudo Sócrates é exagerado, bufão, caricatura, e oculto, de segundas intenções, subterrâneo.

Com Sócrates, o gosto grego se modifica em favor da dialética. O gosto aristocrático é vencido com isso; a plebe ascende ao primeiro plano com a dialética.

Sua apavorante feiúra o exprimia para todos os olhos: ele fascinou ainda mais intensamente como resposta, como aparência de cura para esse caso.

Outra idiossincrasia dos filósofos não é menos perigosa: ela consiste em confundir o último e o primeiro. Eles põem no início, como início, aquilo que vem no final – infelizmente!

A doutrina da vontade foi essencialmente inventada com a finalidade de punir, isto é, de querer encontrar um culpado.

O cristianismo é uma metafísica de carrasco.

Conhece-se minha exigência ao filósofo de colocar-se para além do bem e mal. Não existem absolutamente fatores morais. Moral é apenas uma interpretação de certos fenômenos, uma interpretação equivocada.

Em todas as épocas, se quis “melhorar” os seres humanos, a isso se chamou moral.

Da escola de guerra da vida – O que não me mata me fortalece.

Ajuda-te a ti mesmo, e então todos ainda te ajudarão. Princípio do amor ao próximo.

Quão pouco se precisa para a felicidade! O som de uma gaita de fole. A vida seria um erro sem música.

Tu és autêntico? Ou apenas um ator?

Procurei pelos grandes seres humanos, e sempre encontrei apenas os macacos do seu ideal.

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A vaca louca, príons e a história de um Prêmio Nobel

A doença da vaca louco todo mundo já ouviu falar, até pelo nome ser exótico: é uma doença que faz as vacas perderem o controle motor e pararem de se alimentar. É um mal neurodegenerativo, que faz buracos no cérebro, tornando-o parecido com uma esponja.

E o que diabos é um príon?
O príon é aquilo que causa a doença da vaca louca. O problema que esse tal de príon não é um vírus, nem uma bactéria, fungo, nada conhecido. O nome vem de “proteína infecciosa”, termo cunhado pelo pesquisador Stanley Prusiner, que ganhou o Prêmio Nobel de Fisiologia de 1997 pela descoberta. Essa definição de príon é tão controversa que até hoje há enorme contestação sobre o tema.

Nós temos a noção de que ciência é algo linear, direto, em que um pesquisador descobre algo, prova, e todo mundo concorda. Na verdade, é muito diferente disso, e o caso de Prusiner demonstra muito bem: é uma luta quase solitária contra o consenso, envolvendo enorme trabalho, priorização de recursos e até guerra de egos.

Stanley Prusiner escreveu um livro interessante sobre o tema: “Madness and Memory – The Discovery of Prions – A New Biological Principle of Disease”, que narra a história de sua pesquisa.

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Primeiro, descobertas anteriores chamaram a sua atenção. Algumas doenças, como a Creutzfeldt-Jakob Disease (CJD) e o Kuru (que ocorre em tribos na Nova Zelândia), pareciam ser infecciosas, porém não envolviam nenhum organismo que tinha DNA.

Ser infeccioso é mais ou menos simples de comprovar. Basta colocar o tecido de uma pessoa infectada em contato com uma cobaia não infectada (digamos, um chimpanzé). Um enorme problema aqui é o que o período de incubação pode passar de 10 anos, o que torna a relação causal mais complicada de detectar.

Uma suspeita bastante óbvia, era de que se tratava de um vírus. Ou um viróide, ou algo do tipo. Essa era a aposta de 10 entre 10 infectologistas da época. Stanley Prusiner mergulhou a fundo nas pesquisas, a fim de entender se realmente se tratava de um vírus.

O organismo causador da infecção não tinha DNA. Prusiner e time realizaram inúmeros testes, como o de jogar raios ultravioleta, que destroem a cadeia de DNA. E nada. Se utilizassem técnicas para desativar um vírus, o príon não era desativado, se o príon era desativado, não funcionava num vírus.

Sua conclusão é a de que era uma proteína com alguma deformação que a tornava infecciosa, não um vírus, um fungo ou algum outro microorganismo conhecido. Além disso, as vítimas morriam sem reações imunológicas normais (como febre). Realmente, deveria ser algo diferente.

Um episódio interessante é sobre o nome. Ele sabia que um bom nome ajudaria a fortalecer o conceito. Ele pensou em “proteína infecciosa”, que ficaria “proin”. Porém, “príon” soa melhor, além de que o “íon” dá uma cara de química.

A fim de proteger o sensível e poderoso cérebro, o organismo dos seres vivos possui uma série de filtros. Não é qualquer coisa que chega ao cérebro. Porém, doenças como o Kuru vêm por meio de ingestão, e atravessam todas as barreiras. Isso porque o príon deriva de uma proteína nativa do próprio cérebro, e por isso, passa por todas essas barreiras do corpo.

A doença Kuru, é degenerativa como a da vaca louca, mas em humanos. Nas tribos onde ocorria o problema, havia a tradição de canibalismo. Normalmente, eram as mulheres que comiam os adversários mortos – e, consequentemente, eram elas que sofriam de Kuru.

Sobre a doença da vaca louca, anos depois, algo semelhante. Ossos e gado não consumível ao ser humano (vacas doentes, por exemplo), eram processados, transformados em ração, e dados para alimentar o rebanho que estava crescendo. Animais herbívoros passaram a ser forçadamente canibais. O cérebro de vacas com os príons entrava na dieta, e com isso, atingia outros animais. É nesse contexto que, por volta de 1985, começaram a surgir os primeiros casos da vaca louca, atingindo o auge nos anos 90.

Conhecendo a origem e a forma de transmissão, ficou fácil estabelecer os meios para evitar o problema. O canibalismo deixou de ser praticado entre as tribos de Nova Guiné, e a farinha de ossos e carne foi proibida, inclusive se fosse feita de outros animais como galinha.

No livro, Prusiner narra como a ideia original de príon foi recebida com enorme ceticismo, e a sua luta para conseguir verbas para continuar a pesquisa. À medida que mais e mais evidências convergiam para seus estudos, também houve concorrentes o boicotando, tentando chegar à conclusões sem o citar ou evitando utilizar os seus dados – no meio acadêmico, há enorme guerra de egos.

Seja como for, Prusiner foi merecedor do Prêmio Nobel, pelo pioneirismo de suas ideias, pela curiosidade e ousadia em tentar entender algo que destoava do conhecimento comum.

O livro é muito interessante para quem tem algum conhecimento do que é um príon e do quão esquisito é esse conceito. Também é um documento que mostra o caminho trilhado por um grande cientista, as suas dúvidas, a incerteza de estar fazendo a coisa certa, e, enfim, o triunfo em ver sua pesquisa ajudar a combater um mal de alcance mundial, a doença da vaca louca.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4445594/

https://www.canalrural.com.br/sites-e-especiais/saiba-que-como-surgiu-mal-vaca-louca-10357/amp/

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Encefalopatia_espongiforme_bovina

https://www.audible.com/pd/Madness-and-Memory-Audiobook/B019R2MRSO

https://www.today.com/video/us-confirms-first-case-of-mad-cow-in-6-years-44513347830

Apenas um bronze?

Uma lição que fica para mim, na emocionante celebração da medalha de bronze de Bruno Fratus. Cara, é muito, muito difícil conseguir uma medalha.

Primeiro, você tem que ser o melhor do Brasil na modalidade. Não é o melhor do bairro. É o melhor do Brasil inteiro!

Mas só isso não basta, tem que ter nível olímpico, estar entre os melhores do esporte mundial.

Para isso, foco, treinamento incessante, exercícios. Resolver problemas extra esporte. Equilibrar as contas.

Chegando lá, você tem que enfrentar outros atletas de altíssimo nível, os melhores dos melhores do mundo em sua geração, que também dedicaram incontáveis horas de treinamento intenso.

Além de tudo o que depende de você, os deuses do Olimpo também devem estar sorrindo.

Uma contusão, um erro, um vento, um sorteio de chaves, um buraco no campo, um árbitro equivocado, tudo isso pode contar a favor ou contra.

Portanto, não é só um bronze. Não é apenas uma participação nas Olimpíadas. É o esforço de toda uma vida dedicada ao esporte.

Parabéns aos atletas brasileiros nas Olimpíadas de Tóquio 2020!

(De: https://twitter.com/EmilioSansolini/status/1421047424156676096)

O Almanaque de Naval Ravikant – versão áudio

Naval Ravikant é empreendedor e investidor no Vale do Silício.

Recentemente, saiu uma versão áudio de sua coletânea de frases, compiladas por um seguidor.

Naval tem uma habilidade imensa para condensar conceitos em poucas palavras e gerar uma pérola de pensamento.

Podcast no Spotify – https://open.spotify.com/episode/4QOuLcq4zJzTH7AgHEOATX

Versão Audible: https://www.audible.com/pd/The-Almanack-of-Naval-Ravikant-Audiobook/1544517882

Dica: Leia o livro, ouça o áudio, coloque em prática, releia o livro, reouça o áudio, coloque em prática, quantas vezes quanto necessário.

Uma seleção de frases de Naval

Não é realmente sobre trabalho duro. Você pode trabalhar num restaurante 80 horas por semana, e não ficará rico. Ficar rico é sobre saber o que fazer, com quem fazer junto, e quando. É mais sobre entender do que puramente trabalho pesado.

Se você ainda não sabe no que deveria trabalhar, o mais importante é descobrir. Você não deveria fazer um monte de trabalho duro se não souber.


Fuja da competição através da autenticidade.

Basicamente, quando você está competindo com outros, é porque você os está copiando, está tentando fazer o mesmo. Porém, todo ser humano é diferente. Não copie.

O pior resultado desse mundo é não ter autoestima. Se você não se ama, quem irá fazê-lo?

Não se leve tão a sério. Você é apenas um macaco com um plano.

Para mim, a felicidade não é sobre pensamentos positivos. Também não é sobre pensamentos negativos. É sobre a ausência de desejo, especialmente a ausência de desejos externos.

O mundo apenas reflete seus próprios sentimentos de volta para você. A realidade é neutra. A realidade não faz julgamentos.

Sobre startups

Há demanda global ilimitada pela mentalidade de fundador.

As startups não morrem quando acaba o dinheiro, mas quando acaba a energia dos fundadores.

Na corrida olímpica das startups, o primeiro lugar consegue o monopólio, o segundo consegue uma medalha, e não há terceiro lugar.

Antes de procurar um produto ideal para o mercado, assegure que tem paixão pelo produto. É uma longa jornada.

Empreendedores procuram pela “ideia”, a isca que os prendem pelos próximos 5 anos. Em que prisão você gostaria de estar? O que você ama fazer?

Quando construindo uma startup, a microeconomia é fundamental e macroeconomia é entretenimento.

A realidade é que a vida é um jogo de um único jogador. Você nasceu sozinho. Você vai morrer sozinho. Todas as suas interpretações estão sozinhas. Todas as suas memórias estão sozinhas. Em três gerações, você e as lembranças de você se vão e ninguém se importa. Antes de você aparecer, ninguém se importou.

Sobre paz e felicidade

Cada segundo seu neste planeta é muito precioso, e é sua responsabilidade ter certeza de que você está feliz e interpretar tudo da melhor maneira possível.

Eu não ando com pessoas infelizes. Eu realmente dou valor ao meu tempo nesta Terra. Eu leio filosofia. Eu medito. Eu ando com pessoas felizes.

Se você não se vê trabalhando com alguém para a vida toda, não trabalhe com eles por um dia.

Não há legado. Não há nada para deixar. Todos nós vamos embora. Nossos filhos terão ido embora. Nossos trabalhos serão pó.

“Não tenho tempo” é apenas outra maneira de dizer “Não é prioridade”.

Para ter paz de espírito, você tem que ter paz de corpo primeiro.

Seja impaciente com ações, paciente com resultados.

Se há algo que você quer fazer mais tarde, faça agora. Não há “mais tarde”.

Na verdade, não há nada além deste momento. Ninguém nunca voltou no tempo, e ninguém nunca foi capaz de prever o futuro com sucesso de qualquer maneira que importa.

Valorize seu tempo. É tudo o que você tem. É mais importante que seu dinheiro. É mais importante que seus amigos.

Não gaste seu tempo fazendo outras pessoas felizes. Outras pessoas sendo felizes é problema delas.

Sobre riqueza

1) Busque riqueza, não dinheiro ou status. A riqueza é ter ativos que rendem enquanto você dorme. Dinheiro é como transferimos tempo e riqueza. Status é seu lugar na hierarquia social.

2) Você não vai ficar rico alugando seu tempo. Você deve possuir equities – um pedaço de um negócio – para ganhar sua liberdade financeira.

3) Você vai ficar rico dando à sociedade o que ela quer, mas ainda não sabe como conseguir. Ou seja, agregando valor de verdade. Em escala.

4) Escolha uma indústria onde você pode jogar jogos de longo prazo com pessoas de longo prazo.

5) A Internet ampliou maciçamente o possível espaço de carreiras. A maioria das pessoas ainda não descobriu isso.

6) Jogue jogos iterados. Todos os retornos na vida, seja em riqueza, relacionamentos ou conhecimento, vêm de juros compostos.

7) Escolha parceiros de negócios com alta inteligência, energia e, acima de tudo, integridade.

8) Não faça parceria com cínicos e pessimistas. Suas crenças são profecias autorrealizáveis.

9) Aprenda a vender. Aprenda a construir. Se você pode fazer as duas coisas, você será imbatível.

10) Não há esquemas ricos rápido. É só outra pessoa ficando rica usando você.

11) Não há uma habilidade chamada “negócios”. Evite revistas de negócios e aulas de negócios.

12) Conhecimentos específicos são muitas vezes altamente técnicos ou criativos. São aqueles que não podem ser terceirizados ou automatizados.

13) Alavancagem é um multiplicador de forças. A alavancagem dos negócios vem de capital, pessoas e produtos sem custo marginal de reprodução (ex. código e mídia).

14) Abrace a responsabilidade e arrisque os negócios com seu próprio nome. A sociedade irá recompensá-lo.

15) Trabalhe o máximo que puder. Com quem você trabalha e no que trabalha são mais importantes do que apenas trabalhar duro.

16) Defina um custo da hora do seu trabalho. Se um problema economizará menos do que seu custo horário, ignore-o. Se terceirizar uma tarefa custará menos do que sua taxa horária, terceirize-a.

17) A criação de riqueza ética é possível. Se você secretamente desprezar a riqueza, isso vai iludi-lo.

18) Torne-se o melhor do mundo no que você faz. Continue redefinindo o que você faz até que isso seja verdade.

19) Quando você finalmente for rico, você vai perceber que não era o que você estava procurando em primeiro lugar. Mas isso é para outro dia.

Veja também:

Flutue como uma borboleta, ferroe como uma abelha

Muhammad Ali é o maior pugilista de todos os tempos, tanto dentro quanto fora dos ringues.

Nascido Cassius Clay, ele conquistou o título mundial dos pesos pesados aos 22 anos, em 1964.

Só vi as lutas de Muhammad Ali no Youtube, mas lembro que o meu pai sempre falava dele. A minha mãe também: aparentemente, assistir às lutas de Ali era mais importante para o meu pai do que sair com ela!

Ali era um falastrão: se dizia o maioral, que o adversário além de perder, era mais feio do que ele, e bravatas do tipo. Porém, ele era alguém que entregava o que prometia: extremamente veloz, flutuava como uma borboleta, gingando na frente do oponente, instantes antes de desfechar-lhe um petardo mortal, ferroando como uma abelha!

Também na vida fora dos ringues, ele falava muito e cumpria o que prometia. Era ativista anti-racismo, bastante ativo, contra a guerra e sofreu as represálias do governo por isso.

Convocado para a guerra do Vietnã, ele recusou o alistamento. Pelo ato, ele quase foi preso, perdeu o título de campeão mundial do boxe, não pôde mais lutar por 3 anos e foi à falência financeira. É raro ver pessoas com a “pele no jogo” de verdade, que fazem valer a palavra, não ficam só na retórica vazia. De nada adianta sinalização de virtude fake tão em voga nos dias atuais, como se ajoelhar antes de uma corrida e criticar os outros que não fazem o mesmo, ou bravejar no Twitter contra o capitalismo, em seu iPhone do conforto do seu lar.

“Não tenho nada contra os vietcongues. Nenhum deles me chamou de negão” – Muhammad Ali, sobre a recusa em servir aos EUA na Guerra do Vietnã.

Ali deu a volta por cima 4 anos depois, quando retornou aos ringues e retomou o cinturão de forma espetacular. Nos anos seguintes, ele protagonizou algumas das maiores lutas da história. Uma delas foi o “Thrilla in Manilla”, contra o sempre perigoso Joe Frazier.

Porém, nada se compara ao espetacular “Rumble in the Jungle”, em 1974, contra o gigante George Foreman. Foi uma luta realizada no Zaire, cheia de provocações, no coração da África que amava Muhammad Ali. O oponente, George Foreman, era claramente mais forte, além de mais jovem. Ambos eram negros, porém, por Foreman ser quietão e Ali ser reconhecido ativista por igualdade racial, Foreman ficou sendo o representante do capitalismo americano, e Ali, o campeão da África. Ali venceu a luta, com todo o apoio da torcida. Foreman ficou tão abalado com a derrota que largou o boxe, retornando 10 anos depois.

“Ali boma ye” – Ali, mate ele

Cântico dos zaierense, em apoio a Muhammad Ali contra George Foreman, na luta “Rumble in the jungle”

Um parêntesis. Em 1990, eu me lembro de ter assistido o veterano George Foreman contra o brasileiro Adílson Maguila. Se o Maguilão passasse por Foreman, talvez enfrentasse o temível Mike Tyson na sequência. Qual nada, o nosso Maguila tomou uma surra… “Parece que uma carreta passou por cima de mim”.

Talvez Foreman seja mais conhecido nos dias de hoje pelo grill

Outra cena memorável é Muhammad Ali acendendo a tocha olímpica, nos jogos de Atlanta de 1996. Ele já estava com o Mal de Parkinson, visivelmente com extrema dificuldade em controlar a tocha.

Muhammad Ali faleceu em 2016, em decorrência do Parkinson.

Comprei um funko pop deste grande lutador, que chegou hoje. Além de um lugar no panteão dos deuses do boxe, ele também ocupa um espaço na minha exótica Biblioteca de Alexandria particular, ao lado de cubos mágicos, livros de matemática abstrata e de um guerreiro de terracota da dinastia Qin.

Note que a pose do funko pop é a mesma da primeira icônica foto acima, onde ele derrota Sonny Liston.

Recomendações:

O filme “Quanto éramos reis”, sobre o Rumble in the Jungle. https://www.adorocinema.com/filmes/filme-12519/

Tem o filme “Ali”, com Will Smith, mas eu não gostei muito. https://amzn.to/3heDina

Funko do Ali: https://amzn.to/33rEc7J

https://en.wikipedia.org/wiki/Muhammad_Ali

https://www.uol.com.br/esporte/boxe/ultimas-noticias/2020/06/27/o-erro-de-maguila-em-nocaute-brutal-pra-holyfield-ue-onde-estou.htm

https://www.uol.com.br/esporte/reportagens-especiais/maguila-x-foreman-parece-que-uma-carreta-passou-por-cima-de-mim/#page1

https://www.theweek.co.uk/muhammad-ali/73369/ali-boma-ye-the-chant-that-made-muhammad-ali-an-african-hero

O segredo da Excelência, Confúcio, Naval e Telê

A seguir, um pensamento meu, e alguns pensamentos de que gosto (baseado na estrutura do newsletter do James Clear).

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Meu pensamento

O segredo da excelência:

  • ser o melhor do mundo em 1 tema
  • dominar bem 10 temas
  • saber mais ou menos 100 temas
  • reconhecer que ignora 1000 temas

O segredo da mediocridade:

  • tentar ser o melhor do mundo em 1000 temas

Reflexão: Qual o tema em que você é um dos melhores do mundo?

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De Naval Ravikant:

“Seja o melhor no mundo no que faz. Continue redefinindo a si mesmo até que isto se torne realidade”.

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“Uma jornada de 1000 quilômetros começa no primeiro passo” – Confúcio

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“Computadores são inúteis. Eles só podem dar respostas” – Pablo Picasso

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Não é segredo para ninguém que admiro demais o trabalho de grandes perfeccionistas, que prezam mais por fazer o processo correto do que pelo resultado final. Um deles é o técnico Pep Guardiola, que merece um post à parte. Outro exemplo de que gosto muito é o de Telê Santana, que montou um dos mais belos times da história, a seleção brasileira de 1982, mas não levou o caneco.

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Por último, para alegrar o dia, Aquarela, de Toquinho e Vinícius