​ O que é a “Tragédia dos comuns”?

Resumo em uma frase: “O que é de todos, é de ninguém”.

É um termo muito comum em economia, e descreve a situação em que um bem público (que é de todos) acaba completamente esgotado exatamente por ser de todos – e consequentemente, de ninguém em particular.
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O exemplo clássico é um campo de pastagem, livre para que vários pastores a usem livremente. Como o uso é liberado, o incentivo de cada pastor é usar o máximo possível do campo para as suas ovelhas e gastar o mínimo possível de seu tempo na manutenção do campo. Todos acabam fazendo o mesmo, e o campo acaba completamente devastado. O ganho é privado, as despesas são compatilhadas.
O paradoxo da situação é que, se é público e é de todos, todos deveriam cuidar do mesmo. O que acontece, entretanto, é o exato contrário: ninguém vai cuidar do bem público como se fosse o seu próprio.
Ilustra dois conceitos fundamentais da Economia:
  • Escassez, e
  • Pessoas respondendo a incentivos.
Foi inicialmente proposto com este nome pelo ecologista Garrett Hardin (1915 — 2003), num artigo de 1968.

Posts da série Iniciantes – aproveitando que a Wikipédia já não explica nada de forma simples e objetiva.

​Recomendações de livros para recém-formados

Após o post anterior, várias pessoas (como o meu amigo Marco Lima) vêm pedindo para eu colocar as minhas recomendações de livros para pessoas em início de carreira. São livros introdutórios, mas certamente servem para profissionais já bem estabelecidos também.

Também são muitos livros, mas tentarei dividir em áreas de interesse.

Aviso: gosto muito da recomendação do prof. Kokei Uehara.

São 4 fases de um profissional: o técnico, o administrador, o economista e o filósofo. Na primeira década após formado, o profissional deve dedicar-se à parte técnica, dominar muito bem o seu ramo de atividade, seja engenharia, contabilidade, o que for.

Portanto, nesta primeira fase, deve-se procurar especialização em áreas de interesse, continuar a estudar academicamente, montar as suas fundações.

A segunda fase é o do administrador. O profissional já tem domínio suficiente do que faz, e começa a administrar outras tantas pessoas. Também é uma fase em que deve-se abrir a cabeça para muitos outros assuntos além de sua área de atuação.

A terceira fase é a do economista. Compreender a relação causa-efeito do que acontece no mundo, escassez de recursos, compreender as fundações do sistema.

A quarta fase é a do filósofo. Uma vez que se sabe as fundações do sistema, podemos começar a questionar as mesmas. O mundo não é tão compreensível assim, a ciência não responde todas as perguntas, os prós e contras das religiões. É necessário ter uma boa vivência para realmente compreender a essência das ideias discutidas neste tópico. É o ápice e também o declínio, porque é onde descobrimos que há respostas mas estas não são absolutas, que podemos tentar muito mas mesmo assim nunca vamos descobrir tudo.


Administração

1 – Peter Drucker – Introdução à Administração

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O meu autor preferido na área de administração é Peter Drucker. Autor austríaco do início dos anos 1900, começou como economista, mas naquela época, com o surgimento da linha de produção em lugares como a Ford e a GM, estava sendo necessário um outro tipo de conhecimento: a Administração. A diferença é que a administração é mais humana, trata de temas como liderança, administração de pessoas, eficácia versus efetividade.

Ele criou o termo “trabalhador do conhecimento”: não o operador de macacão azul que trabalha na linha de montagem, mas aquele responsável por pensar, gerenciar outras pessoas, responder as respostas corretas e estudar até o fim da vida.

A Introdução à Administração é uma versão resumida da obra máxima de Drucker, “Management, Tasks, Responsabilities, Practices”, de leitura fácil e com ideias que já utilizei diversas vezes e utilizo até hoje.

2 – Peter Drucker – O Gestor Eficaz

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Um livro direto, rápido, com muitas recomendações para que um executivo seja eficaz. Note que o título é “eficaz” e não “eficiente”.

Eficiente é fazer muito bem alguma coisa. Por exemplo, digitar sem erros é ser eficiente.

Mas a eficiência não serve para nada sem a eficácia – que significa saber o que deve ser feito. Melhor digitar com erros, mas saber qual a mensagem a ser escrita, do que digitar sem erros uma mensagem inútil.


História

3 – Sapiens, uma breve história da humanidade

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O livro de Yuval Harari conta a história do ser humano desde a pré-história até os dias de hoje. Livro muito bem escrito, que prende a atenção. Inclui muitos conceitos e teorias bastante interessantes. Um exemplo é a mega-fauna (tatus gigantes, preguiças gigantes) que foi extinta com a chegada do homem moderno. Outro exemplo: o politeísmo surgiu naturalmente como uma explicação dos fenômenos do mundo (deus do trovão, deus do Sol), mas foi suplantado pelo monoteísmo. Um fator que contribuiu é que os monoteístas são muito mais fanáticos que os politeístas, pela própria natureza da crença de que há um e apenas um deus correto, os demais são heresia. Conclusão: é um livro rico em ideias e teorias.

4 – Guns, Germs, and Steel

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O trabalho de Jared Diamond tenta responder a uma pergunta. Por que as potências ocidentais são tão ricas? A teoria dele é que as pessoas são iguais, porém a geografia fez uma enorme diferença. A agricultura permitiu ao ser humano sustentar uma população cada vez maior. Entretanto, de milhares de espécies de plantas da natureza, apenas uma dúzia delas é domesticável: trigo, milho, soja, laranja, etc. Quanto aos animais, a mesma coisa, somente alguns são domesticáveis e têm valor comercial: vaca, carneiro, cavalo, etc. A seleção artificial do ser humano vem aumentando a produtividade, os melhores morangos são selecionados, os carneiros mais dóceis sobrevivem, etc. A questão é que essa meia dúzia de plantas e animais se concentram totalmente nas latitudes de sorte, que são o primeiro mundo atual. Em locais muito frios, muito quentes, muito secos, muito altos, não é possível plantar e não há tantos animais domesticáveis.

É uma leitura interessante, embora sofra do efeito retrospectiva, ou seja, a teoria se adequa aos fatos que ocorreram.

5 – Maus, a história de um sobrevivente

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Gostaria de indicar um livro sobre a Segunda Grande Guerra, que influencia até hoje os rumos da humanidade. Maus é uma boa recomendação. Na verdade, é uma história em quadrinhos. Art Spiegelman, o autor da história, narra a história de seu pai, Vladek, que sofreu na pele a perseguição aos judeus alemães na Segunda Guerra. Os judeus foram desenhados como ratos (daí o título: maus em alemão = mouse = rato), os nazistas como gatos, os americanos como cachorros.

O autor, Art, nasceu depois da guerra, mas é cheio de traumas com comportamentos estranhos de seu pai, entre eles a concorrência virtual com um irmão, que morreu na guerra. São histórias descritas com muitos detalhes e com a sinceridade de um sobrevivente. É uma história escrita com a alma, em que o autor fica pelado emocionalmente, mostrando aquele lado que gostaríamos de deixar escondido.


Economia
6 – Freaknomics

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Livro que populariza conceitos de economia, com explicações cotidianas. Economia lida com escassez de recursos, portanto com a utilização racional deste. Isto influi nas decisões das pessoas. Partindo disto, o livro explica porque um terrorista suicida faria seguro de vida, ou porque um traficante de drogas tende a ser pobre e morar com a mãe (embora a imagem que temos seja o contrário, alguém rico e rebelde). Explica entranhas de partidas de sumô arranjadas, e, talvez o ponto mais controverso, a correlação negativa entre aborto e criminalidade – quanto mais liberado é o aborto, menos bebês indesejados vêm ao mundo, e com isso o nível de criminalidade 20 anos depois tende a cair.

De qualquer forma, é um trabalho interessante de Steven Levitt e Stephen J. Dubner, com várias sequências, como toda série de sucesso.

7 – Economics in one lesson

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Henry Hazzlit sintetiza os pontos mais importantes que a economia deve se preocupar, em poucas páginas, somente o essencial. E são dois os pontos: visão a longo prazo, e a nível global. É muito fácil criar uma falácia econômica. É só restringir a realidade a curto prazo e a nível local. Exemplos:

Falácia a curto prazo: os aposentados de hoje vão receber menos do que os aposentados de ontem se a reforma da previdência passar. Análise a longo prazo: se não houver reforma, ninguém vai receber nada porque o país vai quebrar.

Falácia a nível local: os carros autônomos vão destruir o emprego dos motoristas. Análise a nível global: os transportes serão mais eficientes, gerando ganho global de bem-estar, e os trabalhadores serão realocados para outros setores.

É muito fácil conseguir um ganho de curto prazo e local, basta sacrificar o longo prazo e o global: deixar de fazer investimentos, garantir o ganho de uma classe em detrimento das pessoas em geral (exemplo protecionismo econômico). O problema é que, um dia, a conta chega, e ela é salgada, muitas vezes superior ao que poderia ser.

8 – The Black Swan

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Um Cisne Negro é um evento de baixíssima probabilidade, mas impacto devastador. Por serem de probabilidade de ocorrência tão baixa, as pessoas desprezam tais eventos em seus modelos.

A grande contribuição de Nassim Taleb é afirmar que, embora tenham teoricamente probabilidade tão baixa, tais eventos ocorrem, e com muita frequência. Nossos modelos estatísticos, que olham para o passado, não conseguem capturar a real magnitude de um evento assim, que jamais ocorreu (porém, que pode acontecer), tornando a matemática inútil contra eventos desta natureza.

Para a proteção contra um futuro incerto, a receita de sempre: seguros, estoques, redundância, plano B, alternativas abertas.
Porém, seguro custa dinheiro, estoques empatam capital, pessoas a mais são caras. Neste mundo cada vez mais imediatista, em que a palavra da ordem é corte de custos e EBITDA trimestral, tende-se a confiar cada vez mais em modelos estatísticos e cortar seguros, estoques, alternativas. Isto dará espetacularmente certo, até o dia em que dará espetacularmente errado, jogando por terra todos os ganhos obtidos anteriormente.

Taleb é uma espécie de Nietzsche de Wall Street. Enquanto o mundo está cada vez mais quantitativo, como o deus Apolo, ele ataca as fundações de barro desse ídolo, mostrando as suas fraquezas, e confiando em seu oposto, Dionísio. Aliás, Taleb tem a sua própria versão de Apolo x Dionísio, que é Dr. John (um phD em métodos quantitativos) x Tony Gordo (alguém formado nas ruas, com conhecimento empírico).

9 – Thinking Fast Slow

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Amos Tveski e Daniel Kahneman deram um tapa na cara do mundo dos economistas com este trabalho. Uma das hipóteses básicas dos modelos econômicos é que o ser humano toma decisões racionais. A dupla mostrou que não, muitas decisões são completamente irracionais. Evoluímos tendo que sobreviver neste mundo. Isto exige decisões rápidas. Não dá tempo de avaliar a situação, obter todos os dados, antes de tomar a decisão de correr ou não de um leão. Eles simplificam didaticamente o cérebro humano em dois modos, um rápido que toma decisões baseadas em heurística, e um devagar, que realmente pensa, reflete e analisa.

Eles descrevem muitas tendências do ser humano. Efeito de enquadramento: a moldura do quadro importa. Ancoragem: um ponto de referência, mesmo que seja um número aleatório, influi na decisão. Disponibilidade: o que está mais fresco na memória surge mais rápido. Aversão à perda é mais forte do que perspectiva de ganho.

10 – Saga Brasileira

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Miriam Leitão conta a difícil situação do Brasil dos anos 80, marcado por hiperinflação, planos econômicos bizarros (congelamento de preço, Plano Collor), troca de moeda todo ano, até que finalmente conseguimos encontrar o nosso caminho com o Plano Real. Quem não viveu esta época não tem noção do quão sofrido é viver numa terra sem moeda. Já escrevi sobre isto, da minha forma: o Índice X-Men de Inflação.


Estratégias de Guerra

11- A Arte da Guerra

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A obra de Sun Tzu é concisa, profunda e importante. Contém estratégias que podem ser utilizadas na nossa vida, e conhecimento que deriva de milhares de anos de batalhas da China antiga. Quando na defensiva, seja impassível como uma montanha. Quando na ofensiva, ataque como um falcão ataca a sua presa.
Quem protege o lado direito, deixa o lado esquerdo desprotegido. Quem protege o lado esquerdo, deixa o lado direito desprotegido. Quem tenta se proteger em todos os pontos, será vulnerável em todos os pontos.
A guerra consiste em enganar o oponente.

12 – 36 estratégias de guerra

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Outro clássico chinês, em complemento ao acima citado. Contém estratégias como “Bater na grama para espantar a cobra”, “esconder uma adaga atrás de um sorriso”, “aliar-se a um reino distante ao atacar um reino próximo”. Vale a leitura.


Filosofia

Este é o meu tema favorito, porque é a fronteira do pensamento, é o momento em que pegamos todo o conteúdo acima e o jogamos fora para construir de novo. Embora seja tentador recomendar Nietzsche, Platão, Aristóteles, Camus e Sartre, vou colocar apenas duas recomendações introdutórias (mas não deixe de ler os autores citados, depois disso).

13 – O Mundo de Sofia

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A obra de Jostein Gaarder narra sobre as principais correntes filosóficas, a partir da personagem Sofia, uma menina curiosa sobre o mundo. É uma boa introdução.

14 – Breve História da Filosofia

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Livro muito bem escrito por Nigel Warburton, conta um pouco sobre os principais pensadores que moldaram o nosso mundo. Não é muito grande, e é de fácil leitura.

15 – História da Filosofia

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Do mesmo nível, tem a História da Filosofia de Will Durant. Will Durant é um excelente escritor e historiador, na verdade recomendo todas as obras dele, incluindo a colossal e magnífica História da Civilização.


Outros

16 – Moonwalking with Einstein

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É um livro sobre memorização. Um repórter, tão comum quanto qualquer um de nós, treinou com afinco, participou e ganhou um campeonato de memorização. Técnicas de memorização são extremamente úteis, minha vida seria mais fácil se eu soubesse dessas técnicas antes. Por exemplo, uma técnica é associar um número a uma ação (tipo moonwalking do Michael Jackson), e outro número a uma pessoa (digamos Einstein), e imaginar Einstein fazendo moonwalking ao som de Michael Jackson. Impossível esquecer.

Aliás, a minha recomendação de verdade é fazer um curso de memorização e leitura dinâmica, vale muito a pena.
17 – Think and grow rich

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A obra de Napoleon Hill não é tão profunda nem tão instrutiva quanto as citadas acima, mas é muito motivadora. Fala de um objetivo final definido, desejo de vencer, esforço, persistência. É uma obra que me influenciou bastante.

 


 

18 – O Enigma da Liderança é uma adição mais recente, porém não menos interessante.

O livro vale por várias sessões de coaching, numa linguagem coloquial, um diálogo informal e valioso pela ampla experiência e conhecimento do autor.

O foco são jovens profissionais de gestão de pessoas, mas este foco é humilde demais: as dicas e informações passadas valem para profissionais há muito formados, CEOs de empresas e o público em geral, de qualquer área.

Isto porque o livro tem foco prático, para resolver problemas de pessoas do mundo real, e tem lastro na vivência do autor. Quais os aspectos necessários para o líder, como se comportar quando estou querendo mudar de emprego, um exercício de auto-conhecimento, e assim por diante. Gosto muito das histórias com cases reais, como o da D. Diva (que reclamava de tudo e todos, e nunca tinha focado em seus sonhos) e a mudança da sede para Curitiba (um deslize do autor gerou um ruído enorme e desnecessário).

Por fim, as pessoas do mundo prático de business normalmente não tem o talento de escrever. As livrarias estão cheias de livros teóricos e abstratos, escritos sem o lastro de anos de experiência, acertos e principalmente erros de autores como Piza.

 

 

Boa leitura.

Small tips to make English a habit

These are some small, but useful, tips to make English (or other language of your choice) a habit.

  • Word of the day: There are free services in the internet that offer a daily free word, sent by e-mail. An example is Transparent Language website.

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  • In every search in Google, try to search it in English.
  • Write e-mails in English with some friends of yours. I started to do it months ago, and even now I write in English to some people.
  • Modify the settings of your computer and cell phone to English, instead of Portuguese.
  • Schedule lunch were Portuguese is forbidden.
  • If there are two books, the original in English and the translation in Portuguese, choose the first one.
  • Music in other language is a powerful way to learn new words and pronunciation. If it is too hard to understand, try children music, these are easier to comprehend.

The goal of these tips is to make English a habit, to think in English.

 

 

Recomendações de livros para um jovem em início de carreira

Alguns livros para um jovem em início de carreira, pelo engenheiro Marcos Gomes de Melo. O Melo é engenheiro mecânico, da turma de 1969 do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). Ele possui um vasto conhecimento, uma longa e bem sucedida carreira e vale muito a pena ouvir suas recomendações.

Por outro lado, vários dos meus colegas são formados muito recentemente, e falta neles um lastro de conhecimento mais profundo.

Minha sugestão: colocar na lista de livros a ler em 2018.

Livros

1. Carta de Antônio Paiva ao filho Gustavo Paiva que emigrou de Portugal para o Brasil e, posteriormente, veio a ser industrial em Alagoas;

Link do Google Drive: https://drive.google.com/open?id=1MgJ_M1JHRCfgqT3xl917rdzQV0js3vcg

Transcrição aqui.

2. Cartas de um executivo a seu filho; G. Kingsley Ward

 

3. Understanding Media; Marshall Mac Luhan;

4. Administração: responsabilidades, tarefas e práticas; Peter Drucker;

5. História da civilização; Will Durant; leitura obrigatória pelo menos do Volume 1 que trata da nossa herança oriental;

 

6. Sobre a China; Henry Kissinger;


7. A primeira aldeia global; Martin Page;

8. O Gene egoísta: Richard Dawkins;


9. Sapiens; Yuval Noah Harari;

10. Homodeus; Yuval Noah Harari;

 

Razões descritas pelo Melo:
1. Carta tem um poder de síntese de recomendações de um pai para um filho que parte para ganhar a vida em território desconhecido distante.

2. O livro contém várias cartas de um executivo canadense bem sucedido que ao enfrentar um país em guerra sentiu necessidade de prover seu filho com conselhos que aprendeu com a experiência, e sentiu necessidade de transmitir o aprendizado. A leitura é fácil e cada período merece reflexão demorada. Um livro que presenteei meus filhos quando se formaram.

3. O livro de Mac Luhan tem tradução em português, mas muito mal feita, distorcendo conceitos. O principal conceito de Mac Luhan expresso no livro é que os meios são extensões do ser humano transformando-o em um novo ser. Desta forma um homem e seu martelo é um ser humano diferente do homem sem martelo e que nem conhece martelo. O livro mostra ou pretende mostrar como as diversas ferramentas transformaram o ser humano: linguagem falada; linguagem escrita; linotipo (livro); rádio; telégrafo; ferrovia; carro; TV; telefone; internet (o livro foi escrito em 69 no mesmo ano em que a internet foi inventada mas profeticamente Mac Luhan previu vários de seu efeitos, com p.ex. que cada pessoa poderia produzir seu canal de TV ou de rádio); A tradução foi feita pelo publicitário Décio Pignatari que colocou mais ênfase nas “media” como “mídia” meios de comunicação e não como “ferramentas” como extensões do ser humano. O homem é ele e suas ferramentas, “cyborg”. Entender como ele muda, comportamento e relacionamento com outros seres humanos, ao ter novas ferramentas, é o que importa a leitura deste livro.

4. O livro seminal de Peter Drucker ao racionalizar e sintetizar conceitos sobre Gerenciamento (management) que foi traduzido como administração, e a meu ver não traduz a força que Drucker deu à ciência do Management. Importante para entender as responsabilidades, tarefas e práticas de um gerente numa empresa. Especialmente para um jovem em início de carreira.

5. História da Civilização é um livro obrigatório para conhecer a história da Civilização. O volume I é sobre a Civilização de origem oriental: chinesa, japonesa, etc. e mais importante para nós que conhecemos pouco destas civilizações. O nosso ensino de história só nos passa, um pouco, da história da Civilização ocidental: greco-romana, européia.

6. O livro do Kissinger preenche bem a lacuna de conhecermos a história da China e entendermos como ela se tornou a potência que é hoje. O que o futuro da China nos reserva e como o mundo será modificado doravante: o livro ajuda a pensar no tema. Fazer previsões (forecast) é uma atividade nobre e inerentemente humana.

7. Uma síntese da história de Portugal muito importante para entender o Brasil e os brasileiros. Importante porque apesar de sermos descendentes de portugueses pouco conhecemos de sua história e especialmente que eles já foram um império, donos dos Oceanos.

8. O gene egoísta de Dawkins, é uma releitura da teoria da evolução de Darwin, onde o Dawkins exprime pela primeira vez o conceito de memes que seria algo similar ao gene para efetivar transmissões culturais, e que a competição/cooperação não seria entre as espécies mas entre os genes. O livro desperta-nos para pensar sobre a vida e sua evolução e como os genes são eternos.

9 e 10. Dispensa comentários.

 


 

Alguns links:

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/comunicacao/understanding-media-598064

https://www.amazon.com.br/Administra%C3%A7%C3%A3o-Responsabilidades-Pr%C3%A1ticas-Peter-Drucker/dp/B004TI7V4W/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1514596581&sr=8-1&keywords=Administra%C3%A7%C3%A3o%3A+responsabilidades%2C+tarefas+e+pr%C3%A1ticas%3B+Peter+Drucker%3B

https://www.livrariacultura.com.br/busca?N=0&Ntt=Hist%C3%B3ria+da+civiliza%C3%A7%C3%A3o%3B+Will+Durant

 

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/ciencias-sociais/ciencias-politicas/relacoes-internacionais/sobre-a-china-22957132

https://www.livrariacultura.com.br/p/ebooks/historia/a-primeira-aldeia-global-17542464

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/ciencias-biologicas/filosofia-da-ciencia/o-gene-egoista-2271351

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/historia/historia-mundial/sapiens-uma-breve-historia-da-humanidade-42865102

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/historia/homo-deus-46351043

 

O que é dinheiro para mim?

Dinheiro, para mim, é igual à energia. É algo equivalente à soma do trabalho útil de todas as pessoas.

O universo, naturalmente, tende ao caos – é a segunda Lei da Termodinâmica, a Lei da Entropia.
Não é o estado natural do mundo que todos tenham acesso à alimentação, moradia, educação. O estado natural do mundo é que é difícil obter acesso à alimentação, moradia. Em outras épocas foi extremamente difícil. Educação então nem se fala.

Para extrair algo do mundo e transformar num insumo para o ser humano, é necessário um trabalho útil. Útil no sentido de que deve ser efetivo. É possível alguém fazer muito esforço mas não gerar nada, daí no fim do dia, ele vai passar fome do mesmo jeito.

É a soma deste trabalho útil que permite à humanidade sobreviver ou não. Se o trabalho gerar menos do que consome, a tendência é de a humanidade desaparecer. Se gerar mais trabalho do que consome, a tendência é de crescer.


Definições de dinheiro

Tradicionalmente, nos livros básicos de economia o dinheiro tem três funções.

  • Meio de troca
  • Unidade de medida
  • Reserva de valor

Ao invés do João dar bananas para Alfredo e receber laranjas, eles trocam notas de dinheiro. O dinheiro serve como meio de troca entre laranjas e bananas. Também serve como unidade de medida: se eu cortar 1/3 de banana para completar com 1/2 laranja, estrago ambas as frutas, mas sendo o dinheiro divisível, consigo fazer esta equivalência. E também serve como reserva de valor, se Alfredo não quiser bananas hoje, mas sim amanhã, ele pode guardar as notas que receber.

No fundo, o dinheiro é apenas um intermediário. E este intermediário tem diversas vantagens. Pode tornar o trabalho extremamente intrincado, complexo: alguém que trabalha numa peça de manutenção de uma gigantesca indústria de minérios vai receber o dinheiro, e com isso comprar bananas. De outra forma, seria impossível o João receber a peça da indústria e trocar por bananas.

Para ser um bom intermediário, o dinheiro tem que ter várias características: difícil de falsificar, escasso, durável, divisível, portátil, etc.

As razões são simples. Se for facilmente falsificável, perde todo o valor. Se dinheiro desse em árvore, como folhas, não teria o valor da escassez, e é por isso que folhas não servem para ser dinheiro, e nem dinheiro dá em árvore. Se não for durável, não serviria como reserva de valor. Se não for divisível, não consigo trocar 1/3 de banana por 1/2 laranja. Se não for portátil, eu teria que usar um carrinho de mão de dinheiro para comprar uma laranja (e é o que acontece, em países com superinflação).

Note que o ouro é o metal perfeito para servir de intermediário. É extremamente escasso, não falsificável, durável eternamente, divisível – na verdade dúctil, e por ter muito valor, portátil.

Entretanto, o ouro é tão escasso, mas tão escasso, que o crescimento do mundo é muito maior do que o crescimento da quantidade de ouro minerada no planeta. E não faz sentido lastrear o crescimento do mundo em algo que não cresce.

Portanto, o dinheiro é energia no sentido de que o valor de trabalho de uma pessoa vai ser transformado num valor equivalente ao trabalho de outra pessoa, ou pessoas, ou indústrias.


E o que é energia?

Muito instrutiva é uma aula do grande cientista americano Richard Feynman, em que ele discorre sobre energia.

Um primeiro impacto: ninguém sabe exatamente o que é energia. Não há um entendimento preciso sobre o que seja isto.

E um segundo impacto: ao invés de dizer que a energia se conserva após um processo, talvez seja mais interessante pensar no contrário. Àquilo que se conserva após um processo, dá-se o nome de energia, seja lá o que for: cinética, térmica, radioativa, etc. Então, por definição, a energia seria conservada.

Seja como for, é bom ter em mente as duas leis da termodinâmica: a energia se conserva entre processos, mas uma parte dela se conserva na forma de entropia, ou seja, é perdida do trabalho útil.


Confiança

Uma nota de 100 reais é apenas papel. Não dá para comer, não vale nada intrinsicamente. É apenas um intermediário.

Mas, para desempenhar este papel, as pessoas devem confiar que vão poder gastar o dinheiro recebido.

No fundo, no fundo, é a confiança que importa.

Tendo confiança, qualquer coisa pode desempenhar o papel de dinheiro: cigarro nas prisões, pedras redondas nas ilhas do pacífico, um número no extrato bancário, ou até um papel com uma impressão em cima.

O problema é quando ocorre a quebra da confiança. Quando o dono da impressora de dinheiro imprime mais dinheiro do que crescimento do trabalho, ocorre inflação. Alguns poucos, os que têm meios de se proteger recebendo valores inflacionados, se dão bem. A grande maioria, que não tem reajustes rápidos, sai perdendo.

Quando ocorre quebra de confiança na moeda, o trabalho continua existindo. Mas o meio de trocar este trabalho, não. Em casos extremos, a sociedade volta ao escambo: prefiro trocar laranjas por bananas, diretamente, do que trocar laranjas por moeda podre, que vai perder o valor. Quando se tem laranjas para trocar, tudo bem. Mas o mecânico da peça de manutenção de grande indústria não recebe bananas, recebe moeda podre. E ele vai querer continuar sobrevivendo, mesmo que isto signifique trocar de emprego, digamos ser feirante – mesmo que o trabalho dele na grande indústria seja muito mais valioso para a sociedade a longo prazo. E, assim, fecha-se o ciclo, o trabalho útil diminui, a energia é desperdiçada, e a entropia vence.

Veja também: O Índice X-Men de inflação, sobre a hiperinflação dos anos 80.

Nota: Todo o ouro do mundo cabe num cubo de 20x20x20 metros, para dar ideia de quão escasso é.