Kiva reloaded

Em outubro de 2015, fiz um micro-empréstimo de 25 dólares a uma mulher do Tajikistão e outro de 25 dólares a um vendedor de bananas das Filipinas, através da plataforma Kiva – http://www.kiva.org. Na época, escrevi:

É uma forma de empréstimo peer-to-peer, um para um. Ela conecta qualquer pessoa no mundo disposta a emprestar uma quantia pequena para alguma outra pessoa que esteja precisando. Seja para financiar um negócio pequeno, seja para ajudar momentaneamente no orçamento, seja para começar um sonho.

Hoje, agosto de 2016, dez meses depois, como está a devolução deste empréstimo?

 

Ambos foram devolvendo aos poucos, tipo 3 dólares a cada 2 meses, 10 dólares depois de 3 meses, e assim sucessivamente.

Quando os dois juntos retornaram um pouco mais de 25 dólares, fiz outro empréstimo para uma pessoa que queria montar um salão de beleza no Líbano.

 

O balanço atual está assim.

KivaBack.JPG
O site fornece um detalhamento, com o risco de não pagamento. A Ugiljon ainda tem mais 11 meses para pagar o empréstimo, no ritmo atual, parece tranquilo.

 

Ugiljon

Apesar de o Wenceslau ter pago 91% do empréstimo, ele tinha acordado em fazer isto em 8 meses, e já se foram 10.

Wenceslao

 

Para mim, não muda nada em relação ao escrito no post original.

Dinheiro é como se fosse uma energia, que posso armazenar, emprestar para outros, gastar. Um fundo ligado a títulos da dívida do governo talvez rendesse mais para mim, mas talvez algumas pessoas no mundo estivessem pior por não ter acesso a crédito.

 

Para mim, o mundo é cíclico. Os atos vão e voltam. Talvez um cara nas Filipinas, com acesso a esta energia citada, consiga empreender e tornar o mundo melhor, ou tornar a sua vida menos sofrida. Talvez sem o crédito, ele tenda a agredir mais o meio-ambiente, por exemplo, e trazer alguma consequência ruim para o mundo. Talvez mesmo com o crédito, dê tudo errado, torne o cara pior, mas não tenho a onisciência de saber o que dará certo ou não. Sei que uns dólares a mais ou a menos não fazem diferença para mim, neste momento, mas podem fazer para alguém.

Uma pessoa que fez micro-empréstimos de forma brilhante foi Mohammed Yunus, em Bangladesh. Pessoalmente, acredito que este tipo de iniciativa é muito mais efetiva do que uma simples doação, ou um bolsa-qualquer coisa, porque atrela o crédito a outro conceito extremamente importante: de que este não é de graça, tem um custo para alguém ou para a sociedade.

A conclusão é que continuarei colocando um pouco de energia neste tipo de iniciativa bacana e outras que surgirem.

Airbnb 

O Airbnb é o maior rede hoteleira do mundo, mesmo sem ser um hotel e mesmo sem ter um único quarto a alugar.
airbnbLogo
O Airbnb conecta proprietários de imóveis com pessoas físicas que querem alugar por um período de tempo. Por exemplo, se eu tivesse uma casa na praia, poderia deixar para alugar nos finais de semana que não vou usar.
Este tipo de aluguel sempre existiu, mas você tinha que conhecer alguém que conhecia alguém que tinha a casa. Agora, com a tecnologia, fica muito mais simples (o mercado é mais espesso).
Assim como o Uber, é um modelo diferente do tradicional, e que veio para ficar.
Já utilizei o Airbnb algumas vezes. E gostaria de compartilhar algumas impressões.

Airbnb em Nova York

A primeira vez que utilizei foi numa viagem a Nova York. Era um quarto sala simples, bom, novo. Tinha aquecimento, WiFi, TV a cabo. Foi muito bom, adorei o lugar.  O proprietário do apartamento parece que tinha vários apartamentos naquele prédio. Acho que nem tinha um trabalho principal, parece que o trabalho dele era gerenciar esses aluguéis dos imóveis que tinha.
A taxa era razoavelmente menor do que em hotéis. Como era em NY, não queríamos arriscar, e escolhemos alguém com muitas avaliações positivas.
As taxas são sempre pagas via cartão de crédito, e para o Airbnb. A empresa repassa para o proprietário do imóvel

Airbnb no Rio de Janeiro
No Brasil, vou ao Rio de Janeiro por motivos particulares com alguma frequência. Já fiquei em muitos hotéis diferentes. A maioria é de hotéis velhos e quartos minúsculos.
Passei a testar o Airbnb no RJ. Uma vez deu certo, e outra vez deu errado. Na que deu certo, nada de novo: tudo ocorreu como o combinado.
No caso do RJ, posso assumir mais riscos. Conheço gente que mora no RJ e, caso dê algum problema, tenho um plano B. Então, posso testar apartamentos que parecem bons, e não ligo muito para a reputação da pessoa que está alugando. Os apartamentos de quem tem alta reputação tendem a acabar depressa e também a serem um pouco mais caros.
Da vez que deu errado, era um apartamento que parecia bom, num preço mais baixo. A pessoa não tinha nenhuma avaliação, nem positiva nem negativa. Fiz a reserva, combinei tudo, mas a pessoa não apareceu para entregar as chaves e nem atendia o celular. Esperei por uma hora, e nada.  Fui para o plano B, que era a casa de parente no RJ. Mas, caso não tivesse o plano B, seria complicado.
A pessoa retornou à ligação no dia seguinte, se desculpando por ter confundido, dando alguma desculpa dessas. Cancelou a reserva, e não paguei nada.

O Airbnb é uma opção excelente para quem quer qualidade a um preço mais justo. Há sim um risco maior de ficar na mão, especialmente se a pessoa tem poucas avaliações. Mesmo tendo muitas avaliações, se der algum problema, a resolução  depende muito do proprietário. E, neste mundo, há sempre pessoas interessadas e pessoas não interessadas. O nível se serviço pode variar de muito pior a muito melhor do que em hotéis comuns, e os reviews e avaliações ajudam a mapear isto. O Airbnb é só um intermediário que une duas pessoas, e que pode sim ter alguma responsabilidade legal, mas cujo tempo de reação vai ser muito depois de ter ocorrido o problema.

Recomendação

Gosto e continuarei usando o Airbnb. Recomendo para todos, tomando  as devidas precauções, de preferência tendo na manga um plano B, seja um telefone de um contato, seja um hotel alternativo ou uma reserva de dinheiro para eventualidades.
Arnaldo Gunzi
nov/2015

Uma corrida com o Uber

O Uber é uma plataforma que une motoristas a passageiros. Os motoristas são pessoas físicas que não tem um vínculo empregatício com o Uber.

No Brasil, o Uber está atualmente em SP, RJ, BH e Brasília.

Uber SP: https://www.uber.com/cities/sao-paulo

Fiz uma corrida com o Uber, só para entender um pouco mais sobre o serviço.

Independente de polêmicas, é um modelo disruptivo que vai mudar para sempre a forma com que o transporte individual de passageiros é realizado, no mundo inteiro. Os tempos mudam, e a legislação tem que acompanhar. É uma forma de inovação social – confira no mapa do Forgotten Lore.


uberlogo


1. Cadastro: depois de baixar o app, a primeira coisa a fazer é o cadastro: login, senha, endereço, cartão de crédito. É chato como todo cadastro, mas pelo menos só tem que fazer uma vez.

2. Na hora de chamar o táxi, seleciono o lugar onde estou. Uma dica é olhar bem onde está marcado, porque o GPS erra um pouco.
Depois, escolho o destino.
Escolho qual a categoria a pegar.

IMG_1078

O Uber Black é o modelo de carros preto, mais luxuosos, um pouco mais caro. O Uber X é mais popular, mas ainda assim com carros novos e com ar-condicionado.
As outras categorias nem conheço, mas suspeito que o Uber Pet seja para levar junto seu cachorro, e o Uber bike, para levar a bicicleta.


3. Peço para chamar o motorista. O Uber faz o chamado, e o motorista que aceitar a corrida aparece no seu aplicativo. No caso, era o senhor da foto. Aparece também a avaliação do motorista e o carro, e o tempo de chegada. Há a opção de ligar para motorista, caso necessário. Também pode-se cancelar a viagem.

IMG_1077

4. O tempo de chegada foi decrescendo, e o motorista chegou exatamente na hora descrita. A viagem foi normal, nada de muito diferente de um bom táxi.

Perguntei para o motorista se os taxistas não encrencam com ele. Ele disse que nunca aconteceu nada. Uma coisa que ajuda é o carro ser cinza e não preto (o Uber X permite outras cores).
Os passageiros também ajudam, esperando fora de ponto de táxi, por exemplo.

O tiozinho tinha como ocupação principal ser motorista de uma empresa privada, para transporte de executivos. Como esta empresa agenda os horários de transporte, ele sabia exatamente as horas em que estaria ocupado e as horas vagas. Portanto, ele aproveitava as horas livres para trabalhar com o Uber, como uma segunda ocupação. Para o profissional, isto é ótimo porque complementa a renda. Para o consumidor, também, porque aumenta a oferta de carros disponíveis para o transporte. Só é ruim para os taxistas atuais, que têm mais concorrência.

Chegando ao destino, o motorista clica num botão no aplicativo dele e encerra a corrida. Saiu na mesma faixa de preços que sairia com um táxi comum.

Não desembolsei um real em dinheiro. O pagamento é sempre pelo cartão de crédito. O Uber cobra de mim e repassa o valor para o motorista, tirando a sua taxa de serviço.

Vem um recibo do serviço no e-mail cadastrado.


Feedback

Depois da corrida, recebo um formulário para avaliar o motorista, de zero a cinco estrelas. Dei cinco, porque fiquei satisfeito.


Modelo de Mercado

Alvin Roth é um “designer de mercados”. Projetou as regras e ajudou a construir alguns mercados como o de hospitais à procura de estudantes de medicina. Ele afirma que para um mercado existir, há duas características básicas que devem ser seguidas: espessura e confiança.

A espessura ou grossura do mercado diz respeito ao número de consumidores e fornecedores existentes. O Uber conseguiu isto, com muita gente interessada em trabalhar e vários consumidores ávidos por qualidade e agilidade no serviço de transporte.

A confiança do Uber vem do sistema de avaliação. O motorista que fica com um número baixo de estrelas por um tempo ou recebe muitas reclamações é excluido do serviço. Quem é bom continua prestando serviço.

O modelo de negócios é muito mais do que apenas a tecnologia. Se eu quiser copiar o Uber, não teria só que copiar a plataforma tecnológica. Teria que convencer milhares de motoristas a aderir do meu lado, oferecendo oportunidades, garantias, auxílio, e fazê-los acreditar que haverá demanda. Também teria que convencer milhares de usuários potenciais de que haveria oferta, de que os profissionais seriam bons, que o serviço seria seguro. Além disso, travar uma disputa jurídica com prefeituras e outras categorias de transporte.

Bom, eu me contento em ser um usuário mesmo.


Conclusão:

O Uber é um serviço extremamente interessante: fácil, rápido, com qualidade. Tenho trauma de taxistas (especialmente no RJ) que dirigem mal, com carros caindo aos pedaços e que dão sempre um jeito de cobrar a mais. Devo passar a utilizar muito mais os serviços do Uber, e espero que este esteja disponível em mais cidades pelo Brasil afora.

Arnaldo Gunzi

Nov 2015

Micro empréstimo a Ugiljon e ao Wenceslao

Gostaria de divulgar uma boa ideia, que é a de micro empréstimo. Antes disso, uma introdução


O que é dinheiro?

Em qualquer livro de economia, a definição de dinheiro é algo como: Meio de troca, reserva de valor, unidade de medida.

Fiquei muito tempo pensando no que isto significava, em papel-moeda, moeda fiducitária, etc. Traduzindo, para mim Dinheiro = Energia. Troco energia para obter algo que preciso, uso energia para fazer alguma coisa, armazeno a energia para um momento futuro, e meço o quanto de energia eu tenho.
Que tal emprestar um pouco desta energia quando estiver sobrando? Emprestar para quem estiver precisando desta energia para financiar algum empreendimento pequeno, e que provavelmente (mas não necessariamente) vai devolver daqui a alguns meses?


Ugiljon

Kiva_Ugiljon
Hoje fiz um empréstimo de 25 dólares a Ugiljon. Ela é uma mulher trabalhadora que precisa de 625 dólares para comprar remédios para o filho. Ela mora no Tajikistão, um país vizinho do Afeganistão. Talvez ela nunca pague o empréstimo. Ou talvez pague quando puder, daqui a muitos meses. Mas isto não importa.


Wenceslao

Kiva_Wenceslao

Fiz um outro empréstimo de 25 dólares para o Wenceslao, que quer juntar 1.100 dólares para comprar bananas e revender. Ele mora nas Filipinas.


Não tenho tempo nem disposição para ir até o Tajikistão ou as Filipinas pessoalmente. O site Kiva (www.kiva.org) faz este elo por mim. O Kiva é uma plataforma de micro-empréstimo. Empréstimo peer-to-peer, um para um. Ela conecta qualquer pessoa no mundo disposta a emprestar uma quantia pequena para alguma outra pessoa que esteja precisando. Seja para financiar um negócio pequeno, seja para ajudar momentaneamente no orçamento, seja para começar um sonho. E a pessoa que pega emprestado se compromete a devolver em parcelas, em alguns meses. O Kiva tem parcerias com associações locais, que ajudam a gerenciar o direcionamento destes empréstimos e a escolher as pessoas.

Gosto do modelo de empréstimo. O dinheiro não é dado, é emprestado. A pessoa tem o dever, pelo menos moral, de devolver, e por isto dá mais valor e usa melhor o que recebe. A taxa de repagamento do Kiva é de 98,47%, muito maior do que a gente poderia esperar.

Que tal colocar energia para movimentar o mundo, por menor que seja este movimento?

Arnaldo Gunzi

Out 2015

Micro apartamentos com interação social

Quando eu morava no RJ, o primeiro apartamento que aluguei foi um quarto e sala, pequeno mas aconchegante. Eu era vem jovem, solteiro, não precisava de muito mais que isto. A minha interação com os vizinhos era um “bom dia”, no máximo. Não tinha nenhuma área comum de lazer. A única área comum entre as pessoas era o elevador e os corredores.
Vejo no link a seguir uma notícia que me faz pensar. É sobre um projeto de micro apartamentos modulares, de 23 a 35 m2 em Nova York, mas que tenta explorar muito bem este lado comum de compartilhar área, equipamentos e serviços.
mymicrony3
MicroNY
No meu quarto e sala em Botafogo, se tivesse uma lavanderia comum ao prédio, certamente eu usaria a lavanderia ao invés de comprar uma máquina de lavar. Ou, tivesse uma oficina compartilhada, não precisaria de furadeiras, martelo, chave de fenda ocupando espaço em um apartamento minúsculo. Estendendo o raciocínio, para as crianças, uma brinquedoteca. Um bicicletário, para quem só quer andar de bicicleta de vez sem quando. Quem sabe, uma biblioteca com espaço para estudar.
Que tal uma área para assistir televisão, como em alguns albergues? Chegando a um extremo de crise hídrica, que tal imóveis sem chuveiro – apenas com chuveiro coletivo por andar, também como em albergues.
Os apartamentos de hoje em dia estão ficando cada vez menores. Não sei como vai ser o futuro, mas parece que a tendência é essa. O Brasil ainda tem várias décadas de crescimento populacional, antes de envelhecer como nação – pelo menos até 2050, segundo o site http://populationpyramid.net/brazil/.
BrasilPopulacao
Parece que, cada vez mais, a ideia de compartilhar, ao invés de ter, ganha força. Tirar espaço de casa para áreas comuns. Dividir um espaço cada vez mais valioso em nossas cidades.

Valor Compartilhado

O que é gerar valor para uma companhia? É fabricar produtos e prestar serviços para a sociedade e ter lucro financeiro com isto, correto? Mas é só isso? E a parte social e ambiental do negócio?

Cada vez mais, as empresas estão entendendo que é preciso prestar atenção a algo mais do que desempenho puramente econômico. A longo prazo, cuidar do entorno social e ambiental vale a pena. Não adianta maximizar o retorno financeiro a curto prazo, e deixar uma bomba relógio para ser colhida num futuro não tão distante. E as empresas podem ser boas em ajudar neste tipo de problema.

Michael Porter, um dos papas da estratégia, é o responsável por muitas das ideias que permeiam o mundo corporativo atual. Ele explica com veemência a importância deste conceito cada vez mais mais presente, de shared value.

shared value = economic + social


Vale muito a pena conferir este Ted Talk.

A Mini-Encubadora do Abraço

Esta é uma das ideias mais legais que já vi na minha vida.

Imagine um grupo de estudantes, muito jovens, num curso de inovação. O produto que saiu deste curso é uma mini-encubadora, projetada para ser utilizada em lugares pobres e remotos, como Índia, Bangladesh, Somália. Esta mini-encubadora é o “Embrace Infant Warmer”, que já foi utilizada para salvar mais de 50 mil crianças no mundo todo.

Embrace1


O Desafio

Existe um curso em Stanford, da Escola de Design Thinking, que se chama Extreme Affordability. O Design Thinking é uma metologia poderosa de inovação, e a finalidade deste curso é a de construir protótipos de soluções que ajudem pessoas em países em desenvolvimento. O protótipo tem que ser feito em algumas semanas, deve ser efetivo e de custo baixo.

O desafio da equipe do Embrace (Jane Chen, Rahul Panicker, Linus Liang, Naganand Murty, Razmig Hovaghimian)
era construir uma encubadora que custasse 1% do custo de uma encubadora tradicional. Eles não entendiam absolutamente nada de medicina ou das condições de vida de lugares pobres, mas correram atrás para entender.


Encubadoras
Encubadoras são utilizadas para aquecer e proteger bebês prematuros ou que nasceram muito magros.

Um bebê recém-nascido é extremamente frágil e requer muitos cuidados. Um bebê prematuro, ou que nasceu muito magro (o normal é nascer de 3 a 4 quilos, mas tem bebês que nascem com 2 quilos!) é tão pequenino que não consegue produzir calor suficiente para se aquecer. Uma das principais causas da mortalidade destes é hipotermia. Ficar à temperatura ambiente do ar para estes pequenos é como estar mergulhado num balde de água gelada.

encubadora

Figura: encubadora tradicional

A encubadora é um equipamento que mantém o bebê aquecido aos 37 graus. Em lugares pobres e distantes, sem encubadoras, a chance de sobrevivência diminui muito.


Abordagem

Portanto, se o desafio era construir uma encubadora de baixo custo, era só pesquisar materiais mais baratos e tecnologias mais eficientes, correto?

Errado.

Um dos pilares do Design Thinking é a Empatia, que significa fazer exatamente o que o usuário precisa. Para isto, um dos alunos do curso comprou uma viagem ao Nepal, para fazer uma pesquisa de campo sobre o assunto. E ele descobriu o seguinte: Vários hospitais da região tinham encubadoras, e estas estavam ociosas. Mas, por outro lado, os problemas da mortalidade infantil existiam.

Algumas causas desta discrepância

  • Falta de conhecimento dos pais sobre a importância de se ter cuidados especiais com crianças prematuras
  • O hospital ficava longe, digamos 50 km, do vilarejo. E os pais não conseguiam ir ao hospital e deixar a criança lá por várias semanas

Portanto, apenas uma encubadora mais barata não resolvia o problema de forma efetiva. Era necessário mudar o próprio conceito de encubadora – não era o bebê ir à encubadora, mas a encubadora ir ao bebê.


O Embrace Infant Warmer

O Embrace é como se fosse um saco de dormir muito pequeno. Na base do Embrace, tem uma sacola com um gel à base de parafina. Há um equipamento elétrico que aquece o gel aos 37 graus. O gel fica aquecido por 4 horas. O custo de um Embrace é irrisório, 25 dólares. Outra vantagem é a de que permite o contato direto entre mãe e filho.

Outro pilar do Design Thinking é a prototipagem rápida, a fim de testar e evoluir o conceito. Os primeiros protótipos foram feitos, e o grupo terminou o curso de inovação com um protótipo funcional. Mas a ideia era tão legal que eles não poderiam parar por aí. Eles partiram para implementar de verdade e aperfeiçoar a solução proposta.

EmbraceWarmer
Eles fizeram parcerias com governos indianos e ONGs, e passaram a utilizar o Embrace em vilarejos distantes destes locais.
Outro passo, tão ou mais importante quanto, foi criar formas de conscientizar as mães sobre as causas da mortalidade infantil, ensinar sobre as posições corretas para aquecer o bebê com o corpo e ensinar a usar o Embrace. Ou seja, se fosse numa empresa, diria-se que eles trabalharam o produto e o processo.

O resultado é que até 2015 mais de 50 mil crianças foram ajudadas com o auxílio do Embrace, tendo potencial para ajudar milhões de outras crianças, nos lugares mais carentes do mundo.


O que eu posso fazer para ajudar?

Uma das coisas mais importantes é ter a noção de que podemos sim mudar o mundo. Uma única pessoa pode fazer a diferença, com vontade, determinação, correndo atrás. O mundo precisa de criatividade, de ideias boas, pessoas que inovem em processos, produtos, e no próprio trabalho.

No caso específico do Embrace, pode-se apoiar, acompanhar e divulgar o trabalho deles http://embraceglobal.org/embrace-warmer/.

Pode-se ajudar doando Embraces. A cada 50 dólares, pode-se doar uma Embrace e um curso de instrução para a mãe. https://giving.embraceglobal.org/checkout/donation?eid=30516


Resultados

Para um pai e para uma mãe, não existe nada mais bonito no mundo do que o sorriso do filho. Estas fotos foram tiradas do blog da Embrace.

embraceDEBORA-5
Embrace Débora.

EmbranceNabwami
Embrace Nabwami

EmbraceRoopa1
Embrace Roopa

Fontes:
http://embraceglobal.org/embrace-warmer/

Confiança Criativa, Tom & David Kelley