Bolsa Bertelsman

Divulgando uma iniciativa que acho excelente: a Udacity abriu a bolsa Bertelsman para um dos três cursos listados abaixo, através de uma série de desafios.

  • Cloud DevOps
  • Data Analysis & Programming
  • Deep Learning with PyTorch

São 15 mil bolsas. As aulas são em inglês.

Aplicação: até 6 nov 2019

Início do desafio: 20 de nov 2019

Duração: 3,5 meses, com dedicação esperada de 3-5 horas por semana.

Os top 1600 ganharão uma bolsa para um nanodegree de sua escolha.

Link: https://www.udacity.com/bertelsmann-tech-scholarships

Imitar e aprender

Tenho três filhas de idades diferentes. Um padrão é que a do meio imita a maior, digamos em desenhos, brincadeiras, e a caçula imita a do meio. Outro padrão é que as maiores não gostam de serem imitadas pelas menores.

A palavra em japonês para “aprender”, manabu, veio originalmente da palavra para “imitar”, maneru. Aprender começa com o ato de imitar um modelo.

É claro que imitar é o começo. Uma vez que a técnica foi aprendida, começamos a criar asas e inventar as nossas próprias variações.

O Japão pós-guerra fez muitos produtos americanos falsificados de baixa qualidade, até que conseguiu aprender a manufaturar bons produtos, competir e superar os EUA em algumas áreas.

Há um trecho do filme “De volta para o futuro” que ilustra isto. Marty McFly vem do ano 1985, e encontra o Dr. Brown nos anos 1960.

Doc Brown: “É claro que o circuito falhou, aqui diz ‘Feito no Japão'”
Marty: “O que você quer dizer, Doc? Tudo que é bom é feito no Japão.

A China atual está seguindo os mesmos passos: produz produtos com 80% da qualidade a 60% do preço, ao mesmo tempo em que investe caminhões de dinheiro em P&D e na importação de conhecimento (chegando a políticas agressivas de propriedade intelectual). Um dia eles vão competir igual para igual com os EUA.

Para concluir: a filha maior imita os pais… portanto, é bom tomar cuidado com as suas próprias atitudes.

Referências:

Kiyoyuku Higuchi, Are the Japanese blind imitators? Revista PHP, Jan 1976

https://ideiasesquecidas.com/2018/08/01/10-topicos-para-entender-a-china/

Voando com o cérebro

O cérebro é um mecanismo assombroso.

Com ele, podemos sonhar com mundos além do espaço e voar para lugares além do tempo.

Pesa 1 quilo e meio, 77% disto é água, e contém cerca de 100 bilhões (!!) de neurônios.

Porém, é extremamente caro, em termos de energia: precisa de quase 1 litro de sangue (de 5l que temos), e consome cerca de 20% da energia do corpo humano (embora tenha apenas 2% da massa total).

Este consumo é como se fosse um “custo fixo”: usando pouco ou muito, a energia gasta é praticamente a mesma.

Se fosse um “custo variável”, o grande cientista Albert Einstein teria de comer como Michael Phelps, nadador olímpico que comia 10 ovos e 5 sanduíches só no café da manhã.

No entanto, o cérebro do Einstein usava tanta energia quanto o de qualquer outra pessoa comum.

Talvez o motivo seja o de que imaginar-se voando ao lado de um raio de luz seja tão difícil quanto imaginar um mundo fantástico, cheio de seres de outra época, tapetes voadores e construções magníficas, coisas que todos nós conseguimos fazer.

Ilustração: Sandman n. 50

Usando mal ou usando bem, a energia gasta é a mesma.

Moral da história: faça bom uso desta poderosa ferramenta que temos em nossas cabeças.

Links:

https://hypescience.com/veja-o-tamanho-e-peso-do-cerebro-humano-em-comparacao-com-outros-animais/
http://inescozzo.com/quanto-sangue-tem-no-cerebro/
http://axpfep1.if.usp.br/~otaviano/energianocorpohumano.html

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia:

https://ideiasesquecidas.com/

Udemy – Curso Quantum Computing for the Absolute Beginner

Breve avaliação do curso sobre Quantum Computing na Udemy. https://www.udemy.com/qc101-introduction-to-quantum-computing-quantum-physics-for-beginners/

Fiz o curso a fim de aprender um pouco mais sobre o tema, e também testar a plataforma de ensino.

Pontos positivos:

Explicações bastante didáticas, vídeos muito bem feitos pelo instrutor.

Explicação simples e esclarecedora sobre criptografia quântica (ou melhor, porque esta é inquebrável por natureza).

Tem poucas fórmulas, é realmente uma introdução.

Mostra os pontos principais, e dá um gostinho de portas lógicas quânticas.

Outra muito coisa legal é que usa o Visual Studio Q# (um simulador) e faz uma demonstração do IBM Q experience, este sim um verdadeiro computador quântico.

Pensando numa aplicação corporativa, há um certificado no fim do curso. Isto é bom, porque a coisa mais comum desses cursos on-lines é abandoná-los no meio.

Pontos negativos:

Não há exercícios entre as aulas ou avaliações ao final do curso.

Este curso específico é em inglês, porém, sei que há cursos em português na plataforma.

Como é uma introdução muito básica, não entra nem nos algoritmos mais conhecidos de Deutsch-Jozsa, Grover ou QFT.

Conclusão:

Cumpre aquilo à que se propõe, ser uma introdução dando uma profundidade mínima no tema.

Tem 3,5 h de vídeo e custou R$ 40. Valeu cada centavo investido, porque um conteúdo gratuito (Youtube, por exemplo) não tem tanta qualidade, e além do que foi muito barato.

Nível hard

Para explorar num nível very hard, tem que ir para livro físico mesmo:

Quantum Computation and Quantum Information, Nielsen & Chuang

Explorations quantum computation – Collin Williams

Feynman Lectures on Physics – vol III – Richard Feynman