Recomendação: AI Superpowers

Uma recomendação de leitura é o livro “AI Superpowers”, de Kai Fu Lee. É um livro que fala de tecnologia e negócios, como muitos outros, porém, este é diferente. Primeiro, pela perspectiva. Kai é taiwanês e trabalhou muitos anos com inteligência artificial, principalmente na China. E, segundo, porque ele enfatiza bastante o lado humano, além do tradicional AI-resolve-tudo.

A carreira de Kai-Fu começa como pesquisador, passa por responsável pela operação chinesa da Microsoft, até os dias atuais, em que é gestor de um fundo de tecnologia chinês.

Espírito empreendedor

Uma dificuldade das startups era fomentar o espírito empreendedor. Na China, desde tempos antigos o melhor trabalho era ser servidor público. Passar em algum concurso e viver para sempre sem grandes preocupações, num país onde a grande maioria veio de um passado muito sofrido.

Como convencer jovens chineses brilhantes a preferirem uma startup a um concurso público? Kai conta que visitou vários pais e mães, levou para jantares e demonstrações da empresa, a fim de explicar a lógica dos novos tempos. Era um trabalho ladeira acima.

A ascensão de Jack Ma e o AliBaba foram dois fatores que ajudaram, no quesito mudar a cabeça milenar das pessoas. Jack Ma é uma pessoa de origem humilde, sem formação, e com muito carisma. Mirando-se em Jack, muitos jovens viram que existia um caminho alternativo ao concurso público.

Ambiente regulatório

A China pode ser um ambiente ideal para o desenvolvimento de algumas novas tecnologias, como o carro autônomo. Este é um caso específico em que o ambiente regulatório conta muito. Nos EUA, por exemplo, podem surgir regulações impedindo carros autônomos. Ou, imagine a repercussão, no caso de acidente! Já na China, pela força maciça do Estado, os carros autônomos provavelmente teriam menos interferência.

Abordagem das empresas

Duas formas de uma startup abordar a AI. Uma, é tentar abordar o problema genericamente, sem se especializar em alguma área. Algo como um power grid, e tal qual a analogia, a empresa tem que ser grande e pesada para suportar uma abordagem dessas. A segunda é algo como carregar baterias. Seriam empresas para resolver um problema específico (digamos, reconhecimento de imagens no agronegócio), e seriam mais leves, por serem focadas.

IA geral e empregos

A inteligência artificial geral, aquela dos filmes de ficção onde os robôs tomam conta do mundo, está longe de se tornar realidade. Por enquanto, temos algumas aplicações específicas.

E, mesmo quando a AI geral começar a ficar mais próxima da realidade, o problema real não será o mundo ser destruído e a humanidade, escravizada. O problema real será a diminuição dos empregos.

Kai Fu cita outros autores, como o israelense Yuval Harari, que prediz o surgimento de uma nova classe social, a classe dos inúteis. Seriam aqueles que não têm a qualificação mínima para fazer algum trabalho de valor maior do que um algoritmo fará.

AI e o poder do amor

Kai Fu, neste ponto, cita que conheceu o poder do amor. Ele conta como dedicou o mínimo de tempo possível para a família, ao longo da carreira, a fim de otimizar o tempo para a busca de seu aperfeiçoamento profissional. Um exemplo: ele quase perdeu o nascimento da primeira filha, por conta de uma reunião importante!

Há alguns anos, Kai Fu foi diagnosticado com câncer. Isto mostrou a importância do ser humano, que o dinheiro e o sucesso não conseguem comprar.

Um exemplo, de algo que apenas o ser humano pode prover. Uma das empresas de Kai Fu lançou um aplicativo para idosos. Este tinha ícones grandes, interface simples, e permitia uma série de serviços a um clique: comprar insumos, encomendas de restaurantes, etc… Também tinha um service-desk, para falar com um atendente humano.

Qual foi o serviço mais acessado? O service-desk. Para uma boa parte dos atendimentos, os idosos nem tinham a necessidade de acessar algum serviço. Eles queriam apenas companhia, alguém com quem conversar. Esta é uma necessidade bastante grande entre os idosos, ainda mais nos tempos modernos.

Talvez a resposta para o desemprego estrutural crescente seja o amor. Recompensar interações sociais. Distribuir riqueza ao mesmo tempo em que se distribui atenção às pessoas necessitadas. Cuidar de quem precisa. Ter filhos.

Kai Fu Lee tem diversas publicações em chinês e é uma espécie de celebridade por ali. O livro AI Superpowers é a única obra em inglês, até o momento, e traz um background cultural oriental e reflexões bastante pertinente para os anos e décadas que viveremos.

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2019/10/30/a-classe-dos-inuteis-veio-para-ficar/

https://ideiasesquecidas.com/2018/08/01/10-topicos-para-entender-a-china/

https://ideiasesquecidas.com/2019/07/27/recomendacoes-de-livros-sobre-a-cultura-e-historia-da-china/

Jogo do Prisioneiro

Como de costume, registro aqui os agradecimentos aos puzzles que ganho de presente.

O amigo Marcos Melo trouxe do Nordeste o joguinho da foto abaixo.

O objetivo é retirar o prisioneiro (a peça grande, quadrada, com um ponto amarelo), movendo as demais peças (não é permitido girar).

Eu achei a posição 1 (supostamente fácil) bastante complicada, e nem comecei a tentar a posição 2.

Para quem quiser comprar, o link é https://www.enigmais.com.br.

Rubik de madeira

Ganhei este cubo de Rubik, feito em madeira, do meu amigo Sérgio Campos.

Ele disse que teve que as peças não giravam direito, e ele teve que desmontar, arrumar o espaçamento e lubrificar – fica aqui o obrigado pela peça e por tanto esforço.

Aproveitando, um bom lugar para comprar cubos mágicos dos mais diversos tipos é no bairro da Liberdade, em São Paulo.

Mais especificamente, a loja Hai-Kai (Rua Thomaz Gonzaga 99) é uma boa opção.

Outra opção é on-line. A AliExpress tem bons preços e uma variedade enorme de cubos, dodecaedros e outras formas esquisitas, mas a entrega pode demorar alguns meses. A Amazon do Brasil também tem uma série de lojas interessantes.

Minha página sobre cubos mágicos em geral: https://ideiasesquecidas.com/cubos-magicos/

As Linguagens de Analytics

No último fórum da Informs (a mais importante associação americana de Operations Research), em Chicago, citaram Pythons umas 6 vezes, Excel também umas 6 vezes, Java uma vez (de um fornecedor que disse que estava mudando para Python), R nenhuma mênção.

Isto mostra a força do Python como a língua franca do Analytics da atualidade.

O pessoal que citou Excel o fez metade das vezes para falar mal, outra metade para dizer que o usuário final utiliza. Isto mostra a resiliência do Excel, que apesar de todas as críticas, continua firme e forte nas grandes corporações – por seu poder e facilidade de uso. Há até uma piada que diz: “Todo o sistema financeiro mundial é baseado em Excel”.

Um último comentário: no final das contas, não interessa muito a linguagem, e sim ter uma base teórica forte e capacidade de execução. Linguagens e ferramentas vêm e vão. Até hoje tem gente utilizando Fortran muito bem, por exemplo.

Data Science com Papai Noel

Ajude o Papai Noel a otimizar a sua agenda de entregas!

Para quem é fera em otimização combinatória, a Kaggle lançou um desafio de agendamento de entregas: o Santa workshop tour (Santa Claus = Papai Noel. É um desafio com prêmios. O time que apresentar a menor rota ganhará um prêmio.

O Kaggle é uma plataforma de educação para ciência de dados, que trabalha na forma de desafios. Há diversos datasets bastante ricos, e técnicas de ponta de cientistas top do mundo todo – o nível é muito alto.

É possível formar times de até 5 pessoas.

Eu gostaria de formar um time brasileiro forte para concorrer. Alguém se habilita? Pré-requisito: background forte em Analytics, Python e Pesquisa Operacional.

https://www.kaggle.com/c/santa-workshop-tour-2019

Quadraturas do retângulo

Aqui, uma macro que lida com o problema da “quadratura do retângulo”.

Dado um retângulo, digamos de tamanho 11 x 10, como eu decomponho a mesma no menor número de quadrados menores?

A macro utiliza um algoritmo recursivo. Basicamente, esta vai testando todas as combinações possíveis em duas dimensões, até chegar ao final, e compara o número de quadrados gerados. É o chamado método da força-bruta.

Mesmo incluindo alguns truques, como eliminando quem tem mais quadrados que o mínimo até então, o algoritmo continua sendo força bruta – ou seja, demora muito quando aumenta o tamanho do problema.

Outro exemplo, um retângulo 13 x 11.

Uma utilidade possível é encaixar produtos em pallets, ou conjugar cargas em carregamentos, utilizando métodos adaptados.

Há um problema similar, porém com uma restrição muito mais forte: todos os quadrados menores devem ter tamanho diferente.

Esta restrição é tão forte que a maioria dos retângulos não vai ter solução. Porém, algumas que as têm geram resultados muito bonitos, como o seguinte (retângulo 33 x 32).

Houve uma série de matemáticos que estudou este problema, chegando em soluções bem legais (porém, muito mais matemáticas que computacionais).

Uma história desses é mostrada no livro “Mania de matemática”, de Ian Stewart.

Link para download: https://github.com/asgunzi/quadraturaVBA ou aqui.

O “barril mágico”

O “barril mágico” da foto é um tipo de cubo mágico no formato de cilindro.

Fiquei um bom tempo analisando o mesmo, porque o tipo de movimento é bem diferente do cubo comum. Há uma série de simetrias possíveis (que podem facilitar ou atrapalhar a montagem).

A conclusão é de que o barril mágico é fácil de montar. Muito mais fácil do que o Rubik comum. Um pouco mais difícil que o tetraedro mágico (com movimento muito semelhante a este).





Basicamente, há um tipo de movimento apenas. O RLR’L’. Ou seja, girar à direita, esquerda, e voltar tudo.

E apenas variantes deste: RL’R’L, R’LRL’, etc…

Enfim, o barril mágico é muito fácil. As simetrias (ex. a peça do meio pode ser encaixada a 0 graus e 180 graus) não atrapalham o resultado final.

A seguir, várias fotos.

Antigamente, para conseguir coisas assim, tinha que importar da China, via AliExpress, e espera 4 meses para chegar. Hoje, a Amazon BR tem algumas lojas que têm o produto, a um preço bom e entregando em alguns dias.

Vide também:

Galeria de cubos mágicos.