Barrinhas de imãs

Segue outra indicação de um brinquedo interessante, para crianças (e adultos também).

São barrinhas em imã de neodímio, com esferas.

O imã é bastante forte, sendo possível criar formas robustas.

Um detalhe é que as barras são imantadas, as esferas, não.

Veja também

https://ideiasesquecidas.com/2020/07/09/formas-geometricas-com-ima/

https://ideiasesquecidas.com/2015/11/30/brinquedos-geometricos-para-criancas-e-adultos/

https://ideiasesquecidas.com/2020/07/03/imas-de-neodimio/

Dica de inovação: eliminar a parte chata

Aqueles um pouquinho mais velhos lembram-se da Blockbuster.

Era uma experiência boa pegar o carro e ir à loja, sempre bonita, com a namorada, escolher um filme para o fim de semana. Tinha até pipoca para microondas e doces, como uma sala de cinema.

A parte ruim era devolver o DVD no dia seguinte. Desviar o rumo do trabalho ou da escola, perder meia hora de um dia cheio só para entregar o filme de volta…

Assistir o DVD é legal, devolver o DVD é chato.

Tem uma empresa americana que atacou a parte chata do problema. Que tal só devolver quando fosse pegar outro? E se a cobrança fosse por mensalidade?

A empresa é a Netflix, a mesma que hoje é onipresente. Ela demorou muitos anos para dar certo, porém, a mentalidade inovadora existia desde o começo.

Fazer compras é legal. Ficar numa fila enorme, para pagar, é chato. Que tal acabar com as filas? A Apple Store não tem fila. Qualquer atendente pode finalizar a compra.

Ficar entrando em diversos sites de companhias aéreas e hotéis para combinar opções de voos, horários e tarifas é chato. Os sites do tipo Decolar.com, que aglomeram informações, atacam este problema.

No cotidiano: Tarefas repetitivas são chatas. Hoje em dia, há softwares de automação de processos (RPA) que podem fazer a mesma tarefa em segundos.

Tarefas burocráticas são chatas. Que tal perguntar se são mesmo necessárias, ou sugerir mudança de procedimento?

Reuniões são chatas. Todas elas realmente precisam da sua presença?

Receber um e-mail com textão mal escrito é chato. Que tal caprichar na comunicação?

Todas as vezes que você se deparar com algo chato, lembre-se: eis uma grande oportunidade!

Um poeminha para fechar: Opportunity, de Berton Braley
https://www.poemhunter.com/poem/opportunity-43/

Sobre a história da Netflix:

https://www.bbc.com/portuguese/geral-38348864

Viagem ao fundo do mar

Uma bela notícia esta semana: HC transforma sala de ressonância para crianças em ‘viagem ao fundo do mar’.

(vide https://jovempan.com.br/programas/jornal-da-manha/hc-transforma-sala-ressonancia-criancas-viagem-fundo-mar.html)

Uma vez fiz ressonância. Tive que refazer mais duas vezes, porque eu tinha me mexido no procedimento. Agora, imagine uma criança ficar imóvel, dentro de um aparelho frio, escuro e assustador?

Com a viagem ao fundo do mar, a tarefa fica um pouco mais lúdica.


A ideia é baseada em uma iniciativa de alguns anos atrás, de um pessoal de Design Thinking:

https://ideiasesquecidas.com/2015/02/15/ressonancia-magnetica-divertida/

gepirata

“Doug Dietz era designer de produtos da General Eletric.

Ele tinha orgulho das máquinas de ressonância magnética que ele tinha projetado, eram as mais avançadas do mundo. Mas, acompanhando alguns procedimentos reais, ele notou que as crianças ficavam aterrorizadas com o equipamento. Era um túnel frio, sombrio, estranho. 80% das crianças tinham que ser sedadas para fazer os exames.

Doug resolveu testar outra solução. Procurou pessoas da área educacional, e transformou a máquina de ressonância magnética em uma aventura na ilha pirata, conforme as fotos acima.

Funcionou. A taxa de crianças sedadas passou a ser de 10%. Algumas até achavam a aventura divertida, e queriam voltar outro dia.”

Parabéns aos hospitais pelas iniciativas!

Imãs de neodímio

Segue uma indicação lúdica, para crianças (e adultos que gostam de curiosidades).

É um conjunto de bolinhas de neodímio. Cada bolinha é bem pequena, tem 7 mm de diâmetro.

Os imãs são extremamente fortes. É só deixar um próximo ao outro que eles grudam muito forte, não é qualquer coisa que os separa.

Como todo imã, tem um positivo e um negativo. Por isso, o conjunto naturalmente forma linhas e círculos: positivo de um no negativo de outro, como uma fila indiana.

A foto a seguir é na forma bagunçada.

Comprei o conjunto de bolinhas no AliExpress. É só procurar por “Imã de neodímio” e fazer a compra. O lead-time de entrega é demorado. Foram uns três meses para chegar. O segredo é comprar e esquecer que comprou, confiando que vai chegar um dia.

Crianças muito pequenas podem perder ou engolir algum bolinha. O ideal é a criança ter 5 anos ou mais para brincar.

Quem sabe, isso ajude a aguçar a curiosidade delas para a bela ciência da Física.

Paul McCartney era um aluno medíocre na aula de música


O grande músico Paul McCartney passou pelo Brasil na última semana.

Aos 76 anos, o ex-Beatle continua a entoar com energia algumas das mais belas canções de todos os tempos.

Porém, a julgar pelas suas notas nas aulas de música, esperava-se um músico medíocre.

Paul odiava a escola de música. O seu professor nunca dava notas boas, e nem notava talento especial no jovem Paul.

Outro aluno na mesma escola de música era George Harrison – que também era julgado como um aluno mediano.

Ou seja, o professor quase reprovou metade dos Beatles em sua sala de aula!

Esta história pavorosa é contada por Sir Ken Robinson, num vídeo famoso no TED. A escola, nos moldes tradicionais, atrapalha a criatividade.

A vassoura-violino

A Av. Paulista fecha para carros aos domingos, o que a torna um belo lugar para passear.

Nela, artistas de rua a cada esquina vendem os seus sonhos, em busca de alguns trocados. Porém, esse da foto era diferente. Primeiro, a música (Bach eu acho) era muito bem tocada, bastante bonita. Segundo, ele tocava uma vassoura-violino, seja lá o que isso for.

Uma forma de se diferenciar é através da criatividade.

Sucesso ao mestre da vassoura-violino.

Origamis

Origamis são dobraduras de papel e imaginação.

Fiz uma série destes ao longo dos anos. Coloco aqui para manter a memória e a inspiração.

Tartaruga
Um “SatoruSauro”
Casinha do Totoro pequeno

A foto acima é composta de diversos papéis em formato de quadrados e triângulos intertravados.

Foguete
Icosaedro estrelado
Inspirado na torre restaurante giratório de Toronto
Ponte
Lírios
Rosa

E, para fechar um castelo:

A estratégia do logro

UMA ANTIGA LENDA

Conta uma antiga lenda que na Idade Média um homem muito religioso foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher. Na verdade, o autor era pessoa influente do reino e por isso, desde o primeiro momento se procurou um “bode expiatório” para acobertar o verdadeiro assassino. O homem foi levado a julgamento, já temendo o resultado: a forca. Ele sabia que tudo iria ser feito para condená-lo e que teria poucas chances de sair vivo desta história. O juiz, que também estava combinado para levar o pobre homem a morte, simulou um julgamento injusto, fazendo uma proposta ao acusado que provasse sua inocência.

Disse o juiz: sou de uma profunda religiosidade e por isso vou deixar sua sorte nas mãos do Senhor vou escrever num pedaço de papel a palavra INOCENTE e no outro pedaço a palavra CULPADO. Você sorteará um dos papéis e aquele que sair será o veredicto. O Senhor decidirá seu destino, determinou o juiz. Sem que o acusado percebesse, o juiz preparou os dois papéis, mas em ambos escreveu CULPADO de maneira que, naquele instante, não existia nenhuma chance do acusado se livrar da forca. Não havia saída. Não havia alternativa para o pobre homem.

O juiz colocou os dois papéis em uma mesa e mandou o acusado escolher um. O homem pensou alguns segundos e pressentindo a “traição” aproximou-se confiante da mesa, pegou um dos papéis e rapidamente colocou na boca e engoliu. Os presentes ao julgamento reagiram surpresos e indignados com a atitude do homem.

– Mas o que você fez? E agora? Como vamos saber qual seu veredicto?

– É muito fácil, respondeu o homem. Basta olhar o outro pedaço que sobrou e saberemos que acabei engolindo o contrário.

Imediatamente o homem foi liberado.

MORAL: Por mais difícil que seja uma situação, não deixe de acreditar até o último momento. Há sempre uma saída.

(do antigo folhetim da Viasoft News)

Plutão e a falácia narrativa

A falácia narrativa

O cérebro humano tem uma imaginação incrível, mas justamente esta capacidade de imaginar pode causar alguns “bugs”. Um deles é o de acreditar mais numa história bem contada do que na realidade…

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O planeta Plutão é o xodó dos astrônomos, o queridinho, por causa de uma história mais ou menos assim.

Nos anos 1900, o astrônomo Percival Lowell observou discrepâncias na órbita do planeta Netuno. Ele fez os cálculos e concluiu que existia um nono planeta, o planeta X, que estava interferindo na órbita de Netuno. Décadas depois, o tal planeta X foi descoberto, exatamente no local predito por Lowell. Em sua homenagem, batizaram o planeta de Plutão, que tem iniciais P e L (Percival Lowell).

 

Esta história confirmava o poder da matemática, segundo os livros didáticos.

Será?

 


 

O Rebaixamento de Plutão

Há alguns anos atrás, em 2006, o planeta Plutão foi desclassificado como um planeta de verdade. Foi rebaixado para a segunda divisão dos planetas do sistema solar, a categoria dos planetas anões.

Este fato causou uma comoção internacional. Como poderiam os cientistas, após tantos anos, tirar Plutão da série A de planetas?

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Acontece que a ciência avança com o tempo. E os astrônomos foram descobrindo mais e mais informações sobre o sistema solar.
Por exemplo, objetos como Quaoar (anunciado em 2002), Sedna (2003) e Eris (2005) têm quase o mesmo tamanho ou são até maiores do que Plutão. Descobriram o Cinturão de Kuiper, após a órbita de Netuno, que consiste em um cinturão de asteroides e que pode conter mais objetos similares a Plutão. Algumas das luas de Júpiter e Saturno são maiores do que Plutão.

 

Bom, no final das contas, o comitê da União Internacional dos Astrônomos de 2006 tinha duas opções: ou eles tiravam Plutão e ficavam com 8 planetas, ou incluíam o mesmo e ficavam com mais de 100 planetas! Os cientistas resolveram rebaixar Plutão.

 

Mas, então, tem algo errado na historinha do descobrimento de Plutão. Se este planeta é tão insignificante assim, ele não teria massa suficiente para perturbar Netuno, conforme descrito por Lowell.

E, na realidade, é isso mesmo. As estimativas iniciais de Lowell colocavam Plutão com um tamanho 12 vezes o da Terra. Medidas da massa real de Plutão, realizadas décadas seguintes, mostraram que massa real é minúscula, incapaz de perturbar Netuno.

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Mas, se não é Plutão que causa a perturbação na órbita de Netuno, o que é?

Na verdade, a perturbação que entrou no cálculo de Lowell nunca existiu. Era um erro de medida. Não foi culpa dele, mas os cálculos foram baseados numa premissa errada.

Portanto, a descoberta de Plutão foi pura coincidência. Um efeito placebo na ciência.

O rebaixamento de Plutão causou tanta comoção que, hoje em dia, alguns astrônomos defendem voltar Plutão à categoria de planeta. E, junto, também promover os outros 100 planetas da série B para a série A do campeonato de planetas. Querem virar a mesa do campeonato. Plutão é uma espécie de Fluminense planetário. Querem salvar Plutão no tapetão, no STJD espacial!

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Esta história é um exemplo do poder da imaginação humana.

Conclusão: quando for querer vender algo, tente contar uma historinha convincente junto, para aproveitar este “bug” do cérebro humano.


Leia também:
A verdade e o conto

http://csep10.phys.utk.edu/ojta_samples/course1/synthesis/perturbation/pluto-disc_tl.html

http://www.bbc.com/news/science-environment-33462184

https://www.space.com/19774-percival-lowell-biography.html

http://nineplanets.org/pluto.html

https://en.wikipedia.org/wiki/Kuiper_belt

https://en.wikipedia.org/wiki/Pluto

Decorar muito é mais fácil do que decorar pouco

É impressionante como funciona a memória humana. É mais fácil decorar 10 fatos interligados de forma coerente, do que apenas 2 fatos.

Vejamos um exemplo. Por algum motivo, quero decorar as datas em que as bombas atômicas caíram no final da Segunda Grande Guerra.

Foram nos dias 06 e 09/08/1945.

Método decoreba pura: ficar repetindo as datas. Cinco minutos depois, não sei mais se é em seis do oito ou oito do seis.

Método do todo: Para mim, faz mais sentido pensar no todo, visualizar, correlacionar.

06 e 09 são múltiplos de 03. Aliás, 3, 6, 9 é uma progressão aritmética.
6 em Hiroshima, 9 em Nagasaki.

3 – 6 – 9

 

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Por algum motivo, minha esposa fala que agosto é o mês do desgosto, do cachorro louco. Um mês ruim, e uma coisa ruim, a bomba.

1945 é o ano do fim da Segunda Guerra, que durou de 1939 a 1945. A Alemanha tinha se entregue alguns meses antes.

A primeira bomba foi chamada de Little Boy. A segunda, de Fat Man.
Duas bombas diferentes porque duas tecnologias estavam sendo testadas, uma com urânio, outra com plutônio, substâncias radioativas.
Urano é o deus do céu na mitologia grega, Plutão, o deus do Inferno. Céu e Inferno. Algo caindo do céu e indo para o inferno.

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Plutão

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Urano

Urânio tem número atômico menor, 92, por isso, “garoto pequeno” Little Boy. Plutônio, um pouco mais pesado, “Homem gordo”, com número 94.

Talvez com uma bomba apenas o Japão não se rendesse. Materiais como urânio e plutônio eram extremamente difíceis de obter, enriquecer. Portanto, os EUA queriam mostrar que tinham mais do que uma bomba. Um “não se metam comigo”. Portanto, lançaram duas bombas.

Talvez porque decorar vários fatos obriguem o cérebro a fazer conexões cruzadas. E também, a memória é auto-reflexiva. Decorando X e correlacionando com Y, ajuda a decorar Y e correlacionar com X.

E também, mesmo esquecendo alguma dessas coisas, pelo menos ainda tenho um monte de coisas para contar.

 

https://en.wikipedia.org/wiki/Little_Boy

https://en.wikipedia.org/wiki/Fat_Man

 

​ E o Nobel vai para… Bob Dylan

Sempre achei o prêmio Nobel chato, totalmente fora da realidade, às vezes utópico, outras totalmente inútil. Por exemplo. Alguém se lembra de quem ganhou o prêmio de Economia ano passado? E quem ganhou o da Paz? O Obama? Não, ele ganhou em 2009.
Mas, este ano, vou citar o Nobel duas vezes. Um para o de Economia, que merece um post à parte. E o outro, é o de Literatura.

O prêmio de Literatura
Este post é sobre Bob Dylan, prêmio Nobel de Literatura. Sou grande fã de suas músicas.
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Costumo ouvir suas músicas quando tenho que fazer algum trabalho altamente criativo. Ao ouvir, me sinto numa viagem alucinante num mundo psicodélico. Pode-se dizer que 50% dos posts daqui foram escritos ao som de Dylan.
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Não tenho ideia do que ele escreveu em Literatura, nem a qualidade do que escreveu. Muito menos se merece um prêmio desses, que é de Literatura.

 

Mas tenho certeza que prêmio para Dylan vai trazer o mundo do Nobel para mais perto da realidade das pessoas comuns. O Nobel, até hoje, dava a impressão de ser um comitê de velhotes acadêmicos que faziam trabalhos sem sentido. O Nobel parecia premiar somente cientistas malucos que pesquisaram a bactéria do nariz da barata tropical. Mas um prêmio desses deve ser muito mais que isso, deve ser algo que inspire as pessoas e seja útil no cotidiano.

O objeto afere a régua
Um régua serve para medir o tamanho de um objeto. Mas, como diz o filósofo / economista Nassim Taleb, às vezes o objeto pode servir para avaliar a qualidade da régua.

 

Paradoxalmente, o Nobel para Dylan vai ser melhor para o Nobel do que para Dylan (que já ganhou tudo o que é possível em música).

 

Já que o comitê do Nobel abriu a cabeça, sugiro dois nomes para o de Literatura do ano que vem:

 

  • Neil Gaiman, pela série Sandman

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  • Alan Moore, pela série Watchmen

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Detalhe: ambas são histórias em quadrinhos.

Um novo paradigma de aprendizado: aprender por osmose

Um dia, há muito tempo atrás, eu estava ensinando matemática a uma pessoa que tinha passado pelo método de ensino Kumon.

Para quem não conhece, o método Kumon consiste em repetir as operações básicas (digamos 5 x 7) infinitas vezes, por inúmeras horas, e ir aumentando a dificuldade gradativamente. A pessoa, de tanto olhar para os números, acaba virando uma calculadora humana.

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E o meu aluno era literalmente uma calculadora humana. Fazia contas de cabeça num piscar de olhos, mais rápido do que se eu digitasse numa calculadora eletrônica.

 

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Entretanto, ele não sabia o mais importante de tudo: qual a conta a fazer. Ele sabia apenas a mecânica das operações, mas não dominava os conceitos do que tinha que ser feito para chegar na resposta correta.

Por isso, sempre fui muito crítico ao método Kumon, que se baseia na memorização e repetição. Preferia que a pessoa aprendesse a pensar, aprendesse a racionar por si só, ao invés de decorar um método de solução.

Mas hoje, mudei de ideia, ao ler o excelente artigo de Bárbara Oakley, na revista Nautil.us.

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Aprender por osmose

Bárbara Oakley conta que nunca gostou da área de exatas. Ela tinha uma dificuldade enorme com matemática no ensino básico. Por isso, ela fez letras – russo – em sua graduação. Mas um dia chegou à conclusão de que saber russo não era o que ela realmente queria, e decidiu seguir o caminho da Engenharia.

Sendo alguém que não tinha a menor capacidade de entender o raciocínio das derivadas e integrais de um curso pesado de engenharia (engenharia de produção não conta, rs), ela usou as únicas armas que tinha: memorização e repetição. Memorização e repetição. Memorização e repetição. Memorização e repetição…

Digamos que cada pedacinho de conhecimento matemático que ela conseguia dominar separadamente fosse um “bloco de informação”.

Pouco a pouco, a partir do arsenal de “blocos de informação” que ela tinha, ela foi unindo o quebra-cabeça destes pedaços e começando a compreender o todo.

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Repetindo este mesmo processo arduamente, em alguns anos ela conseguiu remodelar o cérebro para a área de exatas.

A explicação de Oakley faz muito sentido para mim. Pensando bem, nem tudo o que aprendi estudando foi puramente raciocínio logo de início. Teve muita coisa que guardei para mim, sem entender direito o significado, e só depois de muito tempo consegui sacar a lógica deste “bloco de conhecimento”.

O cérebro humano não é um computador eletrônico, em que a informação é colocada e não muda mais. O cérebro precisa de prática, muita prática. Precisa de tempo para processar a informação. Precisa de memorização, mesmo sem saber direito para que serve. Precisa de repetição para internalizar conceitos. Precisa entender o raciocínio, mas também precisa exercitar, senão esquece.


Síntese

Como tudo na vida, não há paradigma eterno.

O filósofo alemão George Hegel (1770 – 1831) afirmava que o processo de evolução do conhecimento, a dialética, era formada da tríade Tese – Antítese – Síntese.

A minha Tese era a de que devemos entender o raciocínio, a lógica do conhecimento.

A Antítese, de Bárbara Oakley, mostrou que memorização e repetição são igualmente importantes para o aprendizado.

A Síntese é que para o aprendizado ser efetivo, devemos entender o raciocínio, mas também treinar, memorizar, e repetir este ciclo inúmeras vezes até internalizar o conhecimento.

Aprender por osmose não é tão ruim assim. Na verdade, talvez o cérebro humano só aprenda mesmo por osmose…

 

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