O que é felicidade para mim?

É uma pergunta difícil, porque cada um tem o seu conceito de felicidade.

 

Felicidade para mim é o momento em que podemos viver livremente, levemente, respirando fundo o ar à nossa volta sem preocupações e desfrutando aquele instante sem a necessidade de pensar no próximo segundo.

 

Fácil?
Nem tanto…

 

Há uma série de pré-requisitos para viver tal momento. O ambiente deve ser bom, não consigo me imaginar assim no metrô lotado no horário de pico, por exemplo.

 
Devemos estar com a consciência tranquila. Não dá para pensar neste momento sem estar orgulhoso de seus próprios atos, com a certeza de ter oferecido ao mundo mais do que o recebido, com a certeza de que o trabalho realizado até agora foi duro, honesto e honrado.

 

Também é necessário estar em paz com o futuro, sem tormentas à vista, sem preocupações reais ou imaginárias.

 

Estar de bem com as pessoas que fazem a sua vida ter algum significado.

 
Nem sempre é possível ter todas essas condições ao mesmo tempo, o que torna tais momentos mais importantes ainda – portanto, que sejam reconhecidos e celebrados, que tais momentos sejam eternos!

 
Independente do que temos, do que já alcançamos e o que queremos, a felicidade é válida somente hoje, no presente. É como se a vida nos desse um ticket, que é válido por um único segundo, somente agora – se não for utilizado neste instante, perderá a validade para todo o sempre.

 

O presente é o maior presente que possuímos.

 

Trilha Sonora: O Que Será (À Flor da Pele) – Chico Buarque

Dica para ouvir: Dedicar os próximos 3 minutos totalmente para ouvir a música. Escolha um lugar tranquilo, feche os olhos, aperte play e desfrute. Neste vídeo histórico, se encontram presentes Toquinho, Miúcha, Vinícius de Moraes e Tom Jobim, imortalizando uma noite fantástica.

 

 

 

https://www.letras.mus.br/chico-buarque/1217237/

 

 

Os cegos e o elefante

Há uma lenda hindu antiga, mais ou menos assim.

Um grupo de cegos estava discutindo sobre o elefante.

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Um disse: O elefante é fino e comprido como uma mangueira.

Outro retrucou: Não, o elefante é largo e grande, parece uma parede.

Um terceiro comentou: Vocês dois estão errados. O elefante parece o tronco de uma árvore.

Um quarto: Não, não, ridículo. O elefante parece uma folha…

 

E continuaram a discutir, sem chegar a um consenso.

 

Todos estavam certos localmente, mas todos estavam errados no todo.

Cada um defendia a sua verdade, sem levar em conta que poderiam haver outras verdades.

 

E, já que ninguém consegue ter a visão de toda a realidade, apenas de parte dela, não podemos rir da tolice desses cegos, já que todos nós também somos cegos tolos.

Um passeio com Godel e Einstein

Uma longa caminhada é uma excelente forma de ter boas ideias. Que tal uma caminhada na companhia de Albert Einstein e Kurt Godel, dois dos maiores cérebros do século passado, talvez, de todos os tempos?

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Einstein, todo mundo conhece, é o cara da Teoria da Relatividade, que abalou as fundações da Física e modificou profundamente o nosso modo de entender o mundo.

Godel é menos conhecido do público, entretanto, é o cara da Teoria da Incompletude, que abalou as fundações da Matemática, e pôs em xeque todo o conhecimento lógico da mais abstrata das ciências.

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Dois rebeldes, dois revolucionários que destruíram os alicerces das duas ciências mais exatas de nosso tempo, a Física e a Matemática.

Einstein e Godel faziam caminhadas diárias, quando trabalhavam juntos no Instituto de Estudos Avançados em Princeton. Caminhavam na ida ao instituto, e no fim do dia, voltando do mesmo.

 

Godel, nascido em 1906, era 27 anos mais jovem do que Einstein, nascido em 1879. De comum, o fato de serem geniais, terem fugido da Alemanha de Hitler, e estarem trabalhando em Princeton, nada mais. Godel era taciturno, pessimista, solitário, de hábitos esquisitos, como comer papinha de nenê e gostar do filme da Branca de Neve e dos Sete Anões. Einstein era mais gregário, gostava de violinos e de Mozart.

 

Sobre o que falavam? Sobre grandes viagens abstratas no espaço e o tempo? Sobre as fundações das fundações das fundações da matemática? Sobre mitologia grega clássica? Sobre política? Sobre suas esposas? Sobre outros colegas de trabalho? Sobre como os americanos eram diferentes dos alemães? Sobre futebol (difícil, os jogos do São Paulo FC não passavam nos EUA naquela época)? Ninguém nunca vai saber exatamente…

 

No fundo, eram apenas dois seres humanos, como quaisquer outros. Apenas bons amigos, que gostavam de trocar ideias…

 

(Dedicado a todos os bons amigos com quem já passei horas caminhando e trocando ideias)

 


 

“A vida é como andar de bicicleta, para manter manter o balanço você deve estar sempre se movimentando” – A. Einstein

 

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Sobre livros e livrarias

Estamos em junho de 2018. Livros em papel e livrarias já morreram. Isto nem é um forecast, é uma realidade. É tão óbvio quanto falar que a TV a cabo, jornais em papel, revistas em papel tradicionais morreram com as novas tecnologias.

Só comento sobre este assunto por uma única razão: este post seria mais um capítulo da série de forecasts, porém é um forecast que já aconteceu. Eu adoro livrarias e livros, e sinto demais esta perda.

Um dos meus passeios favoritos é o de ir à Livraria Cultura do Conjunto Nacional, que ostenta milhares de títulos, numa área com três andares, café, e que provavelmente é a maior livraria da América do Sul.

 

Ou andar pela Saraiva MegaStore, do Shop. Ibirapuera ou do Shop. Center Norte.

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Ou a loja fantástica da Fnac em Pinheiros, com arquitetura ousada, pensada para ser um ponto de encontro entre amantes das letras, numa região cult da cidade… opa, a Fnac Pinheiros acabou de fechar as portas… a empresa Fnac, que vendia eletrônicos e livros, está saindo do Brasil.. (https://sao-paulo.estadao.com.br/blogs/caminhadas-urbanas/o-fechamento-livraria-da-fnac-pinheiros-um-raro-exemplo-de-arquitetura-comercial-a-favor-do-espaco-publico-na-cidade)

 

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As grandes livrarias nacionais estão sofrendo, há anos, com estagnação e declínio, a olhos vistos. A razão é simples. A informação não precisa mais do papel para ser transmitida. Ela está à disposição para ser produzida, consumida e atualizada em qualquer tela, seja a TV, o celular, o notebook, o ereader, o tablet.

A informação virou commodity. Antigamente, para estudar Cálculo, eu precisava de um livro de Cálculo. E era comum recorrer à famosa xerox do livro, porque o original normalmente custava caro demais para um estudante universitário bancar.

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Hoje em dia, há dezenas de sites sobre o assunto, vídeos do Youtube, tutoriais, exercícios resolvidos, tudo de graça e num excelente nível, como por exemplo, na Khan Academy.

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A xerox dos dias atuais são os serviços de torrent, ou troca de pdfs dos livros, ou alguma outra forma de copiar digitalmente o assunto.

Além disso, para tópicos avançados, posso consultar direto o blog do autor que é o papa do assunto. Ou, talvez, enviar um e-mail direto para este autor. Ou discutir a questão com outros amantes do assunto, num fórum. Ou pegar os artigos mais relevantes no Arxiv.

 

Um exemplo. Vi o excelente livro “Linear Programming”, do autor Robert Vanderbei, na Livraria Martins Fonte. R$ 399,00. Tenho a mesma versão em pdf, a um custo zero, que leio num dos meus ereaders (tenho um Kindle e um Kobo Reader) – mas poderia ler num iPad, ou no computador, ou imprimir a parte que interessa.

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O preço de R$ 399,00 é porque o livro é impresso nos EUA (livros físicos têm que ter uma demanda mínima para justificar a impressão), transportado ao Brasil, incluindo todos os trâmites da importação e deve pagar o custo físico da loja ao expor o mesmo fisicamente (aluguel, salário dos atendentes).

A versão eletrônica do mesmo ocupa 1 MB de espaço em disco, e não acarreta custo logístico algum, nem de importação; por mais que eu goste das livrarias e do livro, é um disparate pagar R$ 399,00 por algo virtualmente grátis.

Exemplos abundam, e mesmo se o livro custar R$ 50,00 ou mesmo R$ 30,00, não dá para competir com a versão digital.

O efeito é que atualmente as livrarias pagam para existir, e algumas ainda teimam em tentar se reestruturar.

A LaSelva, que era bastante presente em aeroportos, está fechando as portas.

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A Saraiva está há muitos anos mal das pernas, e é uma questão de tempo até sofrer alguma reestruturação dramática.

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A Fnac já saiu do Brasil, sendo adquirida pela Livraria Cultura.

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A Livraria Cultura não está muito bem das pernas.

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Este fenômeno não é exclusivo do Brasil. Em todo o mundo, o mesmo. A fantástica Barnes e Noble da 5a avenida, em NY, uma das livrarias mais legais do mundo, fechou as portas em 2014. Lembro muito bem disto, porque foi entre a minha primeira e segunda visita aos EUA, então eu conhecia a mesma da primeira visita, e quando voltei para procurá-la, não a encontrei mais.

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O mesmo ocorreu com a Borders, uma rede tipo uma Saraiva americana, que fechou as portas.

Isto sem citar inúmeras outras redes de livrarias, que devem ter destino semelhante se já não o tiveram.

 

O que deve ocorrer é que somente lojas de nicho, extremamente enxutas, devem ser capazes de sobreviver. Ou versões mais on-line do que físicas de fato. Seja como for, a tendência é sobreviver com faturamento muito mais modesto do que nos anos de glória que jamais retornarão.

Os sebos, então, nem se fala. Se as livrarias estão obsoletas, os sebos, que comercializam livros usados, têm um futuro menos promissor ainda. Os que não fecharem as portas devem sobreviver apenas em nichos.

Talvez, num futuro não tão distante, uma prateleira de livros seja apenas para impressionar visitantes, e o comércio de livros seja algo como o comércio de LPs, algo que existe mais como nostalgia do que por necessidade.

 

O espaço do Conjunto Nacional já abrigou uma grande rede de cinemas, o cine Astor (fui lá uma vez, nos anos 80). Os cinemas de rua entraram em declínio, várias virando igrejas evangélicas. As do Conjunto Nacional deram origem ao espaço agora ocupado pela Livraria Cultura. O que será no futuro, não sei, cedo ou tarde os livros darão lugar a algo diferente. Mas, quando isto ocorrer, eu posso dizer que foi bom enquanto durou. Obrigado à livrarias e livreiros, e bola para frente.

 

 

O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.

Mario Quintana

Sozinho, acompanhado, início, meio e fim

Para algumas pessoas que adoram fazer tudo por si sós, sem consultar os outros:

“Sozinho andamos mais rápido, acompanhados chegamos mais longe…”

 

Antes só do que mal acompanhado? Prefiro o inverso:

“Antes mal acompanhado do que só”.

 

Mas, melhor ainda, “Antes bem acompanhado do que só”.

 

Todo mundo gosta do último passo, do momento em que a bola entra dentro do gol. Ninguém gosta da inúmera quantidade de trabalho realizada previamente, antes de gerar o fruto final. Entretanto, toda a preparação é condição necessária (mas não suficiente) para um fim bem-sucedido. Tentar inverter a lógica, e obter o resultado sem fazer o início e o meio, não vai dar certo:

“Quem quer chegar logo ao final, encontra mais rapidamente a saída”.

 

Falando em final, uma dica.

Vi uma apresentação muito bem feita, só que, no final, o palestrante encerrou bruscamente. Sem dar muitos indícios de que a apresentação tinha acabado, passou rapidamente para o próximo palestrante. Resultado: foi tão rápido que a plateia não aplaudiu, simplesmente porque não deu tempo de o fazer.

Dê indícios de que a apresentação está no final. Feche com uma conclusão, uma chamada à ação. Agradeça a presença do público. E receba as merecidas palmas.

 

Obrigado.

 

 

 

 

 

 

 

 

A Estratégia do logro

UMA ANTIGA LENDA

Conta uma antiga lenda que na Idade Média um homem muito religioso foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher. Na verdade, o autor era pessoa influente do reino e por isso, desde o primeiro momento se procurou um “bode expiatório” para acobertar o verdadeiro assassino. O homem foi levado a julgamento, já temendo o resultado: a forca. Ele sabia que tudo iria ser feito para condená-lo e que teria poucas chances de sair vivo desta história. O juiz, que também estava combinado para levar o pobre homem a morte, simulou um julgamento injusto, fazendo uma proposta ao acusado que provasse sua inocência.

 

Disse o juiz:

– Sou de uma profunda religiosidade e por isso vou deixar sua sorte nas mãos do Senhor vou escrever num pedaço de papel a palavra INOCENTE e no outro pedaço a palavra CULPADO. Você sorteará um dos papéis e aquele que sair será o veredicto. O Senhor decidirá seu destino, determinou o juiz.

 

Sem que o acusado percebesse, o juiz preparou os dois papéis, mas em ambos escreveu CULPADO de maneira que, naquele instante, não existia nenhuma chance do acusado se livrar da forca. Não havia saída. Não havia alternativas para o pobre homem.

 

O juiz colocou os dois papéis em uma mesa e mandou o acusado escolher um. O homem pensou alguns segundos e pressentindo a “traição” aproximou-se confiante da mesa, pegou um dos papéis e rapidamente colocou na boca e engoliu. Os presentes ao julgamento reagiram surpresos e indignados com a atitude do homem.

– Mas o que você fez? E agora? Como vamos saber qual seu veredicto?

 

– É muito fácil, respondeu o homem. Basta olhar o outro pedaço que sobrou e saberemos que acabei engolindo o contrário.

Imediatamente o homem foi liberado.

MORAL: Por mais difícil que seja uma situação, não deixe de acreditar até o último momento. Há sempre uma saída.

 

(do antigo folhetim da Viasoft News)

O duende do Tempo

Hospitais

Haverá uma época na vida em que você será saudável, mas estará sempre nos hospitais. Ou os seus filhos, pequenos, ou seus pais, que estarão velhinhos, vão precisar dos seus cuidados, de tempos em tempos.

 

É cansativo, mas estas pessoas valem qualquer pena. Tudo vale a pena se o coração não é pequeno, reinterpretando o grande poeta Fernando Pessoa.

 

Lembre-se de que você já precisou de auxílio semelhante, quando era criança. E, num futuro não muito distante, será a sua vez de necessitar da ajuda de seus pequenos.

 


 

O Duende do tempo

O Tempo tem um auxiliar. Este é um duende minúsculo, que vive junto conosco desde que nascemos.

 

Quando nós somos crianças, este duende já é adulto. Este tem a função de puxar os fios de cabelos, fazer crescer as unhas, nascer os dentes, acrescentar massa nos músculos, mudar as feições do rosto. Criar novas conexões neuronais, fazer a voz engrossar. Ele tem um trabalho à beça a ser feito. Ele não para de trabalhar, nunca.

 

Quando somos adultos, o duende já é velho, mas felizmente, há menos trabalho a ser feito. É só dar manutenção nos equipamentos do corpo, substituir células ruins por novas, regular o que está mais ou menos.

 

À medida em que as décadas passam e nós ficamos mais idosos, o duende do tempo já é um ancião, e trabalha num ritmo muito lento. Ele vai ficando esquecido, vai caducando. Ele deixa manchas na pele, pinta os fios de branco, arranca os fios de cabelo mas esquece de plantar novos. Os músculos perdem massa, e ele não consegue mais repor. Conexões neurais se perdem. Não se lembra mais como faz para rejuvenescer as células, e nem consertar os erros da visão e da audição..  …

 

É ciclo da vida, sem fim, eternamente girando.

 

Tem um ditado budista que diz:

E os filhos tornam-se pais, e os filhos tornam-se pais…

 

 

Trilha sonora: Bloco de notas de Anna Magdalena – Minueto em G maior – J. S. Bach

 

Da natureza de Escorpião

Conheço há muito tempo uma senhora, que adotou uma menina.

A senhora gostava muito da menina, sempre a tratou com o carinho de uma filha. Já a menina, não tinha o mesmo comportamento, era só rebeldia e ofensas para com a mãe adotiva.

Passados uns 15 anos, fiquei sabendo que a agora moça abandonou totalmente a mãe adotiva, indo morar na favela. Não mantém relações, não tem mais contato. Sumiu da vida da pobre senhora.

Existe uma fábula que me veio à mente, sobre a situação acima.

​ 



O sapo e o escorpião

O escorpião queria atravessar o rio, mas não havia como o fazer. Ele pediu a ajuda do sapo.

– Pode me levar ao outro lado, sapo?

O sapo, que não é bobo, retrucou.

– Mas você vai me picar com o seu ferrão venenoso

Respondeu o escorpião:

– Sapo, é claro que não. Se eu te picar no meio do rio, vou morrer também.

Como a resposta fazia sentido, o sapo concordou em levar o escorpião.

Porém, no meio do rio, o sapo sentiu o ferrão penetrando na sua pele.

– Você é maluco, escorpião? Agora nós dois vamos morrer.

– Pois é sapo. Não consegui evitar. Esta é a minha natureza.

Aforismos ditirâmbicos

De uma avó: Quando as crianças (netos) chegam em casa, acaba o sossego e começa a alegria. Quando elas partem, começa o sossego, porém, acaba a alegria.

 


 

Porque reinventar a roda:

O que não consigo criar, não consigo entender – Richard Feynman, brilhante físico americano.

 


 

Bondade x Castigo

Vi uma pessoa lamentando: “Sempre fui tão bondosa na vida, porque sou castigada com tantos infortúnios seguidos?”
Ora, se a pessoa é realmente bondosa, ela deveria estar fazendo bondades a fundo perdido, de coração, sem esperar nada em troca. Se ela faz essas bondades esperando recompensas, ela não faz por bondade, e sim, por interesse. E se ela cobra o Deus dela pelo favores, ela o está chantageando, não diferente do mafioso italiano que cobra favores de suas vítimas.

 


 

Gamificação = Inutilidade.

Vi um sistema que gamifica a participação das pessoas. A cada vez que a pessoa faz login, ganha pontos. A cada curtida, pontos. A cada comentário, pontos. A cada quiz correto, pontos. E para que servem os pontos? Para ter a chance de trocar por alguma inutilidade, como uma camiseta com o símbolo do programa, ao acumular milhares desses pontos.

O pessoal de marketing dá a este tipo de coisa o nome “gamificação”.

Será que só eu acho gamificação uma besteira?

Pessoas respondem a incentivos. Quem mais responde ao incentivo são aqueles que se prestam a “vender” o seu tempo por uma camiseta no final – inserindo um monte de ruído no sistema. Tal programa está cheio de comentários inúteis, como “Gostei”, “Muito bom”, “Excelente”, “Achei maravilhoso”, só para quem postou ganhar pontos.

A gamificação tem o efeito contrário do que deveria. Atrai os jogadores de vídeo-game, e com isso afasta aqueles que realmente querem agregar valor. É uma bestificação.

 


 

Se o cérebro fosse tão simples que pudéssemos entendê-lo, seríamos tão simples que não o entenderíamos.

If the human brain were so simple
That we could understand it,
We would be so simple
That we couldn’t.

Emerson M. Pugh, físico, no livro “The Biological Origin of Human Values”.


 

Porque ler o livro do Bill Gates não vai te fazer igual ao Bill Gates
 
Primeiro, porque este livro tem um monte de dicas, mas todas elas passaram por um filtro do que é correto ou não publicar. Não são dicas sinceras, certamente tiveram itens ruins da história do Bill que não foram publicados, enquanto itens bons foram enaltecidos.
Outra, um livro desses nunca vai dizer que, além de todo o esforço, estudo, competência, etc, ele também teve muita sorte de estar no lugar certo e ser a pessoa certa. Se o Bill tivesse nascido na África, surgiria um outro Bill Gates que não ele.
Ah, isto vale para todas as biografias, em geral. Todas sofrem do efeito retrospectiva, olhando tudo o que é bonito para dar certo no final – mas certamente há milhões de outras pessoas tão competentes, tão brilhantes quanto, que ficaram pelo caminho.
O negócio é jogar com as cartas que temos, e não com as que o tio Bill tinha.

 

Nota: “Ditirambos de Dionísio” é o nome de uma série de poemas do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. O termo “Ditirambos” se refere a cânticos, e Dionísio, o deus do vinho, da loucura, do desordem.

 

 

 

 

 

 

​Campanha “Seja hostil no trânsito”

Basta um simples passeio de carro numa cidade como São Paulo, para encontrar o pior que a espécie humana tem a oferecer: carros forçando passagem, ultrapassando pela direita, entrando em qualquer brecha à sua frente, passando pelo farol vermelho, buzinas, motos cortando os carros, carros fechando motos…

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Por isso, ninguém estranha uma placa com os dizeres: “Obedeça a sinalização”. Ora, mas a sinalização não está lá para ser respeitada?

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Da mesma forma, a placa “Não feche o cruzamento”, quer dizer que pode fechar o cruzamento se não tiver a placa?

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E outra, “Não faça fila dupla”, não deveria ser algo óbvio? Aliás, não é difícil encontrar fila dupla, até tripla, nos horários de pico.

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Tantas placas assim, tratando motoristas como crianças, causam até o efeito contrário: é tanta sinalização que ninguém dá bola para isto.

Num ambiente hostil como este, é praticamente impossível não ser hostil também. Se dar a seta para entrar à esquerda não funciona, porque o carro que está na faixa da esquerda não dá passagem, o negócio é jogar o carro primeiro e dar a seta depois… Se o cruzamento fica travado por outros carros e demoro 10 min para atravessar um simples sinal, eu também vou fechar um pouquinho o cruzamento… Se todo mundo passa no amarelo, porque eu ficaria para trás?

A campanha “Seja gentil no trânsito” talvez fosse mais eficaz se fosse irônica: “Seja hostil no trânsito, e seu vizinho também o será”, “Feche o cruzamento, se todos o fizerem, ninguém mais anda nesta cidade”.

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A minha sugestão para ajudar no assunto é simples. Retirar essas placas de sinalização que deveriam ser óbvias, deixando apenas as que fazem sentido. E, começando por mim mesmo, passar a respeitar as regras do comportamento civilizado no trânsito: não forçar passagem, buzinar por qualquer coisa, fechar o cruzamento, etc… É uma gota no oceano, mas de gota em gota, quem sabe pelo menos algumas pessoas saiam do trânsito menos estressadas?

Ação: seja civilizado no trânsito.

Resposta ao “Desafio Superinteressante”

Desafio 1: Quantos ursos ao redor do buraco?
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Resposta: 6
Basta imaginar a posição central do dado como se fosse um buraco, e contar quantos ursos estão ao redor deste buraco.
Por exemplo, o número 5 tem o buraco no meio, e 4 ursos olhando ao redor.

 


Desafio 2: O quadrado da questão
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Resposta: 6.
Desta vez, a ideia é considerar somente os quatro buracos do número quatro, e ignorar os outros buracos.

​ Superinteressantes

Uma senhora chamada Teresa Doi foi uma das pessoas mais importantes na minha formação.

 

Nos anos 90, quando eu tinha uns 13 anos, ganhei uma coleção de revistas Superinteressante dessa senhora, amiga de meus pais. Tinha umas 50 revistas velhas que ela iria jogar fora. Como sempre tive a fama de ser curioso e inteligente, ela achou que isto tinha mais utilidade para mim do que para o lixão.
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E, realmente, esta coleção de revistas foi uma preciosidade para mim! Juro que li todas as revistas, devorando cada artigo, cada figura, cada gráfico. Quando criança, tinha a Biblioteca do Escoteiro Mirim.  Na pré-adolescência, essas revistas Super. E a coleção Fundamentos da Matemática Elementar, no Ensino Médio.
Os temas variavam do surgimento do CD, e de como isto iria aposentar o LP, até Aristóteles, e como o maior pensador da história achava que o cérebro servia para esfriar o sangue.
A Super daquela época era muito mais sisuda, mais técnica, do que a Super atual, que quer ser mais descolada.
Grande parte dos artigos eram sobre Física, e eu gostava principalmente das reportagens sobre Albert Einstein, de como ele imaginava-se viajando na velocidade da luz e olhando-se para o espelho: veria ele a própria imagem no espelho? Ou o paradoxo dos gêmeos: o tempo passaria mais devagar para um gêmeo viajando próximo à velocidade da luz, e quando se encontrassem novamente, o gêmeo terrestre estaria mais velho que o que viajou. Ou dos misteriosos quanta, que desafiavam o senso comum: quando observados, comportavam-se como partículas, senão, como ondas.
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Ganhei uma quantidade incrível de conhecimento, vocabulário, repertório de ideias e capacidade analítica, e usaria o máximo desse conhecimento nos anos vindouros, e até os dias de hoje.
Este blog tem mais ou menos o mesmo objetivo, o de apresentar ideias complexas de forma palatável, e possibilitar que outras pessoas tenham a mesma sensação, a mesma fome de conhecimento. Ao dividir conhecimento, na verdade o multiplicamos, como uma grande chama que forma outras chamas.
No final de cada edição da Super antiga (hoje não tem mais), havia um desafiozinho de lógica, pelo prof. Luiz Barco. Lembro de perder horas tentando resolver tais questões.
Inspirado nos desafios do prof. Barco, e para manter a tradição dos puzzles no final de casa Super, proponho dois probleminhas a seguir.
Desafio 1: Quantos ursos ao redor do buraco?
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Desafio 2: O quadrado da questão
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Respostas no próximo post.