A Corrida do Ouro (virtual ou não)

Atualmente vejo uma grande quantidade de pessoas, algumas delas brilhantes, correndo atrás da mineração de criptomoedas como o bitcoin.

Isto lembra a corrida do ouro da Califórnia, de 150 anos atrás. Ou a corrida do ouro de Serra Pelada, mais recentemente. Ou a corrida do ouro do Klondike, que aparece nas histórias do Tio Patinhas.

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Fulano de tal conseguiu riqueza em pouquíssimo tempo. Ele apareceu no jornal, por encontrar uma pepita de ouro no meio do barro. Dezenas de outros seguem atrás, com a pá no ombro e esperança no coração.

Trecho de reportagem, cuja fonte está nos links:

O ouro que brotava na Califórnia era generoso. Nos primeiros meses depois da descoberta, era possível coletar as pepitas diretamente do solo. Bastava agachar e pegar. O metal precioso era encontrado em leitos de rios e em ravinas aos borbotões. O mexicano Antônio Franco Coronel, por exemplo, abandonou o emprego de professor em Los Angeles e em três dias de mineração recolheu 4,2 kg de ouro.

 

Em pouco tempo, o rancho de John Sutter foi cercado por milhares de caçadores de fortuna. Barcos que atracavam em São Francisco, a 212 km dali, eram abandonados pelos marinheiros. Em agosto de 1848, a notícia chegou a Nova York. Em dezembro, depois de receber um pacote com pepitas, o presidente americano James Polk foi ao Congresso para anunciar o achado. Nos 5 anos que se seguiram à descoberta, 300 mil pessoas do mundo todo correram para a Califórnia.

Porém, a grande maioria vai falhar…

O avanço sobre a terra foi tão grande e rápido que em 1853 o ouro começou a escassear. Agora só se conseguia extrair o metal com bombas de sucção e esteira mecânica. O tempo do heroísmo individual havia acabado. Para Slotkin, a corrida do ouro “foi uma terrível perda de vidas e empobrecimento de pessoas, em que pouca gente fez fortuna”. De fato, James Marshall, que descobriu o ouro, morreu na miséria em 1885. Sutter também não ficou milionário – ele trocou ouro por gado e ovelhas, que acabaram roubadas por garimpeiros, e faliu em 1852.

 

Alinhado à minha concepção do que é dinheiro e riqueza, o problema principal é que tanto capital humano poderia ser direcionado para outras atividades produtivas: produzir bens e serviços, trabalhando na indústria ou comércio. O capital intelectual e computacional poderia ser utilizado para fins mais nobres, como biologia computacional, pesquisar a cura do câncer.

A verdadeira riqueza está em resolver problemas importantes do mundo real.
Ou, como disse Napoleon Hill:

“Mais ouro foi minerado do cérebro humano do que da terra”.

 

 

Fotos de Serra Pelada, do site monomaníacos:

 

 


 

Links:

http://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/era-industrial/a-corrida-do-ouro-da-california.phtml#.Wn6g5-cfPIU

https://www.wdl.org/pt/item/16791/

Como foi o garimpo em Serra Pelada?

http://memoriaglobo.globo.com/programas/jornalismo/coberturas/serra-pelada-corrida-do-ouro.htm

 

http://www.monomaniacos.com.br/historia/inferno-serra-pelada-1980/

 

Reinventar a roda e outros aforismos

Reinventar a roda

Um consenso geral é de que é perda de tempo tentar reinventar a roda. É melhor usar a roda e construir em cima desta do que tentar recomeçar do zero.

Estão errados. O único jeito que consigo aprender realmente a fundo alguma coisa é reinventando a roda. É claro que em 99% das vezes realmente vou usar o que está pronto. Mas, nos assuntos em que realmente quero trabalhar e estudar profundamente, tenho que reinventar a roda, ou seja, entender a fundação das fundações.

Não tenho vergonha de reinventar a roda.

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É por isso que, de vez em quando, saio com algumas rodas originais.

 

 


 

Duas metades

História do teatro grego de Aristófanes, de 2500 anos atrás: no início dos tempos, éramos perfeitos. Perfeitos como uma esfera. Os deuses dividiram a esfera perfeita em duas partes, incompletas em si mesmas. Desde então, temos que procurar uma outra metade para nos completar.

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Lavar as mãos

Nunca uma pessoa salvou tantas vidas e foi tão desprezado quanto o médico húngaro Ignaz ​Semmelweis. Em 1847, ele notou que a taxa de mortalidade de mulheres grávidas nos hospitais era maior do que se estas dessem a luz em casa. A medicina fazia mais mal do que bem. Semmelweis sugeriu uma medida extremamente simples: que os médicos lavassem a mão.

​Semmelweis foi desprezado pelos seus pares. Na época, a microbiologia era um assunto desconhecido. Apesar dele afirmar que lavar as dava reduzia bastante os problemas, ele não conseguiu explicar cientificamente o motivo disso dar certo ou não.

Somente anos após a sua morte, e com os estudos da teoria de germes de Louis Pasteur, é que houve aceitação geral de que realmente lavar as mãos era a forma mais básica de prevenção contra infecções.

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Estados fazem guerra e vice-versa

Uma citação interessante, atribuída ao cientista político ​Charles Tilly: “a guerra faz o estado, e estados fazem guerra”. A necessidade de se proteger de outros estados bélicos faz com que haja a necessidade de um estado forte, e um estado forte ajuda este a partir em busca da aquisição de outros estados, num ciclo sem fim.

 


O demônio de Laplace

Um experimento mental de 1814, do matemático Pierre de Laplace.

Imagine um super mega computador, ou como não existiam computadores na época, um demônio. Este computador tem o conhecimento de todas as leis da física, e também tem sensores espalhados em cada átomo do universo, ou seja, conhece a posição, velocidade, momento de inércia, temperatura de tudo o que existe.

Este supercomputador seria capaz de aplicar as leis da física e prever todo a posição futura de todas as partículas do mundo, daqui a um milhão de anos. E, da mesma forma, seria possível voltar no tempo, e dizer como foi o universo há um milhão de anos atrás.

Este experimento reflete bastante o modelo de mundo mecanicista, determinístico, linear, da época.

Há vários furos nesta teoria.

– Leis da termodinâmicas são irreversíveis, notadamente por conta do fator chamado entropia. Digamos, dá para estimar que uma percentagem da energia para mover um pêndulo vai se perder na forma de calor, mas não dá para saber exatamente qual átomo vai liberar calor – e a partir do calor, não dá para rastrear de volta a sua origem.

– Em nível quântico, também não sabemos a posição exata de um elétron – na verdade nem sabemos se existe uma posição exata. É tudo tratado de forma probabilística.

– A teoria do Caos foi um dos grandes avanços do século passado. Um matemático, Edward Lorenz, estava trabalhando em modelos de previsão do tempo. Um dia, gravou o resultado, desligou o computador, e recomeçou os cálculos no dia seguinte. O resultado da previsão deu completamente diferente do que ele tinha anteriormente. Intrigado, ele verificou o que tinha acontecido, e descobriu que uma diferença minúscula no arredondamento dos dados de entrada, digamos proporcional ao bater de asas de uma borboleta, tinha causado esta diferença abismal nos resultados (um furacão do outro lado do mundo).

Mesmo com poucas equações 100% determinísticas, uma variação pequena dos dados de entrada pode provocar alterações enormes no resultado final. Em resumo, o famoso efeito borboleta.

 

Para mim, faz muito mais sentido a afirmação diametralmente oposta: mesmo com todos os supercomputadores do mundo, e com milhões de sensores, não é possível prever o futuro.

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Links

 

https://en.wikipedia.org/wiki/Ignaz_Semmelweis

http://duckofminerva.com/2013/06/war-made-the-state-and-the-state-made-war.html

https://en.wikipedia.org/wiki/Laplace%27s_demon

https://en.wikipedia.org/wiki/Chaos_theory

Small tips to make English a habit

These are some small, but useful, tips to make English (or other language of your choice) a habit.

  • Word of the day: There are free services in the internet that offer a daily free word, sent by e-mail. An example is Transparent Language website.

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  • In every search in Google, try to search it in English.
  • Write e-mails in English with some friends of yours. I started to do it months ago, and even now I write in English to some people.
  • Modify the settings of your computer and cell phone to English, instead of Portuguese.
  • Schedule lunch were Portuguese is forbidden.
  • If there are two books, the original in English and the translation in Portuguese, choose the first one.
  • Music in other language is a powerful way to learn new words and pronunciation. If it is too hard to understand, try children music, these are easier to comprehend.

The goal of these tips is to make English a habit, to think in English.

 

 

Carta de Antônio Paiva ao filho

Seguindo as recomendações do post anterior, li e gostei muito da carta de Antônio Paiva ao filho Gustavo Paiva, quando este partiu de Portugal com destino ao Brasil.

O original, downloadável neste link, está bastante ilegível, o que me levou a transcrever abaixo o conteúdo, com a vantagem adicional de tornar o mesmo “googlável”.

Preservei a ortografia original, em português de Portugal de 1911.

 


 

Porto, 27 de Maio de 1911

Meu querido filho Gustavo,

Vaes partir para longe do lar paterno e por isso ficarás entregue ao teu próprio arbitrio. Estás em idade de bem compreenderes o que é bom e o que é mau, de modo a pautares convenientemente a estrada que tens de percorrer.

Já sabes que a primeira qualidade do homem é ser honesto; e na carreira que vaes prosseguir deves ser trabalhador, deligente e humilde sem covardia.

Não te deves esquecer que em qualquer caza onde trabalhes o essencial para subires é que te tornes necessário. O homem que se impõe pelos seus merecimentos, mais hoje mais amanhã, consegue collocar-se, quando não seja na casa onde trabalha, será n’outra onde seus serviços sejam precizos, e d’elles tenham conhecimento.
Deves ser economico sem avareza, cuidadoso com tudo que fôr teu e com todos os serviços que te sejam confiados e fugirás quanto possível de más companhias e dos falsos amigos, que muitas vezes compromettem o nosso futuro.

Eu estou velho e não sei se o destino ainda me reservará a ventura de tornar a ver-te; seja como fôr, terei muita satisfação em saber que tu, onde quer que aches, és homem de bem, util a ti e aquelles a quem prestares os teus serviços, que sabes honrar o teu nome e portanto o de teu velho pae, e de tua família.

Comprehenderás de certo que a vida é uma lucta constante, cheia de revezes, na qual triunpham os mais aptos para o seu combate, mas também é certo que todo o homem preciza de ter sorte, que a sua boa estrella o proteja.

Ha-de levar tempo até que possas conquistar o inicio de tua independência; não deves desanimar, antes soffrer com resignação os embaraços que a cada passo encontrarás no teu caminho, mas também nunca deverás abandonar o caminho da honra e da lealdade.

Deves ser discreto em todos os teus actos reservado com todos os assumptos que requeiram reserva, pois que é uma das qualidades requeridas N’um bom comerciante. Com a tua saúde terás o maior cuidado, pois que sem ella não há combate possível.
Não deves abusar dos prazeres da meza, nem dos que facultam o bello sexo, visto que todos os excessos são prejudiciaes.

Uma couza eu te peço muito do íntimo d’alma: é que nunca te esqueças de tua família especialmente se eu vier a faltar-lhes muito cedo.

Se a fortuna te sorrir, lembra-te sempre dos teus irmãosinhos mais novos, para no devido tempo os encarreirares no meio onde te achares, sob a tua protecção e conselhos; e não te esqueças de vossas irmãs, que como mulheres poderão precizar de teu auxílio, que nunca deverás recuzar quando te for pedido.

Pelo início de tua carreira commercial n’esta praça, tenho fundadas esperanças de que virás, com o tempo, a ser homem util e por isso Deos te conceda toda a sua grande protecção, mas nunca te deves desviar do caminho da honra.

Vae pois, meu filho, levando a minha benção e as minhas grandes saudades, a par das preces ao Céo de tua saudoza e santa mãe, que tão cedo nos deixou.

Tem coragem e lucta sempre sem desanimos, com tenazcidade e honra. Se tiveres tempo, não te esqueças de illustrar o teu espirito, especialmente aprendendo linguas, pelo menos o francez e inglez, tendo eu muito pesar de que não o tenhas conseguido antes de partir.

Beija-te e abraça-te com infinita ternura o teu pae, muito amigo

ANTONIO PAIVA

​Prometeu e Epimeteu

Nesta virada de ano, nada mais adequado que a história da criação do homem segundo a mitologia grega. Começa com Prometeu e Epimeteu, irmãos, e titãs, raça de seres que antecederam os deuses do Olimpo.

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O primeiro tem o dom da antevisão, e o segundo, o dom da visão retrospectiva. Um olha para o futuro, e o outro, para o passado. O primeiro, muito sábio, inteligente e zeloso, o segundo, afobado, inconsequente, incauto.

Os deuses deram aos irmãos a tarefa de criar os seres vivos da Terra.

Prometeu (o que olha para o futuro) criou os seres vivos com muito cuidado a partir de argila, e a deusa Atena deu o sopro de vida a estes.

Epimeteu (o que olha para o passado) ficou com a responsabilidade de conceder um dom específico a cada animal.

Os animais pegaram a senha, ficaram numa fila, e Epimeteu foi distribuindo as habilidades: garras, velocidade, casca dura, poder de voar, etc.

O ser humano foi o último da fila, e quando chegou a sua vez, o atrapalhado Epimeteu já tinha distribuído todas as habilidades que ele tinha em mãos. Assim, o ser humano não tem garras afiadas, dentes esmagadores, velocidade arrasadora, veneno, nem nada especial.

Prometeu apiedou-se deste indefeso ser, e deu um jeito de fornecer alguma habilidade. Tornou-os eretos como os deuses. E, além disso, roubou o fogo dos deuses para dar aos homens.

O fogo permitiu que os humanos se protegessem do frio, forjassem armas, cozinhassem alimentos, ajudando a sua evolução de um macaco desajeitado a um grande caçador coletor, depois um grande agricultor.

Os deuses enfureceram-se com Prometeu. Ele foi acorrentado a uma rocha, e condenado a ter o seu fígado devorado por uma águia, todos os dias. Durante a noite, o fígado crescia, para ser devorado novamente no dia seguinte.

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O homem também sofreu a vingança de Zeus. Este criou uma bela criatura, chamada Pandora, a primeira mulher, e enviou-a a Epitemeu. Pandora tinha um espírito enganador, uma língua afiada e muita curiosidade. Epimeteu tinha sido avisado pelo precavido Prometeu a não aceitar presente algum de Zeus. Mas Pandora era de tal beleza, uma coisa tão linda, tão cheia de graça, num doce balanço a caminho do mar, que foi impossível o incauto Epimeteu resistir.

Junto com Pandora, veio uma caixa, que tinha somente uma instrução clara: não abrir. Porém, um dia, a curiosidade de Pandora foi tanta, que ela abriu a caixa, e espalhou todas as doenças por este planeta. Depois que todas as doenças se espalharam, ela viu que tinha ficado alguma coisa no fundo da caixa: a Esperança.

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O nosso benfeitor Prometeu se safou, depois de um tempo. O herói Hércules matou a águia e o libertou, numa pausa dos seus 12 trabalhos. Tendo o dom de antever o futuro, Prometeu sabia que sofreria consequências, mas também sabia que dar o fogo aos homens era a coisa certa a ser feita, e que ele mesmo se safaria no final.

E, mais do que o fogo, Prometeu deu aos homens o dom da antevisão. Todos os animais conseguem olhar apenas para o presente e o passado, como Epimeteu: juntar alimentos, sobreviver hoje e agora. Somente o ser humano tem o dom de olhar para o futuro, prever e planejar o amanhã a partir do momento presente. Este é o verdadeiro legado de Prometeu.

Veja também: o Deus Janos.

 


Links

http://www.uexpress.com/tell-me-a-story/2011/3/6/prometheus-and-epimetheus-a-greek-myth

https://www.greekmythology.com/Myths/The_Myths/Creation_of_Man_by_Prometheus/creation_of_man_by_prometheus.html

 

 

 

 

 

 

 

Aforismos diversos – cérebro, felicidade, ser quem somos

Uma coletânea de frases curtas e pensamentos

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Consumo de energia do cérebro. O cérebro humano é extremamente desenvolvido, e isto custa caro. Os 100 bilhões de neurônios gastam 25% das calorias do corpo humano. Isto, com um órgão que pesa 1 quilo e meio, em digamos 70 quilos totais. É como uma fornalha de calorias.
Mas pensar, ler, estudar, usar a cabeça, não gasta mais calorias do que não pensar em nada. Se não fosse assim, Einstein precisaria comer tanto quanto o nadador Michael Phelps.
O uso de energia do cérebro é mais ou menos igual a deixar um carro ligado. Vai consumir gasolina ficando parado ou não.
Portanto, melhor usar este carro para ir para lugares nunca d´antes navegados, do que ficar parado no mesmo lugar observando a paisagem.
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Será só eu que prefiro um dia trabalhando do que um dia na praia?
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Somos feitos de Tempo. Nosso limite para fazer qualquer coisa não é o dinheiro, habilidade física, qualidade de ensino. O limite final é o tempo disponível. Tempo = Vida. Administre bem o seu tempo.
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Ambição infinita
Não fomos feitos para sermos felizes. Fomos programados biologicamente para
querer algo, conseguir e no momento seguinte, querer algo novo. É só pensar em
como seria se fosse o contrário. Uma espécie que se contentasse facilmente
seria rapidamente ultrapassada por outra com ambição infinita.
Portanto, não é um iate, uma casa na praia ou uma viagem à França no futuro que vai nos fazer mais felizes.
O único jeito de ser feliz é ser feliz hoje, agora, com o que temos e com a vida que levamos.
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Odeio questoes do tipo “a internet emburrece, sim ou não?”. Porque é um tipo de questão que leva a nada. A internet é uma ferramenta extremamente poderosa.
Assim como toda ferramenta, pode ser bem utilizada ou não. Quem souber utilizar o seu poder para se aperfeiçoar acima da média vai levar vantagem.
Quem ficar o dia inteiro jogando, chateando e entrando em discussões fúteis, vai emburrecer.
Na média, talvez emburreça, talvez não. Mas a média não interessa. A média não serve para coisa alguma. O que interessa é o que cada indivíduo faz. E espero
que os indivíduos aproveitem este nível de conexão sem precedentes na história para criar aplicações também sem precedentes na história.
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Dinossauros são sinônimos de algo velho, ultrapassado, extinto há muito tempo. Entretanto, os dinossauros dominaram a Terra por 150 milhões de anos! O Homo sapiens existe há menos de 500 mil anos. Muito improvável que a nossa espécie consiga sobreviver por tantos milhões de anos assim. Não temos moral de dizer que os dinossauros foram um fracasso.
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Seja como Elon Musk. Ou não? Vi um anúncio assim:
“Elon fundou o PayPal porque queria fazer transações e não tinha como,
Anos depois não estava contente com as missões espaciais e fundou o Space X, depois o Solar City e a Tesla.
Seja como Elon.”
Discordo. Seja quem você é. O pior erro que podemos cometer é querer sem quem
não somos. Ou, como diria Nietzsche: Torne-se aquilo que você é.
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Um conto de Natal do velhinho ranzinza

O velhinho ranzinza já foi descrito anteriormente neste espaço. É um senhor na faixa dos 80 anos, que vive sozinho. Não casou, nem tem filhos, nem parentes nem amigos próximos.

Hoje é véspera de Natal.

O dia começou como todos os outros: tomou café, caminhou um pouco, reclamou dos políticos. Sua caminhada é difícil. Ele tem artrite, precisa de uma bengala, e todos os seus movimentos demoram, demoram m u i t o.

Por ser um dia comemorativo, ele decidiu ir ao mercado comprar insumos para uma ceia especial. Escolheu um tender congelado, batatas para acompanhar e um molho especial feito à base de cebolas. Um vinho tinto chileno, para fechar o pacote.

Passou o resto do dia preparando a sua ceia especial. Caprichou no molho, experimentou as batatas.

Chegando umas 7 da noite, achou um desperdício fazer a ceia e não dividir com ninguém. Pensou em quem poderia ligar. Não era casado, nem tinha filhos. Também não tinha irmãos. Um primo morava em Minas, e alguns outros, no Rio Grande do Sul. Parece que uma sobrinha morava em São Paulo, mas ele nem sabia o nome dela. Pensou em alguém do trabalho. Já tinha se aposentado há uns 15 anos, e perdido contato. Alguns conhecidos já tinham falecido ou estavam tão inválidos quanto ele próprio. Não conseguia ter atividades sociais atualmente, devido à sua incapacidade física.

O único contato maior era com o zelador do prédio, os porteiros e as faxineiras. Mas, este contato com os porteiros era mais para ralhar com o desempenho deles do que para conversar. Além disso, eles tinham família, não iriam passar o Natal com um velho inválido, um porco-espinho que os espeta mas que no fundo tem cerne mole.

Ele teve um ataque cardíaco há uns 10 anos. Ficou um mês no hospital e foi salvo pela medicina moderna. Ele refletiu, se não tivesse sido pelos médicos, não poderia desfrutar da ceia de hoje…

No momento seguinte, o velhinho ranzinza deixou os devaneios de lado e foi ver a carne, que estava queimando.

Todos os preparativos feitos, era só esperar. Tomou um banho, vestiu a sua melhor roupa, e ficou à frente da televisão para matar o tempo, onde viu, como em todos os anos, uma dramatização de “Um conto de Natal”, de Charles Dickens: aquela história do avarento que recebe a visita dos espíritos do passado, presente e futuro.

Chegando a hora, ele deliciou-se com o banquete. Comeu o mais devagar possível, para desfrutar do momento.

Brindou com o vinho, ao Natal, à Vida e à Felicidade!

Um Feliz Natal para todos!

Terminada a janta, foi dormir. A partir de amanhã, tudo voltará à rotina, ao normal. Poderá voltar a atazanar a vida dos porteiros, cobrar performance das faxineiras do prédio, ir ao mercado, preparar a sua refeição e reclamar dos políticos. E dormiu o sono dos justos…

Posfácio: No Japão atual, vem ocorrendo um fenômeno chamado Kodokushi. Com o aumento da longevidade das pessoas e a diminuição do número de casamentos e filhos, há uma porcentagem cada vez maior de velhinhos solitários e desamparados. O mesmo tende a ocorrer em outras sociedades, em níveis cada vez maiores, inclusive no Brasil.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Kodokushi

Xixi nas calças e o tempo presente

Sendo pai de três crianças, consigo fazer algumas afirmações por experiência própria.

Logo depois que a criança desfralda, ela não sabe a hora de fazer xixi. Você pergunta: quer fazer xixi? Ela responde: Não. Cinco minutos depois, ela sai correndo: xixi! xixi! E acaba fazendo nas calças.

E o pai fica pensando: porque ela não fez xixi quando eu pedi? A resposta é que, na hora, ela não queria, mas cinco minutos depois, sim.

Alguns meses mais velha, ela consegue antecipar que vai precisar fazer xixi no futuro.

 

Quanto mais nenê, mais a pessoa vive no presente. O passado não interessa, e o futuro não existe. Quanto mais velha, mais ela consegue perceber o tempo.

À medida que envelhecemos, ocorre o inverso. Damos mais valor ao passado em que bons momentos ocorreram, e mais antecipamos o futuro que vai ocorrer.

Viver no futuro causa ansiedade, e viver no passado causa depressão… que tal voltar a ser criança, e viver no presente? Mas sem xixi nas calças, claro.

 

 

 

​ Ofurô no deserto e termas no gelo

Duas histórias de paradoxos que vi em viagens que fiz.

Ofurô no deserto
Eu já me deliciei com um banho de ofurô (uma banheira de água muito quente) no meio de um deserto, a uma temperatura do ar de 45 graus.
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É paradoxal, mas é verdade.
Em 2010 eu estava em Omã, viajando a trabalho. Omã é um país vizinho da Arábia Saudita, e cruzando o golfo, dava para visitar o Irã.
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Omã era um país de beduínos nômades do deserto, até o dia em que descobriram que estavam sentados sobre um poço de petróleo gigante.
Desde então, são beduínos ricos.
Fiquei num hotel bastante luxuoso na cidade de Muscat. Este hotel tinha um complexo de piscinas (não entrei nas mesmas, por conta da história deste link). Ou seja, o recurso escasso do deserto, água, nas piscinas de turistas.
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A temperatura do ar era de uns 45 graus. Chove 3 dias por ano em Omã, e por isso as ruas nem têm sistema de drenagem.
Andando uns 5 km estrada adentro, tem-se uma imagem como esta, apenas para comparação:
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Mas, embora a temperatura fosse muito elevada, o luxuoso hotel em que fiquei era climatizado, e eles colocavam o ar a uns 12 graus celsius. É até gostoso sair do deserto e entrar no friozinho, mas, não muito tempo depois, chegamos ao paradoxo de passar frio no deserto a 45 graus.
O quarto em que fiquei tinha uma banheira, tipo um ofurô. E, dado que estava muito frio dentro do quarto, não tive dúvidas: enchi a banheira de água quente e fiquei ali por um bom tempo, pensando no paradoxo de eu estar gastando dezenas de litros de água no deserto, tomando banho muito quente num quarto muito gelado num ambiente externo pelando de quente. Um autêntico paradoxo do pretérito imperfeito complexo da Teoria da Relatividade, como diriam os Mamonas Assassinas.

Termas no gelo
Na cidade de Chillian, no Chile, há um termas.
O aeroporto mais próximo fica em Concepcion, ao sul de Santiago. Duas horas de carro depois, fica a cidade de Chillian, e mais uma hora montanha acima, no começo da cordilheira dos Andes, chegamos ao local.

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Neste lugar, há um parque de águas quentes, vulcânicas (tem um vulcão por ali, dava para ver uma fumacinha).

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Onde é possível tomar um banho de águas termais, no meio da neve.

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Este local é extremamente bonito. Dá para esquiar, no inverno. Ou aprender a esquiar, em pistas mais fáceis para iniciantes. E a neve, por si só, é hipnotizante.

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É similar ao que nem eu vi no Nat Geo, um termas no gelo frequentado por macacos, no Japão.

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Parece que está muito bom…

 

O mundo é grande. E só se vive uma vez…

 

 

​ Que livro eu levaria para uma ilha deserta?

Tenho uma biblioteca física com mais de 500 livros, e uma virtual com o triplo disto.

 

Esta é dividida em quatro macro seções: uma de exatas, outra de administração / economia, a terceira de filosofia e a quarta literatura em geral.

 

Só não tenho mais livros porque cheguei no limite físico do que cabe num apartamento.

 

Mas, suponha que estivesse me mudando para sempre para um lugar completamente novo, e tivesse que escolher apenas um único livro da biblioteca. Que livro eu levaria para uma ilha deserta, ou para um país do outro lado do mundo? 

 


 

Primeiro, o que não seria. Não seria nenhum livro técnico. Embora muito de minha formação tenha vindo desses livros, o conhecimento de matemática, engenharia e computação é puramente racional, não tem nada de emocional. Posso pegar um pdf desses livros e chegar no mesmo resultado.

 

Tenho uma coleção de livros do Peter Drucker. Fiquei fascinado por suas ideias e seu jeito de escrever. Mas não levaria um livro dele, ou algum outro de administração, pelo mesmo motivo de existir a alternativa digital. A internet acabou com a necessidade de livros físicos.

 

A área de filosofia tem muito material de qualidade. Desde livros de introdução, como o de Thomas Nagel, até a obras primas como o Ser e o Nada, de Jean Paul Sartre (que nunca consegui ler, confesso). Da Política de Aristóteles até o Estrangeiro de Albert Camus, há muito material bom. Legal mesmo são as obras de Nietzsche, provocantes, insinuantes, politicamente incorretas.

 

Não levaria nenhum desses. O que eu levaria para uma ilha deserta é o “Think and Grow Rich”, de Napoleon Hill.

 

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Pense e enriqueça

 

Napoleon Hill é um escritor de 100 anos atrás, autor de livros de auto-ajuda.
A receita é clássica: força de vontade, persistência, otimismo.

 

Não leio muito livros deste tipo, justamente pela fórmula ser conhecida, e também por uma abordagem assim não ter validade científica.

 

Porém, tem horas em que toda a matemática do mundo não vale nada, a gente precisa mesmo é uma dose de esperança, que pode ter raízes reais ou ilusórias.

 

Até hoje me lembro da história de Edwin C. Barnes. Um homem falido, que tinha um único desejo ardente: trabalhar com o grande inventor Thomas Edison. Edison é famoso por ter inventado a lâmpada elétrica, mas ele fez muito mais do que isso. Ele criou um império de produtos ligados à energia elétrica.

 

Barbes viajou num trem de carga, sem bagagem, sem dinheiro, unicamente para se encontrar com Edison. E, finalmente, lá estava ele, vestido como um mendigo, na frente do homem mais rico do mundo, afirmando com convicção: “Bom dia, sr. Edison. Vim fazer negócios com você!”

 

Independentemente do que Barnes disse, o que contou para Edison foram os seus olhos.

 

Alguém com a força de vontade e a determinação irradiada pelos olhos de Barnes, disposto a arriscar toda a sua vida por uma única oportunidade, não iria falhar.

 

Edison deu uma ocupação qualquer a Barnes, algo irrelevante para ele, porém de grande importância para Barnes, por ter a chance de estar em contato com o seu sonho.

 

Meses se passaram, anos se passaram, sem novidade alguma. Um dia, Barnes viu uma oportunidade. Ninguém queria vender um equipamento chamado “Edison dictating machine”, uma espécie de gravador. Barnes colocou toda a sua energia para vender esta máquina, e foi extremamente bem sucedido, inspirando até a criação de um slogan: “Feito por Edison, instalado por Barnes”.

 

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Barnes ganhou uma fortuna, vários milhões de dólares na época – o que corrigido para hoje, daria algumas centenas de milhões.

 

Este livro, cheio de histórias de patinhos feios que viraram príncipes, é o que eu certamente levaria para uma olha deserta.

 

Pode não ser científico, e pode talvez nem funcionar.
Mas com o ser humano é o contrário: só funciona se ele acreditar.
“Mais ouro foi extraído da cabeça do ser humano do que todas as minas do mundo”. Napoleon Hill.
“O vencedor nunca desiste, o desistente nunca vence”. Napoleon Hill.
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O veneno da víbora não afeta um dragão

Um conselho de Nietzsche para aqueles que se incomodam com provocações alheias.


 

A picada da víbora

Um dia dormitava Zaratustra debaixo de uma figueira, pois fazia muito calor e com o braço cobria o rosto. Veio uma víbora e mordeu o seu pescoço, e ele lançou um grito de dor. Quando tirou o braço do rosto, olhou a serpente. Então a serpente reconheceu os olhos de Zaratustra, retorceu-se e quis fugir.

– Não, exclamou Zaratustra. Ainda não te agradeci! A tempo me despertaste. Grande ainda é meu caminho.

– Teu caminho agora é curto – disse tristemente a víbora – meu veneno mata.

Zaratustra pôs-se a rir.

– Quando matou a um dragão o veneno de uma serpente? -disse. Retoma o teu veneno, não és rica para dá-lo a mim. Então a víbora tornou a enroscar-se no seu pescoço e lambeu a ferida.

 

Quando Zaratustra contou esta história a seus discípulos, estes lhe perguntaram:

– E qual é, Zaratustra, a moral do conto?

Zaratustra respondeu:

– Os bons e os justos me chamam de destruidor da moral, meu conto é imoral. Mas, se tendes um inimigo, não lhe devolvais bem por mal, porque se veria humilhado: demonstrais, ao contrário, que lhe fizeste um bem. E em vez de humilhar, encoleriza-vos. E quando vos maldigam, não me agradas que queiras bendizer. Maldizei vós também!

 

Assim Falava Zaratustra – Friedrich Nietzsche.