Pequena vingança satisfatória

Estava eu a dirigir pela movimentada Rodovia Presidente Dutra, em SP, quando uma SUV vem a toda velocidade, cortando outros veículos e pedindo passagem – aquelas piscadelas de farol acompanhado de aproximação excessiva do carro. Este tipo de ocorrência é algo costumeiro, para quem trafega pela cidade, mas não deixa de ser extremamente irritante.

Eu estava a 110 Km/h, velocidade limite, então a SUV deveria estar facilmente a 150 ou mais.

Na primeira oportunidade que teve, o veículo fez a ultrapassagem(pela direita) e continuou, a toda velocidade, cortando os outros…

Uns 5 km depois, e eis que vejo a SUV citada, parada no posto da Polícia Rodoviária. O motorista claramente nervoso, a prestar esclarecimentos aos oficiais.

Não é bem uma “vingança”, na medida que não tive ação alguma, mas não deixa de ser satisfatória. Causas geram consequências, a questão é que o timing entre as duas coisas pode variar bastante. Neste caso, foi Instant Karma na veia…

O Clube de Troca de Livros

Ganhei, do meu bom amigo @Igor Queiroz, essa fantástica edição comentada das Meditações, do imperador romano Marcus Aurelius.

Mais do que o conteúdo, queria destacar uma boa prática: só esse ano, já presenteei e/ou recebi 11 livros. Faço questão de ler e comentar todos, já que foram cuidadosamente escolhidos por pessoas tão estimadas.

Ação: comece agora o seu próprio clube do livro. E provoque discussões sobre o conteúdo. Todo mundo sai ganhando.

Você prefere confiar no Google ou nos seus olhos?

Um caso interessante aconteceu comigo.

Estava com um colega, procurando por um restaurante, numa dessas viagens.

Nos dias de hoje, colocamos o endereço no Google Maps para nos guiar. Chegando lá, o lugar estava fechado, talvez por ter encerrado atividades, ou algum outro motivo qualquer.

O meu colega, indignado. “Que estranho, aqui no Google está dizendo que o restaurante está aberto”.

Meio grosseiro, mas disparei: “Você prefere confiar no Google ou no que você está vendo?”

No fundo, essa é uma crítica à dependência por tecnologia. O melhor metaverso possível é a vida real…

A Lei de Gall

Sabe aquele sistema perfeito, pensado nos mínimos detalhes para resolver todos os problemas de alguma área da empresa? Pois é, ele nunca vai existir. Muito menos, se for construído do zero.

“Um sistema complexo desenhado do zero nunca funciona e não pode ser remendado para fazer funcionar” – John Gall, no livro Systemantics.

Um sistema complexo (que funciona) necessariamente evoluiu de um modelo simples que funciona.

E esses modelos simples são simples porque necessariamente focam em aspectos mais relevantes do negócio e deixam outros de fora, ou a serem resolvidos por outros, ou com regras sub-ótimas.

Sempre penso em algumas situações que corroboram a Lei de Gall:

  • Sistemas que só funcionam em PPT, e na prática o analista roda o resultado que quer por fora (ex. tinha um de roteirização que conheço assim, por conta de várias restrições não mapeadas no software). Mas, no PPT e no discurso, é o supersistema que está rodando
  • Gente (principalmente TI) criticando as minhas inúmeras planilhas simples (que bem ou mal rodam até hoje e estão evoluindo)
  • Antigamente, existia um desejo de colocar tudo dentro do SAP ou o sistema ERP equivalente. Hoje, migrou o foco para a nuvem, e aí vem esse desejo de ter tudo na nuvem. Nem tudo precisa ser dentro do SAP ou da nuvem, principalmente sistemas simples em processos em evolução
  • Como saber o que funciona ou não, o que realmente é importante ou não? O que detalhar a fundo e o que deixar mais geral? O melhor jeito é testando contra a realidade, e deixando os resultados falarem por si

Juntando camadas e camadas de modelos simples, depois de um tempo, temos um modelo bastante complexo e funcional.

A Lei de Gall está em enorme acordo com a visão que tenho da realidade, e contra PPTs de consultorias estratégicas, startups que querem redesenhar o mundo inteiro.

Um último exemplo é a evolução das espécies. O ser humano não foi projetado desde o início para ser como é hoje. Foi um processo evolutivo, gradual de descobertas e adaptações simples, passo a passo, excruciantemente longo, até chegar aos dias atuais – e continua evoluindo.

Portanto, tenha a Lei de Gall como referência para trabalhos futuros.

Veja também:

O “startupeiro foda” quebrou

O “startupeiro foda” era um sujeito que começava os seus pitches pedindo para que pessoas disruptivas levantassem a mão. Se não conheciam disruptivos, agora iriam conhecer vários. Ele dizia que a sua startup era foda, formada só por caras foda, com conselheiros muito fodas.

O produto também era foda demais. Lindo, mágico. O cliente que não reconhecesse isso era muito burro. Talvez o cliente tivesse que mudar o seu processo e suas prioridades para encaixar essa solução foda e mágica na sua empresa, e não o contrário. E talvez o cliente tivesse que pagar em dobro pelo privilégio de ter tal produto fodástico em suas mãos.

E os concorrentes? Tudo fraquinho. Ninguém mais nesse mundo todo tem a mesma competência, mesmo acesso a recursos e pessoas de alto nível do que o nosso querido “startupeiro foda”.

Prejuízo desde sempre? Isso não importa. Estavam ganhando mercado, e um dia, seriam maiores do que todas as empresas do Brasil juntas.

Pois bem, recentemente, o “startupeiro foda” quebrou. Se f.

Sabedoria das vovós: humildade e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

(Meu primeiro contato com o dito cujo:
https://ideiasesquecidas.com/2019/04/14/o-pitch-do-startupeiro-foda/)

Vídeo em homenagem ao “startupeiro foda”

Napoleon Hill em 40 frases

Napoleon Hill é um escritor do início do século passado, porém, suas palavras continuam tão atuais quanto sempre foram.

A seguir, frases de seus livros “The Law of Success” e “Think and Grow Rich”, em (mais ou menos) 40 frases.

Mais ouro foi minerado do cérebro humano do que de todas as minas da Terra.

Tudo que a mente humana pode imaginar e acreditar, pode atingir.

Há sempre abundância de capital para aqueles que podem criar planos práticos de utilizá-lo.

Sempre haverá espaço no mundo para aqueles que produzem mais do que recebem. Produza mais do que recebe, e em breve você será pago mais do que produz.

Toda grande invenção começou na imaginação de uma pessoa.

Seja você quem for, onde estiver, qualquer seja sua ocupação, há espaço para você se tornar mais produtivo e agregar mais valor à sociedade, utilizando sua imaginação.

Você pode fazer se você acreditar que pode!

Qual o seu Propósito Principal Definitivo?

Não tema a oposição. Lembre-se de que a pipa do Sucesso sobe contra o vento da adversidade.

Desenvolva o seu próprio Master Mind (grupo de aliados com o mesmo objetivo, com habilidades complementares e em harmonia, na mesma frequência).

Não existe alguma coisa por nada. No longo prazo, você consegue exatamente o que você paga, seja comprando um automóvel ou um pedaço de pão.

Quando um homem deseja algo tão profundamente a ponto de trocar todo o futuro por um único número na roleta da vida, ele certamente vencerá.

Uma enciclopédia com todo o conhecimento do mundo é tão inútil quanto uma duna de areia, até ser organizada e expressa em termos de ação.

Tenha o hábito de tomar uma ação todos os dias, que vai te levar um passo a mais em direção ao seu Propósito Principal Definitivo.

Tudo que você construir deve ser baseado na Verdade e na Justiça.

A melhor compensação por fazer acontecer é a habilidade para fazer mais.

Qualquer um pode começar, porém somente os persistentes conseguem terminar.

Você é feliz se aprendeu a diferença entre derrota temporária e fracasso. A semente do sucesso está dormente em cada derrota temporária que você experimentar.

Você sempre pode ser a pessoa que você gostaria de ser.

O único homem que não comete erros é aquele que nada faz.

Você é um magneto humano e você está constantemente atraindo pessoas cujas personalidades harmonizem com sua própria.

Pense bem antes de falar, pois suas palavras podem plantar a semente do sucesso ou fracasso na cabeça de outra pessoa.

Desenvolva o hábito de tomar a iniciativa. Fale iniciativa, pense iniciativa, coma iniciativa, durma iniciativa e pratique iniciativa.

Todo dia é uma chance de prestar algum bom serviço.

Aqueles que trabalham apenas por dinheiro, e que recebem apenas dinheiro, serão sempre mal pagos, não importa a quantidade que recebem. Os maiores prêmios da vida não são medidos em dólares e centavos.

Comece hoje a agir e fazer o dia valer a pena. O ontem já foi, e o amanhã pode nunca chegar.

Se você tem um talento, use da melhor forma possível. Não desperdice isso.

Sonhe. Tenha grandes sonhos.

As grandes conquistas são resultado de grande sacrifício, e nunca resultado de egoísmo.

Entuasiasmo é uma força vital que você pode domesticar e utilizar.

Uma pessoa feliz é aquela que sonha com as conquistas ainda não atingidas.

Ninguém consegue expressar em palavras ou ações algo que não está em concordância com suas próprias crenças.

Reputação é o que outras pessoas acreditam ser, caráter é o que as pessoas são.

Ouse se destacar na multidão e seguir o seu caminho.

A sorte não é aleatória – é trabalho.

Quem sabe exatamente o que quer da vida já está a meio caminho de conseguir atingir.

“Sobrevivemos com o que ganhamos. Mas só temos uma vida pelo que doamos” – Winston Churchill

“Faça o que você ama e não terá que trabalhar o resto da vida” – Confúcio

Uma personalidade atraente usa a Imaginação e a Cooperação.

Separe fatos de convicções, e o que é importante do que não é importante.

Um grande líder é aquele que faz outras pessoas fazerem grandes coisas.

Uma pessoa decidida não consegue ser parada!

O Tempo é, no final, a única moeda real que temos.

“Somos feitos da matéria de nossos sonhos” – Príncipe Próspero, a Tempestade de Shakespeare

A Lei do Triunfo
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Pense e enriqueça
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Veja também:

Perguntas certas, Ideias no Ar e Competição

Perguntas certas

Fazer perguntas é a parte essencial de qualquer melhoria. Primeiro, perguntas mais gerais, e ir testando respostas. Depois, afunilar para perguntas cada vez mais específicas e precisas.

Em geral, quanto mais técnica é a pessoa, mais ela vai precisar de uma pergunta bastante específica: “teste quanto a propriedade x do produto varia se a entrada estiver num range entre a e b”.

São raras as pessoas que conseguem fazer as perguntas corretas e guiar o time técnico para dar as respostas necessárias.

Como dizia Pablo Picasso: “Computadores são inúteis. Só dão respostas”.

Ideas are in the air

Uma grande ideia, um resultado expressivo no conhecimento humano, nunca vem sozinho. É preciso toda uma evolução global de pensamento, para permitir esses pequenos saltos na fronteira do que existe: essa é a teoria do Possível Adjacente.

As ideias estão no ar, e se não fosse um cientista a fazer a descoberta, outro a faria, cedo ou tarde. Basta ver que há uma enorme quantidade de inovações que tiveram pelo menos duas pessoas perseguindo, em paralelo:

  • Darwin x Wallace: Darwin entrou para a história com a Teoria da Evolução, mas Alfred Wallace quase vence a corrida. Ele tinha desenvolvido uma teoria similar. Wallace foi cavalheiro, ao saber da teoria de Darwin: o procurou e ambos publicaram seus trabalhos concorrentes praticamente juntos. Darwin entrou para a história, e ninguém conhece Wallace, hoje em dia.
  • Einstein x Hilbert: a Teoria da Relatividade Geral, de Einstein, teve a concorrência de David Hilbert, um dos matemáticos mais brilhantes do século passado. Fosse um problema puramente matemático (e não físico), Hilbert venceria com certeza, pois era um matemático de ponta.
  • Watson x Pauling: na corrida para desvendar a estrutura do DNA, quem venceu foi James Watson (e com controvérsias, como ter tido acesso não autorizado às fotografias de Rosalin Franklin). Havia outro gigante atrás do prêmio: Linus Pauling, vencedor de dois prêmios Nobel. Talvez não fosse esse “atalho” citado, não teríamos os livros de ciência citando Watson & Crick, atualmente.
  • Santos Dumont x Irmãos Wright: essa é uma polêmica conhecida. Os americanos e parte do mundo dizem que os Wright inventaram o avião. Brasil e França, que foi Santos Dumont. Na verdade, centenas de engenheiros anônimos do mundo todo ajudaram a aperfeiçoar o avião, peça a peça, de modo que a “inovação estava no ar”, o avião era a bola da vez.

Idem para eletricidade (Edison x WestingHouse), automóveis (Ford x GM), e assim sucessivamente.

Trilha sonora: John Paul Young – Love Is In The Air
https://www.youtube.com/watch?v=NNC0kIzM1Fo

Competição entre cadeias

Will Durant disse, em seu livro “Lições da História”, que a natureza é competição. Existe cooperação entre grupos, só que a finalidade é que o grupo se sobresaia sobre outros.

Concorrência entre os indivíduos. Então foi ampliado, entre famílias. Depois foi ampliado, entre as comunidades. E assim por diante: concorrência entre empresas, entre cadeias de suprimento.

Nessa linha, é interessante notar que diversos grupos humanos têm “moeda” diferente, mas continua havendo a competição.
Nos negócios, a moeda é dinheiro. No meio acadêmico, reconhecimento e fama. No meio político, poder. Numa guerra, força bruta. Para indivíduos numa empresa, cargos e orçamento.

Um professor e aluno não concorrem, pela diferença de idade. É mais provável que se aliem, como um grupo maior, e que a concorrência seja individualmente entre professores da mesma área, alunos, e como grupo.

Veja também:

Algumas boas ofertas do Amazon Book Friday

O Amazon Book Friday 2022 vai do dia 18/08 ao dia 22/08, com ofertas em livros diversos.

Seguem algumas recomendações.

Box George Orwell, com três livros (A Revolução dos Bichos, 1984 e Dentro da baleia).

https://amzn.to/3QTGmDF

Rápido e Devagar, de Daniel Kahneman

https://amzn.to/3c3UD1M

Armas, germes e aço, de Jared Diamond

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Roube como um artista, de Austin Kleon

https://amzn.to/3dHLL2s

Por fim, Storytelling com dados, de Cole Knaflic


https://amzn.to/3dFRWUC

Todos os livros acima são excelentes, e já comentei de boa parte deles neste espaço.

Boa leitura!

Veja também:

Fields of Gold e músicas infinitas à mão

Hoje em dia, temos uma quantidade tendendo a infinito de músicas à mão, via Spotify, Deezer e similares.

É tão fácil que as novas gerações nem sabem direito como era num passado não muito distante.

Lembro de um episódio, no começo da década de 90. Eu estava na casa de um primo, e juntos, fomos à casa de outro parente dele, um primo de segundo grau, bem mais velho que nós. O objetivo: este último tinha adquirido um belo aparelho de som novo, e poderia gravar uma fita cassete de músicas para nós.

Na casa dele, havia um aparelho de som, daqueles que tinham um número enorme de botões que ninguém sabia para que serviam. Conseguia tocar discos vinil, sintonizar rádio AM / FM e tocar fita cassete. O CD não existia nessa época (ou existia, mas não era popular ainda. Viria a ser uma revolução alguns anos depois).

(Imagem ilustrativa – peguei da internet – mas não era muito diferente disso)

O aparelho de som que tinha na minha casa também conseguia gravar fitas cassete, só que eu não sabia mexer, e além disso também tinha um elemento crucial: não tinha a música. Meus pais não tinham muitos discos em casa, e como pré adolescente que eu era na época, não tinha a menor condição de comprar música.

Eu e o meu primo passamos tipo uma hora ouvindo músicas e anotando as faixas que queríamos. Ao final deste período, o anfitrião pegou as listas e gravou, um cassete para cada um, preenchidos dos dois lados da fita. Era um processo longo, porque para gravar uma hora de música, era necessário tocar essa hora de música e ir gravando simultaneamente no cassete, não havia jeito de acelerar o processo (para efeito de comparação, downloadar via torrent é extremamente mais rápido).

Pois bem, voltando para casa, e pelos próximos 5 anos mais ou menos, toquei a fita cassete algumas centenas de vezes, frente e verso, devorando cada segundo gravado naquela fita magnética.

Uma das músicas do cassete, a que mais gostei e toquei, era a doce e bela canção “Fields of Gold”, de Sting. “You’ll remember me when the west wind moves, Upon the fields of barley”. Era possível dar fast forward e fast backward na fita cassete, a fim de posicionar a fita a tocar a música desejada – ou, de modo mais mecânico, colocar um lápis em um dos buracos do cassete e girar no braço.

Fast forward algumas décadas, hoje, temos a mesma versão de “Fields of Gold” de anos atrás, além de interpretações alternativas por outros cantores (tem uma da Eva Cassidy espetacular), e também versão puramente saxofone, via Youtube, Spotify, Deezer e concorrentes.

Porém, ao mesmo tempo que temos uma quantidade infinita de músicas, o valor individual de cada uma dessas acaba diluído, tendendo a zero. É uma conta matemática. Ninguém hoje vai perder tanto tempo quanto perdi décadas atrás para gravar uma dúzia de faixas e ouvir repetidamente por anos, então a atenção por cada música diminui.

Seja como for, convido o leitor a apreciar uma bela canção, usando as tecnologias mais atuais dos dias de hoje.

Trilha sonora: Fields of Gold – Sting

Youtube
https://www.youtube.com/watch?v=KLVq0IAzh1A

Spotify
https://open.spotify.com/track/22gLGCKbFKwmgZhrpVcnFb

4 segredos do mundo corporativo prático

Algumas breves reflexões acerca do mundo corporativo.

1 – Um bom projeto não termina

Projetos, pela própria definição, têm começo, meio e fim. Ok, então isso quer dizer que vamos acabar o trabalho, entregar o projeto, e ficaremos desempregados? Sob essa ótica, então devemos postergar o máximo possível, correto?

Errado. Devemos entregar sempre o melhor trabalho possível e respeitar os prazos combinados.

Um bom trabalho entregue vai gerar inúmeros outros. Ideias de melhoria do próprio trabalho. Necessidade de mudanças devido à alguma atualização. Confiança do cliente para a contratação do próximo projeto. É um jogo colaborativo de longo prazo.

É muito satisfatório ver um trabalho rodando. Essa é a maior recompensa.

2 – Toda vantagem competitiva é temporária

Qualquer seja a vantagem competitiva que uma empresa, área ou indivíduo têm, elas serão temporárias.

Uma vantagem tecnológica dura muito pouco. Desde o surgimento até virar commodity, são poucos anos.

Vantagem em conhecimento de processo são mais duradouras. Porém, ou os processos mudam, ou as pessoas mudam, e as necessidades mudam.

Inovações de mercado podem tornar o que roda bem hoje obsoleto.

Isso quer dizer que:

  • Devemos explorar ao máximo as vantagens atuais. Por exemplo, o grande investidor Ray Dalio afirma que gasta algumas centenas de milhões de dólares por ano em estudos, e isso lhe dá uma vantagem mínima em frente ao mercado. Explorar essa vantagem mínima tornou o seu fundo de investimentos o maior do mundo.
  • Devemos estar em constante evolução. Sempre estudando, trabalhando forte, sempre em contato com as pessoas que rodam os processos.

Saiba que toda vantagem competitiva é temporária. Não se acomode sobre suas glórias, sempre busque evolução. Explore bem suas vantagens atuais, plantando sementes para vantagens futuras.

3 – Provas de conceito não servem para nada

Já que temos que inovar e evoluir, temos que testar um monte de alternativas e fazer várias provas de conceito, correto? Parcialmente. Realmente, temos que testar formas diferentes e melhores de trabalhar. Só que testar por testar não vai gerar resultado real.

Cansei de ver provas de conceito se tornarem o fim de si mesmas. Não é isso, as provas de conceito devem ter a finalidade de virarem inovação real, rodando na operação.

É muito fácil entregar provas de conceito envolvendo soluções novas, com as tecnologias da moda e prometendo ganhos acima dos atuais. É muito menos atrativo e extremamente mais trabalhoso entregar de fato algo que rode de verdade, mas é aí que realmente geramos valor.

4 – Não olhe para a posição formal, olhe para o que a pessoa faz na prática

Conheci um gestor de outra área que só dava bola para a posição das pessoas. Quanto maior o cargo, gerente, diretor, mais atenção ele dava, e desprezava completamente o corpo técnico e pessoal de apoio.

Essa abordagem tem vários problemas:

  • A chave para o sucesso ou fracasso do trabalho pode estar em alguém do corpo técnico ou de apoio, dado o conhecimento ou a competência real desses. E a competência real é o que importa, no final das contas
  • O mundo dá voltas, e quem hoje está numa posição subalterna pode ocupar um cargo diretivo futuramente
  • Não despreze as pessoas, isso é falta de educação básica

É como olhar só para a roupa que a pessoa está usando, e não para o que ela é. Tem um conto muito engraçado do mulá Nasrudin, sobre o tema: https://ideiasesquecidas.com/2020/07/10/os-amigos-do-cargo-e-os-amigos-da-pessoa/.

Uma dica é nem querer saber sobre essas relações formais de poder. Esquecer que existem cargos. Guiar-se totalmente pela execução real.

Bônus – Sobe e desce de profissões chiques

Lembro de uma época, uns 15 anos atrás, em que o petróleo do pré-sal tinha acabado de ser anunciado, a Petrobrás parecia ser a empresa mais atraente e inovadora do Brasil, e ser especialista em geologia ou em algo ligado ao tema “petróleo” era a profissão mais demandada do mundo.

A pessoa que começou a perseguir o tema quando estava no topo só acabou a especialização depois que o boom já tinha passado.

É como apostar no mercado financeiro olhando para notícias de jornal: todo ano uma empresa diferente está em alta e algumas empresas tradicionais estão em baixa. Aí o “sardinha” compra empresas no boom, vende empresas no vale, e sempre sai perdendo no timing.

Profissões quentes vêm e vão. Há poucos anos, era atrativo trabalhar em startups. Ganhar pouco, trabalhar muito, em busca de um sonho de valorização exponencial futuro, que pode ou não vir.

Minha sugestão é ignorar totalmente os modismos, e, usando a analogia do mercado financeiro, partir para a análise fundamentalista.

No que eu sou bom de verdade? O que gosto de fazer? É algo que terá uma demanda razoável no futuro? Este trabalho agrega valor de verdade à sociedade?

Não tentar adivinhar o topo. Fazer o trabalho que gosta, que é bom, de forma consistente e sempre em constante evolução. E, um dia, o topo chegará.

Veja também:

O caminho da solidão

O “caminho da solidão” (Dokkōdō), de Miyamoto Musashi, é um conjunto de 21 regras escritas um pouco antes de sua morte.

1 Aceite as coisas como elas são

2 Não procure o prazer físico

3 Em nenhuma circunstância dependa de um sentimento parcial

4 Pense a si mesmo com leveza; pense o mundo com profundidade

5 Evite o desejo, a vida toda

6 Não lamente o que fez

7 Não seja invejoso

8 Não se entristeça por uma separação

9 Ressentimentos e reclamações são inadequados tanto para si como para os outros

10 Não deixe se guiar pela luxúria

11 Não tenha preferências

12 Seja indiferente ao local onde reside

13 Não persiga o gosto da boa comida

14 Não carregue bens de que não necessita

15 Não aja de acordo com as crenças habituais

16 Não colecione ou pratique com armas além do necessário

17 Não tenha receio da morte

18 Não tenha a intenção de possuir objetos ou um feudo na velhice

19 Respeite Buda e os deuses sem contar com a sua ajuda

20 Você pode abandonar a sua vida, mas deve preservar a sua honra

21 Nunca se afaste do Caminho

No Ocidente, damos muito valor à posses e conquistas. Devo ter algo, possuir poder sobre outros, consumir do bom e do melhor.
Já as filosofias do Oriente, como o Tao, prezam pelo equilíbrio. Yin Yang. Duro e Macio. Forte e Fraco. Cheio e Vazio.

Para desfrutar de um chá, temos que ter uma xícara, mas só se esta tiver o vazio para podermos preenchê-la.

Uma casa deve ter paredes, teto e estrutura, porém, também deve ter o vazio interno para podermos viver nela. O pensamento ocidental tende a entulhar a casa de posses até precisarmos de uma casa maior, num ciclo infinito. Já o pensamento oriental tende a deixar a casa somente com o necessário, nada mais que isso.

Veja também:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dokk%C5%8Dd%C5%8D

Ataque com a espada, o corpo e a alma

No “Livro dos 5 anéis” de Miyamoto Musashi, o grande samurai diz:

“Ataque com a espada, o corpo e a alma”.

Nada mais verdadeiro. É com a mente que vencemos ou perdemos as batalhas.

Nos trabalhos e projetos em que participo, motivo o time a ir além da técnica. Enxergar o todo, e entrar com o corpo e a alma. É necessário ter a técnica afiada, a espada afiada, mas nunca é só isso. Nunca é apenas um trabalho isolado, sempre há uma finalidade maior.

Fica a dica.