Como mentir com gráficos

Gráficos são uma forma importante de representar informação. Só que os dados nunca são só dados, sempre há uma narrativa que pode ou não ser reforçada.

Cinco dicas de “como mentir com gráficos” – ou melhor, como evitar ser enganado por números.

Os dados são os mesmos, só muda a forma de apresentar.

Para qualquer dos casos, o analista deve ter domínio do que está fazendo.

Outro fator importante é a transparência: disponibilizar as bases e critérios, a fim de que os mesmos possam ser auditados por parceiros.

Recomendações de livros interessantes:

Preparados para o risco – Gerd Gigerenzer. É um  nos ensina a questionar os números, e com isso, tomarmos boas decisões.

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Storytelling com dados: Como transmitir sua mensagem com dados.

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O jogo de Atari de Steve Jobs

Jogue aqui, direto no browser, o jogo de Atari do Steve Jobs.

https://elgoog.im/breakout/

Trata-se de um joguinho muito simples. Manipulamos uma espécie de raquete, que deve rebater a bolinha quicante, e eliminar todos os blocos acima.

Nada muito sotisficado, comparado aos dias de hoje. Porém, em 1974, era o supra sumo que a tecnologia nascente de computadores pessoais poderia oferecer.

Eu mesmo tive um Atari na década de 80, e era a melhor coisa do mundo.

Em 1974, Steve Jobs tinha 19 anos. Um dia, ele apareceu na sede da Atari, em Los Gatos, California, e disse que não sairia dali até ser contratado.

Alguns trechos, retirados das referências abaixo:

“Temos um garoto no saguão. Ele tem alguma coisa ou é maluco.”

Jobs, na época, vivia numa dieta vegetariana estranha, e não tomava banho, porque acreditava que a dieta o manteria puro, livre de odores.

“Ele era um garoto realmente nojento”, Alcorn disse certa vez ao historiador de videogames Steven Kent. “Acho que disse: ‘Devíamos chamar a polícia ou falar com ele.’ Então eu conversei com ele.”

O garoto Steve acabou contratado pela Atari. Um de seus trabalhos foi simplificar o circuito do jogo Breakout, citado acima. Explico. Na época, o console do Atari era metade do videogame. A outra metade eram os cartuchos, que deveriam ser comprados e plugados ao console para jogar. E os cartuchos tinham verdadeiros circuitos ali dentro, era hardware. Simplificar a configuração do circuito mantendo a jogabilidade significaria menos custo variável para o mesmo preço final.

Steve topou o desafio. A questão é que ele não manjava tanto assim de eletrônica – aí ele fez o que o futuro Steve Jobs fazia de melhor: terceirizar a tarefa para quem manjasse de verdade, no caso, o amigo Steve Wozniac, 5 anos mais velho e engenheiro da HP na época.

“Jobs nunca fez um pouquinho de engenharia em sua vida e ele me derrotou”, disse Alcorn mais tarde. “Demorou anos até eu descobrir que ele estava fazendo Woz ‘entrar pela porta dos fundos’ e fazer todo o trabalho enquanto ele recebia o crédito.”

Jobs sempre foi fascinado pela simplicidade dos jogos de Atari. Era um joystick e um botão apenas, o jogo vinha sem manual de instrução algum – era tudo muito intuitivo. Fico imaginando o quanto essas experiências anteriores o inspiraram a criar o iPhone, com um único botão e autoexplicativo, décadas mais tarde.

No tempo livre, Jobs e Woz começaram a projetar o Apple I. Depois, o Apple II foi oferecido inclusive à própria Atari – que recusou. Imagine como o mundo poderia ser diferente, se a Atari tivesse aceitado!

Veja também:
https://observatoriodegames.uol.com.br/destaque/tbt-gamer-como-foi-a-vida-de-steve-jobs-trabalhando-na-atari

O instinto da fé

Alguns highlights sobre o livro “The Faith Instinct”, de Nicholas Wade.

O ponto principal do autor é que religiões representam uma vantagem evolutiva para a espécie humana – não pensando como indivíduo, mas pensando como grupo.

Há traços de religião desde 50 mil anos atrás, mostrando que o instinto da fé está desde então embutido no cérebro do ser humano.

Algumas vantagens: esperança em tempos difíceis, possibilidade de vitória mesmo sendo um oprimido (afinal, o último na Terra será o primeiro no paraíso), círculos mútuos de confiança, atividade comuns como dança.

A religião ajudou na seleção natural? Se não fosse importante, teria sido eliminada, entretanto todas as nações do mundo têm religião de alguma forma. E se isso acontece, é porque há benefícios para a sociedade.

É similiar à linguagem. Todos os povos do mundo têm linguagem. Cada uma evoluiu de forma diferente, porém, há predisposição mental do ser humano para ser capaz de se comunicar através de linguagem (ao contrário de leitura e escrita, ou matemática, que devem ser aprendidos por um longo tempo na escola). Tanto a linguagem quanto a religião só fazem sentido em um contexto social, em grupos.

Há maior coesão em grupos com religião comum. O indivíduo tem uma razão a mais para lutar pelo grupo. Há um paradoxo: o indivíduo perder a vida e a oportunidade de passar os genes adiante – porém, existe a teoria de que passar os genes de semelhantes do seu grupo é tão importante quanto.

Ao invés de seleção natural, pensar em seleção de grupos.

Em contextos de guerras, colheita ou obras, é necessária uma enorme uma coesão social para coordenar esforços e dividir recompensas. A religião pode ajudar a aumentar a coesão, a superar medo da morte e da insegurança em geral.

Não sabemos exatamente como decisões morais são tomadas. Não dá para mudar opinião da pessoa através de raciocínio puro.

Danos ao cérebro podem fazer pessoas agirem com menos moral. Ex. Chocolate em forma de cocô vai ser repugnante para muitos, exceto pessoas com distúrbio em uma determinada região do cérebro – o que mostra que há alguns gostos pré-programados.

Charles Darwin, junto à teoria da evolução das espécies, também especulou sobre teoria moral. Juntos, animais conseguem combater ameaças maiores. Porém, os membros do grupo não devem atritar entre si. O seguidor deve ter naturalmente um grau de submissão ao líder. Há uma hierarquia de poder – há posição social até em macacos. Há também troca de informação constante – pessoas em vilarejos fofocam sem parar.

Por que existem rituais exigentes em religiões? Para seguir a religião, há a necessidade de fazer sinais custoso em termos de tempo e sacrifício. Um dos objetivos é evitar aproveitadores, que só querem tirar vantagem sem contribuir. Outra, é estimular quem já está no grupo. Deve ser sinalização difícil de falsificar, ir para Meca, vestir indumentárias desconfortáveis. Existe um grau ótimo de exigência x benefícios.

A música também é um fator presente em todas as culturas, promove coesão e sincronia entre pessoas.
Até o Talebã, que baniu boa parte das religiões, permite cânticos musicais.

Também existe um link entre música e capacidade de atração sexual – desde o passarinho cantando até o rock star dos nossos tempos.

Religiões envolvem música, dança, linguagem.

Será que o autor está certo? Outra possibilidade é a diametralmente oposta: a religião é sub-produto da evolução, com pouco efeito no resultado final.

Seja como for, a religião é parte constante da humanidade, desde a idade das pedras até os dias de hoje!

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Agradeço ao amigo Cláudio Ortolan por emprestar o livro.

Veja também:

Contos de Esopo sobre cabeça nas estrelas, especialistas e trabalho

1) Um astrônomo era fascinado pelas estrelas, e vivia mirando o céu. Um dia, estava tão absorto em sua busca, que tropeçou e caiu num poço profundo. Ele ficou três dias pedindo socorro até ser resgatado.

Moral da história: Cabeça nas estrelas, pés no chão.

2) Um grande ilusionista fingia ter um porco debaixo de um pano. Ele grunhia e mexia o pano, imitando um porco. Será que havia mesmo um animal ali? No final da apresentação, ele mostrava que não havia nada debaixo do pano, e saía aplaudido.

Um matuto, vendo aquilo, resolveu imitar o grande ilusionista. No show seguinte, após a apresentação do mesmo, ele subiu ao palco para mostrar a mesma peça e se comparar ao mágico. Porém, desde o início, as suas roupas de caipira provocaram desprezo da plateia. Ele também fingia ter um porco debaixo de um pano, e ao apertar o pano, saía um grunhido.

  • Que peça horrível. Imitação péssima. O grunhido do mágico de verdade foi muito mais real – comentava a multidão.

Daí, ao levantar o pano, o caipira mostrou a realidade: havia um porco de verdade ali, responsável pelos grunhidos!

Moral da história 1: Há especialistas que nada entendem.

Moral da história 2: A narrativa é mais importante do que a realidade.

3) Um homem preguiçoso orava ao deus Hércules, todas as manhãs, pedindo bens e dinheiro. No resto do dia, ele nada mais fazia a não ser ficar parado, dormindo. Numa dessas, o deus Hércules apareceu em seu sonho.

O homem aproveitou para perguntar:

  • Hércules? Vai finalmente me ajudar?

Ao qual o deus respondeu:

  • Eu não consigo ajudar a quem não se ajuda.

Moral da história: Deus ajuda quem cedo madruga.

4) Um sapo muito metido se achava o maioria em tudo o que fazia. Um sapinho adolescente o desafiou a inflar e ficar maior do que os animais que passassem por ali. O sapão aceitou o desafio, e inflou mais do que qualquer outro sapo que apareceu. Porém, um boi foi beber água no rio. O sapo, então, inflou, inflou o máximo que pôde, mas ainda assim era muito menor que o boi. Insistindo, ele inflou, inflou mais ainda, até que, enfim, explodiu para todos os lados…

Moral da história: não tente ser maior do que os outros, seja você mesmo.

Trilha sonora: La vie en rose – Louis Armstrong
https://www.youtube.com/watch?v=8IJzYAda1wA

Veja também:

Recomendação de livro: Hacking Digital

Quando falamos de transformação digital, 99% dos livros atuais focam na parte técnica. Este livro é diferente, é voltado à implementação numa grande empresa. Há uma diferença enorme entre fazer uma prova de conceito funcionar e convencer a empresa a mudar processos e sistemas para adotá-la em escala!

Estamos chegando numa era em que o conhecimento técnico está dominado. Não faltam boas e novas ideias. Os especialistas estão se formando em universidades e cursos complementares (embora ainda em número insuficiente). Agora o gargalo está sendo colocar em prática, integrar e escalar de forma coerente essas soluções inúmeras.

Este é um guia pragmático, vindo de gente que realmente tem know-how sobre o tema.

Alguns highlights:

  • Em 2023, gastos com transformação digital chegarão a US$ 2,3 tri.
  • A transformação digital é difícil. Apesar do que podem pregar alguns consultores, não é fácil. Acreditem.
  • 87% dos programas de transformação digital falham em atingir as expectativas originais!

Dá para dividir a transformação em três fases: Iniciação, Execução e Ancoragem.

  • A Iniciação envolve construir uma fundação sólida: criar momentum, estabelecer objetivos e entender o panorama da empresa.
  • A Execução responde por 70% do esforço, e envolve construir (portfólio balanceado, governança) e integrar esforços digitais com outras áreas (operações, TI, RH).
  • A última fase, de ancoragem, representa os 20% finais, e é a fase de embutir os sistemas digitais no processo, de modo que o digital se incorpore no negócio.

Sobre patrocínio, governança e TI tradicional

  • A duração média de um Chief Digital Officer é de 2,5 anos.
  • Evite objetivos complicados demais.
  • Alinhe com a direção da empresa para a transformação digital.
  • A governança é chave para o sucesso da transformação. Há prós e contras em ter times separados x integrados ao restante da organização – na prática, é sempre um modelo híbrido que depende do contexto. Seja claro em responsabilidades e tenha boas métricas.
  • Como fazer Digital e TI trabalharem juntos? A TI tradicional e a área de mudanças digitais geralmente têm conflitos relacionais. A TI tradicional cuida do legado, do que está rodando, segurança, garantia de estabilidade e qualidade. Já soluções digitais têm foco em velocidade, experimentação, desenvolvimentos novos e centrados em dados e analytics.

Sobre portfólio e áreas internas e externas

  • O portfólio de trabalhos deve ser balanceado, em termos de riscos, horizontes de tempo, habilidades necessárias e complexidade.
  • Internamente, é importante despertar a consciência digital, desenvolver skills e também criar urgência nas soluções digitais. Aumentar o QI digital e desenvolver as habilidades analíticas necessárias para o negócio são o desafio chave da transformação.
  • Externamente, focos citados são parceiros e ecossistemas, além de cuidados em questões sociais e ambientais.

Diversos dos pontos citados são mais fáceis de apontar do que fazer de fato – por isso a necessidade de alinhamento com lideranças, consciência digital e o alto esforço na execução (70%).

Quando a transformação digital virar o negócio como usual, você terá chegado lá.

Por fim, a transformação digital não é um projeto, mas sim, uma longa jornada. E uma longa jornada começa no primeiro passo, como já dizia um velho provérbio chinês.

Agradeço ao amigo Octaciano Neto pelo livro.

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Hacking Digital, por Michael Wade e outros profissionais do International Institute for Management Development (IMD).

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Um zoom out para ver mais longe

Um dos pensadores que mais admiro é Will Durant, autor de uma série de livros sobre a história da humanidade.

Num desses, ele dá um “zoom out” na história, e comenta que “imortais” não são imortais. Os clássicos da humanidade, digamos Shakespeare, podem parecer imortais na cabeça de nossa sociedade, mas essas obras têm apenas algumas centenas de anos. Uma Ilíada de Homero, uns poucos milhares, o que é quase nada perto da evolução do ser humano até os dias de hoje (uns 400 mil anos), e um traço desprezível perto da história do planeta – os dinossauros foram extintos há 300 milhões de anos atrás, e antes disso reinaram na Terra por 100 milhões de anos, só para efeito de comparação.

É como se Durant desse um zoom out no Google Maps, lembrando o quão pequena é a nossa escala: enquanto estamos olhando para as ruas, ele olha para os países e continentes.

Algumas ponderações.

  • O Ocidente tem a tendência de ser imediatista, valorizar o que é jovem e traz resultado agora. Mais interessante é a visão de países orientais, como o Japão e a China, que olham para o longo prazo.
  • Existe algo mais curto prazista do que o Ebitda trimestral? Ficar cobrando resultados trimestrais causa distorções estruturais, já que é sempre mais importante mostrar o resultado agora do que arrumar definitivamente algum problema. No Oriente, é o oposto, o pensamento é em termos de gerações, como se fôssemos apenas uma etapa: o bastão está conosco, mas será entregue para outros em futuro próximo;
  • 35 destaques menores do que 35. Vira e mexe, alguma revista tem um jovenzinho numa capa como essa, valorizando conquistas meteóricas e possivelmente efêmeras. Como diria o autor Austin Kleon, prefiro uma lista de 80 destaques acima de 80 anos;
  • Numa empresa, cargos vão e vêm, são ilusões. O que interessa, no final do dia, é a capacidade real de gerar valor. Um habilidoso funcionário vai ter facilidade de se recolocar bem em outro lugar e performar com excelência, independente de cargo nominal;
  • Podemos controlar o processo, mas não o resultado. Sun Tzu: A invencibilidade está na defesa; a possibilidade de vitória, no ataque. Ou, como diz a sabedoria popular, o ataque ganha um jogo, mas a defesa ganha o campeonato;
  • CEO do ano: as revistas adoram eleger super-heróis, mas esses não existem. Por trás da figura da capa, há uma série enorme de profissionais invisíveis, que realmente fazem um organismo complexo como uma empresa ou um governo funcionarem;
  • Motivação x Disciplina. A motivação dura pouco tempo. É só a ignição. Para obter resultados sustentáveis, é necessário transformar a motivação em rotina, e criar disciplina para perseguir o objetivo. O estudo deve ser constante, a dieta não deve deslizar, o treino às 5 da manhã não pode durar apenas uma semana.

Os juros compostos vão fazer toda a diferença no final. Seja a tartaruga do conto de Esopo.

Olhe para o global, para o longo prazo. Dê um zoom out em sua vida.

Veja também:

Os efeitos gênesis e apocalipse dos modelos de otimização

 
Quando falamos que encontramos a “solução ótima”, esta é com aspas mesmo: todo modelo é necessariamente uma simplificação do mundo real, extremamente complexo e cheio de efeitos de segunda e terceira ordem.
 
O “efeito gênese” ocorre no início, quando as variáveis ainda não estão “a todo vapor”. É a fase de aquecimento, transitória, e o modelo ainda é jovem demais para aproveitar.
 
Já o “efeito apocalipse” ocorre no final. Como o mundo do modelo acaba com o fim da simulação, ele tende a otimizar tudo: para de produzir, consome todo o estoque, curte a vida adoidado.
 
Nem todos trabalhos sofrem com esses efeitos, obviamente depende do caso. São mais frequentes principalmente nos que envolvem o tempo.


 
Para contrabalancear. No caso da gênese, começar com variáveis iniciais próximas ao estável – ou deixar rodar por alguns períodos e desprezar esse começo. No caso do apocalipse, a mesma coisa: ter restrições contrabalanceando o mínimo de variáveis, e/ou deixar ele rodando por um tempo e desprezar os períodos finais.
 
Quando a gente constrói um modelo e manda otimizar, ele otimiza mesmo, e encontra furos que não fazem sentido na vida real. Boa parte do trabalho é ficar fechando esses furos lógicos.
 
Fica a dica.

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Adendo à lei da Osmose: cole em quem manja!

Um dos critérios para um aluno escolher o professor que vai orientar a conclusão de curso é se o mesmo é “tranquilo” ou não.

Quando eu fazia mestrado, fiz exatamente o contrário: procurei escolher os professores mais difíceis possíveis, dentro da área que me interessava! (E isso porque eu trabalhava full time e fazia o mestrado ao mesmo tempo). Como diria Ray Dalio, “Não baixe a régua”.

Comentei em post anterior, a “Lei da Osmose”. Aprender por osmose, no sentido de aprender junto a alguém que manja de verdade, é uma das melhores formas de aprendizado. Há uma quantidade enorme de informação que não pode ser codificada em livros, só em comportamento na vida real.

Conforme comentado, também não é tão fácil assim: é necessário encontrar tais pessoas e fazer com que elas aceitem dividir parte de seu tempo (e pessoas assim sempre têm tempo escasso).

Fica a dica.

O Mulá Nasrudin sobre gerações futuras e diplomas de Harvard

As histórias do Mulá Nasrudin são divertidas, mas ao mesmo tempo fazem a gente pensar. Seguem mais algumas.

Essa geração está perdida

Um transeunte, numa conversa com o Mulá Nasrudin, discorria:

  • A geração atual é realmente muito ruim, nem se compara à geração anterior. Eles são mimados, molengas e se comportam de forma pior do que há tempos atrás.

Da qual, Nasrudin respondeu:

  • É claro. Os jovens da geração anterior éramos nós!

(Uma boa dica para os casados)

Nasrudin estava lendo cópias de cartas antigas à esposa.

Um amigo passou e perguntou:

  • Você faz isso para evitar se repetir?

Nasrudin respondeu:

  • Na verdade, não. Faço isso para evitar me contradizer!

Preocupações

O barbeiro perguntou a Nasrudin, “Como você perdeu o seu cabelo?”

“Preocupação”, respondeu o Mulá.

“Preocupação com o que, exatamente?”, perguntou o barbeiro.

“Em perder o cabelo”, respondeu Nasrudin.

A fileira perdida

Após o intervalo na apresentação do teatro, o Mulá Nasrudin e sua esposa estavam voltando aos seus lugares.

“Eu pisei no seu pé quando estávamos saindo?”, o Mulá perguntou a um homem no início da fileira.

“Certamente sim”, respondeu o mesmo, esperando um pedido de desculpas.

Nasrudin virou para a esposa: “Querida, a nossa fileira é essa mesmo”.

O doutor e seus diplomas

Quando jovem, o Mulá Nasrudin trabalhava atravessando pessoas por um rio, com o seu pequeno e velho bote.

Um dia, um homem de alta classe apareceu para ser transportado. Conversa vai, conversa vem, e o aristocrata soltou o seguinte comentário:

  • Tenho doutorado no MIT e especialização em Harvard. Sei falar 5 línguas e já viajei por todos os continentes. Tenho um emprego público vitalício. Se quiser ser alguém na vida, estude, garoto. O que você sabe fazer?
  • Você sabe nadar, doutô? – retrucou Nasrudin.
  • Não, nunca aprendi. Por quê?
  • Porque este bote velho está furado, e vai afundar daqui a pouco. Já vou indo, tchau!

Veja também:

Três dicas de “Mostre o seu trabalho”

“Mostre o seu trabalho”, de Austin Kleon, é um livro pequeno e cheio de bons insights (assim como outros trabalhos do autor, como “Roube como um artista”).

Seguem apenas três dicas, retiradas aleatoriamente.

  • Faça mais trabalhos para você. Não ligue para quem diga que você é um “vendido” por ter ambição. Seja ambicioso. Mantenha-se ocupado. Pensei maior. Expanda o seu público.
  • Passe adiante. Ajude quem o ajudou. Seja tão generoso quanto o possível, mas egoísta o suficiente para fazer o seu trabalho.
  • Não pare. Apenas continue. Você tem que jogar até os 45 do segundo tempo e os acréscimos.

Este é um livrinho que gosto de ter à mão, para inspiração ocasional.

“Não fazemos filmes para ganhar dinheiro, nós ganhamos dinheiro para fazer mais filmes” – Walt Disney

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O melhor do mundo tira nota zero em quase tudo

Especialista x generalista?

É uma discussão eterna, e que não tem resposta certa. Vai depender do contexto, momento, pessoas.

Indo pelos extremos:
É impossível ser especialista em tudo. Nosso tempo é finito, e o tempo gasto para especialização em algo significa menos tempo para qualquer outro assunto. Aprender a consertar um carro é muito diferente de estudar biologia, por exemplo.

É a Lei do Sacrifício, de Al Ries e Jack Trout. Para obter algo, temos que abrir mão de outro algo. Mesmo tendo habilidades inatas para dois temas, o gargalo será o tempo.

E também é inútil ser generalista em tudo sem saber nada em profundidade. Alguém que sabe um pouco de tudo de forma rasa, SEMPRE vai perder para quem tem um foco estreito. O hobbista que conserta carros no fim de semana não vai competir com mecânico especialista em motores, por exemplo, quando o problema for o motor.

Uma forma de pensar, no meio do caminho, é uma pirâmide com base larga e pico estreito.

Assumir que pouco ou nada sabemos sobre quase tudo, o que seria equivalente a tirar nota zero em uns 60% dos assuntos do cotidiano.

Tirar uma nota suficiente para passar em uns 30% de outros assuntos, daqueles que têm uma relação próxima do que é útil para o nosso bem viver.

Ser extremamente especialista em 9,99% no tema que melhor dominamos. Conhecer mais, ser apaixonado pelo tema e tudo o que diz respeito a isso, etc.

E ser um dos melhores do mundo em 0,01%. Perseguir o tema febrilmente, participar de conferências, dar aulas, etc.

Isso porque o melhor do mundo sempre vai vencer o sabe-tudo que sabe-nada.

A Deusa da Fortuna pode ou não sorrir para esses melhores do mundo, isso está fora do alcance de todos nós. Porém, a Deusa da Fortuna nunca vai sorrir para o sabe-tudo.

Veja também:

O quebra-cabeças incompleto do ser humano

O ser humano é como um quebra-cabeças incompleto, que busca no mundo peças para encaixar nos lugares vazios.

O problema é que é um quebra-cabeças infinito: quanto mais peças completamos, mais bordas incompletas surgem, pedindo mais peças.

O negócio é ir em frente, assim mesmo, incompletos e imperfeitos como somos.

Veja também:
https://ideiasesquecidas.com/