Oportunidades

Um poeminha para estes tempos tão difíceis. Foi escrito por Berton Braley, poeta norte-americano do início do século passado.

Oportunidades

Você que está com dúvidas e hesitações,

Acha que não há nenhuma chance para você, filho?

Os melhores livros ainda não foram escritos

A melhor corrida ainda não foi disputada,

A melhor trilha sonora ainda não foi criada,

A melhor música ainda não foi tocada,

Anime-se, pois o mundo é jovem!


 
Sem chance? Por que o mundo está ansioso

Por coisas que você deve criar.

A reserva de riqueza verdadeira ainda é escassa,

As necessidades são incessantes e enormes,

O mundo anseia por mais poder e beleza,

Mais riso e amor e romance,

Mais lealdade, trabalho e dever.

Sem oportunidades? Não há nada além de oportunidades!
 

Pois o melhor verso ainda não foi rimado,

A melhor casa ainda não foi planejada,

O pico mais alto ainda não foi escalado,

Os rios mais poderosos não foram atravessados.

Não se preocupe, meu caro,

As oportunidades estão apenas começando.

As melhores ocupações estão por vir,

O melhor trabalho ainda não foi feito.

Tradução livre do original: https://www.poemhunter.com/poem/opportunity-43/

A sabedoria do mulá Nasrudin

O mulá Nasrudin é um personagem de anedotas populares da região do Oriente Médio. Em geral, são contos engraçados e provocativos. Abaixo, alguns dos contos que mais gosto.

Dando um preço ao imperador

Um dia, o novo conquistador da cidade perguntou ao mulá Nasrudin:

Se eu fosse um escravo, por quanto você me venderia?

  • Eu te venderia por R$ 500,00.
  • Espere um pouco – disse o homem furioso – só as roupas que estou vestindo já custam mais de R$ 500,00!
  • Sim, e foi isso que eu levei em conta!

A inteligência depende do contexto

Um dia, o mulá Nasrudin estava a trabalhar de barqueiro, atravessando as pessoas no rio. Entrou um doutor bastante famoso, que o repreendeu por ter errado a concordância gramatical de uma frase.

  • Desculpe-me pelo erro, é que não tive a chance de estudar.
  • Estudar é bom. Eu fiz duas graduações, sou mestre e doutor em Economia, com pós-doc no MIT e em Oxford.
  • E você sabe nadar?
  • Não, por que?
  • Porque tem um furo no barco, e ele vai afundar daqui a pouco…

A falácia do custo perdido

O mulá Nasrudin estava sentado numa praça, comendo pimentas e chorando. Um amigo perguntou a razão.

  • Eu comprei esse saco de pimentas, achando que fosse amendoim.
  • E por que você não joga fora o saco?
  • Porque custou muito caro!

Especialistas para todos os lados

O mulá Nasrudin estava a construir uma casa.

Todos os amigos que o visitavam davam um pitaco: a sala deve ser maior, a janela do quarto deve dar para o norte, o teto está muito baixo, e assim sucessivamente.

Quando a casa ficou pronta, não parecia uma casa nova. Estava assimétrica, parecia uma série de puxadinhos sem harmonia.

Nasrudin, o que você fez? – perguntaram os amigos.

Ora, respondeu o mulá, eu apenas segui todos os seus conselhos!

Questão de ponto de vista

Um homem queria atravessar um rio, e viu o mulá Nasrudin na outra margem. Ele gritou:

  • Ei, amigo, como faço para chegar do outro lado do rio?
  • Você já está do outro lado, respondeu Nasrudin.

O pote

Um dia, o mulá Nasrudin pediu um pote emprestado a um amigo. Depois de um tempo, ele devolveu o pote juntamente com um pote pequeno.

  • O que é isto?, perguntou o amigo.
  • O seu pote procriou, respondeu Nasrudin.

Em outra ocasião, o mulá Nasrudin pediu novamente o pote emprestado.

Depois de um tempo, o amigo pediu o pote de volta.

  • Não dá, o seu pote morreu, disse Nasrudin.
  • Como assim? Como um pote pode morrer?
  • Ora, se você acreditou que um pote pode procriar, deve acreditar que pote pode morrer também!

A sopa da sopa da sopa

Um dia, o mulá Nasrudin recebeu a visita de um conhecido, que lhe trouxe um ganso. O mulá fez uma sopa com a ave, e compartilharam o jantar.

No dia seguinte, um parente do conhecido bateu à porta de Nasrudin, querendo partilhar da sopa (mas sem trazer nada).

E, assim sucessivamente, vieram os amigos dos parentes do conhecido original, querendo um pouco da sopa (e sem trazer ingredientes novos):

Olá, eu sou o amigo do amigo do amigo do amigo do parente do conhecido que lhe trouxe o ganso.

Nasrudin prontamente o convidou para jantar, e após um tempo, trouxe uma tigela de água quente.


O que é isso? – perguntou a visita.
É o que sobrou da sopa da sopa da sopa da sopa da sopa da sopa do seu amigo do amigo do amigo do amigo do parente do conhecido que me trouxe o ganso!

Alguns links:

http://www.nasrudin.com.br/classicas-de-nasrudin.htm

https://ideiasesquecidas.com/2019/05/05/e-depois/

https://ideiasesquecidas.com/2019/01/16/resposta-ao-enigma-na-teoria-da-evolucao/

Percepção x Dados

Um pequeno teste: há algo de errado com as fotos do Obama, de cabeça para baixo?

E virando a foto?

E agora, com a Mona Lisa?

(Vire o monitor, este não é gif animado).

Não vemos nada de errado nas imagens de cabeça para baixo porque a visão ocorre no cérebro, não nos olhos.

É como se os olhos captassem uma imagem, e esta fosse reconstituída no cérebro, interpolando as partes faltantes, complementando com a interpretação do contexto.

No mundo cotidiano, não vemos muitas pessoas de cabeça para baixo. Por isso, não somos especialistas em decifrar imagens deste tipo.

É neste tipo de situação que computadores, com dados frios e brutos, podem performar melhor que os seres humanos.

Ideias não movem montanhas

“As ideias não movem montanhas. Escavadeiras, sim. As ideias orientam ondem as escavadeiras devem ir e o que devem fazer” – dizia o grande Peter Drucker.

Lembrei da excelente frase acima. Esta semana, estou mudando de apartamento. Não estou acostumado a trabalhos físicos. Meia hora carregando caixas e já estou exausto, pedindo água.

Uma mudança não tem muita teoria, e sim, muita prática. Retirar as coisas dos armários, limpar, colocar em malas e caixas, transportar, desempacotar e arrumar no novo local. Não tem otimização, não tem Analytics nem modelos avançados, é muita força física mesmo.

No mundo, ir para a prática sem teoria é ruim, porque certamente haverá desperdício de esforço físico – e tempo e dinheiro para consertar os erros. Porém, teoria demais sem prática também é ruim, porque é impossível fazer acontecer algo só com ideias, sem bulldozers; só inspiração, sem transpiração; só com modelos, sem execução.

Qual seria uma boa proporção?

Numa obra de engenharia, o custo com projetos e planejamento é de uns 5% a 10% dos custos totais, normalmente.

Outra analogia é com o cérebro. O cérebro de um humano adulto consome uns 20% da energia total do corpo. Teria que descontar daí as funções básicas para manter o corpo humano (ex. regular temperatura, enxergar, controlar movimentos), porque não são exatamente funções de planejamento. Não tenho muita ideia de quanto isso exige, mas sei que um Albert Einstein não precisava comer muito mais do que uma pessoa comum. Se fazer cálculos complexos e viajar aos confins do espaço-tempo necessitasse de grande energia química, Einstein teria que comer como o nadador recordista olímpico Michael Phelps (3 sanduíches, omelete com 5 ovos, cereais, torradas e 3 panquecas, só no café da manhã!).

Baseado nas informações acima, sem ciência alguma e dando um chutão, eu diria que o cérebro também consome em torno de 5% a 10% da energia de uma pessoa em funções de teoria e planejamento, e o resto em execução (manter-se vivo).

E agora, permita-me voltar a carregar as caixas!

https://www.brainfacts.org/brain-anatomy-and-function/anatomy/2019/how-much-energy-does-the-brain-use-020119

http://globoesporte.globo.com/Esportes/Pequim2008/Noticias/0,,MUL723450-16072,00-MICHAEL+PHELPS+E+SUA+ABSURDA+DIETA+DE+CALORIAS+DIARIAS.html

Quarteirão com queijo

Quando adolescente, sempre quis saber o significado do sanduíche “Quarteirão com queijo”. Quarteirão? Um quarteirão de rua? Seria por ser um lanche grande? Mas nem é tão grande assim, o quarteirão é menor que o Big Mac…

Não lembro em que circunstâncias descobri o termo “quarter pound” para um sanduíche americano, mas aí sim faz sentido. 1 Pound = meio quilo, mais ou menos. Um quarto de meio quilo dá 125 g, que é o peso de um hambúrguer no sanduíche.

Pensando bem, até que “Quarteirão com queijo” não é um nome tão ruim assim.

O curioso é que tem uma piadinha no clássico filme “Pulp Fiction”. O Samuel Jackson diz para o John Travolta: “Sabe por que não tem o quarter pound na França? É porque lá eles usam o sistema métrico!”.

Só que os gringos do Pulp Fiction não contavam com a astúcia dos brasileiros, que transformaram um quarto de libra em um quarteirão com queijo!

VINCENT
Alright, well you can walk into a movie theatre in Amsterdam and buy a beer.
And I don’t mean in a paper cup. I’m talkin’ ‘bout a glass of beer. And in
Paris, you can buy a beer at MacDonald’s. You know what they call a Quarter
Pounder with Cheese in Paris?
JULES
They don’t call it a Quarter Pounder with Cheese?
VINCENT
No, man, they got the metric system there, they wouldn’t know what the fuck
A Quarter Pounder is.
JULES
What’d they call it?
VINCENT
They call it Royale with Cheese.

Os princípios de Ray Dalio

Ray Dalio é um dos maiores investidores do mundo, é algo como o Steve Jobs das finanças.

Ele escreveu um livro com os Princípios que o guiaram para se tornar um investidor de sucesso, pelas métricas tradicionais, e, infinitamente mais importante, uma pessoa de sucesso pelas suas próprias métricas.

O link a seguir é de um mini resumo de 30 minutos, no formato de desenho animado, descrevendo de forma lúdicas os pontos principais do livro.

https://www.youtube.com/channel/UCqvaXJ1K3HheTPNjH-KpwXQ

“Quero que você tenha coragem para lutar e evoluir, para tornar a sua vida tão grande quanto ela pode ser”.

O mundo é regido pelos fracos

Como uma introdução ao pensamento do filósofo Friedrich Nietzsche, gosto desta aula do prof. Clóvis de Barros Filho.

Pinçando alguns comentários, mas claramente a aula é muito mais poderosa na forma, no conteúdo e no humor.

O mundo é regido pelos fracos, pelas forças reativas.

Deus é o universal saciador, aquele que recompensará todas as mazelas do mundo. Quanto pior aqui neste mundo, melhor no próximo.

“Mais fácil um camelo passar no buraco da agulha do que um rico entrar no céu” é um pensamento para aqueles que não se dão bem neste mundo – porque quem se dá bem não está nem aí com isso.

Como quase todo mundo se ferra, quase todo mundo se volta a este pensamento transcendental.

As pessoas sempre falaram em Deus, isto não é prova de que Deus existe, e sim que as pessoas sempre foram tristes.

Quem é forte no mundo da vida não precisa desta ajuda transcendental. Não a vida ascética de virgens no céu, mas a vida aqui, neste mundo.

Forte ativa é a que age, e reativa é a que se contrapõe à ativa.

Ex. O caso Sócrates. Sócrates é o baixinho, corcunda, feio, que fica criticando os sofistas.

A vitória é das forças reativas, porque há um número maior destes. A força ativa é o tesão, gigantes geniais, contra as forças reativas, um monte de “cagadinhos” – um exemplo da vitória deles é a democracia.