Recomendações de livros – Black Friday

Seguem algumas recomendações de livros que “garimpei” na promoção de Black Friday da Amazon. Aproveite, são só 48h com esses preços.

Ordem Mundial em Transformação – Ray Dalio

Sou grande fã de Ray Dalio, e estava monitorando o novo livro dele faz meses. Já tinha a versão audiobook (via Audible), mas nada melhor que a versão física em papel.

Preço promocional R$ 78,90. Pré Black-Friday mais barato era em torno de cento e pouco reais – sei disso porque quase comprei anteriormente.

Link da Amazon: https://amzn.to/3tHr6Aa

A arte de ter razão: 38 estratagemas

“Um pequeno manual de patifaria”, palavras do próprio autor, o filósofo alemão Arthur Schopenhauer. Gosto muito deste livro, e só não compro porque já tenho.

Apenas R$ 7,49

https://amzn.to/3hVwm0n

Cisne Negro – Nassim Taleb

Sendo muito fã de Taleb, também é uma recomendação de livro que gosto demais.

Preço promocional R$ 52,86
https://amzn.to/3UJruKq

Sapiens – Yuval Harari

Um dos autores mais impressionantes da atualidade, esse livro é um tour de force explicando nossas origens e ideias que nos caracterizam até hoje.


Preço promocional R$ 45,89
https://amzn.to/3GodpOg

Os mistérios matemáticos do Professor Stewart

Para fechar, um livro do divulgador da matemática Ian Stewart, cheio de mistérios e curiosidades desta bela ciência.

Preço promocional R$ 41,98

https://amzn.to/3gaLUgA

Recomendação: O fantástico mundo da Filosofia

Um passeio pela história da Filosofia, com o filósofo pré-socrático Heráclito como guia, e em quadrinhos!

Os principais temas do pensamento, como Lógica, Livre-Arbítrio, Deus e Ética são discutidos. Ao longo da jornada, Heráclito vai se encontrando com outros grandes nomes, como Platão, Aristóteles, David Hume, John Locke, Stuart Mill, Friedrich Nietzsche e tantos outros. Tudo isso, de um jeito leve e com muito humor.

A Filosofia é bela. Trabalha com ideias, que podem ou não afetar as nossas vidas, direta ou indiretamente. A filosofia é precursora da ciência – tudo o que chamamos hoje de química, física ou matemática, antes de tudo, foram ideias e especulações sonhadas por filósofos.

Temos ainda um tanto de questões abertas, e que possivelmente nunca serão respondidas.

“Cogito, ergo sum” – René Descartes.

Comprei a versão física, em promoção de Black Friday.

Link da Amazon: https://amzn.to/3EreeEp

Box Essencial da Estratégia

Divulgando um box que está em grande promoção (R$ 18,33, pelo menos para quem é membro Amazon Prime).

Box da estratégia, com:

  • O Príncipe, de Nicolau Maquiavel
  • O Livro dos Cinco Anéis, de Miyamoto Musashi
  • A Arte da Guerra, Sun Tzu

Link da Amazon: https://amzn.to/3BeX7mL

Todos esses já foram citados neste espaço. Vide:

Recomendação de livro: Personal MBA

Ou “O manual do CEO”, na versão em português, de Josh Kaufman.

O autor fez um trabalho espetacular ao condensar uma centena de livros diversos nesse manual. Ele tem uma capacidade excelente de ir direto ao ponto e amarrar numa estrutura coerente tópicos tão diversos. Não à toa, o livro é um best seller, tendo vendido quase 1 milhão de cópias.

É como se fosse um grande resumão, somente dos highlights e pontos que interessam, de temas que vão de finanças até estratégia, passando por marketing, negociação, desenvolvimento humano e diversos outros tópicos.

O livro já é um resumo, mas segue um resumo do resumo, que ficou bem legal:
https://medium.com/stefans-book-summaries/the-personal-mba-summarized-282619217a58

É claro que não dá para entrar profundidamente em cada um desses tópicos, então o livro serve mesmo como um grande apanhado geral, para dar uma ideia, relembrar conceitos de forma rápida e ter como guia de consulta.

Seguem alguns links:

O site do autor, com amostras do conteúdo e outras dicas.
https://personalmba.com

Reading list de Josh Kaufman
https://personalmba.com/best-business-books/

Manual do CEO
Link da Amazon: https://amzn.to/3L3QmbH

Veja também:

Produtividade em áudio

Como ler uma centena de livros e artigos por ano? Um método que faço, e sempre recomendo, é utilizando audiolivros. Ou podcasts, ou resumos, ou Ted Talks, há inúmeras opções disponíveis nos dias de hoje.

Algumas dicas / recomendações:

Algo que gosto de fazer é andar pelas ruas da cidade, ouvindo audiolivros. Isso porque alia duas coisas que gosto de fazer: andar em ritmo moderado e ler livros. Andar muito rápido ou correr é ruim nesse sentido, porque o foco passa a ser a parte física, e atrapalha a concentração no conteúdo.

Um bom serviço de audiolivros é o Audible, da Amazon, em inglês, mas há outras boas fontes também.
Link do app: https://amzn.to/3cMOHe6

Qual a velocidade ideal de reprodução? A resposta é que depende da velocidade que nossa mente está girando também. Se estou a mil por hora, dá para aumentar para 2x ou mais. Se é um assunto mais complicado, ou se já estou cansando, melhor diminuir a velocidade de reprodução. Não adianta se enganar, passando o conteúdo rápido demais sem aproveitar nada.

Temas muito complexos, com argumentos longos (digamos, a República de Platão), não ficam bons em áudio. Ou temas que envolvem fórmulas, como matemática e física. Nesses casos, é melhor pegar o livro mesmo, ou o livro + o áudio para dar cadência.

Outros serviços interessantes:

  • Resumo de livros: Blinklist, 12 Minutes, Instalivros e outras. Tem um link abaixo explicando este tema.
  • Plataformas de ensino, como Alura, EDX, Coursera, há várias opções que também contam com aplicativos de celular. Há conteúdos grátis, mas a grande maioria é paga.

A grande maioria dos serviços é em inglês. Ao invés de procurar conteúdo em português, eu acho muito mais válido aprender inglês. Isso é como um passe que desbloqueia o resto do mundo para nós.

É interessante às vezes utilizar recursos como text-to-speech e speech-to-text. É possível ouvir trechos em texto, e também ditar para o computador escrever, como se fosse uma secretária dos tempos antigos.

Por fim, uma última recomendação. Para realmente entender o conteúdo, nada melhor do que ir anotando os pontos principais, fazer um resumo e publicar o mesmo em um blog ou ensinar a alguém, além de testar essas ideias na prática. É o que faço, e muito do que há neste espaço é fruto desta técnica.

Veja também:

Napoleon Hill em 40 frases

Napoleon Hill é um escritor do início do século passado, porém, suas palavras continuam tão atuais quanto sempre foram.

A seguir, frases de seus livros “The Law of Success” e “Think and Grow Rich”, em (mais ou menos) 40 frases.

Mais ouro foi minerado do cérebro humano do que de todas as minas da Terra.

Tudo que a mente humana pode imaginar e acreditar, pode atingir.

Há sempre abundância de capital para aqueles que podem criar planos práticos de utilizá-lo.

Sempre haverá espaço no mundo para aqueles que produzem mais do que recebem. Produza mais do que recebe, e em breve você será pago mais do que produz.

Toda grande invenção começou na imaginação de uma pessoa.

Seja você quem for, onde estiver, qualquer seja sua ocupação, há espaço para você se tornar mais produtivo e agregar mais valor à sociedade, utilizando sua imaginação.

Você pode fazer se você acreditar que pode!

Qual o seu Propósito Principal Definitivo?

Não tema a oposição. Lembre-se de que a pipa do Sucesso sobe contra o vento da adversidade.

Desenvolva o seu próprio Master Mind (grupo de aliados com o mesmo objetivo, com habilidades complementares e em harmonia, na mesma frequência).

Não existe alguma coisa por nada. No longo prazo, você consegue exatamente o que você paga, seja comprando um automóvel ou um pedaço de pão.

Quando um homem deseja algo tão profundamente a ponto de trocar todo o futuro por um único número na roleta da vida, ele certamente vencerá.

Uma enciclopédia com todo o conhecimento do mundo é tão inútil quanto uma duna de areia, até ser organizada e expressa em termos de ação.

Tenha o hábito de tomar uma ação todos os dias, que vai te levar um passo a mais em direção ao seu Propósito Principal Definitivo.

Tudo que você construir deve ser baseado na Verdade e na Justiça.

A melhor compensação por fazer acontecer é a habilidade para fazer mais.

Qualquer um pode começar, porém somente os persistentes conseguem terminar.

Você é feliz se aprendeu a diferença entre derrota temporária e fracasso. A semente do sucesso está dormente em cada derrota temporária que você experimentar.

Você sempre pode ser a pessoa que você gostaria de ser.

O único homem que não comete erros é aquele que nada faz.

Você é um magneto humano e você está constantemente atraindo pessoas cujas personalidades harmonizem com sua própria.

Pense bem antes de falar, pois suas palavras podem plantar a semente do sucesso ou fracasso na cabeça de outra pessoa.

Desenvolva o hábito de tomar a iniciativa. Fale iniciativa, pense iniciativa, coma iniciativa, durma iniciativa e pratique iniciativa.

Todo dia é uma chance de prestar algum bom serviço.

Aqueles que trabalham apenas por dinheiro, e que recebem apenas dinheiro, serão sempre mal pagos, não importa a quantidade que recebem. Os maiores prêmios da vida não são medidos em dólares e centavos.

Comece hoje a agir e fazer o dia valer a pena. O ontem já foi, e o amanhã pode nunca chegar.

Se você tem um talento, use da melhor forma possível. Não desperdice isso.

Sonhe. Tenha grandes sonhos.

As grandes conquistas são resultado de grande sacrifício, e nunca resultado de egoísmo.

Entuasiasmo é uma força vital que você pode domesticar e utilizar.

Uma pessoa feliz é aquela que sonha com as conquistas ainda não atingidas.

Ninguém consegue expressar em palavras ou ações algo que não está em concordância com suas próprias crenças.

Reputação é o que outras pessoas acreditam ser, caráter é o que as pessoas são.

Ouse se destacar na multidão e seguir o seu caminho.

A sorte não é aleatória – é trabalho.

Quem sabe exatamente o que quer da vida já está a meio caminho de conseguir atingir.

“Sobrevivemos com o que ganhamos. Mas só temos uma vida pelo que doamos” – Winston Churchill

“Faça o que você ama e não terá que trabalhar o resto da vida” – Confúcio

Uma personalidade atraente usa a Imaginação e a Cooperação.

Separe fatos de convicções, e o que é importante do que não é importante.

Um grande líder é aquele que faz outras pessoas fazerem grandes coisas.

Uma pessoa decidida não consegue ser parada!

O Tempo é, no final, a única moeda real que temos.

“Somos feitos da matéria de nossos sonhos” – Príncipe Próspero, a Tempestade de Shakespeare

A Lei do Triunfo
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Pense e enriqueça
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Veja também:

Horse sense, procurando um cavalo para montar

Este é um livrinho dos anos 90, dos que mais gosto. Foi escrito por Al Ries e Jack Trout, dois gênios do marketing (também escreveram “As 22 Leis do Marketing” e “Marketing de Guerra”).

A ideia principal é que, além de ter habilidade, devemos também ter oportunidades, um cavalo a montar. Pode ser uma empresa, um sócio, um patrocínio, um cargo governamental. Ninguém consegue triunfar sozinho. Sempre precisamos de aliados.

Donald Trump teve diversos sucessos (e fracassos) em seus empreendimentos. O que ele pouco conta é que veio de família rica, e já no primeiro empreendimento, pegou um cheque de 50 milhões de dólares dos pais.

O melhor jóquei não é necessariamente o mais leve, esperto ou forte. Ele também precisa do melhor cavalo. É necessário aliar habilidade com oportunidades.

Quais as chances de sucesso, de diversos cavalos?

Os autores classificam em três grupos.

1) Estes têm menores chances.

Trabalho duro. 1 para 100
Inteligência. 1 para 75
Educação. 1 para 60
Empresa. 1 para 50

Trabalhar duro por trabalhar vai esgotar o seu tempo e sua força, sem necessariamente mudar alguma coisa de forma significativa. É necessário trabalhar de forma inteligente. Ganhar escala.

2) Chances médias

Criatividade. 1 para 25
Hobby. 1 para 20
Geografia (local onde está). 1 para 15
Visibilidade. 1 para 10

Trabalhos mais criativos e que possibilitem alguma visibilidade são melhores, mas tem outros mais interessantes ainda.

3) Maiores chances.
Produto. 1 para 5
Ideia. 1 para 4
Outra pessoa. 1 para 3
Parceria. 2 para 5
Esposa. 1 para 2
Família. 2 para 3

A seguir, Ries e Trout detalham alguns desses cavalos com mais chance de sucesso. Destaquei apenas dois, para exemplificar.

O cavalo empresa:

  • Seja early bird (que pega a onda de crescimento inicial da empresa)
  • Seja político. Ser um clone (ir de acordo com as normas sociais explícitas e implícitas), encontrar patrocinador e estar na lista do “fast track”.
  • Fazer exposição de trabalhos
  • Be a hero (estar junto a produtos bem-sucedidos e com visibilidade)

O cavalo da Ideia:

  • É algo pioneiro?
  • É corajoso?
  • É óbvio? (se for algo óbvio que poucos tenham feito, é bom)
  • É simples?
  • Está no momento certo?

Portanto, estude muito, trabalhe muito, pratique muito. E procure um bom cavalo para montar.

Infelizmente, o livro está esgotado. Para saber mais, somente procurando sobre comentários na internet.

Veja também:

Veja também, um podcast do Roberto Shiniashiki, falando sobre o Horse Sense.

https://podcasts.google.com/feed/aHR0cHM6Ly9hbmNob3IuZm0vcy9jNGEzZDFjL3BvZGNhc3QvcnNz/episode/MWRjZThiZjAtNmRlMS00YTQ1LTkzY2QtZjc4ZDdiNzI4Nzc4?ep=14

Algumas boas ofertas do Amazon Book Friday

O Amazon Book Friday 2022 vai do dia 18/08 ao dia 22/08, com ofertas em livros diversos.

Seguem algumas recomendações.

Box George Orwell, com três livros (A Revolução dos Bichos, 1984 e Dentro da baleia).

https://amzn.to/3QTGmDF

Rápido e Devagar, de Daniel Kahneman

https://amzn.to/3c3UD1M

Armas, germes e aço, de Jared Diamond

https://amzn.to/3QDfxUu

Roube como um artista, de Austin Kleon

https://amzn.to/3dHLL2s

Por fim, Storytelling com dados, de Cole Knaflic


https://amzn.to/3dFRWUC

Todos os livros acima são excelentes, e já comentei de boa parte deles neste espaço.

Boa leitura!

Veja também:

Better Call Saul

De todas as séries e filmes que assisti nos últimos 10 anos, Better Call Saul, que chegou ao último capítulo ontem, é a minha favorita.

É uma série artisticamente bonita e repleta de tramas extremamente bem amarradas. Detalhes que podem parecem insignificantes, como uma tampa de uma garrafa de tequila caindo de um caminhão, na verdade carregam toda uma simbologia de ascensão e queda, por exemplo. Não é como as séries normais, que facilmente contém inconsistências internas ou erros grosseiros de continuidade.

Eu considero Better Call Saul melhor do que a predecessora, Breaking Bad.

Isso sem contar atuações impecáveis de Bob Odenkirk (Saul Goodman), Rhea Seehorn (Kim Wexler) e conhecidos da era Breaking Bad, como Giancarlo Esposito (Gustavo Fring) e Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks).

Uma crítica comum é que a série é lenta demais. Podiam passar capítulos em que praticamente nada acontecia. Isso é verdade, é necessária uma certa paciência para extrair o melhor da jornada de Jimmy McGill a Saul Goodman. Para mim, pelo contrário, essa era uma das vantagens de Better Call Saul. Cada capítulo era como um jogo de xadrez, movendo peças uma a uma, de forma consistente, até chegar finalmente ao clímax, capítulos depois. Além do que uma série boa de verdade não precisa de duas reviravoltas forçadas a cada capítulo.

De qualquer forma, agradeço aos criadores e atores por essa história incrível, da qual desfrutei de cada minuto, e recomendo fortemente para quem quiser assistir uma boa série.

Winston Churchill, o homem que mudou o mundo 

Adolf Hitler quase venceu a Segunda Guerra Mundial. Em 1940, a Alemanha tinha invadido a Polônia, Bélgica, Holanda. A França tinha caído, e as tropas inglesas que haviam ajudado na defesa estavam evacuando em Dunkirk (tem até um filme a respeito). 

Os EUA não tinham entrado na guerra. A Rússia tinha um pacto de não-agressão com a Alemanha. A Itália era aliada da Alemanha.  

A única oposição real ao poderio alemão era a Inglaterra. Um homem, Winston Churchill, se opôs ferrenhamente a Hitler, e levou a nação-ilha a resistir, até a situação mudar. 

Era o homem certo no momento certo no lugar certo. 

Ele entendeu, desde sempre, que era inútil negociar com Hitler. Ele também entendeu que deveria modernizar o exército, com tanques e aviões. Por tudo isso, foi taxado de extremista, nacionalista, beligerante.  

Churchill tinha um vasto conhecimento e imaginação. E habilidade para criar a partir de seu conhecimento. Ele era tão letrado que podia citar Lord Byron e Shakespeare de cabeça. Estudava história, tinha paixão. 

Churchill usava palavras como bombas. Incendiava a paixão do povo britânico, através de discursos como o “The finest hour” e o “sangue, suor e lágrimas”. 

Também teve os seus erros, como subestimar o Japão, ou confiar demasiadamente em Stalin, por exemplo. 

Como Churchill mudou o mundo e o que podemos aprender com ele? 

O começo

O jovem Winston sempre achou que estava destinado à grandeza. Modéstia não era parte de sua característica. Impaciência para alcançar a grandeza. Tinha certeza de que a fortuna estava com ele. 

Escreveu 5 livros ainda na faixa dos 20 anos, participou da guerra dos Boers, e protagonizou uma fuga épica nesta, tornando-o famoso. 

Falhou duas vezes no vestibular, porque seu interesse maior era em inglês e história, não em matérias como latim. Entrou na terceira tentativa, mas seu pai o considerava uma pessoa de pouco valor. 

Veio de uma família aristocrata, de duques britânicos. 

Buscou abertamente riscos que o pudessem colocar na rota da grandeza esperada. 

Fazia treinamento exaustivo de seus discursos. Decorava o discurso todo, podia recitar de trás para frente. Além disso, devorava um estante de livros para escrever artigos e discursos. 

“Estude história, estude história. Na história, jaz todos os segredos da política de estado.” 

“Política é tão excitante quanto a guerra. Porém, na guerra, você só pode morrer uma vez, na política, várias vezes.” 

Ao invés de esperar por sua vez no congresso, desde o começo atacava oponentes mais poderosos como Neville Chamberlain, um político da época. 

Brilhante, com 30 e poucos anos já era parlamentar em ascensão. Ele ia para onde poderia ter oportunidades de agir. 

Como Almirante da Marinha 

Churchill se tornou almirante da marinha, com 36 anos. Missão de modernizar marinha britânica, ante a evolução da marinha alemã. 

Deu dois passos ousados, antevendo o futuro. Navios mais rápidos a óleo ao invés de carvão, e armamentos maiores. 

Porém, havia um risco. A Inglaterra não tinha acesso confiável a petróleo, para os navios a óleo. Isso foi resolvido com aumento da participação na companhia Anglo Persa de petróleo, que hoje é a British Petroleum, BP. 

O segundo problema, era que o armamento de 50 polegadas não existia, era inovador demais. Se fosse esperar todo o ciclo de testes, isso significaria dois anos a mais de atraso. A solução foi crer que funcionaria, e projetar os navios já com o novo armamento. 

Ele pensava grande e ousava, quando a maioria não o faria. 

Para tal, também tinha que se livrar dos oficiais incompetentes e ficar com os mais competentes. 

Influência do almirante Fisher: “Ataque primeiro, ataque pesado, continue atacando. Sem piedade, implacável, sem remorso. Se você odeia, odeie; se você luta, lute.” 

Outra inovação arriscada, à época (cerca de 1915), também era utilização de aviões (só para comparação, o famoso voo de Santos Dumont foi em 1906). Churchill estava sempre à frente da curva.

 

Primeira grande guerra

Diante de indecisão dos políticos, assumiu a frente. Tinha juventude, energia e experiência militar. 

A marinha, armada anteriormente, estava pronta e ajudou a vencer a guerra. 

Ocorreu um erro de seu mentor, Fisher, ao atacar o estreito de Dardanelos, ao buscar vitórias fáceis que não mudam o jogo. A Inglaterra não foi bem sucedida em Dardanelos, e o erro caiu na conta de Churchill. 

Após uma ascensão meteórica, agora ele caia. 

O custo político foi abdicar da posição de almirante, e foi enviado a ocupar um cargo menor, burocrático. Em poucos meses, abdicou do cargo. Não queria uma aposentadoria remunerada de pouca importância. 

Voltou ao exército, e foi à guerra, como major. Churchill foi ridicularizado, como alguém que tinha sido chefe da Marinha poderia se rebaixar a oficial subalterno? 

Esse episódio mostra que Churchill tinha a pele no jogo. Gostava de liderar não só com palavras, mas com o exemplo. 

Outro exemplo de visão. Ele defendeu tanques, outra inovação, para se contrapor aos alemães, que estavam se armando. Na época, a infantaria ainda usava cavalos. 

Novas oportunidades 

Churchill esperou pacientemente por uma posição. 

Nesse meio tempo, ele voltou a escrever. 

Ele escreveu um livro sobre a Primeira Guerra Mundial, incorporando muito de sua visão e experiência. Ele, que gostava tanto dos livros de história, agora estava escrevendo história. 

Nota: Churchill tinha tanta capacidade narrativa que ganhou prêmio Nobel em 1953. 

E o lado escritor ajudou a carreira política. Churchill assumiu como chanceler, e uma das grandes decisões da época foi a volta ao padrão ouro. 

Era uma época de trauma da primeira guerra. Pacifismo e desarmamento estavam na mente das pessoas.  

Em contrapartida, Churchill queria se armar, ante ameaças crescente de Hitler e Stalin. 

Perante a opinião pública, Hitler projetava imagem de pacifista moderado, amante da paz, que só queria se proteger e apenas reivindicava o que era de direito. Um pensamento da época era que a Alemanha, tão maltratada depois da primeira guerra, agora para compensar poderia se armar. 

Nessa época, outra inovação era o avião Spitfire, moderno, para fazer frente à Força Aérea alemã. Episódio curioso é que houve uma campanha de doações, chegando à casa de 500 milhões dólares (atuais) para salvar o projeto. Este avião foi imprescindível na Segunda Guerra. 

O avanço de Hitler e a Segunda Guerra 

A Alemanha de Hitler avançou sobre a Áustria, e depois ameaçava a Tchecolosváquia. 

Nessa época, o primeiro-ministro britânico da época, Neville Chamberlain, encontrou Hitler três vezes, para discutir a paz. 

Hitler queria os sudetos tchecos, e tinha como justificativa proteger os alemães da região e voltar à fronteira pré-Primeira Guerra. 

Chamberlain e Hitler chegaram a um acordo, cedendo os sudetos. Chamberlain voltou à Inglaterra saudando a paz, e convicto de que Hitler pararia por aí. Mas foi um total desastre. 

Hitler anexou os sudetos, e meses depois, a Tchecolosváquia toda. Depois, partiu para a Polônia. 

Com a Rússia, a Alemanha assinou um pacto de não agressão, essencialmente partilhando a Polônia. 

Churchill, que sempre fora crítico à política de apaziguamento de Chamberlain e de outros políticos da época, estava certo.  

A agressão alemã continuou: Finlândia, Bélgica, e isso derrubou Chamberlain. Churchill assumiu, como Primeiro-Ministro inglês, aos 65 anos. 

Após a queda da linha Maginot e da França, ele sabia que seria o próximo alvo. Liderou as preparações, como concentrar os spitfires. 

Os ingleses refutaram os alemães, após resistir aos bombadeios, na famosa “Battle of Britain”. 

Após a tentativa frustrada de conquistar a Inglaterra, Churchill sabia que Hitler compensaria indo para leste. Conhecia o inimigo. 

Joseph Stalin não era confiável. Mas como inimigo dos alemães, faria exatamente o necessário, tinha objetivos alinhados. 

A ameaça de invasão passou, mas daí em diante, começou o cerco. Submarinos, navios patrulhando as fronteiras da Inglaterra. O quanto uma ilha pode sobreviver? 

A maré virou com a entrada dos EUA na guerra, após os ataques japoneses a Pearl Harbor. 

O presidente americano, Franklin Roosevelt, era como um par de Churchill, alguém com trajetória e pensamentos semelhantes. 

Agora, o grande império britânico tinha ficado pequeno com o esforço de guerra, e com a Rússia e os EUA no jogo. Churchill sabia que seu ápice tinha passado, seu grande desafio tinha sido nos anos anteriores: segurar Hitler sozinho e trazer aliados para a guerra. 

Era uma questão de tempo até os Aliados vencerem o Eixo. 

Pós Segunda Guerra 

Stalin foi um dos grandes vencedores da Segunda Guerra: Rússia ocupando leste europeu e quebrando acordos. Uma reflexão era que Hitler tinha caído, porém Stalin estava mais forte do que nunca. O mundo tinha trocado um ditador por outro. 

Após a guerra na Europa, a Inglaterra tinha dificuldades de manter a marinha. Estavam exaustos. Numa geração, duas guerras mundiais. O cidadão comum queria comida na mesa, não combater o restante da guerra no oceano Pacífico. 

Como reflexo, o partido de Churchill perdeu as eleições após a guerra. 

O primeiro-ministro seguinte foi o oposto a Churchill. Alguém sem grande destaque, nada de liderança forte. Povo queria sossego, não entrar na história. 

Fora do governo, aos 70 anos, Churchill voltou a ser escritor. Escreveu a História da Segunda Guerra. Novamente, sendo um dos protagonistas, escrevendo e participando da história. 

Após a guerra e com liderança do Partido Trabalhista inglês, não houve êxito na Inglaterra ao implantar o estado de bem-estar social. Em 1947, houve racionamento de comida e de energia. Cotas de carvão, comida, fábricas fechando, cotas de roupa. Até o sabão em falta. 

Algumas causas de problemas: empréstimos e gastos demais. 

Isso levou Churchill a pronunciar, famosamente, “O capitalismo concentra riquezas, socialismo reparte misérias”. 

Tal situação levou Churchill de volta ao cargo de Primeiro-Ministro, em 1951, ficando mais seis anos, até se licenciar por problemas de saúde. 

Conclusões

Se Churchill nunca tivesse existido, talvez a Inglaterra não estaria preparada para encarar Hitler. Talvez tivesse feito um tratado de paz em 1940, dando tempo e recursos para a Alemanha consolidar os territórios conquistados na Europa e marchar para leste sem a preocupação de dividir o seu exército. Os EUA não teriam entrado na guerra, ou entrariam muitos anos depois. O mapa geográfico da Europa seria outro, e talvez o Terceiro Reich existisse até hoje… 

Churchill atingiu seu ápice ao encarar Hitler, praticamente sozinho, e manejar a situação até conseguir virar o jogo. 

Sir Winston Churchill morreu em 24 de janeiro de 1965, aos 90 anos. 

O que a história de Churchill pode nos ensinar? Algumas pequenas reflexões. 

– Estudar muito. Ter um background literário e histórico imenso ajudou Churchill a escrever discursos, entender os inimigos e estratégias. 

– Manter a posição que acredita, de forma coerente. A maré vira a favor e contra, e houve tempos em que Churchill estava em baixa (era taxado de retrógrado, armamentista, beligerante). Porém, no final ele estava certo, e se destacou por isso. 

– Coragem para ousar e buscar riscos. Inovações como navio a óleo, o avião spitfire e tanques, valiosos tanto na Primeira quanto na Segunda Guerra, demorariam anos a mais não fosse a visão e coragem de Churchill. 

– Aliados. Grande parte do sucesso de Churchill dependeu de alianças. Ele não poupou esforços ao voar para a Rússia de Stálin e os EUA de Roosevelt, para costurar alianças, e isso, com quase 70 anos! 

– Não ter vergonha de dar passos para trás. Churchill preferiu abandonar um cargo burocrático e sem importância para assumir um cargo menor na marinha, sendo ridicularizado por muitos. O conhecimento de campo e a pele no jogo mostraram-se de enorme valia no futuro. No final das contas, Churchill mudou o mundo, os que o ridicularizaram, não. 

Por fim, uma última mensagem de Winston Churchill: “Nunca, nunca, nunca desista”. 

Este conteúdo é um resumo baseado em “How Winston Churchill changed the world”, da série “The Great Courses”, além de outras fontes. 


Veja também: 

Churchill, o destino de uma nação: https://amzn.to/3aWCZHw 

O filme Dunkirk é sobre o resgate dos soldados britânicos na França. https://amzn.to/3eg4eia 

The Gathering Storm, filme sobre Churchill na HBO. 

A química e o nosso universo

Recomendação de livro para o fim de semana: “Chemistry and Our Universe”. Conta a história da química (e muito de física), desde modelos atômicos, dualidade onda-partícula, ácidos – base, etc. É uma enorme revisão de toda a química a nível universitário, é fantástico para a mente curiosa.

É da coleção “The teaching company”, que conta com excelentes professores, no formato áudio ou vídeo.

Moby e Mocha Dick

Duas recomendações de histórias fascinantes para o feriadão: Moby Dick e Mocha Dick.

Todo mundo já ouviu falar da baleia Moby Dick, clássico de 1851 do escritor americano Herman Melville, mas poucos efetivamente leram o livro ou viram algum conteúdo mais profundo sobre o mesmo. Uma recomendação é o filme “Moby Dick” de 2011, disponível na Amazon Prime.

Moby Dick é uma baleia cachalote albina, enorme, com testa enrugada e o corpo repleto de arpões. Ao contrário das baleias comuns, esta revida a ataques, destruindo os baleeiros e caçando os que o atacaram.

Nesse contexto, temos o fanático capitão Ahab em sua caça, extrapolando todo o bom senso possível e contrariando seu imediato Starbuck, aos olhos do narrador Ismael e seu colega, o indígena Queequeg.

É impressionante ver a vastidão do mar, os homens em seus navios de madeira movidos pela força do vento, atrás de leviatãs maiores do que qualquer animal outro na face da Terra.

Algo a notar é que as baleias são lentas e desajeitadas – sem predadores naturais, evoluíram de forma a nem dar bola para inimigos que possam caçá-las. Quando atacadas, tendem a fugir, o que explica: 1) como alguém tão menor como o ser humano conseguia caçar baleias em 1850, e 2) porque causava surpresa quando uma baleia reagia, destruindo barcos e matando pessoas.

Pela pesquisa que fiz, o livro Moby Dick não foi um sucesso imediato – por algum motivo, demorou mais de cem anos para a obra ser apreciada.

Outro ponto: Moby Dick é ficcional, mas baseado em relatos diversos, como o naufrágio de um barco chamado Essex e também de uma baleia chamada Mocha Dick.

E aí entra a segunda recomendação: a graphic novel Mocha Dick, de Gonzalo Martínez.

O autor, chileno, conheceu a história de Moby Dick e de Mocha Dick. Esta última tem esse nome por conta de ser vista sempre próxima à ilha de Mocha, no Chile, da onde surgiram alguns dos relatos que levaram Melville a escrever o romance famoso. E daí veio o projeto de contar a pouco famosa história de Mocha Dick.

Esta também é uma narrativa interessante, envolvendo a baleia albina que ataca barcos, lendas indígenas da região que a veem como uma protetora, personagens cativantes e uma bela arte retratando a época e o cenário.

Curiosidade. Eu comprei uma edição econômica de Moby Dick em 1998, numa pequena livraria de promoções no centro de S. José dos Campos. Lembro disso porque o dono do lugar me tratou super mal, porque pedi desconto – estava no primeiro ano da faculdade e não tinha dinheiro algum. Apesar disso, a edição custou R$ 1,50, barato mesmo para a época.

Mocha Dick:
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Moby Dick
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Prime Video:
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