A química e o nosso universo

Recomendação de livro para o fim de semana: “Chemistry and Our Universe”. Conta a história da química (e muito de física), desde modelos atômicos, dualidade onda-partícula, ácidos – base, etc. É uma enorme revisão de toda a química a nível universitário, é fantástico para a mente curiosa.

É da coleção “The teaching company”, que conta com excelentes professores, no formato áudio ou vídeo.

Moby e Mocha Dick

Duas recomendações de histórias fascinantes para o feriadão: Moby Dick e Mocha Dick.

Todo mundo já ouviu falar da baleia Moby Dick, clássico de 1851 do escritor americano Herman Melville, mas poucos efetivamente leram o livro ou viram algum conteúdo mais profundo sobre o mesmo. Uma recomendação é o filme “Moby Dick” de 2011, disponível na Amazon Prime.

Moby Dick é uma baleia cachalote albina, enorme, com testa enrugada e o corpo repleto de arpões. Ao contrário das baleias comuns, esta revida a ataques, destruindo os baleeiros e caçando os que o atacaram.

Nesse contexto, temos o fanático capitão Ahab em sua caça, extrapolando todo o bom senso possível e contrariando seu imediato Starbuck, aos olhos do narrador Ismael e seu colega, o indígena Queequeg.

É impressionante ver a vastidão do mar, os homens em seus navios de madeira movidos pela força do vento, atrás de leviatãs maiores do que qualquer animal outro na face da Terra.

Algo a notar é que as baleias são lentas e desajeitadas – sem predadores naturais, evoluíram de forma a nem dar bola para inimigos que possam caçá-las. Quando atacadas, tendem a fugir, o que explica: 1) como alguém tão menor como o ser humano conseguia caçar baleias em 1850, e 2) porque causava surpresa quando uma baleia reagia, destruindo barcos e matando pessoas.

Pela pesquisa que fiz, o livro Moby Dick não foi um sucesso imediato – por algum motivo, demorou mais de cem anos para a obra ser apreciada.

Outro ponto: Moby Dick é ficcional, mas baseado em relatos diversos, como o naufrágio de um barco chamado Essex e também de uma baleia chamada Mocha Dick.

E aí entra a segunda recomendação: a graphic novel Mocha Dick, de Gonzalo Martínez.

O autor, chileno, conheceu a história de Moby Dick e de Mocha Dick. Esta última tem esse nome por conta de ser vista sempre próxima à ilha de Mocha, no Chile, da onde surgiram alguns dos relatos que levaram Melville a escrever o romance famoso. E daí veio o projeto de contar a pouco famosa história de Mocha Dick.

Esta também é uma narrativa interessante, envolvendo a baleia albina que ataca barcos, lendas indígenas da região que a veem como uma protetora, personagens cativantes e uma bela arte retratando a época e o cenário.

Curiosidade. Eu comprei uma edição econômica de Moby Dick em 1998, numa pequena livraria de promoções no centro de S. José dos Campos. Lembro disso porque o dono do lugar me tratou super mal, porque pedi desconto – estava no primeiro ano da faculdade e não tinha dinheiro algum. Apesar disso, a edição custou R$ 1,50, barato mesmo para a época.

Mocha Dick:
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Moby Dick
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Prime Video:
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Recomendação: Thermae Romae

Gosto muito do anime Thermae Romae, disponível atualmente na Netflix.

O enredo é sobre um arquiteto de termas, Lucius Modestus, do Império Romano de antigamente, que faz viagens no tempo inesperadas e visita termas modernas do Japão.

Alguns pontos a destacar:

  • A família toda de Lucius é projetista de termas e banhos públicos na antiga Roma;
  • Lucius começa as viagens sem entender nada, achando que os japoneses são “escravos de cara achatada”. Pouco depois, ele já percebe que pode utilizar as facilidades do mundo atual para os seus projetos na Roma antiga;
  • Entrar numa banheira de água quente, um ofurô, é muito bom. De certa forma, dá um prazer enorme só de pensar;
  • A narrativa é simples e clara, sem reviravoltas, explosões, lutas, nada disso. Nesses tempos de tramas excessivamente confusas e exageradas, é muito bom ver algo simples;
  • Eu me sinto como Lucius descobrindo as termas. Não é da nossa cultura essa tradição de visitar termas e usar banheiras, mesmo no mundo moderno. O máximo que fui foi em Águas de São Pedro, que é muito bom, porém não se compara ao que existe no Japão;
  • A parte final de cada anime mostra a criadora da história visitando termas reais. São paisagens belíssimas, que envolvem muita tradição e natureza;
  • Até os macacos gostam de uma boa termas;

Uma história absurda que ocorreu comigo. Estava a trabalho em Omã, no Oriente Médio – temperatura externa mais de 45 graus. Porém, dentro do hotel, estava uns 15 graus – o que é bom no começo, mas imagina a noite toda a essa temperatura. O hotel tinha uma banheira. Não tive dúvidas, enchi de água quente (outro recurso escasso, água) e tomei um belo banho relaxante, no frio do hotel no calor de Omã!

Os números não mentem, de Vaclav Smil

Vaclav Smil é um dos autores favoritos de Bill Gates. Smil é um grande especialista em energia, e também um polímata que escreve sobre diversos assuntos aleatórios, sempre embasado com muitos, muitos números.

O livro “Os números não mentem – 71 histórias para entender o mundo” contém uma série de artigos curtos e cheios de insigths sobre a sociedade, energia e meio-ambiente.

Quatro pontos ilustrativos do livro, em poucas frases, só para dar uma ideia do conteúdo.

  1. A Lei de Moore é uma bênção e uma maldição. A Lei de Moore, aquela que diz que o poder computacional dobra a cada 18 meses, mantidos os custos constantes, é o que está por trás da evolução exponencial da computação que vimos nas últimas décadas. Entretanto, existe a parte “maldição”: aumentar as expectativas de todo desenvolvimento tecnológico, quando na verdade, outras tecnologias têm o seu próprio passo. Onde estão os carros elétricos e autônomos, a cura individual do câncer, os dispositivos que leem comandos diretamente do nosso cérebro?

Gosto muito da postura de Smil. Sou bastante realista. Não sou advogado de “toda inovação é exponencial” de caçadores de unicórnios imaginários, como o pessoal da StartSe e de pensadores tipo Ray Kurtzweil.

  1. Vidros isolantes. Nos EUA e União Europeia, edifícios são responsáveis por 40% do consumo de energia. Aquecimento e ar-condicionado respondem por metade deste consumo. Uma solução simples é utilizar janelas com duas ou três camadas de vidro, preenchidos por um gás como argônio, reduzindo a transferência de energia da janela de 6 watts por m² para cerca de 0,6 – 1,1.

É uma solução simples, que aumenta o conforto dos habitantes e diminui consumo de energia. Melhor ainda, pode ser feito hoje, sem grande tecnologia – porém tão simples que não entra no radar de grandes inovações do Vale do Silício, à caça de milhões de dólares em financiamento para salvar o mundo.

  1. Navios elétricos. Grande parte do que temos em casa veio de algum outro lugar do mundo, provavelmente por transporte marítimo. Por que não temos navios porta-contêineres elétricos?

Existe um navio elétrico previsto para entrar em operação, o Yara Birkeland. Porém, este terá capacidade para apenas 120 TEUS (unidade de volume), enquanto navios modernos convencionais carregam de 200 a 400 vezes mais do que isso!

Para efeito de comparação. Um navio moderno queima 4.650 toneladas de combustível para uma viagem de 31 dias. Um navio elétrico equivalente, com as melhores baterias possíveis, teria que carregar 100 mil toneladas só de baterias, tornando inviável esse tipo de operação.

A densidade de energia das baterias teria que melhorar mais do que 10 vezes para começar a entrar numa faixa viável. Porém, em 70 anos, a densidade de energia nem sequer quadruplicou, o que mostra que vamos ter que conviver com o diesel por muito tempo!

  1. Amônia. Os químicos no final do séc. XIX descobriram que o nitrogênio é o macronutriente mais importante no cultivo agrícola. Outros são fósforo e potássil, além de vários micronutrientes. Uma forma de incorporar os macronutrientes no solo era através da compostagem (folhas, dejetos humanos e animais) ou através da rotação de culturas, com plantas que contém bactérias capazes de fixar nitrogênio no solo.

O processo Harber-Bosch, meados de 1930, possibilitou a criação industrial de amônia (NH3) através de alta pressão e alta temperatura – nitrogênio do ar, com gás natural, além de muita energia, que também pode vir do gás natural. Desde então, a produção de amônia passou de 5 milhões de toneladas/ano para 150 milhões nos dias de hoje! Sem fertilizantes, seria impossível aumentar a produtividade agrícola – de 650 milhões de ton de cereais/ano para 3 bilhões de ton.

Atualmente, é preocupante a perda de nitrogênio não utilizado (cerca de 47%) através de volatilização e lixiviação.

Ainda será necessário muito nitrogênio para as safras futuras, e soluções propostas são aumentar eficiência de fertilização e reduzir desperdício de alimentos, entre outros.

Conclusão

Além dos tópicos citados, há vários outros extremamente interessantes, como mortalidade infantil como indicador, o ano de 1880 da eletricidade, óleo diesel, energia eólica. Conforme ilustrado, Smil escreve sobre diversos temas com senso crítico e propriedade, sempre amparado por números e estimativas. É uma mente brilhante, que vale a pena acompanhar.

“Eu aguardo o próximo livro de Vaclav Smil como quem espera o próximo filme de Star Wars” – Bill Gates.

Link da Amazon:
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https://www.gatesnotes.com/Books/Numbers-Dont-Lie

As leis da simplicidade – John Maeda

Segue uma recomendação de livro / site: As leis da simplicidade, de John Maeda, designer do MIT Media Lab.

É um livro bem fino, menos de 100 páginas, com boas dicas sobre como organizar e deixar os trabalhos mais simples e intuitivos para o usuário final.

Afinal, como dizia Steve Jobs, “A simplicidade é a maior das sofisticações”.

Algumas das leis que mais gostei:

  • Reduzir: reduzir fisicamente o tamanho, esconder (como um menu no computador que se recolhe quando não utilizado), agregar mais valor à mesma funcionalidade (ex. ao invés de ter dois botões para dois processos subsequentes, unificar no mesmo).

  • Organizar: a organização pode fazer com que um sistema de muitos pareça de poucos.

Um exemplo bom é a evolução do iPod. A primeira versão, a da esquerda, era ruim para pessoas com dedos grandes, então a Apple destacou os botões, que é a imagem do meio. Porém, notadamente a versão da direita é a melhor, a mais simples possível.

Maeda dá algumas dicas de organização: ordenar, etiquetar (dar nome), integrar e priorizar

  • Tempo: economia de tempo transmite simplicidade.

Ninguém gosta de esperar, basicamente porque tempo é vida.

Encolher o tempo: ao invés de dar muitas opções detalhadas e passar a responsabilidade ao usuário, deixá-lo apenas com algumas decisões-chave.

Como podemos deixar a espera mais curta?

Como deixar a espera mais tolerável?

  • Diferenças: simplicidade e complexidade precisam um do outro
    Sem a contrapartida da complexidade não podemos reconhecer a simplicidade.

Por fim, uma frase que resume todos os conceitos: “Simplicidade é sobre retirar o óbvio e adicionar o que faz sentido”.

O site das Leis da Simplicidade contém detalhamento do material.

http://lawsofsimplicity.com/

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Veja também:

https://medium.theuxblog.com/the-laws-of-simplicity-ed6fa92c7bc6

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

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Loja e Recomendações:

Não recomendação: O PerfuraNeve

Não recomendação: a versão Graphic Novel do PerfuraNeve, que inspirou a série da Netflix “O Expresso do Amanhã”, ou Snowpiercer.

Mas por que alguém iria não recomendar? Bastaria ignorar. Ora, a internet já está cheia demais de haters, para falar que o trabalho de alguém não agradou.

É que, na verdade, é uma meia-recomendação…

Trailer do Snowpiercer, Netflix

A série “Expresso do Amanhã”, disponível na Netflix, mostra um futuro apocalíptico. O mundo inteiro congelou, e os últimos sobreviventes da face da Terra habitam um trem, o Snowpiercer, com os seus 1001 vagões. O Snowpiercer foi desenvolvido pelas indústrias Wilford, e tem uma premissa completamente furada do ponto de vista das leis da termodinâmica: ele tem que estar sempre em movimento, pois é desse movimento que ele gera energia (criaram o moto-contínuo???).

O trem percorre periodicamente o planeta Terra inteiro, uma vez que a máquina não pode parar e as indústrias Wilford fizeram trilhos pelo mundo todo, inclusive sobre os oceanos congelados!

Porém, dentro do Snowpiercer, há uma verdadeira luta de classes: a primeira classe, vivendo em alto luxo, a segunda e terceira classes, trabalhadores, e o fundão. Os habitantes dos fundos são clandestinos, que invadiram o trem no momento em que este estava partindo. São centenas de pessoas (400 segundo um dos capítulos), vivendo espremidos em alguns poucos vagões, e nas piores condições de vida possível.

E como esse pessoal conseguiria sobreviver num trem? A justificativa é que há vagões especializados em agricultura, outros com bovinos, aquário, vagões-escola, vagão-bar, mercado. A primeira classe tem vagões exclusivos, quase uma casa de verdade. A segunda classe tem um quarto, a terceira beliches, e o fundão é um amontoado de gente sobrevivendo como pode.

A série foca bastante nessa luta de classes, mostrando o fundão lutando contra a estrita ordem existente. Ordem mantida rigidamente pela poderosa chefe da hospitalidade, Melanie Cavill, interpretada pela Jennifer Connelly, possuidora de uma beleza rara.

Eu achei que a série tem muitos furos lógicos:

  • Um trem fechado, com 3000 pessoas há 7 anos, e eles agem como se fosse uma cidade grande, onde ninguém conhece ninguém
  • Eles usam água em abundância, e tem até um episódio que há um grande vazamento de água – não faz o menor sentido, num trem
  • Cenas com a primeira classe quebrando copos e pratos – ora, até parece que é um recurso abundante
  • Numa das revoltas do fundão, imprimiram folhetos coloridos para mobilizar o pessoal – poxa, imagino que papel e tinta sejam recursos escassos numa situação dessas
  • E assim sucessivamente, é como se realmente fosse uma cidade grande com recursos infinitos, e não um trem

Apesar disso tudo, é um seriado divertido – envolve suspense, segredos, reviravoltas bem típicas de streaming. Serve como entretenimento, só isso.

Agora, a “desrecomendação”.

O Snowpiercer foi baseado numa Graphic Novel com a mesma premissa. Peguei a mesma emprestada, pelo programa “Cultura pass” (vide aqui).

A versão em quadrinhos tem pouquíssimos elementos em comum com a série. É um trem, o snowpiercer, com seus 1001 vagões, tem a primeira classe e o fundão, mas só isso. Nada de Wilford, Melanie, não tem crime a ser resolvido por um detetive do fundão, nada. É completamente uma outra história.

A arte e o roteiro são densos e difíceis de acompanhar, não achei muito divertido.

De qualquer forma, caso haja curiosidade, a graphic novel PerfuraNeve pode ser encontrada nas livrarias, e o Snowpiercer da Netflix é uma ótima série.

O Perfuraneve
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Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

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Recomendação: A Odisseia de Hakim

A Odisseia de Hakim conta a história real de um jovem sírio e a sua odisseia para fugir de seu país natal e pedir asilo na França, passando por uma dezena de países nessa jornada.

“Nunca pensei que isso pudesse me acontecer. Mas me dei conta de que qualquer um pode virar um refugiado. Basta que seu país desmorone. Ou você desmorona junto, ou você vai embora.”

Hakim e a sua família tinham um viveiro na Síria de Bashar Al-Assad, até que protestos contra o governo geraram uma guerra civil. Houve extrema violência por parte do governo: detenção, tortura e a perda do negócio. A família de Hakim decide buscar refúgio em um país seguro. Parte da família, inclusive a esposa, consegue uma via de chegar à França, porém, Hakim e o seu filho bebê devem percorrer um caminho mais longo: Líbano, Jordânia, Turquia e mais uma série de países.

A recepção dos refugiados pelos habitantes locais varia entre aqueles que criticam e desprezam, aqueles que tentam explorar os refugiados, mas também, há vários que ajudam Hakim e seu filho a chegar ao final de sua jornada.

Um comentário que faz todo o sentido. As pessoas acham que um refugiado é alguém pobre e não qualificado, mas essa noção está errada. Os que são realmente pobres não têm opção a não ser ficam em seu país natal.

Autor Fabien Toulmé, Editora Nemo. Graphic Novel em três edições. Baseado em entrevistas que o autor realizou com Hakim, este já estabelecido na França.

Link da Amazon: https://amzn.to/34rTAop

Veja também:

Loja e recomendações de livros:

Como tornar o seu produto mais valioso através da escassez e da curadoria

Um fenômeno curioso e nada intuitivo aconteceu comigo, nos últimos meses, e isso pode ser utilizado como alavanca para melhorar os seus produtos ou serviços.

Como eu já divulguei diversas vezes neste espaço (vide aqui e aqui), sou usuário frequente de serviços de resumo de livros, ou microlivros. São áudios de cerca de 12 a 20 minutos, sobre diversos assuntos, geralmente não-ficção. São boas introduções a assuntos relacionados à negócios, economia, produtividade e temas correlatos.

Dois serviços que mais gosto são o 12 min e o Blinklist.

Ambos podem ser encontrados como aplicativos de celular, e são em inglês (é a língua universal dos dias de hoje, quem quiser dar saltos evolutivos deve necessariamente dominar inglês).

Tanto o 12 min quanto o Blinklist fornecem uma amostra de seus serviços, através de 1 único áudio resumo liberado por dia.

Se você tiver disciplina suficiente, pode ler mais de 300 resumos por ano, de graça e de forma legal.

Pois bem, o fenômeno curioso citado no começo do texto foi que:


1) Eu comprei a assinatura vitalícia do 12 min, numa promoção,
2) Passei a ter acesso a todo o conteúdo do 12 min e,
3) Paradoxalmente, eu passei a usar mais o concorrente, o Blinklist.

Uma explicação é a escassez. Imagine que tenho pouco tempo por dia, 30 a 40 min, disponível para a atividade de ouvir resumos. Como o Blinklist libera apenas um áudio free, e ele expira no final do dia, eu sempre prefiro começar por este, ao invés de começar com o 12 min – já que o acesso é ilimitado e posso ouvir depois.

Porém, o problema é que o passo acima se repete todos os dias. Contabilizando, utilizo mais o Blinklist do que o 12 min, numa proporção de 3 para 2.

A Escassez é um dos seis fatores de influência, de Robert Cialdini (vide aqui).

Outro fator é a curadoria. Os áudios liberados pelo Blinklist são muito bons. Há variedade nos temas e pouca repetição de títulos liberados de graça. A excelente curadoria do Blinklist faz, como o próprio termo indica, a gente se sentir cuidado. Este espaço também procura liberar conteúdo de qualidade, bem curado e que agregue valor ao leitor.

Paradoxalmente também, o serviço prestado pela Blinklist é melhor assim, na versão gratuita, do que na versão paga – vai que eu gasto dinheiro, acabo com a escassez e deixo de usar?

Conclusões e recomendações:

  • Resumos de livros são excelentes, é uma bom hábito ler (ouvir) um por dia,
  • A Escassez de um produto de qualidade tem um poder imenso,
  • A boa Curadoria faz toda a diferença.

Veja também:

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

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Os titãs dos quadrinhos

Recomendação de livros para o final de semana: as biografias em quadrinhos de Stan Lee e Jack Kirby, duas lendas que revolucionaram os quadrinhos nos anos 60 e 70!

Devemos à eles a criação de personagens como o Quarteto Fantástico, os Vingadores, os X-Men, o Homem-Aranha, Homem de Ferro, Dr. Estranho, os Vingadores e muitos outros.

Stan Lee é figura mais conhecida, devido às aparições frequentes em filmes do Universo Cinemático Marvel. É o velhinho simpático da foto, e de certa forma, o rosto da Marvel nos últimos quarenta anos.

Stan Lee, Incrível, Fantástico, Inacreditável. Link da Amazon: https://amzn.to/3Ia17GK

Já Jack Kirby é o gênio criativo por trás dos fantásticos desenhos que enchiam os olhos de milhões de crianças e adolescentes, este escriba incluso.

Jack Kirby. Link da Amazon: https://amzn.to/3A0Feae

Porém, a história real nunca é tão perfeita quanto na nossa imaginação. A “casa das ideias” da Marvel teve uma série de problemas. Listando rapidamente algumas curiosidades.

  • Jack Kirby criou o Capitão América, nos anos 40, com Joe Simon, em outra editora. Posteriormente, o Capitão foi incorporado à Marvel.
  • Os heróis de Stan Lee tinham a característica de serem humanos, falíveis e com pontos fracos. O Homem-Aranha, por exemplo, é um garoto franzino, azarado e que precisa trabalhar de fotógrafo freelancer para fechar as contas. Outra característica de Stan é muito humor.
  • Os heróis da geração anterior, sendo o Superman o mais emblemático, eram superhumanos beirando a perfeição. É reflexo do zeitgeist da época, que vai mudando com o tempo.
  • A Marvel ganhou uma fatia enorme de mercado nas décadas seguintes, mas o mercado é cíclico – concorrentes copiam a fórmula, outras mídias ganham espaço, etc…
  • Jack Kirby e Stan Lee tiveram a primeira grande contribuição juntos no Quarteto Fantástico.
  • Kirby, com o passar dos anos e com o sucesso dos personagens, começou a se incomodar com o método de Stan Lee. Ambos discutiam brevemente o enredo, Kirby idealizava e desenhava tudo, e Stan preenchia os diálogos. Kirby ficava com uma porção enorme do trabalho, mas os créditos eram sempre para Stan como escritor e ele como desenhista. Quanto ao pagamento, ele recebia apenas como desenhista, embora tivesse feito grande parte do roteiro.
  • Steve Ditko, o criador do Homem-Aranha junto com Stan, também ficava incomodado em estar fazendo quase todo o trabalho e levando pouco crédito. Ditko chegou a nem falar mais com Stan, e saiu da Marvel na primeira oportunidade que teve.
  • No começo, Kirby era uma explosão de criatividade, propondo personagens fantásticos e cenários os mais criativos possíveis. Exemplo: ele criou sozinho o Surfista Prateado, mas como sempre, o crédito foi para Lee indiretamente. Chegou uma hora que ele continuou criando, mas guardando os melhores para si mesmo, para usar em outra ocasião.
  • Finalmente, Kirby saiu para a rival DC, onde utilizou parte do material guardado anos antes para criar Os Novos Deuses, Darkseid e outros. Porém, Kirby passou poucos anos na DC e retornou à Marvel, em seu retorno criou Os Eternos (que virou filme recentemente).
  • O material de Jack Kirby sozinho é visualmente muito bonito, porém, nitidamente as histórias eram inferiores ao trabalho junto com Stan Lee – mostrando que realmente a amálgama entre ambos é que criava uma magia incomum.
  • Jack Kirby morreu em 1994, não chegou a ver suas criações nas telonas. Ele não tinha nenhuma porcentagem de royalties sobre os personagens, era amargurado por isso e chegou a passar mal ao ver brinquedos do Capitão América à venda. Kirby é relativamente desconhecido do grande público, ao contrário de Stan Lee, que tem até versões de si em action figure.

Funko Stan Lee

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  • Stan Lee virou editor, contratou uma série de novos roteiristas e desenhista, e em meados dos anos 80 dedicou muito tempo a ser a “cara” da Marvel, em palestras por todo o país. Um sujeito energético, engraçado, capaz de contar histórias que entretém multidões, e com um ego de alguém que gosta de aparecer.
  • Os X-Men originais nunca foram muito bem, e até tiveram a revista cancelada. Nos anos 70, com a internacionalização forte dos quadrinhos, os editores queriam um grupo com personagens de várias nacionalidades. O escritor Len Wein então reformulou os X-Men, com novos integrantes como o Noturno (Alemanha), Colossus (Rússia), Wolverine (Canadá) e Tempestade (África). Pouco após, foi com o escritor Chris Claremont que os X-Men ganharam histórias de altíssima qualidade, aumento expressivo de vendas e as características que conhecemos hoje e foram inspiração para o cinema.
  • Stan Lee continuou trabalhando em projetos diversos até o fim da vida, incluindo um com a DC Comics. Ele conseguiu fama e fortuna, ao contrário de Kirby e da imensa maioria dos roteiristas e desenhistas com quem trabalhou.
  • A Marvel Comics foi sendo comprada por inúmeras editoras, e estava perto de um beco sem saída, quando os filmes de seus superheróis começaram a fazer sucesso no cinema, notadamente o Homem-Aranha e os X-Men de meados do ano 2000. Após o sucesso inicial, filmes diversos começaram a surgir na sequência.

Um enorme OBRIGADO ao gênio criativo de Stan Lee, Jack Kirby e tantos outros, e vejamos as cenas dos próximos capítulos.

Exponential View

Recomendação de newsletter: Exponential View (https://www.exponentialview.co/email/d6966c4c-6906-47c4-bfec-d251920ed248/)

É grátis, e tem gráficos extremamente interessantes.

Eles enviam uma newletter semanal, com os gráficos da semana, sobre temas variando de indicadores econômicos a dados de tecnologia.

Fica a dica.

Recomendações: Orfeu do Carnaval e Prenda-me se for capaz

Zapeando pelo Amazon Prime Video, descobri que filme “Orfeu do Carnaval”, de 1959, está no catálogo atual.

É um filme interessante pelo contexto histórico. Foi este que iniciou a parceira Tom Jobim – Vinícius de Moraes, e, consequentemente, algumas das mais belas canções já escritas até hoje.

“Tristeza não tem fim
Felicidade sim
A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar”

Além disso, sem o “Orfeu Negro”, possivelmente talvez não tivéssemos Barack Obama. Vide detalhes desta história aqui (https://ideiasesquecidas.com/2018/01/17/orfeu-tom-vinicius-e-obama/).

Link para assinatura do Prime Video:

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Aproveitando o post, segue outra recomendação do catálogo. “Prenda-me se for capaz”.

Engenheiros “hard code” como eu tendem a dar muita importância à tecnologia e algoritmos. Porém, o que hackeia de verdade sistemas é a chamada engenharia social, da qual Frank Abagnale Júnior era mestre.

Por volta da década de 1960, o jovem Abagnale já hackeava o sistema: golpes com cheques sem fundo cada vez mais elaborados, diplomas falsos para obter posições, subterfúgios os mais diversos possíveis para convencer as pessoas e fugir da polícia.

Abagnale era tão bom no que fazia que passou a colaborar com a polícia apó cumprir sua pena, para evitar golpes como os que ele aplicava, e até hoje, ele dá aulas e tem livros sobre segurança da informação.

Livro do Frank Abagnale. Scam me if you can:
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Já vi o filme mais de uma vez desde o lançamento, em 2002, e sempre me surpreendo.

Ficam as dicas.

Sapiens – os pilares da civilização

A dica desta Black Friday é o recém lançado “Sapiens – os pilares da civilização”, versão em quadrinhos da obra prima de Yuval Harari.

É o segundo volume de quatro. Este volume mostra a revolução agrícola, cerca de 12 mil anos atrás, como o homem dominou o trigo (ou será que foi o trigo que dominou o homem?), a domesticação dos animais – hoje temos mais de 5 bilhões de cabeças de gado, ovelhas e porcos, e 20 bilhões de frangos (seria isso um sucesso para os animais domésticos ou um fracasso?).

A agricultura permitiu que o ser humano se fixasse num lugar, ao invés da vida nômade, porém a armadilha da agricultura é que agora ele tinha que trabalhar exaustivamente mais do que o caçador coletor de antigamente, e o ganho de produtividade foi compensado pelo maior número de filhos a alimentar.

Os melhores locais para agricultura e o enorme trabalho de cultivo tornaram os terrenos naturalmente mais valiosos, de modo que a propriedade privada surgiu logo a seguir. Brigas entre vizinhos, também.

Os excedentes da agricultura também puderam suportar uma elite privilegiada. O Homo Sapiens demorou 300 mil anos para chegar à agricultura, e em meros poucos milênios, já surgiam grandes civilizações como a Babilônia antiga.

Para efeito de comparação:

  • Oásis de Jericó: 10 mil anos atrás, 1 mil habitantes
  • Mesopotânia: 5 mil anos atrás, 100 mil habitantes
  • Vale do Nilo: 4,5 mil anos atrás, 1 milhão de habitantes
  • Dinastia Qin (China): 2,2 mil anos atrás, 40 milhões de súditos

O trabalho tem desenhos magníficos como o seguinte.

Como fazer com que milhões e milhões de pessoas cooperem o mais pacificamente possível?

A resposta: através da ficção. O que seriam as leis, a ética social, e até as religiões, senão regras artificiais criadas pelos próprios seres humanos?

O código de Hamurabi, o do “olho por olho, dente por dente” foi um dos primeiros conjuntos de regras. A declaração de indepência americana, milênios depois, é outro exemplo.

Um último tópico neste resumo: os números. O cérebro das pessoas evoluiu para caçar e coletar, não para fazer contas exatas (até hoje, uma porcentagem enorme de pessoas têm dificuldade com matemática). Porém, a fim de organizar uma civilização gigantesca, é preciso registrar propriedades, produção, riqueza.

A invenção dos números é como se fosse um cérebro exterior, assim como a invenção da escrita.

“Sapiens” é uma obra monumental, abordando temas diversos desde o surgimento do homem até os dias atuais. É claro, para todos os tópicos há opiniões divergentes, e não precisamos concordar com tudo o que Harari descreve, precisamos mesmo é refletir sobre os temas e chegar à nossas próprias conclusões.

Link da Amazon, versão quadrinhos volume II:
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Livro Sapiens:
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Veja também: