Hannah Arendt e suas três fugas

A história em quadrinhos “As três fugas de Hannah Arendt: Uma tirania da verdade”, é uma biografia gráfica de Hannah Arendt, um dos principais nomes da filosofia do séc. XX.

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É uma leitura densa, cheia de citações a nomes famosos da filosofia e da Europa da época.

Judia em plena Alemanha de Hitler, aluna brilhante e pensadora promissora, ela tem aulas com o renomado filósofo Martin Heidegger. Ela, 17 anos, e o professor, casado, dois filhos, dobro da idade, tornam-se amantes por um período. Ambos seguem sua vida, mas têm uma relação conturbada que dura por décadas.

Com o aumento da perseguição aos judeus, ela, a mãe, e o marido (ela se casara com um homem chamado Günther Stern) fogem da Alemanha, e meses depois, emigram para os EUA.

Ela ganhou notoriedade ao propor abertamente, nos anos 1940, um exército judeu para combater o antisemitismo. Ela via o exército judeu como fundamental para garantir a liberdade dos mesmos.

Uma de suas primeiras obras de impacto foi o livro “A origem do totalitarismo”, em 1951, sobre antisemitismo e totalitarismo como partes do regime nazista de Adolf Hitler.

Para quem não conhece o que Hannah representa e o contexto, o momento histórico, será uma leitura cansativa e monótona – ela separa, casa com outro, publica livros, encontra Heidegger, briga com a mãe, etc…

O trecho que mais me chama atenção é sobre a “banalidade do mal”. É sobre o nazista Adolph Eichmann, preso em 1961 por agentes israelenses e levado a Jerusalém para julgamento. Acusado de enviar milhares de judeus aos campos de extermínio, esperamos Eichmann ser um verdadeiro monstro, um Darth Vader, um vilão caricato de filmes.

Porém, não é isso que Arendt encontra. Para ela, Eichmann era um burocrata, uma pessoa comum que se passaria por qualquer trabalhador mediano, fossem outras as circunstâncias. Alguém casado, com filhos, que lia Kant e organizava horários e disponibilidades de trens no seu trabalho (o problema que os trens levavam pessoas para campos de concentração). Justamente essa normalidade era o grande perigo. Será que todos nós não podemos virar um Eichmann, sob certas circunstâncias?

No depoimento, ele disse:

Em resumo, não me arrependo de nada.

Eu era apenas mais um cavalo puxando a carruagem, e podia ir para a direita ou para a esquerda por causa da vontade do condutor da carroça.

Nós nos encontraremos novamente. Eu acredito em Deus. Obedeci às leis da guerra e fui fiel à minha bandeira.

Arendt foi bastante criticada pela série de artigos sobre Eichmann. Alguns interpretaram que o texto estava minimizando a responsabilidade do nazista. Também falaram que ela estava colocando a culpa nas vítimas.

Para mim, ela está extremamente correta ao evidenciar o comportamento normal de Eichmann e a banalidade do mal.


Esse pensamento serve justamente para alertar sobre os perigos de obedecer ordens cegamente, sem ter o mínimo de questionamento e filosofia.

Hannah Arendt consta na minha “caneca da sabedoria”, onde, a cada gole de café, escolho um dos filósofos para brindar junto.

E é uma honra tomar um café imaginável com pensadores do porte de Sartre, Nietzsche e Arendt!

Seguem alguns links com leituras correlatas:

https://en.wikipedia.org/wiki/Adolf_Eichmann

A Guerra de Canudos em Quadrinhos

Recomendação de leitura: A Saga de Canudos.

É uma história em quadrinhos bastante curta, ilustrando o episódio da Guerra de Canudos, e focada em seu ilustre protagonista, Antônio Conselheiro.

Os conflitos ocorreram entre 1896 e 1897, num período logo após a Proclamação da República do Brasil.

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Antônio Conselheiro era um pregador, que viajava o Nordeste do Brasil. Ele criticava duramente a República, dizendo ser materialização do AntiCristo, pelo Estado ser laico. Outro ponto eram os altos impostos para financiar o novo governo. O profeta foi ganhando seguidores, e se estabeleceu numa fazenda, batizada como “Belo Monte”, mas que ficou conhecida na história como “Canudos”.

A comunidade de Canudos cresceu ao ponto de ter 25 mil habitantes. Seus seguidores: ex-escravos (foi um período logo após a abolição da escravatura), vagabundos, pessoas sem esperança, sem nada a perder. Era uma comunidade onde toda a produção era compartilhada entre os moradores.

Canudos começou a incomodar, por ser abertamente contra a República, e também por estar crescendo.

Foram 4 ataques militares, crescentes em termos de soldados e armamento, até finalmente Canudos ser completamente destruída.

“O sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão” – Antônio Conselheiro

“Os Sertões”, de Euclides da Cunha, é uma das maiores obras da literatura brasileira, e narra o episódio. Lembro porque caía no vestibular, e o livro era bem difícil de entender.

“E surgia na bahia o anacoreta sombrio, os cabelos crescidos até os ombros,​ barba inculta e longa; face acaveirada; olhar fulgurante” – Euclides da Cunha.

Até hoje não sei o que significa “Anacoreta”…

Ironicamente, o sertão de Canudos realmente virou mar. O açude de Cocorobó colocou as ruínas da cidade debaixo da água.

Vale a pena conhecer um pouco mais deste episódio da cultura brasileira.

https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/com-a-estiagem-cidade-de-canudos-volta-a-aparecer-apos-17-anos/

A Marcha – John Lewis e Martin Luther King

Recomendação de quadrinhos históricos para o fim de semana.

A Marcha, sobre a luta do senador americano John Lewis pela igualdade racial, nos turbulentos anos 60.

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A Marcha: Livro 1 – John Lewis e Martin Luther King em uma história de luta pela liberdade

Lewis, desde pequeno, demonstrava extremo interesse em estudar.

Na época da colheita, o pai dele não deixava os filhos irem à escola. Lewis, inconformado, um dia se escondeu do pai e pegou o ônibus assim mesmo. Tomou uma surra na volta; nos dias seguintes fez o mesmo, até que o pai desistiu.

A primeira vez que ele ouvira falar de Martin Luther King foi no rádio. Lewis era um garoto de 14 anos, e Luther, um pastor que lutava pela igualdade de direitos civis.

Um dos episódios que desencadeou inúmeros protestos foi quando uma mulher negra chamada Rosa Parks se recusou a dar seu lugar para um homem branco, no ônibus.

Anos mais tarde, Lewis foi um dos líderes do movimento, em sua cidade de Nashville.

Uma das características mais notáveis do grupo foi a não-violência, inspirado em atos similares promovidos por Gandhi, na Índia.

Eles tinham até oficinas de não violência. Treinavam para ver o comportamento da pessoa. Os candidatos eram sujeitos a xingamentos, ofensas raciais, cusparadas e tudo mais, para testar os limites. Era necessário suportar tudo isso sem revidar, para estar à frente das ações.

O primeiro alvo foram restaurantes que não serviam pessoas de cor.

O movimento pedia para comprar algo, o pedido era negado, e iam embora. Só isso.

A seguir, passaram a pedir para chamar o gerente e tentar dialogar. O restaurante se recusava, e o serviço era encerrado. O grupo ficava o resto do dia ali, sentado às mesas, sem ação.

À medida que ganhavam notoriedade na imprensa, mais e mais pessoas se juntava ao grupo. Chegaram e ter mais de 200 integrantes.

A sociedade branca revidou, com ofensas, insultos, agressões.

Teve um momento em que as prisões ficaram cheias de manifestantes. Era tanta gente, que o juiz estabeleceu uma fiança pequena, a fim de que todos fossem embora, porém, o grupo se recusou a deixar a prisão – ou seriam inocentados, ou continuariam ali.

A vitória veio tempos depois, quando as leis que permitiam a segregação foram abolidas.

Há um volume 2 do livro, que ainda não li completamente. Há também um terceiro volume da série, porém ainda não foi lançado no Brasil.

Link da Amazon:

A Marcha – Livro 2

A série venceu ganhou um prêmio Eisner de melhor história em quadrinhos baseada em fatos reais.

O senador Lewis faleceu em 2020, e Martin Luther King Jr, em 1968, assassinado.

Bônus: o discurso “I have a dream”, de Martin Luther King, é um dos mais famosos e poderosos da história. Vale a pena ouvir.

Desvendando o Cosmo

Ian Stewart é um dos maiores divulgadores científicos da atualidade. Quando vi o seu novo livro, “Desvendando o Cosmo”, não tive dúvidas, comprei na hora!

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Stewart originalmente escreve sobre matemática, explicando equações complicadas através de linguagem simples. Neste livro, o tema é o universo e os seus infinitos mistérios.

Alguns tópicos abaixo.

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Shoemaker Levy 9

O cometa Shoemaker-Levy 9 mereceu grande atenção da mídia em 1994 (eu lembro bem disso).

Este foi descoberto pelos astrônomos que levam o seu nome em 1993: um cometa fragmentado, muito próximo à órbita de Júpiter. Eles calcularam que o mesmo teria entrado na órbita do gigante havia uns 20 anos, e o efeito da gravidade maciça teria despedaçado o corpo.

Ainda mais espetacular: calculando a trajetória, o cometa colidiria com o planeta em 1994! Seria a primeira vez na história que nós, meros terráqueos mortais, veríamos ao vivo uma colisão dessas!

E, tal qual um relógio, o cometa colidiu com a superfície de Júpiter. Cada um dos cerca de 20 pedaços causou um impacto maior do que todas as bombas atômicas do mundo juntas, e deixou cicatrizes enormes no planeta grandão. Um impacto de algo semelhante na Terra seria devastador.

Depois do Shoemaker-Levy 9, autoridades do mundo inteiro incentivaram o mapeamento de cometas próximos à Terra, a fim de tentar evitar que tenhamos o mesmo destino dos dinossauros.

Júpiter, ou Zeus para os gregos, é o maior deus do Olimpo, nome apropriado para o maior planeta do sistema solar.

Há até uma teoria controversa, de que o irmão maior Júpiter protege os planetas menores, ao atrair corpos celestes errantes com a sua gravidade esmagadora.


O Problema dos três corpos

As leis de Kepler preveem a órbita elíptica dos planetas, decorrentes da Gravidade de Newton. Correto, é isso mesmo, quando temos dois corpos (o Sol e o planeta). Porém, quando temos três corpos, o comportamento desses fica extremamente mais complicado, devido à equação ser não linear.

Uma forma de aproximar a resposta é simplificando, desprezando que os menores influenciem os maiores. Exemplo: “o problema dos dois corpos e meio”: dois corpos enormes (digamos o céu e um planeta) e o comportamento de uma poeirinha, uma espaçonave, sujeita à gravidade dos grandões!


Os Anéis de Saturno

Há uma série de mistérios envolvendo os anéis de Saturno, desde que Galileu apontou o seu telescópio e descobriu “orelhas” no planeta – equipamentos melhores mostraram estas serem os anéis.

O nome “Saturno” vem de “Cronos”, o tempo, o deus grego que devora os seus filhos. As “orelhas” de Saturno davam a impressão de que havia um corpo maior engolfando outros menores.

Uma das perguntas difíceis é sobre a largura dos anéis de poeira e gelo. Algumas delas são estreitas demais, o que seria instável. Uma das hipóteses é a das “luas pastoras”: duas luas guia, que por conta de seus efeitos gravitacionais, prenderiam as partículas dos anéis, tal qual cães-pastores controlam um rebanho. A Voyager 2, em Urano, mostrou um caso desses: um anel entre as luas Ofélia e Cordélia!


Cometa Halley

O livro não poderia deixar de mencionar um dos cometas mais famosos do mundo, o Halley. Em 1705 Edmond Halley pensou: Se planetas têm órbitas elípticas ao redor do Sol, por que corpos menores também não a teriam?

Ele mergulhou em registros esquecidos de cometas avistados, e notou a semelhança entre um especialmente brilhante, com uma cauda impressionante, visto por Petrus Apianus em 1531, Kepler em 1607, e próximo à era de Halley em 1682. Halley postulou que as três ocorrências eram do mesmo corpo, e previu que o cometa voltaria em 1758 – e acertou, na mosca.

Eu também tive o meu encontro com o Halley, é um velho amigo. Vide aqui:
https://ideiasesquecidas.com/2017/08/19/%e2%80%8bo-amante-halley/


O Efeito estilingue

Na primeira viagem do homem à Lua, a trajetória foi relativamente simples: sair da Terra, depois um “empurrão” direto até a Lua. Como não há resistência do ar, pela inércia a aeronave continua em movimento, até serem necessárias outras manobras.

Para a trajetória que minimiza o tempo, essa é a melhor estratégia. Porém, foi descoberto que é possível minimizar a energia (combustível), se a missão não se importar em perder mais tempo.

A ideia é utilizar o “efeito estilingue”. Quando a nave entra na órbita de um planeta, “pega carona” em seu movimento celestial. Quando a nave estiver na posição correta, ela pode gastar um pouquinho de energia para sair da órbita, e buscar um outro planeta para outro empurrãozinho. São cálculos complicadíssimos, mas que viabilizam missões impossíveis de serem feitas sem tal técnica.

É como se fosse uma rodovia espacial, feita com estradas de gravidade. As missões atuais, que não carregam pessoas, apenas equipamentos, usam e abusam dessa estratégia.


Como saber do que as estrelas são feitas?

A estrela é só uma luzinha no céu. Como saber do que ela é feita? A resposta: através de espectros de frequência.

É muito famosa a imagem de Isaac Newton e o seu prisma decompondo a luz.

Melhorando um pouquinho a técnica, temos decomposição espectral de uma fonte de luz.

Agora, aplicando a mesma técnica para compostos conhecidos (por exemplo, aquecendo um gás de hidrogênio e decompondo sua luz), temos uma assinatura espectral própria. Cada átomo absorve frequências diferentes de energia, de modo que, a partir da decomposição da luz, podemos ter uma ideia do que as estrelas são feitas!


Como sei a distância das estrelas?

Esta foi uma pergunta que sempre me fiz. Olhando para o céu, só vemos uns pontinhos. Como os astrônomos sabem que um dos pontinhos está a 1 milhão de anos-luz, e outro, a 100 milhões?

Uma das respostas é utilizando a mesma técnica que os antigos utilizavam para calcular a altura de uma pirâmide com o auxílio de um graveto e das sombras: trigonometria.

Pelo ângulo de diversas medições do mesmo pontinho, em diversos momentos (digamos, uma hoje e outra daqui a 6 meses, quando a Terra estiver no extremo oposto de sua órbita), temos uma estimativa da distância.

Não é a única forma de fazer a estimativa de distâncias. Há outras complementares, como estimar pelo brilho da estrela.


O livro também cita buracos negros (e buracos brancos), energia escura, a criação da Lua, o Big Bang, expansão do universo e inúmeros outros conceitos. São quase 400 páginas de diversão, para quem gosta de física, matemática e meta-física!

Veja também:

Bônus: Trilha Sonora por Rita Lee. Destaque para o trecho “Por você vou roubar os anéis de Saturno”

Estudar, Ensinar, Alavancagem e Cavalos para montar

Estudar


O meu método, para aprender sobre um assunto qualquer.

  • Estudar muito
  • Ensinar muito
  • Praticar

O “Estudar muito” é autoexplicativo.

O “Ensinar muito” pode ser ensinando do jeito tradicional mesmo, e também pode ser criando um blog para postar sobre o tema estudado. Este blog (e outros como o do Excel e de Q comp) são a aplicação disso.

O segredo é que não tem segredo. É necessário muito tempo, enorme dedicação, esforço.

Alavancagem

Você pode ser o melhor vendedor do mundo, mas tem só 24h por dia.

Uma equipe de 5 vendedores, onde cada um faz metade do que você faz individualmente, vai performar mais no total.

Isso é alavancagem.

Parceria

Você não tem que saber tudo. Vale muito mais saber profundamente um tema e fazer parcerias com quem sabe outros. É aquele velho ditado:

“Sozinho, vou mais rápido, acompanhado, chego mais longe”.

Um cavalo para montar

Um dos livros mais interessantes da década de 90 é o “Horse sense”, dos grandes autores Al Ries e Jack Trout – também muito famosos há 30 anos.

Basicamente, a mensagem é “Encontre o cavalo certo para montar”. É possível interpretar o cavalo como uma oportunidade, uma grande empresa, um grande projeto.

Por outro lado, os cavalos precisam de um bom jóquei para os guiar, assim como as oportunidades, as empresas e os grandes projetos necessitam de excelentes colaboradores para chegar aos seus objetivos.

Outro livro fantástico dessa dupla de autores é o “Marketing de guerra”, imperdível. Tem também o “Posicionamento”, tema recorrente deste espaço.

Infelizmente, são livros antigos e pode ser difícil encontrá-los. Mas seguem alguns links da Amazon.

Marketing de Guerra
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Recomendações sobre Palestina e Jerusalém

Seguem algumas recomendações para entender um pouco mais sobre o conflito árabe-judaico, no meu formato de mídia favorito: histórias em quadrinhos.

Sendo o tema polêmico, é quase impossível ter algum relato isento de opiniões – então seguem fontes de cada lado da história.

Joe Sacco é um repórter gráfico, especializado em cobrir guerras – Iraque, Sarajevo e outras.

Na obra “Palestina”, ele entrevista e convive com famílias árabes na região do conflito. Diversas histórias extremamente tristes são narradas.

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O autor ganhou o American Book Award em 1996, pela obra.

Do mesmo autor, Notas sobre Gaza

Crônicas de Jerusalém – O autor, Guy Deslile, acompanha a esposa – voluntária do programa Médico sem Fronteiras – em Jerusalém.

Não é diretamente sobre o conflito, mas este permeia tudo o que acontece na narrativa.

Crônicas de Jerusalém ganhou o Prêmio Fauve D’Or 2012 de melhor álbum no Festival International de la Bande Dessinée de Angoulême, na França.

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A História dos judeus, de Stan Mack, é uma narrativa gráfica de 4000 anos de história dos judeus.

Conta desde os primórdios, das histórias bíblicas, até a formação do estado de Israel. Não é focado no conflito moderno, mas é uma visão importante para conhecer as raízes do mesmo.

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Todas essas obras contam a história de forma séria, e com uma arte belíssima.

Boa leitura!

Ensinamentos do mago da publicidade

David Ogilvy foi um dos publicitários mais criativos e influentes do mundo. Foi o fundador da Ogilvy, que existe até hoje.

Em 1962, a Revista Time o chamou de “O mago mais procurado na indústria de publicidade”.

Alguns ensinamentos do grande pai da propaganda moderna.

As regras são feitas para obediência dos tolos e para guia dos sábios.

Se encontrar alguém melhor do que você, contrate-o. Se necessário, pague a ele mais do que você ganha.

Com clientes, não assuma a postura de um criado. Eles precisam de você tanto quanto você deles.

Tolere os gênios.

As recomendações que faríamos aos clientes são as mesmas que faríamos a nós mesmos

Tente fazer com que trabalhar seja divertido. Quando as pessoas não estão se divertindo, raramente produzem bons resultados.

Uma vez vendedor, sempre vendedor.

Acredite no que você vende.

Vale a pena dar a um produto uma imagem de qualidade, um bilhete de primeira classe.

O que você mostra é mais importante do que o que você diz.

Estabeleça padrões exorbitantes e infernize a vida de seu pessoal quando não os atingirem.

Grandes ideias são normalmente simples.

Prefiro a disciplina do conhecimento à anarquia da ignorância.

O que você faz é mais importante do que o que você diz.

Delegue, faça o seu pessoal pensar. Esta é a única maneira de descobrir se são realmente bons.

Procure o conselho de seus subordinados. Ouça mais e fale menos.

Boa escrita não é um dom natural. Você precisa aprender a escrever bem.

Estou à caça de cavalheiros com cérebro.

Se contratarmos sempre pessoas maiores do que nós, seremos uma empresa de gigantes.

Despreze os bajuladores dos chefes. São geralmente as mesmas pessoas que tiranizam seus subordinados.

A melhor forma de conquistar novas contas é criar para os nossos clientes atuais.

A busca pela excelência é menos lucrativa que a busca pelo tamanho, mas é mais gratificante.

Somente negócios de Primeira Classe, em uma maneira de Primeira Classe.

Veja também:

Flutue como uma borboleta, ferroe como uma abelha

Muhammad Ali é o maior pugilista de todos os tempos, tanto dentro quanto fora dos ringues.

Nascido Cassius Clay, ele conquistou o título mundial dos pesos pesados aos 22 anos, em 1964.

Só vi as lutas de Muhammad Ali no Youtube, mas lembro que o meu pai sempre falava dele. A minha mãe também: aparentemente, assistir às lutas de Ali era mais importante para o meu pai do que sair com ela!

Ali era um falastrão: se dizia o maioral, que o adversário além de perder, era mais feio do que ele, e bravatas do tipo. Porém, ele era alguém que entregava o que prometia: extremamente veloz, flutuava como uma borboleta, gingando na frente do oponente, instantes antes de desfechar-lhe um petardo mortal, ferroando como uma abelha!

Também na vida fora dos ringues, ele falava muito e cumpria o que prometia. Era ativista anti-racismo, bastante ativo, contra a guerra e sofreu as represálias do governo por isso.

Convocado para a guerra do Vietnã, ele recusou o alistamento. Pelo ato, ele quase foi preso, perdeu o título de campeão mundial do boxe, não pôde mais lutar por 3 anos e foi à falência financeira. É raro ver pessoas com a “pele no jogo” de verdade, que fazem valer a palavra, não ficam só na retórica vazia. De nada adianta sinalização de virtude fake tão em voga nos dias atuais, como se ajoelhar antes de uma corrida e criticar os outros que não fazem o mesmo, ou bravejar no Twitter contra o capitalismo, em seu iPhone do conforto do seu lar.

“Não tenho nada contra os vietcongues. Nenhum deles me chamou de negão” – Muhammad Ali, sobre a recusa em servir aos EUA na Guerra do Vietnã.

Ali deu a volta por cima 4 anos depois, quando retornou aos ringues e retomou o cinturão de forma espetacular. Nos anos seguintes, ele protagonizou algumas das maiores lutas da história. Uma delas foi o “Thrilla in Manilla”, contra o sempre perigoso Joe Frazier.

Porém, nada se compara ao espetacular “Rumble in the Jungle”, em 1974, contra o gigante George Foreman. Foi uma luta realizada no Zaire, cheia de provocações, no coração da África que amava Muhammad Ali. O oponente, George Foreman, era claramente mais forte, além de mais jovem. Ambos eram negros, porém, por Foreman ser quietão e Ali ser reconhecido ativista por igualdade racial, Foreman ficou sendo o representante do capitalismo americano, e Ali, o campeão da África. Ali venceu a luta, com todo o apoio da torcida. Foreman ficou tão abalado com a derrota que largou o boxe, retornando 10 anos depois.

“Ali boma ye” – Ali, mate ele

Cântico dos zaierense, em apoio a Muhammad Ali contra George Foreman, na luta “Rumble in the jungle”

Um parêntesis. Em 1990, eu me lembro de ter assistido o veterano George Foreman contra o brasileiro Adílson Maguila. Se o Maguilão passasse por Foreman, talvez enfrentasse o temível Mike Tyson na sequência. Qual nada, o nosso Maguila tomou uma surra… “Parece que uma carreta passou por cima de mim”.

Talvez Foreman seja mais conhecido nos dias de hoje pelo grill

Outra cena memorável é Muhammad Ali acendendo a tocha olímpica, nos jogos de Atlanta de 1996. Ele já estava com o Mal de Parkinson, visivelmente com extrema dificuldade em controlar a tocha.

Muhammad Ali faleceu em 2016, em decorrência do Parkinson.

Comprei um funko pop deste grande lutador, que chegou hoje. Além de um lugar no panteão dos deuses do boxe, ele também ocupa um espaço na minha exótica Biblioteca de Alexandria particular, ao lado de cubos mágicos, livros de matemática abstrata e de um guerreiro de terracota da dinastia Qin.

Note que a pose do funko pop é a mesma da primeira icônica foto acima, onde ele derrota Sonny Liston.

Recomendações:

O filme “Quanto éramos reis”, sobre o Rumble in the Jungle. https://www.adorocinema.com/filmes/filme-12519/

Tem o filme “Ali”, com Will Smith, mas eu não gostei muito. https://amzn.to/3heDina

Funko do Ali: https://amzn.to/33rEc7J

https://en.wikipedia.org/wiki/Muhammad_Ali

https://www.uol.com.br/esporte/boxe/ultimas-noticias/2020/06/27/o-erro-de-maguila-em-nocaute-brutal-pra-holyfield-ue-onde-estou.htm

https://www.uol.com.br/esporte/reportagens-especiais/maguila-x-foreman-parece-que-uma-carreta-passou-por-cima-de-mim/#page1

https://www.theweek.co.uk/muhammad-ali/73369/ali-boma-ye-the-chant-that-made-muhammad-ali-an-african-hero

O Anel do Nibelungo

Forte recomendação de leitura fantástica: O Anel do Nibelungo, adaptação em quadrinhos pelo aclamado P. Craig Russell.

Link da Amazon: https://amzn.to/3dPRWik

É uma obra colossal, com quase 500 páginas, papel especial, capa dura, deve ter quase 1 kg de peso (recomendo a versão em papel, muito mais legal que em qualquer outra tela).

Russell é seguramente um dos maiores desenhistas do mundo atual. Seus trabalhos em Sandman estão entre as mais belas já obras vistas no gênero.

Pelo tema ser denso e extenso, vale uma introdução.

Tenho uma longa história de admiração pela lenda do Anel do Nibelungo.

A primeira vez que tive contato com o tema foi com a “Cavalgada das Valquírias”, de Richard Wagner, utilizada no clássico filme “Apocalyse Now”, de Francis Ford Coppola. No clipe, um grupo de helicópteros americanos leva terror e aniquilação total à vilas vietnamitas. Arautos da morte: metralhadoras, bombas, destruição, sob a trilha sonora poderosa de Wagner, um encaixe audiovisual perfeito – vale a pena conferir:

A Valquíria é um dos capítulos da ópera “o Anel do Nibelungo” de Richard Wagner. Por sua vez, esta é uma coletânea de lendas nórdicas e germânicas antigas, compiladas numa narrativa completa por Wagner (é como se ele fosse um Homero em relação à Odisseia).

Wagner viveu há uns 150 anos atrás, e era contemporâneo do filósofo Friedrich Nietzsche – eram amigos, até a relação azedar e se tornarem inimigos. Pelas obras de ambos serem fortes, e germânicas, posteriormente ambas foram utilizadas pela propaganda nazista. Originalmente, não havia essa intenção, até porque eles viveram uma geração antes de Hitler.

A saga do anel tem quatro partes, e começa com “O ouro do Reno”.

Alberich, um anão horripilante, renuncia ao amor, rouba o ouro do Reno (em alusão ao rio Reno, na Alemanha), e forja um anel. Este dá poderes imensos ao possuidor.

Wotan e Loge enganam Alberich e conseguem tomar o anel, que é cedido a alguns gigantes do gelo.

A mitologia germânica tem muitos paralelos com a mitologia nórdica, do Thor.

Wotan, o pai de todos os deuses, é cego de um olho, cedido em troca de sabedoria – é claramente igual a Odin.

Loge, o traiçoeiro, é o paralelo de Loki. As deusas Freya e Friga também aparecem em ambas mitologias. O paralelo de Thor é Donner, mas ele é coadjuvante na história do anel.

Os personagens principais desta saga aparecem a seguir. A segunda parte é sobre a Valquíria, a terceira sobre o herói Siegfried, este sim o grande protagonista da história, após uma longa e tortuosa jornada. A quarta parte é o Crepúsculo dos Deuses, o fim de tudo (Não por acaso, há um livro de Nietzsche chamado o Crepúsculo dos Ídolos, onde ele detona a filosofia, o cristianismo, a moral e tudo mais que pode ser detonado).

Não só sou eu que sou fascinado por esses temas. Há alguns paralelos entre o Senhor dos Anéis e a obra de Wagner. Um anel que confere poder inimaginável ao dono, porém com uma maldição. Um anão disforme, obcecado pelo poder do anel. O autor J. R. R. Tolkien diz não ter se inspirado diretamente na obra, mas talvez tenha bebido da mesma fonte, as lendas nórdicas e germânicas originais.

Outra referência notável é o anel de Giges, presente nos diálogos de Platão. O possuidor do anel possuía o poder de se tornar invisível quando quisesse. Dessa forma, ele poderia cometer as maiores injustiças do mundo, sem ter punição (ao invés do anel, hoje em dia imagine estar no STF). Platão utilizou o conto para perguntar se há ser humano que manteria sua índole moral diante de poder infinito (a julgar pelo STF, difícil…).

Para fechar, é muito legal o making off da produção desta obra-prima. Craig Russell mostra o cuidado que teve ao fazer o trabalho. Um exemplo: ele tirou milhares de fotos de atores fazendo poses, a fim de retratar com fidelidade os desenhos. Outro exemplo: ele tinha desenho detalhado do cenário de fundo utilizado, sob vários ângulos.

Ator servindo de modelo para o desenho de Russell

É uma obra densa, épica, com arte sensacional. Um prato cheio para quem gosta do tema!


Sobre o escriba deste texto: Arnaldo Gunzi é completamente fascinado pela intersecção entre mitologia, história, cinema, filosofia e quadrinhos, como este post deve ter deixado claro!

Trilha sonora: A cavalgada das Valquírias – Richard Wagner
https://www.youtube.com/watch?v=7AlEvy0fJto

P.S. Menção honrosa à adaptação do Anel dos Nibelungos de Roy Thomas (desenhista do Conan), de 2003 – tenho ambos.

Veja também:

Indicação nerd: Marie Curie na Netflix


O filme “Radioactive” é sobre uma das maiores cientistas da história, Marie Curie. Devemos a ela a descoberta do elemento rádio, e de grandes avanços na pesquisa da radioatividade.


Vencedora de dois prêmios Nobel, em física e em química, ela supera até Einstein neste quesito (ele ganhou “só” um, coitado).


Normalmente já é difícil fazer ciência. Além disso, ela encontrou dificuldade adicional por ser mulher, 100 anos atrás, e até xenofobia, por ser imigrante polonesa. Por exemplo, o filme mostra que apenas Pierre Curie tinha sido nominado, e que este lutou para incluir a esposa, no primeiro Prêmio Nobel. Marie ganhou sozinha o segundo Nobel, já que Pierre já tinha falecido.


Os efeitos nocivos da radioatividade eram desconhecidos na época. A contínua exposição aos elementos custou a saúde dos Curie: Pierre estava debilitado, quando morreu devido a um acidente de trânsito, já Marie, tinha anemia, tosse, deformação nos dedos, e provavelmente leucemia. Mesmo assim, ela nunca parou de se dedicar com afinco à sua paixão, a ciência. 


A filha de Marie e Pierre, Irene, continuou a pesquisa da radioatividade em outros elementos, e também ganhou o seu Nobel.


É por conta destes trabalhos todos que temos aparelhos de raio-X, usinas de energia nuclear a até a bomba atômica, nos dias de hoje.


O filme não é muito bem feito, chega a ser chatinho e confuso, mas, pela grandeza da família Curie, vale muito a pena!

Aproveito para deixar uma foto da icônica Conferência de Solvay de 1927, que juntou os maiores gigantes da física do século passado: Marie Curie, Albert Einstein, Niels Bohr, Werner Heisenber, Max Planck, Erwin Schrodinger.

Veja também:

Ferramentas para tempos on line

Sobre algumas ferramentas que podem ser interessantes, para esses tempos de home office e video conferências.

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Mentimeter

O Mentimeter é muito bom para fazer pesquisas online e ver os resultados, em tempo real. Dá para fazer gráficos, nuvem de palavras, listas, etc.

https://www.mentimeter.com

A versão free permite duas perguntas, o que é suficiente para uso esporádico.

(Resultado da enquete de enquete que fiz – no canto inferior direito, mostra 44 participações)

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QR Codes

Outra ferramenta útil é a de criar QR codes – para passar rapidamente o link de sites e contatos.

Há várias possíveis, e esta é bem simples. Basta escrever o endereço do site e baixar o qr code:

https://br.qr-code-generator.com/

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Forms

Por fim, o Google Forms, que já existe há muito tempo e é bastante conhecido. Serve para pessoas com acesso ao formulário preencherem, e a ferramenta consolida os resultados.

É possível configurar resposta única ou múltipla, respostas obrigatórias e várias outras opções.

A Microsoft tem o seu clone, o Microsoft forms – o que é especialmente bom para empresas que têm o pacote Office apropriado.

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Quem tiver outras boas sugestões, e de preferência free, fique à vontade para responder.

Recomendação: Era uma vez em… Hollywood

Qualquer filme de Quentin Tarantino é coisa para assistir com atenção absoluta. O genial diretor trouxe ao mundo obras-primas do cinema, como Pulp Fiction e Bastardos Inglórios.

Achei sensacional último filme dele, “Era uma vez em Hollywood”, principalmente o final – e só depois do final que entendi o título.

Não vou dar spoilers aqui, porque uma obra dessas merece ser vista sem saber o que ocorrerá no final, mas queria passar algumas dicas de conhecimento prévio. É importante saber alguns fatos dos anos 60, para maximizar o entendimento da trama.

Um dos crimes mais chocantes do século passado, e que até hoje ocupa o imaginário popular, é o assassinato da deslumbrante atriz Sharon Tate, grávida de 8 meses e esposa do badalado diretor Roman Polanski. Os assassinos, um grupo de fanáticos, comandados por Charles Manson.

Manson se dizia reencarnação de Jesus, e procurava mensagens ocultas nas músicas dos Beatles. Vivia com os seus seguidores num rancho, pregando a liberdade, o fim do capitalismo, amor livre (bacanais) e consumo de alucinóginos. A comunidade realizava pequenos furtos e buscava comida no lixo. Tudo mudou no dia de “Helter Skelter”, em que começaram a assassinar pessoas, entre elas, Sharon Tate e amigos.

Este episódio lamentável está amplamente documentado, como nos links ao final do texto.

O poder de influência e o nível de loucura de Manson era tão grande, tão grande, que mesmo depois de preso, ele atraía uma legião de fãs.

Pois bem, o filme acompanha um astro decadente, Rick Danton, e seu dublê Cliff Booth. Interpretados por dois dos maiores e mais bem pagos atores da atualidade, Leonardo DiCaprio e Bradd Pitt, ambos com atuações sensacionais.

A vida de Sharon Tate (interpretada por Margot Robbie, vale anotar o nome) e Roman Polanski fica meio em paralelo, assim como a gangue de Mason, até tudo se entrelaçar no finalzinho…

Fora isso, há dezenas de homenagens a filmes dos anos 60, referências a outros trabalhos do diretor, detalhes e easter eggs inúmeros, diálogos afiados e cenas de sangue, à lá Tarantino.

Veja também:

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/sexo-drogas-e-paranoia-a-incomum-vida-na-comunidade-de-charles-manson.phtml

https://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Manson

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/01/cultura/1564673873_374429.html

https://www.businessinsider.com/quentin-tarantino-once-upon-time-hollywood-details-you-missed-2019-7