Os titãs dos quadrinhos

Recomendação de livros para o final de semana: as biografias em quadrinhos de Stan Lee e Jack Kirby, duas lendas que revolucionaram os quadrinhos nos anos 60 e 70!

Devemos à eles a criação de personagens como o Quarteto Fantástico, os Vingadores, os X-Men, o Homem-Aranha, Homem de Ferro, Dr. Estranho, os Vingadores e muitos outros.

Stan Lee é figura mais conhecida, devido às aparições frequentes em filmes do Universo Cinemático Marvel. É o velhinho simpático da foto, e de certa forma, o rosto da Marvel nos últimos quarenta anos.

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Já Jack Kirby é o gênio criativo por trás dos fantásticos desenhos que enchiam os olhos de milhões de crianças e adolescentes, este escriba incluso.

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Porém, a história real nunca é tão perfeita quanto na nossa imaginação. A “casa das ideias” da Marvel teve uma série de problemas. Listando rapidamente algumas curiosidades.

  • Jack Kirby criou o Capitão América, nos anos 40, com Joe Simon, em outra editora. Posteriormente, o Capitão foi incorporado à Marvel.
  • Os heróis de Stan Lee tinham a característica de serem humanos, falíveis e com pontos fracos. O Homem-Aranha, por exemplo, é um garoto franzino, azarado e que precisa trabalhar de fotógrafo freelancer para fechar as contas. Outra característica de Stan é muito humor.
  • Os heróis da geração anterior, sendo o Superman o mais emblemático, eram superhumanos beirando a perfeição. É reflexo do zeitgeist da época, que vai mudando com o tempo.
  • A Marvel ganhou uma fatia enorme de mercado nas décadas seguintes, mas o mercado é cíclico – concorrentes copiam a fórmula, outras mídias ganham espaço, etc…
  • Jack Kirby e Stan Lee tiveram a primeira grande contribuição juntos no Quarteto Fantástico.
  • Kirby, com o passar dos anos e com o sucesso dos personagens, começou a se incomodar com o método de Stan Lee. Ambos discutiam brevemente o enredo, Kirby idealizava e desenhava tudo, e Stan preenchia os diálogos. Kirby ficava com uma porção enorme do trabalho, mas os créditos eram sempre para Stan como escritor e ele como desenhista. Quanto ao pagamento, ele recebia apenas como desenhista, embora tivesse feito grande parte do roteiro.
  • Steve Ditko, o criador do Homem-Aranha junto com Stan, também ficava incomodado em estar fazendo quase todo o trabalho e levando pouco crédito. Ditko chegou a nem falar mais com Stan, e saiu da Marvel na primeira oportunidade que teve.
  • No começo, Kirby era uma explosão de criatividade, propondo personagens fantásticos e cenários os mais criativos possíveis. Exemplo: ele criou sozinho o Surfista Prateado, mas como sempre, o crédito foi para Lee indiretamente. Chegou uma hora que ele continuou criando, mas guardando os melhores para si mesmo, para usar em outra ocasião.
  • Finalmente, Kirby saiu para a rival DC, onde utilizou parte do material guardado anos antes para criar Os Novos Deuses, Darkseid e outros. Porém, Kirby passou poucos anos na DC e retornou à Marvel, em seu retorno criou Os Eternos (que virou filme recentemente).
  • O material de Jack Kirby sozinho é visualmente muito bonito, porém, nitidamente as histórias eram inferiores ao trabalho junto com Stan Lee – mostrando que realmente a amálgama entre ambos é que criava uma magia incomum.
  • Jack Kirby morreu em 1994, não chegou a ver suas criações nas telonas. Ele não tinha nenhuma porcentagem de royalties sobre os personagens, era amargurado por isso e chegou a passar mal ao ver brinquedos do Capitão América à venda. Kirby é relativamente desconhecido do grande público, ao contrário de Stan Lee, que tem até versões de si em action figure.

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  • Stan Lee virou editor, contratou uma série de novos roteiristas e desenhista, e em meados dos anos 80 dedicou muito tempo a ser a “cara” da Marvel, em palestras por todo o país. Um sujeito energético, engraçado, capaz de contar histórias que entretém multidões, e com um ego de alguém que gosta de aparecer.
  • Os X-Men originais nunca foram muito bem, e até tiveram a revista cancelada. Nos anos 70, com a internacionalização forte dos quadrinhos, os editores queriam um grupo com personagens de várias nacionalidades. O escritor Len Wein então reformulou os X-Men, com novos integrantes como o Noturno (Alemanha), Colossus (Rússia), Wolverine (Canadá) e Tempestade (África). Pouco após, foi com o escritor Chris Claremont que os X-Men ganharam histórias de altíssima qualidade, aumento expressivo de vendas e as características que conhecemos hoje e foram inspiração para o cinema.
  • Stan Lee continuou trabalhando em projetos diversos até o fim da vida, incluindo um com a DC Comics. Ele conseguiu fama e fortuna, ao contrário de Kirby e da imensa maioria dos roteiristas e desenhistas com quem trabalhou.
  • A Marvel Comics foi sendo comprada por inúmeras editoras, e estava perto de um beco sem saída, quando os filmes de seus superheróis começaram a fazer sucesso no cinema, notadamente o Homem-Aranha e os X-Men de meados do ano 2000. Após o sucesso inicial, filmes diversos começaram a surgir na sequência.

Um enorme OBRIGADO ao gênio criativo de Stan Lee, Jack Kirby e tantos outros, e vejamos as cenas dos próximos capítulos.

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Eles enviam uma newletter semanal, com os gráficos da semana, sobre temas variando de indicadores econômicos a dados de tecnologia.

Fica a dica.

Recomendações: Orfeu do Carnaval e Prenda-me se for capaz

Zapeando pelo Amazon Prime Video, descobri que filme “Orfeu do Carnaval”, de 1959, está no catálogo atual.

É um filme interessante pelo contexto histórico. Foi este que iniciou a parceira Tom Jobim – Vinícius de Moraes, e, consequentemente, algumas das mais belas canções já escritas até hoje.

“Tristeza não tem fim
Felicidade sim
A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar”

Além disso, sem o “Orfeu Negro”, possivelmente talvez não tivéssemos Barack Obama. Vide detalhes desta história aqui (https://ideiasesquecidas.com/2018/01/17/orfeu-tom-vinicius-e-obama/).

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Aproveitando o post, segue outra recomendação do catálogo. “Prenda-me se for capaz”.

Engenheiros “hard code” como eu tendem a dar muita importância à tecnologia e algoritmos. Porém, o que hackeia de verdade sistemas é a chamada engenharia social, da qual Frank Abagnale Júnior era mestre.

Por volta da década de 1960, o jovem Abagnale já hackeava o sistema: golpes com cheques sem fundo cada vez mais elaborados, diplomas falsos para obter posições, subterfúgios os mais diversos possíveis para convencer as pessoas e fugir da polícia.

Abagnale era tão bom no que fazia que passou a colaborar com a polícia apó cumprir sua pena, para evitar golpes como os que ele aplicava, e até hoje, ele dá aulas e tem livros sobre segurança da informação.

Livro do Frank Abagnale. Scam me if you can:
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Já vi o filme mais de uma vez desde o lançamento, em 2002, e sempre me surpreendo.

Ficam as dicas.

Sapiens – os pilares da civilização

A dica desta Black Friday é o recém lançado “Sapiens – os pilares da civilização”, versão em quadrinhos da obra prima de Yuval Harari.

É o segundo volume de quatro. Este volume mostra a revolução agrícola, cerca de 12 mil anos atrás, como o homem dominou o trigo (ou será que foi o trigo que dominou o homem?), a domesticação dos animais – hoje temos mais de 5 bilhões de cabeças de gado, ovelhas e porcos, e 20 bilhões de frangos (seria isso um sucesso para os animais domésticos ou um fracasso?).

A agricultura permitiu que o ser humano se fixasse num lugar, ao invés da vida nômade, porém a armadilha da agricultura é que agora ele tinha que trabalhar exaustivamente mais do que o caçador coletor de antigamente, e o ganho de produtividade foi compensado pelo maior número de filhos a alimentar.

Os melhores locais para agricultura e o enorme trabalho de cultivo tornaram os terrenos naturalmente mais valiosos, de modo que a propriedade privada surgiu logo a seguir. Brigas entre vizinhos, também.

Os excedentes da agricultura também puderam suportar uma elite privilegiada. O Homo Sapiens demorou 300 mil anos para chegar à agricultura, e em meros poucos milênios, já surgiam grandes civilizações como a Babilônia antiga.

Para efeito de comparação:

  • Oásis de Jericó: 10 mil anos atrás, 1 mil habitantes
  • Mesopotânia: 5 mil anos atrás, 100 mil habitantes
  • Vale do Nilo: 4,5 mil anos atrás, 1 milhão de habitantes
  • Dinastia Qin (China): 2,2 mil anos atrás, 40 milhões de súditos

O trabalho tem desenhos magníficos como o seguinte.

Como fazer com que milhões e milhões de pessoas cooperem o mais pacificamente possível?

A resposta: através da ficção. O que seriam as leis, a ética social, e até as religiões, senão regras artificiais criadas pelos próprios seres humanos?

O código de Hamurabi, o do “olho por olho, dente por dente” foi um dos primeiros conjuntos de regras. A declaração de indepência americana, milênios depois, é outro exemplo.

Um último tópico neste resumo: os números. O cérebro das pessoas evoluiu para caçar e coletar, não para fazer contas exatas (até hoje, uma porcentagem enorme de pessoas têm dificuldade com matemática). Porém, a fim de organizar uma civilização gigantesca, é preciso registrar propriedades, produção, riqueza.

A invenção dos números é como se fosse um cérebro exterior, assim como a invenção da escrita.

“Sapiens” é uma obra monumental, abordando temas diversos desde o surgimento do homem até os dias atuais. É claro, para todos os tópicos há opiniões divergentes, e não precisamos concordar com tudo o que Harari descreve, precisamos mesmo é refletir sobre os temas e chegar à nossas próprias conclusões.

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Veja também:

Ruído: Uma falha no julgamento humano

Daniel Kahneman é o economista comportamental mais respeitado do mundo, conhecido pelo grande público principalmente pelo livro “Rápido e Devagar – Duas Formas de Pensar”.

“Ruído: Uma falha no julgamento humano” é o seu novo livro, escrito com Olivier Sibony e Cass Sunstein, este último coautor de Nudge, outro best-seller do tema.


Há uma série de falhas no julgamento humano.

Um juiz cansado (digamos, no final do expediente) é mais rigoroso do que ele mesmo descansado.

Uma moça jovem e bonita tem mais chance de sofrer sanções leves do que um homem, nas mesmas situações.

Humor, stress, fatiga, tudo isso influencia em nossos julgamentos, no dia-a-dia.


Tendência e Ruído

Porém, nem todos os erros de julgamento são iguais. Os autores distinguem dois tipos principais: Tendência e Ruído (Bias and Noise).

O primeiro é um erro sistemático. Digamos, um preconceito, uma mulher não contratada por ser mulher.

O segundo é um erro não sistemático, aleatório. Variações de um julgamento pelo humor do juiz. Sentenças muito diferentes para a mesma situação.

O erro tipo ruído não é tão fácil de identificar, mas existe e afeta a vida de todos nós.

Onde há julgamento humano, há ruído.

O livro mostra uma série de falhas devido ao ruído. Juízes falham, médicos falham, especialistas falham.


Impressões digitais

Um caso que achei extremo. Nós achamos que análise de impressão digital em crimes é bastante científica, mas mesmo nesse caso, há uma parte de julgamento humano. Os autores citam um experimento, em que a mesma amostra foi apresentada ao mesmo especialista, diversos meses depois, e cerca de 15% dos veredictos mudaram!

Há maior tendência de erros em casos mais difíceis. E também há o efeito do “Viés confirmatório”, para adequar a impressão ao contexto do crime cometido.

O mesmo vale para exame de sangue, ossadas e até DNA. Sempre há ruído.


Especialistas

Os especialistas erram previsões. O pesquisador Philip Tetlock, após duas décadas de estudo, concluiu que especialistas não são melhores do que chimpanzés ao fazer forecast.

Prever futuro é difícil. O principal problema não é errar, mas achar que é possível predizer.

Há elite dos especialistas, os superforecasters. Estes conseguem performance consistentemente melhor, mas não muito, e apenas no curto prazo.

Um problema de forecast é que a intuição do ser humano cria histórias narrativas coerentes, consistentes com a sua visão de mundo e com os fatos que conhece.

E uma análise puramente baseada em dados, se sairia melhor?


Sobre modelos numéricos

Segundo estudos citados no livro, algoritmos numéricos superam opiniões de médicos, consistentemente.

Um dos casos citados, forecast de performance de executivos na contratação, teve desempenho 77 por cento melhor do que avaliação subjetiva do RH.

Regressões simples e múltiplas são alguns dos métodos citados.

Entretanto, mesmo tais modelos têm limites. Modelos complexos demais, digamos não-lineares e com milhares de variáveis, não levam a ganho em previsão. O gap entre modelos complexos e simples é pequeno, de forma que não há ganho em complicar demais.

Os modelos também não conseguem pegar casos excepcionais.

Princípio do perna quebrada. Em análise de dados, há eventos causais que um modelo pode não capturar. Ex. Quando alguém vai ao hospital, diminui chance de ir ao cinema. Neste caso, é possível intervir manualmente no modelo e forçar a relação.

Um dos sucessos da Inteligência Artificial moderna é descobrir, naturalmente esses “broken legs”. É a “Ignorância Objetiva”.


A Ilusão da Validade

Imagine um jornalista fazendo uma entrevista sobre problemas políticos no Brasil. O primeiro entrevistado é um analista político bem articulado, e o segundo, um analista bastante tímido. Quem terá mais credibilidade aos olhos do espectador?

Agora, imagine que, ao invés de problema político, a TV está passando um jogo de xadrez. Por que o analista bem articulado teria alguma relevância maior do que o analista tímido, somente pela forma de se expressar?


E o que podemos fazer para mitigar os efeitos do ruído?

Algumas dicas:

  • Chamar outras pessoas para opinar.

  • Colocar a própria decisão de lado por um tempo e repensar. Você não é o mesmo em todo momento. Reavalie.

  • Auditoria do ruído. Criar forma de medir precisamente as decisões, depois submeter novamente o caso depois de tempo e em outro contexto, a fim de medir a variabilidade do experimento.

  • Higiene de decisão: ter um processo disciplinado e estruturado para tomada de decisões. Proteger decisão de fatores externos. Dividir problema em pedaços menores. Solicitar o julgamento de várias pessoas, de forma independente, de modo que a decisão de um não influencie o outro. Utilizar checklists. Diminuir velocidade da intuição (o sistema 1), deixar o racional (sistema 2) trabalhar.

  • Introduzir algoritmos de suporte, para decisão em conjunto com um especialista.

Este e demais trabalhos de Daniel Kahneman desmascaram uma série de vieses de comportamento, que são como armas para nos defender ou serem utilizadas. Um “não” não é sempre “não”, pode virar um “sim” dependendo do contexto e do ruído associado ao momento. O livro apresenta uma série de dicas práticas, para utilização imediata, a fim de chegarmos a conclusões consistentes.

Começe agora!

Este resumo apenas arranha a superfície do texto. Adquira o livro em:
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Versão áudio pode ser encontrada no serviço Audible:
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Veja também:
https://ideiasesquecidas.com/2018/03/02/%e2%80%8bskin-in-the-game-pele-no-jogo-de-nassim-taleb/

Uma coletânea de dicas – Evernote, Pocket e livro para download

Evernote

O https://evernote.com é um serviço que permite fazer e organizar anotações rápidas. Hoje em dia, temos diversos computadores – notebooks, celulares, etc. O Evernote permite acessar as notas de qualquer lugar.
O OneNote do Office é semelhante, mas eu acho o primeiro mais leve.

Pocket

O https://getpocket.com/ é um serviço que permite salvar o conteúdo em páginas da internet, para posterior leitura. O e-reader que tenho tem conexão com o Pocket, o que permite que eu leia o conteúdo no reader facilmente.

Bil Gates

Por fim, Bil Gates liberou o último livro dele, “Como evitar um desastre climático”, gratuito para universitários.

https://exame.com/pop/bill-gates-libera-este-livro-para-download-gratuito-por-universitarios

Gosto bastante do livro citado, e até já fiz um pequeno resumo, no link a seguir:

https://ideiasesquecidas.com/2021/02/25/como-evitar-um-desastre-climatico

Império Romano, Otomano e dos Samurais

Seguem três recomendações de séries – documentários – históricos.

Império Romano. Em três temporadas, cada temporada foca numa época. Marcus Aurelius e Comodus, Júlio César, Calígula. Em comum: rede de intrigas, luta pelo poder, assassinatos, envenenamentos, pão e circo para o povo. Muito impressionante é a segunda temporada, mostrando a ascensão e queda de Júlio César, a travessia do Rubicão, a conquista da Gália, Cleópatra e Marco Antônio.

https://www.netflix.com/title/80096545

Ascenção do Império Otomano: a impressionante campanha de Maomé II, para a conquista da inconquistável cidade de Constantinopla. Para superar a muralha dupla separada por poços, os turcos otomanos lançaram mão de todas as estratégias possíveis: força bruta pesada, utilização dos mais caros e avançados canhões da época, espionagem, intrigas, e até mesmo, abrir um caminho de 15 km dentre a floresta para transportar navios por terra!

https://www.netflix.com/title/80990771

A guerra dos Samurais: quando falamos da época dos samurais no Japão feudal, três nomes vêm à mente. Oda Nobunaga, Toyotomi Hideyoshi e Tokugawa Ieyasu. A série acompanha a história desses três personagens, a unificação do Japão, artimanhas e estratégias, e até a tentativa de invasão da Coréia por Hideyoshi.

https://www.netflix.com/title/80237990

As três séries estão disponíveis na Netflix.

Indicação de série para os amantes de tecnologia

Indicação de série computacional para o fim de semana. Na Netflix, “The Billion Dollar Code” conta a história de um hacker e um artista, na Alemanha pós queda do muro de Berlim, que se uniram para criar um antecessor do Google Earth, 10 anos antes deste.

Eles imaginaram o super-homem, voando pelo planeta a grandes altitudes, e dando zoom nas regiões a serem visitadas. O software foi batizado “Terra Vision”, e mostrado em feiras no mundo todo.

Eles acusam uma pessoa da Silicon Graphics de ter copiado a ideia e pontos principais do código, para desenvolver o Google Earth. Anos depois do sucesso do Earth, os criadores do Terra Vision resolvem processar a gigante de tecnologia, e uma batalha jurídica se segue.

É uma batalha de Davi x Golias, contada pelo lado fraco da história.

Temos o costume de celebrar a visão, criatividade e persistência dos vencedores, dos Gates, Jobs e Zuckenbergs da vida. Entretanto, há centenas de empreendedores igualmente visionários, criativos e persistentes que ficam pelo caminho, por diversas circuntâncias.

Como é difícil inovar! Não basta ter uma ideia brilhante e capacidade técnica de desenvolvimento.

É preciso estar no timing correto. O Terra Vision surgiu anos antes da Internet se popularizar, muito cedo.

É preciso escalar. Na Alemanha da época, eles tinham acesso a pouquíssimo capital de risco e estrutura, de forma que não conseguiram fazer um produto de alcance mundial.

Concorrentes: existe uma teoria de que as ideias estão no ar, e quando chega o momento delas, mais de uma pessoa tem a mesma visão. Inúmeros casos: Santos Dumont x Irmãos Wright, Edinson x Westinghouse, Darwin x Wallace. Mesmo Einstein, não fosse ele a criar a Teoria da Relatividade, teriam outros (como o matemático David Hilbert). Se não fosse o Google Earth, seria o Terra Vision ou alguma concorrente.

E quem ganhou o processo, no final das contas? Veja na série.

Mitologia nórdica

Segue uma excelente recomendação, para quem gosta de mitologia.

É a adaptação em quadrinhos do livro “Mitologia nórdica”, de Neil Gaiman, por P. Craig Russell, um dos maiores desenhistas da atualidade.

Histórias como o casamento de Frigga, o muro de Asgard, o martelo de Thor, os filhos de Loki. Sempre com a participação direta ou indireta dos personagens de sempre, Thor, Odin, Loki.

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A vaca louca, príons e a história de um Prêmio Nobel

A doença da vaca louco todo mundo já ouviu falar, até pelo nome ser exótico: é uma doença que faz as vacas perderem o controle motor e pararem de se alimentar. É um mal neurodegenerativo, que faz buracos no cérebro, tornando-o parecido com uma esponja.

E o que diabos é um príon?
O príon é aquilo que causa a doença da vaca louca. O problema que esse tal de príon não é um vírus, nem uma bactéria, fungo, nada conhecido. O nome vem de “proteína infecciosa”, termo cunhado pelo pesquisador Stanley Prusiner, que ganhou o Prêmio Nobel de Fisiologia de 1997 pela descoberta. Essa definição de príon é tão controversa que até hoje há enorme contestação sobre o tema.

Nós temos a noção de que ciência é algo linear, direto, em que um pesquisador descobre algo, prova, e todo mundo concorda. Na verdade, é muito diferente disso, e o caso de Prusiner demonstra muito bem: é uma luta quase solitária contra o consenso, envolvendo enorme trabalho, priorização de recursos e até guerra de egos.

Stanley Prusiner escreveu um livro interessante sobre o tema: “Madness and Memory – The Discovery of Prions – A New Biological Principle of Disease”, que narra a história de sua pesquisa.

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Primeiro, descobertas anteriores chamaram a sua atenção. Algumas doenças, como a Creutzfeldt-Jakob Disease (CJD) e o Kuru (que ocorre em tribos na Nova Zelândia), pareciam ser infecciosas, porém não envolviam nenhum organismo que tinha DNA.

Ser infeccioso é mais ou menos simples de comprovar. Basta colocar o tecido de uma pessoa infectada em contato com uma cobaia não infectada (digamos, um chimpanzé). Um enorme problema aqui é o que o período de incubação pode passar de 10 anos, o que torna a relação causal mais complicada de detectar.

Uma suspeita bastante óbvia, era de que se tratava de um vírus. Ou um viróide, ou algo do tipo. Essa era a aposta de 10 entre 10 infectologistas da época. Stanley Prusiner mergulhou a fundo nas pesquisas, a fim de entender se realmente se tratava de um vírus.

O organismo causador da infecção não tinha DNA. Prusiner e time realizaram inúmeros testes, como o de jogar raios ultravioleta, que destroem a cadeia de DNA. E nada. Se utilizassem técnicas para desativar um vírus, o príon não era desativado, se o príon era desativado, não funcionava num vírus.

Sua conclusão é a de que era uma proteína com alguma deformação que a tornava infecciosa, não um vírus, um fungo ou algum outro microorganismo conhecido. Além disso, as vítimas morriam sem reações imunológicas normais (como febre). Realmente, deveria ser algo diferente.

Um episódio interessante é sobre o nome. Ele sabia que um bom nome ajudaria a fortalecer o conceito. Ele pensou em “proteína infecciosa”, que ficaria “proin”. Porém, “príon” soa melhor, além de que o “íon” dá uma cara de química.

A fim de proteger o sensível e poderoso cérebro, o organismo dos seres vivos possui uma série de filtros. Não é qualquer coisa que chega ao cérebro. Porém, doenças como o Kuru vêm por meio de ingestão, e atravessam todas as barreiras. Isso porque o príon deriva de uma proteína nativa do próprio cérebro, e por isso, passa por todas essas barreiras do corpo.

A doença Kuru, é degenerativa como a da vaca louca, mas em humanos. Nas tribos onde ocorria o problema, havia a tradição de canibalismo. Normalmente, eram as mulheres que comiam os adversários mortos – e, consequentemente, eram elas que sofriam de Kuru.

Sobre a doença da vaca louca, anos depois, algo semelhante. Ossos e gado não consumível ao ser humano (vacas doentes, por exemplo), eram processados, transformados em ração, e dados para alimentar o rebanho que estava crescendo. Animais herbívoros passaram a ser forçadamente canibais. O cérebro de vacas com os príons entrava na dieta, e com isso, atingia outros animais. É nesse contexto que, por volta de 1985, começaram a surgir os primeiros casos da vaca louca, atingindo o auge nos anos 90.

Conhecendo a origem e a forma de transmissão, ficou fácil estabelecer os meios para evitar o problema. O canibalismo deixou de ser praticado entre as tribos de Nova Guiné, e a farinha de ossos e carne foi proibida, inclusive se fosse feita de outros animais como galinha.

No livro, Prusiner narra como a ideia original de príon foi recebida com enorme ceticismo, e a sua luta para conseguir verbas para continuar a pesquisa. À medida que mais e mais evidências convergiam para seus estudos, também houve concorrentes o boicotando, tentando chegar à conclusões sem o citar ou evitando utilizar os seus dados – no meio acadêmico, há enorme guerra de egos.

Seja como for, Prusiner foi merecedor do Prêmio Nobel, pelo pioneirismo de suas ideias, pela curiosidade e ousadia em tentar entender algo que destoava do conhecimento comum.

O livro é muito interessante para quem tem algum conhecimento do que é um príon e do quão esquisito é esse conceito. Também é um documento que mostra o caminho trilhado por um grande cientista, as suas dúvidas, a incerteza de estar fazendo a coisa certa, e, enfim, o triunfo em ver sua pesquisa ajudar a combater um mal de alcance mundial, a doença da vaca louca.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4445594/

https://www.canalrural.com.br/sites-e-especiais/saiba-que-como-surgiu-mal-vaca-louca-10357/amp/

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Encefalopatia_espongiforme_bovina

https://www.audible.com/pd/Madness-and-Memory-Audiobook/B019R2MRSO

https://www.today.com/video/us-confirms-first-case-of-mad-cow-in-6-years-44513347830

Shakespeare em Quadrinhos

Seguem algumas recomendações para o fim de semana: As obras imortais de William Shakespeare, em quadrinhos!

Eu tenho várias dessas revistas. São leituras rápidas e divertidas.

Um primeiro grupo de adaptações é no formato mangá. É a coleção Mangá Shakespeare.

A Tempestade:

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Ricardo III – Outro clássico, com um personagem prá lá de maldoso e sinistro.

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Outro grupo de adaptações é a Coleção Shakespeare, pela Editora Nemo:

Romeu e Julieta, todo mundo conhece essa história.
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MacBeth é uma história sensacional. Tenho até medo de pensar que podem existir pessoas como os MacBeth.

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Fora esses, tem muitos outros títulos. O Mercador de Veneza, mais um clássico. O Rei Lear é muito bom também, inclusive aproveito para recomendar o filme Ran, de Akira Kurosawa, baseado na obra de Shakespeare.

É claro que Shakespeare original é muito mais profundo, mas o objetivo é só introduzir um pouco deste universo. São histórias clássicas num formato bastante atrativo para uma leitura simples.

Veja também:

Resumos

O Timoneiro, de Franz Kafka

O Timoneiro é um conto curto de Franz Kafka, metafórico e poderoso como outros contos do autor.

Reproduzo o mesmo aqui, uma tradução do mesmo em https://en.wikisource.org/wiki/Translation:The_Helmsman.


O Timoneiro

“Eu não sou o timoneiro?” Eu gritei.

“Você?” perguntou um homem alto e moreno e passou a mão sobre os olhos, como se para banir um sonho.

Eu estava de pé no leme na noite escura, a lanterna fraca acesa sobre minha cabeça e agora esse homem tinha vindo e queria me empurrar para o lado.

E como eu não quis desistir, ele colocou o pé no meu peito e me pisoteou lentamente, enquanto eu continuava a me agarrar aos raios do timão do navio e caindo, puxei-o completamente. Mas o homem o agarrou e o trouxe de volta; mim, no entanto, ele se afastou.

Logo me recuperei, caminhei até a escotilha que dava para a cabana e gritei: “Homens! Camaradas! Venham depressa! Um estranho me tirou do leme!”

Eles vieram lentamente, subindo a escada do navio, figuras cambaleantes poderosas e cansadas.

“Eu sou o timoneiro?” Eu perguntei.

Eles acenaram com a cabeça, mas só tinham olhos para o estranho, ficaram em um semicírculo em torno dele e quando ele disse ordenadamente” Não me perturbe “, eles se recompuseram, acenaram para mim e desceram novamente a escada do navio.

Que tipo de pessoas são essas? Elas pensam afinal, ou simplesmente se arrastam sem pensar pela Terra?


Recomendação de leitura. Uma interpretação em quadrinhos dos conto de Kafka, por Peter Kuper:

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Veja também: