Recomendação: Era uma vez em… Hollywood

Qualquer filme de Quentin Tarantino é coisa para assistir com atenção absoluta. O genial diretor trouxe ao mundo obras-primas do cinema, como Pulp Fiction e Bastardos Inglórios.

Achei sensacional último filme dele, “Era uma vez em Hollywood”, principalmente o final – e só depois do final que entendi o título.

Não vou dar spoilers aqui, porque uma obra dessas merece ser vista sem saber o que ocorrerá no final, mas queria passar algumas dicas de conhecimento prévio. É importante saber alguns fatos dos anos 60, para maximizar o entendimento da trama.

Um dos crimes mais chocantes do século passado, e que até hoje ocupa o imaginário popular, é o assassinato da deslumbrante atriz Sharon Tate, grávida de 8 meses e esposa do badalado diretor Roman Polanski. Os assassinos, um grupo de fanáticos, comandados por Charles Manson.

Manson se dizia reencarnação de Jesus, e procurava mensagens ocultas nas músicas dos Beatles. Vivia com os seus seguidores num rancho, pregando a liberdade, o fim do capitalismo, amor livre (bacanais) e consumo de alucinóginos. A comunidade realizava pequenos furtos e buscava comida no lixo. Tudo mudou no dia de “Helter Skelter”, em que começaram a assassinar pessoas, entre elas, Sharon Tate e amigos.

Este episódio lamentável está amplamente documentado, como nos links ao final do texto.

O poder de influência e o nível de loucura de Manson era tão grande, tão grande, que mesmo depois de preso, ele atraía uma legião de fãs.

Pois bem, o filme acompanha um astro decadente, Rick Danton, e seu dublê Cliff Booth. Interpretados por dois dos maiores e mais bem pagos atores da atualidade, Leonardo DiCaprio e Bradd Pitt, ambos com atuações sensacionais.

A vida de Sharon Tate (interpretada por Margot Robbie, vale anotar o nome) e Roman Polanski fica meio em paralelo, assim como a gangue de Mason, até tudo se entrelaçar no finalzinho…

Fora isso, há dezenas de homenagens a filmes dos anos 60, referências a outros trabalhos do diretor, detalhes e easter eggs inúmeros, diálogos afiados e cenas de sangue, à lá Tarantino.

Veja também:

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/sexo-drogas-e-paranoia-a-incomum-vida-na-comunidade-de-charles-manson.phtml

https://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Manson

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/01/cultura/1564673873_374429.html

https://www.businessinsider.com/quentin-tarantino-once-upon-time-hollywood-details-you-missed-2019-7

Apache Kafka x Franz Kafka

O pessoal de TI veio esses dias falar de uma plataforma chamada Kafka. Para dar uma zoada neles, eu sempre digo que só conheço o original, e que é muito melhor: o escritor húngaro Franz Kafka.

Ele é um dos maiores escritores do século passado, e o autor de contos que variam do sombrio ao existencialista.

Algumas recomendações abaixo.

A Metamorfose: é a história mais famosa dele. Popularmente, é conhecido como o conto de uma pessoa que vira uma barata, da noite para o dia. Entretanto, no livro, ele não cita nenhuma vez no que o protagonista se transformou.

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Os seus contos, por terem um viés expressionista, são excelente para adaptações em obras gráficas. Seguem várias recomendações kafkanianas em quadrinhos:

O Processo


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O Castelo


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Kafka, de Crumb


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Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2014/04/07/before-the-law/

https://ideiasesquecidas.com/resumos/

Trilha sonora: Uma barata chamada Kafka

Aforismos sobre talento e conquistas

Sobre talento e habilidades em geral. Desenvolva ou perca.

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SuperAchievers. Um dos eventos do Lex Friedman no ClubHouse era sobre supreachievers. Um falou sobre resolver o cubo de Rubik em seis segundos. Outro, na experiência em participar de ultramaratona. Outros foram mais modestos. Reflexão: Qual a sua superconquista?

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Pequenas conquistas são importantes para atingir as grandes.

Celebre as pequenas conquistas. Elas são como um pequeno fogo na floresta. De quando em quando, a soma dos pequenos fogos incendeia a floresta inteira.

Tem até um vídeo legal sobre o tema:

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Doutores não o farão saudável. Nutricionistas não o farão magro. Professores não o farão esperto. Gurus não o farão calmos. Mentores não o farão rico. Treinadores não o farão em forma. No final das contas, a responsabilidade é sua – Naval Ravikant

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Falta de dinheiro tem correlação com menor felicidade (basta pensar em falta de saneamento básico, educação, etc), porém, acima de um certo ponto, dinheiro não tem correlação positiva com felicidade. Um bilionário não é necessariamente milhares de vezes mais feliz do que um trabalhador da classe média.

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Fontes úteis para seguir.

Blog: Farnan Street e James Clear.

Pessoas: Lex Friedman. Naval Ravikant.

Livro: John Brockman, “Thinking”

E, é claro, este blog.

https://ideiasesquecidas.com/2020/12/28/naval-sobre-educacao/

https://ideiasesquecidas.com/2018/11/13/aforismos-de-seneca-sobre-a-vida/

https://ideiasesquecidas.com/2020/12/16/naval-sobre-riqueza-e-felicidade/

O ClubHouse é genial.

Eu gostei bastante do ClubHouse, a tal nova rede social de podcasts.

Podcasts normais têm um problema. Dá um trabalho enorme fazer, editar, manter. Imagine um especialista em Bitcoin, por exemplo. Ele gosta do tema, manja tecnicamente, mas não vai ter paciência para criar um podcast.

O ClubHouse é muito mais do que podcast. Ele dá voz à milhares de especialistas do mundo inteiro. É como se fosse uma conferência no Zoom, porém apenas áudio, onde entusiastas sobre o tema podem participar. Há salas onde ocorrem essas conferências, e participantes podem levantar a mão e serem chamados para falar sobre seu ponto de vista.

Não tem edição. Não tem enrolação, vinhetas, click bait, videozinhos bonitos e vazios como no Youtube, nada disso. É conteúdo puro, ao vivo.

Há uma quantidade enorme de grupos de interesse, e podem ser bastante nichados. Economia comportamental. Startups. Bitcoin. Teoria do Caos. Física quântica. Inteligência artificial. Hoje eu estava numa sala sobre Geometria Diferencial, com 877 pessoas ouvindo. Nunca haveria um podcast normal sobre o tema.

É possível seguir personalidades referência. Bill Gates. Elon Musk. Naval Ravikant. Lex Friedman.

Uma contrapartida é que nem toda discussão é interessante (é só sair da sala) e também, como não tem edição, não dá para garantir a qualidade do som ou do discurso de quem estiver falando.

Dá para aprender e ensinar muito utilizando essa ferramenta. Ainda é só para IPhone, imagino que esta vá explodir quando tiver para Android, se não surgir algum concorrente que ocupe o espaço antes.

Agradeço ao amigo Cláudio Franco pelo convite.

Além do bem e do mal – em 40 frases

O livro “Além do bem e do mal”, do explosivo filósofo alemão Friedrich Nietzsche, questiona o que é o “bom” e o que é o “mal”. Segundo ele, essas definições variam de acordo com a moral utilizada.

Ele introduz o conceito de “moral dos senhores” e “moral dos escravos”. O que é “bom” para o senhor é “ruim” para os escravos, e vice-versa. Ele defende que as civilizações começaram com a moral dos senhores, até o surgimento da moral dos escravos.

É como pegar uma tabela de valores e preencher os campos bons e maus. A moral dos escravos vira a tabela de cabeça para baixo, é uma inversão completa de todos os valores.

É uma leitura densa, pesada, demorei vários meses para conseguir terminar o livro, apesar de ter menos de 200 páginas. As frases resumidas abaixo correm o risco de simplificar demais os pensamentos polêmicos do autor. Então, fica a recomendação do livro, antes das 40 frases (mais ou menos).

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É um livro que causa fascínio em uns e repulsa em outros. É encantamento ou desespero, sem meio-termo!

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Supondo que a verdade seja uma mulher – não seria bem fundada a suspeita de que todos os filósofos entendem pouco de mulheres?

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Com o risco de desagradar a ouvidos inocentes eu afirmo: o egoísmo é da essência de uma alma nobre; aquela crença inamovível de que, a um ser “tal como nós”, outros seres têm de sujeitar-se por natureza e a ele sacrificar-se.

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Toda elevação do homem foi, até o momento, obra de uma sociedade aristocrática – e assim será sempre: de uma sociedade que acredita numa longa escala de hierarquias e escravidão em algum sentido.

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Digamos, sem meias palavras, de que modo começou na Terra toda sociedade superior! Homens, bárbaros em toda terrível acepção da palavra, homens de rapina, ainda possuidores de energias de vontade e ânsias de poder intactas, arremeteram sobre raças mais fracas, mais polidas, mais pacíficas, raças comerciantes ou pastoras. A casta nobre sempre foi, no início, a casta de bárbaros: sua preponderância não estava primariamente na força física, mas na psíquica.

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Numa perambulação pelas muitas morais, encontrei traços que se revelam dois tipos básicos. Há uma moral dos senhores e uma moral de escravos; acrescento que em todas as culturas superiores aparecem também tentativas de mediação entre as duas morais. No primeiro caso, os dominantes determinam o conceito de “bom”. A oposição “bom” e “ruim” significa tanto quanto “nobre” e “desprezível”. Despreza-se o covarde, o medroso, o mesquinho, o que rebaixa a si mesmo, o adulador que mendiga, e sobretudo o mentiroso.

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É diferente com o segundo tipo de moral, a moral dos escravos. Supondo que os violentados, oprimidos, prisioneiros, sofredores inseguros e cansados de si moralizem: o que terão em comum seus valores morais? Uma suspeita pessimista de toda a situação. O olhar do escravo não é favorável às virtudes do poderoso: é cético e desconfiado.

As propriedades que servem para aliviar a existência dos que sofrem são colocadas em relevo: a compaixão, a mão solícita e afável, o coração cálido, a paciência, a diligência, a humildade.

Aqui, “bom” e “mau”, no que é mau se sente poder e periculosidade, o “mau” inspira medo. O “bom”, é um homem inofensivo: é de boa índole, fácil de enganar, talvez um pouco estúpido, ou seja, um bom homem.

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A degeneração global do homem, descendo ao que os boçais socialistas veem hoje como o seu homem do futuro – como o seu ideal, essa degeneração e diminuição do homem, até tornar-se o perfeito animal de rebanho. Essa animalização do homem em bicho anão de direitos e exigências iguais é possível, não há dúvida!

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O amor ao próximo é sempre algo secundário, em parte convencional e ilusório, em relação ao temor ao próximo.

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Sobre a convicção do filósofo:

Adventavit asinus

Pulcher et fortissimus

[chegou o asno

belo e muito forte]

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Tudo o que ergue o indivíduo acima do rebanho é doravante denominado mau. A mentalidade modesta, equânime, submissa, a mediocridade dos desejos obtém fama e honra morais. 

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Os judeus, o povo eleito entre as nações, realizaram esse milagre da inversão dos valores, graças ao qual a vida na Terra adquiriu um novo e perigo atrativo por alguns milênios. Os seus profetas fundiram rico, ateu, mau, violento e sensual numa só definição. Nessa inversão dos valores, onde cabe utilizar a palavra pobre como sinônimo de santo e amigo, reside a importância do povo judeu. Com ele começa a rebelião escrava na moral.

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Demonstramos profunda incompreensão do animal de rapina e do homem de rapina (César Bórgia, por exemplo), incompreensão da natureza, ao procurar por algo doentio no âmago desses mais saudáveis monstros e criaturas tropicais, ou mesmo por um inferno que lhes seria congênito, como sempre faz todo moralistas.

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Sempre, desde que existem homens, houve também rebanhos de homens (clãs, comunidades, tribos, povos, Estados, igrejas) e sempre muitos que obedeceram, em relação ao pequeno número dos que mandaram -, é justo supor que, via de regra, é inata em cada um a necessidade de obedecer, como uma espécie de consciência formal que diz, você deve absolutamente fazer isso, e se abster daquilo.

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O surgimento de Napoleão é a história da superior felicidade que este século alcançou em seus homens e momentos mais preciosos.

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Todo espírito profundo necessita de uma máscara: mais ainda, ao redor de todo espírito profundo cresce continuamente uma máscara, graças à interpretação perpetuamente falsa de cada palavra.

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Como podem ser maldosos os filósofos! Não conheço nada mais venenoso do que a piada que Epicuro fez às custas de Platão e os platônicos: chamou-se de dionysiokolakes. Significa, em primeiro lugar, “aduladores de Dionísio”, ou seja, clientes de tiranos e puxa-sacos servis; além de tudo quer dizer que “são todos atores, nada neles é autêntico” (pois dionysokolax era uma denominação popular para ator).

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Independência é algo para poucos: é prerrogativa dos fortes. Quem procura ser independente sem ter a obrigação disso, demonstra que é não apenas forte, mas temerário além de qualquer medida. Ele entra num labirinto, multiplica mil vezes os perigos que o viver já traz consigo, se isola e é despedaçado por algum Minotauro da consciência.

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É inevitável que nossas mais altas intuições pareçam bobagens, delitos, quando chegam indevidamente aos ouvidos daqueles que não são feitos para elas.

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As religiões soberanas estão entre as maiores causas que mantiveram o tipo homem num degrau inferior. Destroçar os fortes, debilitar as grandes esperanças, tornar suspeita a felicidade da beleza, dobrar tudo que era altivo, viril, conquistador, dominador, todos os instintos próprios do mais elevado e mais bem logrado tipo homem, transformando-os em incerteza, tormento de consciência, autodestruição, mais ainda, converter todo o amor às coisas terrenas e ao domínio sobre a Terra em ódio a tudo terreno – esta foi a tarefa que a igreja se impôs.

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Foi uma sutileza que Deus aprendesse grego quando quis se tomar escritor – que o aprendesse melhor.

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Um povo é um rodeio que a natureza faz para chegar a 6 ou 7 homens.

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Tudo que é grande talvez tenha sido loucura no início.

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Ouço, com prazer, que o nosso Sol se dirige velozmente à constelação de Hércules: espero que o homem desta Terra siga o exemplo do Sol.

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Entre os chineses existe um provérbio que as mães ensinam às crianças de berço: “Faz pequeno o teu coração!”. Esta é, de fato, a tendência fundamental das civilizações tardias: não tenho dúvida de que a primeira coisa que um grego antigo observaria em nós, europeus modernos, seria também a autodiminuição.

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O homem que aspira a uma coisa grande considera todo aquele que lhe cruza o caminho, ou como um meio, ou como um obstáculo, ou descanso temporário.

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Os maiores acontecimentos e pensamentos são os últimos a serem compreendidos. As gerações que vivem no seu tempo não vivenciam tais acontecimentos – passam ao largo deles.

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Todo pensador profundo tem mais receio de ser compreendido do que de ser mal compreendido. Neste caso talvez sofra sua vaidade; mas naquele sofrerá seu coração.

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Devemos nos despedir da vida como Ulisses de Nausícaa – bendizendo mais que amando.

Nota: Referência à Odisseia. Ulisses parte para o caminho de casa, agradecendo à bela Nausícaa, princesa de um reino na qual ele se abrigou após um naufrágio.

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A loucura é algo raro em indivíduos – mas em grupos, partidos, povos e épocas é a norma.

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Apesar daquele filósofo que, como autêntico inglês, tentou difamar o riso entre as cabeças pensantes – “o riso é uma grave enfermidade da natureza humana, que toda cabeça pensante se empenharia em superar” (Thomas Hobbes) – eu chegaria mesmo a fazer uma hierarquia dos filósofos conforme a qualidade do seu riso, colocando no topo aqueles capazes da risada de ouro.

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Eu, o derradeiro iniciado e último discípulo do deus Dionísio, talvez eu pudesse enfim, caros amigos, lhes dar de provar um pouco dessa filosofia, tanto quanto me é permitido.

Nota. Dionísio (ou Baco, para os romanos) é o deus grego do vinho, natureza, fertilidade e alegria. Representa o Caos, o êxtase, embriaguez… Nietzsche sempre se diz discípulo de Dionísio. Afinal, é do caos que nasce uma estrela.

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Posfácio

O livro “Além do bem e do mal” foi recusado por várias editoras, sendo publicada às custas do próprio autor, em 1886. A tiragem foi de 300 exemplares. Em um ano, apenas 114 tinham sido vendidos, e 66 enviados para jornais e revistas. Talvez por isso, Nietzsche tenha dito que “somente encontraria leitores por volta do ano 2000”.

Hoje, este é considerado um dos grandes livros do Século XIX, segundo o crítico Walter Kaufmann; e Nietzsche, um dos mais polêmicos filósofos de todos os tempos.

Para mais conteúdo explosivo, vide:

https://ideiasesquecidas.com/2020/04/09/o-martelo-fala/

https://ideiasesquecidas.com/2018/06/03/o-anticristo-de-nietzsche-em-40-frases/

https://ideiasesquecidas.com/2017/12/13/o-crepusculo-dos-idolos-em-40-frases/

Recomendações: o Estado independente e o Lápis

Duas recomendações de mídia.

  1. A incrível história da Ilha das Rosas

É a história de um engenheiro excêntrico (para não dizer totalmente maluco), que criou uma plataforma de 400 m² no mar, a 12 Km da cidade de Rimini, alguns metros além do limite territorial italiano.

A seguir, ele se autoproclamou presidente deste estado independente, e tentou conseguir reconhecimento das Nações Unidas. Em pouco tempo, centenas de pessoas começaram a visitar a ilha, e até a pedir cidadania neste país sem leis! O engenheiro acabou causando uma confusão enorme com as autoridades italianas… Vejam o filme para saber o final da história.

Apesar de completamente surreal, o filme é baseado numa história verdadeira!

Trailer:

Disponível na Netflix.

Imagem da plataforma real da Ilha das Rosas. Fonte: Mar sem Fim

Aventuras na História · Micro-nação no mar: a verdadeira saga por trás de ‘A Incrível História da Ilha das Rosas’, da Netflix (uol.com.br)

2) Eu, Lápis.

Nenhuma pessoa sozinha é capaz de fazer um lápis.

Para fazer um simples lápis, necessitamos de diversos materiais: madeira, grafite, borracha, metal.

“Imagine um cedro nascido da semente que cresce no nordeste da Califórnia e no estado do Oregon. Agora visualize todas as serras e caminhões e cordas e outros incontáveis instrumentos usados para cortar e carregar os troncos de cedro até a beira da ferrovia. Pense em todas as pessoas e suas inumeráveis capacidades que concorreram para minha fabricação: a escavação de minerais, a fabricação do aço e seu refinamento em serras, machados, motores: todo o trabalho que faz com que as plantas passem por vários estágios até se tornarem cordas fortes e pesadas; os campos de exploração de madeira com suas camas e refeitórios, a cozinha e a produção de toda a comida para os lenhadores. Milhares de pessoas têm participação em cada copo de café que os lenhadores bebem.”

Eu, Lápis, é um pequeno conto de Leonard Read. A animação abaixo tem 6 minutos e resume bem o texto, destacando a enorme especialização do trabalho dos dias atuais, e a não-existência de uma entidade central coordenando tudo.

https://www.mises.org.br/article/810/economia-em-um-unico-artigo%E2%80%94eu-o-lapis

Ficam as dicas, para esse recesso de fim de ano!