Os heróis invisíveis

Os heróis invisíveis não aparecem nas capas de revistas de negócios, nem nos jornais. Não são famosos, não ganham prêmios e nem têm milhares de seguidores em redes sociais.

Eles são os que plantam sabendo que outros irão colher. São os que evitam acidentes ou mitigam grandes riscos futuros, mesmo que ninguém fique sabendo. São os que entregam um trabalho acima da qualidade, mesmo que ninguém perceba.

Não sabemos os seus nomes. E nem precisamos saber. Porque o herói invisível se contenta com o seu excelente trabalho.

(Inspirado em conversa com o amigo Valmir Calori)

Um trabalho ruim custa o dobro do preço de um trabalho bom

Um trabalho ruim é menos demandante do que um trabalho bom, talvez uns 50% a menos – em termos de qualidade de materiais, esforço, tempo de projeto e know how das pessoas envolvidas.

Entretanto, o trabalho bom vai atingir os seus objetivos com maior acurácia e durar muito mais tempo.

Enquanto isto, o trabalho ruim vai ter que ser refeito, na melhor das hipóteses, ou completamente descartado, retornando à estaca zero.

O trabalho ruim certamente sairá mais caro no final, contando o ciclo de vida inteiro, e não apenas o esforço inicial.

Ação: Faça o melhor trabalho possível, não importa o quão pequeno ele seja.

Gosto muito das palavras de Peter Drucker, sobre a busca obstinada da perfeição em seus trabalhos. Ele conta a história a seguir.

Fídias foi o maior escultor da Grécia Antiga, responsável por obras que ainda hoje estão no teto do Parthenon, em Atenas, e são consideradas as maiores esculturas da tradição ocidental.

As estátuas foram admiradas universalmente, mas quando Fídias apresentou a conta, o contador da cidade se recusou a pagá-la. “Estas estátuas estão no alto do templo, e no monte mais alto de Atenas. Ninguém pode ver nada, exceto a parte frontal dela. Entretanto, você está cobrando pela escultura toda, ou seja, por esculpir a parte de trás, que ninguém pode ver”.

“Engano seu”, Fídias retorquiu. “os Deuses podem vê-las”.

Trecho de “O melhor de Peter Drucker: homem, sociedade, administração”


Ideias técnicas com uma pitada de filosofia:

https://ideiasesquecidas.com/

Pigmaleão

Na mitologia grega, Pigmaleão foi um escultor que dedicou todos os esforços para esculpir a mulher que ele considerava perfeita.

 

Pigmaleão trabalhou com esmero em sua obra, por infindáveis horas, preocupando-se com cada mínimo detalhe.

 

A belíssima estátua recebeu o nome de Galateia. O escultor apaixonou-se de tal forma pelo seu trabalho que passou a tratá-la como um ser humano de verdade, dando-lhe presentes, carinho, e considerando-a como a sua esposa de verdade.

 

A deusa Vênus apiedou-se de Pigmaleão. Ela procurou entre as mulheres alguma que fosse tão perfeita quanto Galateia, mas não encontrou mortal à altura. Daí, Vênus deu vida à estátua. Galateia se tornou uma mulher de carne e osso e se casou com Pigmaleão.

 

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O mito de Pigmaleão inspirou a peça “My fair lady”

Este mito é comumente associado à ideia de profecia auto-realizável. Se dedicarmos paixão suficiente em nosso trabalho, qualquer seja, conseguiremos fazer com que este seja tudo o que esperamos dele.

 

 

De modo geral, é simples perceber quando um trabalho foi feito com paixão ou quando foi feito de forma burocrática. A dica é sempre fazer o melhor trabalho possível, dedicando o máximo carinho e paixão, e o resultado com certeza virá.

 

 


 

Links

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Efeito_Pigmale%C3%A3o

https://www.infoescola.com/mitologia-grega/pigmaliao-e-galateia/

http://hbrbr.uol.com.br/o-lider-pigmaleao/

Três contos sobre o Trabalho

Os dois comerciantes

Um conto budista sobre o diálogo de dois comerciantes, o normal e o esforçado, no meio de uma longa jornada para comprar os produtos para revender posteriormente.

Normal: Que trabalhão, ter que atravessar essa montanha imensa, carregando tantos fardos! Queria que a nossa jornada fosse mais simples.

Esforçado: Pois eu queria que a montanha fosse maior, o caminho fosse mais tortuoso, e os perigos maiores.

Normal: Ah é? Mas por que motivo?

Esforçado: Se a jornada fosse mais árdua, menos pessoas se prestariam a tal. Desta forma, os frutos do meu trabalho seriam mais valiosos, e por consequência, a recompensa seria maior!

Leia também: a Associação dos Burros Esforçados.


Hermes e o trabalho

Um conto de Esopo

Zeus, após criar os seres humanos, designou Hermes para ensiná-los a sobreviver de seu trabalho na Terra.

Hermes os levou até Gaia, a Terra, e ensinou-os a labutar.

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A Terra, porém, não gostou nem um pouco. Hermes obrigou-a, dizendo que Zeus tinha ordenado. Ela retrucou: podem cavar a terra, mas terão que pagar caro por isto.

Este é o motivo pelo qual temos que trabalhar tanto para sobreviver neste mundo…


Os dois sapatos

Este conto é meu mesmo.

Numa vila, haviam dois sapateiros, um mediano e um excelente.

O sapateiro mediano colocou 10 horas de trabalho para fazer um sapato também mediano: costuras imperfeitas, pés desiguais, pontas sobrando.

O sapateiro excelente fez um sapato excelente: costuras perfeitas, acabamento bem feito, detalhes bem pensados. Utilizou 15 horas para tal.

Um cliente comprou um par do sapateiro mediano e um par do sapateiro excelente, pagando algo proporcional a 10 e a 15 moedas, respectivamente.

O sapato mediano incomodava o pé do cliente, e estava cheio de falhas. O cliente voltou para ajustes ao sapateiro mediano mais três vezes antes de desistir do mesmo – mas no total ele gastou muito mais tempo e dinheiro do que o preço original.

Já o sapato excelente funcionou perfeitamente, sem necessidade de retorno para ajustes. Obviamente, o cliente passou a comprar sapatos apenas com o sapateiro excelente.

Entregar um bom trabalho requer uns 50 por cento a mais de tempo, esforço e concentração do que um trabalho ruim, na primeira vez em que é realizado.

A diferença é que o trabalho ruim vai voltar para ser refeito o triplo de vezes do que o trabalho bom, na melhor das hipóteses.

No final das contas, vale muito mais fazer um excelente trabalho desde o início.