​ Um baú cheio de tesouros

Energia
O prof. Carlos Viveiro dá aulas sobre comunicação e apresentação. Ele enfrenta vários tipos de público, todos os dias. Vendedores, diretores executivos, analistas de TI, estudantes de graduação, aposentados…

Viveiro me deu uma dica poderosa: a de identificar, no público, alguém que esteja emitindo uma energia positiva, seja um sorriso, um aceno concordando, um olhar de atenção mais interessado.

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Uma apresentação pode ser longa, tensa, e o nível de energia, variável. Altos e baixos. E, nos momentos de baixa, devemos recorrer à esta pessoa que está brilhando, a fim de canalizar a energia positiva desta para iluminar as demais… uma boa dica.

Que tal ir um passo além, e arquivar essas energias positivas?


Mantenha um arquivo de aplausos

Há um livrinho pequeno, e muito bom, chamado “Roube como um artista”.

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Uma curiosidade é que o próprio título do livreto é roubado, de uma frase do pintor Pablo  Picasso:

“Bons artistas copiam, grandes artistas roubam”

Mas o que interessa, para este texto, é um de seus capítulos, que diz: “Mantenha um arquivo de aplausos”.

É como se fosse um baú de tesouros daqueles de histórias de piratas, mas ao invés de dinheiro, o verdadeiro tesouro: e-mails positivos, registros de fatos com que possamos nos orgulhar, uma música que traga alguma lembrança bastante positiva, uma foto ou recordação boa.

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Antes mesmo de ler este livro ou de ter a aula do Carlos Viveiro, eu já mantinha um baú de tesouros. Consiste apenas numa lista simples, com fatos que merecem ser lembrados, anotados num papel. De tempos em tempos, acrescento algum fato interessante a esta lista, e tiro outros, que já não são tão importantes. Não tenho vergonha de me orgulhar do que fui capaz de conseguir com trabalho justo e ético. Não tenho vergonha do que me faz feliz.

Meio viajando, mas um critério para colocar algo no baú é pensar no Eterno Retorno de Nietzsche. Será que ouvir aquela música, naquele momento, com aquelas pessoas ao redor, deu a sensação de “Queria que este momento único nunca mais acabasse. Queria repetir para a eternidade este momento”? Se sim, é um bom candidato a tesouro. O ouro vai e vem. Mas estes momentos são únicos e eternos…

 

 

 

Foco

Multitask?
Nos tempos atuais, é comum ver pessoas conversando e olhando e-mails, em reunião presencial mas mexendo no whatsapp, facebook, twitter, telegram, etc.

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Ter nas mãos o poder de fazer tanta coisa ao mesmo tempo dá uma impressão de grande ganho de produtividade. Mas será que é assim mesmo?

A curto prazo, estamos otimizando uma série de tarefas pequenas, como responder e-mails e mensagens que seriam lidas em algum momento. Mas, a longo prazo, estamos prejudicando o foco em trabalhos grandes e importantes ao ficar conferindo o celular a cada 5 minutos. Ou seja, entrego mais besteiras em menos tempo, postergando a entrega de trabalhos importantes.

O cérebro é um recurso escasso, um supercomputador que demorou milhões de anos para ser desenvolvido, e é caro (consome 25% da energia do corpo humano). O cérebro não é multitask, é monotask. Não é possível contar de 0 a 100 e ao mesmo tempo conversar com alguém prestando atenção.  Só consigo fazer um item importante por vez.


O Presente

Uma lição do prof. Carlos Viveiro: qual o momento mais importante e quem é a pessoa mais importante?

 

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O momento mais importante é o presente. O passado já foi, o futuro vai chegar. As ações têm que ser feitas agora, no presente.
A pessoa mais importante é a pessoa que está conversando contigo agora, neste momento. Porque esta é a única que consigo ajudar agora, neste momento.

Viver no futuro causa ansiedade, e viver no passado causa depressão.

Que tal viver plenamente o presente? Que tal dedicar plena atenção a quem está em sua frente?

https://ideiasesquecidas.com/2015/06/28/seja-pleno-em-tudo-o-que-fizer-mesmo-com-multas-de-transito/


Foco

O foco é como um raio laser: a luz concentrada pode cortar até aço.
Foco significa alocar grandes porções de tempo a um trabalho importante, desligando e-mail, telefone, interrupções. Deixe isto tudo para um período pré-determinado, digamos 10 min a cada 2 horas.

O foco é tão importante que dois dos maiores estrategistas da história falam dele.


Sun Tzu

O autor de “A Arte da Guerra” dedica um capítulo a falar de Energia. O “Chi” é a energia potencial focada.

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Ele diz coisas como: “Na defesa, seja impassível como uma montanha. No ataque, atue como uma águia ataca uma presa.” Ou seja, um ataque rápido, preciso, focado.

“A energia é como o retesar de uma besta. A decisão é como apertar o gatilho.” – a energia é acumulada com os preparativos, estudos, planejamento. Quando a energia é liberada, novamente, é rápida, precisa, focada.


 

Clausewitz

Carl Von Clausewitz foi um grande estrategista militar nascido na Prússia, e escreveu um clássico chamado “Sobre a Guerra”. Um de seus conceitos é o de centro de gravidade: é aquilo que o oponente tem de mais importante, mais valioso, é o cerne dele. É análogo ao conceito de centro de gravidade em física.

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A recomendação de Clausewitz é a de fazer um ataque preciso, firme e concentrado no centro de gravidade do oponente, a fim de realmente atingir onde vai causar estragos.

 


 

 

Portanto, que tal atingir o centro de gravidade do problema, ao invés de atingir o whatsapp do problema?

 

Arnaldo Gunzi

Fev 2016

 

Mapa do Site

 

O cavaleiro da armadura enferrujada – o retorno

O cavaleiro da armadura enferrujada teve um dia cheio. Acordou de madrugada, por insônia. Fez um café, comeu uma fruta e leu uns e-mails. Ficou um tempo no facebook, como é de costume. Depois, ficou navegando na internet.
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Saiu de casa cedo e enfrentou um rotineiro trânsito pesado. No horário que saiu, esposa e duas filhas estavam dormindo.  Chegou no trabalho uma hora depois, onde respondeu mais e-mails, trabalhou bastante por algumas horas. Depois, foram 5 reuniões em sequência. Reuniões importantes, porque é a fase final de escolha de um novo fornecedor para um projeto muito aguardado. Reuniões importantes, mas nem sempre produtivas, e sempre exaustivas por precisar de muito foco e energia. Precisou defender algumas ideias, e para isto, teve que acrescentar mais um reforço de aço em sua armadura, que já estava muito pesada.

 

No meio da tarde, as reuniões do dia terminaram. Ele disparou uns telefonemas e e-mails cobrando alguns trabalhos, alinhou entendimento de outros trabalhos, e permaneceu fazendo uma série de coisas até a hora de ir embora.

 

O trânsito, na volta, é quase uma Odisseia. Ainda mais por estar chovendo forte na cidade. É muita energia perdida com o transporte.

 

Chegando em casa, a esposa contou um monte de coisas que ocorreram no dia, mas ele estava tão cansado, e lendo e-mails e whatsapp, que não deu muita atenção.

 

Brincou um pouco com a filha mais nova, jantou, e depois da janta, sua energia acabou de vez.

 

Tentou montar um quebra-cabeças com a filha mais velha. Depois foi deitar um pouco no sofá para relaxar e ler e-mails, mexer no facebook, e quando percebeu, estava dormindo com armadura e tudo. Acordou de madrugada, e as filhas e a esposa estavam dormindo.

 

Das 24 h do dia, passou no máximo 2 com a família. E isto ainda é muito, comparado com alguns outros colegas que conhece.

 

O dia de hoje foi igual ao de ontem que foi igual ao de anteontem. Foi um  dia a mais em que o cavaleiro não conseguiu tirar a armadura, apenas deixou-a mais pesada e mais enferrujada…

 

https://ideiasesquecidas.wordpress.com/2015/07/05/armadura-enferrujada/

Fazer perguntas 

Peter Drucker sempre dizia que uma organização não pode viver para si mesma. Ela deve gerar resultados externos, para os clientes e para a sociedade.
Questions
Para gerar resultados para os clientes, um bom início é fazer pesquisas de campo e conhecer os pontos de vista dos usuários, dos clientes, de outros colegas, ou seja, fazer perguntas.
Fazer perguntas não é algo tão simples quanto parece. As pessoas não sabem fazer perguntas.
Os dois erros principais são:
  1. a pergunta é direcionada para uma resposta. Os pesquisador já tem uma visão sobre o mundo, e a pesquisa é uma forma de confirmar o modelo mental que ele já tem. Isto é péssimo, porque não vai agregar informação nova. E é difícil se policiar, porque é natural do ser humano querer convencer o outro de que sua visão é correta. Portanto, se quero realmente saber a opinião de alguém, não devo influencia-la com minhas ideas;
  2. a pergunta é fechada, extraindo pouca informação de quem é perguntado. Perguntas do tipo “sim” ou “não” induzem o entrevistado a dizer apenas poucas palavras, e não o que elas pensam. Além disto, o mundo não é binário. Será que não existem respostas intermediárias entre “sim” ou “não”? Portanto, perguntas abertas oferecem mais possibilidades da pessoa se expressar.
Um exemplo de má aplicação de perguntas. Fizeram uma pesquisa em SP, sobre ciclovias, há alguns meses.  A pergunta era “Você é a favor de ciclovias, sim ou não?”
A pergunta é extremamente direcionada para que a pessoa diga sim. Quem vai dizer que é contra ciclovias em geral?
Posso ser contra uma ciclovia mal projetada, que custou muito caro e ainda retirou recursos de outros projetos que poderiam ser mais efetivos, mas não sou contra uma ciclovia bem projetada, que custou barato e não concorre com outras soluções. Mas a pergunta não permite que eu me expresse, ela apenas permite um “sim” ou “não”, binário, preto e branco, maniqueísta.
Portanto, é importante fazer uma pergunta aberta, e não querer influenciar o entrevistado, para obter respostas que realmente vão dar um insight para uma solução efetiva.

Um conto de dois gestores. 
Conheci dois gestores, um bom e outro ruim.
O bom gestor ouvia o que eu dizia, mesmo sendo frequentemente de opinião oposta. Ponderava os dados e fatos, e juntos decidíamos o que fazer, sendo que muitas vezes eu ou algum outro conseguia convence-lo.
O mau gestor também perguntava a minha opinião, mas depois fazia umas perguntas direcionadas para o que ele queria ouvir: “você não acha que a sua solução tem um risco de sair cara demais? Você não acha que é inviável convencer fulano a fazer isto? Que tal fazer deste jeito?”. Ou seja, no final das contas era do jeito dele. Esta discussão não servia para nada, só para perder tempo e parecer que ele tinha envolvido outras pessoas na decisão.
Não e preciso dizer que a taxa de sucesso de trabalhos com o bom gestor é muito maior do que com o outro.

Exercício: 
Fazer uma pesquisa nas ruas. Entrevistar umas cinco pessoas com a pergunta: “Você é a favor de ciclovias, sim ou não,”
Entrevistar outras cinco pessoas com a pergunta: “o que você acha das ciclovias como transporte alternativo aqui no seu bairro?”
O efeito é surpreendente.
Arnaldo Gunzi
Set 2015

Notas de rodapé.
Obs. 1
Algumas das ideias sobre como fazer perguntas são baseadas em aula do prof. Carlos Viveiro.
Obs. 2
O conceito de ir a campo fazer pesquisas é tão importante, que toda hora aparece com nomes diferentes. Exemplos
No sistema Toyota de Produção, há o termo Genshi Genbutsu: ir e ver pessoalmente.
No Design Thinking, uma das fases mais importantes é de Empatia: o ir falar com o usuário, interagir, entender o que ele quer de verdade e como faz atualmente.
Obs. 3
Um caso extremo de perguntar sem querer saber a resposta é o de regimes totalitários como o socialismo.
Li um relato de um chinês que vivia na época de Mao Tsé. Ele participava de reuniões do partido comunistas.  Eram reuniões longas, chatas e de doutrinação. E tinham umas votações sobre temas da sociedade, mas estas votações eram só para constar, porque no final valia era o que o Mao Tse queria.

Armadura enferrujada

Havia um grande cavaleiro, que trajava uma armadura poderosa. Esta armadura servia para ele se proteger dos terríveis ataques de seus inimigos.

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O cavaleiro trajava a armadura e ia lutar contra dragões. Depois do trabalho, chegava em casa e tirava a armadura.

 
Com o passar dos anos, e com os machucados que sofria, ele foi colocando camadas mais grossas de armaduras. Além disso, passou a lutar contra dragões maiores.
 
Chegou num ponto em que nem tirava mais a armadura. O cavaleiro chegava em casa, brincava com os filhos, e ia dormir assim mesmo, de armadura.
 
Depois de alguns anos, os filhos nem sabiam mais quem ele era. A esposa também já tinha dúvidas sobre quem estava dentro da armadura.
 
O cavaleiro resolveu tirar a armadura. Mas, após tantos anos, a armadura já tinha enferrujado e não saía mais.

 
Não é errado dar tudo de si num trabalho, num projeto. Mas quantos de nós continuamos a vestir a armadura em casa, com a família?

 

História contada pelo prof. Carlos Viveiro.

Seja pleno em tudo o que fizer, mesmo com multas de trânsito

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Há uns 10 anos, li uma frase de um chinês chamado Er Hu, que dizia “Seja pleno em tudo o que fizer. Se é para guerrear, destrua o adversário, se é para amar, o faça com toda a intensidade”. Achei esta frase um tanto poderosa, mas logo a ignorei por ser absorvido pela difícil tarefa de sobreviver ao dia-a-dia.

 
Esta ideia de viver plenamente o agora lembra o Carpe Diem, lema de alguma escola de filosofia. Mas, para mim, até então era mais uma ideia, apenas outra teoria filosófica que não servia para nada. Nunca tinha tentado viver desta forma.
 


 

Isto até o dia em que tive uma aula, com o prof. Carlos Viveiro. Este me passou um conceito e uma tarefa.

 
O conceito é que viver o presente é extremamente difícil.

 
1. O presente é o aqui e o agora. Não é o futuro, não é o passado. Não é antecipar sofrimento ou felicidade. Não é reviver bons momentos ou lamentar maus momentos. Não é pensar no que poderia ter sido ou o que vai ser, e sim, no que sou e estou agora. Ser feliz agora.
 

2. Se o presente é o mais importante, a pessoa com quem eu estiver falando agora é a mais importante do meu mundo atual. Seja quem for, só consigo afetar a pessoa com quem eu consigo me comunicar agora,
 

3. Se consigo apenas influenciar quem está a minha frente e agora, o meu objetivo sempre deve ser fazê-la mais feliz.

 
Pode parecer simples, mas quantas vezes nos vemos conversando com a esposa/ marido/pai/mãe sem dar a menor atenção verdadeira?


 
Depois da aula, dediquei-me plenamente à minha família (enquanto tive energia). Embora ninguém tenha percebido nenhuma grande diferença, por dentro eu estava muito feliz de finalmente seguir o conselho de Er Hu.

 
No dia seguinte, peguei o carro para o trabalho. Peguei um caminho diferente porque fazia tempo que não ia por este, e fui mudando a estação de rádio. Ouvi uma música bonita, que fazia anos que não escutava. “I’m not in love”, dos Pretenders. Prestei plena atenção na música, e me deliciei com cada segundo dela, como nunca antes eu fizera, ignorando a batalha do trânsito.
 

O restante do dia também foi neste ritmo.
 

Mais um menos umas 16h, percebi que era o dia do rodízio do carro. E que eu tinha andado pela cidade de SP no horário do rodízio, e que o caminho que eu fizera tinha um radar chato que com certeza me pegou. Esta é a primeira vez na vida que simplesmente esqueço do rodízio – normalmente sou tenso demais para esquecer disto.

 
Fiquei chateado? Não. Desfrutar de verdade da companhia de pessoas queridas, admirar a beleza de um passeio de carro sem o stress do trânsito e ouvir a uma boa música com o coração valem muito mais do que qualquer multa pode valer.


 
Dois exercícios:
a) Apenas escute a música, com plena atenção. É a ilustração do quanto pode-se fazer em 1 segundo.

b) Escolha uma pessoa, hoje, e dedique-se plenamente a ela (e comente o resultado aqui no blog, é claro).
 

Arnaldo Gunzi
Jun 2015


 
Link do Prof Carlos Viveiro:
http://www.negociarte.com.br/