Sócrates, navio de Teseu e eu futuro

No Fédon, livro escrito por Platão, há uma passagem assim. Sócrates, o filósofo, tinha sido condenado à morte por corromper a juventude, porém, não tinha sido executado ainda, por conta da presença do navio de Teseu. Fédon comenta que Teseu fora enviado com 7 rapazes e 7 moças para servirem de sacrifício ao Minotauro, em Creta. Como eles conseguiram se safar, todos os anos uma embarcação festiva era enviada ao templo de Apolo, em Delos.

A presença do navio proibia execuções. Por isso, Fédon conseguiu ter um último diálogo com Sócrates. O tema era a alma.

O conceito de “Navio de Teseu” é um profundo problema filosófico. O problema foi criado pelo filósofo grego Plutarco e apresenta uma situação hipotética envolvendo o navio do herói Teseu.

Após cumprir sua jornada original, o navio de Teseu foi mantido em um museu. Ao longo dos anos, suas peças de madeira foram gradualmente substituídas por novas, à medida que as originais apodreciam.

Digamos que o navio tivesse 1000 peças e tivessem se passado 1000 anos, com uma substituição por ano.

A questão crucial é: o navio, com peças totalmente diferentes das originais, ainda seria o navio de Teseu?

Além disso, imagine se as peças substituídas fossem usadas para construir outro navio, exatamente igual. Qual dos dois seria o verdadeiro navio de Teseu?

Da mesma forma, à medida que o tempo passa, nosso corpo continuamente tem suas células morrendo e sendo substituídas por outras. Assim como ocorre com o navio de Teseu, depois de um tempo (já ouvi falar em 7 anos), todas ou a maioria das células do corpo são trocadas, de alguma forma.

O “eu” com 90 anos é o mesmo “eu” com 9 anos?

Será o “eu futuro” diferente do “eu passado”? Necessidades físicas diferentes de um adulto e de uma criança. Promessas que seriam “para sempre” para o eu de hoje podem parecer tempo demais para o eu futuro…

Talvez não seja apenas metafórico, mas, assim como no caso do navio, sejamos realmente outra pessoa, com apenas uma interseção do que éramos há tempos atrás…

A solução para isso: viver plenamente o hoje. Ser feliz aqui, agora, não vivendo no passado. E plantar boas sementes para serem colhidas pelo seu “eu” futuro.

Que o seu “eu futuro” não herde uma dívida impagável, ou uma saúde debilitada, ou relações arruinadas, fruto do seu “eu presente”.

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