A Guerra de Canudos em Quadrinhos

Recomendação de leitura: A Saga de Canudos.

É uma história em quadrinhos bastante curta, ilustrando o episódio da Guerra de Canudos, e focada em seu ilustre protagonista, Antônio Conselheiro.

Os conflitos ocorreram entre 1896 e 1897, num período logo após a Proclamação da República do Brasil.

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Antônio Conselheiro era um pregador, que viajava o Nordeste do Brasil. Ele criticava duramente a República, dizendo ser materialização do AntiCristo, pelo Estado ser laico. Outro ponto eram os altos impostos para financiar o novo governo. O profeta foi ganhando seguidores, e se estabeleceu numa fazenda, batizada como “Belo Monte”, mas que ficou conhecida na história como “Canudos”.

A comunidade de Canudos cresceu ao ponto de ter 25 mil habitantes. Seus seguidores: ex-escravos (foi um período logo após a abolição da escravatura), vagabundos, pessoas sem esperança, sem nada a perder. Era uma comunidade onde toda a produção era compartilhada entre os moradores.

Canudos começou a incomodar, por ser abertamente contra a República, e também por estar crescendo.

Foram 4 ataques militares, crescentes em termos de soldados e armamento, até finalmente Canudos ser completamente destruída.

“O sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão” – Antônio Conselheiro

“Os Sertões”, de Euclides da Cunha, é uma das maiores obras da literatura brasileira, e narra o episódio. Lembro porque caía no vestibular, e o livro era bem difícil de entender.

“E surgia na bahia o anacoreta sombrio, os cabelos crescidos até os ombros,​ barba inculta e longa; face acaveirada; olhar fulgurante” – Euclides da Cunha.

Até hoje não sei o que significa “Anacoreta”…

Ironicamente, o sertão de Canudos realmente virou mar. O açude de Cocorobó colocou as ruínas da cidade debaixo da água.

Vale a pena conhecer um pouco mais deste episódio da cultura brasileira.

https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/com-a-estiagem-cidade-de-canudos-volta-a-aparecer-apos-17-anos/

A Marcha – John Lewis e Martin Luther King

Recomendação de quadrinhos históricos para o fim de semana.

A Marcha, sobre a luta do senador americano John Lewis pela igualdade racial, nos turbulentos anos 60.

Link da Amazon:

A Marcha: Livro 1 – John Lewis e Martin Luther King em uma história de luta pela liberdade

Lewis, desde pequeno, demonstrava extremo interesse em estudar.

Na época da colheita, o pai dele não deixava os filhos irem à escola. Lewis, inconformado, um dia se escondeu do pai e pegou o ônibus assim mesmo. Tomou uma surra na volta; nos dias seguintes fez o mesmo, até que o pai desistiu.

A primeira vez que ele ouvira falar de Martin Luther King foi no rádio. Lewis era um garoto de 14 anos, e Luther, um pastor que lutava pela igualdade de direitos civis.

Um dos episódios que desencadeou inúmeros protestos foi quando uma mulher negra chamada Rosa Parks se recusou a dar seu lugar para um homem branco, no ônibus.

Anos mais tarde, Lewis foi um dos líderes do movimento, em sua cidade de Nashville.

Uma das características mais notáveis do grupo foi a não-violência, inspirado em atos similares promovidos por Gandhi, na Índia.

Eles tinham até oficinas de não violência. Treinavam para ver o comportamento da pessoa. Os candidatos eram sujeitos a xingamentos, ofensas raciais, cusparadas e tudo mais, para testar os limites. Era necessário suportar tudo isso sem revidar, para estar à frente das ações.

O primeiro alvo foram restaurantes que não serviam pessoas de cor.

O movimento pedia para comprar algo, o pedido era negado, e iam embora. Só isso.

A seguir, passaram a pedir para chamar o gerente e tentar dialogar. O restaurante se recusava, e o serviço era encerrado. O grupo ficava o resto do dia ali, sentado às mesas, sem ação.

À medida que ganhavam notoriedade na imprensa, mais e mais pessoas se juntava ao grupo. Chegaram e ter mais de 200 integrantes.

A sociedade branca revidou, com ofensas, insultos, agressões.

Teve um momento em que as prisões ficaram cheias de manifestantes. Era tanta gente, que o juiz estabeleceu uma fiança pequena, a fim de que todos fossem embora, porém, o grupo se recusou a deixar a prisão – ou seriam inocentados, ou continuariam ali.

A vitória veio tempos depois, quando as leis que permitiam a segregação foram abolidas.

Há um volume 2 do livro, que ainda não li completamente. Há também um terceiro volume da série, porém ainda não foi lançado no Brasil.

Link da Amazon:

A Marcha – Livro 2

A série venceu ganhou um prêmio Eisner de melhor história em quadrinhos baseada em fatos reais.

O senador Lewis faleceu em 2020, e Martin Luther King Jr, em 1968, assassinado.

Bônus: o discurso “I have a dream”, de Martin Luther King, é um dos mais famosos e poderosos da história. Vale a pena ouvir.

Recomendações sobre Palestina e Jerusalém

Seguem algumas recomendações para entender um pouco mais sobre o conflito árabe-judaico, no meu formato de mídia favorito: histórias em quadrinhos.

Sendo o tema polêmico, é quase impossível ter algum relato isento de opiniões – então seguem fontes de cada lado da história.

Joe Sacco é um repórter gráfico, especializado em cobrir guerras – Iraque, Sarajevo e outras.

Na obra “Palestina”, ele entrevista e convive com famílias árabes na região do conflito. Diversas histórias extremamente tristes são narradas.

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O autor ganhou o American Book Award em 1996, pela obra.

Do mesmo autor, Notas sobre Gaza

Crônicas de Jerusalém – O autor, Guy Deslile, acompanha a esposa – voluntária do programa Médico sem Fronteiras – em Jerusalém.

Não é diretamente sobre o conflito, mas este permeia tudo o que acontece na narrativa.

Crônicas de Jerusalém ganhou o Prêmio Fauve D’Or 2012 de melhor álbum no Festival International de la Bande Dessinée de Angoulême, na França.

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A História dos judeus, de Stan Mack, é uma narrativa gráfica de 4000 anos de história dos judeus.

Conta desde os primórdios, das histórias bíblicas, até a formação do estado de Israel. Não é focado no conflito moderno, mas é uma visão importante para conhecer as raízes do mesmo.

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Todas essas obras contam a história de forma séria, e com uma arte belíssima.

Boa leitura!

Flutue como uma borboleta, ferroe como uma abelha

Muhammad Ali é o maior pugilista de todos os tempos, tanto dentro quanto fora dos ringues.

Nascido Cassius Clay, ele conquistou o título mundial dos pesos pesados aos 22 anos, em 1964.

Só vi as lutas de Muhammad Ali no Youtube, mas lembro que o meu pai sempre falava dele. A minha mãe também: aparentemente, assistir às lutas de Ali era mais importante para o meu pai do que sair com ela!

Ali era um falastrão: se dizia o maioral, que o adversário além de perder, era mais feio do que ele, e bravatas do tipo. Porém, ele era alguém que entregava o que prometia: extremamente veloz, flutuava como uma borboleta, gingando na frente do oponente, instantes antes de desfechar-lhe um petardo mortal, ferroando como uma abelha!

Também na vida fora dos ringues, ele falava muito e cumpria o que prometia. Era ativista anti-racismo, bastante ativo, contra a guerra e sofreu as represálias do governo por isso.

Convocado para a guerra do Vietnã, ele recusou o alistamento. Pelo ato, ele quase foi preso, perdeu o título de campeão mundial do boxe, não pôde mais lutar por 3 anos e foi à falência financeira. É raro ver pessoas com a “pele no jogo” de verdade, que fazem valer a palavra, não ficam só na retórica vazia. De nada adianta sinalização de virtude fake tão em voga nos dias atuais, como se ajoelhar antes de uma corrida e criticar os outros que não fazem o mesmo, ou bravejar no Twitter contra o capitalismo, em seu iPhone do conforto do seu lar.

“Não tenho nada contra os vietcongues. Nenhum deles me chamou de negão” – Muhammad Ali, sobre a recusa em servir aos EUA na Guerra do Vietnã.

Ali deu a volta por cima 4 anos depois, quando retornou aos ringues e retomou o cinturão de forma espetacular. Nos anos seguintes, ele protagonizou algumas das maiores lutas da história. Uma delas foi o “Thrilla in Manilla”, contra o sempre perigoso Joe Frazier.

Porém, nada se compara ao espetacular “Rumble in the Jungle”, em 1974, contra o gigante George Foreman. Foi uma luta realizada no Zaire, cheia de provocações, no coração da África que amava Muhammad Ali. O oponente, George Foreman, era claramente mais forte, além de mais jovem. Ambos eram negros, porém, por Foreman ser quietão e Ali ser reconhecido ativista por igualdade racial, Foreman ficou sendo o representante do capitalismo americano, e Ali, o campeão da África. Ali venceu a luta, com todo o apoio da torcida. Foreman ficou tão abalado com a derrota que largou o boxe, retornando 10 anos depois.

“Ali boma ye” – Ali, mate ele

Cântico dos zaierense, em apoio a Muhammad Ali contra George Foreman, na luta “Rumble in the jungle”

Um parêntesis. Em 1990, eu me lembro de ter assistido o veterano George Foreman contra o brasileiro Adílson Maguila. Se o Maguilão passasse por Foreman, talvez enfrentasse o temível Mike Tyson na sequência. Qual nada, o nosso Maguila tomou uma surra… “Parece que uma carreta passou por cima de mim”.

Talvez Foreman seja mais conhecido nos dias de hoje pelo grill

Outra cena memorável é Muhammad Ali acendendo a tocha olímpica, nos jogos de Atlanta de 1996. Ele já estava com o Mal de Parkinson, visivelmente com extrema dificuldade em controlar a tocha.

Muhammad Ali faleceu em 2016, em decorrência do Parkinson.

Comprei um funko pop deste grande lutador, que chegou hoje. Além de um lugar no panteão dos deuses do boxe, ele também ocupa um espaço na minha exótica Biblioteca de Alexandria particular, ao lado de cubos mágicos, livros de matemática abstrata e de um guerreiro de terracota da dinastia Qin.

Note que a pose do funko pop é a mesma da primeira icônica foto acima, onde ele derrota Sonny Liston.

Recomendações:

O filme “Quanto éramos reis”, sobre o Rumble in the Jungle. https://www.adorocinema.com/filmes/filme-12519/

Tem o filme “Ali”, com Will Smith, mas eu não gostei muito. https://amzn.to/3heDina

Funko do Ali: https://amzn.to/33rEc7J

https://en.wikipedia.org/wiki/Muhammad_Ali

https://www.uol.com.br/esporte/boxe/ultimas-noticias/2020/06/27/o-erro-de-maguila-em-nocaute-brutal-pra-holyfield-ue-onde-estou.htm

https://www.uol.com.br/esporte/reportagens-especiais/maguila-x-foreman-parece-que-uma-carreta-passou-por-cima-de-mim/#page1

https://www.theweek.co.uk/muhammad-ali/73369/ali-boma-ye-the-chant-that-made-muhammad-ali-an-african-hero

Preso no Pólo Sul por dois anos

Convido o leitor nesta semana a ficar preso numa placa de gelo, na imensidão no Polo Sul, sem comunicação com o mundo externo e a 40 graus negativos.

A incrível viagem de Ernest Shackleton ocorreu em 1914, e tinha como objetivo percorrer a região da Antártida. Só que eles não contavam com o mau tempo, que acabou prendendo o navio e congelando a imensidão de mar à sua volta.

O seu navio tinha um nome profético: “Endurance”, algo como “Resistência”.

Para sobreviver, eles tiveram que consumir os mantimentos que tinham, além de focas e pinguins. E, claro, os cachorros que faziam parte da expedição não tiveram final feliz.

Após meses no gelo, Shackleton conseguiu zarpar com uma equipe pequena, para pedir socorro. Meses depois, eles retornaram para buscar a equipe remanescente. Não houve nenhuma baixa na tripulação de 27 homens, o que torna a viagem ainda mais incrível.

Há muito material nas fontes listadas abaixo, para saber mais.

Link do livro na Amazon.

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As imagens foram tiradas das seguintes fontes:

https://super.abril.com.br/especiais/a-incrivel-odisseia-de-ernest-shackleton-na-antartida/

https://www.coolantarctica.com/Antarctica%20fact%20file/History/Ernest_Shackleton_pictures.php

https://brasil.elpais.com/brasil/2014/01/04/sociedad/1388867097_208652.html

Genghis Khan – mangá

A fim de fechar o tema do império mongol, uma indicação de mangá, sobre o conquistador Genghis Khan: Chinggis Khan, por Yokoyama Mitsuteru.

Não há muitas formas de comprar um mangá antigo no Brasil (este é de 1991), então praticamente o único jeito de ler é por sites que scaneiam mangás.

http://fanfox.net/manga/chinggis_khan/

O mangá conta a história de Temujin (o nome de nascimento do grande Khan) nas estepes mongóis, as inúmeras intrigas, batalhas, assassinatos e rapto de mulheres e crianças que ocorriam neste época.

Com o passar do tempo, e o crescimento da tribo de Genghis, foram diversas as guerras com outras tribos das estepes, com todos os elementos possíveis: alianças, casamentos, acordos de sangue, brigas, e, é claro, traições.

Há uma série de livros e alguns filmes sobre o grande Khan, mas o formato história em quadrinhos é o meu favorito.

É possível ver imagens fascinantes como a seguinte.

O autor, Yokoyama Mitsuteru, é certamente um dos meus favoritos, por ter adaptado em mangá também a fantástica história dos Três Reinos. Ele teve o auge do seu trabalho na segunda metade do século passado, e faleceu em 2004.

Após consolidar o poder na Mongólia, os exércitos de Genghis passaram a utilizar a sua máquina de guerra contra países vizinhos, devastando quem não se submetia a eles, destruindo a Bagdá dos sonhos, quase chegando à Europa, e conquistando a China (este post é sobre Kublai Khan).

Veja também:

A magnífica Xanadu de Kublai Khan

“Vou contar para você sobre a grande e maravilhosa magnificência do Grande Kaan reinante, de nome Cublay Kaan, Kaan sendo o título que significa ‘O lorde dos lordes’, ou Imperador” – Marco Polo.

Estive a ler o livro “A brief history of Khubilai Khan”, da foto abaixo.

Este livro tem uma história muito particular. Comprei numa livraria na cidade de Toronto, Canadá. Estava voltando de um congresso, na companhia do meu grande amigo Diego Piva, faz uns 5 anos. O preço está na capa, 7 dólares canadenses – vide a foto. Naquela época, o real ainda tinha algum valor, o que tornava o livro barato.

Xanadu era a capital do império mongol de Kublai Khan, neto do legendário conquistador Genghis Khan.

Após unificar toda a Mongólia, o exército de Genghis Khan passou a devastar reinos vizinhos. O seu império chegou à parte da Rússia, Oriente médio, e norte da China.

O termo “horda”, normalmente em referência à falfeitores, veio do nome das tendas, ou sede do poder dos mongóis.

Após a morte de Genghis Khan, e brigas entre descendentes, chegamos à linhagem de Kublai Khan. Este é conhecido na cultura popular, porque é o império descrito por Marco Polo em sua viagem à China.

“Xanadu” não é um nome muito chinês. Numa transcrição mais moderna, seria “Shangdu”. Esta era a capital do império mongol de Kublai.

Kublai Khan. fonte: Wikipedia

A parte sul da China era dominada pelo Império Song. Herdando a voracidade expansionista de seu avô, Kublai empreendeu a conquista do Império Song e a unificação da China sob o seu comando, fundando a dinastia Yuan.

Fato curioso: o império Mongol conquistou a China militarmente, mas, culturalmente, os ritos e tradições chinesas continuavam a valer. É mais ou menos como Roma dominou a Grécia militarmente, mas a cultura grega era tão mais avançada que influenciou fortemente a primeira.

Império Yuan, pegando parte da Mongólia, China, Coreia e outros países atuais. Fonte: Wikipedia

A Coreia também acabou sendo dominada por Kublai Khan. Não houve invasão, eles apenas se submeteram ao comando mongol.

Após a queda da China, outros impérios da região eram o Vietnã e o Japão.

Kublai empreendeu duas tentativas de invadir o Japão. Por ser uma ilha, a invasão teve que ser pelo mar – num local extremamente distante da capital chinesa, logisticamente complicada, e, também, sem aparentar ter alguma riqueza espetacular para os invasores. Já os defensores tinham todo o interesse em rechaçar o ataque, e empreenderam resistência feroz.

O Japão teve um empurrãozinho dos deuses da guerra: em ambos os ataques, tempestades destruíram a esquadra chinesa no mar. Daí, surgiu o termo “Kamikaze”, o vento divino, o mesmo termo utilizado pelos soldados suicidas japoneses na Segunda Grande Guerra.

Este evento marcou o início do declínio da dinastia Yuan, também com diversos outros problemas: a rivalidade de outros descendentes mongóis, rebeliões chinesas, etc.

Há várias citações à Kublai Khan na cultura popular, além de Marco Polo.

O poema “Kubla Khan”, de Samuel Coleridge, é muito famoso:

In Xanadu did Kubla Khan
A stately pleasure-dome decree:
Where Alph, the sacred river, ran
Through caverns measureless to man
Down to a sunless sea.

Baseado nisso tudo, tem a música “Xanadu”, do Rush. Eu não conhecia, foi indicação do meu amigo Vinícius Ribeiro.

https://www.youtube.com/watch?v=SEuOoMprDqg

Há uma série da Netflix chamada “Marco Polo”, mas ela é bem ruim – não à toa, foi cancelada na primeira temporada!

Por fim, Xanadu é o nome de uma startup canadense, cuja missão é “To build quantum computers that are useful and available to people everywhere.”. Ela usa fotônica como arquitetura de computação. Confira aqui: http://www.xanadu.ai

Arnaldo Gunzi, Abril 2021

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia:

https://ideiasesquecidas.com/

Veja também:
https://ideiasesquecidas.com/2017/10/31/%e2%80%8bbagda-a-mais-bela-cidade-de-todos-os-tempos/

Lições da História, Will Durant

Will e Ariel Durant são autores de uma das coleções de história mais aclamadas do mundo: A história da civilização, com 11 volumes e mais de 10 mil páginas!

“Lições da história” é um pequeno livro, com cerca de 100 páginas. É um resumo das principais conclusões dos autores, analisando 100 séculos de história.

Este começa com uma mea-culpa, dizendo que o historiador sempre vai se basear em opiniões e dar destaque ao extraordinário, e não à vida comum das pessoas.

Depois, vários insights interessantes sobre civilização, evolução, democracia.

O livro é de 1968, e os autores viveram no meio do século passado. Portanto, muitas de suas opiniões seriam consideradas politicamente incorretas nos dias de  hoje.

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Nosso conhecimento de qualquer evento passado é incompleto. A maioria da história é adivinhação e o resto é preconceito.

O historiador sempre simplifica demais.

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A história não pode ser uma ciência, apenas uma indústria, uma arte e uma filosofia. Uma indústria, analisando os fatos. Uma arte buscando ordem no caos. Uma filosofia buscando perspectiva e compreensão.

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Perspectiva total é uma ilusão de ótica. Devemos operar com conhecimento parcial.

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Só um tolo tentaria comprimir 100 séculos em 100 páginas de conclusões. Nós continuamos.

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A história é uma combinação dos crimes e absurdos da humanidade. Isso permitiu que cada geração prosseguisse com um patrimônio maior do que a anterior.

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Exemplo de aposta tecnológica: a invenção de aviões redefine totalmente o mundo do comércio e do comércio. Anteriormente, a água era o principal modo de comércio e ditava quais nações chegavam ao poder (aquelas com grandes margens costeiras como a Grécia e a Itália).

Então, de repente, aviões mudaram o poder para nações com enormes massas terrestres em comparação com suas costas (EUA, China, Rússia).

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A lição da história é que o homem é duro.

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A influência dos fatores geográficos diminui à medida que a tecnologia cresce. O homem, não a terra, faz civilização.

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Ideia: A tecnologia domina o meio ambiente com o passar do tempo. Essa tendência começou assim que o homem foi capaz de projetar ferramentas, uma forma de tecnologia.

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Geografia é a matriz da história. Se você vive na costa, você quase inevitavelmente se tornará um viciado do mar.

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A primeira lição biológica da história é que a vida é competição.

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A cooperação é real e se expande à medida que as tecnologias evoluem, mas principalmente por ser uma forma de competição. Cooperamos dentro do nosso grupo, família, comunidade e nação para tornar nosso grupo mais poderoso.

A cooperação é a última forma de competição.

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A segunda lição biológica da história é que a vida é a seleção.

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Do ponto de vista da natureza, todos nascemos livres e desiguais.

A natureza adora a diferença porque é o que permite que a seleção se concentre nos fortes e elimine os fracos.

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Liberdade e igualdade são inimigos eternos. Quando um falha, o outro morre.

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Só o homem abaixo da média deseja igualdade. Aquele que está consciente de estar acima da média deseja liberdade. No final, a habilidade superior tem o seu caminho.

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A terceira lição biológica da história é que a vida deve procriar.

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A natureza gosta de grandes ninhadas e da luta pela sobrevivência que acaba selecionando os poucos mais fortes.

Os recursos naturais do meio ambiente e o talento é limitado. Competição é a lei básica.

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Muito do que chamamos de inteligência é o resultado da educação individual, oportunidade e experiência.

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A concorrência costumava ser entre os indivíduos. Então foi ampliado, entre famílias. Depois foi ampliado, entre as comunidades. E assim por diante.

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As pessoas gostam de pensar que são especiais. Sem esse pouco de vaidade, podemos achar mais difícil avançar. De certa forma, a ilusão é um motivador.

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Em geral, os pobres têm os mesmos impulsos que os ricos, mas com menos oportunidade ou habilidade para implementá-los.

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A maioria imitativa segue a minoria inovadora. A história é em grande parte a batalha de algumas minorias, a qual o vencedor é então elogiado como o vencedor pela maioria.

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De cada 100 ideias novas, 99 provavelmente serão inferiores à alternativa tradicional que foi proposta para substituir.

É bom que novas ideias sejam ouvidas para o bem de poucos que podem ser usados. Mas também é bom que novas ideias sejam testadas e questionadas.

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É possível que as coisas que são vícios hoje já foram virtudes.

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É muito perigoso para um indivíduo pensar que mesmo com 30 ou 40 anos de estudo ele pode julgar e superar a sabedoria coletiva da raça humana. Velhas ideias são muito poderosas.

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Uma visão interessante sobre por que o declínio da religião é muito ruim: se a religião é a crença compartilhada que unifica uma civilização e esse sistema de crença morre, então o que manterá a civilização unida?

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Em todas as idades, as forças do indivíduo parecem ser mais importantes que as forças do grupo. Quando tudo falhar, as pessoas farão o que lhes serve melhor. Eles farão o que garantir sua sobrevivência.

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Com o passar do tempo, os filósofos tornaram-se as forças motrizes por trás das mudanças sociais em vez da igreja. E então, eventualmente, a ciência roubou esse trabalho da filosofia.

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Os homens que podem gerenciar outros homens administram os homens que só podem gerenciar as coisas. Os homens que podem gerenciar o dinheiro gerenciam tudo.

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Normalmente, os homens são julgados por sua habilidade de produzir. Exceto na guerra, quando eles são classificados com base em sua capacidade de destruir.

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A concentração de riqueza em uma pequena parcela da população é um padrão que se repete ao longo da história. Os talentos e habilidades mais valiosos estão confinados a algumas pessoas, o que significa que a riqueza mais valiosa está confinada a poucos também. Esse padrão aparece de novo e de novo.

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A liberdade é possível quando a segurança foi alcançada, mas até lá você está enfrentando a concorrência. Foi só por causa da concorrência que desenvolvemos a capacidade de criar liberdade.

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A primeira condição de liberdade é a limitação. Se a liberdade é absoluta, então ela morre no caos. A principal tarefa do governo é estabelecer a ordem.

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Pax Romana foi talvez a maior conquista da história da governança.

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Se a maioria das habilidades está contida dentro de uma minoria de homens (isto é, se algumas pessoas têm habilidades mais valiosas do que a maioria das outras), então uma regra minoritária é tão inevitável quanto uma concentração desproporcional de riqueza.

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Todo o trabalho de consumo é geralmente o preço da genialidade.

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A sanidade do indivíduo reside na continuidade de suas memórias. A sanidade do grupo reside na continuidade de suas tradições. Separe-se de qualquer um muito rápido e o caos se segue.

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Você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo, mas você pode enganar o suficiente deles para governar um grande país.

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A democracia fez menos mal e mais bem do que qualquer outra forma de governo.

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O objetivo da democracia não é tornar todos os homens iguais, mas tornar seu acesso à oportunidade mais igual. O ideal não é elevar cada homem ao poder, mas dar-lhe acesso a cada ponto de entrada onde sua aptidão e habilidade podem ser testadas. Em outras palavras, a esperança da democracia é oferecer um campo de jogo equilibrado para começar e deixar que seus talentos o levem onde puderem.

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Em que ponto a liberdade se torna excessiva? Em que ponto se torna desordem?

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A guerra parece ser uma constante entre todas as civilizações e tempos. É resultado da competição entre os grupos, assim como os indivíduos competem também.

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Se o progresso é real, não é porque somos mais ricos ou mais sábios do que os do passado, mas porque nascemos em um nível mais alto e mais acima do pedestal de nossa herança. Nascemos com os frutos de uma porção maior da herança humana.

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A natureza humana permanece a mesma. As pessoas simplesmente mudam com a revolução e voltam aos mesmos padrões subjacentes.

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Todas as gerações se rebelam contra a anterior. Em muitos aspectos, é natural e desejável.

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Quando todos são donos de tudo, ninguém cuida de nada.

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Você não pode fazer os homens iguais aprovando leis.

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A história econômica é o batimento cardíaco lento do organismo social. Não importa quem esteja no poder, os ganhos gradualmente se acumulam para os mais inteligentes e talentosos. Então, eventualmente, há alguma fratura da ordem, uma nova minoria sobe ao poder, e o padrão se repete.

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Cada vida, cada sociedade, e cada espécie é um experimento. Tudo acaba em morte eventualmente.

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Ideias são as coisas mais fortes de todas na história. Até uma arma era originalmente uma ideia.

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Na velhice, você entende como é bom que haja radicais e como é bom que haja conservadores. Os radicais fornecem o gás e os conservadores aplicam os freios. Ambas as funções são indispensáveis. Essa tensão é necessária para uma sociedade em funcionamento.

Veja também:

A história da filosofia: https://amzn.to/3eAj4Tx

Novo livro de Bill Gates: Como evitar um desastre climático (ideiasesquecidas.com)

Outros resumos de livros: Resumos Gratuitos (ideiasesquecidas.com)

A cena mais memorável da F1

Ayrton Senna, após vencer o Grande Prêmio do Brasil de 1991, ficou fisicamente tão exausto que não conseguia nem levantar o troféu. Confira no vídeo.

Senna conquistou a vitória no braço, após a sua McLaren perder todas as marchas, exceto a sexta, faltando 20 voltas para o final da prova.

Para dar uma ideia, ele tinha que entrar numa curva e manter a mesma velocidade (as outras marchas entravam em ponto morto), tirando a
diferença na habilidade e no volante.

“Se soubesse dos problemas de Senna duas voltas antes talvez pudesse vencer”, afirmou Ricardo Patrese (da Williams). “Mas Senna era um piloto não apenas muito rápido como dotado de grande senso de estratégia. Escondeu o quanto pôde suas dificuldades”.

Vencer o GP do Brasil era um de seus sonhos, e Senna faria o impossível para tal. Após a vitória, o desgaste foi tão grande que ele teve que ser atendido pelos médicos da FIA, demorando mais de vinte minutos para ir ao pódio.

Veja uma descrição detalhada desta vitória em:

A trilha sonora deste post só pode ser o Tema da Vitória, que não ouvimos há muito tempo.

A terrível estratégia bélica que salvou o Império Romano

Lembra do poderoso Império Romano, que se estendeu por séculos e dominou a Europa inteira?

Talvez a história fosse completamente diferente, e talvez hoje não estivéssemos falando de um Império Romano, e sim, de um Império Cartaginense que dominou a Europa toda por séculos.

Cartago e Roma entraram em confronto, em ocasiões conhecidas como as Guerras Púnicas. Nesta, muito se fala do grande general cartaginense Aníbal Barca, que cruzou o Mediterrâneo e atravessou os Alpes, com um exército de homens e elefantes, e obteve vitórias humilhantes sobre os romanos.

Porém, apesar de vitórias espetaculares, Aníbal perdeu, no final das contas. Roma venceu a guerra contra Cartago, sem ter vencido nenhuma batalha contra Aníbal. Se fosse um campeonato de futebol, era como se Roma tivesse sido campeão sem ter vencido nenhum jogo.

Como isso foi possível? É aí que entra a…

A estratégia fabiana

Quintus Fabius Maximus Verrucosus, também conhecido como o Cunctator (o postergador), foi o comandante militar e ditador de Roma.

Ele foi eleito ditador em 217 a.C., após uma sequência humilhante de derrotas de Roma para Aníbal. Nota: Um ditador era um líder com poderes especiais para enfrentar situações de crise, e na Roma antiga eles poderiam ser eleitos e tirados do poder.

O exército cartaginense era espetacularmente forte, e Aníbal, um brilhante estrategista. Fabius, ao invés de partir para o confronto direto, partiu para uma guerra de atrito e desgaste. Ele fez o exército romano acompanhar Aníbal de longe. Sempre posicionava as tropas em lugares altos, de forma a impossibilitar ataques surpresa. Atacava a cadeia de suprimentos de Aníbal, e atazanava os cartaginenses com ataques regulares.

Fabius também não caía nas provocações de Aníbal, por mais vantajosa que a ocasião parecia ser. Ele sabia que o cartaginense era especialista em criar armadilhas. Sendo de natureza bastante conservadora, Fabius foi jocosamente apelidado de “ovelhinha”, e “o postergador”.

Voltado à analogia do campeonato, era como se Roma jogasse numa retranca impenetrável, com 10 zagueiros dentro da área. Porém, da mesma forma, ninguém gosta de ver um time na defesa o tempo todo, as pessoas gostam daquele que ousa, e parte para cima, o ofensivo vencedor.

A estratégia de Fabius gerou uma série de críticas de seus rivais políticos, e à medida que o tempo passava, a lembrança das derrotas passadas ia ficando mais distante.

Quando acabou o mandato de ditador de Fabius, Roma colocou outro comandante em seu lugar, que tentou realizar um ataque decisivo para aniquilar o oponente. O resultado foi uma desastrosa derrota romana em Cannae (em 216 a.C.). Daí para frente, Roma aprendeu a lição, e retornou à estratégia fabiana. Foi um momento crucial para Roma, porque, após inúmeras derrotas, ela estava quase indo à lona. A estratégia fabiana essencialmente salvou o Império Romano.

O exército de Anibal ficou perambulando pela Itália por mais 15 anos. Eles não tinham poder suficiente para sitiar Roma, e nem outra grande cidade murada. O seu ataque forte ficava anulado se não tinham com quem batalhar. Além disso, os homens de Aníbal eram parte deum exército profissional, visando ao lucro de pilhagens e ganhos rápidos, ao passo que os romanos poderiam esperar o tempo que fosse necessário.

A estratégia fabiana joga com o tempo a seu favor. Troca um ataque maciço concentrado por pressão contínua por um tempo maior. Vence não por destruir o oponente diretamente, mas por exaurir os seus recursos (dinheiro, suprimentos, paciência). Vence por não perder, sabendo que pode suportar perdas por mais tempo que o outro lado.

Os cartaginenses permaneceram isolados no sul da Itália, até que os romanos ganhassem força suficiente para contra-atacar, com o general Cipião africano, que derrotou Aníbal.

A Segunda Guerra Púnica durou de 218 a.C. até 201 a.C.

A estratégia fabiana também foi famosamente adotada por George Washington, na Revolução Americana. Ao invés de utilizar ataque direto, ele adotou a estratégia de atrito contra os britânicos, vencendo-os no final.

Algo semelhante ocorreu na vitória Russa contra Napoleão: foram recuando, dando espaço dentro do vasto território russo, atacando as linhas de suprimento e fustigando os franceses, até que o terrível inverno da região virasse o jogo.

Outra menção digna de nota é a Sociedade Fabiana, formada na Inglaterra. É uma vertente socialista, porém ao invés de vencer pela revolução, a ideia é vencer pela evolução. Usa exatamente a estratégia fabiana: atacando os flancos, ganhando aos poucos e sempre. O primeiro logotipo deste grupo era um lobo em pele de cordeiro, provavelmente uma homenagem à ovelhinha que salvou Roma! Depois, trocaram para uma tartaruga, devagar e sempre, como na fábula de Esopo.

Em negócios, é muito comum um grande player baixar preços ou até dar de graça, suportando prejuízos, por mais tempo do que o oponente consegue ficar solvente (digamos Internet Explorer x Netscape Navigator).

Enquanto Aníbal entra para a história como um dos grandes generais de todos os tempos, Fabius é apenas uma nota de rodapé. Na vida real, Fabius foi extremamente mais importante, ao não levar Roma à derrota total. No final, Roma foi um dos maiores impérios da história, e foi Cartago que virou a nota de rodapé.

A estratégia fabiana não é simplesmente postergar e não fazer nada, e sim, trocar ataque pontual por pressão contínua. Energia por paciência. Cercar, fustigar, perder batalhas pequenas, mas vencer a guerra a longo prazo.

Utilize variantes da estratégia fabiana em sua vida!

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2019/01/02/o-tao-da-guerra-do-general-er-hu/


https://ideiasesquecidas.com/2018/03/23/as-36-estrategias-secretas-chinesas/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_P%C3%BAnica#A_estrat%C3%A9gia_Fabiana


https://www.britannica.com/biography/Quintus-Fabius-Maximus-Verrucosus

https://en.wikipedia.org/wiki/Quintus_Fabius_Maximus_Verrucosus

Tomar um cadáver emprestado para ressuscitar uma alma

Dentre as 36 Estratégias Secretas Chinesas, uma que gosto muito é a estratégia 14: tomar um cadáver emprestado para ressuscitar uma alma.

Uma pessoa fraca pode requerer sua assistência para ficar forte e conseguir se opor ao inimigo. Por outro lado, mesmo o exército forte precisa da ajuda de vários exércitos fracos para chegar aos seus objetivos.

É mais ou menos como o imperador Palpatine voltando à vida após seu espírito roubar o corpo de outra pessoa.

Um exemplo muito bom é a data do Natal. Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro. O Natal no dia 25/dez só surgiu no século IV, aproveitando que vários povos já comemoravam esta data como sendo o solstício de inverno. Ou seja, tomaram um cadáver (data comemorativa de povos conquistados pelo Império Romano) para ressuscitar uma alma (tomar para si esta comemoração).

Há inúmeros outros exemplos na história. Imperadores fantoche ocorreram diversas vezes. Um exemplo: o Japão invadiu a Manchúria, nos anos 1930. Para dar um ar de legitimidade, recolocaram no poder o último imperador anterior, Pu-Yu, que não mandava em nada na realidade.

Outro exemplo é o de Tiradentes. Ninguém deu bola para ele, quando morreu em 1792. Virou herói nacional após a proclamação da República, em 1889, 100 anos depois!

O Brasil da República precisava de um herói, e, utilizando a estratégia de tomar um cadáver emprestado, criaram toda a mística ao redor do arrancador de dentes que lutara pelo Brasil!

Lembre-se desta estratégia, no próximo feriado de Tiradentes!

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Veja também:

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Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/

Sr. Miyagi, Sr. Sulu e a Segunda Guerra

O divertido seriado Cobra Kai traz de volta os personagens do filme clássico Karate Kid, 30 anos depois.

É uma pena que o icônico Sr. Miyagi não vai voltar à série, uma vez o ator, Pat Morita, faleceu em 2005.

Mesmo assim, o Sr. Miyagi aparece em flashbacks e homenagens. Numa dessas homenagens, um detalhe me chamou a atenção: o Sr. Miyagi foi condecorado na Segunda Guerra, e pertencia ao 442º regimento do exército americano.


Acabei de ler outro livro, “Éramos chamados de inimigos”. É do ator George Takei, mais conhecido por ter interpretado o Sr. Sulu, da não menos icônica série Star Trek.

Takei narra o traumático evento em que ele e família ficaram confinados, nos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra. Sendo o Japão o inimigo, todos os descendentes de japoneses nos EUA foram alçados imediatamente à condição de suspeitos. Tiveram os bens tomados e foram enviados para campos de confinamento, nos anos que a guerra durou.

Obs. O ator Pat Morita também passou pelos campos de confinamento. Ele narra: “Fui de uma criança alienada a inimigo público. Virei um ‘japa’ da noite para o dia, sendo escoltado pelo FBI para um campo de internato. Foram anos enormemente difíceis para o nosso povo. Pessoas andando pelo deserto que nunca mais seriam vistas. Pessoas se enforcando… Foi horrível. Horrível…”.

Nesse meio tempo, uma solução encontrada foi fazer as pessoas jurarem fidelidade aos EUA – ou seriam mandadas de volta ao Japão. A família de Takei ficou numa situação difícil. A mãe dele se recusou a aceitar a situação, e quase foi deportada – mas sendo salva no último minuto, devido à ação de um grupo que defendia as famílias nipo-americanas.

Mesmo sofrendo essas injustiças, alguns nipo-americanos juraram fidelidade, se alistaram, e foram à guerra na Europa. Teve um regimento formado totalmente por esses, o 442º.

O 442º regimento foi um dos mais condecorados da guerra, segundo a Wikipedia: 9.486 corações roxos e 4.000 medalhas de estrela de bronze . A unidade recebeu oito Citações da Unidade Presidencial (cinco obtidas em um mês). Vinte e um de seus membros receberam medalhas de honra.

E essa é a medalha do Sr. Miyagi, no 442º regimento.


Trivia 1: Será que só eu acho o Sr. Miyagi muito parecido com Mestre Yoda? Você não dá nada quando eles aparecem, mas no decorrer da história vão revelando sua sabedoria e treinando o jovem aprendiz a superar os desafios. Jornada do herói na veia.

Trivia 2: Será que só eu acho o Luke Skywalker e o Daniel-san tremendamente insossos? Dois moleques sem graça, metidos a besta.
Darth Vader >>>>>> Luke.

Trivia 3: O bizarro Karate Kid Ohara

Eu me lembro de um seriado chamado “Karate Kid Ohara”. Passou no SBT, no final dos anos 80 ou começo dos 90, algo assim.

Tinha o ator Pat Morita, como Ohara. Só que ele era detetive… nada de caratê, ele até usava arma. Todo o resto era completamente diferente. Nunca entendi aquilo.

Naquela época, não existia Google. Agora, 30 anos depois, descobri que a série era chamada originalmente “Ohara”, com o ator Pat Morita, e não tinha nenhuma relação com o filme Karate Kid. Foi o SBT que renomeou a série, malandramente. Não adiantou de nada, porque era muito ruim, ahah.

Links:


https://en.wikipedia.org/wiki/442nd_Infantry_Regiment_(United_States)

https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2018/05/22/sr-miyagi-reaprendeu-a-andar-aos-11-anos-e-quase-foi-recusado-em-karate-kid.htm

https://pt.qwe.wiki/wiki/442nd_Infantry_Regiment_(United_States)

https://thekaratekid.fandom.com/wiki/