Dr. Strangelove e o erro de cálculo nuclear

O clássico filme “Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb”, de 1964, é uma comédia sem graça, extremamente sem graça, porém genial. Genial como tudo o que Stanley Kubrick fez. É um alerta que continua válido, ainda mais para os dias de hoje, de conflito militar com uma potência detentora de armas nucleares. No Brasil, o título é “Dr. Fantástico”.

Em linhas gerais, o filme conta a história de um general americano (o general Ripper) que ordena, por si só, o lançamento de uma bomba atômica de hidrogênio na União Soviética, através de um bombardeiro B-52 subordinado a ele. O general segue todos os procedimentos para designar a missão, e os códigos para os aviadores armarem a bomba, incluindo cortar comunicações com o mundo externo, exceto se recebessem um código secreto.

Outros oficiais notam o plano, e ordenam o general Ripper a abortar a missão: porém, ele se tranca em seu escritório e comete suicídio para não revelar o código.

Nessa situação, as autoridades máximas dos EUA e URSS se comunicam em suas respectivas salas de guerra, tentando encontrar meios de parar o lançamento da bomba. O Dr. Strangelove é um ex-cientista nazista, agora conselheiro do presidente americano (foi inspirado em pelo menos 4 cientistas da vida real).

No final, há um problema no lançamento da bomba, e o aviador caubói (!!) tenta de todos os jeitos lançar a bomba de hidrogênio na URSS. Será que ele conseguiu? Não vou contar, veja o filme.

Apesar de ser uma sátira, com uma série de piadinhas infames, há uma série de conceitos sérios e imensamente provocadores.

  • Era o auge da Guerra Fria EUA X URSS, com a ameaça de uma guerra nuclear pairando no ar (eita sensação de ‘deva ju’)
  • A doutrina do “MAD”, de “destruição mútua assegurada”, foi cunhada por John Von Neumann, brilhante matemático. Como tanto os EUA quanto a URSS possuem bombas atômicas, um único ataque de qualquer um dos lados causaria retaliação imediata do outro lado, e assim sucessivamente, escalando a guerra até a destruição total de ambas as potências – e do resto do planeta, em consequência
  • Esse balanço de poderes é um dos temas principais da Teoria dos Jogos, ramo de conhecimento que lida com decisões entre dois ou mais jogadores, e teve o próprio Von Neumann como um dos fundadores
  • Uma forma assustadora de quebrar esse equilíbrio é o com “First Strike”. Um primeiro ataque, completamente devastador de um dos lados, de forma a aniquilar o inimigo, nocautear, não deixar pedra sobre pedra. Aliás, essa era a hipótese do General Ripper: dar o primeiro passo e, diante da certeza do lançamento da bomba inicial, obrigar os EUA a fazer um superataque e destruir a URSS

Interlúdio: no espírito das piadinhas sem noção do filme, o First Strike lembra o lema do Cobra Kai, os vilões do Karatê Kid: “Strike first, strike hard, no mercy”!

  • Outro conceito importante é o do “erro de cálculo”. Embora as grandes autoridades de ambos os países tenham consciência da doutrina MAD, pode ser que haja algum erro de cálculo no caminho. Alguém como o General Ripper pode burlar o sistema de forma a lançar a bomba por si só, ou algum outro problema do tipo. Por incrível que pareça, não é uma hipótese tão improvável assim. Quem garante que armas nucleares de dezenas de anos atrás, da extinta URSS, estejam em boas mãos nos dias de hoje? E quem garante que experimentos nucleares na Coréia do Norte de hoje não estão sujeitos a erros de cálculo?

O filme, além de ser um sucesso de crítica e público, teve o efeito de alertar autoridades dos EUA e de outros países, que acabaram reforçando os sistemas de segurança dessas armas capazes de mudar o mundo.

Trivia:

  • Como era usual, Kubrick fez uma pesquisa extremamente detalhada para retratar fidedignamente aeronaves, bombas e procedimentos de segurança
  • A fim de instigar o ator George Scott a fazer cenas engraçadas, Kubrick o enganou. Disse para performar exageradamente, porque seriam só treinos antes da versão final – porém, foram exatamente essas as cenas utilizadas. Scott, enfurecido, prometera nunca mais trabalhar com o diretor
  • Kubrick entrou com processo para atrapalhar um filme rival, Fail Safe, que tinha temáticas semelhantes. Deu certo, Dr. Strangelove foi lançado 9 meses antes de Fail Safe, que não teve muita repercussão
  • Kubrick é o meu cineasta favorito. O extraordinário “2001, Uma Odisseia no Espaço”, é o meu filme favorito de todos os tempos, mesmo tendo assistido dezenas de outras produções modernas, na era da Netflix. Gênio, obssessivo, perfeccionista.

Veja também:

O mundo é não-linear. Erros de cálculo ou alguns poucos eventos súbitos podem mudar o rumo de todo o futuro. Vide dois exemplos abaixo.

Sobre MAD e First Strike:

https://en.wikipedia.org/wiki/Pre-emptive_nuclear_strike#:~:text=First%20strike%20capability%20is%20a,left%20unable%20to%20continue%20war.

https://en.wikipedia.org/wiki/Mutual_assured_destruction

O sistema de Putin

Recomendação de documentário para o fim de semana: O sistema de Putin.

Este documentário, de 2007, mostra a história e ascenção ao poder do temível Vladimir Putin.

Início da carreira:

  • Começou como oficial da KGB, chegando a tenente-coronel
  • Viveu a dissolução da URSS em 1991, para ele, a “maior catástrofe geopolítica do século 20”
  • Passou a exercer cargos públicos a partir de indicação de aliados

Após a dissolução da URSS:

  • Atuou com privatizações e abertura a bancos estrangeiros
  • A Rússia de Bóris Yeltsin tornou-se dominada por oligarcas ricos a partir das privatizações, “a família”
  • Por volta de 1999, quando ficou claro que Bóris Yeltsin não conseguiria mais se reeleger devido à idade e saúde, a “família” estava à procura de alguém inofensivo e jovem, para servir de marionete
  • Putin parecia um bom candidato: era muito eficiente, não tinha tido um cargo alto à KGB, era fiel aos seus superiores… ledo engano

Primeiro-Ministro e Presidente:

  • Yeltsin nomeou Putin primeiro-ministro, após este ajudar a tirar de cena um inimigo político
  • Putin era desconhecido de todos em 1999
  • Um de seus primeiros atos foi culpar a Chechênia por ataques terroristas, e ordenar um ataque ao país
  • Ele utilizou as estatais de energia (petróleo e gás) como arma para financiamento de campanhas e para atacar inimigos
  • A partir de então, utilizou a máquina pública para se eleger presidente e não parou mais
  • Expurgou oligarcas como Bóris Berezovsky (o mesmo da obscura parceria com o Corinthians), mostrando quem mandava de verdade

O documentário é de 2007 apenas, e de lá para cá muita água rolou. Ele essencialmente comanda a Rússia até hoje, alternando entre presidente e primeiro-ministro. É, na prática, o czar da Rússia, assim como Xi Jiping é o imperador da China – o mundo dá voltas, mas a história se repete.

Putin sempre deixou claro o seu objetivo de criar uma grande Rússia. É um sujeito frio, gélido, e extremamente eficaz: promete e cumpre. Ele joga um xadrez político-militar, se preparando pacientemente o momento certo – enquanto o ocidente não está nem perto de ter a mesma capacidade.

Um trecho do documentário diz algo como “o ocidente não conhece Putin. Vai conhecer um dia, e quando isso acontecer, será tarde demais”. Palavras proféticas.

Disponível na Amazon Prime Video.
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A Rainha Vermelha comanda as nossas vidas

A hipótese da Rainha Vermelha é um conceito utilizado em biologia evolutiva, para indicar que as espécies devem estar em constante adaptação, para sobreviver contra outras espécies, também em constante evolução. A hipótese da Rainha Vermelha foi criada por Leight Van Valen, tomando como referência uma passagem de “Alice através do espelho”, de Lewis Carroll.

Um resumo:

Alice estava correndo de mãos dadas e a Rainha continuava gritando: “Mais rápido! Mais rápido!”, mas Alice estava no limite. O curioso é que as árvores e a paisagem ao redor não mudava de lugar. Não importa o quão rápido, nada se movia”.

Após notar que não tinham saído do mesmo lugar o tempo todo, Alice indagou: “Em nosso país, você normalmente chegaria a um outro lugar após correr rápido por muito tempo, como fizemos”.

“Um país lento”, disse a Rainha. “Aqui, você vê, é necessário correr o mais rápido que você puder para continuar no mesmo lugar.”

Exemplos da biologia.

Uma espécie de raposa que adquire maior velocidade consegue capturar mais coelhos. Disso, apenas os coelhos mais rápidos sobreviverão, e a próxima geração de coelhos também será mais rápida, anulando a vantagem competitiva da raposa.

Espécies que não conseguem acompanhar o ritmo tendem à extinção.

Uma tribo pré histórica que aprender a construir um muro, terá uma vantagem competitiva – enquanto as tribos rivais não imitarem e superarem a sua técnica de construção.

Exemplo mais moderno. Linguagens de programação e ferramentas tecnológicas em geral: Cobol, C, Visual Basic, Java, Javascript, Python, Ruby. Mal surge uma, poucos anos depois alguma outra linguagem mais avançada e com alguma vantagem competitiva já ameaça o seu posto.

A mesma coisa no mundo dos negócios. O modelo de negócios deve evoluir de acordo com a evolução do ambiente, sob o risco da empresa ficar para trás: exemplo clássico da Blockbuster superada pela Netflix, que ela teve a oportunidade de comprar anos antes, ou um Yahoo superado pelo Google, e assim sucessivamente. Jornais e revistas em papel estão com os dias contados. Grandes impérios de comunicação e entretenimento sendo superados por um exércitos de Youtubers e influenciadores.

Em nível pessoal, a mesma coisa. Um título de graduação não é hoje um grande diferencial, talvez uma pós possa dar alguma relevância maior. Inglês, pacote Office são exigências básicas, além de habilidades interpessoais, trabalho em equipe, liderança. Assim mesmo, nenhum título garante que o contratado vá desempenhar bem, em verdade, é necessário continuar correndo o mais rápido possível, imerso que estamos no mundo da Rainha Vermelha.

Já dizia o grande escritor Will Durant, “A primeira lição biológica da história é que a vida é competição”.

Veja também:

O autor Matt Riddley tem um livro inteiro sobre o tema, intitulado “The Red Queen”, sobre evolução e o papel do sexo. https://amzn.to/3h4hxF2

Recomendação: A Odisseia de Hakim

A Odisseia de Hakim conta a história real de um jovem sírio e a sua odisseia para fugir de seu país natal e pedir asilo na França, passando por uma dezena de países nessa jornada.

“Nunca pensei que isso pudesse me acontecer. Mas me dei conta de que qualquer um pode virar um refugiado. Basta que seu país desmorone. Ou você desmorona junto, ou você vai embora.”

Hakim e a sua família tinham um viveiro na Síria de Bashar Al-Assad, até que protestos contra o governo geraram uma guerra civil. Houve extrema violência por parte do governo: detenção, tortura e a perda do negócio. A família de Hakim decide buscar refúgio em um país seguro. Parte da família, inclusive a esposa, consegue uma via de chegar à França, porém, Hakim e o seu filho bebê devem percorrer um caminho mais longo: Líbano, Jordânia, Turquia e mais uma série de países.

A recepção dos refugiados pelos habitantes locais varia entre aqueles que criticam e desprezam, aqueles que tentam explorar os refugiados, mas também, há vários que ajudam Hakim e seu filho a chegar ao final de sua jornada.

Um comentário que faz todo o sentido. As pessoas acham que um refugiado é alguém pobre e não qualificado, mas essa noção está errada. Os que são realmente pobres não têm opção a não ser ficam em seu país natal.

Autor Fabien Toulmé, Editora Nemo. Graphic Novel em três edições. Baseado em entrevistas que o autor realizou com Hakim, este já estabelecido na França.

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Veja também:

Loja e recomendações de livros:

Museu Monteiro Lobato

Estive na cidade de Taubaté, no último fim de semana. Um dos filhos mais ilustres da cidade é o escritor Monteiro Lobato, autor do Sítio do Pica-Pau Amarelo.

Fui visitar o museu dedicado a Lobato, em Taubaté. Fica próximo ao centro da cidade, um quarteirão com uma casa pertencente a um tio de Monteiro Lobato. Minha expectativa era levar as minhas filhas para conectar um pouco mais com personagens clássicos de nossa cultura.

Não conheço bem os personagens do sítio, porém já ouvi falar de Emília, Visconde de Sabugosa, Cuca e outros. Na minha infância, outros personagens ganharam o share de atenção: a Disney com personagens como o Tio Patinhas, desenhos americanos como o He-Man e Thundercats, séries japonesas como o Jaspion.

Na infância de hoje, vejo as crianças cada vez mais consumindo outras mídias – Youtube, jogos de celular e comunidades que nem entendo nem consigo sequer acompanhar.

Pois bem, achei o museu dedicado a Lobato… muito mal cuidado. O terreno de 22 mil m² está repleto de mangueiras, há mangas putrefatas para todo lado.


O museu é até interessante, tem uma série de objetos da época, como um fogão à lenha, uma máquina de escrever, e uma estante cheia de exemplares dos livros de Lobato. Não tem nada muito além disso, é possível fazer a visita em 10 minutos. Na saída, há alguns atores vestidos como os personagens.

Ao longo do terreno, há algumas estátuas – tia Nastácia e Emília, Pedrinho, Rabicó, Saci, Cuca. Porém, achei horripilantes, feias demais – minhas filhas nem quiseram tirar fotos com as estátuas.

Há um playground com alguns brinquedos também – em meio às mangas putrefatas.

A entrada é gratuita. Não há loja para comprar souvenires, nem nada – no máximo, alguns ambulantes na entrada que aproveitam esse vácuo.

O que era, na minha cabeça, um passeio lúdico para aproximar a infância dos clássicos de nossa cultura, acabou sendo até repulsivo de certa forma.

Há 100 anos, quando os primeiros livros de Monteiro Lobato foram publicados, mal tínhamos livros sendo editados no Brasil. Mal existiam programas de rádio, muito menos televisão. Hoje, as mídias evoluíram, e para atingir as mentes e corações das gerações vindouras, os personagens devem estar nessas mídias.

Uma mostra disso é que as obras de Lobato entraram em domínio público em 2018, mas fora algumas publicações de livros, não vemos os seus personagens sendo explorados nessas novas mídias – nenhuma série da Netflix ou desenho no Disney+.

Enfim, pelo visto, a obra de Monteiro Lobato teve a sua glória e ficou ali, parada no tempo, envelhecendo como as mangas caídas no terreno. A cada dia que passa, estamos mais e mais distantes do legado de Lobato.

Ideias Técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/

Duas ótimas fontes de dados

1)      O site “Our World in Data” é uma das melhores fontes de informação do mundo, sobre dados econômicos.

Our World in Data

Este site também conta com gráficos interativos bem legais, como o seguinte. How much energy do countries consume when we take offshoring into account? – Our World in Data

Outro exemplo, dados de produção agrícola.

Global Food Explorer – Our World in Data

2 –  Um site excelente, sobre a população mundial, é o seguinte.

Population of WORLD 2019 – PopulationPyramid.net

Vejamos o Brasil de 1965. Eram 83 milhões de habitantes, e uma típica pirâmide de idades.

O Brasil atual já não tem mais o formato de pirâmide: menor natalidade, maior expectativa de vida.

Essa tendência é bem mais acentuada em países de primeiro mundo, chegando ao ponto da baixa natalidade representar um problema real para o futuro.

Ficam os links.

https://ourworldindata.org

https://www.populationpyramid.net

“Veni, vidi, vici” – Júlio César

Veja também:

Sapiens – os pilares da civilização

A dica desta Black Friday é o recém lançado “Sapiens – os pilares da civilização”, versão em quadrinhos da obra prima de Yuval Harari.

É o segundo volume de quatro. Este volume mostra a revolução agrícola, cerca de 12 mil anos atrás, como o homem dominou o trigo (ou será que foi o trigo que dominou o homem?), a domesticação dos animais – hoje temos mais de 5 bilhões de cabeças de gado, ovelhas e porcos, e 20 bilhões de frangos (seria isso um sucesso para os animais domésticos ou um fracasso?).

A agricultura permitiu que o ser humano se fixasse num lugar, ao invés da vida nômade, porém a armadilha da agricultura é que agora ele tinha que trabalhar exaustivamente mais do que o caçador coletor de antigamente, e o ganho de produtividade foi compensado pelo maior número de filhos a alimentar.

Os melhores locais para agricultura e o enorme trabalho de cultivo tornaram os terrenos naturalmente mais valiosos, de modo que a propriedade privada surgiu logo a seguir. Brigas entre vizinhos, também.

Os excedentes da agricultura também puderam suportar uma elite privilegiada. O Homo Sapiens demorou 300 mil anos para chegar à agricultura, e em meros poucos milênios, já surgiam grandes civilizações como a Babilônia antiga.

Para efeito de comparação:

  • Oásis de Jericó: 10 mil anos atrás, 1 mil habitantes
  • Mesopotânia: 5 mil anos atrás, 100 mil habitantes
  • Vale do Nilo: 4,5 mil anos atrás, 1 milhão de habitantes
  • Dinastia Qin (China): 2,2 mil anos atrás, 40 milhões de súditos

O trabalho tem desenhos magníficos como o seguinte.

Como fazer com que milhões e milhões de pessoas cooperem o mais pacificamente possível?

A resposta: através da ficção. O que seriam as leis, a ética social, e até as religiões, senão regras artificiais criadas pelos próprios seres humanos?

O código de Hamurabi, o do “olho por olho, dente por dente” foi um dos primeiros conjuntos de regras. A declaração de indepência americana, milênios depois, é outro exemplo.

Um último tópico neste resumo: os números. O cérebro das pessoas evoluiu para caçar e coletar, não para fazer contas exatas (até hoje, uma porcentagem enorme de pessoas têm dificuldade com matemática). Porém, a fim de organizar uma civilização gigantesca, é preciso registrar propriedades, produção, riqueza.

A invenção dos números é como se fosse um cérebro exterior, assim como a invenção da escrita.

“Sapiens” é uma obra monumental, abordando temas diversos desde o surgimento do homem até os dias atuais. É claro, para todos os tópicos há opiniões divergentes, e não precisamos concordar com tudo o que Harari descreve, precisamos mesmo é refletir sobre os temas e chegar à nossas próprias conclusões.

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Livro Sapiens:
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Veja também:

Uma moça formosa, o último Teorema de Fermat e o Prêmio Wolfskehl

Como um amor não correspondido pode influenciar num dos teoremas mais famosos da matemática?

O alemão Paul Wolfskehl, descendente de um banqueiro, era médico de formação, porém, também estudou matemática nas universidades de Bonn e Bern, em torno de 1880.

Nessa época, ele estava terrivelmente apaixonado por uma jovem moça do seu círculo social. Contudo, já desde esta época, jovens nerds não atraíam moças formosas. Após inúmeros “foras”, ele tinha perdido totalmente as esperanças de um casamento, e também a motivação de viver…

Decidido, Wolfskehl planejou cuidadosamente o seu suícidio. Marcou data e hora exatas, testamento feito e todos outros procedimentos completos para o ritual.

Entretanto, ele tinha sido eficiente demais, e ainda faltavam várias horas para o momento previsto. Para matar o tempo, ele decidiu estudar sobre um curioso teorema que tinha acabado de ser provado.

Este era o último teorema de Pierre de Fermat, que estava fascinando matemáticos desde sua formulação, em meados de 1600.

O grande Teorema de Fermat afirma que não existem números inteiros a, b e c, para n>2, tais que:

a^n + b^n = c^n

Para n = 2, este se reduz ao famoso Teorema de Pitágoras, que todos nós estudamos no primeiro grau.

Na época de Wolfskehl, acreditava-se que o teorema tinha sido provado, pelo matemático Augustin Cauchy. Um teorema resolvido não apresenta um desafio. São os desafios das conjecturas não resolvidas que movem os matemáticos, como se fosse uma corrida do primeiro ao chegar ao topo do Everest ou ao Pólo Sul.

Na fatídica madrugada de seu suicídio, Wolfskehl passou horas concentrado, e descobriu um erro lógico na formulação de Cauchy. Com isso, o Teorema de Fermat continuava de pé!

Melhor ainda, quando Wolfskehl completou o raciocínio, o horário do suicídio já tinha passado.

Motivado pela deusa da Matemática, infinitamente mais bela do que qualquer contrapartida feminina, Wolfskehl decidiu continuar a viver.

Para a tristeza de seus parentes e de seu mordomo, Wolfskel tinha outros planos para o seu testamento. Agora, ele oferecia um prêmio de 100 mil marcos (equivalente a 1 milhão de libras em dinheiro atual), para quem decifrasse o Último Teorema de Fermat.

A notícia de que o teorema continuava não resolvido e o prêmio oferecido ajudaram a aumentar o interesse no tema, nas décadas seguintes.

O Último Teorema de Fermat foi finalmente provado cerca de 100 depois, por Andrew Wiles.

Essa história curiosa foi publicada no livro “O último teorema de Fermat”, por Simon Singh, recontada aqui com alguma simplificação aqui, algum exagero acolá.

Link da Amazon para o livro:

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Veja também:

https://en.wikipedia.org/wiki/Paul_Wolfskehl

https://simonsingh.net/media/articles/maths-and-science/the-wolfskehl-prize/

Império Romano, Otomano e dos Samurais

Seguem três recomendações de séries – documentários – históricos.

Império Romano. Em três temporadas, cada temporada foca numa época. Marcus Aurelius e Comodus, Júlio César, Calígula. Em comum: rede de intrigas, luta pelo poder, assassinatos, envenenamentos, pão e circo para o povo. Muito impressionante é a segunda temporada, mostrando a ascensão e queda de Júlio César, a travessia do Rubicão, a conquista da Gália, Cleópatra e Marco Antônio.

https://www.netflix.com/title/80096545

Ascenção do Império Otomano: a impressionante campanha de Maomé II, para a conquista da inconquistável cidade de Constantinopla. Para superar a muralha dupla separada por poços, os turcos otomanos lançaram mão de todas as estratégias possíveis: força bruta pesada, utilização dos mais caros e avançados canhões da época, espionagem, intrigas, e até mesmo, abrir um caminho de 15 km dentre a floresta para transportar navios por terra!

https://www.netflix.com/title/80990771

A guerra dos Samurais: quando falamos da época dos samurais no Japão feudal, três nomes vêm à mente. Oda Nobunaga, Toyotomi Hideyoshi e Tokugawa Ieyasu. A série acompanha a história desses três personagens, a unificação do Japão, artimanhas e estratégias, e até a tentativa de invasão da Coréia por Hideyoshi.

https://www.netflix.com/title/80237990

As três séries estão disponíveis na Netflix.

Arábia Saudita – o Poder da Geografia

Minhas notas, capítulo sobre a Arábia Saudita, do livro “O Poder da Geografia”, de Tim Marshall.

O nome do país é composto de duas partes, Arábia e Saudita.

Saud é o nome de uma família, que controlava uma região menor. A região foi vastamente expandida há uma centena de anos. Se o país é o nome de uma família, o que acontece a quem não é da Casa de Saud?

Os Saudis fazem a política, e outro grupo, Wahabis, a religião. Ambos expandiram região de influência, agregandos outros emirados menores. Isso explica a tensão que existe atualmente.

Atualmente, há 34 milhões de pessoas, religião islâmica sunita.

A Arábia Saudita cobre grande parte da península arábica. Não há muito mais do que petróleo e areia. É uma área desértica, que chega a 50 graus na sombra. É o país com a maior extensão do mundo sem um rio. Terras altas a leste, onde ficam cidades mais importantes. Ao sul, montanhas.

Nos anos 1700, a família Saud transformou o berço do estado saudita em um mercado florescente, ganhando força regional.

Fizeram um pacto com o clã Wahab. Saud domina a política, Wahab, a religião.

Para cimentar relações, casamentos.

A aliança foi se expandindo, conquistando outras regiões.

É uma das sociedades mais restritas do mundo moderno.

Perderam controle após invasão dos otomanos, em 1818. O reinado foi destruído, e foi sendo reconstruído até a retomada de Riad, em 1824.

Outra ponto baixo foi em 1890, ao perder o controle de Riad, para família Rashid. Desapareceriam da história, não fosse Abdulaziz bin Abdul Rahman Al Saud. Em 1901, sucedeu o pai, como líder da família Saud. Depois, liderou a reconquista da região e fundou o estado da Arábia Saudita em 1932.

Após a descoberta de óleo, acordos com britânicos garantiram a posição dos Saud.

Ele também arranjou casamentos com representante de todos emirados, da onde nasceram centenas de filhos, e uma rede de familiares que domina a região até hoje.

Na época da Segunda Guerra, os sauditas fizeram um acordo com os EUA. Os EUA teriam acesso ao petróleo, e a Arábia Saudita teria apoio americano para garantir as fronteiras.

Após uma rebelião com a tomada de um mosteiro em 1979, houve um encrudescimento em ativismo religioso. Aumento da participação da religião, wahabismo reforçado, mulheres com menor participação na vida social.

O petróleo financia um enorme estado de bem estar social. O óleo fundamenta as relações modernas da Arábia Saudita.

Há uma preocupação enorme no que fazer após o petróleo.

Alguns projetos incluem uma cidade autônoma, para 2030. Diversificação de investimentos: investem em startups, como a Tesla.

O maior consumo de energia é com ar condicionado. Estimativa de ser responsável por 70 por cento da energia.

Estimativa de 4/5 de uso da água, que deve acabamos em 2030. Óleo subsidia, mas sem água não tem como. Plantas de dessalinização precisam de muita energia. O fundo soberano está comprando áreas em outros países.

Como investir equilibrando os polpudos subsídios de hoje?

O que será da Arabia saudita quando acabar o petróleo?

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O Poder da Geografia – Irã

Minhas notas do capítulo sobre o Irã, do livro “O Poder da Geografia”, de Tim Marshall.

Na história, o Irã sempre foi conhecido como Pérsia, mas foi renomeada em 1935 para tentar representar minorias não persas.

Formado por áreas montanhosas e desérticas.

Persas são a maioria da população, mas há curdos, azerbaijãos, armênios, árabes e outras minorias.

Tendência a ter governo central forte para reprimir esses vários grupos.

Sobre área desértica, outra característica é a falta de água. Há apenas um rio navegável.

O Irã possui a quarta reserva de óleo do mundo. Porém, os equipamentos existentes são extremamente ineficientes, com a dificuldade adicional de existirem sanções internacionais ao país.

A energia, petróleo, é a principal produto de exportação.

O Irã atual é cheio de problemas, mas a sua história é gloriosa. A Pérsia era uma nação líder em tempos antigos.

O primeiro império persa envolveu figuras como Ciro, Dário e Xerxes, que provocaram guerras com a Grécia.

Depois disso, houve uma série de invasores, alternando impérios persas. Alexandre, o Grande. Roma. Mongóis de Gênghis Khan. Tamerlão. Turcos otomanos. Russos. Britânicos.

Após a descoberta de óleo, na Primeira Guerra, os britânicos se asseguraram de que teriam preferência para exploração, o que levou a várias trocas de poder no local – e foi essa a época da troca do nome para Irã.

Depois da Segunda Guerra, russos e britânicos exploraram a região, assegurando o óleo.

Na época da Guerra Fria, os EUA e britânicos ajudaram uma das facções iranianas a chegar ao poder, temendo que este se tornasse um país comunista.

Na revolução que ocorreu em 1979, o Aiatolá Khomeini chegou ao poder, perseguindo adversários, minorias, tolhendo liberdades.

Após a revolução, os EUA deram preferência ao Iraque, criando um estado xiita à leste do Irã (que é sunita).

A guerra Irã-Iraque, nos anos 80, durou 8 anos, 1 milhão de mortes e terminou sem alterar nada.

Após a morte de Khomeini, os sucessores continuaram a governar com mão de ferro.

Mais atualmente, o presidente Mahmoud Ahmadinejad continuou turbulência política. Aumento de isolamento e piora econômica.

Nos últimos 40 anos, também é relevante citar o desprezo a judeus e a Israel.

Atualmente, a economia continua afundando, com inflação e desemprego em alta.

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O Poder da Geografia – Austrália

Para os amigos que se interessam por Geografia e História, uma recomendação: “O Poder da Geografia”, de Tim Marshall, um dos maiores especialistas do mundo sobre o tema.

Neste livro, ele aborda a Austrália, Sahel, Grécia, Turquia, UK, Irã, Etiópia, Arábia Saudita, Espanha e o Espaço.

Segue um pequeno resumo sobre a Austrália.

A Austrália foi de lugar nenhum para ponto estratégico na história.

Perto da China, acesso aos EUA e ao Oceano Pacífico.

De ilha de prisioneiros a nação de primeiro mundo, multicultural.

Área desértica ocupa mais de 70 por cento da ilha. Todos os rios juntos tem vazão menor que Yang Tsé, por exemplo.

Sobre ondas de imigração. A primeira carga de prisioneiros chegou em 1788. Muitos brancos britânicos, depois aceitação maior de outros habitantes. A corrida do ouro ajudou a aumentar a imigração. Hoje, aumento da participação de asiáticos, como chineses, até pela proximidade.

A Austrália está sofrendo com mudanças climáticas. Seca, propensão a incêndios florestais, como um que ocorreu em 2009, piorando a poluição do ar.

Para piorar o impacto ambiental, a tendência é ir de 25 para 40 milhões de habitantes no futuro.

Sobre energia. Por ser muito plano, não há potência hídrica. Mas há abundância de carvão, que é uma indústria importante. Porém, isso agrava problemas climáticos.

Há diversos grupos de aborígenes. Desde as primeiras colônias, houve aniquilação de aborígenes, que mal eram considerados humanos, luta que continua até hoje.

A Austrália sempre se aliou a potências. UK. EUA. Agora, ascensão da China. Estudantes chineses na Austrália, são mais de 30 por cento do total. 1/3 das exportações são para a China. O futuro da Austrália pode ser cada vez mais chinês.

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