Melhores textos de Richard Feynman

O brilhante físico americano Richard Feynman (1918 – 1988) teve uma carreira invejável:

  • Participou do Projeto Manhattan
  • Inventou um método de visualização de eletrodinâmica quântica que é usado até hoje
  • Ganhou o Prêmio Nobel de Física
  • Foi essencial para descobrir e denunciar problemas no ônibus espacial Challenger

“Os Melhores textos de Richard Feynman” reúnem alguns artigos e palestras. São textos extremamente agradáveis de ler e que mostram um pouco da criatividade, valores e forma de trabalho deste gênio.

Seguem algumas reflexões.

  • Explicação visual: Feynman adorava transformar ideias abstratas em analogias fáceis de imaginar. Não era daqueles físicos que falavam difícil. Exemplo: Explicação sobre tiranossauros: “Essa coisa tem 7,5 m de altura e a cabeça tem 1,80 m de diâmetro. Vamos ver o que é isso. Se ele parasse ali no quintal teria altura suficiente para enfiar a cabeça pela janela mas não muito porque a cabeça é meio larga demais e quebraria a janela quando passasse.”
  • Como escolher o problema certo a atacar? Uma forma racional é fazer a estimativa tamanho do impacto do problema x probabilidade de resolver.

“Tudo é interessante quando a gente mergulha com profundidade suficiente.”

“O primeiro princípio é não enganar a si mesmo e somos as pessoas mais fáceis de enganar”

  • Los Álamos visto de baixo. Texto relatando inúmeras experiências de Feynman em Los Álamos, onde participou do Projeto Manhattan, para o desenvolvimento da primeira bomba atômica da história. O “visto de baixo” porque ele era apenas um pesquisador promissor em início de carreira, frente a gigantes da física como Fermi, Von Neumann, Bohr.

Sobre o convite: a primeira reação dele foi rejeitar, mas depois de pensar um pouco, ele aceitou: “A razão original para começar o projeto era que os alemães eram perigo. A possibilidade de Hitler desenvolver uma bomba era óbvia, e a possibilidade de desenvolver antes de nós era apavorante.”

Uma das tarefas de Feynman, físico teórico, era analisar se método de separar isótopos de urânio funcionariam na prática.

Além disso, ele conta várias histórias sobre a mobilização na base, a censura de cartas, e de como passava horas aperfeiçoando sua habilidade de abrir cofres – ou ouvindo o padrão de combinações, ou observando cofres abertos para descobrir parte do código.

Os computadores da época utilizavam cartões perfurados como forma de entrada e saída de informação.

“Um dos segredos para resolver nosso problema foi o seguinte: os problemas eram cartões que tinham de passar por um ciclo, primeiro somar depois multiplicar e passava por um ciclo completo de máquinas, devagar, dando voltas e mais voltas. Aí inventamos um jeito usando cartões de cores diferentes: depois de pôr todos para circular, mas fora de sincronia, podíamos resolver dois ou três problemas ao mesmo tempo. Enquanto um somava o outro multiplicava.”

Sobre encontro com Niels Bohr, que era uma lenda viva à época. Feynman o encontrou numa reunião, mas nada disse. No dia seguinte, o filho de Bohr o chamou para um encontro, para discutir a viabilidade de um problema com o próprio Bohr.
Sobre a razão de escolher Feynman, o filho de Bohr relata uma conversa com o pai: “Você lembra o nome daquele sujeitinho no canto? Ele é o único que não tem medo de mim e vai dizer se a minha ideia é maluca. Não dá para discutir com esses caras que só dizem sim, sim, doutor Bohr. Então chame aquele sujeito primeiro”

  • Feynman é considerado o iniciador da nanotecnologia. O texto “Há muito espaço no fundo” tem ideias intrigantes e um desafio no final. Segue um pequeno trecho.

“Por que não podemos escrever todos os 24 volumes da Enciclopédia Britânica na cabeça de um alfinete? Uma cabeça de alfinete tem 1,5 mm de diâmetro. Se ampliar isso em 25.000 diâmetros, a área da cabeça de alfinete será igual a área de todas as páginas da Enciclopédia Britânica. Portanto é preciso reduzir o tamanho de todo o texto da enciclopédia 25 mil vezes… um ponto conteria 1.000 átomos, então não há dúvida de que há espaço suficiente para pôr toda a enciclopédia”

Ao final da aula, Feynman lançou um desafio de mil dólares a quem inventasse um motor elétrico que pudesse ser controlado de fora, com as dimensões de um cubo de 1/64 polegada de lado.

Nota: Ele pagou o prêmio duas vezes, a primeira menos de um ano depois, a um ex aluno da Caltech.

  • Sobre a sinestesia de Feynman.
    “Quando vejo equações, vejo as letras coloridas não sei por quê. Enquanto estou aqui falando, vejo vagas imagens de funções de Bessel com j marrom claro, n azul levemente arroxeado e o x marrom escuro esvoaçando-se.”
  • A curiosidade de Feyman o levava a tentar entender tudo profundamente. Sobre o número pi: “O pi era um número profundo maravilhoso. A razão entre a circunferência e o diâmetro de todos os círculos, não importa o tamanho. Havia um mistério nesse número.”

“Anos depois, olho nas fórmulas de um livro qualquer e descobri que a fórmula da frequência de um circuito ressonante era de 2 x pi x raiz( L C), onde L é indutância e C capacitância. Estava lá o pi. Mas onde estava o círculo? O pi era uma coisa com círculos, e estava ali o pi numa fórmula de um circuito elétrico em vez de um círculo. Da onde veio o pi nesse circuito?

Link da Amazon: https://amzn.to/3vtbqSn

Grato ao amigo Cláudio Ortolan pelo livro.

Veja também:

Um Einstein vale mais do que uma legião de PhDs robóticos

Excelente reflexão de Naval Ravikant (https://nav.al/einstein).

A China está formando mais graduados em ciência do que os EUA e qualquer outro país no mundo.

Porém, isso não significa necessariamente que estão saindo inovadores, muito pelo contrário.

A cultura chinesa em estudos é fortemente baseada em estudar o que já existe e memorizar de cabo a rabo, na verdade destruindo a criatividade e criando imitadores.

Criatividade vai de 0 a 1.

Um Einstein vale mais do que uma legião de PhDs robóticos.

Podcast do Naval:

Veja também:

Viagem ao fundo do mar

Uma bela notícia esta semana: HC transforma sala de ressonância para crianças em ‘viagem ao fundo do mar’.

(vide https://jovempan.com.br/programas/jornal-da-manha/hc-transforma-sala-ressonancia-criancas-viagem-fundo-mar.html)

Uma vez fiz ressonância. Tive que refazer mais duas vezes, porque eu tinha me mexido no procedimento. Agora, imagine uma criança ficar imóvel, dentro de um aparelho frio, escuro e assustador?

Com a viagem ao fundo do mar, a tarefa fica um pouco mais lúdica.


A ideia é baseada em uma iniciativa de alguns anos atrás, de um pessoal de Design Thinking:

https://ideiasesquecidas.com/2015/02/15/ressonancia-magnetica-divertida/

gepirata

“Doug Dietz era designer de produtos da General Eletric.

Ele tinha orgulho das máquinas de ressonância magnética que ele tinha projetado, eram as mais avançadas do mundo. Mas, acompanhando alguns procedimentos reais, ele notou que as crianças ficavam aterrorizadas com o equipamento. Era um túnel frio, sombrio, estranho. 80% das crianças tinham que ser sedadas para fazer os exames.

Doug resolveu testar outra solução. Procurou pessoas da área educacional, e transformou a máquina de ressonância magnética em uma aventura na ilha pirata, conforme as fotos acima.

Funcionou. A taxa de crianças sedadas passou a ser de 10%. Algumas até achavam a aventura divertida, e queriam voltar outro dia.”

Parabéns aos hospitais pelas iniciativas!

Paul McCartney era um aluno medíocre na aula de música


O grande músico Paul McCartney passou pelo Brasil na última semana.

Aos 76 anos, o ex-Beatle continua a entoar com energia algumas das mais belas canções de todos os tempos.

Porém, a julgar pelas suas notas nas aulas de música, esperava-se um músico medíocre.

Paul odiava a escola de música. O seu professor nunca dava notas boas, e nem notava talento especial no jovem Paul.

Outro aluno na mesma escola de música era George Harrison – que também era julgado como um aluno mediano.

Ou seja, o professor quase reprovou metade dos Beatles em sua sala de aula!

Esta história pavorosa é contada por Sir Ken Robinson, num vídeo famoso no TED. A escola, nos moldes tradicionais, atrapalha a criatividade.

A vassoura-violino

A Av. Paulista fecha para carros aos domingos, o que a torna um belo lugar para passear.

Nela, artistas de rua a cada esquina vendem os seus sonhos, em busca de alguns trocados. Porém, esse da foto era diferente. Primeiro, a música (Bach eu acho) era muito bem tocada, bastante bonita. Segundo, ele tocava uma vassoura-violino, seja lá o que isso for.

Uma forma de se diferenciar é através da criatividade.

Sucesso ao mestre da vassoura-violino.

Uma ideia sua = 1000 ideias de outros

Ter ideias próprias é muito difícil.

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As pessoas “Originais” criam as ideias, e as pessoas “Refletoras”, que são a grande maioria da população, apenas as repetem.


Uma pessoa original cria um novo tipo de sorvete, digamos a tal de paleta mexicana. Pouco tempo tempo, começam a surgir em todo lugar concorrentes desta paleta, e pululam na internet receitas do mesmo. É como um vírus, um vírus de ideias, que é criado por alguém e se espraia por todo lugar.

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O teórico de evolução Richard Dawkins chamou este pedacinho de ideia que se reproduz de “meme”, em analogia ao “gene”. O criativo marketeiro Seth Godin chamou o meme de “ideiavírus”, décadas depois.


Senso comum?

Aliás, o pessoal de marketing e de ideologia é muito bom em criar argumentos fortes que servem para influenciar os outros. O que é senso comum hoje pode ser sido formado pela opinião de meia dúzia de pessoas.

Vide o fenômeno recente que vem ocorrendo no Brasil. Um partido, que não quer deixar o poder, repete à exaustão algumas ideias, como “não vai ter golpe”, “Impeachment é golpe”. Depois, eles perceberam que não colou, porque o impeachment está na constituição. Remendaram a frase: “Impeachment sem crime de responsabilidade é golpe”, para ficar mais difícil alguém contra-argumentar. Esta é uma “Zika IdeiaVírus”.

Definição

Zika IdeiaVírus: Argumentos criados por ideologia e repetidos à exaustão, que podem ou não ter lógica.

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O próprio sistema de ensino induz as pessoas a não pensar. Num livro didático, há a sua resposta e a “resposta correta” no final do livro. A sua resposta nunca vai ser a correta, a menos que seja igual à que está no livro. Com o tempo, o aluno já olha direto para as respostas, sem nem questionar.

Num mestrado acadêmico, primeiro temos que ficar meses estudando a bibliografia de dezenas de pessoas antes de começar a escrever nosso próprio trabalho. Proponho que seja o contrário, primeiro desenvolvemos a ideia, e se der tempo, damos uma olhada nas respostas existentes.

A Internet piorou as coisas. Agora é muito mais fácil procurar as “respostas corretas”, sem pensar. E ficou muito mais fácil para “formadores de opinião” profissionais criarem ZikaIdeiaVíruses.


Dicas para forçar a criação de ideias originais:

  1. Não “Ver a resposta”. Primeiro, procurar resolver por si só.
    Ex. Todos os algoritmos dos cubos mágicos aqui deste site foram desenvolvidos por mim. Vide post: Dodecaedro mágico e X-Cube. Certamente não são os mais eficientes do mercado, mas são originais.
  2. Tente criar novas palavras e conceitos, isto é bem divertido.
  3. Criar a sua própria arte: poesia, música, desenho, um blog na internet…
  4. Fazer, ao invés de teorizar. Quanto a isto, vide post: 1 Kg ação = 1 ton de teoria
Megaminx

A Mini-Encubadora do Abraço

Esta é uma das ideias mais legais que já vi na minha vida.

Imagine um grupo de estudantes, muito jovens, num curso de inovação. O produto que saiu deste curso é uma mini-encubadora, projetada para ser utilizada em lugares pobres e remotos, como Índia, Bangladesh, Somália. Esta mini-encubadora é o “Embrace Infant Warmer”, que já foi utilizada para salvar mais de 50 mil crianças no mundo todo.

Embrace1


O Desafio

Existe um curso em Stanford, da Escola de Design Thinking, que se chama Extreme Affordability. O Design Thinking é uma metologia poderosa de inovação, e a finalidade deste curso é a de construir protótipos de soluções que ajudem pessoas em países em desenvolvimento. O protótipo tem que ser feito em algumas semanas, deve ser efetivo e de custo baixo.

O desafio da equipe do Embrace (Jane Chen, Rahul Panicker, Linus Liang, Naganand Murty, Razmig Hovaghimian)
era construir uma encubadora que custasse 1% do custo de uma encubadora tradicional. Eles não entendiam absolutamente nada de medicina ou das condições de vida de lugares pobres, mas correram atrás para entender.


Encubadoras
Encubadoras são utilizadas para aquecer e proteger bebês prematuros ou que nasceram muito magros.

Um bebê recém-nascido é extremamente frágil e requer muitos cuidados. Um bebê prematuro, ou que nasceu muito magro (o normal é nascer de 3 a 4 quilos, mas tem bebês que nascem com 2 quilos!) é tão pequenino que não consegue produzir calor suficiente para se aquecer. Uma das principais causas da mortalidade destes é hipotermia. Ficar à temperatura ambiente do ar para estes pequenos é como estar mergulhado num balde de água gelada.

encubadora

Figura: encubadora tradicional

A encubadora é um equipamento que mantém o bebê aquecido aos 37 graus. Em lugares pobres e distantes, sem encubadoras, a chance de sobrevivência diminui muito.


Abordagem

Portanto, se o desafio era construir uma encubadora de baixo custo, era só pesquisar materiais mais baratos e tecnologias mais eficientes, correto?

Errado.

Um dos pilares do Design Thinking é a Empatia, que significa fazer exatamente o que o usuário precisa. Para isto, um dos alunos do curso comprou uma viagem ao Nepal, para fazer uma pesquisa de campo sobre o assunto. E ele descobriu o seguinte: Vários hospitais da região tinham encubadoras, e estas estavam ociosas. Mas, por outro lado, os problemas da mortalidade infantil existiam.

Algumas causas desta discrepância

  • Falta de conhecimento dos pais sobre a importância de se ter cuidados especiais com crianças prematuras
  • O hospital ficava longe, digamos 50 km, do vilarejo. E os pais não conseguiam ir ao hospital e deixar a criança lá por várias semanas

Portanto, apenas uma encubadora mais barata não resolvia o problema de forma efetiva. Era necessário mudar o próprio conceito de encubadora – não era o bebê ir à encubadora, mas a encubadora ir ao bebê.


O Embrace Infant Warmer

O Embrace é como se fosse um saco de dormir muito pequeno. Na base do Embrace, tem uma sacola com um gel à base de parafina. Há um equipamento elétrico que aquece o gel aos 37 graus. O gel fica aquecido por 4 horas. O custo de um Embrace é irrisório, 25 dólares. Outra vantagem é a de que permite o contato direto entre mãe e filho.

Outro pilar do Design Thinking é a prototipagem rápida, a fim de testar e evoluir o conceito. Os primeiros protótipos foram feitos, e o grupo terminou o curso de inovação com um protótipo funcional. Mas a ideia era tão legal que eles não poderiam parar por aí. Eles partiram para implementar de verdade e aperfeiçoar a solução proposta.

EmbraceWarmer
Eles fizeram parcerias com governos indianos e ONGs, e passaram a utilizar o Embrace em vilarejos distantes destes locais.
Outro passo, tão ou mais importante quanto, foi criar formas de conscientizar as mães sobre as causas da mortalidade infantil, ensinar sobre as posições corretas para aquecer o bebê com o corpo e ensinar a usar o Embrace. Ou seja, se fosse numa empresa, diria-se que eles trabalharam o produto e o processo.

O resultado é que até 2015 mais de 50 mil crianças foram ajudadas com o auxílio do Embrace, tendo potencial para ajudar milhões de outras crianças, nos lugares mais carentes do mundo.


O que eu posso fazer para ajudar?

Uma das coisas mais importantes é ter a noção de que podemos sim mudar o mundo. Uma única pessoa pode fazer a diferença, com vontade, determinação, correndo atrás. O mundo precisa de criatividade, de ideias boas, pessoas que inovem em processos, produtos, e no próprio trabalho.

No caso específico do Embrace, pode-se apoiar, acompanhar e divulgar o trabalho deles http://embraceglobal.org/embrace-warmer/.

Pode-se ajudar doando Embraces. A cada 50 dólares, pode-se doar uma Embrace e um curso de instrução para a mãe. https://giving.embraceglobal.org/checkout/donation?eid=30516


Resultados

Para um pai e para uma mãe, não existe nada mais bonito no mundo do que o sorriso do filho. Estas fotos foram tiradas do blog da Embrace.

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Embrace Débora.

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Embrace Nabwami

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Embrace Roopa

Fontes:
http://embraceglobal.org/embrace-warmer/

Confiança Criativa, Tom & David Kelley

Lado criativo da tecnologia

 

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“Pessoas acham que tecnologia é algo que elas assinam um cheque e compram. Não entendem o lado criativo da tecnologia” – Steve Jobs.

 
Este é um erro que eu canso de ver. Pessoas acham que apenas adquirir um software (caro) ou mais poder de processamento (também pagando caro) vai resolver tudo. Não vai. Tem um elemento importante faltando, que é saber transformar tudo isto em algo útil. Aliás, é muito provável que nem precise de tanto software ou tanto hardware para resolver o problema.
 

Achar que um cheque em branco e um fornecedor de serviços do mercado bastam, é um caminho certo para se iludir. O mais assustador é que não apenas pessoas de nível de Gerência ou Diretoria pensam assim, mas inclusive, muita gente de TI!

Arnaldo Gunzi
Abril/2015

Escola acadêmica x Vida real

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Sir Ken Robinson tem um vídeo famoso no TED, onde argumenta que a escola, nos moldes tradicionais, atrapalha a criatividade.

Ele conta uma história apavorante: se fosse pela escola, Paul McCartney nunca teria sido músico.

O professor de música de Paul, no ensino médio, nunca dava notas boas para ele, nem notava nenhum talento diferente.

Outro Beatle, George Harrison, teve o mesmo professor alguns anos depois, e era a mesma coisa: nenhum destaque, notas medianas, aluno mediano.

Imagine só. Os Beatles são a banda mais legal e bem sucedida do universo. Um professor tem metade dos Beatles em sua aula de música, onde ele supostamente seria o especialista do assunto, e dá nota 5 para eles!!

Agora, a minha experiência. Sou alguém que estuda muito. Leio um livro por semana, no mínimo. Sempre fui assim.
Porém, na época da escola, eu fui ensinado que a escola tem as respostas. Existia o certo e o errado. Se a resposta não fosse igual à das soluções do final do livro, estava errada.

Por anos, eu seguia o mesmo processo. Dado um problema novo, eu sempre procurava extensivamente em livros se alguém já tinha pensado e resolvido aquilo. Depois disso, analisava as soluções que encontrava e começava a pensar.

Mas este processo está errado. O ideal é começar a pensar antes de procurar outras soluções. Imaginar, desenvolver, ao invés de copiar.

Na vida real, há coisas que dão certo e que dão errado. Mas esta fórmula não está escrita num livro. O conhecimento de hoje pode estar ultrapassado amanhã. E é a vida real que dá o veredicto final, não a escola.

Se Paul McCartney tivesse sido influenciado pelas notas do professor de música, talvez ele tivesse ido trabalhar como mão de obra na indústria. Não existiriam os Beatles. O mundo seria mais triste, ao ser privado de músicas como Yesterday, Hey Jude, The long and winding road, Sgt Pepper, Yellow Submarine…

Arnaldo Gunzi
Jan/2014

Bônus: Yesterday é a música mais regravada da história, com mais de 2000 regravações.

Um ano de trabalho

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No livro Creativity Inc, Ed Catmull conta que a Pixar quase perdeu um ano de produção do filme Toy Story II.

Todo o trabalho da Pixar estava em rede, e alguém acidentalmente deu um comando (na plataforma Unix, não conheço o comando) de formatar o servidor. Quando perceberam, era tarde demais para recuperar. Mas ainda existia um backup programado, que eles faziam todos os dias. Porém, foram verificar o backup, e este estava com problemas. Não tinha jeito, o trabalho de um ano inteiro estava perdido.

Foi aí que uma funcionária lembrou que tinha uma cópia do trabalho. Esta estava trabalhando em casa, por conta de licença maternidade. E fazia automaticamente um backup total do trabalho, toda semana, para levar para casa.

Uma das providências que tomaram, depois do incidente, foi a de consertar o programa de backup. Mas o mais impressionante foi o que não fizeram. Ninguém perguntou quem foi a pessoa que apagou os dados, e nem quiseram responsabilizar ninguém. Isto porque eles tinham certeza de que as pessoas da Pixar eram bem intencionadas, e se houve o problema, fora por acidente e não por negligência ou má intenção.

Outra coisa era a liberdade total dos funcionários no trabalho. E, se todos podiam ter acesso aos arquivos e apagar (que causou o acidente, também todos podiam fazer backup e levar para casa (o que salvou a todos). A aleatoriedade trabalha para os dois lados, e eles preferiram manter a cultura da empresa a aumentar controles e sufocar o ambiente.

Arnaldo Gunzi.

Criatividade e reinvenção de regras

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Diz uma história, provavelmente inventada mas mesmo assim interessante, que o golfe foi implantado na Índia pelos britânicos que a colonizaram. Mas os campos eram envoltos pela mata nativa, que tinha macacos. Os macacos achavam a bola de golfe diferente, interessante, e constantemente a pegavam.

Os britânicos tentaram de tudo: colocaram cercas, espantalhos, pessoas fazendo barulho. Nada disto deu certo, e os macaquinhos continuavam a atrapalhar o jogo.

Então, eles fizeram algo criativo. Mudaram a regra. Incorporaram que o macaco fazia parte do jogo e era um elemento aleatório. O jogador tinha que continuar a jogada da onde o macaco jogar a bola.