O problema do peru

Um peru é alimentado por 1000 dias.

É de forma irregular, às vezes mais, às vezes menos, mas em geral, o resultado é positivo. Ele está todo feliz, confiante de que vai continuar assim…

Até que, no 1001º dia, ele vai para o forno.

Um gráfico do peru seria como o da foto abaixo.

Um único detalhe: este é o Índice Bovespa de 1 ano! A queda é o resultado dos últimos poucos dias, onde ocorreram 3 circuit breaks.

O peru conheceu um Cisne Negro, um evento de alto impacto e baixa probabilidade, termo criado pelo filósofo Nassim Taleb.

Este tipo de evento não é modelável. Não é recorrente, não há dados históricos.

Também é pouco útil tentar prever o futuro – impossível prever quando o peru vai para o forno!

O que é possível é detectar a fragilidade de um sistema (mais complexo, maior, inchado).

É possível tomar medidas de precaução: seguros, planos B, redundâncias, reservas em investimentos seguros e pouco rentáveis.

Infelizmente, o mundo está cada vez mais otimizado, e seguros são vistos como desperdício ou falta de agressividade… até o dia em que o Cisne Negro chega.

Taleb é o autor que mais admiro no mundo atual. Vale a pena ler suas obras.

Mais links:

Cisnes Negros

O colapso das sociedades complexas

Corona vírus e Cisnes Negros

Um cisne negro é um evento de baixa probabilidade, porém um impacto altíssimo. Depois que ocorre, muita gente diz que era previsível.

O corona vírus e problemas com petróleo, desencadearam nos últimos dias uma queda acentuada e rápida nas bolsas, culminando num circuit break na B3 hoje. Houve circuit break nos EUA também, o que mostra que este não é um problema só daqui. Talvez haja muito mais por vir, nos próximos meses. É um bom exemplo de cisne negro.

Algo importante a ser enfatizado. Este tipo de evento só ocorre se o sistema como um todo já estiver frágil. O mercado mundial, com dinheiro barato (não para todo mundo, só para quem tinha acesso a este) proveniente de juros baixos, estava criando distorções como startup bolhas (como a da Tesla, que valia mais do que a GM e a Ford, o supervalorizado WeWork, a Uber que só dá prejuízo). Vide este vídeo do economista Fernando Ulrich, de 9 meses atrás: https://www.youtube.com/watch?v=zpHmV1hXaaA.

A partir de um sistema frágil, pode-se inferir que algo pode perturbá-lo. É impossível dizer quando isto ocorrerá, ou o que o causará – ninguém tem bola de cristal para prever o futuro. Entretanto, algo que pode ser feito é se preparar para esses momentos de fragilidade: diminuir a exposição a riscos catastróficos, ficar na retranca, ter seguros e opções B.

Vide:

https://ideiasesquecidas.com/2017/08/09/a-teoria-dos-cisnes-negros/

https://ideiasesquecidas.com/2018/03/02/%e2%80%8bskin-in-the-game-pele-no-jogo-de-nassim-taleb/

https://ideiasesquecidas.com/2020/02/29/como-ficar-rico-sem-ter-sorte/

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Iludidos pelo acaso

Uma boa surpresa é encontrar nas livrarias o relançamento do livro “Iludidos pelo acaso” (Fooled by Randomness), do meu autor favorito: Nassim Taleb.

Fooled by Randomness foi publicado em meados dos anos 2000. Mostra como a aleatoriedade afeta diversos aspectos de nossa vida. É um ensaio para o ápice, o magnum opus de Taleb, que seria a publicação seguinte: A Lógica do Cisne Negro; e, posteriormente, Antifrágil – coisas que ganham com a desordem.

Em Iludidos pelo acaso, Taleb ainda não é o Taleb: sem inventar termos e conceitos (ex. o termo Cisne Negro, efeito Lindy), sem criticar abertamente figurões da academia, da política e da economia (há uma fila de desafetos: Steve Pinker, Richard Thaler, Nate Silver, Susan Sontag, e por aí vai), sem comprar briga em temas polêmicos (como plantações geneticamente modificadas).

Porém, tem o DNA do mesmo, dizendo em essência, o mesmo que viria depois no Cisne Negro: não conhecemos o mundo em que vivemos, não conseguimos prever o futuro, apenas nos preparar para ele.

Vale a pena ler cada frase deste livro.

A página pessoal oficial de Nassim Taleb é o Fooledbyrandomness.com

https://fooledbyrandomness.com/

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2017/08/09/a-teoria-dos-cisnes-negros/

https://ideiasesquecidas.com/2019/05/10/o-que-e-antifragil/

Cisnes Negros e gestão de riscos

Cisnes Negros são eventos de baixíssima probabilidade, porém impacto extremamente elevado.

O evento ocorrido em Brumadinho, Minas Gerais, é um Cisne Negro.

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2019/01/25/barragem-em-brumadinho-tem-volume-de-1-milhao-de-m-de-rejeito-de-mineracao.htm

O termo “Cisne Negro” foi popularizado pelo pensador libanês Nassim Taleb, um trader, filósofo autor de livros como “Black Swan” e “Antifrágil”.

A premissa da teoria é que Vivemos num mundo em que não conhecemos. Mas não é isso que parece. Economistas que têm todas as respostas, Intelectuais que dão pitaco em tudo na nossa vida, Inteligência Artificial se aproximando da singularidade, Machine Learning, supercomputadores quânticos, dão a impressão de que é só apertar um botão e tudo se resolverá. Porém, isto nunca ocorrerá, por um simples motivo: eventos extremos não têm histórico, eles são inesperados justamente porque nunca ocorreram no passado. É impossível extrair informação de onde não existe, por mais inteligente que seja a pessoa, por mais avançada que seja a nossa tecnologia. Devemos respeitar esta premissa. Vivemos num mundo que não conhecemos.

Outra questão colocada por Taleb é que o mundo atual está cada vez mais otimizado. Empresas cada dia mais globalizadas, consolidadas mundialmente, ganhando sinergia de processos e otimizando operações. Tudo ótimo, porém, quanto maior a escala, maior o Black Swan: mais riscos mascarados dentro da complexidade destas operações, mais indireta é a relação entre o administrador da empresa e os clientes, menos “pele no jogo”.

Uma das respostas básicas para evitar eventos extremos é a boa, velha e simples gestão de riscos: ter seguros, opções, plano B, redundâncias, desotimizações. Porém, seguros custam caro a curto prazo e podem não ser utilizados (exemplo: aumentar estoque de segurança). Abrir opções nos processos críticos (digamos, fornecedores alternativos) também pode não fazer sentido a curto prazo e afetar negativamente o EBITDA trimestral, porém, é muito importante a longo prazo.

A natureza é cheia de redundâncias. Temos dois rins e sobreviveríamos com um. Se o corpo humano fosse uma empresa querendo cortar custos, ele veria a ociosidade do trabalho dos rins e pediria para desativar um deles. Redundância genética: temos dois genes, um do pai e um da mãe, para exatamente a mesma função (digamos, indicar a cor dos olhos). Daria para sobreviver com um só, afinal, na maioria das vezes um dos genes é o dominante, e o outro, recessivo. Afinal, para que serve o gene que está sobrando? Serve como uma reserva, para futuras gerações. É como se fôssemos bibliotecas de genes, guardando esta para o caso de ser útil a longíssimo prazo (digamos, imunidade a uma doença nova ou a alguma grande alteração do ambiente). A vida é sábia, sobrevive há centenas de milhões de anos, e é repleta de gestão de riscos.

Desconheço o case da Vale para opinar. Este texto trata de conceitos de risco de forma genérica. Desejo paz às vítimas deste acidente, e que a gestão de riscos tenha a importância que merece dentro da administração pública e das organizações privadas, a fim de evitar outras catástrofes como esta.


Ideias técnicas com uma pitada de filosofia:https://ideiasesquecidas.com/ https://ideiasesquecidas.com/

A Teoria dos Cisnes Negros:

https://ideiasesquecidas.com/2017/08/09/a-teoria-dos-cisnes-negros/

https://ideiasesquecidas.com/2019/05/10/o-que-e-antifragil/

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Um Cisne Negro paira sobre a China

O todo-poderoso império chinês foi apresentado em uma série de posts (vide aqui, aqui e aqui). Este último post fecha a série.
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A China é segunda maior economia do mundo, caminhando fortemente para ser a primeira. Um bilhão e meio de habitantes. País que mais cresceu nos últimos 30 anos, retirando da pobreza absoluta 500 milhões de pessoas e dobrando o PIB per capita. A China tem programas internacionais de bilhões de dólares, como o One Belt One Road e o Made In China 2025…. perfeito, não?

Não, não é perfeito. O colosso chinês é reluzente, porém tem rachaduras em suas fundações. É como um castelo magnífico, alto o suficiente para eclipsar todos os outros prédios: suas portas são da melhor madeira nobre, o mármore de seu piso é da mais alta qualidade, os detalhes são feitos de ouro e de pedras preciosas. Porém, tudo isto suportado por fundações mal executadas, erguidas às pressas e cheias de falhas estruturais.

Um Cisne Negro gigantesco paira no ar…

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Cisne Negro é um evento de baixa probabilidade e impacto enorme, como um terremoto, ou como a crise mundial de 2008. Para saber mais sobre o assunto, recomendo este link, ou este.


Motivo?

São vários motivos. Em poucas linhas:

O Estado chinês está presente em tudo, incluindo as empresas.
Apesar de privadas, a presença do Estado é muito forte. O Estado injeta uma quantidade absurda de dinheiro em suas campeãs nacionais.

Esta oferta de dinheiro abundante e barato faz com que os riscos sejam mascarados, e investimentos que nunca se pagariam tornem-se viáveis.
Isto também estimula a formação de mega empresas, que se tornam rapidamente too big to fail.

A pressa em investimento do governo nas últimas décadas levou à capacidades de produção assombrosas, sem maiores preocupações com a qualidade e a excelência técnica (atualmente estão correndo atrás do prejuízo, melhorando a técnica, diminuindo a capacidade, olhando para a poluição).

Efeito: A China produz, anualmente, 50% do aço do mundo! Sua produção é 10 vezes maior do que a dos EUA. Há assombrosos 150 milhões de toneladas de capacidade ociosa que eles querem cortar!

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Com relação ao cimento, mais da metade do cimento do mundo é produzido na China. Em três anos, a China consumiu mais cimento do que em 100 anos nos EUA!

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Há obras extravagantes e duplicadas. Um exemplo é uma réplica da Torre Eiffel e complexo residencial, construído em Hangzhou para 10 mil pessoas, mas que atualmente está esparsamente ocupada.

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Outro exemplo. A cidade de Wuhan planeja construir metrô, dois aeroportos, um novo distrito financeiro, um distrito cultural e uma torre comercial tão alta quanto o Empire State, a um custo de 120 bilhões de dólares…

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Capitalismo de Estado, empreendimentos megalomaníacos, lembram os malfadados investimentos de Eike Batista e suas empresas X: OGX, CCX, e outras, só para fazer uma analogia.

Obesidade: Fazendo uma analogia, imagine alguém que passou por subnutrição por toda a infância e adolescência. Na idade adulta, este enriqueceu, e agora pratica o exato oposto, a supernutrição, mesmo já obeso além da conta. Tanto a subnutrição quanto a supernutrição são nocivas a seu modo.

Shadow Banks
Para financiar tais empreendimentos, há os bancos oficiais, mas também há uma série de bancos que atuam de forma pouco transparente, os chamados “shadow banks”. Estes seguem poucas regras claras, o que permite que financiem  empreendimentos de retorno duvidoso.


O que fazer com tal capacidade ociosa?

O ciclo vicioso está em não deixar a economia desacelerar, por conta da ameaça de desemprego. Isto significa mais investimentos, já que o consumo interno não é suficiente. Coloco mais dinheiro em estradas, portos, ferrovias e cidades, para que estes possam produzir mais, e com isto tenho capacidade para produzir mais outras estradas, portos, ferrovias e cidades.

Porém, investir por investir não faz sentido, o investimento tem que valer a pena. Os retornos dos investimentos estão cada vez menores, o que é natural, porque as frutas mais acessíveis já foram colhidas: a primeira estrada tem muito mais valor do que a segunda estrada no mesmo lugar.

No fechar do dia, o investimento tem que se pagar. É como alguém que toma emprestado hoje com a promessa de um bom investimento, e quer pagar amanhã. Chega amanhã, toma outro empréstimo, e assim sucessivamente, uma bola de neve.

Faz pelo menos uns 10 anos que economistas vêm falando de uma crise na China, que nunca ocorreu. Aqui, cabe o problema do Peru, que ilustra a noção de que o passado não explica o futuro:

Um peru é alimentado por 999 dias consecutivos, e nada de mal lhe ocorreu até hoje. Ele está seguro e confiante de que o dono gosta dele. Porém, amanhã, o dia 1000, é o dia do Natal. Adivinha quem vai para o forno?

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Falando em Peru, quem vai pagar o pato?

O risco de crise bancária mundial é remoto, devido à elevada poupança interna chinesa, atualmente por volta de 40% do PIB. Outro fator é a impossibilidade de os poupadores chineses investirem suas economias em outros países.

Pelo motivo acima, dificilmente haverá uma crise internacional de grandes proporções.

Entretanto, causas geram consequências. É difícil imaginar que não haverá efeito algum, dado tamanho desbalanço de contas.

Provavelmente, quando o inevitável ajuste chegar, as famílias chinesas serão chamadas a cobrir o rombo. Provavelmente não haverá uma explosão, afetando o mundo todo, mas sim algo parecido com uma implosão, causando problemas internos.

Este processo pode ser bem conduzido, minimizando danos, ou não, ferindo ou não vários no caminho. Não é possível prever como será. Talvez um destino como o do Japão, saindo de um crescimento exponencial para duas décadas de economia patinando sem sair do lugar (mas mesmo assim, é a terceira economia do mundo).

O que sei é que ninguém gosta de ter a poupança de uma vida toda afetada por decisões de outrem. Isto pode causar distúrbios na Harmonia, que é um dos pilares de sustentação do país, causando problemas aos governantes chineses e em seu mandato dos céus.

O que leva à conclusão: não é nada fácil ser um chinês

Mas, pensando bem, também não é nada fácil ser brasileiro. A hiperinflação dos anos 80 foi um aspirador da poupança das famílias brasileiras, e por consequência, do futuro do país. O Plano Collor dos anos 90 foi mais direto e radical, prendeu a poupança das famílias nos bancos. (Vide o Índice X-Men de hiperinflação dos anos 80). Daqui para a frente, pós eleições, sabe-se lá o que virá…

E, outra coisa, não há para onde correr. O colosso americano também tem as suas rachaduras estruturais, assim como os europeus, japoneses, etc…

Conclusão final: Não dá para ganhar, não dá para empatar e não dá para sair do jogo. O negócio é deixar a vida te levar, um dia após o outro.


Fontes:

https://ideiasesquecidas.com/2019/05/10/o-que-e-antifragil/

Livro: Economia Chinesa, Roberto Dumas Dantas, editora Saint Paul

https://www.forbes.com/sites/niallmccarthy/2018/07/06/china-produces-more-cement-than-the-rest-of-the-world-combined-infographic/#1c7b11ef6881

https://www.nbcnews.com/news/photo/eiffel-tower-replica-looms-over-chinas-parisian-style-ghost-town-flna6C10833193

http://www.eiiff.com/savings/china/rates.html

https://qz.com/699979/how-chinas-overproduction-of-steel-is-damaging-companies-and-countries-around-the-world/

https://www.nytimes.com/2011/07/07/business/global/building-binge-by-chinas-cities-threatens-countrys-economic-boom.html

https://www.worldsteel.org/media-centre/press-releases/2018/World-crude-steel-output-increases-by-5.3–in-2017.html

https://www.nytimes.com/2016/02/23/world/asia/china-economy-overcapacity.html

http://www.chinadaily.com.cn/business/2014-08/04/content_18243657.htm

http://www.global-labour-university.org/fileadmin/GLU_conference_2016/papers/3A/Xingguo.pdf
http://www.eiiff.com/savings/china/rates.html
https://www.businessinsider.com/fake-chinese-buildings-that-look-like-the-world-famous-originals-2015-7#one-development-company-started-building-a-fake-paris-back-in-2007-in-hangzhou-in-the-zhejiang-province-complete-with-a-scaled-eiffel-tower-although-it-was-designed-for-10000-people-the-development-is-sparsely-populated-and-is-now-considered-a-ghost-town-according-to-reuters-6

A Teoria dos Cisnes Negros

Um resumo das ideias poderosas de Cisnes Negros, popularizadas pelo pensador libanês Nassim Taleb. Cisnes Negros são eventos de baixa probabilidade, porém alto impacto.

São duas partes. Uma com as definições, e a segunda com ações que devemos tomar.


A Teoria dos Cisnes Negros – Parte 1

Vivemos num mundo em que não conhecemos. Esta é a premissa básica da teoria dos Cisnes Negros, popularizada pelo pensador contemporâneo Nassim Nicholas Taleb. Ele trabalhou por muito tempo como trader no mercado financeiro, e neste ramo, viu várias pessoas fazerem fortunas espetaculares para tudo virar pó em alguns dias.

https://fm.cnbc.com/applications/cnbc.com/resources/img/editorial/2015/10/13/103073957-GettyImages-475064080.1910x1000.jpg

Cisnes Negros são eventos de baixa probabilidade, mas impacto extremamente elevado. É um outlier difícil de acontecer, mas que pode ocorrer um dia, e, se ocorrer, terá efeitos catastróficos.

Esta é a definição, mas não o problema real. O grande problema é que o ser humano tende a subestimar a existência de Cisnes Negros. Uma das razões é que, por serem tão raros, alguns desses eventos nunca ocorreram na história. E, mesmo nos casos em que ocorreram, rapidamente o conhecimento humano se adapta para mostrar que o evento era previsível, não era tão aleatório assim. É o que Taleb chama de “falácia narrativa”. Um exemplo são os economistas “profetas” que afirmaram que “era evidente que a crise de 2008 iria ocorrer, devido aos riscos dos títulos sub-prime”. Tudo isso a posteriori, é claro.

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O termo Cisne Negro remete a uma história. No séc XVII pensava-se que todos os cisnes fossem brancos. Por mais cisnes que fossem vistos, eles eram todos brancos. Até que, na Austrália, foi descoberto o primeiro cisne negro. Apesar de milhares de anos de observações de cisnes brancos, bastou um único evento de cisne negro para derrubar a hipótese de que “todos os cisnes são brancos”. Este termo foi criado pelo filósofo inglês David Hume, nos anos 1700, justamente para demonstrar o “Problema da Indução”, ou seja, a fraqueza do nosso processo de raciocínio indutivo.


Não-linearidade do mundo

O mundo é não-linear.  A lei de potências governa o mundo, não a curva gaussiana de probabilidade normal.

Vale a pena pontuar alguns casos de não-linearidade histórica:  os ataques terroristas de 11/09/2001, o surgimento do Google, a crise financeira de 2008, o surgimento da internet,  o tsunami de 2004 na Indonésia. Nem a internet, nem o Google, foram previstos pelos livros de ficção científica, nem pelos acadêmicos e executivos.

Recentemente, o desastre de Brumadinho pode ser considerado um Cisne Negro, pelos habitantes da região. Vide post específico: https://ideiasesquecidas.com/2019/01/25/cisnes-negros-e-gestao-de-riscos/

Os ataques de 11/09 são um caso bastante ilustrativo. Foi algo completamente imprevisto, deixando o mundo inteiro em choque, e mudando completamente o rumo da história. O mundo ficou paranoico com o terrorismo. Dificilmente as guerras posteriores no Iraque e no Afeganistão teriam justificativa não fosse o combate ao terror.

A história é como uma caixa-preta. Conhecemos apenas os eventos da história, mas não os fatores que causaram o mesmo. Temos apenas a interpretação de historiadores, que é feita a posteriori e a partir de um ponto de vista subjetivo, não conhecemos os reais geradores dos eventos. Os eventos importantes são não-lineares. A história não rasteja, ela anda aos pulos. Entretanto, agimos como se fosse possível prever o curso da história, e pior ainda, mudá-lo.

Apesar de nossos avanços tecnológicos, ou talvez por causa deles, o futuro será governado cada vez mais por eventos extremos.


O desconhecido desconhecido

Há fatos que conhecemos, que conhecemos que desconhecemos, e os que desconhecemos que desconhecemos, e é neste domínio em que somos surpreendidos pelos cisnes negros.

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A ciência, os acadêmicos e os executivos das empresas tendem a focar no que conhecemos, e passar a falsa impressão de que não há fatos que desconhecemos que desconhecemos. Todas as soluções caem em alguma categoria dentro do conhecimento existente. É como aquela piada, do bêbado que perdera a chave do carro no meio da rua, mas procurava a mesma debaixo do poste porque era o único lugar que tinha iluminação.

O mundo conhecido, dos acadêmicos e MBAs mundo afora, é o da curva gaussiana. Ela tem erroneamente tem o nome de “curva normal”, indicando que é fenômeno normal do mundo. Mas a curva normal ignora grandes variações, joga fora o desconhecido – ignora o não-linear.  Taleb chama o mundo gaussiano de “Mediocristão”.

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O mundo real é governado pelo não-linear, exponencial, Pareto, é regido por leis de potência e pelo improvável: alguns poucos ficam com tudo, alguns eventos são ordens de magnitude maiores dos que todos os que já ocorreram,  o que desconhecemos é muito maior do que o que conhecemos. Este é o “Extremistão”, em oposição ao “Mediocristão”: o mundo escalável, exponencial, o-vencedor-leva-tudo, onde o resultado é desproporcional ao volume de trabalho, onde pode-se ficar milionário ou falido num instante.

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 O problema do Peru

Um peru é alimentado todos os dias pelo seu dono, por 1000 dias. Baseado em modelos de forecast que extrapolam o passado, ele supõe que o dia 1001 também será um dia feliz, em que será alimentado por um ser humano. Entretanto, o dia 1001 é Natal, e o peru vai para o forno.

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Assim como no problema do peru, no mundo real a mesma mão que alimenta, pode ser a da degola.

Os eventos extremos, por serem muito raros, usualmente não têm histórico. Os modelos matemáticos, como o do Peru, utilizam todos os dados existentes, mas há fatores que não são capturados pelos dados históricos. É impossível ter modelos bons sem informação.


A Teoria dos Cisnes Negros – Parte 2

Como viver num mundo em que não conhecemos?

O passado pode não modelar completamente o futuro, quando estamos no Extremistão.

Não conseguimos extrair informação de onde não existe.

Há três linhas de ação: opções para cisnes negros negativos, aproveitar cisnes negros positivos e diminuir a ocorrência de cisnes negros.


Opções para Cisnes Negros negativos

Aceitar que não podemos prever o futuro implica em tomar medidas de precaução contra cisnes negros negativos: seguros, opções, planos B.

Taleb, por conta de sua formação como trader, explora bastante o uso de opções. Uma opção, no mercado financeiro, é um instrumento que dá o direito, mas não a obrigação, de comprar (ou vender) uma ação, num determinado momento a um determinado preço. Este direito não é de graça, é necessário pagar uma taxa, que na linguagem dos seguros é chamada de prêmio.

O seguro de veículos (ou casa, vida) é uma opção: pagando o prêmio do seguro, tenho a opção de “vender” (recuperar grande parte do valor) o automóvel à seguradora, no caso de problemas. Tenho o direito de fazer isto, mas não a obrigação. Se eu não exercer a opção dentro de um prazo, a seguradora fica com o prêmio.

Um seguro é uma opção de venda. Há no mercado financeiro a operação inversa: uma opção de compra. Posso comprar uma ação a um determinado valor, numa determinada data futura, pagando hoje um prêmio para obter este direito.

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Em suma, ter opções de compra ou de venda, ter seguros para as coisas mais importantes, ter redundâncias, ter um estoque, uma reserva de valor, são formas de precaução contra eventos imprevistos – não podemos prever o futuro, mas nos precaver para o mesmo.

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Ter opções

A questão é que o preço do prêmio pode ser caro, e o evento pode nunca ocorrer, então muita gente opta por não ter esses seguros.

Nos dias de hoje, com a busca das empresas em enxugar custos e tornar-se eficiente, com metas de redução de custos em todo lugar, as redundâncias, seguros e estoques têm se tornado cada vez menores. Isto pode gerar um ganho no curto prazo, mas não necessariamente no longo prazo.

Desprezar o seguro porque o prêmio é caro, gerar ganhos de curto prazo em detrimento do longo, é como contar os centavos dentro da variação da curva normal conhecida, ao invés de centenas de dólares da variação de uma curva exponencial desconhecida. É como recolher centavos à frente de um rolo compressor. É como olhar para as folhas das árvores e esquecer da floresta, ou como ficar contando as pulgas e deixar passar o elefante, é pensar pequeno e deixar escapar o grande.

A natureza é um exemplo de organismo resiliente. Os animais e plantas devem se adaptar ao meio ambiente e serem eficientes, mas também devem ser eficazes em sobreviver a longo prazo. Digamos que um mamífero tenha uma adaptação ótima ao ambiente, o que lhe permita viver sem gordura. Entretanto, suponha que esta evolução ocorreu fora de uma época glacial. Quando chegar a próxima era glacial, este mamífero não sobreviverá para deixar seus genes, ao passo que os mamíferos não tão ótimos, porém robustos, terão sobrevivido, gerando os descendentes do mundo atual. A vida evolui segundo esta lógica da via negativa. Não é porque o organismo aprendeu a lição, mas sim porque esses organismos foram eliminados, sobrando, por seleção natural, aqueles que são antifrágeis.


Cisnes Negros positivos e Estratégia Barbell

Para os cisnes negros positivos, a recomendação é a oposta: expor-se ao risco. Muita exploração agressiva, tentativa e erro, participar de festas e conversar com desconhecidos completos, tentar algo que nunca fora feito antes, tentar conversar aleatoriamente com o diretor da empresa. A grande maioria dessas tentativas vai dar em nada, mas um único acerto pode valer todas as tentativas.

Se, por um lado, uma estratégia é a de ter opções, seguros e robustez, por outro lado devemos explorar agressivamente as oportunidades, qual a proporção entre esses? Essa é a estratégia “barbell”, remetendo à imagem de uma barra de pesos: ser extremamente conservador em um extremo (digamos, 90% do investimento em títulos bastante sólidos, renda fixa, ouro) e extremamente agressivo em outro extremo (digamos 10% do investimento em opções de alta volatilidade).

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A pior estratégia é ficar 100% no meio do caminho, nem tão conservador, nem tão agressivo: não há possibilidade de um cisne negro positivo, e também há risco de ser atingido por um cisne negro negativo.

Investidores-anjo não sabem qual a startup que vai realmente dar certo, então tendem a investir um valor pequeno (para o investidor, não para a startup) em várias empresas iniciantes e acompanhar a evolução desta. O capitalismo, por permitir que centenas de milhares de empreendedores criem suas empresas, e principalmente, fracassem, permite que haja espaço para o surgimento de Apples e Microsofts, ao contrário do socialismo – em que a empresa estatal nunca fracassa porque é bancada por recursos públicos.


Ter a pele no jogo

O mundo contemporâneo está ficando cada mais conectado, com pessoas se especializando cada vez mais e empresas cada vez maiores. Isto traz um aumento proporcional na complexidade dos sistemas, e um loop de feedback cada vez mais distante e indireto – as pessoas que tomam as decisões sentem cada vez menos os efeitos dessas decisões, o que faz com que elas não tenham a “pele no jogo”.

As empresas cada vez maiores podem ficar grandes demais para quebrar, exigindo algum socorro governamental quando isto acontece. Na prática, ocorre a privatização dos lucros, mas a socialização dos prejuízos, uma assimetria prejudicial à sociedade como um todo.

E, por serem grandes demais para ir à bancarrota, essas empresas podem tomar ações temerárias, como vender títulos podres a fim de obter ganhos de curto prazo – aumentando o tamanho do evento Cisne Negro – e com isso colocando em risco todo o sistema financeiro mundial.

Taleb é dos que defendem que empresas não podem se tornar “too big to fail” – evitar a complexidade na fonte, ao invés de ter a tarefa impossível de lidar com esta. Ele também é forte defensor da via negativa: simplificar ao invés de complicar, diminuir ao invés de aumentar, pequeno ao invés do gigante, projetos exequíveis e falíveis passo a passo.


Conclusões

Há várias formas de encarar o mundo. Algumas mais platônicas, em que achamos que a ciência pode modelar o mundo, os algoritmos do big data e os sensores da internet das coisas vão nos dar informações melhores do que qualquer outro ser humano, uma crença em alguma instituição, como o estado ou os economistas, ou no comunismo, vão nos dar todas as respostas que precisamos.

Outra forma de ver o mundo é assumir que não há como sabermos de tudo. Sempre haverá mais no céu e na terra do que sonha a nossa vã filosofia.  Há desconhecidos desconhecidos que fogem ao nosso controle. É sábio nos precaver de imprevistos, através de seguros, opções e redundâncias. Ser cético para com a ciência, duvidar das certezas e abraçar a aleatoriedade.

Para explorar oportunidades, exploração agressiva de tentativas na prática (não na teoria), heurísticas, exposição (controlada) aos riscos, em domínios escaláveis (Extremistão).

Em termos de projetos, é melhor ter vários ciclos simples e rápidos de tentativa e erro no mundo real do que por um mega projeto planejado detalhe a detalhe do começo ao fim.

Vivemos em mundo que não conhecemos.

Resumo em uma frase: Não seja o peru.


Vide também:

https://ideiasesquecidas.com/2020/03/09/corona-virus-e-cisnes-negros/

https://ideiasesquecidas.com/2019/01/25/cisnes-negros-e-gestao-de-riscos/

https://ideiasesquecidas.com/2019/05/10/o-que-e-antifragil/

Ter a pele no jogo – novo livro de Nassim Taleb

O intelectual idiota


Links

Vale a pena ler os seguintes livros.

A Lógica do Cisne Negro

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Iludidos pelo Acaso

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Antifrágil, coisas que se beneficiam com o caos.

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Os Falsos Profetas Científicos

O profeta do fim do mundo

Há uns 10 anos, um profeta previu que o mundo acabaria junto com a chegada de um cometa. Ele afirmava que uma divindade viria na cauda do cometa, e castigaria a humanidade pelos seus crimes. Fazia o seu discurso com tanta convicção, e com tantos detalhes de como seria o fim do mundo, que amealhou algumas dezenas de seguidores. Estes se prepararam para o fim do mundo, comprando mantimentos e equipamentos de sobrevivência.

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No dia do juízo final, reuniram-se na igreja do profeta. As horas se passaram… e nada do mundo acabar. O cometa passou, assim como as 24h do dia do juízo final… e o profeta recebeu outra mensagem de Deus! A humanidade tinha sido perdoada! Os esforços dele e dos seus seguidores comoveram Deus. Parabéns a todos pelo feito histórico!


 

Profetas estatísticos

Há alguns profetas contemporâneos, mas que se vestem de economistas e estatísticos. Confesso que adoro quando eles quebram a cara!
Um tal de Nate Silver ficou famoso mundialmente, após prever com acurácia o resultado das eleições americanas de 2008 e 2012. Dos 50 estados americanos, acertou a previsão em 49. Virou celebridade. Ele escreveu um livro, chamado “O Sinal e o Ruído”. Virou o papa da estatística. O seu método poderia prever tudo, como se fosse um dos profetas das lendas antigas. Porém, ao invés de ler as entranhas de carneiro, ou os cascos de tartaruga, Nate Silver usa fórmulas matemáticas complexas e computadores. Pode parecer sofisticado, mas para mim, é a mesma coisa que usar intestinos de bode.

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Em 2016, um evento inesperado foi como uma “bala de prata” para Silver: Donald Trump. Ele fez uma série de previsões furadas: Trump não iria nem disputar as prévias, nas prévias perderia para o adversário, nas eleições perderia para Hillary Clinton…

Alguns highlights do site dele, chamado FiveThirtyEigth:

Why Donald Trump Isn’t a Real Candidate, In One Chart

June 16, 2015

Donald Trump Is The World’s Greatest Troll

July 20, 2015

Republicans Don’t Like Donald Trump As Much As They Used To

October 2, 2015

Trump Boom Or Trump Bubble?

December 15, 2015

(Retirado de http://paleofuture.gizmodo.com/nate-silvers-very-very-wrong-predictions-about-donald-t-1788583912)

 

Sobre alguns destes erros, Silver fez uma mea-culpa, dizendo que nem sempre usou estatística em algumas destas análises, mas que continua sendo um cara fodão, blá blá, blá, blá. Se nem estatística usou, ele deveria ser analista político, não estatístico, correto?

(http://fivethirtyeight.com/features/how-i-acted-like-a-pundit-and-screwed-up-on-donald-trump/)

Este screnshot é do forecast final da votação presidencial, do seu site FiveThirtyEigth, prevendo que Clinton ganharia com folga:

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(http://projects.fivethirtyeight.com/2016-election-forecast/)
Probabilidades podem ou não acontecer. Elas não indicam que a afirmação vai ocorrer com certeza absoluta. Então, as afirmações de que Silver errou as previsões fazem pouco sentido, porque por mais que uma probabilidade seja baixa, ela pode ocorrer. Entretanto, se o critério da mídia foi endeusar fulano por acertar todas as previsões de probabilidade, temos que adotar o mesmo critério de tirar fulano do pedestal por errar as previsões. Este é o meu ponto. Não há profetas, ninguém é Deus na Terra.

 


Estatística

A estatística é uma ciência que surgiu para prever comportamentos médios, baseados em diversos comportamentos individuais. Por exemplo, cada pessoa tem uma altura. É praticamente impossível adivinhar a altura exata de uma pessoa aleatória. Mas, se soubermos a idade, o sexo e a região do mundo, através de uma curva normal de estatística podemos dar um bom chute. Um homem, de 25 anos, no Brasil, ter enorme chances de ter entre 1,60 e 1,90 de altura!

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Entretanto, probabilidade e estatística têm a) um domínio de validade, e b) são ciências incertas pela própria natureza da coisa.
O grau de confiança de afirmações estatísticas têm maior validade se o número de amostras é maior.
Nate Silver fez trabalhos estatísticos de muito sucesso no baseball. Ora, no baseball a estatística faz muito sentido: centenas de jogos, jogadores fazendo jogadas semelhantes milhares de vezes na temporada.
Nas eleições, a chance de erro é muito maior. Porque Trump e Hillary disputaram uma única eleição. Não foi uma média de 100 eleições diferentes. E nunca mais haverá de novo as mesmas eleições. As eleições de 2016 são diferentes das de 2012. E serão diferentes das de 2020.

As probabilidades não dão certezas. São apenas probabilidades, não profecias. E os estatísticos que fazem as contas, apenas analistas técnicos, não profetas. Portanto, não faz sentido nenhum estar escrito, em absolutamente todas as matérias jornalísticas sobre Nate Silver, que ele acertou 49 de 50 resultados em 2012. Ele presta um desserviço enorme à ciência, ao tirar proveito desta fama e virar um pseudo-profeta.

E todas as fórmulas complexas e programas de computadores? Ora, conforme dito, a estatística tem as suas hipóteses de validade. Usar todas estas técnicas fora do domínio de validade é como construir um arranha-céus com as melhores tecnologias e materiais do mundo, mas sob fundações de lama: um dia, vai tudo desabar. Os economistas têm até um nome para isto: falácia lúdica. Significa se enganar com fórmulas matemáticas complexas, mas não conferir as hipóteses (normalmente frágeis) de todas estas fórmulas.

Nate Silver não é nem Deus por acertar todas as previsões, nem Lixo por errar previsões importantes. É apenas um analista estatístico, e os seus resultados devem ser entendidos como tal.
Conclusão: não existem profetas. Mesmo que fulano tenha acertado 1.000 de 1.000 previsões, um dia sua máscara cairá.


Críticas de Nassim Taleb

Quando terminei de escrever o parágrafo acima, fui pesquisar algumas das reações aos forecasts de 2016.
É lógico, sempre tem aqueles que ainda endeusam Nate Silver. Cada um é livre para opinar da forma que quiser. Mas encontrei alguns tweets interessantes do pensador Nassim Taleb, autor da “Lógica do Cisne Negro”, sob a qual baseio grande partes das ideias acima e muitos posts deste espaço.

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Ele diz coisas como: as probabilidades de Silver (site FiveThirtyEigth) variam tanto que são muito estocásticas para serem probabilidades. Se a variância é tão grande assim, a probabilidade é de 50% (ou seja, pode dar igualmente qualquer coisa, a análise toda só serviu para dizer ‘não sei’).

Taleb é outro que odeia profetas. Vive brigando com alguns.

 


 

Fontes

 

Nassim Criticizes Nate Silver’s Election Predictions on Twitter

http://paleofuture.gizmodo.com/nate-silvers-very-very-wrong-predictions-about-donald-t-1788583912

http://projects.fivethirtyeight.com/2016-election-forecast/

http://fivethirtyeight.com/features/how-i-acted-like-a-pundit-and-screwed-up-on-donald-trump/

http://www.businessinsider.com/donald-trump-nate-silver-prediction-mock-polls-2016-10

https://www.pastemagazine.com/articles/2016/07/the-sudden-shocking-fall-of-nate-silver.html

http://www.smh.com.au/world/us-election/us-election-2016-statistician-nate-silvers-big-donald-trump-mistake-20161030-gseaye.html