Além do bem e do mal – em 40 frases

O livro “Além do bem e do mal”, do explosivo filósofo alemão Friedrich Nietzsche, questiona o que é o “bom” e o que é o “mal”. Segundo ele, essas definições variam de acordo com a moral utilizada.

Ele introduz o conceito de “moral dos senhores” e “moral dos escravos”. O que é “bom” para o senhor é “ruim” para os escravos, e vice-versa. Ele defende que as civilizações começaram com a moral dos senhores, até o surgimento da moral dos escravos.

É como pegar uma tabela de valores e preencher os campos bons e maus. A moral dos escravos vira a tabela de cabeça para baixo, é uma inversão completa de todos os valores.

É uma leitura densa, pesada, demorei vários meses para conseguir terminar o livro, apesar de ter menos de 200 páginas. As frases resumidas abaixo correm o risco de simplificar demais os pensamentos polêmicos do autor. Então, fica a recomendação do livro, antes das 40 frases (mais ou menos).

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É um livro que causa fascínio em uns e repulsa em outros. É encantamento ou desespero, sem meio-termo!

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Supondo que a verdade seja uma mulher – não seria bem fundada a suspeita de que todos os filósofos entendem pouco de mulheres?

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Com o risco de desagradar a ouvidos inocentes eu afirmo: o egoísmo é da essência de uma alma nobre; aquela crença inamovível de que, a um ser “tal como nós”, outros seres têm de sujeitar-se por natureza e a ele sacrificar-se.

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Toda elevação do homem foi, até o momento, obra de uma sociedade aristocrática – e assim será sempre: de uma sociedade que acredita numa longa escala de hierarquias e escravidão em algum sentido.

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Digamos, sem meias palavras, de que modo começou na Terra toda sociedade superior! Homens, bárbaros em toda terrível acepção da palavra, homens de rapina, ainda possuidores de energias de vontade e ânsias de poder intactas, arremeteram sobre raças mais fracas, mais polidas, mais pacíficas, raças comerciantes ou pastoras. A casta nobre sempre foi, no início, a casta de bárbaros: sua preponderância não estava primariamente na força física, mas na psíquica.

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Numa perambulação pelas muitas morais, encontrei traços que se revelam dois tipos básicos. Há uma moral dos senhores e uma moral de escravos; acrescento que em todas as culturas superiores aparecem também tentativas de mediação entre as duas morais. No primeiro caso, os dominantes determinam o conceito de “bom”. A oposição “bom” e “ruim” significa tanto quanto “nobre” e “desprezível”. Despreza-se o covarde, o medroso, o mesquinho, o que rebaixa a si mesmo, o adulador que mendiga, e sobretudo o mentiroso.

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É diferente com o segundo tipo de moral, a moral dos escravos. Supondo que os violentados, oprimidos, prisioneiros, sofredores inseguros e cansados de si moralizem: o que terão em comum seus valores morais? Uma suspeita pessimista de toda a situação. O olhar do escravo não é favorável às virtudes do poderoso: é cético e desconfiado.

As propriedades que servem para aliviar a existência dos que sofrem são colocadas em relevo: a compaixão, a mão solícita e afável, o coração cálido, a paciência, a diligência, a humildade.

Aqui, “bom” e “mau”, no que é mau se sente poder e periculosidade, o “mau” inspira medo. O “bom”, é um homem inofensivo: é de boa índole, fácil de enganar, talvez um pouco estúpido, ou seja, um bom homem.

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A degeneração global do homem, descendo ao que os boçais socialistas veem hoje como o seu homem do futuro – como o seu ideal, essa degeneração e diminuição do homem, até tornar-se o perfeito animal de rebanho. Essa animalização do homem em bicho anão de direitos e exigências iguais é possível, não há dúvida!

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O amor ao próximo é sempre algo secundário, em parte convencional e ilusório, em relação ao temor ao próximo.

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Sobre a convicção do filósofo:

Adventavit asinus

Pulcher et fortissimus

[chegou o asno

belo e muito forte]

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Tudo o que ergue o indivíduo acima do rebanho é doravante denominado mau. A mentalidade modesta, equânime, submissa, a mediocridade dos desejos obtém fama e honra morais. 

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Os judeus, o povo eleito entre as nações, realizaram esse milagre da inversão dos valores, graças ao qual a vida na Terra adquiriu um novo e perigo atrativo por alguns milênios. Os seus profetas fundiram rico, ateu, mau, violento e sensual numa só definição. Nessa inversão dos valores, onde cabe utilizar a palavra pobre como sinônimo de santo e amigo, reside a importância do povo judeu. Com ele começa a rebelião escrava na moral.

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Demonstramos profunda incompreensão do animal de rapina e do homem de rapina (César Bórgia, por exemplo), incompreensão da natureza, ao procurar por algo doentio no âmago desses mais saudáveis monstros e criaturas tropicais, ou mesmo por um inferno que lhes seria congênito, como sempre faz todo moralistas.

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Sempre, desde que existem homens, houve também rebanhos de homens (clãs, comunidades, tribos, povos, Estados, igrejas) e sempre muitos que obedeceram, em relação ao pequeno número dos que mandaram -, é justo supor que, via de regra, é inata em cada um a necessidade de obedecer, como uma espécie de consciência formal que diz, você deve absolutamente fazer isso, e se abster daquilo.

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O surgimento de Napoleão é a história da superior felicidade que este século alcançou em seus homens e momentos mais preciosos.

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Todo espírito profundo necessita de uma máscara: mais ainda, ao redor de todo espírito profundo cresce continuamente uma máscara, graças à interpretação perpetuamente falsa de cada palavra.

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Como podem ser maldosos os filósofos! Não conheço nada mais venenoso do que a piada que Epicuro fez às custas de Platão e os platônicos: chamou-se de dionysiokolakes. Significa, em primeiro lugar, “aduladores de Dionísio”, ou seja, clientes de tiranos e puxa-sacos servis; além de tudo quer dizer que “são todos atores, nada neles é autêntico” (pois dionysokolax era uma denominação popular para ator).

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Independência é algo para poucos: é prerrogativa dos fortes. Quem procura ser independente sem ter a obrigação disso, demonstra que é não apenas forte, mas temerário além de qualquer medida. Ele entra num labirinto, multiplica mil vezes os perigos que o viver já traz consigo, se isola e é despedaçado por algum Minotauro da consciência.

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É inevitável que nossas mais altas intuições pareçam bobagens, delitos, quando chegam indevidamente aos ouvidos daqueles que não são feitos para elas.

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As religiões soberanas estão entre as maiores causas que mantiveram o tipo homem num degrau inferior. Destroçar os fortes, debilitar as grandes esperanças, tornar suspeita a felicidade da beleza, dobrar tudo que era altivo, viril, conquistador, dominador, todos os instintos próprios do mais elevado e mais bem logrado tipo homem, transformando-os em incerteza, tormento de consciência, autodestruição, mais ainda, converter todo o amor às coisas terrenas e ao domínio sobre a Terra em ódio a tudo terreno – esta foi a tarefa que a igreja se impôs.

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Foi uma sutileza que Deus aprendesse grego quando quis se tomar escritor – que o aprendesse melhor.

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Um povo é um rodeio que a natureza faz para chegar a 6 ou 7 homens.

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Tudo que é grande talvez tenha sido loucura no início.

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Ouço, com prazer, que o nosso Sol se dirige velozmente à constelação de Hércules: espero que o homem desta Terra siga o exemplo do Sol.

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Entre os chineses existe um provérbio que as mães ensinam às crianças de berço: “Faz pequeno o teu coração!”. Esta é, de fato, a tendência fundamental das civilizações tardias: não tenho dúvida de que a primeira coisa que um grego antigo observaria em nós, europeus modernos, seria também a autodiminuição.

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O homem que aspira a uma coisa grande considera todo aquele que lhe cruza o caminho, ou como um meio, ou como um obstáculo, ou descanso temporário.

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Os maiores acontecimentos e pensamentos são os últimos a serem compreendidos. As gerações que vivem no seu tempo não vivenciam tais acontecimentos – passam ao largo deles.

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Todo pensador profundo tem mais receio de ser compreendido do que de ser mal compreendido. Neste caso talvez sofra sua vaidade; mas naquele sofrerá seu coração.

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Devemos nos despedir da vida como Ulisses de Nausícaa – bendizendo mais que amando.

Nota: Referência à Odisseia. Ulisses parte para o caminho de casa, agradecendo à bela Nausícaa, princesa de um reino na qual ele se abrigou após um naufrágio.

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A loucura é algo raro em indivíduos – mas em grupos, partidos, povos e épocas é a norma.

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Apesar daquele filósofo que, como autêntico inglês, tentou difamar o riso entre as cabeças pensantes – “o riso é uma grave enfermidade da natureza humana, que toda cabeça pensante se empenharia em superar” (Thomas Hobbes) – eu chegaria mesmo a fazer uma hierarquia dos filósofos conforme a qualidade do seu riso, colocando no topo aqueles capazes da risada de ouro.

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Eu, o derradeiro iniciado e último discípulo do deus Dionísio, talvez eu pudesse enfim, caros amigos, lhes dar de provar um pouco dessa filosofia, tanto quanto me é permitido.

Nota. Dionísio (ou Baco, para os romanos) é o deus grego do vinho, natureza, fertilidade e alegria. Representa o Caos, o êxtase, embriaguez… Nietzsche sempre se diz discípulo de Dionísio. Afinal, é do caos que nasce uma estrela.

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Posfácio

O livro “Além do bem e do mal” foi recusado por várias editoras, sendo publicada às custas do próprio autor, em 1886. A tiragem foi de 300 exemplares. Em um ano, apenas 114 tinham sido vendidos, e 66 enviados para jornais e revistas. Talvez por isso, Nietzsche tenha dito que “somente encontraria leitores por volta do ano 2000”.

Hoje, este é considerado um dos grandes livros do Século XIX, segundo o crítico Walter Kaufmann; e Nietzsche, um dos mais polêmicos filósofos de todos os tempos.

Para mais conteúdo explosivo, vide:

https://ideiasesquecidas.com/2020/04/09/o-martelo-fala/

https://ideiasesquecidas.com/2018/06/03/o-anticristo-de-nietzsche-em-40-frases/

https://ideiasesquecidas.com/2017/12/13/o-crepusculo-dos-idolos-em-40-frases/

Homenagem a Marcos Gabriel

É com muito pesar que recebo a notícia do falecimento do amigo Marcos Gabriel Braz de Lima, com apenas 24 anos. Era um jovem extremamente curioso, que corria atrás para fazer acontecer e tinha um futuro brilhante pela frente.

Tudo começou quando me chamaram para ver a entrevista dele. “É uma pessoa fora da curva, dá uma olhada” – disse meu amigo Felipe Faria. E, realmente, ele tinha um brilho nos olhos ao ouvir sobre os trabalhos que fazíamos.

Ele acabou indo para a unidade de Santa Catarina, e ajudou a melhorar os trabalhos ali. Ele fez uma rotina em Python que automatizava um processo manual que eles faziam, por exemplo.

Era um jovem com muitas dúvidas, sobre vida, carreira. Sempre tive diálogos de alto nível com ele. Reproduzo alguns pontos abaixo, para imortalizar a sua memória.

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Sobre habilidades soft x hard.

Ele tinha ouvido uma palestra, que enfatizava a importância do soft skill. Porém, na visão dele, toda a sua trajetória até então tinha sido voltada mais para o hard skill.

Minha resposta foi que tem lugar para todo tipo de gente no mundo. Ele tem que ser fiel à si mesmo, não adianta tentar emular outra pessoa.

Há habilidades principais e acessórias. O núcleo tem que ser o que ele é melhor, o seu ponto mais forte. Se for hard, que seja. Tem trabalhos necessariamente muito hard skills. Uma otimização combinatória pesada, vai ser hard, não tem jeito.

Ex. Se a pessoa é nota 7 em hard e 3 em soft, é melhor tentar ser 10 em hard e 5 em soft (o mínimo para passar de ano), do que tentar focar só no soft. Vai acabar com 5 em hard e 5 em soft, ou seja, será alguém mediano.

Habilidades acessórias são importantes para complementar a formação, ter o mínimo.

Habilidades importantes que recomendo para todo mundo são de comunicação e negociação. Há vários cursos gratuitos na internet sobre ambos. Todo mundo precisa dessas duas habilidades.

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Sobre estudos.

“Sempre gostei de aprender coisas novas. Meus amigos acham que eu sou um pouco doido porque estudo muito. Costumo passar férias e finais de semana estudando coisas novas. Mesmo na faculdade, com carga horária muito pesada, quando aparecia uma folga, eu ia estudar alguma coisa que tinha muito interesse, pelo simples prazer de aprender mesmo.”

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Sobre projetos.

Ele estava gerenciando um projetinho de RPA (robot process automation), e estava se perguntando quando chegaria a fazer projetos grandes, de nível nacional.
“Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas. Até porque são elas que nos movem, né? Respostas são importantes, mas nem tanto assim…”

Minha resposta foi que o mundo é cíclico e não-linear.

Você faz um excelente trabalho puramente técnico hoje, daqui a pouco vai estar fazendo trabalhos maiores e maiores. De repente, vai estar dando saltos, gerenciando projetos enormes, sem nem perceber.

Então, faça o melhor possível, seja o trabalho pequeno ou grande. Aprenda com o projeto pequeno, pense em formas de escalar o mesmo.

Ajude os outros a evoluir, isso volta para você de alguma forma, um dia.

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Sobre filosofia.

Sendo alguém muito curioso, ele gostava de estudar economia, ciências, tudo. Naturalmente, a filosofia é o tema final, do sentido das coisas. Estudar filosofia é muito bom, mas a pessoa tem que ter alguma bagagem, tem que ter passado por algumas etapas da vida. Na minha visão, todo mundo deveria estudar filosofia ao completar 40 anos.

A última mensagem que tenho do Marcos Gabriel é:
“Não vejo a hora de completar meus 40 anos para começar a estudar filosofia.”

Obrigado por tudo, Marcos.

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https://ufla.br/noticias/institucional/14214-nota-de-falecimento-estudante-marcos-gabriel-braz

https://www.sitedelinhares.com.br/noticias/policia/jovem-que-desapareceu-apos-a-morte-da-mae-e-encontrado-morto-e-irmao-confessa-crime

5 regras para a vida

Cada um de nós é livre para escolher as regras que melhor cabem para guiar a sua vida.

Neste começo de ano, escolha as suas próprias regras.

Regras para a vida, de Arnaldo Gunzi.

1 – O mundo é cíclico
2 – Resultados são não-lineares
3 – O longo prazo chega um dia
4 – A felicidade está no caminho
5 – Somos feitos do que pensamos


1 – O mundo é cíclico


O mundo é cíclico. Causas geram consequências, talvez não imediatamente, mas um dia, de alguma forma, as sementes geram frutos.

É como empurrar água numa banheira: ela vai, bate na borda e retorna em seguida.

Jogamos jogos iterativos, uma, duas, centenas de milhares de vezes, com outras pessoas que habitam este planeta.


2 – Resultados são não-lineares

Ações são lineares, porém resultados são não-lineares.
Só conseguimos agir linearmente – ou seja, um pouco por dia. Mesmo fazendo muita coisa por dia, o limite é de 24h.

No entanto, esse um pouco por dia, por vários dias, num mundo cíclico, gera o efeito dos juros compostos.

Já dizia Einstein que os juros compostos são a força mais poderosa do universo. Juros sobre juros, resultados sobre resultados, crescendo exponencialmente.

O efeito é que os resultados serão invisíveis no dia-a-dia, por muito tempo, fazendo-o questionar: “Para que tanto esforço?”

Até que, um dia, os resultados chegam. É como se fosse uma função não-linear, descontínua, aos saltos.

Ciclos podem ser virtuosos ou viciosos. Ciclos virtuosos são para cima. Em geral, é muito difícil subir, temos a gravidade se opondo.

Ciclos viciosos são o oposto, para baixo. Novamente, o resultado não virá no dia, mas no acúmulo dos dias, meses e anos. Quando a pessoa percebe, está numa armadilha difícil de sair. É extremamente mais fácil descer do que subir. Tais ciclos devem ser interrompidos imediatamente, sob o risco de se tornarem intransponíveis com o tempo.

Sub-tópico: Alavancagem. Alavancar é tomar emprestado a força de outros, seja na forma de trabalho (terceirização, por exemplo), dinheiro (investimento) ou know-how. A alavancagem acelera os ciclos, é como se o expoente fosse um número maior (para bem ou para o mal).

Como disse Arquimedes: “Dê-me uma alavanca e moverei o mundo”.

Sub tópico: as regras não estão escritas. Não há um livro que contenha as regras absolutas do que vai dar certo e o que não vai.


3 – O longo prazo chega um dia


Neste mundo cíclico e não-linear, ficamos impacientemente esperando pelos resultados. Estes não virão a curto prazo, só a longo prazo.

O longo prazo pode ser vários anos. Ou décadas, muitas décadas.

No xadrez, o ser humano tem capacidade de analisar algumas poucas jogadas à frente. Já um computador pode analisar centenas de jogadas. O ser humano faz uma jogada que maximiza o resultado de curto prazo. Já um bom software pode fazer jogadas estranhas a curto prazo, porém boas a longo prazo. Hoje em dia, nenhuma pessoa consegue vencer os computadores no xadrez.

Ganhos de curto prazo podem satisfazer o nosso ego, encher os nossos receptores de prazer e satisfação. Tal como uma “escapadinha” pode gerar satisfação momentânea, porém problemas conjugais e filhos rejeitados, que se perpetuarão pelos anos vindouros.

No longo prazo, os resultados do mundo cíclico são exponenciais.


No final do dia, o longo prazo é que conta de verdade.

4 – A felicidade está no caminho


Trabalhamos, estudamos e nos esforçamos tanto para conseguir o nosso lugar ao Sol neste mundo.

O que não percebemos é que não é conquistar isso tudo que nos trará felicidade.

É como se estivéssemos escalando uma montanha, e após conseguir, avistamos outra montanha, maior ainda, e outra, e outra.

Passar pelo colégio, depois pela graduação, conseguir uma boa colocação, família, outra colocação melhor, viajar para fora, pós-graduação, resolver problemas de saúde, resolver problemas na família. São inúmeros pratos girando, e se todos estiverem ok, procuramos mais pratos para girar, até o ponto em que algum deles começa a cair.

O mito grego de Sísifo remete a um condenado pelos deuses a rolar uma pedra morro acima. É uma pedra enorme, e Sísifo faz um esforço tremendo para conseguir o feito. Porém, no exato momento em que ele consegue o objetivo, a pedra rola para baixo, para o ponto inicial, obrigando-o a começar tudo de novo, todos os dias, todas as décadas, eternamente.

O escritor francês Albert Camus reinterpretou o mito de Sísifo, acrescentando um final um pouco diferente: nota-se um leve sorriso em Sísifo, no momento em que ele está concentrado, rolando a pedra morro acima.

A felicidade está no caminho percorrido, e não no final. O momento é aqui, e agora.


5 – Somos feitos do que pensamos

Assim como o nosso corpo é constituído daquilo que comemos, a nossa mente é feita do que consumimos.

O fast-food da mente são a mídia vazia que invade as múltiplas telas de nossos lares: aquele vídeo sensacionalista, a foto da comida do restaurante bacana que o primo postou, o boato atacando x ou y, a fofoca que não melhora o mundo em nada, os famosos que mostram a bunda em troca de likes…

Consumas desgraças e serás apenas desgraça. Consumas futilidade, serás outra.

Assim como uma alimentação de qualidade necessita de tempo e esforço na preparação, bons pensamentos exigem uma quantidade enorme de trabalho para serem selecionados e digeridos. Bons livros (em papel ou digitais), bons professores, grandes nomes para seguir, bons grupos para entrar.

É como se o software modificasse o hardware. Os pensamentos (software) vão alterando as redes neurais, um pouquinho por vez, até o momento em que o cérebro todo (hardware) está reconectado com a nova realidade.

Sub tópico. Diga-me com quem andas, e direi quem és. A boa frase continua tão válida hoje quanto no passado, aliás será válida para todo o sempre. Não se associe ao vampiros emocionais que vão sugar a sua energia. Não se associe à sociopatas que querem o seu trabalho em troca de nada. Não se associe àqueles que têm satisfação em ver o outro para baixo (porque, dessa forma, sentem-se superiores). Não se associe à cínicos, pessimistas crônicos, ou pessoas de mau caráter. Associe-se a quem vai te jogar para cima.


Conclusão. O grande filósofo Friedrich Nietzsche disse algo assim. É como se estivéssemos numa margem de um rio enorme, e tivéssemos que atravessar para o outro lado. Há algumas pontes construídas ao longo do rio. Porém, utilizar a ponte tem um pedágio, e o preço é a sua alma…


Construa o seu próprio barquinho para realizar a jornada.

Naval sobre saúde, morte e meditação

Continuação do post Naval sobre riqueza e felicidade (ideiasesquecidas.com)

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A realidade é que a vida é um jogo de um único jogador. Você nasceu sozinho. Você vai morrer sozinho. Todas as suas interpretações estão sozinhas. Todas as suas memórias estão sozinhas. Em três gerações, você e as lembranças de você se vão e ninguém se importa. Antes de você aparecer, ninguém se importou.

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Talvez uma das razões pelas quais yoga e meditação são difíceis de sustentar é que eles não têm valor extrínseco. Jogos de um jogador. Buffett tem um grande exemplo quando pergunta se você quer ser o melhor amante do mundo e conhecido como o pior, ou o pior amante do mundo e conhecido como o melhor?

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Se você não se vê trabalhando com alguém para a vida toda, não trabalhe com eles por um dia.

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Se você vê negatividade em todos os lugares, saiba que o mundo apenas reflete seus próprios sentimentos de volta para você.

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Política, academia e status social são todos jogos de soma zero. Jogos de soma positiva criam pessoas positivas. 

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Aumente a serotonina no cérebro sem drogas: luz solar, exercício, pensamento positivo e triptofano.

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A morte é a coisa mais importante que vai acontecer para você. Quando você olhar para a sua morte e você a reconhecer, em vez de fugir dela, veja que trará um grande significado para sua vida.

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Não há legado. Não há nada para deixar. Todos nós vamos embora. Nossos filhos terão ido embora. Nossos trabalhos serão pó.

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Os médicos não vão te deixar saudável. Nutricionistas não vão te deixar magro. Professores não vão te fazer inteligente. Gurus não vão te acalmar. Mentores não vão te deixar rico. Treinadores não vão fazer você se encaixar no time. Em última análise, você tem que assumir a responsabilidade. Salve a si mesmo.

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Nunca conheci meu maior mentor. Eu queria tanto ser como ele. Mas sua mensagem era a oposta: seja você mesmo, com intensidade apaixonada. Ninguém no mundo vai ganhar de você em ser você.

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“Não tenho tempo” é apenas outra maneira de dizer “Não é prioridade”.

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O que eu fiz foi decidir que minha prioridade número um na vida, acima da minha felicidade, acima da minha família, acima do meu trabalho, é a minha própria saúde. Começa com minha saúde física.

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A maior parte do nosso sofrimento vem da aversão. A maior parte do sofrimento de tomar um banho frio é o caminho para o chuveiro. Uma vez dentro, você está dentro. Não é sofrimento. Está frio. Seu corpo dizendo que está frio é diferente da sua mente dizendo que está frio.

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Eu recomendo meditar uma hora por manhã porque qualquer tempo a menos não é suficiente para realmente entrar fundo.

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Meditação não é difícil. Tudo que você tem que fazer é sentar lá e não fazer nada. Sente-se. Feche os olhos e diga: “Vou me dar um tempo por uma hora. Esta é a minha hora de folga da vida. Esta é a hora que eu não vou fazer nada”.

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Você é basicamente um monte de DNA que reagiu ao ambiente.

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O maior superpoder é a habilidade de mudar a si mesmo.

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Para ter paz de espírito, você tem que ter paz de corpo primeiro.

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Seja impaciente com ações, paciente com resultados.

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Quero viver de uma forma que se minha vida ocorresse mil vezes, Naval seria bem-sucedido 999 vezes. Não seria um bilionário, mas se sairia muito bem todas as vezes.

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Se há algo que você quer fazer mais tarde, faça agora. Não há “mais tarde”.

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Em algum nível, você está fazendo isso para aprovação social. Você está fazendo isso para se encaixar com os outros macacos. Você está se adaptando para se dar bem com o rebanho. Não é aí que haverá retorno na vida.

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Esteja ciente de que não há “adultos”. Todos se aperfeiçoam à medida que avançam. Você tem que encontrar seu próprio caminho, escolher, escolher e descartar como achar melhor.

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Na verdade, não há nada além deste momento. Ninguém nunca voltou no tempo, e ninguém nunca foi capaz de prever o futuro com sucesso de qualquer maneira que importa.

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Valorize seu tempo. É tudo o que você tem. É mais importante que seu dinheiro. É mais importante que seus amigos.

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Isso não significa que você não pode relaxar. Enquanto você estiver fazendo o que quer, não é uma perda de tempo.

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Não gaste seu tempo fazendo outras pessoas felizes. Outras pessoas sendo felizes é problema delas.

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Veja também:

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Como ficar rico (sem ter sorte) (ideiasesquecidas.com)

Naval sobre riqueza e felicidade

O Almanaque de Naval Ravikant

Segue uma promoção fantástica. Por um tempo limitadíssimo, a versão Kindle do Almanaque de Naval Rakikant está a R$ 2,90, praticamente de graça.

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Naval é um empreendedor do Vale do Silício, com inúmeras pérolas de sabedoria baseadas em seus estudos e sua experiência. A sua filosofia de vida e visão de mundo são perfeitamente alinhadas com os pensamentos deste espaço. Já escrevi alguns textos baseados no trabalho dele, como no link a seguir.

Como ficar rico (sem ter sorte) (ideiasesquecidas.com)

Seguem alguns trechos do livro. Esta é a primeira parte (de duas), para não ficar muito longo.

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Não é realmente sobre trabalho duro. Você pode trabalhar num restaurante 80 horas por semana, e não ficará rico. Ficar rico é sobre saber o que fazer, com quem fazer junto, e quando. É mais sobre entender do que puramente trabalho pesado.

Se você ainda não sabe no que deveria trabalhar, o mais importante é descobrir. Você não deveria fazer um monte de trabalho duro se não souber.

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Fuja da competição através da autenticidade.

Basicamente, quando você está competindo com outros, é porque você os está copiando, está tentando fazer o mesmo. Porém, todo ser humano é diferente. Não copie.

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Eu acho que o networking de negócios é uma perda de tempo total.

Se você está construindo algo interessante, você sempre terá pessoas que gostarão de saber de você.

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Seja um criador que faz algo interessante que as pessoas queiram. Mostre seu trabalho, e as pessoas certas um dia te encontrarão.

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Se alguém está falando muito sobre o quão honesto ele é, provavelmente ele é desonesto.

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Tubarões comem bem, porém levam uma vida cercados de tubarões.

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O pior resultado desse mundo é não ter autoestima. Se você não se ama, quem irá fazê-lo?

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Nunca acontece no momento que você quer, mas irá acontecer.

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Aplique conhecimento específico com alavancagem e, cedo ou tarde, você conseguirá o que merece.

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Você tem que gostar do que faz e continuar fazendo, continuar fazendo e continuar fazendo. Não foco em registrar, não fique contando, senão o tempo acaba.

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Quando você olhar para trás, no seu leito de morte, para as coisas interessantes que você fez, será tudo em torno dos sacrifícios, as coisas difíceis que você fez.

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Você deve fazer coisas difíceis para criar seu próprio significado na vida. Ganhar dinheiro é algo bom para escolher. Vá à luta.

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O dinheiro remove uma série de problemas que ficam no caminho de ser feliz, mas não fará você ser feliz. Eu conheço muitas pessoas ricas que não são felizes.

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Você fica rico ao economizar tempo para fazer dinheiro.

Você não fica rico gastando o seu tempo para economizar dinheiro.

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A direção que você está indo importa mais do que o quão rápido você se move, especialmente com alavancagem.

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É muito importante ter espaço livre. Se você não tem um dia ou dois toda semana no calendário, você não será capaz de pensar.

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Não tem como dizer o que irá funcionar. Melhor, eu tento eliminar o que não funciona.

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Para mim, o problema do agente-principal é o único e mais fundamental problema da microeconomia.

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Sobre Cisnes Negros: Há um novo ramo de probabilidade e estatística, que gira em torno de eventos extremos.

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Eu sempre amei ler porque, na verdade, sou um introvertido antissocial.

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O que você lê quase não importa. Com o tempo, você lerá coisas suficientes (e seu interesse o levará a isso) que irão melhorar drasticamente sua vida. É como o melhor exercício para você, aquele em que você está excitado o suficiente.

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Não se leve tão a sério. Você é apenas um macaco com um plano.

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Para mim, a felicidade não é sobre pensamentos positivos. Também não é sobre pensamentos negativos. É sobre a ausência de desejo, especialmente a ausência de desejos externos.

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O mundo apenas reflete seus próprios sentimentos de volta para você. A realidade é neutra. A realidade não faz julgamentos.

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Cada segundo seu neste planeta é muito precioso, e é sua responsabilidade ter certeza de que você está feliz e interpretar tudo da melhor maneira possível.

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Eu não ando com pessoas infelizes. Eu realmente dou valor ao meu tempo nesta Terra. Eu leio filosofia. Eu medito. Eu ando com pessoas felizes.

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Um erro da humanidade é acreditar que será feliz por conta de circunstâncias externas.

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O Desejo é um contrato que você faz consigo mesmo para ser infeliz até conseguir o que quer.

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Felicidade é estar satisfeito com o que você tem e você é.

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Confúcio diz que você tem duas vidas, a segunda começa quando você entende que tem apenas uma. Quando a sua segunda vida começou?

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(Continua)

Veja também:

Naval sobre startups (ideiasesquecidas.com)

Como ficar rico (sem ter sorte) (ideiasesquecidas.com)

A mente deve ser cultivada como um jardim

Este texto é inspirado no livro, “O homem é aquilo que pensa”, do escritor britânico James Allen, publicado originalmente em 1903.

O homem é aquilo que pensa.

A mente é como um jardim. E, como todo jardim, pode ser cultivado ou abandonado.

Um jardim abandonado terá proliferação de ervas daninhas.

Um jardim cultivado dará flores e frutos.

Devemos eliminar pensamentos inúteis, perigosos, e cultivar pensamentos bons, úteis.

Nossos pensamentos se tornarão padrões e hábitos, que se transformarão em nossa personalidade. Por fim, isso influenciará nosso destino.

Mudando os nossos pensamentos, o nosso destino também mudará.

O mundo é mudado por nós, e não o oposto.

Temos a total responsabilidade por nossas vidas.

O homem é limitado apenas pelos pensamentos que escolhe.

Notas finais:

De forma similar à Allen, há outros pensadores que também citam o tema.

Há uma frase de Buda, que diz “Somos aquilo que pensamos”.

Ou Shakespeare, através de seu personagem Próspero, na obra Tempestade: “Somos feitos da matéria de nossos sonhos”.

Vejo muita gente que adora cultivar o corpo em academias, crossfit e similares. Ou em dietas, salões de beleza. Porque tanta gente cultiva o corpo e e tão poucos cultivam a mente?

Veja também:

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O Amor Fati no mundo atual

Amor Fati é um dos conceitos mais interessante do filósofo alemão Friedrich Nietzsche.

Significa, simplesmente, “Amor ao destino”. Amar a sua vida, hoje, agora, do jeito que ela é, e não do jeito que você gostaria que fosse.

Estoicismo

A fórmula do amor fati é semelhante aos pensamentos do Estoicismo, escola de pensamento greco-romana.

“Não procure que tudo aconteça como você deseja, mas sim que tudo aconteça como realmente deve acontecer – então sua vida será serena”.

O único momento da vida que realmente vivemos é o agora. O passado já foi, o futuro não existe ainda.

Então devemos aceitar tudo?

Há um questionamento recorrente à este tipo de filosofia. Devemos então aceitar passivamente a nossa vida, sem questionar e sem querer mudar nada?

Sobre este ponto, gosto da visão de Nassim Taleb, dos livros Cisne Negro e Antifrágil.

Ele cita que o filósofo antigo Sêneca era bastante criticado. Por um lado, ele pregava o estoicismo. Por outro lado, ele ocupava posição importante na política e não se refreava em desfrutar do melhor que o dinheiro poderia comprar.

Taleb argumenta que Sêneca era antifrágil. Se a vida dava a ele condições, por que não a aproveitaria? Se ele viesse a perder tudo o que tinha, ele simplesmente daria de ombros e continuaria a tocar a vida daquele ponto em diante, sem ficar lamentando a má sorte e as agruras do destino.

Sêneca era, portanto, um praticante do Amor Fati.

“Lembre-se que tudo que temos nesta vida está emprestado para nós pelo Destino. Este pode reaver tudo sem nos avisar. Portanto, devemos amar nossos entes queridos, mas sempre lembrando que não há promessa que podemos cumprir para sempre.” – Sêneca, o jovem.

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Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

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Nietzsche em quadrinhos

O explosivo filósofo alemão Friedrich Nietzsche é amado e odiado por suas ideias polêmicas e linguagem poética.

“Deus está morto”,

“Moral é apenas uma interpretação equivocada de certos fenômenos”

“É do caos que nasce uma estrela”

“Quando se olha muito tempo para o abismo, o abismo olha para você.”

“Aqueles que veem a dança são considerados insanos por quem não está ouvindo a música”

A seguir, três recomendações de quadrinhos sobre o filósofo.

1 – Assim falava Zaratustra. Baseado no livro homônimo. Tem uma bela arte, é um resumo e ao mesmo tempo uma interpretação artística do livro.

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2 – Nietzsche Nº 1. É uma biografia do filósofo, narrando um pouco de seus pensamentos e sua vida. A arte do desenho é extremamente bonita aos olhos.

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3 – Assim falou Zaratustra. É uma história num formato mangá. É apenas inspirado no livro. Narra uma história imaginada pelo autor, com algumas citações e personagens de sua vida (como Lou Salomé), mas não é nem um pouco fiel ao livro homônimo, e a história nem é muito legal.

Esta indicação só está aqui porque tem uma referência ao ultraviolento filme “Laranja Mecânica”.

A cena em que Alex DeLarge e sua gangue de “drugues” espancam um mendigo num córrego é adaptada para o mangá: o delinquente Zaratustra e sua gangue fazem o mesmo.

Ou seja, o mangá consegue unir dois trabalhos icônicos, de duas cabeças brilhantes (Nietzsche e Kubrick) e transformar numa história ruim… por isso mesmo, é imperdível.

Veja também.

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A natureza probabilística, Heisenberg e o Eterno Retorno

Um dos resultados mais interessantes da física quântica é o de a natureza ser probabilística por princípio.

Até meados dos anos 1900, a física clássica reinava absoluta. Parecia explicar todos os fenômenos possíveis que ocorriam ao nosso redor.

A física clássica é determinística por natureza. As Leis de Newton, num espaço e tempo absolutos, governavam os movimentos de todos os corpos.

Isso levou o matemático Pierre de Laplace a pensar num “computador” ou “demônio de Laplace”. Se eu souber a posição e velocidade de todos os átomos do universo e jogar neste computador, poderei utilizar as leis de Newton para calcular a posição futura de tudo: todos os corpos do universo, todas as colisões, explosões e interações entre partículas.

Mais ainda. As Leis de Newton são reversíveis. Não há nenhuma seta do tempo, dizendo o que é passado ou futuro. Se eu filmar uma bola de bilhar batendo em outra, e reproduzir o filme ao contrário, vou ter outra interação possível entre corpos.

Deste modo, o computador de Laplace poderia calcular todo o futuro, e todo o passado, a partir do tempo presente.

O cálculo tradicional de probabilidades apenas reflete a nossa ignorância. Num jogo de cara ou coroa, por exemplo, se soubéssemos exatamente as interações de cada átomo da moeda, do ar, e as forças aplicadas, poderíamos predizer com certeza o resultado cara ou coroa. Só não conseguimos porque não sabemos as variáveis.

Outra ideia é a do Eterno Retorno, do filósofo Friedrich Nietzsche. Se existe uma quantidade de átomos finita, eles podem se recombinar de maneira finita (embora o número de combinações seja estratosférico, mas finito). Num tempo infinito (e o infinito é muito, muito grande), um dia a configuração de todos os átomos do universo será exatamente igual à configuração de hoje. Jogando no computador de Laplace, todo o presente vai se repetir exatamente da mesma maneira, por incontáveis ciclos, pela eternidade…

Um pouco de cultura pop: a série Dark explora o Eterno Retorno, com uma história completamente insana de pessoas viajando para o futuro e para o passado, tendo filhos que serão os seus próprios pais, encontrando os seus “eus” antigos, em ciclos que se repetem infinitamente.

Para furar o ciclo do Eterno Retorno, o Princípio da Incerteza de Heisenberg.

Em meados de 1900, algumas rachaduras na física clássica levaram à física quântica, que é o modelo que melhor descreve o mundo desde então: o problema da radiação do corpo negro, o efeito fotoelétrico, entre outros.

O Princípio da Incerteza é um dos pilares deste novo conhecimento. Este diz que não é possível saber ao mesmo tempo a posição e a velocidade (momento) de uma partícula, com uma precisão menor do que uma constante (a constante de Planck). Se eu sei a posição, perco precisão no momento, e vice-versa.

Para medir uma partícula subatômica, é necessário jogar uma luz, um fóton sobre este. A energia do fóton muda a posição e momento da partícula, de modo que a observação muda o experimento.

Isso de o observador mudar o experimento dá margem à várias interpretações exotéricas exploradas em cursos de autoajuda e afins: a consciência altera a realidade, basta desejar que o universo se molda em conformidade, etc. Menos… Uma coisa é mudar um partícula subatômica, outra, o universo!

Apesar de Werner Heisenberg ser uma pessoa real, talvez ele seja mais conhecido hoje, na  cultura pop, como o codinome de Walter White, da série Breaking Bad.

Pensando em elétrons nas camadas de um átomo, é como se fosse abelhas numa colmeia. Temos uma nuvem de probabilidades de encontrar uma determinada abelha ao redor da colmeia, porém não dá para dizer exatamente onde ela vai estar em dado momento.

Portanto, a natureza é probabilística. No menor nível de decisão possível, não vamos saber exatamente onde está o elétron, ou o fóton, ou qualquer outra partícula elementar. Este pode estar numa infinidade de lugares, vez por outra até atravessando barreiras de energia impossíveis de serem transpostas (que é o princípio do microscópio de tunelamento eletrônico).

Nem o computador de Laplace, com capacidade de computação infinita, conseguiria prever todo o futuro, pois há uma quantidade infinita de possibilidades.

Ao assumir a física quântica como pilar da ciência moderna, o Eterno Retorno fica sendo um conceito mais distante.

E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência – e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez – e tu com ela, poeirinha da poeira!

Nietzsche em Gaia a ciência

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5 contos do Budismo

Alguns pequenos contos, para reflexão.

Carregar a mulher

Dois monges andavam pela floresta, quando avistaram uma mulher elegantemente vestida. Ela queria atravessar um riacho, porém, não queria sujar a roupa.

O monge mais velho colocou-a em suas costas e atravessou o rio, deixando-a do outro lado.

Passadas várias horas, o monge mais novo não aguentou o incômodo, e perguntou:

Mestre, temos um voto de castidade. É perigoso carregar nos braços uma mulher, ainda mais uma tão bonita. Isso pode incitar nossos desejos. Por que fez isso?

A que ele respondeu, calmamente: eu deixei a mulher do outro lado do rio. Você vem carregando-a em sua mente, desde então. O que é mais perigoso?

O que o peixe sabe

Um monge disse para o outro: aquele peixe está feliz.

Segundo monge: E como você sabe que ele está feliz?

Primeiro monge: E como você sabe que eu não sei que ele está feliz?

Segundo monge: E como você sabe que eu não sei que você não sabe que ele está feliz?

O monge na árvore

Um monge tinha o costume de meditar sobre uma árvore.

A fim de zombar do monge, um viajante dirigiu-lhe a palavra:

Viajante: É perigoso para um senhor de idade ficar em cima de uma árvore, não?
Monge: Quem corre perigo de verdade é você, que não está buscando o caminho da iluminação.

Percebendo que o monge não era qualquer um, o viajante resolveu perguntar num tom mais sério.

Viajante: Qual a essência do Budismo, em poucas palavras?
Monge: Faça o bem e deixe de fazer o mal.


Viajante: Ora, só isso? Uma criança de três anos consegue entender…
Monge: Sim, uma criança de três anos entende. Porém, um ancião de 80 anos não consegue fazer.

Após o diálogo, o viajante tornou-se um discípulo do monge.

Você só sabe reclamar

Um das correntes do Zen tem práticas severas a respeito do silêncio. O praticante pode falar apenas duas palavras em 10 anos.

Um praticante ficou em silêncio, por 10 anos. Quando chegou sua vez, ele disse:

  • Cama dura.

Por mais 10 anos, ele praticou o silêncio. Quando pôde falar, as palavras foram:

  • Comida ruim.

Mais 10 anos se passaram, 30 anos no total, e dessa vez suas palavras foram:

  • Eu desisto.

O Mestre retrucou com o sinal de Ok, e exclamou:

  • Só reclama!

Um monge sonhou que era uma borboleta

Quando ele acordou, pensou: será que eu sou um monge que sonhou que era uma borboleta, ou eu sou uma borboleta sonhando que sou um monge?

Ou eu sou uma borboleta sonhando que é um monge que está sonhando que é uma borboleta?

Trilha sonora: Susan Boyle- I dreamed a dream

O Super-Homem é uma mala sem alça

Ele é o mais forte do mundo, voa à velocidade da luz, tem visão de raios-X, é bonitão, namorada perfeita, nenhuma falha de caráter. Não há um único traço que o desabone. Ou seja, é insosso, boring, almofadinha, chato para dedéu.

Mais interessante é o Wolverine. Tosco, baixinho, tem um lado sombrio e tomou vários foras da Jean Grey.

Todos queremos nos vender como super homens – capazes de entregar os trabalhos mais difíceis, através de esforço sobre-humano, sem contrapartidas. Entretanto, não há nada mais humano do que assumir os seus pontos fracos – isto, pelo contrário, destaca as poucas qualidades que realmente temos em relação à média.

Aristóteles já dizia, em sua Poética, que o herói deve ter uma falha, cometer um erro e sobrepujar as dificuldades, para a história ser memorável.

O próprio Super-Homem é assim. Para a história ficar interessante, os roteiristas inventaram um ponto fraco, a Kriptonita.

Na verdade, é o contrário. A Kriptonita não é o ponto fraco do Super-Homem, e sim, o que o torna humano.

Porque super homens não existem.

Música tema – Superman – por John Williams.

Veja também:

A entrevista do jovem Fênix

Bônus: Sun Tzu, A Arte da Guerra. “Se o inimigo se defender à direita, ele estará vulnerável à esquerda, se ele se defender à esquerda, estará vulnerável à direita. Se ele se defender em todos os pontos, estará vulnerável em todos os pontos”.

Não se apaixone pela solução

Christopher Vogler é uma espécie de roteirista dos roteiristas de Hollywood. Numa de suas aulas, ele afirma que um criador não deve se apaixonar pela solução.

Adotar tal abordagem pode levar a becos sem saída.

Eu já quebrei a cara me apaixonando pela solução. Há uns 10 anos, eu tinha uma base de dados para processar antes de uma análise de estoques. Não era absurdamente grande, mas também não era pequena: uma dúzia de planilhas, com umas 15 mil linhas cada.

Usei a minha ferramenta favorita, Excel VBA, ao invés de algum banco SQL. Remover duplicatas, juntar bases, essas coisas. O problema foi que o Excel 2007 não aguentou: os cálculos demoravam mais de meia hora, a planilha travava, e o pior, não dava para confiar na solução (alguma fórmula está errada ou o cálculo travou no caminho?).

Mesmo após ficar evidente que não era a melhor solução, havia a dúvida – faltam poucas semanas de trabalho, se eu recomeçar do zero, vai atrasar a entrega… ledo engano. Atrasou do mesmo jeito. Tive que quebrar muita pedra, e o resultado poderia poderia ser melhor.

A dica de Vogler é fazer o contrário: apaixone-se pelo problema, independente da solução. A história tem vida própria, ela escolhe o próprio final!

Trilha sonora: O mundo anda tão complicado – Legião Urbana

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2013/12/01/a-solucao-otima-para-o-problema-errado/

https://ideiasesquecidas.com/2016/01/27/a-verdade-e-o-conto/