O que é felicidade para mim?

É uma pergunta difícil, porque cada um tem o seu conceito de felicidade.

 

Felicidade para mim é o momento em que podemos viver livremente, levemente, respirando fundo o ar à nossa volta sem preocupações e desfrutando aquele instante sem a necessidade de pensar no próximo segundo.

 

Fácil?
Nem tanto…

 

Há uma série de pré-requisitos para viver tal momento. O ambiente deve ser bom, não consigo me imaginar assim no metrô lotado no horário de pico, por exemplo.

 
Devemos estar com a consciência tranquila. Não dá para pensar neste momento sem estar orgulhoso de seus próprios atos, com a certeza de ter oferecido ao mundo mais do que o recebido, com a certeza de que o trabalho realizado até agora foi duro, honesto e honrado.

 

Também é necessário estar em paz com o futuro, sem tormentas à vista, sem preocupações reais ou imaginárias.

 

Estar de bem com as pessoas que fazem a sua vida ter algum significado.

 
Nem sempre é possível ter todas essas condições ao mesmo tempo, o que torna tais momentos mais importantes ainda – portanto, que sejam reconhecidos e celebrados, que tais momentos sejam eternos!

 
Independente do que temos, do que já alcançamos e o que queremos, a felicidade é válida somente hoje, no presente. É como se a vida nos desse um ticket, que é válido por um único segundo, somente agora – se não for utilizado neste instante, perderá a validade para todo o sempre.

 

O presente é o maior presente que possuímos.

 

Trilha Sonora: O Que Será (À Flor da Pele) – Chico Buarque

Dica para ouvir: Dedicar os próximos 3 minutos totalmente para ouvir a música. Escolha um lugar tranquilo, feche os olhos, aperte play e desfrute. Neste vídeo histórico, se encontram presentes Toquinho, Miúcha, Vinícius de Moraes e Tom Jobim, imortalizando uma noite fantástica.

 

 

 

https://www.letras.mus.br/chico-buarque/1217237/

 

 

O Homem mais forte do mundo e o Bobo da corte

Esta é a história do Homem mais forte do mundo, forte não em termos de força física, mas no sentido moderno, do business corporativo.

Ele era um executor de tarefas impiedoso. Meta dada era meta cumprida, qualquer fosse o custo para tal. Cobrava as pessoas com força e autoridade, utilizando ferozmente suas armas, os chicotes e as cenouras do mundo corporativo. Com seus escudos e lanças, matava os leões modernos de cada dia.

Trabalhava de 8 da manhã às 9 da noite no escritório e até de madrugada em casa, frequentemente exigindo que os subordinados o fizessem também. Ao mesmo tempo, ele era cuidadoso no linguajar, de forma que as palavras não o pudessem comprometer pelas regras modernas de assédio moral. Entretanto, o seu gesto corporal era claro: ou se submete às regras, ou está fora…

Ele navegava bem pelas conexões deste mundo, fazendo as alianças necessárias para subir as mais altas das montanhas, às vezes utilizando alguns dos ex-parceiros como ponte ou degraus no meio do caminho. Desafiá-lo era enfrentar alguém com uma couraça impenetrável e um gancho de direita nocauteador, rude, preciso e impiedoso.
A moral e a ética, embora fossem apregoadas incessantemente da boca para fora, frequentemente ficavam de lado no cotidiano.

 

De fato, ele subiu alto. Depois de um tempo, o homem mais forte do mundo era frequentemente capa de revistas corporativas, conhecido como alguém que resolve qualquer parada, que valia qualquer dinheiro.

 
Foi numa dessas festas corporativas, que ele encontrou o Bobo da Corte, vil e inútil, da mais baixa camada social. E o Bobo o desafiou para um duelo de palavras, para ver quem era o mais forte de verdade.

Bobo:

Sou o bobo, sou um nada.
Sou um palhaço, uma piada.
Porém, a verdade conto:
Mais bobo, menos que nada, és tu,

És um zero à esquerda,

És um boçal, o verdadeiro palhaço,
A verdadeira piada.

Homem forte: Estás de brincadeira? Sou grande, sou forte, sou admirado por todos, alcancei o que poucos alcançaram, fiz o que poucos fizeram.

Bobo:

Sim, tens razão,
És tão forte, mas tão forte,
Que a tua grossa couraça
Impede qualquer sentimento tenhas,
Tuas glórias são as desgraças de outrem,
Por onde passas, terras arrasadas,
Onde caminhas, não nasce a grama.

Homem forte: Tu me insultas, me calunias, mas o que tens além de palavras? Eu tenho tudo, sou alto gestor da empresa, tenho milhões no banco, imóveis, investimentos, e você, nada tem.

 

Bobo:
Deixarás o teu saco de ouro na Terra no dia que partires,
Assim como deixarás um mar de ressentimento,
Veja só, os fantasmas dos que ficaram para trás,
Os que foram traídos por tuas promessas vazias,
Os que foram apunhalados por tuas fofocas,
O teu ouro é tirado de outrem,
Colhes o fruto e derrubas a árvore,
Desfrutas do presente e cauterizas o futuro.
És o mais covarde dos homens.

Homem forte: Mentiras contas a mil, sou admirado pelos colegas à minha volta, sou idolatrado pelos meus amigos.

 

Bobo:

Amigos verdadeiros não tens,
Apenas interesseiros e bajuladores,
Não o admiram, apenas o temem,
Por trás, esses mesmos fazem piadas com o teu nome,
És denominado “coração de gelo”,
És denominado “grandíssimo FDP”,
O domingo é o teu dia mais triste,
Em que ficas com tua verdadeira companhia,
Em que ficas com a Solidão.

 

Homem forte: Novamente mentes, namoro uma linda modelo, atriz de novelas, a mais cobiçada de todas.

 

Bobo:
Novamente, enganas a ti mesmo,
Ela não enamora a ti, apenas a teu dinheiro,
A presença dela é alugada,
Movida a joias e luxos,
Não há mulher verdadeira que o suporte,
Acabas invariavelmente sozinho.
Tens um filho, mas é como se não tivesse nenhum,
Já que nenhum é o tempo que passam juntos,
Conheces mais a foto dele do o menino de verdade.

Homem forte: Pelo menos, sou saudável e viril, não um mirradinho como tu és.

 

Bobo:
Qual nada,
Corpo algum aguenta ser maltratado,
O corpo não é uma máquina infalível,
De estimulantes precisas,
Começaste devagar, mas agora
Do álcool és escravo,

Derrotas a todos, menos a ti mesmo.

O Homem forte pensava na resposta, quando viu os colegas a seu redor gargalhando, rindo com escárnio, apontando-lhe os dedos, liberando o sentimento verdadeiro preso nesses anos todos.

Bobo:
Tua couraça dura consumiu o interior macio,
És forte por fora e um vácuo interno.
És por fora reluzente como o ouro,
És por dentro, vazio, inerte, um nada.
Mais bobo, menos que nada, és tu,
És um boçal, o verdadeiro palhaço,
A verdadeira piada.

O Homem forte sabia que tinha sido derrotado, pela primeira vez na vida, e pôs-se a chorar, a soluçar com todas as forças, incessantemente.

Por fim, o Homem mais forte do mundo chegou à sua conclusão: “Não sou o homem mais forte do mundo, mas sim, o homem mais fraco do mundo…”

 

O Anticristo, de Nietzsche, em 40 frases

Resumo em uma frase

O próprio subtítulo já diz tudo: “Maldição ao cristianismo”

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Introdução

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), é, segundo suas próprias palavras, “Dinamite pura”. É alguém que faz filosofia com o martelo. E, neste livro, ele martela o cristianismo, com frases como “as três virtudes cristãs são as três espertezas cristãs”, e “o sacerdote gosta mesmo é do pedaço mais saboroso da bisteca”.

O Anticristo foi publicado em 1888, na Alemanha.

Nietzsche afirma o diametralmente oposto do senso comum: a compaixão é ruim, o cristianismo é fraqueza, o cristianismo inverteu todos os valores da sociedade (transvaloração de todos os valores).

 

Independente de concordar ou não, esta é a opinião de Nietzsche. Por despertar fortes emoções assim, ele ganhou uma legião de admiradores, e também uma legião de inimigos.

 

Seguem alguns trechos do livro, para serem amados ou odiados, sem meio-termo. Conteúdo explosivo a seguir, que não representam necessariamente a opinião deste espaço. Mas, lembrando, “As convicções são inimigos mais perigosos da verdade do que as mentiras.”

 

 

Resumo em 40 frases (mais ou menos)

 

Este livro é para pouquíssimos. E talvez eles não existam. Apenas o depois de amanhã é meu. Alguns nascem póstumos.

 

 

Tenho uma predileção por perguntas para as quais ninguém hoje tem a coragem, a coragem para o proibido.

 

 

  • O que é bom? Tudo o que eleva o sentimento de poder, a vontade de poder, o próprio poder no homem.
  • O que é mau? Tudo o que vem da fraqueza.
  • O que é felicidade? o sentimento de que o poder cresce, de que uma resistência é superada.

 

Os fracos e malogrados devem perecer: primeiro princípio de nosso amor aos homens.

 

O que é mais nocivo do que qualquer vício? A ativa compaixão por todos os malogrados e fracos – o cristianismo.

 

O cristianismo tomou partido de tudo o que é fraco, baixo, malogrado, transformou em ideal aquilo que contraria os instintos de conservação da vida forte; corrompeu a própria razão das naturezas mais fortes de espírito, ensinando a perceber como pecaminosos os valores supremos do espírito.

 

O cristianismo é chamado de religião da compaixão. A compaixão se opõe aos afetos que elevam a energia do sentimento de vida: ela tem efeito depressivo.

 

A compaixão se opõe à lei da evolução, que é a lei da seleção.

 

A compaixão é a prática do niilismo. É instrumento multiplicador da miséria e conservador de tudo o que é miserável – a compaixão persuade ao nada.

 

O sucesso de Kant é apenas um sucesso de teólogo, ele foi um freio a mais na retidão alemã.

 

Kant inventou uma razão expressamente para o caso em que não é preciso preocupar-se com a razão.

 

Nem a moral nem a religião, no cristianismo, têm algum ponto de contato com a realidade. São causas imaginárias (Deus, alma, livre-arbítrio) e efeitos imaginários (pecado, salvação, graça, castigo). Um comércio entre seres imaginários (Deus, espíritos). Um mundo de pura ficção, que falseia, desvaloriza e nega a realidade.

 

Eles não se denominam fracos, denominam-se “bons”. Deus-de-gente-pobre, Deus-de-pecadores, Deus-de-doentes.

 

Antes ele tinha apenas seu povo, seu “povo eleito”. Ele partiu em andança para o exterior, até estar em toda parte.

 

Cristão é o ódio ao espírito, ao orgulho, coragem, cristão é o ódio aos sentidos.

 

Quanto às três virtudes cristãs, fé, amor e esperança, eu as denomino três espertezas cristãs.

 

O conceito de Deus falseado, o conceito de moral falseado. Os sacerdotes traduziram em termos religiosos o próprio passado de seu povo.

 

Simplificaram a psicologia, reduzindo-a à fórmula de “obediência ou desobediência a Deus”.

 

O sacerdote formula até as taxas a lhe pagar, não esquecendo os mais saborosos pedaços da carne, pois o sacerdote é um comedor de bisteca.

 

Deus perdoa quem faz penitência – em linguagem franca: quem se submete ao sacerdote.

 

(Um estudioso da época chamou Jesus de “gênio”).
Nada de conceito de “gênio” tem algum sentido no mundo de Jesus. Falando com o rigor do fisiológico, caberia uma outra palavra – a palavra “idiota”.

 

A palavra “cristianismo” é um mal-entendido. No fundo, houve apenas um cristão, e ele morreu na cruz. O “evangelho” é o oposto do que ele viveu, um “disangelho”.

 

Paulo era o gênio em matéria de ódio, na lógica implacável do ódio. Simplesmente riscou o ontem, inventando uma história. Falseou a história de Israel para que ela aparecesse como pré-história: todos os profetas falaram do seu “Redentor”.

 

O cristianismo é a revolta de tudo o que rasteja no chão contra aquilo que tem altura: o evangelho dos “pequenos” torna pequeno.

 

 

Paulo foi o maior dos apóstolos da vingança.

 

Que resulta disso? Que convém usar luvas ao ler o Novo Testamento.

 

O sacerdote conhece apenas um grande perigo: a ciência – a sadia noção de causa e efeito.

 

O pecado foi inventado para tornar impossível a ciência, a cultura, toda elevação e nobreza do homem; o sacerdote domina mediante a invenção do pecado.

 

O bem-aventurado não é provado, mas apenas prometido: a bem-aventurança é ligada à condição de “crer” – a pessoa deverá ser bem-aventurada porque crê.
A “prova da força” é, no fundo, apenas fé.

 

A fé não desloca montanhas, mas coloca montanhas onde elas não existem.

 

O cristianismo necessita da doença, como a cultura grega necessita de uma abundãncia de saúde.

 

Todos os caminhos retos, honestos, científicos têm de ser rejeitados como caminhos proibidos pela igreja. “Fé” significa não querer saber o que é verdadeiro.

 

Não nos enganemos: grandes espíritos são céticos. Zaratustra é um cético.

 

A necessidade da fé, de um sim ou não, é uma necessidade de fraqueza.

 

A “Lei”, a “vontade de Deus”, tudo apenas palavras para as condições sob as quais o sacerdote chega ao poder e o sustenta.

 

As convicções são inimigos mais perigosos da verdade do que as mentiras.

 

A desigualdade dos direitos é a condição para que haja direitos.
Uma cultura elevada é uma pirâmide. Pode erguer-ses apanas num terreno amplo, tem por pressuposto uma mediocridade forte, sadiamente consolidada.

 

O cristianismo foi o vampiro do Império Romano.

 

Todo espírito no Império Romano era epicúrio, então surgiu Paulo… Paulo, o ódio chandala a Roma, ao “mundo”, feito carne, feito gênio, o judeu.

 

Com isso chego ao final e pronuncio a minha sentença. Eu condeno o cristianismo, faço à Igreja cristã a mais terrível das acusações que um promotor já teve nos lábios. Ela é, para mim, a maior das corrupções imagináveis. A Igreja cristã nada deixou intacto com seu corrompimento, ela fez de todo valor um desvalor, de toda verdade uma mentira, de toda retidão uma baixeza de alma.

 

Guerra mortal ao vício: o vício é o cristianismo.

 

Link do livro:

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/filosofia/o-anticristo-30247451

 

Veja também

O Crepúsculo dos ídolos em 40 frases

O veneno da víbora não afeta um dragão

 

O duende do Tempo

Hospitais

Haverá uma época na vida em que você será saudável, mas estará sempre nos hospitais. Ou os seus filhos, pequenos, ou seus pais, que estarão velhinhos, vão precisar dos seus cuidados, de tempos em tempos.

 

É cansativo, mas estas pessoas valem qualquer pena. Tudo vale a pena se o coração não é pequeno, reinterpretando o grande poeta Fernando Pessoa.

 

Lembre-se de que você já precisou de auxílio semelhante, quando era criança. E, num futuro não muito distante, será a sua vez de necessitar da ajuda de seus pequenos.

 


 

O Duende do tempo

O Tempo tem um auxiliar. Este é um duende minúsculo, que vive junto conosco desde que nascemos.

 

Quando nós somos crianças, este duende já é adulto. Este tem a função de puxar os fios de cabelos, fazer crescer as unhas, nascer os dentes, acrescentar massa nos músculos, mudar as feições do rosto. Criar novas conexões neuronais, fazer a voz engrossar. Ele tem um trabalho à beça a ser feito. Ele não para de trabalhar, nunca.

 

Quando somos adultos, o duende já é velho, mas felizmente, há menos trabalho a ser feito. É só dar manutenção nos equipamentos do corpo, substituir células ruins por novas, regular o que está mais ou menos.

 

À medida em que as décadas passam e nós ficamos mais idosos, o duende do tempo já é um ancião, e trabalha num ritmo muito lento. Ele vai ficando esquecido, vai caducando. Ele deixa manchas na pele, pinta os fios de branco, arranca os fios de cabelo mas esquece de plantar novos. Os músculos perdem massa, e ele não consegue mais repor. Conexões neurais se perdem. Não se lembra mais como faz para rejuvenescer as células, e nem consertar os erros da visão e da audição..  …

 

É ciclo da vida, sem fim, eternamente girando.

 

Tem um ditado budista que diz:

E os filhos tornam-se pais, e os filhos tornam-se pais…

 

 

Trilha sonora: Bloco de notas de Anna Magdalena – Minueto em G maior – J. S. Bach

 

Aforismos ditirâmbicos

De uma avó: Quando as crianças (netos) chegam em casa, acaba o sossego e começa a alegria. Quando elas partem, começa o sossego, porém, acaba a alegria.

 


 

Porque reinventar a roda:

O que não consigo criar, não consigo entender – Richard Feynman, brilhante físico americano.

 


 

Bondade x Castigo

Vi uma pessoa lamentando: “Sempre fui tão bondosa na vida, porque sou castigada com tantos infortúnios seguidos?”
Ora, se a pessoa é realmente bondosa, ela deveria estar fazendo bondades a fundo perdido, de coração, sem esperar nada em troca. Se ela faz essas bondades esperando recompensas, ela não faz por bondade, e sim, por interesse. E se ela cobra o Deus dela pelo favores, ela o está chantageando, não diferente do mafioso italiano que cobra favores de suas vítimas.

 


 

Gamificação = Inutilidade.

Vi um sistema que gamifica a participação das pessoas. A cada vez que a pessoa faz login, ganha pontos. A cada curtida, pontos. A cada comentário, pontos. A cada quiz correto, pontos. E para que servem os pontos? Para ter a chance de trocar por alguma inutilidade, como uma camiseta com o símbolo do programa, ao acumular milhares desses pontos.

O pessoal de marketing dá a este tipo de coisa o nome “gamificação”.

Será que só eu acho gamificação uma besteira?

Pessoas respondem a incentivos. Quem mais responde ao incentivo são aqueles que se prestam a “vender” o seu tempo por uma camiseta no final – inserindo um monte de ruído no sistema. Tal programa está cheio de comentários inúteis, como “Gostei”, “Muito bom”, “Excelente”, “Achei maravilhoso”, só para quem postou ganhar pontos.

A gamificação tem o efeito contrário do que deveria. Atrai os jogadores de vídeo-game, e com isso afasta aqueles que realmente querem agregar valor. É uma bestificação.

 


 

Se o cérebro fosse tão simples que pudéssemos entendê-lo, seríamos tão simples que não o entenderíamos.

If the human brain were so simple
That we could understand it,
We would be so simple
That we couldn’t.

Emerson M. Pugh, físico, no livro “The Biological Origin of Human Values”.


 

Porque ler o livro do Bill Gates não vai te fazer igual ao Bill Gates
 
Primeiro, porque este livro tem um monte de dicas, mas todas elas passaram por um filtro do que é correto ou não publicar. Não são dicas sinceras, certamente tiveram itens ruins da história do Bill que não foram publicados, enquanto itens bons foram enaltecidos.
Outra, um livro desses nunca vai dizer que, além de todo o esforço, estudo, competência, etc, ele também teve muita sorte de estar no lugar certo e ser a pessoa certa. Se o Bill tivesse nascido na África, surgiria um outro Bill Gates que não ele.
Ah, isto vale para todas as biografias, em geral. Todas sofrem do efeito retrospectiva, olhando tudo o que é bonito para dar certo no final – mas certamente há milhões de outras pessoas tão competentes, tão brilhantes quanto, que ficaram pelo caminho.
O negócio é jogar com as cartas que temos, e não com as que o tio Bill tinha.

 

Nota: “Ditirambos de Dionísio” é o nome de uma série de poemas do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. O termo “Ditirambos” se refere a cânticos, e Dionísio, o deus do vinho, da loucura, do desordem.

 

 

 

 

 

 

​Por que não peço descontos?

Uma regra informal neste mundo em que vivemos é: compre o máximo possível de coisas, sempre tentando obter o máximo pelo mínimo de gastos – e isto inclui sempre pedir descontos na hora do compra.
Exemplo:
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Permita-me subverter esta regra. Eu compro somente o necessário, prezando a qualidade, e, por gostar dos bons fornecedores que prestam o inestimável serviço de disponibilizar os poucos produtos de que gosto, nunca solicito desconto.

 


Fluxos
Pensando num fluxo de energias, comprar é como passar a informação ao mercado de que este produto ou serviço é útil para alguém, e de que vale a pena a cadeia de fornecedores alocar sua energia nisto.
O dinheiro “não existe”, é apenas um intermediário, que materializa a troca de serviços entre as partes. No final das contas, somos pessoas trocando serviços entre pessoas.
Se uma loja de que gosto não tem receitas suficientes para se manter, as pessoas que nela trabalham vão alocar o seu tempo em outra atividade.
Querer somente o mais barato é uma corrida para o fundo do poço: ganha aquele que fornecer o produto mais barato, que pagar mal seus funcionários, sufocar os fornecedores, não prestar um bom pós-vendas, cometer irregularidades legais e ambientais, por fim, prejudicando a todos.
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Exigir qualidade, e pagar o preço justo, cria um ciclo virtuoso: estimula que as pessoas talentosas continuem no mercado, boas práticas sejam mantidas, e que a cadeia como um todo se aprimore.
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Alguns pensam: “ah, mas a empresa tal já ganha muito”.
Porém, quero sim que o empreendedor do trabalho que admiro tenha muito sucesso, ganhe muito dinheiro, e com isso consiga financiar produtos ou serviços cada vez melhores.
Ação: ao invés de pedir descontos, peça qualidade.

 

​ Algumas palavras sobre Filosofia

 A filosofia é a fronteira final do pensamento humano.

A filosofia é inútil e especulativa – porque as ideias úteis viram ciência ou algum outro campo do conhecimento.

Mas todos os campos do conhecimento já foram filosofia um dia. Porque tudo existe no mundo das ideias antes de se transformar em algo palpável.
Se a física começa das leis da natureza, a metafísica pergunta a razão dessas leis:

Quais são as fundações das fundações das fundações?

Há uma linha linha tênue entre filosofia e religião. Entre o belo e o feio. Entre o certo e o errado. Entre o infinito e o nada.

A única certeza que tenho é que não há verdade absoluta. Para cada argumento formulado por alguém genial, há sempre um contra-argumento, igualmente fundamentado, por outras tantas pessoas de mesmo porte intelectual. Portanto, não importa o que alguém um dia disse, o que importa é a sua própria convicção.

Sobre a “vida boa”.

Não fomos feitos para ser felizes. Não importa o que fazemos, nem no que acreditamos. Não importa o quanto acumulamos, não há limite. Estaremos sempre incompletos, infelizes, e sempre haverá um desejo da vida ser melhor, uma busca insaciável, é como correr atrás da própria sombra, ou andar numa esteira rolante que acelera quanto mais a pessoa corre.

A única forma de ter uma vida boa é ser feliz hoje, agora, imperfeitos, incompletos, da forma que somos, com o que temos. Respirar fundo, agradecer ao mundo e viver o presente.

E, por fim, vale a pena citar Shakespeare: Há muito mais no Céu e na Terra do que sonha a nossa vã filosofia…