Adaptações de Sapiens, 1984 e Sandman

Algumas recomendações de lançamentos que ocorrerão nos próximos meses:

1 – Adaptação em quadrinhos do livro Sapiens, de Yuval Harari. Serão 4 edições, a primeira a sair no meio de novembro. Apesar de muito tentador, é em inglês, e cotada em dólar, então já aviso que vou esperar lançarem em reais.

https://amzn.to/3838Don

2 – Adaptação em quadrinhos de 1984, a icônica obra de George Orwell. Introduziu termos como o Grande irmão (Big Brother), duplipensar, novilíngua.

https://amzn.to/2G78PHm

3 – A cultuada série Sandman, de Neil Gaiman, ganhará uma adaptação na Netflix! Bom, espero que não estraguem a história do Senhor dos Sonhos.

Outros links:

https://www.ynharari.com/pt-br/book/graphicnovelsapiens/

https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/204471-neil-gaiman-filmagens-serie-sandman-netflix.htm

https://canaltech.com.br/entretenimento/sandman-na-netflix-o-que-esperar-da-adaptacao-da-melhor-obra-de-neil-gaiman-163760/

O que é GPT3 e por que isso importa?

O GPT3, lançado recentemente pela empresa OpenAI, é um marco na história da Inteligência Artificial. É o modelo de linguagem natural mais poderoso já criado: ele é capaz de produzir texto sobre um tema qualquer, escrever códigos simples, música. 

O GPT3 tem 175 bilhões de parâmetros! O seu predecessor, GPT2, que já era impressionante, tinha 1,5 bilhão de parâmetros.

É um nível de hardware e software inatingível para empresas comuns. Só para fazer o treinamento desta rede, a OpenAI gastou cerca de 5 milhões de dólares! 

Não sei se serve como referência, mas a maior rede que já treinei no meu melhor computador, com GPU, tinha umas 15 camadas e uns 100 mil parâmetros, e deu um trabalho gigante – foram semanas de experimentação de hiperparâmetros e variantes de arquitetura.

O GPT3 ainda comete pequenos erros, como frases ininteligíveis, sem contexto, ou seja, ainda está muito atrás do cérebro humano.

O cérebro tem 100 bilhões de neurônios, o que dá uns 100 trilhões de parâmetros. Ainda impera com facilidade e gasta pouquíssima energia (é alimentado com arroz e feijão).

Contudo, o GPT3 mostra que a IA está crescendo em ordens de grandeza galopantes, e já dá para ver a mesma chegando, no cantinho do retrovisor!

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2020/07/13/o-inverno-e-a-primavera-da-inteligencia-artificial/

https://super.abril.com.br/saude/cerebro-humano/#:~:text=Cem%20trilh%C3%B5es%20de%20conex%C3%B5es%20celulares,do%20Universo%3A%20o%20c%C3%A9rebro%20humano.

Strand, Borders, Cultura e a Livraria de Lucien

Ontem, sábado, fiz provavelmente a última visita da minha vida à outrora magnífica Livraria Cultura, da Av. Paulista.

O espaço continua semelhante, fora alguns anexos que fecharam. O conteúdo, mais pobre. Antigamente, as estantes bombavam de novidades, com muito mais vida. Hoje, vários dos títulos expostos são os mesmos de anos atrás. Livros hoje lembram os discos de vinil, algo que teve a sua época, mas passou. Vão sobreviver, assim como existem discos de vinil até hoje, porém, somente em volumes menores e para consumidores de nicho.

É uma questão de tempo, para fechar de vez. Ela não conseguiu se adequar aos tempos modernos. O mesmo ocorre com a Saraiva e tantos outros. O varejo agora é digital. Amazon, Magazine Luiza, Mercado Livre são os novos titãs do pedaço.

Este é um fenômeno mundial. Hoje, vejo a notícia que a outrora magnífica livraria Strand, de Nova Iorque, também está numa situação terrível (vide links abaixo).

Fiz visitas a ela nas duas vezes em que fui passear na cidade. Era o maior sebo de livros usados do mundo. E coloca grande nisso! Era possível ficar horas ali, percorrendo as estantes, folheando passagens diversas em busca de conhecimento esquecido e de barganhas. Foi ali que comprei um livro muito especial, a biografia de Steve Jobs por Walter Isaacson, que tenho até hoje.

Foto minha na Livraria Strand, em 2008

Os tempos modernos já fizeram outras vítimas. A Borders, uma espécie de Saraiva americana, já se foi faz tempo. Tenho excelente lembrança dela, pois tinha uma Borders em Brisbane, na Austrália, onde fiquei por três meses.

A mais magnífica livraria de todas que já visitei foi a Barnes & Noble da 5ª avenida. Uma loja imensa, com corredores intermináveis. Eu me senti na biblioteca de Lucien.

Lucien é um personagem da série Sandman. É o bibliotecário do reino dos sonhos, e ele toma conta de uma biblioteca infinita.

A biblioteca de Lucien tem todos os livros escritos e não-escritos do mundo. Contém todos os tópicos já imaginados, desde os mais ingênuos até os mais profanos, por todas as pessoas que já existiram e sonharam na face da Terra…

A loja Barnes & Noble da 5a avenida fechou faz tempo. A rede Barnes & Noble ainda existe. Da última vez que visitei uma, na Califórnia, vi que ela tinha se reinventado, incorporando brinquedos, papelaria, quebra-cabeças ao seu repertório. Porém, mesmo assim ela deve ter sentido o baque da pandemia e a perda do market share para o digital.

Contudo, Strand, Borders, Cultura, Saraiva e muitas outras continuarão existindo, para todo o sempre, nas nossas lembranças. A infinidade de corredores delas será incorporada à Biblioteca de Lucien, e todos os livros estarão ali, disponíveis para todo o sempre, no mundo dos sonhos.

Trilha sonora: Meditação – Maysa Matarazzo (letra: Tom Jobim)

Veja também:

https://www.theguardian.com/us-news/2020/oct/24/the-strand-bookstore-new-york-plea-for-help

https://www.dn.pt/cultura/a-ultima-livraria-da-4-avenida-luta-pela-sobrevivencia-12958918.html

https://sandman.fandom.com/wiki/Lucien

https://ideiasesquecidas.com/2020/10/18/o-que-aprendi-vendendo-livros-pela-amazon/

Prova visual da sequência 1/2 + 1/4 + 1/8 + … = 1

A sequência 1/2 + 1/4 + 1/8 + … = 1 é conhecida faz tempo, e há uma prova visual bastante bonita.

Imagine que vamos somando retângulos, onde a área corresponde ao valor da sequência.

O primeiro tem área 1/2 (lados 1 x 1/2):

O segundo com área 1/4 (lados 1/2 e 1/2):

O terceiro com área 1/8 (lados 1/4 e 1/2):

(As cores mudam, porque o código que escrevi joga cores aleatórias)

E assim sucessivamente. Após 8 iterações:

Note um padrão: sempre sobra um retângulo, e esse retângulo sempre é preenchido com metade da área na iteração seguinte.

Após 20 iterações:

A soma da área vai tendendo a se aproximar de 1, sem nunca chegar.

Um exercício é fazer numa calculadora ou no Excel a soma 1/2 + 1/4 + 1/8 +1/16 + … até cansar, e verificar o resultado!

Para brincar iterativamente, neste link:

https://asgunzi.github.io/Soma-Serie-Meio/

Source code no Github:

https://github.com/asgunzi/Soma-Serie-Meio

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/laboratorio-de-matematica/

https://ferramentasexcelvba.wordpress.com/2018/09/02/mil-cardioides-no-excel/

Parabéns, Excel!

O MS Excel completou 35 anos no dia 30/09.

É o software de produtividade onipresente do mundo. Desde o estagiário no primeiro dia, até os diretores, todos usam o Excel de alguma forma.

Nas imagens: o Excel 1.5, o Visicalc (a primeira planilha eletrônica do mundo) e o titã Atlas segurando o mundo nas costas.

Semanalmente, eu posto dicas, problemas e alguns desafios relativos a Excel e VBA, no site a seguir.

https://ferramentasexcelvba.wordpress.com/

Fica a dica!

O que aprendi vendendo livros pela Amazon

Vender livros e itens usados é uma forma interessante de conseguir uma pequena receita a partir de itens já depreciados.

Confira algumas reflexões neste post.

Sobre livros físicos

As antigas livrarias já morreram faz tempo. Só faltam alguns pregos no caixão. Apenas algumas voltadas a nicho e e-commerce estarão vivas no futuro.

Os livros físicos também perderam muito do valor que um dia já tiveram. Se, antigamente, eram a única forma de transmitir informação, hoje em dia há inúmeras alternativas: livros digitais, resumos feitos em blogs, análises em podcasts e youtube, áudiolivros… Embora livros físicos ainda tenham algumas vantagens, são em geral mais caros, e perdem em conveniência para as alternativas.

Tenho uma biblioteca particular com cerca de 700 livros, fruto de algumas décadas de leitura voraz sobre inúmeros tópicos.

Parte da minha biblioteca, junto com cubos mágicos e figuras de ação

Diante da situação exposta, decidi: 1) Zerar a compra de novos livros físicos, optando pelas alternativas; 2) Vender metade do acervo que tenho, enquanto ainda têm valor e para liberar espaço em casa.

Em geral, penso em ficar somente com livros técnicos (matemática, algoritmos), de filosofia, e alguns que minhas filhas possam utilizar no futuro.

Faz uns quatro meses que estou utilizando o Mercado Livre e a Amazon, já tendo vendido uns 50 livros no total.

Sobre lucro

São livros que comprei como novos, já li e estão sofrendo o efeito do tempo. Estou vendendo como usados, portanto existe um deságio justo. Digamos, se comprei a R$ 80,00, no máximo dá para vender a R$ 70,00, se estiver em bom estado.

Alguns poucos livros raros eu cobrei até mais caro do que o valor de compra, mas são exceção. O mercado é quem manda. Se houver muita oferta, o preço vai cair, inevitavelmente. Se só eu estiver vendendo, o que é muito incomum, dá para subir o preço.

Gosto de pensar que o lucro é zero. Em geral, o preço de venda é menor do que o preço que paguei. O ganho real é o conhecimento adquirido, que ajudou a formar quem sou hoje.

O meu objetivo é repassar os livros para alguém que vai utilizá-los bem. É melhor do que simplesmente jogar fora. Outra boa opção é doar para algum sebo ou instituição.

Exemplo. Anúncio meu do livro “Os botões de Napoleão”, em https://www.amazon.com.br/gp/offer-listing/8571109249/ref=tmm_pap_used_olp_0?ie=UTF8&condition=used

Para ter algum lucro, é necessário obter o produto a um preço baixo (comprando por atacado ou direto da fábrica, ou importando, ou produzindo). O preço de venda vai ser oferta e demanda puros, capitalismo selvagem. Preço baixo aumenta a tendência de vender, preço mais alto que concorrência é quase certo que não vai vender.

Sobre usabilidade

Para incluir um novo livro, é muito mais simples utilizar a Amazon do que o Mercado Livre. Pela Amazon, basta procurar o livro, preencher o estado do mesmo (novo, usado em boas condições, etc), e estabelecer o preço.

Ilustração das informações a preencher

Pelo Mercado Livre, tenho que preencher todas as características do livro, colocar uma foto e outras descrições.

São uns 6 cliques para cadastrar um livro pela Amazon, enquanto são uns 20 cliques, foto e descrições pelo Mercado Livre.

A taxa do Mercado Livre é menor, uns 10%, enquanto a Amazon cobra mais caro, uns 20%. Porém, devido à facilidade, e como o meu foco não é ter lucro, acabo usando mais a Amazon que o Mercado Livre.

Também tenho a impressão que o marketplace da Amazon é mais poderoso que o do Mercado Livre, mas é só percepção, não um experimento robusto.

Sobre o trabalho

Demoro uns 2 min para cadastrar um produto, que fica exposto no site da Amazon.

Recebo um e-mail sempre que algum livro é vendido.

Embalar e enviar pelo correio, terceirizo com a minha esposa, mas não é nada complicado.

Como já tenho os produtos, é só pegar na biblioteca, mas no caso geral, também tem o trabalho de comprar e gerenciar o inventário.

Sobre os compradores

Já enviei os livros para pessoas de todos os cantos do Brasil. Campinas, Feira de Santana, Porto Alegre. Teve um que era a alguns quarteirões de casa.

Esse tipo de match nunca iria ocorrer sem um marketplace. Como eu saberia que exatamente aquela pessoa de Piracicaba iria comprar um livro sobre “O poder do Mito” que eu tinha em estoque? Nunca.

Sobre avaliações e reclamações

Como confiar numa pessoa desconhecida? Esse foi um dos grandes desafios do comércio eletrônico no passado. Uma forma eficaz de trabalhar isso é através de avaliações.

Os compradores avaliam o serviço dos vendedores. Quem tem melhor avaliação é mais confiável, menor o risco.

Hoje, as pessoas estão muito mais acostumadas a fazer transações pela internet.

Um efeito dessa segurança é que quase ninguém faz avaliações. Se a compra é boa, ok, simplesmente o comprador não faz nada, porque ele gastaria muito tempo avaliando todas as compras que fez. Eu mesmo, só avalio de vez em quando algum pedido no iFood, por exemplo.

Desse tanto de vendas realizadas, tive apenas uma avaliação positiva pela Amazon, e uma pelo Mercado Livre.

Confira a minha reputação em: https://www.amazon.com.br/sp?encoding=UTF8&asin=0201896842&isAmazonFulfilled=0&ref=olp_merch_name_1&seller=A1QM1NE4FRBJ5N

De reclamação, só um que reclamou da demora do pedido (culpa dos Correios, que estavam em greve). Em geral, as pessoas são justas e entendem os problemas.

Poder do marketplace

A margem da Amazon é alta, porém, o sistema é muito bom, olhando como usuário. O site lida com a divulgação, pagamento, reembolso, e deposita o valor na minha conta. Tem um sistema de inventário simples mas efetivo, e relatórios diversos. As regras são transparentes, o que é bom.

A Amazon concorre consigo mesma, porque ela também vende livros. Ao colocar livros de diferentes vendedores para concorrer com ela mesma, ela quer dar opções e agregar o máximo valor possível ao usuário.

O outro lado da moeda é que a Amazon fica com todo o poder.
Isso se traduz em alguns pontos:

  • Eu não tenho uma loja no site da Amazon
  • Não tenho informação sobre a demanda e concorrentes
  • Tenho pouquíssimo contato com os clientes. Dá para trocar algumas mensagens, mas sem acesso ao e-mail ou celular do comprador, e sempre com a Amazon de olho para ver se a gente não passa a perna nela

Ou seja, a fidelidade do cliente é com a Amazon, que lhe permitiu fazer uma boa compra a um bom preço. A fidelidade não é entre o comprador e o vendedor. Na próxima compra, ele vai procurar a Amazon, não a mim. Isso não faz a menor diferença, no meu caso, mas é um fator importante para uma loja comercial de verdade, por exemplo.

Para o comprador, o vendedor é tão commodity quanto o produto.

E se eu montar um marketplace?

Ser apenas um vendedor não escala, já sendo o marketplace, sim. Cada comprador e cada vendedor a mais aumentam o poder do mercado, exponencialmente.

Se o poder está todo com o marketplace, porque não montar um?
Um site que envolva compradores e vendedores, sobre um tema, digamos, livros para crianças?

Primeiro, tem as barreiras técnicas: como montar o site, como lidar com pagamentos, segurança da informação, etc.

Mas o mais pesado é o efeito Winner-takes-all. Somente alguns poucos marketplaces vão vencer, e todos os outros serão perdedores. Essencialmente, o meu marketplace iria concorrer com a Amazon, que faz promoções, tem o Prime Video, Prime Music, oferece inúmeras outras vantagens porque sabe que vencer a guerra do marketplace é muito mais importante do que vencer a batalha de uma pequena venda.

É briga de cachorro grande. Além do próprio Mercado Livre, há o Magazine Luiza, as Americanas e muitos outros grandes surgindo. Não cheguei a testar esses outros, mas em geral a concorrência entre marketplaces devolve um pouco do poder aos vendedores.

Como se cadastrar como vendedor?

Procurar instruções nas páginas seguintes:

https://sellercentral.amazon.com.br

https://www.mercadolivre.com.br/

Obs. O programa de associados da Amazon é uma forma de remunerar recomendações e não tem relação alguma com o mercado de vendas.

Conclusão

É relativamente fácil vender produtos pela internet hoje em dia. Marketplaces como a Amazon e o Mercado Livre são poderosos. E há uma boa probabilidade de fechar negócios, se o preço não for muito mais alto que a concorrência, e se houver demanda.

Este é um bom método para se livrar de produtos que não queremos mais (e que estão em boa condição), e até para criar um pequeno negócio, por que não?

Outras ideias, favor deixar nos comentários.


Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

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Recomendações de livros sobre geografia

Duas recomendações de livros, sobre o tema “Geografia”.

O Livro “Prisioneiros da Geografia”, de Tim Marshall, já foi citado antes neste espaço (https://ideiasesquecidas.com/2020/05/21/o-artico-e-um-monte-de-gelo-inutil/).

A diferença é que foi lançada essa versão, para adolescentes. Contém 12 mapas, com um resumo dos conceitos explicados no livro.

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Um dos mapas:


A segunda recomendação é o livro mais recente do autor Jared Diamond. Ele tem uma série de excelente livros sobre geografia e evolução, como Armas, Germes e Aço, e o Terceiro Chimpanzé.

No livro “Reviravolta”, ele conta a história passada e presente de algumas nações que ele conhece bem.

Um exemplo é a Austrália: décadas atrás, era como se fosse uma Inglaterra em outro continente. Hoje em dia, devido à proximidade e força da China, há uma influência extremamente forte desta, tanto culturalmente quanto demograficamente.

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Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2019/06/26/jared-diamond-e-geografia/

https://ideiasesquecidas.com/2015/10/31/os-japoneses-originais/

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

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O Ecossistema faz toda a diferença

Ecossistema é uma palavra misteriosa, porque é o somatório de indivíduos, espécies, ambiente.

É maior do que eu, ou a minha empresa. É o TODO.

Porém, ao mesmo tempo, o ecossistema é NADA: é cada indivíduo, cada organização, são as empresas, o governo, a academia.

O melhor exemplo de ecossistema são os recifes de corais.

Uma conchinha vive a sua vida, e depois serve de abrigo a um pequeno peixe, que faz parte de uma cadeia maior, e assim sucessivamente.

Um grande ecossistema depende de todos, mas também, de cada um de nós: fazer bem o nosso trabalho, entregar valor para sociedade, e a sociedade retornar valor para nós, num eterno ciclo virtuoso…


Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

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O que é assertividade?

Já vi muitas definições de “assertividade”, porém, a que mais gosto é em inglês: “Not nice, not nasty”.

É um termo importante, por isso, tentei traduzir para o português.

Seria algo como “Não ser um bunda-mole, não ser um valentão”.

Não ceder facilmente à vontade dos outros, não ser feito de capacho, não deixar barato quando te chutam.

Por outro lado, também não ser o provocador, o babaca agressivo, o bully, aquele que ataca os outros.

Ser assertivo é ser firme, comunicar-se de forma clara e objetiva, sem desrespeitar o outro ou ser autoritário.

Portanto, seja assertivo.


Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

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Regra: não ter regras!

Para mim, a melhor coisa que aconteceu nos últimos anos foi a chegada da Netflix. O catálogo de filmes, as séries, o conteúdo original, colocou em nossas mãos um catálogo infindável de opções.

A Blockbuster teve a oportunidade de comprar a Netflix, por uma mixaria, no ano 2000.

Reed Hastings, o fundador da empresa, conta no recém lançado “A Regra é não ter Regras”.

A Blockbuster tinha 9 mil locadoras em todo o mundo, faturando US$ 6 bi.

A Netflix, na época um serviço de envio de DVDs pelo serviço postal, tinha 100 funcionários, 300 mil assinantes, e perdas anuais de US$ 57 mi!

A Blockbuster sabia que o negócio seria afetado por uma internet rápida no futuro. A proposta: ela compraria a Netflix, que criaria seu braço de aluguel e vídeos online.

Porém, a Blockbuster recusou categoricamente, após ouvir o preço de US$ 57 mi.

Hoje, a Netflix é o maior serviço de streaming do mundo, com mais de 180 milhões de assinantes em 190 países. A Blockbuster, está nos livros empoeirados de história.

Por que uma gigante como a Blockbuster não conseguiu criar o próprio serviço de streaming, sabendo que isso seria importante?

Uma das respostas: a cultura da empresa. A Netflix destaca: densidade de talentos, feedback sinceros e poucos controles. Regra: não ter regras. Inovação na veia.

Para entender a cultura da Netflix, recomendo o recém lançado livro de Hastings:


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𝗦𝗮𝗯𝗲𝗿 𝘂𝘀𝗮𝗿 𝗼 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗼𝗹𝗲 𝗿𝗲𝗺𝗼𝘁𝗼 é 𝘂𝗺𝗮 𝗶𝗻𝗼𝘃𝗮çã𝗼?

Quando falamos de inovação, logo vem à cabeça empresas como a Apple ou o Google. O problema é que essas estão muito longe de nossa realidade. O que eu posso fazer?

Resposta: Há muito a ser feito. A inovação está nos olhos de quem vê.

Usar um simples controle remoto pode ser uma inovação.

Há mais ou menos um ano, quando eu estava saindo, vi a porta da vizinha aberta. Uma senhora, deve ter quase 80 anos. Ela estava esperando o zelador, e me vendo, pediu ajuda.

Ela tinha mexido em algo, e a entrada da televisão tinha saído da antena para HDMI…

Para todos nós, é banal usar o controle. Para ela, foi uma grande descoberta saber quais os botões a apertar. Agregou valor à sua vida.

Não precisamos mudar o mundo. Basta melhorar a vida de uma única pessoa. Melhorar um único processo, aperfeiçoar um único produto. Rapidamente, a solução escala, e, quando a gente percebe, estamos mudando o mundo.

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2018/09/16/por-que-segredo-da-inovacao-esta-no-ecossistema/

https://ideiasesquecidas.com/2020/07/12/6-livros-sobre-inovacao/


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Reciprocidade e a sabedoria das ruas

Fui surpreendido, num semáforo em São Paulo na região da Luz, no último fim de semana. Estava eu parado, quando surge um rapaz com um rodo, sabão com água, e começa a limpar o vidro dianteiro do carro.

Falei para ele que não precisava (o que não era verdade, estava sujo), e que eu não tinha dinheiro trocado. Ele respondeu, com muita naturalidade, que era cortesia, outro dia eu poderia dar alguma coisa em troca.

Não tive opção a não ser procurar alguns reais para dar ao rapaz…

O truque do limpador de para-brisas é velho. Desde que me conheço como gente, já faziam isso. A diferença, nesse caso, é que o rapaz argumentou com tanta elegância que parecia que tinha feito um curso de persuasão…

A sexta regra da persuasão, do autor Robert Cialdini, é a Reciprocidade. Dar para receber. Diz o livro que a reciprocidade é tão generalizada que todas as sociedades seguem essa regra.

“Dê tijolos para obter jade” é uma frase com significado correlato, que consta nas 36 estratégias chinesas de guerra.

Para virar uma estratégia: dê algo, uma amostra grátis, um favor, antes de pedir algo em troca.

Como o limpador aplicou a técnica: o vidro estava realmente sujo; ele me deu a opção de ir embora sem recompensá-lo, sem penalidade alguma, sem agressividade (que é comum em flanelinhas e outros que utilizam a mesma técnica).

Imagino que o rapaz não fez um curso de negociação em Harvard, mas sim, fez um curso infinitamente mais efetivo: inúmeras tentativas e erros, na prática. Ele deve ter testado as mais diversas técnicas, recebido uma quantidade gigantesca de “nãos”, até convergir a uma abordagem que maximiza os resultados e a sua energia gasta.

O grande pensador Nassim Taleb cita, com muita frequência, a “sabedoria das ruas”. Fazer um curso de negociação em Harvard não faz ninguém um grande negociador, aprender, a duras penas, na prática, sim. E é assim com toda a gama de conhecimentos práticos na vida.

Taleb: “Pessoas que constroem musculatura com aparelhos caros em academias são capazes de levantar pesos extremos, demonstram números e musculatura impressionantes, porém, não são capazes de levantar uma pedra; eles seriam completamente derrotados numa briga por alguém treinado em condições caóticas, que cresceu brigando nas ruas. Sua força é extremamente dependente do domínio, e não existe além do lúdico, na verdade, sua força é como se fosse uma deformidade”.

Um exemplo prático da afirmação de Taleb: a sabedoria das ruas do limpador venceu a mim, e toda a minha filosofia sobre negociação e persuasão!

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2020/09/28/dicas-de-livro-de-comunicacao-e-negociacao/

https://ideiasesquecidas.com/2018/03/23/as-36-estrategias-secretas-chinesas/

https://ideiasesquecidas.com/2017/08/09/a-teoria-dos-cisnes-negros


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