Quadraturas do retângulo

Aqui, uma macro que lida com o problema da “quadratura do retângulo”.

Dado um retângulo, digamos de tamanho 11 x 10, como eu decomponho a mesma no menor número de quadrados menores?

A macro utiliza um algoritmo recursivo. Basicamente, esta vai testando todas as combinações possíveis em duas dimensões, até chegar ao final, e compara o número de quadrados gerados. É o chamado método da força-bruta.

Mesmo incluindo alguns truques, como eliminando quem tem mais quadrados que o mínimo até então, o algoritmo continua sendo força bruta – ou seja, demora muito quando aumenta o tamanho do problema.

Outro exemplo, um retângulo 13 x 11.

Uma utilidade possível é encaixar produtos em pallets, ou conjugar cargas em carregamentos, utilizando métodos adaptados.

Há um problema similar, porém com uma restrição muito mais forte: todos os quadrados menores devem ter tamanho diferente.

Esta restrição é tão forte que a maioria dos retângulos não vai ter solução. Porém, algumas que as têm geram resultados muito bonitos, como o seguinte (retângulo 33 x 32).

Houve uma série de matemáticos que estudou este problema, chegando em soluções bem legais (porém, muito mais matemáticas que computacionais).

Uma história desses é mostrada no livro “Mania de matemática”, de Ian Stewart.

Link para download: https://github.com/asgunzi/quadraturaVBA ou aqui.

Tecnologia é diferente de Inovação

É impressionante o número de pessoas que confundem tecnologia com inovação.

Os conceitos estão muito ligados, e a tecnologia pode ser um dos grandes impulsionadores da inovação.  Porém, não são iguais.

Um novo sistema não vai resolver nada, a menos que os processos estejam minimamente preparados, e as pessoas tenham a capacidade de aproveitar esta.

Já perdi a conta de casos em que um enorme sistema de informação prometia otimizar o processo inteiro e eliminar o tão difamado Excel da operação. Meses depois e após algumas centenas de milhares de reais, vemos os analistas utilizando o novo sistema, porém fazendo as contas por fora (no Excel, lógico), e imputando no sistema a resposta que eles queriam desde o início.

Em muitos casos o ideal é manter o Excel (ou um MVP de ferramenta), consertar o processo (com aporte de conhecimento, consultoria) e desenvolver (ou trocar) pessoas. Somente após um bom grau de maturidade, partir para mega soluções.

Bônus: um resumo das 7 fontes de Inovação de Peter Drucker. Note que tecnologia é o último item.

– Inesperado: resultados positivos ou negativos muito diferentes do esperados.
– Incongruências do produto ou serviço
– Mudanças no processo
– Mudanças na estrutura da indústria
– Demografia
– Novas percepções
– Novas tecnologias



Dia dos solteiros x Black Friday

Está chegando, neste mês de novembro, uma mega promoção do comércio. É o… Dia dos Solteiros! Também tem aquela outra, a Black Friday.

O dia dos solteiros é uma tradição chinesa. Ocorre dia 11/11 (data com mais “1” no ano). A ideia é a pessoa se presentear, já que está sozinha mesmo. Este ano, o AliBaba (AliExpress por aqui), promete fazer uma mega operação no Brasil, com descontos agressivos. Ano passado, o dia dos solteiros movimentou US$ 30 bilhões, em um único dia!

A Black Friday é uma tradição americana. O Dia de Ação de Graças é um feriado importante nos EUA, e ocorre na quarta quinta-feira do mês de novembro. A Black Friday ocorre no dia seguinte. Este ano, será no dia 29/11, e promete muitos descontos!

Em comum, ambas são tradições estrangeiras que estão vindo recentemente para o país. Poderio econômico vem acompanhado de tradições culturais, de forma proposital ou não. A tendência é vermos cada vez mais uma invasão cultural chinesa no mundo, da mesma forma que já temos muitas tradições americanas em nosso dia-a-dia.

Boas compras!

https://istoe.com.br/aliexpress-investe-para-trazer-dia-dos-solteiros-ao-pais/

O Daruma

O Daruma é um boneco redondo, comum na cultura japonesa.

O boneco vem com os olhos em branco. A tradição diz o seguinte: faça um desejo, e pinte um dos olhos do Daruma.

Pinte o segundo olho somente após o desejo se realizar…

Na vida real, o Bodhidharma foi um monge budista que viveu entre os séculos V e VI, na China. Diz a lenda que ele ficou 9 anos meditando com todas as suas forças, em frente a uma parede branca. Ele ficou tanto tempo imóvel que os braços e pernas apodreceram, daí o boneco ser assim: sério, bravo, sem pernas nem braços.

E o significado de pintar o olho do Daruma é o seguinte: não basta fazer um desejo e ficar esperando, é necessário correr atrás, buscar atingir esta meta com muita seriedade e trabalho, com tanto empenho quanto o Bodhidharma original. Pintar o olho do boneco é mais um compromisso do que uma superstição.

Uma dica é deixar o Daruma caolho na sua mesa de trabalho, eternamente olhando para você, relembrando-o do compromisso de pintar o segundo olho…

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia.

https://ideiasesquecidas.com/

Bônus: música infantil Daruma-san

A classe dos inúteis veio para ficar

Viajo frequentemente ao Paraná, a trabalho. É impressionante a riqueza do agronegócio na região: quilômetros sem fim de plantações de soja, milho, cana, à direita da estrada, à esquerda, ocupando cada metro quadrado útil da fértil terra roxa da região. 

O mesmo ocorre no interior paulista e em muitos outros lugares do Brasil, com outras culturas e a pecuária.

Fico imaginando quantas pessoas seriam necessárias para fazer a colheita de uma área tão imensa, do jeito antigo: debaixo do sol, com um facão, cortando cada plantinha e transportando com a ajuda de animais.

Por outro lado, basta uma volta pelo centro de uma grande cidade como São Paulo, para encontrar uma dezena de pedintes e pessoas subempregadas. Dentro do metrô, um vendedor ambulante quer empurrar um suporte de celular, minutos depois, outro ambulante vende balas. Pessoas pedindo dinheiro nas ruas, um senhor pedindo verba para comprar remédios, outro com panos de prato no semáforo, um artista de rua tocando música e pedindo trocados.

A humanidade evoluiu exponencialmente. A agricultura surgiu há cerca de 10 mil anos, o que permitiu o surgimento de grandes sociedades, em detrimento dos caçadores-coletores. A força dos animais domésticos ajudou tremendamente nesta etapa. Grandes civilizações (como Egito, Mesopotâmia, China antiga), são conhecidas há uns 5 mil anos. A revolução industrial tem cerca de 200 anos, utilizando a energia do carvão e outros combustíveis fósseis. A eletricidade tem uns 100 anos, possibilitando o surgimento de eletrodomésticos e outros aparelhos úteis na nossa vida – alguns estimam que cada um de nós tem o equivalente a 100 escravos à nossa disposição. O computador pessoal tem uns 30 anos, fazendo com que o nosso próprio cérebro seja expandido.

À medida em que a evolução ocorreu, o trabalho foi migrando da agricultura para a indústria, e depois para os serviços. Não eram mais necessárias tantas pessoas para fazer a colheita. E nem para produzir guarda-chuvas em massa – economicamente, faz mais sentido serem produzidos em larga escala na China, e transportados para cá em enormes navios de carga.

Hoje em dia, nem os serviços são mais necessários – com a automação dos serviços, não precisamos mais de atendentes, telefonistas, vendedores de enciclopédias, corretores de seguros, bancas de jornais, jornais impressos, e, num futuro próximo, nem de motoristas de carro e de caminhões.

Para competir no mundo atual, é necessário saber mais do que os algoritmos, é preciso ser capaz de executar tarefas em alto nível, agregando muito valor na cadeia.

Esta situação cria uma nova classe de pessoas, que o escritor israelense Yuval Harari define como “a classe dos inúteis”. Ele escreveu um pouco sobre o tema nos livros “Sapiens” e “Homo Deus”, e no artigo que consta no link ao final deste artigo.

A classe dos inúteis não é somente de pessoas desempregadas, vai além disso: são pessoas não-empregáveis, sem as mínimas condições de serem mais produtivas que as máquinas e os algoritmos.

Harari coloca alguns cenários a respeito. Seriam pessoas sustentadas por alguma espécie de renda mínima universal, um super-bolsa-família. Ele também coloca uma data como referência, 2050, onde já teremos um desenvolvimento intensivo de IA.

O que fazer com alguém que fica o dia inteiro sem ter o que fazer? A frustração dela pode causar intensos problemas sociais. Ser desnecessário é muito, muito pior do que ser explorado.

Uma possível solução é algo equivalente a um jogo de realidade virtual. Ele cita a religião como um jogo desses, uma fuga da realidade. A pessoa ganha pontos se rezar todos os dias e cumprir todos os ritos (e estes devem ser difíceis, como jejuar, não comer porco, rezar várias vezes ao dia), se ela não conseguir ganhar pontos, fica para trás.

Não há regra alguma na natureza que diga que comer porco é ruim, ou que é necessário rezar. Aqueles que conseguem muitos pontos ganham o jogo e vão para a próxima fase, ou para o paraíso na vida seguinte…

Harari também cita o consumismo como um jogo desses. Aquele que tem o melhor carro, a melhor casa, posta um monte de fotos de viagem no Facebook, ganha mais pontos do que quem não o faz. Ganha o jogo, mesmo que o ser humano não precise tirar uma foto na Torre Eiffel para provar para os outros que é feliz.

Ocupar as pessoas com jogos inúteis parece terrível, mas é o que a humanidade tem feito há milhares de anos, conclui o pensador.

O antigo desenho dos Jetsons sempre tinha uma cena onde o pai, George Jetson, ia trabalhar. Ele simplesmente apertava um botão e descansava, o trabalho era moleza. Talvez essa seja outra solução, pagar as pessoas para ficarem o dia todo na empresa olhando as máquinas trabalharem!

Eu não sei o que será do futuro, nem se este será tão distópico quanto cita Harari, mas sei que a classe de inúteis já existe nos dias de hoje, infelizmente. E tende a piorar em um futuro não tão distante, com o desenvolvimento de algoritmos cada vez mais poderosos.

Trilha sonora: A gente somos inútil.

Links:

https://www.theguardian.com/technology/2017/may/08/virtual-reality-religion-robots-sapiens-book

https://www.terra.com.br/noticias/dino/em-30-anos-mundo-devera-conhecer-a-classe-dos-inuteis,6aac9cf35ddd17e8b5c6dee22d80158154rtm6dm.html

Produtividade

A produtividade faz a diferença no final das contas, tanto na performance individual quanto na performance de uma nação. Quatro frases sobre produtividade:

“Quem produz duas espigas de milho, duas lâminas de grama, num espaço de terra onde apenas uma havia sido plantada antes, é mais merecedor da humanidade do que toda as raças de políticos juntas” – Jonathan Swift, As viagens de Gulliver.

“Sempre há espaço no mundo para aqueles que produzem mais do que recebem” – Napoleon Hill, escritor.

“É difícil bater quem nunca desiste” – Babe Ruth, lenda do baseball.

“Não há nada mais improdutivo do que fazer com grande eficiência algo que nem deveria ter sido feito” – Peter Drucker, o pai da Administração.

O importante não é estar o dia todo ocupado, mas sim ser muito produtivo no período de tempo em que estiver ocupado.

O que é sucesso (meme)

Recebi este gráfico pelo Whatsapp, e achei interessante.

De certa forma, é o complemento do gráfico da felicidade, do link.

Isto me lembra uma piada que ouvi um dia: quando somos adolescentes, temos tempo e energia mas não temos dinheiro, quando adultos, temos energia e dinheiro, mas não temos tempo, quando idosos, temos tempo e dinheiro, mas não temos energia!