O que é felicidade para mim?

É uma pergunta difícil, porque cada um tem o seu conceito de felicidade.

 

Felicidade para mim é o momento em que podemos viver livremente, levemente, respirando fundo o ar à nossa volta sem preocupações e desfrutando aquele instante sem a necessidade de pensar no próximo segundo.

 

Fácil?
Nem tanto…

 

Há uma série de pré-requisitos para viver tal momento. O ambiente deve ser bom, não consigo me imaginar assim no metrô lotado no horário de pico, por exemplo.

 
Devemos estar com a consciência tranquila. Não dá para pensar neste momento sem estar orgulhoso de seus próprios atos, com a certeza de ter oferecido ao mundo mais do que o recebido, com a certeza de que o trabalho realizado até agora foi duro, honesto e honrado.

 

Também é necessário estar em paz com o futuro, sem tormentas à vista, sem preocupações reais ou imaginárias.

 

Estar de bem com as pessoas que fazem a sua vida ter algum significado.

 
Nem sempre é possível ter todas essas condições ao mesmo tempo, o que torna tais momentos mais importantes ainda – portanto, que sejam reconhecidos e celebrados, que tais momentos sejam eternos!

 
Independente do que temos, do que já alcançamos e o que queremos, a felicidade é válida somente hoje, no presente. É como se a vida nos desse um ticket, que é válido por um único segundo, somente agora – se não for utilizado neste instante, perderá a validade para todo o sempre.

 

O presente é o maior presente que possuímos.

 

Trilha Sonora: O Que Será (À Flor da Pele) – Chico Buarque

Dica para ouvir: Dedicar os próximos 3 minutos totalmente para ouvir a música. Escolha um lugar tranquilo, feche os olhos, aperte play e desfrute. Neste vídeo histórico, se encontram presentes Toquinho, Miúcha, Vinícius de Moraes e Tom Jobim, imortalizando uma noite fantástica.

 

 

 

https://www.letras.mus.br/chico-buarque/1217237/

 

 

O Homem mais forte do mundo e o Bobo da corte

Esta é a história do Homem mais forte do mundo, forte não em termos de força física, mas no sentido moderno, do business corporativo.

Ele era um executor de tarefas impiedoso. Meta dada era meta cumprida, qualquer fosse o custo para tal. Cobrava as pessoas com força e autoridade, utilizando ferozmente suas armas, os chicotes e as cenouras do mundo corporativo. Com seus escudos e lanças, matava os leões modernos de cada dia.

Trabalhava de 8 da manhã às 9 da noite no escritório e até de madrugada em casa, frequentemente exigindo que os subordinados o fizessem também. Ao mesmo tempo, ele era cuidadoso no linguajar, de forma que as palavras não o pudessem comprometer pelas regras modernas de assédio moral. Entretanto, o seu gesto corporal era claro: ou se submete às regras, ou está fora…

Ele navegava bem pelas conexões deste mundo, fazendo as alianças necessárias para subir as mais altas das montanhas, às vezes utilizando alguns dos ex-parceiros como ponte ou degraus no meio do caminho. Desafiá-lo era enfrentar alguém com uma couraça impenetrável e um gancho de direita nocauteador, rude, preciso e impiedoso.
A moral e a ética, embora fossem apregoadas incessantemente da boca para fora, frequentemente ficavam de lado no cotidiano.

 

De fato, ele subiu alto. Depois de um tempo, o homem mais forte do mundo era frequentemente capa de revistas corporativas, conhecido como alguém que resolve qualquer parada, que valia qualquer dinheiro.

 
Foi numa dessas festas corporativas, que ele encontrou o Bobo da Corte, vil e inútil, da mais baixa camada social. E o Bobo o desafiou para um duelo de palavras, para ver quem era o mais forte de verdade.

Bobo:

Sou o bobo, sou um nada.
Sou um palhaço, uma piada.
Porém, a verdade conto:
Mais bobo, menos que nada, és tu,

És um zero à esquerda,

És um boçal, o verdadeiro palhaço,
A verdadeira piada.

Homem forte: Estás de brincadeira? Sou grande, sou forte, sou admirado por todos, alcancei o que poucos alcançaram, fiz o que poucos fizeram.

Bobo:

Sim, tens razão,
És tão forte, mas tão forte,
Que a tua grossa couraça
Impede qualquer sentimento tenhas,
Tuas glórias são as desgraças de outrem,
Por onde passas, terras arrasadas,
Onde caminhas, não nasce a grama.

Homem forte: Tu me insultas, me calunias, mas o que tens além de palavras? Eu tenho tudo, sou alto gestor da empresa, tenho milhões no banco, imóveis, investimentos, e você, nada tem.

 

Bobo:
Deixarás o teu saco de ouro na Terra no dia que partires,
Assim como deixarás um mar de ressentimento,
Veja só, os fantasmas dos que ficaram para trás,
Os que foram traídos por tuas promessas vazias,
Os que foram apunhalados por tuas fofocas,
O teu ouro é tirado de outrem,
Colhes o fruto e derrubas a árvore,
Desfrutas do presente e cauterizas o futuro.
És o mais covarde dos homens.

Homem forte: Mentiras contas a mil, sou admirado pelos colegas à minha volta, sou idolatrado pelos meus amigos.

 

Bobo:

Amigos verdadeiros não tens,
Apenas interesseiros e bajuladores,
Não o admiram, apenas o temem,
Por trás, esses mesmos fazem piadas com o teu nome,
És denominado “coração de gelo”,
És denominado “grandíssimo FDP”,
O domingo é o teu dia mais triste,
Em que ficas com tua verdadeira companhia,
Em que ficas com a Solidão.

 

Homem forte: Novamente mentes, namoro uma linda modelo, atriz de novelas, a mais cobiçada de todas.

 

Bobo:
Novamente, enganas a ti mesmo,
Ela não enamora a ti, apenas a teu dinheiro,
A presença dela é alugada,
Movida a joias e luxos,
Não há mulher verdadeira que o suporte,
Acabas invariavelmente sozinho.
Tens um filho, mas é como se não tivesse nenhum,
Já que nenhum é o tempo que passam juntos,
Conheces mais a foto dele do o menino de verdade.

Homem forte: Pelo menos, sou saudável e viril, não um mirradinho como tu és.

 

Bobo:
Qual nada,
Corpo algum aguenta ser maltratado,
O corpo não é uma máquina infalível,
De estimulantes precisas,
Começaste devagar, mas agora
Do álcool és escravo,

Derrotas a todos, menos a ti mesmo.

O Homem forte pensava na resposta, quando viu os colegas a seu redor gargalhando, rindo com escárnio, apontando-lhe os dedos, liberando o sentimento verdadeiro preso nesses anos todos.

Bobo:
Tua couraça dura consumiu o interior macio,
És forte por fora e um vácuo interno.
És por fora reluzente como o ouro,
És por dentro, vazio, inerte, um nada.
Mais bobo, menos que nada, és tu,
És um boçal, o verdadeiro palhaço,
A verdadeira piada.

O Homem forte sabia que tinha sido derrotado, pela primeira vez na vida, e pôs-se a chorar, a soluçar com todas as forças, incessantemente.

Por fim, o Homem mais forte do mundo chegou à sua conclusão: “Não sou o homem mais forte do mundo, mas sim, o homem mais fraco do mundo…”

 

6 Dicas de redação de George Orwell

O escritor George Orwell é um dos maiores escritores de todos os tempos, autor de livros lendários como 1984 e A Revolução dos Bichos.

A seguir, 6 dicas simples de redação que valem a pena ser seguidas:

  1. Evite figuras de linguagem e ditados populares
  2. Nunca use uma palavra longa se uma curta é suficiente
  3. Se for possível encurtar o texto, encurte
  4. Nunca use a voz passiva se puder usar a ativa
  5. Nunca use uma frase estrangeira, um termo científico ou um jargão se você consegue pensar em um equivalente comum
  6. Quebre qualquer destas regras antes de escrever alguma barbaridade

 

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A fonte original é o artigo “Politics and the English Language”, disponível em http://www.orwell.ru/library/essays/politics/english/e_polit

 

Os livros 1984 e A Revolução dos Bichos são dois dos mais interessantes que conheço, e convido para tomar um café quem quiser bater um papo sobre estes.

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Nota:

Belo texto do Scott Adams, autor do Dilbert

http://dilbertblog.typepad.com/the_dilbert_blog/2007/06/the_day_you_bec.html

(enviado pelo leitor Pedro Arka)

Sobre os forecasts de Inteligência Artificial da Copa 2018

Após a eliminação do Brasil (e Alemanha, Espanha, Argentina, Portugal) na Copa do Mundo de 2018, é possível dizer que a grande maioria das previsões baseadas em coisas da moda com nomes bonitos, como Inteligência Artificial, Machine Learning, Redes Neurais, falhou!

E daí? O que isto quer dizer? Duas coisas:

– Não ridicularizar as análises porque erraram,

– Não endeusar as análises quando acertam.

Forecast 1:

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Forecast 2:

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Forecast 3:

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Forecast 4:

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Todos os algoritmos citados são baseados em modelos, que por sua vez derivam de dados do passado. Cada algoritmo em particular leva em conta algum aspecto relevante: seja a tradição do time, o desempenho destes nas últimas partidas, histórico contra times semelhantes aos dos jogos da Copa… alguns algoritmos podem tentar ser mais precisos, e modelar o desempenho de cada jogador de um time contra cada jogador de outro, etc…

Porém, o que interessa não é desempenho passado, mas sim, o futuro. A hipótese utilizada em 100% desses modelos é a de que o passado pode ser utilizado para fazer uma previsão do futuro. Há domínios em que esta hipótese é verdadeira, digamos, para fazer reconhecimento de imagens (reconhecemos um carro porque este vai continuar tendo características de um carro, tanto hoje quanto no futuro).

O futebol não é um domínio muito bom para forecasts, porque o passado não necessariamente vai explicar o futuro. Cristiano Ronaldo pode ter arrebentado em 99% dos jogos, mas no único jogo decisivo, pode passar em branco. Casemiro pode ser muito eficaz contra os belgas, mas não dá para prever quando ele ficará fora por cartão. Se dois times jogassem 100 vezes, é provável que a média estatística se concretizasse, porém, na vida real ocorre um único jogo, em que uma retranca de um time mediano pode parar o melhor ataque do mundo.

 

A conclusão é que as análises são válidas, importantes, e devem ser levadas em conta, principalmente num domínio em que o histórico pode explicar o futuro, como o comportamento do consumidor.

E o contraponto é que algumas análises podem até acertar, mas isso não quer dizer que vão acertar tudo para todo o sempre. Diante de inúmeras previsões de inúmeras pessoas, alguma delas acertará exatamente o campeão. O ser humano tem a tendência de se impressionar com quem acerta o futuro, como o polvo Paul, que simplesmente teve sorte.

Ao invés de tentar prever o futuro, devemos estar preparados para os melhores e os piores cenários que podem ocorrer.

E o meu chute?
Inglaterra campeã, pelo efeito Guardiola (quando ele trabalha no país em questão, o nível do futebol do país sobe).

 

 

 

Os cegos e o elefante

Há uma lenda hindu antiga, mais ou menos assim.

Um grupo de cegos estava discutindo sobre o elefante.

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Um disse: O elefante é fino e comprido como uma mangueira.

Outro retrucou: Não, o elefante é largo e grande, parece uma parede.

Um terceiro comentou: Vocês dois estão errados. O elefante parece o tronco de uma árvore.

Um quarto: Não, não, ridículo. O elefante parece uma folha…

 

E continuaram a discutir, sem chegar a um consenso.

 

Todos estavam certos localmente, mas todos estavam errados no todo.

Cada um defendia a sua verdade, sem levar em conta que poderiam haver outras verdades.

 

E, já que ninguém consegue ter a visão de toda a realidade, apenas de parte dela, não podemos rir da tolice desses cegos, já que todos nós também somos cegos tolos.

Um passeio com Godel e Einstein

Uma longa caminhada é uma excelente forma de ter boas ideias. Que tal uma caminhada na companhia de Albert Einstein e Kurt Godel, dois dos maiores cérebros do século passado, talvez, de todos os tempos?

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Einstein, todo mundo conhece, é o cara da Teoria da Relatividade, que abalou as fundações da Física e modificou profundamente o nosso modo de entender o mundo.

Godel é menos conhecido do público, entretanto, é o cara da Teoria da Incompletude, que abalou as fundações da Matemática, e pôs em xeque todo o conhecimento lógico da mais abstrata das ciências.

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Dois rebeldes, dois revolucionários que destruíram os alicerces das duas ciências mais exatas de nosso tempo, a Física e a Matemática.

Einstein e Godel faziam caminhadas diárias, quando trabalhavam juntos no Instituto de Estudos Avançados em Princeton. Caminhavam na ida ao instituto, e no fim do dia, voltando do mesmo.

 

Godel, nascido em 1906, era 27 anos mais jovem do que Einstein, nascido em 1879. De comum, o fato de serem geniais, terem fugido da Alemanha de Hitler, e estarem trabalhando em Princeton, nada mais. Godel era taciturno, pessimista, solitário, de hábitos esquisitos, como comer papinha de nenê e gostar do filme da Branca de Neve e dos Sete Anões. Einstein era mais gregário, gostava de violinos e de Mozart.

 

Sobre o que falavam? Sobre grandes viagens abstratas no espaço e o tempo? Sobre as fundações das fundações das fundações da matemática? Sobre mitologia grega clássica? Sobre política? Sobre suas esposas? Sobre outros colegas de trabalho? Sobre como os americanos eram diferentes dos alemães? Sobre futebol (difícil, os jogos do São Paulo FC não passavam nos EUA naquela época)? Ninguém nunca vai saber exatamente…

 

No fundo, eram apenas dois seres humanos, como quaisquer outros. Apenas bons amigos, que gostavam de trocar ideias…

 

(Dedicado a todos os bons amigos com quem já passei horas caminhando e trocando ideias)

 


 

“A vida é como andar de bicicleta, para manter manter o balanço você deve estar sempre se movimentando” – A. Einstein

 

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O puzzle curioso da sinfonia de Beethoven

Responda rápido: Uma orquestra de 120 músicos leva 40 minutos para tocar a nona sinfonia de Beethoven. Quanto tempo levará para 60 músicos tocarem a mesma sinfonia?

 

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Pausa para pensar…

 

Resposta longa:

Achei o puzzle curioso, pois parece remeter à questão clássica de proporções. Tipo, 120 pedreiros levam 40 min para construir uma casa, quanto tempo 60 pedreiros vão levar?

 

Porém, a diferença é que enquanto metade dos pedreiros vão fazer metade do trabalho e demorar o dobro do tempo, numa sinfonia vamos ter metade dos sons no mesmo tempo.

Teremos uma nona sinfonia menos rica, com menos sabores musicais, porém nos mesmos 40 min (exemplo, ao invés de duas flautas, uma só).

 

Alguns itens que dificultam um pouco a avaliação.

 

O primeiro é a falta de conhecimento musical da maioria das pessoas. Mas, digamos que seja apenas um músico no piano, ele vai demorar os mesmos 40 min, porque a sinfonia foi feita para tocar neste tempo.

O segundo é o frame: isto parece um problema de matemática, então as pessoas normalmente enquadram em uma lógica matemática.

O terceiro é o tempo: com pouco tempo, é mais fácil nos enganar.

Conclusão: é mais um puzzle do tipo pegadinha psicológica do que um puzzle matemático.

 

 

Resposta curta: 60 músicos vão levar os mesmos 40 minutos.

 

 

Trilha sonora:

 

 

Sobre Átomos e vazio

As “átomos” que conhecemos não são “á-tomos” de verdade, no sentido original da palavra.

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A palavra “átomo” vem do grego, onde “a” significa “não”, e “tomo” significa “divisão”.

O conceito original de átomo deriva das ideias do filósofo grego Demócrito (460 – 370 a.C).

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A ideia de Demócrito era mais ou menos assim. Pegue um pedaço de pão e corte no meio com uma faca. Pegue a metade do pão e corte de novo. Continue cortando o pão, infinitamente. O que acontecerá? Será possível continuar cortando ad infinitum, ou seja, a matéria é contínua, ou vai chegar num ponto em que não será mais possível cortar o pão, e o último pedaço será indivisível. Chame este pedaço de matéria indivisível de átomo. Os átomos existem ou não? É possível fatiar a matéria infinitamente?


Pulando da Grécia antiga ao Ensino Médio

A lição de Química apresenta a solução para o dilema de Demócrito, através dos átomos na Tabela Periódica de elementos: átomos de Hidrogênio, Hélio, Carbono e outros.

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Esses átomos são os menores blocos construtores do nosso mundo. São como tijolinhos, a partir dos quais todo o resto é construído. Os átomos se juntam em moléculas, como pecinhas de Lego. A água é H20, dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio.

Tudo muito legal. A lição seguinte diz que os átomos têm um núcleo, que concentra toda a massa, enquanto os elétrons orbitam ao redor, um modelo que lembra o sistema solar. Além disso, os átomos têm número atômico, são formados por prótons, nêutrons e elétrons, o número de elétrons na última camada é o que dita quantas ligações este átomo vai formar, etc…

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Daí, eu levantei a mão e perguntei para o professor de química:

“Professor, se os átomos são feitos de prótons, nêutrons e elétrons, eles são divisíveis em partes menores. Então, os átomos não são átomos no sentido original da palavra. Os átomos de verdade não seriam os prótons, nêutrons e elétrons?”

A resposta foi alguma justificativa incompreensível, mas a mensagem final era clara:

“Cai assim no vestibular. Decore isto e pare de filosofar”.

Dando um fast forward de uns 20 anos, não preciso mais passar no vestibular, portanto, posso filosofar à vontade. O pilar fundamental da ciência é a possibilidade de questionarmos tudo…

A minha opinião é que, apesar de todos os avanços, a questão fundamental de Demócrito continua tão aberta nos dias de hoje quanto esteve há tempos atrás: átomos existem ou a matéria é infinitamente divisível?


Existem mesmo prótons, nêutrons e elétrons?

A descoberta dos prótons, nêutrons e elétrons não se deu no sentido de Demócrito, cortando a matéria com uma faca até chegar nos prótons. Foi por meios indiretos e para justificar resultados de experimentos.

Os cientistas do séc. XIX (como J. Thompson – 1856 – 1940) identificaram que o átomo possui uma partícula com carga elétrica negativa, e chamaram isto de “elétron” (o domínio dos elétrons deu origem à eletricidade).

Porém, o átomo como um todo tem carga neutra. Ora, se há uma partícula negativa e o total é neutro, então deve ter outra partícula com carga positiva, para compensar – chamaram esta partícula de “próton”.

Só que apenas prótons e elétrons não fechavam as contas, havia alguma coisa com carga neutra, que tinha massa. Chamaram esta coisa com carga neutra de “nêutron”.

Isto perdurou até a ciência conseguir uma “faca” suficientemente poderosa para cortar o átomo em pedaços e analisar tais pedaços – seja através de reações atômicas, radiação ou colidindo átomos.

Os físicos do séc. XX, com novas ferramentas e novas teorias, como a Física Quântica, colocam que existem as partículas fundamentais, ou elementares. Estas não têm subestrutura, não são compostas por outras partículas, chegando a uma teoria muito mais completa do que apenas rotular como prótons tudo o que tem carga positiva e nêutrons o restante.

Segundo o modelo padrão, temos os quarks, glúons, bósons e outros – vide link para detalhes.

Por exemplo, por este modelo, o elétron continua sendo uma partícula fundamental, mas é um tipo de lépton, que por sua vez é um férmion…

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Uma das teorias mais intrigantes da física quântica diz que partículas e ondas são duas facetas da mesma moeda. A luz pode se comportar ora como partícula e ora como onda. Mas não só a luz, outras partículas também têm este comportamento – portanto, essas partículas fundamentais poderiam não ser realmente partículas, mas ondas, ou ser as duas coisas, tanto onda quanto partícula…

A “faca” mais poderosa dos dias atuais é o grande colisor de hádrons (LHC). Este fica na fronteira entre a Suíça e a França, e tem quase 27 km de circunferência.

As partículas são aceleradas em direções opostas, até quase a velocidade da luz, e então é feita a colisão entre as partículas. Após a colisão, é feita a análise dos pedaços que sobraram, as partículas subatômicas. Obviamente, não é simples detectar e analisar partículas tão pequenas, e mesmo hoje, várias das partículas elementares são apenas teorias, sem confirmação experimental.

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Essas partículas elementares são atualmente o mais próximo do conceito de átomo que existe, na ideia original de Demócrito.
Mas quem garante que os cientistas não vão encontrar partículas (ou onduletas) mais fundamentais ainda? Será que uma “faca” ainda mais poderosa, digamos um acelerador de partículas do tamanho da órbita da Terra, não pode continuar cortando os férmions e múons em “pedaços” menores?

Podemos continuar cortando a matéria, infinitamente? O limite inferior seria o comprimento de Planck, da ordem de 10^-35 m?

O limite seria energia pura encapsulada? Mas o que é energia, exatamente?

Há uma corrente de pensamento que diz que a filosofia é inútil por definição. Porque, quando a filosofia se torna útil, ela troca de nome.

O átomo de Demócrito é um exemplo. Saímos da filosofia de Demócrito, onde nada sabíamos, para os sucessivos modelos atômicos da química e física, onde supostamente sabíamos tudo – e construímos os avanços científicos modernos com este conhecimento.

Mas, no final das contas, voltamos à filosofia – o tamanho do “não sei” é incomensuravelmente maior do que o tamanho do “sei”. E a pergunta, qual a menor unidade indivisível da matéria, está tão aberta quanto no tempo de Demócrito.

“Só existem átomos e vazio” – Demócrito.

“Eu poderia estar preso numa casca de noz e me considerar rei do espaço infinito, não fosse pelo fato de ter sonhos perturbadores.” – Hamlet, William Shakespeare.


Links

https://hubpages.com/education/democritus

https://www.sprace.org.br/divulgacao/como-funciona-o-lhc

https://minilua.com/como-funciona-grande-colisor-hadrons/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Comprimento_de_Planck
https://en.wikipedia.org/wiki/Democritus

https://en.wikipedia.org/wiki/Electron

https://en.wikipedia.org/wiki/Subatomic_particle

https://en.wikipedia.org/wiki/CERN

https://en.wikipedia.org/wiki/Elementary_particle

https://en.wikipedia.org/wiki/Democritus

Sobre livros e livrarias

Estamos em junho de 2018. Livros em papel e livrarias já morreram. Isto nem é um forecast, é uma realidade. É tão óbvio quanto falar que a TV a cabo, jornais em papel, revistas em papel tradicionais morreram com as novas tecnologias.

Só comento sobre este assunto por uma única razão: este post seria mais um capítulo da série de forecasts, porém é um forecast que já aconteceu. Eu adoro livrarias e livros, e sinto demais esta perda.

Um dos meus passeios favoritos é o de ir à Livraria Cultura do Conjunto Nacional, que ostenta milhares de títulos, numa área com três andares, café, e que provavelmente é a maior livraria da América do Sul.

 

Ou andar pela Saraiva MegaStore, do Shop. Ibirapuera ou do Shop. Center Norte.

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Ou a loja fantástica da Fnac em Pinheiros, com arquitetura ousada, pensada para ser um ponto de encontro entre amantes das letras, numa região cult da cidade… opa, a Fnac Pinheiros acabou de fechar as portas… a empresa Fnac, que vendia eletrônicos e livros, está saindo do Brasil.. (https://sao-paulo.estadao.com.br/blogs/caminhadas-urbanas/o-fechamento-livraria-da-fnac-pinheiros-um-raro-exemplo-de-arquitetura-comercial-a-favor-do-espaco-publico-na-cidade)

 

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As grandes livrarias nacionais estão sofrendo, há anos, com estagnação e declínio, a olhos vistos. A razão é simples. A informação não precisa mais do papel para ser transmitida. Ela está à disposição para ser produzida, consumida e atualizada em qualquer tela, seja a TV, o celular, o notebook, o ereader, o tablet.

A informação virou commodity. Antigamente, para estudar Cálculo, eu precisava de um livro de Cálculo. E era comum recorrer à famosa xerox do livro, porque o original normalmente custava caro demais para um estudante universitário bancar.

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Hoje em dia, há dezenas de sites sobre o assunto, vídeos do Youtube, tutoriais, exercícios resolvidos, tudo de graça e num excelente nível, como por exemplo, na Khan Academy.

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A xerox dos dias atuais são os serviços de torrent, ou troca de pdfs dos livros, ou alguma outra forma de copiar digitalmente o assunto.

Além disso, para tópicos avançados, posso consultar direto o blog do autor que é o papa do assunto. Ou, talvez, enviar um e-mail direto para este autor. Ou discutir a questão com outros amantes do assunto, num fórum. Ou pegar os artigos mais relevantes no Arxiv.

 

Um exemplo. Vi o excelente livro “Linear Programming”, do autor Robert Vanderbei, na Livraria Martins Fonte. R$ 399,00. Tenho a mesma versão em pdf, a um custo zero, que leio num dos meus ereaders (tenho um Kindle e um Kobo Reader) – mas poderia ler num iPad, ou no computador, ou imprimir a parte que interessa.

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O preço de R$ 399,00 é porque o livro é impresso nos EUA (livros físicos têm que ter uma demanda mínima para justificar a impressão), transportado ao Brasil, incluindo todos os trâmites da importação e deve pagar o custo físico da loja ao expor o mesmo fisicamente (aluguel, salário dos atendentes).

A versão eletrônica do mesmo ocupa 1 MB de espaço em disco, e não acarreta custo logístico algum, nem de importação; por mais que eu goste das livrarias e do livro, é um disparate pagar R$ 399,00 por algo virtualmente grátis.

Exemplos abundam, e mesmo se o livro custar R$ 50,00 ou mesmo R$ 30,00, não dá para competir com a versão digital.

O efeito é que atualmente as livrarias pagam para existir, e algumas ainda teimam em tentar se reestruturar.

A LaSelva, que era bastante presente em aeroportos, está fechando as portas.

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A Saraiva está há muitos anos mal das pernas, e é uma questão de tempo até sofrer alguma reestruturação dramática.

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A Fnac já saiu do Brasil, sendo adquirida pela Livraria Cultura.

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A Livraria Cultura não está muito bem das pernas.

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Este fenômeno não é exclusivo do Brasil. Em todo o mundo, o mesmo. A fantástica Barnes e Noble da 5a avenida, em NY, uma das livrarias mais legais do mundo, fechou as portas em 2014. Lembro muito bem disto, porque foi entre a minha primeira e segunda visita aos EUA, então eu conhecia a mesma da primeira visita, e quando voltei para procurá-la, não a encontrei mais.

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O mesmo ocorreu com a Borders, uma rede tipo uma Saraiva americana, que fechou as portas.

Isto sem citar inúmeras outras redes de livrarias, que devem ter destino semelhante se já não o tiveram.

 

O que deve ocorrer é que somente lojas de nicho, extremamente enxutas, devem ser capazes de sobreviver. Ou versões mais on-line do que físicas de fato. Seja como for, a tendência é sobreviver com faturamento muito mais modesto do que nos anos de glória que jamais retornarão.

Os sebos, então, nem se fala. Se as livrarias estão obsoletas, os sebos, que comercializam livros usados, têm um futuro menos promissor ainda. Os que não fecharem as portas devem sobreviver apenas em nichos.

Talvez, num futuro não tão distante, uma prateleira de livros seja apenas para impressionar visitantes, e o comércio de livros seja algo como o comércio de LPs, algo que existe mais como nostalgia do que por necessidade.

 

O espaço do Conjunto Nacional já abrigou uma grande rede de cinemas, o cine Astor (fui lá uma vez, nos anos 80). Os cinemas de rua entraram em declínio, várias virando igrejas evangélicas. As do Conjunto Nacional deram origem ao espaço agora ocupado pela Livraria Cultura. O que será no futuro, não sei, cedo ou tarde os livros darão lugar a algo diferente. Mas, quando isto ocorrer, eu posso dizer que foi bom enquanto durou. Obrigado à livrarias e livreiros, e bola para frente.

 

 

O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.

Mario Quintana

Sozinho, acompanhado, início, meio e fim

Para algumas pessoas que adoram fazer tudo por si sós, sem consultar os outros:

“Sozinho andamos mais rápido, acompanhados chegamos mais longe…”

 

Antes só do que mal acompanhado? Prefiro o inverso:

“Antes mal acompanhado do que só”.

 

Mas, melhor ainda, “Antes bem acompanhado do que só”.

 

Todo mundo gosta do último passo, do momento em que a bola entra dentro do gol. Ninguém gosta da inúmera quantidade de trabalho realizada previamente, antes de gerar o fruto final. Entretanto, toda a preparação é condição necessária (mas não suficiente) para um fim bem-sucedido. Tentar inverter a lógica, e obter o resultado sem fazer o início e o meio, não vai dar certo:

“Quem quer chegar logo ao final, encontra mais rapidamente a saída”.

 

Falando em final, uma dica.

Vi uma apresentação muito bem feita, só que, no final, o palestrante encerrou bruscamente. Sem dar muitos indícios de que a apresentação tinha acabado, passou rapidamente para o próximo palestrante. Resultado: foi tão rápido que a plateia não aplaudiu, simplesmente porque não deu tempo de o fazer.

Dê indícios de que a apresentação está no final. Feche com uma conclusão, uma chamada à ação. Agradeça a presença do público. E receba as merecidas palmas.

 

Obrigado.

 

 

 

 

 

 

 

 

O experimento da fenda dupla

Que tal reproduzir em casa um dos experimentos de física mais famosos de todos os tempos?

Em 1801, o físico Thomas Young provou que a luz se comporta como uma onda, ao fazer o experimento da interferência da fenda dupla – em inglês, double slit interference. As consequências foram tremendas, mudou completamente a ideia dos cientistas sobre a luz.

 

 

Hoje em dia, qualquer um pode reproduzir tal experimento em casa, sem fazer muita força.

É necessário apenas um ponteiro laser e um pedaço de papel cartão.

 

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Ponteira laser, verde, 512 nm

 

Peguei um pedaço de papel grosso, e com um estilete simples, fiz uma fenda única, e a fenda dupla (colocando 1 mm de espaço entre fendas).

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Apontando o laser direto para a parede acontece isto, como qualquer um que já brincou com ponteiras laser sabe:

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Apontando o laser verde através da fenda única deu o seguinte resultado:

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Passando o laser pela fenda dupla, algo semelhante.

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Note em ambos os casos, o padrão de interferência: a luz é mais forte em alguns pontos e nula em outros – parece uma linha tracejada.

A explicação de Young foi que a luz se comporta como uma onda passando pelas fendas, e gerando o padrão de reforçar ou anular as amplitudes. Vide https://en.wikipedia.org/wiki/Double-slit_experiment para mais detalhes.

No caso da fenda única, o argumento é mais ou menos parecido. Mesmo com uma fenda apenas, cada ponto de luz ao longo da largura da fenda forma uma fonte. (https://www.khanacademy.org/science/physics/light-waves/interference-of-light-waves/v/single-slit-interference)

Colocando as duas fotos juntas:SingleDoubleSlit.png

No single slit é um pouco mais difícil perceber o padrão de interferência, com distância entre picos menores, e o brilho do centro é maior.

 

Um detalhe que eu não tinha percebido, quando li sobre como fazer a experiência. Fiz as fendas na horizontal, e o padrão resultante apareceu na vertical! Algo como no diagrama a seguir.

 

Fendas

Pensando bem, faz sentido. Se fiz  a fenda na horizontal, ao longo de toda esta horizontal, a luz pode passar, então é como se não tivesse fenda alguma. É ao longo da vertical que há uma barreira física de verdade. Experimento prático é para isso mesmo, para perceber detalhes que passariam despercebidos olhando só para teoria.

Outra variação. Reproduzi o experimento com uma lanterna, e não deu nada. Isto era esperado. A luz é composta por várias cores e mesmo dentro da mesma cor, há várias fases aleatórias – ou seja, tudo interfere com tudo e não vemos padrão.

Para dar certo, não pode ser uma luz qualquer. A luz emitida tem que ser monocromática (uma cor apenas) e coerente (as ondas na mesma fase). Como o Young gerou esta fonte de luz há 200 anos atrás, eu não sei exatamente, mas certamente ele teve muito trabalho.

Este experimento é uma dos pilares da ótica, e uma variação extremamente interessante deste (colocando detectores para saber por qual fenda a onda vai) deu origem aos questionamentos da física quântica, que até hoje estão sendo discutidos. Vou tentar reproduzir a mesma, algum dia.

 

O impressionante é que, no mundo contemporâneo, é possível fazer um laboratório de física sem sair de casa. O laser, made in China, eu comprei num stand shop de eletrônicos da Av. Paulista por R$ 30,00. Um laser, um papel cartão e um estilete foram tudo o que precisei para reproduzir o experimento. Imagine o que Isaac Newton faria hoje!

 

 


 

Links

https://www.khanacademy.org/science/physics/light-waves/interference-of-light-waves/v/single-slit-interference

http://micro.magnet.fsu.edu/primer/java/interference/doubleslit/

Forecasts – Parte 1

Em geral, não gosto muito de fazer forecasts. Prefiro estar preparado para eventuais cenários futuros, sejam quais forem. Entretanto, não dá para resistir a alguns.

Primeiro, as previsões. Depois, as justificativas.

 


 

Previsões

1. A China sempre foi uma potência mundial, e agora está voltando ao seu estado natural, onde permanecerá por muitas centenas de anos.

 

2. As Fintechs tendem a ferir mortalmente os bancos tradicionais. As Edtechs, idem, devem abalar de forma irreversível o modelo de educação tradicional.

3. As Agrotechs, por outro lado, serão complementares à agricultura tradicional. As Lawtechs também, apenas complementarão o trabalho dos advogados tradicionais.

 


 

Justificativas breves

 

1. Os últimos 200 anos têm sido difíceis para a China. Entretanto, se dermos um zoom out e pegarmos os últimos 5.000 anos, a China sempre foi uma potência mundial.
Ela foi ultrapassada desde a revolução industrial, que projetou a Europa como centro do mundo. O comunismo nos últimos 70 anos também não ajudou nem um pouco. Hoje, porém, as barreiras de conhecimento e de comunicação vêm sendo derrubadas.
A China, pelo seu imenso tamanho geográfico, sua quantidade maciça de pessoas, pela cultura confucionista de estudar muito, trabalhar muito e doar a si para o todo, ao estar nivelando o conhecimento, ganha disparado na força bruta. Mas note que ela só está voltando ao status natural, de uma das potências mundiais.

 

O gráfico abaixo mostra a % do GDP da China ao longo da história. Note que eixo do tempo não é linear, ressaltando os últimos 200 anos. Há 1000 anos atrás, a Europa era apenas um bando de tribos subdesenvolvidas.

The global contribution to world's GDP by major economies from 1 CE to 2003 CE according to Angus Maddison's estimates. Up until the early 18th century, China and India were the two largest economies by GDP output. (** X axis of graph has non-linear scale which underestimates the dominance of India and China)

Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Economic_history_of_the_world

2. Fintechs* são empresas de tecnologia no setor financeiro.

 

Bancos são apenas duas coisas, na essência: informação e confiança. Dinheiro não tem valor intrínseco, é apenas um papel. Hoje em dia, nem papel é mais, é um número no extrato bancário. Porém, este número não pode ser criado do nada, ou sumir de repente, ou ser facilmente roubado – daí a necessidade de confiança.

 

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Os bancos tradicionais são dinossauros. Milhares de agências, milhares de funcionários, controles, burocracia, etc. No futuro, não será mais necessário ir fisicamente à uma agência para pegar papéis, entregar papéis e assinar documentos.

 

Tudo o que é apenas informação tende a desaparecer, como o jornal em papel.
O maior desafio das fintechs é a confiança, tema difícil de resolver: ataque de hackers, funcionários mal intencionados, dirigentes com má fé, etc… ora, mas este tipo de desvio já não ocorre hoje?

 

Com as Edtechs*, a mesma consideração: qual o sentido de dedicar cinco anos inteiros, full time, indo presencialmente à uma universidade? Este modelo tradicional tende a perder muita força.

Por exemplo, este blog é muito mais interessante e questionador do que 99% das aulas que já assisti!

 

3. As Agrotechs estão bem mais seguras. Agricultura não é informação. Não comemos bits, comemos carne, arroz, feijão. Há um limite físico e químico. Há uma quantidade de energia que deve ser gasta para derrubar uma árvore e colher uma plantação.
As agrotechs, utilizando tecnologias como imagem por satélite, conexão de dados no campo, telemetria de equipamentos, vão ajudar muito a aumentar o controle e a produtividade das operações tradicionais.

O IoT (Internet das Coisas), em geral, será extremamente disruptivo – imagine cada metro quadrado do solo monitorado em temperatura, umidade do solo, umidade do ar, pH, nutrientes químicos, etc…

As Lawtechs, por outro lado, vão ajudar bastante o trabalho do setor jurídico. Porém, como Direito não tem lógica (não lógica formal), os advogados nunca vão deixar de existir.

 

 


 

*Glossário: Fintechs, Agrotechs, Edtechs, são abreviaturas de tecnologia das finanças, tecnologia da agricultura, tecnologia da educação. Significam empresas de alta tecnologia que podem crescer exponencialmente nas respectivas áreas.

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Vide também:

O que é dinheiro para mim

Todos os grãos de arroz num tabuleiro de xadrez.

Sobre IoT