As 7 fontes de inovação

O grande Peter Drucker destacou 7 fontes de inovação.

Alguns exemplos práticos:

O inesperado. Para mim, era apenas mais um post, porém teve um que gerou muitos bons feedbacks. Analisando, o assunto tinha o foco bem específico para um nicho. Aprendi o poder do foco.

A incongruência. Numa fábrica, notei que o operador enviava metade da informação pelo sistema, e outra metade ele imprimia em papel e entregava em mãos. Ora, pedi para a equipe inserir um campo a mais no sistema, e a papelada nunca mais circulou.

Novo conhecimento. Há uns dois anos, a nossa TI propôs um programa de visualização de dados (como Tableau, Qlik, no caso Spotfire). Ajudei a abraçar e divulgar a ideia. O novo software pegou muito forte e virou padrão.

Portanto, fique atento ao inesperado, incongruências e outras fontes de inovação.

Só o gagá salva!

Testei o LinkedIn Learning e algumas outras plataformas de EAD nas últimas semanas, e a ideia aqui é fazer uma breve comparação.

O IN Learning adquiriu a plataforma chamada Lynda.com, e é nele que os cursos se baseiam.

São vídeos, muito bem produzidos, com foco em áreas: business, creative and technology.

Cada mini-curso desses tem quizzes, não muito difíceis, e emitem um certificado de conclusão ao final – certificados esses que podem ser colocados no perfil do LinkedIn.

Há algumas modalidades de assinatura premium do LinkedIn, que fornecem acesso aos cursos desta plataforma – o mais barato era de R$ 40,00 mensais. Há uma opção de trial por um mês, podendo ser cancelado a qualquer momento.

Dos cursos que fiz, não achei os temas profundos e também não há uma prova ou trabalho de conclusão ao final. Os cursos são, em geral, uma introdução.

Em comparação, a Udemy também tem cursos com vídeos apenas (vide review).

A Coursera apresenta vídeos, quizzes e testes, em cursos um pouco mais longos (vide review).

A Udacity, na modalidade nanodegree, tem cursos bem pesados e profundos, com projetos bastante demandantes (vide relatório). Outras, como a própria Coursera e EDX também têm programas mais profundos.

Em geral, os cursos mais simples são mais baratos (algumas dezenas de reais e poucos dias). Os cursos com testes são um pouco mais caros, centenas de reais e algumas semanas. Os nanodegrees, milhares de reais e alguns meses – investimento proporcional ao tempo e profundidade abordadas.

Para falar a verdade, os cursos on-line são um apoio, mas o melhor meio de aprender é pela forma tradicional: meter a cara nos livros (hoje em dia, muito fáceis de conseguir), ficar sábados, domingos e madrugadas numa mesa, estudando para valer.

E não é o certificado que conta, mas a capacidade de fazer alguma coisa útil no mundo real com a capacidade adquirida.

Não é o professor que tem que ensinar, não é a beleza do vídeo produzido que vai fazer alguma diferença. É o aluno que tem que aprender, seja vendo vídeo no Youtube, conversando com outros feras do assunto ou devorando livros. É a capacidade da pessoa aprender que conta, no final do dia.

No célebre Instituto Tecnológico de Aeronáutica, há um termo que expressa de forma única este sentimento: Só o gagá salva!

Review – curso online da Coursera

Fiz um curso na plataforma Coursera (https://www.coursera.org/), sobre Quantum Computing. Foi um curso pago, 100 e poucos reais, a fim de ter o compromisso de terminar o mesmo. É possível fazer o mesmo curso de graça, só não tem o certificado no final.

O instrutor era um professor da universidade de S. Petersburgo.

O curso era dividido em 5 semanas, com quizzes rápidos entre os vídeos e um teste ao final de cada semana.

Em termos da estrutura da Coursera, achei muito bom. O certificado é dado somente a quem assistir os vídeos e passar nos testes. É um pouco mais caro, porém bem mais exigente do que o curso da Udemy (que era apenas ver os vídeos).

Não gostei da parte didática. O instrutor não era muito claro, e resolvi muitas das tarefas mencionadas não com as instruções dadas pelo curso, mas através de outras fontes. Parece (e é) um professor normal, daqueles de sala de aula, só que ao invés de escrever na lousa, escrevia num tablet.

Há um fórum de discussão, mas aparentemente este curso tem poucos interessados, então somente o instrutor respondia depois de alguns dias (e, de novo, não era uma resposta muito didática).

Conclusão:

Gostei do esquema de vídeos e testes da Coursera, mas não deste curso em específico.

Outro item interessante é que dá para linkar o certificado de conclusão no LinkedIn. Se alguém quiser me adicionar no mesmo: https://www.linkedin.com/in/arnaldogunzi

Sempre achei isso uma bobagem, porque o que vale é o que a pessoa sabe e não o que está descrito no currículo. Porém, vi que várias pessoas se motivam a fazer cursos vendo que um conhecido o fez, e isto cria um feedback positivo.

Nota: O nanodegree da Udacity é muito mais completo, pesado em termos de carga horário e projetos a fazer, além de muito mais caro. Porém, não dá para comparar com um curso isolado, o programa da Udacity é, como o nome diz, um nanodegree. O próprio Coursera tem programas neste estilo (chama de bachelor degree), e o EDX também.

Um futuro distópico

A seguir, quatro indicações de livros distópicos que marcaram a literatura do gênero.

Se uma “utopia” é como sonhar com um futuro bom e justo, uma “distopia” é o oposto: um pesadelo, um futuro sombrio e ruim…

4) Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, 1931.

É sobre um mundo perfeito, sem sofrimento. Os seus seres perfeitos física e moralmente têm apenas prazeres. Um exemplo é sexo à vontade sem a preocupação com reprodução – este “detalhe” fica à cargo de ventres artificiais feitos para isso, e um outro exemplo é uma pílula da felicidade chama “soma”. Entretanto, à margem da sociedade perfeita ficam os seres excluídos, no mundo real. A trama se baseia num homem que é tirado do mundo real e colocado no mundo “perfeito”.

É algo como a Matrix do filme, que também é sobre um futuro distópico perfeito em detrimento do mundo real.

3) Laranja mecânica, 1962, Anthony Burgess.

O protagonista é um jovem chamado Alex, líder de uma gangue de arruaceiros numa Inglaterra futurista. Esta gangue pratica a ultraviolência, com cenas pesadíssimas de brigas, espancamentos, assaltos, leite com drogas, violência sexual e tudo mais de ruim que alguém pode fazer.

Quando Alex é preso, ele passa por um tratamento psiquiátrico, tipo uma lavagem cerebral, que elimina dele todo o instinto de violência. Mas, quando ele retorna à sociedade, ele está indefeso e é a vez dele de ser espancado e torturado pelos rivais, ex-colegas e antigas vítimas.

A gangue utiliza uma gíria inventada pelo autor, que era fascinado por linguagens e como gangues a utilizavam.

O nome é porque uma laranja não natural, mas mecânica, é algo muito esquisito. É como o Alex natural por fora, mas completamente diferente por dentro. O que é correto, manter a natureza agressiva do rapaz ou transformá-lo num zumbi sem vontade?

O livro foi base do filme de mesmo nome, de 1971, por Stanley Kubrick – um dos clássicos do cinema moderno.

A seguir, dois livros do grande autor inglês George Orwell.

2) A revolução dos bichos, 1945, por George Orwell.

É sobre uma revolução dos animais numa fazenda. Um dos porcos, o velho Major, tem uma revelação de um mundo melhor, liderado pelos animais ao invés do ser humano. Logo depois, Major morre, mas dois dos outros porcos, Napoleão e Bola de Neve, lideram a bem sucedida revolução, expulsando os seres humanos.

No começo é bom, mas com o tempo, Napoleão expulsa e difama Bola de Neve, os animais continuam a trabalhar como sempre fizeram antes, e nada tinha mudado para eles, exceto para os porcos que eram cada vez mais parecidos com os humanos. Os animais também estavam em constante alerta contra a ameaça dos seres humanos, o que justificava que os mais capazes, os porcos, concentrassem o poder.

Há uma série de frases icônicas, como:

  • Quatro patas bom, duas patas ruim
  • Todos os animais são iguais

Quando os porcos começam a assumir cada vez mais as feições dos seres humanos, estas viram:

  • Quatro patas bom, duas patas melhor ainda
  • Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros

No fim do livro, os porcos moram na casa grande, se vestem como humanos e fazem negócios com humanos.

1) 1984, de George Orwell, publicado em 1949.

O Big Brother é o líder máximo de uma sociedade totalitária. Ele a tudo vê (não por acaso, há um programa de TV horrível inspirado por este termo). É uma sociedade dominada pela propaganda, a polícia do pensamento e doutrinação.

O livro tem vários termos como duplipensar (aceitar duas ideias opostas do jeito que lhe convém) e novilíngua (tipo uma linguagem politicamente correta). O próprio Orwell virou um adjetivo, um orwelliano, algo que denota uma distopia sombria.


Conclusões:

Embora tais livros sejam do século passado, os temas continuam cada vez mais atuais.

Um fato curioso é que pessoas com espectro políticos diferentes olham para os livros 1984 e Animal Farm e veem claramente uma ditadura comunista, ou uma ditadura fascista. Olham para a patrulha de pensamento e criticam o outro lado, e acusam um ao outro de duplipensar. Cada lado defende os seus argumentos com unhas e dentes.

Bom, cada um interprete à sua maneira.

Links:

https://en.wikipedia.org/wiki/Brave_New_World
https://en.wikipedia.org/wiki/Modern_Library_100_Best_Novels
https://en.wikipedia.org/wiki/Animal_Farm
https://pt.wikipedia.org/wiki/Nineteen_Eighty-Four

Voando com o cérebro

O cérebro é um mecanismo assombroso.

Com ele, podemos sonhar com mundos além do espaço e voar para lugares além do tempo.

Pesa 1 quilo e meio, 77% disto é água, e contém cerca de 100 bilhões (!!) de neurônios.

Porém, é extremamente caro, em termos de energia: precisa de quase 1 litro de sangue (de 5l que temos), e consome cerca de 20% da energia do corpo humano (embora tenha apenas 2% da massa total).

Este consumo é como se fosse um “custo fixo”: usando pouco ou muito, a energia gasta é praticamente a mesma.

Se fosse um “custo variável”, o grande cientista Albert Einstein teria de comer como Michael Phelps, nadador olímpico que comia 10 ovos e 5 sanduíches só no café da manhã.

No entanto, o cérebro do Einstein usava tanta energia quanto o de qualquer outra pessoa comum.

Talvez o motivo seja o de que imaginar-se voando ao lado de um raio de luz seja tão difícil quanto imaginar um mundo fantástico, cheio de seres de outra época, tapetes voadores e construções magníficas, coisas que todos nós conseguimos fazer.

Ilustração: Sandman n. 50

Usando mal ou usando bem, a energia gasta é a mesma.

Moral da história: faça bom uso desta poderosa ferramenta que temos em nossas cabeças.

Links:

https://hypescience.com/veja-o-tamanho-e-peso-do-cerebro-humano-em-comparacao-com-outros-animais/
http://inescozzo.com/quanto-sangue-tem-no-cerebro/
http://axpfep1.if.usp.br/~otaviano/energianocorpohumano.html

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia:

https://ideiasesquecidas.com/

Thomas Carlyle e a Teoria do Grande Homem

“A história pode ser amplamente explicada pela biografia dos grandes homens”.

Esta é a “Teoria do grande homem”, do historiador e escritor escocês Thomas Carlyle, 1795-1881.

Grandes líderes são inatos. Liderança não é uma habilidade adquirida. Grandes líderes são abençoados com inspiração divina e as características corretas, e estes fazem a diferença nos rumos da humanidade.

Ele identifica seis tipos de heróis:

  • Divindade, como Odin
  • Profeta, como Jesus
  • Poeta (como Shakespeare)
  • Sacerdote (como Luther King)
  • Homem de letras (como Rousseau)
  • e Rei (como Napoleão)

A liderança é inata, ou a pessoa é apenas um fruto do seu tempo? O líder faz mesmo a diferença, ou o time teria chegado ao mesmo resultado sem a sua ajuda? Como sempre em filosofia, há uma ideia diametralmente oposta e defendida de forma igualmente sólida por outros gigantes do pensamento, como Herbert Spencer.

Dois exemplos de líderes me vêm à cabeça. São bem posteriores à época de Carlyle, porém ilustram muito bem a teoria.

Adolf Hitler assumiu o comando de uma nação destruída pela Primeira Guerra, devastada pela hiperinflação e desemprego, e ditou os seus rumos em direção à um conflito intercontinental…

Haveria uma Segunda Guerra Mundial sem Hitler? Algum outro líder seria capaz de mobilizar a Alemanha para uma guerra?

Hitler planejava uma guerra rápida, anexar alguns estados vizinhos, consolidar sua posição e se fortalecer antes de continuar a sua estratégia de dominação. Após um início avassalador, em 1940, a Europa inteira tinha caído (como França, Polônia), a Itália era aliada do Eixo, a URSS tinha feito um tratado de não-agressão, os EUA não tinham entrado na guerra. Hitler tinha triunfado.

Somente uma nação se opunha à Alemanha na época, e esta era a Inglaterra. E, na Inglaterra, um homem foi ferrenho opositor à Hitler: Winston Churchill.

Havia duas opções: fazer um tratado de paz com a máquina de guerra alemã (posição defendida por Lord Halifax) ou continuar a oposição para deter de uma vez por todas o império do Eixo (posição defendida por Churchill). Ambos, Halifax e Churchill, concorriam ao cargo de primeiro ministro do Reino Unido.

Churchill venceu Halifax, a Inglaterra resistiu ao avanço nazista, os EUA entraram na guerra no ano seguinte, e o tratado de não-agressão com a URSS foi quebrado.

Sem Churchill, Hitler teria tido um enorme triunfo, e certamente o mundo seria muito diferente do que é hoje. Talvez, ao invés da União Europeia, tivéssemos até hoje o Terceiro Reich.

Ou não? Será que teriam surgido outras pessoas equivalentes a Hitler e Churchill?

Nunca saberemos…


Fontes e links:

https://en.wikipedia.org/wiki/May_1940_war_cabinet_crisis

A obra de Carlyle é o livro “On heroes, hero-worship and the heroic in history”, de 1841.

https://en.wikipedia.org/wiki/Thomas_Carlyle

https://en.wikipedia.org/wiki/Great_man_theory

https://www.verywellmind.com/the-great-man-theory-of-leadership-2795311

http://history.furman.edu/benson/fywbio/carlyle_great_man.htm

Index filosófico: https://ideiasesquecidas.com/index-filosofico





John Searle e o quarto chinês

John Searle, Estados Unidos, 1932 – presente. Filosofia da consciência.

Principal ideia: Experimento do quarto chinês, no artigo “Minds, Brains, and Programs”, de 1980

Você está numa sala. Recebe, pela fresta da porta, um papelzinho com rabiscos em chinês. Sua tarefa é olhar cada letra do rabisco, procurar o mesmo numa série de livros, olhar o símbolo correspondente e escrever em outro pedaço de papel. A seguir, você retorna o mesmo pela fresta. Ou seja, você não entendeu nem um milésimo do que estava escrito na mensagem, porém foi capaz de utilizar a entrada de dados para produzir uma saída coerente.

Este é o experimento do quarto chinês, imaginado por John Searle. Esta discussão está inserida no contexto da consciência dos computadores. Um computador é algo que faz um processamento análogo à pessoa dentro do quarto chinês: pega dados de entrada, procura o procedimento a ser feito e o executa.

Isto leva Searle a crer que, mesmo que os computadores passem pelo teste de Turing*, eles não podem ser considerados como seres inteligentes e nem sabem pensar. Eles apenas manipulam informações segundo scripts, são como macacos condicionados a fazer uma tarefa, sem entender ou questionar a razão da mesma.

Alguns questionamentos:

– A pessoa dentro do quarto é apenas uma parte do sistema. Se considerar que alguém teve que escrever o manual com os procedimentos, e o sistema como um todo é um ser inteligente (ou não?)

– Será que nós, seres humanos, somos tão diferentes assim? Temos um número enorme de neurônios, encadeados numa rede bastante intricada. Esta recebe informações, processa e devolve. O que exatamente nos faz diferente da situação descrita?

– Um computador pega uma quantidade maciça de informação, as processa num volume infinitamente maior e com precisão que jamais conseguiríamos alcançar e devolve a resposta sem erros. Faz diferença se o computador é consciente ou não, tem inteligência ou não?

Como tudo em filosofia, não há resposta definitiva para este tipo de tema. Este sítio convida o leitor a refletir sobre o tema e postar suas respostas nos comentários.

*Nota: o teste de Turing é um dos primeiros critérios para definir inteligência artificial. Coloque uma pessoa conversando via texto com dois oponentes, um humano e uma máquina. A tarefa dela é distinguir quem é humano e quem não é. Se o algoritmo passar pelo teste de Turing, pode-se considerá-la uma inteligência artificial.


Fontes e links:

Uma breve história da filosofia – Nigel Warburton

https://en.wikipedia.org/wiki/Chinese_room

Index filosófico: https://ideiasesquecidas.com/index-filosofico