O Super-Homem é uma mala sem alça

Ele é o mais forte do mundo, voa à velocidade da luz, tem visão de raios-X, é bonitão, namorada perfeita, nenhuma falha de caráter. Não há um único traço que o desabone. Ou seja, é insosso, boring, almofadinha, chato para dedéu.

Mais interessante é o Wolverine. Tosco, baixinho, tem um lado sombrio e tomou vários foras da Jean Grey.

Todos queremos nos vender como super homens – capazes de entregar os trabalhos mais difíceis, através de esforço sobre-humano, sem contrapartidas. Entretanto, não há nada mais humano do que assumir os seus pontos fracos – isto, pelo contrário, destaca as poucas qualidades que realmente temos em relação à média.

Aristóteles já dizia, em sua Poética, que o herói deve ter uma falha, cometer um erro e sobrepujar as dificuldades, para a história ser memorável.

O próprio Super-Homem é assim. Para a história ficar interessante, os roteiristas inventaram um ponto fraco, a Kriptonita.

Na verdade, é o contrário. A Kriptonita não é o ponto fraco do Super-Homem, e sim, o que o torna humano.

Porque super homens não existem.

Música tema – Superman – por John Williams.

Veja também:

A entrevista do jovem Fênix

Bônus: Sun Tzu, A Arte da Guerra. “Se o inimigo se defender à direita, ele estará vulnerável à esquerda, se ele se defender à esquerda, estará vulnerável à direita. Se ele se defender em todos os pontos, estará vulnerável em todos os pontos”.

Negocie como se sua vida dependesse disso

Segue uma recomendação, do livro mais útil que li nos últimos anos.

O que você faria se tivesse que negociar, em um minuto, a vida de reféns com terroristas islâmicos?

Apesar do título dramático, o livro é muito bom. O autor, Chris Voss, é um negociador de reféns do FBI. Ele narra detalhes de impasses com terroristas, como se fosse uma partida de xadrez, lances dignos de filme.

As mesmas técnicas também são efetivas no mundo dos negócios.

Algumas dicas:

  • A empatia é um elemento importante – e empatia não é ceder, é entender a perspectiva do outro lado. Para tal, ouvir. Ouvir com atenção, sem viés confirmatório, ou seja, sem encaixar o discurso do outro lado com a sua própria interpretação (não é nada fácil).

  • Comece com um “NÃO”. A técnica mais comum é fazer o outro lado dizer sucessivos “sim” para perguntas simples, para então chegar na pergunta que realmente importa. Porém, é muito provável que seja um “sim” falso, só para se livrar da pergunta (vide o odioso telemarketing, por exemplo). Voss defende que o “não” é mais sincero, faz com que o outro lado se sinta melhor.

  • Não forçar a solução, e sim perguntar. Fazer perguntas abertas. Tente espelhar a outra pessoa, para criar laços. Isto, e começar com “não”, faz eles sentirem que estão no controle.

  • Não é um jogo olho por olho. Deve-se ter coragem para fazer perguntas sem a pretensão de dar ou receber nada em troca.

  • 7% da comunicação é baseada nas palavras, 38% no tom de voz, e 55%, na linguagem corporal – por isso, estar presente na negociação faz muita diferença.
  • Por fim, a carta na manga. O momento “Cisne Negro”. Coloque um ponto bastante positivo ou negativo para o outro lado, a fim de alavancar a negociação.

Chris contrasta as técnicas aprendidas, através de sucessos e erros, com estratégias acadêmicas de Harvard – eu sou mais ele, que efetivamente tinha a pele no jogo em negociações tensas.

Recomendo ler e reler o livro, para aprender as poderosas técnicas ensinadas:
https://amzn.to/2DoHfUm

Aperitivo: TED Talks
https://www.ted.com/talks/chris_voss_never_split_the_difference

Veja também:
https://ideiasesquecidas.com/2018/03/23/as-36-estrategias-secretas-chinesas/

https://ideiasesquecidas.com/2018/01/21/%e2%80%8brecomendacoes-de-livros-para-recem-formados/

https://ideiasesquecidas.com/2017/08/09/a-teoria-dos-cisnes-negros/

Artigo – Estradas Florestais

Eu e colegas publicamos sobre Estradas Florestais na melhor revista do setor, a B. Forest.

No passado, os técnicos levavam um mapa impresso e faziam anotações com canetas coloridas, para indicar os serviços a serem feitos.

Nós últimos 5 anos, fizemos um trabalho forte para digitalizar o processo. Hoje em dia, eles levam um tablet com inúmeras informações (levantamento digital do terreno, tipo de solo, estradas existentes, talhões) e fazem os traçados diretamente no tablet.

Para coroar o trabalho, desenvolvemos (em parceria com a empresa Optimus) um software para otimizar o traçado de estradas, considerando o balanço de custos de colheita, custos de estradas, restrições operacionais e até o impacto ambiental dos serviços a serem realizados.

Vale destacar também a mudança cultural e o desenvolvimento das pessoas envolvidas no processo.

O trabalho já se pagou com menos de ano de uso efetivo: aumentamos área produtiva com a diminuição de estradas desnecessárias, sem impacto em nível de serviço.

Confira o case na revista: https://revistabforest.com.br/2020/07/b-forest-a-revista-eletronica-do-setor-florestal-edicao-68-ano-06-n-06-2020/

O software que muda o hardware

O neurocientista Daniel Amen mostra conclusões de mais de 83 mil imagens do cérebro, neste impressionante TED talks.

Algumas comparações, sendo a imagem da direita um cérebro saudável:

Olhe o que as drogas fazem ao cérebro:

O que você faz da sua vida, os seus hábitos, o que você pensa, o que você consome, vão literalmente esculpindo quem você é.

O cérebro não é como um computador eletrônico, em que o hardware vem pronto e não muda mais. O cérebro se modifica com o uso.

O mundo funciona em ciclos. Ciclos virtuosos, com boas iniciativas levando a bons resultados e mais boas ações, e ciclos viciosos, com iniciativas ruins levando a resultados ruins e mais ações ruins.

É extremamente difícil sair de ciclos viciosos, uma vez imerso nele. É como se fosse uma armadilha.

Ciclos de feedback são como juros compostos. Um pouco por dia, tão pouco que a gente nem nota, com efeito composto = resultados exponenciais a longo prazo. E o longo prazo chega um dia.

Quando jogamos com os juros compostos a nosso favor, estamos com ampla vantagem. Esforço, dedicação, disciplina, contato com outras pessoas com integridade moral, disciplina e paciência. Não há atalhos e não é fácil.

Porque o software pode mudar o hardware.

Ted Talks – Daniel Amen

https://ideiasesquecidas.com/2019/03/21/e-melhor-ser-um-burro-esforcado-ou-um-genio-preguicoso/

https://ideiasesquecidas.com/2020/02/29/como-ficar-rico-sem-ter-sorte/

Empreendedorismo e currículo acadêmico

Participei de um workshop on-line sobre inovação, e a pergunta mais interessante que recebi foi:

“Sou estudante de engenharia e percebo um déficit nas universidades em conteúdos voltados para o empreendedorismo e tecnologias. Gostaria de pedir dicas para ir além dos pré-requisitos.”

Sim, há um déficit enorme no currículo acadêmico. Professores que estão rapidamente ficando obsoletos. Currículo distante da realidade. Mas acredito que o básico é ensinado.

Algumas dicas: 

– Faça o melhor trabalho possível na faculdade, sem dúvida é o arroz-com-feijão

– Abra um perfil no LinkedIn e contate profissionais interessantes, ou siga-os, há muito conteúdo bom. Tenha curiosidade, vá atrás, peça conexões na cara de pau.

– Há muitos cursos on-line excelentes hoje. Coursera, Udacity, EDX, além de workshops e lives. Depende da área que você quer seguir.

– Gosto de uma frase do Naval Ravikant. Empreendedorismo não é uma habilidade ensinável. Não é um plano de negócios que vai tornar alguém empreendedor. É coragem, é prática, é muita tentativa e erro.

Não há um caminho pronto, um roteiro a ser seguido. Se existisse, estaria obsoleto amanhã.

Como diz Nietzsche, você é o único responsável por criar o seu próprio caminho. E o mundo recompensa quem corre atrás, busca, desbrava novos caminhos.

Gostaria que profissionais desta desta rede também comentassem sobre o tema.

Empreendedorismo e currículo acadêmico

Participei de um workshop on-line sobre inovação, e a pergunta mais interessante que recebi foi:

“Sou estudante de engenharia e percebo um déficit nas universidades em conteúdos voltados para o empreendedorismo e tecnologias. Gostaria de pedir dicas para ir além dos pré-requisitos.”

Sim, há um déficit enorme no currículo acadêmico. Professores que estão rapidamente ficando obsoletos. Currículo distante da realidade. Mas acredito que o básico é ensinado.

Algumas dicas: 

– Faça o melhor trabalho possível na faculdade, sem dúvida é o arroz-com-feijão

– Abra um perfil no LinkedIn e contate profissionais interessantes, ou siga-os, há muito conteúdo bom. Tenha curiosidade, vá atrás, peça conexões na cara de pau.

– Há muitos cursos on-line excelentes hoje. Coursera, Udacity, EDX, além de workshops e lives. Depende da área que você quer seguir.

– Gosto de uma frase do Naval Ravikant. Empreendedorismo não é uma habilidade ensinável. Não é um plano de negócios que vai tornar alguém empreendedor. É coragem, é muita tentativa e erro.

Não há um caminho pronto, um roteiro a ser seguido. Se existisse, estaria obsoleto amanhã.

Como diz Nietzsche, você é o único responsável por criar o seu próprio caminho. E o mundo recompensa quem corre atrás, busca, desbrava novos caminhos.

Gostaria que profissionais desta desta rede também comentassem sobre o tema.

𝐎𝐮𝐯𝐢𝐫 𝐦ú𝐬𝐢𝐜𝐚 𝐜𝐨𝐦 𝐚𝐬 𝐩𝐞𝐫𝐧𝐚𝐬

Que tal ouvir música assim: sons graves nas pernas, guitarra na barriga?

Essa é a proposta de Mick Ebeling, fundador da Not Impossible.

A ideia é ajudar pessoas surdas a curtir um show de rock, com wearables projetados para transformar sons em vibrações.

𝐎 𝐄𝐲𝐞𝐖𝐫𝐢𝐭𝐞𝐫

Ao ouvir a história de um artista com o corpo totalmente paralisado, ele juntou uma equipe para projetar um dispositivo inspirado no que Stephen Hawking usava.

Eles adaptaram um óculos e câmera para detectar o movimento dos olhos. Dessa forma, pela primeira vez, o artista conseguiu voltar a desenhar, usando apenas os olhos!

𝐎 𝐏𝐫𝐨𝐣𝐞𝐭𝐨 𝐃𝐚𝐧𝐢𝐞𝐥

Daniel perdeu ambos os braços aos 14 anos, vítima de um bomba, no Sudão.

Ebeling juntou uma equipe de técnicos e médicos para projetar uma prótese biônica, numa impressora 3D, a uma fração do custo de uma prótese normal.

Patrocinadores cederam equipamentos e treinamento à comunidade local, para que o trabalho continuasse.

A mensagem é que ele fez isso para ajudar uma única pessoa: Daniel, o artista.

Não é preciso mudar o mundo. Podemos começar ajudando uma única pessoa.

O impossível não é impossível.

Mick Ebeling fez esta apresentação extremamente inspiradora na Expert XP 2020:

O Quadrado Mágico “esburacado”

Vi o puzzle a seguir, e parecia interessante. Por falta de um nome melhor, chamá-lo-ei de “quadrado mágico esburacado”.

Se o leitor quiser tentar resolver, aviso que há spoilers à frente.

Como eu já tinha feito uma rotina que resolve quadrados mágicos de qualquer tamanho, achei que poderia aproveitar algum padrão já existente.

Vide https://asgunzi.github.io/QuadradoMagicoD3/index.html

Entretanto, não foi possível partir para uma solução que utilizasse quadrados mágicos comuns. E também não consegui chegar numa fórmula matemática fechada, que chegue a uma solução.

O jeito foi apelar para os computadores. Mesmo assim, não é tarefa fácil.

O jeito “força bruta” pura chega a 20! (fatorial) combinações. Isso dá o número astronômico de 2,4*10^18 combinações. Computador algum no mundo consegue resolver.

O que fiz foi usar a estrutura do problema para diminuir drasticamente o número de combinações. Uma “força bruta” refinada…

Imagine fatiar o problema. Resolver somente a primeira linha.

Se olhar só para a primeira linha, há 20 números possíveis, e a combinação de 4 delas tem que somar 42.

O Python tem algumas rotinas de combinações e permutações que vêm bem a calhar. Elas geram todas as combinações possíveis.

   #Passo 0:
   comb = itertools.combinations(setNumbers,4)
   
   for c in comb:
       if sum(c)==42:
          #Faz alguma coisa

Esse código vai descartar uma combinação errada (digamos, [1,2,3,4]) e vai ficar com uma combinação correta (ex. [1, 2, 20,19]).

Dada essa combinação correta, ainda assim há todas as permutações possíveis dela (ex. [1,20, 19, 2], [20,19,2,1] ) a checar.

permut1 = list(itertools.permutations(c)) #Código para gerar permutações

Isso dá comb(20,4)*permut(4) = 116 mil

Para cada combinação possível da primeira linha, agora vamos tentar encaixar a primeira coluna:

São três espaços vazios, para encaixar 16 números (ou seja, 20 iniciais – 4 da primeira linha). A soma da coluna tem que dar 42.

O resto do procedimento é igual. Dá comb(16,3)*permut(3) = 3360.

Uma nota importante. Das 116 mil, somente uma fração preenche o critério da soma ser 42. Portanto, esses 3360 testes não são aplicados aos 116 mil, somente ao que passou. Ainda assim, dá um número enorme, mas dessa forma, vamos restringindo o problema.

A seguir, tento preencher a diagonal. Isso porque ela tem só duas casas vazias. É um espaço menor de busca de combinações, mais fácil. Vamos restringindo o problema aos poucos.

A seguir, a segunda coluna.

E assim, sucessivamente.

Com isso, a rotina chegou à diversas soluções:

6910017
0202137
1850163
1481910
40111215

Ou:

1219020
0181239
11160105
1764150
1307148

Ou:

2417019
020589
10150161
1831470
12061113

Na verdade, a rotina mostrou mais de 30 mil soluções (tinha várias permutações simples das soluções mostradas, e até repetidas).

Mesmo não tendo a elegância de ter solução única, é um desafio computacional interessante.

Download do código (em Python): https://github.com/asgunzi/QuadradoMagicoEsburacado

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/laboratorio-de-matematica/

Nassim Taleb na Expert XP 2020

Highlights:

A convexidade é mais importante do que o conhecimento. Convexidade: quando estou certo, tenho lucro maior do que o prejuízo quando estou errado. 

A ciência guia a tecnologia? Não. É o oposto, a tecnologia guia a ciência.

O melhor indicador de uma futura falência é ter receita estável.

Se você quer diminuir a fome do mundo, não vá para uma ONG, com salários fixos, funde uma empresa. 

Sobre honrarias

Honrarias são um jogo de soma zero. Para todo mundo que recebe um prêmio, alguém não recebe.

Em contraste, quando se trata de dinheiro, business, é um jogo de soma positiva. Gera valor para o todo.

Pandemia é um Cisne Negro?

Resposta de Taleb: não.

O que é esperado não é um Cisne Negro.

Nós sabíamos há anos do poder de pandemias. A história é repleta de casos de pandemias e quarentenas. Há relatos, livros e até filmes sobre o tema.

Ser Cisne Negro ou não depende do observador. Para o peru, o dia do Natal é um evento imprevisível. Para o açougueiro, não.

O ambiente hoje é muito mais suscetível a uma pandemia. É fácil pessoas de todo lugar virem em São Paulo, num evento de 30 mil pessoas, e depois numa churrascaria. Na semana seguinte, uma pandemia pode estar no mundo todo.

Uma distribuição Fat Tail é aquela em que uma única observação domina todas as outras. Algo fat tail tem probabilidades completamente imprevisíveis localmente.

Temos mecanismos para lidar com pandemias.

Máscaras faciais têm propriedades convexas. Se reduzir uma probabilidade ao meio, globalmente reduz 99%. Máscaras têm efeitos compostos.

Quanto maior a escala burocrática, maior a incompetência. A OMS é a mais incompetente de todas.

A convexidade é mais importante do que o conhecimento

Convexidade: quando estou certo, tenho lucro maior do que o prejuízo quando estou errado. 

É o mesmo com opções. Existem assimetrias.

A ciência guia a tecnologia? Não

É o oposto, a tecnologia guia a ciência.

Um exemplo. Cozinhar. Como fazer a melhor feijoada do mundo?

Digamos que haja duas alternativas: contratar os 50 melhores químicos do mundo para criar uma fórmula com a composição química ideal, ou pegar aleatoriamente, 50 gordinhos para criarem pratos.

Se está bom, mantém, se estiver ruim, joga fora.

A inteligência da tentativa e erro é 10x melhor.

A indústria farmacêutica não veio dos químicos, veio de inúmeros testes, onde alguns deram resultado.

Muita coisa que parece que veio de pesquisa, veio de convexidade e tentativa e erro. 99% dos remédios são de descobertas aleatórias.

Posso ser péssimo em forecast, mas se estiver num ambiente convexo, dá para ganhar mesmo estando errado.

Se estiver num ambiente côncavo, o forecast tem que ser na mosca para ganhar. Exceto no caso de bancos ou setores com auxílio estatal.

Bons negócios são convexos. Você deve procurar oportunidades convexas. Opções, estratégia barbell (balancear a maior parte do patrimônio em ativos seguros, e o restante em ativos que podem dar retornos extraordinários).

Em 10 mil companhias listadas em bolsa, entre 100 e 200 representam metade da capitalização. As coisas estão muito concentradas.

Outro exemplo é o de livros. De um milhão de romances, tem entre 5 e 25 mil que fazem metade dos lucros.

Nunca tinha entendido por que editoras compram outras. A razão é que a editora tem que ter 20% de tudo o que é publicado, senão não vai ter renda estável. Eles têm que ser superdiversificados. É a regra 1/n, também vale para ações.

Dois irmãos gêmeos, um taxista e outro num trabalho convencional estável num banco. Qual tem mais risco?

Um irmão, com renda muito estável, trabalha num banco.

Outro, um taxista, cuja renda oscila enormemente. Na média, digamos que os valores sejam iguais.

Ambos com 55 anos. É uma história real.

Se perguntar para qualquer um, um economista, ele dirá que o taxista é mais volátil, então o de maior risco.

Mas digamos que ambos sejam demitidos. Qual dos dois tem mais condições de fazer alguma coisa nova?

O primeiro trabalhou para o mesmo empregador por 35 anos, e isso matou a sua capacidade de adaptação.

O taxista passou a vida toda se adaptando constantemente, via estressores. A cada dia ruim, ele teve que pensar em formas de fazer diferente. Se fosse nos dias de hoje, talvez ele se especializasse em delivery e fizesse o dobro do dinheiro.

Quem se adapta constantemente a estresses resiste a longo prazo. O mesmo vale para companhias.

Em biologia, os organismos respondem a estressores.

Digamos que eu tome sol e o organismo tenha uma super-reação, deixando o rosto vermelho. A queimadura do sol gera proteção.

O melhor indicador de uma futura falência é ter receita estável.

Exemplo, uma empresa que tem contrato com governo, e quando muda o governo acaba a fonte.

Coloque alguém num ambiente super protegido, por um ano. Ele não vai ficar doente.

Depois, coloque a pessoa no metrô de Nova Iorque pré-Covid, quanto tempo ele aguenta?

Um ruído de fundo me faz ouvir melhor. A volatidade moderada é boa. Pular 1m da janela, OK, se pular 10m eu morro.

Dicas para o trader. Não se preocupe com volatilidade de preços, em sim em sobreviver. Se preocupe em não quebrar, o resto está OK.

Sobre empreendedorismo

Temos que tratar empreendedores como soldados, como a pessoa deu a vida por uma causa. Somos antifrágeis como sociedade à custa da fragilidade deles.

O empreendedorismo não pode ser ensinado. É da pessoa.

Uma pessoa como eu (Taleb) não tem como ter um chefe. Posso ter parceiros, mas não um chefe.

Os governos têm que deixar os empreendedores fazerem o seu trabalho, não atrapalhar.

Qual o país com a maior taxa de falências? Os EUA, e dentro dos EUA, o Vale do Silício. Quanto mais tentativas e fracassos, maior a prosperidade do país.

A falência não é ruim.

Na Índia, os avós não querem que os netos vão para boas escolas. Eles preferem que fundem uma empresa. Abrir uma empresa ajuda os outros.

Tem que ter apetite a riscos. E a pele no jogo. Errar e fracassar cedo.

A estrutura social nos EUA ajuda. É socialmente aceitável fracassar. Em alguns países asiáticos, o fracasso é um estigma.

Alguém já fracassou para produzir tudo que você usa hoje, seja um simples copo.

Universidades, serviço público, é um jogo de soma zero.

O governo não pode atrapalhar. Tem que encorajar, proteger quando falhar.

Se você quer diminuir a fome do mundo, não vá para uma ONG, com salários fixos. Funde uma empresa.  

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2017/08/09/a-teoria-dos-cisnes-negros/

https://ideiasesquecidas.com/2015/03/07/o-problema-do-peru/

Resumo da entrevista de Paulo Guedes, na Expert XP 2020

Highlights

Reforma tributária:

– imposto sobre transação: estudando base ampla

– imposto dividendos: sim

– imposto renda pessoa jurídica: vai diminuir

Retomada à vista

Renda Brasil ao final do auxílio emergencial

Acelerar programa de privatizações

Fica até o final do mandato? Só sai abatido à bala.

Reforma tributária

Está pronta. O plano era entrar no começo do ano, o COVID atrapalhou.

Tem imposto sobre valor agregado – IVA.

O esforço na calamidade pública do COVID foi do tamanho de 10% do PIB.

A democracia brasileira andou. Talvez um pouco lenta, mas andou. Recursos foram disponibilizados. Não faltaram recursos para a saúde.

Sobre Retomada

Há sinais interessantes:

– consumo de energia elétrica só 4% abaixo de junho do ano passado

– notas fiscais eletrônicas 70% acima de junho do ano passado

– exportações praticamente iguais no primeiro semestre

– construção civil contratando 5.000 pessoas

– deve vir boom imobiliário de uns 10 anos, por conta de baixos juros. Outro efeito é o alongamento de prazos, atualmente 20, 30 anos para financiar imóvel, pode subir para 40, 50 anos

– melhor mês para Caixa Econômica Federal, em liberar recursos para construção

– o consumo em geral, bens duráveis, voltando

Sobre velocidade de recuperação

É muito cedo para ser pessimista.

Com COVID, caiu rápido, mas deve ter retomada constante, um pouco mais lenta. Um símbolo como o da Nike, V da vitória.

Ele vê crédito finalmente chegando e destravamento de investimentos.

O programa social de R$ 600 deve diminuir, até se consolidar no programa Renda Brasil.

Pergunta sobre impostos de transação

Na reforma política, existe a economia e a política. Os tempos são diferentes para cada.

Tem que começar sobre o que une a política, e não sobre o que desune.

Os impostos atuais são terríveis, mal formulados, regressivos. Ele quer imposto sobre valor adicionado.

Impostos sobre transações eletrônicas: é o setor que mais cresce, é interessante.

Pergunta: qual a sustentabilidade da dívida?

É um tema muito importante. Compromisso com controle de gastos. O descontrole levou à desindustrialização, juros enormes, corrompeu e estagnou a economia.

Este foi um ano excepcional por conta do combate à pandemia.

Ano que vem volta ao normal.

As três principais despesas foram derrubadas: privilégios da previdência, os juros da dívida, salários do funcionalismo congelados por dois anos.

Historicamente, a parte fiscal era frouxa, levando Brasil a se endividar como uma bola de neve.

Também foi feita uma desalavancagem dos bancos públicos.

Tudo isso levou os juros a desabarem.

A relação dívida PIB reduziu de 76,5% para 75,8% no primeiro ano.

Os gastos ano que vem estão relativamente contidos.

Tem que mostrar ano que vem. O que vai destravar a economia é o investimento privado.

Sobre Renda Brasil

A ajuda da pandemia atinge 38 milhões de pessoas.

No máximo 10 milhões serão incluídos no Renda Brasil.

Este vai pegar vários programas e focalizar num só. Atualmente o Bolsa Família é de R$ 30 MM, o Renda Brasil já encontrou recursos para R$ 50 MM.

Ex. de programas canalizados para o Renda Brasil: isenção para gastos de classes alta, desonerações.

Tem muito ralo em Brasília, escapa muito dinheiro em programas duplicados e defasados.

O congresso quer fazer, extremistas são minoria.

Tributação de dividendos? Mudança no imposto de renda PJ?

Desce imposto de renda pessoa jurídica, sobe imposto de dividendos.

O imposto de renda pessoa jurídica chega a 34%. As empresas desistem de criar empresas e vão para fora do BR. O país cresce quando há acumulação de capital e educação.

– imposto transação: estamos estudando ampla base

– imposto dividendo: sim

– imposto renda pessoa jurídica: vai cair

Sobre teto de gastos

Fizeram o teto e não fizeram as paredes.

Várias despesas indexadas: salários, benefícios da previdência, gastos de alguns ministérios.

O piso sobe todo ano. Com o teto fixo, vamos ser esmagados entre o piso e teto.

Duas alternativas. Ou sobe o teto ou não sobe o piso.

Se sobe o teto, causa inflação descontrolada, conforme já vimos antes.

Ou quebra o piso. E é bom, porque alocação de recursos é a essência da atividade política.

Atualmente, 96% estão carimbados, os políticos só decidem sobre 4%.

Brasil é gerido por um software, que somente corrige as despesas todos os anos.

As paredes são a reforma da previdência, administrativa, controlar trajetórias futuras e funcionalismo público.

É difícil, ministros e parlamentares querem manter recursos, tem gente defendendo furar o teto.

Sobre privatizações

Não basta apenas a vontade econômica, tem o lado político.

Vai acelerar nos próximos 90 dias, para não desmoralizar o programa de privatizações. O objetivo é aprovar 3 ou 4 grandes privatizações.

Se puder pegar o dinheiro das privatizações, vender reservas, isso ajuda a quebrar a dinâmica, a bola de neve de dívidas.

Não tem essa de toma lá dá cá, aparelhamento do centro. É uma agenda de reformas. A crise exige reformas.

Paulo Guedes fica até o final do governo?

Só sai a bala, abatido à força. Ele tem uma missão a cumprir.

A agenda da centro direita é liberal democrata. Não quer aumentar impostos, prefere regular os gastos.

Ampliar a base para mais gente pagar, porém, pagar menos.

Hoje em dia, há R$ 300 MM em desonerações. Quem tem poder político consegue ser desonerado.

Quem tem poder econômico vai para o contencioso: prefere pagar R$ 100 MM para advogados do que R$ 1 BI de impostos.

O BR historicamente é o paraíso dos burocratas, contenciosos, rentistas, e isso tem que acabar.

Enquanto tiver a agenda, ele continua.

Se o Presidente e o Congresso não quiserem a agenda, não tem o que fazer, aí ele vai para casa.

Ray Dalio na Expert XP

Ray Dalio, o “Steve Jobs” dos investimentos, apresentou suas ideias na Expert XP 2020. Foi a palestra mais esperada, do gestor do maior fundo de investimentos do mundo, a Bridgewater.

O ciclo do endividamento e a expansão monetária

O primeiro gráfico é o do débito do setor privado.

O segundo, é a taxa de juros americana (azul) e a base monetária (vermelho).

Alto endividamento, taxas de juros próximas a zero e base monetária crescendo – com picos na crise de 1929 e na de 2008.

Atualmente (2020), grande queda no PIB devido ao Covid. A resposta é a expansão monetária: impressão de dinheiro, redistribuição de ativos e falências.

Dinheiro em caixa é o pior ativo. Parece seguro por não parecer ter volatidade, mas é sujeita à inflação e não se multiplica como ações de boas companhias.

Pergunta sobre ouro e imóveis como diversificação. Dalio: Ouro sim, imóveis não. Ouro porque já foi a própria definição de dinheiro, e tem a escassez garantida por natureza. Imóveis não são transportáveis de um lugar para outro.

Disparidade econômica e divisão política

O segundo gráfico mostra efeitos da expansão monetária. Os 10% mais ricos concentram cada vez mais dinheiro, e os últimos 90% empobrecem. A disparidade é a maior desde 1930.

O efeito da distorção é uma grande insatisfação social, traduzida em votos para governos populistas.

Outra consequência é a divisão ideológica entre democratas e republicanos. O gráfico mostra o voto segundo a orientação do partido, e temos a maior disparidade desde 1900.

O dólar é moeda de reserva do mundo. Os EUA têm um grande poder e um grande privilégio, e estão abusando de seu status, com a impressão de dinheiro e um déficit gigantesco.

Sobre outras moedas que não o dólar: moedas locais só tem poder de compra local e estão sujeitas a medidas monetárias locais. Dinheiro local não tem o mesmo poder do dólar.

Ascensão de outra potência: China

O gráfico abaixo mostra um comparativo de grandes potências no tempo.

A China está subindo e quase numa posição de igualdade.

Os EUA ainda têm tecnologia superior. A China vem investindo pesado em tecnologia, para ficar em pé de igualdade.

Como será o equilíbrio do mundo? Dalio aponta conflito em 4 frentes: comércio, tecnologia, geopolítica e capital.

Ele também lembra que a China tem uma reserva de trilhões de dólares e os EUA, uma montanha de déficit.

Diversificação

 O Santo Graal dos investimentos é a diversificação em bons ativos.

Tenha 10, 15 ações de empresas boas (e outros ativos) descorrelacionadas.

O gráfico mostra a volatilidade da carteira para cada curva de correlação. Com zero correlação, há a menor volatilidade.

Em crises, o dinheiro não some, ele apenas se redistribui.

Um bom ativo deve transcender fronteiras nacionais e ter fluxos de caixa estáveis.

Conselho para os jovens:

 Sucesso = Sonho + Realidade + Determinação

Os 5 passos de Dalio para o sucesso:

– Saiba o seu objetivo,

– Problemas: no caminho, surgirão problemas. Abrace os problemas, aprenda com as falhas,

– Diagnóstico: encontre a causa raiz dos erros, de forma sincera. Pode ser uma fraqueza sua. Encare a realidade. Trace um plano,

– Faça o que você disse que faria, sem auto indulgência. Trabalho em equipe vai compensar as fraquezas,

– Faça do seu trabalho e da sua paixão a mesma coisa.

Não trabalhe por dinheiro. Não faça do dinheiro o seu objetivo. Não faça disso uma obsessão.

Ame o seu trabalho. Ame a sua vida.


Veja também:

Resumo dos Princípios de Ray Dalio https://www.youtube.com/channel/UCqvaXJ1K3HheTPNjH-KpwXQ

https://ideiasesquecidas.com/2020/02/29/como-ficar-rico-sem-ter-sorte/

https://ideiasesquecidas.com/2019/11/19/os-principios-de-ray-dalio/

O inverno e a primavera da Inteligência Artificial

Em 2006, fiz a cadeira de Redes Neurais da UFRJ, como parte do meu mestrado em Processamento Digital de Sinais, motivado pelas tais redes que imitavam o cérebro humano, aprendiam sozinhas e que poderiam nos superar um dia.

Achei decepcionante, na época. As redes pareciam mais uma curiosidade, com pouca aplicação prática, do que algo realmente útil.

Alguns motivos:

– Só conseguíamos criar redes de três, cinco camadas, com poucos neurônios por camada (shalow network)

– Aplicações restritas à interpolação de funções

– O software Estatística tinha algo pronto para redes pequenas. Qualquer aplicação mais complexa, seria necessário pegar toda a matemática e implementar do zero.

Os resultados frios e estéreis eram porque, em 2006, eu estava em pleno “Inverno da Inteligência Artificial”.

Contudo, 10 anos depois, o campo era quente e fértil de inovações: redes de centenas de camadas (daí o termo deep neural network), milhares de neurônios por camada, reconhecimento de imagens, transcrição da linguagem falada, automação de tarefas rotineiras, humanos superados em jogos complexos como o Go…

A curva acima é chamada de “curva S da inovação”.

A maior parte dos conceitos, como o neurônio artificial, a função de ativação, backpropagation, já existia desde a década de 70, e não tinham mudado nada.

Como a IA saiu do inverno para a primavera que vivenciamos nos dias de hoje?

Aponto para três tópicos principais:

– Hardware

– Software

– Dados

1 – Hardware

A evolução da capacidade computacional e o poder do processamento paralelo são dois itens importantes.

1.1 – Lei de Moore

A Lei de Moore diz que o poder computacional dobra a cada 18 meses, para o mesmo custo. A unidade básica de computação é o transístor, basicamente uma chave que pode assumir o valor 0 ou o valor 1.

A Lei de Moore deve-se, basicamente, à miniaturização do transístor. Foi isso que permitiu celulares de bolso mais poderosos do que os supercomputadores mais avançados de décadas atrás.

Do computador que eu tinha em 2006 para 2018, 12 anos, houve um avanço de 256 vezes!

Imagine se o meu rendimento no banco fosse assim…

1.2 – GPU

Outro fator é o processamento paralelo, principalmente devido à GPU (Graphic process unit). Não confundir com a CPU, que é o coração de um computador.

Com a evolução dos computadores, ocorreu uma exigência cada vez maior na parte gráfica, devido aos jogos. A solução foi criar unidades de processamento especializadas em processar gráficos, a GPU (ou seja, os gamers financiaram este avanço na área de IA).

A CPU é como um carro, que se move rápido, porém leva pouca gente. A GPU é como um trem. É mais devagar que a CPU, mas transporta muito mais informação. Se for para transportar milhares de pessoas, é melhor ir de metrô do que alocar vários carros.

A parte mais pesada da rede neural é o algoritmo de treinamento, o backpropagation. Os cientistas da computação criaram meios de ‘enganar’ a GPU: disfarçaram a informação como um gráfico, para ser processada e devolvida à rede.

Hoje em dia, temos até TPU (Tensor process unit). A ideia é a seguinte. A GPU é para computação gráfica, e estava sendo utilizada via gambiarra para processar informação. Que tal uma unidade especialmente projetada para processamento paralelo? É a TPU.

Isso sem contar que, hoje em dia, não precisamos nem comprar o hardware. Dá para utilizar via cloud, alugando o tempo gasto, e o provedor do serviço se encarrega de ter o melhor hardware possível.

2 – Software

Além do hardware, ocorreu um avanço significativo em software.

Em 2019, Yoshua Bengio, Geoffrey Hinton e Yann LeCun ganharam o prêmio Turing, tipo o Nobel da computação, por terem fundado as bases para a IA sair do inverno.

Todo prêmio é injusto, no sentido de que deixa de fora dezenas de pessoas que contribuíram.

Destaco aqui três inovações importantes: erros numéricos, novos truques, pacotes open-source.

2.1 – Erros numéricos

Um backpropagation com dezenas de camadas e milhares de neurônios causa o efeito do “vanishing gradient”. Basicamente, as correções acabam ficando tão pequenas que desaparecem.

Aqui, cabe destacar que houve um avanço nos pacotes de álgebra linear como um todo, possibilitando que a computação seja feita com menor erro numérico e viabilizando a o backpropagation em várias camadas.

2.2 – Novos truques

Com o uso das redes neurais, um arsenal de novas técnicas foi sendo incorporado. Algumas:

Convolutional neural network: é uma camada de rede neural que funciona como uma janela deslizante – esta técnica performou melhor que todos os algoritmos de classificação comuns da época em reconhecimento de escrita

ReLu: é uma função de ativação extremamente simples, (= x se maior que zero, 0 se menor), porém, acrescenta uma não-linearidade interessante, que ajuda no problema do gradiente acima

Dropout: a fim de deixar a rede mais robusta, a cada rodada parte da informação é “jogada fora”. É como ler o mesmo livro várias vezes, porém a cada vez tirando algumas palavras por página – cada treinamento é mais difícil, porém a capacidade de generalização final acaba ficando maior.

Com o saco de truques maior, a própria arquitetura da rede passa a ser extremamente mais complexa. Combinar parte da rede convolucional, camadas com dropout, número de camadas, número de neurônios.

Há tantos hiperparâmetros que o desafio dos dias de hoje é descobrir a arquitetura ideal, não treinar a rede ou programar ela do zero.

2.3 – Poderosos pacotes Open Source

O Google empacotou as inovações citadas acima e lançou o Tensor Flow em 2015. O Facebook fez algo semelhante, com o PyTorch, de 2016, e há outras alternativas existentes. Note o timing, exatamente 10 anos depois do começo da minha pesquisa.

Não há nada melhor para um pacote computacional do que ter uma base grande de usuários engajados na causa: pessoas que vão utilizar, encontrar erros, enviar sugestões etc.

Todos os pacotes acima continuam em desenvolvimento e vão continuar enquanto a primavera da IA continuar.

Para o usuário, é fantástico. Não é necessário programar o neurônio artificial nem os complexos algoritmos de treinamento e arquitetura da rede neuronal, e sim, utilizar o conhecimento best in class do mundo. Grande parte das startups que vemos hoje utilizam pacotes como os citados.

O resultado é o que conhecemos hoje: algoritmos diversos reconhecendo padrões em imagens, sons e vídeos, em carros autônomos, fazendo forecast de falhas, batendo o ser humano em diversas áreas do conhecimento.

3 – Dados

Tão importante quanto software e hardware, são os próprios dados.

Hoje em dia, há uma quantidade praticamente ilimitada de dados digitais: fotos, vídeos, áudio.

Em 2006, as câmeras digitais já existiam, porém não eram onipresentes como é hoje. Eu me lembro de possuir uma câmera analógica na época, pois ainda eram mais baratas e melhores do que as digitais. A internet, idem. A minha era conexão discada. Eu esperava dar meia-noite, para me conectar e pagar apenas um pulso de telefone.

O grande gargalo dos métodos de IA da atualidade são os dados. Eles têm que ter quantidade e qualidade suficientes.

Hoje em dia, bancos de dados como ImageNet tem mais de um milhão de imagens rotuladas. Não consigo nem imaginar a quantidade de dados que o Google ou a Amazon têm à sua disposição.

Menção honrosa ao Mechanical Turk da Amazon. Ela é uma “inteligência artificial artificial”. São seres humanos fazendo trabalhos simples, como reconhecer objetos em imagens e transcrever palavras num áudio (e sendo parcamente remunerados).

O Mechanical Turk permitiu que aos cientistas da computação obterem informações cruciais: dados rotulados. Alguém tem que ensinar o computador que um gato é um gato, e não um copo ou um elefante.

No futuro, teremos mais dados ainda. A Internet das Coisas está chegando. Deve demorar um tempo para se consolidar, mas vai chegar forte um dia.

E qual o futuro da IA?

Houve um avanço extraordinário no campo da inteligência artificial, impulsionada principalmente pelas redes neurais.

Estamos hoje na primavera da IA, com uma miríade de possibilidades surgindo.

A curva S da inovação, olhada a longo prazo, parece mais com a “espiral da inovação”: picos e vales sempre crescentes.

Vale citar a Lei de Amara: “Tendemos a superestimar as inovações a curto prazo, e subestimar a longo prazo.”

Nos primórdios das redes neurais, já se sonhava com dispositivos inteligentes, algoritmos que bateriam a bolsa de valores, robôs que conversariam com o ser humano e dominariam a Terra.

Grande parte dos sonhos dos anos 70 não ocorreram nas décadas seguintes ao previsto. Estão ocorrendo hoje, 50 anos depois!

Vale notar que, embora as conquistas tenham sido extraordinárias, a IA ainda é restrita para casos bastante específicos: automatizar rotinas simples, reconhecer objetos em imagens, transcrever a linguagem falada, criar música nova rearranjando músicas pré-existentes.

Ainda não chegamos na IA geral, aí sim, uma inteligência que realmente competiria com o ser humano em tarefas difíceis: gerenciar, tomar decisões abstratas, programar a si mesmo, criar novos algoritmos, novos jogos.

Provavelmente, a Lei de Amara ocorrerá novamente. O conhecimento atual não será suficiente para chegar na IA geral. Será necessária a evolução de outros campos: hardware, software, dados, computação quântica, computação biológica, chips em 3D, e outros conceitos que não existem ainda.

Passaremos pelo verão, outono, um novo inverno, para alcançar uma nova primavera, daqui a algumas décadas.

Trilha sonora: Vivaldi – Primavera

Vivaldi – Inverno

Outros Links:

https://ideiasesquecidas.com/2017/10/25/a-artificial-inteligencia-artificial/

https://ideiasesquecidas.com/2020/04/17/o-computador-quantico-que-sabe-tudo/

https://www.theverge.com/2019/3/27/18280665/ai-godfathers-turing-award-2018-yoshua-bengio-geoffrey-hinton-yann-lecun

https://en.wikipedia.org/wiki/Vanishing_gradient_problem

https://en.wikipedia.org/wiki/Yann_LeCun

https://www.tensorflow.org/

https://pytorch.org/

6 livros sobre inovação

  1. Inovação e espírito empreendedor. Livro clássico de Peter Drucker, propõe como a inovação pode ser sistematizada. Defende a exploração de oportunidades. O inesperado é uma grande fonte de inovações.

2 – De onde vêm as boas ideias. Saltos ocorrem dentro do “possível adjacente”, e com uma exploração de tentativas com muitos erros. Um bom ecossistema permite inovação.

3 – How innovation works. Matt Ridley traça paralelos entre inovação e evolução. A evolução é contínua: melhora a partir do que existe. A inovação está no ar, e no momento que deve ocorrer, vai ocorrer. O gargalo está na execução: os 99% transpiração x 1% de inspiração de Thomas Edison. A inovação é filha da liberdade e mãe da prosperidade.

4 – The lean startup. Clássico das startups do mundo atual, cunhou termos como MVP (produto mínimo viável para testes), pivotar, teste A/B (lançar duas versões e mensurar a melhor).

5 – De Zero para Um significa uma disrupção. Uma métrica de Thiel é algo 10x melhor que o atual. Quais os fatores de sucesso de uma startup? Peter Thiel lista 7, dentre elas: disrupção, timing, monopólio e pessoas.

6 – O dilema do inovador explica porque grandes corporações têm dificuldade de inovar: por que arriscar com um produto novo e pouco rentável, quando ela já tem a sua vaca leiteira?

Os livros são para inspiração, a transpiração é por sua conta.