Como mentir com gráficos

Gráficos são uma forma importante de representar informação. Só que os dados nunca são só dados, sempre há uma narrativa que pode ou não ser reforçada.

Cinco dicas de “como mentir com gráficos” – ou melhor, como evitar ser enganado por números.

Os dados são os mesmos, só muda a forma de apresentar.

Para qualquer dos casos, o analista deve ter domínio do que está fazendo.

Outro fator importante é a transparência: disponibilizar as bases e critérios, a fim de que os mesmos possam ser auditados por parceiros.

Recomendações de livros interessantes:

Preparados para o risco – Gerd Gigerenzer. É um  nos ensina a questionar os números, e com isso, tomarmos boas decisões.

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Storytelling com dados: Como transmitir sua mensagem com dados.

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Árvores Fractais

Escrevi uma rotinazinha para desenhar fractais em formato de árvore.

Vide em: https://asgunzi.github.io/ArvoreFractal/arvores.html

A cada vez que rodar, uma árvore com parâmetros diferentes será gerada.

Um fractal é uma estrutura matemática com padrões repetidos em escala menor no desenho todo.

Como é uma estrutura autossimilar, é só fazer um código recursivo, relativamente simples. Portanto, é possível criar uma forma de enorme complexidade a partir de regras simples.

No caso da árvore, o padrão é: inicie com um aresta qualquer. Ao final dela, acrescente três arestas com metade do raio, separadas entre elas em 30 graus.

Ao final de cada uma dessas três arestas (ou galhos) novos, acrescente mais três galhos.

E assim sucessivamente:

Há uma quantidade infindável de fractais possíveis de serem feitos dessa forma – só me falta criatividade para fazer algo mais bonito.

Há inúmeros padrões fractais na natureza. Como uma planta “sabe” a programação para virar uma forma de enorme complexidade, como um brócolis? A resposta é que ela não sabe, apenas vai seguindo padrões simples e autossimilares, até chegar ao formato final.

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2018/09/11/cardioides-circulares

Como a maçã virou abóbora

No livro “After Steve: How Apple Became a Trillion-Dollar Company and Lost Its Soul”, o jornalista Tripp Mickle, do Wall Street Journal, investiga o que vem acontecendo com a Apple pós Steve Jobs: virou uma máquina de fazer dinheiro, mas perdeu a magia.

O livro foca em duas pessoas: o criativo designer Jony Ive e o eficiente novo CEO Tim Cook, e como o primeiro acabou definhando em importância até a sua saída.

A Apple, com Jobs, destacou-se por estar na intersecção artes e tecnologia.

Nenhum nome representa tanto o lado “arte” da Apple quanto Jony Ive, que era considerado como o “parceiro espiritual” de Jobs. Ele começou trabalhando com Jobs no projeto do iMac. Se deram muito bem, desde então. Se a Apple precisava de um hit, Ive entregava, independente de custos: o design na frente das finanças.

Jony Ive acabou sendo a segunda pessoa mais importante da Apple. Respondia direto a Jobs. Ive complementava Steve. Paciente, focado, ao contrário do chefe. Teve papel importante no segundo ato da Apple, ao se envolver no design do iPhone, iPod, iPad entre outros.

Com Jobs e Ive, o design era maior do que a engenharia. Com Tim Cook, o oposto.

É de conhecimento geral que Tim Cook é o atual CEO da Apple, e após um período de desconfiança, fez a empresa se tornar a mais valiosa do mundo, tendo atualmente inimaginável valor de mercado de 1 trilhão de dólares.

Cook teve a habilidade de navegar no mundo pós-Jobs. Entre outras ações, abriu caminho para Apple na China, e teve uma participação maior no mundo da política.

A Apple de Cook começou a deixar o design de lado, e ser guiada cada vez mais pelos números. Eficiência, baixos custos, ganhos de escala, supply chain. Negociadores em destaque, espremendo fornecedores e garantindo centenas de milhões a cada contrato. Finanças na frente do design.

A Apple continuou tentando inovar, porém sem o mesmo impacto do iPhone. Alguns produtos pós-Jobs.

  • Apple Watch. Uma das apostas da empresa é em wearables, como o relógio. Destaca-se a mudança de foco, de tecnologia para moda chique com relógios caros e personalizados. Ao invés de ser tecnologia premium, o mais barato produto de amanhã, agora concorria no setor de moda.
  • Aquisição do Beats e desenvolvimento dos fones sem fio Airpod.
  • O Apple Maps, clone do Google Maps, foi um fracasso.
  • Apple Music. O iTunes, na sua concepção original, foi um divisor de águas. Porém, o surgimento do streaming de música, com um acervo infinito por uma mensalidade pequena, fez a Apple lançar o seu próprio serviço. Onde Jobs inventava, agora Cook copia. Não há nenhum diferencial importante que torne a Apple Music superior ao Spotify, por exemplo. Apesar disso, atingiu fatia importante do mercado.
  • Carro autônomo da Apple, com grande expectativa? Vem sendo um experimento sem fim.
  • Outra ideia é uma versão Netflix da Apple – se vai vingar ou não, não sabemos.

A Apple de Cook é eficiente. Com as vendas do iPhone estáveis, como ele poderia fazer para extrair mais dinheiro dos já convertidos? Houve uma guinada, de produtos para serviços, aproveitando o ecossistema de fãs da Apple. Icloud, Music, App store.

Com Cook, houve aumento de importância das áreas operacionais, e Jony Ive ficou sendo apenas mais um no time. Uma hora decidiu sair. Para evitar publicidade negativa, a Apple ofereceu a ele o título de Chief Design Officer, e ocupação de meio período, mas na prática, ele estava exausto.

Ive foi sendo cada vez mais escanteado, até finalmente pedir as contas, em 2019.

A Apple de Cook, eficiente, lucrativa e chata, está cada vez mais parecida com a Microsoft. Os rebeldes viraram o sistema. 1984 cada vez mais parecida com 1984. Os piratas viraram a marinha.

Bateu o relógio da meia-noite, e a magia acabou. A maçã virou abóbora.

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Trilha sonora: Joan Baez, Love Minus Zero/No Limit

Veja também:

Use a IA só na máquina de lavar

Há 15 anos, num dia como hoje, eu estava tendo aulas de redes neurais no mestrado em Eletrônica, na Coppe UFRJ.

Naquela época, a melhor redes neural que conseguíamos fazer tinha 3 camadas e uma dúzia de neurônios por camada. Entretanto, já era um campo promissor, para visionários.

Perguntei ao meu professor: “Você confiaria numa rede neural para dirigir um carro ou fazer uma operação médica?”

A resposta foi algo como: “Colocar IA numa máquina de lavar, sem problemas. Agora, para situações importantes, não”.

A IA teve uma evolução exponencial desde então. Saiu do inverno para o verão, com avanços em pacotes computacionais (PyTorch, TensorFlow), novas técnicas (convolucional, transformer), e até em hardware (como GPU e TPU).

Entretanto, a resposta continua valendo.

A IA atual é uma caixa-preta: entra um monte de dados e sai uma decisão. Talvez seja uma caixa mais poderosa, mas a essência é a mesma.

O problema de uma caixa-preta é que ela vai funcionar extremamente bem, uns 98% dos casos, até o dia em que vai dar problema. E, se o dispositivo controlado for numa grande indústria, ou um carro autônomo, será um problema catastrófico, daqueles que põe em risco a confiança no trabalho todo.

Tanto é que uma das linhas de pesquisa mais importantes dos dias de hoje é o Explainable AI: abrir um pouco da caixa, entender de alguma forma o que está acontecendo, mesclar o poder da rede neural com regras explícitas.

E outra linha quente de pesquisas é a Ética em IA: de quem será a culpa, no caso de um atropelamento? Do fabricante? Do usuário que confiou no veículo? Da caixa-preta que ninguém sabe interpretar? Do engenheiro que treinou o algoritmo? Haverá auditoria de algoritmos, por parte do governo? São perguntas difíceis de responder.

De qualquer forma, é melhor seguir o conselho do meu professor: utilize AI em processos não críticos, no seu equivalente da máquina de lavar.

https://ideiasesquecidas.com/

O tesouro da pinhata

Quando eu tinha uns 7 anos, eu estava numa festinha de aniversário de algum colega.

O ápice da festinha era uma pinhata. Não uma pinhata de verdade, uma imitação, um balão enorme cheio de doces a ser explodido. Chamaram todas as crianças para ficar debaixo da pinhata. Lembro que estava todo mundo ansioso, tentando pegar o melhor lugar.

Eu nem sabia o que era aquilo e nem o que as outras crianças estavam fazendo, por isso, fiquei longe do centro. Quando o adulto explodiu o balão, vi que as crianças se agacharam, a fim de pegar os doces. Eu até tentei ir na onda, porém, estava pessimamente posicionado, e não havia espaço para entrar na muvuca.

Parei para observar ao redor, ver se não havia nenhuma bala que tinha voado longe. Para a minha surpresa, o fundo do balão tinha caído pelas redondezas, e tinha sido ignorado pelas crianças. O fundo do balão estava cheio de doces – por esses se acumularem no fundo – mais ou menos como o da foto a seguir.

Se eu tentasse fazer como todos, ficaria em desvantagem – por ser menor, mais fraco, menos informado. A minha sorte e sagacidade foi parar, analisar os arredores e pensar – um verdadeiro OODA loop, décadas antes de eu conhecer o conceito.

Portanto, não vá com a onda. Observe, oriente, decida e aja!

O jogo de Atari de Steve Jobs

Jogue aqui, direto no browser, o jogo de Atari do Steve Jobs.

https://elgoog.im/breakout/

Trata-se de um joguinho muito simples. Manipulamos uma espécie de raquete, que deve rebater a bolinha quicante, e eliminar todos os blocos acima.

Nada muito sotisficado, comparado aos dias de hoje. Porém, em 1974, era o supra sumo que a tecnologia nascente de computadores pessoais poderia oferecer.

Eu mesmo tive um Atari na década de 80, e era a melhor coisa do mundo.

Em 1974, Steve Jobs tinha 19 anos. Um dia, ele apareceu na sede da Atari, em Los Gatos, California, e disse que não sairia dali até ser contratado.

Alguns trechos, retirados das referências abaixo:

“Temos um garoto no saguão. Ele tem alguma coisa ou é maluco.”

Jobs, na época, vivia numa dieta vegetariana estranha, e não tomava banho, porque acreditava que a dieta o manteria puro, livre de odores.

“Ele era um garoto realmente nojento”, Alcorn disse certa vez ao historiador de videogames Steven Kent. “Acho que disse: ‘Devíamos chamar a polícia ou falar com ele.’ Então eu conversei com ele.”

O garoto Steve acabou contratado pela Atari. Um de seus trabalhos foi simplificar o circuito do jogo Breakout, citado acima. Explico. Na época, o console do Atari era metade do videogame. A outra metade eram os cartuchos, que deveriam ser comprados e plugados ao console para jogar. E os cartuchos tinham verdadeiros circuitos ali dentro, era hardware. Simplificar a configuração do circuito mantendo a jogabilidade significaria menos custo variável para o mesmo preço final.

Steve topou o desafio. A questão é que ele não manjava tanto assim de eletrônica – aí ele fez o que o futuro Steve Jobs fazia de melhor: terceirizar a tarefa para quem manjasse de verdade, no caso, o amigo Steve Wozniac, 5 anos mais velho e engenheiro da HP na época.

“Jobs nunca fez um pouquinho de engenharia em sua vida e ele me derrotou”, disse Alcorn mais tarde. “Demorou anos até eu descobrir que ele estava fazendo Woz ‘entrar pela porta dos fundos’ e fazer todo o trabalho enquanto ele recebia o crédito.”

Jobs sempre foi fascinado pela simplicidade dos jogos de Atari. Era um joystick e um botão apenas, o jogo vinha sem manual de instrução algum – era tudo muito intuitivo. Fico imaginando o quanto essas experiências anteriores o inspiraram a criar o iPhone, com um único botão e autoexplicativo, décadas mais tarde.

No tempo livre, Jobs e Woz começaram a projetar o Apple I. Depois, o Apple II foi oferecido inclusive à própria Atari – que recusou. Imagine como o mundo poderia ser diferente, se a Atari tivesse aceitado!

Veja também:
https://observatoriodegames.uol.com.br/destaque/tbt-gamer-como-foi-a-vida-de-steve-jobs-trabalhando-na-atari

O instinto da fé

Alguns highlights sobre o livro “The Faith Instinct”, de Nicholas Wade.

O ponto principal do autor é que religiões representam uma vantagem evolutiva para a espécie humana – não pensando como indivíduo, mas pensando como grupo.

Há traços de religião desde 50 mil anos atrás, mostrando que o instinto da fé está desde então embutido no cérebro do ser humano.

Algumas vantagens: esperança em tempos difíceis, possibilidade de vitória mesmo sendo um oprimido (afinal, o último na Terra será o primeiro no paraíso), círculos mútuos de confiança, atividade comuns como dança.

A religião ajudou na seleção natural? Se não fosse importante, teria sido eliminada, entretanto todas as nações do mundo têm religião de alguma forma. E se isso acontece, é porque há benefícios para a sociedade.

É similiar à linguagem. Todos os povos do mundo têm linguagem. Cada uma evoluiu de forma diferente, porém, há predisposição mental do ser humano para ser capaz de se comunicar através de linguagem (ao contrário de leitura e escrita, ou matemática, que devem ser aprendidos por um longo tempo na escola). Tanto a linguagem quanto a religião só fazem sentido em um contexto social, em grupos.

Há maior coesão em grupos com religião comum. O indivíduo tem uma razão a mais para lutar pelo grupo. Há um paradoxo: o indivíduo perder a vida e a oportunidade de passar os genes adiante – porém, existe a teoria de que passar os genes de semelhantes do seu grupo é tão importante quanto.

Ao invés de seleção natural, pensar em seleção de grupos.

Em contextos de guerras, colheita ou obras, é necessária uma enorme uma coesão social para coordenar esforços e dividir recompensas. A religião pode ajudar a aumentar a coesão, a superar medo da morte e da insegurança em geral.

Não sabemos exatamente como decisões morais são tomadas. Não dá para mudar opinião da pessoa através de raciocínio puro.

Danos ao cérebro podem fazer pessoas agirem com menos moral. Ex. Chocolate em forma de cocô vai ser repugnante para muitos, exceto pessoas com distúrbio em uma determinada região do cérebro – o que mostra que há alguns gostos pré-programados.

Charles Darwin, junto à teoria da evolução das espécies, também especulou sobre teoria moral. Juntos, animais conseguem combater ameaças maiores. Porém, os membros do grupo não devem atritar entre si. O seguidor deve ter naturalmente um grau de submissão ao líder. Há uma hierarquia de poder – há posição social até em macacos. Há também troca de informação constante – pessoas em vilarejos fofocam sem parar.

Por que existem rituais exigentes em religiões? Para seguir a religião, há a necessidade de fazer sinais custoso em termos de tempo e sacrifício. Um dos objetivos é evitar aproveitadores, que só querem tirar vantagem sem contribuir. Outra, é estimular quem já está no grupo. Deve ser sinalização difícil de falsificar, ir para Meca, vestir indumentárias desconfortáveis. Existe um grau ótimo de exigência x benefícios.

A música também é um fator presente em todas as culturas, promove coesão e sincronia entre pessoas.
Até o Talebã, que baniu boa parte das religiões, permite cânticos musicais.

Também existe um link entre música e capacidade de atração sexual – desde o passarinho cantando até o rock star dos nossos tempos.

Religiões envolvem música, dança, linguagem.

Será que o autor está certo? Outra possibilidade é a diametralmente oposta: a religião é sub-produto da evolução, com pouco efeito no resultado final.

Seja como for, a religião é parte constante da humanidade, desde a idade das pedras até os dias de hoje!

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Agradeço ao amigo Cláudio Ortolan por emprestar o livro.

Veja também:

Três asiáticos que fizeram sucesso no mundo corporativo americano

Três indicações de livros de asiáticos que fizeram sucesso no mundo corporativo americano.

1) Dave Liu é descendente de chineses nos EUA. Além disso, ele nasceu com um defeito no lábio. Neste livro, ele conta como conseguir ascender no meio hiper competitivo e ganancioso de Wall Street, mesmo com as barreiras acima.

The Way of the Wall Street Warrior:

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2) Tony Hsieh. Fundador da Zappos, uma varejista conhecida pelo extremo cuidado com o cliente. A Zappos foi comprada pela Amazon, uns anos atrás, numa transação bilionária.

Tony era descendente de taiwanês nos EUA, e infelizmente faleceu há poucos anos atrás.

Livro: Satisfação garantida


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3) Akio Morita, o lendário fundador da japonesa Sony. Ele escreveu um livro chamado “Made in Japan”. Conta uma série de histórias muito bacanas. Exemplo, de como a Sony utilizou transístores para fazer rádios, antes mesmo que qualquer empresa americana descobrisse o potencial deste. Morita sabia que deveria entrar nos EUA para conquistar o mundo. No livro, ele também conta um
pouco do choque cultural (ex. nos EUA tem 4x mais advogados que engenheiros, no JP é o contrário).

Como é um livro da década de 80, não está mais em circulação, então deixo um link com alguns highlights.

Quem tiver outras indicações, favor postar nos comentários.

Contos de Esopo sobre cabeça nas estrelas, especialistas e trabalho

1) Um astrônomo era fascinado pelas estrelas, e vivia mirando o céu. Um dia, estava tão absorto em sua busca, que tropeçou e caiu num poço profundo. Ele ficou três dias pedindo socorro até ser resgatado.

Moral da história: Cabeça nas estrelas, pés no chão.

2) Um grande ilusionista fingia ter um porco debaixo de um pano. Ele grunhia e mexia o pano, imitando um porco. Será que havia mesmo um animal ali? No final da apresentação, ele mostrava que não havia nada debaixo do pano, e saía aplaudido.

Um matuto, vendo aquilo, resolveu imitar o grande ilusionista. No show seguinte, após a apresentação do mesmo, ele subiu ao palco para mostrar a mesma peça e se comparar ao mágico. Porém, desde o início, as suas roupas de caipira provocaram desprezo da plateia. Ele também fingia ter um porco debaixo de um pano, e ao apertar o pano, saía um grunhido.

  • Que peça horrível. Imitação péssima. O grunhido do mágico de verdade foi muito mais real – comentava a multidão.

Daí, ao levantar o pano, o caipira mostrou a realidade: havia um porco de verdade ali, responsável pelos grunhidos!

Moral da história 1: Há especialistas que nada entendem.

Moral da história 2: A narrativa é mais importante do que a realidade.

3) Um homem preguiçoso orava ao deus Hércules, todas as manhãs, pedindo bens e dinheiro. No resto do dia, ele nada mais fazia a não ser ficar parado, dormindo. Numa dessas, o deus Hércules apareceu em seu sonho.

O homem aproveitou para perguntar:

  • Hércules? Vai finalmente me ajudar?

Ao qual o deus respondeu:

  • Eu não consigo ajudar a quem não se ajuda.

Moral da história: Deus ajuda quem cedo madruga.

4) Um sapo muito metido se achava o maioria em tudo o que fazia. Um sapinho adolescente o desafiou a inflar e ficar maior do que os animais que passassem por ali. O sapão aceitou o desafio, e inflou mais do que qualquer outro sapo que apareceu. Porém, um boi foi beber água no rio. O sapo, então, inflou, inflou o máximo que pôde, mas ainda assim era muito menor que o boi. Insistindo, ele inflou, inflou mais ainda, até que, enfim, explodiu para todos os lados…

Moral da história: não tente ser maior do que os outros, seja você mesmo.

Trilha sonora: La vie en rose – Louis Armstrong
https://www.youtube.com/watch?v=8IJzYAda1wA

Veja também:

Recomendação de livro: Hacking Digital

Quando falamos de transformação digital, 99% dos livros atuais focam na parte técnica. Este livro é diferente, é voltado à implementação numa grande empresa. Há uma diferença enorme entre fazer uma prova de conceito funcionar e convencer a empresa a mudar processos e sistemas para adotá-la em escala!

Estamos chegando numa era em que o conhecimento técnico está dominado. Não faltam boas e novas ideias. Os especialistas estão se formando em universidades e cursos complementares (embora ainda em número insuficiente). Agora o gargalo está sendo colocar em prática, integrar e escalar de forma coerente essas soluções inúmeras.

Este é um guia pragmático, vindo de gente que realmente tem know-how sobre o tema.

Alguns highlights:

  • Em 2023, gastos com transformação digital chegarão a US$ 2,3 tri.
  • A transformação digital é difícil. Apesar do que podem pregar alguns consultores, não é fácil. Acreditem.
  • 87% dos programas de transformação digital falham em atingir as expectativas originais!

Dá para dividir a transformação em três fases: Iniciação, Execução e Ancoragem.

  • A Iniciação envolve construir uma fundação sólida: criar momentum, estabelecer objetivos e entender o panorama da empresa.
  • A Execução responde por 70% do esforço, e envolve construir (portfólio balanceado, governança) e integrar esforços digitais com outras áreas (operações, TI, RH).
  • A última fase, de ancoragem, representa os 20% finais, e é a fase de embutir os sistemas digitais no processo, de modo que o digital se incorpore no negócio.

Sobre patrocínio, governança e TI tradicional

  • A duração média de um Chief Digital Officer é de 2,5 anos.
  • Evite objetivos complicados demais.
  • Alinhe com a direção da empresa para a transformação digital.
  • A governança é chave para o sucesso da transformação. Há prós e contras em ter times separados x integrados ao restante da organização – na prática, é sempre um modelo híbrido que depende do contexto. Seja claro em responsabilidades e tenha boas métricas.
  • Como fazer Digital e TI trabalharem juntos? A TI tradicional e a área de mudanças digitais geralmente têm conflitos relacionais. A TI tradicional cuida do legado, do que está rodando, segurança, garantia de estabilidade e qualidade. Já soluções digitais têm foco em velocidade, experimentação, desenvolvimentos novos e centrados em dados e analytics.

Sobre portfólio e áreas internas e externas

  • O portfólio de trabalhos deve ser balanceado, em termos de riscos, horizontes de tempo, habilidades necessárias e complexidade.
  • Internamente, é importante despertar a consciência digital, desenvolver skills e também criar urgência nas soluções digitais. Aumentar o QI digital e desenvolver as habilidades analíticas necessárias para o negócio são o desafio chave da transformação.
  • Externamente, focos citados são parceiros e ecossistemas, além de cuidados em questões sociais e ambientais.

Diversos dos pontos citados são mais fáceis de apontar do que fazer de fato – por isso a necessidade de alinhamento com lideranças, consciência digital e o alto esforço na execução (70%).

Quando a transformação digital virar o negócio como usual, você terá chegado lá.

Por fim, a transformação digital não é um projeto, mas sim, uma longa jornada. E uma longa jornada começa no primeiro passo, como já dizia um velho provérbio chinês.

Agradeço ao amigo Octaciano Neto pelo livro.

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Hacking Digital, por Michael Wade e outros profissionais do International Institute for Management Development (IMD).

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Um zoom out para ver mais longe

Um dos pensadores que mais admiro é Will Durant, autor de uma série de livros sobre a história da humanidade.

Num desses, ele dá um “zoom out” na história, e comenta que “imortais” não são imortais. Os clássicos da humanidade, digamos Shakespeare, podem parecer imortais na cabeça de nossa sociedade, mas essas obras têm apenas algumas centenas de anos. Uma Ilíada de Homero, uns poucos milhares, o que é quase nada perto da evolução do ser humano até os dias de hoje (uns 400 mil anos), e um traço desprezível perto da história do planeta – os dinossauros foram extintos há 300 milhões de anos atrás, e antes disso reinaram na Terra por 100 milhões de anos, só para efeito de comparação.

É como se Durant desse um zoom out no Google Maps, lembrando o quão pequena é a nossa escala: enquanto estamos olhando para as ruas, ele olha para os países e continentes.

Algumas ponderações.

  • O Ocidente tem a tendência de ser imediatista, valorizar o que é jovem e traz resultado agora. Mais interessante é a visão de países orientais, como o Japão e a China, que olham para o longo prazo.
  • Existe algo mais curto prazista do que o Ebitda trimestral? Ficar cobrando resultados trimestrais causa distorções estruturais, já que é sempre mais importante mostrar o resultado agora do que arrumar definitivamente algum problema. No Oriente, é o oposto, o pensamento é em termos de gerações, como se fôssemos apenas uma etapa: o bastão está conosco, mas será entregue para outros em futuro próximo;
  • 35 destaques menores do que 35. Vira e mexe, alguma revista tem um jovenzinho numa capa como essa, valorizando conquistas meteóricas e possivelmente efêmeras. Como diria o autor Austin Kleon, prefiro uma lista de 80 destaques acima de 80 anos;
  • Numa empresa, cargos vão e vêm, são ilusões. O que interessa, no final do dia, é a capacidade real de gerar valor. Um habilidoso funcionário vai ter facilidade de se recolocar bem em outro lugar e performar com excelência, independente de cargo nominal;
  • Podemos controlar o processo, mas não o resultado. Sun Tzu: A invencibilidade está na defesa; a possibilidade de vitória, no ataque. Ou, como diz a sabedoria popular, o ataque ganha um jogo, mas a defesa ganha o campeonato;
  • CEO do ano: as revistas adoram eleger super-heróis, mas esses não existem. Por trás da figura da capa, há uma série enorme de profissionais invisíveis, que realmente fazem um organismo complexo como uma empresa ou um governo funcionarem;
  • Motivação x Disciplina. A motivação dura pouco tempo. É só a ignição. Para obter resultados sustentáveis, é necessário transformar a motivação em rotina, e criar disciplina para perseguir o objetivo. O estudo deve ser constante, a dieta não deve deslizar, o treino às 5 da manhã não pode durar apenas uma semana.

Os juros compostos vão fazer toda a diferença no final. Seja a tartaruga do conto de Esopo.

Olhe para o global, para o longo prazo. Dê um zoom out em sua vida.

Veja também:

A Espiral de Ulam

A Espiral de Ulam é uma outra de representação dos números primos, estudada pelo brilhante matemático Stanislaw Ulam.

Eu não conhecia essa espiral, foi o amigo Sinésio Barberini que me indicou, após o artigo anterior, a “Colmeia dos Primos”.

A espiral começa com o número 1, e depois vai preenchendo os demais números, seguindo um padrão espiral.

Da mesma forma que a colmeia, pintamos de cinza os números compostos, e de dourado os números primos, imaginando uma peneira passando a luz do sol.

Vide implementação interativa em:

https://asgunzi.github.io/Espiral-de-Ulam/EspiralUlam.html

Alguns prints:

Espiral de Ulam com 5,7 mil números.

Espiral de Ulam com 10 mil números.

É possível notar algumas diagonais no desenho – mas não explicar. Este é um dos mistérios levantados por Ulam, na época, e popularizados pelo grande colunista de puzzles Martin Gardner.


Nota aleatória: Stanislaw Ulam foi um dos criadores do método conhecido como Simulação de Monte Carlo, juntamente com John Von Neumann, na época da Segunda Grande Guerra.







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https://clube.spm.pt/news/vida-obra-de-stanislaw-ulam

https://en.wikipedia.org/wiki/Ulam_spiral

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