Não é assim que as coisas funcionam

Recado para aqueles que esperam serem ordenados para fazer alguma coisa.

Não é assim que as coisas funcionam.

Para fazer alguma coisa acontecer, tem que ter iniciativa.

O estado natural dos processos tende à entropia, à desordem. É a segunda lei da Termodinâmica.

Sair da entropia e colocar ordem exige esforço, trabalho, concentração.

O negócio é agir, ao invés de esperar;

E puxar, ao invés de ser puxado.

O melhor governo

O melhor governo é aquele que deixa as pessoas viverem.

O pior governo é o do salvador da pátria, que diz que vai consertar todos os problemas do mundo.

 

Vejamos o que a sabedoria do Tao Te Ching já dizia, há 2 mil anos:

Quando um Grande Soberano governa,
o povo mal sabe que ele existe.

Os menos grandes são amados e louvados,
os ainda menores são temidos,
os mais inferiores ainda são desprezados.

Os negócios seguem o seu curso e as pessoas pensam: “Somos livres”

Tao Te Ching, verso XVII

 

 

Sobre a métrica correta

Outro dia, vi um post de alguém que dizia ter mais de 1000 views diários de seu perfil profissional no LinkedIn. Ela dava dicas de como ter “sucesso” na rede – possivelmente venda e lucre com isso também.

Ora, o meu perfil no mesmo tem menos de 1 view por dia. Isto não faz a menor diferença, não me torna um profissional melhor ou pior. Não é a métrica correta: views no perfil tem zero correlação com um bom trabalho profissional em sua área de atuação.

Algumas métricas melhores: Estou feliz com que faço? Tenho harmonia no mundo profissional e isto não perturba a harmonia em casa? Agrego valor de verdade com o meu labor? O que fiz vai retornar para a sociedade, direta ou indiretamente? Estou com a consciência limpa? No final do dia, valeu a pena?

 


 

Poema em linha reta – Fernando Pessoa

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,

Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,

Indesculpavelmente sujo,

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo

Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,

Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

 
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

 

Xixi nas calças e o tempo presente

Sendo pai de três crianças, consigo fazer algumas afirmações por experiência própria.

Logo depois que a criança desfralda, ela não sabe a hora de fazer xixi. Você pergunta: quer fazer xixi? Ela responde: Não. Cinco minutos depois, ela sai correndo: xixi! xixi! E acaba fazendo nas calças.

E o pai fica pensando: porque ela não fez xixi quando eu pedi? A resposta é que, na hora, ela não queria, mas cinco minutos depois, sim.

Alguns meses mais velha, ela consegue antecipar que vai precisar fazer xixi no futuro.

 

Quanto mais nenê, mais a pessoa vive no presente. O passado não interessa, e o futuro não existe. Quanto mais velha, mais ela consegue perceber o tempo.

À medida que envelhecemos, ocorre o inverso. Damos mais valor ao passado em que bons momentos ocorreram, e mais antecipamos o futuro que vai ocorrer.

Viver no futuro causa ansiedade, e viver no passado causa depressão… que tal voltar a ser criança, e viver no presente? Mas sem xixi nas calças, claro.

 

 

 

A previsão do tempo que salvou o Dia-D

Resumo: a previsão do tempo possibilitou o desembarque aliado na Normandia, no Dia D – o evento que efetivamente virou o jogo na Segunda Grande Guerra. E se a previsão estivesse errada?

A não-linearidade do clima

A história, tanto quanto a vida, é marcada por diversos eventos não-lineares, que poderiam nunca ter ocorrido, e que poderiam ter mudado o mundo da forma como o conhecemos.

Por melhor que seja o planejamento, há eventos fortuitos que fogem completamente ao domínio de conhecimento de qualquer pessoa. Dentre todos os elementos desconhecidos, um dos mais importantes é o clima. Ele pode afetar desde o passeio no fim de semana, até o desembarque de 150 mil soldados e o destino da humanidade, no Dia D.

A importância do clima é tão grande, e conhecida desde tão antigamente quanto a Arte da Guerra, de Sun Tzu:

A arte da guerra é governada por cinco fatores:
– a Lei Moral
– o Céu
– a Terra
– o Comandante
– Método e disciplina

Onde o Céu significa a noite e o dia, o frio e o calor, o tempo e as estações.

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A fim de avaliar as chances de cada lado, Sun Tzu pergunta: Com quem estão as vantagens do Céu e da Terra?


Zhuge Liang Kongming

Embora Sun Tzu seja muito famoso no ocidente, há outro estrategista chinês que o coloca no chinelo: Zhuge Liang Kongming, da época dos Três Reinos.

Conta-se que ele tinha um conhecimento profundo do clima e da topografia.

Numa das guerras contra um reino vizinho, ele ficou meses articulando a posição de suas tropas e navios de guerra, a fim de encurralar o inimigo e utilizar fogo para destruir de vez a oposição.

O comandante inimigo nem deu bola para o posicionamento de Kongming, porque todos sabiam, desde sempre, que o vento soprava contra o exército do nosso estrategista. Se Kongming quisesse utilizar o fogo, com certeza ele mesmo se queimaria.

Depois de muita preparação, Kongming mobilizou suas tropas e as de seus aliados, para o ataque final. Toda a sua estratégia dependia do fogo – e do vento. Mas o vento soprava contra ele na véspera do ataque. Os aliados queriam desistir do ataque, mas Kongming insistiu para que fossem em frente – e prometeu a sua cabeça, caso desse tudo errado.

Pois bem, exatamente no dia do ataque, o vento virou de direção, agora soprava contra o inimigo. Kongming e aliados utilizaram a fúria do fogo, devastaram o inimigo e saíram vitoriosos.

Diz a lenda que o vento não virou por acaso. Kongming tinha lido em tomos antigos de conhecimento esquecido que o vento, no local do ataque, virava de direção um dia por ano, exatamente no dia do ataque programado!

Se a lenda de Zhuge Liang parece muito fantasiosa, vejamos o que ocorreu no desembarque na Normandia.


O Dia-D

O Dia-D é o dia do desembarque das tropas aliadas na Normandia, ocorrido em 06 de junho de 1944. É um dos eventos-chave da Segunda Grande Guerra. É a maior operação anfíbia da história da humanidade, e uma das operações mais complexas da mesma.

Resumindo uma longa história. Em meados de 1944, a Alemanha de Hitler sofreu derrotas devastadoras em seu fronte russo e africano. Os aliados italianos sofriam derrota após derrota. A expansão nazista tinha chegado ao fim, a partir de agora, eles estavam na defensiva – o que não os tornava menos perigosos.

Entretanto, todos esses teatros de guerra eram muito distantes do núcleo do poder alemão. Era necessário atacar realmente o centro do poder por outra frente, propiciando um ataque direto, encurralando os alemães.

Em 1944, todos sabiam que haveria um desembarque anglo-americano na Europa. Só não sabiam onde, e nem quando. Sobre a questão do “onde”, as duas opções eram Normandia ou Calais – locais com amplas praias para espalhar as tropas e não serem alvo fácil, próximos a portos importantes para garantir o ressuprimento, mares calmos o suficiente para facilitar o desembarque.

A Normandia foi o local escolhido, após longas análises e muita guerra de informação e desinformação, com direito a tanques de papelão, mensagens falsas, tropas fake, etc…

Sobre o “quando”: era necessário que houvesse lua, no mínimo parcialmente, porque as operações aéreas começariam de madrugada. A maré deveria estar baixa – para permitir que as tropas localizassem o campo minado deixado pelo inimigo. O tempo deveria estar bom – pouco vento, poucas nuvens – imagine o pesadelo que seria desembarcar sob tempestade e sob fogo nazista.

O Gen. Eisenhower, responsável pela Operação Overlord, fez longos meses de planejamento, imaginando cada detalhe da invasão, cada passo a ser tomado. Ele definiu junto aos seus pares que a invasão seria no dia 5 de junho de 1944. Mas havia algo impossível de prever: o clima, o mesmo clima citado por Sun Tzu, o mesmo clima que virou o jogo para Kongming.

A mobilização para o Dia-D foi monstruosa. Mais de 2000 navios de guerra, cerca de 150 mil soldados, tropas americanas, canadenses, britânicas – uma logística de outro mundo.

Entretanto, o tempo literalmente fechou para os aliados. Uma tempestade se aproximava – ventos fortes, pouca visibilidade. Eisenhower mandou as tropas esperarem. E agora, a responsabilidade do sucesso da invasão caía sobre os ombros de um homem, o Capitão James Stagg, o meteorologista-chefe dos americanos. E a resposta dele era que era impossível fazer a previsão, naquelas condições – teria que esperar.

O que fazer? Cancelar o Dia D?

A próxima janela de tempo com todas as características necessárias só se daria dali a duas semanas. Mas desmobilizar e mobilizar novamente todas as tropas seria um completo pesadelo logístico. Além disso, seria impossível guardar segredo após a movimentação de tanta gente, eles perderiam o elemento surpresa e a guerra de desinformação. E pior, se chovesse dali a duas semanas, talvez a próxima oportunidade tivesse que esperar mais vários meses. Daria tempo suficiente para a Alemanha se defender da Rússia, da ofensiva pelo Sul e de todas as ameaças.

No dia seguinte, o meteorologista Stagg bateu no peito, e garantiu que a tempestade tinha dado uma trégua. Haveria uma brecha de pouquíssimo tempo – um dia, no máximo dois dias. Vários dos comandantes acharam muito arriscado, mesmo assim, e pediram para adiar o desembarque na Normandia. Mas Eisenhower apostou alto, colocou todas as fichas em sua versão de Kongming, e ordenou o ataque para o dia 06 de junho de 1944.

A partir daí, é história: o Dia D foi uma das operações mais bem sucedidas da humanidade, e selou o destino da Alemanha de Hitler.

Outro fato que ajudou no sucesso da operação. Os nazistas estavam muito tranquilos de que não haveria invasão alguma, porque a previsão do tempo apontava chuva forte. Mesmo após o desembarque, eles custaram a acreditar que esta fosse a operação real, e não uma isca para confundí-los.

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O que aconteceria se o tempo fosse contra?

Imagine se o meteorologista Stagg estivesse errado, e uma tempestade varresse a costa francesa?

Os aliados perderiam todo o apoio aéreo – a navegação aérea era totalmente visual naquela época. A navegação seria terrivelmente prejudicada. Mesmo se as tropas desembarcassem, a mobilidade dos equipamentos seria bastante prejudicada naquele momento crucial da invasão. Certamente, as perdas seriam estrondosamente maiores, senão catastróficas.

Não seria a primeira vez na história que uma tempestade acaba com uma invasão.
Kublai Khan, neto do mongol Genghis Khan, dominava a China no séc. XIII. Ele tentou invadir o Japão em 1274, com 300 navios e 15.000 soldados. Diz a lenda que uma tempestade destruiu os seus navios. O Japão, um país de agricultores, não conseguiria resistir ao poderio bélico sino-mongol.

Kublai dobrou a aposta, e em 1281, mobilizou 900 navios, 17000 marinheiros, 25000 soldados coreanos, mongóis e chineses… e, novamente, uma tempestade protegeu o Japão, acabando com as ambições do grande Khan da época.

Os ventos que protegeram o Japão foram os ventos (kaze) dos deuses (kami), dando origem ao termo “kamikaze”.

Citando novamente Sun Tzu: com quem estão as vantagens do Céu e da Terra?


Epílogo

Não por acaso, o mais poderoso deus da mitologia grega, Zeus, é o deus da chuva e do trovão.

Também não por acaso, os mais poderosos deuses da mitologia nórdica, Odin, e seu filho Thor, também são deuses do trovão.

Antigamente, os guerreiros oravam aos deuses para conseguir as vantagens dos céus.

Os deuses sorriram para os aliados, no derradeiro Dia-D, o desembarque na Normandia.


Links:

https://www.audible.com/pd/History/World-War-II-A-Military-and-Social-History-Audiobook/B00DJ8ILIS

View story at Medium.com

https://en.wikipedia.org/wiki/Normandy_landings

Normandy Landings 2017: What the D in ‘D-Day’ actually means

https://en.wikipedia.org/wiki/Mongol_invasions_of_Japan

https://www.huffingtonpost.com/2014/06/06/70th-anniversary-dday-photos_n_5445367.html

​ O destruidor de mundos

O sobrevivente de duas bombas atômicas
Tsutomu Yamaguchi estava indo trabalhar no dia 06/08/1945, em Hiroshima, no Japão, quando a primeira bomba atômica da história da humanidade foi lançada, a cerca de 3 km de onde ele estava.
Apesar das queimaduras, Yamaguchi voltou a trabalhar na sua empresa após 3 dias. Ele estava em Nagasaki, no dia 09/08/1945, quando a segunda bomba atômica foi lançada, a uns 3 km do escritório da Mitsubishi.
Yamaguchi sobreviveu novamente, por incrível que pareça. Ele é a única pessoa oficialmente reconhecida pelo governo japonês como sobrevivente das duas bombas.
Ele veio a falecer décadas depois, aos 93 anos, depois de ter sobrevivido a uma guerra mundial e duas bombas atômicas, mostrando que a Dona Morte teve muito trabalho para levá-lo.

Qual o potencial de uma bomba atômica?
Sempre me perguntei qual o tamanho do estrago de uma bomba dessas.
Digamos, uma granada destrói uma sala. Uma bomba convencional destrói algo entre um prédio e um quarteirão. E uma bomba como a de Hiroshima?
O site nukemap (http://nuclearsecrecy.com/nukemap/) dá uma ideia do tamanho da destruição.
Fiz algumas simulações.
A mesma bomba de Nagasaki, em São Paulo, acabaria com todo o centro da cidade.
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A Praça da Sé e bairros próximos, como a Santa Ifigênia e a Liberdade, seriam destruídos. Do lado direito, o número de fatalidades e de feridos.

 


Tsar Bomba
Já a bomba mais poderosa do mundo atual, a Tsar Bomba (russa), detonaria toda a cidade de São Paulo, chegando até mesmo a Guarulhos, Mogi das Cruzes, Jundiaí e Santos. Com uma única bomba!
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As cores representam os raios de efeito
Bola de fogo: 6.1 km (117 km²):Máximo tamanho da detonação nuclear
Rajada de ar: 32.6 km (3,350 km²): Muitas das construções colapsam, danos são universais, fatalidades em todo lugar.

Radiação termal: 73.7 km (17,080 km²): Queimaduras de terceiro grau nas camadas de pele, que são indolores por destruir os nervos da pele. Pode causar danos severos e pode requerer amputação.

 

A Tsar é uma bomba de hidrogênio, baseada em fusão nuclear (ao invés de fissão). Para produzir energia suficiente para detonar a bomba de fusão, internamente detona-se primeiro uma bomba de fissão nuclear – isto para dar uma ideia da quantidade de energia envolvida.

 


E que tal simular uma detonação no Rio de Janeiro.
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O Fat Man chegaria até o Catete, Santa Teresa e todo o centro.
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Já a Bomba Tsar alcançaria Petrópolis, Itaguaí e Saquarema!
E nota-se que o Rio de Janeiro não é um bom alvo, porque metade do poder da bomba iria se perder no mar, visto que RJ é uma cidade litorânea.
O poder do átomo é o mesmo poder que alimenta o Sol. E este poder do Sol está nas mãos de alguns seres humanos neste planeta.
Agora fica mais claro o termo Destruição Mutuamente Assegurada: MAD em inglês.
O poder dessas bombas é tão enorme, que, se usadas pelas nações que as detêm, causariam o fim da humanidade.
Depois de destruir tantas cidades, é muito apropriada a citação de Robert Oppenheimer. Ele foi um dos cientistas chefe do Projeto Manhattan, que desenvolveu a primeira bomba atômica.
Eu me tornei a morte, o destruidor de mundos.

Oppenheimer proferiu a frase após o teste bem sucedido da bomba no deserto de Nevada, em 1945. Esta é uma frase do Bragavad Gita, um épico indiano secular – Oppenheimer sabia ler e escrever em sânscrito.

 


Links:

Bônus
Bomba atômica por Vinícius de Moraes

A bomba atômica I

rio de Janeiro , 1954

e = mc2
Einstein

Deusa, visão dos céus que me domina
… tu que és mulher e nada mais!

(Deusa, valsa carioca.)

Dos céus descendo
Meu Deus eu vejo
De paraquedas?
Uma coisa branca
Como uma forma
De estatuária
Talvez a forma
Do homem primitivo
A costela branca!
Talvez um seio
Despregado à lua
Talvez o anjo
Tutelar cadente
Talvez a Vênus
Nua, de clâmide
Talvez a inversa
Branca pirâmide
Do pensamento
Talvez o troço
De uma coluna
Da eternidade
Apaixonado
Não sei indago
Dizem-me todos
É A BOMBA ATÔMICA.

A rosa de Hiroxima

rio de Janeiro , 1954

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
Rosa de Hiroshima

O valor das flores de plástico

Quando eu era criança, eu achava as flores de plástico mais bonitas do que as flores de verdade. Elas eram bem feitas, não envelheciam, não murchavam, não morriam… talvez um dia, todas as flores do mundo fossem substituídas por suas versões infinitas.

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Entretanto, logo descobri que as flores de verdade valem muito mais do que as artificiais. É simples fazer um teste. Tente dar um buquê de flores de plástico para uma moça. Ela vai tacar a mesma na sua cabeça.

O valor das flores do mundo real vem exatamente do fato de que elas duram pouco. Murcham rapidamente, envelhecem e morrem. São efêmeras.

O ser humano se comunica através de sinais, implícitos e explícitos.

Um buquê de flores de verdade sinaliza que o galã teve que comprar o mesmo recém-cortado, portanto caro, e manusear com muito cuidado até entregar à moça.

É um sinal difícil de falsificar.

Neste caso, o que vale é a sinalização. Não a beleza.

 


 

Diplomas e certificados

O que é um diploma? Ou um certificado de alguma habilidade específica?
É como o caso das flores, uma sinalização. Sinaliza que fulano fez algo muito difícil, e de muito valor.

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Na prática, uma pessoa sem certificação pode fazer o mesmo, ou até melhor, do que alguém certificado, ainda mais nos dias de hoje, com a disseminação do conhecimento pela internet.

O problema é que, num mundo com bilhões de pessoas, é muito difícil distinguir as habilidades de centenas de potenciais candidatos. As certificações servem como um filtro para o processo de avaliação. Não conheço totalmente a pessoa, mas conheço e dou valor à certificação.

Porém, assim como no caso das flores de plástico, o diploma perde totalmente o seu valor se ele começar a ser falsificado, ou banalizado. Todo mundo ter curso superior é o mesmo que ninguém ter curso superior. O mercado não é bobo, ele entende e se adapta facilmente aos sinais. Não por coincidência, hoje em dia é necessário ter curso superior para ser auxiliar de ajudante de analista de contabilidade júnior.

 

Quando não se conhece as pessoas, as certificações são um filtro. Entretanto, depois que a pessoa é conhecida, e tem o trabalho avaliado após alguns meses e anos, o jogo é outro. A sinalização é pela confiança. Um diretor prefere trabalhar com alguém de confiança, que ele sabe que vai dar conta do trabalho, do que um desconhecido cheio de certificados.

Num mundo repleto de certificações banalizadas, a indicação boca-a-boca, tanto de profissionais quanto de serviços, tem um valor muito grande: “Sei que esse cara manda bem demais”, “Fulano foi o responsável pelo sucesso do projeto”, etc.

A indicação boca-a-boca sincera é um sinal muito difícil de falsificar.

 

Em resumo. Não confundir o valor real com certificações.

E, cuidado. Atualmente, as certificações estão virando flores de plástico.

 

 

 

​Desista, nunca vai dar certo!

Todas as vezes em que um especialista disser que não vai dar certo, lembre-se desses cases.

 


Os Beatles

Em janeiro de 1962, os ainda desconhecidos Beatles foram rejeitados pela Decca Records, com a seguinte nota:

“Grupos de guitarra estão em franca decadência”, e “os Beatles não têm futuro no show business”.

Ledo engano, os Beatles se tornaram a banda de maior sucesso da história!

 


 

Fedex

Fred Smith é o fundador da Fedex, uma das maiores transportadoras de carga do mundo. Num dos trabalhos da faculdade, ele colocou a ideia de transportes de cargas através de um hub central.

Diz a lenda que ele recebeu um C- pelo trabalho, com a explicação de que o mesmo deveria ser minimamente viável na prática para receber uma nota melhor!

 


 

O Telefone

Graham Bell, o inventor do telefone, ofereceu os direitos de produção à Western Union, que respondeu:

“Que espécie de uso teria este brinquedo elétrico?”


 

Albert Einstein – Lazy dog

O grande cientista alemão Albert Einstein não era um bom aluno. Muito pelo contrário. Ele odiava a rotina de ter que estudar assuntos que lhes eram impostos, ao invés de seguir a própria imaginação.

 

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Por isso, um de seus professores de matemática o chamou de “Cachorro preguiçoso”, e profetizou que ele nunca faria algo de útil na vida!

 


 

Links

https://ideiasesquecidas.com/

https://en.wikipedia.org/wiki/The_Beatles%27_Decca_audition

https://www.bloomberg.com/news/articles/2004-09-19/online-extra-fred-smith-on-the-birth-of-fedex

How Einstein Went from ‘Lazy Dog’ to Nobel Prize Winning Scientist

http://blog.historyofphonephreaking.org/2011/01/the-greatest-bad-business-decision-quotation-that-never-was.html

 

Planejamento de longo prazo

Palavras do grande mestre Peter Drucker, sobre o planejamento de longo prazo.

 

O futuro requer decisões – agora. Impõe riscos – agora. Demanda ação – agora. Necessita de alocação de recursos, em especial, recursos humanos – agora. Demanda trabalho – agora.

O longo prazo é feito de decisões de curto prazo. A menos que o longo prazo seja construído por ações de curto prazo, o planejamento de longo prazo é um exercício de futilidade.

Longo prazo e curto prazo não são uma questão de período de tempo: anos, décadas. O que interessa é o quão efetivo é o período de tempo sobre o qual o plano é efetivo.

Ação: Desenvolva um plano estratégico que tenha decisões presentes. Estabeleça responsabilidades pela implementação e monitoramento dessas decisões.

 

Comentário meu: a coisa mais comum de acontecer é um sonho bonito de longo prazo, acompanhado de ações completamente opostas no curto prazo. O exemplo clássico é a pessoa que traça um plano para emagrecer, mas não resiste à visão de um chocolate no supermercado. O mesmo ocorre quando o fechamento do EBITDA trimestral sacrifica um desempenho de longo prazo da empresa. 

Duas alternativas

Entre duas alternativas, a primeira já conhecida, e outra desconhecida, porém potencialmente melhor, escolha a segunda.
Novos conhecimentos vêm de experiências descorrelacionadas com experiências passadas.
Entre um livro original em inglês e sua tradução em português, escolha sempre o em inglês, para treinar uma segunda língua.
Entre um restaurante conhecido, e um desconhecido, escolha o segundo.
Uma vez fui até Quebec, no Canadá, e almocei no McDonalds. Que perda de oportunidade! Poderia ter almoçado em qualquer lugar, menos num restaurante que tem em qualquer esquina de São Paulo.
Numa reunião ou festa, tente falar com pessoas desconhecidas, não com a mesma panelinha de sempre.
Esta é uma forma simples de treinar o hábito de assumir riscos controlados.

​Bagdá, a mais bela cidade de todos os tempos

Ali Babá, um pobre lenhador árabe, esbarra com o tesouro de um grupo de ladrões, na floresta. De repente, após uma nuvem de poeira, revelam-se precisamente 40 ladrões. O tesouro dos ladrões está numa caverna, que é aberta por magia. A gruta abre-se usando-se a expressão “Abre-te, Sésamo” e fecha-se com as palavras “Fecha-te, Sésamo”. Quando os ladrões saem, Ali Babá entra na caverna, e leva parte do tesouro para casa…

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Quando éramos crianças, todos nós já ouvimos falar das histórias fantásticas de Bagdá: os contos das 1001 noites, Aladdin e sua lâmpada mágica, tapetes voadores, animais estranhos vindo dos recantos mais distantes do mundo, Sherazade e suas histórias. Conhecemos a Bagdá do mundo dos sonhos: o centro cultural, artístico, financeiro e tecnológico do mundo. Era certamente a melhor e mais avançada cidade do mundo, a mais bela capital do mundo civilizado, lá pelo ano 1000.

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A cultura ocidental atual só existe devido aos pensadores do oriente médio. A Europa, no ano 1000, era um bando de tribos isoladas, de bárbaros iletrados. Não chegava nem perto da radiante cultura persa. As obras dos grandes filósofos gregos, Platão, Aristóteles, foram traduzidas para o árabe nesta época e se mantiveram vivas na história da humanidade. E, séculos depois, os clássicos gregos foram redescobertos e transcritos para o latim. Não à toa, esta época da Europa é chamada de Idade das Trevas.

Quando eu era adolescente, comecei a me perguntar: onde fica Bagdá?

Depois de alguns outros anos, fiquei sabendo que Bagdá é a capital do Iraque.

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E o Iraque contemporâneo, ao menos de algumas centenas de anos para cá, não é nem de longe uma referência artística e cultural do mundo moderno. Mesmo antes das guerras dos dois George Bushs, o Iraque de Saddam Hussein tinha zero do charme das histórias das 1001 noites.

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De Bagdá ao Iraque

Como a Bagdá virou o Iraque é uma história de mais de 1000 anos, e certamente são muitos e muitos fatores importantes.

Porém, eu queria destacar um marco desta história. Um autêntico ponto de virada. A história da humanidade é sempre não-linear, e são exatamente esses pontos de não-linearidade que fazem a vida de centenas de milhões de pessoas mudarem para todo o sempre.

Esta não-linearidade tem um nome: Genghis Khan. E o que ele fez? Deletou Bagdá do mapa. Apagou toda a glória de Bagdá, obrigando-a a recomeçar do zero. Esta história, e algumas de suas consequências, serão narradas a seguir.

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Genghis Khan

Não estudamos a história do mundo, na escola. Para nós, o mundo se resume à Europa e aos Estados Unidos. Nunca ouvi falar de Genghis Khan nas apostilas. Entretanto, ele mudou para sempre o mundo, deixou cicatrizes que duram até os dias de hoje.

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Genghis Khan nasceu com o nome Temujin, no ano 1162, na Mongólia. A Mongólia é uma região árida, e tinha povos nômades organizados em tribos. Temujin uniu as tribos mongóis, onde “unificar” significa derrotar os outros exércitos, matar seus líderes e assumir o poder. A unificação das tribos mongóis se deu ao longo de 20 anos de batalhas. Temujin se tornou o Genghis Khan. O termo “Khan” significa algo como “rei”, e “Genghis”, “grande”.

Uma vez dominando a Mongólia (e regiões vizinhas), o grande Khan começou uma estratégia de dominação do mundo inteiro. Partiu para o oeste, dominando os povos da região da Armênia, Afeganistão e outros. Partiu para o sul, onde dominou o norte da China (um de seus descendentes, Kublai Khan, encontrou Marco Polo e tentou conquistar o Japão, numa história que um dia eu conto).

Todo exército bem sucedido tem alguma inovação tecnológica ou de processos que dá uma vantagem sobre os oponentes. No caso dos mongóis, eles dominavam duas técnicas letais: o cavalo e o arco.

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O povo mongol, nômade, praticamente nascia montado num cavalo. Um mongol tinha 100% de afinidade com o seu cavalo, eram uma coisa só. Dominar uma montaria dessas, numa guerra, significava extrema força e mobilidade.

 

Além disso, eles dominavam o arco-e-flecha. Eram treinados desde cedo nesta arte. A combinação arco-e-flecha montada num cavalo, tornava-os praticamente imbatíveis: poderiam atacar de longe sem serem atacados, poderiam ir e vir com a velocidade de um raio.

Ao longo do tempo, eles foram incorporando tecnologias assimiladas dos povos conquistados. Ao exército mongol juntaram-se engenheiros chineses e sua máquinas para o cerco de cidades. Máquinas como a catapulta para lançamento de pedras e de óleo inflamável, tecnologias para construção de fortificações e pontes, algumas armas rudimentares baseadas em pólvora.

Os mongóis eram naturalmente rudes e ferozes. Por exemplo, os mongóis não lavavam as suas roupas, o que os tornava famosos pelo mau cheiro. Outro exemplo: eles eram acostumados a comer carne crua. Para amaciar um pouco a carne crua, eles a colocavam entre suas pernas quando montados no cavalo…

 

Pois bem, para completar, o grande Khan adotava a técnica do terror para maximizar o alcance de suas conquistas. Mandava mensageiros para submeter as cidades ao seu domínio, o que significava reconhecer os mongóis como senhores, fazer contribuições de ouro, alimentos, armas e exércitos ao Khan. Quem não obedecesse era sumariamente destruído, para servir de exemplo. A cidade toda era devastada, não sobrava pedra sobre pedra. Até mesmo os civis eram brutalmente executados. Eles varreram algumas cidades do mapa, como uma cidade afegã chamada Khwarezmia, que foi completamente dizimada.

Não havia exército que conseguisse se equiparar à força dos mongóis. Não havia quem fosse mais ágil, mais experiente em batalhas, e com tanto know how de engenharia de destruição. Era melhor se render do que tentar enfrentá-los.

Em física, o momentum é igual à força vezes velocidade. Um grande momentum atropela um pequeno momentum. Na Arte da Guerra de Sun Tzu, diz-se para atacar como uma pedra esmaga um ovo. O momentum é como uma pedra enorme rolando morro abaixo.

O momentum era de Genghis Khan.

 


 

O califado Abbasid

 

O califado Abbasid foi o terceiro califado após o profeta islamico Maomé. O comandante do califado era o califa, e a cidade de Bagdá era a capital da mesma. O califado Abbasid foi estabelecido em 750.

Na época de ouro, Bagdá era a maior cidade do oriente médio, e era conhecida mundialmente como a capital do conhecimento, por abrigar instituições acadêmicas importantes.

O poder do califado estava em pleno declínio, no século XIII, após décadas de intrigas políticas, guerras e governos ruins. Havia outras forças na região, turcos e mamelucos.

Em 1242, o califa al-Mustasim assumiu o poder da cidade. Diz um cronista da época, sobre al-Mustasim.

“Sem dúvida, não tem a menor aptidão para o reinado, e a grandeza passa longe do mesmo”

 


 

Os mongóis chegam à Bagdá

 

No ano de 1258, Genghis Khan já havia morrido. O comando do império mongol era de seu neto Mongke Khan, que enviou o irmão dele, Hulagu Khan, para conquistar os povos do Oriente Médio.

Hulagu Khan levou 150 mil soldados para o Oriente Médio, e contava com o apoio de outros povos subjulgados e aliados ocasionais: exércitos da Armênia, Geórgia, etc.

Enquanto o califado estava em franco declínio, os mongóis estavam em seu auge.

O cerco de Bagdá ocorreu em 1258 e durou apenas duas semanas. O califado falhou em se preparar para a batalha, sem exército à altura. Bagdá também achava que um ataque a eles poderia mobilizar aliados islâmicos em sua defesa, o que não ocorreu.

O exército mongol destruiu os canais de irrigação, arruinando a agricultura. Saquearam e destruíram mosteiros, palácios, hospitais. Roubaram os tesouros, estupraram mulheres, aniquilaram a população civil.

Eles mantiveram o califa vivo, para assistir à execução de seu exército. Depois, enrolaram o califa num tapete, e fizeram os cavalos o pisotearem até a morte. Para ter uma ideia, o califa era para Bagdá como o papa é para a igreja católica.

Dizem os cronistas que os rios ficaram vermelhos de sangue das pessoas. Os mongóis não poupavam nem mulheres nem crianças. Estimativas variam entre 200 mil mortes à 1 milhão. Sendo que a população total de Badgá era em torno de 1 milhão de habitantes, algumas dessas estimativas são exageradas numericamente, mas de qualquer forma a perda foi enorme.

Depois das pessoas, foi a vez dos livros. As bibliotecas de Bagdá continham uma quantidade enorme de clássicos, da matemática à medicina, da história à astronomia. Os mongóis queimaram as bibliotecas e jogaram os livros nos rios. Os rios, antes vermelhos de sangue, depois ficaram pretos de tinta, levando embora em suas águas centenas de milhares de vidas e milhares de anos de conhecimento.

Uma perda irreparável. Após a devastação mongol, havia pouco o que se fazer. Não havia cidade, não havia agricultura, não haviam pessoas, não havia mais livros. Faltava gente para reerguer a cidade das cinzas.

Este evento é considerado o fim da era de ouro islâmica.

 


Quem parou os mongóis?

Pouco tempo após a devastação de Bagdá, um único evento pôs fim ao terrível avanço mongol. Outra não-linearidade na história: Mongke Khan faleceu. Era costume na época os comandantes mongóis retornarem ao país para prestar tributos. Mas, muito mais do que tributos, os generais mongóis estavam concorrendo para ver quem assumia o império. Ao parar de conquistar o mundo externo, e começar a brigar entre si, eles perderam o momentum, e foram sendo derrotados nas pontas. Era o início do fim do império mongol.

 


 

O que aconteceria se os mongóis chegassem à Europa?

Um dos maiores “What ifs” da história é o que aconteceria se os mongóis continuassem a sua marcha de terror em direção à Europa. O que aconteceria se Mongke Khan tivesse vivido mais uns 20 anos, e eles não tivessem perdido momentum?

Os mongóis provavelmente continuariam a sua marcha brutal em direção à Europa. Não havia exército que pudesse resistir ao seu poderio. Talvez um dia chegassem até a Itália, onde pegariam o papa e o colocariam num tapete para ser pisoteado pelos cavalos… e a história do mundo de hoje seria completamente diferente.

 


Os dois ovos da fênix

No belíssimo conto de Sandman chamado “Ramadã”, conhecemos a história do califa Rahum Al-Raschid e a sua formidável Bagdá. Simplesmente, a mais bela cidade de todos os tempos. Porém, ele estava preocupado em manter a sua Bagdá eternamente reluzente e radiante.

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Al Raschid faz um trato com Sandman. Ele vendeu Bagdá ao senhor dos sonhos, em troca da promessa de manter a memória da grandiosa cidade viva eternamente. Por conta disto, é possível vê-la até hoje, em toda a sua glória, tapetes voadores e histórias de 1001 noites, no mundo dos sonhos.

Nos porões do castelo de Al Raschid, descendo escadas, masmorras e entradas secretas, há uma sala cheia de ovos. Ovos de todos os pássaros do mundo, de todos os tamanhos e todos os tipos.

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Nesta sala se encontram os dois ovos da Fênix. Quando a fênix morre, ela põe dois ovos. Um deles é dourado, da onde nasce outra fênix. O outro é preto, e ninguém sabe o que nasce deste ovo.

Infelizmente, foi o ovo preto que chocou.

 


 

Links:

 

https://en.wikipedia.org/wiki/Abbasid_Caliphate

https://www.thenational.ae/arts-culture/tragedy-and-glory-1.296038

http://lostislamichistory.com/mongols/

https://en.wikipedia.org/wiki/Mongol_conquest_of_Khwarezmia

https://en.wikipedia.org/wiki/Baghdad

https://www.audible.com/pd/History/Turning-Points-in-Middle-Eastern-History-Audiobook/B01AYGLFTO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

​ Ofurô no deserto e termas no gelo

Duas histórias de paradoxos que vi em viagens que fiz.

Ofurô no deserto
Eu já me deliciei com um banho de ofurô (uma banheira de água muito quente) no meio de um deserto, a uma temperatura do ar de 45 graus.
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É paradoxal, mas é verdade.
Em 2010 eu estava em Omã, viajando a trabalho. Omã é um país vizinho da Arábia Saudita, e cruzando o golfo, dava para visitar o Irã.
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Omã era um país de beduínos nômades do deserto, até o dia em que descobriram que estavam sentados sobre um poço de petróleo gigante.
Desde então, são beduínos ricos.
Fiquei num hotel bastante luxuoso na cidade de Muscat. Este hotel tinha um complexo de piscinas (não entrei nas mesmas, por conta da história deste link). Ou seja, o recurso escasso do deserto, água, nas piscinas de turistas.
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A temperatura do ar era de uns 45 graus. Chove 3 dias por ano em Omã, e por isso as ruas nem têm sistema de drenagem.
Andando uns 5 km estrada adentro, tem-se uma imagem como esta, apenas para comparação:
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Mas, embora a temperatura fosse muito elevada, o luxuoso hotel em que fiquei era climatizado, e eles colocavam o ar a uns 12 graus celsius. É até gostoso sair do deserto e entrar no friozinho, mas, não muito tempo depois, chegamos ao paradoxo de passar frio no deserto a 45 graus.
O quarto em que fiquei tinha uma banheira, tipo um ofurô. E, dado que estava muito frio dentro do quarto, não tive dúvidas: enchi a banheira de água quente e fiquei ali por um bom tempo, pensando no paradoxo de eu estar gastando dezenas de litros de água no deserto, tomando banho muito quente num quarto muito gelado num ambiente externo pelando de quente. Um autêntico paradoxo do pretérito imperfeito complexo da Teoria da Relatividade, como diriam os Mamonas Assassinas.

Termas no gelo
Na cidade de Chillian, no Chile, há um termas.
O aeroporto mais próximo fica em Concepcion, ao sul de Santiago. Duas horas de carro depois, fica a cidade de Chillian, e mais uma hora montanha acima, no começo da cordilheira dos Andes, chegamos ao local.

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Neste lugar, há um parque de águas quentes, vulcânicas (tem um vulcão por ali, dava para ver uma fumacinha).

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Onde é possível tomar um banho de águas termais, no meio da neve.

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Este local é extremamente bonito. Dá para esquiar, no inverno. Ou aprender a esquiar, em pistas mais fáceis para iniciantes. E a neve, por si só, é hipnotizante.

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É similar ao que nem eu vi no Nat Geo, um termas no gelo frequentado por macacos, no Japão.

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Parece que está muito bom…

 

O mundo é grande. E só se vive uma vez…