Por que alguém pagaria US$ 1 milhão numa imagem de um macaco (feio)?

Resumo baseado em artigo do amigo Mateus Magalhães Bastos, no link ao fim do texto.

– NFT é um “token não fungível”. Isto significa registrar a propriedade de um ativo digital numa blockchain e tornar ele único – como um assento num vôo, um ingresso para um jogo, uma propriedade de uma música. 

– Se eu pagar 1 milhão de doletas numa das imagens do Bored Ape, eu serei o proprietário dela, registrado em uma espécie de cartório descentralizado chamado blockchain. Uma vez dono desta imagem, posso fazer uso comercial: abrir um bar com o tema, vender camisetas, etc.

– É claro que qualquer um pode dar um print screen na tela e copiar a imagem do macaco, mas somente eu seria o dono de fato, garantido pela blockchain. Guardadas as devidas proporções, qualquer um pode abrir um bar temático do Darth Vader, copiando o estilo, porém somente a Disney tem os direitos autorais.

– Há outras vantagens. Além de ser dono de uma imagem, você está entrando num projeto maior. É como um ingresso para um clube restrito: receber brindes, ganhar outros NFTs, convites para eventos fechados e participar de uma comunidade exclusiva de donos desses macacos entediados.

– Um terceiro motivo pode ser especulação mesmo. Alguns Bored Apes que valem milhões hoje foram lançados por meros 190 dólares. Sabendo que a Yuga Labs (o império das NFTs) está lançando diversos projetos (desde outros NFTs até terrenos no metaverso), é bom estar perto do ela vem fazendo.

Confesso que me sinto como a minha avó tentando entender como um computador funciona. Nada disso faz muito sentido, a princípio. Porém, há ideias realmente boas que podem vingar futuramente, em meio a tantas outras que vão naufragar.

O texto do Mateus tem muito mais detalhes, para quem gostar do tema:

A química e o nosso universo

Recomendação de livro para o fim de semana: “Chemistry and Our Universe”. Conta a história da química (e muito de física), desde modelos atômicos, dualidade onda-partícula, ácidos – base, etc. É uma enorme revisão de toda a química a nível universitário, é fantástico para a mente curiosa.

É da coleção “The teaching company”, que conta com excelentes professores, no formato áudio ou vídeo.

My project in the Qiskit Mentorship Program 2022

At last, I finished my project, “VQE optimization with dynamic shot scheduling”, in the Qiskit Mentorship Program 2022!

Here, some conclusions and tips for those who want to learn a lot in the raising field of Quantum Computing.

What is Qiskit and what is the Advocate Program?

Qiskit is the IBM programming language for Quantum Computing.

The Qiskit Mentorship Program is an initiative of IBM, to match Qiskit Advocates enthusiasts and IBM Quantum specialists, to increase contributions / participation in this small community of aficionados.

It is a great chance to learn a bit more about Quantum Computing, also to do a small contribution to the community.

About the prerequisites:

A prerequisite is to be a Qiskit Advocate. To be an advocate, the first step is to pass a test on Qiskit language, the IBM Certified Associate Developer. It also requires contributions in this field (a paper, or articles).

After that, you can apply to the Qiskit Advocate program. There is a yearly process to that. Once approved, you will be part of an exclusive group, and eligible to the Mentorship Program.

About the mentorship program and timeline of the project

There are two mentorship programs per year.

My application began in February 2022, with a list of projects suggested by mentors and necessary skills.

There are several themes, including tutorials, optimization, quantum machine learning and so on. The advocates can candidate to work in the projects, and, if they are accepted, the match is made. It is possible to have groups of advocates working together in the project.

A list of projects for QAMP can be consulted at [1].

From official kickoff to final showcase, we have three months to deliver the project, with the help of the mentor. In my case, my mentor was Julien Gacon, from Germany, currently working at IBM Swiss.

There are two intermediary checkpoints, first a kick meeting to show the status of the works, and the second, a written report.

I did a weekly meeting with the mentor, using Zoom. Besides, chat and exchange of information via Slack platform. In today’s world, we have several tools that makes it very easy to work with anyone around the world.

About the project: “VQE optimization with dynamic shot scheduling”

Despite the confusing name, the idea is not so strange for those who know a bit of optimization.

Let’s go bit by bit (or qubit by qubit).

In current near term quantum era, variational algorithms (like VQE — Variational Quantum Eigensolver) can be very useful. Those are hybrid classical-quantum: one part of the circuit is quantum (the encoded problem), and another part is classical (the parameters that minimize the output of the circuit).

There are applications of VQE in the simulation of chemical molecules, for example.

In current quantum era, those are problems in VQE like circuits:

– Shots (evaluations of the circuit) are expensive in a real quantum computer

– Noise is a problem

There are several possible approaches to maximize performance:

– Choosing better Ansatz (circuits that represent the problem)

– Changing how to choose the cost function

– Use and tuning of several gradient and non-gradient methods

In the case of my project, we used a strategy that adapts the number of shots. In general terms, more noise, more shots are necessary.

The method is based on the paper of Kubler at al. [2], where he cites adaptive shots is the most efficient optimizer, looking at the total number of shots. The algorithm has the name ICANS (individual Coupled Adaptive Number of Shots).

How to measure the noise? A proxy for noise is the variance of results of shots. The bigger the variance, the bigger the noise, and then, more shots are necessary, in next round of optimization.

This method estimates the number of shots per round, also per partial derivative of the gradient.

I hope now the title of the work is clearer: VQE optimization (the hybrid quantum classical circuit) with dynamic shot scheduling (different shots per round per partial derivative, more noise more shots).

The tests we made, based on benchmarks against Gradient Descent and SPSA, confirmed results of reference papers.

As a deliverable, I wrote a code in Qiskit, with iCANS as new subclass of VQE. I opened a pull request on Github, to incorporate this code in Qiskit. It was my first contribution in an open source project.

Conclusion

In the end of the program, IBM kindly offers a certified badge for those who completed all the steps of the program:

(https://www.credly.com/badges/8c43a076-9de1-4af2-b054-e903473a7869).

I hope this little description of the program could clarify some questions and inspire more people to join us in this beautiful journey.

Quantum computing is a promising field. According to McKinsey: “Big pharma could apply quantum computing to protein structure and interactions, an opportunity worth $200 billion. Telecoms could use it to optimize their capital spending, worth a potential $50 billion to $70 billion.” [3]

Thanks, IBM, for the opportunity and my mentor Julien Gacon for the patience and dedication.

By Arnaldo Gunzi, Project Manager on Advanced Analytics, AI and Quantum Computing, in a big paper & pulp industry in Brazil.

Follow me on LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/arnaldogunzi/

[1] https://github.com/qiskit-advocate/qamp-spring-22

[2] An Adaptive Optimizer for Measurement-Frugal Variational Algorithms. Jonas M. Kübler, Andrew Arrasmith, Lukasz Cincio, Patrick J. Coles https://arxiv.org/abs/1909.09083.

[3] https://www.mckinsey.com/business-functions/mckinsey-digital/our-insights/tech-forward/the-path-forward-for-quantum-computing

Ideias em gráficos – equipe de vendedores, expectativa x realidade

Um vendedor excelente < Uma equipe de bons vendedores.

Expectativa x Realidade

PDCAs

Tartaruga x Coelho

1% melhor ao dia x 1% pior ao dia

Planilha para download em:

https://1drv.ms/x/s!Aumr1P3FaK7joC_ZOQ5LczHBI8AF

Veja também:

Princípios Para a Ordem Mundial Em Transformação: Por que As Nações Prosperam e Fracassam

Estive numa livraria, no fim de semana, e vi, finalmente, o novo livro de Ray Dalio traduzido para o português:

Link da Amazon: https://amzn.to/39GaaUu

Como grande fã dos Princípios do maior gestor do mundo, altamente recomendo a leitura.

Quem acompanha este espaço já viu uma resenha deste livro, 6 meses atrás, quando nem existia a versão em português: https://ideiasesquecidas.com/2022/01/06/ray-dalio-sobre-a-nova-ordem-mundial-a-china-e-previsoes-para-o-futuro/


Reproduzo aqui os principais trechos:

Ray Dalio é o gestor do maior fundo de investimentos do mundo, a Bridgewater, tendo começado do zero. Ele é considerado o “Steve Jobs das finanças”.

Dalio publicou no final de 2021 o livro “Principles for Dealing with the Changing World Order”, sobre ciclos econômicos e a nova ordem mundial que está surgindo, incluindo alguns forecasts para o futuro.


Ele começa estudando a história econômica dos últimos 500 anos, em especial impérios como China, Grã-Bretanha, Holanda e EUA – o livro é também um amplo trabalho de pesquisa histórica.

É com certeza o melhor livro publicado em 2021, obrigatório para quem lida com economia e finanças. É fantástico para entender em que pontos estamos no mundo e para onde provavelmente estamos indo.

Seguem alguns highlights, anotações minhas sobre poucos pontos, dentre o calhamaço de mais de 500 páginas. Para a visão completa, comprar o livro, que é repleto de gráficos e tabelas com suporte quantitativo às afirmações feitas no texto.

Sobre ciclos

Os grandes ciclos oscilam entre 1) períodos prósperos de grande produtividade e 2) depressões, revoluções, guerras. Os períodos de paz duram muito mais do que os de guerra, tipicamente uma razão de 5:1, por isso é possível dizer que os períodos de guerra são uma transição entre períodos de paz e criatividade.

Três grandes forças que modelam ciclos econômicos:

  1. O ciclo do débito de longo prazo e mercado de capitais. Em nenhum momento de nossas vidas as taxas de juros estiveram tão baixas ou negativas. Em 2021, mais de 16 trilhões de dólares de débito estavam em taxas de juros negativas e uma quantidade unusualmente alta de novo débito adicional será vendido para financiar déficits. Isso pode ser novo para nossas vidas, mas já aconteceu em outras ocasiões da história. O país que tem o poder de imprimir a reserva de moeda do mundo tem uma posição privilegiada. Atualmente, os EUA ocupam este posto, mas já isso já mudou várias vezes ao longo da história.
  1. O ciclo de ordem e desordem interna. Desigualdades de riqueza e valores estão no maior ponto, durante a minha vida. Estudando os anos 1930s e outras eras, a polarização alta e a economia em baixa antecendem conflitos de como dividir o bolo.
  2. O ciclo de ordem e desordem externa. Pela primeira vez na minha vida, os EUA encontram um rival de poder equivalente de verdade. A China se tornou um poder rival aos EUA e está se tornando mais forte e a um ritmo mais acelerado. Se a tendência continuar, a China se tornará mais forte nos aspectos que tornam um império dominante.

O débito é grande demais para ser pago em hard money, haverá impressão de dinheiro.

Nos próximos anos, o business cycle (períodos de bancos centrais estimulando e esfriando a economia) será a dinâmica mais importante.

O próximo problema econômico grande deve em menos tempo, uns 5 anos.

O desconhecido é muito maior do que o conhecido.

Sobre o futuro

Olhar para o passado ajuda a:

  • Estimar o que provavelmente vai acontecer
  • Proteger a mim e aqueles de que sou responsável no caso de eu estar errado

Sobre mexer com futuro, deve-se:

  • Perceber e adaptar
  • Definir probabilidades
  • Saber o suficiente para se proteger

Verificar situações similares, mesmo que não perfeitamente iguais.

Extrapolando o passados dos últimos 100 anos, por exemplo, é razoável estimar que nos próximos 10 anos:

  • população mundial 10% ~15% maior do que hoje
  • produtividade por pessoa 20% maior
  • riqueza por pessoa 30% maior
  • expectativa de vida 7.5% maior

Em 20 anos:

  • população mundial 20%~25% maior
  • produtividade por pessoa 45% maior
  • riqueza por pessoa 70% maior
  • expectativa de vida 15% maior

Processar tanta informação é muito para uma boa mente humana, mas não para humanos + computadores.

Existe forecasts que não dão certo, há mudanças de paradigma que ocorrem. Mesmo assim, pode ser útil para distinguir uma mudança de verdade ou apenas uma moda.

Sobre EUA X China

Todos impérios declinam e surgem outros para sucedê-lo.

Há 5 tipos de guerra:

  • Econômica / comercial
  • Tecnológica
  • Capital
  • Geopolítica
  • Militar

A maior rivalidade atual é entre EUA X China, utilizando os parâmetros acima. Ambos estão claramente nas 4 primeiras guerras listadas acima. Ainda não estão em guerra militar. Pelos estudo do passado, conflitos dessa natureza precedem guerras militares em 5 ~10 anos.
Uma guerra militar entre essas duas potências seria devastadora.

Por enquanto, EUA são mais poderosos, com a China crescendo. Para a China, qualquer movimento nesse sentido é melhor em momento futuro. A doutrina da Destruição Mútua Assegurada preveniu grandes conflitos entre potências nas últimas décadas, e deve demorar muito tempo para que a China tenha vantagem tão grande a ponto de não ser destruída também num conflito. Uma guera militar é devastadora tanto para perdedores quanto vencedores.

China é uma força irredutível em relação à Taiwan e EUA irredutível também em relação à Taiwan. É o maior ponto de risco entre ambos, olhando para 10 anos.

A tendência é a China intensificar desenvolvimentos econômico / comercial, tecnológico, capital e geopolítica. Gastos militares vem aumentando.

Risco de grande guerra militar é de 35% nos próximos 10 anos, segundo cálculo de Dalio.

Como colocar apostas nesse contexto?

Sucesso vem de saber lidar com o imprevisto, ao invés do que já conhece.

  1. De todas as possibilidades, conhecer o pior cenário e verificar formas de eliminar o intolerável.
    Não ser nocauteado em caso de problemas. Calcular as necessidades básicas, de forma a saber o quanto seria necessário. Como se proteger para garantir esse mínimo?
  2. Diversificar. É possível reduzir riscos em 80% sem reduzir retorno, com diversificação correta. É uma estratégia de vida, ter opções a adotar em caso de necessidade. Outra é colocar gratificação futura mais relevante do que gratificação presente. Outra é testar discussões de ideias com as pessoas mais inteligentes possíveis.

Sobre tecnologia e computadores

A tecnologia atualmente ajuda o homem a pensar.

Combinação entre computadores e humanos pode gerar melhorias em todas as áreas da vida.

Não ser capaz de ler código de computador vai ser equivalente a não saber ler e escrever.

Avanços e aumento de aplicações em computação quântica e inteligência artificial levarão a avanços inimagináveis em taxas de aprendizado e melhorias e trarão mudanças de riqueza global e poder. Serão mudanças em taxas diferentes nos próximos 5 a 20 anos, e serão uma das maiores fontes de mudança em riqueza e poder que o mundo já viu.

Computação quântica e inteligência artificial serão superiores aos computadores tradicionais tal como o computador é em relação ao ábaco.

Sobre outras tecnologias promissoras:

  • AI e Robótica
  • Health care
  • Edição de genes
  • Vacinas de RNA
  • Nutrição e remédios

Bastante otimista quanto ao futuro.

EUA no topo de métricas de inovação, seguido de perto pela China, que vem avançando a passos rápidos. Quem vencer corrida tecnológica também vence a corrida econômica e militar.

Veja também:

Gráficos e Reflexões – Pequena vantagem, milha extra e políticos

Seguem algumas representações gráficas de ideias diversas.

O gráfico a seguir é baseado numa frase de Napoleon Hill, “O mundo recompensa quem está disposto a percorrer uma milha a mais”.

Sobre energia x dia da semana:

Sobre Políticos x Analistas

Veja também:

Computação Quântica na capa da Scientific American Brasil, junho de 2022

Fico feliz ao ver o meu tema favorito de todos os tempos começando a ganhar destaque!

Enquanto a computação clássica usa o bit, 0 ou 1, o paradigma da computação quântica é o qubit (quantum bit), que pode ser 0, 1, ou qualquer superposição entre ambos os valores. A superposição vale até o qubit ser medido, e então o valor colapsa para 0 ou 1 (lembra do gato de Schrödinger, ao mesmo tempo vivo e morto, até alguém abrir a caixa?).

Além da superposição, outra propriedade-chave é o emaranhamento: dois qubits podem ficar entrelaçados, de modo que ambos colapsem para o mesmo valor quando medidos – o que Einstein chamou de “Ação fantasmagórica à distância”.

O artigo foca em correção de erros. Erros sempre existem e sempre existirão, devido à ruído na comunicação, decoerência de qubits, etc. É importante ter taxa de erro baixa e tratar os erros que acontecerem.

Em computação clássica, uma forma de fazer correção de erros é inserindo redundância. Posso simplesmente replicar o valor: se quero transmitir 0, posso repetir o mesmo três vezes (000). Se, por algum ruído, o 000 virar 010, tenho como saber que há algo estranho e corrigir a informação.

Replicar qubits não funciona. Um qubit não pode ser clonado (teorema da não-clonagem). A técnica para correção de erros deve ser mais sutil e indireta: usar qubits auxiliares emaranhados com os qubits de dados, como uma grade quadrada bidimensional, parecendo um tabuleiro de xadrez. Esta técnica é chamada de “código de superfície”.

Porém, o código de superfície é denso demais, e a autora (Zaira Nazario, da IBM) relata interferência entre qubits, nos computadores quânticos a supercondutores da IBM.

Por fim, o artigo comenta outra configuração entre qubits de dados e auxiliares que eles estão pesquisando, o layout “hexadecimal pesado”. Este lembra um grid de hexágonos, que tem a vantagem de ser menos denso que o layout do tabuleiro de xadrez, mitigando problemas. É o estado-da-arte da correção de erros quântica.

Mais do que o conteúdo técnico, é muito bom ver este tópico sendo discutido nas revistas de divulgação científica.

Aplicações potencialmente disruptivas de Quantum computing: cybersegurança, otimização combinatória e simulação de moléculas químicas.

Aproveitando. Gerencio um grupo de whatsapp sobre #quantumcomputing, com os amigos da Brazil Quantum e outros entusiastas sobre o tema. Para quem quiser receber notícias como essa, o link é: https://lnkd.in/dRm_MbD4 (vou desativar o mesmo em 24h, para evitar spammers).

Post no Linkedin.

O número de Bacon, e o algoritmo da distância mínima

O prolífico ator Kevin Bacon fez, um dia, uma declaração de que já trabalhou com todo mundo em Hollywood. Realmente, ele está na ativa desde os anos 80, trabalhando em dúzias de filmes como JFK, Apollo 13 e até X-Men First Class.

Baseado nesta afirmação e na Teoria dos Seis Graus de Separação, cientistas de dados criaram o “Número de Bacon”: qual a distância mínima entre Bacon e cada ator que já atuou em filmes.

Este site mostra o número de Bacon: https://oracleofbacon.org/movielinks.php

Exemplos:

O grande Tarcísio Meira tem número de Bacon 3. Trabalhou com Luc Merenda em “OSS 117 takes a vacation”, que por sua vez trabalhou com Tomas Milian em “Silent Action”, que trabalhou com Bacon em “JFK”.

O habilidoso Bruce Lee tem número de Bacon 3.

Note que pode haver mais de um caminho mínimo possível, por isso o botão “Find a different link”.

A “Mulher Maravilha” Gal Gadot tem número de Bacon 2.

E o “Capitão Nascimento” Wagner Moura, número de Bacon 2.

Há vários atores brasileiros que não constam na lista, quando mexemos no site. Neste caso, eles têm número de Bacon infinito.

Mundo Pequeno

É bem difícil encontrar algum ator que tenha uma distância de Bacon grande (a maior distância que encontrei foi 3 – mas eu também não tenho lá grande conhecimento de nomes de atores). O mundo de Hollywood é muito menor que o mundo real.

Porém, mesmo no mundo real, existe a teoria do “Mundo Pequeno”. Na média, 6 conexões separam quaisquer duas pessoas no mundo. Entre eu e o presidente dos EUA, eu conheço alguém que conhece alguém que conhece alguém que conhece alguém que conhece alguém que conhece o presidente.

Esta teoria é utilizada para entender a topologia de uma rede. Exemplo. O Facebook reportou distância média de 4,57, em 2016, baseado em 1,6 bilhão de usuários.

Outra reflexão é a dos superconectores. Há pessoas que são super elos, aqueles que conhecem muita gente, e que devem ser atingidos para que uma mensagem passe adiante.

Note que é a distância mínima que vale, o que nos leva à seguinte pergunta.

Como funciona o algoritmo do caminho mínimo?

O algoritmo consiste em encontrar o menor caminho num grafo. A ideia básica é simples, vamos tentar exemplificar com um hipotético “Número de Romário”.

Digamos que eu tenha as seguintes listas (resumidas, a bem da simplicidade):

Seleção Brasileira de 1994:

  • Taffarel
  • Dunga
  • Cafu
  • Bebeto
  • Romário

Seleção Brasileira de 1998:

  • Taffarel
  • Dunga
  • Cafu
  • Rivaldo
  • Ronaldo

Seleção Brasileira de 2002:

  • Dida
  • Cafu
  • Ronaldinho Gaúcho
  • Rivaldo
  • Ronaldo

Seleção Brasileira de 2006 (quadrado mágico):

  • Ronaldinho Gaúcho
  • Ronaldo
  • Adriano
  • Kaká

Quero calcular o “Número de Romário”, para todos os envolvidos.

Começo com a seleção de 1994. Todo mundo que jogou junto com Romário tem conexão 1:

Na seleção de 1998, Romário não jogou (porque o Zagallo não gostava dele, uma injustiça, diga-se de passagem!).
Primeiro, faço uma varredura se os nomes de 1998 já foram contabilizados.

Taffarel, Dunga e Cafu já estão na lista, então não entram.

Já Rivaldo e Ronaldo, podem ser ligados via qualquer um dos três, vamos mostrar só a conexão com Cafu, por simplicidade. Eles terão distância 2.

Em 2002, dois novos nomes: Dida e Ronaldinho Gaúcho.

Eles podem ser ligados via Rivaldo ou Ronaldo – mas aí a distância vai ser 3.

Ou eles podem ser ligados via Cafu (um superconector), e a distância vai ser 2. Como queremos a menor distância, vale esta conexão.

Em 2006, dois novos nomes: Adriano e Kaká.
Eles podem ser ligados por Ronaldo, e aí vão ter distância 3.

Este não é o único algoritmo possível, existem diversas outras alternativas, com seus prós e contras. Encontrar distâncias em grafos pode ser utilizada em roteirização (como o Waze).

Note também que Romário e Ronaldo já jogaram juntos, na vida real. Aqui, é só ilustrativo.

Exercício

A seleção de 2010 era muito ruim, nem vale muita consideração, mas suponha que foi essa a convocação simplificada:

  • Daniel Alves
  • Robinho
  • Kaká
  • Luis Fabiano

Qual o “Número de Romário” do Robinho e do Luis Fabiano?

Veja também:

Crie imagens arficiais no Mini DALL·E

O DALL·E é uma inteligência artificial que cria imagens realísticas a partir de textos. Você digita um texto qualquer, ele interpreta e cruza imagens de forma a montar uma versão baseada no seu texto.

Esta IA tem 12 bilhões de parâmetros, e foi desenvolvida pela empresa Open AI.

Mortais comuns não têm acesso ao DALL·E, porém, uma alternativa mais simples é o “Mini DALL·E”, disponível neste link (https://huggingface.co/spaces/dalle-mini/dalle-mini). Não é tão poderosa assim, mas dá para criar fotos divertidas.

Exemplos:

“The thing fantastic four inside toothpaste”

“Einstein correndo contra uma tartaruga” gerou imagens como:

“Homem de Ferro dançando com cachorro”

“Wolverine eating pizza”: ele entendeu o wolverine animal (carcaju)

Com “Wolverine X-Men”, fica um pouco melhor, mas nem tanto.

Experimente o Mini DALL-E, é bem divertido.

Links:

https://huggingface.co/spaces/dalle-mini/dalle-mini

https://openai.com/dall-e-2/

Glossário – Indústria 4.0

Para fechar a série de posts sobre Indústria 4.0 e a Feira de Hanover, um glossário de termos chave.

Tentei explicar com minhas palavras e ser o mais direto possível. Há muito mais termos específicos, porém, espero que o glossário ajude a dar uma ideia geral.

OT: Operations technology, tecnologia de automação e controles fabris, em contraste ao IT (information technology em geral)


Convergência IT – OT: A OT é completamente diferente de IT tradicional. Devido ao aumento do número de dispositivos e de aumento de integração, há uma demanda enorme de convergência entre esses mundos


IOT: Internet das coisas. Dispositivos pequenos capazes de fazer medições (temperatura, vibração, umidade, etc) e enviar dados para a nuvem periodicamente

Cobots: Robôs colaborativos. A diferença é que o cobot não substitui o ser humano, e sim, funciona integrado


Dark Factory: Fábrica totalmente automatizada, sem a presença de pessoas

RPA: Robot process automation. Ao invés de robôs que fazem movimentos físicos, são algoritmos que automatizam processos (extração de dados, manipulação, preenchimento de informações, etc)

Closed loop of information: Informações de ponta a ponta da cadeia disponíveis para tomada de decisão

Zero trust security: Em cybersegurança, arquitetura em que o usuário deve ser continuamente autenticado, validado, para cada aplicação e dados

Chart of trust: grupo de fornecedores e reguladores em cybersegurança, para troca rápida de informação

Advanced Analytics: camada de Analytics que foca em aplicações complexas de otimização, simulação computacional, AI, tomada de decisão na cadeia, etc

Digital Twin: modelo de simulação que reflete acuradamente um processo físico, e com alimentação de dados em tempo real e feedback de tomada de decisão

Edge computing: computação feita nas pontas, próximo à aplicação, com computadores pequenos – lembra um Raspberry Pi ou Arduíno, com a diferença de que estes últimos são caseiros.

Manutenção preditiva: manutenção baseada em previsão e probabilidade de falhas, a partir de medições feitas em tempo real. Contrasta com manutenção corretiva (depois que deu problema) e preventiva (feita periodicamente, em prevenção)


Manufatura aditiva: impressoras 3D, onde o material é adicionado filamento a filamento. Contrasta com manufatura subtrativa (material é retirado) e técnicas tradicionais de usinagem

ML Ops: machine learning and operations. Conjunto de práticas para desenvolver e operacionalizar rapidamente modelos de machine learning. Isso porque um dos erros mais comuns que existem é criar uma prova de conceito onde tudo funciona, mas não é escalável para a operação, seja por problemas de licença, infraestrutura, ou skill necessário

Revisão: Bruno Cambria.

Veja também:

Impressoras 3D – Feira de Hanover

No bloco sobre peças e materiais, da Feira de Hanover 2022, havia uma série de expositores com peças tradicionais e estudos diversos de materiais.

Um destaque interessante foram as impressoras 3D, que tiveram uma evolução enorme nos últimos anos.

Também é chamada de Manufatura Aditiva, pelo material ser adicionado filamento a filamento. Contrasta com Manufatura Subtrativa (onde o material é retirado, também tem o nome CNC – controle numérico por computador) e técnicas tradicionais de usinagem.

Materiais diversos utilizados como filamento: kevlar, fibra de vido, aço. Foto tirada na feira de Hanover

Algumas notas:

•Evolução forte de impressoras 3D nos últimos anos

• Atualmente é possível utilizar materiais como fibra de vidro, kevlar e até metais como aço, cobre e alumínio. Uma aplicação possível é em peças de reposição. Ao invés de ter estoques, imprimir a peça. Há fornecedores que já entregam a peça com o desenho.

Cubo mágico feito em 3D – Foto tirada na Feira de Hanover

•Aplicação em prototipagem rápida e em estoque de peças

•Não basta comprar, é necessário ter especialistas em desenho das peças e técnicos para as impressoras

•Podemos escanear uma peça qualquer para usar? Quem tem os direitos autorais do design?

Protótipo de snowboard – Foto tirada na Feira de Hanover
Peças impressas em 3D – Foto tirada na Feira de Hanover

•Foco inicial em peças de baixo valor agregado, por questão de qualidade e confiabilidade

•Concorre com técnicas tradicionais de manufatura de peças

Carro de corrida impresso em 3D – havia um vídeo mostrando como cada peça foi feita – Foto tirada na Feira de Hanover

Até agora, impressoras 3D foram utilizadas a princípio para prototipagem inicial. Agora, cada vez mais, a mesma vem sendo capaz de realmente produzir peças para operação de verdade.

Veja também:

Destaques de Hanover 2022 – Cybersegurança

Cybersegurança é extremamente importante no mundo de hoje, e foi um dos temas quentes abordados na feira de Hannover 2022. Seguem algumas reflexões:

  • Ocorre um cyberataque a cada 39 s, e houve aumento de 300% durante pandemia
  • 85% mais Malwares atualmente (Wanna Cry, Log4J)
  • Evolução diária, difícil prever
  • Além da segurança em IT, mais dois elos frágeis: OT e supply chain. 2/3 dos ataques ocorrem via supply chain
  • Arquitetura Zero trust. Antigamente, era só uma barreira externa, quem passasse tinha acesso a todo o sistema. Agora, mesmo com acesso permitido, o escopo de atuação é limitado e há constante checagem de acesso
Sobre zero trust network. Natalia Oropeza, Chief Cybersecurity Officer, Siemens

  • Chart of trust: grupo de fornecedores e reguladores, para troca rápida de informação sobre ataques
  • A maioria das empresas não possui um plano de respostas a incidentes. Quando possui geralmente não há procedimentos claros contendo as responsabilidades de cada área, pessoas treinadas ou ferramentas para auxiliar na análise e investigação
  • Muitas vezes se compram ferramentas tecnológicas para atender solicitações de acionistas, clientes, etc. Porém não se sabe como e quando usar essas ferramentas

Tendências:

  • Corrida evolutiva do tipo predador-presa. A evolução de ataques está sujeita à Lei de Moore, daí tomar cuidado
  • Fronteiras OT-IT aumentando (dispositivos na nuvem, edge computing, IOT), por consequência aumenta a necessidade de ferramentas e processos de proteção
  • O primeiro passo é fazer o gerenciamento de riscos
  • Depois, conhecer bem a topologia do seu sistema e ter um inventário dos ativos
  • Ter definida de forma clara as responsabilidades de cada área / pessoas
  • Em caso de um incidente a empresa precisa ser proativa e saber onde e como coletar as evidências para melhorar na investigação
  • Possuir empresas parceiras para consultoria, implementação de SIEM (Security Information and Event Management) e outras ferramentas de análise

By Arnaldo Gunzi / Guilherme Bittencourt

Veja também: