A cena mais memorável da F1

Ayrton Senna, após vencer o Grande Prêmio do Brasil de 1991, ficou fisicamente tão exausto que não conseguia nem levantar o troféu. Confira no vídeo.

Senna conquistou a vitória no braço, após a sua McLaren perder todas as marchas, exceto a sexta, faltando 20 voltas para o final da prova.

Para dar uma ideia, ele tinha que entrar numa curva e manter a mesma velocidade (as outras marchas entravam em ponto morto), tirando a
diferença na habilidade e no volante.

“Se soubesse dos problemas de Senna duas voltas antes talvez pudesse vencer”, afirmou Ricardo Patrese (da Williams). “Mas Senna era um piloto não apenas muito rápido como dotado de grande senso de estratégia. Escondeu o quanto pôde suas dificuldades”.

Vencer o GP do Brasil era um de seus sonhos, e Senna faria o impossível para tal. Após a vitória, o desgaste foi tão grande que ele teve que ser atendido pelos médicos da FIA, demorando mais de vinte minutos para ir ao pódio.

Veja uma descrição detalhada desta vitória em:

A trilha sonora deste post só pode ser o Tema da Vitória, que não ouvimos há muito tempo.

A terrível estratégia bélica que salvou o Império Romano

Lembra do poderoso Império Romano, que se estendeu por séculos e dominou a Europa inteira?

Talvez a história fosse completamente diferente, e talvez hoje não estivéssemos falando de um Império Romano, e sim, de um Império Cartaginense que dominou a Europa toda por séculos.

Cartago e Roma entraram em confronto, em ocasiões conhecidas como as Guerras Púnicas. Nesta, muito se fala do grande general cartaginense Aníbal Barca, que cruzou o Mediterrâneo e atravessou os Alpes, com um exército de homens e elefantes, e obteve vitórias humilhantes sobre os romanos.

Porém, apesar de vitórias espetaculares, Aníbal perdeu, no final das contas. Roma venceu a guerra contra Cartago, sem ter vencido nenhuma batalha contra Aníbal. Se fosse um campeonato de futebol, era como se Roma tivesse sido campeão sem ter vencido nenhum jogo.

Como isso foi possível? É aí que entra a…

A estratégia fabiana

Quintus Fabius Maximus Verrucosus, também conhecido como o Cunctator (o postergador), foi o comandante militar e ditador de Roma.

Ele foi eleito ditador em 217 a.C., após uma sequência humilhante de derrotas de Roma para Aníbal. Nota: Um ditador era um líder com poderes especiais para enfrentar situações de crise, e na Roma antiga eles poderiam ser eleitos e tirados do poder.

O exército cartaginense era espetacularmente forte, e Aníbal, um brilhante estrategista. Fabius, ao invés de partir para o confronto direto, partiu para uma guerra de atrito e desgaste. Ele fez o exército romano acompanhar Aníbal de longe. Sempre posicionava as tropas em lugares altos, de forma a impossibilitar ataques surpresa. Atacava a cadeia de suprimentos de Aníbal, e atazanava os cartaginenses com ataques regulares.

Fabius também não caía nas provocações de Aníbal, por mais vantajosa que a ocasião parecia ser. Ele sabia que o cartaginense era especialista em criar armadilhas. Sendo de natureza bastante conservadora, Fabius foi jocosamente apelidado de “ovelhinha”, e “o postergador”.

Voltado à analogia do campeonato, era como se Roma jogasse numa retranca impenetrável, com 10 zagueiros dentro da área. Porém, da mesma forma, ninguém gosta de ver um time na defesa o tempo todo, as pessoas gostam daquele que ousa, e parte para cima, o ofensivo vencedor.

A estratégia de Fabius gerou uma série de críticas de seus rivais políticos, e à medida que o tempo passava, a lembrança das derrotas passadas ia ficando mais distante.

Quando acabou o mandato de ditador de Fabius, Roma colocou outro comandante em seu lugar, que tentou realizar um ataque decisivo para aniquilar o oponente. O resultado foi uma desastrosa derrota romana em Cannae (em 216 a.C.). Daí para frente, Roma aprendeu a lição, e retornou à estratégia fabiana. Foi um momento crucial para Roma, porque, após inúmeras derrotas, ela estava quase indo à lona. A estratégia fabiana essencialmente salvou o Império Romano.

O exército de Anibal ficou perambulando pela Itália por mais 15 anos. Eles não tinham poder suficiente para sitiar Roma, e nem outra grande cidade murada. O seu ataque forte ficava anulado se não tinham com quem batalhar. Além disso, os homens de Aníbal eram parte deum exército profissional, visando ao lucro de pilhagens e ganhos rápidos, ao passo que os romanos poderiam esperar o tempo que fosse necessário.

A estratégia fabiana joga com o tempo a seu favor. Troca um ataque maciço concentrado por pressão contínua por um tempo maior. Vence não por destruir o oponente diretamente, mas por exaurir os seus recursos (dinheiro, suprimentos, paciência). Vence por não perder, sabendo que pode suportar perdas por mais tempo que o outro lado.

Os cartaginenses permaneceram isolados no sul da Itália, até que os romanos ganhassem força suficiente para contra-atacar, com o general Cipião africano, que derrotou Aníbal.

A Segunda Guerra Púnica durou de 218 a.C. até 201 a.C.

A estratégia fabiana também foi famosamente adotada por George Washington, na Revolução Americana. Ao invés de utilizar ataque direto, ele adotou a estratégia de atrito contra os britânicos, vencendo-os no final.

Algo semelhante ocorreu na vitória Russa contra Napoleão: foram recuando, dando espaço dentro do vasto território russo, atacando as linhas de suprimento e fustigando os franceses, até que o terrível inverno da região virasse o jogo.

Outra menção digna de nota é a Sociedade Fabiana, formada na Inglaterra. É uma vertente socialista, porém ao invés de vencer pela revolução, a ideia é vencer pela evolução. Usa exatamente a estratégia fabiana: atacando os flancos, ganhando aos poucos e sempre. O primeiro logotipo deste grupo era um lobo em pele de cordeiro, provavelmente uma homenagem à ovelhinha que salvou Roma! Depois, trocaram para uma tartaruga, devagar e sempre, como na fábula de Esopo.

Em negócios, é muito comum um grande player baixar preços ou até dar de graça, suportando prejuízos, por mais tempo do que o oponente consegue ficar solvente (digamos Internet Explorer x Netscape Navigator).

Enquanto Aníbal entra para a história como um dos grandes generais de todos os tempos, Fabius é apenas uma nota de rodapé. Na vida real, Fabius foi extremamente mais importante, ao não levar Roma à derrota total. No final, Roma foi um dos maiores impérios da história, e foi Cartago que virou a nota de rodapé.

A estratégia fabiana não é simplesmente postergar e não fazer nada, e sim, trocar ataque pontual por pressão contínua. Energia por paciência. Cercar, fustigar, perder batalhas pequenas, mas vencer a guerra a longo prazo.

Utilize variantes da estratégia fabiana em sua vida!

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https://ideiasesquecidas.com/2018/03/23/as-36-estrategias-secretas-chinesas/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_P%C3%BAnica#A_estrat%C3%A9gia_Fabiana


https://www.britannica.com/biography/Quintus-Fabius-Maximus-Verrucosus

https://en.wikipedia.org/wiki/Quintus_Fabius_Maximus_Verrucosus

Tomar um cadáver emprestado para ressuscitar uma alma

Dentre as 36 Estratégias Secretas Chinesas, uma que gosto muito é a estratégia 14: tomar um cadáver emprestado para ressuscitar uma alma.

Uma pessoa fraca pode requerer sua assistência para ficar forte e conseguir se opor ao inimigo. Por outro lado, mesmo o exército forte precisa da ajuda de vários exércitos fracos para chegar aos seus objetivos.

É mais ou menos como o imperador Palpatine voltando à vida após seu espírito roubar o corpo de outra pessoa.

Um exemplo muito bom é a data do Natal. Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro. O Natal no dia 25/dez só surgiu no século IV, aproveitando que vários povos já comemoravam esta data como sendo o solstício de inverno. Ou seja, tomaram um cadáver (data comemorativa de povos conquistados pelo Império Romano) para ressuscitar uma alma (tomar para si esta comemoração).

Há inúmeros outros exemplos na história. Imperadores fantoche ocorreram diversas vezes. Um exemplo: o Japão invadiu a Manchúria, nos anos 1930. Para dar um ar de legitimidade, recolocaram no poder o último imperador anterior, Pu-Yu, que não mandava em nada na realidade.

Outro exemplo é o de Tiradentes. Ninguém deu bola para ele, quando morreu em 1792. Virou herói nacional após a proclamação da República, em 1889, 100 anos depois!

O Brasil da República precisava de um herói, e, utilizando a estratégia de tomar um cadáver emprestado, criaram toda a mística ao redor do arrancador de dentes que lutara pelo Brasil!

Lembre-se desta estratégia, no próximo feriado de Tiradentes!

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Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/

Sobre o gestor eficaz

A seguir, 5 pensamentos do grande Peter Drucker, em seu livro “O gestor eficaz”.

Sobre o tempo

Ninguém pode contratar, alugar, comprar ou obter mais tempo. O suprimento de tempo é totalmente inelástico. Seja qual for a quantidade da demanda, o suprimento não crescerá… E mais, o tempo é totalmente perecível e não pode ser armazenado. O tempo de ontem está perdido para sempre, e não voltará jamais.

O perigo do carisma

Hoje em dia, fala-se de carisma com ênfase exagerada, e dá-se pouca importância à eficácia. A única coisa que você pode falar sobre um líder é que ele é alguém que possui seguidores. Os líderes mais carismáticos do século passado foram Hitler, Stalin, Mao e Mussolini. Mas eram líderes às avessas!

Um dos presidentes norte-americanos mais eficazes dos últimos 100 anos foi Harry Truman, que não tinha um pingo de carisma. Truman era tão monótono quanto um peixe morto. Ele era venerado por todos que trabalhavam para ele por ser digno de confiança. Quando Truman dizia não, era não, e quando dizia sim, era sim.

Remoção de pessoas com desempenho fraco

Há um ditado militar antigo que diz: “o soldado tem direito a um comandante competente”.

Aquele que é incompetente ou apresenta um desempenho fraco, quando é deixado sozinho para realizar sua tarefa, penaliza as outras pessoas e desmoraliza a empresa inteira. Não é um favor manter pessoas com desempenho fraco em uma função à qual não se adaptam. Elas sabem que não estão se saindo bem.

Plano de ação

O conhecimento é inútil para gerentes até ser convertido em ações. Mas antes de entrar em ação o gerente precisa planejar sua forma de ação. Ele precisa pensar sobre resultados desejados, prováveis restrições, futuras revisões, pontos de verificação e implicações da forma como ele utilizará o próprio tempo.

Pontos fortes

O gerente eficaz torna os pontos fortes produtivos. Sabe que nada se constrói sobre a fraqueza. Para conseguir resultados, temos de usar todas as forças disponíveis – dos associados, do superior e a nossa própria. Nesses pontos fortes estão as verdadeiras oportunidades.

Ninguém é forte em todas as áreas. Comparado ao universo do conhecimento humano, experiência e habilidades, até o maior dos gênios precisaria ser classificado como um total fracasso.

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https://ideiasesquecidas.com/2019/02/20/peter-drucker-sobre-as-fontes-de-inovacao/

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O Ártico é um monte de gelo inútil?

A quem interessaria a fria e inóspita região do ártico, com seus ursos polares?

Resposta: à Rússia, que fincou uma bandeira no fundo do mar e há décadas reivindica a posse de largas extensões territoriais, nesta verdadeira Terra de Ninguém. O ártico tem recursos naturais estimados em 90 bilhões de barris de petróleo, 1700 trilhões de pés cúbicos de gás, minerais como cobre e níquel, além de fazer fronteira com países de outros continentes (Canadá, Noruega, Suécia).

Os efeitos de aquecimento global tendem a derreter parte do gelo e aumentar a importância da corrida ao Ártico.

A Rússia mantém bases militares e já sugeriram renomear a região como “Mar Russo”.

Os EUA estão vários passos atrás dos russos. Um exemplo ocorreu anos atrás, em que um navio quebra-gelo russo resgatou um navio americano – um feito de colaboração entre países, porém também um indicativo de quem dá mais prioridade à área.

O ártico é um dos capítulos de “Prisioneiros da Geografia”, de Tim Marshall. O autor fala sobre geopolítica, incluindo EUA, China, Índia, África, América do Sul, explica efeitos da geografia e história dessas regiões.

Foi o livro mais interessante que li nesta pandemia. Fica a indicação.

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Versão áudiolivro:
https://www.audible.com/pd/Prisoners-of-Geography-Audiobook/B06XQ4SFN8?qid=1590034595&sr=1-2&ref=a_search_c3_lProduct_1_2&pf_rd_p=e81b7c27-6880-467a-b5a7-13cef5d729fe&pf_rd_r=744A5SATE6HSMHK38ZF8

https://www.bbc.com/portuguese/reporterbbc/story/2007/08/070802_russia_articorg.shtml

Napoleão em 40 frases

Napoleão Bonaparte foi um dos maiores gênios militares da história, um mestre da Arte da Guerra. Conquistou quase toda a Europa, sendo descrito como “um gigante com seus saltos esmagando muito as flores inocentes, destruindo pela força muitas coisas, indiferente ao sofrimento que causava”.

Segue um pouco de seus pensamentos, em (mais ou menos) 40 frases:

É muito melhor ter inimigos declarados do que amigos velados.

Ou abatemos o outro ou o outro nos abate.

Um ato de clemência do rei é como um jogo numa loteria, é raríssimo que ganhemos qualquer coisa.

A aristocracia tem a vantagem de concentrar a ação do governo nas mãos menos perigosas e menos inaptas do que a de um povo ignorante.

A verdadeira felicidade social consiste na harmonia e no uso pacífico das satisfações de cada indivíduo.

Um rei é às vezes forçado a cometer crimes; são crimes de sua posição.

Não há subordinação nem temor que prevaleça nos estômagos vazios.

A sorte é uma mulher, se a deixar fugir hoje, não espere encontrar amanhã.

Quando um príncipe está resolvido a punir, deve punir muitos ao mesmo tempo.

Os mais fortes não negociam, mas sim ditam as condições e são obedecidos.

Não há nada mais tirânico do que um governo que pretende ser paternal.

A glória e o bem do cidadão devem ser silenciados quando assim o requerem o interesse do Estado e o bem comum.

A liberdade civil depende da segurança da propriedade.

As revoluções são como o mais repugnante estrume que favorece o crescimento dos mais belos vegetais.

Em todos os países a religião é útil ao governo, e precisa fazer uso dela para agir sobre os homens.

Não pode existir rei sem finanças, sem meios seguros de recrutar o seu exército e sem frota.

O trono é um pedaço de madeira coberto com veludo.

É muito mais fácil fazer bravatas e ameaçar do que vencer.

Toda árvore produz o seu fruto e só se colhe o que foi plantado.

Não me ofendo quando me contradizem, mas procuro que me esclareçam.

É preciso aceitar as coisas como elas são, e não como gostaríamos que fosse.

Os discursos passam, as ações ficam.

A consciência é o refúgio inviolável da liberdade humana.

Homens superiores são crianças tantas vezes ao dia.

Os homens são tão maus que precisamos estar vigilantes em tudo.

Grandes homens são parecidos com meteoros que resplandecem e se consomem para clarear a terra.

Somos fortes quando estamos decididos e prontos para morrer.

A sabedoria requer prudência.

Por acaso o próprio Sol não tem as suas manchas?

Assim como as conspirações, as surpresas devem surgir como um raio.

Não se deve julgar um homem pela fisionomia, mas colocando-o à prova.

A coragem e a virtude conservam os Estados, os vícios o arruínam.

A vida de um cidadão pertence à pátria.

É muito melhor para o povo ter uma ordem insatisfatória do que não ter ordem nenhuma.

Os homens têm um coração, as leis, não.

Na vida tudo é sujeito a cálculo. É preciso fazer o balanço entre o bem e o mal.

Não sou feito para meia-medidas.

Com os especialistas, as coisas mais simples do mundo se tornam as mais difíceis.

Na guerra como na política, o mal só se justifica quando absolutamente necessário.

Fonte: Napoleão, Aforismos, máximas e pensamentos. Uma curiosidade: é um livrinho fino, impresso em papel jornal barato. Comprei num sebo de S. José dos Campos, por R$ 2,00, há uns 20 anos atrás.

Outros links:

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O Tao da Guerra, do general Er-Hu

Nos mais de 5.000 anos da cultura chinesa, ocorreram diversos períodos extremamente conturbados, com reinos combatentes lutando pela supremacia de seu vasto território e população humana. Por conta disto, a Guerra foi elevada à posição de Arte, sendo a obra de Sun Tzu a mais conhecida, porém, longe de ser a única.

Apresento abaixo um resumo do Tao da Guerra, obra descoberta em tabuletas de bambu no túmulo do grande mestre estrategista Er-Hu. Este foi escrito por volta de 370 a.C., por Er-Hu, um dos mais brilhantes generais da dinastia Zhao.

Seguem alguns trechos desta obra extraordinária. Atenção: contém afirmações fortes.

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O general que sabe fazer a guerra é movido pelo Tao. Suas manobras são eficazes, sua técnica precisa, seus planos indecifráveis, sua vontade, impenetrável. Conhece tudo o que se relaciona com o inimigo e com o seu propósito, conhece plenamente o terreno, o tempo atmosférico e o cronológico, é cauteloso no planejamento e magnânimo na execução.

Tu, a quem o destino permitiu decidir sobre a sorte dos grandes impérios, deves pretender a paz para governar com sabedoria. Para tanto, deves ser pacífico e calmo, e ao mesmo tempo implacável!

Se desejas a paz, deves se preparar para a guerra.

Para suportar o fardo do poder é preciso conhecer o calor do inferno que arde nos olhos dos guerreiros e sentir o odor do solo manchado de sangue no rigor das campanhas executadas com a coragem de mil mortes.

O inimigo não deve temer apenas as tuas armas, mas o teu nome!

A arte da guerra consiste em dominar e não apenas em derrotar o inimigo!

Sobre o Tempo. A eternidade caminha todos os dias com o ancião dos anos, mas a morte é fato consumado. Que ninguém se iluda, o tempo de todas as coisas chegará.

Apenas uma coisa para alcançar a eternidade: saber usar o tempo. Uma única maneira de usar o tempo: seja pleno em tudo que fizer! Quando digladiando com armas, acabe com o inimigo. Se deitado com uma mulher, ama-a. Em audiência com teu príncipe, sê pleno. Em campo de guerra, sereno.

O primeiro passo para alcançar a graça é a inteligência, o segundo é a cautela, e o terceiro, a ousadia.

  • A inteligência deve ser utilizada para adestrar o talento e elevar a capacidade.
  • A cautela deve ser empregada a fim de criar projetos audazes e ambiciosos.
  • A ousadia deve ser empregada a fim de executar manobras impossíveis de serem contidas.

Jamais confio na aparência das coisas que me são apresentadas ou nas circunstâncias que ainda não estão cristalizadas. Jamais confio nas palavras de um homem.

Sobre o planejamento tático. Planejar com cautela e executar com ousadia é o talento do general. A vitória primeiro acontece na mente potencialmente superior em táticas. Perspassa pelo espírito altamente capaz e encerra sua sentença na agudeza de propósito.

Os antigos combatentes treinavam seus exércitos todos os dias. É preciso adestrar o exército na disciplina. Deve-se estimular os soldados a manejar armas segundo os seus talentos individuais, até que se tornem peritos.

Saiba sondar as profundezas daquilo que o inimigo deseja previamente. A maestria consiste em adaptar-se a qualquer circunstância e vencer sem usar a força.

A palavra é como uma lâmina afiada que corta o vento e penetra facilmente no ouvido de um homem. E uma arma que penetra no ouvido de um homem poderá matá-lo.

Sobre inteligência. A altura e a espessura das muralhas não podem ser consideradas o sustentáculo da vitória ou da derrota. O general deve se valer dos relatórios de inteligência para definir seus movimentos antes de executar a sentença de guerra.

Capturar armas e provisões é a melhor coisa, destruir é a segunda melhor. Cativar a confiança e apoio dos camponeses é a melhor coisa, rendê-los, a segunda melhor. Determinar o resultado da guerra e dominar o inimigo sem desembainhar a espada é o verdadeiro ápice da excelência.

Como uma lança afiada indo ao encontro do peito do inimigo, tuas intenções devem ser firmes, tuas manobras, absolutas, e o resultado das mesmas, definitivo!

Paciência e autodomínio inabalável são recursos essenciais. Devem, portanto, ser o fundamento que move o general.

O general deve ter um nome e um rosto. Um rosto para os que estão perto o seguirem, e um nome para os que estão longe o temerem. A palavra do general é uma ordem! Os oficiais devem demonstrar respeito na presença do general, firmeza no cumprimento de ordens e economia nas palavras ao anuciar seus interesses.

O verdadeiro poder não é motivado pela ambição, não é reconhecido pela ganância e não é testado pela vaidade. O verdadeiro poder não é controlado por forças externas.

Opera sempre no secreto, mas com tal firmeza de propósito que nem o mais hábil comandante saiba deslindar os mistérios de tua mente. A sagacidade está em evadir para dominar, recuar para avançar, simular fraqueza quando forte, demonstrar força quando fraco.

Quando chegar o momento em que todos os critérios do que desejas executar estão satisfeitos, cumpre que sejas tão rápido e preciso quanto o falcão que se precipita em direção à sua caça.

Não há misericórdia para quem é mensageiro da morte. É a sua natureza que o conduz a ter domínio do céu, e não apenas a sua vontade!

Trabalha duro para adquirir destreza. Aprende tudo e esquece para usar o instinto.

Se queres conhecer um homem, considera a sua montaria, as suas roupas e o seu olhar, não apenas as suas palavras. Quando os homens movem os lábios, posso ouvir-lhes as palavras, e quando lançam o olhar, compreendo suas verdadeiras intenções.

Defesas impenetráveis não são feitas de pedra, mas de astúcia. Certifique-se de que o inimigo verá o mais temido exército que já pisou sobre a face da Terra.

Um mestre da estratégia é discreto, não precisa atestar a sua arte, jamais se gaba de suas habilidades. Suas façanhas se eternizam e suas palavras brotam dos confins da vaidade.

A mais antiga de todas as armas é a beleza. Aquilo que parece ser tão belo pode ser tão letal.


Links:

https://www.saraiva.com.br/o-tao-da-guerra-os-fragmentos-perdidos-da-dinastia-zhao-3048339.html

https://ideiasesquecidas.com/2018/01/24/drucker-e-sun-tzu-sobre-planejamento/

https://ideiasesquecidas.com/2018/03/23/as-36-estrategias-secretas-chinesas/

https://ideiasesquecidas.com/2020/04/02/napoleao-em-40-frases/

A estratégia do logro

UMA ANTIGA LENDA

Conta uma antiga lenda que na Idade Média um homem muito religioso foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher. Na verdade, o autor era pessoa influente do reino e por isso, desde o primeiro momento se procurou um “bode expiatório” para acobertar o verdadeiro assassino. O homem foi levado a julgamento, já temendo o resultado: a forca. Ele sabia que tudo iria ser feito para condená-lo e que teria poucas chances de sair vivo desta história. O juiz, que também estava combinado para levar o pobre homem a morte, simulou um julgamento injusto, fazendo uma proposta ao acusado que provasse sua inocência.

Disse o juiz: sou de uma profunda religiosidade e por isso vou deixar sua sorte nas mãos do Senhor vou escrever num pedaço de papel a palavra INOCENTE e no outro pedaço a palavra CULPADO. Você sorteará um dos papéis e aquele que sair será o veredicto. O Senhor decidirá seu destino, determinou o juiz. Sem que o acusado percebesse, o juiz preparou os dois papéis, mas em ambos escreveu CULPADO de maneira que, naquele instante, não existia nenhuma chance do acusado se livrar da forca. Não havia saída. Não havia alternativa para o pobre homem.

O juiz colocou os dois papéis em uma mesa e mandou o acusado escolher um. O homem pensou alguns segundos e pressentindo a “traição” aproximou-se confiante da mesa, pegou um dos papéis e rapidamente colocou na boca e engoliu. Os presentes ao julgamento reagiram surpresos e indignados com a atitude do homem.

– Mas o que você fez? E agora? Como vamos saber qual seu veredicto?

– É muito fácil, respondeu o homem. Basta olhar o outro pedaço que sobrou e saberemos que acabei engolindo o contrário.

Imediatamente o homem foi liberado.

MORAL: Por mais difícil que seja uma situação, não deixe de acreditar até o último momento. Há sempre uma saída.

(do antigo folhetim da Viasoft News)

A Estratégia do logro

UMA ANTIGA LENDA

Conta uma antiga lenda que na Idade Média um homem muito religioso foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher. Na verdade, o autor era pessoa influente do reino e por isso, desde o primeiro momento se procurou um “bode expiatório” para acobertar o verdadeiro assassino. O homem foi levado a julgamento, já temendo o resultado: a forca. Ele sabia que tudo iria ser feito para condená-lo e que teria poucas chances de sair vivo desta história. O juiz, que também estava combinado para levar o pobre homem a morte, simulou um julgamento injusto, fazendo uma proposta ao acusado que provasse sua inocência.

 

Disse o juiz:

– Sou de uma profunda religiosidade e por isso vou deixar sua sorte nas mãos do Senhor vou escrever num pedaço de papel a palavra INOCENTE e no outro pedaço a palavra CULPADO. Você sorteará um dos papéis e aquele que sair será o veredicto. O Senhor decidirá seu destino, determinou o juiz.

 

Sem que o acusado percebesse, o juiz preparou os dois papéis, mas em ambos escreveu CULPADO de maneira que, naquele instante, não existia nenhuma chance do acusado se livrar da forca. Não havia saída. Não havia alternativas para o pobre homem.

 

O juiz colocou os dois papéis em uma mesa e mandou o acusado escolher um. O homem pensou alguns segundos e pressentindo a “traição” aproximou-se confiante da mesa, pegou um dos papéis e rapidamente colocou na boca e engoliu. Os presentes ao julgamento reagiram surpresos e indignados com a atitude do homem.

– Mas o que você fez? E agora? Como vamos saber qual seu veredicto?

 

– É muito fácil, respondeu o homem. Basta olhar o outro pedaço que sobrou e saberemos que acabei engolindo o contrário.

Imediatamente o homem foi liberado.

MORAL: Por mais difícil que seja uma situação, não deixe de acreditar até o último momento. Há sempre uma saída.

 

(do antigo folhetim da Viasoft News)

As 36 Estratégias Secretas Chinesas

A China tem mais de 5 mil anos de história, e muito desta história é de guerras.

O tratado chinês de guerra mais conhecido é a fabulosa “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu, entretanto, não é o único. Muito pelo contrário, há vários tesouros escondidos…

O livro “36 estratégias secretas de guerra” é uma valiosa compilação de vários ensinamentos de guerra. O autor desta obra é desconhecido, assim como o período em que foi escrito, e também há mais de uma versão deste tratado.

As 36 Estratégias dos Chineses

O número 36 não é por acaso.

Seis multiplicado por seis dá 36, na aplicação da estratégia, é necessário cálculo cuidadoso, e através dos padrões, a pessoa encontrará a estratégia (1).

Comumente, divide-se os 36 estratagemas em 6 grupos de 6, mostrados a seguir.

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Segue a seguir um resumo das estratégias.


Estratégias vantajosas (1 a 6)

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1 – Enganar os céus para atravessar o oceano. A origem é uma história em que um exército temia atravessar o oceano. Um conselheiro bolou um plano: combinou uma grande festa com um homem rico, e o exército inteiro se embebedou na casa deste. Quando esses acordaram, viram que a casa do homem rico era um barco, e que estavam no meio do oceano! A estratégia significa criar algo falso para distrair o inimigo, e atingir o objetivo sem que o mesmo perceba.

2 – Sitiar Wei para salvar Zhao. O exército de Wei atacou, venceu e sitiou o estado de Zhao. O exército de Qi, aliado da cidade sitiada, veio em socorro a Zhao. Mas isto significava batalhar diretamente com o poderoso exército Wei. Entretanto, ao invés disso, marcharam em direção à cidade de Wei, que estava desprotegida de seu exército. Assim que isto ficou claro, o exército de Wei teve que retornar à sua base, as pressas. Zhao foi libertada sem batalha alguma! A estratégia significa evitar o ponto forte do inimigo, e atacar o ponto fraco.

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3 – Matar alguém com uma faca emprestada. Quando não se tem força suficiente para se opor ao inimigo, utilizar a força de aliados ou de grupos para tal. Induzir alianças para destruir o inimigo.

4 – Poupar energia enquanto o inimigo se cansa. Saber quando utilizar o tempo e o espaço corretos. Um exemplo é chegar cedo ao palco da batalha, escolher o melhor lugar – que tenha a vantagem natural da altura e do espaço de manobra – e esperar o inimigo vir lutando contra o tempo e contra o terreno.

5 – Saquear uma casa em chamas. Aproveitar a oportunidade de saquear um lugar quando há caos e confusão. Quando o inimigo está numa grande crise, este é o momento para atacar.

6 – Simular um ataque ao leste, mas atacar a oeste. A dissimulação está na essência da estratégia. O inimigo não pode concentrar forças em todos os lugares. A estratégia consiste em ocultar as suas verdadeiras intenções e fazer o inimigo concentrar forças no local errado.


Estratégias Oportunistas (7 a 12)

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7 – Criar algo do nada.  Uma sucessão de blefes pode dar certo, se os atores envolvidos acreditarem neste. Um bom exemplo é a história (fictícia) do genro do Bill Gates:

Pai: – Filho, escolhi uma ótima moça para você casar.
Filho: – Mas pai, eu prefiro escolher a minha mulher.
Pai: – Ela é filha do Bill Gates…
Filho: – Bem, neste caso, eu aceito.

Então, o pai vai encontrar o Bill Gates.
Pai: – Bill, eu tenho o marido para a sua filha!
Bill Gates: – Mas a minha filha é muito jovem para casar!
Pai: – Mas este jovem é vice-presidente do Banco Mundial…
Bill Gates: – Neste caso, tudo bem.
Finalmente, o pai vai ao Presidente do Banco Mundial.
Pai: – Senhor Presidente, eu tenho um jovem muito bem recomendado para ser vice-presidente do Banco Mundial.
Pres. Banco Mundial: – Mas eu já tenho muitos vice-presidentes.
Pai: – Mas senhor, este jovem é genro do Bill Gates.
Pres. Banco Mundial: – Neste caso ele pode começar amanhã mesmo!

8 – Fuga secreta por Chen Can. Atingir o inimigo pela retaguarda, onde ele estiver desprotegido, e de forma inesperada. Esta estratégia deriva de uma história de Lui Bang, 200 a.C., que viria posteriormente a ser imperador da China. O exército de Liu Bang estava em retirada, e mandou destruir todas as pontes que acessavam o seu acampamento. Meses depois, ele ordenou que reconstruíssem as pontes. O inimigo, desconfiado, passou a se preparar para um ataque iminente pela pontes. Mas, para surpresa do inimigo, Liu Bang utilizou a passagem secreta de Chen Can, contornando as montanhas por um longo caminho, para um ataque-surpresa.

9 – Observar o fogo do outro lado do rio. Quando houver desordem e lutas internas entre as forças do inimigo, deve-se esperar enquanto este se enfraquece.

10 – Uma adaga atrás de um sorriso. Conquistar a confiança do inimigo, para desarmá-lo. O que parece fraco (macio) por fora, pode ser forte (duro) por dentro.

Na Arte da Guerra de Sun Tzu, há uma frase memorável a respeito:

Quando capaz, finja incapacidade; quando ativo, finja inativo. Quando perto do objetivo, finja estar muito longe; quando muito longe, faça com que pareça perto.

11 – A ameixeira morre no lugar do pessegueiro. Fazer sacrifícios quando perdas são inevitáveis. É o popular “perder os anéis para salvar os dedos”. O poema significa que essas duas árvores são tão íntimas que uma está disposta a morrer pela outra.

12 – Roubando um bode pelo caminho. Aproveitar uma oportunidade de ganho fácil, por menor que seja. Aproveitar as vantagens que surgem pelo caminho.


Estratégias Ofensivas (13 a 18)

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13 – Bater no capim para assustar a cobra. Ao invés de capturar a cobra, deve-se assustá-la dando batidas no capim, e fazer a captura quando ela aparecer. É uma estratégia ofensiva, para fazer o inimigo revelar as cartas que tem na manga. Um exemplo é fazer um lance inicial alto num leilão, para testar quem quer realmente bancar a concorrência.

14 – Tomar um cadáver emprestado para ressuscitar uma alma. Uma pessoa fraca pode requerer sua assistência para ficar forte e conseguir se opor ao inimigo. Por outro lado, mesmo o exército forte precisa da ajuda de vários exércitos fracos para chegar aos seus objetivos.

Um exemplo muito bom é o Natal. Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro. O Natal no dia 25/dez só surgiu no século IV, aproveitando que vários povos já comemoravam esta data como sendo o solstício de inverno. Ou seja, tomaram um cadáver (data comemorativa de povos conquistados pelo Império Romano) para ressuscitar uma alma (tomar para si esta comemoração).

Outro exemplo: fazer de Tiradentes um herói nacional, um século depois de sua morte.

15 – Atrair um tigre para fora de sua toca. Um tigre é muito forte em seu estado natural, mas vai se retrair em ambiente desconhecido.

Uma estratégia de negociação é chamar o outro lado para uma reunião, e colocar muita gente do seu time por muito tempo para fazer pressão em cima do oponente.

Para quem gosta de futebol, um tigre fora de sua toca é como jogar fora de casa, com a torcida contra, com os gandulas contra, com todo o ambiente desfavorável.

16 – Soltar um inimigo para recapturá-lo depois. Há situações em que é melhor não encurralar o inimigo, e sim soltar e perseguir de perto até este se cansar.

Numa pescaria, puxar bruscamente o peixe vai fazer a linha arrebentar. É melhor tensionar e liberar seguidas vezes, até o peixe esgotar suas forças.

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Outro exemplo. Recapturado e solto 7 vezes.

17 – Dar tijolo para obter jade. Abrir mão de algo de pouco valor, para obter algo de muito valor. O comércio tem dezenas de casos assim: itens grátis para degustação (que levam a compra por impulso ou retribuição), compras com “frete grátis”, desconto ao comprar mais de um produto, ganhar de brinde algum produto encalhado, etc…

18 – Capturar o líder dos bandidos. Quando o centro de gravidade orbitar fortemente no líder, e este for capturado, a organização toda irá desmoronar.


Estratégias de Confusão (19 a 24)

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19 – Tirar a lenha de debaixo do caldeirão. Ao invés do confronto direto, utilizar táticas para minar a moral do inimigo. A estratégia vem da seguinte frase.

Retire a lenha, para evitar que a água ferva, corte a grama destruindo as raízes.

História: o grande Confúcio era conselheiro do imperador de Lu, o que fazia com que este tivesse força e sabedoria. A fim de atacar Lu, o inimigo primeiramente tirou Confúcio da jogada. Ele fez oferendas de ouro, presentes, bebidas, cavalos e oitenta beldades para o imperador de Lu. Este aceitou as oferendas e passou a levar uma vida de libertinagem, ignorando Confúcio, que pediu exoneração do cargo meses depois. Sem a sabedoria de Confúcio, o império Lu foi facilmente manipulado e conquistado, anos depois.

20 – Tornar as águas turbulentas para pegar um peixe. Fazer um lamaçal para o peixe ficar confuso e capturá-lo. Um exército confuso proporciona a vitória ao inimigo.

Algumas dicas para evitar a confusão:

  • Canais de comunicação eficientes
  • Procedimentos claros
  • Feedback preciso

21 – Mudar de pele como uma cigarra dourada. Escapar sem ser percebido, como a cigarra que muda de pele. Adaptar-se à mudanças que ocorrem constantemente no meio-ambiente.

22 – Fechar as portas para pegar o ladrão. Quando o inimigo é fraco, ele perde o espírito de luta ao se ver cercado como o ladrão preso na casa. Sun Tzu diz, quando a vantagem for de 10 para 1, cerque-o por todos os lados.

23 – Fazer amizade com o distante e atacar o próximo. Formar alianças estratégicas com sócios distantes para atacar um concorrente local.

Exemplo: uma companhia pode fazer parte de uma aliança internacional com outras companhias, e com isso obter vantagem sobre o concorrente local.

24 – Passagem emprestada para atacar Guo. Utilizar algum recurso de outrem, como uma passagem por dentro do território, para atacar o inimigo. Na estratégia 3, matar com uma faca emprestada, é o terceiro que faz a ação, agora na estratégia 24, sou eu que faço a ação, e o terceiro apenas empresta recursos.

Exemplo: vender o seu produto com a marca de outra companhia, para “pegar emprestado” o nome desta.


Estratégias de Dissimulação (25 a 30)

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25 – Substituir vigas e pilares por outros inferiores. Alterar estruturas importantes, como vigas e pilares, por materiais de qualidade inferior, e com isso enfraquecer o inimigo.

Exemplo: Uma vez comprei um carro, que tinha uma lataria muito bonita. Alguns meses depois, problemas começaram a acontecer. O carro ficava acelerado, por conta de uma pecinha que tinha quebrado. A vidro elétrico também quebrou. Depois, o para-brisa. Debaixo da aparência, peças inferiores.

26 – Apontar para a amoreira, mas repreender a acácia. Consiste em repreender indiretamente, utilizar alguém fraco para mandar a mensagem para alguém forte. Uma variação desta estratégia é “Matar a galinha para assustar o macaco”.

A galinha é muito mais fraca do que o macaco, e matar a galinha tem como objetivo controlar o macaco.

27 – Fingir-se de louco, mas manter-se são. É melhor fingir que não sabe e não tomar providência do que fingir que sabe tudo e se meter em um situação que não é possível contornar. Melhor fingir-se tolo numa situação difícil e se preparar para um momento posterior.

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O imperador romano Cláudio era figura pouco destacada. Era coxo e gago. Não demonstrava nenhuma aptidão política.

Quando os legionários assassinaram o seu predecessor Calígula, encontraram Cláudio escondido atrás de uma cortina. Cláudio foi poupado, porque parecia bobo, inepto, daria um imperador fantoche perfeito.

Mas, por trás da aparência, Cláudio era um homem estudado, bem educado, brilhante governante e estrategista, retomando o poder quando as circunstâncias foram favoráveis.
O seu governo foi brilhante na parte política e militar.

28 – Tirar a escada depois que o inimigo subir no telhado. Utilizar iscas para atrair o inimigo para uma armadilha. Quando ele estiver subido no telhado, tirar a escada, deixando-o sem saída.

29 – Cobrir a árvore de flores. Melhorar a imagem de algo, para passar uma impressão diferente da real. Popularmente, enfeitar a noiva para o casamento.

Um exemplo muito comum é o IPO de companhias. Os executivos, muito interessados em fazer a abertura de capital e embolsar uma pequena fortuna, fazem de tudo para que a imagem e as contas da empresa pareçam boas, muitas vezes cortando gastos de curto prazo e criando problemas de médio e longo prazo com isso.

30 – O convidado no papel do anfitrião. Quando o anfitrião é fraco, e o convidado, forte, este assume o papel de anfitrião e conduz a cerimônia.

Exemplo. Entrevistas com políticos experientes. Independente da pergunta que o jornalista faz, o político vai responder o que for melhor para ele.


Estratégias Desesperadas (31 a 36)

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31 – A trama da beleza. De forma geral, significa focar no ponto fraco do inimigo. Até mesmo os mais poderosos generais (homens) são muito manipuláveis por mulheres bonitas e charmosas.

Exemplos abundam na história. Sansão derrotado por Dalila, Betsabá conquistando o coração de Davi – e colocando o seu filho Salomão no trono, Cleópatra, Helena de Troia, etc…

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32 – A trama da cidade vazia. É uma estratégia desesperada, para confundir o inimigo.

Vem de uma história ocorrida com o grande estrategista Zhuge Liang KongMing. Ele estava encurralado pelo inimigo, e fez algo completamente inesperado: simplesmente abriu os portões da cidade, e passou a varrer a entrada, calmamente.

O oponente, que já tinha caído em várias armadilhas de KongMing, desconfiou de alguma trama, e desistiu do ataque.

Para esta estratégia funcionar, deve-se ter bastante conhecimento psicológico sobre o oponente.

33 – A manobra do agente duplo. Utilizar o próprio espião do inimigo para disseminar informações falsas.

Sun Tzu dedica um capítulo inteiro da Arte da Guerra para o conceito de espionagem. Aqui nas 36 estratégias, não é diferente, informação e contra-informação são a forma de saber o que está acontecendo e planejar ações.

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34 – O método da autolesão. Causar dano a si mesmo, como forma de ganhar a confiança do inimigo. Exemplo de um general chinês, que amputou o próprio braço para dizer que tinha sido traído, mas na verdade era apenas um engodo para se infiltrar entre os oficiais do inimigo.

35 – Manobras interligadas. Utilização conjunta, serial ou paralela, das estratégias descritas acima. Saber cada uma das estratégias é bom, mas saber qual utilizar, quando, onde e como, é a verdadeira Arte da Guerra.

36 – Fuga – a melhor trama. Se nada mais dar certo, fugir é uma excelente opção. Não há nada de errado em se retrair hoje, para poder batalhar amanhã.


Conclusão

Os 36 estratagemas é um dos tratados de guerra que são referência na história da humanidade. Fiel ao estilo chinês, as estratégias são descrições simples (originalmente escritas em 4 caracteres), metafóricas, mas de significado profundo se compreendidas  em sua essência, e devastadoras quando aplicadas.

Há inumeráveis outros exemplos de uso, que abordo de quando em quando neste espaço, e continuarei abordando, pelo tema ser muito rico, e pelo ser humano ser extremamente complexo.


Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2019/01/02/o-tao-da-guerra-do-general-er-hu/

https://ideiasesquecidas.com/2014/01/16/sitiar-wei-para-salvar-zhao/

Livro na Amazon:

https://amzn.to/3ne3rmL

Links e notas de rodapé:

(1) As 36 estratégias dos chineses – Wee Chow Hou & Lan Luh Luh

(2) https://super.abril.com.br/historia/jesus-nasceu-no-dia-25-de-dezembro/

A previsão do tempo que salvou o Dia-D

Resumo: a previsão do tempo possibilitou o desembarque aliado na Normandia, no Dia D – o evento que efetivamente virou o jogo na Segunda Grande Guerra. E se a previsão estivesse errada?

A não-linearidade do clima

A história, tanto quanto a vida, é marcada por diversos eventos não-lineares, que poderiam nunca ter ocorrido, e que poderiam ter mudado o mundo da forma como o conhecemos.

Por melhor que seja o planejamento, há eventos fortuitos que fogem completamente ao domínio de conhecimento de qualquer pessoa. Dentre todos os elementos desconhecidos, um dos mais importantes é o clima. Ele pode afetar desde o passeio no fim de semana, até o desembarque de 150 mil soldados e o destino da humanidade, no Dia D.

A importância do clima é tão grande, e conhecida desde tão antigamente quanto a Arte da Guerra, de Sun Tzu:

A arte da guerra é governada por cinco fatores:
– a Lei Moral
– o Céu
– a Terra
– o Comandante
– Método e disciplina

Onde o Céu significa a noite e o dia, o frio e o calor, o tempo e as estações.

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A fim de avaliar as chances de cada lado, Sun Tzu pergunta: Com quem estão as vantagens do Céu e da Terra?


Zhuge Liang Kongming

Embora Sun Tzu seja muito famoso no ocidente, há outro estrategista chinês que o coloca no chinelo: Zhuge Liang Kongming, da época dos Três Reinos.

Conta-se que ele tinha um conhecimento profundo do clima e da topografia.

Numa das guerras contra um reino vizinho, ele ficou meses articulando a posição de suas tropas e navios de guerra, a fim de encurralar o inimigo e utilizar fogo para destruir de vez a oposição.

O comandante inimigo nem deu bola para o posicionamento de Kongming, porque todos sabiam, desde sempre, que o vento soprava contra o exército do nosso estrategista. Se Kongming quisesse utilizar o fogo, com certeza ele mesmo se queimaria.

Depois de muita preparação, Kongming mobilizou suas tropas e as de seus aliados, para o ataque final. Toda a sua estratégia dependia do fogo – e do vento. Mas o vento soprava contra ele na véspera do ataque. Os aliados queriam desistir do ataque, mas Kongming insistiu para que fossem em frente – e prometeu a sua cabeça, caso desse tudo errado.

Pois bem, exatamente no dia do ataque, o vento virou de direção, agora soprava contra o inimigo. Kongming e aliados utilizaram a fúria do fogo, devastaram o inimigo e saíram vitoriosos.

Diz a lenda que o vento não virou por acaso. Kongming tinha lido em tomos antigos de conhecimento esquecido que o vento, no local do ataque, virava de direção um dia por ano, exatamente no dia do ataque programado!

Se a lenda de Zhuge Liang parece muito fantasiosa, vejamos o que ocorreu no desembarque na Normandia.


O Dia-D

O Dia-D é o dia do desembarque das tropas aliadas na Normandia, ocorrido em 06 de junho de 1944. É um dos eventos-chave da Segunda Grande Guerra. É a maior operação anfíbia da história da humanidade, e uma das operações mais complexas da mesma.

Resumindo uma longa história. Em meados de 1944, a Alemanha de Hitler sofreu derrotas devastadoras em seu fronte russo e africano. Os aliados italianos sofriam derrota após derrota. A expansão nazista tinha chegado ao fim, a partir de agora, eles estavam na defensiva – o que não os tornava menos perigosos.

Entretanto, todos esses teatros de guerra eram muito distantes do núcleo do poder alemão. Era necessário atacar realmente o centro do poder por outra frente, propiciando um ataque direto, encurralando os alemães.

Em 1944, todos sabiam que haveria um desembarque anglo-americano na Europa. Só não sabiam onde, e nem quando. Sobre a questão do “onde”, as duas opções eram Normandia ou Calais – locais com amplas praias para espalhar as tropas e não serem alvo fácil, próximos a portos importantes para garantir o ressuprimento, mares calmos o suficiente para facilitar o desembarque.

A Normandia foi o local escolhido, após longas análises e muita guerra de informação e desinformação, com direito a tanques de papelão, mensagens falsas, tropas fake, etc…

Sobre o “quando”: era necessário que houvesse lua, no mínimo parcialmente, porque as operações aéreas começariam de madrugada. A maré deveria estar baixa – para permitir que as tropas localizassem o campo minado deixado pelo inimigo. O tempo deveria estar bom – pouco vento, poucas nuvens – imagine o pesadelo que seria desembarcar sob tempestade e sob fogo nazista.

O Gen. Eisenhower, responsável pela Operação Overlord, fez longos meses de planejamento, imaginando cada detalhe da invasão, cada passo a ser tomado. Ele definiu junto aos seus pares que a invasão seria no dia 5 de junho de 1944. Mas havia algo impossível de prever: o clima, o mesmo clima citado por Sun Tzu, o mesmo clima que virou o jogo para Kongming.

A mobilização para o Dia-D foi monstruosa. Mais de 2000 navios de guerra, cerca de 150 mil soldados, tropas americanas, canadenses, britânicas – uma logística de outro mundo.

Entretanto, o tempo literalmente fechou para os aliados. Uma tempestade se aproximava – ventos fortes, pouca visibilidade. Eisenhower mandou as tropas esperarem. E agora, a responsabilidade do sucesso da invasão caía sobre os ombros de um homem, o Capitão James Stagg, o meteorologista-chefe dos americanos. E a resposta dele era que era impossível fazer a previsão, naquelas condições – teria que esperar.

O que fazer? Cancelar o Dia D?

A próxima janela de tempo com todas as características necessárias só se daria dali a duas semanas. Mas desmobilizar e mobilizar novamente todas as tropas seria um completo pesadelo logístico. Além disso, seria impossível guardar segredo após a movimentação de tanta gente, eles perderiam o elemento surpresa e a guerra de desinformação. E pior, se chovesse dali a duas semanas, talvez a próxima oportunidade tivesse que esperar mais vários meses. Daria tempo suficiente para a Alemanha se defender da Rússia, da ofensiva pelo Sul e de todas as ameaças.

No dia seguinte, o meteorologista Stagg bateu no peito, e garantiu que a tempestade tinha dado uma trégua. Haveria uma brecha de pouquíssimo tempo – um dia, no máximo dois dias. Vários dos comandantes acharam muito arriscado, mesmo assim, e pediram para adiar o desembarque na Normandia. Mas Eisenhower apostou alto, colocou todas as fichas em sua versão de Kongming, e ordenou o ataque para o dia 06 de junho de 1944.

A partir daí, é história: o Dia D foi uma das operações mais bem sucedidas da humanidade, e selou o destino da Alemanha de Hitler.

Outro fato que ajudou no sucesso da operação. Os nazistas estavam muito tranquilos de que não haveria invasão alguma, porque a previsão do tempo apontava chuva forte. Mesmo após o desembarque, eles custaram a acreditar que esta fosse a operação real, e não uma isca para confundí-los.

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O que aconteceria se o tempo fosse contra?

Imagine se o meteorologista Stagg estivesse errado, e uma tempestade varresse a costa francesa?

Os aliados perderiam todo o apoio aéreo – a navegação aérea era totalmente visual naquela época. A navegação seria terrivelmente prejudicada. Mesmo se as tropas desembarcassem, a mobilidade dos equipamentos seria bastante prejudicada naquele momento crucial da invasão. Certamente, as perdas seriam estrondosamente maiores, senão catastróficas.

Não seria a primeira vez na história que uma tempestade acaba com uma invasão.
Kublai Khan, neto do mongol Genghis Khan, dominava a China no séc. XIII. Ele tentou invadir o Japão em 1274, com 300 navios e 15.000 soldados. Diz a lenda que uma tempestade destruiu os seus navios. O Japão, um país de agricultores, não conseguiria resistir ao poderio bélico sino-mongol.

Kublai dobrou a aposta, e em 1281, mobilizou 900 navios, 17000 marinheiros, 25000 soldados coreanos, mongóis e chineses… e, novamente, uma tempestade protegeu o Japão, acabando com as ambições do grande Khan da época.

Os ventos que protegeram o Japão foram os ventos (kaze) dos deuses (kami), dando origem ao termo “kamikaze”.

Citando novamente Sun Tzu: com quem estão as vantagens do Céu e da Terra?


Epílogo

Não por acaso, o mais poderoso deus da mitologia grega, Zeus, é o deus da chuva e do trovão.

Também não por acaso, os mais poderosos deuses da mitologia nórdica, Odin, e seu filho Thor, também são deuses do trovão.

Antigamente, os guerreiros oravam aos deuses para conseguir as vantagens dos céus.

Os deuses sorriram para os aliados, no derradeiro Dia-D, o desembarque na Normandia.


Links:

https://www.audible.com/pd/History/World-War-II-A-Military-and-Social-History-Audiobook/B00DJ8ILIS

Ver no Medium.com

https://en.wikipedia.org/wiki/Normandy_landings

Normandy Landings 2017: What the D in ‘D-Day’ actually means

https://en.wikipedia.org/wiki/Mongol_invasions_of_Japan

https://www.huffingtonpost.com/2014/06/06/70th-anniversary-dday-photos_n_5445367.html

Ikkyu e o Vaso que morreu

Ikkyu e o Vaso que morreu
Conta uma lenda antiga japonesa que havia um monge chamado Ikkyu, que era muito sábio.
Desde muito pequeno, ele já apresentava sinais de uma inteligência aguda.
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Quando Ikkyu era pequeno, ele quebrou um vaso de seu mestre budista. Era um vaso extremamente valioso, que o mestre muito prezava.
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Quando o mestre chegou ao templo, Ikkyu perguntou: “Mestre, é verdade que todos têm que morrer?”
Mestre: “Sim, este é o destino inevitável de todos”
Ikkyu: “Mesmo se a gente amar muito, não tem um jeito de não morrer?”
Mestre: “Mesmo a gente amando muito, um dia vai morrer”
Ikkyu: “Mestre, o seu vaso morreu!”

Moral da História: Há várias formas de contar uma notícia ruim…
Veja também: A verdade e o Conto