Ray Dalio, por que nações são bem sucedidas e fracassam

É sempre interessante ouvir sobre o que Ray Dalio, bilionário fundador da Bridgewater, tem a dizer. Ainda mais, quando é de graça, como neste podcast, intitulado “Why nations succeed and fail”.

Ele cita vários temas de seu último livro, “Principles for Dealing with the Changing World Order”, como ciclos econômicos, ascensão da China, possibilidade de guerra.

A seguir, highlights em alguns parágrafos.

Pergunta: Por que estudar projeções num futuro tão distante? Normalmente gestores financeiros se preocupam por trimestres ou poucos anos.

Dalio: As principais ocorrências de minha vida foram de coisas que não aconteceram dentro de espaço de tempo de uma vida humana. Porém, são fatos que se repetem de tempos em tempos na história da humanidade: grande depressão, por exemplo. A situação que vivemos atualmente nunca ocorreram antes, no espaço de uma vida: quantidade de criação de débito e consequente impressão de dinheiro; magnitude de conflito interno, decorrente de desigualdades econômicas e problemas políticos; e a ascensão de uma nova potência, a China.
Como gestor, devo ser realista e acurado, mesmo para as coisas ruins.

  • Há vários paralelos dos dias de hoje com a época pré Segunda Guerra Mundial: enorme débito, gaps econômicos, potências em ascensão e outras em decadência.
  • Os vencedores de revoluções, ao invés de redistribuir igualmente o poder, acabam tomando tudo para si. Isso se repete muitas vezes na história
  • Imprimir dinheiro não aumenta a riqueza (aumentar a produtividade, sim), só gera inflação, que acabam com qualquer ganho. Desigualdades econômicas podem se tornar irreconciliáveis.
  • Há 5 tipos de guerra. Comercial, tecnológica, geopolítica, financeira e militar.

  • Enquanto o Ocidente está cada vez mais preocupado com resultados de EBITDA trimestrais de suas empresas, países orientais como o Japão e a China pensam a longo prazo, ao longo de gerações. Um efeito são políticas de curto prazo (como imprimir dinheiro) em detrimento de ações estruturantes como educação, infraestrutura em geral, internet para pessoas carentes, que têm um grande retorno sobre investimento a longo prazo.
  • Dalio expõe 18 indicadores de países, como condições financeiras, conflitos internos e externos, inovação, educação e outros, que servem como um indicador da saúde do país. É uma analogia à saúde de uma pessoa, com indicadores como peso, exame de sangue, etc, e ele utiliza isso para balizar forecasts dos próximos 10 anos.
  • Um conflito interno aumenta a probabilidade de ocorrer conflito externo, pela nação estar mais fraca e vulnerável à ataques externos, e, por outro lado, pelo líder do país em questão querer polarizar o nacionalismo para manter o poder.
  • Taiwan continua sendo uma bomba relógio armada. Rússia e China historicamente se unem quando há inimigos comuns. A Ucrânia é a Taiwan da Rússia.
  • A diferença de poder entre China e EUA vem diminuindo.
  • Todo gestor tem dois portfolios: tudo vai correr bem x pode haver problema grande.
  • Há 30% chance de uma guerra militar com a China nos próximos 10 anos, assim como há 30% chance de ocorrer alguma guerra civil nos EUA.
  • Se coletivamente tivermos a visão clara desses problemas, podemos colaborar, usar nossos recursos, para evitar esses forecasts que se desenham.

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Veja também:

Criar algo do nada

“Criar algo do nada” é a estratégia 7, das 36 estratégias chinesas de guerra. Seguem dois exemplos.

Criar uma linhagem nobre do nada

O grande unificador do Japão, Toyotomi Hideyoshi, já tinha conquistado militarmente todo o território. Porém, no Japão, a autoridade do Imperador era muito respeitada como uma figura divina – pense no Imperador como um Papa, ao invés da noção usual de grande conquistador.

Para legitimar a sua autoridade, Hideyoshi precisava de um cargo equivalente a Primeiro-Ministro, ou regente, do Japão. Porém, sendo de origem camponesa, ele não tinha uma linhagem nobre para assumir o papel.

Assim, ele passou a cortejar a nobre família Fujiwara, oferendo mimos e paparicos. Depois de um tempo, surpreendentemente “descobriram” uma relação de antepassados antiga entre Hideyoshi e os Fujiwara. Com isso, Hideyoshi conseguiu ser nomeado regente do Imperador, legitimando a posição de domínio sobre todo o Japão.

Outro exemplo é a história da sopa de pedra. Um viajante, sem nada, chega numa cidade e fala que vai fazer sopa de pedra. Os habitantes, intrigados, lhe fornecem água, panelas e fogo. O viajante começa a cozinhar uma pedra, sem pressa, sob os olhares curiosos. Com o fervor da água, ele começa a pedir alguns ingredientes básicos: cenoura, sal. Depois, outros ingredientes mais elaborados: macarrão, carne, até que consegue uma excelente “sopa de pedra”.

36 Estratégias de Guerra – Planilha bizurada

Coloquei as 36 estratégias de guerra chinesas no formato “cheat sheet”, ou “planilha bizurada”.

Link para download: https://1drv.ms/x/s!Aumr1P3FaK7jnwhuhLzdp5dSWWcA.

Seguem prints de telas. Clique na imagem para expandir.

Veja também:

As 36 Estratégias Secretas Chinesas

Resumos

A cena mais memorável da F1

Ayrton Senna, após vencer o Grande Prêmio do Brasil de 1991, ficou fisicamente tão exausto que não conseguia nem levantar o troféu. Confira no vídeo.

Senna conquistou a vitória no braço, após a sua McLaren perder todas as marchas, exceto a sexta, faltando 20 voltas para o final da prova.

Para dar uma ideia, ele tinha que entrar numa curva e manter a mesma velocidade (as outras marchas entravam em ponto morto), tirando a
diferença na habilidade e no volante.

“Se soubesse dos problemas de Senna duas voltas antes talvez pudesse vencer”, afirmou Ricardo Patrese (da Williams). “Mas Senna era um piloto não apenas muito rápido como dotado de grande senso de estratégia. Escondeu o quanto pôde suas dificuldades”.

Vencer o GP do Brasil era um de seus sonhos, e Senna faria o impossível para tal. Após a vitória, o desgaste foi tão grande que ele teve que ser atendido pelos médicos da FIA, demorando mais de vinte minutos para ir ao pódio.

Veja uma descrição detalhada desta vitória em:

A trilha sonora deste post só pode ser o Tema da Vitória, que não ouvimos há muito tempo.

A terrível estratégia bélica que salvou o Império Romano

Lembra do poderoso Império Romano, que se estendeu por séculos e dominou a Europa inteira?

Talvez a história fosse completamente diferente, e talvez hoje não estivéssemos falando de um Império Romano, e sim, de um Império Cartaginense que dominou a Europa toda por séculos.

Cartago e Roma entraram em confronto, em ocasiões conhecidas como as Guerras Púnicas. Nesta, muito se fala do grande general cartaginense Aníbal Barca, que cruzou o Mediterrâneo e atravessou os Alpes, com um exército de homens e elefantes, e obteve vitórias humilhantes sobre os romanos.

Porém, apesar de vitórias espetaculares, Aníbal perdeu, no final das contas. Roma venceu a guerra contra Cartago, sem ter vencido nenhuma batalha contra Aníbal. Se fosse um campeonato de futebol, era como se Roma tivesse sido campeão sem ter vencido nenhum jogo.

Como isso foi possível? É aí que entra a…

A estratégia fabiana

Quintus Fabius Maximus Verrucosus, também conhecido como o Cunctator (o postergador), foi o comandante militar e ditador de Roma.

Ele foi eleito ditador em 217 a.C., após uma sequência humilhante de derrotas de Roma para Aníbal. Nota: Um ditador era um líder com poderes especiais para enfrentar situações de crise, e na Roma antiga eles poderiam ser eleitos e tirados do poder.

O exército cartaginense era espetacularmente forte, e Aníbal, um brilhante estrategista. Fabius, ao invés de partir para o confronto direto, partiu para uma guerra de atrito e desgaste. Ele fez o exército romano acompanhar Aníbal de longe. Sempre posicionava as tropas em lugares altos, de forma a impossibilitar ataques surpresa. Atacava a cadeia de suprimentos de Aníbal, e atazanava os cartaginenses com ataques regulares.

Fabius também não caía nas provocações de Aníbal, por mais vantajosa que a ocasião parecia ser. Ele sabia que o cartaginense era especialista em criar armadilhas. Sendo de natureza bastante conservadora, Fabius foi jocosamente apelidado de “ovelhinha”, e “o postergador”.

Voltado à analogia do campeonato, era como se Roma jogasse numa retranca impenetrável, com 10 zagueiros dentro da área. Porém, da mesma forma, ninguém gosta de ver um time na defesa o tempo todo, as pessoas gostam daquele que ousa, e parte para cima, o ofensivo vencedor.

A estratégia de Fabius gerou uma série de críticas de seus rivais políticos, e à medida que o tempo passava, a lembrança das derrotas passadas ia ficando mais distante.

Quando acabou o mandato de ditador de Fabius, Roma colocou outro comandante em seu lugar, que tentou realizar um ataque decisivo para aniquilar o oponente. O resultado foi uma desastrosa derrota romana em Cannae (em 216 a.C.). Daí para frente, Roma aprendeu a lição, e retornou à estratégia fabiana. Foi um momento crucial para Roma, porque, após inúmeras derrotas, ela estava quase indo à lona. A estratégia fabiana essencialmente salvou o Império Romano.

O exército de Anibal ficou perambulando pela Itália por mais 15 anos. Eles não tinham poder suficiente para sitiar Roma, e nem outra grande cidade murada. O seu ataque forte ficava anulado se não tinham com quem batalhar. Além disso, os homens de Aníbal eram parte deum exército profissional, visando ao lucro de pilhagens e ganhos rápidos, ao passo que os romanos poderiam esperar o tempo que fosse necessário.

A estratégia fabiana joga com o tempo a seu favor. Troca um ataque maciço concentrado por pressão contínua por um tempo maior. Vence não por destruir o oponente diretamente, mas por exaurir os seus recursos (dinheiro, suprimentos, paciência). Vence por não perder, sabendo que pode suportar perdas por mais tempo que o outro lado.

Os cartaginenses permaneceram isolados no sul da Itália, até que os romanos ganhassem força suficiente para contra-atacar, com o general Cipião africano, que derrotou Aníbal.

A Segunda Guerra Púnica durou de 218 a.C. até 201 a.C.

A estratégia fabiana também foi famosamente adotada por George Washington, na Revolução Americana. Ao invés de utilizar ataque direto, ele adotou a estratégia de atrito contra os britânicos, vencendo-os no final.

Algo semelhante ocorreu na vitória Russa contra Napoleão: foram recuando, dando espaço dentro do vasto território russo, atacando as linhas de suprimento e fustigando os franceses, até que o terrível inverno da região virasse o jogo.

Outra menção digna de nota é a Sociedade Fabiana, formada na Inglaterra. É uma vertente socialista, porém ao invés de vencer pela revolução, a ideia é vencer pela evolução. Usa exatamente a estratégia fabiana: atacando os flancos, ganhando aos poucos e sempre. O primeiro logotipo deste grupo era um lobo em pele de cordeiro, provavelmente uma homenagem à ovelhinha que salvou Roma! Depois, trocaram para uma tartaruga, devagar e sempre, como na fábula de Esopo.

Em negócios, é muito comum um grande player baixar preços ou até dar de graça, suportando prejuízos, por mais tempo do que o oponente consegue ficar solvente (digamos Internet Explorer x Netscape Navigator).

Enquanto Aníbal entra para a história como um dos grandes generais de todos os tempos, Fabius é apenas uma nota de rodapé. Na vida real, Fabius foi extremamente mais importante, ao não levar Roma à derrota total. No final, Roma foi um dos maiores impérios da história, e foi Cartago que virou a nota de rodapé.

A estratégia fabiana não é simplesmente postergar e não fazer nada, e sim, trocar ataque pontual por pressão contínua. Energia por paciência. Cercar, fustigar, perder batalhas pequenas, mas vencer a guerra a longo prazo.

Utilize variantes da estratégia fabiana em sua vida!

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https://ideiasesquecidas.com/2018/03/23/as-36-estrategias-secretas-chinesas/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_P%C3%BAnica#A_estrat%C3%A9gia_Fabiana


https://www.britannica.com/biography/Quintus-Fabius-Maximus-Verrucosus

https://en.wikipedia.org/wiki/Quintus_Fabius_Maximus_Verrucosus

Tomar um cadáver emprestado para ressuscitar uma alma

Dentre as 36 Estratégias Secretas Chinesas, uma que gosto muito é a estratégia 14: tomar um cadáver emprestado para ressuscitar uma alma.

Uma pessoa fraca pode requerer sua assistência para ficar forte e conseguir se opor ao inimigo. Por outro lado, mesmo o exército forte precisa da ajuda de vários exércitos fracos para chegar aos seus objetivos.

É mais ou menos como o imperador Palpatine voltando à vida após seu espírito roubar o corpo de outra pessoa.

Um exemplo muito bom é a data do Natal. Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro. O Natal no dia 25/dez só surgiu no século IV, aproveitando que vários povos já comemoravam esta data como sendo o solstício de inverno. Ou seja, tomaram um cadáver (data comemorativa de povos conquistados pelo Império Romano) para ressuscitar uma alma (tomar para si esta comemoração).

Há inúmeros outros exemplos na história. Imperadores fantoche ocorreram diversas vezes. Um exemplo: o Japão invadiu a Manchúria, nos anos 1930. Para dar um ar de legitimidade, recolocaram no poder o último imperador anterior, Pu-Yu, que não mandava em nada na realidade.

Outro exemplo é o de Tiradentes. Ninguém deu bola para ele, quando morreu em 1792. Virou herói nacional após a proclamação da República, em 1889, 100 anos depois!

O Brasil da República precisava de um herói, e, utilizando a estratégia de tomar um cadáver emprestado, criaram toda a mística ao redor do arrancador de dentes que lutara pelo Brasil!

Lembre-se desta estratégia, no próximo feriado de Tiradentes!

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Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

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Sobre o gestor eficaz

A seguir, 5 pensamentos do grande Peter Drucker, em seu livro “O gestor eficaz”.

Sobre o tempo

Ninguém pode contratar, alugar, comprar ou obter mais tempo. O suprimento de tempo é totalmente inelástico. Seja qual for a quantidade da demanda, o suprimento não crescerá… E mais, o tempo é totalmente perecível e não pode ser armazenado. O tempo de ontem está perdido para sempre, e não voltará jamais.

O perigo do carisma

Hoje em dia, fala-se de carisma com ênfase exagerada, e dá-se pouca importância à eficácia. A única coisa que você pode falar sobre um líder é que ele é alguém que possui seguidores. Os líderes mais carismáticos do século passado foram Hitler, Stalin, Mao e Mussolini. Mas eram líderes às avessas!

Um dos presidentes norte-americanos mais eficazes dos últimos 100 anos foi Harry Truman, que não tinha um pingo de carisma. Truman era tão monótono quanto um peixe morto. Ele era venerado por todos que trabalhavam para ele por ser digno de confiança. Quando Truman dizia não, era não, e quando dizia sim, era sim.

Remoção de pessoas com desempenho fraco

Há um ditado militar antigo que diz: “o soldado tem direito a um comandante competente”.

Aquele que é incompetente ou apresenta um desempenho fraco, quando é deixado sozinho para realizar sua tarefa, penaliza as outras pessoas e desmoraliza a empresa inteira. Não é um favor manter pessoas com desempenho fraco em uma função à qual não se adaptam. Elas sabem que não estão se saindo bem.

Plano de ação

O conhecimento é inútil para gerentes até ser convertido em ações. Mas antes de entrar em ação o gerente precisa planejar sua forma de ação. Ele precisa pensar sobre resultados desejados, prováveis restrições, futuras revisões, pontos de verificação e implicações da forma como ele utilizará o próprio tempo.

Pontos fortes

O gerente eficaz torna os pontos fortes produtivos. Sabe que nada se constrói sobre a fraqueza. Para conseguir resultados, temos de usar todas as forças disponíveis – dos associados, do superior e a nossa própria. Nesses pontos fortes estão as verdadeiras oportunidades.

Ninguém é forte em todas as áreas. Comparado ao universo do conhecimento humano, experiência e habilidades, até o maior dos gênios precisaria ser classificado como um total fracasso.

Veja também:

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O Ártico é um monte de gelo inútil?

A quem interessaria a fria e inóspita região do ártico, com seus ursos polares?

Resposta: à Rússia, que fincou uma bandeira no fundo do mar e há décadas reivindica a posse de largas extensões territoriais, nesta verdadeira Terra de Ninguém. O ártico tem recursos naturais estimados em 90 bilhões de barris de petróleo, 1700 trilhões de pés cúbicos de gás, minerais como cobre e níquel, além de fazer fronteira com países de outros continentes (Canadá, Noruega, Suécia).

Os efeitos de aquecimento global tendem a derreter parte do gelo e aumentar a importância da corrida ao Ártico.

A Rússia mantém bases militares e já sugeriram renomear a região como “Mar Russo”.

Os EUA estão vários passos atrás dos russos. Um exemplo ocorreu anos atrás, em que um navio quebra-gelo russo resgatou um navio americano – um feito de colaboração entre países, porém também um indicativo de quem dá mais prioridade à área.

O ártico é um dos capítulos de “Prisioneiros da Geografia”, de Tim Marshall. O autor fala sobre geopolítica, incluindo EUA, China, Índia, África, América do Sul, explica efeitos da geografia e história dessas regiões.

Foi o livro mais interessante que li nesta pandemia. Fica a indicação.

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Versão áudiolivro:
https://www.audible.com/pd/Prisoners-of-Geography-Audiobook/B06XQ4SFN8?qid=1590034595&sr=1-2&ref=a_search_c3_lProduct_1_2&pf_rd_p=e81b7c27-6880-467a-b5a7-13cef5d729fe&pf_rd_r=744A5SATE6HSMHK38ZF8

https://www.bbc.com/portuguese/reporterbbc/story/2007/08/070802_russia_articorg.shtml

Napoleão em 40 frases

Napoleão Bonaparte foi um dos maiores gênios militares da história, um mestre da Arte da Guerra. Conquistou quase toda a Europa, sendo descrito como “um gigante com seus saltos esmagando muito as flores inocentes, destruindo pela força muitas coisas, indiferente ao sofrimento que causava”.

Segue um pouco de seus pensamentos, em (mais ou menos) 40 frases:

É muito melhor ter inimigos declarados do que amigos velados.

Ou abatemos o outro ou o outro nos abate.

Um ato de clemência do rei é como um jogo numa loteria, é raríssimo que ganhemos qualquer coisa.

A aristocracia tem a vantagem de concentrar a ação do governo nas mãos menos perigosas e menos inaptas do que a de um povo ignorante.

A verdadeira felicidade social consiste na harmonia e no uso pacífico das satisfações de cada indivíduo.

Um rei é às vezes forçado a cometer crimes; são crimes de sua posição.

Não há subordinação nem temor que prevaleça nos estômagos vazios.

A sorte é uma mulher, se a deixar fugir hoje, não espere encontrar amanhã.

Quando um príncipe está resolvido a punir, deve punir muitos ao mesmo tempo.

Os mais fortes não negociam, mas sim ditam as condições e são obedecidos.

Não há nada mais tirânico do que um governo que pretende ser paternal.

A glória e o bem do cidadão devem ser silenciados quando assim o requerem o interesse do Estado e o bem comum.

A liberdade civil depende da segurança da propriedade.

As revoluções são como o mais repugnante estrume que favorece o crescimento dos mais belos vegetais.

Em todos os países a religião é útil ao governo, e precisa fazer uso dela para agir sobre os homens.

Não pode existir rei sem finanças, sem meios seguros de recrutar o seu exército e sem frota.

O trono é um pedaço de madeira coberto com veludo.

É muito mais fácil fazer bravatas e ameaçar do que vencer.

Toda árvore produz o seu fruto e só se colhe o que foi plantado.

Não me ofendo quando me contradizem, mas procuro que me esclareçam.

É preciso aceitar as coisas como elas são, e não como gostaríamos que fosse.

Os discursos passam, as ações ficam.

A consciência é o refúgio inviolável da liberdade humana.

Homens superiores são crianças tantas vezes ao dia.

Os homens são tão maus que precisamos estar vigilantes em tudo.

Grandes homens são parecidos com meteoros que resplandecem e se consomem para clarear a terra.

Somos fortes quando estamos decididos e prontos para morrer.

A sabedoria requer prudência.

Por acaso o próprio Sol não tem as suas manchas?

Assim como as conspirações, as surpresas devem surgir como um raio.

Não se deve julgar um homem pela fisionomia, mas colocando-o à prova.

A coragem e a virtude conservam os Estados, os vícios o arruínam.

A vida de um cidadão pertence à pátria.

É muito melhor para o povo ter uma ordem insatisfatória do que não ter ordem nenhuma.

Os homens têm um coração, as leis, não.

Na vida tudo é sujeito a cálculo. É preciso fazer o balanço entre o bem e o mal.

Não sou feito para meia-medidas.

Com os especialistas, as coisas mais simples do mundo se tornam as mais difíceis.

Na guerra como na política, o mal só se justifica quando absolutamente necessário.

Fonte: Napoleão, Aforismos, máximas e pensamentos. Uma curiosidade: é um livrinho fino, impresso em papel jornal barato. Comprei num sebo de S. José dos Campos, por R$ 2,00, há uns 20 anos atrás.

Outros links:

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O Tao da Guerra, do general Er-Hu

Nos mais de 5.000 anos da cultura chinesa, ocorreram diversos períodos extremamente conturbados, com reinos combatentes lutando pela supremacia de seu vasto território e população humana. Por conta disto, a Guerra foi elevada à posição de Arte, sendo a obra de Sun Tzu a mais conhecida, porém, longe de ser a única.

Apresento abaixo um resumo do Tao da Guerra, obra descoberta em tabuletas de bambu no túmulo do grande mestre estrategista Er-Hu. Este foi escrito por volta de 370 a.C., por Er-Hu, um dos mais brilhantes generais da dinastia Zhao.

Seguem alguns trechos desta obra extraordinária. Atenção: contém afirmações fortes.

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O general que sabe fazer a guerra é movido pelo Tao. Suas manobras são eficazes, sua técnica precisa, seus planos indecifráveis, sua vontade, impenetrável. Conhece tudo o que se relaciona com o inimigo e com o seu propósito, conhece plenamente o terreno, o tempo atmosférico e o cronológico, é cauteloso no planejamento e magnânimo na execução.

Tu, a quem o destino permitiu decidir sobre a sorte dos grandes impérios, deves pretender a paz para governar com sabedoria. Para tanto, deves ser pacífico e calmo, e ao mesmo tempo implacável!

Se desejas a paz, deves se preparar para a guerra.

Para suportar o fardo do poder é preciso conhecer o calor do inferno que arde nos olhos dos guerreiros e sentir o odor do solo manchado de sangue no rigor das campanhas executadas com a coragem de mil mortes.

O inimigo não deve temer apenas as tuas armas, mas o teu nome!

A arte da guerra consiste em dominar e não apenas em derrotar o inimigo!

Sobre o Tempo. A eternidade caminha todos os dias com o ancião dos anos, mas a morte é fato consumado. Que ninguém se iluda, o tempo de todas as coisas chegará.

Apenas uma coisa para alcançar a eternidade: saber usar o tempo. Uma única maneira de usar o tempo: seja pleno em tudo que fizer! Quando digladiando com armas, acabe com o inimigo. Se deitado com uma mulher, ama-a. Em audiência com teu príncipe, sê pleno. Em campo de guerra, sereno.

O primeiro passo para alcançar a graça é a inteligência, o segundo é a cautela, e o terceiro, a ousadia.

  • A inteligência deve ser utilizada para adestrar o talento e elevar a capacidade.
  • A cautela deve ser empregada a fim de criar projetos audazes e ambiciosos.
  • A ousadia deve ser empregada a fim de executar manobras impossíveis de serem contidas.

Jamais confio na aparência das coisas que me são apresentadas ou nas circunstâncias que ainda não estão cristalizadas. Jamais confio nas palavras de um homem.

Sobre o planejamento tático. Planejar com cautela e executar com ousadia é o talento do general. A vitória primeiro acontece na mente potencialmente superior em táticas. Perspassa pelo espírito altamente capaz e encerra sua sentença na agudeza de propósito.

Os antigos combatentes treinavam seus exércitos todos os dias. É preciso adestrar o exército na disciplina. Deve-se estimular os soldados a manejar armas segundo os seus talentos individuais, até que se tornem peritos.

Saiba sondar as profundezas daquilo que o inimigo deseja previamente. A maestria consiste em adaptar-se a qualquer circunstância e vencer sem usar a força.

A palavra é como uma lâmina afiada que corta o vento e penetra facilmente no ouvido de um homem. E uma arma que penetra no ouvido de um homem poderá matá-lo.

Sobre inteligência. A altura e a espessura das muralhas não podem ser consideradas o sustentáculo da vitória ou da derrota. O general deve se valer dos relatórios de inteligência para definir seus movimentos antes de executar a sentença de guerra.

Capturar armas e provisões é a melhor coisa, destruir é a segunda melhor. Cativar a confiança e apoio dos camponeses é a melhor coisa, rendê-los, a segunda melhor. Determinar o resultado da guerra e dominar o inimigo sem desembainhar a espada é o verdadeiro ápice da excelência.

Como uma lança afiada indo ao encontro do peito do inimigo, tuas intenções devem ser firmes, tuas manobras, absolutas, e o resultado das mesmas, definitivo!

Paciência e autodomínio inabalável são recursos essenciais. Devem, portanto, ser o fundamento que move o general.

O general deve ter um nome e um rosto. Um rosto para os que estão perto o seguirem, e um nome para os que estão longe o temerem. A palavra do general é uma ordem! Os oficiais devem demonstrar respeito na presença do general, firmeza no cumprimento de ordens e economia nas palavras ao anuciar seus interesses.

O verdadeiro poder não é motivado pela ambição, não é reconhecido pela ganância e não é testado pela vaidade. O verdadeiro poder não é controlado por forças externas.

Opera sempre no secreto, mas com tal firmeza de propósito que nem o mais hábil comandante saiba deslindar os mistérios de tua mente. A sagacidade está em evadir para dominar, recuar para avançar, simular fraqueza quando forte, demonstrar força quando fraco.

Quando chegar o momento em que todos os critérios do que desejas executar estão satisfeitos, cumpre que sejas tão rápido e preciso quanto o falcão que se precipita em direção à sua caça.

Não há misericórdia para quem é mensageiro da morte. É a sua natureza que o conduz a ter domínio do céu, e não apenas a sua vontade!

Trabalha duro para adquirir destreza. Aprende tudo e esquece para usar o instinto.

Se queres conhecer um homem, considera a sua montaria, as suas roupas e o seu olhar, não apenas as suas palavras. Quando os homens movem os lábios, posso ouvir-lhes as palavras, e quando lançam o olhar, compreendo suas verdadeiras intenções.

Defesas impenetráveis não são feitas de pedra, mas de astúcia. Certifique-se de que o inimigo verá o mais temido exército que já pisou sobre a face da Terra.

Um mestre da estratégia é discreto, não precisa atestar a sua arte, jamais se gaba de suas habilidades. Suas façanhas se eternizam e suas palavras brotam dos confins da vaidade.

A mais antiga de todas as armas é a beleza. Aquilo que parece ser tão belo pode ser tão letal.


Links:

https://www.saraiva.com.br/o-tao-da-guerra-os-fragmentos-perdidos-da-dinastia-zhao-3048339.html

https://ideiasesquecidas.com/2018/01/24/drucker-e-sun-tzu-sobre-planejamento/

https://ideiasesquecidas.com/2018/03/23/as-36-estrategias-secretas-chinesas/

https://ideiasesquecidas.com/2020/04/02/napoleao-em-40-frases/

A estratégia do logro

UMA ANTIGA LENDA

Conta uma antiga lenda que na Idade Média um homem muito religioso foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher. Na verdade, o autor era pessoa influente do reino e por isso, desde o primeiro momento se procurou um “bode expiatório” para acobertar o verdadeiro assassino. O homem foi levado a julgamento, já temendo o resultado: a forca. Ele sabia que tudo iria ser feito para condená-lo e que teria poucas chances de sair vivo desta história. O juiz, que também estava combinado para levar o pobre homem a morte, simulou um julgamento injusto, fazendo uma proposta ao acusado que provasse sua inocência.

Disse o juiz: sou de uma profunda religiosidade e por isso vou deixar sua sorte nas mãos do Senhor vou escrever num pedaço de papel a palavra INOCENTE e no outro pedaço a palavra CULPADO. Você sorteará um dos papéis e aquele que sair será o veredicto. O Senhor decidirá seu destino, determinou o juiz. Sem que o acusado percebesse, o juiz preparou os dois papéis, mas em ambos escreveu CULPADO de maneira que, naquele instante, não existia nenhuma chance do acusado se livrar da forca. Não havia saída. Não havia alternativa para o pobre homem.

O juiz colocou os dois papéis em uma mesa e mandou o acusado escolher um. O homem pensou alguns segundos e pressentindo a “traição” aproximou-se confiante da mesa, pegou um dos papéis e rapidamente colocou na boca e engoliu. Os presentes ao julgamento reagiram surpresos e indignados com a atitude do homem.

– Mas o que você fez? E agora? Como vamos saber qual seu veredicto?

– É muito fácil, respondeu o homem. Basta olhar o outro pedaço que sobrou e saberemos que acabei engolindo o contrário.

Imediatamente o homem foi liberado.

MORAL: Por mais difícil que seja uma situação, não deixe de acreditar até o último momento. Há sempre uma saída.

(do antigo folhetim da Viasoft News)

A Estratégia do logro

UMA ANTIGA LENDA

Conta uma antiga lenda que na Idade Média um homem muito religioso foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher. Na verdade, o autor era pessoa influente do reino e por isso, desde o primeiro momento se procurou um “bode expiatório” para acobertar o verdadeiro assassino. O homem foi levado a julgamento, já temendo o resultado: a forca. Ele sabia que tudo iria ser feito para condená-lo e que teria poucas chances de sair vivo desta história. O juiz, que também estava combinado para levar o pobre homem a morte, simulou um julgamento injusto, fazendo uma proposta ao acusado que provasse sua inocência.

 

Disse o juiz:

– Sou de uma profunda religiosidade e por isso vou deixar sua sorte nas mãos do Senhor vou escrever num pedaço de papel a palavra INOCENTE e no outro pedaço a palavra CULPADO. Você sorteará um dos papéis e aquele que sair será o veredicto. O Senhor decidirá seu destino, determinou o juiz.

 

Sem que o acusado percebesse, o juiz preparou os dois papéis, mas em ambos escreveu CULPADO de maneira que, naquele instante, não existia nenhuma chance do acusado se livrar da forca. Não havia saída. Não havia alternativas para o pobre homem.

 

O juiz colocou os dois papéis em uma mesa e mandou o acusado escolher um. O homem pensou alguns segundos e pressentindo a “traição” aproximou-se confiante da mesa, pegou um dos papéis e rapidamente colocou na boca e engoliu. Os presentes ao julgamento reagiram surpresos e indignados com a atitude do homem.

– Mas o que você fez? E agora? Como vamos saber qual seu veredicto?

 

– É muito fácil, respondeu o homem. Basta olhar o outro pedaço que sobrou e saberemos que acabei engolindo o contrário.

Imediatamente o homem foi liberado.

MORAL: Por mais difícil que seja uma situação, não deixe de acreditar até o último momento. Há sempre uma saída.

 

(do antigo folhetim da Viasoft News)