O que é sucesso (meme)

Recebi este gráfico pelo Whatsapp, e achei interessante.

De certa forma, é o complemento do gráfico da felicidade, do link.

Isto me lembra uma piada que ouvi um dia: quando somos adolescentes, temos tempo e energia mas não temos dinheiro, quando adultos, temos energia e dinheiro, mas não temos tempo, quando idosos, temos tempo e dinheiro, mas não temos energia!

Nenhuma lição é para sempre

A frase “Há lições que ficam para sempre” está errada. Não há lições que durem para sempre.

 

 

É exatamente o contrário. Toda solução tem um prazo de validade, por melhor que esta seja.

 

 

Isto ocorre porque o mundo muda. As pessoas mudam. Os processos mudam. As regras do jogo mudam.

 

Além disso, há a entropia.

 

A Segunda Lei da Termodinâmica diz que, num sistema isolado, a entropia tende a aumentar. “Entropia” pode ser entendida por “desordem”.

 

Um “sistema isolado” é um sistema que não recebe nem perde calor.

 

 

Por outro lado, se o sistema não for isolado (ou seja, colocando energia), é possível manter a entropia sob controle.

 
Portanto, é sempre necessário estar aprendendo de novo, ensinando de novo, treinando de novo, de tempos em tempos…

 

 

 

Vide também:

Dinheiro e termodinâmica

Matéria, onda, energia, bola de futebol e prof. Weis

 

 

Dinheiro e Termodinâmica

Dinheiro é como energia. Energia em si mesmo não é nada, o seu valor é como intermediário. A energia é a equivalência entre calor e trabalho. E o dinheiro, a equivalência entre dois produtos, ou dois serviços diferentes. A energia é o algo que se conserva na transformação entre um e outro.

 

 

Sendo dinheiro uma espécie de energia, valem as leis da termodinâmica. A termodinâmica se refere à relação entre calor, trabalho e energia, e há duas leis principais.

 
A primeira Lei da Termodinâmica é a da conservação de energia: a energia não pode ser criada ou destruída, apenas transformada. Portanto, não espere que haja resultados sem trabalho, ou resultados alavancados com pouco trabalho. Aquele que consegue mobilizar uma quantidade grande de energia pode mobilizar uma quantidade enorme de trabalho.

 
A segunda Lei da Termodinâmica é a da entropia: na transformação entre calor e trabalho, sempre se perde alguma coisa. Nem todo o trabalho vai gerar resultado – uma boa parte do trabalho não vai gerar resultado algum, vai se perder como entropia. O que existe de fato são meios mais eficientes de trabalhar, que geram menos desperdício de resultados.

 
Sobre a fórmula mágica do sucesso. Assim como não existe o tão sonhado moto-contínuo da termodinâmica, não existe o moto-contínuo do sucesso ilimitado sem trabalho. Qualquer um que venda o sucesso sem trabalho estará mentindo. Não há almoço grátis. Todos os atalhos são perigosos.

 

Conclusão: não espere que valor seja criado do nada.

 

 

​O timing correto

Uma águia passa horas planando até que todas as condições estejam favoráveis. Quando chega o momento, o seu ataque devastador ocorre em segundos.
 
Rolar uma grande rocha morro acima é feito aos poucos, com paciência, centímetro a centímetro. Quando a rocha cai morro abaixo, salve-se quem puder.
 
Energia cinética = Energia potencial, segundo a lei da conservação de energia.

 

Para liberar em um segundo uma explosão de energia cinética, é necessário muito tempo acumulando energia potencial.
 
Vencer uma luta em um minuto requer meses de preparativos.
 
Realizar um excelente trabalho em poucos dias requer anos de excelência no assunto.
 
O impaciente vai liberar energia cinética sem potencial suficiente.
 
Vence aquele que tiver a capacidade de dominar a arte do timing correto.
 
Vence aquele que tem a paciência e a dedicação de acumular energia potencial: estudar além do que escola oferece, trabalhar com excelência, testar inovações, errar e aprender.
 
Vence aquele que sabe aplicar o potencial acumulado.
 
Vence aquele que pensa a longo prazo.
 
“A energia é como o retesar de uma besta. A decisão é como apertar o gatilho” – Sun Tzu, a Arte da Guerra.

 

Porque trabalho na indústria

Este escrito é um corolário do anterior, o que é dinheiro para mim.

Sendo dinheiro energia, e sendo a soma do trabalho útil das pessoas, prefiro trabalhar num setor onde efetivamente há a transformação da natureza em um insumo útil ao ser humano. Trabalho primário, indústria.

O dinheiro não é um fim em si. É apenas um intermediário. No fim, é uma troca entre duas pessoas, com o aumento do bem estar de ambas. Um jogo de soma positiva.

Não gosto muito do setor financeiro, mercado de valores, bancos. Estes são setores onde entra dinheiro e sai dinheiro. Na minha visão, é quase como um jogo de soma zero, apenas redirecionando a energia existente. Dinheiro pelo dinheiro.

Alguns dirão que não é verdade. O setor financeiro é extremamente importante para a economia, ao permitir liquidez e investimentos. E, realmente, o setor financeiro é muito importante. Porém, é uma contribuição indireta. É como colocar óleo nas engrenagens de uma máquina, o óleo vai fazer a máquina rodar melhor. Entretanto, eu prefiro ser engrenagem do que óleo.

Enquanto puder me dar ao luxo de escolher, esta é a minha opção. Quando não tiver escolha e tiver que encarar o que vier, que assim seja.

Outros apontam que eu tenho ações na bolsa de valores. É verdade, tenho sim. Mas não é para fins especulativos. Não fico comprando e vendendo. Faço buy and hold. É mais para proteção ao risco do que para investimento. Não confio na renda fixa, que no final das contas está atrelada a títulos da dívida do governo. Não sou maluco de confiar todos os ovos num cesto inseguro como o governo brasileiro.

Prefiro gastar meu tempo estudando, aperfeiçoando habilidades, ensinando neste blog ou nos outros, do que tentando ganhar com trades na bolsa.

Como diria o grande filósofo Friedrich Nietzsche, escrevo essas palavras com o meu sangue, e para compreendê-las, o leitor deve ler com a alma.

O que é dinheiro para mim?

Dinheiro, para mim, é igual à energia. É algo equivalente à soma do trabalho útil de todas as pessoas.

O universo, naturalmente, tende ao caos – é a segunda Lei da Termodinâmica, a Lei da Entropia.
Não é o estado natural do mundo que todos tenham acesso à alimentação, moradia, educação. O estado natural do mundo é que é difícil obter acesso à alimentação, moradia. Em outras épocas foi extremamente difícil. Educação então nem se fala.

Para extrair algo do mundo e transformar num insumo para o ser humano, é necessário um trabalho útil. Útil no sentido de que deve ser efetivo. É possível alguém fazer muito esforço mas não gerar nada, daí no fim do dia, ele vai passar fome do mesmo jeito.

É a soma deste trabalho útil que permite à humanidade sobreviver ou não. Se o trabalho gerar menos do que consome, a tendência é de a humanidade desaparecer. Se gerar mais trabalho do que consome, a tendência é de crescer.


Definições de dinheiro

Tradicionalmente, nos livros básicos de economia o dinheiro tem três funções.

  • Meio de troca
  • Unidade de medida
  • Reserva de valor

Ao invés do João dar bananas para Alfredo e receber laranjas, eles trocam notas de dinheiro. O dinheiro serve como meio de troca entre laranjas e bananas. Também serve como unidade de medida: se eu cortar 1/3 de banana para completar com 1/2 laranja, estrago ambas as frutas, mas sendo o dinheiro divisível, consigo fazer esta equivalência. E também serve como reserva de valor, se Alfredo não quiser bananas hoje, mas sim amanhã, ele pode guardar as notas que receber.

No fundo, o dinheiro é apenas um intermediário. E este intermediário tem diversas vantagens. Pode tornar o trabalho extremamente intrincado, complexo: alguém que trabalha numa peça de manutenção de uma gigantesca indústria de minérios vai receber o dinheiro, e com isso comprar bananas. De outra forma, seria impossível o João receber a peça da indústria e trocar por bananas.

Para ser um bom intermediário, o dinheiro tem que ter várias características: difícil de falsificar, escasso, durável, divisível, portátil, etc.

As razões são simples. Se for facilmente falsificável, perde todo o valor. Se dinheiro desse em árvore, como folhas, não teria o valor da escassez, e é por isso que folhas não servem para ser dinheiro, e nem dinheiro dá em árvore. Se não for durável, não serviria como reserva de valor. Se não for divisível, não consigo trocar 1/3 de banana por 1/2 laranja. Se não for portátil, eu teria que usar um carrinho de mão de dinheiro para comprar uma laranja (e é o que acontece, em países com superinflação).

Note que o ouro é o metal perfeito para servir de intermediário. É extremamente escasso, não falsificável, durável eternamente, divisível – na verdade dúctil, e por ter muito valor, portátil.

Entretanto, o ouro é tão escasso, mas tão escasso, que o crescimento do mundo é muito maior do que o crescimento da quantidade de ouro minerada no planeta. E não faz sentido lastrear o crescimento do mundo em algo que não cresce.

Portanto, o dinheiro é energia no sentido de que o valor de trabalho de uma pessoa vai ser transformado num valor equivalente ao trabalho de outra pessoa, ou pessoas, ou indústrias.


E o que é energia?

Muito instrutiva é uma aula do grande cientista americano Richard Feynman, em que ele discorre sobre energia.

Um primeiro impacto: ninguém sabe exatamente o que é energia. Não há um entendimento preciso sobre o que seja isto.

E um segundo impacto: ao invés de dizer que a energia se conserva após um processo, talvez seja mais interessante pensar no contrário. Àquilo que se conserva após um processo, dá-se o nome de energia, seja lá o que for: cinética, térmica, radioativa, etc. Então, por definição, a energia seria conservada.

Seja como for, é bom ter em mente as duas leis da termodinâmica: a energia se conserva entre processos, mas uma parte dela se conserva na forma de entropia, ou seja, é perdida do trabalho útil.


Confiança

Uma nota de 100 reais é apenas papel. Não dá para comer, não vale nada intrinsicamente. É apenas um intermediário.

Mas, para desempenhar este papel, as pessoas devem confiar que vão poder gastar o dinheiro recebido.

No fundo, no fundo, é a confiança que importa.

Tendo confiança, qualquer coisa pode desempenhar o papel de dinheiro: cigarro nas prisões, pedras redondas nas ilhas do pacífico, um número no extrato bancário, ou até um papel com uma impressão em cima.

O problema é quando ocorre a quebra da confiança. Quando o dono da impressora de dinheiro imprime mais dinheiro do que crescimento do trabalho, ocorre inflação. Alguns poucos, os que têm meios de se proteger recebendo valores inflacionados, se dão bem. A grande maioria, que não tem reajustes rápidos, sai perdendo.

Quando ocorre quebra de confiança na moeda, o trabalho continua existindo. Mas o meio de trocar este trabalho, não. Em casos extremos, a sociedade volta ao escambo: prefiro trocar laranjas por bananas, diretamente, do que trocar laranjas por moeda podre, que vai perder o valor. Quando se tem laranjas para trocar, tudo bem. Mas o mecânico da peça de manutenção de grande indústria não recebe bananas, recebe moeda podre. E ele vai querer continuar sobrevivendo, mesmo que isto signifique trocar de emprego, digamos ser feirante – mesmo que o trabalho dele na grande indústria seja muito mais valioso para a sociedade a longo prazo. E, assim, fecha-se o ciclo, o trabalho útil diminui, a energia é desperdiçada, e a entropia vence.

Veja também: O Índice X-Men de inflação, sobre a hiperinflação dos anos 80.

Nota: Todo o ouro do mundo cabe num cubo de 20x20x20 metros, para dar ideia de quão escasso é.

Energia

 “A energia é como o retesar de uma besta. A decisão é como apertar o gatilho”. Sun Tzu – A Arte da Guerra

 

Richard Feynman (1918-1988) foi um dos maiores físicos americanos de todos os tempos. Existe uma coleção de aulas dele, chamada de Feynman Lectures on Physics (http://www.basicfeynman.com/).

 

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Na época em que fiz mestrado em Engenharia Eletrônica, li essas aulas (extracurricularmente, porque gosto de ler). Gostei particularmente da aula sobre Energia.

 


O que é Energia?

 

Parece uma pergunta fácil, mas não é.

 

Intuitivamente, a energia é algo que tem haver com ação. Quanto maior a energia, maior a ação realizada.

 

E a energia também parece ter relação com o potencial de ação. É a energia potencial. Por exemplo, um balde de água a 2 metros de altura tem uma energia potencial. Quando o balde cair, esta energia se transformará em energia cinética, do movimento.

 

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É como se a energia estivesse armazenada , esperando para gerar ação.

 

Há vários tipos de energia: energia elétrica, solar, eólica, nuclear, térmica. Energia pode se transformar em som.E também a energia química de algo como o petróleo. Ou a energia que extraímos de um prato de feijão.

 

Segundo Feynman, ninguém sabe exatamente o que é uma energia.

 

  • Energia é um átomo?
  • Energia é uma onda?
  • Energia é calor?
  • Energia é luz? É som? É o prato de feijão? É o balde?
  • E = mc^2?
  • Não sei exatamente. E não importa.

 

O que se sabe, da primeira Lei da Termodinâmica, é que a energia não se perde, não se cria, só se transforma, num sistema isolado.

 

A energia potencial do balde vira energia cinética. Quando o balde atingir o chão, parte da energia vai se perder com o impacto, esquentando o solo, parte vai virar som, parte retorna para o balde virando movimento na direção contrária.

 


A sacada de Feynman

 

Na escola, ensinam que a energia potencial do balde parado é dada por mgh, e a energia cinética é dada por 1/2 mv^2.

 

E que, pela conservação da energia, mgh = 1/2 mv^2.

 

Ou seja, há uma fórmula para a energia potencial, há outra fórmula para a energia cinética, e que estas são iguais. Usando este conceito, há um monte de perguntas de vestibular deste tipo:

 

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Feynman sugere o inverso. Há algo que se conserva, entre um estado e outro. Dá-se o nome de “energia” a aquilo que se conserva, e a conservação desta tal de energia é uma propriedade física constante.
Parto do ponto que a energia se conserva, e tenho que descobrir as fórmulas para respeitar a propriedade de serem iguais.

 

Portanto, a energia do prato de feijão vai ser igual à energia deste processada pelo meu estômago. Se existir uma fórmula para a energia química do feijão esta deve ter a propriedade de ser igual à fórmula da energia gerada pelo meu estômago.

 

Voltando ao meu mestrado, usei um teorema de conservação de energia dos sinais para simplificar brutalmente um processamento computacional (durava dias e passou a durar minutos). Graças às aulas de Feynman, tive segurança de afirmar que o que fiz era correto, e ainda fiquei filosofando sobre o significado de energia com o meu orientador.

 


Extrapolando

 

Feynman era físico, ganhador do prêmio Nobel. Eu, não, sou apenas um doido qualquer.

 

Portanto, posso extrapolar as leis da termodinâmica e fazer outras perguntas, sem o menor rigor científico.

 

  • Existiria uma energia potencial de conhecimento e experiência para gerar uma energia cinética de uma ideia que funcione?
  • Ou uma energia potencial de criatividade para gerar energia cinética de inovação?
  • Existe uma energia potencial de treinamento necessária (digamos, aprender a dirigir) para converter em experiência prática (saber dirigir)?
  • Seria o dinheiro uma forma de energia? Recebo o dinheiro por um trabalho realizado, e uso o mesmo para comprar o trabalho de outra pessoa – é como transformar a energia potencial da água em energia elétrica, e usar a energia elétrica para ligar uma televisão.

 

Suspeito que sim, que as ideias fazem sentido. Basta inventar uma fórmula para relacioná-las.

 

Arnaldo Gunzi

Out 2016