A neblina na estrada do futuro

Como dirigir na neblina?

Lembro de uma vez, quando tinha uns 12 anos, que visitei a casa de um parente distante. No porão da casa dele, havia sua biblioteca particular: meia dúzia de estantes de livros diversos, além de diversas caixas espalhadas pelo chão, cheias de livros. Fiquei a tarde toda maravilhado, olhando para as capas e folheando aleatoriamente páginas velhas cheias de letras e poeira. Particularmente, achei fascinante uma apostila de cursinho, que condensava matérias como Matemática, Química, História e outros temas de vestibular.

É da mesma época o joguinho Enduro, de Atari. Um carro de corrida que deve ultrapassar outros carros. Na fase normal, é mais simples, dá para ver os demais carros à distância. Contudo, há uma fase em que surge uma neblina espessa, e só dá para ver os outros carros a uma curtíssima distância.

Naquela época, eu não tinha a menor ideia do que seria no futuro, dos caminhos possíveis a trilhar. É como uma espessa neblina à frente, só dá para ver alguns poucos passos possíveis e ter uma leve ideia do objetivo final. O que já sabia era que eu que gostava enormemente de estudar, de livros e conhecimento. E de temas pragmáticos, que tinham aplicação concreta na vida real.

A neblina da guerra

O teórico de guerra John Von Clausewitz cunhou o termo “neblina de guerra”, referente à informação incompleta nas decisões dos exércitos. Decisões essas que podem mudar o destino inteiro de uma nação e da história.

Dois exemplos históricos.

1 – O novíssimo e poderoso navio de guerra britânico “Prince of Wales” foi enviado ao Oceano Pacífico, alguns dias após o Japão bombardear Pearl Harbour, em 1941. O Prince of Wales foi detectado por uma escolta japonesa, e decidiu retornar ao porto de origem, por segurança. Naquela época, não tinha GPS ou satélites, então encontrar um navio no oceano era um jogo de busca exaustiva, gato e rato.

No caminho, o navio recebeu um relato de atividade dos japoneses, em terra, e não resistiu à tentação de se deslocar ao local para usar todo o poder de seus canhões no inimigo. Horas de deslocamento depois, o Prince of Wales chegou ao destino, para só então descobrir que o relatório estava errado: não tinha atividade japonesa nenhuma.

Nesse meio tempo, o navio foi avistado pelos aviões japoneses. Horas depois, uma frota de mais de 80 aviões torpedeou e afundou o Prince of Wales, que mal conseguiu revidar. Os britânicos cometeram uma série de erros, como superestimar o poderio naval e subestimar o estrago que aviões podem causar, mas não tivessem ido atrás de um relatório errado, o destino poderia ser outro.

Foi um desastre que virtualmente eliminou a oposição britânica no Pacífico.

Uma lição é separar o sinal do ruído – e isso não é fácil.

https://www.warhistoryonline.com/instant-articles/end-battleship-hms-prince-wales-repulse-sunk-10th-december-1941.html

2 – Previsão do tempo no dia D.

O desembarque na Normandia pelos aliados, em 1944, foi a maior operação anfíbia da história, com mais de 2000 navios de guerra, 150 mil soldados. Entretanto, tudo poderia mudar, por um motivo simples e difícil de prever: o clima.

Era necessário que houvesse lua, no mínimo parcialmente, porque as operações aéreas começariam de madrugada. A maré deveria estar baixa – para permitir que as tropas localizassem o campo minado deixado pelo inimigo. O tempo deveria estar bom – pouco vento, poucas nuvens.

Um desembarque em condições climáticas ruins custaria caro: imagine o pesadelo que seria desembarcar sob tempestade e sob fogo nazista.

Para piorar, o tempo literalmente fechou, dias antes da operação. A responsabilidade caiu nos ombros do meteorologista chefe dos americanos, o Capitão James Stagg. Ele previu que o clima ia dar uma pausa, e a operação seria possível na data. Felizmente para os aliados, ele acertou.

Além da técnica, também existe a sorte: a virtú e a fortuna de Maquiavel.

O contexto da neblina de Clausewitz é militar, mas a ideia é análoga, para a neblina na estrada do futuro.

Não temos como enxergar muito longe, nesse panorama nebuloso. Temos que ter fé de que estamos ligando pontos corretamente.

Conectar os pontos

Por fim, vale a pena ver a terceira história de Steve Jobs, no discurso de formatura de Stanford. Ele fala sobre conectar os pontos.

“É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para a frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.”

“De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.”

Veja também:

Como a maçã virou abóbora

No livro “After Steve: How Apple Became a Trillion-Dollar Company and Lost Its Soul”, o jornalista Tripp Mickle, do Wall Street Journal, investiga o que vem acontecendo com a Apple pós Steve Jobs: virou uma máquina de fazer dinheiro, mas perdeu a magia.

O livro foca em duas pessoas: o criativo designer Jony Ive e o eficiente novo CEO Tim Cook, e como o primeiro acabou definhando em importância até a sua saída.

A Apple, com Jobs, destacou-se por estar na intersecção artes e tecnologia.

Nenhum nome representa tanto o lado “arte” da Apple quanto Jony Ive, que era considerado como o “parceiro espiritual” de Jobs. Ele começou trabalhando com Jobs no projeto do iMac. Se deram muito bem, desde então. Se a Apple precisava de um hit, Ive entregava, independente de custos: o design na frente das finanças.

Jony Ive acabou sendo a segunda pessoa mais importante da Apple. Respondia direto a Jobs. Ive complementava Steve. Paciente, focado, ao contrário do chefe. Teve papel importante no segundo ato da Apple, ao se envolver no design do iPhone, iPod, iPad entre outros.

Com Jobs e Ive, o design era maior do que a engenharia. Com Tim Cook, o oposto.

É de conhecimento geral que Tim Cook é o atual CEO da Apple, e após um período de desconfiança, fez a empresa se tornar a mais valiosa do mundo, tendo atualmente inimaginável valor de mercado de 1 trilhão de dólares.

Cook teve a habilidade de navegar no mundo pós-Jobs. Entre outras ações, abriu caminho para Apple na China, e teve uma participação maior no mundo da política.

A Apple de Cook começou a deixar o design de lado, e ser guiada cada vez mais pelos números. Eficiência, baixos custos, ganhos de escala, supply chain. Negociadores em destaque, espremendo fornecedores e garantindo centenas de milhões a cada contrato. Finanças na frente do design.

A Apple continuou tentando inovar, porém sem o mesmo impacto do iPhone. Alguns produtos pós-Jobs.

  • Apple Watch. Uma das apostas da empresa é em wearables, como o relógio. Destaca-se a mudança de foco, de tecnologia para moda chique com relógios caros e personalizados. Ao invés de ser tecnologia premium, o mais barato produto de amanhã, agora concorria no setor de moda.
  • Aquisição do Beats e desenvolvimento dos fones sem fio Airpod.
  • O Apple Maps, clone do Google Maps, foi um fracasso.
  • Apple Music. O iTunes, na sua concepção original, foi um divisor de águas. Porém, o surgimento do streaming de música, com um acervo infinito por uma mensalidade pequena, fez a Apple lançar o seu próprio serviço. Onde Jobs inventava, agora Cook copia. Não há nenhum diferencial importante que torne a Apple Music superior ao Spotify, por exemplo. Apesar disso, atingiu fatia importante do mercado.
  • Carro autônomo da Apple, com grande expectativa? Vem sendo um experimento sem fim.
  • Outra ideia é uma versão Netflix da Apple – se vai vingar ou não, não sabemos.

A Apple de Cook é eficiente. Com as vendas do iPhone estáveis, como ele poderia fazer para extrair mais dinheiro dos já convertidos? Houve uma guinada, de produtos para serviços, aproveitando o ecossistema de fãs da Apple. Icloud, Music, App store.

Com Cook, houve aumento de importância das áreas operacionais, e Jony Ive ficou sendo apenas mais um no time. Uma hora decidiu sair. Para evitar publicidade negativa, a Apple ofereceu a ele o título de Chief Design Officer, e ocupação de meio período, mas na prática, ele estava exausto.

Ive foi sendo cada vez mais escanteado, até finalmente pedir as contas, em 2019.

A Apple de Cook, eficiente, lucrativa e chata, está cada vez mais parecida com a Microsoft. Os rebeldes viraram o sistema. 1984 cada vez mais parecida com 1984. Os piratas viraram a marinha.

Bateu o relógio da meia-noite, e a magia acabou. A maçã virou abóbora.

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Trilha sonora: Joan Baez, Love Minus Zero/No Limit

Veja também:

O jogo de Atari de Steve Jobs

Jogue aqui, direto no browser, o jogo de Atari do Steve Jobs.

https://elgoog.im/breakout/

Trata-se de um joguinho muito simples. Manipulamos uma espécie de raquete, que deve rebater a bolinha quicante, e eliminar todos os blocos acima.

Nada muito sotisficado, comparado aos dias de hoje. Porém, em 1974, era o supra sumo que a tecnologia nascente de computadores pessoais poderia oferecer.

Eu mesmo tive um Atari na década de 80, e era a melhor coisa do mundo.

Em 1974, Steve Jobs tinha 19 anos. Um dia, ele apareceu na sede da Atari, em Los Gatos, California, e disse que não sairia dali até ser contratado.

Alguns trechos, retirados das referências abaixo:

“Temos um garoto no saguão. Ele tem alguma coisa ou é maluco.”

Jobs, na época, vivia numa dieta vegetariana estranha, e não tomava banho, porque acreditava que a dieta o manteria puro, livre de odores.

“Ele era um garoto realmente nojento”, Alcorn disse certa vez ao historiador de videogames Steven Kent. “Acho que disse: ‘Devíamos chamar a polícia ou falar com ele.’ Então eu conversei com ele.”

O garoto Steve acabou contratado pela Atari. Um de seus trabalhos foi simplificar o circuito do jogo Breakout, citado acima. Explico. Na época, o console do Atari era metade do videogame. A outra metade eram os cartuchos, que deveriam ser comprados e plugados ao console para jogar. E os cartuchos tinham verdadeiros circuitos ali dentro, era hardware. Simplificar a configuração do circuito mantendo a jogabilidade significaria menos custo variável para o mesmo preço final.

Steve topou o desafio. A questão é que ele não manjava tanto assim de eletrônica – aí ele fez o que o futuro Steve Jobs fazia de melhor: terceirizar a tarefa para quem manjasse de verdade, no caso, o amigo Steve Wozniac, 5 anos mais velho e engenheiro da HP na época.

“Jobs nunca fez um pouquinho de engenharia em sua vida e ele me derrotou”, disse Alcorn mais tarde. “Demorou anos até eu descobrir que ele estava fazendo Woz ‘entrar pela porta dos fundos’ e fazer todo o trabalho enquanto ele recebia o crédito.”

Jobs sempre foi fascinado pela simplicidade dos jogos de Atari. Era um joystick e um botão apenas, o jogo vinha sem manual de instrução algum – era tudo muito intuitivo. Fico imaginando o quanto essas experiências anteriores o inspiraram a criar o iPhone, com um único botão e autoexplicativo, décadas mais tarde.

No tempo livre, Jobs e Woz começaram a projetar o Apple I. Depois, o Apple II foi oferecido inclusive à própria Atari – que recusou. Imagine como o mundo poderia ser diferente, se a Atari tivesse aceitado!

Veja também:
https://observatoriodegames.uol.com.br/destaque/tbt-gamer-como-foi-a-vida-de-steve-jobs-trabalhando-na-atari

Steve Jobs em quadrinhos

O brilhante fundador da Apple foi um dos responsáveis pelo mundo que vivemos atualmente: foi um dos primeiros a comercializar o computador pessoal, revolucionou a indústria da música, da animação para o cinema, os telefones celulares, o tablet…

Há algumas dezenas de livros diversos, filmes e vídeos no Youtube.

A seguir, algumas adaptações no formato de quadrinhos.

Steve Jobs – Gênio do Design

Da lista apresentada, é o que mais gosto: desenhos simples e bonitos, um bom resumo de sua história.

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Steve Jobs – Insanamente genial

É uma adaptação um pouco mais simples.

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O Zen de Steve Jobs – focado em uma faceta de sua vida, a interação com um mestre Zen que ele conhecera em sua adolescência.

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A versão a seguir, em mangá, é a única que não tenho.

A autora é Mari Yamazaki.

Pelo que pesquisei e conversei com amigos, não há scans, nem versão Kindle. Só a versão física, em papel, e em japonês!

Não compensa pagar com a cotação do real valendo nada e esperar quase meio ano para ver um mangá em japonês… Quem tiver sugestões, favor colocar nos comentários.

Dá para ler um pouquinho aqui:

https://www.tecmundo.com.br/steve-jobs/37943-leia-o-primeiro-capitulo-do-manga-inspirado-na-vida-de-steve-jobs.htm

4 biografias nota 10

A seguir, uma lista de biografias extremamente inspiradoras, que valem cada segundo investido.

  1. Steve Jobs, de Walter Isaacson.

É a biografia oficial do icônico fundador da Apple, a pessoa que revolucionou a história dos computadores pessoais (Apple II, Macintosh), a indústria de música (com o iTunes e iPod), o cinema (com a Pixar) e os dispositivos móveis (iPhone, iPad).

O livro narra não apenas o lado perfeccionista e designer, mas também vários aspectos de sua vida pessoal, incluindo diversos problemas – no final das contas, ele era apenas humano.

Em uma frase: Deixe a sua marca no universo!

Adendo: O livro a seguir é uma alternativa, bem resumida: Como Steve Jobs Virou Steve Jobs.

E o discurso de formatura da turma de 2005 de Stanford, é uma obra-prima!

2. Albert Einstein: O gênio mais pop de todos os tempos. Conta a história de Einstein desde quando adolescente, fascinado com revistas científicas. Fala da faculdade, do casamento, e da época que ele era um funcionário de segunda classe numa função burocrática e escondia suas anotações quando o chefe chegava perto.

Em seu “ano miraculoso” publicou 4 artigos extremamente profundos – um deles, a Teoria da Relatividade Especial, um outro, do efeito fotoelétrico, que lhe rendeu o prêmio Nobel. Anos depois, a Teoria da Relatividade Geral viria a abalar as fundações da Física, do tempo e do espaço!

3. The everything Store. Conta a história da Amazon, que é indissociável da história de seu fundador, Jeff Bezos. Ele é retratado como um homem de ação, agressivo, ambicioso – mas todos os criadores são ambiciosos.

O nome “Amazon” vem do rio amazônico, em alusão ao seu tamanho, o maior do mundo.

A Amazon começou com livros, porém desde sempre a ideia foi expandir para um e-commerce. Primeiro, vender um livro sobre caiaques, depois o caiaque, inscrições de corridas de caiaque, reservas de viagens para andar em caiaques – uma loja de tudo, no final.

Outro ponto que mostra a obsessão de Bezos. Nas entrevistas, se o candidato falar em harmonia, balanço entre vida pessoal e trabalho, ele estava fora. O perfil desejado era de alguém que dedicasse o sangue ao trabalho.

O Walmart é a grande inspiração da Amazon. Alta eficiência em custos, incluindo espremer fornecedores e pressionar funcionários, gerando qualidade e preços baixos ao consumidor final, o grande beneficiado.

Vários outros serviços surgiram: o web services, um mecanismo de busca próprio, o turco mecânico, o Kindle.

Um exemplo interessante é o Amazon Prime. Devido ao requerimento de uma logística altamente sofisticada, o Prime passou muitos anos dando prejuízo. Bezos bancou o Prime, até este crescer da forma que conhecemos hoje: eficiente, barato ao consumidor final e agregando outros serviços, como o Prime Video.

4. AliBaba: The house that Jack Ma built

É um livro bastante surpreendente.

Jack Ma, o lendário fundador do AliBaba, é uma pessoa simples. Não tem educação formal. Fez a carreira toda sendo subestimado.

Ele é alguém esperto, não inteligente. Ele mesmo diz que não entende uma linha de código, nem sabe os detalhes da tecnologia que permite a internet.

Por isso mesmo, Jack utiliza uma linguagem fácil, recheada de exemplos da cultura pop chinesa e americana.

Um exemplo. Jack viu o filme Forrest Gump e adorou o filme. “Sempre que estou frustrado, assisto àquele filme”, diz. Forrest Gump é alguém que nunca se deu bem na escola, mesmo assim conseguiu empreender. E nunca deixou de ser ele mesmo, o mesmo Forrest apaixonado pela mesma garota da adolescência.

“Ora, você é bobo? O Forrest Gump nem existe de verdade”, já disseram a Jack, cuja resposta foi algo como: “Não importa, o exemplo é válido assim mesmo”.

O livro conta como Jack Ma aperfeiçoou o inglês, ao ser guia turístico voluntário de turistas estrangeiros. Além do inglês, o esforço rendeu vários contatos.

Ao visitar os EUA, ele conheceu e se fascinou pela internet. Ele também notou que não havia nenhuma página chinesa na internet da época.

Ele foi um dos primeiros a querer trazer a internet para China. Primeiro, o China Pages, que construía páginas para os negócios chineses. Depois, o AliBaba. O livro também mostra a interação dele com Jerry Yang, do Yahoo, e Masatoshi Son, do fundo Softbank.

Frases:

“Hoje é brutal, amanhã será brutal, depois de amanhã será bonito. Muitos não sobreviverão.”

“O curto prazo não importa.”


Deixar sugestões de outras biografias interessantes nos comentários.

Vide também:

https://ideiasesquecidas.com/2020/04/11/winston-churchill-o-destino-de-uma-nacao/

https://ideiasesquecidas.com/2018/05/26/steve-jobs-em-40-frases/

https://ideiasesquecidas.com/2019/04/10/einstein-era-um-matematico-mediocre/

https://ideiasesquecidas.com/2020/03/15/como-saber-ingles-ajudou-jack-ma/

Recado para os loucos e desajustados

O comercial “Think different”, da Apple, é um dos mais icônicos de todos os tempos.

Ele é voltado para os loucos, os desajustados, as peças redondas nos buracos quadrados. Os que não gostam de regras, não têm nenhum respeito pelo status quo.

Talvez eles tenham que ser loucos.

Porque somente as pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo, são as que de fato, mudam.

Nas imagens, uma seleção das pessoas que Steve Jobs muito admirava.

Transcrição do comercial.

Isto é para os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os que são peças redondas nos buracos quadrados.


Os que veem as coisas de forma diferente. Eles não gostam de regras. E eles não têm nenhum respeito pelo status quo. Você pode citá-los, discorda-los, glorificá-los ou difamá-los.


A única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas.

Eles inventam. Eles imaginam. Eles curam. Eles exploram. Eles criam. Eles inspiram.

Eles empurram a raça humana para frente.

Talvez eles tenham que ser loucos.

Como você pode olhar para uma tela em branco e ver uma obra de arte? Ou sentar em silêncio e ouvir uma música jamais composta? Ou olhar para um planeta vermelho e ver um laboratório sobre rodas?

Enquanto alguns os veem como loucos, nós vemos gênios. Porque as pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo, são as que de fato, mudam.

 
Na ordem de aparição:

Albert Einstein: cientista que revolucionou a física clássica com a teoria da relatividade,

Bob Dylan: músico norte americano extremamente criativo,

Martin Luther King Jr: ativista da igualdade de direitos raciais,

Richard Branson: empresário não convencional, fundador do Grupo Virgin, que engloba mais de 400 empresas,

John Lennon: genial músico dos Beatles, autor de algumas das mais belas canções da humanidade,

Buckminster Fuller: arquiteto e inventor, conhecido pelo estudo de domos geodésicos,

Thomas Edison: inventor da lâmpada elétrica e de milhares de outras pequenas e grandes invenções,

Muhammad Ali: um dos mais lendário lutadores do história do boxe,

Ted Turner: fundador da CNN,

Maria Callas: soprano e cantora de ópera,

Mahatma Gandhi: ativista pela libertação da Índia através de métodos não violentos,

Amelia Earhart: a primeira mulher a voar atravessando o oceano Atlântico,

Alfred Hitchcock: genial cineasta dos primórdios do cinema,

Martha Graham: dançarina e coreógrafa,

Jim Henson: criador dos muppets,

Frank Lloyd Wright: um dos maiores arquitetos americanos de todos os tempos,


Pablo Picasso: pintor surrealista, capaz de mudar a realidade.

Qual o valor de um símbolo

O primeiro lugar que fui visitar, de uma viagem corrida ao Vale do Silício, foi esse aí da foto.

Não é nada mais nada menos que uma casa comum, no meio de outras casas padrões americanas similares, sem cercas, com uma garagem, um jardim, um belo espaço interno.

Não havia nenhuma movimentação especial. Passaria batido, para um transeunte desavisado.

Porém, esta garagem tem um valor simbólico enorme. É a garagem onde Steve Jobs e Steve Wozniac começaram a montar os primeiros computadores da Apple Computers, em 1976. Escrevo essas palavras de um iPad, ouvindo músicas num iPhone e com um fone airPod. Como seria o mundo sem a tal reles garagem?

Para alguns, uma garagem comum. Para outros, um símbolo de uma das maiores revoluções dos últimos 40 anos.

“Estamos aqui para deixar uma marca no universo. Senão, por que estaríamos aqui?” Steven Paul Jobs, 1955-2011.

Qual o seu Magnum Opus?

“Magnum Opus” significa “Grande Obra”, em latim.

Refere-se à melhor obra de uma pessoa, o trabalho mais importante.

Uma das formas de fazer um grande trabalho é fazendo muitos trabalhos, encarando cada um deles como o mais importante.

Qual o seu Magnum Opus?

“Estamos aqui para deixar uma marca no universo” – Steve Jobs

https://ideiasesquecidas.com

Conectar os pontos

Nos tempos atuais, o mundo está cada vez mais demandante e competitivo. Além disso, há dezenas de opções de caminhos a seguir, e, para piorar, todos os dias surgem novos caminhos.

Qual o caminho correto a seguir?

Este pensamento me remete à história de “conectar os pontos”, de Steve Jobs.

Achamos que alguém como Steve Jobs sempre soube o que queria fazer e aonde queria chegar. Na verdade, as histórias contadas no discurso de formatura em Stanford, em 2005, mostram uma realidade muito diferente. Ele nunca soube para onde o caminho levaria. A única confiança que ele tinha era a de que, no fundo do coração, ele sabia que estava fazendo a coisa certa.


Ligar os pontos

Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais dezoito meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei?

Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina. Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: “Apareceu um garoto. Vocês o querem?” Eles disseram: “É claro.” Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade.

E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de 6 meses, eu não podia ver valor naquilo. Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria OK. Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam interessantes.

Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo. Muito do que descobri naquele época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço.

Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante.

Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse. Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm.

É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para a frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.

De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.

Discurso de Steve Jobs em Stanford, 2005.

Links:

Transcrição da segunda história: sobre amor e perda

Transcrição da terceira história: sobre vida e morte

Transcrição do epílogo: Continuem famintos, continuem tolos

Steve Jobs em 40 frases

 

 

Steve Jobs em 40 frases (mais ou menos)

Sobre como conheceu a esposa, Laurene.

Eu estava no estacionamento, com a chave do carro, e me perguntei: ‘Se esta fosse a minha última noite na Terra, eu preferiria passar numa reunião de negócios ou com esta mulher?’ Atravessei correndo o estacionamento e perguntei se ela gostaria de jantar comigo. Ela disse que sim, andamos até a cidade e estamos juntos desde então.

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Steve Wozniak e eu gostamos muito da poesia de Bob Dylan e passávamos um bom tempo pensando no que ele dizia. Estávamos na Califórnia. Era possível passar a noite num banco com a namorada. A Califórnia tem um senso de experimentação e de abertura a novas possibilidades.

 

Se você cria algo que acaba ficando muito bom, deveria logo partir para outra coisa maravilhosa, não ficar estagnado naquilo por muito tempo. Simplesmente descubra o que vem a seguir.

 

Qualidade é mais importante do que quantidade. Um home run é muito melhor do que dois doubles.

 

Este tem sido um de meus mantras – foco e simplicidade. O simples pode ser mais difícil do que o complexo: é preciso trabalhar duro para tornar incrivelmente simples.

 

Somos organizados como uma empresa iniciante. A Apple é a maior empresa iniciante do planeta.

 

Olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: “Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?” E se a resposta é “não” por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.

 

Muitas empresa escolhem cortar gastos e talvez seja a coisa certa para eles. Escolhemos um caminho diferente. Nossa crença é que de se continuássemos apresentando ótimos produtos aos clientes, eles continuariam abrindo a carteira.

 

Como se comunica às pessoas que elas estão num ambiente em que a excelência é esperada? Não se diz isso. Não se coloca no manual do empregado. Essas coisas são inúteis. Tudo o que importa é o produto que resulta do trabalho em grupo. Ele dirá muito mais do que qualquer coisa que venha de sua caneta.

 

Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.

 

Faça o melhor que pode em todos os trabalhos. Sucesso gera mais sucesso, então seja faminto por ele.

 

Os botões do novo Mac estão tão bonitos que dá vontade de lambê-los.

 

 

E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar.

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Aqueles que são loucos o bastante para achar que podem mudar o mundo são aqueles que mudam.

 

Penso nas coisas da vida como uma música de Bob Dylan ou dos Beatles.

 

A simplicidade é a máxima sofisticação.

 

Sobre ligar os pontos:
Eu não tinha ideia do que queria fazer na minha vida. E lá estava eu gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado. E então decidi largar a faculdade e acreditar que tudo ficaria bem.

 

Sobre o iPhone tocar músicas, e acabar canibalizando parte da receita do iPod: ‘Se nós não canibalizarmos, alguém o fará’.

 

A missão da Apple é fazer algo ‘absurdamente bom’.

 

Inovação não tem nada a ver com quantos dólares se dedica a pesquisa e desenvolvimento. A IBM gasta cem vezes mais nisto do que a Apple. Tem a ver com as pessoas que temos, como nos conduzimos e o quanto entendemos do assunto.

 

Você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja.

 

 

Tínhamos acabado de lançar nossa maior criação – o Macintosh – e eu tinha 30 anos. E aí fui demitido.

 

Isto é para os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os que são peças redondas nos buracos quadrados. Os que vêem as coisas de forma diferente. Eles não gostam de regras. E eles não têm nenhum respeito pelo status quo. Você pode citá-los, discorda-los, glorificá-los ou difamá-los. A única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. (Comercial ‘Pense Diferente’, de 1984)

 

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Inovação provém de dizer não a mil coisas para garantir que não tomemos o caminho errado ou tentemos fazer demais.

 

Não leve tudo tão a sério. Se quiser levar sua vida de forma criativa como um artista, você não pode olhar muito para trás. É preciso estar disposto a pegar tudo o que já fez e já foi e jogar fora.

 

Há um DNA muito forte na Apple que se refere a pegar uma tecnologia de última geração e torná-la simples para as pessoas.

 

Ser o homem mais rico do cemitério não me interessa… Ir para a cama à noite dizendo que fizemos algo maravilhoso… Isso é o que importa para mim.

 

Cometemos muitos erros porque ninguém fez isso antes.

 

Picasso tinha um ditado: ‘Bons artistas copiam, grandes artistas roubam.’ Nunca tivemos vergonha de roubar grandes ideias… Parte do que tornou o Macintosh ótimo foi que as pessoas que trabalharam nele eram músicos, poetas, artistas, zoólogos e historiadores, que também calhavam de ser os melhores cientistas de computação do mundo.

 

Ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo.

 

Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama.

 

John Sculley arruinou a Apple, e a arruinou por levar para o topo da Apple uma série de valores que eram corruptos e corromperam algumas pessoas importantes que estavam lá, afastou alguns dos que não eram corruptíveis, admitiu mais corruptos e lhes pagou coletivamente dezenas de milhões de dólares e se importava mais com as próprias glórias e riqueza do que com o que tinha construído a Apple = que era fazer grandes computadores para as pessoas usarem.

Comentário para entender: Sculley “puxou o tapete” de Steve Jobs, e assumiu a Apple, nos anos 90. Sculley era o executivo tradicional, o do corte de custos e margem de lucro, que fez a Apple multiplicar de tamanho nos primeiros anos de sua gestão – mas acabou falindo a empresa a longo prazo. A Apple tinha virado tipo uma Dell, de commodities e não de sonhos. A Apple acabou sendo resgatada posteriormente pelo próprio Steve Jobs.

 

O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar.

 

A morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se
tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade.

 

 

Continuem famintos. Continuem tolos. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e são o novo, eu desejo isso para vocês.

 

 

Estamos aqui para deixar uma marca no universo.




 

Links e fontes

Steve Jobs em 250 frases – Alan Ken Thomas

Steve Jobs – as verdadeiras lições de liderança – Walter Isaacson

https://ideiasesquecidas.com/2014/05/15/discurso-de-steve-jobs-introducao/

https://ideiasesquecidas.com/2015/07/14/pense-diferente/

Comercial “Think Different”

 

Discurso de formatura de Stanford, em 2005

 

Bônus. Trilha sonora, “One too many mornings”, de Bob Dylan, interpretado por Joan Baez.

Jobs encontrou Bob Dylan próximo a Palo Alto, em 2004. “Sentamos no pátio fora da sala e conversamos por duas horas”, diz Jobs. “Eu estava realmente nervoso, porque ele era um de meus heróis. Tinha medo dele não ser tão esperto afinal, ser apenas uma caricatura dele mesmo, como acontece com muitos. Mas fiquei maravilhado. Ele era afiado.” Jobs disse que uma de suas canções favoritas era “One too many mornings”.

 

 

2017: Uma Odisseia de ônibus em SP

São Paulo é uma cidade gigantesca… Mais de 12 milhões de habitantes, com 7 milhões de automóveis, fazendo deste lugar um dos maiores pesadelos do mundo em termos de trânsito: rodízio de carros, radares para todos os lados, marronzinhos multando, carros avançando uns nos outros, etc…

 

Tenho duas alternativas para ir ao escritório. De carro, demoro 40 min para percorrer 9 km de distância. De transporte público, (ônibus + metrô), 1 hora e pouco. Ou seja, mais ou menos duas horas diárias na locomoção.

 

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São Paulo é tão grande que um ônibus articulado enorme como esse lota facilmente

Prefiro a segunda alternativa, transporte público, mesmo com todos os problemas: ir de pé, às vezes num ônibus lotado. Mas não uso transporte público por motivos altruísticos. Não é para salvar o planeta, nem para preservar o meio-ambiente. Uso o ônibus para otimizar o meu tempo.

 


 

O tempo do trajeto é o único momento do dia em que posso me concentrar totalmente, sem interrupções, sem compromisso, sem stress – em casa, tenho três filhas, e, no ambiente de trabalho, há sempre uma quantidade imensa de tensão e distrações.

No trecho do metrô, posso ler, e no trecho do ônibus, costumo ouvir áudio-livros. Ou simplesmente pensar, sobre qualquer assunto, sobre qualquer coisa. Ao invés de perder 80 minutos brigando no trânsito, ganho 120 minutos diários de tempo para ler, estudar e viajar pelos mais diversos assuntos:

– Ulisses, na Odisseia, enfrentou um dilema. Ele estava na ilha da deusa Calipso há sete anos. Um dia, ele quis partir, voltar para a sua Ítaca.

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Odisseus e Calipso

 

Calipso, que estava perdidamente apaixonada, ofereceu a Ulisses a imortalidade: viver eternamente com 30 anos, no mundo dela, cheio de fartura e prazeres. Ulisses preferiu voltar para Ítaca. Preferiu viver com Penélope os poucos anos que um mortal pode viver, e por isso mesmo, desfrutar de cada momento como se fosse o último.

– Um grupo de colonos nórdicos chegou às Américas no ano 1000. Eles chamaram o lugar de Vinland, porque havia histórias de que os vinhedos cresciam por todo lado nesta terra. Foram liderados por Erik, o vermelho. Mas, de vinho doce eles encontraram nada. Enfrentaram a oposição dos índios nativos e a colônia não durou muitos anos.

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Só tecnologia para cruzar os oceanos não bastava. Para haver a era dos conquistadores, 500 anos depois, tinha que ter estrutura política, social e econômica: apoio governamental, exércitos, missionários, financiamento econômico via diluição dos riscos (empreendimentos como a Companhia das Índias Ocidentais deram origem à bolsa de valores).

 

– O filósofo grego Sócrates foi condenado à morte por influenciar negativamente os jovens de Atenas.

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O julgamento de Sócrates

Ele encarou a condenação de peito aberto. Se questionar e pensar eram ofícios tão negativos assim, ele assumia que era isso mesmo que ele fazia. Sócrates não hesitou em tomar cicuta, um tipo de veneno.

 

– Uma das histórias mais bonitas de Neil Gaiman é chamada Ramadã. É sobre a maior e mais bela cidade que já existiu, Bagdá. A Bagdá das histórias das 1001 noites, dos palácios encantados, dos tapetes voadores. A Bagdá das belas dançarinas, dos mercados exóticos, dos viajantes de todos os lugares do mundo.

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Pois bem, o seu califa, Rahoun Al Raschid, estava preocupado. Bagdá era tão perfeita, e estava num momento tão bom, que ele sabia que este momento não duraria para sempre. Desceu até uma sala, onde havia dois ovos da Fênix: um branco, que geraria outra Fênix, e um preto, da qual ninguém sabia o que viria. Chamou Sandman, o senhor dos sonhos, e fez um acordo com ele: “concedeu” Bagdá a Sandman. Bagdá foi imortalizada no mundo das histórias, no mundo dos sonhos. Foi uma sábia decisão. Hoje em dia, não há mais Bagdá, e sim, o Iraque em seu lugar.

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Os dois ovos da Fênix

– Einstein e Godel passavam horas caminhando e conversando, no tempo em que os dois trabalhavam em Princeton. Albert Einstein, todos sabem, abalou os alicerces da física newtoniana. Kurt Godel era um lógico matemático, que provou que a Matemática não consegue se livrar de paradoxos (ex. o mentiroso diz “Estou mentindo”), e portanto, não é completa e consistente ao mesmo tempo: em suma, ele abalou os alicerces da matemática. As duas ciências mais exatas da humanidade tiveram as fundações questionadas por esses dois homens.

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Kurt Godel e Albert Einstein

Qual seria o nível da conversa matinal dos dois? Gostaria de ser uma mosquinha, para acompanhar.

– Um soldado japonês chamado Hiroo Onoda continuou lutando, mesmo após 25 anos depois do fim da Segunda Grande Guerra. Ele foi designado para defender uma das incontáveis ilhas do Pacífico. Os EUA nem deram bola para esta ilha, passaram direto. Quando chegaram as primeiras notícias de que o Japão tinha se rendido, alguns dos colegas de Onoda se entregaram, outros acharam que era uma emboscada americana. Com o passar dos anos, os colegas ou desertaram ou morreram.

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Onoda continou sozinho na floresta, vivendo escondido em buracos e sobrevivendo do que tinha. Ele só se entregou após o seu comandante, o mesmo que o designara para a ilha, ordenar que ele se rendesse.

 

– Steve Jobs era tão perfeccionista que vivia numa mansão praticamente vazia, porque só comprava móveis cujo design o agradava. Ele perdia semanas exigindo um design perfeito de seus produtos, desde a caixa que embalava até o mais minúsculo detalhe. “O botão do novo Mac ficou tão bonito que dá vontade de lamber”.

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– Redes Neurais Adversárias são uma das maiores inovações dos tempos atuais. A ideia das redes é uma vencer a outra: uma rede neural especializada em reconhecer letras em imagens, contra outra rede especializada em criar letras difíceis de serem reconhecidas pela primeira. Assim como na vida real, ter um adversário à altura e com objetivos opostos faz ambos crescerem mais do que seriam capazes sozinhos. Um Barcelona não seria o mesmo sem um Real Madrid.

– O filme 2001, de Stanley Kubrick, inspira o nome deste post. Este começa na pré-história, no alvorecer do ser humano, e termina no futuro das viagens espaciais. De tempos em tempos, um monolito preto misterioso aparece para a humanidade.

Monolito e alinhamento solar

A cada monolito, ocorre uma evolução. Foram apresentados aqui alguns dos monolitos que coletei durante a Odisseia do transporte em SP…

 

Trilha sonora: “A valsa das estrelas”.

Um clique de distância

Recebo um informativo semanal por e-mail, que é mais ou menos assim:
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Acontece que clicar no relatório abre um pdf. Isto pode demorar, dependendo da conexão. E, muitas vezes, quando recebo e-mail estou no celular. Não vou gastar o plano de dados do celular para abrir um pdf que é péssimo para ser visualizado na tela pequena de um celular.
Ou seja, quase nunca vejo o informativo.

Enviei uma pergunta para os editores do informativo.
“Por que vocês não incorporam o conteúdo do relatório no e-mail? É muito mais fácil para abrir e ler. Não precisaria clicar em nada.”
A resposta foi assim: “É que quando o usuário clica no link, conseguimos monitorar quantas pessoas estão lendo o relatório”.
Ou seja, é mais importante para eles contar o número de pessoas do que fornecer um conteúdo direto, transparente. O foco deles está em si mesmos, não está em facilitar a vida e prover um serviço útil ao usuário.
Um clique de distância pode parecer pouco. Mas é bastante coisa. Significa mais uma barreira a ser vencida, mais tempo carregando, mais memória.
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É como chegar num restaurante em que as portas estão fechadas. Temos que apertar a campainha. Por mais que seja simples tocar a campainha,  talvez demore para abrir, talvez as portas não se abram.
Steve Jobs era mestre na arte de se preocupar com o usuário. É por isso que o iPhone tem um único botão: simples, enxuto, fácil.
Antes de Steve Jobs, o Design era fazer algo bonito. Depois de Steve Jobs, o Design é fazer algo funcional, para o usuário, além de simples e bonito.
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Cheguei à conclusão que não vale a pena perder tempo com o tal informativo, que não se preocupa comigo mesmo.
Arnaldo Gunzi.