Um clique de distância

Recebo um informativo semanal por e-mail, que é mais ou menos assim:
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Acontece que clicar no relatório abre um pdf. Isto pode demorar, dependendo da conexão. E, muitas vezes, quando recebo e-mail estou no celular. Não vou gastar o plano de dados do celular para abrir um pdf que é péssimo para ser visualizado na tela pequena de um celular.
Ou seja, quase nunca vejo o informativo.

Enviei uma pergunta para os editores do informativo.
“Por que vocês não incorporam o conteúdo do relatório no e-mail? É muito mais fácil para abrir e ler. Não precisaria clicar em nada.”
A resposta foi assim: “É que quando o usuário clica no link, conseguimos monitorar quantas pessoas estão lendo o relatório”.
Ou seja, é mais importante para eles contar o número de pessoas do que fornecer um conteúdo direto, transparente. O foco deles está em si mesmos, não está em facilitar a vida e prover um serviço útil ao usuário.
Um clique de distância pode parecer pouco. Mas é bastante coisa. Significa mais uma barreira a ser vencida, mais tempo carregando, mais memória.
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É como chegar num restaurante em que as portas estão fechadas. Temos que apertar a campainha. Por mais que seja simples tocar a campainha,  talvez demore para abrir, talvez as portas não se abram.
Steve Jobs era mestre na arte de se preocupar com o usuário. É por isso que o iPhone tem um único botão: simples, enxuto, fácil.
Antes de Steve Jobs, o Design era fazer algo bonito. Depois de Steve Jobs, o Design é fazer algo funcional, para o usuário, além de simples e bonito.
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Cheguei à conclusão que não vale a pena perder tempo com o tal informativo, que não se preocupa comigo mesmo.
Arnaldo Gunzi.

Continuem famintos, continuem tolos

Steve Jobs fez um discurso de formatura em Stanford, em 2005, onde contou três histórias bonitas, fortes e marcantes.

 


Ligar os pontos

Eu não tinha ideia do que queria fazer na minha vida. E lá estava eu gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado. E então decidi largar a faculdade
e acreditar que tudo ficaria bem.

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Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava isto.

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Você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja.

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Amor e perda.

Tínhamos acabado de lançar nossa maior criação – o Macintosh – e eu tinha 30 anos. E aí fui demitido.

 

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Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses. Eu até mesmo pensei em deixar o Vale do Silício. Mas, lentamente, eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia.

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Ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo.

 

Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama.

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E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar.

 


Morte

Olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: “Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?” E se a resposta é “não” por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.

 

Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.

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A morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento,
o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se
tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso
é a verdade.

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O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro
alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da
vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros
cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de
seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira
já sabem o que você realmente quer se tornar.

 

Continuem famintos. Continuem tolos. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e são o novo, eu desejo isso para vocês.

 

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Steve Jobs 1955 – 2011

 


Links:

 

https://ideiasesquecidas.com/2014/05/15/discurso-de-steve-jobs-primeira-historia/

http://pursuitist.com/iconic-images-of-steve-jobs-by-photographer-norman-seeff

Rare Pics Of Steve Jobs Show His Love Of Yoga

Sorvetes e Design de serviços

Design de serviços
O design de serviços é o design (projeto) que foca na experiência completa do cliente ao usar o seu produto/serviço.

 

O objetivo é assegurar que o serviço esteja num ótimo nível, do começo ao fim. Que o produto ou serviço seja centrado no usuário, nas pessoas. Que utilizar o produto ou serviço seja uma experiência memorável, ou nas palavras de Steve Jobs, insanamente grande.

 

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Pontos de interação
 
Há uma série de trabalhos feitos em backstage invisíveis ao usuário final. Os pontos de interação são o “momento da verdade”, em que efetivamente haverá interação com o usuário, no frontstage. Um erro no momento da verdade pode pôr a perder todo o trabalho do backoffice.

 

Uma vez fui num restaurante japonês. Os sushis estavam muito bons, os pratos do rodízio em geral estavam excelentes. Mas na sobremesa, veio um sorvete que estava péssimo. Parecia aqueles sorvetes coloridos que tinham  gosto de remédio, que eram vendidos antigamente.

 

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O restaurante caprichou nos pratos principais, mas parece que economizou na sobremesa. E mandaram muito mal, porque a sobremesa é o último prato, o sabor que fica na boca do cliente após sair do restaurante.
 


 

Experiência completa 

 

O design de serviços deve se preocupar com a experiência completa do cliente, do início ao fim. Não é só vender o produto. Tem que ter todo o suporte pré e pós vendas, toda a garantia de qualidade.

 

Uma vez comprei um “iPod” pirata chinês barato, aparentemente igual ao original, mas que não durou nem três meses. Este tipo de produto consegue um ganho local rápido (pegou meu dinheiro) mas obviamente o ganho global é negativo. Prefiro pagar mais caro num iPod verdadeiro, que me garanta  peças verdadeiras – vide post sobre confiança na marca.
 


Tudo é serviço 

 

Seja lá o que for que uma empresa produza, no final das contas tudo é serviço.

 

Não quero uma furadeira, quero um furo na parede. Não vou ficar olhando para a beleza da furadeira nem para suas especificações técnicas, nada disso interessa. Quero um furo bem feito na parede, com o mínimo de esforço físico e mental.

 

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Não quero uma máquina de café, quero o café, não quero uma televisão, quero entretenimento.
 
A mesma coisa ocorre com relação ao seu trabalho. Não interessa se você passou um minuto ou um ano trabalhando para entregar algo, o que interessa para o cliente final é o quanto isto é útil para ele, do início ao fim da experiência.

 

Por exemplo, engenheiros focam muito no como produto funciona, e não na experiência de quem vai usar. Um engenheiro da GE fez uma máquina de ressonância de última geração, que era a melhor do mundo tecnicamente. Mas esta máquina aterrorizava as crianças, que tinham que ser sedadas. Isto só funcionou depois de centrar a inovação no usuário, e
transformar a sala numa “aventura pirata” – vide post sobre Ressonância magnética divertida.

 

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Outra foto:

 

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Até mesmo empresas B2B deveriam se preocupar com o serviço que está sendo oferecido. Porque a empresa que está comprando o produto é formada de pessoas, que querem entregar um bom trabalho e se preocupam com os seus empregos. E, além disso, depois depois do B2B vem sempre um B2C, com consumidores querendo produtos e os serviços atrelados a ele.
 
Portanto, no final das contas tudo é serviço, e o serviço é avaliado no todo, do início ao fim.

 

No próximo post: A Jornada do Usuário, uma ferramenta para ajudar a entrar nos sapatos do usuário.

 

Um mundo imortal

Imagine um mundo onde as pessoas não morressem. Um mundo onde as pessoas chegariam aos 30 anos de idade e parassem de envelhecer. Ficassem eternamente com o vigor físico e mental dos seus 30 anos…
Num mundo eterno como este, daria para fazer coisas fantásticas.
Imagine uma seleção brasileira com Pelé, Zico, Romário, Ronaldo e Neymar. Um filme com Marlon Brando atuando com Bradd Pitt e Leonardo de Caprio. Marilyn Monroe, Sophia Loren contracenando com Angelina Jolie e Jennifer Lawrence.

 

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Um congresso de gênios da física: Newton, Einstein e Stephen Hawking. Ou um encontro mundial de matemáticos: Arquimedes, Euclides, Fermat, Leibniz, Gauss, Euler, Hilbert, Godel, Turing, Von Newmann, Dantzig (nota-se que entendo mais de matemática que de filmes….).


 

Mas, pensando bem, desconfio de que o mundo não seria tão legal assim. Por dois motivos.

 
O primeiro, porque o mundo não é linear, e sim exponencial. Não é Normal, é Pareto. Traduzindo, existe o comportamento de “o vencedor leva tudo”, nas profissões escaláveis. Um número pequeno de pessoas detém muito do dinheiro do mundo. Dentre milhões de escritores, Paulo Coelho e meia dúzia de escritores respondem pela maioria das vendas. Sempre que há uma convocação da seleção, as pessoas só lembram dos tradicionais Kaka e Robinho, deixando de lado centenas de milhares de jovens aspirantes. É assim, é da natureza humana e não adianta tentar mudar, que será pior (vide o comunismo, por exemplo). A única coisa que obriga a mudança é o tempo, que força com que os Kakas e Robinhos da vida se aposentem.

 
Segundo, porque a inovação depende tanto de destruir o antigo quando de construir o novo. No último livro de Clemente Nóbrega, ele afirma que esquecer o velho é até mais difícil que aprender o novo. Se uma solução funciona, para que procurar outra? Para um martelo, tudo é prego. Mas o mundo muda, e com ele as perguntas e respostas mudam. Sem destruir o antigo, não haveria inovação, e sem inovação, a extinção é certa.


 

Portanto, no mundo imortal, seria muito mais provável que a seleção brasileira fosse a seleção de 1958, com Pelé, Coutinho, Garrincha, etc. Talvez nunca existisse um Romário, porque só cabem onze em campo, e na mente das pessoas a camisa onze já seria de Garrincha. Talvez nunca existisse um Ronaldo, e muito menos um Neymar.
Talvez Marlon Brando estivesse em ação, e Bradd Pitt fosse apenas mais um aspirante que fracassou no caminho da Broadway. Talvez Jennifer Lawrence nunca fosse conhecida, porque Marilyn Monroe era sensualidade pura. Talvez ainda estivéssemos andando de carroça, porque seria uma heresia um garoto de 20 anos falar que o grande Isaac Newton, com 400 anos de sabedoria, está errado (e sim, Newton, Einstein, e todos os seres humanos cometem erros). Talvez não tivéssemos computadores, porque a nossa matemática seria com régua e compasso, seguindo os Elementos de Euclides.


 

O pior é que provavelmente ainda teríamos seres como Stálin na Rússia e Mao Tsé na China, que não conseguiram ser vencidos por nenhum outro ser humano: só foram vencidos pela velhice.
 


O memorável discurso de Steve Jobs em Stanford dizia: a morte é a melhor invenção da vida. Ela limpa o velho, e dá lugar ao novo. Hoje, vocês são o novo. Mas algum dia, não muito distante de hoje, vocês vão envelhecer e sair de cena. Desculpe ser tão dramático, mas é a pura verdade.

https://ideiasesquecidas.wordpress.com/2014/05/15/discurso-de-steve-jobs-terceira-historia/
 


Portanto, aproveitem as poucas décadas que temos neste lugar para construir coisas boas. Para trabalhar, agregar valor de verdade, no pouco tempo útil que temos nesta vida. Inovar, contribuir para a evolução da humanidade. E é por isto que trabalho. Quero ser lembrado como alguém que contribuiu, de alguma forma, para a construção da sociedade, da nossa economia e que deu muito atenção à minha família e pessoas próximas.

 

Arnaldo Gunzi
Ago 2015

 

Lado criativo da tecnologia

 

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“Pessoas acham que tecnologia é algo que elas assinam um cheque e compram. Não entendem o lado criativo da tecnologia” – Steve Jobs.

 
Este é um erro que eu canso de ver. Pessoas acham que apenas adquirir um software (caro) ou mais poder de processamento (também pagando caro) vai resolver tudo. Não vai. Tem um elemento importante faltando, que é saber transformar tudo isto em algo útil. Aliás, é muito provável que nem precise de tanto software ou tanto hardware para resolver o problema.
 

Achar que um cheque em branco e um fornecedor de serviços do mercado bastam, é um caminho certo para se iludir. O mais assustador é que não apenas pessoas de nível de Gerência ou Diretoria pensam assim, mas inclusive, muita gente de TI!

Arnaldo Gunzi
Abril/2015

Magnum Opus

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Magnum Opus é a obra magnânima que uma pessoa realiza em vida. É “A obra prima” e não “uma obra prima”.

Steve Jobs sempre falava em “deixar uma marca no universo”.

Fernando Pessoa dizia: Navegar é preciso, viver não é preciso. Viver não é necessário, o que é necessário é criar.

Para mim, mais do que simplesmente acumular patrimônio ou bem viver a vida, é necessário fazer coisas que sejam importantes, duradouras. É fazer trabalhos cada vez melhores, buscar o meu Magnum Opus.

Qual é a sua marca no universo?

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Arnaldo Gunzi
Jan/2015

Criar do zero

Ser o primeiro a fazer alguma coisa demanda uma capacidade criativa e propensão ao risco que poucos imaginam. Criar algo do zero para o primeiro passo é muito mais difícil que dar os passos seguintes.

A Apple, ao criar o primeiro smartphone de verdade da história, gastou mais de 150 milhões de dólares num projeto que ninguém sabia se daria certo.
Algumas das coisas que eles fizeram:
Correram atrás dos fabricantes de LCD para desenvolver o vidro que eles necessitavam para incorporar a tecnologia touch screen.
Reescreveram milhões de linhas de código do sistema operacional desktop, para conseguir rodar num celular centenas de vezes menos poderoso
Como o hardware não estava totalmente pronto no desenvolvimento do sistema operacional, eles criaram um emulador do hardware para testar o desempenho e duração da bateria.
Criaram equipes para criar seis protótipos diferentes do iPhone e ver qual seria o melhor.
Preocupados com o efeito no cérebro humano, eles criaram um protótipo de cabeça humana, para estudar o impacto do sinal telefônico no cérebro.
Com o fracasso de vários protótipos, muitas vezes as equipes simplesmente não sabiam o que fazer.
A ordem expressa a ser seguida era que o telefone deveria fazer tudo com apenas um botão.
No lançamento oficial do primeiro iPhone, Steve Jobs tinha em mãos um protótipo. Ainda não era o modelo definitivo. As vezes, o software travava. Outras, o sinal caía, ou alguma coisa simplesmente não funcionava. Nos treinamentos para o lançamento, ele mostrou as funcionalidades do modelo numa sequência decorada, porque qualquer desvio da sequência faria o protótipo travar.

Quem olha o resultado final pode até achar que foi fácil chegar a ele. Mas não, se é fácil, foi porque tiveram muitas cabeças pensantes para tornar isto fácil.

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Comentário final: Em todos os trabalhos que faço, tento manter a interface simples e intuitiva. Muitas vezes, até acho que deveria fazer um marketing maior, colocar algo que lembre que o trabalho é complexo. Mas, se o iPhone do Jobs é simples, não vai ser a minha planilha que vai ser complicada. O máximo que faço é colocar um nome um pouco mais elaborado no trabalho, e um easter egg escondido.

Discurso de Steve Jobs – Introdução

A seguir, vou reproduzir o discurso de Steve Jobs para a cerimônia de formatura em Stanford, em 2005.

Steve Jobs fez um discurso de formatura, onde contou três histórias, bonitas, fortes e marcantes. Uma lição de vida e uma reflexão para todos. O link para o vídeo é: https://www.youtube.com/watch?v=UF8uR6Z6KLc

Continuem famintos, continuem tolos.

Discurso de Steve Jobs – Primeira história

A primeira história é sobre ligar os pontos

Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando
por mais dezoito meses antes de realmente abandonar a escola. E por
que eu a abandonei?

Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem
universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria
muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava
armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua
esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma
menina. Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam
uma ligação no meio da noite com uma pergunta: “Apareceu um garoto.
Vocês o querem?” Eles disseram: “É claro.” Minha mãe biológica
descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na
faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela
se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais
tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a
faculdade.

E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente
escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas
as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam
sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de 6 meses, eu não
podia ver valor naquilo. Eu não tinha idéia do que queria fazer na
minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me
ajudar naquela escolha. E lá estava eu gastando todo o dinheiro que
meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e
acreditar que tudo ficaria OK. Foi muito assustador naquela época, mas
olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. No minuto
em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que
não me interessavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam
interessantes.

Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e
por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas
de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida.
Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma
boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo. Muito do que
descobri naquele época, guiado pela minha curiosidade e intuição,
mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço.

Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor
formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada
etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu
tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais,
decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com
serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre
diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia
boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma
maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo
fascinante.

Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas
10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador
Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o
primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado
aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas
ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows
simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as
tivesse. Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado
essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a
maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível
conectar esses fatos olhando para a frente quando eu estava na
faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10
anos depois.

De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você
só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de
alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar
em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que
seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito
toda a diferença para mim.

 

Discurso de Steve Jobs – Segunda história

Minha segunda história é sobre amor e perda.

Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer na minha
vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu
tinha 20 anos. Trabalhamos duro e, em 10 anos, a Apple se transformou
em uma empresa de 2 bilhões de dólares e mais de 4 mil empregados. Um
ano antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação – o
Macintosh – e eu tinha 30 anos. E aí fui demitido.

Como é possível ser demitido da empresa que você criou? Bem, quando a Apple cresceu,
contratamos alguém para dirigir a companhia. No primeiro ano, tudo deu
certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram a divergir.
Quando isso aconteceu, o conselho de diretores ficou do lado dele. O
que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e
isso foi devastador. Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses.
Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que
tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado
para mim. Eu encontrei David Peckard e Bob Noyce e tentei me desculpar
por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um fracasso público e eu
até mesmo pensei em deixar o Vale [do Silício]. Mas, lentamente, eu
comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando
decidi começar de novo.

Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor
coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido
foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos
certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos
períodos mais criativos da minha vida. Durante os cinco anos
seguintes, criei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada
Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha
esposa. Pixar fez o primeiro filme animado por computador, Toy Story,
e é o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. Em uma
inacreditável guinada de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei
para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está no coração
do atual renascimento da Apple. E Lorene e eu temos uma família
maravilhosa.

Tenho certeza de que nada disso teria acontecido se eu não tivesse
sido demitido da Apple. Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o
paciente precisava. Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça.
Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu
seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o
que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para
com as pessoas que você ama. Seu trabalho vai preencher uma parte
grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é
fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de
fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não
encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos
os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em
qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que
os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não
sossegue.

 

Discurso de Steve Jobs – Terceira história

Minha terceira história é sobre morte.

Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: “Se você
viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o
último”. Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos,
eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: “Se hoje
fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?” E se a
resposta é “não” por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar
alguma coisa.

Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que
já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase
tudo – expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou
falhar – caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas
importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que
você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a
armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não
há razão para não seguir seu coração.

Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu
tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem
sabia o que era um pâncreas. Os médicos me disseram que aquilo era
certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar
viver mais de 3 a 6 semanas. Meu médico me aconselhou a ir para casa e
arrumar minhas coisas – que é o código dos médicos para “preparar para
morrer”. Significa tentar dizer às suas crianças em alguns meses tudo
aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa
dizer seu adeus. Eu vivi com aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois,
à tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela
minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos.
Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do
tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que
quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a
chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser
curada com cirurgia. Eu operei e estou bem. Isso foi o mais perto que
eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou
ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora
dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era
um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas
que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá.

Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca
conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito
provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da
vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento,
o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se
tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso
é a verdade.

O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro
alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da
vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros
cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de
seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira
já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é
secundário.

Discurso de Steve Jobs – Epílogo

Epílogo

Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração
era o Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart
Brand em Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com
seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos
computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com
máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid. Era como o Google
em forma de livro, 35 anos antes do Google aparecer. Era idealista e
cheio de boas ferramentas e noções. Stewart e sua equipe publicaram
várias edições de The Whole Earth Catalog e, quando ele já tinha
cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em
meados de 70 e eu tinha a idade de vocês. Na contracapa havia uma
fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde
você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo,
estavam as palavras: “Continuem famintos. Continuem tolos”. Foi a
mensagem de despedida deles. Continuem famintos. Continuem tolos. E eu
sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e
começam de novo, eu desejo isso para vocês.

Continuem famintos.
Continuem tolos.

Obrigado.