O Anel do Nibelungo

Forte recomendação de leitura fantástica: O Anel do Nibelungo, adaptação em quadrinhos pelo aclamado P. Craig Russell.

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É uma obra colossal, com quase 500 páginas, papel especial, capa dura, deve ter quase 1 kg de peso (recomendo a versão em papel, muito mais legal que em qualquer outra tela).

Russell é seguramente um dos maiores desenhistas do mundo atual. Seus trabalhos em Sandman estão entre as mais belas já obras vistas no gênero.

Pelo tema ser denso e extenso, vale uma introdução.

Tenho uma longa história de admiração pela lenda do Anel do Nibelungo.

A primeira vez que tive contato com o tema foi com a “Cavalgada das Valquírias”, de Richard Wagner, utilizada no clássico filme “Apocalyse Now”, de Francis Ford Coppola. No clipe, um grupo de helicópteros americanos leva terror e aniquilação total à vilas vietnamitas. Arautos da morte: metralhadoras, bombas, destruição, sob a trilha sonora poderosa de Wagner, um encaixe audiovisual perfeito – vale a pena conferir:

A Valquíria é um dos capítulos da ópera “o Anel do Nibelungo” de Richard Wagner. Por sua vez, esta é uma coletânea de lendas nórdicas e germânicas antigas, compiladas numa narrativa completa por Wagner (é como se ele fosse um Homero em relação à Odisseia).

Wagner viveu há uns 150 anos atrás, e era contemporâneo do filósofo Friedrich Nietzsche – eram amigos, até a relação azedar e se tornarem inimigos. Pelas obras de ambos serem fortes, e germânicas, posteriormente ambas foram utilizadas pela propaganda nazista. Originalmente, não havia essa intenção, até porque eles viveram uma geração antes de Hitler.

A saga do anel tem quatro partes, e começa com “O ouro do Reno”.

Alberich, um anão horripilante, renuncia ao amor, rouba o ouro do Reno (em alusão ao rio Reno, na Alemanha), e forja um anel. Este dá poderes imensos ao possuidor.

Wotan e Loge enganam Alberich e conseguem tomar o anel, que é cedido a alguns gigantes do gelo.

A mitologia germânica tem muitos paralelos com a mitologia nórdica, do Thor.

Wotan, o pai de todos os deuses, é cego de um olho, cedido em troca de sabedoria – é claramente igual a Odin.

Loge, o traiçoeiro, é o paralelo de Loki. As deusas Freya e Friga também aparecem em ambas mitologias. O paralelo de Thor é Donner, mas ele é coadjuvante na história do anel.

Os personagens principais desta saga aparecem a seguir. A segunda parte é sobre a Valquíria, a terceira sobre o herói Siegfried, este sim o grande protagonista da história, após uma longa e tortuosa jornada. A quarta parte é o Crepúsculo dos Deuses, o fim de tudo (Não por acaso, há um livro de Nietzsche chamado o Crepúsculo dos Ídolos, onde ele detona a filosofia, o cristianismo, a moral e tudo mais que pode ser detonado).

Não só sou eu que sou fascinado por esses temas. Há alguns paralelos entre o Senhor dos Anéis e a obra de Wagner. Um anel que confere poder inimaginável ao dono, porém com uma maldição. Um anão disforme, obcecado pelo poder do anel. O autor J. R. R. Tolkien diz não ter se inspirado diretamente na obra, mas talvez tenha bebido da mesma fonte, as lendas nórdicas e germânicas originais.

Outra referência notável é o anel de Giges, presente nos diálogos de Platão. O possuidor do anel possuía o poder de se tornar invisível quando quisesse. Dessa forma, ele poderia cometer as maiores injustiças do mundo, sem ter punição (ao invés do anel, hoje em dia imagine estar no STF). Platão utilizou o conto para perguntar se há ser humano que manteria sua índole moral diante de poder infinito (a julgar pelo STF, difícil…).

Para fechar, é muito legal o making off da produção desta obra-prima. Craig Russell mostra o cuidado que teve ao fazer o trabalho. Um exemplo: ele tirou milhares de fotos de atores fazendo poses, a fim de retratar com fidelidade os desenhos. Outro exemplo: ele tinha desenho detalhado do cenário de fundo utilizado, sob vários ângulos.

Ator servindo de modelo para o desenho de Russell

É uma obra densa, épica, com arte sensacional. Um prato cheio para quem gosta do tema!


Sobre o escriba deste texto: Arnaldo Gunzi é completamente fascinado pela intersecção entre mitologia, história, cinema, filosofia e quadrinhos, como este post deve ter deixado claro!

Trilha sonora: A cavalgada das Valquírias – Richard Wagner
https://www.youtube.com/watch?v=7AlEvy0fJto

P.S. Menção honrosa à adaptação do Anel dos Nibelungos de Roy Thomas (desenhista do Conan), de 2003 – tenho ambos.

Veja também:

Indicação nerd: Marie Curie na Netflix


O filme “Radioactive” é sobre uma das maiores cientistas da história, Marie Curie. Devemos a ela a descoberta do elemento rádio, e de grandes avanços na pesquisa da radioatividade.


Vencedora de dois prêmios Nobel, em física e em química, ela supera até Einstein neste quesito (ele ganhou “só” um, coitado).


Normalmente já é difícil fazer ciência. Além disso, ela encontrou dificuldade adicional por ser mulher, 100 anos atrás, e até xenofobia, por ser imigrante polonesa. Por exemplo, o filme mostra que apenas Pierre Curie tinha sido nominado, e que este lutou para incluir a esposa, no primeiro Prêmio Nobel. Marie ganhou sozinha o segundo Nobel, já que Pierre já tinha falecido.


Os efeitos nocivos da radioatividade eram desconhecidos na época. A contínua exposição aos elementos custou a saúde dos Curie: Pierre estava debilitado, quando morreu devido a um acidente de trânsito, já Marie, tinha anemia, tosse, deformação nos dedos, e provavelmente leucemia. Mesmo assim, ela nunca parou de se dedicar com afinco à sua paixão, a ciência. 


A filha de Marie e Pierre, Irene, continuou a pesquisa da radioatividade em outros elementos, e também ganhou o seu Nobel.


É por conta destes trabalhos todos que temos aparelhos de raio-X, usinas de energia nuclear a até a bomba atômica, nos dias de hoje.


O filme não é muito bem feito, chega a ser chatinho e confuso, mas, pela grandeza da família Curie, vale muito a pena!

Aproveito para deixar uma foto da icônica Conferência de Solvay de 1927, que juntou os maiores gigantes da física do século passado: Marie Curie, Albert Einstein, Niels Bohr, Werner Heisenber, Max Planck, Erwin Schrodinger.

Veja também:

Recomendação: Era uma vez em… Hollywood

Qualquer filme de Quentin Tarantino é coisa para assistir com atenção absoluta. O genial diretor trouxe ao mundo obras-primas do cinema, como Pulp Fiction e Bastardos Inglórios.

Achei sensacional último filme dele, “Era uma vez em Hollywood”, principalmente o final – e só depois do final que entendi o título.

Não vou dar spoilers aqui, porque uma obra dessas merece ser vista sem saber o que ocorrerá no final, mas queria passar algumas dicas de conhecimento prévio. É importante saber alguns fatos dos anos 60, para maximizar o entendimento da trama.

Um dos crimes mais chocantes do século passado, e que até hoje ocupa o imaginário popular, é o assassinato da deslumbrante atriz Sharon Tate, grávida de 8 meses e esposa do badalado diretor Roman Polanski. Os assassinos, um grupo de fanáticos, comandados por Charles Manson.

Manson se dizia reencarnação de Jesus, e procurava mensagens ocultas nas músicas dos Beatles. Vivia com os seus seguidores num rancho, pregando a liberdade, o fim do capitalismo, amor livre (bacanais) e consumo de alucinóginos. A comunidade realizava pequenos furtos e buscava comida no lixo. Tudo mudou no dia de “Helter Skelter”, em que começaram a assassinar pessoas, entre elas, Sharon Tate e amigos.

Este episódio lamentável está amplamente documentado, como nos links ao final do texto.

O poder de influência e o nível de loucura de Manson era tão grande, tão grande, que mesmo depois de preso, ele atraía uma legião de fãs.

Pois bem, o filme acompanha um astro decadente, Rick Danton, e seu dublê Cliff Booth. Interpretados por dois dos maiores e mais bem pagos atores da atualidade, Leonardo DiCaprio e Bradd Pitt, ambos com atuações sensacionais.

A vida de Sharon Tate (interpretada por Margot Robbie, vale anotar o nome) e Roman Polanski fica meio em paralelo, assim como a gangue de Mason, até tudo se entrelaçar no finalzinho…

Fora isso, há dezenas de homenagens a filmes dos anos 60, referências a outros trabalhos do diretor, detalhes e easter eggs inúmeros, diálogos afiados e cenas de sangue, à lá Tarantino.

Veja também:

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/sexo-drogas-e-paranoia-a-incomum-vida-na-comunidade-de-charles-manson.phtml

https://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Manson

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/01/cultura/1564673873_374429.html

https://www.businessinsider.com/quentin-tarantino-once-upon-time-hollywood-details-you-missed-2019-7

Ray Kroc e a fascinante história do McDonald’s

Raymond Kroc transformou o McDonald’s, de um pequeno restaurante regional ao gigantesco império que conhecemos hoje.

O filme “Fome de poder” retrata Kroc como um vilão. O homem ambicioso, que desrespeita acordos e passa a perna nos irmãos McDonald.

Como tudo na vida tem dois lados, a visão de Ray Kroc consta no livro autobiográfico “Grinding it out” – algo como “Moendo tudo”. Nesse, vemos que ele, aos 52 anos, hipotecou a casa e colocou cada centavo que tinha e que conseguia pedir emprestado no empreendimento, mudanças de layout eram necessárias para cada loja (e foram os irmãos que dificultaram as autorizações), e que os irmãos tinham vendido a mesma franquia para outros concorrentes (obrigando Kroc a firmar acordo com estes).

Mais do que isso, o livro mostra os passos árduos percorridos para erguer esse império do fast food. É uma lição de vida, envolvendo riscos, brigas, dedicação a serviços, melhoria contínua, paixão ao trabalho e, principalmente, parceria com dezenas de associados, franqueados, fornecedores e investidores.

Segue um resumo das minhas notas sobre o livro.

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Depois de dezessete anos vendendo copos de papel para a empresa Lily Tulip e subindo ao topo de vendas da empresa, eu vi a oportunidade aparecer na forma de uma máquina de milk shake chamada multimixer. Não foi fácil desistir da segurança de um trabalho bem remunerado para sair sozinho.

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Eu estava sempre alerta para outras oportunidades. Eu tenho um ditado que diz: “Enquanto você estiver verde, você está crescendo, assim que você estiver maduro, você começa a apodrecer”.

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Um dia um dono de um restaurante em Portland, Oregon, disse: “Quero um daqueles seus misturadores como os irmãos McDonald têm em San Bernardino, Califórnia”. Quem eram esses McDonalds?

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Fiz algumas verificações e fiquei surpreso ao saber que o McDonald’s não tinha um Multimixer, nem dois ou três, mas oito! A imagem mental de oito Multimixers agitando quarenta shakes ao mesmo tempo era demais para acreditar.

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(Kroc foi verificar o restaurante dos irmãos)

Era um dia quente, mas notei que não havia moscas se espalhando pelo lugar. Homens vestidos de branco estavam mantendo tudo limpo enquanto trabalhavam. Isso me impressionou muito, porque sempre fui impaciente com a falta de limpeza, especialmente em restaurantes.

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Fiquei fascinado pela simplicidade e eficácia do sistema que descreveram naquela noite. Cada passo na produção do cardápio simples foi redefinido em sua essência e realizado com um mínimo de esforço. Eles vendiam hambúrgueres e cheeseburguers apenas. Os hambúrgueres eram um décimo de meio quilo de carne, todos fritos da mesma forma, por quinze centavos. Você tem uma fatia de queijo nele por quatro centavos a mais.

(Nota: Outros restaurantes ofereciam um pouco de tudo na época. Os McDonalds fizeram um Pareto, focando somente nos poucos itens que tinham alto giro, e se aperfeiçoaram em serem extremamente eficientes nestes.)

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Kroc foi um dos primeiros a usar o KISS (keep it simple, stupid) como um lema, baseado na simplicidade do menu do McDonald’s.

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À noite, muitos pensamentos sobre o que eu tinha visto durante o dia. Visões de restaurantes McDonald’s por todo o país desfilaram pelo meu cérebro.

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As batatas do McDonald’s estavam em um nível superior. Eles dedicavam bastante atenção nisto. Eu não sabia disso na época, mas a batata frita se tornaria quase sacrossanta para mim, sua preparação seria um ritual a ser seguido religiosamente.

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Um problema comum com batatas fritas é que elas eram fritas em óleo que tinha sido usado para frango ou para algum outro alimento. Qualquer restaurante negará, mas quase todos eles fazem isso. Um escândalo muito pequeno, talvez, mas um escândalo. É apenas um dos pequenos crimes que deram à batata frita uma má reputação, enquanto arruinavam o apetite de inúmeros americanos. Não havia uso múltiplo do óleo para as batatas fritas do McDonald’s.

(Nota: Hoje qualquer fast food tem as batatas crocantes que conhecemos, e é até difícil entender a afirmação acima. Para ter uma ideia do que Kroc diz, tente fazer batatas fritas comuns em casa. Vai sair empapada, feia, muito longe da versão McDonald’s.)

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Eu estive nas cozinhas de muitos restaurantes e drive-ins vendendo Multimixers, em todo o país. Eu disse a eles, nunca vi nada que iguale o potencial deste seu lugar. Por que vocês não abrem uma série de unidades como esta? Seria uma mina de ouro para vocês e para mim também, porque cada uma aumentaria as vendas do multimixer.

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(Os irmãos McDonald não queriam preocupações)

Temos nossa casa e nós amamos isso. Sentamos na varanda à noite e vemos o pôr-do-sol da nossa casa aqui. É pacífico. Não precisamos de mais problemas. Estamos em posição de aproveitar a vida agora, e é exatamente o que pretendemos fazer.

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(Ray Kroc se propôs a assumir a responsabilidade pelas franquias, e firmaram um contrato para tal)

Quando voei de volta para Chicago naquele fatídico dia em 1954, eu tinha um contrato recém-assinado com os irmãos McDonald na minha pasta.

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Nunca fui um grande leitor quando era garoto. Os livros me entediavam. Eu gostava de ação. Mas passava muito tempo pensando nas coisas. Imaginava todos os tipos de situações e como lidaria com elas.

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Copos de papel não foram fáceis de vender quando cheguei às ruas com minha amostra da Lily Cup em 1922. Os donos de restaurantes imigrantes que eu me aproximava com meu discurso de vendas balançavam a cabeça e diziam: “Não, eu tenho copos de vidro, e são mais baratos”.

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Eu era guiado pela ambição. Eu odiava ficar ocioso por um minuto. Eu estava determinado a viver bem e ter coisas boas.

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(Sobre a Grande Depressão de 1929)

Jornais e revistas no final dos anos 20 estavam cheios de anúncios para cursos de correspondência que garantiam ajudá-lo a ficar rico rapidamente em imóveis.

(Alguma semelhança com pessoas vendendo cursos de enriquecimento rápido no Youtube hoje em dia?)

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(Sobre asseamento e aparência)

Enfatizei a importância de uma boa aparência, um terno bem passado, sapatos polidos, penteados de cabelo e unhas limpas. Olhar afiado e boa atitude, eu disse a eles. A primeira coisa que você tem que vender é você mesmo. Quando você fizer isso, será fácil vender copos de papel.

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Sobre a saída da empresa de copos de papel para vender o multimixer.

Ethel (a esposa) ficou incrédula com a ideia de que eu desistiria da minha posição na Lily Tulip e sairia para isso.

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Não há nada que você não possa realizar se você definir sua mente para isso.

Eu disse isso a um grupo de estudantes de pós-graduação no Dartmouth College em março de 1976. Eles me pediram para falar sobre a arte do empreendedorismo, como ser pioneiro em um empreendimento de negócios. Você não vai conseguir de graça, eu disse, e você tem que correr riscos. Isso não significa ser imprudente, isso é loucura. Mas você tem que correr riscos, e em alguns casos você deve ir para a falência. Se você acredita em algo, você tem que estar nele até o fim. Correr riscos razoáveis é parte do desafio. É divertido.

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(Sobre dívidas acumuladas)

Não acho que ela (Ehtel) tenha superado o choque de descobrir que tínhamos quase $100.000 em dívidas. Ela não podia.

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Eu me recusei a me preocupar com mais de uma coisa de cada vez, e eu não deixaria que um problema, não importa o quão importante, me impedisse de dormir. Isso é mais fácil falar do que fazer.

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Em 7 de dezembro de 1941, entramos em guerra pelo ataque japonês a Pearl Harbor, e fui expulso do negócio de multimixers. Os suprimentos de cobre, usados para enrolar os motores da Multimixer, foram restritos pelo esforço de guerra.

(O negócio retornou após a guerra)

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(Sobre um funcionário que tentou passar a perna em Kroc, e anos depois pediu uma chance no McDonald’s)

Eu não pude ouvir por um momento, quando ele ligou mais tarde para implorar por uma chance de entrar no McDonald’s. Um bom executivo não gosta de erros. Ele permitirá aos seus subordinados um erro honesto de vez em quando, mas ele nunca vai tolerar ou perdoar a desonestidade.

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Era um restaurante restrito ao mínimo em serviços e menu, o protótipo do que seria o fast-food, que mais tarde se espalharia por toda a terra. Hambúrgueres, batatas fritas e bebidas eram preparados em uma linha de montagem, e, para espanto de todos, Mac e Dick incluídos, a coisa funcionou! Claro, a simplicidade do procedimento permitiu que os McDonald’s se concentrassem na qualidade em cada passo, e esse era o truque.

(Nota: Maurice e Richard eram os irmãos McDonald)

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No decorrer desta conversa, soube que os irmãos tinham licenciado outros dez drive-ins, incluindo dois no Arizona. Eu não tinha interesse nisso, mas eu teria o direito de franquia de suas operações em todos os outros lugares nos Estados Unidos.

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A reunião foi extremamente cordial. Confiei neles desde o início. Essa confiança mais tarde se transformaria em suspeita eriçada. Mas eu não tinha noção dessa eventualidade.

O acordo me deu 1,9% das vendas brutas dos franqueados. Eu tinha proposto 2%. Os McDonalds disseram: “Não, não, não! Se você disser a um franqueado que você vai levar 2%, ele vai recusar.

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(Sobre simplesmente copiar a ideia e criar um concorrente do zero)

Os irmãos tinham equipamentos que não poderiam ser facilmente copiados. Eles tinham uma grelha de alumínio especialmente fabricada, e a configuração de todo o resto do equipamento estava em um padrão muito preciso, de economia de movimentos. Depois havia o nome. Eu tinha um forte senso intuitivo de que o nome McDonald’s estava exatamente certo. Não era possível copiar o nome. Mas para o resto, acho que a resposta real é que eu era tão ingênuo ou tão honesto que nunca me ocorreu que eu poderia pegar a ideia deles e copiá-la e não pagar-lhes um centavo sequer.

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Ethel ficou enfurecida com a coisa toda. Não tínhamos obrigações que seriam prejudicadas por isso; nossa filha, Marilyn, era casada e não dependia mais de nós. Mas isso não importava para Ethel; ela só não queria ouvir sobre McDonald’s ou meus planos.

Isso fechou a porta entre nós. Ela participou de reuniões do McDonald’s nos últimos anos, e era querida por operadores e por mulheres na equipe, mas não havia mais nada entre nós. Nossos trinta e cinco anos de sagrado matrimônio suportaram outros cinco em acrimonia profana.

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(Nota: O contrato feito exigia aprovação escrita dos irmãos, para qualquer alteração no layout do restaurante. O restaurante original dos irmãos era num lugar semi-desértico, e o primeiro restaurante de Kroc precisava de alterações, entre elas um porão.)

Liguei para os McDonalds e contei sobre o meu problema. “Bem, claro que você precisa de um porão, disseram. Então construa um”.

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Entretanto, os irmãos apenas autorizaram verbalmente, sem assinar nada – o que teria potencial de causar enormes problemas jurídico.

Isso teria funcionado, se os McDonalds fossem homens razoáveis. Em vez disso, eles eram obtusos, eles eram totalmente indiferentes ao fato de que eu estava colocando cada centavo que eu tinha e tudo que eu poderia emprestar para este projeto. Quando nos sentamos com nossos advogados presentes, os irmãos reconheceram os problemas, mas se recusaram a escrever uma única carta que me permitisse fazer mudanças.

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Era quase como se eles estivessem esperando que eu fracassasse. Esta foi uma atitude peculiar para eles, porque quanto mais bem sucedido o franchising, mais dinheiro eles ganhariam. Meu advogado desistiu da situação. Contratei outro e ele desistiu, também, dizendo que eu era louco para continuar nessas condições. Ele não poderia me proteger se os McDonald’s contestassem. Prossegui assim mesmo.

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Um assunto de preocupação muito maior para mim, no entanto, foi a batata frita.

Eu mostrei como descascar as batatas, deixando apenas um pouco da pele para adicionar sabor. Então eu as cortei em tiras e joguei em uma pia de água fria.

Então eu enxaguei completamente e coloquei em uma cesta para fritar em óleo fresco. O resultado foi uma batata marrom dourada perfeitamente fina que se aconchegava contra o paladar com um gosto estranho, como mingau.

Não eram as maravilhosas batatas fritas que descobrira na Califórnia. Falei ao telefone com os irmãos McDonald. Eles também não descobriram.

Entrei em contato com os especialistas da Associação de Batata e Cebola e expliquei meu problema a eles. Eles também ficaram perplexos, no início, mas então um dos homens do laboratório me pediu para descrever o procedimento de San Bernardino, e descobriu o problema.

Quando as batatas são escavadas, elas são principalmente água. Eles melhoram no sabor à medida que secam e os açúcares mudam para amido. Os irmãos McDonald tinham, sem saber, um processo natural de cura em seus depósitos abertos, o que permitiu que a brisa do deserto soprasse sobre as batatas.

Com a ajuda dos especialistas, eu criei um sistema de cura próprio. Eu tinha as batatas armazenadas no porão para que as mais velhas fossem sempre as próximas na fila para a cozinha.

Um ventilador elétrico deu às batatas uma exposição contínua de ar.

E as batatas eram fritas duas vezes.

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Um dos meus fornecedores me disse, Ray, você não está no negócio de hambúrgueres. Você está no negócio da batata frita. Eu não sei como você faz isso, mas você tem as melhores batatas fritas da cidade.

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Então todo o acordo travou diante de outro ato de desonestidade ou burrice, eu realmente não sei qual, por parte dos irmãos McDonald.

Eu tinha sido informado dos dez outros locais na Califórnia e Arizona que os irmãos tinham franqueado seus nomes, e nós concordamos que estava tudo bem. Eu ia ter todo o resto dos Estados Unidos. Mas havia outro acordo que eles não tinham me contado, e que era em Cook County, Illinois, onde eu tinha minha casa, meu escritório, e minha primeira loja. Os irmãos venderam Cook County para a Companhia de Sorvetes Frejlack!

Eu poderia culpar os Frejlacks, é claro, porém eles eram completamente inocentes e justos. Mas eu nunca perdoaria os McDonalds.

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A empresa nunca poderia ter crescido como cresceu sem a visão única de Harry Sonneborn.

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Nós trabalhamos como loucos, e nos últimos oito meses de 1956 abrimos oito lojas, apenas uma delas na Califórnia.

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De certa forma, acho que sou ingênuo. Eu sempre tomo um homem em sua palavra a menos que ele me dê uma razão para não fazer isso.

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Queríamos que McDonald’s fosse mais do que apenas um nome usado por pessoas diferentes. Queríamos construir um sistema de restaurantes que fosse conhecido por alimentos de qualidade consistente e métodos uniformes de preparação. Nosso objetivo, é claro, era garantir a repetição dos negócios com base na reputação do sistema e não na qualidade de uma única loja.

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Se eu tivesse um tijolo para cada vez que eu repetisse a frase QSC e V (Qualidade, Serviço, Limpeza – cleanliness –  e Valor), eu acho que seria capaz de fazer uma ponte sobre o Oceano Atlântico com eles.

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Fred Turner veio trabalhar em nosso escritório em janeiro de 1957, ano em que abrimos 25 novas operações do McDonald’s em todo o país.

(Nota: Fred Turner começou fritando hambúrgueres, e mais tarde se tornou o CEO da companhia, substituindo Kroc.)

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Grande parte do sucesso da minha organização tem sido resultado do tipo de pessoas que escolhi para cargos-chave. Minhas respostas não soam muito diferentes das regras que os alunos de administração de empresas encontram em seus livros didáticos básicos. É difícil chegar a respostas reais porque o peso do julgamento não está na regra, mas na aplicação.

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No início eram pães em cluster, o que significa que os pães estavam presos uns aos outros em aglomerados de quatro a seis, e eles eram apenas parcialmente fatiados. Fred apontou que seria muito mais fácil e rápido se tivéssemos pães individuais em vez de clusters e se eles viessem cortados.

Fred também trabalhou com um fabricante de caixas de papelão no design de uma caixa resistente e reutilizável para nossos pães. Manusear essas caixas em vez das embalagens habituais reduziu o custo da embalagem do padeiro, então ele foi capaz de nos dar um preço melhor nos pães.

(Nota: eles desenvolveram fornecedores para chegar às especificações ótimas. Kroc cita que o crescimento gigantesco do McDonald’s impulsionou junto os fornecedores.)

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As pessoas ficam maravilhadas com o fato de que eu comecei o McDonald’s aos 52 anos de idade, e então eu me tornei um sucesso da noite para o dia. Mas eu era como várias personalidades do show business que trabalham silenciosamente em seu ofício por anos, e então, de repente, chega o momento certo para torná-los grandes. Eu fui um sucesso da noite para o dia, mas trinta anos é uma longa, longa noite.

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Então, com o risco de parecer simplista, enfatizo a importância dos detalhes. Você deve aperfeiçoar todos os fundamentos do seu negócio se você espera que ele tenha um bom desempenho.

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Um hambúrguer é um pedaço de carne. Mas um hambúrguer McDonald’s é um pedaço de carne com caráter. A primeira coisa que o distingue dos outros lugares é que é tudo carne bovina.

O teor de gordura é de dezenove por cento e é rigidamente controlado. Há muito que poderia ser escrito sobre a história técnica do hambúrguer, os experimentos com diferentes métodos de moagem, técnicas de congelamento e conformações superficiais, a fim de chegar ao pedaço de carne mais suculento e saboroso que poderíamos produzir para o nosso sistema.

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(Sobre uma proposta de investimento para cobrir dívidas e ajudar na expansão)

Minha frugalidade lutou com a ideia de ceder qualquer parte das ações da empresa que eu tinha lutado tão desesperadamente para construir; no entanto, o apelo de US $ 1,5 milhão foi irresistível.

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(Sobre diferenças de visão com Harry Sonneborn)

Harry vê a corporação como apenas um negócio imobiliário, em vez de um negócio de hambúrgueres.

(Harry tinha proposto refranquear os locais após o término das licenças).

A expiração das licenças poderia acabar com a operação de todas as lojas. Eu não concordaria com isso. Nunca o fiz e nunca o farei. Isso não pode acontecer desde que minha influência e a de Fred Turner imponham a visão de que a corporação está no negócio de restaurantes de hambúrgueres, e sua vitalidade depende da energia de muitos proprietários-operadores individuais.

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Um dos nossos veteranos, Morris Goldfarb, de Los Angeles, disse na convenção de 1976 no Havaí que Ray Kroc fez mais milionários do que qualquer outra pessoa na história. Agradeço a visão de Morris, mas diria de outra forma. Prefiro dizer que dei a muitos homens a oportunidade de se tornarem milionários. Eles mesmos fizeram isso.

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McDonald’s não confere sucesso a qualquer um. É preciso coragem e poder para fazer isso com um de nossos restaurantes. Ao mesmo tempo, não requer qualquer aptidão ou intelecto incomum. Qualquer homem com bom senso, dedicação aos princípios, e um amor pelo trabalho duro pode fazê-lo.

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Os irmãos McDonald simplesmente não estavam na mesma sintonia. Eu estava obcecado com a ideia de fazer do McDonald’s o maior e o melhor. Eles estavam satisfeitos com o que tinham; eles não queriam ser incomodados com mais riscos e mais demandas.

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(Sobre as operações na Califórnia. Ele voltou horrorizado com a situação encontrada)

A loja dos irmãos em San Bernardino era praticamente o único McDonald’s. Outros mudaram o cardápio com coisas como pizza, burritos e enchiladas. Em muitos deles a qualidade dos hambúrgueres era inferior, pois eles estavam moendo corações na carne, com alto teor de gordura. Os irmãos McDonald viraram as costas para práticas tão ruins. Seus operadores se recusaram a cooperar comigo em compras de volume e publicidade.

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Minha maneira de lutar contra a competição é a abordagem positiva. Enfatize seus próprios pontos fortes, enfatize a qualidade, o serviço, a limpeza e o valor, e a competição se desgastará tentando acompanhar.

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O item mais importante nos meus planos para a empresa era terminar nosso relacionamento com os irmãos McDonald. Isso foi em parte por razões pessoais; Mac e Dick estavam começando a me irritar com o jogo de negócios deles. Por exemplo, eu os apresentei ao meu bom amigo e fornecedor de papel, Lou Perlman, e eles começaram a comprar todos os produtos de papel dele. Eles vieram a Chicago, visitaram Lou e pediram para ele levá-los para ver todos os McDonald’s da área, o que ele fez, mas eles nem mesmo me telefonaram; Lou me contou mais tarde, onde eles foram e o que eles disseram.

Mas a principal razão pela qual eu queria acabar o contrato com os McDonalds foi sua recusa em alterar qualquer termo do acordo que foi um empecilho para o nosso desenvolvimento. Eles culparam o advogado por essa falta de cooperação, e ele e eu certamente estávamos na mira da adaga o tempo todo; mas seja qual for a razão, eu queria estar livre de seu domínio sobre mim.

Então liguei para Dick McDonald e pedi para ele dar o preço deles. Depois de um dia ou dois ele fez, e eu deixei cair o telefone.

Eles estavam pedindo $2,7 milhões!

(Nota: Se um hambúrguer era 15 centavos e hoje é uns 3 dólares, dá mais ou menos 20x o valor. Ou seja, eles pediram o equivalente a 50 milhões de dólares dos dias de hoje, para uma operação que estava no início, com muitas incertezas ainda.)

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(Kroc correu atrás de financiamento para fechar o acordo, e conseguiu)

Foi um acordo extremamente bem sucedido. Todos os envolvidos estavam felizes.

Eu também estava feliz, exceto por uma parte do acordo que ficou na minha garganta como um osso de peixe. Foi a insistência de última hora dos irmãos McDonald em manter seu restaurante original em San Bernardino. Que maldito truque podre! Eu precisava da renda daquela loja.

Eventualmente eu abri um McDonald’s do outro lado da rua daquela loja, que eles tinham renomeado The Big M, e isso os tirou do negócio. Mas é por isso que não posso me sentir caridoso ou benevolente pelos irmãos McDonalds. Eles voltaram atrás em sua promessa, feita em um aperto de mão, e me forçaram a grunhir e suar como um escravo nas galerias para cada centímetro de progresso na Califórnia.

(Não há menção ao acordo de 0,5% do faturamento, que no filme é um acordo verbal não cumprido)

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(Kroc foi pioneiro em criar uma universidade corporativa)

Essa seria a primeira sala de aula para cursos que eventualmente se tornariam a Universidade de Hambúrguer.

A ideia de ter aulas para novos operadores e gerentes me ocorreu quando eu trouxe Fred Turner para a sede.

A Hamburger U também estava ajudando a testar e implementar procedimentos de treinamento em novos equipamentos que estavam sendo desenvolvidos pelo nosso Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento em Addison, Illinois.

Louis Martino havia iniciado o laboratório de P&D em 1961. Ele tinha vasta experiência na loja como operador em Glen Ellyn, Illinois, e viu a necessidade de equipamentos mecânicos e eletrônicos mais sofisticados para acelerar nossa linha de montagem de alimentos e tornar nossos produtos mais uniformes.

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(Sobre um dos anúncios publicitários após o acordo na Califórnia)

A campanha publicitária que montamos foi um sucesso. Trouxe os californianos aos nossos estacionamentos como se vendas tivessem sido removidas de seus olhos, e de repente eles podiam ver os arcos dourados. Foi uma grande lição para mim sobre a eficácia da televisão.

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Superamos todos os recordes anteriores de construção em 1963, construindo 110 lojas espalhadas por todo o país, e fizemos ainda melhor no ano seguinte, quando tivemos um lucro líquido de US $ 2,1 milhões em vendas de US $ 129,6 milhões.

Sempre acreditei que a autoridade deveria ser colocada no nível mais baixo possível. Eu queria que o homem mais próximo das lojas fosse capaz de tomar decisões sem buscar diretrizes da sede.

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A ideia de usar batatas fritas congeladas me atraiu muito. Poderia nos garantir um suprimento contínuo das melhores batatas, porque poderíamos comprar e processar um lote inteiro sem medo de estragar. Os custos de transporte seriam muito mais baixos, e as caixas quadradas de batatas congeladas seriam muito mais fáceis de manusear e armazenar do que sacos de 100 libras. Também eliminaria tarefas confusas e demoradas em nossas lojas (descascar, cortar).

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(Sobre o McFish)

Minha reação quando Lou abordou pela primeira vez a ideia do peixe para mim foi, “Inferno não!” Não me importo se o próprio Papa vier a Cincinnati. Ele pode comer hambúrgueres como todo mundo. Não vamos feder nossos restaurantes com nenhum dos seus malditos peixes velhos!

Começamos a vendê-lo apenas às sextas-feiras em áreas limitadas, mas recebemos tantos pedidos para isso que em 1965 disponibilizamos em todas as nossas lojas todos os dias.

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(Nem tudo deu certo)

Isso é o que aconteceu com o Hulaburger, que eu apostava que seria melhor do que McFish. O Hulaburger era feito de duas fatias de queijo com uma fatia de abacaxi grelhado em um pão torrado. Delicioso! Mas foi um fracasso gigante quando tentamos em nossas lojas.

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Há uma cruz que você deve suportar se você pretende ser chefe de uma grande corporação: você perde muitos de seus amigos no caminho para cima.

É solitário.

Nunca senti isso tão intensamente como quando Harry Sonneborn e eu tivemos nosso confronto final, e ele renunciou.

Harry tinha uma parte substancial das ações do McDonald’s, mas ele estava tão certo que a empresa iria para baixo quando saiu que ele vendeu tudo. Ele queria o dinheiro, disse, para entrar no negócio bancário. Mas é uma pena, porque embora a venda lhe desse alguns milhões de dólares na época, as ações posteriormente valeriam dez vezes mais. Se ele tivesse guardado, suas ações valeriam mais de 100 milhões de dólares. Então sua falta de fé em nós foi muito cara para ele.

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Diabos, quando os tempos estão ruins é que você deve construir!, eu gritei. Por que esperar as coisas melhorarem para que tudo custe mais? Se um local é bom o suficiente para comprar, queremos construir sobre ele imediatamente e estar lá antes da competição.

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No início de 1968 eu estava pronto para entregar o bastão para Fred Turner, e ele assumiu sem diminuir o passo. Como presidente e mais tarde diretor executivo, ele avançou com os programas que comecei e criou algumas variações dinâmicas.

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Eu acredito que se você pensar pequeno, você vai ficar pequeno.

O MiniMac inicial fez cerca de $70.000 brutos no primeiro mês. Mas depois de terem construído cerca de vinte e duas mini-unidades, algumas sem assentos e algumas com apenas 38 lugares, eles finalmente se cansaram dos meus gritos e cancelaram o programa. E é uma coisa muito boa que eles fizeram, porque esses minis foram convertidos em lojas regulares.

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Uma pessoa não precisa ser super inteligente ou ter mais do que o ensino médio, mas ela deve estar disposta a trabalhar duro e se concentrar exclusivamente no desafio de operar a loja.

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Alguns dias eu mal conseguia me locomover por causa da forma como a artrite estava distorcendo meu quadril. No entanto, a dor era preferível à ociosidade, e eu continuei me movendo apesar de Joni insistir em nos estabelecermos em nosso rancho. Ela adora lá. Eu também. Mas havia muitas coisas que eu queria fazer que não podiam ser realizadas a partir de uma cadeira macia.

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As pessoas às vezes me acusam de ser um tigre faminto por dinheiro. Isso não é verdade. Nunca fiz nada só por causa do dinheiro.

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Educação profissional, isso é o que este país precisa. Muitos jovens saem da faculdade despreparados para manter um emprego estável ou cozinhar ou fazer trabalho doméstico, e isso os deixa deprimidos. Não é de se admirar! Eles devem treinar para uma carreira, aprender a se sustentar e a desfrutar do trabalho primeiro.

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Outra área de interesse contínuo da empresa é o envolvimento da comunidade por meio de programas como a Ronald McDonald House, a Ronald McDonald Children, o apoio da Associação de Distrofia Muscular e uma campanha para prevenir o uso de drogas entre os jovens do país.

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Estou sonhando com coisas novas para as operações internacionais do McDonald’s. Steve Barnes, que dirigiu nosso crescimento no exterior, continua apresentando planos emocionantes, e pessoas do Japão à Suécia estão recebendo os Arcos Dourados.

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A realização deve ser feita contra a possibilidade de fracasso, contra o risco de derrota. Não é uma conquista andar em uma corda bamba colocada no chão. Onde não há risco, não pode haver orgulho na realização e, consequentemente, nenhuma felicidade. A única maneira de avançar é indo em frente, individualmente e coletivamente, com o espírito de pioneiro. Devemos correr os riscos envolvidos em nosso sistema de livre iniciativa. Não há outra maneira.

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 A felicidade não é uma coisa tangível, é um subproduto da realização.

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Desde que completou este livro em 1977 até morrer de insuficiência cardíaca em 14 de janeiro de 1984, aos 82 anos, Ray Kroc nunca deixou de trabalhar para o McDonald’s. Mesmo em seus últimos anos, quando estava confinado a uma cadeira de rodas, ele ainda ia ao escritório em San Diego quase todos os dias.

(Uma última nota. A história dos irmãos McDonald e Ray Kroc me lembra a comparação entre Steve Wozniak – o gênio técnico, capaz de projetar um computador – e Steve Jobs – o líder visionário capaz de mobilizar centenas de parceiros para produzir a Apple computers.)

Veja também:

Quarteirão com queijo (ideiasesquecidas.com)

Outros resumos:

Resumos Gratuitos (ideiasesquecidas.com)

Recomendações: o Estado independente e o Lápis

Duas recomendações de mídia.

  1. A incrível história da Ilha das Rosas

É a história de um engenheiro excêntrico (para não dizer totalmente maluco), que criou uma plataforma de 400 m² no mar, a 12 Km da cidade de Rimini, alguns metros além do limite territorial italiano.

A seguir, ele se autoproclamou presidente deste estado independente, e tentou conseguir reconhecimento das Nações Unidas. Em pouco tempo, centenas de pessoas começaram a visitar a ilha, e até a pedir cidadania neste país sem leis! O engenheiro acabou causando uma confusão enorme com as autoridades italianas… Vejam o filme para saber o final da história.

Apesar de completamente surreal, o filme é baseado numa história verdadeira!

Trailer:

Disponível na Netflix.

Imagem da plataforma real da Ilha das Rosas. Fonte: Mar sem Fim

Aventuras na História · Micro-nação no mar: a verdadeira saga por trás de ‘A Incrível História da Ilha das Rosas’, da Netflix (uol.com.br)

2) Eu, Lápis.

Nenhuma pessoa sozinha é capaz de fazer um lápis.

Para fazer um simples lápis, necessitamos de diversos materiais: madeira, grafite, borracha, metal.

“Imagine um cedro nascido da semente que cresce no nordeste da Califórnia e no estado do Oregon. Agora visualize todas as serras e caminhões e cordas e outros incontáveis instrumentos usados para cortar e carregar os troncos de cedro até a beira da ferrovia. Pense em todas as pessoas e suas inumeráveis capacidades que concorreram para minha fabricação: a escavação de minerais, a fabricação do aço e seu refinamento em serras, machados, motores: todo o trabalho que faz com que as plantas passem por vários estágios até se tornarem cordas fortes e pesadas; os campos de exploração de madeira com suas camas e refeitórios, a cozinha e a produção de toda a comida para os lenhadores. Milhares de pessoas têm participação em cada copo de café que os lenhadores bebem.”

Eu, Lápis, é um pequeno conto de Leonard Read. A animação abaixo tem 6 minutos e resume bem o texto, destacando a enorme especialização do trabalho dos dias atuais, e a não-existência de uma entidade central coordenando tudo.

https://www.mises.org.br/article/810/economia-em-um-unico-artigo%E2%80%94eu-o-lapis

Ficam as dicas, para esse recesso de fim de ano!

𝗗𝗲𝗲𝗽𝗠𝗶𝗻𝗱

Quando se fala de Inteligência Artificial, vale a pena ficar de olho na empresa britânica DeepMind.

Ela alcançou notoriedade ao desenvolver o AlphaGo, programa computacional que derrotou o campeão mundial do jogo Go, em 2016. O Go é uma espécie de xadrez chinês, porém, bastante mais complexo.

A DeepMind foi adquirida pelo Google em 2014.

Atualmente, ela atua em identificação de doenças oculares, economia de energia nos servidores do Google, e a difícil área de dobramento de proteínas, entre outros.

Documentário AlphaGo x Lee Sedol

Site da empresa:

https://deepmind.com

Adaptações de Sapiens, 1984 e Sandman

Algumas recomendações de lançamentos que ocorrerão nos próximos meses:

1 – Adaptação em quadrinhos do livro Sapiens, de Yuval Harari. Serão 4 edições, a primeira a sair no meio de novembro. Apesar de muito tentador, é em inglês, e cotada em dólar, então já aviso que vou esperar lançarem em reais.

https://amzn.to/3838Don

2 – Adaptação em quadrinhos de 1984, a icônica obra de George Orwell. Introduziu termos como o Grande irmão (Big Brother), duplipensar, novilíngua.

https://amzn.to/2G78PHm

3 – A cultuada série Sandman, de Neil Gaiman, ganhará uma adaptação na Netflix! Bom, espero que não estraguem a história do Senhor dos Sonhos.

Outros links:

https://www.ynharari.com/pt-br/book/graphicnovelsapiens/

https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/204471-neil-gaiman-filmagens-serie-sandman-netflix.htm

https://canaltech.com.br/entretenimento/sandman-na-netflix-o-que-esperar-da-adaptacao-da-melhor-obra-de-neil-gaiman-163760/

Sr. Miyagi, Sr. Sulu e a Segunda Guerra

O divertido seriado Cobra Kai traz de volta os personagens do filme clássico Karate Kid, 30 anos depois.

É uma pena que o icônico Sr. Miyagi não vai voltar à série, uma vez o ator, Pat Morita, faleceu em 2005.

Mesmo assim, o Sr. Miyagi aparece em flashbacks e homenagens. Numa dessas homenagens, um detalhe me chamou a atenção: o Sr. Miyagi foi condecorado na Segunda Guerra, e pertencia ao 442º regimento do exército americano.


Acabei de ler outro livro, “Éramos chamados de inimigos”. É do ator George Takei, mais conhecido por ter interpretado o Sr. Sulu, da não menos icônica série Star Trek.

Takei narra o traumático evento em que ele e família ficaram confinados, nos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra. Sendo o Japão o inimigo, todos os descendentes de japoneses nos EUA foram alçados imediatamente à condição de suspeitos. Tiveram os bens tomados e foram enviados para campos de confinamento, nos anos que a guerra durou.

Obs. O ator Pat Morita também passou pelos campos de confinamento. Ele narra: “Fui de uma criança alienada a inimigo público. Virei um ‘japa’ da noite para o dia, sendo escoltado pelo FBI para um campo de internato. Foram anos enormemente difíceis para o nosso povo. Pessoas andando pelo deserto que nunca mais seriam vistas. Pessoas se enforcando… Foi horrível. Horrível…”.

Nesse meio tempo, uma solução encontrada foi fazer as pessoas jurarem fidelidade aos EUA – ou seriam mandadas de volta ao Japão. A família de Takei ficou numa situação difícil. A mãe dele se recusou a aceitar a situação, e quase foi deportada – mas sendo salva no último minuto, devido à ação de um grupo que defendia as famílias nipo-americanas.

Mesmo sofrendo essas injustiças, alguns nipo-americanos juraram fidelidade, se alistaram, e foram à guerra na Europa. Teve um regimento formado totalmente por esses, o 442º.

O 442º regimento foi um dos mais condecorados da guerra, segundo a Wikipedia: 9.486 corações roxos e 4.000 medalhas de estrela de bronze . A unidade recebeu oito Citações da Unidade Presidencial (cinco obtidas em um mês). Vinte e um de seus membros receberam medalhas de honra.

E essa é a medalha do Sr. Miyagi, no 442º regimento.


Trivia 1: Será que só eu acho o Sr. Miyagi muito parecido com Mestre Yoda? Você não dá nada quando eles aparecem, mas no decorrer da história vão revelando sua sabedoria e treinando o jovem aprendiz a superar os desafios. Jornada do herói na veia.

Trivia 2: Será que só eu acho o Luke Skywalker e o Daniel-san tremendamente insossos? Dois moleques sem graça, metidos a besta.
Darth Vader >>>>>> Luke.

Trivia 3: O bizarro Karate Kid Ohara

Eu me lembro de um seriado chamado “Karate Kid Ohara”. Passou no SBT, no final dos anos 80 ou começo dos 90, algo assim.

Tinha o ator Pat Morita, como Ohara. Só que ele era detetive… nada de caratê, ele até usava arma. Todo o resto era completamente diferente. Nunca entendi aquilo.

Naquela época, não existia Google. Agora, 30 anos depois, descobri que a série era chamada originalmente “Ohara”, com o ator Pat Morita, e não tinha nenhuma relação com o filme Karate Kid. Foi o SBT que renomeou a série, malandramente. Não adiantou de nada, porque era muito ruim, ahah.

Links:


https://en.wikipedia.org/wiki/442nd_Infantry_Regiment_(United_States)

https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2018/05/22/sr-miyagi-reaprendeu-a-andar-aos-11-anos-e-quase-foi-recusado-em-karate-kid.htm

https://pt.qwe.wiki/wiki/442nd_Infantry_Regiment_(United_States)

https://thekaratekid.fandom.com/wiki/

Nietzsche em quadrinhos

O explosivo filósofo alemão Friedrich Nietzsche é amado e odiado por suas ideias polêmicas e linguagem poética.

“Deus está morto”,

“Moral é apenas uma interpretação equivocada de certos fenômenos”

“É do caos que nasce uma estrela”

“Quando se olha muito tempo para o abismo, o abismo olha para você.”

“Aqueles que veem a dança são considerados insanos por quem não está ouvindo a música”

A seguir, três recomendações de quadrinhos sobre o filósofo.

1 – Assim falava Zaratustra. Baseado no livro homônimo. Tem uma bela arte, é um resumo e ao mesmo tempo uma interpretação artística do livro.

Link da Amazon: https://amzn.to/2ZQg6C3

2 – Nietzsche Nº 1. É uma biografia do filósofo, narrando um pouco de seus pensamentos e sua vida. A arte do desenho é extremamente bonita aos olhos.

Link da Amazon: https://amzn.to/2RE3t8U

3 – Assim falou Zaratustra. É uma história num formato mangá. É apenas inspirado no livro. Narra uma história imaginada pelo autor, com algumas citações e personagens de sua vida (como Lou Salomé), mas não é nem um pouco fiel ao livro homônimo, e a história nem é muito legal.

Esta indicação só está aqui porque tem uma referência ao ultraviolento filme “Laranja Mecânica”.

A cena em que Alex DeLarge e sua gangue de “drugues” espancam um mendigo num córrego é adaptada para o mangá: o delinquente Zaratustra e sua gangue fazem o mesmo.

Ou seja, o mangá consegue unir dois trabalhos icônicos, de duas cabeças brilhantes (Nietzsche e Kubrick) e transformar numa história ruim… por isso mesmo, é imperdível.

Veja também.

https://ideiasesquecidas.com/2018/06/03/o-anticristo-de-nietzsche-em-40-frases/

https://ideiasesquecidas.com/2017/12/13/o-crepusculo-dos-idolos-em-40-frases/

A expedição Kon-Tiki

Para quem gosta de aventuras, segue a indicação de uma das histórias mais malucas de que o ser humano é capaz.

O norueguês Thor Heyerdahl queria mostrar que a colonização das ilhas Polinésias tinha origem nos indígenas da América do Sul.

Tendo vivido nas ilhas Polinésias por um período, ele notara uma corrente marítima vinda do leste. Também notou semelhança entre algumas estátuas nas Polinésias e no Peru, e culturas como a batata-doce.

Para provar o seu ponto, ele se propôs a uma aventura completamente insana: a bordo de uma jangada, construída apenas com materiais da antiguidade (toras e cordas), atravessar 8000 quilômetros de Oceano Pacífico!

Só para dar uma noção, a distância de Oiapoque ao Chuí é de 4.000 quilômetros. A jangada (nem barco era), iria de norte a sul do Brasil e voltaria, apenas sendo levada pela corrente e pelo vento!

Essa era a Expedição Kon-Tiki, em homenagem ao deus polinésio ancestral. Ocorreu em 1947.

A partir da aventura, ele publicou um livro e um documentário.

Há um filme de 2012, disponível no Prime Vídeo.

O filme é legal, é até fiel em vários pontos, porém, faz algumas dramatizações desnecessárias para uma aventura que é interessante por si só.

Prefiro o documentário original de 1950, no link a seguir.
https://www.youtube.com/watch?v=22RvS372DlQ

Há também um livro: https://amzn.to/3hQgwzB


Pincelei algumas cenas, a seguir.

A jangada foi feita utilizando 9 árvores grossas, de madeira balsa. Toras menores foram colocadas acima das toras grossas, um mastro de madeira bastante dura e uma cabana de bambu coberta com palha seca, pequena mas suficiente para os 6 tripulantes.


Somente cordas, sem pregos, sem cabo de aço. Segundo a antiga tradição polinésia, “Não devemos lutar contra a natureza. Devemos nos sujeitar a ela e ser flexíveis”.

A distância a ser percorrida do Peru para as Polinésias é muito grande. É a mesma distância do Peru até S. Francisco, ou de S. Francisco até a Islândia.

Eles também tinha um pequeno bote a remo como apoio. Na primeira vez que saíram com o bote, eles perceberam que a jangada andava rápido demais, mesmo sem as velas. Tiveram que remar com todas as forças para conseguir alcançar a mesma.

Eles utilizavam um sextante para estimar a localização. Sol, estrelas e conhecimento, só isso.

Uma das grandes objeções dos críticos era a comida. No caso dos aventureiros, eles levaram um grande estoque de ração e água, mas como um nativo faria?

O vídeo prova claramente que é possível conseguir peixe em alto-mar.

Havia muitos peixes próximos à balsa, procurando refúgio.

Peixes voadores também eram frequentes – estes pulavam na balsa à noite, e eram uma fonte constante de alimento.

A fim de justificar a parte científica da expedição, eles coletaram plâncton, alga e parasitas de peixes. Também descobriram uma nova espécie de peixe, uma espécie estranha de peixe cobra.

Em mais de uma ocasião, viram baleias próximas à jangada. Uma das vezes, parecia vir colidir diretamente com a embarcação, porém, o gigante passou por baixo, sem maiores problemas.

É claro que uma viagem dessas não poderia passar sem contratempos. Um deles foi que, somente após 45 dias de viagem, conseguiram contato no rádio amador.

Entre os contratempos, eram necessários constantes reparos na estrutura, na amarração das vigas principais, no manche.

Uma cena que fiquei em dúvida no filme, mas o documentário mostrou que era real. A fim de fazer o rádio amador pegar sinal, os tripulantes levantaram um balão com antena. O papagaio “Lolita”, o sétimo tripulante, viu o fio do balão e bicou, fazendo-os perder o mesmo.

Lolita não teve um bom destino. Após uma chuva, o mar a levou para sempre.

No documentário, eles citam que havia tubarões constantemente seguindo a jangada, principalmente atraídos por restos jogados.

Eles chegaram a pescar tubarões.


Era fácil fazer o monstro morder a isca – bastava peixe e sangue, que ele atacava cegamente – não tem medo, visto que não tem predadores. Içar o tubarão para bordo também não era difícil, porém, dentro da jangada, ele podia ficar por uns bons 45 minutos brigando – e poderia machucar alguém, com os dentes afiados.

A foto a seguir mostra que eles conseguiram pescar à vontade, apenas com instrumentos rudimentares: arpão, anzol e linha.

Após cerca de 90 dias, pássaros no céu eram o sinal de que a terra estava próxima.

Encontraram uma ilha, porém não conseguiram fazer a jangada desembarcar na mesma – afinal, tinham apenas a embarcação e uma vela.

A questão principal de uma viagem dessas não era distância, mas direção. É possível flutuar ao sabor das correntezas por 8000 kilômetros, mas não conseguiam atracar na ilha a 200 metros.

Encontraram nativos em botes alguns dias depois, porém, novamente, não conseguiram desembarcar.

Após mais alguns dias, eles tiveram que atravessar um recife de corais, para desembarcar numa ilha. A jangada foi destruída ao atravessar o recife. E a ilha estava desabitada.

Teriam eles chegado sãos e salvos? Alguma outra intercorrência machucou alguém? Teriam sido atacados por sereias, tais como Ulisses na Odisseia?

Assista o filme ou o documentário para saber. De novo, é um prato cheio para quem gosta de aventuras.

Atualmente, estou com receio até de tomar metrô, em virtude da pandemia. Imagine a coragem de ficar 101 dias isolado no mar, com futuro incerto, vizinho de tubarões e baleias!

Seguem alguns links e outras indicações:

Vi o filme no Prime Video. Como o catálogo é rotativo, destaco que foi agora em junho de 2020.
https://amzn.to/312KkTR

Documentário original de 1950
https://www.youtube.com/watch?v=22RvS372DlQ

Livro Kon-Tiki: https://amzn.to/3hQgwzB

Notícia bem recente, que encontra traços de DNA sul americano nos polinésios: https://marsemfim.com.br/colonizacao-da-polinesia-dna-prova-tese-de-thor-heyerdahlt/

Outras recomendações, na mesma linha de aventuras extremas:

A incrível viagem de Shackleton. Sobre o explorador que tentou alcançar o Pólo Sul, porém teve a embarcação presa no gelo. Tiveram que sobreviver até a chegada do verão.

https://amzn.to/3djyA1B

O País das Sombras Longas. Como vivem os esquimós do Pólo Norte? O livro relata diversas histórias, até cruéis, deste lugar inóspito.

Scarface, Darwin e Santos Dumont

Tenho saudades da época que livrarias existiam. O lado bom é que estou revirando a minha biblioteca, e relembrando de algumas biografias em quadrinhos de excelente qualidade.

1) Scarface – Adaptação em quadrinhos

Scarface não é exatamente uma biografia de Al Capone, mas é fortemente inspirado no mesmo.

“Scarface” é mais conhecido pelo filme clássico de 1983, com o ator Al Pacino e direção de Brian de Palma. É um filmaço, um dos melhores de gângster já produzidos.

Tanto o filme quanto a versão em quadrinhos são inspirados num livro de 1930. Entretanto, o filme tem várias diferenças: Tony Montana é cubano, lida com o tráfico de drogas e os eventos acontecem em Miami, por exemplo.

Já os quadrinhos são mais fiéis à origem. Tony Guarino é inspirado no gângster Al Capone, lutando pelo domínio das ruas de Chicago com outras gangues, para contrabandear bebidas alcoólicas – numa época em que a Lei Seca proibia o consumo das mesmas. “Scarface” era o apelido de Capone, por conta de uma cicatriz em seu rosto, obtida em uma briga.

Em comum, a ambição desmesurada do personagem principal, envolvimento com mulheres sedutoras e a violência – cenas pesadas de tiroteios, traições de aliados e assassinatos.

Link da Amazon: https://amzn.to/2ZyjmCD

A versão em filme está disponível na Netflix.

2) Charles Darwin


Conta a fascinante história de Charles Darwin. Particularmente interessante é a parte de sua viagem no Beagle, o navio que percorreu o mundo, começando a viagem em 1831. É impressionante a forma meticulosa com que Darwin coletava, examinava e classificava tudo quanto era espécie de insetos, aves e animais.


Durante a missão do Beagle, Darwin passou, inclusive, pelo Brasil.


Algumas das relíquias que ele coletou na América do Sul: um crânio de uma capivara gigante, restos de tatu gigante (do tamanho de um cavalo), ossos de megatério (uma preguiça gigante), todos animais extintos há muito tempo.

Darwin escreveu o seu clássico, “A origem das espécies”, mas não pretendia publicá-lo antes de sua morte. Entretanto, em 1858 ficou sabendo do trabalho de Alfred Russel Wallace, que também tinha chegado às mesmas conclusões sobre evolução natural, por outros meios (analisando animais da Ásia e Austrália). Resolveram publicar juntos ambos os trabalhos – mas, hoje em dia, Darwin é bastante conhecido, e Wallace ficou sendo o “Rubinho Barrichelo” desta história.

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3) Santos Dumont


Conta a incrível história de Alberto Santos Dumont, o seu interesse por invenções dos mais diversos tipos, sua paixão por balões, e, é claro, a sua história com o 14-bis.

É fascinante acompanhar Santos Dumont em suas corridas de balão, improvisando e testando as mais malucas teorias para melhorar a performance dos mesmos (e vez por outra caindo e sofrendo acidentes).

Além de Santos Dumont, o livro conta um pouco da história de outros pioneiros da aviação, como os irmãos Wright, o conde Ferdinand Von Zeppelin, Ernst Archdeacon, o capitão Ferber, Engenheiro Kapférer, a maioria nem um pouco conhecida do público geral.

Isso mostra uma certa “corrida espacial” para dominar os ares. Também ilustra a teoria de que, quando uma invenção está no ponto, alguém iria inventar, cedo ou tarde – digamos, se não tivesse Einstein, David Hilbert teria descoberto a relatividade, se não tivesse Darwin, Wallace teria descoberto a evolução como visto acima, se não tivesse Santos Dumont, alguns desses outros teriam se destacado.

Outra curiosidade é que o relógio de pulso foi inventado por Cartier para Santos Dumont, para que ele visse as horas sem largar o comando do dirigível.

Link da Amazon: https://amzn.to/3bS3T32

Recomendo também visitar a casa de Santos Dumont em Petrópolis. Além da cidade ser extremamente bonita, tem vários pontos turísticos muito legais, como a casa da Princesa Isabel, o Palácio de Cristal, etc…

A escadaria para a casa tem espaço para apenas um pé por vez, obrigando o visitante a começar a subida com o pé direito (confesso que fiquei tonto no meio da escada). A casa é repleta de invenções estranhas, e ele era alguém de hábitos esquisitos (ex. uma cama de madeira que parecia uma mesa). A casa é muito alta e tinha um mirante também muito alto (nota-se que ele não tinha medo de altura).

Réplica do 14 Bis em Petrópolis

http://www.visitepetropolis.com/o-que-fazer/perfil/museu-casa-de-santos-dumont/


Veja também

https://ideiasesquecidas.com/2019/03/15/feynman-russell-e-filosofia/

https://ideiasesquecidas.com/2020/02/17/tres-indicacoes-de-literatura-em-quadrinhos/

https://ideiasesquecidas.com/2016/06/19/calculo-em-quadrinhos-bioquimica-em-quadrinhos/