O equilíbrio de Nash do filme “Uma mente brilhante” não é um equilíbrio de Nash

O filme “Uma mente brilhante”, com Russell Crowe e Jennifer Connely, é baseado na vida do matemático americano John Nash, famoso pela sua contribuição na muito interessante Teoria dos Jogos.

No filme, o grande insight de Nash ocorre na cena do bar. Nash e quatro colegas da faculdade estão bebendo. Uma loira atraente chega, acompanhada de algumas amigas não tão atraentes.

Vide vídeo no Youtube:

A primeira reação do grupo é citar Adam Smith: “Na competição, a ambição individual serve ao bem comum”. “Cada um por si”, diz um dos amigos, implicando que todos tentarão a sorte com a loira.

A conclusão de Nash é diametralmente oposta. Se todos chegarem todos primeiro na loira, levarão um fora, e as outras amigas se sentirão menosprezadas também darão um fora em todos.

A solução seria uma espécie de colaboração. Ninguém tem como alvo primário a loira. Cada um dos amigos chega em uma das amigas menos atraentes, porém, isso vai aumentar a chance de todos se darem bem no final.

No final, o matemático sai para rascunhar suas ideias, e agradece à loira, que não entende nada.

É um filme, então entendo que tenha que ter uma teoria compreensível e digna de um insigth. Porém, para um nerd que gosta extremamente de matemática como eu, sinto dizer que o filme está errado. O equilíbrio de Nash ali demonstrado não é um equilíbrio de Nash de verdade, como o filme implica mostrar.


Eis o porquê:

Um jogo ocorre quando há pelo menos dois jogadores, e as decisões de ambos influem no resultado final.

O “Equilíbrio de Nash”, como o nome sugere, é um ponto de equilíbrio em que o jogo converge: quando este ponto é atingido, nenhum dos jogadores sai ganhando se mudar a sua decisão. Ou seja, nenhum deles sai ganhando se escolher “trair” a configuração de equilíbrio.

A situação do filme não configura um equilíbrio de Nash. Imagine que os 4 amigos decidam pela estratégia de ignorar a loira e abordar as 4 moças não tão atraentes. Só que 3 deles executem o combinado, e 1 deles “traia” o restante: ele vai sozinho para cima da loira. O “traidor” aumenta a probabilidade de se dar melhor, ao se livrar dos outros que seguiram o combinado.

Como existe incentivo para esse tipo de “traição”, a situação apresentada não é um equilíbrio de Nash.

A conclusão é que Hollywood não é um bom professor de matemática…

Veja também:

Better Call Saul

De todas as séries e filmes que assisti nos últimos 10 anos, Better Call Saul, que chegou ao último capítulo ontem, é a minha favorita.

É uma série artisticamente bonita e repleta de tramas extremamente bem amarradas. Detalhes que podem parecem insignificantes, como uma tampa de uma garrafa de tequila caindo de um caminhão, na verdade carregam toda uma simbologia de ascensão e queda, por exemplo. Não é como as séries normais, que facilmente contém inconsistências internas ou erros grosseiros de continuidade.

Eu considero Better Call Saul melhor do que a predecessora, Breaking Bad.

Isso sem contar atuações impecáveis de Bob Odenkirk (Saul Goodman), Rhea Seehorn (Kim Wexler) e conhecidos da era Breaking Bad, como Giancarlo Esposito (Gustavo Fring) e Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks).

Uma crítica comum é que a série é lenta demais. Podiam passar capítulos em que praticamente nada acontecia. Isso é verdade, é necessária uma certa paciência para extrair o melhor da jornada de Jimmy McGill a Saul Goodman. Para mim, pelo contrário, essa era uma das vantagens de Better Call Saul. Cada capítulo era como um jogo de xadrez, movendo peças uma a uma, de forma consistente, até chegar finalmente ao clímax, capítulos depois. Além do que uma série boa de verdade não precisa de duas reviravoltas forçadas a cada capítulo.

De qualquer forma, agradeço aos criadores e atores por essa história incrível, da qual desfrutei de cada minuto, e recomendo fortemente para quem quiser assistir uma boa série.

O número de Bacon, e o algoritmo da distância mínima

O prolífico ator Kevin Bacon fez, um dia, uma declaração de que já trabalhou com todo mundo em Hollywood. Realmente, ele está na ativa desde os anos 80, trabalhando em dúzias de filmes como JFK, Apollo 13 e até X-Men First Class.

Baseado nesta afirmação e na Teoria dos Seis Graus de Separação, cientistas de dados criaram o “Número de Bacon”: qual a distância mínima entre Bacon e cada ator que já atuou em filmes.

Este site mostra o número de Bacon: https://oracleofbacon.org/movielinks.php

Exemplos:

O grande Tarcísio Meira tem número de Bacon 3. Trabalhou com Luc Merenda em “OSS 117 takes a vacation”, que por sua vez trabalhou com Tomas Milian em “Silent Action”, que trabalhou com Bacon em “JFK”.

O habilidoso Bruce Lee tem número de Bacon 3.

Note que pode haver mais de um caminho mínimo possível, por isso o botão “Find a different link”.

A “Mulher Maravilha” Gal Gadot tem número de Bacon 2.

E o “Capitão Nascimento” Wagner Moura, número de Bacon 2.

Há vários atores brasileiros que não constam na lista, quando mexemos no site. Neste caso, eles têm número de Bacon infinito.

Mundo Pequeno

É bem difícil encontrar algum ator que tenha uma distância de Bacon grande (a maior distância que encontrei foi 3 – mas eu também não tenho lá grande conhecimento de nomes de atores). O mundo de Hollywood é muito menor que o mundo real.

Porém, mesmo no mundo real, existe a teoria do “Mundo Pequeno”. Na média, 6 conexões separam quaisquer duas pessoas no mundo. Entre eu e o presidente dos EUA, eu conheço alguém que conhece alguém que conhece alguém que conhece alguém que conhece alguém que conhece o presidente.

Esta teoria é utilizada para entender a topologia de uma rede. Exemplo. O Facebook reportou distância média de 4,57, em 2016, baseado em 1,6 bilhão de usuários.

Outra reflexão é a dos superconectores. Há pessoas que são super elos, aqueles que conhecem muita gente, e que devem ser atingidos para que uma mensagem passe adiante.

Note que é a distância mínima que vale, o que nos leva à seguinte pergunta.

Como funciona o algoritmo do caminho mínimo?

O algoritmo consiste em encontrar o menor caminho num grafo. A ideia básica é simples, vamos tentar exemplificar com um hipotético “Número de Romário”.

Digamos que eu tenha as seguintes listas (resumidas, a bem da simplicidade):

Seleção Brasileira de 1994:

  • Taffarel
  • Dunga
  • Cafu
  • Bebeto
  • Romário

Seleção Brasileira de 1998:

  • Taffarel
  • Dunga
  • Cafu
  • Rivaldo
  • Ronaldo

Seleção Brasileira de 2002:

  • Dida
  • Cafu
  • Ronaldinho Gaúcho
  • Rivaldo
  • Ronaldo

Seleção Brasileira de 2006 (quadrado mágico):

  • Ronaldinho Gaúcho
  • Ronaldo
  • Adriano
  • Kaká

Quero calcular o “Número de Romário”, para todos os envolvidos.

Começo com a seleção de 1994. Todo mundo que jogou junto com Romário tem conexão 1:

Na seleção de 1998, Romário não jogou (porque o Zagallo não gostava dele, uma injustiça, diga-se de passagem!).
Primeiro, faço uma varredura se os nomes de 1998 já foram contabilizados.

Taffarel, Dunga e Cafu já estão na lista, então não entram.

Já Rivaldo e Ronaldo, podem ser ligados via qualquer um dos três, vamos mostrar só a conexão com Cafu, por simplicidade. Eles terão distância 2.

Em 2002, dois novos nomes: Dida e Ronaldinho Gaúcho.

Eles podem ser ligados via Rivaldo ou Ronaldo – mas aí a distância vai ser 3.

Ou eles podem ser ligados via Cafu (um superconector), e a distância vai ser 2. Como queremos a menor distância, vale esta conexão.

Em 2006, dois novos nomes: Adriano e Kaká.
Eles podem ser ligados por Ronaldo, e aí vão ter distância 3.

Este não é o único algoritmo possível, existem diversas outras alternativas, com seus prós e contras. Encontrar distâncias em grafos pode ser utilizada em roteirização (como o Waze).

Note também que Romário e Ronaldo já jogaram juntos, na vida real. Aqui, é só ilustrativo.

Exercício

A seleção de 2010 era muito ruim, nem vale muita consideração, mas suponha que foi essa a convocação simplificada:

  • Daniel Alves
  • Robinho
  • Kaká
  • Luis Fabiano

Qual o “Número de Romário” do Robinho e do Luis Fabiano?

Veja também:

Moby e Mocha Dick

Duas recomendações de histórias fascinantes para o feriadão: Moby Dick e Mocha Dick.

Todo mundo já ouviu falar da baleia Moby Dick, clássico de 1851 do escritor americano Herman Melville, mas poucos efetivamente leram o livro ou viram algum conteúdo mais profundo sobre o mesmo. Uma recomendação é o filme “Moby Dick” de 2011, disponível na Amazon Prime.

Moby Dick é uma baleia cachalote albina, enorme, com testa enrugada e o corpo repleto de arpões. Ao contrário das baleias comuns, esta revida a ataques, destruindo os baleeiros e caçando os que o atacaram.

Nesse contexto, temos o fanático capitão Ahab em sua caça, extrapolando todo o bom senso possível e contrariando seu imediato Starbuck, aos olhos do narrador Ismael e seu colega, o indígena Queequeg.

É impressionante ver a vastidão do mar, os homens em seus navios de madeira movidos pela força do vento, atrás de leviatãs maiores do que qualquer animal outro na face da Terra.

Algo a notar é que as baleias são lentas e desajeitadas – sem predadores naturais, evoluíram de forma a nem dar bola para inimigos que possam caçá-las. Quando atacadas, tendem a fugir, o que explica: 1) como alguém tão menor como o ser humano conseguia caçar baleias em 1850, e 2) porque causava surpresa quando uma baleia reagia, destruindo barcos e matando pessoas.

Pela pesquisa que fiz, o livro Moby Dick não foi um sucesso imediato – por algum motivo, demorou mais de cem anos para a obra ser apreciada.

Outro ponto: Moby Dick é ficcional, mas baseado em relatos diversos, como o naufrágio de um barco chamado Essex e também de uma baleia chamada Mocha Dick.

E aí entra a segunda recomendação: a graphic novel Mocha Dick, de Gonzalo Martínez.

O autor, chileno, conheceu a história de Moby Dick e de Mocha Dick. Esta última tem esse nome por conta de ser vista sempre próxima à ilha de Mocha, no Chile, da onde surgiram alguns dos relatos que levaram Melville a escrever o romance famoso. E daí veio o projeto de contar a pouco famosa história de Mocha Dick.

Esta também é uma narrativa interessante, envolvendo a baleia albina que ataca barcos, lendas indígenas da região que a veem como uma protetora, personagens cativantes e uma bela arte retratando a época e o cenário.

Curiosidade. Eu comprei uma edição econômica de Moby Dick em 1998, numa pequena livraria de promoções no centro de S. José dos Campos. Lembro disso porque o dono do lugar me tratou super mal, porque pedi desconto – estava no primeiro ano da faculdade e não tinha dinheiro algum. Apesar disso, a edição custou R$ 1,50, barato mesmo para a época.

Mocha Dick:
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Moby Dick
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Prime Video:
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Dr. Strangelove e o erro de cálculo nuclear

O clássico filme “Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb”, de 1964, é uma comédia sem graça, extremamente sem graça, porém genial. Genial como tudo o que Stanley Kubrick fez. É um alerta que continua válido, ainda mais para os dias de hoje, de conflito militar com uma potência detentora de armas nucleares. No Brasil, o título é “Dr. Fantástico”.

Em linhas gerais, o filme conta a história de um general americano (o general Ripper) que ordena, por si só, o lançamento de uma bomba atômica de hidrogênio na União Soviética, através de um bombardeiro B-52 subordinado a ele. O general segue todos os procedimentos para designar a missão, e os códigos para os aviadores armarem a bomba, incluindo cortar comunicações com o mundo externo, exceto se recebessem um código secreto.

Outros oficiais notam o plano, e ordenam o general Ripper a abortar a missão: porém, ele se tranca em seu escritório e comete suicídio para não revelar o código.

Nessa situação, as autoridades máximas dos EUA e URSS se comunicam em suas respectivas salas de guerra, tentando encontrar meios de parar o lançamento da bomba. O Dr. Strangelove é um ex-cientista nazista, agora conselheiro do presidente americano (foi inspirado em pelo menos 4 cientistas da vida real).

No final, há um problema no lançamento da bomba, e o aviador caubói (!!) tenta de todos os jeitos lançar a bomba de hidrogênio na URSS. Será que ele conseguiu? Não vou contar, veja o filme.

Apesar de ser uma sátira, com uma série de piadinhas infames, há uma série de conceitos sérios e imensamente provocadores.

  • Era o auge da Guerra Fria EUA X URSS, com a ameaça de uma guerra nuclear pairando no ar (eita sensação de ‘deva ju’)
  • A doutrina do “MAD”, de “destruição mútua assegurada”, foi cunhada por John Von Neumann, brilhante matemático. Como tanto os EUA quanto a URSS possuem bombas atômicas, um único ataque de qualquer um dos lados causaria retaliação imediata do outro lado, e assim sucessivamente, escalando a guerra até a destruição total de ambas as potências – e do resto do planeta, em consequência
  • Esse balanço de poderes é um dos temas principais da Teoria dos Jogos, ramo de conhecimento que lida com decisões entre dois ou mais jogadores, e teve o próprio Von Neumann como um dos fundadores
  • Uma forma assustadora de quebrar esse equilíbrio é o com “First Strike”. Um primeiro ataque, completamente devastador de um dos lados, de forma a aniquilar o inimigo, nocautear, não deixar pedra sobre pedra. Aliás, essa era a hipótese do General Ripper: dar o primeiro passo e, diante da certeza do lançamento da bomba inicial, obrigar os EUA a fazer um superataque e destruir a URSS

Interlúdio: no espírito das piadinhas sem noção do filme, o First Strike lembra o lema do Cobra Kai, os vilões do Karatê Kid: “Strike first, strike hard, no mercy”!

  • Outro conceito importante é o do “erro de cálculo”. Embora as grandes autoridades de ambos os países tenham consciência da doutrina MAD, pode ser que haja algum erro de cálculo no caminho. Alguém como o General Ripper pode burlar o sistema de forma a lançar a bomba por si só, ou algum outro problema do tipo. Por incrível que pareça, não é uma hipótese tão improvável assim. Quem garante que armas nucleares de dezenas de anos atrás, da extinta URSS, estejam em boas mãos nos dias de hoje? E quem garante que experimentos nucleares na Coréia do Norte de hoje não estão sujeitos a erros de cálculo?

O filme, além de ser um sucesso de crítica e público, teve o efeito de alertar autoridades dos EUA e de outros países, que acabaram reforçando os sistemas de segurança dessas armas capazes de mudar o mundo.

Trivia:

  • Como era usual, Kubrick fez uma pesquisa extremamente detalhada para retratar fidedignamente aeronaves, bombas e procedimentos de segurança
  • A fim de instigar o ator George Scott a fazer cenas engraçadas, Kubrick o enganou. Disse para performar exageradamente, porque seriam só treinos antes da versão final – porém, foram exatamente essas as cenas utilizadas. Scott, enfurecido, prometera nunca mais trabalhar com o diretor
  • Kubrick entrou com processo para atrapalhar um filme rival, Fail Safe, que tinha temáticas semelhantes. Deu certo, Dr. Strangelove foi lançado 9 meses antes de Fail Safe, que não teve muita repercussão
  • Kubrick é o meu cineasta favorito. O extraordinário “2001, Uma Odisseia no Espaço”, é o meu filme favorito de todos os tempos, mesmo tendo assistido dezenas de outras produções modernas, na era da Netflix. Gênio, obssessivo, perfeccionista.

Veja também:

O mundo é não-linear. Erros de cálculo ou alguns poucos eventos súbitos podem mudar o rumo de todo o futuro. Vide dois exemplos abaixo.

Sobre MAD e First Strike:

https://en.wikipedia.org/wiki/Pre-emptive_nuclear_strike#:~:text=First%20strike%20capability%20is%20a,left%20unable%20to%20continue%20war.

https://en.wikipedia.org/wiki/Mutual_assured_destruction

O homem que nunca trabalhou, gastou tudo em festas, viagens e morreu pobre

A primeira vez que ouvi falar de Jorginho Guinle foi há uns 20 anos, lendo a matéria de uma revista Veja ou similar. O playboy, herdeiro do Copacabana Palace, o mais luxuoso e famoso hotel do Rio de Janeiro, gabava-se de nunca ter trabalhado, e dizia ter torrado a sua fortuna em festas, viagens, mulheres, comida, bebida, tudo do bom e do melhor que o dinheiro poderia comprar. Porém, tinha errado a conta: achava que viveria 75 anos, mas continuava saudável depois disso, quebrado, falido, sem um tostão furado no bolso (faleceu aos 88 anos, em 2004).

Lembro da reportagem ter causado uma sensação de repulsa – um sujeito assim era o oposto de tudo o que eu acreditava ser uma vida nobre, aquela de dedicação a um trabalho decente e honesto, de querer plantar sementes para outros colherem ao invés de apenas consumir todos os frutos para mim sem ter plantado nenhuma.

Ontem vi o filme “Jorginho Guinle – Só se vive uma vez”, no Prime Video. É um filme nacional, de 2019, sobre o playboy. Logo, me vem à cabeça a reportagem citada, e um pensamento do tipo “como é que o brasileiro dá valor a uma pessoa fútil assim”. Entretanto, movido pela curiosidade, assisti ao filme, eu mesmo dando valor a uma pessoa fútil assim.

A família Guinle era mais fabulosamente rica do que apenas o Copacaba Palace. O início foi com a fundação da Companhia Docas do Porto de Santos. O comércio internacional no início do século passado gerou uma fortuna imensa à família, que também investiu em uma série de outros negócios, envolvendo desde eletricidade até bancos.

Além da fortuna, havia também os contatos. O presidente Getúlio Vargas, entre outros, era frequente à mesa dos Guinle.

O filme logo foca nas desventuras de Jorge Eduardo Guinle, que segue em linha do que já foi descrito: festas, viagens caríssimas à Europa, romances com atrizes de Hollywood (Rita Hayworth, Jayne Mansfield, Marilyn Monroe, dentre uma lista grande), casamentos, joias caras, restaurantes luxuosos, champanhe da melhor qualidade.

Pertenciam à família Guinle, entre outros:

  • O Palácio das Laranjeiras, em Botafogo, residência oficial do governador do Rio de Janeiro
  • A Granja Comari, em Teresópolis, que hoje é utilizada pela Seleção Brasileira de Futebol
  • O Jóquei Clube do Rio de Janeiro
  • O hotel Copacabana Palace

A seguir o declínio gradual dos negócios da família, a morte do pai, a venda de ativos para continuar a manter o alto padrão anterior.

Lembro de uma história budista, onde havia 7 tipos de inferno. Não lembro de todos, mas para dar um exemplo, um dos infernos era o de existir alimento mas a pessoa passar fome eternamente, outro era dela ser despedaçada fisicamente todos os dias, etc. O sétimo inferno era o das vaidades infinitas: ter que estar sempre participando de festas cada vez mais luxuosas, estar preso num ciclo infindável de nunca ser rico, bonito, talentoso, bom o suficiente quanto os pares.

Nesse ponto, notei algo. Essas frases de efeito, de nunca ter trabalhado, de ser um playboy que errou na conta de quando morreria, o maior playboy do Brasil, etc, eram uma máscara. Chegou num ponto da vida em que ele interpretava um personagem de si mesmo. Talvez ele quisesse ser reconhecido pela versão ideal de playboy, talvez por sinceridade, não sei.

“Nenhum playboy de hoje pode ser meu sucessor. Todos têm um grave defeito: eles trabalham”

Pensando bem, eu acho extremamente mais honesto viver a vida de playboy e assumir isso, do que ser o hipócrita que posa de bom moço; do que fazer doações de mixaria só para suavizar a imagem; do que usar os chavões usuais de meio-ambiente e responsabilidade social apenas para a aparência. Jorginho Guinle continua não sendo um modelo a ser seguido, fique bem claro, só acho ele mais honesto do que outros ricaços na mesma situação.

Jorginho Guinle foi um epicurista de intensidade máxima.

“O segredo do bem viver é morrer sem um centavo no bolso. Mas errei o cálculo e o dinheiro acabou antes da hora”.

Obs. A trilha sonora do filme, com muito jazz e participação especial de Daniel Boaventura, é um espetáculo à parte.

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Veja também:

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/

Recomendações: Orfeu do Carnaval e Prenda-me se for capaz

Zapeando pelo Amazon Prime Video, descobri que filme “Orfeu do Carnaval”, de 1959, está no catálogo atual.

É um filme interessante pelo contexto histórico. Foi este que iniciou a parceira Tom Jobim – Vinícius de Moraes, e, consequentemente, algumas das mais belas canções já escritas até hoje.

“Tristeza não tem fim
Felicidade sim
A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar”

Além disso, sem o “Orfeu Negro”, possivelmente talvez não tivéssemos Barack Obama. Vide detalhes desta história aqui (https://ideiasesquecidas.com/2018/01/17/orfeu-tom-vinicius-e-obama/).

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Aproveitando o post, segue outra recomendação do catálogo. “Prenda-me se for capaz”.

Engenheiros “hard code” como eu tendem a dar muita importância à tecnologia e algoritmos. Porém, o que hackeia de verdade sistemas é a chamada engenharia social, da qual Frank Abagnale Júnior era mestre.

Por volta da década de 1960, o jovem Abagnale já hackeava o sistema: golpes com cheques sem fundo cada vez mais elaborados, diplomas falsos para obter posições, subterfúgios os mais diversos possíveis para convencer as pessoas e fugir da polícia.

Abagnale era tão bom no que fazia que passou a colaborar com a polícia apó cumprir sua pena, para evitar golpes como os que ele aplicava, e até hoje, ele dá aulas e tem livros sobre segurança da informação.

Livro do Frank Abagnale. Scam me if you can:
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Já vi o filme mais de uma vez desde o lançamento, em 2002, e sempre me surpreendo.

Ficam as dicas.

O Anel do Nibelungo

Forte recomendação de leitura fantástica: O Anel do Nibelungo, adaptação em quadrinhos pelo aclamado P. Craig Russell.

Link da Amazon: https://amzn.to/3dPRWik

É uma obra colossal, com quase 500 páginas, papel especial, capa dura, deve ter quase 1 kg de peso (recomendo a versão em papel, muito mais legal que em qualquer outra tela).

Russell é seguramente um dos maiores desenhistas do mundo atual. Seus trabalhos em Sandman estão entre as mais belas já obras vistas no gênero.

Pelo tema ser denso e extenso, vale uma introdução.

Tenho uma longa história de admiração pela lenda do Anel do Nibelungo.

A primeira vez que tive contato com o tema foi com a “Cavalgada das Valquírias”, de Richard Wagner, utilizada no clássico filme “Apocalyse Now”, de Francis Ford Coppola. No clipe, um grupo de helicópteros americanos leva terror e aniquilação total à vilas vietnamitas. Arautos da morte: metralhadoras, bombas, destruição, sob a trilha sonora poderosa de Wagner, um encaixe audiovisual perfeito – vale a pena conferir:

A Valquíria é um dos capítulos da ópera “o Anel do Nibelungo” de Richard Wagner. Por sua vez, esta é uma coletânea de lendas nórdicas e germânicas antigas, compiladas numa narrativa completa por Wagner (é como se ele fosse um Homero em relação à Odisseia).

Wagner viveu há uns 150 anos atrás, e era contemporâneo do filósofo Friedrich Nietzsche – eram amigos, até a relação azedar e se tornarem inimigos. Pelas obras de ambos serem fortes, e germânicas, posteriormente ambas foram utilizadas pela propaganda nazista. Originalmente, não havia essa intenção, até porque eles viveram uma geração antes de Hitler.

A saga do anel tem quatro partes, e começa com “O ouro do Reno”.

Alberich, um anão horripilante, renuncia ao amor, rouba o ouro do Reno (em alusão ao rio Reno, na Alemanha), e forja um anel. Este dá poderes imensos ao possuidor.

Wotan e Loge enganam Alberich e conseguem tomar o anel, que é cedido a alguns gigantes do gelo.

A mitologia germânica tem muitos paralelos com a mitologia nórdica, do Thor.

Wotan, o pai de todos os deuses, é cego de um olho, cedido em troca de sabedoria – é claramente igual a Odin.

Loge, o traiçoeiro, é o paralelo de Loki. As deusas Freya e Friga também aparecem em ambas mitologias. O paralelo de Thor é Donner, mas ele é coadjuvante na história do anel.

Os personagens principais desta saga aparecem a seguir. A segunda parte é sobre a Valquíria, a terceira sobre o herói Siegfried, este sim o grande protagonista da história, após uma longa e tortuosa jornada. A quarta parte é o Crepúsculo dos Deuses, o fim de tudo (Não por acaso, há um livro de Nietzsche chamado o Crepúsculo dos Ídolos, onde ele detona a filosofia, o cristianismo, a moral e tudo mais que pode ser detonado).

Não só sou eu que sou fascinado por esses temas. Há alguns paralelos entre o Senhor dos Anéis e a obra de Wagner. Um anel que confere poder inimaginável ao dono, porém com uma maldição. Um anão disforme, obcecado pelo poder do anel. O autor J. R. R. Tolkien diz não ter se inspirado diretamente na obra, mas talvez tenha bebido da mesma fonte, as lendas nórdicas e germânicas originais.

Outra referência notável é o anel de Giges, presente nos diálogos de Platão. O possuidor do anel possuía o poder de se tornar invisível quando quisesse. Dessa forma, ele poderia cometer as maiores injustiças do mundo, sem ter punição (ao invés do anel, hoje em dia imagine estar no STF). Platão utilizou o conto para perguntar se há ser humano que manteria sua índole moral diante de poder infinito (a julgar pelo STF, difícil…).

Para fechar, é muito legal o making off da produção desta obra-prima. Craig Russell mostra o cuidado que teve ao fazer o trabalho. Um exemplo: ele tirou milhares de fotos de atores fazendo poses, a fim de retratar com fidelidade os desenhos. Outro exemplo: ele tinha desenho detalhado do cenário de fundo utilizado, sob vários ângulos.

Ator servindo de modelo para o desenho de Russell

É uma obra densa, épica, com arte sensacional. Um prato cheio para quem gosta do tema!


Sobre o escriba deste texto: Arnaldo Gunzi é completamente fascinado pela intersecção entre mitologia, história, cinema, filosofia e quadrinhos, como este post deve ter deixado claro!

Trilha sonora: A cavalgada das Valquírias – Richard Wagner
https://www.youtube.com/watch?v=7AlEvy0fJto

P.S. Menção honrosa à adaptação do Anel dos Nibelungos de Roy Thomas (desenhista do Conan), de 2003 – tenho ambos.

Veja também:

Indicação nerd: Marie Curie na Netflix


O filme “Radioactive” é sobre uma das maiores cientistas da história, Marie Curie. Devemos a ela a descoberta do elemento rádio, e de grandes avanços na pesquisa da radioatividade.


Vencedora de dois prêmios Nobel, em física e em química, ela supera até Einstein neste quesito (ele ganhou “só” um, coitado).


Normalmente já é difícil fazer ciência. Além disso, ela encontrou dificuldade adicional por ser mulher, 100 anos atrás, e até xenofobia, por ser imigrante polonesa. Por exemplo, o filme mostra que apenas Pierre Curie tinha sido nominado, e que este lutou para incluir a esposa, no primeiro Prêmio Nobel. Marie ganhou sozinha o segundo Nobel, já que Pierre já tinha falecido.


Os efeitos nocivos da radioatividade eram desconhecidos na época. A contínua exposição aos elementos custou a saúde dos Curie: Pierre estava debilitado, quando morreu devido a um acidente de trânsito, já Marie, tinha anemia, tosse, deformação nos dedos, e provavelmente leucemia. Mesmo assim, ela nunca parou de se dedicar com afinco à sua paixão, a ciência. 


A filha de Marie e Pierre, Irene, continuou a pesquisa da radioatividade em outros elementos, e também ganhou o seu Nobel.


É por conta destes trabalhos todos que temos aparelhos de raio-X, usinas de energia nuclear a até a bomba atômica, nos dias de hoje.


O filme não é muito bem feito, chega a ser chatinho e confuso, mas, pela grandeza da família Curie, vale muito a pena!

Aproveito para deixar uma foto da icônica Conferência de Solvay de 1927, que juntou os maiores gigantes da física do século passado: Marie Curie, Albert Einstein, Niels Bohr, Werner Heisenber, Max Planck, Erwin Schrodinger.

Veja também:

Recomendação: Era uma vez em… Hollywood

Qualquer filme de Quentin Tarantino é coisa para assistir com atenção absoluta. O genial diretor trouxe ao mundo obras-primas do cinema, como Pulp Fiction e Bastardos Inglórios.

Achei sensacional último filme dele, “Era uma vez em Hollywood”, principalmente o final – e só depois do final que entendi o título.

Não vou dar spoilers aqui, porque uma obra dessas merece ser vista sem saber o que ocorrerá no final, mas queria passar algumas dicas de conhecimento prévio. É importante saber alguns fatos dos anos 60, para maximizar o entendimento da trama.

Um dos crimes mais chocantes do século passado, e que até hoje ocupa o imaginário popular, é o assassinato da deslumbrante atriz Sharon Tate, grávida de 8 meses e esposa do badalado diretor Roman Polanski. Os assassinos, um grupo de fanáticos, comandados por Charles Manson.

Manson se dizia reencarnação de Jesus, e procurava mensagens ocultas nas músicas dos Beatles. Vivia com os seus seguidores num rancho, pregando a liberdade, o fim do capitalismo, amor livre (bacanais) e consumo de alucinóginos. A comunidade realizava pequenos furtos e buscava comida no lixo. Tudo mudou no dia de “Helter Skelter”, em que começaram a assassinar pessoas, entre elas, Sharon Tate e amigos.

Este episódio lamentável está amplamente documentado, como nos links ao final do texto.

O poder de influência e o nível de loucura de Manson era tão grande, tão grande, que mesmo depois de preso, ele atraía uma legião de fãs.

Pois bem, o filme acompanha um astro decadente, Rick Danton, e seu dublê Cliff Booth. Interpretados por dois dos maiores e mais bem pagos atores da atualidade, Leonardo DiCaprio e Bradd Pitt, ambos com atuações sensacionais.

A vida de Sharon Tate (interpretada por Margot Robbie, vale anotar o nome) e Roman Polanski fica meio em paralelo, assim como a gangue de Mason, até tudo se entrelaçar no finalzinho…

Fora isso, há dezenas de homenagens a filmes dos anos 60, referências a outros trabalhos do diretor, detalhes e easter eggs inúmeros, diálogos afiados e cenas de sangue, à lá Tarantino.

Veja também:

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/sexo-drogas-e-paranoia-a-incomum-vida-na-comunidade-de-charles-manson.phtml

https://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Manson

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/01/cultura/1564673873_374429.html

https://www.businessinsider.com/quentin-tarantino-once-upon-time-hollywood-details-you-missed-2019-7

Ray Kroc e a fascinante história do McDonald’s

Raymond Kroc transformou o McDonald’s, de um pequeno restaurante regional ao gigantesco império que conhecemos hoje.

O filme “Fome de poder” retrata Kroc como um vilão. O homem ambicioso, que desrespeita acordos e passa a perna nos irmãos McDonald.

Como tudo na vida tem dois lados, a visão de Ray Kroc consta no livro autobiográfico “Grinding it out” – algo como “Moendo tudo”. Nesse, vemos que ele, aos 52 anos, hipotecou a casa e colocou cada centavo que tinha e que conseguia pedir emprestado no empreendimento, mudanças de layout eram necessárias para cada loja (e foram os irmãos que dificultaram as autorizações), e que os irmãos tinham vendido a mesma franquia para outros concorrentes (obrigando Kroc a firmar acordo com estes).

Mais do que isso, o livro mostra os passos árduos percorridos para erguer esse império do fast food. É uma lição de vida, envolvendo riscos, brigas, dedicação a serviços, melhoria contínua, paixão ao trabalho e, principalmente, parceria com dezenas de associados, franqueados, fornecedores e investidores.

Segue um resumo das minhas notas sobre o livro.

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Depois de dezessete anos vendendo copos de papel para a empresa Lily Tulip e subindo ao topo de vendas da empresa, eu vi a oportunidade aparecer na forma de uma máquina de milk shake chamada multimixer. Não foi fácil desistir da segurança de um trabalho bem remunerado para sair sozinho.

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Eu estava sempre alerta para outras oportunidades. Eu tenho um ditado que diz: “Enquanto você estiver verde, você está crescendo, assim que você estiver maduro, você começa a apodrecer”.

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Um dia um dono de um restaurante em Portland, Oregon, disse: “Quero um daqueles seus misturadores como os irmãos McDonald têm em San Bernardino, Califórnia”. Quem eram esses McDonalds?

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Fiz algumas verificações e fiquei surpreso ao saber que o McDonald’s não tinha um Multimixer, nem dois ou três, mas oito! A imagem mental de oito Multimixers agitando quarenta shakes ao mesmo tempo era demais para acreditar.

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(Kroc foi verificar o restaurante dos irmãos)

Era um dia quente, mas notei que não havia moscas se espalhando pelo lugar. Homens vestidos de branco estavam mantendo tudo limpo enquanto trabalhavam. Isso me impressionou muito, porque sempre fui impaciente com a falta de limpeza, especialmente em restaurantes.

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Fiquei fascinado pela simplicidade e eficácia do sistema que descreveram naquela noite. Cada passo na produção do cardápio simples foi redefinido em sua essência e realizado com um mínimo de esforço. Eles vendiam hambúrgueres e cheeseburguers apenas. Os hambúrgueres eram um décimo de meio quilo de carne, todos fritos da mesma forma, por quinze centavos. Você tem uma fatia de queijo nele por quatro centavos a mais.

(Nota: Outros restaurantes ofereciam um pouco de tudo na época. Os McDonalds fizeram um Pareto, focando somente nos poucos itens que tinham alto giro, e se aperfeiçoaram em serem extremamente eficientes nestes.)

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Kroc foi um dos primeiros a usar o KISS (keep it simple, stupid) como um lema, baseado na simplicidade do menu do McDonald’s.

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À noite, muitos pensamentos sobre o que eu tinha visto durante o dia. Visões de restaurantes McDonald’s por todo o país desfilaram pelo meu cérebro.

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As batatas do McDonald’s estavam em um nível superior. Eles dedicavam bastante atenção nisto. Eu não sabia disso na época, mas a batata frita se tornaria quase sacrossanta para mim, sua preparação seria um ritual a ser seguido religiosamente.

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Um problema comum com batatas fritas é que elas eram fritas em óleo que tinha sido usado para frango ou para algum outro alimento. Qualquer restaurante negará, mas quase todos eles fazem isso. Um escândalo muito pequeno, talvez, mas um escândalo. É apenas um dos pequenos crimes que deram à batata frita uma má reputação, enquanto arruinavam o apetite de inúmeros americanos. Não havia uso múltiplo do óleo para as batatas fritas do McDonald’s.

(Nota: Hoje qualquer fast food tem as batatas crocantes que conhecemos, e é até difícil entender a afirmação acima. Para ter uma ideia do que Kroc diz, tente fazer batatas fritas comuns em casa. Vai sair empapada, feia, muito longe da versão McDonald’s.)

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Eu estive nas cozinhas de muitos restaurantes e drive-ins vendendo Multimixers, em todo o país. Eu disse a eles, nunca vi nada que iguale o potencial deste seu lugar. Por que vocês não abrem uma série de unidades como esta? Seria uma mina de ouro para vocês e para mim também, porque cada uma aumentaria as vendas do multimixer.

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(Os irmãos McDonald não queriam preocupações)

Temos nossa casa e nós amamos isso. Sentamos na varanda à noite e vemos o pôr-do-sol da nossa casa aqui. É pacífico. Não precisamos de mais problemas. Estamos em posição de aproveitar a vida agora, e é exatamente o que pretendemos fazer.

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(Ray Kroc se propôs a assumir a responsabilidade pelas franquias, e firmaram um contrato para tal)

Quando voei de volta para Chicago naquele fatídico dia em 1954, eu tinha um contrato recém-assinado com os irmãos McDonald na minha pasta.

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Nunca fui um grande leitor quando era garoto. Os livros me entediavam. Eu gostava de ação. Mas passava muito tempo pensando nas coisas. Imaginava todos os tipos de situações e como lidaria com elas.

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Copos de papel não foram fáceis de vender quando cheguei às ruas com minha amostra da Lily Cup em 1922. Os donos de restaurantes imigrantes que eu me aproximava com meu discurso de vendas balançavam a cabeça e diziam: “Não, eu tenho copos de vidro, e são mais baratos”.

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Eu era guiado pela ambição. Eu odiava ficar ocioso por um minuto. Eu estava determinado a viver bem e ter coisas boas.

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(Sobre a Grande Depressão de 1929)

Jornais e revistas no final dos anos 20 estavam cheios de anúncios para cursos de correspondência que garantiam ajudá-lo a ficar rico rapidamente em imóveis.

(Alguma semelhança com pessoas vendendo cursos de enriquecimento rápido no Youtube hoje em dia?)

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(Sobre asseamento e aparência)

Enfatizei a importância de uma boa aparência, um terno bem passado, sapatos polidos, penteados de cabelo e unhas limpas. Olhar afiado e boa atitude, eu disse a eles. A primeira coisa que você tem que vender é você mesmo. Quando você fizer isso, será fácil vender copos de papel.

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Sobre a saída da empresa de copos de papel para vender o multimixer.

Ethel (a esposa) ficou incrédula com a ideia de que eu desistiria da minha posição na Lily Tulip e sairia para isso.

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Não há nada que você não possa realizar se você definir sua mente para isso.

Eu disse isso a um grupo de estudantes de pós-graduação no Dartmouth College em março de 1976. Eles me pediram para falar sobre a arte do empreendedorismo, como ser pioneiro em um empreendimento de negócios. Você não vai conseguir de graça, eu disse, e você tem que correr riscos. Isso não significa ser imprudente, isso é loucura. Mas você tem que correr riscos, e em alguns casos você deve ir para a falência. Se você acredita em algo, você tem que estar nele até o fim. Correr riscos razoáveis é parte do desafio. É divertido.

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(Sobre dívidas acumuladas)

Não acho que ela (Ehtel) tenha superado o choque de descobrir que tínhamos quase $100.000 em dívidas. Ela não podia.

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Eu me recusei a me preocupar com mais de uma coisa de cada vez, e eu não deixaria que um problema, não importa o quão importante, me impedisse de dormir. Isso é mais fácil falar do que fazer.

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Em 7 de dezembro de 1941, entramos em guerra pelo ataque japonês a Pearl Harbor, e fui expulso do negócio de multimixers. Os suprimentos de cobre, usados para enrolar os motores da Multimixer, foram restritos pelo esforço de guerra.

(O negócio retornou após a guerra)

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(Sobre um funcionário que tentou passar a perna em Kroc, e anos depois pediu uma chance no McDonald’s)

Eu não pude ouvir por um momento, quando ele ligou mais tarde para implorar por uma chance de entrar no McDonald’s. Um bom executivo não gosta de erros. Ele permitirá aos seus subordinados um erro honesto de vez em quando, mas ele nunca vai tolerar ou perdoar a desonestidade.

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Era um restaurante restrito ao mínimo em serviços e menu, o protótipo do que seria o fast-food, que mais tarde se espalharia por toda a terra. Hambúrgueres, batatas fritas e bebidas eram preparados em uma linha de montagem, e, para espanto de todos, Mac e Dick incluídos, a coisa funcionou! Claro, a simplicidade do procedimento permitiu que os McDonald’s se concentrassem na qualidade em cada passo, e esse era o truque.

(Nota: Maurice e Richard eram os irmãos McDonald)

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No decorrer desta conversa, soube que os irmãos tinham licenciado outros dez drive-ins, incluindo dois no Arizona. Eu não tinha interesse nisso, mas eu teria o direito de franquia de suas operações em todos os outros lugares nos Estados Unidos.

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A reunião foi extremamente cordial. Confiei neles desde o início. Essa confiança mais tarde se transformaria em suspeita eriçada. Mas eu não tinha noção dessa eventualidade.

O acordo me deu 1,9% das vendas brutas dos franqueados. Eu tinha proposto 2%. Os McDonalds disseram: “Não, não, não! Se você disser a um franqueado que você vai levar 2%, ele vai recusar.

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(Sobre simplesmente copiar a ideia e criar um concorrente do zero)

Os irmãos tinham equipamentos que não poderiam ser facilmente copiados. Eles tinham uma grelha de alumínio especialmente fabricada, e a configuração de todo o resto do equipamento estava em um padrão muito preciso, de economia de movimentos. Depois havia o nome. Eu tinha um forte senso intuitivo de que o nome McDonald’s estava exatamente certo. Não era possível copiar o nome. Mas para o resto, acho que a resposta real é que eu era tão ingênuo ou tão honesto que nunca me ocorreu que eu poderia pegar a ideia deles e copiá-la e não pagar-lhes um centavo sequer.

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Ethel ficou enfurecida com a coisa toda. Não tínhamos obrigações que seriam prejudicadas por isso; nossa filha, Marilyn, era casada e não dependia mais de nós. Mas isso não importava para Ethel; ela só não queria ouvir sobre McDonald’s ou meus planos.

Isso fechou a porta entre nós. Ela participou de reuniões do McDonald’s nos últimos anos, e era querida por operadores e por mulheres na equipe, mas não havia mais nada entre nós. Nossos trinta e cinco anos de sagrado matrimônio suportaram outros cinco em acrimonia profana.

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(Nota: O contrato feito exigia aprovação escrita dos irmãos, para qualquer alteração no layout do restaurante. O restaurante original dos irmãos era num lugar semi-desértico, e o primeiro restaurante de Kroc precisava de alterações, entre elas um porão.)

Liguei para os McDonalds e contei sobre o meu problema. “Bem, claro que você precisa de um porão, disseram. Então construa um”.

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Entretanto, os irmãos apenas autorizaram verbalmente, sem assinar nada – o que teria potencial de causar enormes problemas jurídico.

Isso teria funcionado, se os McDonalds fossem homens razoáveis. Em vez disso, eles eram obtusos, eles eram totalmente indiferentes ao fato de que eu estava colocando cada centavo que eu tinha e tudo que eu poderia emprestar para este projeto. Quando nos sentamos com nossos advogados presentes, os irmãos reconheceram os problemas, mas se recusaram a escrever uma única carta que me permitisse fazer mudanças.

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Era quase como se eles estivessem esperando que eu fracassasse. Esta foi uma atitude peculiar para eles, porque quanto mais bem sucedido o franchising, mais dinheiro eles ganhariam. Meu advogado desistiu da situação. Contratei outro e ele desistiu, também, dizendo que eu era louco para continuar nessas condições. Ele não poderia me proteger se os McDonald’s contestassem. Prossegui assim mesmo.

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Um assunto de preocupação muito maior para mim, no entanto, foi a batata frita.

Eu mostrei como descascar as batatas, deixando apenas um pouco da pele para adicionar sabor. Então eu as cortei em tiras e joguei em uma pia de água fria.

Então eu enxaguei completamente e coloquei em uma cesta para fritar em óleo fresco. O resultado foi uma batata marrom dourada perfeitamente fina que se aconchegava contra o paladar com um gosto estranho, como mingau.

Não eram as maravilhosas batatas fritas que descobrira na Califórnia. Falei ao telefone com os irmãos McDonald. Eles também não descobriram.

Entrei em contato com os especialistas da Associação de Batata e Cebola e expliquei meu problema a eles. Eles também ficaram perplexos, no início, mas então um dos homens do laboratório me pediu para descrever o procedimento de San Bernardino, e descobriu o problema.

Quando as batatas são escavadas, elas são principalmente água. Eles melhoram no sabor à medida que secam e os açúcares mudam para amido. Os irmãos McDonald tinham, sem saber, um processo natural de cura em seus depósitos abertos, o que permitiu que a brisa do deserto soprasse sobre as batatas.

Com a ajuda dos especialistas, eu criei um sistema de cura próprio. Eu tinha as batatas armazenadas no porão para que as mais velhas fossem sempre as próximas na fila para a cozinha.

Um ventilador elétrico deu às batatas uma exposição contínua de ar.

E as batatas eram fritas duas vezes.

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Um dos meus fornecedores me disse, Ray, você não está no negócio de hambúrgueres. Você está no negócio da batata frita. Eu não sei como você faz isso, mas você tem as melhores batatas fritas da cidade.

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Então todo o acordo travou diante de outro ato de desonestidade ou burrice, eu realmente não sei qual, por parte dos irmãos McDonald.

Eu tinha sido informado dos dez outros locais na Califórnia e Arizona que os irmãos tinham franqueado seus nomes, e nós concordamos que estava tudo bem. Eu ia ter todo o resto dos Estados Unidos. Mas havia outro acordo que eles não tinham me contado, e que era em Cook County, Illinois, onde eu tinha minha casa, meu escritório, e minha primeira loja. Os irmãos venderam Cook County para a Companhia de Sorvetes Frejlack!

Eu poderia culpar os Frejlacks, é claro, porém eles eram completamente inocentes e justos. Mas eu nunca perdoaria os McDonalds.

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A empresa nunca poderia ter crescido como cresceu sem a visão única de Harry Sonneborn.

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Nós trabalhamos como loucos, e nos últimos oito meses de 1956 abrimos oito lojas, apenas uma delas na Califórnia.

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De certa forma, acho que sou ingênuo. Eu sempre tomo um homem em sua palavra a menos que ele me dê uma razão para não fazer isso.

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Queríamos que McDonald’s fosse mais do que apenas um nome usado por pessoas diferentes. Queríamos construir um sistema de restaurantes que fosse conhecido por alimentos de qualidade consistente e métodos uniformes de preparação. Nosso objetivo, é claro, era garantir a repetição dos negócios com base na reputação do sistema e não na qualidade de uma única loja.

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Se eu tivesse um tijolo para cada vez que eu repetisse a frase QSC e V (Qualidade, Serviço, Limpeza – cleanliness –  e Valor), eu acho que seria capaz de fazer uma ponte sobre o Oceano Atlântico com eles.

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Fred Turner veio trabalhar em nosso escritório em janeiro de 1957, ano em que abrimos 25 novas operações do McDonald’s em todo o país.

(Nota: Fred Turner começou fritando hambúrgueres, e mais tarde se tornou o CEO da companhia, substituindo Kroc.)

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Grande parte do sucesso da minha organização tem sido resultado do tipo de pessoas que escolhi para cargos-chave. Minhas respostas não soam muito diferentes das regras que os alunos de administração de empresas encontram em seus livros didáticos básicos. É difícil chegar a respostas reais porque o peso do julgamento não está na regra, mas na aplicação.

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No início eram pães em cluster, o que significa que os pães estavam presos uns aos outros em aglomerados de quatro a seis, e eles eram apenas parcialmente fatiados. Fred apontou que seria muito mais fácil e rápido se tivéssemos pães individuais em vez de clusters e se eles viessem cortados.

Fred também trabalhou com um fabricante de caixas de papelão no design de uma caixa resistente e reutilizável para nossos pães. Manusear essas caixas em vez das embalagens habituais reduziu o custo da embalagem do padeiro, então ele foi capaz de nos dar um preço melhor nos pães.

(Nota: eles desenvolveram fornecedores para chegar às especificações ótimas. Kroc cita que o crescimento gigantesco do McDonald’s impulsionou junto os fornecedores.)

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As pessoas ficam maravilhadas com o fato de que eu comecei o McDonald’s aos 52 anos de idade, e então eu me tornei um sucesso da noite para o dia. Mas eu era como várias personalidades do show business que trabalham silenciosamente em seu ofício por anos, e então, de repente, chega o momento certo para torná-los grandes. Eu fui um sucesso da noite para o dia, mas trinta anos é uma longa, longa noite.

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Então, com o risco de parecer simplista, enfatizo a importância dos detalhes. Você deve aperfeiçoar todos os fundamentos do seu negócio se você espera que ele tenha um bom desempenho.

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Um hambúrguer é um pedaço de carne. Mas um hambúrguer McDonald’s é um pedaço de carne com caráter. A primeira coisa que o distingue dos outros lugares é que é tudo carne bovina.

O teor de gordura é de dezenove por cento e é rigidamente controlado. Há muito que poderia ser escrito sobre a história técnica do hambúrguer, os experimentos com diferentes métodos de moagem, técnicas de congelamento e conformações superficiais, a fim de chegar ao pedaço de carne mais suculento e saboroso que poderíamos produzir para o nosso sistema.

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(Sobre uma proposta de investimento para cobrir dívidas e ajudar na expansão)

Minha frugalidade lutou com a ideia de ceder qualquer parte das ações da empresa que eu tinha lutado tão desesperadamente para construir; no entanto, o apelo de US $ 1,5 milhão foi irresistível.

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(Sobre diferenças de visão com Harry Sonneborn)

Harry vê a corporação como apenas um negócio imobiliário, em vez de um negócio de hambúrgueres.

(Harry tinha proposto refranquear os locais após o término das licenças).

A expiração das licenças poderia acabar com a operação de todas as lojas. Eu não concordaria com isso. Nunca o fiz e nunca o farei. Isso não pode acontecer desde que minha influência e a de Fred Turner imponham a visão de que a corporação está no negócio de restaurantes de hambúrgueres, e sua vitalidade depende da energia de muitos proprietários-operadores individuais.

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Um dos nossos veteranos, Morris Goldfarb, de Los Angeles, disse na convenção de 1976 no Havaí que Ray Kroc fez mais milionários do que qualquer outra pessoa na história. Agradeço a visão de Morris, mas diria de outra forma. Prefiro dizer que dei a muitos homens a oportunidade de se tornarem milionários. Eles mesmos fizeram isso.

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McDonald’s não confere sucesso a qualquer um. É preciso coragem e poder para fazer isso com um de nossos restaurantes. Ao mesmo tempo, não requer qualquer aptidão ou intelecto incomum. Qualquer homem com bom senso, dedicação aos princípios, e um amor pelo trabalho duro pode fazê-lo.

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Os irmãos McDonald simplesmente não estavam na mesma sintonia. Eu estava obcecado com a ideia de fazer do McDonald’s o maior e o melhor. Eles estavam satisfeitos com o que tinham; eles não queriam ser incomodados com mais riscos e mais demandas.

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(Sobre as operações na Califórnia. Ele voltou horrorizado com a situação encontrada)

A loja dos irmãos em San Bernardino era praticamente o único McDonald’s. Outros mudaram o cardápio com coisas como pizza, burritos e enchiladas. Em muitos deles a qualidade dos hambúrgueres era inferior, pois eles estavam moendo corações na carne, com alto teor de gordura. Os irmãos McDonald viraram as costas para práticas tão ruins. Seus operadores se recusaram a cooperar comigo em compras de volume e publicidade.

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Minha maneira de lutar contra a competição é a abordagem positiva. Enfatize seus próprios pontos fortes, enfatize a qualidade, o serviço, a limpeza e o valor, e a competição se desgastará tentando acompanhar.

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O item mais importante nos meus planos para a empresa era terminar nosso relacionamento com os irmãos McDonald. Isso foi em parte por razões pessoais; Mac e Dick estavam começando a me irritar com o jogo de negócios deles. Por exemplo, eu os apresentei ao meu bom amigo e fornecedor de papel, Lou Perlman, e eles começaram a comprar todos os produtos de papel dele. Eles vieram a Chicago, visitaram Lou e pediram para ele levá-los para ver todos os McDonald’s da área, o que ele fez, mas eles nem mesmo me telefonaram; Lou me contou mais tarde, onde eles foram e o que eles disseram.

Mas a principal razão pela qual eu queria acabar o contrato com os McDonalds foi sua recusa em alterar qualquer termo do acordo que foi um empecilho para o nosso desenvolvimento. Eles culparam o advogado por essa falta de cooperação, e ele e eu certamente estávamos na mira da adaga o tempo todo; mas seja qual for a razão, eu queria estar livre de seu domínio sobre mim.

Então liguei para Dick McDonald e pedi para ele dar o preço deles. Depois de um dia ou dois ele fez, e eu deixei cair o telefone.

Eles estavam pedindo $2,7 milhões!

(Nota: Se um hambúrguer era 15 centavos e hoje é uns 3 dólares, dá mais ou menos 20x o valor. Ou seja, eles pediram o equivalente a 50 milhões de dólares dos dias de hoje, para uma operação que estava no início, com muitas incertezas ainda.)

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(Kroc correu atrás de financiamento para fechar o acordo, e conseguiu)

Foi um acordo extremamente bem sucedido. Todos os envolvidos estavam felizes.

Eu também estava feliz, exceto por uma parte do acordo que ficou na minha garganta como um osso de peixe. Foi a insistência de última hora dos irmãos McDonald em manter seu restaurante original em San Bernardino. Que maldito truque podre! Eu precisava da renda daquela loja.

Eventualmente eu abri um McDonald’s do outro lado da rua daquela loja, que eles tinham renomeado The Big M, e isso os tirou do negócio. Mas é por isso que não posso me sentir caridoso ou benevolente pelos irmãos McDonalds. Eles voltaram atrás em sua promessa, feita em um aperto de mão, e me forçaram a grunhir e suar como um escravo nas galerias para cada centímetro de progresso na Califórnia.

(Não há menção ao acordo de 0,5% do faturamento, que no filme é um acordo verbal não cumprido)

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(Kroc foi pioneiro em criar uma universidade corporativa)

Essa seria a primeira sala de aula para cursos que eventualmente se tornariam a Universidade de Hambúrguer.

A ideia de ter aulas para novos operadores e gerentes me ocorreu quando eu trouxe Fred Turner para a sede.

A Hamburger U também estava ajudando a testar e implementar procedimentos de treinamento em novos equipamentos que estavam sendo desenvolvidos pelo nosso Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento em Addison, Illinois.

Louis Martino havia iniciado o laboratório de P&D em 1961. Ele tinha vasta experiência na loja como operador em Glen Ellyn, Illinois, e viu a necessidade de equipamentos mecânicos e eletrônicos mais sofisticados para acelerar nossa linha de montagem de alimentos e tornar nossos produtos mais uniformes.

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(Sobre um dos anúncios publicitários após o acordo na Califórnia)

A campanha publicitária que montamos foi um sucesso. Trouxe os californianos aos nossos estacionamentos como se vendas tivessem sido removidas de seus olhos, e de repente eles podiam ver os arcos dourados. Foi uma grande lição para mim sobre a eficácia da televisão.

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Superamos todos os recordes anteriores de construção em 1963, construindo 110 lojas espalhadas por todo o país, e fizemos ainda melhor no ano seguinte, quando tivemos um lucro líquido de US $ 2,1 milhões em vendas de US $ 129,6 milhões.

Sempre acreditei que a autoridade deveria ser colocada no nível mais baixo possível. Eu queria que o homem mais próximo das lojas fosse capaz de tomar decisões sem buscar diretrizes da sede.

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A ideia de usar batatas fritas congeladas me atraiu muito. Poderia nos garantir um suprimento contínuo das melhores batatas, porque poderíamos comprar e processar um lote inteiro sem medo de estragar. Os custos de transporte seriam muito mais baixos, e as caixas quadradas de batatas congeladas seriam muito mais fáceis de manusear e armazenar do que sacos de 100 libras. Também eliminaria tarefas confusas e demoradas em nossas lojas (descascar, cortar).

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(Sobre o McFish)

Minha reação quando Lou abordou pela primeira vez a ideia do peixe para mim foi, “Inferno não!” Não me importo se o próprio Papa vier a Cincinnati. Ele pode comer hambúrgueres como todo mundo. Não vamos feder nossos restaurantes com nenhum dos seus malditos peixes velhos!

Começamos a vendê-lo apenas às sextas-feiras em áreas limitadas, mas recebemos tantos pedidos para isso que em 1965 disponibilizamos em todas as nossas lojas todos os dias.

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(Nem tudo deu certo)

Isso é o que aconteceu com o Hulaburger, que eu apostava que seria melhor do que McFish. O Hulaburger era feito de duas fatias de queijo com uma fatia de abacaxi grelhado em um pão torrado. Delicioso! Mas foi um fracasso gigante quando tentamos em nossas lojas.

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Há uma cruz que você deve suportar se você pretende ser chefe de uma grande corporação: você perde muitos de seus amigos no caminho para cima.

É solitário.

Nunca senti isso tão intensamente como quando Harry Sonneborn e eu tivemos nosso confronto final, e ele renunciou.

Harry tinha uma parte substancial das ações do McDonald’s, mas ele estava tão certo que a empresa iria para baixo quando saiu que ele vendeu tudo. Ele queria o dinheiro, disse, para entrar no negócio bancário. Mas é uma pena, porque embora a venda lhe desse alguns milhões de dólares na época, as ações posteriormente valeriam dez vezes mais. Se ele tivesse guardado, suas ações valeriam mais de 100 milhões de dólares. Então sua falta de fé em nós foi muito cara para ele.

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Diabos, quando os tempos estão ruins é que você deve construir!, eu gritei. Por que esperar as coisas melhorarem para que tudo custe mais? Se um local é bom o suficiente para comprar, queremos construir sobre ele imediatamente e estar lá antes da competição.

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No início de 1968 eu estava pronto para entregar o bastão para Fred Turner, e ele assumiu sem diminuir o passo. Como presidente e mais tarde diretor executivo, ele avançou com os programas que comecei e criou algumas variações dinâmicas.

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Eu acredito que se você pensar pequeno, você vai ficar pequeno.

O MiniMac inicial fez cerca de $70.000 brutos no primeiro mês. Mas depois de terem construído cerca de vinte e duas mini-unidades, algumas sem assentos e algumas com apenas 38 lugares, eles finalmente se cansaram dos meus gritos e cancelaram o programa. E é uma coisa muito boa que eles fizeram, porque esses minis foram convertidos em lojas regulares.

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Uma pessoa não precisa ser super inteligente ou ter mais do que o ensino médio, mas ela deve estar disposta a trabalhar duro e se concentrar exclusivamente no desafio de operar a loja.

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Alguns dias eu mal conseguia me locomover por causa da forma como a artrite estava distorcendo meu quadril. No entanto, a dor era preferível à ociosidade, e eu continuei me movendo apesar de Joni insistir em nos estabelecermos em nosso rancho. Ela adora lá. Eu também. Mas havia muitas coisas que eu queria fazer que não podiam ser realizadas a partir de uma cadeira macia.

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As pessoas às vezes me acusam de ser um tigre faminto por dinheiro. Isso não é verdade. Nunca fiz nada só por causa do dinheiro.

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Educação profissional, isso é o que este país precisa. Muitos jovens saem da faculdade despreparados para manter um emprego estável ou cozinhar ou fazer trabalho doméstico, e isso os deixa deprimidos. Não é de se admirar! Eles devem treinar para uma carreira, aprender a se sustentar e a desfrutar do trabalho primeiro.

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Outra área de interesse contínuo da empresa é o envolvimento da comunidade por meio de programas como a Ronald McDonald House, a Ronald McDonald Children, o apoio da Associação de Distrofia Muscular e uma campanha para prevenir o uso de drogas entre os jovens do país.

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Estou sonhando com coisas novas para as operações internacionais do McDonald’s. Steve Barnes, que dirigiu nosso crescimento no exterior, continua apresentando planos emocionantes, e pessoas do Japão à Suécia estão recebendo os Arcos Dourados.

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A realização deve ser feita contra a possibilidade de fracasso, contra o risco de derrota. Não é uma conquista andar em uma corda bamba colocada no chão. Onde não há risco, não pode haver orgulho na realização e, consequentemente, nenhuma felicidade. A única maneira de avançar é indo em frente, individualmente e coletivamente, com o espírito de pioneiro. Devemos correr os riscos envolvidos em nosso sistema de livre iniciativa. Não há outra maneira.

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 A felicidade não é uma coisa tangível, é um subproduto da realização.

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Desde que completou este livro em 1977 até morrer de insuficiência cardíaca em 14 de janeiro de 1984, aos 82 anos, Ray Kroc nunca deixou de trabalhar para o McDonald’s. Mesmo em seus últimos anos, quando estava confinado a uma cadeira de rodas, ele ainda ia ao escritório em San Diego quase todos os dias.

(Uma última nota. A história dos irmãos McDonald e Ray Kroc me lembra a comparação entre Steve Wozniak – o gênio técnico, capaz de projetar um computador – e Steve Jobs – o líder visionário capaz de mobilizar centenas de parceiros para produzir a Apple computers.)

Veja também:

Quarteirão com queijo (ideiasesquecidas.com)

Outros resumos:

Resumos Gratuitos (ideiasesquecidas.com)

Recomendações: o Estado independente e o Lápis

Duas recomendações de mídia.

  1. A incrível história da Ilha das Rosas

É a história de um engenheiro excêntrico (para não dizer totalmente maluco), que criou uma plataforma de 400 m² no mar, a 12 Km da cidade de Rimini, alguns metros além do limite territorial italiano.

A seguir, ele se autoproclamou presidente deste estado independente, e tentou conseguir reconhecimento das Nações Unidas. Em pouco tempo, centenas de pessoas começaram a visitar a ilha, e até a pedir cidadania neste país sem leis! O engenheiro acabou causando uma confusão enorme com as autoridades italianas… Vejam o filme para saber o final da história.

Apesar de completamente surreal, o filme é baseado numa história verdadeira!

Trailer:

Disponível na Netflix.

Imagem da plataforma real da Ilha das Rosas. Fonte: Mar sem Fim

Aventuras na História · Micro-nação no mar: a verdadeira saga por trás de ‘A Incrível História da Ilha das Rosas’, da Netflix (uol.com.br)

2) Eu, Lápis.

Nenhuma pessoa sozinha é capaz de fazer um lápis.

Para fazer um simples lápis, necessitamos de diversos materiais: madeira, grafite, borracha, metal.

“Imagine um cedro nascido da semente que cresce no nordeste da Califórnia e no estado do Oregon. Agora visualize todas as serras e caminhões e cordas e outros incontáveis instrumentos usados para cortar e carregar os troncos de cedro até a beira da ferrovia. Pense em todas as pessoas e suas inumeráveis capacidades que concorreram para minha fabricação: a escavação de minerais, a fabricação do aço e seu refinamento em serras, machados, motores: todo o trabalho que faz com que as plantas passem por vários estágios até se tornarem cordas fortes e pesadas; os campos de exploração de madeira com suas camas e refeitórios, a cozinha e a produção de toda a comida para os lenhadores. Milhares de pessoas têm participação em cada copo de café que os lenhadores bebem.”

Eu, Lápis, é um pequeno conto de Leonard Read. A animação abaixo tem 6 minutos e resume bem o texto, destacando a enorme especialização do trabalho dos dias atuais, e a não-existência de uma entidade central coordenando tudo.

https://www.mises.org.br/article/810/economia-em-um-unico-artigo%E2%80%94eu-o-lapis

Ficam as dicas, para esse recesso de fim de ano!