Ray Dalio sobre a Nova Ordem Mundial, a China e Previsões para o Futuro

Ray Dalio é o gestor do maior fundo de investimentos do mundo, a Bridgewater, tendo começado do zero. Ele é considerado o “Steve Jobs das finanças”.

Dalio publicou no final de 2021 o livro “Principles for Dealing with the Changing World Order”, sobre ciclos econômicos e a nova ordem mundial que está surgindo, incluindo alguns forecasts para o futuro.


Ele começa estudando a história econômica dos últimos 500 anos, em especial impérios como China, Grã-Bretanha, Holanda e EUA – o livro é também um amplo trabalho de pesquisa histórica.

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É com certeza o melhor livro publicado em 2021, obrigatório para quem lida com economia e finanças. É fantástico para entender em que pontos estamos no mundo e para onde provavelmente estamos indo.

Seguem alguns highlights, anotações minhas sobre poucos pontos, dentre o calhamaço de mais de 500 páginas. Para a visão completa, comprar o livro, que é repleto de gráficos e tabelas com suporte quantitativo às afirmações feitas no texto.

Sobre ciclos

Os grandes ciclos oscilam entre 1) períodos prósperos de grande produtividade e 2) depressões, revoluções, guerras. Os períodos de paz duram muito mais do que os de guerra, tipicamente uma razão de 5:1, por isso é possível dizer que os períodos de guerra são uma transição entre períodos de paz e criatividade.

Três grandes forças que modelam ciclos econômicos:

  1. O ciclo do débito de longo prazo e mercado de capitais. Em nenhum momento de nossas vidas as taxas de juros estiveram tão baixas ou negativas. Em 2021, mais de 16 trilhões de dólares de débito estavam em taxas de juros negativas e uma quantidade unusualmente alta de novo débito adicional será vendido para financiar déficits. Isso pode ser novo para nossas vidas, mas já aconteceu em outras ocasiões da história. O país que tem o poder de imprimir a reserva de moeda do mundo tem uma posição privilegiada. Atualmente, os EUA ocupam este posto, mas já isso já mudou várias vezes ao longo da história.
  1. O ciclo de ordem e desordem interna. Desigualdades de riqueza e valores estão no maior ponto, durante a minha vida. Estudando os anos 1930s e outras eras, a polarização alta e a economia em baixa antecendem conflitos de como dividir o bolo.
  2. O ciclo de ordem e desordem externa. Pela primeira vez na minha vida, os EUA encontram um rival de poder equivalente de verdade. A China se tornou um poder rival aos EUA e está se tornando mais forte e a um ritmo mais acelerado. Se a tendência continuar, a China se tornará mais forte nos aspectos que tornam um império dominante.

O débito é grande demais para ser pago em hard money, haverá impressão de dinheiro.

Nos próximos anos, o business cycle (períodos de bancos centrais estimulando e esfriando a economia) será a dinâmica mais importante.

O próximo problema econômico grande deve em menos tempo, uns 5 anos.

O desconhecido é muito maior do que o conhecido.

Sobre o futuro

Olhar para o passado ajuda a:

  • Estimar o que provavelmente vai acontecer
  • Proteger a mim e aqueles de que sou responsável no caso de eu estar errado

Sobre mexer com futuro, deve-se:

  • Perceber e adaptar
  • Definir probabilidades
  • Saber o suficiente para se proteger

Verificar situações similares, mesmo que não perfeitamente iguais.

Extrapolando o passados dos últimos 100 anos, por exemplo, é razoável estimar que nos próximos 10 anos:

  • população mundial 10% ~15% maior do que hoje
  • produtividade por pessoa 20% maior
  • riqueza por pessoa 30% maior
  • expectativa de vida 7.5% maior

Em 20 anos:

  • população mundial 20%~25% maior
  • produtividade por pessoa 45% maior
  • riqueza por pessoa 70% maior
  • expectativa de vida 15% maior

Processar tanta informação é muito para uma boa mente humana, mas não para humanos + computadores.

Existe forecasts que não dão certo, há mudanças de paradigma que ocorrem. Mesmo assim, pode ser útil para distinguir uma mudança de verdade ou apenas uma moda.

Sobre EUA X China

Todos impérios declinam e surgem outros para sucedê-lo.

Há 5 tipos de guerra:

  • Econômica / comercial
  • Tecnológica
  • Capital
  • Geopolítica
  • Militar

A maior rivalidade atual é entre EUA X China, utilizando os parâmetros acima. Ambos estão claramente nas 4 primeiras guerras listadas acima. Ainda não estão em guerra militar. Pelos estudo do passado, conflitos dessa natureza precedem guerras militares em 5 ~10 anos.
Uma guerra militar entre essas duas potências seria devastadora.

Por enquanto, EUA são mais poderosos, com a China crescendo. Para a China, qualquer movimento nesse sentido é melhor em momento futuro. A doutrina da Destruição Mútua Assegurada preveniu grandes conflitos entre potências nas últimas décadas, e deve demorar muito tempo para que a China tenha vantagem tão grande a ponto de não ser destruída também num conflito. Uma guera militar é devastadora tanto para perdedores quanto vencedores.

China é uma força irredutível em relação à Taiwan e EUA irredutível também em relação à Taiwan. É o maior ponto de risco entre ambos, olhando para 10 anos.

A tendência é a China intensificar desenvolvimentos econômico / comercial, tecnológico, capital e geopolítica. Gastos militares vem aumentando.

Risco de grande guerra militar é de 35% nos próximos 10 anos, segundo cálculo de Dalio.

Como colocar apostas nesse contexto?

Sucesso vem de saber lidar com o imprevisto, ao invés do que já conhece.

  1. De todas as possibilidades, conhecer o pior cenário e verificar formas de eliminar o intolerável.
    Não ser nocauteado em caso de problemas. Calcular as necessidades básicas, de forma a saber o quanto seria necessário. Como se proteger para garantir esse mínimo?
  1. Diversificar. É possível reduzir riscos em 80% sem reduzir retorno, com diversificação correta. É uma estratégia de vida, ter opções a adotar em caso de necessidade. Outra é colocar gratificação futura mais relevante do que gratificação presente. Outra é testar discussões de ideias com as pessoas mais inteligentes possíveis.

Sobre tecnologia e computadores

A tecnologia atualmente ajuda o homem a pensar.

Combinação entre computadores e humanos pode gerar melhorias em todas as áreas da vida.

Não ser capaz de ler código de computador vai ser equivalente a não saber ler e escrever.

Avanços e aumento de aplicações em computação quântica e inteligência artificial levarão a avanços inimagináveis em taxas de aprendizado e melhorias e trarão mudanças de riqueza global e poder. Serão mudanças em taxas diferentes nos próximos 5 a 20 anos, e serão uma das maiores fontes de mudança em riqueza e poder que o mundo já viu.

Computação quântica e inteligência artificial serão superiores aos computadores tradicionais tal como o computador é em relação ao ábaco.

Sobre outras tecnologias promissoras:

  • AI e Robótica
  • Health care
  • Edição de genes
  • Vacinas de RNA
  • Nutrição e remédios

Bastante otimista quanto ao futuro.

EUA no topo de métricas de inovação, seguido de perto pela China, que vem avançando a passos rápidos. Quem vencer corrida tecnológica também vence a corrida econômica e militar.

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Veja também:

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Ruído: Uma falha no julgamento humano

Daniel Kahneman é o economista comportamental mais respeitado do mundo, conhecido pelo grande público principalmente pelo livro “Rápido e Devagar – Duas Formas de Pensar”.

“Ruído: Uma falha no julgamento humano” é o seu novo livro, escrito com Olivier Sibony e Cass Sunstein, este último coautor de Nudge, outro best-seller do tema.


Há uma série de falhas no julgamento humano.

Um juiz cansado (digamos, no final do expediente) é mais rigoroso do que ele mesmo descansado.

Uma moça jovem e bonita tem mais chance de sofrer sanções leves do que um homem, nas mesmas situações.

Humor, stress, fatiga, tudo isso influencia em nossos julgamentos, no dia-a-dia.


Tendência e Ruído

Porém, nem todos os erros de julgamento são iguais. Os autores distinguem dois tipos principais: Tendência e Ruído (Bias and Noise).

O primeiro é um erro sistemático. Digamos, um preconceito, uma mulher não contratada por ser mulher.

O segundo é um erro não sistemático, aleatório. Variações de um julgamento pelo humor do juiz. Sentenças muito diferentes para a mesma situação.

O erro tipo ruído não é tão fácil de identificar, mas existe e afeta a vida de todos nós.

Onde há julgamento humano, há ruído.

O livro mostra uma série de falhas devido ao ruído. Juízes falham, médicos falham, especialistas falham.


Impressões digitais

Um caso que achei extremo. Nós achamos que análise de impressão digital em crimes é bastante científica, mas mesmo nesse caso, há uma parte de julgamento humano. Os autores citam um experimento, em que a mesma amostra foi apresentada ao mesmo especialista, diversos meses depois, e cerca de 15% dos veredictos mudaram!

Há maior tendência de erros em casos mais difíceis. E também há o efeito do “Viés confirmatório”, para adequar a impressão ao contexto do crime cometido.

O mesmo vale para exame de sangue, ossadas e até DNA. Sempre há ruído.


Especialistas

Os especialistas erram previsões. O pesquisador Philip Tetlock, após duas décadas de estudo, concluiu que especialistas não são melhores do que chimpanzés ao fazer forecast.

Prever futuro é difícil. O principal problema não é errar, mas achar que é possível predizer.

Há elite dos especialistas, os superforecasters. Estes conseguem performance consistentemente melhor, mas não muito, e apenas no curto prazo.

Um problema de forecast é que a intuição do ser humano cria histórias narrativas coerentes, consistentes com a sua visão de mundo e com os fatos que conhece.

E uma análise puramente baseada em dados, se sairia melhor?


Sobre modelos numéricos

Segundo estudos citados no livro, algoritmos numéricos superam opiniões de médicos, consistentemente.

Um dos casos citados, forecast de performance de executivos na contratação, teve desempenho 77 por cento melhor do que avaliação subjetiva do RH.

Regressões simples e múltiplas são alguns dos métodos citados.

Entretanto, mesmo tais modelos têm limites. Modelos complexos demais, digamos não-lineares e com milhares de variáveis, não levam a ganho em previsão. O gap entre modelos complexos e simples é pequeno, de forma que não há ganho em complicar demais.

Os modelos também não conseguem pegar casos excepcionais.

Princípio do perna quebrada. Em análise de dados, há eventos causais que um modelo pode não capturar. Ex. Quando alguém vai ao hospital, diminui chance de ir ao cinema. Neste caso, é possível intervir manualmente no modelo e forçar a relação.

Um dos sucessos da Inteligência Artificial moderna é descobrir, naturalmente esses “broken legs”. É a “Ignorância Objetiva”.


A Ilusão da Validade

Imagine um jornalista fazendo uma entrevista sobre problemas políticos no Brasil. O primeiro entrevistado é um analista político bem articulado, e o segundo, um analista bastante tímido. Quem terá mais credibilidade aos olhos do espectador?

Agora, imagine que, ao invés de problema político, a TV está passando um jogo de xadrez. Por que o analista bem articulado teria alguma relevância maior do que o analista tímido, somente pela forma de se expressar?


E o que podemos fazer para mitigar os efeitos do ruído?

Algumas dicas:

  • Chamar outras pessoas para opinar.

  • Colocar a própria decisão de lado por um tempo e repensar. Você não é o mesmo em todo momento. Reavalie.

  • Auditoria do ruído. Criar forma de medir precisamente as decisões, depois submeter novamente o caso depois de tempo e em outro contexto, a fim de medir a variabilidade do experimento.

  • Higiene de decisão: ter um processo disciplinado e estruturado para tomada de decisões. Proteger decisão de fatores externos. Dividir problema em pedaços menores. Solicitar o julgamento de várias pessoas, de forma independente, de modo que a decisão de um não influencie o outro. Utilizar checklists. Diminuir velocidade da intuição (o sistema 1), deixar o racional (sistema 2) trabalhar.

  • Introduzir algoritmos de suporte, para decisão em conjunto com um especialista.

Este e demais trabalhos de Daniel Kahneman desmascaram uma série de vieses de comportamento, que são como armas para nos defender ou serem utilizadas. Um “não” não é sempre “não”, pode virar um “sim” dependendo do contexto e do ruído associado ao momento. O livro apresenta uma série de dicas práticas, para utilização imediata, a fim de chegarmos a conclusões consistentes.

Começe agora!

Este resumo apenas arranha a superfície do texto. Adquira o livro em:
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Veja também:
https://ideiasesquecidas.com/2018/03/02/%e2%80%8bskin-in-the-game-pele-no-jogo-de-nassim-taleb/

Como (não) fraudar dados e falar sobre honestidade

Dan Ariely é um palestrante internacionalmente conhecido, autor de best seller sobre economia comportamental, figura carimbada em TED talks e tem até série na Netflix. Há alguns dias, pesquisadores investigativos publicaram evidências fortes de que um de seus estudos é fruto de fraude.

Como o autor de “A (honesta) verdade sobre a desonestidade” pode ter ele mesmo fabricado dados e conclusões? Ele e os demais envolvidos afirmam que também não sabiam da manipulação.

Independente ou não de má fé, sua imagem fica extremamente arranhada.

Vale muito a pena entender a análise investigativa completa. Foi um trabalho de “Sherlock Holmes” de informação, publicado no blog Data Colada: https://datacolada.org/98

Segue um resumo:

  • A tese de Ariely é de que assinar formulários prometendo honestidade antes de preencher os dados faz as pessoas serem mais honestas do que assinar só no final.

  • Essa tese levou diversos governos e empresas a mudarem seus formulários. O problema é que a conclusão não conseguiu ser replicada em estudos similares, o que levou os próprios autores a alertarem sobre o fato, e publicarem os dados crus do estudo original, de 2012.

  • Os dados originais eram de uma seguradora, e os clientes informavam a milhagem dos carros segurados (13.488 registros).

  • Uma distribuição comum de milhagem segue uma normal, já a distribuição de parte dos dados era mais parecida com uma uniforme, que pode ser facilmente gerada com um ‘randbetween’ do Excel.
(Figura do The Economist, sobre o artigo citado)
  • Todos os carros que apresentavam distribuição uniforme tinham valor abaixo de 50.000 milhas – o valor máximo foi 49.997. É extremamente implausível que uma distribuição até 50 mil tenha alta frequência, e não haja nenhum valor maior (ou seja, foi algo como um ‘randbetween 50.000’). Os investigadores também garantem que não teve um corte para gerar o gráfico, são os dados brutos que estão estranhos mesmo.

  • Quando uma pessoa preenche um formulário desses, ou ela realmente consulta o odômetro e anota certinho, ou dá uma arrendondada de cabeça. A frequência de números arredondados, terminando em zero, tende a ser maior. Nas bases do próprio estudo, uma base realmente tinha maior frequência em números terminando em 0. Porém, outra base tinha igual frequência em todos os dígitos (de novo, o randbetween é uma explicação fácil).
Estudo do site Data Colada
  • A fonte utilizada na tabela estava diferente, como explica este resumo da revista The Economist, baseada no artigo.
Figura da revista The Economist, sobre o artigo

Não dá para afirmar que Ariely propositalmente manipulou dados, mas algo que ele deveria ter feito, minimamente, era analisar a consistência dos mesmos.

Algumas lições, para quem trabalha com dados:

1) Nunca, de forma alguma, crie informações falsas.

2) Tenha sempre as bases de dados e o racional auditáveis.

3) Conheça bem as informações que tem, faça checagens de consistência.

Por fim, uma ótima reflexão de Sílvio Meira. Os dados não são o “novo petróleo”. Estão mais para “novo urânio”. Isso porque os dados devem ser tratados, refinados, e atingir massa crítica para gerar valor, e o descarte é um perigo, para o negócio e para o ecossistema.

Links:

https://www.timesofisrael.com/claims-swirl-around-academic-ariely-after-honesty-study-found-to-be-dishonest/amp/

https://www.economist.com/graphic-detail/2021/08/20/a-study-on-dishonesty-was-based-on-fraudulent-data

https://www.economist.com/graphic-detail/2021/08/28/how-data-detectives-spotted-fake-numbers-in-a-widely-cited-paper

Exploit x Explore

Eis um conceito bem legal, porém difícil de traduzir para o português.

  • O “Explore” seria explorar, no sentido de desbravar novos horizontes, testar novos caminhos. Seria algo horizontal, ver coisas diferentes, descobrir.
  • O “Exploit” seria explorar, no sentido de aproveitar, usar a fundo algum recurso. Seria algo vertical, usar a mesma coisa o máximo possível.

Imagine um jantar em restaurantes como exemplo. Podemos procurar novos restaurantes, sob o risco de dar o azar de escolher um lugar ruim. Ou podemos ir no conhecido e garantido, sob o risco de perder a chance de conhecer algum melhor.

Quando usar o “explore” ou o “exploit”? Há um claro tradeoff.

Uma forma de decidir é conhecendo os recursos disponíveis.

Se queremos conhecer uma cidade nova, temos muito tempo à disposição, o “explore” é interessante para obter conhecimento.

Já numa situação oposta, onde não podemos errar, ou nos últimos dias da viagem, é melhor usar o “exploit”, colher os frutos do conhecimento obtido.

Intuitivamente, já fazemos isso.

O problema é fazer o oposto: não explorar quando temos recursos à disposição, ou arriscar quando temos menos margem de erro.

Aí eu lembro uma vez que fui ao Canadá, em 2006, e estava louco para explorar aleatoriamente a bela cidade de Quebec. Porém, o colega que foi comigo (e era o líder da missão), resolveu almoçar no… McDonalds! Zero espírito aventureiro.

O Almanaque de Naval Ravikant – versão áudio

Naval Ravikant é empreendedor e investidor no Vale do Silício.

Recentemente, saiu uma versão áudio de sua coletânea de frases, compiladas por um seguidor.

Naval tem uma habilidade imensa para condensar conceitos em poucas palavras e gerar uma pérola de pensamento.

Podcast no Spotify – https://open.spotify.com/episode/4QOuLcq4zJzTH7AgHEOATX

Versão Audible: https://www.audible.com/pd/The-Almanack-of-Naval-Ravikant-Audiobook/1544517882

Dica: Leia o livro, ouça o áudio, coloque em prática, releia o livro, reouça o áudio, coloque em prática, quantas vezes quanto necessário.

Uma seleção de frases de Naval

Não é realmente sobre trabalho duro. Você pode trabalhar num restaurante 80 horas por semana, e não ficará rico. Ficar rico é sobre saber o que fazer, com quem fazer junto, e quando. É mais sobre entender do que puramente trabalho pesado.

Se você ainda não sabe no que deveria trabalhar, o mais importante é descobrir. Você não deveria fazer um monte de trabalho duro se não souber.


Fuja da competição através da autenticidade.

Basicamente, quando você está competindo com outros, é porque você os está copiando, está tentando fazer o mesmo. Porém, todo ser humano é diferente. Não copie.

O pior resultado desse mundo é não ter autoestima. Se você não se ama, quem irá fazê-lo?

Não se leve tão a sério. Você é apenas um macaco com um plano.

Para mim, a felicidade não é sobre pensamentos positivos. Também não é sobre pensamentos negativos. É sobre a ausência de desejo, especialmente a ausência de desejos externos.

O mundo apenas reflete seus próprios sentimentos de volta para você. A realidade é neutra. A realidade não faz julgamentos.

Sobre startups

Há demanda global ilimitada pela mentalidade de fundador.

As startups não morrem quando acaba o dinheiro, mas quando acaba a energia dos fundadores.

Na corrida olímpica das startups, o primeiro lugar consegue o monopólio, o segundo consegue uma medalha, e não há terceiro lugar.

Antes de procurar um produto ideal para o mercado, assegure que tem paixão pelo produto. É uma longa jornada.

Empreendedores procuram pela “ideia”, a isca que os prendem pelos próximos 5 anos. Em que prisão você gostaria de estar? O que você ama fazer?

Quando construindo uma startup, a microeconomia é fundamental e macroeconomia é entretenimento.

A realidade é que a vida é um jogo de um único jogador. Você nasceu sozinho. Você vai morrer sozinho. Todas as suas interpretações estão sozinhas. Todas as suas memórias estão sozinhas. Em três gerações, você e as lembranças de você se vão e ninguém se importa. Antes de você aparecer, ninguém se importou.

Sobre paz e felicidade

Cada segundo seu neste planeta é muito precioso, e é sua responsabilidade ter certeza de que você está feliz e interpretar tudo da melhor maneira possível.

Eu não ando com pessoas infelizes. Eu realmente dou valor ao meu tempo nesta Terra. Eu leio filosofia. Eu medito. Eu ando com pessoas felizes.

Se você não se vê trabalhando com alguém para a vida toda, não trabalhe com eles por um dia.

Não há legado. Não há nada para deixar. Todos nós vamos embora. Nossos filhos terão ido embora. Nossos trabalhos serão pó.

“Não tenho tempo” é apenas outra maneira de dizer “Não é prioridade”.

Para ter paz de espírito, você tem que ter paz de corpo primeiro.

Seja impaciente com ações, paciente com resultados.

Se há algo que você quer fazer mais tarde, faça agora. Não há “mais tarde”.

Na verdade, não há nada além deste momento. Ninguém nunca voltou no tempo, e ninguém nunca foi capaz de prever o futuro com sucesso de qualquer maneira que importa.

Valorize seu tempo. É tudo o que você tem. É mais importante que seu dinheiro. É mais importante que seus amigos.

Não gaste seu tempo fazendo outras pessoas felizes. Outras pessoas sendo felizes é problema delas.

Sobre riqueza

1) Busque riqueza, não dinheiro ou status. A riqueza é ter ativos que rendem enquanto você dorme. Dinheiro é como transferimos tempo e riqueza. Status é seu lugar na hierarquia social.

2) Você não vai ficar rico alugando seu tempo. Você deve possuir equities – um pedaço de um negócio – para ganhar sua liberdade financeira.

3) Você vai ficar rico dando à sociedade o que ela quer, mas ainda não sabe como conseguir. Ou seja, agregando valor de verdade. Em escala.

4) Escolha uma indústria onde você pode jogar jogos de longo prazo com pessoas de longo prazo.

5) A Internet ampliou maciçamente o possível espaço de carreiras. A maioria das pessoas ainda não descobriu isso.

6) Jogue jogos iterados. Todos os retornos na vida, seja em riqueza, relacionamentos ou conhecimento, vêm de juros compostos.

7) Escolha parceiros de negócios com alta inteligência, energia e, acima de tudo, integridade.

8) Não faça parceria com cínicos e pessimistas. Suas crenças são profecias autorrealizáveis.

9) Aprenda a vender. Aprenda a construir. Se você pode fazer as duas coisas, você será imbatível.

10) Não há esquemas ricos rápido. É só outra pessoa ficando rica usando você.

11) Não há uma habilidade chamada “negócios”. Evite revistas de negócios e aulas de negócios.

12) Conhecimentos específicos são muitas vezes altamente técnicos ou criativos. São aqueles que não podem ser terceirizados ou automatizados.

13) Alavancagem é um multiplicador de forças. A alavancagem dos negócios vem de capital, pessoas e produtos sem custo marginal de reprodução (ex. código e mídia).

14) Abrace a responsabilidade e arrisque os negócios com seu próprio nome. A sociedade irá recompensá-lo.

15) Trabalhe o máximo que puder. Com quem você trabalha e no que trabalha são mais importantes do que apenas trabalhar duro.

16) Defina um custo da hora do seu trabalho. Se um problema economizará menos do que seu custo horário, ignore-o. Se terceirizar uma tarefa custará menos do que sua taxa horária, terceirize-a.

17) A criação de riqueza ética é possível. Se você secretamente desprezar a riqueza, isso vai iludi-lo.

18) Torne-se o melhor do mundo no que você faz. Continue redefinindo o que você faz até que isso seja verdade.

19) Quando você finalmente for rico, você vai perceber que não era o que você estava procurando em primeiro lugar. Mas isso é para outro dia.

Veja também:

“Lições da história” – Will e Ariel Durant

“Lições da história”, de Will e Ariel Durant, é um dos meus livros favoritos. É pequeno, com cerca de 100 páginas, porém apresenta uma série de ideias contundentes e afirmações fortes.

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Este livro é um resumo das principais conclusões dos autores, analisando 100 séculos de história da humanidade. Eles escreveram uma das coleções mais aclamadas do mundo: A história da civilização, com 11 volumes e mais de 10 mil páginas!

Fiz um resumo no formato “cheat sheet”, uma planilha bizurada. Está disponível para download no link a seguir.

https://1drv.ms/x/s!Aumr1P3FaK7jnwzI1R3zqHUzUZGp

Veja também:

Recomendações de livros para um jovem em início de carreira (ideiasesquecidas.com)

​Recomendações de livros para recém-formados (ideiasesquecidas.com)

Pirâmide demográfica

Um dos sites mais interessantes que conheço é o Population Pyramid, sobre demografia mundial:

Population of WORLD 2019 – PopulationPyramid.net

Seguem alguns dos gráficos.

A superpopulosa China está envelhecendo, em parte devido à política do filho único iniciada 40 anos atrás (observe o “dente” na faixa dos 40 anos do gráfico).

O pico populacional será por volta de 2030, com aproximadamente 1,5 bilhão de pessoas.

A Índia, outro gigante mundial, ainda tem a pirâmide populacional parecendo levemente uma pirâmide, mas o número de filhos vem diminuindo. O pico ocorrerá por volta de 2055, com 1,6 bi de habitantes! Ou seja, a Índia será mais populosa do que a China, em futuro próximo.

E o Brasil?

Pelo gráfico, vem envelhecendo, aos poucos. Vai manter por bastante tempo em torno de 200 milhões de habitantes.

Os EUA têm um perfil esbelto, e vai continuar crescendo segundo as projeções.

A África tem o gráfico parecido com um pirâmide. Populações com menor desenvolvimento econômico apresentam perfil semelhante.

Já a Europa, envelhecida:

O site também permite voltar para o passado e ir para o futuro. Vejamos o BR. Nota-se claramente o efeito de envelhecimento da população.

Muito estranho é o caso de países asiáticos, como o Japão, onde as pessoas estão tendo menos filhos do que o número mínimo de reposição. Ou seja, a tendência é de envelhecimento e diminuição da população!

No Japão de hoje, já existem situações de escolas vazias por falta de alunos.

O mesmo ocorre com a Coreia do Sul, envelhecendo e decrescendo populacionalmente.

O grande Peter Drucker dizia que demografia o futuro que já aconteceu, é como uma bomba-relógio!

Quase todo o mundo desenvolvido terá que conviver com populações envelhecidas e poucos filhos.

E, por fim, o mundo como um todo deve continuar crescendo continuamente, até estabilizar perto de 10 bilhões de pessoas em 2100!

O gráfico do sucesso e o gráfico da felicidade

Um professor que tive, há muito tempo, relatou o encontro de 20 anos de formado da sua turma. A conversa era sempre algo do tipo: “E aí, há quanto tempo! Olha só, quanto você está ganhando?”

Hoje, na minha vez de ter quase tanto tempo de formado, vejo que o comentário do professor estava correto. A pergunta não é tão explícita assim, mas envolve de alguma forma status e comparações sociais.

Lembra bastante o “Gráfico do sucesso” abaixo. Para cada faixa de idade, existem as “conquistas” desejadas, e para a faixa da meia-idade, dinheiro e status social são destaque.

Porém, mais importante do que o “Gráfico do sucesso”, é o “Gráfico da felicidade”. É basicamente a mesma curva, porém ao contrário.

Ironicamente, somos mais felizes quanto mais jovens ou mais velhos, quando não temos expectativa de nada. Quanto mais conseguimos, mais infelizes somos.

Justamente o ponto mais baixo da felicidade é quando temos tudo de tudo: ainda jovem o suficiente, com família, economicamente ativo, já em posição madura em sua ocupação…

O desafio é fazer justamente o oposto do que todo mundo faz. Quando no auge do gráfico do sucesso, não buscar mais dinheiro ou status, e sim, desfrutar do que tem, aproveitar a família e amigos, ler e viajar (difícil atualmente), e, principalmente, dedicar esforços em alguma contribuição legal a deixar como legado para as pessoas, seja um blog com ideias espertas, seja trabalho voluntário, ou alguma outra contribuição. Pelo menos, é assim que penso.

Trilha sonora: The Beatles – Money

Veja também:

Clubhouse para Android

A rede social de áudio, ClubHouse, acabou de ser lançada para Android.

Eu estava na lista de espera, e o mesmo baixou automaticamente de ontem para hoje.

Eu gosto de ver o mesmo como uma plataforma de conferências em áudio, sobre temas bastante especialistas. Seja Blockchain, Startups, Economia, sempre tem algum grupo interessante para acompanhar.

É puramente áudio, o que para mim é sensacional – não aguento mais reuniões por Zoom ou Teams.

Tenho uns 5 convites, para quem quiser experimentar. Update: não tenho mais convites, acabaram rapidinho.

Conheça o maior proprietário de terras agrícolas dos EUA

Em janeiro, a revista americana The Land Report, maior publicação sobre o mercado das terras nos Estados Unidos, revelou que Bill e Melinda Gates acumularam o maior portfólio de terras agrícolas privadas dos Estados Unidos.

Link: https://revistapegn.globo.com/Administracao-de-empresas/noticia/2021/04/bill-gates-explica-motivo-de-ser-o-maior-proprietario-de-terras-agricolas-nos-eua.html

Segundo Gates, o motivo foi a ciência de sementes e biocombustíveis, em linha com suas iniciativas de sustentabilidade ecológica.


Uma reflexão. Bill Gates pode até ter comprado terras para desenvolver sementes  superprodutivas, como afirma. Porém, assim, ele também maximiza o impacto do próprio nome. Daqui a 100 anos, talvez 200 anos, ainda vamos estar ouvindo sobre a fundação Bill Gates.

Fosse a preocupação só desenvolver sementes, ele poderia ter arrendado terras, por exemplo.

Propriedade de terras é como a força da gravidade. Em curta distância, perde facilmente para força elétrica. Mas, a longas distâncias, a gravidade continua atuando, regendo o movimento das estrelas e galáxias.

Com terras, a mesma coisa. A curto prazo, investimentos outros ganham, a longo prazo, você vai estar podendo plantar em cima da terra daqui a 100 anos.

Análise de risco, do jeito que a gente faz, só funciona a curto prazo. A médio e longo prazo, fica cada vez mais impossível prever. Essas análises passam a ser mais qualitativas do que quantitativas.

E o pior, a curto prazo, fazendo as contas, vai dar que temos que vender a terra para ficar com o dinheiro.

Uma empresa movida a EBITDA trimestral nunca vai conseguir justificar um investimento que vai demorar dezenas ou centenas de anos para se pagar, embora seja exatamente essa a chave para sobreviver dezenas ou centenas de anos.

Ser movido a curto prazo vai dar certo por um bom tempo, até chegar o dia em que vai dar errado…

Como diz o ditado, “Quem compra terra, não erra”.

Veja também:

Recomendações: o Estado independente e o Lápis

Duas recomendações de mídia.

  1. A incrível história da Ilha das Rosas

É a história de um engenheiro excêntrico (para não dizer totalmente maluco), que criou uma plataforma de 400 m² no mar, a 12 Km da cidade de Rimini, alguns metros além do limite territorial italiano.

A seguir, ele se autoproclamou presidente deste estado independente, e tentou conseguir reconhecimento das Nações Unidas. Em pouco tempo, centenas de pessoas começaram a visitar a ilha, e até a pedir cidadania neste país sem leis! O engenheiro acabou causando uma confusão enorme com as autoridades italianas… Vejam o filme para saber o final da história.

Apesar de completamente surreal, o filme é baseado numa história verdadeira!

Trailer:

Disponível na Netflix.

Imagem da plataforma real da Ilha das Rosas. Fonte: Mar sem Fim

Aventuras na História · Micro-nação no mar: a verdadeira saga por trás de ‘A Incrível História da Ilha das Rosas’, da Netflix (uol.com.br)

2) Eu, Lápis.

Nenhuma pessoa sozinha é capaz de fazer um lápis.

Para fazer um simples lápis, necessitamos de diversos materiais: madeira, grafite, borracha, metal.

“Imagine um cedro nascido da semente que cresce no nordeste da Califórnia e no estado do Oregon. Agora visualize todas as serras e caminhões e cordas e outros incontáveis instrumentos usados para cortar e carregar os troncos de cedro até a beira da ferrovia. Pense em todas as pessoas e suas inumeráveis capacidades que concorreram para minha fabricação: a escavação de minerais, a fabricação do aço e seu refinamento em serras, machados, motores: todo o trabalho que faz com que as plantas passem por vários estágios até se tornarem cordas fortes e pesadas; os campos de exploração de madeira com suas camas e refeitórios, a cozinha e a produção de toda a comida para os lenhadores. Milhares de pessoas têm participação em cada copo de café que os lenhadores bebem.”

Eu, Lápis, é um pequeno conto de Leonard Read. A animação abaixo tem 6 minutos e resume bem o texto, destacando a enorme especialização do trabalho dos dias atuais, e a não-existência de uma entidade central coordenando tudo.

https://www.mises.org.br/article/810/economia-em-um-unico-artigo%E2%80%94eu-o-lapis

Ficam as dicas, para esse recesso de fim de ano!

Como ler 300 resumos por ano (de graça e de forma legal)

Bom, na verdade, o correto é “como ouvir” 300 resumos de livro por ano (de graça e de forma legal).

O segredo são serviços comerciais de resumos de livros. Conheço três: o 12 min, Blinklist e o Instalivros.

Todos os três serviços dão uma amostra grátis por dia. Um livro diferente a cada 24h, variando o assunto aleatoriamente: negócios, biografia, economia, finanças.

Os resumos são muito bons, capturando pontos principais dos livros. Em geral, são resumos que cabem em 12 min, mas alguns chegam a quase 30 minutos. Não é nada em grande profundidade, porém, é o suficiente para ter uma boa ideia dos temas discutidos, relembrar livros já lidos e avaliar se vale uma leitura mais profunda.

Gosto mais dos americanos 12 min e Brinklist. O acervo é maior e os resumos melhores do que o brasileiro Instalivros (que também é bom, sem dúvida).

Ou seja, tendo a disciplina para ouvir um resumo de cada por dia, já são 3 no dia. Nesses tempos de pandemia e home-office, assumi o hábito de ouvir esses resumos logo pela manhã, no intervalo de descanso entre tarefas.

Tento fazer essa rotina todos os dias, mas nem sempre é possível, e de vez em quando o livro é de um assunto que não interessa. Calculo que, em média, devo ter ouvido o equivalente a 300 resumos/ano, adotando a técnica citada. Nada mau.

Lembrando que resumos têm uma utilidade resumida. Eles são apenas uma boa introdução.

Para ninguém me chamar de pão-duro (o que é verdade de certa forma), em período de férias, eu assino um desses serviços, afinal, tenho mais tempo.

Eis aí uma boa dica de produtividade. Aproveitem.

Veja também:

Produtividade (ideiasesquecidas.com)

Produtividade em áudio (ideiasesquecidas.com)