O seu Raul entende muito de economia

O seu Raul é um tiozinho que vende pacotes de amendoim na saída de uma das fábricas em que trabalho.

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O preço do pacotinho permaneceu em R$ 2,50 por um bom tempo, até que, um dia, ele aumentou para R$ 3,50.

– O que houve, seu Raul?
– É a inflação, meu filho. É a inflação.

Na semana seguinte, o preço caiu para R$ 3,00.

– O que houve, seu Raul?
– Eu não estava vendendo nada. É o livre-mercado, meu filho. O mercado.

Tenho certeza que o seu Raul entende muito mais de economia do que muito economista formado!

 

“I é letra de índio que todos julgam iletrado, mas índio é mais sabido do que muito doutor formado” – Mário Quintana.

Festinha de aniversário e corrupção, tudo a ver

“Este país não vai para frente mesmo” – foi o que eu pensei no dia. Este episódio ocorreu quando eu trabalhava no serviço público, há muitos anos, mas certamente continua muito atual.

De tempos em tempos, a seção em que eu trabalhava fazia uma festinha para os aniversariantes do trimestre. Algo simples, alguns salgados e refrigerantes. A secretária recolhia uns 10 reais de cada um, com alguns dias de antecedência. No dia da festinha, normalmente meia hora da sexta à tarde, a gente juntava algumas mesas, fazia a comemoração, batia um papo, e pronto. Era uma festinha interna, mas de vez em quando, alguns colegas mais chegados de outras seções apareciam também.
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Entretanto, aquela vez foi diferente. A secretária passou cobrando 50 reais de cada um. Não explicou o motivo, disse apenas que o chefe da área tinha pedido. Lembrando que 50 reais na época deveria ser uns 80 reais de hoje. Ok, pensei. Deve ser alguma coisa especial – melhor para mim, já que o meu aniversário também era neste trimestre. O dia e o horário marcados também eram diferentes, ao invés da tradicional sexta final da tarde, um dia da semana no meio da tarde. Ok, tenho coisas mais importantes para me preocupar, pensei.

Chegando no dia, mais coisas estranhas. Ao invés de duas ou três mesas, juntaram várias. E, numa mesa, havia uma série de presentes grandes. Em outra mesa, pacotes de presentes bem menores.

Chegando próximo à hora combinada, começou a chegar gente de outras seções: alguns figurões, pessoas de alta patente. Muito estranho…

Na mesa, os mesmos salgados e refrigerantes de sempre. A única coisa diferente era que tinha um bolo. Ficava a dúvida: para que cobrar tão caro para ser a mesma coisa, o equivalente aos 10 reais de sempre?

Então, teve início a cerimônia. O chefe de nossa seção começou o discurso, focando em citar o aniversário de um figurão em particular. E começou a distribuir os presentes expostos na mesa, seguindo rigorosamente a hierarquia, do grandão ao pequeno. Como eu estava iniciando no serviço, obviamente eu era muito pequeno, e o presente que me deram também – algo inútil, um souvenir qualquer, que ainda tinha um cartão com uma mensagem motivacional, para lembrar o quanto eu era importante para o sistema… Quanto aos pacotes grandes, não sei e nem quero saber o que tinha.

Felizmente, esta demonstração de puxa-saquismo com o dinheiro alheio não ocorreu mais. Ficou tão explícito, tão mal disfarçado, que pegou mal.

De qualquer forma, é impressionante que alguém possa pensar que é legal fazer algo assim, mesmo que apenas uma vez.

Felizmente também, nos meus muitos anos na iniciativa privada, nunca mais vi algo assim. Talvez este país ainda tenha esperança, no final das contas…

O ouro do Reno

Smeagol

A cada 10 anos mais ou menos, tenho o desprazer de encontrar um sujeito que só fala de dinheiro. Vou identificá-lo como “Smeagol” neste texto.

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O Smeagol chega e já começa a falar de dinheiro. Reclama que não tem dinheiro para nada. Fala sobre algum projeto mirabolante (para ganhar o precioso dinheiro), mas a seguir recorda que não tem verba para tal. Comenta que “a vida de fulano é boa, porque ele tem muito dinheiro”, ou que “beltrano comprou um Corolla novo”. Depois, pergunta sobre as minhas filhas, e onde elas estudam – pergunta a mensalidade. Finaliza perguntando quanto eu ganho…

Seu lema:

“Não quero ser feliz, quero ser rico”.

Mas poderia ser:

“Precious”, “My precious…”

Fico me imaginando o que aconteceria se ele ganhasse na Mega-Sena. Será que entraria em depressão, por não ter mais objetivo a atingir? Ou continuaria a tentar perseguir mais dinheiro?


 

Meio de troca

A definição básica de dinheiro, segundo qualquer livro de Economia: meio de troca, reserva de valor e unidade de medida. Nós, seres humanos, nos distinguimos de outros animais porque produzimos coisas úteis e trocamos uns com os outros. Aproveitamos as vantagens competitivas de cada um para nos especializarmos em fazer mais, melhor e mais barato, e depois trocamos os produtos finais com nossos semelhantes. Um produz limão, outro laranja, depois eles trocam um pouco de cada entre si – e o lugar onde isto acontece é o mercado.

À medida em que o mundo foi ficando mais complexo, ficamos cada vez mais especialistas, e cada vez mais difícil fazer as trocas. Como um analista de controladoria trocaria seus serviços contábeis por um quilo de laranja? A forma natural que surgiu para permitir tais trocas foi o dinheiro: um meio de troca aceito entre todos do mercado, uma unidade de medida que quantifica o quanto vale o trabalho do analista e quanto vale um quilo de laranja, e uma forma de guardar este valor para o futuro, se a pessoa não quiser fazer a troca agora.

Portanto, Smeagol, o dinheiro é um meio de troca, não um fim em si. E a soma daquilo que recebo na troca tem que ser equivalente ao que produzo, não posso receber sem produzir.

 


 

Alberich e Smeagol

Smeagol é um personagem da história “O Senhor dos Anéis”.

Mas Tolkien provavelmente se inspirou em outras histórias. Na mitologia germânica, que é milenar, um anão horripilante e ganancioso, Alberich, roubou o ouro guardado pelas fadas do Reno e transformou num anel, o seu precioso anel dos Nibelungos.

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O compositor Richard Wagner recontou esta história, numa ópera chamada “O Anel dos Nibelungos”.

Conclusão: não é de hoje que o precioso ouro cria os seus Smeagols.

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​O economista que sabia javanês

Castelo encontrou um amigo, num dos bares do Rio de Janeiro. Estava de férias, de volta ao Brasil após um ano no exterior. Estava numa bela situação financeira e não media esforços para ostentá-la: roupas, sapato, relógio da melhor qualidade.

Após algumas cervejas e muito papo furado, o amigo perguntou como ele tinha conseguido chegar onde chegou.

Castelo, todo cheio de si, contou a sua história.

Ele vivia em estado de eterna penúria, fugindo de pensão em pensão, até que um golpe de sorte mudou a sua vida. Num congresso de economia, de última hora um palestrante faltou. Um conhecido dele sabia que ele era um bom contador de histórias, e o chamou para cobrir a vaga. “Nem sei muita coisa de economia, mas vamos lá, pensou”. Deu uma lida na definição de economia e dormiu em cima do livro.

Chegando no palco, ele começou a descrever exatamente a definição que ele tinha decorado. Cinco minutos depois, já não tinha o que falar, e começou a se desesperar. Daí, começou a inventar coisas. Falou que era um profundo conhecedor da experiência econômica na ilha de Java.

Na ilha de Java todo mundo é rico. Todo mundo tem direito a um iphone, mas apenas um, por pessoa.

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Eles conseguem isto a partir de uma distribuição justa de renda: os ricos financiam os pobres, de modo que todos têm a mesma renda.

Ele tinha ouvido falar de Keynes, na faculdade, algo como os gastos públicos são bons em épocas de crise. Então, se é bom, que tal se todos os gastos fossem públicos? Para todos os gastos serem públicos, todas as empresas têm que ser públicas e todo o emprego, público. Todos são empregados do estado, que garante a regra da “tigela de ferro” para todos.

A “tigela de barro” é o mundo capitalista. Cada um por si, mercado livre. A “tigela de ferro” é o sistema social da ilha: o governo cuida de todos, previdência garantida, emprego garantido. É claro que há limitações. Se o estado é responsável pela alocação do emprego de todos, possivelmente nem todos teriam a escolha do emprego, é o estado que definiria o melhor papel de cada um, como uma engrenagem numa grande máquina.

E todos eram muito felizes, iguais e bem alimentados.

Sendo todos felizes, eles tinham a melhor educação do mundo. Também a melhor saúde do mundo.

Ninguém comete crimes, se o fizerem, basta uma conversa séria dos sociólogos da ilha para eles voltarem ao normal. Portanto, não há prisões, apenas direitos humanos.

O ouro é utilizado apenas para o comércio com o exterior. Dentro da ilha, todos desprezam o ouro e outros ganhos materiais. Para simbolizar isto, o ouro é utilizado para fazer o vaso sanitário das casas da ilha, literalmente cagam no ouro.

Há cotas para todos os cargos e profissões, representando exatamente a extratificação racial da sociedade.

Na ilha de Java, todos são amigos, e já são dois mil anos de prosperidade.

Fecha aspas.

Com este discurso, Castelo ganhou notoriedade nos jornais ideológicos. Passou a ser celebridade, constantemente convidado a participar de debates, escrever livros e artigos. Sempre repetia a mesma história, do começo ao fim. Quando questionado, era só falar que em Java, funciona.

Ganhou o apoio do ministro da fazenda. Virou celebridade na internet. Ganhou uma coluna numa revista ideológica, onde criticava o capital, a ganância, os empresários. Almoçou com o presidente da República.

Na cara de pau, copiou o símbolo da linguagem Java como símbolo de sua coluna. Java é uma linguagem de programação, cujo nome veio de um café produzido na ilha de Java.

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Um dia, a imprensa descobriu um marinheiro que realmente era javanês, e queriam entrevistá-lo. Castelo suou frio, temendo ser desmascarado. Mas, o destino quis que ele continuasse o seu teatro. O tal marinheiro não falava inglês nem qualquer outra língua inteligível. Então, o próprio Castelo foi chamado para ser o tradutor. Ele decorou duas frases no malaio javanês: “Bom dia” e “diga mais sobre você”. E na entrevista inteira, o que ele “traduziu” para o português foi exatamente a mesma história que já fora contada inúmeras vezes.

E assim, de cargo político em cargo político, hoje ele é embaixador brasileiro nas ilhas do Pacífico. Ele é a prova viva de que o paraíso social, em Java, funciona.

Terminaram a conversa com um brinde a todos os brasileiros, a todos os javaneses e a todos os (ingênuos) que acreditaram em sua história.


 

Referências

O homem que sabia javanês – Lima Barreto

A Utopia – Thomas More

 

 

A cota para japoneses na Seleção Brasileira de Futebol

Nunca é tarde para corrigir uma injustiça histórica!

E a injustiça à que me refiro é a completa e total ausência de brasileiros de origem asiática na Seleção Brasileira de Futebol! Cotas já!

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A imigração japonesa ao Brasil teve início no começo dos anos 1900. Era um período turbulento, logo após a proclamação da República do Brasil (15/11/1889), em que a escravatura formal tinha sido abolida, mas começava uma escravatura informal: a de povos imigrantes de outros lugares do mundo, para trabalhar na lavoura do café e de outras culturas, em condições análogas à escravidão.

Hoje estamos entre a quarta e quinta geração de descendentes de japoneses no Brasil. Estes representam mais ou menos 1% da população total brasileira. Ao longo dos últimos 100 anos, estes contribuíram magnificamente para a construção do Brasil, com o seu  sangue, suor e lágrimas. Também ajudaram a difundir a cultura oriental, como o tofu, o sushi, o sashimi, Jaspion e Changeman.

Porém, na história do futebol brasileiro, não há um único representante nipo-brasileiro convocado para a Seleção. Ao longo da gloriosa e exitosa trajetória da seleção canarinho no mundo, vimos Pelé, Garrincha, Sócrates, Zico, Romário, Bebeto, Ronaldo, Rivaldo, Kaká, Neymar, mas nenhum ídolo representando os sofridos descendentes japoneses. Pelo percentual, 1% daria um representante a cada 100. Mas o que temos é zero representantes, dentre uns 1000 que já vestiram a camisa. É isto justo?

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A mesma situação ocorre nos clubes da série A. Não há descendentes de japoneses em Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Grêmio, Internacional, ou em outro grande clube, olhando o Brasil de ponta a ponta. Pior ainda, a discriminação é tanta, que nem clubes menores, da série B ou C, contam com parcela expressiva de jogadores de origem nipônica.
Os últimos de que me lembro, se é que ainda estão na ativa, são os grandes craques Sandro Hiroshi e Rodrigo Tabata.

 

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Sandro Hiroshi
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Rodrigo Tabata

Também tinha um tal de Zhizhao no Corinthians, mas este era chinês nato, não descendente (portanto não elegível a cotas), além disso era apenas uma ação de marketing. Era um perna-de-pau completo, jogar que é bom, nada.

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Uma cota é uma ação afirmativa com o objetivo de corrigir desigualdades históricas.

As cotas na seleção brasileira serviriam para minimizar a diferença de oportunidades. Seria mais justo Sandro Hiroshi competir com o estrelato de Neymar se os dois fossem convocados igualmente para a seleção.

Outro argumento é que um jogador cotista não teria a qualidade de um Neymar, ou algum outro jogador de ponta. Besteira. Se for o caso, a CBF poderia oferecer aulas de nivelamento de futebol aos cotistas. Além disso, todos nascem iguais, não? Segundo o princípio da igualdade, definido no artigo 5º da Constituição, “todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza”.

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Sei que o ideal seria estimular os descendentes de japoneses a se destacarem nas divisões de base dos clubes, mas isto demoraria algumas décadas para surtir efeito. O uso de cotas permitiria que esta injustiça histórica começasse a ser remediada agora. Ou seja, encurtaria em dezenas de anos a correção para o problema citado.

Muitos devem estar pensando que tal argumento é absurdo. Mas, absurdo por quê? Não teriam os descendentes de japoneses os mesmos direitos de correção à injustiças históricas que outras minorias em outras áreas? Todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros, parafraseando George Orwell?

Portanto, pretendo tornar público o debate sobre a intensa desigualdade futebolística representativa no país do Futebol.

Campanha Sandro Hiroshi na Seleção Brasileira já!

Melhores posts de 2016

Em 2016, este espaço teve mais de 28 mil visualizações, com mais de 20 mil visitantes. A seguir, uma seleção dos posts de maior destaque no ano.

 

Top 4 visualizados
1 – Confesso que colei: Sobre o código de honra interno do ITA (Instuto Tecnológico de Aeronáutica), a respeito de colar em provas. Teve mais de 3 mil compartilhamentos e 10 mil views.
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2 – Porque todo RH deveria olhar para o prêmio Nobel de Economia. Uma explicação didática sobre as ideias vencedoras do prêmio Nobel de Economia de 2016 e suas implicações no cotidiano.
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3 – A hiperinflação dos anos 80, explicada pelas revistas dos X-Men. Foi um período muito difícil do Brasil, e seria uma pena perder a memória histórica desta época. O Índice X-Men de Inflação
Xmen18 (Medium)
O destino amargo… dos brasileiros?
4 – Wolff Klabin, a trajetória de um pioneiro. Alguns fatos históricos sobre uma das maiores empresas do Brasil da área de papel e celulose, demonstrando que uma grande empresa não surge por acaso.
LivroWolffKlabin

Self Driving Cars
Carros autônomos são um assunto novo, mas que terão muito futuro.
O Grande Prêmio de Nevada de Veículos Autônomos: a primeira corrida de carros sem motoristas da história!
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Destaques de 3 posts sobre Economia
 
1 – Algo que me incomoda muito são propagandas de corretoras ou de jornais, com títulos bombásticos pintando um cenário aterrador. Este post visa ser um contraponto à isto.
Thunderstorm
2 – Sobre o mundo antes da privatização das teles:
fichaTelesp
3 – Qual o segredo do multibilionário George Soros? Será a sua Teoria da Reflexividade?
Redesigning the International Monetary System: A Davos Debate: George Soros

3 Postagens mais exatóides

1. Negativo vezes negativo = positivo. Por quê? Sempre quis saber, mas os professores do primário nunca me ensinaram direito.
TabelaAmigo
2. Como resolver o Dodecaedro mágico?
Megaminx
3 – Sobre cubos mágicos: cubo 7x7x7 e Isomorfismo em cubos mágicos
cuboa
Cubo 7x7x7

Sobre o Japão

Os japoneses originais: seriam os japoneses um povo originário da China? Ou da Coreia? Ou foram os chineses que originaram dos japoneses?
Faces
Por que os japoneses tiram o lixo dos estádios? Qual a influência das tradições nisto tudo?
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Para 2017

Bom, espero que 2016 tenha sido ótimo para todos, e que 2017 venha melhor ainda!

Porque todo RH deveria olhar para o Prêmio Nobel de Economia 2016

O Nobel deste ano surpreendeu positivamente. Já comentei sobre o de Literatura para Bob Dylan. E o prêmio de Economia é sobre um tema extremamente interessante, a Teoria dos Contratos. Bengt Holmström e Oliver Hart estudaram o assunto, e utilizando muita matemática, criaram modelos e provaram alguns resultados. Mas as noções envolvidas são tão cotidianas que é possível explicar o básico sem matemática, que é o que tentarei fazer a seguir.

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Cada um de nós depende de outras pessoas para tudo. Para tal, fechamos um acordo com as outras pessoas: pago pelo pão e o padeiro entrega, pago para o cabelereiro e ele corta o cabelo. Ninguém firma um contrato para cortar o cabelo, mas há um contrato implícito, não escrito, entre as partes.

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Um contrato escrito custa esforço, tempo e dinheiro, então faz sentido ter em relações mais complexas. Por exemplo, comprar um apartamento na planta. Ou uma empresa contratar um fornecedor. Ou uma empresa contratar um funcionário.


O problema do Agente e do Principal

O “Principal” é aquele que contrata, o “Agente” é o contratado, o funcionário, fornecedor, etc…

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Primeiro ponto: há um conflito de interesses entre as partes.

Eu quero um pão no ponto, apetitoso. O padeiro quer entregar o mínimo aceitável e conseguir o máximo lucro.
A empresa quer dedicação máxima do funcionário. O funcionário não quer ficar até as 22h trabalhando todos os dias.

Segundo ponto: assimetria de informações. O Agente sabe de coisas que o Principal não sabe. Há comumente dois problemas, devido à assimetria de informação: o risco moral (moral hazard) e a seleção adversa.

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O risco moral ocorre quando o Agente toma riscos descuidados por não sofrer as consequências deste risco. Digamos, o funcionário negociar um contrato ruim com algum fornecedor.

A seleção adversa é o Agente esconder informação para o Principal. Como o padeiro não dizer que a validade da farinha já passou.

Como lidar com o problema do Agente-Principal e fazer bons contratos, seja entre empresa e empregado, entre Conselho de Administração e CEO, entre contratante e fornecedor, entre consumidor e prestador de serviço?

O trabalho de Hart, Holmstrom e outros ajuda a esclarecer esses pontos. Não há respostas definitivas, e há muito mais no mundo real do que os modelos apresentados. Mas esses modelos ajudam a esclarecer vários pontos principais.


Quem fica com a bomba?

Outro conceito em jogo é o Risco Econômico. Toda atividade econômica tem um risco.
Digamos que eu compre um apartamento na planta, e haja três modelos de contratos:

  • 1. Eu pago o valor do imóvel à vista, e a construtora me entrega em 18 meses
  • 2. Eu reservo o apartamento hoje, com entrada zero, e pago tudo somente quando a construtora terminar
  • 3. Dou uma entrada e vou pagando em parcelas mensais, proporcionais à entrega da obra

No primeiro contrato, estou com extrema desvantagem. Todo o risco de atraso das obras está comigo. A construtora não vai ter nenhum incentivo para terminar a obra no prazo, nem com qualidade.

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No segundo caso, o risco está 100% com a construtora. Ela vai arcar com todo o custo de construção e ainda correr o risco de tomar calote no final. Nenhuma empresa, em sã consciência, aceitaria ficar com todo o risco e nenhum benefício. Parece óbvio. Mas por incrível que pareça, algumas das licitações de estradas do governo Dilma foram exatamente assim: quem ganhasse só ficaria com custos e riscos. E o resultado, também óbvio: ninguém participou.
O terceiro caso divide os riscos. É claramente o mais equilibrado, e é o que acontece na prática.

Em termos gerais, o Principal é propenso ao risco, enquanto o Agente é avesso ao risco. Por outro ponto de vista, o risco é do Principal, que é o dono do trabalho, que é quem quer fazer acontecer.

 


 

Modelo de performance observável

 

Quando a performance é facilmente observável, é simples chegar no ótimo para todo mundo. Basta o Principal cobrar a performance do Agente, até o ponto em que este achar justo. Por exemplo, a performance do cabelereiro é facilmente observável e cobrável.

 


 

Modelo de agente propenso a risco

Quando o agente é propenso a risco, também a solução é simples. Ele pode assumir os riscos e fazer uma remuneração fixa ao principal.

É o modelo de fraquia. O agente paga uma taxa ao principal, e fica com todo o risco do negócio.

 


Dividir riscos

Há modelos, como no caso do apartamento na planta, em que há divisão de riscos.
Outro exemplo: uma obra civil é fortemente afetada pela chuva. Se o risco ficar 100% para o contratante, a construtora vai parar por qualquer chuvinha. Se o risco ficar 100% para a construtora, ela vai se precaver colocando custos nas alturas. Uma solução prática é a de fixar alguns gatilhos. Até 2 desvios padrões da chuva histórica, a construtora tem que se virar. Se chover mais do que isto, a empresa arca com os custos da obra parada. (Exemplo citado pelo meu amigo Marcos Melo).


 

O modelo primeiro melhor (first best)

Quando o agente é pouco tolerante a riscos, o modelo “primeiro melhor” é muito usado.
A curva de utilidade do Principal é

Uprincipal = produção do fulano – salário do fulano

A curva de utilidade do Agente é

Ufulano= salário do fulano – esforço e tempo do fulano – risco

Se somo os dois termos, para tentar achar o ponto bom para todo mundo, tenho uma solução ótima, chamada de “primeiro melhor”: o salário do fulano é fixo, e o risco dele é zero. Ou seja, é o assalariado comum.
Isto é verdade quando o agente é muito avesso ao risco. É um arranjo bom para muita gente, tanto que a maioria das pessoas que conheço é assalariada simples. Recebe um salário fixo em troca do seu trabalho, independente da performance variável da empresa.

 

Quando o agente tem um nível intermediário de propensão a risco, pode-se pensar numa remuneração baseada em performance.

 


 

Modelo de performance simples

Modelos atrelados a performance tem problemas, quando esta não é observável. Por exemplo, o conselho de administração da empresa não pode ficar se metendo na administração do CEO, e nem ficar 24h por dia fiscalizando, por uma questão de governança. Então, o que o conselho vê no final das contas é o resultado da empresa.

Resultado = esforço do agente + ruído

Mas o resultado pode vir tanto do esforço do agente quanto de outras variáveis, como uma crise mundial, ou uma alta absurda do valor das commodities. Isto tudo é chamado de “ruído” na fórmula acima, e nos modelos dos economistas.

 

Se a remuneração por performance for atrelada ao resultado puro, o executivo poderá estar sendo remunerado por sorte, e punido por azar.


 

Princípio da informatividade

Para evitar recompensas por sorte e punições por azar, um dos modelos é de  descorrelacionar o ruído do resultado, para medir somente a performance. Por exemplo, comparar o EBITDA da empresa com empresas similares do setor. A “informatividade” dos economistas é obter informações para explicar o ruído.

Às vezes, numa crise que afete todo um setor, o executivo consegue ser o menos pior. Ou, inversamente, num boom, o resultado é positivo, mas não tanto quanto poderia ser.

 


 

Multitasking e quando o tiro sai pela culatra

Como todo problema de incentivo, muitas vezes atrelar recompensas a performance pode fazer o tiro sair pela culatra.

Holmstrom mostra que quando a recompensa está atrelada a uma tarefa X, o agente vai buscar a tarefa X, e vai ignorar outra tarefa Y que é importante, mas não está atrelada ao resultado. Ele chama isto de multitasking (tarefas X, Y, Z, etc). Em matemática, múltiplos tasks podem ser modelados por múltiplas dimensões, e trabalhar com elas envolve umas derivadas parciais. Fica algo muito avançado e feio como abaixo. Mas o conceito é simples.

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Por exemplo, o CEO tem uma tarefa de curto prazo, que é dar resultado no trimestre, e outra de longo prazo, que é manter a empresa sustentável pelos próximos 20 anos. Mas se somente o curto prazo conta para a remuneração variável, ele pode muito bem sacrificar o futuro da empresa para obter ganhos trimestrais. Pode consumir os melhores recursos hoje e empurrar a conta com a barriga para quem assumir no futuro.

Este é um dos perigos de contratos fortemente baseados em performance, em detrimento de um contrato menos agressivo, com pagamento fixo (o first-best).

 

 

 


 

Conclusões

O tema da Teoria dos Contratos padroniza ideias e fornece insights interessantes sobre contratos não ótimos.

Além dos modelos apresentados, há dezenas de outras ideias e aplicações. Porém, vale lembrar que nenhum modelo é completo, e não há resposta definitiva e simples para todos os casos.

Contratos fortemente baseados em performance podem ser prejudiciais, por ser impossível levar em conta todos os aspectos do mundo real. Eu, particularmente, prefiro pensar no longo prazo e no global, ao invés de somente buscar metas contratadas.


 

Fontes

O comitê do Nobel publica alguns resumos da teoria

(http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/economic-sciences/laureates/2016/).

 

Além disso, o livro do Oliver Hart é outra fonte interessante.

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(Post escrito ao som de Like a Rolling Stone, Bob Dylan)

 

 

 

 

Novela sobre japoneses sem japoneses? E daí?

A novela “Sol Nascente”, da rede Globo, tem como tema central descendentes de japoneses no Brasil. O detalhe é que não tem ator principal de ascendência japonesa no elenco…
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A bela Giovanna Antonelli interpreta uma japonesa, pelo que entendi.
Qual a minha opinião sobre este fato, como sansei (descendente de terceira geração de japoneses)?
Minha opinião: E daí? Tanto faz. Dane-se. Não é preconceito, racismo, nada. É uma decisão puramente econômica, baseada na estratégia de líder do setor.
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Esse velhinho ao lado da Giovanna também é japonês, na novela. Talvez o cara segurando a haste também seja.

 


A estratégia da Globo
A Rede Globo é uma empresa privada, que toma decisões baseada em suas décadas de experiência no setor audiovisual. Ela tem os seus paradigmas. Um deles é que Globo arrisca pouco.

A Globo prefere que os atores ou novos formatos de programa despontem em canais menores. Somente se, e quando, der certo é que Globo vai lá e contrata o ator ou o programa. Digamos, Caldeirão do Huck é um caso desses: Luciano Huck fez muito sucesso na Bandeirantes, antes de mudar para a Globo. Outro caso: Angélica, esposa do Huck, ficou muitos anos na extinta TV Manchete antes de ir para a Globo.

Outro paradigma é de que toda novela de ponta da Globo precisa ter astros famosos nos papeis principais. Os astros de ponta alavancam a audiência, mesmo se o enredo for uma porcaria. No caso da novela Sol Nascente, não encontraram astros de ponta nipônicos e não apostaram num desconhecido.
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A Daniele Suzuki não serviu para o papel principal
A Globo é como um gigante forte, porém lento e inflexível: arrisca pouco, tende a agradar a maioria e quer manter o monopólio.
As estratégia de “líder” do setor incluir comprar a transmissão do tênis para não passar na Tv aberta. Ou colocar o futebol às 22h para esperar a novela acabar. Ou ter contratos com atores famosos, mas não usá-los – deixá-los na geladeira.
Durante anos, tais estratégias funcionaram. E agora?

O resultado será puramente econômico
Se a estratégia da Globo é puramente econômica, o resultado também o será.
Quem se sentiu ofendido com os atos acima, simplesmente não assista. Não haverá sentimento em deixar a Globo para assistir outro canal.
O mundo está mudando. Dois dos principais concorrentes da Globo não são a Record e o SBT, mas sim o YouTube e a Netflix.
Uma série na Netflix pode ser algo extremamente bem feito, sobre um tema específico para um nicho específico. Não precisa ser um arrasa-quarteirão para agradar a maioria do público.
Centenas de canais no YouTube não têm a mesma qualidade da Globo, porém exploram a “cauda longa” de milhares de assuntos possiveis, sendo produzidos por pessoas comuns, contando com atores não globais.
O monopólio do Golias gigante Globo está sendo quebrado por milhares de ágeis Davis.

A estratégia da Globo está correta?
Não é a choradeira, discursos de discriminação ou similares que vão dizer se a Globo está correta ou não. Será o Tempo e o Mercado.

 

 

Economia em uma única lição

No post anterior, comentei sobre como uma pessoa muito inteligente pode manipular as opiniões a seu favor.

Isto tem relação com os pensamentos do brilhante economista Henry Hazlitt, que em 1946 publicou o livro “Economia em uma única lição”. O grande mérito dele foi isolar o cerne de muitas falácias, que podem induzir ao erro quem está despreparado.

 

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E qual é esta única lição?

Em resumo, ao analisar um fato econômico, deve-se olhar para os seus efeitos em termos globais e no longo prazo.
As grandes falácias fazem o oposto: focam as vantagens localmente para um grupo em especial que é beneficiado, ou analisam apenas os efeitos de curto prazo e deixam de fora da conta os problemas do longo prazo.


Exemplo 1: Para defender uma lei impondo barreiras comerciais, a fim de proteger a indústria nacional de computadores, pode-se citar a defesa de milhares de empregos, a oportunidade de desenvolvimento da tecnologia nacional, etc. Ou seja, focar o discurso num grupo local, e deixar de fora todos os outros grupos: os consumidores finais desta indústria que vão pagar mais caro por produtos piores, o pouco incentivo a desenvolvimento pela falta de concorrência, aumentando o abismo entre a indústria nacional e a internacional.

 


Exemplo 2: É muito fácil gerar ganhos de curto prazo. Basta canibalizar o longo prazo: utilizar todos os melhores recursos produtivos hoje, não respeitar nem um pouco o meio-ambiente, nem a sociedade. Certamente a conta chegará um dia, e será infinitamente mais cara do que se respeitasse o longo prazo. Entretanto, mais e mais empresas são guiadas por metas agressivas, e metas de curto prazo, que podem levar à decisões míopes.

 


 

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O problema é que a conta direta, seja de empregos gerados, seja dos ganhos financeiros atuais, é fácil de se fazer. Entretanto, a conta dos efeitos dos custos ambientais, dos custos sociais e de longo prazo, são imensuráveis, quase especulativos, impossíveis de se fazer sem contestação.

O longo prazo um dia vai chegar. E, se não formos nós que vamos pagar a conta, algum outro vai o fazer.

Conclusão: deve-se pensar nos efeitos globais e de longo prazo das decisões atuais.

Hazlitt desmascara uma série de falácias no livro, que é simples e direto. É uma leitura recomendada.

 

 

 

Metrô sem catraca: o VLT carioca

Em 2006, fui para a cidade de Quebec, no Canadá.
Nesta cidade belíssima, dois detalhes me chamaram a atenção: as casas não tinham muros e os ônibus não tinham cobrador.

Casas sem muros
Nenhuma casa, hospital, universidade, shopping, nada tinha muro. Fiquei alojado na Universidade de Laval, e andando pelo câmpus, chegava num ponto que não sabia se havia saído da área da universidade ou não.
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Casa em Quebec
Morei muito tempo na periferia de São Paulo, onde além de um muro alto, a minha casa tinha uns pedaços de vidro cimentados em cima do muro e um cachorro Pastor Alemão grande para tomar conta da casa. Eu me perguntei quando no Brasil chegaríamos neste nível de civilidade canadense.
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Muro de casa da periferia de SP

Ônibus sem cobrador
A segunda coisa chocante que vi eram os ônibus sem cobrador. Tinha o motorista e uma caixinha para pôr o dinheiro. Não voltava troco, você tinha que colocar o valor exato. O motorista não conferia nada: se o ônibus custasse 2 dólares e o fulano colocasse 10 centavos, ninguém nunca ia saber quem foi.
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Ônibus do sistema de transporte de Quebec
Eu pensei. Se o nível de calote for baixo, menor do que o custo de pagar um cobrador para ficar na catraca, realmente é melhor para todo mundo não ter cobrador. Confiança entre as pessoas e honestidade são a chave disto tudo. A população sabe que, se não pagar, a empresa de ônibus não vai sobreviver, o que será ruim para todos. É um pensamento coletivo, ao invés de individual.

O VLT carioca
Avançando 10 anos no tempo: 2016. A cidade do Rio de Janeiro agora conta com um transporte chamado VLT: Veículo Leve sobre Trilhos. Um trenzinho de 5 vagões pequenos, ao ar livre. Chamar de metrô é exagero, está mais para super ônibus articulado.
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Ele veio para preencher alguns erros no transporte da cidade. Por exemplo, o metrô do Rio não passa pela Rodoviária. O metrô também não passa pela zona portuária. Nem pelo aeroporto Santos Dumont (mas tem uma estação a um quilômetro dele, a Cinelândia). Já o VLT faz exatamente este trajeto, e uma das ideias é que o VLT ajude na revitalização da região portuária da cidade.
E o mais curioso: o VLT carioca não tem catraca! Não tem cobrador! Tem apenas um leitor de cartão, em que o próprio passageiro passa o Rio Card.
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Como o VLT passa pelo centro do Rio, que está sendo embelezado para as Olimpíadas, fazer estações com catracas ficaria muito feio. Hoje é tudo aberto, igual a um ponto de ônibus.
E se o passageiro não passar o cartão? Há uns fiscais, que podem ver e cobrar que o passageiro passe o cartão. Mas não há tantos fiscais assim, o que significa que será muito na confiança mesmo.
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O VLT tem sensores para contar o número de passageiros. Se o calote for maior do que 10% dos passageiros, a prefeitura vai cobrir a diferença. Se este calote for consistemente alto, não vai restar outra alternativa senão levantar muros, colocar catracas e cobradores em torno das estaçõeszinhas. Quem sabe, colocar cacos de vidro no alto do muro e um Pastor Alemão também. Depois que as Olimpíadas passarem, é claro.

Pois bem, vejamos em que vai dar o experimento do transporte sem catracas. A população carioca em geral é trabalhadora e honesta. O VLT faz um percurso pequeno e pelo centro da cidade. Entretanto, há um nível de pobreza alto no RJ, e que teria que ser resolvido atacando as raízes: economia forte, educação de qualidade, etc.
Vou resgatar este post daqui a 10 anos, para comparar a expectativa com a realidade. Será que em 2026 teremos o nível de Quebec em 2006?

Links

Alguns textos.


Seth Godin é um criativo escritor, e tem várias ideias provocativas. Devido à concorrência entre empresas de transporte (Uber e Lyft) nos EUA, está tendo uma corrida para baixo, de quem fornece preços menores. Ele sugere o contrário: quem cobra mais, mas oferece  serviços cada vez melhores: uma corrida para cima.

http://sethgodin.typepad.com/seths_blog/2016/06/a-dollar-more-vs-a-dollar-less.html


Alexandre Versignassi, Editor da Superinteressante, conta a história do “Trabant”, um carro que todos poderiam ter, na Rússia. O problema era que a fila de espera era de 15 anos. E compara o Trabant com o Iphone, nos dias atuais.

http://super.abril.com.br/blogs/crash/ganancia-a-arma-mais-eficiente-contra-a-pobreza/

 


 

Nassim Taleb conta como uma minoria barulhenta, digamos 5% da população, mas engajada, ativa, que ocupa os espaços da mídia, pode influenciar os resultados ante uma maioria (que tem mais o que fazer do que lutar por um assunto específico).

http://www.fooledbyrandomness.com/minority.pdf

 

 

 


 

 

 

Cálculo em quadrinhos? Bioquímica em quadrinhos?

Quando se fala em histórias em quadrinhos, há algumas imagens que vêm à cabeça: super-heróis com roupas coloridas, ou a Turma da Mônica.

 

Entretanto, há a possibilidade de aprender temas tão distintos quanto Cálculo, Álgebra Linear, Química e Computação, com o apoio de quadrinhos.

A grande vantagem dos quadrinhos é que são totalmente visuais, o que facilita e muito a transmissão da informação. Se este poder de visualização puder ser aliado a um tema, como matemática, teríamos uma forma poderosa de entender o assunto.


O Guia Mangá 
O guia mangá é uma ótima introdução a diversos assuntos interessantes.
GuiaMangaCalculo
Há dez temas diferentes, indo de Cálculo, Estatística e Álgebra Linear até Bioquímica e Biologia molecular, passando por Física e Teoria da Relatividade.
GuiaMangaEstatisticia
O enredo da história normalmente é de um aluno com dificuldades em aprender, que encontra algum professor que se propõe a ensinar o assunto (de sexos opostos, para dar um clima de romance), desde os passos mais básicos até alguns conceitos mais elaborados. Há um resumo teórico bem sério no final de cada capítulo.
GuiaMangaBiologiaMolecular
Veja nas notas de rodapé alguns links.

The Cartoon Guide
Larry Gonick é uma espécie de cartunista-gênio: tem graduação em mais de uma faculdade, e aliado a seu interesse natural por desenhos, produziu obras extremamente bem humoradas e divertidas dos assuntos.
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Eu particularmente gosto muito do Cartoon Guide to Genetics, me ensinou muitos conceitos que não estavam claros nas chatissimas aulas que tive do ensino médio.
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Alguns destes livros foram traduzidos para o português, mas são poucos. O negócio é aperfeiçoar o inglês mesmo.
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Não dá para aprender Cálculo profundamente com um guia desses, mas dá para ter uma boa noção dos conceitos envolvidos. Aprender os conceitos facilita muito o aprendizado mais profundo. Este é um dos problemas das escolas universitárias, muitas vezes nem conseguem passar o conceito principal direito…

Cartoon Introduction to Economics
Economia é um assunto que pouca gente entende, mas que na verdade tem suas raízes em conceitos comuns, compreensíveis para qualquer pessoa. À medida em que novos vocabulários vão sendo atribuídos e novos marcos de resultados vão sendo alcançados, a Economia passa a ficar mais distante do leigo comum.
O Cartoon Introduction explica algumas das ideias principais, atreladas a grandes economistas e história.
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Além da edição sobre Micro-Economia, há uma sobre Macro-Economia. Há também outros dois Cartoons Introductions, sobre Mudanças climáticas e Psicologia.
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Economix

O Economix também trata do assunto “Economia”, que é tão vasto e complexo que poderiam ter mais 100 livros deste tipo sobre o assunto. Este livro é mais denso, e tem várias referências à economistas famosos.

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Dom João Carioca
E História? Não tem nada melhor que uma história em quadrinhos para contar uma história. A do desembarque da família imperial no Brasil, e os desdobramentos disto, são um ótimo exemplo.
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Literatura brasileira em quadrinhos

A série Literatura brasileira em quadrinhos é uma introdução bastante interessante a diversos livros da nossa literatura. Há vários sobre Machado de Assis. Na minha época, todo ano indicavam 10 livros diferentes para ler na Fuvest. Óbvio que não dava para ler todos eles em um ano e ainda estudar todas as outras matérias, então fiquei com os resumos das aulas de literatura. Se tivesse este tipo de publicação na época, os resumos seriam de muito melhor qualidade.

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Capitu traiu ou não Bentinho?

Relatos históricos

PyongYang é sobre a vida na Coreia do Norte, a partir da visão de um desenhista que morou lá por um tempo. Há fatos assustadores sobre o quão bizarro e prejudicial pode ser viver sob uma ditadura.
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Uma vida chinesa é um relato de alguém que sofreu os efeitos nefastos do “Grande Salto para Frente” e da “Revolução Cultural” – fome, morte de parentes, fuga para outras cidades, miséria e dor. Foram dois dos episódios mais ilógicos da história da humanidade. É incrível que ainda existam pessoas que defendam o comunismo, mesmo diante de fatos históricos como este.
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Shakespeare em mangá e em quadrinhos
Algumas das histórias mais famosas da humanidade, e alguns do vilões mais malvados que já existiram, vieram de Shakespeare. (Sabe o malvado tio de Simba, no filme Rei Leão? É Hamlet com leões ao invés de pessoas).
O maior de todos os contadores de história já teve seus trabalhos em teatros, livros, filmes, adaptações diversas. Com os quadrinhos não é diferente, há várias versões de suas obras em diversos formatos (quadrinhos, mangás, livros ilustrados).
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Portanto, há uma ampla gama de trabalhos sobre diversos assuntos, aliando o conhecimento com diversão – unindo o útil ao agradável.
Ficam as dicas.

Links
Pode-se procurar em sua livraria favorita pelas palavras chave descritas acima. Mas segue uma pequena lista, para facilitar.
Guia Mangá
Cartoon Guide
Cartoon Introduction
Economix
Dom João Carioca
Literatura brasileira em quadrinhos
PyongYang
Shakespeare