Podcast Hipster – Otimização do Planejamento Florestal

Podcast Hipster – Otimização do Planejamento Florestal

Eu e a Andréia Pimentel (Gerente de Planejamento Florestal) participamos do podcast Hipster, com o Paulo Silveira.

Conversamos sobre florestas, modelos de Programação Linear Inteira para planejamento florestal, e experiências da vida real.

Três pontos importantes:
Modelos são vivos, mudando conforme as restrições da vida real mudam.

Para evitar soluções de curto prazo que prejudiquem o longo prazo, há processos estruturados, diversos horizontes de planejamento, indicadores de aderência aos planos e entre horizontes, além de pessoas treinadas tomando conta de cada etapa da decisão.

Há uma gama infindável de trabalhos em Advanced Analytics que podemos atacar na indústria. Ter forte formação matemática, técnica em geral, ajuda muito a resolver problemas de forma assertiva.

Ouça sobre o nosso trabalho em:

Ou, na sua plataforma de podcast preferida, procure por Hipster Ponto Tech.

A importância de continuar no jogo

No longo prazo, apenas continuar no jogo já é uma vitória.

Este site prega a importância de jogar jogos de longo prazo. Ter o hábito de plantar boas sementes continuamente, e não esperar por retornos imediatos. Jogar a favor dos juros compostos, a força mais poderosa do universo, que vão gerar frutos com o tempo.

Ora, a fim de conseguirmos colher as recompensas, tão suadamente plantadas, devemos continuar no jogo.

Daí, é necessário ter saúde física, mental e financeira.

  • Não sair do jogo por problemas físicos
  • Não sair do jogo por problemas mentais
  • Não sair do jogo por falir

Por isso:

  • Cuidar da saúde
  • Cuidar do estresse
  • Educação financeira

“Mens sana in corpore sano” – mente sã em corpo são, já diziam os romanos antigos.

Já vi inúmeros exemplos de burros esforçados que venceram gênios preguiçosos. De pessoas que arriscaram demais e saíram do jogo, apesar de todo o charme e estardalhaço de vitórias prévias rápidas (e efêmeras).

Não há atalhos.

“Planejamento de longo prazo não lida com decisões futuras, mas com um futuro de decisões presentes” – Peter Drucker.

“Escolha uma indústria onde você pode jogar jogos de longo prazo com pessoas de longo prazo” – Naval Ravikant.

Veja também:

A neblina na estrada do futuro

Como dirigir na neblina?

Lembro de uma vez, quando tinha uns 12 anos, que visitei a casa de um parente distante. No porão da casa dele, havia sua biblioteca particular: meia dúzia de estantes de livros diversos, além de diversas caixas espalhadas pelo chão, cheias de livros. Fiquei a tarde toda maravilhado, olhando para as capas e folheando aleatoriamente páginas velhas cheias de letras e poeira. Particularmente, achei fascinante uma apostila de cursinho, que condensava matérias como Matemática, Química, História e outros temas de vestibular.

É da mesma época o joguinho Enduro, de Atari. Um carro de corrida que deve ultrapassar outros carros. Na fase normal, é mais simples, dá para ver os demais carros à distância. Contudo, há uma fase em que surge uma neblina espessa, e só dá para ver os outros carros a uma curtíssima distância.

Naquela época, eu não tinha a menor ideia do que seria no futuro, dos caminhos possíveis a trilhar. É como uma espessa neblina à frente, só dá para ver alguns poucos passos possíveis e ter uma leve ideia do objetivo final. O que já sabia era que eu que gostava enormemente de estudar, de livros e conhecimento. E de temas pragmáticos, que tinham aplicação concreta na vida real.

A neblina da guerra

O teórico de guerra John Von Clausewitz cunhou o termo “neblina de guerra”, referente à informação incompleta nas decisões dos exércitos. Decisões essas que podem mudar o destino inteiro de uma nação e da história.

Dois exemplos históricos.

1 – O novíssimo e poderoso navio de guerra britânico “Prince of Wales” foi enviado ao Oceano Pacífico, alguns dias após o Japão bombardear Pearl Harbour, em 1941. O Prince of Wales foi detectado por uma escolta japonesa, e decidiu retornar ao porto de origem, por segurança. Naquela época, não tinha GPS ou satélites, então encontrar um navio no oceano era um jogo de busca exaustiva, gato e rato.

No caminho, o navio recebeu um relato de atividade dos japoneses, em terra, e não resistiu à tentação de se deslocar ao local para usar todo o poder de seus canhões no inimigo. Horas de deslocamento depois, o Prince of Wales chegou ao destino, para só então descobrir que o relatório estava errado: não tinha atividade japonesa nenhuma.

Nesse meio tempo, o navio foi avistado pelos aviões japoneses. Horas depois, uma frota de mais de 80 aviões torpedeou e afundou o Prince of Wales, que mal conseguiu revidar. Os britânicos cometeram uma série de erros, como superestimar o poderio naval e subestimar o estrago que aviões podem causar, mas não tivessem ido atrás de um relatório errado, o destino poderia ser outro.

Foi um desastre que virtualmente eliminou a oposição britânica no Pacífico.

Uma lição é separar o sinal do ruído – e isso não é fácil.

https://www.warhistoryonline.com/instant-articles/end-battleship-hms-prince-wales-repulse-sunk-10th-december-1941.html

2 – Previsão do tempo no dia D.

O desembarque na Normandia pelos aliados, em 1944, foi a maior operação anfíbia da história, com mais de 2000 navios de guerra, 150 mil soldados. Entretanto, tudo poderia mudar, por um motivo simples e difícil de prever: o clima.

Era necessário que houvesse lua, no mínimo parcialmente, porque as operações aéreas começariam de madrugada. A maré deveria estar baixa – para permitir que as tropas localizassem o campo minado deixado pelo inimigo. O tempo deveria estar bom – pouco vento, poucas nuvens.

Um desembarque em condições climáticas ruins custaria caro: imagine o pesadelo que seria desembarcar sob tempestade e sob fogo nazista.

Para piorar, o tempo literalmente fechou, dias antes da operação. A responsabilidade caiu nos ombros do meteorologista chefe dos americanos, o Capitão James Stagg. Ele previu que o clima ia dar uma pausa, e a operação seria possível na data. Felizmente para os aliados, ele acertou.

Além da técnica, também existe a sorte: a virtú e a fortuna de Maquiavel.

O contexto da neblina de Clausewitz é militar, mas a ideia é análoga, para a neblina na estrada do futuro.

Não temos como enxergar muito longe, nesse panorama nebuloso. Temos que ter fé de que estamos ligando pontos corretamente.

Conectar os pontos

Por fim, vale a pena ver a terceira história de Steve Jobs, no discurso de formatura de Stanford. Ele fala sobre conectar os pontos.

“É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para a frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.”

“De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.”

Veja também:

Artigo sobre Planejamento Florestal no IPEF: estudo de caso e boas práticas

Publiquei uma Circular Técnica sobre Planejamento Florestal, junto com os colegas Andréia Pimentel, Felipe Faria e ao amigo Guilherme Oguri, do IPEF.

O planejamento é o elo central de toda a cadeia de suprimentos. A ideia do artigo é ser um pequeno manual de referência, descrevendo conceitos, boas práticas e erros comuns a serem evitados, tanto em termos conceituais quanto técnicos.

No artigo, também falamos de um grande projeto de S&OP (Sales e Operations Planning) na área florestal, que envolveu uma grande revisão de processos, estabelecimento claro de papéis, responsabilidades e rituais. Os resultados, em termos de postura, ficaram nítidos: atuar como um maestro, um grande orquestrador, dando previsibilidade e transparência à cadeia.

Agradecimento a todos os envolvidos nesses trabalhos, este artigo é fruto do trabalho de vocês! Pensei em fazer uma lista. mas esta seria tão imensa que possivelmente eu deixaria alguém importante de fora.

Seguem links:

Links:

https://www.ipef.br/publicacoes/ctecnica/