Moby e Mocha Dick

Duas recomendações de histórias fascinantes para o feriadão: Moby Dick e Mocha Dick.

Todo mundo já ouviu falar da baleia Moby Dick, clássico de 1851 do escritor americano Herman Melville, mas poucos efetivamente leram o livro ou viram algum conteúdo mais profundo sobre o mesmo. Uma recomendação é o filme “Moby Dick” de 2011, disponível na Amazon Prime.

Moby Dick é uma baleia cachalote albina, enorme, com testa enrugada e o corpo repleto de arpões. Ao contrário das baleias comuns, esta revida a ataques, destruindo os baleeiros e caçando os que o atacaram.

Nesse contexto, temos o fanático capitão Ahab em sua caça, extrapolando todo o bom senso possível e contrariando seu imediato Starbuck, aos olhos do narrador Ismael e seu colega, o indígena Queequeg.

É impressionante ver a vastidão do mar, os homens em seus navios de madeira movidos pela força do vento, atrás de leviatãs maiores do que qualquer animal outro na face da Terra.

Algo a notar é que as baleias são lentas e desajeitadas – sem predadores naturais, evoluíram de forma a nem dar bola para inimigos que possam caçá-las. Quando atacadas, tendem a fugir, o que explica: 1) como alguém tão menor como o ser humano conseguia caçar baleias em 1850, e 2) porque causava surpresa quando uma baleia reagia, destruindo barcos e matando pessoas.

Pela pesquisa que fiz, o livro Moby Dick não foi um sucesso imediato – por algum motivo, demorou mais de cem anos para a obra ser apreciada.

Outro ponto: Moby Dick é ficcional, mas baseado em relatos diversos, como o naufrágio de um barco chamado Essex e também de uma baleia chamada Mocha Dick.

E aí entra a segunda recomendação: a graphic novel Mocha Dick, de Gonzalo Martínez.

O autor, chileno, conheceu a história de Moby Dick e de Mocha Dick. Esta última tem esse nome por conta de ser vista sempre próxima à ilha de Mocha, no Chile, da onde surgiram alguns dos relatos que levaram Melville a escrever o romance famoso. E daí veio o projeto de contar a pouco famosa história de Mocha Dick.

Esta também é uma narrativa interessante, envolvendo a baleia albina que ataca barcos, lendas indígenas da região que a veem como uma protetora, personagens cativantes e uma bela arte retratando a época e o cenário.

Curiosidade. Eu comprei uma edição econômica de Moby Dick em 1998, numa pequena livraria de promoções no centro de S. José dos Campos. Lembro disso porque o dono do lugar me tratou super mal, porque pedi desconto – estava no primeiro ano da faculdade e não tinha dinheiro algum. Apesar disso, a edição custou R$ 1,50, barato mesmo para a época.

Mocha Dick:
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Moby Dick
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Prime Video:
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Recomendação: Thermae Romae

Gosto muito do anime Thermae Romae, disponível atualmente na Netflix.

O enredo é sobre um arquiteto de termas, Lucius Modestus, do Império Romano de antigamente, que faz viagens no tempo inesperadas e visita termas modernas do Japão.

Alguns pontos a destacar:

  • A família toda de Lucius é projetista de termas e banhos públicos na antiga Roma;
  • Lucius começa as viagens sem entender nada, achando que os japoneses são “escravos de cara achatada”. Pouco depois, ele já percebe que pode utilizar as facilidades do mundo atual para os seus projetos na Roma antiga;
  • Entrar numa banheira de água quente, um ofurô, é muito bom. De certa forma, dá um prazer enorme só de pensar;
  • A narrativa é simples e clara, sem reviravoltas, explosões, lutas, nada disso. Nesses tempos de tramas excessivamente confusas e exageradas, é muito bom ver algo simples;
  • Eu me sinto como Lucius descobrindo as termas. Não é da nossa cultura essa tradição de visitar termas e usar banheiras, mesmo no mundo moderno. O máximo que fui foi em Águas de São Pedro, que é muito bom, porém não se compara ao que existe no Japão;
  • A parte final de cada anime mostra a criadora da história visitando termas reais. São paisagens belíssimas, que envolvem muita tradição e natureza;
  • Até os macacos gostam de uma boa termas;

Uma história absurda que ocorreu comigo. Estava a trabalho em Omã, no Oriente Médio – temperatura externa mais de 45 graus. Porém, dentro do hotel, estava uns 15 graus – o que é bom no começo, mas imagina a noite toda a essa temperatura. O hotel tinha uma banheira. Não tive dúvidas, enchi de água quente (outro recurso escasso, água) e tomei um belo banho relaxante, no frio do hotel no calor de Omã!

Não recomendação: O PerfuraNeve

Não recomendação: a versão Graphic Novel do PerfuraNeve, que inspirou a série da Netflix “O Expresso do Amanhã”, ou Snowpiercer.

Mas por que alguém iria não recomendar? Bastaria ignorar. Ora, a internet já está cheia demais de haters, para falar que o trabalho de alguém não agradou.

É que, na verdade, é uma meia-recomendação…

Trailer do Snowpiercer, Netflix

A série “Expresso do Amanhã”, disponível na Netflix, mostra um futuro apocalíptico. O mundo inteiro congelou, e os últimos sobreviventes da face da Terra habitam um trem, o Snowpiercer, com os seus 1001 vagões. O Snowpiercer foi desenvolvido pelas indústrias Wilford, e tem uma premissa completamente furada do ponto de vista das leis da termodinâmica: ele tem que estar sempre em movimento, pois é desse movimento que ele gera energia (criaram o moto-contínuo???).

O trem percorre periodicamente o planeta Terra inteiro, uma vez que a máquina não pode parar e as indústrias Wilford fizeram trilhos pelo mundo todo, inclusive sobre os oceanos congelados!

Porém, dentro do Snowpiercer, há uma verdadeira luta de classes: a primeira classe, vivendo em alto luxo, a segunda e terceira classes, trabalhadores, e o fundão. Os habitantes dos fundos são clandestinos, que invadiram o trem no momento em que este estava partindo. São centenas de pessoas (400 segundo um dos capítulos), vivendo espremidos em alguns poucos vagões, e nas piores condições de vida possível.

E como esse pessoal conseguiria sobreviver num trem? A justificativa é que há vagões especializados em agricultura, outros com bovinos, aquário, vagões-escola, vagão-bar, mercado. A primeira classe tem vagões exclusivos, quase uma casa de verdade. A segunda classe tem um quarto, a terceira beliches, e o fundão é um amontoado de gente sobrevivendo como pode.

A série foca bastante nessa luta de classes, mostrando o fundão lutando contra a estrita ordem existente. Ordem mantida rigidamente pela poderosa chefe da hospitalidade, Melanie Cavill, interpretada pela Jennifer Connelly, possuidora de uma beleza rara.

Eu achei que a série tem muitos furos lógicos:

  • Um trem fechado, com 3000 pessoas há 7 anos, e eles agem como se fosse uma cidade grande, onde ninguém conhece ninguém
  • Eles usam água em abundância, e tem até um episódio que há um grande vazamento de água – não faz o menor sentido, num trem
  • Cenas com a primeira classe quebrando copos e pratos – ora, até parece que é um recurso abundante
  • Numa das revoltas do fundão, imprimiram folhetos coloridos para mobilizar o pessoal – poxa, imagino que papel e tinta sejam recursos escassos numa situação dessas
  • E assim sucessivamente, é como se realmente fosse uma cidade grande com recursos infinitos, e não um trem

Apesar disso tudo, é um seriado divertido – envolve suspense, segredos, reviravoltas bem típicas de streaming. Serve como entretenimento, só isso.

Agora, a “desrecomendação”.

O Snowpiercer foi baseado numa Graphic Novel com a mesma premissa. Peguei a mesma emprestada, pelo programa “Cultura pass” (vide aqui).

A versão em quadrinhos tem pouquíssimos elementos em comum com a série. É um trem, o snowpiercer, com seus 1001 vagões, tem a primeira classe e o fundão, mas só isso. Nada de Wilford, Melanie, não tem crime a ser resolvido por um detetive do fundão, nada. É completamente uma outra história.

A arte e o roteiro são densos e difíceis de acompanhar, não achei muito divertido.

De qualquer forma, caso haja curiosidade, a graphic novel PerfuraNeve pode ser encontrada nas livrarias, e o Snowpiercer da Netflix é uma ótima série.

O Perfuraneve
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Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

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Recomendação: A Odisseia de Hakim

A Odisseia de Hakim conta a história real de um jovem sírio e a sua odisseia para fugir de seu país natal e pedir asilo na França, passando por uma dezena de países nessa jornada.

“Nunca pensei que isso pudesse me acontecer. Mas me dei conta de que qualquer um pode virar um refugiado. Basta que seu país desmorone. Ou você desmorona junto, ou você vai embora.”

Hakim e a sua família tinham um viveiro na Síria de Bashar Al-Assad, até que protestos contra o governo geraram uma guerra civil. Houve extrema violência por parte do governo: detenção, tortura e a perda do negócio. A família de Hakim decide buscar refúgio em um país seguro. Parte da família, inclusive a esposa, consegue uma via de chegar à França, porém, Hakim e o seu filho bebê devem percorrer um caminho mais longo: Líbano, Jordânia, Turquia e mais uma série de países.

A recepção dos refugiados pelos habitantes locais varia entre aqueles que criticam e desprezam, aqueles que tentam explorar os refugiados, mas também, há vários que ajudam Hakim e seu filho a chegar ao final de sua jornada.

Um comentário que faz todo o sentido. As pessoas acham que um refugiado é alguém pobre e não qualificado, mas essa noção está errada. Os que são realmente pobres não têm opção a não ser ficam em seu país natal.

Autor Fabien Toulmé, Editora Nemo. Graphic Novel em três edições. Baseado em entrevistas que o autor realizou com Hakim, este já estabelecido na França.

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Veja também:

Loja e recomendações de livros:

Como tornar o seu produto mais valioso através da escassez e da curadoria

Um fenômeno curioso e nada intuitivo aconteceu comigo, nos últimos meses, e isso pode ser utilizado como alavanca para melhorar os seus produtos ou serviços.

Como eu já divulguei diversas vezes neste espaço (vide aqui e aqui), sou usuário frequente de serviços de resumo de livros, ou microlivros. São áudios de cerca de 12 a 20 minutos, sobre diversos assuntos, geralmente não-ficção. São boas introduções a assuntos relacionados à negócios, economia, produtividade e temas correlatos.

Dois serviços que mais gosto são o 12 min e o Blinklist.

Ambos podem ser encontrados como aplicativos de celular, e são em inglês (é a língua universal dos dias de hoje, quem quiser dar saltos evolutivos deve necessariamente dominar inglês).

Tanto o 12 min quanto o Blinklist fornecem uma amostra de seus serviços, através de 1 único áudio resumo liberado por dia.

Se você tiver disciplina suficiente, pode ler mais de 300 resumos por ano, de graça e de forma legal.

Pois bem, o fenômeno curioso citado no começo do texto foi que:


1) Eu comprei a assinatura vitalícia do 12 min, numa promoção,
2) Passei a ter acesso a todo o conteúdo do 12 min e,
3) Paradoxalmente, eu passei a usar mais o concorrente, o Blinklist.

Uma explicação é a escassez. Imagine que tenho pouco tempo por dia, 30 a 40 min, disponível para a atividade de ouvir resumos. Como o Blinklist libera apenas um áudio free, e ele expira no final do dia, eu sempre prefiro começar por este, ao invés de começar com o 12 min – já que o acesso é ilimitado e posso ouvir depois.

Porém, o problema é que o passo acima se repete todos os dias. Contabilizando, utilizo mais o Blinklist do que o 12 min, numa proporção de 3 para 2.

A Escassez é um dos seis fatores de influência, de Robert Cialdini (vide aqui).

Outro fator é a curadoria. Os áudios liberados pelo Blinklist são muito bons. Há variedade nos temas e pouca repetição de títulos liberados de graça. A excelente curadoria do Blinklist faz, como o próprio termo indica, a gente se sentir cuidado. Este espaço também procura liberar conteúdo de qualidade, bem curado e que agregue valor ao leitor.

Paradoxalmente também, o serviço prestado pela Blinklist é melhor assim, na versão gratuita, do que na versão paga – vai que eu gasto dinheiro, acabo com a escassez e deixo de usar?

Conclusões e recomendações:

  • Resumos de livros são excelentes, é uma bom hábito ler (ouvir) um por dia,
  • A Escassez de um produto de qualidade tem um poder imenso,
  • A boa Curadoria faz toda a diferença.

Veja também:

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/

Fontes – Advanced Analytics e AI

Compartilhando algumas boas fontes de Advanced Analytics e AI que utilizo, e solicito ajuda de vocês, para indicar outros links legais e pessoas a seguir.

O Exponential View envia um newsletter com gráficos extremamente bonitos e análises diversas.
https://www.exponentialview.co/

Na plataforma Medium, é possível ler e escrever sobre temas de interesse. Esses artigos são reunidos em revistas, com uma excelente curadoria de conteúdo. https://medium.com/

John D. Cook tem um blog e twitter de alto nível, sobre matemática e programação https://www.johndcook.com/blog/

Instituições: A brasileira SOBRAPO (https://sobrapo.org.br/) e a americana Informs (https://www.informs.org/) são referência em eventos e publicações de Pesquisa Operacional, um pouco mais tradicionais. Já a Association For The Advancement Of Artificial Intelligence é voltada à IA https://www.aaai.org/.

Sobre Quantum computing:

Para fechar, é claro, sigam o meu blog de Ideias Técnicas com uma pitada de filosofia: https://ideiasesquecidas.com/

Fiquem à vontade para sugerir outras fontes.

Hannah Arendt e suas três fugas

A história em quadrinhos “As três fugas de Hannah Arendt: Uma tirania da verdade”, é uma biografia gráfica de Hannah Arendt, um dos principais nomes da filosofia do séc. XX.

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É uma leitura densa, cheia de citações a nomes famosos da filosofia e da Europa da época.

Judia em plena Alemanha de Hitler, aluna brilhante e pensadora promissora, ela tem aulas com o renomado filósofo Martin Heidegger. Ela, 17 anos, e o professor, casado, dois filhos, dobro da idade, tornam-se amantes por um período. Ambos seguem sua vida, mas têm uma relação conturbada que dura por décadas.

Com o aumento da perseguição aos judeus, ela, a mãe, e o marido (ela se casara com um homem chamado Günther Stern) fogem da Alemanha, e meses depois, emigram para os EUA.

Ela ganhou notoriedade ao propor abertamente, nos anos 1940, um exército judeu para combater o antisemitismo. Ela via o exército judeu como fundamental para garantir a liberdade dos mesmos.

Uma de suas primeiras obras de impacto foi o livro “A origem do totalitarismo”, em 1951, sobre antisemitismo e totalitarismo como partes do regime nazista de Adolf Hitler.

Para quem não conhece o que Hannah representa e o contexto, o momento histórico, será uma leitura cansativa e monótona – ela separa, casa com outro, publica livros, encontra Heidegger, briga com a mãe, etc…

O trecho que mais me chama atenção é sobre a “banalidade do mal”. É sobre o nazista Adolph Eichmann, preso em 1961 por agentes israelenses e levado a Jerusalém para julgamento. Acusado de enviar milhares de judeus aos campos de extermínio, esperamos Eichmann ser um verdadeiro monstro, um Darth Vader, um vilão caricato de filmes.

Porém, não é isso que Arendt encontra. Para ela, Eichmann era um burocrata, uma pessoa comum que se passaria por qualquer trabalhador mediano, fossem outras as circunstâncias. Alguém casado, com filhos, que lia Kant e organizava horários e disponibilidades de trens no seu trabalho (o problema que os trens levavam pessoas para campos de concentração). Justamente essa normalidade era o grande perigo. Será que todos nós não podemos virar um Eichmann, sob certas circunstâncias?

No depoimento, ele disse:

Em resumo, não me arrependo de nada.

Eu era apenas mais um cavalo puxando a carruagem, e podia ir para a direita ou para a esquerda por causa da vontade do condutor da carroça.

Nós nos encontraremos novamente. Eu acredito em Deus. Obedeci às leis da guerra e fui fiel à minha bandeira.

Arendt foi bastante criticada pela série de artigos sobre Eichmann. Alguns interpretaram que o texto estava minimizando a responsabilidade do nazista. Também falaram que ela estava colocando a culpa nas vítimas.

Para mim, ela está extremamente correta ao evidenciar o comportamento normal de Eichmann e a banalidade do mal.


Esse pensamento serve justamente para alertar sobre os perigos de obedecer ordens cegamente, sem ter o mínimo de questionamento e filosofia.

Hannah Arendt consta na minha “caneca da sabedoria”, onde, a cada gole de café, escolho um dos filósofos para brindar junto.

E é uma honra tomar um café imaginável com pensadores do porte de Sartre, Nietzsche e Arendt!

Seguem alguns links com leituras correlatas:

https://en.wikipedia.org/wiki/Adolf_Eichmann

A Guerra de Canudos em Quadrinhos

Recomendação de leitura: A Saga de Canudos.

É uma história em quadrinhos bastante curta, ilustrando o episódio da Guerra de Canudos, e focada em seu ilustre protagonista, Antônio Conselheiro.

Os conflitos ocorreram entre 1896 e 1897, num período logo após a Proclamação da República do Brasil.

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Antônio Conselheiro era um pregador, que viajava o Nordeste do Brasil. Ele criticava duramente a República, dizendo ser materialização do AntiCristo, pelo Estado ser laico. Outro ponto eram os altos impostos para financiar o novo governo. O profeta foi ganhando seguidores, e se estabeleceu numa fazenda, batizada como “Belo Monte”, mas que ficou conhecida na história como “Canudos”.

A comunidade de Canudos cresceu ao ponto de ter 25 mil habitantes. Seus seguidores: ex-escravos (foi um período logo após a abolição da escravatura), vagabundos, pessoas sem esperança, sem nada a perder. Era uma comunidade onde toda a produção era compartilhada entre os moradores.

Canudos começou a incomodar, por ser abertamente contra a República, e também por estar crescendo.

Foram 4 ataques militares, crescentes em termos de soldados e armamento, até finalmente Canudos ser completamente destruída.

“O sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão” – Antônio Conselheiro

“Os Sertões”, de Euclides da Cunha, é uma das maiores obras da literatura brasileira, e narra o episódio. Lembro porque caía no vestibular, e o livro era bem difícil de entender.

“E surgia na bahia o anacoreta sombrio, os cabelos crescidos até os ombros,​ barba inculta e longa; face acaveirada; olhar fulgurante” – Euclides da Cunha.

Até hoje não sei o que significa “Anacoreta”…

Ironicamente, o sertão de Canudos realmente virou mar. O açude de Cocorobó colocou as ruínas da cidade debaixo da água.

Vale a pena conhecer um pouco mais deste episódio da cultura brasileira.

https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/com-a-estiagem-cidade-de-canudos-volta-a-aparecer-apos-17-anos/