Hannah Arendt e suas três fugas

A história em quadrinhos “As três fugas de Hannah Arendt: Uma tirania da verdade”, é uma biografia gráfica de Hannah Arendt, um dos principais nomes da filosofia do séc. XX.

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É uma leitura densa, cheia de citações a nomes famosos da filosofia e da Europa da época.

Judia em plena Alemanha de Hitler, aluna brilhante e pensadora promissora, ela tem aulas com o renomado filósofo Martin Heidegger. Ela, 17 anos, e o professor, casado, dois filhos, dobro da idade, tornam-se amantes por um período. Ambos seguem sua vida, mas têm uma relação conturbada que dura por décadas.

Com o aumento da perseguição aos judeus, ela, a mãe, e o marido (ela se casara com um homem chamado Günther Stern) fogem da Alemanha, e meses depois, emigram para os EUA.

Ela ganhou notoriedade ao propor abertamente, nos anos 1940, um exército judeu para combater o antisemitismo. Ela via o exército judeu como fundamental para garantir a liberdade dos mesmos.

Uma de suas primeiras obras de impacto foi o livro “A origem do totalitarismo”, em 1951, sobre antisemitismo e totalitarismo como partes do regime nazista de Adolf Hitler.

Para quem não conhece o que Hannah representa e o contexto, o momento histórico, será uma leitura cansativa e monótona – ela separa, casa com outro, publica livros, encontra Heidegger, briga com a mãe, etc…

O trecho que mais me chama atenção é sobre a “banalidade do mal”. É sobre o nazista Adolph Eichmann, preso em 1961 por agentes israelenses e levado a Jerusalém para julgamento. Acusado de enviar milhares de judeus aos campos de extermínio, esperamos Eichmann ser um verdadeiro monstro, um Darth Vader, um vilão caricato de filmes.

Porém, não é isso que Arendt encontra. Para ela, Eichmann era um burocrata, uma pessoa comum que se passaria por qualquer trabalhador mediano, fossem outras as circunstâncias. Alguém casado, com filhos, que lia Kant e organizava horários e disponibilidades de trens no seu trabalho (o problema que os trens levavam pessoas para campos de concentração). Justamente essa normalidade era o grande perigo. Será que todos nós não podemos virar um Eichmann, sob certas circunstâncias?

No depoimento, ele disse:

Em resumo, não me arrependo de nada.

Eu era apenas mais um cavalo puxando a carruagem, e podia ir para a direita ou para a esquerda por causa da vontade do condutor da carroça.

Nós nos encontraremos novamente. Eu acredito em Deus. Obedeci às leis da guerra e fui fiel à minha bandeira.

Arendt foi bastante criticada pela série de artigos sobre Eichmann. Alguns interpretaram que o texto estava minimizando a responsabilidade do nazista. Também falaram que ela estava colocando a culpa nas vítimas.

Para mim, ela está extremamente correta ao evidenciar o comportamento normal de Eichmann e a banalidade do mal.


Esse pensamento serve justamente para alertar sobre os perigos de obedecer ordens cegamente, sem ter o mínimo de questionamento e filosofia.

Hannah Arendt consta na minha “caneca da sabedoria”, onde, a cada gole de café, escolho um dos filósofos para brindar junto.

E é uma honra tomar um café imaginável com pensadores do porte de Sartre, Nietzsche e Arendt!

Seguem alguns links com leituras correlatas:

https://en.wikipedia.org/wiki/Adolf_Eichmann

A Guerra de Canudos em Quadrinhos

Recomendação de leitura: A Saga de Canudos.

É uma história em quadrinhos bastante curta, ilustrando o episódio da Guerra de Canudos, e focada em seu ilustre protagonista, Antônio Conselheiro.

Os conflitos ocorreram entre 1896 e 1897, num período logo após a Proclamação da República do Brasil.

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Antônio Conselheiro era um pregador, que viajava o Nordeste do Brasil. Ele criticava duramente a República, dizendo ser materialização do AntiCristo, pelo Estado ser laico. Outro ponto eram os altos impostos para financiar o novo governo. O profeta foi ganhando seguidores, e se estabeleceu numa fazenda, batizada como “Belo Monte”, mas que ficou conhecida na história como “Canudos”.

A comunidade de Canudos cresceu ao ponto de ter 25 mil habitantes. Seus seguidores: ex-escravos (foi um período logo após a abolição da escravatura), vagabundos, pessoas sem esperança, sem nada a perder. Era uma comunidade onde toda a produção era compartilhada entre os moradores.

Canudos começou a incomodar, por ser abertamente contra a República, e também por estar crescendo.

Foram 4 ataques militares, crescentes em termos de soldados e armamento, até finalmente Canudos ser completamente destruída.

“O sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão” – Antônio Conselheiro

“Os Sertões”, de Euclides da Cunha, é uma das maiores obras da literatura brasileira, e narra o episódio. Lembro porque caía no vestibular, e o livro era bem difícil de entender.

“E surgia na bahia o anacoreta sombrio, os cabelos crescidos até os ombros,​ barba inculta e longa; face acaveirada; olhar fulgurante” – Euclides da Cunha.

Até hoje não sei o que significa “Anacoreta”…

Ironicamente, o sertão de Canudos realmente virou mar. O açude de Cocorobó colocou as ruínas da cidade debaixo da água.

Vale a pena conhecer um pouco mais deste episódio da cultura brasileira.

https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/com-a-estiagem-cidade-de-canudos-volta-a-aparecer-apos-17-anos/