A Teoria dos Cisnes Negros

Um resumo das ideias poderosas de Cisnes Negros, popularizadas por Nassim Taleb: eventos de baixa probabilidade, porém alto impacto.

São duas partes. Uma com as definições, e a segunda com ações que devemos tomar.

 


 

A Teoria dos Cisnes Negros – Parte 1

Vivemos num mundo em que não conhecemos. Esta é a premissa básica da teoria dos Cisnes Negros, popularizada pelo pensador contemporâneo Nassim Taleb. Ele trabalhou por muito tempo como trader no mercado financeiro, e neste ramo, viu várias pessoas fazerem fortunas espetaculares para tudo virar pó em alguns dias.

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Cisnes Negros são eventos de baixa probabilidade, mas impacto extremamente elevado. É um outlier difícil de acontecer, mas que pode ocorrer um dia, e, se ocorrer, terá efeitos catastróficos.

Esta é a definição, mas não o problema real. O grande problema é que o ser humano tende a subestimar a existência de Cisnes Negros. Uma das razões é que, por serem tão raros, alguns desses eventos nunca ocorreram na história. E, mesmo nos casos em que ocorreram, rapidamente o conhecimento humano se adapta para mostrar que o evento era previsível, não era tão aleatório assim. É o que Taleb chama de “falácia narrativa”. Um exemplo são os economistas “profetas” que afirmaram que “era evidente que a crise de 2008 iria ocorrer, devido aos riscos dos títulos sub-prime”. Tudo isso a posteriori, é claro.

O termo Cisne Negro remete a uma história. No séc XVII pensava-se que todos os cisnes fossem brancos. Por mais cisnes que fossem vistos, eles eram todos brancos. Até que, na Austrália, foi descoberto o primeiro cisne negro. Apesar de milhares de anos de observações de cisnes brancos, bastou um único evento de cisne negro para derrubar a hipótese de que “todos os cisnes são brancos”. Este termo foi criado pelo filósofo inglês David Hume, nos anos 1700, justamente para demonstrar o “Problema da Indução”, ou seja, a fraqueza do nosso processo de raciocínio indutivo.

 


Não-linearidade do mundo

O mundo é não-linear.  A lei de potências governa o mundo, não a curva gaussiana de probabilidade normal.

Vale a pena pontuar alguns casos de não-linearidade histórica:  os ataques terroristas de 11/09/2001, o surgimento do Google, a crise financeira de 2008, o surgimento da internet,  o tsunami de 2004 na Indonésia. Nem a internet, nem o Google, foram previstos pelos livros de ficção científica, nem pelos acadêmicos e executivos.

Os ataques de 11/09 são um caso bastante ilustrativo. Foi algo completamente imprevisto, deixando o mundo inteiro em choque, e mudando completamente o rumo da história. O mundo ficou paranoico com o terrorismo. Dificilmente as guerras posteriores no Iraque e no Afeganistão teriam justificativas não fosse o combate ao terror.

A história é como uma caixa-preta. Conhecemos apenas os eventos da história, mas não os fatores que causaram o mesmo. Temos apenas a interpretação de historiadores, que é feita a posteriori e a partir de um ponto de vista subjetivo, não conhecemos os reais geradores dos eventos. Os eventos importantes são não-lineares. A história não rasteja, ela anda aos pulos. Entretanto, agimos como se fosse possível prever o curso da história, e pior ainda, mudá-lo.

Apesar de nossos avanços tecnológicos, ou talvez por causa deles, o futuro será governado cada vez mais por eventos extremos.

 


 

O desconhecido desconhecido

Há fatos que conhecemos, que conhecemos que desconhecemos, e os que desconhecemos que desconhecemos, e é neste domínio em que somos surpreendidos pelos cisnes negros.

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A ciência, os acadêmicos e os executivos das empresas tendem a focar no que conhecemos, e passar a falsa impressão de que não há fatos que desconhecemos que desconhecemos. Todas as soluções caem em alguma categoria dentro do conhecimento existente. É como aquela piada, do bêbado que perdera a chave do carro no meio da rua, mas procurava a mesma debaixo do poste porque era o único lugar que tinha iluminação.

O mundo conhecido, dos acadêmicos e MBAs mundo afora, é o da curva gaussiana. Ela tem erroneamente tem o nome de “curva normal”, indicando que é fenômeno normal do mundo. Mas a curva normal ignora grandes variações, joga fora o desconhecido – ignora o não-linear.  Taleb chama o mundo gaussiano de “Mediocristão”.

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O mundo real é governado pelo não-linear, exponencial, Pareto, é regido por leis de potência e pelo improvável: alguns poucos ficam com tudo, alguns eventos são ordens de magnitude maiores dos que todos os que já ocorreram,  o que desconhecemos é muito maior do que o que conhecemos. Este é o “Extremistão”, em oposição ao “Mediocristão”: o mundo escalável, exponencial, o-vencedor-leva-tudo, onde o resultado é desproporcional ao volume de trabalho, onde pode-se ficar milionário ou falido num instante.

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 O problema do Peru

Um peru é alimentado todos os dias pelo seu dono, por 1000 dias. Baseado em modelos de forecast que extrapolam o passado, ele supõe que o dia 1001 também será um dia feliz, em que será alimentado por um ser humano. Entretanto, o dia 1001 é Natal, e o peru vai para o forno.

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Assim como no problema do peru, no mundo real a mesma mão que alimenta, pode ser a da degola.

 


 

A Teoria dos Cisnes Negros – Parte 2

Como viver num mundo em que não conhecemos?

O passado pode não modelar completamente o futuro, quando estamos no Extremistão. Não conseguimos extrair informação de onde não existe.

Há três linhas de ação, com relação a opções para cisnes negros negativos, aproveitar cisnes negros positivos, e diminuir a ocorrência de cisnes negros .


 

Opções para Cisnes Negros negativos

Aceitar que não podemos prever o futuro implica em tomar medidas de precaução contra cisnes negros negativos: seguros, opções, planos B.

Taleb, por conta de sua formação como trader, explora bastante o uso de opções. Uma opção, no mercado financeiro, é um instrumento que dá o direito, mas não a obrigação, de comprar (ou vender) uma ação, num determinado momento a um determinado preço. Este direito não é de graça, é necessário pagar uma taxa, que na linguagem dos seguros é chamada de prêmio.

O seguro de veículos (ou casa, vida) é uma opção: pagando o prêmio do seguro, tenho a opção de “vender” (recuperar grande parte do valor) o automóvel à seguradora, no caso de problemas. Tenho o direito de fazer isto, mas não a obrigação. Se eu não exercer a opção dentro de um prazo, a seguradora fica com o prêmio.

Um seguro é uma opção de venda. Há no mercado financeiro a operação inversa: uma opção de compra. Posso comprar uma ação a um determinado valor, numa determinada data futura, pagando hoje um prêmio para obter este direito.

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Em suma, ter opções de compra ou de venda, ter seguros para as coisas mais importantes, ter redundâncias, ter um estoque, uma reserva de valor, são formas de precaução contra eventos imprevistos – não podemos prever o futuro, mas nos precaver para o mesmo.

 

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Ter opções

 

A questão é que o preço do prêmio pode ser caro, e o evento pode nunca ocorrer, então muita gente opta por não ter esses seguros.

Nos dias de hoje, com a busca das empresas em enxugar custos e tornar-se eficiente, com metas de redução de custos em todo lugar, as redundâncias, seguros e estoques têm se tornado cada vez menores. Isto pode gerar um ganho no curto prazo, mas não necessariamente no longo prazo.

Desprezar o seguro porque o prêmio é caro e gerar ganhos de curto prazo em detrimento do longo é como contar os centavos dentro da variação da curva normal conhecida, ao invés de centenas de dólares da variação de uma curva exponencial desconhecida. É como recolher centavos à frente de um rolo compressor. É como olhar para as folhas das árvores e esquecer da floresta, ou como ficar contando as pulgas e deixar passar o elefante, é pensar pequeno e deixar escapar o grande.

A natureza é um exemplo de organismo resiliente. Os animais e plantas devem se adaptar ao meio ambiente e serem eficientes, mas também devem ser eficazes em sobreviver a longo prazo. Digamos que um mamífero tenha uma adaptação ótima ao ambiente, o que lhe permita viver sem gordura. Entretanto, suponha que esta evolução ocorreu fora de uma época glacial. Quando chegar a próxima era glacial, este mamífero não sobreviverá para deixar seus genes, ao passo que os mamíferos não tão ótimos, porém robustos, terão sobrevivido, gerando os descendentes do mundo atual.

 


 

Cisnes Negros positivos e Estratégia Barbell

Para os cisnes negros positivos, a recomendação é a oposta: expor-se ao risco. Muita exploração agressiva, tentativa e erro, participar de festas e conversar com desconhecidos completos, tentar algo que nunca fora feito antes. A grande maioria dessas tentativas vai dar em nada, mas um único acerto pode valer todas as tentativas.

Se, por um lado, uma estratégia é a de ter opções, seguros e robustez, por outro lado devemos explorar agressivamente as oportunidades, qual a proporção entre esses? Essa é a estratégia “barbell”, remetendo à imagem de uma barra de pesos: ser extremamente conservador em um extremo (digamos, 90% do investimento em títulos bastante sólidos, renda fixa, ouro) e extremamente agressivo em outro extremo (digamos 10% do investimento em opções de alta volatilidade).

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A pior estratégia é ficar 100% no meio do caminho, nem tão conservador, nem tão agressivo: não há possibilidade de um cisne negro positivo, e também há risco de ser atingido por um cisne negro negativo.

 

Investidores-anjo não sabem qual a startup que vai realmente dar certo, então tendem a investir um valor pequeno (para o investidor, não para a startup) em várias empresas iniciantes, e acompanhar a evolução desta. O capitalismo, por permitir que centenas de milhares de empreendedores criem suas empresas, e principalmente, fracassem, permite que haja espaço para o surgimento de Apples e Microsofts, ao contrário do socialismo – em que a empresa estatal nunca fracassa porque é bancada por recursos públicos.

 


 

Ter a pele no jogo

O mundo contemporâneo está ficando cada mais conectado, com pessoas se especializando cada vez mais e empresas cada vez maiores. Isto traz um aumento proporcional na complexidade dos sistemas, e um loop de feedback cada vez mais distante e indiretos – as pessoas que tomam as decisões sentem cada vez menos os efeitos dessas decisões, o que faz com que elas não tenham a “pele no jogo”.

As empresas cada vez maiores podem ficar grandes demais para cair, exigindo algum socorro governamental quando isto acontece. Na prática, ocorre a privatização dos lucros, mas a socialização dos prejuízos, uma assimetria prejudicial à sociedade como um todo.

E, por serem grandes demais para ir à bancarrota, essas empresas podem tomar ações temerárias, como vender títulos podres a fim de obter ganhos de curto prazo – aumentando o tamanho do evento Cisne Negro – e com isso colocando em risco todo o sistema financeiro mundial.

Taleb é dos que defendem que empresas não podem se tornar “too big to fail” – evitar a complexidade na fonte, ao invés de ter a tarefa impossível de lidar com esta. Ele também é forte defensor da via negativa: simplificar ao invés de complicar, diminuir ao invés de aumentar, pequeno ao invés do gigante, projetos exequíveis e falíveis passo a passo.

 


 

Conclusões

Há várias formas de encarar o mundo. Algumas mais platônicas, em que achamos que a ciência pode modelar o mundo, os algoritmos do big data e os sensores da internet das coisas vão nos dar informações melhores do que qualquer outro ser humano, uma crença em alguma instituição, como o estado ou os economistas, ou no comunismo, vão nos dar todas as respostas que precisamos.

Outra forma de ver o mundo é assumir que não há como sabermos de tudo. Sempre haverá mais no céu e na terra do que sonha a nossa vã filosofia.  Há desconhecidos desconhecidos que fogem ao nosso controle. É sábio nos precaver de imprevistos, através de seguros, opções e redundâncias. Ser cético para com a ciência e as certezas e abraçar a aleatoriedade.

Para explorar oportunidades, exploração agressiva de tentativa e erro na prática (não na teoria), heurísticas, exposição (controlada) aos riscos, em domínios escaláveis (Extremistão).

Em termos de projetos, é melhor ter vários ciclos simples e rápidos de tentativa e erro no mundo real do que por um mega projeto planejado detalhe a detalhe do começo ao fim.

Vivemos em mundo que não conhecemos.

Resumo em uma frase: Não seja o peru.

 


 

Links

Vale a pena ler os seguintes livros.

 

A Lógica do Cisne Negro

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Iludidos pelo Acaso

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Antifrágil, coisas que se beneficiam com o caos.

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Os Falsos Profetas Científicos

O profeta do fim do mundo

Há uns 10 anos, um profeta previu que o mundo acabaria junto com a chegada de um cometa. Ele afirmava que uma divindade viria na cauda do cometa, e castigaria a humanidade pelos seus crimes. Fazia o seu discurso com tanta convicção, e com tantos detalhes de como seria o fim do mundo, que amealhou algumas dezenas de seguidores. Estes se prepararam para o fim do mundo, comprando mantimentos e equipamentos de sobrevivência.

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No dia do juízo final, reuniram-se na igreja do profeta. As horas se passaram… e nada do mundo acabar. O cometa passou, assim como as 24h do dia do juízo final… e o profeta recebeu outra mensagem de Deus! A humanidade tinha sido perdoada! Os esforços dele e dos seus seguidores comoveram Deus. Parabéns a todos pelo feito histórico!


 

Profetas estatísticos

Há alguns profetas contemporâneos, mas que se vestem de economistas e estatísticos. Confesso que adoro quando eles quebram a cara!
Um tal de Nate Silver ficou famoso mundialmente, após prever com acurácia o resultado das eleições americanas de 2008 e 2012. Dos 50 estados americanos, acertou a previsão em 49. Virou celebridade. Ele escreveu um livro, chamado “O Sinal e o Ruído”. Virou o papa da estatística. O seu método poderia prever tudo, como se fosse um dos profetas das lendas antigas. Porém, ao invés de ler as entranhas de carneiro, ou os cascos de tartaruga, Nate Silver usa fórmulas matemáticas complexas e computadores. Pode parecer sofisticado, mas para mim, é a mesma coisa que usar intestinos de bode.

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Em 2016, um evento inesperado foi como uma “bala de prata” para Silver: Donald Trump. Ele fez uma série de previsões furadas: Trump não iria nem disputar as prévias, nas prévias perderia para o adversário, nas eleições perderia para Hillary Clinton…

Alguns highlights do site dele, chamado FiveThirtyEigth:

Why Donald Trump Isn’t a Real Candidate, In One Chart

June 16, 2015

Donald Trump Is The World’s Greatest Troll

July 20, 2015

Republicans Don’t Like Donald Trump As Much As They Used To

October 2, 2015

Trump Boom Or Trump Bubble?

December 15, 2015

(Retirado de http://paleofuture.gizmodo.com/nate-silvers-very-very-wrong-predictions-about-donald-t-1788583912)

 

Sobre alguns destes erros, Silver fez uma mea-culpa, dizendo que nem sempre usou estatística em algumas destas análises, mas que continua sendo um cara fodão, blá blá, blá, blá. Se nem estatística usou, ele deveria ser analista político, não estatístico, correto?

(http://fivethirtyeight.com/features/how-i-acted-like-a-pundit-and-screwed-up-on-donald-trump/)

Este screnshot é do forecast final da votação presidencial, do seu site FiveThirtyEigth, prevendo que Clinton ganharia com folga:

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(http://projects.fivethirtyeight.com/2016-election-forecast/)
Probabilidades podem ou não acontecer. Elas não indicam que a afirmação vai ocorrer com certeza absoluta. Então, as afirmações de que Silver errou as previsões fazem pouco sentido, porque por mais que uma probabilidade seja baixa, ela pode ocorrer. Entretanto, se o critério da mídia foi endeusar fulano por acertar todas as previsões de probabilidade, temos que adotar o mesmo critério de tirar fulano do pedestal por errar as previsões. Este é o meu ponto. Não há profetas, ninguém é Deus na Terra.

 


Estatística

A estatística é uma ciência que surgiu para prever comportamentos médios, baseados em diversos comportamentos individuais. Por exemplo, cada pessoa tem uma altura. É praticamente impossível adivinhar a altura exata de uma pessoa aleatória. Mas, se soubermos a idade, o sexo e a região do mundo, através de uma curva normal de estatística podemos dar um bom chute. Um homem, de 25 anos, no Brasil, ter enorme chances de ter entre 1,60 e 1,90 de altura!

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Entretanto, probabilidade e estatística têm a) um domínio de validade, e b) são ciências incertas pela própria natureza da coisa.
O grau de confiança de afirmações estatísticas têm maior validade se o número de amostras é maior.
Nate Silver fez trabalhos estatísticos de muito sucesso no baseball. Ora, no baseball a estatística faz muito sentido: centenas de jogos, jogadores fazendo jogadas semelhantes milhares de vezes na temporada.
Nas eleições, a chance de erro é muito maior. Porque Trump e Hillary disputaram uma única eleição. Não foi uma média de 100 eleições diferentes. E nunca mais haverá de novo as mesmas eleições. As eleições de 2016 são diferentes das de 2012. E serão diferentes das de 2020.

As probabilidades não dão certezas. São apenas probabilidades, não profecias. E os estatísticos que fazem as contas, apenas analistas técnicos, não profetas. Portanto, não faz sentido nenhum estar escrito, em absolutamente todas as matérias jornalísticas sobre Nate Silver, que ele acertou 49 de 50 resultados em 2012. Ele presta um desserviço enorme à ciência, ao tirar proveito desta fama e virar um pseudo-profeta.

E todas as fórmulas complexas e programas de computadores? Ora, conforme dito, a estatística tem as suas hipóteses de validade. Usar todas estas técnicas fora do domínio de validade é como construir um arranha-céus com as melhores tecnologias e materiais do mundo, mas sob fundações de lama: um dia, vai tudo desabar. Os economistas têm até um nome para isto: falácia lúdica. Significa se enganar com fórmulas matemáticas complexas, mas não conferir as hipóteses (normalmente frágeis) de todas estas fórmulas.

Nate Silver não é nem Deus por acertar todas as previsões, nem Lixo por errar previsões importantes. É apenas um analista estatístico, e os seus resultados devem ser entendidos como tal.
Conclusão: não existem profetas. Mesmo que fulano tenha acertado 1.000 de 1.000 previsões, um dia sua máscara cairá.


Críticas de Nassim Taleb

Quando terminei de escrever o parágrafo acima, fui pesquisar algumas das reações aos forecasts de 2016.
É lógico, sempre tem aqueles que ainda endeusam Nate Silver. Cada um é livre para opinar da forma que quiser. Mas encontrei alguns tweets interessantes do pensador Nassim Taleb, autor da “Lógica do Cisne Negro”, sob a qual baseio grande partes das ideias acima e muitos posts deste espaço.

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Ele diz coisas como: as probabilidades de Silver (site FiveThirtyEigth) variam tanto que são muito estocásticas para serem probabilidades. Se a variância é tão grande assim, a probabilidade é de 50% (ou seja, pode dar igualmente qualquer coisa, a análise toda só serviu para dizer ‘não sei’).

Taleb é outro que odeia profetas. Vive brigando com alguns.

 


 

Fontes

 

Nassim Criticizes Nate Silver’s Election Predictions on Twitter

http://paleofuture.gizmodo.com/nate-silvers-very-very-wrong-predictions-about-donald-t-1788583912

http://projects.fivethirtyeight.com/2016-election-forecast/

http://fivethirtyeight.com/features/how-i-acted-like-a-pundit-and-screwed-up-on-donald-trump/

http://www.businessinsider.com/donald-trump-nate-silver-prediction-mock-polls-2016-10

https://www.pastemagazine.com/articles/2016/07/the-sudden-shocking-fall-of-nate-silver.html

http://www.smh.com.au/world/us-election/us-election-2016-statistician-nate-silvers-big-donald-trump-mistake-20161030-gseaye.html

Links

Alguns textos.


Seth Godin é um criativo escritor, e tem várias ideias provocativas. Devido à concorrência entre empresas de transporte (Uber e Lyft) nos EUA, está tendo uma corrida para baixo, de quem fornece preços menores. Ele sugere o contrário: quem cobra mais, mas oferece  serviços cada vez melhores: uma corrida para cima.

http://sethgodin.typepad.com/seths_blog/2016/06/a-dollar-more-vs-a-dollar-less.html


Alexandre Versignassi, Editor da Superinteressante, conta a história do “Trabant”, um carro que todos poderiam ter, na Rússia. O problema era que a fila de espera era de 15 anos. E compara o Trabant com o Iphone, nos dias atuais.

http://super.abril.com.br/blogs/crash/ganancia-a-arma-mais-eficiente-contra-a-pobreza/

 


 

Nassim Taleb conta como uma minoria barulhenta, digamos 5% da população, mas engajada, ativa, que ocupa os espaços da mídia, pode influenciar os resultados ante uma maioria (que tem mais o que fazer do que lutar por um assunto específico).

http://www.fooledbyrandomness.com/minority.pdf

 

 

 


 

 

 

Por que você não abre a sua própria empresa?

Já fiz alguns trabalhos muito interessantes em minha carreira profissional. Vendo alguns desses trabalhos, de vez em quando algum colega pergunta: “Por que você não abre a sua própria empresa?”
 
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A minha resposta é sempre algo como “não tenho habilidade como vendedor”, “não gosto da parte burocrática”, etc. Mas é tudo mentira.
 
A verdade é que não tenho coragem para ser um empreendedor. Prefiro a segurança de receber um valor fixo todos os meses ao risco de passar apuros.

 


 

Empreendedorismo = Risco

 
Um empreendimento pode ou não dar certo. Se der certo, é claro que haverão recompensas, como o retorno financeiro.
 
Mas empreender é extremamente difícil. Seja por falta de habilidade comercial, seja porque o mercado vai contra, ou porque o produto é ruim mesmo, o novo negócio pode dar errado. Empreender significa assumir compromissos com fornecedores e bancos. Significa ter que pagar em dia para os funcionários, sob pena de descumprir pesadas legislações trabalhistas. Significa assumir riscos.

 

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Tenho grande aversão ao risco. E não sou o único. A maioria das pessoas também é avessa ao risco.
 
Basta ver a grande procura que têm os concursos públicos, por terem atrelado a eles a palavra mágica “estabilidade”, junto com outra palavra mágica: “salário acima da média”.
 
 


Herois anônimos
 
Quem olha a Disney hoje, vê um império multibilionário de entretenimento.
 
Poucos sabem que Walter Disney quebrou duas vezes, atrasando salários a funcionários, pagamentos a fornecedores, a ponto de ser despejado da própria casa. Disney chegou ao fundo do poço antes de atingir o sucesso. O mesmo ocorreu com dezenas de outros empreendedores.
 
O Walt Disney que conhecemos atingiu o sucesso, mas quantos Walt Disneys anônimos fracassaram?
 
Quantas lojas em shopping, restaurantes, imobiliárias, websites, concessionárias de veículos, pequenos negócios, quebram anonimamente todos os dias e nem sequer tomamos conhecimento?
 
O grande pensador contemporâneo Nassim Taleb chama os empreendedores de heróis anônimos do mundo. São os que colocam a “pele no jogo”. Assumem grandes riscos para trazer para nós as lojas de conveniência, restaurantes, táxis…

 
Do livro “Antifrágil – coisas que se beneficiam com o Caos”:
 

Dia do Empreendedor
 

O empreendedorismo é uma atividade arriscada e necessária para o crescimento ou, até mesmo, para a simples sobrevivência da economia.
 

Para progredir, a sociedade moderna deveria estar tratando os empreendedores arruinados com a mesma lógica que os soldados mortos…

 

Meu sonho é que tivéssemos um Dia Nacional do Empreendedor com a seguinte mensagem:
 

A maioria de vocês fracassará, será desrespeitada, empobrecerá, mas somo gratos pelos riscos que vocês estão assumindo e os sacrifícios que estão fazendo em prol do crescimento econômico do planeta e forçando os outros a sair do problema. Vocês estão na origem da nossa antifragilidade. A nação agradece.

 

Empreendedores são os que transformam a teoria em prática. É na prática que vemos se uma ideia funciona ou não. Empreendedores são os que assumem riscos e trazem inovação ao mercado. Ao invés de penalizar cada vez mais os empreendedores, os governantes, “intelectuais” e críticos deveriam é dar mais valor a eles.

 

Para completar, o mestre Peter Drucker:

 

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A Revolução da Ignorância

Ouvi uma pessoa dizer numa palestra que “a ciência provou que o Big Bang ocorreu há exatamente 3,8 bilhões de anos atrás”. Depois, esta mesma pessoa disse que “a ciência provou que a evolução Darwiniana está correta”.

 
BigBang
 
Fiquei revoltado com ambas as frases. Não porque eu não acredite na evolução ou no Big Bang. E nem porque a frase tem palavras tão desconexas quanto “exato” e “bilhões de anos”. Mas sim porque ambas as frases são diametralmente opostas ao próprio método científico.
 
A ciência não dá certezas absolutas. Quem coloca dogmas como verdades absolutas intransponíveis são as religiões e as ideologias. O método científico é o método da Ignorância – ter a humildade de reconhecer que não sabemos de tudo, e que temos que aprender com fatos novos que contradizem o nosso corpo de conhecimento. Este texto tentará mostrar isto.
 


 

1. O mundo pré método científico
 
No mundo pré método científico, os humanos explicavam o mundo através de deuses. O trovão era causado por um deus quando ficava enfurecido. Os mares tinham um deus, os céus, outro deus, e assim sucessivamente.

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Os deuses explicavam tudo, e praticamente todas as civilizações antigas tinham os seus mitos de criação da humanidade.
 
Nada contra religiões politeístas, mas religião e ciência são coisas distintas.


 

2. Revolução da Ignorância

Segundo as ideias do filósofo Karl Popper, em sua Lógica das Descobertas Científicas, a ciência não prova nada. A ciência apenas apresenta teorias, que são válidas enquanto não surge outra ideia melhor. Em outras palavras, a ciência é falsificável, porque podem surgir evidências de que ela é falsa.

 

A ciência não apresenta provas definitivas. E é aí a grande força da ciência, que reconhece que é incompleta e que são justamente as informações contraditórias que a ajudam a crescer.

 

A mecânica de Isaac Newton funcionou muito bem por centenas de anos. Mas alguns experimentos de medição da velocidade da luz, que contradiziam a Física da época, permitiram que a famosa Teoria da Relatividade surgisse. A Física Newtoniana não era mais a verdade absoluta. Havia agora uma teoria melhor, que vai durar até que novas observações e contradições a derrubem.
 
Apenas as religiões e ideologias apresentam afirmações intransponíveis, que explicam todos os fenômenos do mundo em dogmas auto contidos.


 

3. Cisnes Negros

Uma das implicações da ciência ser falsificável é o Problema da Indução: não importa o número de observações condizentes, mas uma única observação contraditória é suficiente para contestar a teoria.
 
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A ideia de Cisne Negro foi divulgada por Nassim Taleb. Imagine a afirmação: “Todos os Cisnes são brancos”. Não importa quantos Cisnes brancos eu veja, isto não vai provar que a Teoria está correta. Mas uma única observação de um Cisne Negro vai ser suficiente para contradizer a teoria, que deve ser substituída por outra.
 
Observe a diferença. Uma ideologia como o socialismo concentra-se em ideias fixas. Não importa quantas vezes tenha dado errado na prática, os defensores da ideologia vão sempre defender que foi a execução não seguiu a teoria, ao invés de admitir que a teoria é que deve ser modificada.


 

4. Triunfo da humildade
 
Portanto, a ciência é o triunfo da humildade de não achar que a gente sabe de tudo. Por exemplo, por mais elegante que seja a Teoria da Evolução, ela provavelmente não vai explicar tudo, forçando o surgimento de melhorias nas ideias envolvidas. O mesmo se dá em relação ao Big Bang e a todas as outras teorias. Esta própria ideia da teoria das Descobertas Científicas de Popper pode estar errada, e vir a ser substituída por outra que diga algo diferente.
 
Newton: o que sei é uma gota, o que não sei é um Oceano.

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Shakespeare, falando por meio de Hamlet : Há mais no Céu e na Terra do que sonha a nossa vã filosofia.

 

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Bibliografia interessante:

The Black Swan – Nassim Nicholas Taleb
Sapiens – Uma breve história da humanidade
Karl Popper – a Lógica das Descobertas Científicas

 

 

Como uma roda funciona?

Tipos de Equilíbrio

 

Eis uma divagação meio perdida, mas muito importante.

 

Em física, há o equilíbrio estável e o instável.

 
O equilíbrio estável é aquele em que uma pequena perturbação (um empurrãozinho) não faz mudar a posição da bolinha: ela vai e volta para o mesmo ponto.

Equilibrios

Já no equilíbrio instável, um empurrãozinho faz a bolinha sair da posição e não mais voltar: ou seja, colapsar.

 
Por que esta noção bobinha de equilíbrio é importante em física?
 

Porque normalmente os físicos modelam seus problemas em termos de equações. Um sistema de equações pode gerar várias soluções possíveis. A solução pode atender a equação (ser um ponto de equilíbrio), mas pode ser instável – ou seja, na prática é uma solução que não serve para nada. Os físicos procuram soluções estáveis para os seus problemas.

 


 

Como uma roda funciona?
 

Surpreendentemente, uma das invenções mais úteis do homem busca o equilíbrio instável, ao invés do equilíbrio estável.
 

Se você imagina uma roda numa superfície lisa, o ponto da roda em contato com o chão está numa forma de equilíbrio instável: um empurrãozinho na roda, e a roda gira, a posição muda. Mas o ponto seguinte da roda também estará num equilíbrio instável. A roda nada mais é do que uma sucessão eterna de equilíbrios instáveis.

Equilibrio_Roda

E é exatamente por ser uma eterna sucessão de equilíbrios instáveis que faz com que a roda seja tão útil. Imagine a bolinha em equilíbrio instável. Um empurrãozinho e ela já sai do lugar. Enquanto isso, a bolinha no equilíbrio estável precisa de um monte de energia para fugir deste estado.
 

Empurrao

A natureza é fascinante. Aquilo que parecia o seguro, o estável, torna-se pior do que o instável.


 

A vida é um equilíbrio dinâmico

 
Muita gente busca a estabilidade em suas vidas, e inveja as pessoas que a conseguiram: fazer sempre a mesma coisa, ter estabilidade no emprego, ter uma garantia de renda, etc.

 
De modo análogo ao da roda, o equilíbrio instável pode ser melhor do que o estável.

 
A vida é cheia de empurrõeszinhos e empurrõezões. Uma crise, uma mudança de política, um colapso do governo, um problema de saúde, etc.

 

Quando os empurrões acontecem, aqueles que viviam a ilusão da “estabilidade” terão que despender muita energia para se virar: eles são frágeis.

 
Aqueles já que passaram a vida toda tendo que se virar sozinhos têm mais capacidade de se virar de novo, e até se dar bem. São anti-frágeis. A “anti-fragilidade” é um termo cunhado pelo provocativo pensador Nassim Nicholas Taleb, cujas ideias e cisnes negros já foram discutidos muitas vezes neste blog.
 

Ao invés de procurar um porto seguro, tenha em mente que a vida pode dar seus empurrões. Ao invés de evitar a incerteza, que tal abraçar a incerteza? Fazer trabalhos diferentes, assumir riscos controlados, estudar coisas novas e esquecer conhecimento que não é mais válido. Assumir que muita coisa pode mudar, que o seu porto seguro não é tão seguro assim, e que Black Swans podem acontecer.

Einstein-albert-Bicycle

Lembro-me de uma frase de Albert Einstein: “A vida é como andar de bicicleta, deve-se estar sempre em movimento”.

 

Arnaldo Gunzi
Julho 2015

 
 

O problema do peru

 

“The turkey problem” é um termo provocativo de Nassim Taleb, que ilustra a incapacidade de se prever o futuro e a falsa confiança que dados históricos podem trazer.
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Um peru passa mil dias sendo alimentado por um humano. Cada dia a mais é uma evidência adicional de que o humano é alguém que foi feito para cuidar do peru.

 

Se tivesse um peru com doutorado em estatística, ele poderia fazer um gráfico plotando uma linha crescente nos 1000 dias. E qual seria a projeção (forecast) estatística dele para o dia 1001? A projeção seria a de que o dia 1001 seria igual a todos os outros, com o humano dando comida e cuidando da vida boa do peru.

 

Exceto que o dia 1001 é o dia de ação de graças, festa tradicional norte americana cujo prato predileto é o peru.

 

O peru foi para o forno, e o gráfico dele passou a ser algo assim:

 

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O peru tinha um conhecimento limitado do mundo e uma massa de dados históricos de 1000 dias.

 

O ser humano tem um conhecimento limitado do mundo, e tudo o que se tem são dados do passado (e projeções para o futuro). Somos todos perus.

 

Somente depois que um grande evento acontece é que surgem profetas e sabidões falando que tinham previsto isto. Foi o caso, por exemplo, do ataque às torres gêmeas, um evento ímpar que mudou completamente o mundo após ocorrer.

 

Algumas implicações para não ser um peru: assumir que não é possível prever o futuro e se precaver caso algo aconteça, considerar também os riscos ocultos que não podem ser mensurados e não confiar que novas ferramentas da moda são melhores que as existentes.

 
Não é possível adivinhar o futuro. Pode-se ter projeções, pode-se trabalhar em cenários prováveis, mas um evento extremo sempre pode ocorrer. O que é possível de ser feito é assumir proteção a risco, no caso de algum evento extremo. Por proteção a risco entende-se hedge, stop loss, seguros, estoques estratégicos.

 

Seguros como o de vida, carro, plano de saúde podem ser caros, mas podem evitar problemas ordens de grandeza mais caros no futuro.

 

Estoques são cada vez mais considerados como custos, num mundo otimizado. Mas é bom ter uma gordura, um estoque do mais importante. O próprio corpo humano é assim. Qualquer alimento sobrando vira estoque de energia, a gordura, que é tão difícil de eliminar. Temos dois pulmões, dois rins, cabelo e unhas nunca param de crescer, um monte de sistemas backup redundantes. Somos projetados para viver num mundo instável.

 


Os riscos ocultos podem ser piores que os riscos visíveis. Porque somos perus, e não conseguimos enxergar além de um limitado alcance.

 

Qual a aplicação financeira com menor risco? É quase unânime dizer que é a poupança ou títulos da dívida do governo, enquanto a bolsa de valores é o lugar de alto risco. Na verdade, o que interessa é o risco futuro, e ninguém sabe o que pode acontecer.  Colocar todos os ovos na mesma cesta é ruim, confiar somente na poupança e nos títulos do governo é ruim. Por isso, diversifico comprando outros ativos, inclusive na bolsa de valores – não busco ganhos imediatos, mas proteção e diluição de riscos a longo prazo.
 


Tem algumas palavras chave da moda, que de tempos em tempos aparecem, como Big Data, Analytics, etc.  O tal do Big data não vai servir para nada. Não é com mais dados (do passado) que vamos saber mais do futuro.

 
Não é porque o cara que inventou o método “Super Big ABCD” tem phD em Harvard e escreveu um artigo bonito (com monte de palavras complicadas, citando um monte outros caras famosos) que isto vai funcionar mesmo. O nosso peru do exemplo também tinha doutorado em estatística. Todas estas metodogias e ferramentas dão a ilusão de que se tem o mundo sob controle (riscos visíveis), quando vivemos num mundo em que há cada vez mais  eventos ocultos que não previsíveis.

O mundo é e sempre será muito maior do que a soma de todo o conhecimento da humanidade.