​Recomendações de livros para recém-formados

Após o post anterior, várias pessoas (como o meu amigo Marco Lima) vêm pedindo para eu colocar as minhas recomendações de livros para pessoas em início de carreira. São livros introdutórios, mas certamente servem para profissionais já bem estabelecidos também.

Também são muitos livros, mas tentarei dividir em áreas de interesse.

Aviso: gosto muito da recomendação do prof. Kokei Uehara.

São 4 fases de um profissional: o técnico, o administrador, o economista e o filósofo. Na primeira década após formado, o profissional deve dedicar-se à parte técnica, dominar muito bem o seu ramo de atividade, seja engenharia, contabilidade, o que for.

Portanto, nesta primeira fase, deve-se procurar especialização em áreas de interesse, continuar a estudar academicamente, montar as suas fundações.

A segunda fase é o do administrador. O profissional já tem domínio suficiente do que faz, e começa a administrar outras tantas pessoas. Também é uma fase em que deve-se abrir a cabeça para muitos outros assuntos além de sua área de atuação.

A terceira fase é a do economista. Compreender a relação causa-efeito do que acontece no mundo, escassez de recursos, compreender as fundações do sistema.

A quarta fase é a do filósofo. Uma vez que se sabe as fundações do sistema, podemos começar a questionar as mesmas. O mundo não é tão compreensível assim, a ciência não responde todas as perguntas, os prós e contras das religiões. É necessário ter uma boa vivência para realmente compreender a essência das ideias discutidas neste tópico. É o ápice e também o declínio, porque é onde descobrimos que há respostas mas estas não são absolutas, que podemos tentar muito mas mesmo assim nunca vamos descobrir tudo.


Administração

1 – Peter Drucker – Introdução à Administração

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O meu autor preferido na área de administração é Peter Drucker. Autor austríaco do início dos anos 1900, começou como economista, mas naquela época, com o surgimento da linha de produção em lugares como a Ford e a GM, estava sendo necessário um outro tipo de conhecimento: a Administração. A diferença é que a administração é mais humana, trata de temas como liderança, administração de pessoas, eficácia versus efetividade.

Ele criou o termo “trabalhador do conhecimento”: não o operador de macacão azul que trabalha na linha de montagem, mas aquele responsável por pensar, gerenciar outras pessoas, responder as respostas corretas e estudar até o fim da vida.

A Introdução à Administração é uma versão resumida da obra máxima de Drucker, “Management, Tasks, Responsabilities, Practices”, de leitura fácil e com ideias que já utilizei diversas vezes e utilizo até hoje.

 

2 – Peter Drucker – O Gestor Eficaz

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Um livro direto, rápido, com muitas recomendações para que um executivo seja eficaz. Note que o título é “eficaz” e não “eficiente”.

Eficiente é fazer muito bem alguma coisa. Por exemplo, digitar sem erros é ser eficiente.

Mas a eficiência não serve para nada sem a eficácia – que significa saber o que deve ser feito. Melhor digitar com erros, mas saber qual a mensagem a ser escrita, do que digitar sem erros uma mensagem inútil.


História

3 – Sapiens, uma breve história da humanidade

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O livro de Yuval Harari conta a história do ser humano desde a pré-história até os dias de hoje. Livro muito bem escrito, que prende a atenção. Inclui muitos conceitos e teorias bastante interessantes. Um exemplo é a mega-fauna (tatus gigantes, preguiças gigantes) que foi extinta com a chegada do homem moderno. Outro exemplo: o politeísmo surgiu naturalmente como uma explicação dos fenômenos do mundo (deus do trovão, deus do Sol), mas foi suplantado pelo monoteísmo. Um fator que contribuiu é que os monoteístas são muito mais fanáticos que os politeístas, pela própria natureza da crença de que há um e apenas um deus correto, os demais são heresia. Conclusão: é um livro rico em ideias e teorias.

 

4 – Guns, Germs, and Steel

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O trabalho de Jared Diamond tenta responder a uma pergunta. Por que as potências ocidentais são tão ricas? A teoria dele é que as pessoas são iguais, porém a geografia fez uma enorme diferença. A agricultura permitiu ao ser humano sustentar uma população cada vez maior. Entretanto, de milhares de espécies de plantas da natureza, apenas uma dúzia delas é domesticável: trigo, milho, soja, laranja, etc. Quanto aos animais, a mesma coisa, somente alguns são domesticáveis e têm valor comercial: vaca, carneiro, cavalo, etc. A seleção artificial do ser humano vem aumentando a produtividade, os melhores morangos são selecionados, os carneiros mais dóceis sobrevivem, etc. A questão é que essa meia dúzia de plantas e animais se concentram totalmente nas latitudes de sorte, que são o primeiro mundo atual. Em locais muito frios, muito quentes, muito secos, muito altos, não é possível plantar e não há tantos animais domesticáveis.

É uma leitura interessante, embora sofra do efeito retrospectiva, ou seja, a teoria se adequa aos fatos que ocorreram.

 

5 – Maus, a história de um sobrevivente

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Gostaria de indicar um livro sobre a Segunda Grande Guerra, que influencia até hoje os rumos da humanidade. Maus é uma boa recomendação. Na verdade, é uma história em quadrinhos. Art Spiegelman, o autor da história, narra a história de seu pai, Vladek, que sofreu na pele a perseguição aos judeus alemães na Segunda Guerra. Os judeus foram desenhados como ratos (daí o título: maus em alemão = mouse = rato), os nazistas como gatos, os americanos como cachorros.

O autor, Art, nasceu depois da guerra, mas é cheio de traumas com comportamentos estranhos de seu pai, entre eles a concorrência virtual com um irmão, que morreu na guerra. São histórias descritas com muitos detalhes e com a sinceridade de um sobrevivente. É uma história escrita com a alma, em que o autor fica pelado emocionalmente, mostrando aquele lado que gostaríamos de deixar escondido.

 


Economia
6 – Freaknomics

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Livro que populariza conceitos de economia, com explicações cotidianas. Economia lida com escassez de recursos, portanto com a utilização racional deste. Isto influi nas decisões das pessoas. Partindo disto, o livro explica porque um terrorista suicida faria seguro de vida, ou porque um traficante de drogas tende a ser pobre e morar com a mãe (embora a imagem que temos seja o contrário, alguém rico e rebelde). Explica entranhas de partidas de sumô arranjadas, e, talvez o ponto mais controverso, a correlação negativa entre aborto e criminalidade – quanto mais liberado é o aborto, menos bebês indesejados vêm ao mundo, e com isso o nível de criminalidade 20 anos depois tende a cair.

De qualquer forma, é um trabalho interessante de Steven Levitt e Stephen J. Dubner, com várias sequências, como toda série de sucesso.

 

7 – Economics in one lesson

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Henry Hazzlit sintetiza os pontos mais importantes que a economia deve se preocupar, em poucas páginas, somente o essencial. E são dois os pontos: visão a longo prazo, e a nível global. É muito fácil criar uma falácia econômica. É só restringir a realidade a curto prazo e a nível local. Exemplos:

Falácia a curto prazo: os aposentados de hoje vão receber menos do que os aposentados de ontem se a reforma da previdência passar. Análise a longo prazo: se não houver reforma, ninguém vai receber nada porque o país vai quebrar.

Falácia a nível local: os carros autônomos vão destruir o emprego dos motoristas. Análise a nível global: os transportes serão mais eficientes, gerando ganho global de bem-estar, e os trabalhadores serão realocados para outros setores.

É muito fácil conseguir um ganho de curto prazo e local, basta sacrificar o longo prazo e o global: deixar de fazer investimentos, garantir o ganho de uma classe em detrimento das pessoas em geral (exemplo protecionismo econômico). O problema é que, um dia, a conta chega, e ela é salgada, muitas vezes superior ao que poderia ser.

 

8 – The Black Swan

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Um Cisne Negro é um evento de baixíssima probabilidade, mas impacto devastador. Por serem de probabilidade de ocorrência tão baixa, as pessoas desprezam tais eventos em seus modelos.

A grande contribuição de Nassim Taleb é afirmar que, embora tenham teoricamente probabilidade tão baixa, tais eventos ocorrem, e com muita frequência. Nossos modelos estatísticos, que olham para o passado, não conseguem capturar a real magnitude de um evento assim, que jamais ocorreu (porém, que pode acontecer), tornando a matemática inútil contra eventos desta natureza.

Para a proteção contra um futuro incerto, a receita de sempre: seguros, estoques, redundância, plano B, alternativas abertas.
Porém, seguro custa dinheiro, estoques empatam capital, pessoas a mais são caras. Neste mundo cada vez mais imediatista, em que a palavra da ordem é corte de custos e EBITDA trimestral, tende-se a confiar cada vez mais em modelos estatísticos e cortar seguros, estoques, alternativas. Isto dará espetacularmente certo, até o dia em que dará espetacularmente errado, jogando por terra todos os ganhos obtidos anteriormente.

Taleb é uma espécie de Nietzsche de Wall Street. Enquanto o mundo está cada vez mais quantitativo, como o deus Apolo, ele ataca as fundações de barro desse ídolo, mostrando as suas fraquezas, e confiando em seu oposto, Dionísio. Aliás, Taleb tem a sua própria versão de Apolo x Dionísio, que é Dr. John (um phD em métodos quantitativos) x Tony Gordo (alguém formado nas ruas, com conhecimento empírico).

 

9 – Thinking Fast Slow

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Amos Tveski e Daniel Kahneman deram um tapa na cara do mundo dos economistas com este trabalho. Uma das hipóteses básicas dos modelos econômicos é que o ser humano toma decisões racionais. A dupla mostrou que não, muitas decisões são completamente irracionais. Evoluímos tendo que sobreviver neste mundo. Isto exige decisões rápidas. Não dá tempo de avaliar a situação, obter todos os dados, antes de tomar a decisão de correr ou não de um leão. Eles simplificam didaticamente o cérebro humano em dois modos, um rápido que toma decisões baseadas em heurística, e um devagar, que realmente pensa, reflete e analisa.

Eles descrevem muitas tendências do ser humano. Efeito de enquadramento: a moldura do quadro importa. Ancoragem: um ponto de referência, mesmo que seja um número aleatório, influi na decisão. Disponibilidade: o que está mais fresco na memória surge mais rápido. Aversão à perda é mais forte do que perspectiva de ganho.

 

 

10 – Saga Brasileira

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Miriam Leitão conta a difícil situação do Brasil dos anos 80, marcado por hiperinflação, planos econômicos bizarros (congelamento de preço, Plano Collor), troca de moeda todo ano, até que finalmente conseguimos encontrar o nosso caminho com o Plano Real. Quem não viveu esta época não tem noção do quão sofrido é viver numa terra sem moeda. Já escrevi sobre isto, da minha forma: o Índice X-Men de Inflação.

 


Estratégias de Guerra

11- A Arte da Guerra

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A obra de Sun Tzu é concisa, profunda e importante. Contém estratégias que podem ser utilizadas na nossa vida, e conhecimento que deriva de milhares de anos de batalhas da China antiga. Quando na defensiva, seja impassível como uma montanha. Quando na ofensiva, ataque como um falcão ataca a sua presa.
Quem protege o lado direito, deixa o lado esquerdo desprotegido. Quem protege o lado esquerdo, deixa o lado direito desprotegido. Quem tenta se proteger em todos os pontos, será vulnerável em todos os pontos.
A guerra consiste em enganar o oponente.

 

12 – 36 estratégias de guerra

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Outro clássico chinês, em complemento ao acima citado. Contém estratégias como “Bater na grama para espantar a cobra”, “esconder uma adaga atrás de um sorriso”, “aliar-se a um reino distante ao atacar um reino próximo”. Vale a leitura.


 

Filosofia

Este é o meu tema favorito, porque é a fronteira do pensamento, é o momento em que pegamos todo o conteúdo acima e o jogamos fora para construir de novo. Embora seja tentador recomendar Nietzsche, Platão, Aristóteles, Camus e Sartre, vou colocar apenas duas recomendações introdutórias (mas não deixe de ler os autores citados, depois disso).

 

13 – O Mundo de Sofia

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A obra de Jostein Gaarder narra sobre as principais correntes filosóficas, a partir da personagem Sofia, uma menina curiosa sobre o mundo. É uma boa introdução.

 

14 – Breve História da Filosofia

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Livro muito bem escrito por Nigel Warburton, conta um pouco sobre os principais pensadores que moldaram o nosso mundo. Não é muito grande, e é de fácil leitura.

 

15 – História da Filosofia

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Do mesmo nível, tem a História da Filosofia de Will Durant. Will Durant é um excelente escritor e historiador, na verdade recomendo todas as obras dele, incluindo a colossal e magnífica História da Civilização.


Outros

16 – Moonwalking with Einstein

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É um livro sobre memorização. Um repórter, tão comum quanto qualquer um de nós, treinou com afinco, participou e ganhou um campeonato de memorização. Técnicas de memorização são extremamente úteis, minha vida seria mais fácil se eu soubesse dessas técnicas antes. Por exemplo, uma técnica é associar um número a uma ação (tipo moonwalking do Michael Jackson), e outro número a uma pessoa (digamos Einstein), e imaginar Einstein fazendo moonwalking ao som de Michael Jackson. Impossível esquecer.

Aliás, a minha recomendação de verdade é fazer um curso de memorização e leitura dinâmica, vale muito a pena.

 

17 – Think and grow rich

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A obra de Napoleon Hill não é tão profunda nem tão instrutiva quanto as citadas acima, mas é muito motivadora. Fala de um objetivo final definido, desejo de vencer, esforço, persistência. É uma obra que me influenciou bastante.

 

 

Boa leitura.

Os japoneses originais

Na escola ensina-se muita coisa sem sentido. Mas ainda bem que o grande mérito da escola é ensinar a pensar, e principalmente ensinar a questionar.

 

Uma das besteiras que ouvi falar na escola é que japoneses e chineses têm os olhos puxados porque estão num lugar que neva. A neve reflete mais a luz do sol, e por isso eles têm que ficar com os olhos mais fechados.

 

Mas eu pensava: então porque os suecos não têm olhos puxados, se lá neva tanto quanto no Japão? E na Rússia, não neva não?

 

Faces

 

Chineses, japoneses e coreanos têm aparência física semelhante. Será que eles têm um ancestral comum? E Se sim, foram os japoneses que ocuparam a Coréia e a China, ou foi a China que ocupou o Japão? Ou faz sentido dizer que eles têm olhos puxados porque neva?

 


 

Geografia
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O Japão é um conjunto de ilhas no mar. A Coreia é quase um apêndice do continente, e tem a China como vizinha.

O povo Ainu

 

As evidências arqueológicas indicam que os japoneses originais não eram os ancestrais dos japoneses atuais. Ou melhor, o povo que habitava o Japão  não eram japoneses, eram os Ainu.

 

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Os Ainu chegaram ao Japão há cerca de 10 mil anos. Talvez tenham atravessado o mar que separa o continente a pé, aproveitando uma das eras glaciais, quando o nível do mar era mais baixo. Eles se estabeleceram no Japão e formaram diversas tribos. Pela arqueologia, especula-se que foram caçadores-coletores – não havia escrita nem agricultura.

 

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Os Ainu parecem uma mistura de caucasóides com asiáticos. São muito diferentes dos japoneses atuais que todos conhecem. Eles têm longas barbas e muitos têm olhos azuis. Têm semelhanças com tibetanos. A língua ainu é muito diferente da língua japonesa.

 

Atualmente, os Ainu vivem no extremo norte do Japão, como uma minoria étnica.

 

Um vídeo sobre os Ainu.

 

As mulheres apresentam curiosas tatuagens na boca
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Os filhos do Sol

 

Há uns 3.000 anos atrás, algo mudou drasticamente. A arqueologia encontrou objetos de metal e sinais de agricultura, assim como objetos como vasos. Diferentemente dos vasos de eras anteriores, os vasos desta era pareciam muito com vasos coreanos da época. Muitos outros objetos eram de origem coreana: bronze, ferramentas, estilos de casas, porcos domesticados. Este povo dominava muito bem a agricultura: arroz, trigo, e isto deve ter ajudado a sua expansão demográfica, e provavelmente vieram em barcos, pelo mar.

 

Domínio de Agricultura, ferramentas de metal e casas de estilo coreano não surgem de uma hora para outra. Muito menos a transformação de um povo como os ainu em japoneses atuais. O que provavelmente aconteceu foi que houve a invasão de um povo, provavelmente vindo da Coreia (que é o ponto mais próximo das ilhas japonesas) ocupando as terras japonesas.

 

O novo povo japonês invasor foi ocupando áreas cada vez maiores do Japão, e empurrando o povo Ainu cada vez mais para lugares remotos.

 

A primeira crônica japonesa é de 712 d.C. Nesta época, o Japão era inquestionavelmente dominado pelos ancestrais dos japoneses modernos: cultura, linguagem, DNA.

 

Genética

 

Em termos genéticos, os esqueletos antes de 3000 anos atrás têm muito mais semelhança com os Ainu do que com os japoneses. Depois deste período, é o contrário. E os japoneses e coreanos da época têm muita similaridade. O “teste de paternidade” leva a crer que foram sim os coreanos que invadiram o Japão há tempos atrás e deram origem ao Japão atual.
Os japoneses tẽm genes majoritariamente idênticos aos coreanos, com uma percentagem pequena ainu. Quanto mais ao norte, maior esta porcentagem ainu. E, quanto mais ao sul, maior a mistura com o povo do okinawa, outro que têm características distintas do povo invasor. Além disso, há em menor número incidência de genes indonésios, tibetanos, etc… vide links no anexo.

Língua

 

Mas há um grande problema nesta história toda. A língua coreana atual não tem nenhuma relação com a língua japonesa atual. Se coreanos e japoneses têm similaridade genética e a antropologia conta uma história de invasão coreana no Japão antigo, como pode ser que não haja similaridade entre as línguas?

 

Linguas
Na figura, da esquerda para direita: coreano, japonês e chinês

 

A teoria de Diamond é a seguinte. Na verdade, a Coreia de 3000 anos atrás não era uma nação como conhecemos hoje, mas sim um aglomerado de reinos diferentes. A língua coreana atual deriva do reinado de Silla. Talvez, no processo de unificação da Coreia, o reinado de Silla tenha vencido a guerra contra algum outro reino coreano. As línguas e culturas, entre os reinos coreanos, eram bastante distintas, e um destes reinos poderia ter similaridade com a língua japonesa. Pessoas deste reino resolveram fugir para algum lugar distante e levar consigo objetos, pertences e cultura, fundando uma nova nação em um território novo.

 

Hoje em dia, há muita rivalidade e até ódio entre Coreia e Japão, por causa de guerras e episódios como a invasão japonesa da Coreia na Segunda Grande Guerra. Mas eles descendem da mesma raiz, são irmãos na aparência, na genética e na história.

 

Links:

http://foreigndispatches.typepad.com/dispatches/2007/01/the_origins_of_.html

https://en.wikipedia.org/wiki/Japanese_people