Nietzsche em quadrinhos

O explosivo filósofo alemão Friedrich Nietzsche é amado e odiado por suas ideias polêmicas e linguagem poética.

“Deus está morto”,

“Moral é apenas uma interpretação equivocada de certos fenômenos”

“É do caos que nasce uma estrela”

“Quando se olha muito tempo para o abismo, o abismo olha para você.”

“Aqueles que veem a dança são considerados insanos por quem não está ouvindo a música”

A seguir, três recomendações de quadrinhos sobre o filósofo.

1 – Assim falava Zaratustra. Baseado no livro homônimo. Tem uma bela arte, é um resumo e ao mesmo tempo uma interpretação artística do livro.

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2 – Nietzsche Nº 1. É uma biografia do filósofo, narrando um pouco de seus pensamentos e sua vida. A arte do desenho é extremamente bonita aos olhos.

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3 – Assim falou Zaratustra. É uma história num formato mangá. É apenas inspirado no livro. Narra uma história imaginada pelo autor, com algumas citações e personagens de sua vida (como Lou Salomé), mas não é nem um pouco fiel ao livro homônimo, e a história nem é muito legal.

Esta indicação só está aqui porque tem uma referência ao ultraviolento filme “Laranja Mecânica”.

A cena em que Alex DeLarge e sua gangue de “drugues” espancam um mendigo num córrego é adaptada para o mangá: o delinquente Zaratustra e sua gangue fazem o mesmo.

Ou seja, o mangá consegue unir dois trabalhos icônicos, de duas cabeças brilhantes (Nietzsche e Kubrick) e transformar numa história ruim… por isso mesmo, é imperdível.

Veja também.

https://ideiasesquecidas.com/2018/06/03/o-anticristo-de-nietzsche-em-40-frases/

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Steve Jobs em quadrinhos

O brilhante fundador da Apple foi um dos responsáveis pelo mundo que vivemos atualmente: foi um dos primeiros a comercializar o computador pessoal, revolucionou a indústria da música, da animação para o cinema, os telefones celulares, o tablet…

Há algumas dezenas de livros diversos, filmes e vídeos no Youtube.

A seguir, algumas adaptações no formato de quadrinhos.

Steve Jobs – Gênio do Design

Da lista apresentada, é o que mais gosto: desenhos simples e bonitos, um bom resumo de sua história.

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Steve Jobs – Insanamente genial

É uma adaptação um pouco mais simples.

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O Zen de Steve Jobs – focado em uma faceta de sua vida, a interação com um mestre Zen que ele conhecera em sua adolescência.

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A versão a seguir, em mangá, é a única que não tenho.

A autora é Mari Yamazaki.

Pelo que pesquisei e conversei com amigos, não há scans, nem versão Kindle. Só a versão física, em papel, e em japonês!

Não compensa pagar com a cotação do real valendo nada e esperar quase meio ano para ver um mangá em japonês… Quem tiver sugestões, favor colocar nos comentários.

Dá para ler um pouquinho aqui:

https://www.tecmundo.com.br/steve-jobs/37943-leia-o-primeiro-capitulo-do-manga-inspirado-na-vida-de-steve-jobs.htm

Scarface, Darwin e Santos Dumont

Tenho saudades da época que livrarias existiam. O lado bom é que estou revirando a minha biblioteca, e relembrando de algumas biografias em quadrinhos de excelente qualidade.

1) Scarface – Adaptação em quadrinhos

Scarface não é exatamente uma biografia de Al Capone, mas é fortemente inspirado no mesmo.

“Scarface” é mais conhecido pelo filme clássico de 1983, com o ator Al Pacino e direção de Brian de Palma. É um filmaço, um dos melhores de gângster já produzidos.

Tanto o filme quanto a versão em quadrinhos são inspirados num livro de 1930. Entretanto, o filme tem várias diferenças: Tony Montana é cubano, lida com o tráfico de drogas e os eventos acontecem em Miami, por exemplo.

Já os quadrinhos são mais fiéis à origem. Tony Guarino é inspirado no gângster Al Capone, lutando pelo domínio das ruas de Chicago com outras gangues, para contrabandear bebidas alcoólicas – numa época em que a Lei Seca proibia o consumo das mesmas. “Scarface” era o apelido de Capone, por conta de uma cicatriz em seu rosto, obtida em uma briga.

Em comum, a ambição desmesurada do personagem principal, envolvimento com mulheres sedutoras e a violência – cenas pesadas de tiroteios, traições de aliados e assassinatos.

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A versão em filme está disponível na Netflix.

2) Charles Darwin


Conta a fascinante história de Charles Darwin. Particularmente interessante é a parte de sua viagem no Beagle, o navio que percorreu o mundo, começando a viagem em 1831. É impressionante a forma meticulosa com que Darwin coletava, examinava e classificava tudo quanto era espécie de insetos, aves e animais.


Durante a missão do Beagle, Darwin passou, inclusive, pelo Brasil.


Algumas das relíquias que ele coletou na América do Sul: um crânio de uma capivara gigante, restos de tatu gigante (do tamanho de um cavalo), ossos de megatério (uma preguiça gigante), todos animais extintos há muito tempo.

Darwin escreveu o seu clássico, “A origem das espécies”, mas não pretendia publicá-lo antes de sua morte. Entretanto, em 1858 ficou sabendo do trabalho de Alfred Russel Wallace, que também tinha chegado às mesmas conclusões sobre evolução natural, por outros meios (analisando animais da Ásia e Austrália). Resolveram publicar juntos ambos os trabalhos – mas, hoje em dia, Darwin é bastante conhecido, e Wallace ficou sendo o “Rubinho Barrichelo” desta história.

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3) Santos Dumont


Conta a incrível história de Alberto Santos Dumont, o seu interesse por invenções dos mais diversos tipos, sua paixão por balões, e, é claro, a sua história com o 14-bis.

É fascinante acompanhar Santos Dumont em suas corridas de balão, improvisando e testando as mais malucas teorias para melhorar a performance dos mesmos (e vez por outra caindo e sofrendo acidentes).

Além de Santos Dumont, o livro conta um pouco da história de outros pioneiros da aviação, como os irmãos Wright, o conde Ferdinand Von Zeppelin, Ernst Archdeacon, o capitão Ferber, Engenheiro Kapférer, a maioria nem um pouco conhecida do público geral.

Isso mostra uma certa “corrida espacial” para dominar os ares. Também ilustra a teoria de que, quando uma invenção está no ponto, alguém iria inventar, cedo ou tarde – digamos, se não tivesse Einstein, David Hilbert teria descoberto a relatividade, se não tivesse Darwin, Wallace teria descoberto a evolução como visto acima, se não tivesse Santos Dumont, alguns desses outros teriam se destacado.

Outra curiosidade é que o relógio de pulso foi inventado por Cartier para Santos Dumont, para que ele visse as horas sem largar o comando do dirigível.

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Recomendo também visitar a casa de Santos Dumont em Petrópolis. Além da cidade ser extremamente bonita, tem vários pontos turísticos muito legais, como a casa da Princesa Isabel, o Palácio de Cristal, etc…

A escadaria para a casa tem espaço para apenas um pé por vez, obrigando o visitante a começar a subida com o pé direito (confesso que fiquei tonto no meio da escada). A casa é repleta de invenções estranhas, e ele era alguém de hábitos esquisitos (ex. uma cama de madeira que parecia uma mesa). A casa é muito alta e tinha um mirante também muito alto (nota-se que ele não tinha medo de altura).

Réplica do 14 Bis em Petrópolis

http://www.visitepetropolis.com/o-que-fazer/perfil/museu-casa-de-santos-dumont/


Veja também

https://ideiasesquecidas.com/2019/03/15/feynman-russell-e-filosofia/

https://ideiasesquecidas.com/2020/02/17/tres-indicacoes-de-literatura-em-quadrinhos/

https://ideiasesquecidas.com/2016/06/19/calculo-em-quadrinhos-bioquimica-em-quadrinhos/

Três indicações de literatura em quadrinhos

1) “A mágica da arrumação em quadrinhos” é uma versão em mangá do método Marie Kondo.

É uma história curta e com desenhos muito bem feitos. Eu, particulamente, acho que a grande sacada de Kondo é fazer o link entre arrumar e a felicidade de ter um lugar limpo e organizado.

Pode (e é) simples e óbvio, porém, só passei a arrumar direito o meu armário após aprender a técnica dela.

Há também uma série sobre a arrumadora na Netflix.

2) Fahrenheit 451 – versão em quadrinhos de livro do mesmo nome.

É sobre um futuro distópico, em que bombeiros queimam livros e a patrulha está sempre de olho no que as pessoas podem fazer ou não. Os grandes autores, filósofos e poetas são banidos do cotidiano. Apenas os vídeos oficiais bombardeiam a vida das pessoas, em geral completamente embriagadas com a sua vidinha perfeita e alienadas da dureza do mundo real.

Um bombeiro passa a questionar o sistema após um encontro com uma menina, e o trama se desenrola a partir daí.

3) “Fujie e Mikito” é sobre a história de um casal japonês que emigra para o Brasil, nos anos 1950. O Japão vivia uma grave crise econômica, e diversas famílias fizeram a travessia para o outro lado do mundo.

Uma narrativa simples, despretensiosa, conta as agruras e dificuldades sofridas, na terra do “em se plantando tudo dá”.

Mais links:

Cálculo em quadrinhos

Os Vingadores originais

Olhando para o sucesso dos filmes dos Vingadores, me vem uma nostalgia imensa.

Sou nerd raiz, daqueles que acompanharam os Vingadores desde os primeiros quadrinhos publicados no Brasil.

Seguem algumas recomendações de quadrinhos, sobre os Vingadores originais e Thanos, o titã louco.

Os Vingadores, número 2.


Roteiro do mestre Stan Lee, desenhos do lendário Jack Kirby. Publicado no Brasil em 1973 pela saudosa Editora Bloch, da revista Manchete e da TV Manchete – só quem é muito das antigas vai lembrar.

Tudo começou no fim da década de 80, quando o meu tio Algiberto Ogawa emigrou para o Japão. Eu sempre gostei muito de ler, e todas as vezes que ia na casa da minha avó (o meu tio morava ali), eu ficava horas lendos os gibis da Marvel.

Ele tinha uma coleção enorme de quadrinhos da década de 70 e 80. Quando partiu para a Terra do Sol Nascente, ele deixou a coleção inteira comigo – o sobrinho mais interessado nela. Tive o privilégio de ler as revistas do Homem de Ferro, Vingadores, Hulk. Era tudo muito simples, com cores brilhantes e roteiro ingênuo.

Ao longo dos anos, a minha mãe me obrigou a jogar fora as revistas e deixar apenas algumas. Esta revista em particular, Vingadores n. 2, está comigo até hoje.

Nesta edição, os Vingadores (Homem de Ferro, Thor, Gigante e Vespa) se separam de Hulk (sempre instável), lutam com Namor (o Príncipe Submarino) e acabam ganhando um outro aliado: o Capitão América.

O resgate do Capitão América nas águas geladas

O Capitão América foi “ressuscitado” na década de 70, nesta revista. Explico. O capitão original fora um personagem propaganda do esforço de guerra americano, na Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945). Com o fim da guerra, o personagem também tinha acabado. Porém, Stan Lee resolveu colocá-lo de volta à cena.

Nesta época, tudo tinha que ser explicado (era muito ingênuo, como foi dito). Como explicar que o Capitão América da Segunda Guerra continuaria jovial e forte, 30 anos depois? Eles inventaram que o personagem tinha caído em mares gelados, teria sido congelado num iceberg por 30 anos, e por isso tinha mantido sua juventude. Namor, o príncipe submarino, destruiu o iceberg e o capitão foi descongelando nos mares.

Só para dar um paralelo. Como explicar que o Capitão América continue na ativa hoje? Se Steve Rogers tinha 20 anos em 1945, em 2019 ele teria quase 100 anos… é por isso que hoje nem se dão ao trabalho de explicar nada, é assim porque é e pronto…

A Saga de Thanos

Avançando uns 10 anos, na década de 90, a Editora Abril publicou um compilado de 5 edições, e chamou de “A Saga de Thanos”.

Esta conta a primeira aparição de Thanos no universo Marvel (numa revista do Homem de Ferro, em que o titã comanda os Irmãos Sangue).

Quase todas as histórias têm em comum desenhos e/ou roteiro de Jim Starlin, o gênio criativo por trás de Thanos, Drax, Gamora e outros.

Dá para dividir as 5 edições em duas partes. Uma em que o Capitão Marvel é o protagonista, e outra em que Adam Warlock é o personagem principal.

Na primeira parte, o titã apaixonado pela Morte quer oferecer todo o sistema solar à sua amada. O seu objeto de poder é o Cubo Cósmico, nada de joias do infinito.

Há uma série enorme de histórias, com diversos personagens (Drax, Homem de ferro, Coisa, Vingadores), mas o foco é no Capitão Marvel. Um alienígena da raça dos Krees, com superpoderes, e que troca de identidade com Rick Jones (personagem das histórias do Hulk).

O Capitão Marvel é o responsável por deter Thanos, ao destruir o Cubo Cósmico num esforço desesperado.


Nota: o Capitão Marvel original era homem, um Kree. Este morreu, muito tempo depois, e Carol Denvers assumiu o nome.

A segunda parte narra a primeira aparição de Adam Warlock (criação original de Lee e Kirby), o Alto Evolucionário criando uma contra-Terra e muitas outras histórias de Warlock.

Lembro-me que uma das minhas diversões era ficar caçando revistas velhas para completar a minha coleção. Uma das edições desta série eu encontrei numa viagem que fiz com amigos, numa parada do ônibus em uma estação rodoviária em Jacupiranga.

Thanos só apareceu de verdade no último volume.

A ideia de Joias do Infinito veio nessa série de histórias, após a destruição do Cubo Cósmico.

Desta vez, o Capitão Marvel foi coadjuvante, e Adam Warlock o personagem principal pela derrota do titã louco. Warlock pagou com a própria vida, levando junto Thanos… ou era o que se pensava, porque a história de Thanos é tão icônica que ressuscitaram ele, Warlock e outros na série de histórias do infinito, publicadas muito tempo depois, com roteiro de Jim Starlin também.

Fico feliz com o filme, porque tenho boas lembranças desta fase de adolescência, em que tinha que caçar as revistas faltantes por vários meses até encontrar numa banca aleatória qualquer.

Como encontrar tais revistas hoje em dia? Talvez em sebos, ou pela internet.

Eu tenho as revistas mencionadas até hoje, mas deixo dito que não vendo e nem empresto. Se escaparam da limpa da minha mãe, não fogem mais!


Vide também:

https://ideiasesquecidas.com/2018/08/27/o-indice-x-men-de-inflacao-2

Feynman, Russell e Filosofia

Três indicações nerds ao quadrado: quadrinhos sobre grandes cientistas e pensadores!

1) Feynman: História em quadrinhos sobre o grande físico Richard Feyman. Ele é um gênio cult, escreveu diversos livros não só sobre física mas sobre histórias interessantes de sua vida – e tais quadrinhos são baseados nestas.

Ele tem uma série de aulas, “Feynman lectures on physics”, publicadas em formas de vídeo e livros. Lendo essas, a principal mensagem que aprendi foi que a física, um edifício enorme e sólido, pode ser contestada no seu nível mais básico! Ninguém sabe o que é energia, por exemplo.

2) Logicomix: História em quadrinhos baseada no filósofo inglês Bertrand Russell, talvez uma das pessoas mais inteligentes da história! A narrativa é sobre a sua busca das fundações primárias da matemática, quase a busca pela verdade absoluta.
Em seu caminho, Russell encontra outros grandes como o matemático George Cantor, o filósofo Ludwig Wittgenstein, e, é claro, o lógico Kurt Godel, que com seus Teoremas da Incompletude derruba todo o trabalho de Russell.

Um detalhe. Um dos autores, Christos Papadimitriou, tem vários livros técnicos, como um de Otimização Combinatória e outro de algoritmos.

3) Cartoon introduction to Philosophy: narrativa gráfica sobre diversos filósofos, desde os pré-socráticos até os tempos modernos. É muito interessante ver em desenho conceitos como “Entro no mesmo rio, porém é tudo diferente: eu mudei e o rio mudou”.

O terceiro livro só tem via digital. O segundo, Logicomix, é simples de encontrar numa livraria. O primeiro, Feynman, comprei na Liv. Cultura do Conjunto Nacional. Recomendo comprar os livros físicos, enquanto as grandes livrarias ainda existem.

Trilha sonora do post. Cássia Eller, Por enquanto, música da Legião Urbana.

Links:

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia:

https://ideiasesquecidas.com/

https://www.livrariacultura.com.br/p/ebooks/ciencias-exatas/fisica/feynman-107256233