Lições da História, Will Durant

Will e Ariel Durant são autores de uma das coleções de história mais aclamadas do mundo: A história da civilização, com 11 volumes e mais de 10 mil páginas!

“Lições da história” é um pequeno livro, com cerca de 100 páginas. É um resumo das principais conclusões dos autores, analisando 100 séculos de história.

Este começa com uma mea-culpa, dizendo que o historiador sempre vai se basear em opiniões e dar destaque ao extraordinário, e não à vida comum das pessoas.

Depois, vários insights interessantes sobre civilização, evolução, democracia.

O livro é de 1968, e os autores viveram no meio do século passado. Portanto, muitas de suas opiniões seriam consideradas politicamente incorretas nos dias de  hoje.

Link do livro na Amazon:

https://amzn.to/3bKgwjN

———————

Nosso conhecimento de qualquer evento passado é incompleto. A maioria da história é adivinhação e o resto é preconceito.

O historiador sempre simplifica demais.

———————

A história não pode ser uma ciência, apenas uma indústria, uma arte e uma filosofia. Uma indústria, analisando os fatos. Uma arte buscando ordem no caos. Uma filosofia buscando perspectiva e compreensão.

———————

Perspectiva total é uma ilusão de ótica. Devemos operar com conhecimento parcial.

———————

Só um tolo tentaria comprimir 100 séculos em 100 páginas de conclusões. Nós continuamos.

———————

A história é uma combinação dos crimes e absurdos da humanidade. Isso permitiu que cada geração prosseguisse com um patrimônio maior do que a anterior.

———————

Exemplo de aposta tecnológica: a invenção de aviões redefine totalmente o mundo do comércio e do comércio. Anteriormente, a água era o principal modo de comércio e ditava quais nações chegavam ao poder (aquelas com grandes margens costeiras como a Grécia e a Itália).

Então, de repente, aviões mudaram o poder para nações com enormes massas terrestres em comparação com suas costas (EUA, China, Rússia).

———————

A lição da história é que o homem é duro.

———————

A influência dos fatores geográficos diminui à medida que a tecnologia cresce. O homem, não a terra, faz civilização.

———————

Ideia: A tecnologia domina o meio ambiente com o passar do tempo. Essa tendência começou assim que o homem foi capaz de projetar ferramentas, uma forma de tecnologia.

———————

Geografia é a matriz da história. Se você vive na costa, você quase inevitavelmente se tornará um viciado do mar.

———————

A primeira lição biológica da história é que a vida é competição.

———————

A cooperação é real e se expande à medida que as tecnologias evoluem, mas principalmente por ser uma forma de competição. Cooperamos dentro do nosso grupo, família, comunidade e nação para tornar nosso grupo mais poderoso.

A cooperação é a última forma de competição.

———————

A segunda lição biológica da história é que a vida é a seleção.

———————

Do ponto de vista da natureza, todos nascemos livres e desiguais.

A natureza adora a diferença porque é o que permite que a seleção se concentre nos fortes e elimine os fracos.

———————

Liberdade e igualdade são inimigos eternos. Quando um falha, o outro morre.

———————

Só o homem abaixo da média deseja igualdade. Aquele que está consciente de estar acima da média deseja liberdade. No final, a habilidade superior tem o seu caminho.

———————

A terceira lição biológica da história é que a vida deve procriar.

———————

A natureza gosta de grandes ninhadas e da luta pela sobrevivência que acaba selecionando os poucos mais fortes.

Os recursos naturais do meio ambiente e o talento é limitado. Competição é a lei básica.

———————

Muito do que chamamos de inteligência é o resultado da educação individual, oportunidade e experiência.

———————

A concorrência costumava ser entre os indivíduos. Então foi ampliado, entre famílias. Depois foi ampliado, entre as comunidades. E assim por diante.

———————

As pessoas gostam de pensar que são especiais. Sem esse pouco de vaidade, podemos achar mais difícil avançar. De certa forma, a ilusão é um motivador.

———————

Em geral, os pobres têm os mesmos impulsos que os ricos, mas com menos oportunidade ou habilidade para implementá-los.

———————

A maioria imitativa segue a minoria inovadora. A história é em grande parte a batalha de algumas minorias, a qual o vencedor é então elogiado como o vencedor pela maioria.

———————

De cada 100 ideias novas, 99 provavelmente serão inferiores à alternativa tradicional que foi proposta para substituir.

É bom que novas ideias sejam ouvidas para o bem de poucos que podem ser usados. Mas também é bom que novas ideias sejam testadas e questionadas.

———————

É possível que as coisas que são vícios hoje já foram virtudes.

———————

É muito perigoso para um indivíduo pensar que mesmo com 30 ou 40 anos de estudo ele pode julgar e superar a sabedoria coletiva da raça humana. Velhas ideias são muito poderosas.

———————

Uma visão interessante sobre por que o declínio da religião é muito ruim: se a religião é a crença compartilhada que unifica uma civilização e esse sistema de crença morre, então o que manterá a civilização unida?

———————

Em todas as idades, as forças do indivíduo parecem ser mais importantes que as forças do grupo. Quando tudo falhar, as pessoas farão o que lhes serve melhor. Eles farão o que garantir sua sobrevivência.

———————

Com o passar do tempo, os filósofos tornaram-se as forças motrizes por trás das mudanças sociais em vez da igreja. E então, eventualmente, a ciência roubou esse trabalho da filosofia.

———————

Os homens que podem gerenciar outros homens administram os homens que só podem gerenciar as coisas. Os homens que podem gerenciar o dinheiro gerenciam tudo.

———————

Normalmente, os homens são julgados por sua habilidade de produzir. Exceto na guerra, quando eles são classificados com base em sua capacidade de destruir.

———————

A concentração de riqueza em uma pequena parcela da população é um padrão que se repete ao longo da história. Os talentos e habilidades mais valiosos estão confinados a algumas pessoas, o que significa que a riqueza mais valiosa está confinada a poucos também. Esse padrão aparece de novo e de novo.

———————

A liberdade é possível quando a segurança foi alcançada, mas até lá você está enfrentando a concorrência. Foi só por causa da concorrência que desenvolvemos a capacidade de criar liberdade.

———————

A primeira condição de liberdade é a limitação. Se a liberdade é absoluta, então ela morre no caos. A principal tarefa do governo é estabelecer a ordem.

———————

Pax Romana foi talvez a maior conquista da história da governança.

———————

Se a maioria das habilidades está contida dentro de uma minoria de homens (isto é, se algumas pessoas têm habilidades mais valiosas do que a maioria das outras), então uma regra minoritária é tão inevitável quanto uma concentração desproporcional de riqueza.

———————

Todo o trabalho de consumo é geralmente o preço da genialidade.

———————

A sanidade do indivíduo reside na continuidade de suas memórias. A sanidade do grupo reside na continuidade de suas tradições. Separe-se de qualquer um muito rápido e o caos se segue.

———————

Você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo, mas você pode enganar o suficiente deles para governar um grande país.

———————

A democracia fez menos mal e mais bem do que qualquer outra forma de governo.

———————

O objetivo da democracia não é tornar todos os homens iguais, mas tornar seu acesso à oportunidade mais igual. O ideal não é elevar cada homem ao poder, mas dar-lhe acesso a cada ponto de entrada onde sua aptidão e habilidade podem ser testadas. Em outras palavras, a esperança da democracia é oferecer um campo de jogo equilibrado para começar e deixar que seus talentos o levem onde puderem.

———————

Em que ponto a liberdade se torna excessiva? Em que ponto se torna desordem?

———————

A guerra parece ser uma constante entre todas as civilizações e tempos. É resultado da competição entre os grupos, assim como os indivíduos competem também.

———————

Se o progresso é real, não é porque somos mais ricos ou mais sábios do que os do passado, mas porque nascemos em um nível mais alto e mais acima do pedestal de nossa herança. Nascemos com os frutos de uma porção maior da herança humana.

———————

A natureza humana permanece a mesma. As pessoas simplesmente mudam com a revolução e voltam aos mesmos padrões subjacentes.

———————

Todas as gerações se rebelam contra a anterior. Em muitos aspectos, é natural e desejável.

———————

Quando todos são donos de tudo, ninguém cuida de nada.

———————

Você não pode fazer os homens iguais aprovando leis.

———————

A história econômica é o batimento cardíaco lento do organismo social. Não importa quem esteja no poder, os ganhos gradualmente se acumulam para os mais inteligentes e talentosos. Então, eventualmente, há alguma fratura da ordem, uma nova minoria sobe ao poder, e o padrão se repete.

———————

Cada vida, cada sociedade, e cada espécie é um experimento. Tudo acaba em morte eventualmente.

———————

Ideias são as coisas mais fortes de todas na história. Até uma arma era originalmente uma ideia.

———————

Na velhice, você entende como é bom que haja radicais e como é bom que haja conservadores. Os radicais fornecem o gás e os conservadores aplicam os freios. Ambas as funções são indispensáveis. Essa tensão é necessária para uma sociedade em funcionamento.

Veja também:

A história da filosofia: https://amzn.to/3eAj4Tx

Novo livro de Bill Gates: Como evitar um desastre climático (ideiasesquecidas.com)

Outros resumos de livros: Resumos Gratuitos (ideiasesquecidas.com)

Como evitar um desastre climático

Resumo e discussão do novo livro de Bill Gates, “Como evitar um desastre climático”.

O fundador da Microsoft e atualmente o maior filantropo da face da Terra, é uma das pessoas mais inteligentes ainda vivas. Tem pouquíssimo carisma, é demonizado por muitos, porém é alguém extremamente efetivo no que faz, conforme adiantei no link aqui (https://ideiasesquecidas.com/2021/02/21/bill-gates-a-vacina-da-poliomelite-e-o-seu-modo-de-pensar/).

Alguns pontos do seu livro sobre mudanças climáticas. https://amzn.to/3qTh106

Há dois números que você precisa ter em mente sobre mudanças climáticas. Um é 51 bilhões. O outro, zero.

51 bilhões são as toneladas de gases de efeito estufa que o mundo lança à atmosfera anualmente. Embora isso possa variar para mais ou para menos a cada ano, de modo geral está subindo. É onde estamos hoje. Zero é o que devemos almejar. Para impedir o aquecimento global e evitar os piores efeitos das mudanças climáticas, o ser humano precisa parar de emitir gases de efeito estufa.

Atualmente, 1 bilhão de pessoas não contam com acesso confiável à eletricidade e que metade delas vivia na África subsaariana. Renda e energia andam de mãos dadas.

O mundo precisa gerar mais energia para que os pobres possam prosperar, mas sem liberar mais nenhum gás de efeito estufa. O problema então pareceu ainda mais complicado. Não bastava fornecer energia barata e confiável para os pobres. Ela também tinha de ser limpa.

  1. Para evitar um desastre climático, devemos chegar a zero. 2. Temos de empregar as ferramentas de que já dispomos, como energia solar e eólica, com mais rapidez e inteligência. 3. Precisamos criar e produzir tecnologias revolucionárias capazes de nos conduzir pelo resto da jornada. Esse número, zero, não é negociável. Se não pararmos de lançar gases de efeito estufa à atmosfera, a temperatura continuará a subir.

Eis uma analogia bastante útil: o clima é como uma banheira sendo enchida lentamente. Mesmo se fecharmos um pouco a torneira e deixarmos apenas um fio de água escorrendo, em algum momento a banheira acabará transbordando.

Em 2020, o desastre chegou quando um novo coronavírus se espalhou pelo mundo. Para qualquer um que conheça a história das pandemias, a devastação causada pela covid-19 não foi uma surpresa. Eu estudava surtos de doenças havia anos como parte de meu interesse em iniciativas globais de saúde e ficara preocupadíssimo, já que o mundo não estava pronto para lidar com uma pandemia como a gripe de 1918.

Após o coronavírus, as emissões de gases de efeito estufa no mundo devem ter caído apenas 5%. O extraordinário não é como as emissões diminuíram devido à pandemia, mas como a queda foi pequena. Essa diminuição pouco considerável é uma prova de que não conseguiremos chegar a emissões zero apenas andando menos de avião e carro.

Também invisto em tecnologias de carbono zero. Gosto de pensar nelas como outra espécie de compensação para minhas emissões. Já investi mais de 1 bilhão de dólares em propostas que espero que ajudem o mundo a chegar a zero, incluindo energia limpa barata e confiável e cimento, aço, carne e outros produtos e serviços de baixas emissões. E não conheço ninguém que faça maiores investimentos em tecnologias.


Fiquei surpreso quando descobri que aquilo que parecia ser um pequeno aumento na temperatura global — apenas 1ºC ou 2ºC — poderia na verdade causar grandes problemas. Mas é verdade: em termos de clima, uma mudança de apenas alguns graus significa muita coisa. Durante a última era do gelo, a temperatura média era apenas 6ºC mais baixa do que hoje.

Esse momento chegará em trinta anos? Cinquenta? Não sabemos ao certo. Mas, considerando como o problema será difícil de resolver, mesmo que o pior momento seja daqui a cinquenta anos, precisamos agir desde já. Já elevamos a temperatura em pelo menos 1ºC desde o período pré-industrial e, se não reduzirmos as emissões, provavelmente teremos um aquecimento de 1,5ºC a 3ºC até meados deste século, e entre 4ºC e 8ºC até o fim dele.

E todo esse calor extra possui efeitos colaterais; por exemplo, significa que as tempestades têm se agravado.

Essas tempestades mais fortes estão criando uma estranha situação de oito ou oitenta: embora chova mais em alguns lugares, outros sofrem com secas mais frequentes e severas. O ar mais quente pode reter mais umidade, e à medida que se aquece torna-se mais seco.

O nível do mar vai subir. Isso ocorre em parte por causa do derretimento do gelo polar, mas também porque a água se expande conforme esquenta.

Por fim, com o calor e o excesso de dióxido de carbono que o causa, plantas e animais também serão afetados. Segundo pesquisa do ipcc, um aumento de 2ºC diminuiria o território geográfico de vertebrados em 8%, de plantas em 16% e de insetos em 18%.

Até meados do século, as mudanças climáticas podem ser tão mortais quanto a covid-19 e, em 2100, cinco vezes mais letais.


Há um ótimo motivo para os combustíveis fósseis estarem por toda parte: custam uma merreca. Ou seja, petróleo é mais barato que refrigerante.

Jamais conseguiremos emissões zero sem políticas públicas adequadas, e ainda estamos longe disso. (Falo dos Estados Unidos, mas isso se aplica a muitos outros países também.)

Em suma: precisamos realizar algo gigantesco, nunca visto antes, muito mais rapidamente do que qualquer coisa similar já feita. Para isso, necessitamos de muitos avanços na ciência e na engenharia.

Qual é a proporção de gases de efeito estufa gerada pelas coisas que fazemos?

  • Fabricar as coisas (cimento, aço, plástico) 31%
  • Ligar as coisas na tomada (eletricidade) 27%
  • Cultivar e criar as coisas (plantas, animais) 19%
  • Transportar as coisas (aviões, caminhões, cargueiros) 16%
  • Manter as coisas quentes e frias (sistemas de aquecimento, ar-condicionado, 7%

(Gates chama de “Prêmios Verdes” o quanto a mais temos que pagar para obter energia com emissão zero. A seguir, ele faz uma extensa pesquisa sobre as matrizes energéticas existentes, alternativas e seus prêmios verdes)

Captura direta do ar, também conhecida pela sigla em inglês dac. (Para resumir, o ar é soprado sobre um dispositivo que absorve dióxido de carbono, e depois o gás é armazenado, por segurança.) A dac é uma tecnologia cara e está longe de ter sua eficácia comprovada, mas se funcionasse em larga escala nos permitiria capturar dióxido de carbono independentemente de quando e onde fosse produzido.


A energia hidrelétrica tem muita coisa a seu favor — é relativamente barata —, mas também tem grandes desvantagens. O represamento desaloja comunidades locais e a vida selvagem. Se há muito carbono no solo de um terreno que cobrimos com água, esse carbono acaba virando metano e escapa para a atmosfera — por isso estudos mostram que, dependendo de onde é construída, a represa pode na verdade ser uma fonte de emissão pior do que o carvão por cinquenta a cem anos antes de compensar todo o metano.


Mas o petróleo barato e as linhas de transmissão caras não são os maiores responsáveis pelo Prêmio Verde na geração de eletricidade. Os principais culpados são nossa exigência de confiabilidade e a intermitência. O sol e o vento são fontes intermitentes — não geram eletricidade 24 horas por dia, 365 dias por ano. Mas não é o caso de nossas necessidades energéticas: queremos energia o tempo todo.

Baterias têm um custo proibitivo. A eletricidade que armazenamos para uso noturno custará três vezes mais do que a consumida durante o dia.

A ideia é ilustrar uma questão crucial: armazenar eletricidade em larga escala é complicadíssimo e caríssimo, mas teremos de fazer isso se vamos depender de fontes intermitentes para gerar uma porcentagem significativa da eletricidade limpa que consumiremos nos próximos anos.


Sobre energia nuclear:
Os cientistas e os engenheiros apresentam várias soluções. Estou muito otimista com a solução criada pela TerraPower, empresa que fundei em 2008, unindo algumas das melhores cabeças na física nuclear e na produção de modelos computacionais para projetar um reator nuclear de última geração.

A energia nuclear é perigosa? Não se levarmos em conta o número de mortes causadas por unidade de eletricidade.

O mais importante é o mundo voltar a levar a sério o desenvolvimento do setor de energia nuclear. Ele é simplesmente promissor demais para ser ignorado.


Com o concreto, o desafio é ainda mais complicado. Para fabricá-lo, misturamos cascalho, areia, água e cimento. Os três primeiros são relativamente tranquilos; é o cimento que traz problemas para o clima. Para fabricar cimento, precisamos de cálcio. Para obter cálcio, começamos pelo calcário — que contém cálcio, mais carbono e oxigênio. A queima do calcário resulta no que queremos — cálcio para o cimento — e em algo que não queremos — dióxido de carbono. Não se conhece uma forma de fabricar cimento sem passar por esse processo.

Fabrique uma tonelada de cimento e produza uma tonelada de dióxido de carbono.


De onde o plástico costumam obter seu carbono: refinando petróleo, carvão ou gás natural e em seguida processando os produtos refinados de várias maneiras. Isso ajuda a explicar por que os plásticos são conhecidos por custar pouco: como cimento e aço, o plástico é barato porque os combustíveis fósseis são baratos.

Resumindo, o caminho para emissões zero na manufatura é mais ou menos o seguinte: 1. Eletrificar todos os processos possíveis. Isso exigirá muita inovação. 2. Obter essa eletricidade de redes elétricas descarbonizadas. 3. Utilizar captura de carbono para absorver as emissões remanescentes. Idem. 4. Usar materiais com mais eficiência.


Criar animais para alimentação é uma das principais causas de emissões de gases de efeito estufa.

Um frango, por exemplo, tem de ingerir o equivalente a duas calorias de grãos para render uma caloria de carne — ou seja, precisamos alimentar um frango com o dobro das calorias.

Um porco ingere o triplo das calorias que proporciona quando vira alimento. Para bovinos, a proporção é a mais elevada de todas: seis calorias de alimento para cada caloria de carne.

No mundo todo, cerca de 1 bilhão de cabeças de gado são criadas para fornecer carne e laticínios. O metano de seus arrotos e peidos exerce anualmente o mesmo efeito de aquecimento de 2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, correspondendo a cerca de 4% das emissões globais totais.

Uma opção é a carne vegetal: produtos à base de planta processados de várias maneiras para imitar o sabor da carne. Sou um investidor em duas empresas de produtos vegetais — a Beyond Meat e a Impossible Foods —, portanto sou suspeito para falar, mas acho a carne artificial muito boa. Quando preparada do jeito certo, é um substituto convincente para a carne moída.


Porém, a carne artificial vem com um pesado Prêmio Verde. Em média, um substituto de carne moída custa 86% a mais do que carne de verdade

Para cultivar nossas safras, precisamos de toneladas de nitrogênio — muito mais do que seria possível encontrar em um ambiente natural. É adicionando nitrogênio que criamos pés de milho de três metros de altura e conseguimos imensas quantidades de sementes.


O cultivo exige fertilizantes. O processo de refino, quando as plantas são transformadas em combustível, também gera emissões. E a agricultura para fabricação de combustível ocupa um terreno que de outro modo seria utilizado para cultivar alimento — o que pode forçar os fazendeiros a desmatar para ter onde plantar.


Além disso, embora as unidades de ar-condicionado representem o maior consumo de eletricidade, não são as maiores consumidoras de energia nos lares e estabelecimentos americanos. Essa honra vai para nossos sistemas de calefação e aquecedores de água.

No mundo todo, há 1,6 bilhão de aparelhos de ar-condicionado em uso, mas não são distribuídos de forma equilibrada. Em países ricos como os Estados Unidos, 90% ou mais das casas têm sistema de refrigeração, enquanto nos países mais quentes do mundo, esse número é de menos de 10%.


É cada vez mais difícil fornecer água potável para todos. A maioria das megacidades do mundo já enfrenta graves períodos de escassez, e, se nada mudar até meados do século, a quantidade de gente sem acesso a água limpa pelo menos uma vez por mês crescerá em mais de um terço, chegando a 5 bilhões de pessoas.


Duas tecnologias altamente disruptivas e polêmicas:

Para compensar o aquecimento causado por gases de efeito estufa lançados à atmosfera, precisamos reduzir a quantidade de luz do sol que chega ao planeta para cerca de 1%.** Existem várias maneiras de fazer isso. Uma envolve espalhar partículas extremamente finas — com milionésimos de centímetro de diâmetro — nas camadas mais altas da atmosfera.

Outra iniciativa de geoengenharia é tornar as nuvens mais brilhantes. Como a luz do sol se esparrama pelo topo delas, poderíamos tornar a luz ainda mais difusa e resfriar o planeta borrifando sal nas nuvens, para dispersarem mais a luz. E não seria preciso uma mudança dramática; para chegar a uma redução de 1%, precisaríamos apenas aumentar em 10% o brilho das nuvens que cobrem 10% da área terrestre.


Sobre políticas:
Precisamos que o governo desempenhe um papel igualmente imenso para criar os incentivos certos e assegurar que esse sistema funcione para todos.

Devemos expandir a oferta de inovações — o número de novas ideias que são testadas — e a outra, a acelerar a procura por inovações. O trabalho nessa primeira fase é o clássico processo de pesquisa e desenvolvimento.

Calcular um preço para o carbono. Seja na forma de um imposto ou de um sistema de comércio de carbono em que as empresas possam comprar e vender o direito de emiti-lo, precificar as emissões é uma das coisas mais importantes que podemos fazer para eliminar os Prêmios Verdes.


O que podemos fazer?

Compre um veículo elétrico. Os veículos elétricos avançaram muito em termos de custo e desempenho.

Experimente um hambúrguer vegetariano.


Uma lista de tecnologias:

  • Hidrogênio produzido sem emissão de carbono
  • Armazenamento de eletricidade em escala de rede capaz de durar uma estação do ano inteira
  • Eletrocombustíveis
  • Biocombustíveis avançados
  • Cimento de carbono zero
  • Aço de carbono zero
  • Carne e laticínios derivados de vegetais e células-tronco
  • Fertilizantes de carbono zero
  • Fissão nuclear de última geração
  • Fusão nuclear
  • Captura de carbono (tanto direto do ar como no local de emissão)
  • Transmissão de eletricidade subterrânea
  • Plásticos de carbono zero
  • Energia geotérmica
  • Hidrelétrica reversível
  • Armazenamento termal
  • Cultivos tolerantes a secas e inundações
  • Alternativas de carbono zero para o óleo de palma
  • Fluidos refrigerantes sem gases fluorados

Há mercados de bilhões de dólares à espera de que alguém invente cimento, aço ou combustível líquido de carbono zero a baixo custo.

Algumas recomendações do livro:

  • Earth’s Changing Climate, Richard Wolfson, The great courses.
  • Weather for Dummies
  • Energy Transitions e Energy Myths and Realities, de Vaclav Smil

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/resumos/

“The Economist” sobre 2021

O que está por vir em 2021, em 20 pontos da revista “The Economist”.

1 – Os humanos querem se socializar novamente, mas o trabalho remoto basicamente permanecerá o mesmo. Vamos continuar a trabalhar online a partir de nossas casas cada vez mais adaptadas e com reuniões em lugares diferentes todos os meses para socializar e conectar.

2 – Escritórios vão fechar com uma porcentagem muito alta e esse modelo retrógrado será tomado por tecnologias disruptivas. A cada dia teremos mais assistentes digitais para trabalhar de forma eficiente. As grandes corporações serão sempre lembradas como os enormes mamutes de 1980-2020 em extinção.

3 – Os hotéis de trabalho desaparecem em pelo menos 50%. Viagens, congressos ou reuniões de trabalho nunca voltam a ser como eram, se puderem ser feitos online. O turismo de trabalho praticamente desaparece. As chamadas se tornam chamadas de vídeo.

4 – As casas tornam-se mais tecnológicas e adaptadas ao trabalho diário. Muitas empresas se dedicarão a resolver as necessidades de trabalhar em casa. Hoje você pode morar fora de uma cidade grande, trabalhar da mesma forma e gerar o mesmo valor.

5 – A produtividade não depende mais de um chefe que te vê, agora é por meio de plataformas que te ajudam a medir resultados, KPIs e tempos eficientes. A forma de contratação de pessoal é repensada. Contratar os melhores do mundo hoje é mais fácil, barato e eficiente. Não haverá diferença entre contratar pessoal local e estrangeiro. Hoje somos todos globais.

6 – Tudo o que é repetitivo torna-se virtual e em regime de assinatura. Igrejas, arte, academias, cinemas, entretenimento. Poucos lugares podem manter estruturas físicas como antigamente.

7 – Empresas que não investem pelo menos 10% em novas tecnologias irão desaparecer. A empresa tradicional chegou ao fim em 2020. Resta esperar sua morte final. Uma empresa de tecnologia, fresca e nova hoje, pode substituir outra que tem feito o mesmo nos últimos 50 anos.

8 – O turismo para entretenimento retorna plenamente fortalecido no segundo semestre de 2021, sempre acompanhado de muita tecnologia na sua operação, desde a compra, a operação e as experiências a serem recebidas. As pessoas apreciam mais do que nunca visitar o natural mas com soluções altamente tecnológicas. Locais mais remotos, experiências mais autênticas suportadas com assistência digital 24 horas por dia, 7 dias por semana.

9 – O tratamento de dados pessoais torna-se mais delicado e as grandes plataformas vão mudar. As pessoas voltam a pagar assinaturas devido ao senso de transparência que isso envolve. Eles preferem pagar a doar seus dados. As grandes marcas hoje valem sua credibilidade. Tudo pode ser copiado ou replicado, exceto prestígio.

10 – A força de trabalho será drasticamente reduzida e muitas operações simples serão fornecidas por IA. Em 2024, a IA já lidará com operações complicadas em milhões de locais. Uma grande temporada global de demissões está chegando. O desemprego ocorre por motivos multifatoriais e não apenas por causa da crise econômica.

11 – A educação nunca mais será igual. Cada um pode estudar o que precisar. Estudar offline e online será normal. Escolas e universidades são transformadas em um esquema híbrido para sempre. Serão aceitos candidatos sem formação universitária para cargos de menor importância, que tenham a experiência necessária.

12 – O sistema médico será adaptado com tecnologia remota para sempre. Uma consulta médica por teleconferência será normal. A vacina da COVID é muito rápida, mas você encontrará grandes desafios ao longo do caminho. Grandes hospitais repensam seu funcionamento devido às crises econômicas que sofreram com a Covid 19. As pessoas ficam menos doentes com vírus, bactérias e doenças devido ao manuseio inadequado dos alimentos, graças à limpeza recorrente do indivíduo comum.

13 – A economia pessoal se contrai, novas formas de gerar transações comerciais são utilizadas e as pessoas economizam mais. Uma alta porcentagem dos gastos da família vai para atividades que antes não tinham demanda e vice-versa. A compra de itens como roupas elegantes é substituída por roupas casuais.

14 – E-commerce continua a crescer, players como Facebook, Tik-Tok e YouTube entram para competir com a Amazon. Fechamento de 50% das lojas físicas globais. As lojas sobrevivem graças ao fato de serem experiências e showrooms, mas o comércio real no final de 2024 será maior online do que presencial em muitas áreas. Os grandes shoppings ficarão presos no tempo. Poucos sobreviverão a longo prazo.

15 – Mudanças climáticas serão um tópico muito discutido e apoiado. As grandes indústrias continuarão a se transformar com apoio da IA. A adoção da bicicleta como principal meio de transporte continuará crescendo graças à transformação das cidades. Vamos passar da questão Covid para a Mudança Climática como a questão principal.

16 – Novos modelos de informações e notícias por assinatura com mais transparência ajudarão a disponibilizar conteúdo sem tantas fake news. Credibilidade e transparência serão a pedra angular de todas as empresas. As pessoas estão cansadas de tanta informação e preferem interagir com alguns seletos provedores de informação.

17 – A saúde mental torna-se um tema recorrente. Grandes plataformas ajudam as pessoas a enfrentar as situações de agressividade, solidão e angústia que vivenciaram durante o isolamento. Há muito a repensar. As crises de liderança nas empresas serão mais comuns a cada dia.

18 – Os grandes problemas como educação, saúde, energia, segurança, política, destruição da classe média, ganham destaque. Grande capital é investido para fazer o bem, enquanto os problemas globais são resolvidos. Empreendedorismo social no seu melhor, com resultados financeiros muito substanciais.

19 – Tudo vai para o natural e saudável. Alimentos, experiências e forma de interação. 100% natural, produzir a própria comida, meditar e se exercitar, passa a fazer parte do dia a dia. Ser mais saudável é o “novo luxo”. Produtos suntuosos perdem valor e justificativa. A reciclagem está voltando muito mais forte depois de um ano de desperdício incontrolável, agora com grandes tecnologias que realmente resolvem os problemas gerados no passado.

20 – O mundo está vendo este ano como um novo começo. Um renascimento. As pessoas vão repensar seus objetivos pessoais, de trabalho, saúde, dinheiro e espirituais. Grandes oportunidades estão surgindo para satisfazer todos esses requisitos e mudanças de pensamento. Acumular, consumir e viver pelo material vai para o lado negativo. A inovação, a tecnologia, o pensamento natural e lateral são a base da nova realidade. Todos estão a tempo de encontrar novos caminhos. Você apenas tem que encontrar as novas rotas pessoais ou comerciais.

Fonte: The Economist

Obs. Recebi uma versão por Whatsapp, porém estava tão mal traduzida e redigida que resolvi reescrever e resumir.

Veja também:

The World In 2021 | The Economist

Um pouco de Sapiens, de Yuval Harari

https://ideiasesquecidas.com/2020/12/13/sapiens-o-nascimento-da-humanidade/

Sobre Cisnes Negros, de Nassim Taleb

https://ideiasesquecidas.com/2017/08/09/a-teoria-dos-cisnes-negros/

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/

Lista de alguns pequenos desafios

Propus para o meu amigo Marco Lima os dois primeiros desafios abaixo. Na verdade, foi o oposto, ele propôs que eu propusesse alguns desafios. Achei a ideia muito boa.

No caso dele, me propus a ser um coach, no sentido de acompanhar a evolução destes trabalhos a cada 2 semanas.

Por restrições de tempo e energia, não consigo fazer o mesmo para todos. Mas fica aqui uma lista de alguns pequenos desafios, para inspiração.

  1. Fazer um real pela internet
    Vender algum produto pelo Mercado Livre, um livro pela Amazon, vender serviços de alguma forma, receber comissão por recomendar algum produto. Há inúmeras maneiras de fazer alguma transação pela internet.

  1. Escrever um texto para blog
    Pegar um livro de interesse, fazer um resumo de uma página do Word e publicar em algum blog (ou criar um blog). Ou publicar no LinkedIn, também é algo excelente.

  1. Tomar um não
    Baseado na Terapia da Rejeição de Jia Jiang (link abaixo), fazer um pedido relevante a alguém e tomar um não. Aproveite para pedir algo bem difícil de conseguir (um aumento, um curso, um emprego no Google, um encontro com uma moça charmosa).

Leia a técnica primeiro:
https://ideiasesquecidas.com/2021/01/30/meta-ser-rejeitado-100-vezes/

  1. Arrumar a gaveta
    É algo trivial, porém minha gaveta era extremamente bagunçada, até eu seguir a técnica de Marie Kondo – que também não tem nada de mais. A única restrição é pegar e fazer mesmo.
    https://ideiasesquecidas.com/2020/02/17/tres-indicacoes-de-literatura-em-quadrinhos/

Se arrumar a gaveta for um desafio muito fácil, substituir por alguma tarefa doméstica que está há meses parada por falta de tempo e prioridade, e usar um fim de semana para completá-la. Digamos, pintar o quarto, arrumar a cerca, jogar móveis velhos e quebrados (em SP existe o Ecoponto para tal).

  1. Bom humor
    Pegar uma reunião tensa, tentar entrar e sair dela com bom humor.
    Como dizem, é mais fácil falar do que fazer. Porém, é uma boa estratégia tentar.

  1. Doe sangue e convide 2 outras pessoas a fazê-lo também
    Doar sangue é simples, basta ir ao locais de doação e doar. Nesses tempos de pandemia, os estoques de sangue estão em baixa.

Dúvidas: https://www.doesanguedoevida.com.br/

  1. Tente renegociar alguma conta (internet, celular, aluguel, anuidade de cartão)

Para muitos desses serviços, os meses passam, os reajustes vêm, e a gente paga no automático ou nem sabe que está pagando. Várias vezes, basta relembrar, ligar e renegociar.

Pior ainda é pagar algo que não usa. O meu pai pagou por anos um pacote de turismo que dava desconto em viagens, e nunca usou…

Hoje em dia, vale o mesmo para serviços de streaming. Netflix e outros: o plano atual está exagerado? Menos telas e menos resolução podem resolver. O Spotify está caro? Tem outras, a Deezer é muito boa, Amazon Prime Unlimited também.

  1. Pegue algo que esteja sobrando e doe para instituições ou para algum jovem.

Equipamentos que ficaram obsoletos para nós (computador, tablet, celular, iPod) podem ser úteis para outras pessoas.

O mesmo vale para livros, produtos em bom estado, móveis seminovos. Há várias instituições que aceitam doações.

Doe

https://www.exercitodesalvacao.org.br/

  1. Fique um dia inteiro offline. Sem computador, celular, nada
    É possível sobreviver sem internet – era a vida de todos 20 anos atrás.

  1. Trabalhe um fim de semana no seu sonho
    Sabe aquele trabalho sonho que está na gaveta desarrumada do item 4? Dedique um fim de semana para trabalhar nele, começar a tirar do papel. Não são vários fins de semana, é um só, um mini-projeto com prazo curto. Saia com um protótipo rodável.

Escolha um ou dois da lista e vá em frente.

Lançar e topar desafios é fácil, fazer é bem mais difícil. Por fim, publique em algum lugar como foi essa experiência, a fim de criar um incentivo para você e para outras pessoas a estarem fazendo o mesmo.

A fábula inacabada dos pardais

Este texto é do início do livro “Superinteligência”, de Nick Bostrom. É uma fábula que ilustra o perigo de termos máquinas mais inteligentes do que seres humanos, num futuro a médio prazo.

Era a temporada de construção dos ninhos, e depois de dias de trabalho árduo, os pardais sentaram-se ao cair da noite relaxando e cantando. “Somos tão pequenos e fracos… Imaginem como a vida seria mais fácil se tivéssemos uma coruja que nos ajudasse a construir nossos ninhos!”.

“Sim!”, disse outro. “E poderíamos usá-la também para cuidar de nossos idosos e jovens. Ela também poderia nos dar conselhos e vigiar o gato do bairro”.

Então Pastus, o pardal mais velho, falou: “Vamos enviar patrulhas e tentar encontrar uma corujinha abandonada em algum lugar; talvez, um ovo de coruja. Esta poderia ser a melhor coisa que já nos aconteceu, pelo menos desde a abertura do depósito de grãos da cidade”. O bando ficou excitado com a ideia e começou a gorjear a plenos pulmões em aprovação.

Somente Scronkfinkle, um pardal de um olho só, com temperamento irritadiço, não estava convencido da sabedoria daquele empreendimento. Ele disse: “Isto será nossa ruína. Deveríamos aprender um pouco sobre domesticação de corujas antes de trazermos uma criatura dessas para o nosso meio.”

Pastus respondeu: “domar uma coruja dever ser coisa extremamente difícil. Já será extremamente dificíl encontrar um ovo, então vamos começar por aí. Depois que tivermos conseguido criar uma coruja, poderemos pensar em assumir esse outro desafio.”

“Há uma falha nesse plano!” gritou Scronkfinkle, mas seus protestos foram em vão – o bando já tinha levantado voo. Apenas dois ou três pardais ficaram para trás.

Juntos, começaram a tentar descobrir como corujas poderiam ser domesticadas. Logo perceberam que Pastus tinha razão – era um desafio extremamente difícil, especialmente na ausência de uma coruja de verdade para praticar. No entanto, esforçavam-se o mais que podiam temendo que o bando retornasse com um ovo de coruja antes que uma solução para aquele “problema de controle” tivesse sido encontrada.

Não se sabe como a história termina, mas o autor dedica este livro a Scronkfinkle e seus seguidores.

Veja também:

O que é GPT3 e por que isso importa? (ideiasesquecidas.com)

O inverno e a primavera da Inteligência Artificial (ideiasesquecidas.com)

https://ideiasesquecidas.com/2020/12/08/alphafold-dobramento-de-proteinas-e-origami/

Sobre o MuZero


A Deepmind é a empresa que criou o AlphaGo, a inteligência artificial que derrotou Lee Seidel, mestre do jogo Go, em 2016. É um dos marcos da evolução da IA na história, pelo Go ser ordens de grandeza mais complexo do que o xadrez.


A evolução do AlphaGo inclui o AlphaGoZero (que derrotou o anterior por 100 x 0) e o AlphaZero (este também inclui Xadrez e Shogi, e bateu o AlphaGoZero por 60 x 40).


A última evolução da família é o MuZero, capaz de aprender a jogar Go, Xadrez, Shogi (um xadrez japonês) e Atari, com desempenho top level, e sem ter as regras explicitamente ensinadas.

https://deepmind.com/blog/article/muzero-mastering-go-chess-shogi-and-atari-without-rules

Fonte: Blog do DeepMind

Seria como aprender a jogar xadrez sem ninguém ensinar. Aprender a jogar jogando, deduzindo as regras e perdendo milhares de partidas até entender as boas jogadas e desenvolver por si só a estratégia de jogo!

O DeepMind é uma empresa que dá prejuízo de uns 600 milhões de dólares por ano. Os custos incluem os computadores e o time de pesquisadores, pessoas caras, de altíssimo nível e bastante cobiçadas pela indústria.
A receita do DeepMind tende a zero, já que os projetos são em nível de pesquisa aplicada. A empresa só sobrevive por ser bancada pelo Google.


A inovação, nesse nível de liderança mundial, é assim. Bilhões de dólares investidos, muitos anos e os melhores cérebros. Além do alto risco.

Porém, são essas as empresas que constroem o futuro.


Daqui a alguns anos, estaremos utilizando ferramentas derivadas deste tipo de pesquisa aplicada. E vamos ficar pensando, “por que o Brasil não consegue chegar nesse nível?”

Veja também:

AlphaFold, dobramento de proteínas e origami (ideiasesquecidas.com)

𝗗𝗲𝗲𝗽𝗠𝗶𝗻𝗱 (ideiasesquecidas.com)

O presente é digital. O futuro será analógico.

Muito se fala do mundo digital de hoje, mas, se o presente é digital, o futuro será analógico.

Primeiro. a Computação quântica utiliza as propriedades quânticas dos átomos, como superposição e emaranhamento. Esta tem o potencial de quebrar toda a criptografia do mundo atual.

É como se eu pegasse todas as alternativas de um problema, computasse cada uma delas em paralelo e viesse apenas com a resposta correta.

Analógico x Digital (Fonte: Wikipedia)

Segundo: computação neuromórfica. Hoje em dia, temos um software digital imitando redes neurais humanas. A nova técnica procura ir direto ao ponto, criar um hardware, o memristor, que imita um neurônio biológico.

As vantagens seriam em consumo de energia e tamanho várias ordens de grandeza menores.

Todas essas pesquisas estão engatinhando, porém, o futuro é promissor.


E a terceira e melhor tecnologia analógica de todas: Cérebro humano.

Somos capazes de projetar coisas, criar as mais belas músicas, imaginar histórias, ensinar outras pessoas.

E fazer o futuro tecnológico, porém humano, acontecer.

Trilha sonora:

(98) Pink Floyd – Wish You Were Here – YouTube

De onde vêm as boas ideias – Steven Johnson

Um breve resumo do livro “De onde vêm as boas ideias”, de Steven Johnson. Este é um clássico no tema “Inovação”, popularizando termos como “possível adjacente” e “slow hunch”.

Temas:

  • Possível adjacente
  • Intuição lenta
  • Redes líquidas
  • Serendipidade
  • Ecossistema

Possível adjacente: a evolução ocorre passo a passo. De uma molécula simples que se junta à outra, formando células e depois organismos, até chegar nos seres vivos.

Uma ideia muito à frente do seu tempo não funciona. Se o Youtube tivesse surgido em 1995, não teria dado certo, já que nem internet de banda larga existia. Outro exemplo é o computador mecânico de Charles Babbage, 100 anos à frente dos computadores eletrônicos: não funcionou, por não ter os elementos necessários para tal.

Por outro lado, ocorrem múltiplas descobertas simultâneas,quando a invenção está no seu momento. Quem inventou o avião, Santos Dumont ou os Irmãos Wright? A relatividade geral é trabalho de Einstein, porém outros como Henri Poincaré também estavam chegando à mesma conclusão. Quando a inovação está “madura” para surgir, ela vai surgir.

Palpite lento. Não há momento “Eureka”. Ideias demoram tempo para amadurecer. Charles Darwin ficou décadas elaborando sua teoria da evolução.

Serendipidade para cruzar com outras ideias. Tentativa e erros, reciclagem e combinação de ideias antigas. Grandes palpites surgem à partir da colisão de pequenas ideias.

Por isso, a necessidade de redes líquidas. Redes de colaboração, lugares para ideias fluírem livremente.

Cidades são boas nisso. Os cafés e salões no iluminismo são um ótimo exemplo de espaço para ideias cruzarem e incubarem.

Ecossistema. Por fim, uma plataforma completa de inovação. Empresas, universidades formando mão-de-obra especializadas, regulação, capital de risco, tudo influencia de forma direta ou indireta.

Recifes de corais são o grande exemplo de ecossistema de inovação. Os corais envolvem dezenas de milhares de formas de vida diferentes. Cada forma de vida modifica o ambiente e possibilita que outras formas de vida surjam, nas suas cascas vazias ou consumindo os seus subprodutos.

Não dá para competir individualmente. A competição tem que ser sistêmica, como um ecossistema competindo com outro. Neste quesito, o Brasil está muito atrás.

Veja também:

Link da Amazon: https://amzn.to/3rd12dO

https://ideiasesquecidas.com/2020/07/12/6-livros-sobre-inovacao/

https://ideiasesquecidas.com/2018/09/16/por-que-segredo-da-inovacao-esta-no-ecossistema/

https://ideiasesquecidas.com/2018/03/25/algumas-palavras-sobre-inovacao/

Shark Tank – tubarões engolindo peixinhos

Assisti a alguns episódios de Shark Tank Brasil. O meu amigo Cláudio Galuchi já tinha recomendado faz tempo, mas eu nunca tinha assistido.

Tem coisa ali que não faz sentido para mim. A principal, é ter os “sharks” comprando 50% das startups.

Num dos episódios, um dos “tubarões” barganha agressivamente, dizendo que vai colocar o marketing, o conhecimento, e por isso, não entra por menos de 50%. Em pelo menos duas ocasiões, os tubarões se uniram para ter 60% da empresa!

Baby shark…

Pior ainda, isso numa rodada “seed”. Não sobra nada para uma próxima rodada de investimentos, virtualmente limitando o crescimento de algo que deveria escalar tremendamente ao longo do tempo. Ou o negócio não era escalável mesmo, contrariando a própria definição de startup dada pelo programa.

Ter mais de 50% do negócio transforma o empreendedor em um empregado. Uma coisa é eu ter um negócio, a pele no jogo de fazer isso acontecer. Outra coisa é ter o “tiburón” ganhando mais do que eu, e podendo tomar todas as decisões. Essa atitude mata o “olho do dono”.

Ainda mais, para o “tubarão”, a startup é só um negócio pequeno. Não vai sobrar tempo, paixão e recursos para tomar conta do negócio, não com a mesma intensidade dos fundadores originais. É a armadilha do “dilema do inovador”.

Na verdade, parece que o objetivo dos “sharks” ali é outro: engolir as “sardinhas” que aparecem, eliminando a concorrência…

Veja também:

O Dilema do Inovador (ideiasesquecidas.com)

Algumas palavras sobre Inovação (ideiasesquecidas.com)

Tony Hsieh – Satisfação Garantida

O mundo dos empreendedores lamenta a perda de Tony Hsieh, fundador da Zappos, negócio de venda de sapatos e roupas pela internet. A Zappos foi vendida à Amazon por $ 1 bi.

Descendente de taiwaneses nos EUA, os valores da família o obrigavam a perseguir nota 10 na escola, uma carreira reconhecida ou o domínio de um instrumento musical. Apesar de tirar notas altas e de ter trabalhado na Oracle, ele queria mesmo era a liberdade de empreender.

Um de seus primeiros negócios, ainda adolescente, foi criar um serviço de transformar fotos em broches. Era tudo pelos correios. O serviço foi sendo passado para os irmãos mais novos, e durou muitos anos.

Na faculdade, começou um negócio de pizzas. Tinha um colega que sempre encomendava muitas pizzas, em quantidade sobre-humana: duas, três pizzas grandes de pepperoni. Tempos depois, Tony descobriu que o rapaz (Alfred Lin) revendia as pizzas, por pedaço, no alojamento, ganhando uma grande margem sobre o produto. Alfred acabou virando CFO da Zappos, anos depois.

Tony fundou o LinkExchange, vendido à Microsoft por $ 265 mi, antes de fundar a Zappos.

Na Zappos, ele não estava preocupado com a eficiência, e sim, em gerar o melhor valor possível ao cliente. Ex. nos sites comuns, é extremamente difícil encontrar um telefone para ligar. Na Zappos, o número estava sempre visível. A tecnologia revolucionária era o velho telefone, o atendimento ao cliente.

Não por acaso, o seu livro tem o título “Delivering happiness”. Na versão em português, “Satisfação garantida”.

Tony faleceu devido a um incêndio em sua casa, aos 46 anos.

“Eu decidi parar de perseguir o dinheiro, e comecei a perseguir a paixão” – Tony Hsieh.

Livro “Satisfação garantida” na Amazon:

https://amzn.to/3fOMImr

Links:

Tony Hsieh, criador e ex-CEO da Zappos, morre aos 46 anos | Mundo | G1 (globo.com)

Tony Hsieh, dead at the age of 46, after injured in house fire | Las Vegas Review-Journal

Os médicos atenciosos

Um grupo de médicos recém formados estava lutando por seu lugar ao sol, na cidade de New York.

Diferentemente de seus pares mais experientes, eles não tinham clientela, nem capital para investir em marketing ou consultoria.

Eles resolveram o problema de forma criativa: passando mais tempo com o paciente, verificando se eles realmente entenderam as recomendações, fazendo uma ligação na semana seguinte para acompanhar o tratamento.

Os médicos normais tratam os pacientes como se fossem uma linha de produção: quanto mais rápido o giro, maior o ganho. Já esses recém-formados, traduziram o maior tempo livre em cuidado, gerando valor aos pacientes.

Não é preciso dizer que, pouco tempo depois, eles já tinham a sua clientela fiel.

Case contado no livro “Leap – how to thrive in a world where everything can be copied”.

No posto próximo à minha casa, os frentistas adotaram uma estratégia semelhante. Diante do menor movimento na pandemia, ao invés de dispensar pessoal, eles aumentaram os serviços: um abastece e verifica pneus, óleo, outro limpa os vidros dianteiros e traseiros, e, de vez em quando, um terceiro vem limpar o espelho retrovisor! No mínimo, ganham uma gorjeta um pouco maior.

O mundo é cíclico: gerando valor primeiro, as recompensas vêm depois.

Veja também:

𝗦𝗮𝗯𝗲𝗿 𝘂𝘀𝗮𝗿 𝗼 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗼𝗹𝗲 𝗿𝗲𝗺𝗼𝘁𝗼 é 𝘂𝗺𝗮 𝗶𝗻𝗼𝘃𝗮çã𝗼? (ideiasesquecidas.com)

O seu maior crítico se torna seu maior aliado (ideiasesquecidas.com)

O Ecossistema faz toda a diferença

Ecossistema é uma palavra misteriosa, porque é o somatório de indivíduos, espécies, ambiente.

É maior do que eu, ou a minha empresa. É o TODO.

Porém, ao mesmo tempo, o ecossistema é NADA: é cada indivíduo, cada organização, são as empresas, o governo, a academia.

O melhor exemplo de ecossistema são os recifes de corais.

Uma conchinha vive a sua vida, e depois serve de abrigo a um pequeno peixe, que faz parte de uma cadeia maior, e assim sucessivamente.

Um grande ecossistema depende de todos, mas também, de cada um de nós: fazer bem o nosso trabalho, entregar valor para sociedade, e a sociedade retornar valor para nós, num eterno ciclo virtuoso…


Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/