O vórtex digital

O mapa a seguir mostra as indústrias mais vulneráveis às transformações digitais do mundo atual.

Empresas como as de mídia e serviços financeiros estão no centro deste vórtice, sendo sugadas – e, se bobear, vão ser engolidas. Não é à toa que o Itaú investe no Cubo, e o Bradesco, o InovaBra.

Na minha visão, a Educação também deveria estar no centro do vórtice. É um dinossauro pesado, demorado, totalmente ineficiente.

Indústrias mais tradicionais, que têm um produto físico ao invés de um serviço ou produto digital, são menos imunes a serem disruptadas. Isto inclui o agronegócio como um todo, que pode ganhar em eficiência em algumas pontas e perder em outras pontas, mas o core do negócio vai continuar existindo.

Segundo o relatório, o passo da disrupção está sendo acelerado devido a menores ciclos de inovação, aumento explosivo no número de startups bem financiadas e chinesas como o Ali Babá.

Vale a pena dar uma lida.

http://www.imd.org/globalassets/dbt/docs/digital-vortex

Fonte: Global center for digital business transformation

Significado de Vórtice

substantivo masculino Movimento intenso e giratório;

redemoinho.Redemoinho intenso que pode surgir numa corrente de água; voragem.[Figurado] Força destruidora; algo que causa destruição; furacão, turbilhão.Etimologia (origem da palavra vórtice). Do latim vortex.

(Dicio.com.br)

Zaitt, o supermercado sem atendentes

Testei a loja Zaitt – um mercado sem atendentes, caixas, filas, nada. Há duas unidades em São Paulo, uma delas no Itaim Bibi.

Primeiro, é necessário baixar o aplicativo da Zaitt e fazer o cadastro: nome e outras informações, inclusive uma foto. Deve-se cadastrar o cartão de crédito também.

Em frente à loja, escanear o QR code com o aplicativo para a porta abrir.

Lá dentro, parece um mercado normal. Não é um espaço muito grande, mas há uma boa variedade de itens.

Os preços são mais ou menos na média dos preços de qualquer mercado comum.

Para comprar, basta utilizar o celular para escanear o código do item. Vai abrir uma cesta de compras, como as de e-commerce.

Ao finalizar a compra, o valor será debitado do cartão de crédito.

Para sair, escanear o código da porta de saída e se certificar que a porta fechou.

A minha experiência de consumidor foi simples, rápida. Quase um e-commerce ao vivo.

Minutos depois, uma nota da compra chega ao e-mail cadastrado.

Notei também que produto tem uma tag, algo como RFID. Isto deve permitir fazer um inventário on-line dos produtos, e também monitorar se alguém está tentando surripiar itens.

Fiquei pensando sobre qual seria a vantagem deste mercado autônomo contra um mercado comum. Uma vantagem óbvia é que ela funciona 24h por dia – daí itens como comida para consumo rápido.

Outra vantagem é o custo de funcionários. Porém, há um maior investimento em tecnologia, pelo menos a curto prazo.

Durante o dia, parece mais simples e direto ir a um mercado comum. Possivelmente, se esta loja der certo, veremos tal modelo escalar para grandes mercados.

Dois outros exemplos de autoatendimento.

1 – No Aeroporto de Curitiba, há uma loja de livros sem atendentes – um pegue e pague. Basta escolher o livro, pagar com cartão ou depositar o dinheiro numa caixa, e ir embora – sem paredes, sem tecnologia, nada. Há um ano e pouco atrás, esta loja tinha uma atendente que ficava lá o tempo todo.

Este modelo é totalmente baseado em confiança. Mas note que fica dentro do aeroporto, e com um produto (livros populares) que a cada dia perde valor agregado.

2 – O supermercado Henan, na China, é um mercado enorme (digamos, do tamanho de um Pão de Açúcar), no modelo autônomo. As pessoas fazem as compras, passam no leitor de código de barras, pagam e vão embora. Bom, há um ou dois caixas com pessoas de verdade, para os velhinhos, pessoas com dificuldades, turistas sem WeChat Pay como eu… mas a maioria absoluta dos consumidores fazem compra sem ajuda. Além disso, é um excelente exemplo de O2O – online to offline, com dezenas de sacolas em esteiras voando por nossas cabeças, indo para serem entregues por um exército logístico (algo semelhante ao Rappi atual, com moto, carro, bicicleta, patinete, tem de tudo).

Foto do caixa no Henan, com a cliente escaneando os produtos e pagando com celular

Em resumo, tendências: automação, autosserviço, pagamento por celular, integração online e offline.

O futuro está chegando.

Participação especial do amigo Jaime Heidegger.

Ideias técnicas com um pouco de filosofia.

https://ideiasesquecidas.com/2018/08/01/10-topicos-para-entender-a-china/

O pitch do startupeiro foda

Assisti a um pitch curioso, semana passada, num evento de inovação em SP.

O cara começou o pitch (apresentação curta) perguntando quem da plateia era disruptivo.

Para quem não fosse, agora ia conhecer alguns.

Falou como ele era foda, estudou sei-lá-onde e fez não-sei-o-que.

Pediu para o time dele se levantar, falando que eles eram fodões também, embora menos que ele.

No primeiro slide, apresentou os fundadores da empresa, também só cara foda.

Depois de uns 5 minutos de show (de um pitch de 7), finalmente começou a falar do produto da empresa. Não lembro o que era, não guardei na memória.

Sei lá se tal empresa vai mesmo revolucionar o mundo ou não, mas como diz a sabedoria das vovós: humildade e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

Um vídeo em homenagem ao startupeiro em questão.

https://m.youtube.com/watch?v=NeQzrFo0o3A

Peter Drucker sobre as fontes de inovação

O grande Peter Drucker pontua sete grandes fontes de inovação sistemática, em seu livro “Inovação e espírito empreendedor”.

1. O Inesperado – o sucesso inesperado, o fracasso inesperado, o evento externo inesperado

2. A Incongruência – entre a realidade como ela é de fato, e como se esperava que ela fosse

3. Necessidades do processo

4. Mudanças na estrutura do setor industrial

5. Mudanças demográficas

6. Mudanças em percepção, disposição e significado

7. Conhecimento novo, nova tecnologia

Um exemplo de inovação vindo do inesperado: tentando criar uma supercola, o pessoal da 3M criou o inverso, uma cola que descolava facilmente. Ao invés de jogar fora o experimento, como fariam quase todas as outras empresas, criaram o Post-It!

Para fechar, nada melhor do que a frase de Lois Pasteur: “O acaso favorece a mente preparada”.


Ideias técnicas com uma pitada de filosofia:

https://ideiasesquecidas.com/

Denso, QR code e inovação

Hoje passei na frente da fábrica da Denso, em Santa Bárbara do Oeste, interior de SP. Eu estava indo para Piracicaba, falar de inovação e startups para grupo de alunos de um programa florestal.

A Denso é uma excelente referência de inovação. Um dos produtos desta empresa está presente no dia-a-dia de todos nós, o QR code (quick response code).

O QR code foi criado para resolver um problema interno: identificar as peças fabricadas de forma rápida, precisa e confiável.

Interlúdio: Crie o seu QR code aqui https://createqrcode.appspot.com.

A Denso é uma fabricante japonesa de peças para a Toyota. Os carros da Toyota são referência em termos de qualidade. Um Toyota não quebra, não tem peças soltas, não tem acessórios inúteis. Cada detalhe é pensado. Os carros têm um custo baixíssimo de manutenção e qualidade altíssima – e, assim como a Apple, a Toyota tem fãs incondicionais no mundo tudo (este escriba incluso). Tal padrão de qualidade se estende, obviamente, aos fornecedores de peças do carro.

E qual o problema com um código de barras comum? Daria para usar aquele código de barras dos produtos do supermercado?

Resposta: Não. O código de barras tradicional tem uma limitação de 13 caracteres. Só isso. Não dá para colocar muita informação em 13 caracteres…

A ideia dos engenheiros japoneses foi criar um código de barras bidimensional, a fim de maximizar a quantidade de informação presente na área da imagem. Os quadrados grandes concêntricos em três lados são a referência, para corrigir o ângulo da foto tirada.

Há alguns tipos de QR code. O mais comum, o de cima, tem espaço para 1167 caracteres. Ou seja, o QR code é um código de barras denso, para fazer um trocadilho infame.

Por fim, o QR code tem licenciamento aberto. Todo mundo pode usar sem pagar nada. A ideia pegou, e hoje dominou o mundo.

Mas, e daí? Qual a moral da história?

A moral da história é que uma empresa de peças criou um produto de tecnologia adotado no mundo todo. Não foi uma empresa de tecnologia, não foi uma startup badalada do Vale do Silício.

É permitido criar dentro da indústria. O core business não é só o produto final, mas o processo como um todo. Use a sua criatividade, o mundo precisa de soluções!

No Brasil, vejo uma “trava” cultural.  Parece que os funcionários de grandes empresas não podem criar os seus próprios produtos e seus próprios modelos. A grande empresa prefere comprar soluções prontas de empresas terceiras e consultorias especializadas.

Vejo grandes engenheiros exercendo funções de burocratas nas grandes empresas. Quem permanece com a mão na massa, desenvolvimento de verdade, normalmente fica num nível técnico ou numa carreira “Y” que funciona em poucos casos.

Não é assim em todo lugar, porém é muito comum. Por que não mudar esta mentalidade? É possível criar muita coisa.

Provocação: por que uma indústria brasileira não é capaz de criar uma inovação mundial como o QR code?



Veja também: Make and buy

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia:

https://ideiasesquecidas.com/

Links:

https://www.qrcode.com/en/history/

https://www.qrcode.com/en/codes

https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_de_barras

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/07/fabricante-japonesa-denso-inaugura-nova-unidade-no-brasil.html

https://www.linkedin.com/feed/update/urn:li:activity:6502296859363590144/

O gargalo da inovação

Depois de rodar modelos diversos de inovação, eu estava ponderando, pensando em voz alta.

 

O processo de inovação ajuda. Mas, rapidamente, engargala de novo. E engargala nas pessoas, nos donos do processo.

 

Não adianta ter pitchs, desafios, chegar no final e o responsável não fazer funcionar. Não adianta ter a melhor ferramenta, se a pessoa não usar.

 

Também, dificilmente vai existir um produto pronto, plug and play. Será necessário um desenvolvimento, uma co-criação.

 

Por outro lado, pessoas boas inovam por si só, tendo liberdade. Elas mesmas correm atrás, por natureza.

 

O gargalo final é o básico, o arroz com feijão: ter bons colaboradores. A área de RH é sempre a mais importante de uma empresa…