As 7 fontes de inovação

O grande Peter Drucker destacou 7 fontes de inovação.

Alguns exemplos práticos:

O inesperado. Para mim, era apenas mais um post, porém teve um que gerou muitos bons feedbacks. Analisando, o assunto tinha o foco bem específico para um nicho. Aprendi o poder do foco.

A incongruência. Numa fábrica, notei que o operador enviava metade da informação pelo sistema, e outra metade ele imprimia em papel e entregava em mãos. Ora, pedi para a equipe inserir um campo a mais no sistema, e a papelada nunca mais circulou.

Novo conhecimento. Há uns dois anos, a nossa TI propôs um programa de visualização de dados (como Tableau, Qlik, no caso Spotfire). Ajudei a abraçar e divulgar a ideia. O novo software pegou muito forte e virou padrão.

Portanto, fique atento ao inesperado, incongruências e outras fontes de inovação.

Autosserviço e guarda-chuvas compartilhados

A tendência de serviços compartilhados e autosserviços vem chegando, pouco a pouco.

Já temos bicicletas, patinetes, carros.

Achei curioso o serviço da foto, de guarda-chuvas compartilhados.

O modo de uso é cadastrar a identidade e um cartão de crédito no aplicativo, escanear o QR code e utilizar.

Paga-se apenas se o uso for maior do que 24h.

Se depender de mim, provavelmente vou esquecer o guarda-chuva em algum lugar. Eu não sei o que acontece se perder o mesmo. Talvez uma multa? Talvez este seja o verdadeiro modelo de negócios deles…

Na outra foto, um armário para entrega de iFood. O pagamento é feito pelo app. O entregador só entrega e vai embora, sem precisar esperar o cliente descer do prédio, ganhando tempo de ciclo (esses prédios de SP são monstruosos, às vezes demora uns 10 min para descer o elevador).

Tem no prédio do Cubo do Itaú em em outros prédios grandes da cidade

O colapso das sociedades complexas

“O colapso das sociedades complexas”, de Joseph Tainter, sustenta que a complexidade tem um custo orgânico. Sociedades complexas demais podem implodir, por não ter energia suficiente para sustentar tal organização.

O case ilustrativo é o do Império Romano, que cresceu adquirindo outros reinos ao redor, até chegar num ponto em que sustentar o aparato militar e administrativo se tornou um fardo tão pesado que o deixou vulnerável a ataques.

O crescimento das sociedades

As sociedades antigas eram muito simples, pequenas, com poucas distinções além das biológicas (como idades e sexo). Tais sociedades tinham poucas dezenas de profissões. Para efeito de comparação, estima-se que atualmente haja de 10 a 20 mil profissões.

O colapso é uma simplificação abrupta da sociedade.

A complexidade

A complexidade se manifesta através da criação de controles e estruturas para fazer a vida mais simples. Deste ponto de vista, a complexidade serve para simplificar.

Por que as sociedades ficam mais complexas?

Porque é isto bom para resolver problemas igualmente complexos.

Ex. O ataque terrorista de 11/09/2001 gerou mais controle, mais regulação, mais agências; tudo isso pago com impostos da sociedade, ou o tempo e energia de pessoas, com mais filas e burocracia nos aeroportos.

Exemplo de sociedades estudadas pelo Dr. Tainter:

  • Império romano
  • Império Hitita da Anatólia
  • Império Zhou do sudoeste (China)
  • Reino antigo do Egito
  • Povos do norte do México
  • e muitos outros

A Complexidade é uma função econômica

A complexidade não é gratuita. Ela tem um custo metabólico, em analogia aos corpos de animais. Um ser humano tem complexidade e custo metabólica infinitamente maior do que uma mosca, por exemplo.

No caso da sociedade, tais custos se traduzem em tempo, dinheiro e energia.

Antes da era dos combustíveis fósseis, as pessoas tinham que trabalhar mais para sustentar o acréscimo de custos.

O ciclo do aumento da complexidade:

– Traz benefícios,

– Aumenta custos,

– A cada ciclo, há diminuição do retorno.

Espiral energia-complexidade

A complexidade precisa de energia.

Energia sobrando leva a mais complexidade, dada a inventividade do ser humano.

Caso: o colapso do Império Romano

O Império Romano cresceu conquistando províncias, sustentada por pilhagem, taxas e pressão inflacionária.

Pilhagem é a captura da energia do passado, na forma de metais, arte, armas, pessoas etc. Porém, essa captura é de curto prazo, só pode ser feita uma vez no mesmo local. A conquista gera riqueza, entretanto é necessário conquistar mais para continuar crescendo.

Para manter os territórios e conquistar outros, é necessário um crescente aparato militar e administrativo. Isso leva a um aumento do exército e de funcionários.

Na época de Roma, a fonte definitiva de energia era o Sol.

A agricultura tem o seu limite de produção, e fazendeiros produzem pouco excesso per capita.

Outra fonte de recursos eram os altos impostos, tão altos que os fazendeiros não eram capazes de acumular reservas – então não podiam suportar grandes famílias.

Quando uma família não conseguia pagar as altas taxas, outras famílias tinham que compensar. Havia casos de vilas inteiras que tinham que pagar por outras.

Uma terceira fonte de financiamento era a inflação. A hiperinflação (tão conhecida dos brasileiros pré-plano Real) mostrou suas garras em Roma, corroendo o valor do denário da população. A inflação é uma forma de assaltar a carteira das pessoas sem apontar uma arma em suas cabeças, mas com efeitos igualmente perversos.

Declínio populacional, pragas, crises, ataques externos e guerra civil constante levaram Roma à bancarrota.

A complexidade causa danos sutis, imprevisíveis e cumulativos.

A sociedade pode ser destruída pelo custo de se sustentar.

Conseguiremos superar limites?

Passamos milhares de anos sem inovar, ou com pouquíssimas inovações.

Mas, no mundo atual, a inovação está presente, e é central no dia-a-dia.

Achamos que sempre podemos superar os limites a partir da inovação. Será a tecnologia suficiente?

Palavras do pesquisador Nicholas Rescher: a pesquisa está se tornando cada vez mais complexa, com retornos decrescentes.

Uma taxa constante de inovação precisa de mais e mais recursos.

As descobertas fáceis, o fruto baixo a ser colhido, já o foi. Antigamente, o inventor era um pensador solitário que fazia descobertas na garagem de casa. Hoje, os times de pesquisa são enormes e multidisciplinares, exigindo equipamentos e instalações de milhões de dólares.

Em saúde, em especial remédios, há custos cada vez maiores para retornos menores.

Gastos militares crescem em equipamentos cada vez mais sofisticados.

É possível que o planeta Terra inteiro tenha se tornado algo comparável com o Império Romano… Devemos tomar cuidado para a complexidade não nos engolir.


Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/

A Xiaomi e os novos tempos

Fui hoje ao Shopping Ibirapuera, em São Paulo.

Vi uma fila enorme, virando a esquina do quarteirão. Hoje é a inauguração da loja da Xiaomi no Brasil. Marca chinesa, com celulares top a um preço bem abaixo de um iPhone.

A China começou copiando, entregando produtos falsificados ou pouco sofisticados a uma fração do preço dos americanos. Porém, há uma teoria econômica que diz que, quem faz muito, acaba dominando o processo de produção e aprendendo a inovar – foi assim com o Japão e os tigres asiáticos. Além disso, as empresas chinesas (e o governo, é indissociável) investem um caminhão de dinheiro para desenvolvimento de produtos, contratação das melhores cabeças e compra de empresas de ponta.

O Xiaomi Mi 9 tem especificações assombrosas: três câmeras, uma com 48 megapixel (!!), 64/128 GB de armazenamento (!!), tela 6.39 polegadas Amoled com resolução Full HD…

Pergunta: será que a Xiaomi já é melhor que iPhone?

Outro sinal dos tempos: A Saraiva MegaStore do Shopping Ibirapuera, o motivo pelo qual fui lá, fechou as portas.

Pra que um livro físico, se hoje é possível ler um digital num Mi 9 de ponta?

https://noticias.uol.com.br/tecnologia/noticias/redacao/2019/06/01/com-direito-a-fila-e-fas-animados-xiaomi-inaugura-a-sua-1-loja-no-brasil.htm

O vórtex digital

O mapa a seguir mostra as indústrias mais vulneráveis às transformações digitais do mundo atual.

Empresas como as de mídia e serviços financeiros estão no centro deste vórtice, sendo sugadas – e, se bobear, vão ser engolidas. Não é à toa que o Itaú investe no Cubo, e o Bradesco, o InovaBra.

Na minha visão, a Educação também deveria estar no centro do vórtice. É um dinossauro pesado, demorado, totalmente ineficiente.

Indústrias mais tradicionais, que têm um produto físico ao invés de um serviço ou produto digital, são menos imunes a serem disruptadas. Isto inclui o agronegócio como um todo, que pode ganhar em eficiência em algumas pontas e perder em outras pontas, mas o core do negócio vai continuar existindo.

Segundo o relatório, o passo da disrupção está sendo acelerado devido a menores ciclos de inovação, aumento explosivo no número de startups bem financiadas e chinesas como o Ali Babá.

Vale a pena dar uma lida.

http://www.imd.org/globalassets/dbt/docs/digital-vortex

Fonte: Global center for digital business transformation

Significado de Vórtice

substantivo masculino Movimento intenso e giratório;

redemoinho.Redemoinho intenso que pode surgir numa corrente de água; voragem.[Figurado] Força destruidora; algo que causa destruição; furacão, turbilhão.Etimologia (origem da palavra vórtice). Do latim vortex.

(Dicio.com.br)

Zaitt, o supermercado sem atendentes

Testei a loja Zaitt – um mercado sem atendentes, caixas, filas, nada. Há duas unidades em São Paulo, uma delas no Itaim Bibi.

Primeiro, é necessário baixar o aplicativo da Zaitt e fazer o cadastro: nome e outras informações, inclusive uma foto. Deve-se cadastrar o cartão de crédito também.

Em frente à loja, escanear o QR code com o aplicativo para a porta abrir.

Lá dentro, parece um mercado normal. Não é um espaço muito grande, mas há uma boa variedade de itens.

Os preços são mais ou menos na média dos preços de qualquer mercado comum.

Para comprar, basta utilizar o celular para escanear o código do item. Vai abrir uma cesta de compras, como as de e-commerce.

Ao finalizar a compra, o valor será debitado do cartão de crédito.

Para sair, escanear o código da porta de saída e se certificar que a porta fechou.

A minha experiência de consumidor foi simples, rápida. Quase um e-commerce ao vivo.

Minutos depois, uma nota da compra chega ao e-mail cadastrado.

Notei também que produto tem uma tag, algo como RFID. Isto deve permitir fazer um inventário on-line dos produtos, e também monitorar se alguém está tentando surripiar itens.

Fiquei pensando sobre qual seria a vantagem deste mercado autônomo contra um mercado comum. Uma vantagem óbvia é que ela funciona 24h por dia – daí itens como comida para consumo rápido.

Outra vantagem é o custo de funcionários. Porém, há um maior investimento em tecnologia, pelo menos a curto prazo.

Durante o dia, parece mais simples e direto ir a um mercado comum. Possivelmente, se esta loja der certo, veremos tal modelo escalar para grandes mercados.

Dois outros exemplos de autoatendimento.

1 – No Aeroporto de Curitiba, há uma loja de livros sem atendentes – um pegue e pague. Basta escolher o livro, pagar com cartão ou depositar o dinheiro numa caixa, e ir embora – sem paredes, sem tecnologia, nada. Há um ano e pouco atrás, esta loja tinha uma atendente que ficava lá o tempo todo.

Este modelo é totalmente baseado em confiança. Mas note que fica dentro do aeroporto, e com um produto (livros populares) que a cada dia perde valor agregado.

2 – O supermercado Henan, na China, é um mercado enorme (digamos, do tamanho de um Pão de Açúcar), no modelo autônomo. As pessoas fazem as compras, passam no leitor de código de barras, pagam e vão embora. Bom, há um ou dois caixas com pessoas de verdade, para os velhinhos, pessoas com dificuldades, turistas sem WeChat Pay como eu… mas a maioria absoluta dos consumidores fazem compra sem ajuda. Além disso, é um excelente exemplo de O2O – online to offline, com dezenas de sacolas em esteiras voando por nossas cabeças, indo para serem entregues por um exército logístico (algo semelhante ao Rappi atual, com moto, carro, bicicleta, patinete, tem de tudo).

Foto do caixa no Henan, com a cliente escaneando os produtos e pagando com celular

Em resumo, tendências: automação, autosserviço, pagamento por celular, integração online e offline.

O futuro está chegando.

Participação especial do amigo Jaime Heidegger.

Ideias técnicas com um pouco de filosofia.

https://ideiasesquecidas.com/2018/08/01/10-topicos-para-entender-a-china/