Nietzsche em quadrinhos

O explosivo filósofo alemão Friedrich Nietzsche é amado e odiado por suas ideias polêmicas e linguagem poética.

“Deus está morto”,

“Moral é apenas uma interpretação equivocada de certos fenômenos”

“É do caos que nasce uma estrela”

“Quando se olha muito tempo para o abismo, o abismo olha para você.”

“Aqueles que veem a dança são considerados insanos por quem não está ouvindo a música”

A seguir, três recomendações de quadrinhos sobre o filósofo.

1 – Assim falava Zaratustra. Baseado no livro homônimo. Tem uma bela arte, é um resumo e ao mesmo tempo uma interpretação artística do livro.

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2 – Nietzsche Nº 1. É uma biografia do filósofo, narrando um pouco de seus pensamentos e sua vida. A arte do desenho é extremamente bonita aos olhos.

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3 – Assim falou Zaratustra. É uma história num formato mangá. É apenas inspirado no livro. Narra uma história imaginada pelo autor, com algumas citações e personagens de sua vida (como Lou Salomé), mas não é nem um pouco fiel ao livro homônimo, e a história nem é muito legal.

Esta indicação só está aqui porque tem uma referência ao ultraviolento filme “Laranja Mecânica”.

A cena em que Alex DeLarge e sua gangue de “drugues” espancam um mendigo num córrego é adaptada para o mangá: o delinquente Zaratustra e sua gangue fazem o mesmo.

Ou seja, o mangá consegue unir dois trabalhos icônicos, de duas cabeças brilhantes (Nietzsche e Kubrick) e transformar numa história ruim… por isso mesmo, é imperdível.

Veja também.

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Steve Jobs em quadrinhos

O brilhante fundador da Apple foi um dos responsáveis pelo mundo que vivemos atualmente: foi um dos primeiros a comercializar o computador pessoal, revolucionou a indústria da música, da animação para o cinema, os telefones celulares, o tablet…

Há algumas dezenas de livros diversos, filmes e vídeos no Youtube.

A seguir, algumas adaptações no formato de quadrinhos.

Steve Jobs – Gênio do Design

Da lista apresentada, é o que mais gosto: desenhos simples e bonitos, um bom resumo de sua história.

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Steve Jobs – Insanamente genial

É uma adaptação um pouco mais simples.

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O Zen de Steve Jobs – focado em uma faceta de sua vida, a interação com um mestre Zen que ele conhecera em sua adolescência.

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A versão a seguir, em mangá, é a única que não tenho.

A autora é Mari Yamazaki.

Pelo que pesquisei e conversei com amigos, não há scans, nem versão Kindle. Só a versão física, em papel, e em japonês!

Não compensa pagar com a cotação do real valendo nada e esperar quase meio ano para ver um mangá em japonês… Quem tiver sugestões, favor colocar nos comentários.

Dá para ler um pouquinho aqui:

https://www.tecmundo.com.br/steve-jobs/37943-leia-o-primeiro-capitulo-do-manga-inspirado-na-vida-de-steve-jobs.htm

O Super-Homem é uma mala sem alça

Ele é o mais forte do mundo, voa à velocidade da luz, tem visão de raios-X, é bonitão, namorada perfeita, nenhuma falha de caráter. Não há um único traço que o desabone. Ou seja, é insosso, boring, almofadinha, chato para dedéu.

Mais interessante é o Wolverine. Tosco, baixinho, tem um lado sombrio e tomou vários foras da Jean Grey.

Todos queremos nos vender como super homens – capazes de entregar os trabalhos mais difíceis, através de esforço sobre-humano, sem contrapartidas. Entretanto, não há nada mais humano do que assumir os seus pontos fracos – isto, pelo contrário, destaca as poucas qualidades que realmente temos em relação à média.

Aristóteles já dizia, em sua Poética, que o herói deve ter uma falha, cometer um erro e sobrepujar as dificuldades, para a história ser memorável.

O próprio Super-Homem é assim. Para a história ficar interessante, os roteiristas inventaram um ponto fraco, a Kriptonita.

Na verdade, é o contrário. A Kriptonita não é o ponto fraco do Super-Homem, e sim, o que o torna humano.

Porque super homens não existem.

Música tema – Superman – por John Williams.

Veja também:

A entrevista do jovem Fênix

Bônus: Sun Tzu, A Arte da Guerra. “Se o inimigo se defender à direita, ele estará vulnerável à esquerda, se ele se defender à esquerda, estará vulnerável à direita. Se ele se defender em todos os pontos, estará vulnerável em todos os pontos”.

Scarface, Darwin e Santos Dumont

Tenho saudades da época que livrarias existiam. O lado bom é que estou revirando a minha biblioteca, e relembrando de algumas biografias em quadrinhos de excelente qualidade.

1) Scarface – Adaptação em quadrinhos

Scarface não é exatamente uma biografia de Al Capone, mas é fortemente inspirado no mesmo.

“Scarface” é mais conhecido pelo filme clássico de 1983, com o ator Al Pacino e direção de Brian de Palma. É um filmaço, um dos melhores de gângster já produzidos.

Tanto o filme quanto a versão em quadrinhos são inspirados num livro de 1930. Entretanto, o filme tem várias diferenças: Tony Montana é cubano, lida com o tráfico de drogas e os eventos acontecem em Miami, por exemplo.

Já os quadrinhos são mais fiéis à origem. Tony Guarino é inspirado no gângster Al Capone, lutando pelo domínio das ruas de Chicago com outras gangues, para contrabandear bebidas alcoólicas – numa época em que a Lei Seca proibia o consumo das mesmas. “Scarface” era o apelido de Capone, por conta de uma cicatriz em seu rosto, obtida em uma briga.

Em comum, a ambição desmesurada do personagem principal, envolvimento com mulheres sedutoras e a violência – cenas pesadas de tiroteios, traições de aliados e assassinatos.

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A versão em filme está disponível na Netflix.

2) Charles Darwin


Conta a fascinante história de Charles Darwin. Particularmente interessante é a parte de sua viagem no Beagle, o navio que percorreu o mundo, começando a viagem em 1831. É impressionante a forma meticulosa com que Darwin coletava, examinava e classificava tudo quanto era espécie de insetos, aves e animais.


Durante a missão do Beagle, Darwin passou, inclusive, pelo Brasil.


Algumas das relíquias que ele coletou na América do Sul: um crânio de uma capivara gigante, restos de tatu gigante (do tamanho de um cavalo), ossos de megatério (uma preguiça gigante), todos animais extintos há muito tempo.

Darwin escreveu o seu clássico, “A origem das espécies”, mas não pretendia publicá-lo antes de sua morte. Entretanto, em 1858 ficou sabendo do trabalho de Alfred Russel Wallace, que também tinha chegado às mesmas conclusões sobre evolução natural, por outros meios (analisando animais da Ásia e Austrália). Resolveram publicar juntos ambos os trabalhos – mas, hoje em dia, Darwin é bastante conhecido, e Wallace ficou sendo o “Rubinho Barrichelo” desta história.

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3) Santos Dumont


Conta a incrível história de Alberto Santos Dumont, o seu interesse por invenções dos mais diversos tipos, sua paixão por balões, e, é claro, a sua história com o 14-bis.

É fascinante acompanhar Santos Dumont em suas corridas de balão, improvisando e testando as mais malucas teorias para melhorar a performance dos mesmos (e vez por outra caindo e sofrendo acidentes).

Além de Santos Dumont, o livro conta um pouco da história de outros pioneiros da aviação, como os irmãos Wright, o conde Ferdinand Von Zeppelin, Ernst Archdeacon, o capitão Ferber, Engenheiro Kapférer, a maioria nem um pouco conhecida do público geral.

Isso mostra uma certa “corrida espacial” para dominar os ares. Também ilustra a teoria de que, quando uma invenção está no ponto, alguém iria inventar, cedo ou tarde – digamos, se não tivesse Einstein, David Hilbert teria descoberto a relatividade, se não tivesse Darwin, Wallace teria descoberto a evolução como visto acima, se não tivesse Santos Dumont, alguns desses outros teriam se destacado.

Outra curiosidade é que o relógio de pulso foi inventado por Cartier para Santos Dumont, para que ele visse as horas sem largar o comando do dirigível.

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Recomendo também visitar a casa de Santos Dumont em Petrópolis. Além da cidade ser extremamente bonita, tem vários pontos turísticos muito legais, como a casa da Princesa Isabel, o Palácio de Cristal, etc…

A escadaria para a casa tem espaço para apenas um pé por vez, obrigando o visitante a começar a subida com o pé direito (confesso que fiquei tonto no meio da escada). A casa é repleta de invenções estranhas, e ele era alguém de hábitos esquisitos (ex. uma cama de madeira que parecia uma mesa). A casa é muito alta e tinha um mirante também muito alto (nota-se que ele não tinha medo de altura).

Réplica do 14 Bis em Petrópolis

http://www.visitepetropolis.com/o-que-fazer/perfil/museu-casa-de-santos-dumont/


Veja também

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Três indicações de literatura em quadrinhos

1) “A mágica da arrumação em quadrinhos” é uma versão em mangá do método Marie Kondo.

É uma história curta e com desenhos muito bem feitos. Eu, particulamente, acho que a grande sacada de Kondo é fazer o link entre arrumar e a felicidade de ter um lugar limpo e organizado.

Pode (e é) simples e óbvio, porém, só passei a arrumar direito o meu armário após aprender a técnica dela.

Há também uma série sobre a arrumadora na Netflix.

2) Fahrenheit 451 – versão em quadrinhos de livro do mesmo nome.

É sobre um futuro distópico, em que bombeiros queimam livros e a patrulha está sempre de olho no que as pessoas podem fazer ou não. Os grandes autores, filósofos e poetas são banidos do cotidiano. Apenas os vídeos oficiais bombardeiam a vida das pessoas, em geral completamente embriagadas com a sua vidinha perfeita e alienadas da dureza do mundo real.

Um bombeiro passa a questionar o sistema após um encontro com uma menina, e o trama se desenrola a partir daí.

3) “Fujie e Mikito” é sobre a história de um casal japonês que emigra para o Brasil, nos anos 1950. O Japão vivia uma grave crise econômica, e diversas famílias fizeram a travessia para o outro lado do mundo.

Uma narrativa simples, despretensiosa, conta as agruras e dificuldades sofridas, na terra do “em se plantando tudo dá”.

Mais links:

Cálculo em quadrinhos

Reportagens – Joe Sacco

Joe Sacco é um jornalista gráfico, se é que existe este termo. Ele faz reportagens e as publica na forma de história em quadrinhos.

Duas recomendações de leitura: Reportagens e Palestina.

Sacco cobriu algumas guerras. O livro “Reportagens” é uma compilação de relatos de guerra dele.

No Brasil existe um preconceito de que histórias em quadrinhos são coisa de criança. Porém, definitivamente, as reportagens mostradas não são para crianças. Há relatos bem pesados sobre a guerra nos balcãs (Sérvia – Bósnia), treinamento dos soldados no Iraque e a terrível situação dos refugiados da Chechênia, entre outros.

Muito impressionante é uma reportagem sobre o sistema de castas na Índia, onde ele acompanhou as enormes dificuldades que uma pessoa das castas mais inferiores enfrentam.

Basicamente, eles estão presos a uma armadilha de pobreza: todo o mínimo necessário (como educação) lhes é negado, pessoas de castas superiores sentem-se no direito de usar e abusar do trabalho e liberdade destes. Se lhes é dada terra em algum programa de reforma agrária, eles não conseguem a manter na prática, sob a coerção de quem detém o poder real.

Uma hora, Sacco notou que a mera presença dele como jornalista era uma ameaça à segurança dos párias da sociedade indiana, e ele teve que se retirar do local.

Outra obra do mesmo autor é sobre a Palestina.

Ele acompanha ambos os lados – israelense e palestino, conversando com as pessoas, vivendo ao lado delas. Uma das histórias é sobre uma pessoa que tinha uma casa perto da fronteira entre territórios. Sob a justificativa que a casa tinha sido utilizada como base para disparar para o lado israelense, o exército israelense derrubou não só a casa desta pessoa, mas toda uma fileira de casas adjacentes! Em outra reportagem, ele mostra um colono judeu que tem a casa alvo de tiros com muita frequência, e o medo constante vindo daí.

Felizmente o Brasil, apesar de todos os problemas, é um país em paz com os vizinhos e num estágio de desenvolvimento que permite uma vida decente à maior parte de sua população.

Links:

https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=65050

https://www.minhavidaliteraria.com.br/2016/10/18/resenha-reportagens-joe-sacco/

https://www.amazon.com.br/Palestina-Joe-Sacco/dp/857616471X

https://en.qantara.de/content/joe-saccos-palestine-authentic-depiction-of-life-in-the-time-of-intifada

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

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Os Vingadores originais

Olhando para o sucesso dos filmes dos Vingadores, me vem uma nostalgia imensa.

Sou nerd raiz, daqueles que acompanharam os Vingadores desde os primeiros quadrinhos publicados no Brasil.

Seguem algumas recomendações de quadrinhos, sobre os Vingadores originais e Thanos, o titã louco.

Os Vingadores, número 2.


Roteiro do mestre Stan Lee, desenhos do lendário Jack Kirby. Publicado no Brasil em 1973 pela saudosa Editora Bloch, da revista Manchete e da TV Manchete – só quem é muito das antigas vai lembrar.

Tudo começou no fim da década de 80, quando o meu tio Algiberto Ogawa emigrou para o Japão. Eu sempre gostei muito de ler, e todas as vezes que ia na casa da minha avó (o meu tio morava ali), eu ficava horas lendos os gibis da Marvel.

Ele tinha uma coleção enorme de quadrinhos da década de 70 e 80. Quando partiu para a Terra do Sol Nascente, ele deixou a coleção inteira comigo – o sobrinho mais interessado nela. Tive o privilégio de ler as revistas do Homem de Ferro, Vingadores, Hulk. Era tudo muito simples, com cores brilhantes e roteiro ingênuo.

Ao longo dos anos, a minha mãe me obrigou a jogar fora as revistas e deixar apenas algumas. Esta revista em particular, Vingadores n. 2, está comigo até hoje.

Nesta edição, os Vingadores (Homem de Ferro, Thor, Gigante e Vespa) se separam de Hulk (sempre instável), lutam com Namor (o Príncipe Submarino) e acabam ganhando um outro aliado: o Capitão América.

O resgate do Capitão América nas águas geladas

O Capitão América foi “ressuscitado” na década de 70, nesta revista. Explico. O capitão original fora um personagem propaganda do esforço de guerra americano, na Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945). Com o fim da guerra, o personagem também tinha acabado. Porém, Stan Lee resolveu colocá-lo de volta à cena.

Nesta época, tudo tinha que ser explicado (era muito ingênuo, como foi dito). Como explicar que o Capitão América da Segunda Guerra continuaria jovial e forte, 30 anos depois? Eles inventaram que o personagem tinha caído em mares gelados, teria sido congelado num iceberg por 30 anos, e por isso tinha mantido sua juventude. Namor, o príncipe submarino, destruiu o iceberg e o capitão foi descongelando nos mares.

Só para dar um paralelo. Como explicar que o Capitão América continue na ativa hoje? Se Steve Rogers tinha 20 anos em 1945, em 2019 ele teria quase 100 anos… é por isso que hoje nem se dão ao trabalho de explicar nada, é assim porque é e pronto…

A Saga de Thanos

Avançando uns 10 anos, na década de 90, a Editora Abril publicou um compilado de 5 edições, e chamou de “A Saga de Thanos”.

Esta conta a primeira aparição de Thanos no universo Marvel (numa revista do Homem de Ferro, em que o titã comanda os Irmãos Sangue).

Quase todas as histórias têm em comum desenhos e/ou roteiro de Jim Starlin, o gênio criativo por trás de Thanos, Drax, Gamora e outros.

Dá para dividir as 5 edições em duas partes. Uma em que o Capitão Marvel é o protagonista, e outra em que Adam Warlock é o personagem principal.

Na primeira parte, o titã apaixonado pela Morte quer oferecer todo o sistema solar à sua amada. O seu objeto de poder é o Cubo Cósmico, nada de joias do infinito.

Há uma série enorme de histórias, com diversos personagens (Drax, Homem de ferro, Coisa, Vingadores), mas o foco é no Capitão Marvel. Um alienígena da raça dos Krees, com superpoderes, e que troca de identidade com Rick Jones (personagem das histórias do Hulk).

O Capitão Marvel é o responsável por deter Thanos, ao destruir o Cubo Cósmico num esforço desesperado.


Nota: o Capitão Marvel original era homem, um Kree. Este morreu, muito tempo depois, e Carol Denvers assumiu o nome.

A segunda parte narra a primeira aparição de Adam Warlock (criação original de Lee e Kirby), o Alto Evolucionário criando uma contra-Terra e muitas outras histórias de Warlock.

Lembro-me que uma das minhas diversões era ficar caçando revistas velhas para completar a minha coleção. Uma das edições desta série eu encontrei numa viagem que fiz com amigos, numa parada do ônibus em uma estação rodoviária em Jacupiranga.

Thanos só apareceu de verdade no último volume.

A ideia de Joias do Infinito veio nessa série de histórias, após a destruição do Cubo Cósmico.

Desta vez, o Capitão Marvel foi coadjuvante, e Adam Warlock o personagem principal pela derrota do titã louco. Warlock pagou com a própria vida, levando junto Thanos… ou era o que se pensava, porque a história de Thanos é tão icônica que ressuscitaram ele, Warlock e outros na série de histórias do infinito, publicadas muito tempo depois, com roteiro de Jim Starlin também.

Fico feliz com o filme, porque tenho boas lembranças desta fase de adolescência, em que tinha que caçar as revistas faltantes por vários meses até encontrar numa banca aleatória qualquer.

Como encontrar tais revistas hoje em dia? Talvez em sebos, ou pela internet.

Eu tenho as revistas mencionadas até hoje, mas deixo dito que não vendo e nem empresto. Se escaparam da limpa da minha mãe, não fogem mais!


Vide também:

https://ideiasesquecidas.com/2018/08/27/o-indice-x-men-de-inflacao-2

Mais história do Brasil Imperial

Em complemento ao post anterior, seguem três boas dicas de obras audiovisuais sobre o Brasil Império.

  • Carlota Joaquina, a princesa do Brasil. Filme de Carla Camurati, produzido em 1995. É um filme bastante divertido, com Marieta Severo e Marco Nanini. É engraçado ver esses atores jovens, para quem estava acostumado com a atuação de ambos no seriado “A Grande Família”.


O Quinto dos Infernos, mini-série da Rede Globo, de 2002. É uma versão bem caricata e divertida da história. Marcos Pasquim, Betty Lago, Humberto Martim.
http://memoriaglobo.globo.com/programas/entretenimento/minisseries/o-quinto-dos-infernos.htm


Em comum a todos eles, os personagens.

D. João, indeciso, covarde e corno, decidiu pela para o Brasil em 1808 – nunca iria resistir ao grande Napoleão Bonaparte. Porém, D. João era sábio a seu modo. Com ele, o Brasil em 13 anos sofreu mais transformações do que nos 300 anos anteriores.

Carlota Joaquina, a espanhola irascível, fogosa, volúvel, odiava o marido (e vice-versa), tentando alguns golpes de estado durante sua vida.

D. Pedro I, hiperativo, aventureiro, garanhão voraz sexualmente, foi aquele que deu o Grito da Independência montado num burro (e não num belo alazão, como o quadro de Pedro Américo).

Por fim, a Imperatriz Leopoldina, culta, educada, sensível, porém sem beleza física alguma, sofreu muito em meio à corte portuguesa. É lembrada com carinho pelo povo tanto do Brasil quanto de Portugal.


Ideias técnicas com uma pitada de filosofia:

https://ideiasesquecidas.com/

Cálculo em quadrinhos? Bioquímica em quadrinhos?

Quando se fala em histórias em quadrinhos, há algumas imagens que vêm à cabeça: super-heróis com roupas coloridas, ou a Turma da Mônica.

Entretanto, há a possibilidade de aprender temas tão distintos quanto Cálculo, Álgebra Linear, Química e Computação, com o apoio de quadrinhos.

A grande vantagem dos quadrinhos é que são totalmente visuais, o que facilita e muito a transmissão da informação. Se este poder de visualização puder ser aliado a um tema, como matemática, teríamos uma forma poderosa de entender o assunto.


O Guia Mangá 
O guia mangá é uma ótima introdução a diversos assuntos interessantes.
GuiaMangaCalculo
Há dez temas diferentes, indo de Cálculo, Estatística e Álgebra Linear até Bioquímica e Biologia molecular, passando por Física e Teoria da Relatividade.
GuiaMangaEstatisticia
O enredo da história normalmente é de um aluno com dificuldades em aprender, que encontra algum professor que se propõe a ensinar o assunto (de sexos opostos, para dar um clima de romance), desde os passos mais básicos até alguns conceitos mais elaborados. Há um resumo teórico bem sério no final de cada capítulo.
GuiaMangaBiologiaMolecular
Veja nas notas de rodapé alguns links.

The Cartoon Guide
Larry Gonick é uma espécie de cartunista-gênio: tem graduação em mais de uma faculdade, e aliado a seu interesse natural por desenhos, produziu obras extremamente bem humoradas e divertidas dos assuntos.
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Eu particularmente gosto muito do Cartoon Guide to Genetics, me ensinou muitos conceitos que não estavam claros nas chatissimas aulas que tive do ensino médio.
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Alguns destes livros foram traduzidos para o português, mas são poucos. O negócio é aperfeiçoar o inglês mesmo.
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Não dá para aprender Cálculo profundamente com um guia desses, mas dá para ter uma boa noção dos conceitos envolvidos. Aprender os conceitos facilita muito o aprendizado mais profundo. Este é um dos problemas das escolas universitárias, muitas vezes nem conseguem passar o conceito principal direito…

Cartoon Introduction to Economics
Economia é um assunto que pouca gente entende, mas que na verdade tem suas raízes em conceitos comuns, compreensíveis para qualquer pessoa. À medida em que novos vocabulários vão sendo atribuídos e novos marcos de resultados vão sendo alcançados, a Economia passa a ficar mais distante do leigo comum.
O Cartoon Introduction explica algumas das ideias principais, atreladas a grandes economistas e história.
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Além da edição sobre Micro-Economia, há uma sobre Macro-Economia. Há também outros dois Cartoons Introductions, sobre Mudanças climáticas e Psicologia.
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Economix

O Economix também trata do assunto “Economia”, que é tão vasto e complexo que poderiam ter mais 100 livros deste tipo sobre o assunto. Este livro é mais denso, e tem várias referências à economistas famosos.

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Dom João Carioca
E História? Não tem nada melhor que uma história em quadrinhos para contar uma história. A do desembarque da família imperial no Brasil, e os desdobramentos disto, são um ótimo exemplo.
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Literatura brasileira em quadrinhos

A série Literatura brasileira em quadrinhos é uma introdução bastante interessante a diversos livros da nossa literatura. Há vários sobre Machado de Assis. Na minha época, todo ano indicavam 10 livros diferentes para ler na Fuvest. Óbvio que não dava para ler todos eles em um ano e ainda estudar todas as outras matérias, então fiquei com os resumos das aulas de literatura. Se tivesse este tipo de publicação na época, os resumos seriam de muito melhor qualidade.

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Capitu traiu ou não Bentinho?

Relatos históricos

PyongYang é sobre a vida na Coreia do Norte, a partir da visão de um desenhista que morou lá por um tempo. Há fatos assustadores sobre o quão bizarro e prejudicial pode ser viver sob uma ditadura.
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Uma vida chinesa é um relato de alguém que sofreu os efeitos nefastos do “Grande Salto para Frente” e da “Revolução Cultural” – fome, morte de parentes, fuga para outras cidades, miséria e dor. Foram dois dos episódios mais ilógicos da história da humanidade. É incrível que ainda existam pessoas que defendam o comunismo, mesmo diante de fatos históricos como este.
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Shakespeare em mangá e em quadrinhos
Algumas das histórias mais famosas da humanidade, e alguns do vilões mais malvados que já existiram, vieram de Shakespeare. (Sabe o malvado tio de Simba, no filme Rei Leão? É Hamlet com leões ao invés de pessoas).
O maior de todos os contadores de história já teve seus trabalhos em teatros, livros, filmes, adaptações diversas. Com os quadrinhos não é diferente, há várias versões de suas obras em diversos formatos (quadrinhos, mangás, livros ilustrados).
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Portanto, há uma ampla gama de trabalhos sobre diversos assuntos, aliando o conhecimento com diversão – unindo o útil ao agradável.
Ficam as dicas.

Links
Pode-se procurar em sua livraria favorita pelas palavras chave descritas acima. Mas segue uma pequena lista, para facilitar.
Guia Mangá
Cartoon Guide
Cartoon Introduction
Economix
Dom João Carioca
Literatura brasileira em quadrinhos
PyongYang
Shakespeare