O cavaleiro da armadura enferrujada – o retorno

O cavaleiro da armadura enferrujada teve um dia cheio. Acordou de madrugada, por insônia. Fez um café, comeu uma fruta e leu uns e-mails. Ficou um tempo no facebook, como é de costume. Depois, ficou navegando na internet.
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Saiu de casa cedo e enfrentou um rotineiro trânsito pesado. No horário que saiu, esposa e duas filhas estavam dormindo.  Chegou no trabalho uma hora depois, onde respondeu mais e-mails, trabalhou bastante por algumas horas. Depois, foram 5 reuniões em sequência. Reuniões importantes, porque é a fase final de escolha de um novo fornecedor para um projeto muito aguardado. Reuniões importantes, mas nem sempre produtivas, e sempre exaustivas por precisar de muito foco e energia. Precisou defender algumas ideias, e para isto, teve que acrescentar mais um reforço de aço em sua armadura, que já estava muito pesada.

 

No meio da tarde, as reuniões do dia terminaram. Ele disparou uns telefonemas e e-mails cobrando alguns trabalhos, alinhou entendimento de outros trabalhos, e permaneceu fazendo uma série de coisas até a hora de ir embora.

 

O trânsito, na volta, é quase uma Odisseia. Ainda mais por estar chovendo forte na cidade. É muita energia perdida com o transporte.

 

Chegando em casa, a esposa contou um monte de coisas que ocorreram no dia, mas ele estava tão cansado, e lendo e-mails e whatsapp, que não deu muita atenção.

 

Brincou um pouco com a filha mais nova, jantou, e depois da janta, sua energia acabou de vez.

 

Tentou montar um quebra-cabeças com a filha mais velha. Depois foi deitar um pouco no sofá para relaxar e ler e-mails, mexer no facebook, e quando percebeu, estava dormindo com armadura e tudo. Acordou de madrugada, e as filhas e a esposa estavam dormindo.

 

Das 24 h do dia, passou no máximo 2 com a família. E isto ainda é muito, comparado com alguns outros colegas que conhece.

 

O dia de hoje foi igual ao de ontem que foi igual ao de anteontem. Foi um  dia a mais em que o cavaleiro não conseguiu tirar a armadura, apenas deixou-a mais pesada e mais enferrujada…

 

https://ideiasesquecidas.wordpress.com/2015/07/05/armadura-enferrujada/

E-readers e a importância de um Steve Jobs

 

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Ganho de produtividade

Comprei um e-reader novo, o Kobo Aura HD.
 

Sou completamente fissurado em livros, artigos e ideias, das quais me baseio na minha vida profissional.

 

Antes dos e-readers, eu tinha que adquirir livros em papel, ou imprimir (dá ler na tela de computador um livro de 10 páginas, mas não um de 500 páginas). Livros são caros, pesados, e limitados à oferta das livrarias locais – ou a importar um livro e ficar 3 meses esperando. Dava para ler no máximo uns 20 livros por ano.

 

Tenho um Kindle DX desde 2009. O Kindle permitiu que eu tivesse acesso on-line à uma quantidade quase ilimitada de livros. Um título como “Computational Complexity” poderia ser comprado e baixado pela internet. Com o Kindle, consegui dar um salto de produtividade para uns 50 livros por ano.

 
Mas o Kindle DX tem limites tecnológicos. Para arquivos pdf, cada página demora muito para carregar (uns 20 s). Parece pouco, mas isto inviabiliza uma leitura dinâmica. Além disso, o recurso de zoom era tosco – dava tanto trabalho e tanto tempo dar zoom que simplesmente não conseguia ler muitos arquivos. A formatação de páginas salvas pela internet também ficava pouco legível, e o zoom não ajudava.

 
Hoje, em 2015, o Kobo HD é supostamente o melhor e-reader do mundo. É mais rápido que o e-reader antigo, mas mesmo assim demora uns 7 segundos para carregar (ou mais se o arquivo for pesado). Ele tem um recurso de zoom excelente – o que permite que eu leia artigos científicos. E tem recursos espertos, como o Pocket, que permite que eu marque uma página da internet (no computador, ipad, qualquer browser) e esta é automaticamente baixada no e-reader. Com tudo isto, é possível ler por volta de 80 livros e uns 200 artigos por ano, algo completamente impossível na era do papel impresso.

 


 

Sinto falta de Steve Jobs
 
O Kobo Aura HD tem uma peculiaridade que lembra Steve Jobs: tem só um botão, o de ligar. Toda a navegação é por touch screen. E este é o principal defeito dele.
 
Certamente o design bonito e os inúmeros truques de navegação do iPhone inspiraram o Kobo HD. Mas pegar um conceito de uma área e colocar em outra pode não ser a melhor solução.
 
No caso de e-readers, o touch screen não funciona bem, porque há um delay (de 5 a 10 segundos). Imagine um tablet onde a cada toque, ele trave por 5 segundos.
 
Na leitura de arquivos baseados em texto (epub, txt, mobi), a solução cheia de botões do antigo Kindle DX é muito mais eficiente do que o touch screen do Kobo – porque neste caso, a leitura é sequencial, não tem fórmulas matemáticas, a formatação não importa muito.
 
Resolver um problema não é copiar e colar uma solução, é encontrar a solução que melhor se adeque às condições de contorno.
 
Fico imaginando como seria se a Apple de Steve Jobs lançasse um e-reader. A velocidade ainda é boa, então poderiam melhorar este aspecto. Se não fosse possível, então colocar botões a mais e funcionalidades que permitissem navegação rápida de conteúdo. Atalhos configuráveis para opções da tela. Também poderiam lançar uma mega loja de livros no itunes, com o dobro do tamanho da Amazon e metade do preço. Outra ideia seria a de universidades terem a sua própria página no itunes, onde poderiam disponibilizar apostilas dos cursos. Há infinitas possibilidades não exploradas.

 


Ganho de Produtividade e custo dos produtos
 
Paguei caro pelos e-readers que tenho – mais de R$ 1000 pelo DX que não existia no Brasil, e R$ 700 pelo Kobo. Além disso, tinha um Sony PRC (que era horrível) e um Kindle 3 (modelo barato e pior).
 
Eu pagaria o triplo por um e-reader muito melhor, um e-reader nível Apple que ajudasse a dar um salto de produtividade maior ainda.
 
Acredito fortemente que o recurso escasso do ser humano é o Tempo, e não o dinheiro. Se eu puder usar o dinheiro para aumentar exponencialmente a minha produtividade, não vou poupar esforços para isto.
 
Sinto falta de um Steve Jobs, para iluminar o caminho dos e-readers. O resto da história se repetiria: alguns anos depois do sucesso do iReader, os concorrentes começariam a copiar as funcionalidades, lançando aparelhos genéricos, mais baratos e de arquitetura livre. Depois de mais alguns anos (e nadando a favor da lei de Moore), esses concorrentes conseguem chegar no nível da Apple, que passa a ficar cara, o que a obriga a se reinventar. Mas a contribuição de um Steve Jobs adiantaria em 10 anos a evolução dos readers eletrônicos, e triplicaria a minha produtividade na área.

 

Arnaldo Gunzi.

Março/2015

 

Resoluções de Ano Novo

O Ano Novo é sempre um marco. Indica o fim de um ciclo. É a base da contagem de nossa idade. Muita gente elabora desejos para o ano que chega.
Dois tópicos para ajudar na elaboração das resoluções de Ano Novo.
1 – Objetivos devem ser SMART
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Mais do que apenas desejos, o ideal é que as metas do ano tornem-se realidade. E isto envolve planejamento, dedicação, trabalho. Para ajudar a elaborar as metas, há um template de auxílio chamado SMART.
S – Specific: as metas devem ser específicas. Devem ter escopo bem definido, claro. Não adianta colocar algo genérico.
M – Measurable. Devem ser mensuráveis, para conseguir estabelecer metas e
A – Achievable. Os objetivos devem ser atingiveis. Se não os forem, vão ser abandonados rapidamente.
R – Relevant. As metas têm que ser relevantes. Têm que estar em harmonia com o que a pessoa é e os objetivos de longo prazo dela.
T – Timely.  Devem ter um prazo, deadline associado.
Nem sempre é possível ter esses cinco critérios, mas quanto mais tiver, melhor. A grande ideia aqui é que lista de resoluções seja um plano de ação efetivo.
2 – Feedback Analysis
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A “Análise de Feedback” de Peter Drucker consiste em elaborar metas e checa-las a cada período de tempo, comparando quais eram suas expectativas, o que aconteceu e o que deixou de ocorrer. Desta análise, pode-se descobrir quais os seus pontos fortes e fracos. Também serve para repensar se as suas ações estão de acordo com um objetivo de longo prazo, e o que deve ser mudado.
A dica aqui é a de arquivar essas resoluções de Ano Novo num local e comparar a resolução deste ano com o que realmente ocorreu.
Parece uma dica simples e óbvia.
Mas, como diria o Mestre Drucker: se é óbvia, porque não é feita? Afinal, você se lembra da resolução de Ano Novo do ano passado? Do retrasado? De 10 anos atrás?
Conclusão 
A análise SMART ajudará a criar planos de ação, e não simples desejos.
O Feedback Analysis ajudará a analisar seus pontos fortes, fracos e alinhamento com objetivo de longo prazo.

Arnaldo Gunzi

Jan/2015

Produtividade em áudio

O tempo é o recurso mais escasso de qualquer ser humano, e deve ser bem aproveitado.
Muita gente diz que não consegue ler livros, não tem tempo, etc. Por outro lado, a quantidade de tempo que se perde no trânsito é cada vez maior. Ouvir rádio pode ser bom para notícias, mas pelo menos 50% do tempo de rádio é de propaganda e conteúdo inútil.
E se fosse possível ler um livro no trânsito? Ou ler um livro caminhando? Na academia?
Na verdade, é possível sim ler caminhando ou no trânsito. Audio books são livros lidos em voz alta. Estes podem ser em mp3 ou em outros formatos compatíveis com um ipod, celular, qualquer outro player.
Serviços como o Audible.com são pagos e de excelente qualidade. Alguns livros custam 10 dólares. Cursos do grupo The teaching company saem por 30 dólares e são de uma qualidade extraordinária.
Existe uma alternativa gratuita, o Librivox. São voluntários que lêem o livro e disponilizam o áudio para download. Infelizmente, nem sempre a qualidade do áudio é boa. Outra alternativa (ilegal) é procurar em torrents.
Além de livros, podcasts são uma fonte útil de informações. ITunes U, também podem ser baixados.
É lógico que para isto tudo funcionar, é necessário ter Internet com um mínimo de qualidade e um smartphone ou algo como um iPod. E também saber inglês. Isto tudo é pré requisito.
Imagine quantos assuntos são possíveis de aprender, 40 min por dia, durante um ano?
Quem tiver outras dicas de produtividade, favor comentar.
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Arnaldo Gunzi
Dez/2014

“Profissionais” x “Amadores”

Um “amador” tem a conotação de alguém que tem alguma outra ocupação principal, mas faz o assunto em questão por hobby, lazer, paixão. Um “profissional” vive do assunto em questão, já faz isto durante anos, portanto é de se supor que o profissional seja melhor do que o amador.

Mas um amador pode ser extremamente talentoso e produzir um conteúdo fora de série. Um profissional pode ser alguém que produz conteúdo de forma burocrática, preso a formalidades ou a outras regras.

Uma das belezas da internet é que ela permite que conteúdos produzidos por pequenos “amadores” sejam divulgados para todo o mundo. Num passado não muito distante, tal conteúdo só chegaria ao público após passar por filtros das redações jornalísticas, gerados por “profissionais”. Este efeito é a tal da “cauda longa” de Chris Anderson, em que milhões de pequenos indivíduos produzem trabalho que passa a ser notado pelo resto do mundo. O fato é que os “amadores” estão superando os “profissionais”, nas áreas em que a cauda longa emerge.

Dois exemplos:

Um jornalista desconhecido produziu um blog de extrema qualidade, chamado waitbutwhy. Rapidamente, o blog viralizou, tendo atualmente 75 mil seguidores.
Este post explica a história dos confrontos atuais do Iraque, de uma forma extremamente clara e concisa. Nem a Folha, nem a Globo.com tem uma linguagem nem visão semelhantes.
http://waitbutwhy.com/2014/09/muhammad-isis-iraqs-full-story.html

Este post conta a história de uma visita à Coreia do Norte. Também é um post claro, de alta qualidade, e até engraçado.
http://waitbutwhy.com/2013/09/20-things-i-learned-while-i-was-in.html
Exemplo 2: Um programador desconhecido começou a produzir vídeos sobre como programar em Java. De forma concisa, descontraída, ele explica muito bem os conceitos. Ele também destaca muito bem as pegadinhas inevitáveis que um programador vai passar. O conteúdo é gratuito no youtube, itunesU. Ele também fez um blog de apoio ao vídeo.
https://howtoprogramwithjava.com/

Para efeito de comparação, tenho um livro da coleção Schaum sobre Java, que custou uns 80 reais. É pesado, cheio de definições complicadas. Parece uma aula de Universidade, ou seja, um pé no saco. Portanto, rapidamente abandonei o “profissional” pelo “amador”.
Talvez o maior amador de todos seja Steve Jobs. Atropelando todas as regras de business, ele conduziu a empresa com pura paixão, produzindo algumas das maiores revoluções da computação. Quando ele foi colocado para fora da Apple em 1985 e substituído por um “profissional” (John Sculley), a Apple passou a ser uma empresa comum: corte de custos, aumentar EBITDA, margem, VPL, TIR, gerenciamento da rotina, análise SWOT, blá blá. E a Apple quase foi à falência, sendo salva pelo mesmo Jobs, anos depois.

A próxima revolução vai ser a dos amadores. Portanto, continue um amador, faminto e tolo.

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Arnaldo Gunzi
Dez/2014

Resumos e Reviews

Dica de produtividade.

Na Amazon.com (e também em outras livrarias on line), há a seção de “Reviews” dos leitores. Muitas vezes, há excelentes resumos, opiniões e recomendações dentro destes reviews.

Por exemplo, um livro como “On China”, de Henry Kissiger, tem mais de 500 páginas. Ler os reviews pode dar uma visão geral sobre os temas mais importantes, assim como alguns dados interessantes. Combinando isto com uma leitura dinâmica, é possível entender o livro em poucos dias.

Por exemplo, de relance dá para aprender que a China tinha 25% do PIB mundial em1500, 30% em 1800 e apenas 4% em 1950 (ultrapassado pelas potências europeias e americana). Que a cultura deles tem forte influência do confucionismo – padrão de conduta e coesão social. Sun Tzu – manobras indiretas- colocar bárbaros para lutar com bárbaros. Medo de desordem social por conta de história recente de sofrimentos.

Por fim, é importante formar o hábito de ler sempre em inglês, tanto o livro quanto os reviews. Inglês ou outra língua que se queira aprender.

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Arnaldo Gunzi.

Cachorro preguiçoso

Antes da fama, Einstein foi chamado de “cachorro preguiçoso” pelo seu professor de matemática, Hermann Minkowski. Isto porque ele realmente não tinha muito interesse em seguir as regras formais da academia, e nem queria saber muito de matemática – o seu negócio era Física.

As opiniões são baseadas em algumas poucas impressões que as pessoas têm. Opiniões são as commodities mais baratas que existem, portanto devem ser ouvidas com cuidado.

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Davi x Golias

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Malcolm Gladwell é um escritor que orbita entre psicologia e economia, colunista da revista New Yorker, e uma mente sagaz e curiosa. Ele faz perguntas e observações intrigantes, que no mínimo fazem pensar.

Um exemplo que ficou famoso em seus livros é a “teoria das janelas quebradas”. Numa vizinhança, quando tudo está limpo e arrumado, a tendência é que tudo continue assim. Uma única janela quebrada não vai fazer a diferança. Acrescente, duas, três, mais janelas quebradas. Vai chegar num ponto (o “ponto da virada”), em que o cuidado com os vidros entrará num círculo vicioso, com menos e menos pessoas se importando, com prejuízo à limpeza, a organização e até atraindo criminalidade.

Seu novo livro é “Davi x Golias”, onde faz algumas insinuações interessantes. A primeira é de que, na lenda bíblica, Davi tinha sim grande chance de vencer Golias. A pedra do estilingue era uma arma poderosa nas mãos de quem sabe mexer. Da mesma forma, “Davis” oprimidos e com desvantagens podem ser superiores aos “Golias” do mundo real. Aquilo que consideramos como vantagens podem não ser tão vantajoso assim, e as desvantagens podem ser uma vantagem no final

Uma das chaves para transformar desvantagem em vantagem é utilizar estratégias de guerrilha. Usar métodos indiretos e não convencionais, ante as técnicas convencionais e de força bruta que a posição vantajosa utiliza. Gladwell cita um estudo, que analisou centenas de conflitos na história. Se um lado em desvantagem utilizar métodos convencionais, ele tem 30% de chance de vencer. Já, se o lado em desvantagem utilizar métodos não convencionais, ele tem 60% de chance.

Um exemplo de técnica não convencional foi o de Lawrence da Arábia. Ao atacar os turcos, havia dois caminhos: um pelas estradas existentes, o outro, dando a volta pelo deserto. Um exército convencional dificilmente conseguiria atravessar um deserto. Imagine um exército montado em camelos, com um rifle e um cantil de água. Entretanto, foi exatamente isto que ele fez. Utilizando a extrema habilidade de encontrar água no meio do deserto, e numa velocidade incrível, eles atravessaram o deserto e pegaram os turcos desprevenidos.

Outro exemplo é o dos impressionistas: Renoir, Cézanne, Monet. Apesar de suas obras serem extremamente valorizadas hoje em dia, ninguém dava bola para eles na época. Foram rejeitados inúmeras vezes nas principais exposições da época. Nenhum crítico deu a mínima bola para o trabalho deles. Muito pelo contrário: achavam esquisito, feio, fora dos padrões que a arte deveria seguir. A solução foi eles mesmos organizarem uma exposição deles, pouco ligando para o que críticos diziam. A exposição foi um sucesso, e foi exatamente esta visão não convencional que marcou a história do impressionismo.

Tomar cuidado com supostas vantagens. É como dar mesada a uma criança, é ruim se for demais. Os incentivos têm a forma de um U invertido, existe um ponto máximo que não é nem muito nem pouco. O exemplo é a noção de que salas de aula com menos alunos são melhores. Nos EUA, teve um momento em que o governo investiu macicamente em professores, para diminuir o número de alunos. Entretanto, a pesquisa comparativa para milhares de escola em que isto ocorreu ou não ocorreu mostra que não houve efeito algum. A mesma pesquisa foi feita no mundo inteiro, e não se viu diferença. A vantagem não foi vantagem alguma, foi apenas custo.

Existe também o “efeito deprivação”. Pessoas que têm algo, mas têm menos do que as pessoas do seu meio, na verdade estão em desvantagem ao invés de vantagem. É como alguém de classe média mudar para um prédio de classe alta. Ele pode até conseguir morar lá, mas não vai conseguir ter o padrão dos outros. Vai ser o peixe pequeno numa lagoa grande.

Outras dicas são de se posicionar como um Davi, buscando novas estratégias, pontos de vista diferentes. Mudar as regras do jogo, passar além dos limites do possível. Fazer da desvantagem como uma vantagem, e tomar cuidado com as vantagens existentes.

Prazo de validade

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Responda à seguinte pergunta: você prefere comprar um ipad que vai durar apenas três anos ou um ipad que vai durar a vida toda?

Existe uma tendência natural do ser humano de gostar de coisas que lhe deem segurança. No caso, é a segurança de não ter que trocar de ipad daqui a 3 anos. Portanto, é claro que as pessoas preferem o ipad que dura a vida toda.

Generalizando, as pessoas sempre preferem algo que lhes deem segurança eterna, ao invés de algo com prazo de validade. Um emprego vitalício, uma casa para o resto da vida, um trabalho de sucesso que gere dividendos para sempre, etc.

Mas, será que isto é realista?
O ipad, fisicamente, pode durar muito mais que três anos. Mas provavelmente estará obsoleto tecnologicamente, necessitando de um upgrade. Ou, talvez o próprio conceito de tablet esteja obsoleto, daqui a três anos. Ou seja, o seu ipad tem um prazo de validade, você querendo ou não.

Tudo tem prazo de validade. Inclusive o emprego, o casamento, as amizades, os resultados de seu trabalho.
O que não se sabe é quando, mas as coisas têm uma validade. Não digo que vai haver uma ruptura, ou que é necessário trocar tudo, mas sim que há a necessidade de uma reinvenção: de repensar, de tomar rumos não pensados anteriormente, de gastar energia para refazer o que se perdeu com o tempo.
Por melhor que tenha sido o seu trabalho de hoje, ele também vai durar por algum tempo. Será necessário, em algum momento futuro, fazer alguma mudança, adaptação, evolução. Repensar resultados e métodos.

O que proponho é que, ao invés de se acomodar achando que conseguiu algo eterno, as pessoas deem prazo de validade a elas. A cada período de tempo em que a validade acabar, as pessoas tentem repensar, reconquistar, refazer rumos. O prazo de validade pode ser de 3, 10, 15 anos, mas é bom ter um período na cabeça. Ao invés de achar que o casamento é infinito e correr o risco de deixar algum problema crescer até explodir, é mais sensato desarmar pequenas explosões de tempos em tempos. Isto sim vai fazer a relação durar.

Por mais contraditório que possa parecer, dar prazos de validade é a melhor forma de conservar algo eternamente.

Análise de Feedback

Todas as pessoas deste mundo são diferentes, e cada um tem pontos onde têm naturalmente facilidade, e outros em que têm dificuldade. Alguém pode ser muito bom em se comunicar com outras por escrito, mas não verbalmente. Alguns podem ser excelentes em trabalhos metódicos, enquanto outros preferem processos caóticos.

No mundo atual, o acesso à informação aumentou exponencialmente, e exponencialmente também aumentou a quantidade de bullshit que chega a nós. Por exemplo, tem algumas revistas de negócio que vivem listando características ideais para o líder: ele tem que ser visionário, forte, carismático, sensível, transparente, amigo, eficiente, trabalhar muito, dedicado, rápido e firme nas decisões, ao mesmo tempo flexível quando perceber que o cenário mudou, etc… A lista é infinita. Mas a realidade é que ninguém consegue atingir todas as características ao mesmo tempo. Não existe super-homem. E, ao invés de tentar desenvolver características que você não tem, é melhor saber quais as características que você tem.

As pessoas não se conhecem. Não sabem onde elas desempenham bem e onde não desempenham. Muitas vezes, só há um meio de conhecer: tentando fazer, praticando.

A “Análise de Feedback” é uma das ferramentas apresentadas por Peter Drucker para o fim de administrar a si mesmo, com o fim de se conhecer, na prática.

Como todas as ferramentas de Drucker, é uma ferramenta que reside no universo das ideias. Não necessita de algum tipo especial de software ou hardware. Necessita apenas de lápis e papel:

– Escreva quais são os resultados esperados para suas principais decisões e ações para os próximos 12 meses
– 12 meses depois, compare os resultados atingidos com a anotação dos resultados esperados

A análise de feedback é a forma de se identificar os seus pontos fortes. Pode-se ter muitas ideias e aspirações, mas você só vai ser consistentemente bem-sucedido em algumas dessas aspirações. E, assim, pode-se verificar na prática quais são seus pontos fortes e quais são apenas ideias vagas.

Deve-se colocar força onde os pontos fortes podem produzir os melhores resultados
Trabalhe para melhorar suas Forças e remediar os maus hábitos
Saiba onde não colocar forças – evitar áreas de incompetência

 

Correlacionando com outras ideias de outros pensadores.

Sun Tzu: “Aquele que conhece a si mesmo e ao inimigo, vencerá todas as batalhas. Aquele que conhece a si mesmo, mas não ao inimigo, perderá uma batalha para cada batalha que vencer. Aquele que não conhece a si mesmo nem ao inimigo, perderá todas as batalhas”

Bastter: No pôquer, a regra principal é dobrar a mão forte e abandonar a mão podre