Notas sobre Tribos

Transcrevo aqui notas sobre o livro Tribos, do autor Seth Godin. Ele escreve sobre marketing e business em geral, e sempre tem bons insights.

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O que é um tribo?
É um grupo de pessoas conectadas umas com as outras, com um líder e uma ideia comum.

Nós pertencemos a várias tribos.

Tribos fazem nossa vida melhor.

A Internet eliminou a geografia, atualmente podemos ter tribos globais.

 

A oportunidade: encontrar ou criar uma tribo, e liderá-la.

 

Alguns exemplos:
Joel Spolsky está mudando o mundo, ensinando como conduzir uma pequena companhia de software.

Mohamed Yunus e Al Gore criaram tribos para as suas causas, de microcrédito e de preservação do ambiente.
Os vários seguidores apaixonados do TED Talks formam uma tribo.

 

O que é necessário?
Para criar uma tribo, é necessário um interesse comum e uma forma de conexão, como itens principais.
Além disso, deve-se motivar, conectar e alavancar:

  • Transformar o interesse comum numa paixão
  • Fornecer ferramentas para melhorar a comunicação
  • Alavancar a tribo para ganhar novos membros

 

Sobre a falta de líderes
Precisamos de você. Pela primeira vez espera-se que todos liderem. O mercado está recompensando quem muda coisas e cria produtos e serviços memoráveis.

 

Crie um movimento

Criar um movimento é mais do que dizer o que fazer. Grande líderes empoderam as pessoas a se comunicar. Estabelecem as fundações para a conexão entre as pessoas.

 

Fãs verdadeiros
Mil fãs verdadeiros é o suficiente. Eles darão atenção e suporte suficiente, eles formam uma tribo.

As organizações prezam demais por números, ao invés de fãs.

 

Medo

Por que nem todos criam um movimento? Por conta do medo.

Revisitando o princípio de Peter. Todos são promovidos até o nível em que são paralizados pelo medo.
Preste atenção no medo, a fim de superá-lo.

 

Memorável

Um produto memorável é como uma vaca púrpura (em referência ao livro anterior de Godin, Purple Cow).

Vacas marrons são chatas. Vacas púrpuras são memoráveis.

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Voluntários

Tribos são voluntárias. Grande líderes não tentam agradar a todos.

Um grupo motivado e conectado é melhor que um grupo apenas maior.

 

Medo, fé e religião

Pessoas que desafiam o status quo fazem algo difícil. A fé é necessária para superar o medo.

Religião é uma série de crenças impostas, como a religião do MBA ou o código de valores de uma grande companhia.
A fé é subestimada, e a religião, superestimada.

 

Hereges
A gerência moderna quer hereges. Estes desafiam o status quo, fazem as mudanças antes que as mudanças aconteçam.

 

Espalhar a palavra
Mostre este texto para mais alguém ler. Divulgue o movimento.

 

O segredo da liderança
Faça o que você acredita. Pinte uma imagem do futuro e vá em busca deste. As pessoas seguirão.

Precisamos de sua liderança.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cuidando do jardim

O meu amigo Diego Oliveira questionou se este site tem como objetivo obter uma renda passiva.

A resposta é não, não tem como objetivo monetizar. O objetivo é expressar ideias, aprender muito com isto, e devolver parte do conhecimento para a sociedade.

 

Aliás, “site” pode ser traduzido como sítio, e como num sítio, tenho que cuidar do jardim.

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Ter um blog como este é como cuidar de um jardim. Um esforço de algumas horas por semana, trabalhando, plantando sementes de ideias, aparando as palavras, tirando ervas daninhas… mais vale a constância a longo prazo do que o entusiasmo de curto prazo, como na história da tartaruga e do coelho. E a recompensa de ter um jardim bonito é a satisfação pessoal, não há monetização nisto.

 


 

Sobre monetização. Como é muito fácil publicar algo na internet atualmente, há uma avalanche de artigos, textos, vídeos, saturando a cabeça das pessoas. E como sempre acontece com o ser humano, o que realmente faz sucesso são vídeos de humor e entretenimento, ou conteúdo de nicho, para crianças por exemplo.

Vide pesquisa abaixo, dos canais brasileiros com mais inscritos no Youtube.

Whinderson Nunes – Comédia
21,8 milhões de inscritos

Kondzilla – Música
15,7 milhões de inscritos

Porta dos Fundos – Comédia
13,3 milhões de inscritos

Felipe Neto – Entretenimento
12,2 milhões

5inco Minutos – Comédia
10,7 milhões

Authentic Games – Games
10,2 milhões

Canal Nostalgia – Entretenimento
9,5 milhões

(http://www.meioemensagem.com.br/home/midia/2017/07/31/canais-de-comedia-lideram-audiencia-do-youtube.html)

 

E isto reflete bem o que faz sucesso na TV aberta, no rádio, em revistas, etc… O mesmo ocorre em qualquer lugar do mundo, o ser humano é igual.

Vide o maior ibope da Globo, agora de abril/2018

  • NOVELA III – O OUTRO LADO DO PARAÍSO
  • FLASH JORNAL DA GLOBO VIVO NOT
  • FUTEBOL REGIONAL VES
  • JORNAL NACIONAL
  • FUTEBOL
  • BIG BROTHER BRASIL

(https://www.kantaribopemedia.com/dados-de-audiencia-nas-15-pracas-regulares-com-base-no-ranking-consolidado-0204-a-0804/)

Bom, pelo menos tem o Jornal Nacional entre novela, futebol e Big Brother…

 

Outro conceito que sempre uso aqui é que o mundo é Pareto, exponencial. É o efeito vencedor-leva-tudo, 20% das pessoas têm 80% da riqueza, 20% dos autores têm 80% das vendas. Num mundo cada vez mais globalizado, o Pareto não será em nível local, mas em nível global – os ricos cada vez mais ricos. A monetização vale mais para os tops do que para os pobres do mundo digital. Talvez até dê para monetizar um site pequeno de alguma forma, mas não sei como fazer, este nunca foi o objetivo.

 

Escrevo aqui simplesmente porque tenho uma paixão por ideias. Escrevo apenas quando há algo de valor a acrescentar, uma experiência, um ponto de vista, ou traduzir algo complicado para uma linguagem mais simples. A Internet é um grande ctrl+c ctrl+v, com muitas ideias copiadas e pouco conteúdo autêntico de verdade, com muito joio e pouco trigo, muito ruído e pouco sinal.

Ou, como diria Nietzsche, estas palavras estão aqui por paixão, a tinta da minha pena é o meu sangue, e os leitores não devem ler com os olhos, mas sim com a alma.

E vamos lá, cuidando do meu pequeno jardim…

 

 

 

 

 

Quantos envelopes preciso comprar para completar o álbum da Copa do Mundo?

Este blog não tem foco em matemática, mas não dá para resistir a um desafiozinho.
 
O meu amigo Marcos Melo quer completar o álbum de figurinha da Copa do Mundo para os netos. Só que, antes disso, quer estimar o custo da brincadeira. A pergunta: qual a probabilidade de completar o algum da Copa, comprando n envelopes?
São 682 figurinhas, 5 figurinhas por envelope.
 
 
Resposta curta.
 
– Com 600 envelopes, 0,02% de chance de completar o álbum.
 
– Com 1000 envelopes, 65% de chance de completar o álbum.
 
– Com 1500 envelopes, 99% de chance de completar o álbum.
 
O Excel / VBA aqui tem um simulador de sorteio de figurinhas por envelope, e a fórmula teórica da probabilidade, para brincar um pouco.
 
           
 
Resposta longa, para quem gosta.
 
 
Imagine todas as figuras em ordem, cada uma sendo uma caixinha.
 
 Figurinhas.png
 
Hipótese: Não há figurinhas especiais, todas têm igual chance de sair no envelope.
 
 

Vamos focar em uma figurinha qualquer, a figurinha F.
 
Se eu abro apenas um envelope, a probabilidade da figurinha F ser sorteada é 5/682. E a de não ser sorteada é o complemento disto.
 
p(fig F SER sorteada com 1 envelope) = 5/682

p(fig F NÃO ser sorteada com 1 envelope) = 1 – 5/682


Outra hipótese aqui: as 5 figurinhas são diferentes, se puderem ser iguais, a fórmula é ligeiramente diferente.
 

 


Para facilitar a notação, vamos chamar a primeira linha de p(1) e a segunda de p(0), onde 1 quer dizer “sucesso, achei a figurinha” e 0 quer dizer “não encontrei a figurinha”.
p(1) = p(fig F SER sorteada com 1 envelope) = 5/682

p(0) = p(fig F NÃO ser sorteada com 1 envelope) = 1 – 5/682



 

Se eu abro n envelopes, posso calcular a probabilidade da figurinha F ser sorteada como:

p(fig F NÃO ser sorteada em
n envelopes) = p(0) * p(0) * … *  p(0)  = p(0)^n = (1 – 5/682)^n

p(fig F SER sorteada em
n envelopes) = 1 –  p(0 em n envelopes) = 1 – (1 – 5/682)^n
Hipótese aqui, e bem razoável: a probabilidade da figurinha ser sorteada é independente para cada envelope.



Agora, considerando todas as figurinhas do álbum.
 
p(completar o álbum) =  p(1 na primeira figura) x p(1 na segunda figura) … x p(1 na 682 figura)
= (1 – (1 – 5 / 682)^n) ^682


Outra hipótese aqui: a probabilidade de uma figurinha ter sido sorteada independe da probabilidade de outra figura do álbum ser sorteada. Infelizmente, esta hipótese não é verdadeira, porque se uma figura não foi sorteada quer dizer que alguma outra foi, mas podemos considerar que a hipótese é aproximadamente válida.

Conclusão
 

p(completar o álbum) = (1 – (1 – 5 / 682)^n) ^682

onde n é o número de envelopes comprados.

Com 600 envelopes, 0,02% de chance de completar o álbum.

Com 1000 envelopes, 65% de chance de completar o álbum.

Com 1500 envelopes, 99% de chance de completar o álbum.

O programinha no Excel simula os sorteios, e realmente acontece comportamento próximo à fórmula: com 600 envelopes nunca completo o álbum, com 1500 sempre completo o álbum, e com 1000 na maioria das vezes completo, mas às vezes, não completo.

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É lógico que, na prática, faz muito mais sentido trocar as figurinhas repetidas com outras pessoas do que sair comprando a esmo. E, também, provavelmente há níveis de raridade diferentes entre figurinhas, o que torna a coleção mais difícil ainda.

É claro também que, se fizer muita conta, a pessoa acaba desistindo do álbum. Então, o negócio é esquecer isto tudo e se divertir.

 

Força x Persistência

Nos tempos de faculdade, muitas pessoas varavam a noite na véspera de uma prova.

Eu fazia o oposto. Estudava com vários dias de antecedência, dava uma revisada na véspera, e ia passear, sossegado.

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Isto é do estilo de cada um, o desempenho dos que varavam a noite não era necessariamente melhor ou pior.

Talvez tenha aí um pouco da minha herança oriental – pensar no futuro, poupar, valorizar o longo prazo.

Paciência no lugar de pressa. Ir devagar e continuamente, ao invés de ir aos saltos.
Isto continua até hoje. Nos projetos em que participo, prefiro trocar força e intensidade por persistência e paciência.​

Mais ou menos como o conto de Esopo, da tartaruga e do coelho.
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Vejo muitos trabalhos de consultoria que são intensos e pontuais, um deus-nos-acuda de trabalho em pouquíssimo tempo, como uma marretada. Depois que a consultoria faz o ppt, vira as costas e vai embora, tudo volta a ser como era antes. E daí, a diretoria contrata outra marretada, depois outra, até que alguma coisa quebra no meio do caminho.

 

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A alternativa à marreta seria uma prensa, que vai constantemente pressionando, com força gradativamente maior, sem tirar a pressão.

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Não dá para dizer que uma característica é sempre melhor que a outra, depende do contexto… mas já vi várias tartarugas devagares e sempre superando coelhos que pulam para a frente e depois estacionam sem avançar…

​ Algumas palavras sobre Filosofia

 A filosofia é a fronteira final do pensamento humano.

A filosofia é inútil e especulativa – porque as ideias úteis viram ciência ou algum outro campo do conhecimento.

Mas todos os campos do conhecimento já foram filosofia um dia. Porque tudo existe no mundo das ideias antes de se transformar em algo palpável.
Se a física começa das leis da natureza, a metafísica pergunta a razão dessas leis:

Quais são as fundações das fundações das fundações?

Há uma linha linha tênue entre filosofia e religião. Entre o belo e o feio. Entre o certo e o errado. Entre o infinito e o nada.

A única certeza que tenho é que não há verdade absoluta. Para cada argumento formulado por alguém genial, há sempre um contra-argumento, igualmente fundamentado, por outras tantas pessoas de mesmo porte intelectual. Portanto, não importa o que alguém um dia disse, o que importa é a sua própria convicção.

Sobre a “vida boa”.

Não fomos feitos para ser felizes. Não importa o que fazemos, nem no que acreditamos. Não importa o quanto acumulamos, não há limite. Estaremos sempre incompletos, infelizes, e sempre haverá um desejo da vida ser melhor, uma busca insaciável, é como correr atrás da própria sombra, ou andar numa esteira rolante que acelera quanto mais a pessoa corre.

A única forma de ter uma vida boa é ser feliz hoje, agora, imperfeitos, incompletos, da forma que somos, com o que temos. Respirar fundo, agradecer ao mundo e viver o presente.

E, por fim, vale a pena citar Shakespeare: Há muito mais no Céu e na Terra do que sonha a nossa vã filosofia…

​ Comunismo = religião

Karl Marx é o Profeta.
Lênin, Stálin, Mao, Fidel, os apóstolos.
A Bíblia é o “Manifesto comunista”.
O comunismo explica o passado, o presente e o futuro. Não tem falhas.
Ameaça os crentes com o inferno: o mundo capitalista.
E promete o Paraíso: o mundo comunista.
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A igreja são as salas de aulas.
Os padres são os professores que seguem esta doutrina.
O rebanho são as pessoas obrigadas a acreditar – usualmente, sob a coerção de uma arma.
Entretanto, após tanto pregar igual condições para todos, os doutrinadores voltam para casa e usam o seu iphone capitalista para defender suas ideias na internet…

Bitolas e histórias de bitolados

​A bitola refere-se à distância entre trilhos de trem. São duas linhas retas, paralelas, nunca saem do padrão.

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Um ser humano bitolado é exatamente isto: alguém que aceita somente uma resposta possível, nunca sai do padrão, nunca pensa diferente.

Compartilho três histórias sobre bitolas, provavelmente apócrifas, porém ilustrativas.


 

Bitolas desde o Império Romano

As bitolas de trem têm as dimensões atuais porque as bitolas do passado tinham essas dimensões. Mudar a bitola impacta na mudança do tipo de trem, estações, etc…

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As bitolas de trem do passado tinham a largura das estradas que já estavam abertas, facilitando a instalação. As estradas que já estavam abertas tinham as dimensões que tinham devido ao tamanho das carruagens que nelas passavam… e assim sucessivamente, até chegarmos à conclusão de que as dimensões das bitolas de trem de hoje são devidas às estradas e carruagens abertas no Império Romano, há mais de 2000 anos! Isso é ser bitolado, literalmente.

 


A árvore da praça

Um dia, uma árvore numa praça tinha sido vandalizada. Um general do exército viu aquilo, e ordenou que os soldados tirassem serviço ali naquele ponto, para proteger a árvore por um tempo. E assim foi feito: dois soldados tirando serviço por turno, três turnos por dia, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Troca de turno, briefing do oficial do dia, transporte até o quartel, etc… Com o passar do tempo, o general foi transferido para outra base, e os soldados continuavam a tirar serviço na praça porque sempre tinham tirado naquele lugar.

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Anos depois, chegaram à conclusão de que a árvore ali na praça estava atrapalhando a visibilidade deles. Portanto, cortaram a árvore, e mantiveram a guarda naquele ponto pelos anos a vir…

 


 

Porcos assados

Após um raio cair e incediar as árvores, uma tribo descobriu porcos assados na floresta queimada. Desde então, para fazer porco assado, eles isolavam uma região da floresta, colocavam o porco nela, e ateavam fogo na floresta toda. Esta receita foi passada de pai para filho, sempre com muita pompa e orgulho. Em algumas gerações, surgiu a figura do mestre-incendiário de porcos, posição que necessitava de anos de preparo e experiência.

 

Um dia, um inovador veio de uma tribo vizinha, com uma ideia extremamente simples: que tal se fizéssemos uma fogueira e colocássemos o porco sobre ela, ao invés de queimar uma floresta inteira? A tribo rejeitou a ideia, taxou o inovador como louco, e o condenou a morte na fogueira por propor tal heresia!

 


Bônus – teclado QWERTY

O teclado QWERTY, que é o teclado padrão de todos os desktops e notebooks do mundo atual, tem essa configuração por causa das antigas máquinas de escrever.

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Para quem nunca viu uma máquina de escrever, é como se fosse um teclado, porém o acionar de cada letra aciona uma espécie de alavanca, que atinge uma fita de tinta e imprime o caractere desejado numa folha de papel.

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O problema é que, se a pessoa datilografasse depressa demais, duas alavancas de duas letras diferentes poderiam colidir, travando a máquina. Para evitar este problema, os inventores dispuseram as letras do teclado de forma a desotimizar a velocidade de digitação – e dar tempo a tempo para que o mecanismo não travasse.

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Como o teclado não é disposto de forma intuitiva, dá trabalho decorar as posições das letras. Mudar um pouquinho a posição das letras obriga novo esforço de aprendizagem pelas pessoas.

Portanto, já que hoje milhões de pessoas dominam o teclado QWERTY, é improvável que alguém o mude no futuro – fazendo todos perderem tempo digitando de forma vagarosa.

 

 

 

 

 

 

 

Algumas palavras sobre Inovação

Reflexões sobre inovação, após vários trabalhos participando, executando, tentando mudar… A maioria das frases é óbvia, porém, é mais fácil falar do que fazer.

 

Inovar por inovar não quer dizer nada. O objetivo final deve ser agregar valor de verdade ao processo, produto ou serviço. Se não agregar valor, serão apenas palavras bonitas que todos querem ouvir.

Ter ideias é relativamento fácil. O gargalo está na execução: desenvolver as ideias, fazer acontecer de verdade, os 99% transpiração x 1% de inspiração de Thomas Edison.

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​Inovação pode ser algo tão pequeno quanto uma mudança simples no processo. Não é necessariamente ligado a tecnologias ou empresas futurísticas.

 

Erre sempre. Mas os erros devem ser pequenos e rápidos. O erro nunca pode ser fatal. E, obviamente, devemos aprender com os erros, corrigir a rota para o resultado final. Erros são inerentes ao processo de inovação. Neste sentido, gosto muito do conceito de prototipagem rápida do Design Thinking. O protótipo é uma forma simples, rápida e fácil de testar conceitos, serve como um MVP (minimum viable product).

A inovação está nos olhos de quem sente. Pode ser algo conhecido no mundo todo, mas se melhorou o processo da pessoa, é uma inovação para ela.

Quase nenhum grande invento veio de um inovador solitário. Normalmente, são redes de inovação: muitas pessoas, trabalhando em vários aspectos da cadeia de suprimentos ao mesmo tempo. Até mesmo o exemplo da lâmpada elétrica, que é atribuída a Edison, na verdade contou com centenas de colaboradores, um network de inovação.

Somente as inovações dentro do possível adjacente são possíveis. São aquelas que estão na fronteira, à sombra, do que já existe atualmente e do que temos domínio. Estão a apenas um passo de onde estamos – não tente dar um passo maior do que a perna, ou dois passos de uma só vez.

O computador eletrônico já tinha um protótipo, 100 anos atrás, construído por Charles Babbage. Mas de nada adiantou, já que não existiam fornecedores, nem técnicos. A ideia tem que estar madura para ser colhida.

Uma forma de ter boas ideias é ter muitas ideias, e um network que consiga filtrar, discutir e melhorar as mesmas.

 

O inesperado é uma grande fonte de inovação. Se esperávamos um comportamento, e na prática encontramos outro, esta pode ser uma grande fonte de oportunidade. Um fracasso inesperado, um sucesso inesperado. Ao invés de tentar justificar o que deu certo ou errado, devemos aproveitar a oportunidade que se abre.

Peter Drucker lista sete fontes de inovação:

  1. Inesperado
  2. Incongruências
  3. Necessidades de processo
  4. Estruturas da indústria e mercado
  5. Mudanças demográficas
  6. Mudanças na percepção
  7. Conhecimento novo

 


Algumas fontes:
· De onde vêm as boas ideias, Steven Johnson
· Inovação Operacional – Robson Quinello
· Innovation and Entrepreunership – Peter Drucker

 

As 36 Estratégias Secretas Chinesas

A China tem mais de 5 mil anos de história, e muito desta história é de guerras.

O tratado chinês de guerra mais conhecido é a fabulosa “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu, entretanto, não é o único. Muito pelo contrário, há vários tesouros escondidos…

O livro “36 estratégias secretas de guerra” é uma valiosa compilação de vários ensinamentos de guerra. O autor desta obra é desconhecido, assim como o período em que foi escrito, e também há mais de uma versão deste tratado.

As 36 Estratégias dos Chineses

O número 36 não é por acaso.

Seis multiplicado por seis dá 36, na aplicação da estratégia, é necessário cálculo cuidadoso, e através dos padrões, a pessoa encontrará a estratégia (1).

 

Comumente, divide-se os 36 estratagemas em 6 grupos de 6, mostrados a seguir.

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Segue a seguir um resumo das estratégias.


 

Estratégias vantajosas (1 a 6)

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1 – Enganar os céus para atravessar o oceano. A origem é uma história em que um exército temia atravessar o oceano. Um conselheiro bolou um plano: combinou uma grande festa com um homem rico, e o exército inteiro se embebedou na casa deste. Quando esses acordaram, viram que a casa do homem rico era um barco, e que estavam no meio do oceano! A estratégia significa criar algo falso para distrair o inimigo, e atingir o objetivo sem que o mesmo perceba.

2 – Sitiar Wei para salvar Zhao. O exército de Wei atacou, venceu e sitiou o estado de Zhao. O exército de Qi, aliado da cidade sitiada, veio em socorro a Zhao. Mas isto significava batalhar diretamente com o poderoso exército Wei. Entretanto, ao invés disso, marcharam em direção à cidade de Wei, que estava desprotegida de seu exército. Assim que isto ficou claro, o exército de Wei teve que retornar à sua base, as pressas. Zhao foi libertada sem batalha alguma! A estratégia significa evitar o ponto forte do inimigo, e atacar o ponto fraco.

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3 – Matar alguém com uma faca emprestada. Quando não se tem força suficiente para se opor ao inimigo, utilizar a força de aliados ou de grupos para tal. Induzir alianças para destruir o inimigo.

4 – Poupar energia enquanto o inimigo se cansa. Saber quando utilizar o tempo e o espaço corretos. Um exemplo é chegar cedo ao palco da batalha, escolher o melhor lugar – que tenha a vantagem natural da altura e do espaço de manobra – e esperar o inimigo vir lutando contra o tempo e contra o terreno.

5 – Saquear uma casa em chamas. Aproveitar a oportunidade de saquear um lugar quando há caos e confusão. Quando o inimigo está numa grande crise, este é o momento para atacar.

6 – Simular um ataque ao leste, mas atacar a oeste. A dissimulação está na essência da estratégia. O inimigo não pode concentrar forças em todos os lugares. A estratégia consiste em ocultar as suas verdadeiras intenções e fazer o inimigo concentrar forças no local errado.

 


Estratégias Oportunistas (7 a 12)

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7 – Criar algo do nada.  Uma sucessão de blefes pode dar certo, se os atores envolvidos acreditarem neste. Um bom exemplo é a história (fictícia) do genro do Bill Gates:

Pai: – Filho, escolhi uma ótima moça para você casar.
Filho: – Mas pai, eu prefiro escolher a minha mulher.
Pai: – Ela é filha do Bill Gates…
Filho: – Bem, neste caso, eu aceito.

Então, o pai vai encontrar o Bill Gates.
Pai: – Bill, eu tenho o marido para a sua filha!
Bill Gates: – Mas a minha filha é muito jovem para casar!
Pai: – Mas este jovem é vice-presidente do Banco Mundial…
Bill Gates: – Neste caso, tudo bem.
Finalmente, o pai vai ao Presidente do Banco Mundial.
Pai: – Senhor Presidente, eu tenho um jovem muito bem recomendado para ser vice-presidente do Banco Mundial.
Pres. Banco Mundial: – Mas eu já tenho muitos vice-presidentes.
Pai: – Mas senhor, este jovem é genro do Bill Gates.
Pres. Banco Mundial: – Neste caso ele pode começar amanhã mesmo!

8 – Fuga secreta por Chen Can. Atingir o inimigo pela retaguarda, onde ele estiver desprotegido, e de forma inesperada. Esta estratégia deriva de uma história de Lui Bang, 200 a.C., que viria posteriormente a ser imperador da China. O exército de Liu Bang estava em retirada, e mandou destruir todas as pontes que acessavam o seu acampamento. Meses depois, ele ordenou que reconstruíssem as pontes. O inimigo, desconfiado, passou a se preparar para um ataque iminente pela pontes. Mas, para surpresa do inimigo, Liu Bang utilizou a passagem secreta de Chen Can, contornando as montanhas por um longo caminho, para um ataque-surpresa.

9 – Observar o fogo do outro lado do rio. Quando houver desordem e lutas internas entre as forças do inimigo, deve-se esperar enquanto este se enfraquece.

10 – Uma adaga atrás de um sorriso. Conquistar a confiança do inimigo, para desarmá-lo. O que parece fraco (macio) por fora, pode ser forte (duro) por dentro.

Na Arte da Guerra de Sun Tzu, há uma frase memorável a respeito:

Quando capaz, finja incapacidade; quando ativo, finja inativo. Quando perto do objetivo, finja estar muito longe; quando muito longe, faça com que pareça perto.

11 – A ameixeira morre no lugar do pessegueiro. Fazer sacrifícios quando perdas são inevitáveis. É o popular “perder os anéis para salvar os dedos”. O poema significa que essas duas árvores são tão íntimas que uma está disposta a morrer pela outra.

12 – Roubando um bode pelo caminho. Aproveitar uma oportunidade de ganho fácil, por menor que seja. Aproveitar as vantagens que surgem pelo caminho.

 


 

Estratégias Ofensivas (13 a 18)

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13 – Bater no capim para assustar a cobra. Ao invés de capturar a cobra, deve-se assustá-la dando batidas no capim, e fazer a captura quando ela aparecer. É uma estratégia ofensiva, para fazer o inimigo revelar as cartas que tem na manga. Um exemplo é fazer um lance inicial alto num leilão, para testar quem quer realmente bancar a concorrência.

14 – Tomar um cadáver emprestado para ressuscitar uma alma. Uma pessoa fraca pode requerer sua assistência para ficar forte e conseguir se opor ao inimigo. Por outro lado, mesmo o exército forte precisa da ajuda de vários exércitos fracos para chegar aos seus objetivos.

Um exemplo muito bom é o Natal. Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro. O Natal no dia 25/dez só surgiu no século IV, aproveitando que vários povos já comemoravam esta data como sendo o solstício de inverno. Ou seja, tomaram um cadáver (data comemorativa de povos conquistados pelo Império Romano) para ressuscitar uma alma (tomar para si esta comemoração).

Outro exemplo: fazer de Tiradentes um herói nacional, um século depois de sua morte.

15 – Atrair um tigre para fora de sua toca. Um tigre é muito forte em seu estado natural, mas vai se retrair em ambiente desconhecido.

Uma estratégia de negociação é chamar o outro lado para uma reunião, e colocar muita gente do seu time por muito tempo para fazer pressão em cima do oponente.

Para quem gosta de futebol, um tigre fora de sua toca é como jogar fora de casa, com a torcida contra, com os gandulas contra, com todo o ambiente desfavorável.

16 – Soltar um inimigo para recapturá-lo depois. Há situações em que é melhor não encurralar o inimigo, e sim soltar e perseguir de perto até este se cansar.

Numa pescaria, puxar bruscamente o peixe vai fazer a linha arrebentar. É melhor tensionar e liberar seguidas vezes, até o peixe esgotar suas forças.

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Outro exemplo. Recapturado e solto 7 vezes.

17 – Dar tijolo para obter jade. Abrir mão de algo de pouco valor, para obter algo de muito valor. O comércio tem dezenas de casos assim: itens grátis para degustação (que levam a compra por impulso ou retribuição), compras com “frete grátis”, desconto ao comprar mais de um produto, ganhar de brinde algum produto encalhado, etc…

18 – Capturar o líder dos bandidos. Quando o centro de gravidade orbitar fortemente no líder, e este for capturado, a organização toda irá desmoronar.

 


 

Estratégias de Confusão (19 a 24)

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19 – Tirar a lenha de debaixo do caldeirão. Ao invés do confronto direto, utilizar táticas para minar a moral do inimigo. A estratégia vem da seguinte frase.

Retire a lenha, para evitar que a água ferva, corte a grama destruindo as raízes.

 

História: o grande Confúcio era conselheiro do imperador de Lu, o que fazia com que este tivesse força e sabedoria. A fim de atacar Lu, o inimigo primeiramente tirou Confúcio da jogada. Ele fez oferendas de ouro, presentes, bebidas, cavalos e oitenta beldades para o imperador de Lu. Este aceitou as oferendas e passou a levar uma vida de libertinagem, ignorando Confúcio, que pediu exoneração do cargo meses depois. Sem a sabedoria de Confúcio, o império Lu foi facilmente manipulado e conquistado, anos depois.

20 – Tornar as águas turbulentas para pegar um peixe. Fazer um lamaçal para o peixe ficar confuso e capturá-lo. Um exército confuso proporciona a vitória ao inimigo.

Algumas dicas para evitar a confusão:

  • Canais de comunicação eficientes
  • Procedimentos claros
  • Feedback preciso

21 – Mudar de pele como uma cigarra dourada. Escapar sem ser percebido, como a cigarra que muda de pele. Adaptar-se à mudanças que ocorrem constantemente no meio-ambiente.

22 – Fechar as portas para pegar o ladrão. Quando o inimigo é fraco, ele perde o espírito de luta ao se ver cercado como o ladrão preso na casa. Sun Tzu diz, quando a vantagem for de 10 para 1, cerque-o por todos os lados.

23 – Fazer amizade com o distante e atacar o próximo. Formar alianças estratégicas com sócios distantes para atacar um concorrente local.

Exemplo: uma companhia pode fazer parte de uma aliança internacional com outras companhias, e com isso obter vantagem sobre o concorrente local.

 

24 – Passagem emprestada para atacar Guo. Utilizar algum recurso de outrem, como uma passagem por dentro do território, para atacar o inimigo. Na estratégia 3, matar com uma faca emprestada, é o terceiro que faz a ação, agora na estratégia 24, sou eu que faço a ação, e o terceiro apenas empresta recursos.

Exemplo: vender o seu produto com a marca de outra companhia, para “pegar emprestado” o nome desta.


 

Estratégias de Dissimulação (25 a 30)

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25 – Substituir vigas e pilares por outros inferiores. Alterar estruturas importantes, como vigas e pilares, por materiais de qualidade inferior, e com isso enfraquecer o inimigo.

Exemplo: Uma vez comprei um carro, que tinha uma lataria muito bonita. Alguns meses depois, problemas começaram a acontecer. O carro ficava acelerado, por conta de uma pecinha que tinha quebrado. A vidro elétrico também quebrou. Depois, o para-brisa. Debaixo da aparência, peças inferiores.

26 – Apontar para a amoreira, mas repreender a acácia. Consiste em repreender indiretamente, utilizar alguém fraco para mandar a mensagem para alguém forte. Uma variação desta estratégia é “Matar a galinha para assustar o macaco”.

A galinha é muito mais fraca do que o macaco, e matar a galinha tem como objetivo controlar o macaco.

27 – Fingir-se de louco, mas manter-se são. É melhor fingir que não sabe e não tomar providência do que fingir que sabe tudo e se meter em um situação que não é possível contornar. Melhor fingir-se tolo numa situação difícil e se preparar para um momento posterior.

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O imperador romano Cláudio era figura pouco destacada. Era coxo e gago. Não demonstrava nenhuma aptidão política.

Quando os legionários assassinaram o seu predecessor Calígula, encontraram Cláudio escondido atrás de uma cortina. Cláudio foi poupado, porque parecia bobo, inepto, daria um imperador fantoche perfeito.

Mas, por trás da aparência, Cláudio era um homem estudado, bem educado, brilhante governante e estrategista, retomando o poder quando as circunstâncias foram favoráveis.
O seu governo foi brilhante na parte política e militar.

28 – Tirar a escada depois que o inimigo subir no telhado. Utilizar iscas para atrair o inimigo para uma armadilha. Quando ele estiver subido no telhado, tirar a escada, deixando-o sem saída.

29 – Cobrir a árvore de flores. Melhorar a imagem de algo, para passar uma impressão diferente da real. Popularmente, enfeitar a noiva para o casamento.

Um exemplo muito comum é o IPO de companhias. Os executivos, muito interessados em fazer a abertura de capital e embolsar uma pequena fortuna, fazem de tudo para que a imagem e as contas da empresa pareçam boas, muitas vezes cortando gastos de curto prazo e criando problemas de médio e longo prazo com isso.

30 – O convidado no papel do anfitrião. Quando o anfitrião é fraco, e o convidado, forte, este assume o papel de anfitrião e conduz a cerimônia.

Exemplo. Entrevistas com políticos experientes. Independente da pergunta que o jornalista faz, o político vai responder o que for melhor para ele.


 

Estratégias Desesperadas (31 a 36)

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31 – A trama da beleza. De forma geral, significa focar no ponto fraco do inimigo. Até mesmo os mais poderosos generais (homens) são muito manipuláveis por mulheres bonitas e charmosas.

Exemplos abundam na história. Sansão derrotado por Dalila, Betsabá conquistando o coração de Davi – e colocando o seu filho Salomão no trono, Cleópatra, Helena de Troia, etc…

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32 – A trama da cidade vazia. É uma estratégia desesperada, para confundir o inimigo.

Vem de uma história ocorrida com o grande estrategista Zhuge Liang KongMing. Ele estava encurralado pelo inimigo, e fez algo completamente inesperado: simplesmente abriu os portões da cidade, e passou a varrer a entrada, calmamente.

O oponente, que já tinha caído em várias armadilhas de KongMing, desconfiou de alguma trama, e desistiu do ataque.

Para esta estratégia funcionar, deve-se ter bastante conhecimento psicológico sobre o oponente.

33 – A manobra do agente duplo. Utilizar o próprio espião do inimigo para disseminar informações falsas.

Sun Tzu dedica um capítulo inteiro da Arte da Guerra para o conceito de espionagem. Aqui nas 36 estratégias, não é diferente, informação e contra-informação são a forma de saber o que está acontecendo e planejar ações.

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34 – O método da autolesão. Causar dano a si mesmo, como forma de ganhar a confiança do inimigo. Exemplo de um general chinês, que amputou o próprio braço para dizer que tinha sido traído, mas na verdade era apenas um engodo para se infiltrar entre os oficiais do inimigo.

35 – Manobras interligadas. Utilização conjunta, serial ou paralela, das estratégias descritas acima. Saber cada uma das estratégias é bom, mas saber qual utilizar, quando, onde e como, é a verdadeira Arte da Guerra.

36 – Fuga – a melhor trama. Se nada mais dar certo, fugir é uma excelente opção. Não há nada de errado em se retrair hoje, para poder batalhar amanhã.

 


Conclusão

Os 36 estratagemas é um dos tratados de guerra que são referência na história da humanidade. Fiel ao estilo chinês, as estratégias são descrições simples (originalmente escritas em 4 caracteres), metafóricas, mas de significado profundo se compreendidas  em sua essência, e devastadoras quando aplicadas.

Há inumeráveis outros exemplos de uso, que abordo de quando em quando neste espaço, e continuarei abordando, pelo tema ser muito rico, e pelo ser humano ser extremamente complexo.

 


Links e notas de rodapé:

(1) As 36 estratégias dos chineses – Wee Chow Hou & Lan Luh Luh

(2) https://super.abril.com.br/historia/jesus-nasceu-no-dia-25-de-dezembro/

 

 

Crédito = Acreditar

A palavra “crédito” vem do latim creditum, “algo emprestado, objeto passado em confiança a outrem”, ou seja, acreditar, confiar.

Para emprestar algo a alguém, tenho que confiar que este irá devolver.

Em japonês, crédito é traduzido como shinyo.

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Em chinês, é o mesmo ideograma, com a leitura shinyong.

Em ambos os casos, o significado é verdadeiro, acurado, confiança.

 


 

A confiança é o ativo mais importante que uma pessoa pode ter numa sociedade.

Quem tem confiança tem as portas abertas para novos empreendimentos.

O “quem diz” é muito mais importante do que “o que é dito”, na vida real. O teste do olho-no-olho é o que conta no final.

A confiança é mais ou menos como emprestar dinheiro para um recém-conhecido. Este começa com um pouco de crédito, não muito, e pode ir ganhando ou perdendo crédito à medida em que entrega ou não o prometido.

 


Dois exemplos

O Burro esforçado.  Conheço uma pessoa que discursa muito mal, não é um bom vendedor no sentido usual da palavra. Porém, seu histórico em correr atrás e fazer acontecer é o seu lastro – todos sabem que algo de bom vai sair, ou que ele pelo menos vai trabalhar com afinco para conseguir. Sempre dá vontade de ouvir as suas considerações, por menores que sejam.

 

O Papagaio executivo. Em contraste, conheço outra pessoa que discursa muito bem, utiliza as frases feitas que todos querem ouvir, porém tem um histórico péssimo de nunca entregar o prometido. O crédito deste é tão baixo para mim que, assim que começa a falar, penso “esse papo de novo?”, por mais que às vezes as palavras façam sentido. Dá vontade de jogar o “bingo corporativo”.

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Conclusão: Não seja o papagaio executivo.

 

Veja também:

A associação dos burros esforçados

Por que há tantas pessoas fiéis à Apple?

 

 

 

Buracos negros, o início do tempo e o cérebro aprisionado

Repostando em homenagem ao grande Stephen Hawking.

Forgotten Lore

Uma breve história do tempo

Existe um cérebro, aprisionado num corpo inválido, que sonhou com o começo do universo.


No início, houve uma explosão, um Big Bang, que deu origem ao espaço e ao tempo.

BigBang

O universo começou a se expandir e a resfriar. Do resfriamento da energia, começou a surgir a matéria. Da matéria, surgiram as estrelas e planetas.

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As estrelas têm um ciclo de vida. Elas começam pequenas, e vão crescendo até virarem gigantes vermelhas, onde é o seu ápice. Daí, começa a decadência, se transformando em anãs vermelhas, depois em anãs brancas, até morrerem agonizantes, se transformando em um buraco negro. A morte de uma estrela é tão poderosa que suga tudo o que estiver ao redor. Nem a luz escapa.

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Isto não é um delírio qualquer. É uma teoria extremamente respeitada, escrita por um dos maiores cientistas dos últimos tempos.

E o cérebro aprisionado num corpo inválido é…

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O vagão da vida

Recontando uma história que ouvi um dia desses…

A vida é como um vagão de um trem.

No início de nossa viagem, na aurora do dia, entramos num vagão. Neste já se encontram tantas outras pessoas, algumas sentadas, outras de pé. Às vezes o vagão está cheio, outras, vazio, depende.

São os nossos pais que nos recebem, em algum canto, e lá nos estabelecemos.

Com o passar do tempo, alcançamos outra estação. Nesta, algumas pessoas desembarcam, outras embarcam. Algumas alcançam o seu destino final, outras iniciam a sua jornada. Talvez um irmãozinho ou irmãzinha embarque. Talvez algum ente querido mais velho desembarque.

Há pessoas que ficam mais próximas de nós, há outras mais distantes. Porém, isto não é fixo. Durante a jornada neste vagão, podemos nos mudar para outros locais e nos aproximar de algumas pessoas, enquanto nos afastamos de outras, a sorte é um fator decisivo.

O tempo passa, e mais e mais estações alcançamos. Pode-se ficar neste vagão da vida muito tempo, ou desembarcar após poucas estações, é o destino de cada um. Pode ser uma jornada simples e prazerosa, ou ser uma jornada turbulenta, difícil, é o destino de cada um.

A única certeza é que, cedo ou tarde, todos chegarão ao seu destino final, e desembarcarão para seguir outros caminhos.

O que podemos fazer, sabendo disso tudo?

A única coisa que podemos fazer é aproveitar a viagem, na companhia dessas tantas pessoas queridas. Dar boas-vindas aos que entrarem no vagão, desfrutar da companhia dos que já estão, relembrar com saudade dos que já desembarcaram. Dar o máximo valor ao que podemos fazer no rápido intervalo entre estações.

Na nossa vez de desembarcar, no crepúsculo do dia, podemos ter deixado saudades sinceras entre as pessoas e ter tornado o vagão um lugar melhor para conviver.

Vai ter valido a pena.

Arnaldo Gunzi, mar 2018


“Diante da vastidão do tempo e da imensidão do espaço, é um prazer te encontrar neste momento, neste local” – Carl Sagan

Trilha sonora: Triste Berrante – Solange Maria e Adauto Santos.