Comentários sobre o Qiskit Summer School 2021 – Quantum Machine Learning

O Qiskit Summer School é um evento patrocinado pela IBM, para divulgação de computação quântica. Qiskit é o nome da linguagem desenvolvida pela IBM. Este ano, foi a segunda edição do evento, e o tema foi Quantum Machine Learning.

Uma primeira curiosidade, é que este ano foram 5000 vagas (ano passado, 2000), e essas acabaram em poucos minutos após a abertura das inscrições. Bastante gente reclamou que entrou exatamente no horário de abertura e já via o número de vagas esgotada. Isso mostra o interesse crescente pelo tema – e o privilégio de assistir as aulas.

Foram duas semanas de aulas, e 5 rodadas de laboratórios – cada qual com número variável de exercícios valendo nota.

Resumo rápido do conteúdo.


Semana 1:

  • Circuitos básicos
  • Algoritmos simples
  • Ruído em computadores quânticos
  • Machine learning clássico
  • Quantum classifier
  • QAOA

Mais da metade da semana 1 foi de conteúdo básico, só no finalzinho que realmente começou a ficar divertido. O conteúdo até falou de machine learning clássico (redes neurais, backpropagation), mas o foco foi em cima de Support Vector Machines, uma técnica de classificação um pouco diferente.

Por fim, introdução à técnica de otimização QAOA, que é um misto de quântico com clássico: a representação do problema é por um circuito quântico, porém a otimização dos parâmetros, via métodos clássicos.

O lab dos circuitos básicos foi tranquilo, o da parte SVM e QAOA deu um pouco mais de trabalho, mas nada impossível. Não posso divulgar minhas respostas, por enquanto. Vou esperar a IBM liberar oficialmente o conteúdo do curso para o público em geral.


Semana 2:

  • Classificadores lineares
  • Quantum kernel
  • Treinamento de circuitos quânticos
  • Hardware e ruído
  • Capacidade e circuitos avançados
  • Encerramento e discussões sobre rumos futuros

A melhor parte do curso foi a semana 2. Conhecimento de ponta, com conteúdo que não tem nem três anos desde a primeira citação.

O Support Vector Machine tem uma limitação, que é o fato de ser linear. É possível fazer um truque para contornar: pegar os mesmos dados e representá-los de forma não linear, através de um feature map. O kernel é uma generalização do feature map, para uma função mais complexa.

Pode haver vantagem quântica exponencial se a função for complicada para representar classicamente e simples de representar quanticamente – mas isso também não é garantido sempre.

Carregar dados em estados quânticos pode ter custo exponencial, o que pode jogar por terra qualquer vantagem quântica – uma solução possível é utilizar um esquema aproximado de dados, perdendo uma parte pequena da informação.

Muito impressionante é uma pesquisadora chamada Amira Abbas. Ela deu umas três aulas ou mais. Bastante didática, nova (assim como todos ali), realmente manjava do conteúdo – para quem se interessa pelo tema, vale a pena acompanhá-la.

Uma discussão bastante interessante foi a de capacidade. Em machine learning clássico, temos sempre o dilema underfitting (modelo fraco demais) – overfitting (parâmetros demais, o que causa perda de generalização). Sempre achei que isso era apenas dependendo do tamanho do modelo, mas foi demonstrado, através de experimento de labels aleatórios, que os dados também influem. Desde então, está havendo diversas propostas de medir a capacidade não só em função do tamanho, mas de características bem específicas dos dados também.

Sobre os labs: em geral, não foi difícil. Era basicamente seguir o roteiro dado pelos professores. Algumas poucas linhas, e a maioria já estava pronto. Tenho a impressão de que o Summer School foca mais na aula e no conteúdo teórico, e menos nos labs em si. Para códigos difíceis, a IBM lança os desafios.

Agradeço à IBM pela iniciativa, pelo conteúdo de mais alto nível disponibilizado, e parabenizo pela liderança no tema.

No formulário de feedback, era pedido uma foto para ajudar na divulgação do evento, e esta foi a que enviei.


Ideias Analíticas Avançadas
Um mundo melhor através do Analytics

A guerra das gillettes

O aparelho de barbear surgiu na época da Segunda Guerra. Antes disso, era na navalha mesmo, com os inconvenientes de ter que ir ao barbeiro, ou fazer em casa e se cortar todo.

Desde então, a Gillette vem aperfeiçoando as suas lâminas. Aparelhos descartáveis, baratos e seguros. Aliado a um marketing pesado, “gillette” virou sinônimo de lâminas de barbear.

Lembro de um depoimento do megainvestidor Warren Buffett, uns 30 anos atrás, em que ele dizia preferir empresas como a Gillette, porque o homem vai continuar se barbeando no futuro.

E, realmente, todo homem deve se barbear de tempos em tempos, para não ter a aparência de um homem das cavernas… o modelo de negócios da Gillette era perfeito.

Por volta dos anos 90, a Gillette introduziu uma inovação brilhante: duas lâminas. Isso permitiria um barbear melhor, mais suave. Todo homem que não seja um homem das cavernas sabe que o ato de se barbear pode fazer pequenos cortes no rosto, deixando a pele irritada pelo resto do dia.

Em meados dos anos 2000, com sua alta tecnologia em aparelhos aliado a um marketing pesado, a Gillette lança o Mach 3: três lâminas, assegurando um corte melhor e mais suave, e também mais lucro para a companhia. Só um supersônico atinge a velocidade Mach 3, dando a ideia de poder e velocidade, testosterona pura. Em resumo, outro sucesso.

Mas daí, a Gillette viu um concorrente passar-lhe a perna: a Schick lançou 4 lâminas antes da Gillette! Ou seja, a empresa gastou milhões de dólares educando o consumidor com a ideia de quanto mais lâminas melhor, aí chega outro e apresenta primeiro a sua inovação. Se, nos anos 2000 pouca gente dominava a tecnologia de criar lâminas boas e em escala, 10 anos depois isso já não era tão exclusivo assim.

Como foi a resposta da Gillette? Ora, simples: dobrar a aposta, nos mesmos moldes. Lançaram antes de todo mundo o aparelho de 5 lâminas, acompanhado de um caminhão de marketing!

E o que viria depois? 6 lâminas? 7? 10? Chega uma hora que o consumidor nota que não faz o menor sentido pagar uma fortuna em aparelhos sofisticados, sendo que os mais simples já são bons o suficiente.

Enquanto a Gillette batalha em frentes cada vez mais complexas, outros modelos de negócio atacam os seus flancos.

A BIC, a fabricante de canetas que domina tecnologia de plástico, foi na direção oposta: lançou modelos de barbeadores extremamente simples e baratos. Ironicamente, era esse o posicionamento original da Gillette em relação às navalhas.

Para efeito de comparação: o Bic Comfort custa R$ 13, já o Mach 3, R$ 49, refil com 3 unidades (ref. Julho 2021)

Já o Dollar Shave Club tem um modelo de negócios completamente diferente: distribuição on-line. Ao invés de fabricar lâminas, eles fazem a curadoria. Enviam ao consumidor as lâminas, em frequências pré-definidas, com modelos que o consumidor quiser. Isso é uma boa ideia, porque pessoas como eu só percebem a hora de trocar a gillette quando o barbear começa a irritar demais, literalmente sentindo na pele os efeitos de uma lâmina ruim. Receber uma lâmina nova antes da velha ficar ruim é um valor agregado pela startup.

A Gillette continua sendo uma companhia lucrativa, porém o seu share caiu devido à esses ataques pelos flancos e outros concorrentes.

É a Lei da Extensão de Marca, de Al Ries e Jack Trout: Há uma pressão irresistível para estender o alcance de uma marca. E exatamente por estender demais, há margem para ataques.

O genial Warren Buffett já recuperou o seu investimento na Gillette, mas será que ele apostaria nela por mais 30 anos?

Nota: No texto utilizei gillette minúscula como sinônimo de aparelho, e maiúsculo quando é relativo à empresa. O título correto deveria ser “A guerra dos aparelhos de barbear”. Porém, “A guerra das gillettes” é muito mais sonoro, tipo um Mach 3.

Este texto é baseado em case contado pela profa. Rita McGrath, em evento promovido pela Visagio Engenharia de Gestão.

Veja também:

Livro “Inflexão estratégica”, de Rita McGrath:

Inflexão Estratégica

Sobre o Market Share: https://www.wsj.com/articles/online-upstart-harrys-razor-jumps-into-gillettes-turf-1478707250

O cérebro lagarto e a pirâmide invertida de Maslow

Os três cérebros

Existe um modelo neurológico simples e extremamente útil: a dos três cérebros.

Todos temos um cérebro lagarto, um cérebro macaco, e um cérebro humano.

Seria um aspecto da evolução.

O “eu lagarto” está preocupado com segurança, necessidades básicas como respirar, comer, se reproduzir. Também é aí a decisão confronto ou fuga. Ocupa o centro do cérebro.

O “eu macaco” seria aquele com necessidades de socialização, comunidade, família. Ocupa as camadas externas do cérebro.

Já o “eu humano” é o mais recente de todos, e ocupa a camada externa do cérebro. Seria aquilo que nos faz diferentes de qualquer outro animal. Capacidade de pensar a longo prazo, criatividade, grande talento para inovar.

Uma utilidade prática. Quando estamos falando com uma pessoa desconhecida, vendendo algo, esta começa no modo “eu lagarto”: será que ele é confiável? O que ele quer?

Somente depois que o “eu lagarto” fica confortável é que o “eu humano” vai ouvir a mensagem. Talvez por isso, pessoas muito técnicas sejam ruins de persuasão: não é o argumento lógico que importa para o lagarto.

A anti-pirâmide de Maslow

O modelo dos três cérebros é parecido com a famosa pirâmide de necessidades de Maslow.

Usualmente, interpretamos a pirâmide de baixo para cima: devemos estar com as necessidades básicas fisiológicas satisfeitas, depois as de segurança e social, para conseguirmos correr atrás da autoestima e autorrealização.

Para as poucas pessoas que realmente têm um enorme propósito, pode-se falar de “Anti-pirâmide de Maslow”.
A autorrealização, ou a realização da missão é tão forte que a pessoa abre mão de conforto físico, necessidades sociais e afetivas, e até a própria segurança, a fim de atingir o objetivo.

Ou, como dizem, “Quem tem o por quê, arruma o como”.

“Quem não tem uma causa pela qual morrer não tem motivo para viver” – Martin Luther King

Duas parábolas sobre limites mentais

A águia que se achava galinha

Um homem encontrou um ovo de águia e colocou num galinheiro. A pequena águia cresceu com as galinhas, achando ser uma delas. Ela ciscava a terra por vermes e insetos; cacarejava e fazia “vôos de galinha” no ar.

Anos se passaram e a águia cresceu até ficar velha. Um dia, ela viu um pássaro magnífico acima, no céu limpo, fazendo um voo gracioso no meio de poderosas correntes de ar.

A águia velha olhou com admiração: “O que é?”

“É a águia, o rei dos pássaros”, disse um dos galos.

Assim, a velha águia viveu e morreu como uma galinha, por ser isso que ela pensava ser.

(Fonte: Parábola do padre Antônio de Mello, que vi no newsletter do James Clear)


O elefante acorrentado

Um menino viu um enorme elefante, acorrentado. O detalhe é que a corrente era presa à uma pequena estaca no chão. O menino perguntou: “Por que o elefante não foge?”

O treinador explicou que o elefante poderia sim puxar a estaca e fugir facilmente, mas não o faria, porque tinha sido treinado para isso.

Elefantes são animais muito inteligentes. Desde filhote, ele fora acorrentado à uma pequena estaca no chão. O filhote sempre vai tentar fugir por todos os meios, até aprender que é inútil tentar fugir. Dessa forma, mesmo crescido, o limite mental continua, o que impede a fuga.

Para finalizar, uma frase de Buda:

“Somos aquilo que pensamos”

Kintaro, os demônios da ficção e da vida real

Kintaro é um menino super forte, que nasceu no interior do Japão antigo. Desde sempre, ele era gentil com os animais e ajudava as outras pessoas em perigo.

Quando ele cresceu, ele partiu com outros grandes guerreiros, para combater os malvados demônios do mundo…

Este é um resumo de um livro infantil, uma história que a minha mãe contava.

Relendo o livro hoje, fico me perguntando: quem seriam esses demônios, a não ser povos rivais, nações vizinhas, pessoas como nós, mas de outros grupos?

Há inúmeros casos similares. A Bíblia fala de “Filisteus”, um povo antigo rival.

Os conquistadores europeus, para justificar a escravidão dos índios, falaram que estes não eram humanos, não tinham alma.

O filme “A Missão” ilustra um episódio: jesuítas fazendo índios cantarem, para provar que eles não eram inferiores aos europeus.

Uma passagem do livro “The Faith Instinct”:

A Moralidade não é universal. Compaixão e misericórdia são comportamentos dentro de um grupo, mas não necessariamente a outro grupo, e certamente não a um inimigo. Em relação às sociedades hostis, o comportamento humano é duro, implacável e muitas vezes genocida. Os inimigos podem ser demonizados ou considerados sub-humanos, e as restrições morais não precisam ser estendidas a eles.

E, para finalizar, o mestre Will Durant sobre o tema.

A vida é competição. Cooperamos dentro do nosso grupo, família, comunidade e nação para tornar nosso grupo mais poderoso. A cooperação é a última forma de competição. A concorrência costumava ser entre os indivíduos. Então foi ampliada, entre famílias. Depois, entre as comunidades. E assim por diante. A guerra é a forma final de competição. É a forma de uma nação se alimentar.

A propósito, Kintaro significa algo como “menino de ouro”. O primeiro kanji significa “ouro”, e o sufixo é comum em meninos. Um herói, que vai proteger o nosso povo contra os terríveis e sanguinários demônios do mundo exterior – ou será ele o demônio para os outros povos?

Nota: Agradeço ao amigo Cláudio Ortolan, pela indicação do livro The Faith Instinct.

Gol da Argentina. Caniggia, 1990.

A vitória da Argentina na Copa América 2021 me trouxe à memória uma cena de 30 anos atrás.

Copa do Mundo de 1990. O Brasil em festa: Copa do Mundo! Eu era criança, e tudo era mais divertido. Ingênuo.

Era um Brasil diferente. Eu tenho a impressão de era extremamente mais patriótico do que é hoje. Todo mundo que eu conhecia torcia para o Brasil, que estava num jejum de títulos havia 20 anos.

O Brasil começou bem na Copa. Técnico Lazaroni. Grandes nomes como Muller, Careca, Branco. A seleção passou fácil pela primeira fase.

Nas oitavas, a Argentina. Tinha um tal de Maradona, muito famoso, que estava em baixa na época. Um sujeito muito louco, diziam que se drogava.

Eu não entendia nada do que estava ocorrendo, só tinha o sentimento de que o Brasil era inderrotável.

Porém, o doidão do Maradona saiu driblando todo mundo no meio campo, lançou uma bola para um certo Caniggia, que fez um belo gol no brasileiro Taffarel. Nunca tinha ouvido falar em Caniggia, depois desse dia, nunca mais esqueci esse nome.

“Ora, é só fazer dois gols”, ecoava na minha cabeça infantil. Eis que o tempo passava, e nada. Careca, nulo. Cadê o Muller? Brasil fora. Pessoas tristes, e eu sem entender nada. Era possível o Brasil perder?

Depois, comentários: o Dunga deveria ter feito falta no Maradona no início da jogada. Lazaroni foi burro, 3-5-2 não funciona, etc..

Trinta anos depois, outros nomes, outro palco, Copa América. Messi em final de carreira, não jogou nada. Neymar, até tentou. Ao invés de Caniggia, Di Maria foi o nome do jogo.

Porém, o que mudou mesmo foi a torcida. O Brasil, o mundo. Muita gente torcendo contra, transformando futebol em política e vice-versa. A grande maioria nem ligando. Ou sempre foi assim mas eu não sabia quando pequeno, não sei dizer.

Eu mudei também: o gol de Di Maria não trouxe alegria nem tristeza. Nem se compara ao gol de Caniggia.

Seja como for, era tudo muito mais divertido e ingênuo naquela época: o futebol, o Brasil e o mundo.

O bizarro Telemarketing filantrópico

“Senhor, somos da instituição filantrópica anjos xyz, de apoio ao combate ao câncer infantil, e conseguimos o seu contato através de indicação do pessoal da sua empresa…”

Recebi, há poucos dias, uma ligação assim. É normal instituições de caridade ligarem aleatoriamente, mas eu achei essa ligação diferente.

A atendente passou a comentar sobre uma criança com câncer no estômago, descreveu uma cena triste e que os remédios acabariam amanhã. Amanhã! Falou das credenciais da instituição voluntária e do hospital destinatário dos esforços. Pediu doação até 12h do dia seguinte e meus contatos (e-mail, whatsapp).

Talvez até seja uma instituição idônea, e espero que realmente seja, mas o meu “detector de bullshit” ligou vários sinais amarelos.

A conversa acima está com o roteiro muito bem escrito, para caber em alguns minutos, e utiliza todas as técnicas possíveis de persuasão:

  • Cita uma referência à alguém conhecido, que fez a indicação
  • Conta uma história emocionante de uma criança doente (é mais eficaz do que falar que dezenas de crianças são atendidas)
  • Cria um senso de urgência (amanhã sem falta)
  • A atendente dá a entender que é uma voluntária do programa
  • Apresenta credenciais (CNPJ, nome, telefone)

Note o uso perfeito do Ethos (credenciais, quem é a instituição, credibilidade da indicação) – Pathos (emoção, história triste) – Logos (lógica: alguém precisa, é urgente).

Perguntei o nome do responsável da minha empresa que tinha feito a indicação, e a atendente não soube responder. Depois, fui checar junto ao pessoal da empresa que trabalha com voluntariado (inclusive sempre participo das campanhas): resultado, a minha empresa não faz parceria nem autoriza contatos utilizando o nome dela, se foi indicação de alguém, foi uma iniciativa pessoal, não corporativa.

Eu tenho absoluta convicção: quem me ligou é de uma empresa de telemarketing, treinada e com roteiro escrito, tal qual um banco liga para vender cartão de crédito. Um voluntário, daqueles de que temos a imagem em nossa cabeça, teria uma postura completamente diferente.

Pode até ser uma instituição séria, com um bom trabalho, e espero que seja. Porém, declinei da ajuda neste caso – não gostei da abordagem. Continuo a ajudar o pessoal que eu conheço ser realmente voluntário.

Ideias Analíticas Avançadas

Estou lançando uma publicação na plataforma Medium: a Ideias Analíticas Avançadas (https://medium.com/ideias-anal%C3%ADticas-avan%C3%A7adas).

Os objetivos são:

  • Escrever sobre Analytics Hard: Otimização, Matemática, Python, Computação Quântica, com código e tudo
  • Convidar outros autores a publicar sobre o tema.

Fica já o convite, quem quiser escrever sobre alguns dos temas e divulgar ali.

O Almanaque de Naval Ravikant – versão áudio

Naval Ravikant é empreendedor e investidor no Vale do Silício.

Recentemente, saiu uma versão áudio de sua coletânea de frases, compiladas por um seguidor.

Naval tem uma habilidade imensa para condensar conceitos em poucas palavras e gerar uma pérola de pensamento.

Podcast no Spotify – https://open.spotify.com/episode/4QOuLcq4zJzTH7AgHEOATX

Versão Audible: https://www.audible.com/pd/The-Almanack-of-Naval-Ravikant-Audiobook/1544517882

Dica: Leia o livro, ouça o áudio, coloque em prática, releia o livro, reouça o áudio, coloque em prática, quantas vezes quanto necessário.

Uma seleção de frases de Naval

Não é realmente sobre trabalho duro. Você pode trabalhar num restaurante 80 horas por semana, e não ficará rico. Ficar rico é sobre saber o que fazer, com quem fazer junto, e quando. É mais sobre entender do que puramente trabalho pesado.

Se você ainda não sabe no que deveria trabalhar, o mais importante é descobrir. Você não deveria fazer um monte de trabalho duro se não souber.


Fuja da competição através da autenticidade.

Basicamente, quando você está competindo com outros, é porque você os está copiando, está tentando fazer o mesmo. Porém, todo ser humano é diferente. Não copie.

O pior resultado desse mundo é não ter autoestima. Se você não se ama, quem irá fazê-lo?

Não se leve tão a sério. Você é apenas um macaco com um plano.

Para mim, a felicidade não é sobre pensamentos positivos. Também não é sobre pensamentos negativos. É sobre a ausência de desejo, especialmente a ausência de desejos externos.

O mundo apenas reflete seus próprios sentimentos de volta para você. A realidade é neutra. A realidade não faz julgamentos.

Sobre startups

Há demanda global ilimitada pela mentalidade de fundador.

As startups não morrem quando acaba o dinheiro, mas quando acaba a energia dos fundadores.

Na corrida olímpica das startups, o primeiro lugar consegue o monopólio, o segundo consegue uma medalha, e não há terceiro lugar.

Antes de procurar um produto ideal para o mercado, assegure que tem paixão pelo produto. É uma longa jornada.

Empreendedores procuram pela “ideia”, a isca que os prendem pelos próximos 5 anos. Em que prisão você gostaria de estar? O que você ama fazer?

Quando construindo uma startup, a microeconomia é fundamental e macroeconomia é entretenimento.

A realidade é que a vida é um jogo de um único jogador. Você nasceu sozinho. Você vai morrer sozinho. Todas as suas interpretações estão sozinhas. Todas as suas memórias estão sozinhas. Em três gerações, você e as lembranças de você se vão e ninguém se importa. Antes de você aparecer, ninguém se importou.

Sobre paz e felicidade

Cada segundo seu neste planeta é muito precioso, e é sua responsabilidade ter certeza de que você está feliz e interpretar tudo da melhor maneira possível.

Eu não ando com pessoas infelizes. Eu realmente dou valor ao meu tempo nesta Terra. Eu leio filosofia. Eu medito. Eu ando com pessoas felizes.

Se você não se vê trabalhando com alguém para a vida toda, não trabalhe com eles por um dia.

Não há legado. Não há nada para deixar. Todos nós vamos embora. Nossos filhos terão ido embora. Nossos trabalhos serão pó.

“Não tenho tempo” é apenas outra maneira de dizer “Não é prioridade”.

Para ter paz de espírito, você tem que ter paz de corpo primeiro.

Seja impaciente com ações, paciente com resultados.

Se há algo que você quer fazer mais tarde, faça agora. Não há “mais tarde”.

Na verdade, não há nada além deste momento. Ninguém nunca voltou no tempo, e ninguém nunca foi capaz de prever o futuro com sucesso de qualquer maneira que importa.

Valorize seu tempo. É tudo o que você tem. É mais importante que seu dinheiro. É mais importante que seus amigos.

Não gaste seu tempo fazendo outras pessoas felizes. Outras pessoas sendo felizes é problema delas.

Sobre riqueza

1) Busque riqueza, não dinheiro ou status. A riqueza é ter ativos que rendem enquanto você dorme. Dinheiro é como transferimos tempo e riqueza. Status é seu lugar na hierarquia social.

2) Você não vai ficar rico alugando seu tempo. Você deve possuir equities – um pedaço de um negócio – para ganhar sua liberdade financeira.

3) Você vai ficar rico dando à sociedade o que ela quer, mas ainda não sabe como conseguir. Ou seja, agregando valor de verdade. Em escala.

4) Escolha uma indústria onde você pode jogar jogos de longo prazo com pessoas de longo prazo.

5) A Internet ampliou maciçamente o possível espaço de carreiras. A maioria das pessoas ainda não descobriu isso.

6) Jogue jogos iterados. Todos os retornos na vida, seja em riqueza, relacionamentos ou conhecimento, vêm de juros compostos.

7) Escolha parceiros de negócios com alta inteligência, energia e, acima de tudo, integridade.

8) Não faça parceria com cínicos e pessimistas. Suas crenças são profecias autorrealizáveis.

9) Aprenda a vender. Aprenda a construir. Se você pode fazer as duas coisas, você será imbatível.

10) Não há esquemas ricos rápido. É só outra pessoa ficando rica usando você.

11) Não há uma habilidade chamada “negócios”. Evite revistas de negócios e aulas de negócios.

12) Conhecimentos específicos são muitas vezes altamente técnicos ou criativos. São aqueles que não podem ser terceirizados ou automatizados.

13) Alavancagem é um multiplicador de forças. A alavancagem dos negócios vem de capital, pessoas e produtos sem custo marginal de reprodução (ex. código e mídia).

14) Abrace a responsabilidade e arrisque os negócios com seu próprio nome. A sociedade irá recompensá-lo.

15) Trabalhe o máximo que puder. Com quem você trabalha e no que trabalha são mais importantes do que apenas trabalhar duro.

16) Defina um custo da hora do seu trabalho. Se um problema economizará menos do que seu custo horário, ignore-o. Se terceirizar uma tarefa custará menos do que sua taxa horária, terceirize-a.

17) A criação de riqueza ética é possível. Se você secretamente desprezar a riqueza, isso vai iludi-lo.

18) Torne-se o melhor do mundo no que você faz. Continue redefinindo o que você faz até que isso seja verdade.

19) Quando você finalmente for rico, você vai perceber que não era o que você estava procurando em primeiro lugar. Mas isso é para outro dia.

Veja também:

Vendas de Alta Performance – Notas

Comecei a fazer o curso de Vendas de Alta Performance, na plataforma Alura (www.alura.com.br).

Todos nós somos vendedores, mesmo sem ter uma posição oficial de vendedor. Vendemos ideias, projetos, necessidade de comprar algo ou persuadir alguém. Ou, como diria Naval Ravikant, “Aprenda a construir. Aprenda a vender. Se você pode fazer as duas coisas, você será imbatível.”

Compartilhando algumas notas de aula, para reflexão:

Adoramos comprar, mas odiamos que vendam para nós. Gostamos de ser o protagonista.

O ponto chave do vendedor do futuro é entender a necessidade do cliente.

O vendedor deve ajudar o cliente a encontrar a melhor solução. Ex. Se ele precisa de uma furadeira simples, não adianta empurrar a mais cara e sofisticada do mercado, isso vai causar frustração.

Pare de vender e comece a facilitar o processo de compra.

Algumas métricas comuns em vendas:

  • Ticket médio
  • Taxa de conversão
  • Curva ABC
  • Taxa de efetividade de canais

Estamos cada vez mais num mundo VUCA (Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo).

No mundo de hoje, os compradores pesquisam e podem entender mais do produto e de alternativas do que os vendedores – ou seja, os vendedores devem estar preparados, entender do produto e do mercado.

“57% dos compradores no mundo corporativo já tomaram a sua decisão de compra antes de entrar em contato com o vendedor” – Hubspot

Seu cliente não se importa com o quanto você sabe até que ele entenda o quanto você se importa.

Mesmo em transações B2B, na ponta final são duas pessoas que negociam, e assim há um componente P2P.

Essas notas não substituem o curso todo. Só estou aproveitando o lado “repositório de boas ideias” deste espaço.

Veja também:

Resumos (ideiasesquecidas.com)

Batman no Japão medieval

Aproveitando o post anterior, sobre a época dos grandes samurais, segue uma história muito maluca. A série “Batman no Túnel do Tempo” mostra o homem morcego em contextos históricos diversos.

A edição “Batman – o Ninja” ocorre após a morte de Toyotomi Hideyoshi. O rival Tokugawa Ieyasu assume o poder, em detrimento de Toyotomi Hideyori, filho de Hideyoshi, que tinha uns 5 anos à época.

Batman é Bat-ninja, uma espécie de ronin – samurai sem mestre. Ele fica sem mestre após a morte de Hideyoshi. Robin é Tengu, discípulo do Bat-ninja, e que promete proteger o clã Hideyoshi.

A história se ambienta num contexto histórico real, o cerco do Castelo de Osaka. Uns 15 anos depois de Tokugawa Ieyasu assumir o poder de fato, forças opostas ao shogun unem-se a Hideyori, um postulante legítimo à posição de líder de todo o Japão. Tokugawa resolve acabar de vez com a ameaça ao seu posto, reúne aliados e, após uma série de batalhas, encurrala e aniquila Hideyori no Castelo de Osaka.

Na história em quadrinhos, Robin é um filho oculto de Hideyoshi, o cerco de Osaka está ocorrendo, mas antes disso, Hideyori quer se livrar do irmão Robin. Ambos lutam, e é Robin que assassina Hideyori, para depois, cometer hara-kiri.

Não creio que seja possível comprar essa edição hoje em dia.

É muito raro a cultura popular ocidental referenciar um fato tão distante, ocorrido na época do Japão medieval. Parabéns aos autores Chuck Dixon e Enrique Villagran pela história.

Seguem outros links sobre o tema:

https://alemdatorrez.wordpress.com/2016/03/22/batman-no-tunel-do-tempo/

https://dc.fandom.com/wiki/Tengu_(Narrow_Path)

https://en.wikipedia.org/wiki/Siege_of_Osaka