Jogo do Prisioneiro

Como de costume, registro aqui os agradecimentos aos puzzles que ganho de presente.

O amigo Marcos Melo trouxe do Nordeste o joguinho da foto abaixo.

O objetivo é retirar o prisioneiro (a peça grande, quadrada, com um ponto amarelo), movendo as demais peças (não é permitido girar).

Eu achei a posição 1 (supostamente fácil) bastante complicada, e nem comecei a tentar a posição 2.

Para quem quiser comprar, o link é https://www.enigmais.com.br.

Três indicações de literatura em quadrinhos

1) “A mágica da arrumação em quadrinhos” é uma versão em mangá do método Marie Kondo.

É uma história curta e com desenhos muito bem feitos. Eu, particulamente, acho que a grande sacada de Kondo é fazer o link entre arrumar e a felicidade de ter um lugar limpo e organizado.

Pode (e é) simples e óbvio, porém, só passei a arrumar direito o meu armário após aprender a técnica dela.

Há também uma série sobre a arrumadora na Netflix.

2) Fahrenheit 451 – versão em quadrinhos de livro do mesmo nome.

É sobre um futuro distópico, em que bombeiros queimam livros e a patrulha está sempre de olho no que as pessoas podem fazer ou não. Os grandes autores, filósofos e poetas são banidos do cotidiano. Apenas os vídeos oficiais bombardeiam a vida das pessoas, em geral completamente embriagadas com a sua vidinha perfeita e alienadas da dureza do mundo real.

Um bombeiro passa a questionar o sistema após um encontro com uma menina, e o trama se desenrola a partir daí.

3) “Fujie e Mikito” é sobre a história de um casal japonês que emigra para o Brasil, nos anos 1950. O Japão vivia uma grave crise econômica, e diversas famílias fizeram a travessia para o outro lado do mundo.

Uma narrativa simples, despretensiosa, conta as agruras e dificuldades sofridas, na terra do “em se plantando tudo dá”.

Edital de inovação e coragem

No último edital de inovação industrial do Senai – Klabin, um grupo chamou a atenção.

Três pós-graduandos cruzaram o país (de ônibus), com a cara e a coragem, para participar da fase do pitch day.

Eles não tinham cases anteriores, não tinham equipamentos próprios e nem resultados concretos. Contudo, tinham um plano de trabalho que fazia muito sentido, know-how (pelo menos o teórico) e vontade de fazer acontecer.

Não cabe a mim dizer se eles vão para a próxima fase ou não, mas gostei da coragem, e fica o exemplo para todos nós.

Parabéns aos heróis invisíveis da FAB

O heróis vazios do BBB ficam famosos, aparecem todos os dias na TV e ganham seguidores no Instagram e no Twitter.

Enquanto isso, nem sabemos os nomes dos heróis invisíveis da Força Aérea e dos médicos que foram resgatar os compatriotas isolados em Wuhan, China.

Os militares também vão ficar de quarentena, entrando junto com o primeiro passageiro e saindo com o último.

Quantos dos que só criticam topariam fazer esta missão?

Parabéns a todos os envolvidos!

Os gêmeos e o Bitcoin

Quando estive no frio de Chicago, em Nov de 2019, vi um anúncio curioso no metrô: uma empresa chamada Gemini, convidando o cidadão comum a comprar e vender criptomoedas como o Bitcoin.

Guarde a informação acima, e passemos para outra. Aproveitei os poucos dias em que estive lá para visitar livrarias. As livrarias brasileiras faliram. Não há muitos títulos interessante nas poucas que sobraram. As livrarias americanas também estão indo no mesmo caminho, diante do mundo digital, porém, elas ainda são infinitamente melhores do que as daqui.

Numa Barnes & Noble, além dos puzzles e cubos mágicos, um livrinho me chamou a atenção: Bitcoin Billionaires. Li a contra-capa, e era algo sobre os irmãos Winklevoss e o mundo das criptomoedas.

Os irmãos Winklevoss ficaram mundialmente famosos no filme “A Rede Social”. Cameron e Tyler Winklevoss, irmãos gêmeos de quase 2 metros de altura, competidores olímpicos de remo, de família rica, foram superados por um pirralho nerd, Mark Zuckerberg, na criação do Facebook. Para quem não assistiu ainda, sugiro fortemente.

O livro começa da onde terminou a participação dos Winklevoss junto ao Facebook: nos tribunais, com os irmãos tentando fechar um acordo com Mark Zuckerberg. O acordo (de US$ 65 milhões) acontece após muitas mágoas e negociações.

Após finalmente colocarem uma pedra neste episódio, eles estão em busca de novas oportunidades de negócio no Vale do Silício… apenas para serem rejeitados pelas empresas dali. Isso era estranho, qual startup diria “não” a milhões de dólares de funding? A questão era que as empresas do Vale queriam fazer negócios com o Facebook, o gigante da época (era mais ou menos 2010). Se os Winklevoss eram as pessoas mais odiadas por Zuckerberg, e a startup queria fazer negócios com o Facebook, era melhor evitar qualquer contato com os gêmeos!

Depois de idas e vindas, os Winklevoss acabam conhecendo alguns gênios desajustados que lhes apresentaram o mundo do Bitcoin.

Após estudarem muito o assunto, consultarem professores de Harvard (esses não tinham nem ideia do que estavam falando, o que era um sinal positivo), os gêmeos decidem entrar de cabeça no negócio. Um negócio de potencial altíssimo e risco igualmente imenso – exatamente o que eles queriam.

O Bitcoin é o representante mais famoso das criptomoedas. É o início da Internet do dinheiro.

Convencidos de que o investimento valia o risco, os gêmeos passam a comprar milhões de dólares de Bitcoin, com 1 Bitcoin a 10 US$.

Além de comprar a moeda, eles investiram numa startup para intermediar transações, o BitInstant. A lógica é que ninguém fica rico apostando. Quem fica rico é sempre a banca.

Com o aumento do preço da moeda, que chegou a 20 mil dólares, os Winklevoss se tornaram os primeiros bilionários de Bitcoin do mundo.

O livro cobre outros pioneiros do Bitcoin. Nem todos lucraram. Um deles é um libertário radical que lutava por uma moeda livre da interferência do estado, e acabou preso. Outro, um jovem que controlava o site Silk Road, e foi condenado à duas prisões perpétuas.

Após o BitInstant, os Winklevoss fundaram a Gemini (gêmeos em latim), incorporando as lições aprendidas. A Gemini é uma instituição que segue a legislação americana. Tem muita compliance além da tecnologia. Ela quer passar segurança a quem quer transacionar criptomoedas. Além disso, eles querem popularizar a sua adoção: não é mais necessário ser um nerd de computador ou um investidor de alto risco, mas uma pessoa comum, que anda de metrô!

Tyler e Cameron Winklevoss

Uma coisa é líquida e certa: criptomoedas vieram para ficar. Você também usará alguma criptomoeda em futuro próximo, talvez 10 anos, talvez 20 anos, não se sabe (nota: não necessariamente o Bitcoin).

Este texto não é uma recomendação de investimento. Embora haja um potencial imenso, há muitos problemas com o Bitcoin.

Listei alguns abaixo:

– Possível interferência governamental.

– Imensa volatilidade (chegou a passar de 20 mil US$ para menos de 7 mil).

– É difícil de lidar diretamente, sendo a pessoa comum obrigada a confiar em instituições como a Gemini dos Winklevoss (no Brasil, há várias similares surgindo).  Como confiar que tais empresas são idôneas?

– Imagine se alguém descobrir uma falha não descoberta até agora, a confiança no sistema por cair a zero.

– Existe sempre a concorrência de outras criptomoedas.

– Surgimento de uma tecnologia superior. Computação quântica pode ser uma delas, porém está a muitos anos de maturar.

Notas aleatórias:

Tyler e Cameron são gêmeos espelho. Gêmeos univitelinos, vieram de um mesmo óvulo que se separou após alguns dias de gestação. Um é o espelho do outro. Se um tem uma marca de um lado do corpo, o outro tem a mesma marca do lado oposto. Um é destro, outro é canhoto, um é racional, outro é emocional.

A constelação de Gêmeos é em homenagem aos personagens gregos Castor e Polideuces. Ambos são irmãos da Helena de Troia (aquela que provocou a Guerra de Troia). Ambos eram gêmeos, porém tinham pais diferentes: Castor era um simples mortal, Polideuces era filho de Zeus. Eles viveram muitas aventuras, uma delas foi fazer parte da tripulação da Argonáutica. Após a morte de Castor, Polideuces pediu que ambos partilhassem da imortalidade, e eles se transformaram na constelação de Gêmeos.

Prometeu e Epimeteu eram irmãos (não eram gêmeos). Prometeu tinha o dom da antevisão, e o Epimeteu, o dom da visão retrospectiva. Prometeu criou os seres vivos, e Epimeteu deu aos animais habilidades (garras, asas, etc). Chegando a vez do ser humano, o estoque de habilidades tinha acabado… Prometeu apiedou-se e deu ao ser humano o poder de planejar o futuro, e roubou o fogo dos deuses para dar aos homens.

Links:

https://ideiasesquecidas.com/2017/12/31/%e2%80%8bprometeu-e-epimeteu/

https://ideiasesquecidas.com/2017/12/17/o-que-e-dinheiro-para-mim/

https://ideiasesquecidas.com/2018/08/25/dinheiro-e-termodinamica/

Machine-learning-não-resolve-tudo-sua-besta

Hoje em dia, Inteligência Artificial e Machine Learning estão na moda – e realmente são métodos extremamente poderosos.

Porém, não são os únicos: estatística tradicional, classificadores lineares e pesquisa operacional da década passada resolvem muita coisa.

Além disso, o gargalo hoje são os dados. Dados ruins, bases que não falam com outras, ou simplesmente ausência de informação são comuns no mundo real. O IoT está chegando para cobrir esta lacuna, mas ainda vai demorar um tempo para baratear e popularizar (inevitavelmente vai ocorrer).

Eu diria aos startupeiros para não citar em vão o Machine learning, e sim quando realmente fizer sentido. E, quando os dados forem o gargalo, recomendar que as empresas dêem um passo para trás, a fim de coletar e estruturar a informação.

Porcaria na entrada = porcaria na saída, não há inteligência alienígena que resolva.

https://images.app.goo.gl/Hx1DrBcEVKc4hEaDA

As aparências importam

O vídeo a seguir mostra um violinista numa estação de metrô de Nova Iorque, como tantos outros.

Alguns poucos param para ouvir as 6 peças de Bach tocadas. Algumas moedas são colocadas. Em 45 min, ele arrecadou US$ 32.

Entretanto, este é um experimento do jornal Washington Post. O violinista em questão é Joshua Bell, um aclamado músico, com um violino Stradivarius de US$ 3 milhões. Alguns dias antes, um ingresso para o seu show não saia por menos de 100 dólares.

A moldura faz parte do quadro. As aparências importam.

Ou, em bom português: As pessoas julgam um livro pela capa.