Winston Churchill, discursos para texto e texto para discursos no Office

O grande estadista britânico Winston Churchill foi fundamental na Segunda Grande Guerra. No início de 1940, a Alemanha tinha dominado boa parte da Europa continental (Polônia, Bélgica, França, e Itália era aliada), a Rússia era neutra e os EUA não tinham entrado na guerra.

A Inglaterra era a única grande frente de oposição à Hitler.  A liderança de Churchill, com seus discursos inflamados, levou o país a resistir com “sangue, trabalho, lágrimas e suor”, e “vitória a qualquer custo”.

Há diversos filmes sobre Churchill, como o “Destino de uma nação”. O que achei engraçado é que Churchill passava o tempo todo, seja de pijamas ou a altas horas da noite, ditando e pedindo para as secretárias lerem o discurso, até chegar num resultado satisfatório. Na época, datilógrafas furiosamente usando máquinas de escrever.

Passados oitenta anos, hoje em dia não é necessário ter um batalhão de secretárias para escrever e ler discursos. Qualquer ferramenta do Office pode ajudar.

No Word, para ditar o seu discurso, ir em Página Inicial – Ditar.

Vai aparecer uma caixinha de controle, e talvez autorização para usar o microfone. E aí, é só ditar que o Word vai redigir o texto.

Para fazer o oposto, ler algum texto, basta selecionar o trecho, clicar com o botão direito, e escolher “Ler em voz alta”. É possível controlar a velocidade, escolher a voz. Eu sempre uso, para revisão final de texto.

(Outra dica. Para selecionar tudo, CTRL-T)

O mesmo truque funciona no Excel, Outlook, Power Point.

Versões anteriores à 2019 não têm esse recurso. Uma solução é usar a versão on line do Office (www.office.com), que vai estar atrelada à sua conta do Office 365.

Com a ajuda de suas secretárias, além de ter liderado a Inglaterra a resistir até a entrada dos EUA e Rússia na guerra, Churchill escreveu livros sobre a Primeira e Segunda Guerras Mundiais, além de outros livros de história, e por isso, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1953. 

“Nunca, nunca, nunca desista” – Winston Churchill

Para saber mais:

Winston Churchill, o homem que mudou o mundo (ideiasesquecidas.com)

Trilha sonora: Sacrifice – Elton John

(55) Elton John – Sacrifice – YouTube

Um pequeno puzzle mental

O puzzle abaixo, tirado de um livrinho de problemas que tenho, tem uma solução bastante criativa e simples.

Pare por aqui para resolver, se não quiser ver a solução.

Solução:

Uma solução simples é fazer as somas de cada número, porém, existe uma solução melhor.

Visualize dobrar o papel ao longo da diagonal principal (a que está preenchida com 10). O 1 vai somar com o 19, dando 20; as casas com 2 vão somar com as casas com 18, somando 20; e assim sucessivamente.

Como as casas que somam 20 contam duas casas, na média, é como se TODAS as casas do tabuleiro fossem iguais a 10.

Assim, a solução consiste na multiplicação 10 x 10 x 10 = 1000.

Veja também:

Fechamento da Trilha Analytics

Tivemos hoje o fechamento da Trilha Analytics, parceria da Escola de Negócios Klabin e a plataforma de ensino Alura

Foram 43 participantes em 1 ano. Foram feitas 27.739 atividades na plataforma, equivalente a 4.623 horas dedicação em #Excel#PowerBI#Estatística e #DataScience, entre outros cursos.

Além disso, 34 projetos práticos, de conclusão de curso, gerando valor no dia a dia dos participantes.

Para reflexão:
– Exploradores não fazem por fazer, eles têm propósito
– Desafios empolgam os exploradores
– Exploradores encontram bons aliados para resolver os grandes desafios

Temos o plano de criar novas turmas, para replicar a experiência numa escala maior.

Por fim, uma frase de Confúcio: “Há três métodos de aprender com sabedoria. Primeiro, por imitação, que é o mais simples; segundo, por experiência; e terceiro, por reflexão, que é a mais nobre.”

A Lei de Goodhart

“Uma métrica, quando se torna uma meta, deixa de ser uma boa métrica.” Essa é a Lei de Goodhart.

Uma métrica é um indicador, um número que mede alguma coisa: performance, nível econômico, termômetro indicando temperatura etc.

E uma meta é um objetivo claro, com prazos e responsáveis: atinja tal performance, chegue a tais indicadores até o fim do ano…

A Lei de Goodhart tem como pilar uma outra lei básica da economia: pessoas respondem a incentivos.

Além disso, nenhuma métrica consegue capturar todas as informações do mundo real. Uma métrica é apenas uma simplificação de alguns aspectos da realidade, possíveis de medir. A temperatura do corpo é um indicador importante e uma aproximação para a saúde de uma pessoa, mas nem toda doença causa febres no corpo.

E é esse o problema: se eu tenho incentivos para perseguir uma meta, e tenho uma medida para ela, eu vou atingir essa meta, independente das consequências de segunda e terceira ordem. Dessa forma, a sua métrica deixa de ser uma boa métrica.

Exemplos:

O atendente “burro”: um dia, comprei um pacote de leite que tinha 10 unidades. Notei que a atendente pegou uma caixa e passou o código de barra da mesma 10 vezes seguidas, ao invés de digitar 10 no computador e passar uma só vez. Perguntei por que razão ela fez isso. Resposta: “Sou medida pela velocidade com que passo os produtos, e essa é uma forma de aumentar a pontuação”. Ou seja, ela responde a incentivo (velocidade medida), só que a métrica acaba sendo ruim para o consumidor final (vou perder mais tempo na fila), de forma que essa meta deixou de ser uma boa métrica.

Criação de cobras: na Índia sob o comando dos britânicos, estava havendo um crescente problema com cobras. O governo então criou um programa para pagar pelo quilo de cobras mortas entregues pela população. Resultado: alguns indianos passaram a criar cobras em cativeiro, para vender ao governo. Quando as autoridades entenderam a fraude, acabaram com o programa. Sem incentivo, os criadores de cobra soltaram as mesmas na natureza, piorando o problema.

Uma métrica simples pode ser fácil de medir, porém vai deixar de fora inúmeros aspectos importantes da realidade. Já uma métrica complexa demais pode ser tão complicada de medir que não será atualizada, perdendo a razão de existir.

Há uma infinidade de incentivos perversos deste tipo, cujos resultados saem exatamente o oposto da intenção original. O link do apêndice conta vários casos.

Pesquisa de satisfação: em diversas compras que fazemos, vem depois uma pesquisa de satisfação, que é uma forma de medir a qualidade do serviço prestado. Um dia, recebi um e-mail mais ou menos assim: “Você receberá uma pesquisa de satisfação. Avalie o meu serviço, a minha remuneração variável está atrelada à sua nota”. Só faltou ela me ameaçar para que eu assinalasse nota 10.

Uma fábrica de pregos na era soviética era cobrada pela quantidade de pregos produzida. Passaram a produzir pregos cada vez menores e mais finos, inúteis para construção civil, na prática. O governo passou a cobrar pelo peso – e aí, passaram a produzir pregos cada vez maiores e mais gordos, tanto que também eram inúteis para a construção.

Na minha visão, indicadores são úteis, mas não são absolutos. É bom ter uma gama de indicadores medindo a realidade de formas diferentes. É como dirigir um carro, olhando para diversas informações no painel: velocidade, temperatura do motor, entre outros. Mas sempre tem que ter um fator humano para ponderar quais indicadores são importantes ou não, para guiar o carro pela estrada afora.

Veja também:

https://en.wikipedia.org/w/index.php?title=Perverse_incentive

Fields of Gold e músicas infinitas à mão

Hoje em dia, temos uma quantidade tendendo a infinito de músicas à mão, via Spotify, Deezer e similares.

É tão fácil que as novas gerações nem sabem direito como era num passado não muito distante.

Lembro de um episódio, no começo da década de 90. Eu estava na casa de um primo, e juntos, fomos à casa de outro parente dele, um primo de segundo grau, bem mais velho que nós. O objetivo: este último tinha adquirido um belo aparelho de som novo, e poderia gravar uma fita cassete de músicas para nós.

Na casa dele, havia um aparelho de som, daqueles que tinham um número enorme de botões que ninguém sabia para que serviam. Conseguia tocar discos vinil, sintonizar rádio AM / FM e tocar fita cassete. O CD não existia nessa época (ou existia, mas não era popular ainda. Viria a ser uma revolução alguns anos depois).

(Imagem ilustrativa – peguei da internet – mas não era muito diferente disso)

O aparelho de som que tinha na minha casa também conseguia gravar fitas cassete, só que eu não sabia mexer, e além disso também tinha um elemento crucial: não tinha a música. Meus pais não tinham muitos discos em casa, e como pré adolescente que eu era na época, não tinha a menor condição de comprar música.

Eu e o meu primo passamos tipo uma hora ouvindo músicas e anotando as faixas que queríamos. Ao final deste período, o anfitrião pegou as listas e gravou, um cassete para cada um, preenchidos dos dois lados da fita. Era um processo longo, porque para gravar uma hora de música, era necessário tocar essa hora de música e ir gravando simultaneamente no cassete, não havia jeito de acelerar o processo (para efeito de comparação, downloadar via torrent é extremamente mais rápido).

Pois bem, voltando para casa, e pelos próximos 5 anos mais ou menos, toquei a fita cassete algumas centenas de vezes, frente e verso, devorando cada segundo gravado naquela fita magnética.

Uma das músicas do cassete, a que mais gostei e toquei, era a doce e bela canção “Fields of Gold”, de Sting. “You’ll remember me when the west wind moves, Upon the fields of barley”. Era possível dar fast forward e fast backward na fita cassete, a fim de posicionar a fita a tocar a música desejada – ou, de modo mais mecânico, colocar um lápis em um dos buracos do cassete e girar no braço.

Fast forward algumas décadas, hoje, temos a mesma versão de “Fields of Gold” de anos atrás, além de interpretações alternativas por outros cantores (tem uma da Eva Cassidy espetacular), e também versão puramente saxofone, via Youtube, Spotify, Deezer e concorrentes.

Porém, ao mesmo tempo que temos uma quantidade infinita de músicas, o valor individual de cada uma dessas acaba diluído, tendendo a zero. É uma conta matemática. Ninguém hoje vai perder tanto tempo quanto perdi décadas atrás para gravar uma dúzia de faixas e ouvir repetidamente por anos, então a atenção por cada música diminui.

Seja como for, convido o leitor a apreciar uma bela canção, usando as tecnologias mais atuais dos dias de hoje.

Trilha sonora: Fields of Gold – Sting

Youtube
https://www.youtube.com/watch?v=KLVq0IAzh1A

Spotify
https://open.spotify.com/track/22gLGCKbFKwmgZhrpVcnFb

4 segredos do mundo corporativo prático

Algumas breves reflexões acerca do mundo corporativo.

1 – Um bom projeto não termina

Projetos, pela própria definição, têm começo, meio e fim. Ok, então isso quer dizer que vamos acabar o trabalho, entregar o projeto, e ficaremos desempregados? Sob essa ótica, então devemos postergar o máximo possível, correto?

Errado. Devemos entregar sempre o melhor trabalho possível e respeitar os prazos combinados.

Um bom trabalho entregue vai gerar inúmeros outros. Ideias de melhoria do próprio trabalho. Necessidade de mudanças devido à alguma atualização. Confiança do cliente para a contratação do próximo projeto. É um jogo colaborativo de longo prazo.

É muito satisfatório ver um trabalho rodando. Essa é a maior recompensa.

2 – Toda vantagem competitiva é temporária

Qualquer seja a vantagem competitiva que uma empresa, área ou indivíduo têm, elas serão temporárias.

Uma vantagem tecnológica dura muito pouco. Desde o surgimento até virar commodity, são poucos anos.

Vantagem em conhecimento de processo são mais duradouras. Porém, ou os processos mudam, ou as pessoas mudam, e as necessidades mudam.

Inovações de mercado podem tornar o que roda bem hoje obsoleto.

Isso quer dizer que:

  • Devemos explorar ao máximo as vantagens atuais. Por exemplo, o grande investidor Ray Dalio afirma que gasta algumas centenas de milhões de dólares por ano em estudos, e isso lhe dá uma vantagem mínima em frente ao mercado. Explorar essa vantagem mínima tornou o seu fundo de investimentos o maior do mundo.
  • Devemos estar em constante evolução. Sempre estudando, trabalhando forte, sempre em contato com as pessoas que rodam os processos.

Saiba que toda vantagem competitiva é temporária. Não se acomode sobre suas glórias, sempre busque evolução. Explore bem suas vantagens atuais, plantando sementes para vantagens futuras.

3 – Provas de conceito não servem para nada

Já que temos que inovar e evoluir, temos que testar um monte de alternativas e fazer várias provas de conceito, correto? Parcialmente. Realmente, temos que testar formas diferentes e melhores de trabalhar. Só que testar por testar não vai gerar resultado real.

Cansei de ver provas de conceito se tornarem o fim de si mesmas. Não é isso, as provas de conceito devem ter a finalidade de virarem inovação real, rodando na operação.

É muito fácil entregar provas de conceito envolvendo soluções novas, com as tecnologias da moda e prometendo ganhos acima dos atuais. É muito menos atrativo e extremamente mais trabalhoso entregar de fato algo que rode de verdade, mas é aí que realmente geramos valor.

4 – Não olhe para a posição formal, olhe para o que a pessoa faz na prática

Conheci um gestor de outra área que só dava bola para a posição das pessoas. Quanto maior o cargo, gerente, diretor, mais atenção ele dava, e desprezava completamente o corpo técnico e pessoal de apoio.

Essa abordagem tem vários problemas:

  • A chave para o sucesso ou fracasso do trabalho pode estar em alguém do corpo técnico ou de apoio, dado o conhecimento ou a competência real desses. E a competência real é o que importa, no final das contas
  • O mundo dá voltas, e quem hoje está numa posição subalterna pode ocupar um cargo diretivo futuramente
  • Não despreze as pessoas, isso é falta de educação básica

É como olhar só para a roupa que a pessoa está usando, e não para o que ela é. Tem um conto muito engraçado do mulá Nasrudin, sobre o tema: https://ideiasesquecidas.com/2020/07/10/os-amigos-do-cargo-e-os-amigos-da-pessoa/.

Uma dica é nem querer saber sobre essas relações formais de poder. Esquecer que existem cargos. Guiar-se totalmente pela execução real.

Bônus – Sobe e desce de profissões chiques

Lembro de uma época, uns 15 anos atrás, em que o petróleo do pré-sal tinha acabado de ser anunciado, a Petrobrás parecia ser a empresa mais atraente e inovadora do Brasil, e ser especialista em geologia ou em algo ligado ao tema “petróleo” era a profissão mais demandada do mundo.

A pessoa que começou a perseguir o tema quando estava no topo só acabou a especialização depois que o boom já tinha passado.

É como apostar no mercado financeiro olhando para notícias de jornal: todo ano uma empresa diferente está em alta e algumas empresas tradicionais estão em baixa. Aí o “sardinha” compra empresas no boom, vende empresas no vale, e sempre sai perdendo no timing.

Profissões quentes vêm e vão. Há poucos anos, era atrativo trabalhar em startups. Ganhar pouco, trabalhar muito, em busca de um sonho de valorização exponencial futuro, que pode ou não vir.

Minha sugestão é ignorar totalmente os modismos, e, usando a analogia do mercado financeiro, partir para a análise fundamentalista.

No que eu sou bom de verdade? O que gosto de fazer? É algo que terá uma demanda razoável no futuro? Este trabalho agrega valor de verdade à sociedade?

Não tentar adivinhar o topo. Fazer o trabalho que gosta, que é bom, de forma consistente e sempre em constante evolução. E, um dia, o topo chegará.

Veja também:

O caminho da solidão

O “caminho da solidão” (Dokkōdō), de Miyamoto Musashi, é um conjunto de 21 regras escritas um pouco antes de sua morte.

1 Aceite as coisas como elas são

2 Não procure o prazer físico

3 Em nenhuma circunstância dependa de um sentimento parcial

4 Pense a si mesmo com leveza; pense o mundo com profundidade

5 Evite o desejo, a vida toda

6 Não lamente o que fez

7 Não seja invejoso

8 Não se entristeça por uma separação

9 Ressentimentos e reclamações são inadequados tanto para si como para os outros

10 Não deixe se guiar pela luxúria

11 Não tenha preferências

12 Seja indiferente ao local onde reside

13 Não persiga o gosto da boa comida

14 Não carregue bens de que não necessita

15 Não aja de acordo com as crenças habituais

16 Não colecione ou pratique com armas além do necessário

17 Não tenha receio da morte

18 Não tenha a intenção de possuir objetos ou um feudo na velhice

19 Respeite Buda e os deuses sem contar com a sua ajuda

20 Você pode abandonar a sua vida, mas deve preservar a sua honra

21 Nunca se afaste do Caminho

No Ocidente, damos muito valor à posses e conquistas. Devo ter algo, possuir poder sobre outros, consumir do bom e do melhor.
Já as filosofias do Oriente, como o Tao, prezam pelo equilíbrio. Yin Yang. Duro e Macio. Forte e Fraco. Cheio e Vazio.

Para desfrutar de um chá, temos que ter uma xícara, mas só se esta tiver o vazio para podermos preenchê-la.

Uma casa deve ter paredes, teto e estrutura, porém, também deve ter o vazio interno para podermos viver nela. O pensamento ocidental tende a entulhar a casa de posses até precisarmos de uma casa maior, num ciclo infinito. Já o pensamento oriental tende a deixar a casa somente com o necessário, nada mais que isso.

Veja também:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dokk%C5%8Dd%C5%8D

Ataque com a espada, o corpo e a alma

No “Livro dos 5 anéis” de Miyamoto Musashi, o grande samurai diz:

“Ataque com a espada, o corpo e a alma”.

Nada mais verdadeiro. É com a mente que vencemos ou perdemos as batalhas.

Nos trabalhos e projetos em que participo, motivo o time a ir além da técnica. Enxergar o todo, e entrar com o corpo e a alma. É necessário ter a técnica afiada, a espada afiada, mas nunca é só isso. Nunca é apenas um trabalho isolado, sempre há uma finalidade maior.

Fica a dica.

Melhores textos de Richard Feynman

O brilhante físico americano Richard Feynman (1918 – 1988) teve uma carreira invejável:

  • Participou do Projeto Manhattan
  • Inventou um método de visualização de eletrodinâmica quântica que é usado até hoje
  • Ganhou o Prêmio Nobel de Física
  • Foi essencial para descobrir e denunciar problemas no ônibus espacial Challenger

“Os Melhores textos de Richard Feynman” reúnem alguns artigos e palestras. São textos extremamente agradáveis de ler e que mostram um pouco da criatividade, valores e forma de trabalho deste gênio.

Seguem algumas reflexões.

  • Explicação visual: Feynman adorava transformar ideias abstratas em analogias fáceis de imaginar. Não era daqueles físicos que falavam difícil. Exemplo: Explicação sobre tiranossauros: “Essa coisa tem 7,5 m de altura e a cabeça tem 1,80 m de diâmetro. Vamos ver o que é isso. Se ele parasse ali no quintal teria altura suficiente para enfiar a cabeça pela janela mas não muito porque a cabeça é meio larga demais e quebraria a janela quando passasse.”
  • Como escolher o problema certo a atacar? Uma forma racional é fazer a estimativa tamanho do impacto do problema x probabilidade de resolver.

“Tudo é interessante quando a gente mergulha com profundidade suficiente.”

“O primeiro princípio é não enganar a si mesmo e somos as pessoas mais fáceis de enganar”

  • Los Álamos visto de baixo. Texto relatando inúmeras experiências de Feynman em Los Álamos, onde participou do Projeto Manhattan, para o desenvolvimento da primeira bomba atômica da história. O “visto de baixo” porque ele era apenas um pesquisador promissor em início de carreira, frente a gigantes da física como Fermi, Von Neumann, Bohr.

Sobre o convite: a primeira reação dele foi rejeitar, mas depois de pensar um pouco, ele aceitou: “A razão original para começar o projeto era que os alemães eram perigo. A possibilidade de Hitler desenvolver uma bomba era óbvia, e a possibilidade de desenvolver antes de nós era apavorante.”

Uma das tarefas de Feynman, físico teórico, era analisar se método de separar isótopos de urânio funcionariam na prática.

Além disso, ele conta várias histórias sobre a mobilização na base, a censura de cartas, e de como passava horas aperfeiçoando sua habilidade de abrir cofres – ou ouvindo o padrão de combinações, ou observando cofres abertos para descobrir parte do código.

Os computadores da época utilizavam cartões perfurados como forma de entrada e saída de informação.

“Um dos segredos para resolver nosso problema foi o seguinte: os problemas eram cartões que tinham de passar por um ciclo, primeiro somar depois multiplicar e passava por um ciclo completo de máquinas, devagar, dando voltas e mais voltas. Aí inventamos um jeito usando cartões de cores diferentes: depois de pôr todos para circular, mas fora de sincronia, podíamos resolver dois ou três problemas ao mesmo tempo. Enquanto um somava o outro multiplicava.”

Sobre encontro com Niels Bohr, que era uma lenda viva à época. Feynman o encontrou numa reunião, mas nada disse. No dia seguinte, o filho de Bohr o chamou para um encontro, para discutir a viabilidade de um problema com o próprio Bohr.
Sobre a razão de escolher Feynman, o filho de Bohr relata uma conversa com o pai: “Você lembra o nome daquele sujeitinho no canto? Ele é o único que não tem medo de mim e vai dizer se a minha ideia é maluca. Não dá para discutir com esses caras que só dizem sim, sim, doutor Bohr. Então chame aquele sujeito primeiro”

  • Feynman é considerado o iniciador da nanotecnologia. O texto “Há muito espaço no fundo” tem ideias intrigantes e um desafio no final. Segue um pequeno trecho.

“Por que não podemos escrever todos os 24 volumes da Enciclopédia Britânica na cabeça de um alfinete? Uma cabeça de alfinete tem 1,5 mm de diâmetro. Se ampliar isso em 25.000 diâmetros, a área da cabeça de alfinete será igual a área de todas as páginas da Enciclopédia Britânica. Portanto é preciso reduzir o tamanho de todo o texto da enciclopédia 25 mil vezes… um ponto conteria 1.000 átomos, então não há dúvida de que há espaço suficiente para pôr toda a enciclopédia”

Ao final da aula, Feynman lançou um desafio de mil dólares a quem inventasse um motor elétrico que pudesse ser controlado de fora, com as dimensões de um cubo de 1/64 polegada de lado.

Nota: Ele pagou o prêmio duas vezes, a primeira menos de um ano depois, a um ex aluno da Caltech.

  • Sobre a sinestesia de Feynman.
    “Quando vejo equações, vejo as letras coloridas não sei por quê. Enquanto estou aqui falando, vejo vagas imagens de funções de Bessel com j marrom claro, n azul levemente arroxeado e o x marrom escuro esvoaçando-se.”
  • A curiosidade de Feyman o levava a tentar entender tudo profundamente. Sobre o número pi: “O pi era um número profundo maravilhoso. A razão entre a circunferência e o diâmetro de todos os círculos, não importa o tamanho. Havia um mistério nesse número.”

“Anos depois, olho nas fórmulas de um livro qualquer e descobri que a fórmula da frequência de um circuito ressonante era de 2 x pi x raiz( L C), onde L é indutância e C capacitância. Estava lá o pi. Mas onde estava o círculo? O pi era uma coisa com círculos, e estava ali o pi numa fórmula de um circuito elétrico em vez de um círculo. Da onde veio o pi nesse circuito?

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Grato ao amigo Cláudio Ortolan pelo livro.

Veja também:

A neblina na estrada do futuro

Como dirigir na neblina?

Lembro de uma vez, quando tinha uns 12 anos, que visitei a casa de um parente distante. No porão da casa dele, havia sua biblioteca particular: meia dúzia de estantes de livros diversos, além de diversas caixas espalhadas pelo chão, cheias de livros. Fiquei a tarde toda maravilhado, olhando para as capas e folheando aleatoriamente páginas velhas cheias de letras e poeira. Particularmente, achei fascinante uma apostila de cursinho, que condensava matérias como Matemática, Química, História e outros temas de vestibular.

É da mesma época o joguinho Enduro, de Atari. Um carro de corrida que deve ultrapassar outros carros. Na fase normal, é mais simples, dá para ver os demais carros à distância. Contudo, há uma fase em que surge uma neblina espessa, e só dá para ver os outros carros a uma curtíssima distância.

Naquela época, eu não tinha a menor ideia do que seria no futuro, dos caminhos possíveis a trilhar. É como uma espessa neblina à frente, só dá para ver alguns poucos passos possíveis e ter uma leve ideia do objetivo final. O que já sabia era que eu que gostava enormemente de estudar, de livros e conhecimento. E de temas pragmáticos, que tinham aplicação concreta na vida real.

A neblina da guerra

O teórico de guerra John Von Clausewitz cunhou o termo “neblina de guerra”, referente à informação incompleta nas decisões dos exércitos. Decisões essas que podem mudar o destino inteiro de uma nação e da história.

Dois exemplos históricos.

1 – O novíssimo e poderoso navio de guerra britânico “Prince of Wales” foi enviado ao Oceano Pacífico, alguns dias após o Japão bombardear Pearl Harbour, em 1941. O Prince of Wales foi detectado por uma escolta japonesa, e decidiu retornar ao porto de origem, por segurança. Naquela época, não tinha GPS ou satélites, então encontrar um navio no oceano era um jogo de busca exaustiva, gato e rato.

No caminho, o navio recebeu um relato de atividade dos japoneses, em terra, e não resistiu à tentação de se deslocar ao local para usar todo o poder de seus canhões no inimigo. Horas de deslocamento depois, o Prince of Wales chegou ao destino, para só então descobrir que o relatório estava errado: não tinha atividade japonesa nenhuma.

Nesse meio tempo, o navio foi avistado pelos aviões japoneses. Horas depois, uma frota de mais de 80 aviões torpedeou e afundou o Prince of Wales, que mal conseguiu revidar. Os britânicos cometeram uma série de erros, como superestimar o poderio naval e subestimar o estrago que aviões podem causar, mas não tivessem ido atrás de um relatório errado, o destino poderia ser outro.

Foi um desastre que virtualmente eliminou a oposição britânica no Pacífico.

Uma lição é separar o sinal do ruído – e isso não é fácil.

https://www.warhistoryonline.com/instant-articles/end-battleship-hms-prince-wales-repulse-sunk-10th-december-1941.html

2 – Previsão do tempo no dia D.

O desembarque na Normandia pelos aliados, em 1944, foi a maior operação anfíbia da história, com mais de 2000 navios de guerra, 150 mil soldados. Entretanto, tudo poderia mudar, por um motivo simples e difícil de prever: o clima.

Era necessário que houvesse lua, no mínimo parcialmente, porque as operações aéreas começariam de madrugada. A maré deveria estar baixa – para permitir que as tropas localizassem o campo minado deixado pelo inimigo. O tempo deveria estar bom – pouco vento, poucas nuvens.

Um desembarque em condições climáticas ruins custaria caro: imagine o pesadelo que seria desembarcar sob tempestade e sob fogo nazista.

Para piorar, o tempo literalmente fechou, dias antes da operação. A responsabilidade caiu nos ombros do meteorologista chefe dos americanos, o Capitão James Stagg. Ele previu que o clima ia dar uma pausa, e a operação seria possível na data. Felizmente para os aliados, ele acertou.

Além da técnica, também existe a sorte: a virtú e a fortuna de Maquiavel.

O contexto da neblina de Clausewitz é militar, mas a ideia é análoga, para a neblina na estrada do futuro.

Não temos como enxergar muito longe, nesse panorama nebuloso. Temos que ter fé de que estamos ligando pontos corretamente.

Conectar os pontos

Por fim, vale a pena ver a terceira história de Steve Jobs, no discurso de formatura de Stanford. Ele fala sobre conectar os pontos.

“É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para a frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.”

“De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.”

Veja também:

O superpoder da linguagem corporal 

Que tal ter o superpoder de detectar mentiras? Saber se alguém está confortável com sua presença ou não? Reconhecer quando alguém realmente se interessou pelo tema ou está sendo apenas educado? 

Não ligue para o que as pessoas dizem. As palavras podem ser manipuladas. Aprenda a reconhecer a linguagem corporal, para realmente entender o que elas querem dizer. 

Principalmente agora, que as reuniões presenciais estão retornando, é muito útil saber um pouco do assunto. 

É claro que não sou especialista no tema. Apenas replico algumas recomendações, de fontes diversas, e indico dois excelentes livros ao final do texto. 

– 93% da comunicação é não verbal (tom de voz, linguagem corporal) 

– Observe a inclinação do corpo de uma pessoa em direção ou oposta a outra. Na direção a outra indica desejo de ouvir mais, chegar mais perto; inclinação oposta, desejo de distância 

– Observe se cabeça, tronco e pés estão alinhados. Se a cabeça estiver numa direção, e os pés na direção oposta, indica um desejo de fugir 

– Para mostrar confiança: corpo aberto, peito e mãos abertos. Sem barreiras físicas. Instintivamente, protegemos nossos órgãos importantes, como o coração e o pescoço, quando desconfortáveis. Palma da mão aberta mostra que estamos desarmados, ao passo que um punho fechado indica que estamos prontos para lutar 

– Domine o espaço. Perto. Longe. Inclinar para ouvir e dar atenção 

– Olho no olho aumenta a atenção e comunicação. Levantar sobrancelhas indica atenção, desejo de ver mais 

– Atenção plena no ouvinte. Não mexa no celular 

Um cuidado é que um indicativo desses isolado não é conclusivo. É necessário um conjunto de observações, somado ao contexto. Existem diferenças culturais e pessoais também (digamos, alguém pode ser mais tímido). 

No final, pode ser que não detectemos uma mentira com 100% de precisão, mas a linguagem corporal ajuda muito, na maioria dos casos. 

Recomendações: 

“O corpo fala”, de Pierre Weil. Link da Amazon: https://amzn.to/3PCbAip 

“Desvendando os segredos da linguagem corporal”, de Allan e Bárbara Pease. Link da Amazon: https://amzn.to/3vbI8aH 

Tela da Matrix no Excel

Que tal reproduzir a tela do filme Matrix no Excel?

É necessário ativar macros. Para mudar os valores, teclar CTRL + SHIFT + A (é um atalho para rodar a macro).

É uma macro mais ou menos simples.

 – Definir a área de trabalho (60 linhas e 100 colunas)

 – Pintar o fundo de preto e a fonte do caractere de verde claro

 – Para cada coluna, escolher uma linha inicial aleatória e um tamanho aleatório do vetor

 – A partir da linha inicial ir preenchendo aleatoriamente caracteres até o tamanho máximo

 – Uma melhoria foi pintar o último caractere de branco

Para download, usar o link: https://1drv.ms/x/s!Aumr1P3FaK7joDZw0SVX0hktLsYV

Ainda não está tão legal quanto no filme, mas Neo, estou chegando lá!

Veja também:

https://ferramentasexcelvba.wordpress.com/