Um pouco de Mário Quintana

O gaúcho Mário Quintana é conhecido como o poeta da simplicidade. São versos simples, diretos e bonitos.

Na única vez que fui a Porto Alegre, fiz questão de visitar a Casa de Cultura Mário Quintana. Um antigo hotel, onde ele viveu no final da vida – e sua vida foi como sua obra, muito simples: vivia em hotéis, atrasando pagamentos, sem luxo, sem nada.

O primeiro poema é especialmente interessante para os dias de hoje, sufocados estamos com a pandemia.

Emergência

Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela
abafada,
esse ar que entra por ela.

Por isso é que os poemas têm ritmo

para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.


Poeminha do Contra

Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!

(Este é talvez o seu poema mais famoso)


Envelhecer


Antes todos os caminhos iam,
Agora, todos os caminhos vêm.
A casa é acolhedora, os livros, poucos.
Eu mesmo preparo o chá para os fantasmas.


I é letra de índio que muitos julgam iletrado,
mas índio é mais esperto
que muito doutor formado.


Cavalo de fogo

Mas a minha mais remota recordação
só muito tempo depois eu vim a saber que era um cometa
e precisamente o cometa de Halley

maravilhoso Cavalo Celestial
com a sua longa cauda vermelha atravessando, ondulante, de lado a lado,
bem sobre o meio do mundo,
a noite misteriosa do pátio…
Jamais esquecerei a sua aparição
porque
naquele tempo de espantos e encantos
o cometa de Halley não se contentava em parecer um cavalo, apenas:
o cometa de Halley era um cavalo!

(Veja aqui um relato do meu encontro com o cometa Halley https://ideiasesquecidas.com/2017/08/19/%e2%80%8bo-amante-halley/)



Poema da Gare de Astapovo


O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso

Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo
Contra uma parede nua…
Sentou-se …e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Gloria,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!


E então a Morte,
Ao vê-lo tão sozinho aquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali a sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!

A morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta…)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe se ate não morreu feliz: ele fugiu…
Ele fugiu de casa…
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade…
Não são todos que realizam os velhos sonhos da infância!

Veja também:

https://poesiaspoemaseversos.com.br/mario-quintana-poemas/

Conheça o maior proprietário de terras agrícolas dos EUA

Em janeiro, a revista americana The Land Report, maior publicação sobre o mercado das terras nos Estados Unidos, revelou que Bill e Melinda Gates acumularam o maior portfólio de terras agrícolas privadas dos Estados Unidos.

Link: https://revistapegn.globo.com/Administracao-de-empresas/noticia/2021/04/bill-gates-explica-motivo-de-ser-o-maior-proprietario-de-terras-agricolas-nos-eua.html

Segundo Gates, o motivo foi a ciência de sementes e biocombustíveis, em linha com suas iniciativas de sustentabilidade ecológica.


Uma reflexão. Bill Gates pode até ter comprado terras para desenvolver sementes  superprodutivas, como afirma. Porém, assim, ele também maximiza o impacto do próprio nome. Daqui a 100 anos, talvez 200 anos, ainda vamos estar ouvindo sobre a fundação Bill Gates.

Fosse a preocupação só desenvolver sementes, ele poderia ter arrendado terras, por exemplo.

Propriedade de terras é como a força da gravidade. Em curta distância, perde facilmente para força elétrica. Mas, a longas distâncias, a gravidade continua atuando, regendo o movimento das estrelas e galáxias.

Com terras, a mesma coisa. A curto prazo, investimentos outros ganham, a longo prazo, você vai estar podendo plantar em cima da terra daqui a 100 anos.

Análise de risco, do jeito que a gente faz, só funciona a curto prazo. A médio e longo prazo, fica cada vez mais impossível prever. Essas análises passam a ser mais qualitativas do que quantitativas.

E o pior, a curto prazo, fazendo as contas, vai dar que temos que vender a terra para ficar com o dinheiro.

Uma empresa movida a EBITDA trimestral nunca vai conseguir justificar um investimento que vai demorar dezenas ou centenas de anos para se pagar, embora seja exatamente essa a chave para sobreviver dezenas ou centenas de anos.

Ser movido a curto prazo vai dar certo por um bom tempo, até chegar o dia em que vai dar errado…

Como diz o ditado, “Quem compra terra, não erra”.

Veja também:

Proof of work na vida real

O protocolo “proof of work” é utilizado atualmente em criptomoedas, e foi originalmente concebido para evitar spams. Mas o interessante é que, antes mesmo de existir o conceito computacional, a lógica já era aplicada faz muito tempo na sociedade e na natureza: diplomas, certificados, e até a plumagem do pavão. Vejamos como.


O proof of work consiste na entidade “A” mostrar, sinalizar, provar a uma entidade “B” que um trabalho foi feito (daí o nome, prova de trabalho).

Uma utilidade: evitar spams. Hoje em dia, é muito barato computacionalmente mandar um milhão de e-mails de uma só vez. Se, a cada e-mail enviado fosse necessária uma prova de trabalho (digamos, resolver um problema matemático difícil), haveria um limite natural: a capacidade de processamento do computador.

Para funcionar, o proof of work deve ser assimétrico: um problema difícil de resolver, porém, fácil de conferir o resultado.

Interessante notar também que a Teoria dos Números tem inúmeros problemas desta natureza. O que sempre foi apenas uma curiosidade inútil, agora tem uma aplicação prática.

Ex. Encontre x, y e z tais que x^2 -3y + 8z^3 = 2727.

É chatinho achar a solução, porém, é muito fácil conferir se a resposta dada é verdadeira ou não.

  • x = 5
  • y = 14
  • z = 7

Outra característica: é difícil de falsificar, no sentido de encontrar uma solução fácil que engane o sistema.

Em criptomoedas, o proof of work é utilizado para garantir que todas as transações no bloco foram verificadas.


Pensando bem, um diploma de uma boa faculdade é uma prova de trabalho também. É difícil de conseguir: 4 ou mais anos estudando, assinalando presença em aula, fazendo as atividades, etc. E o diploma é fácil de conferir: basta checar as informações junto à entidade emissora.

Uma certificação emitida por uma associação profissional, idem. Tem de gerência de projetos, de qualidade, várias de TI. Cursos online, a mesma coisa.

Hoje em dia, está mais fácil checar certificações. No meu LinkedIn, na parte de “Licenses and certificates”, basta ir no “See credential” para ser direcionado à instituição que garante o certificado.

Tudo isso, por conta de assimetria de informação. Sendo o mundo vasto, não conhecemos as pessoas, e se suas habilidades são suficientes para um serviço. Com essas provas de trabalho, o risco diminui: pelo menos, há um indício forte de que a pessoa conhece do tema – não é garantia absoluta, mas é melhor do que nada.


Até na natureza, o proof of work é importante. Por que algumas gazelas, mesmo fugindo de um leão, dão saltos altos, extravagantes e desnecessários? Uma teoria da evolução diz que esse tipo de salto é como um proof of work dos machos para as fêmeas do bando: “olha só, eu sou tão rápido e forte que estou pouco me lixando para esse leão feroz, até esnobo ele. Fiquem comigo, gatinhas”.

Outro exemplo é o das penas do pavão. Por qual motivo ele teria penas tão chamativas? Há uma desvantagem enorme em carregar tantas penas desnecessárias, que chegam a ter 2 m de altura: mais volume, mais peso, chama mais atenção dos predadores. É um sinal difícil de falsificar, e também funciona como um proof of work: “olha só, mesmo com toda essa parafernália, sou forte o bastante para sobreviver aos predadores”.

O proof of work é tão importante, que pode surgir de formas inesperadas: cartas escritas à mão. Na era pré-internet, era comum enviar cartas e cartões postais, acredite se quiser. Depois do e-mail, ninguém mais se dá ao trabalho de escrever uma carta, levar até os correios e postar. A contrapartida é que é tão fácil enviar mensagens hoje em dia, que estamos transbordando de informação.

Por ironia do destino, uma prova de trabalho difícil de falsificar é escrever uma carta à mão (não imprimir), e mandar para o destinatário. Tem infinito mais valor do que o spam enviado à milhares de pessoas ao mesmo tempo.

“Se eu não te conheço e você deseja me enviar uma mensagem, deve provar que gastou, digamos, dez segundos de tempo de CPU, apenas para mim e apenas para esta mensagem”, Cynthia Dwork e Moni Naor, criadores do protocolo proof of work.

Veja também:

https://en.wikipedia.org/wiki/Proof_of_work

Review – Alura

Fiz um trial da plataforma de ensino Alura, e explorei os cursos com intensidade, nos últimos dias.

Algumas impressões gerais:
– Tem uma quantidade enorme de tópicos relativos à TI: Programação, Dev Ops, Mobile.
– Para o meu foco de interesse, tinha uma trilha em Data Science, com cursos diversos: Excel, VBA, Power BI, Estatística, Python, Modelagem de dados. Machine learning, SQL server. Dentro de cada curso desses, uma programação de aulas a ser seguida.

As aulas consistem em vídeos didáticos, e exercícios no final – alguns de múltipla escolha, outras para colocar código. Há também um fórum de discussão (também joguei uma pergunta para ver se alguém respondia, e um outro aluno respondeu logo a seguir).

A licença não é por curso, mas por mensalidade. A pessoa pode explorar quantos cursos quiser, neste período.

Fiz um curso do início ao fim, para ver a questão do certificado. Mesmo sendo trial, deu para inserir o certificado no LinkedIn.

Para o administrador da conta da empresa, é possível recomendar trilhas de aprendizado e acompanhar quem do time está fazendo qual curso, quantos terminou, etc.

Enfim, é muito legal, para quem tem o espírito de aprender sempre, e para empresas que queiram fornecer uma boa plataforma de aprendizagem.

Sigam me no Twitter

Faz tempo que tenho uma conta no Twitter, mas pouco a uso.

Os meus textos são longos para caber em 280 caracteres.

Mesmo resumindo, ou fazendo threads, sempre ficava ruim. É incompatível. Para algo ficar bom em uma frase, ele tem que ser pensado em uma frase, não dá para resumir e ter o mesmo efeito.

Ultimamente, pensei num jeito de usar o Twitter: como um repositório de frases interessantes, que vou colecionando ao longo do tempo, e outras frases que saem da minha cabeça.

Será um conteúdo não correlacionado com o deste sítio.

Segue a minha conta, e alguns dos tweets. São temas meio aleatórios, conforme o interesse do momento.

“Será o homem um erro de Deus, ou Deus um erro do homem?” – Friedrich Nietzsche

“Ao escrever a manchete, você gasta 80 centavos do seu dólar” – David Ogilvy

“NY é bom, mas é uma merda.
O Rio é uma merda, mas é bom”.
Tom Jobim

“Conhecimento é poder” – Francis Bacon

“Nosso conhecimento de qualquer evento passado é incompleto. A maioria da história é adivinhação e o resto é preconceito. O historiador sempre simplifica demais.”

Will Durant

“O gênio sabe os detalhes que importam” – Arnaldo Gunzi

Divirtam-se!

Recomendação: Era uma vez em… Hollywood

Qualquer filme de Quentin Tarantino é coisa para assistir com atenção absoluta. O genial diretor trouxe ao mundo obras-primas do cinema, como Pulp Fiction e Bastardos Inglórios.

Achei sensacional último filme dele, “Era uma vez em Hollywood”, principalmente o final – e só depois do final que entendi o título.

Não vou dar spoilers aqui, porque uma obra dessas merece ser vista sem saber o que ocorrerá no final, mas queria passar algumas dicas de conhecimento prévio. É importante saber alguns fatos dos anos 60, para maximizar o entendimento da trama.

Um dos crimes mais chocantes do século passado, e que até hoje ocupa o imaginário popular, é o assassinato da deslumbrante atriz Sharon Tate, grávida de 8 meses e esposa do badalado diretor Roman Polanski. Os assassinos, um grupo de fanáticos, comandados por Charles Manson.

Manson se dizia reencarnação de Jesus, e procurava mensagens ocultas nas músicas dos Beatles. Vivia com os seus seguidores num rancho, pregando a liberdade, o fim do capitalismo, amor livre (bacanais) e consumo de alucinóginos. A comunidade realizava pequenos furtos e buscava comida no lixo. Tudo mudou no dia de “Helter Skelter”, em que começaram a assassinar pessoas, entre elas, Sharon Tate e amigos.

Este episódio lamentável está amplamente documentado, como nos links ao final do texto.

O poder de influência e o nível de loucura de Manson era tão grande, tão grande, que mesmo depois de preso, ele atraía uma legião de fãs.

Pois bem, o filme acompanha um astro decadente, Rick Danton, e seu dublê Cliff Booth. Interpretados por dois dos maiores e mais bem pagos atores da atualidade, Leonardo DiCaprio e Bradd Pitt, ambos com atuações sensacionais.

A vida de Sharon Tate (interpretada por Margot Robbie, vale anotar o nome) e Roman Polanski fica meio em paralelo, assim como a gangue de Mason, até tudo se entrelaçar no finalzinho…

Fora isso, há dezenas de homenagens a filmes dos anos 60, referências a outros trabalhos do diretor, detalhes e easter eggs inúmeros, diálogos afiados e cenas de sangue, à lá Tarantino.

Veja também:

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/sexo-drogas-e-paranoia-a-incomum-vida-na-comunidade-de-charles-manson.phtml

https://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Manson

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/01/cultura/1564673873_374429.html

https://www.businessinsider.com/quentin-tarantino-once-upon-time-hollywood-details-you-missed-2019-7

Genghis Khan – mangá

A fim de fechar o tema do império mongol, uma indicação de mangá, sobre o conquistador Genghis Khan: Chinggis Khan, por Yokoyama Mitsuteru.

Não há muitas formas de comprar um mangá antigo no Brasil (este é de 1991), então praticamente o único jeito de ler é por sites que scaneiam mangás.

http://fanfox.net/manga/chinggis_khan/

O mangá conta a história de Temujin (o nome de nascimento do grande Khan) nas estepes mongóis, as inúmeras intrigas, batalhas, assassinatos e rapto de mulheres e crianças que ocorriam neste época.

Com o passar do tempo, e o crescimento da tribo de Genghis, foram diversas as guerras com outras tribos das estepes, com todos os elementos possíveis: alianças, casamentos, acordos de sangue, brigas, e, é claro, traições.

Há uma série de livros e alguns filmes sobre o grande Khan, mas o formato história em quadrinhos é o meu favorito.

É possível ver imagens fascinantes como a seguinte.

O autor, Yokoyama Mitsuteru, é certamente um dos meus favoritos, por ter adaptado em mangá também a fantástica história dos Três Reinos. Ele teve o auge do seu trabalho na segunda metade do século passado, e faleceu em 2004.

Após consolidar o poder na Mongólia, os exércitos de Genghis passaram a utilizar a sua máquina de guerra contra países vizinhos, devastando quem não se submetia a eles, destruindo a Bagdá dos sonhos, quase chegando à Europa, e conquistando a China (este post é sobre Kublai Khan).

Veja também:

A magnífica Xanadu de Kublai Khan

“Vou contar para você sobre a grande e maravilhosa magnificência do Grande Kaan reinante, de nome Cublay Kaan, Kaan sendo o título que significa ‘O lorde dos lordes’, ou Imperador” – Marco Polo.

Estive a ler o livro “A brief history of Khubilai Khan”, da foto abaixo.

Este livro tem uma história muito particular. Comprei numa livraria na cidade de Toronto, Canadá. Estava voltando de um congresso, na companhia do meu grande amigo Diego Piva, faz uns 5 anos. O preço está na capa, 7 dólares canadenses – vide a foto. Naquela época, o real ainda tinha algum valor, o que tornava o livro barato.

Xanadu era a capital do império mongol de Kublai Khan, neto do legendário conquistador Genghis Khan.

Após unificar toda a Mongólia, o exército de Genghis Khan passou a devastar reinos vizinhos. O seu império chegou à parte da Rússia, Oriente médio, e norte da China.

O termo “horda”, normalmente em referência à falfeitores, veio do nome das tendas, ou sede do poder dos mongóis.

Após a morte de Genghis Khan, e brigas entre descendentes, chegamos à linhagem de Kublai Khan. Este é conhecido na cultura popular, porque é o império descrito por Marco Polo em sua viagem à China.

“Xanadu” não é um nome muito chinês. Numa transcrição mais moderna, seria “Shangdu”. Esta era a capital do império mongol de Kublai.

Kublai Khan. fonte: Wikipedia

A parte sul da China era dominada pelo Império Song. Herdando a voracidade expansionista de seu avô, Kublai empreendeu a conquista do Império Song e a unificação da China sob o seu comando, fundando a dinastia Yuan.

Fato curioso: o império Mongol conquistou a China militarmente, mas, culturalmente, os ritos e tradições chinesas continuavam a valer. É mais ou menos como Roma dominou a Grécia militarmente, mas a cultura grega era tão mais avançada que influenciou fortemente a primeira.

Império Yuan, pegando parte da Mongólia, China, Coreia e outros países atuais. Fonte: Wikipedia

A Coreia também acabou sendo dominada por Kublai Khan. Não houve invasão, eles apenas se submeteram ao comando mongol.

Após a queda da China, outros impérios da região eram o Vietnã e o Japão.

Kublai empreendeu duas tentativas de invadir o Japão. Por ser uma ilha, a invasão teve que ser pelo mar – num local extremamente distante da capital chinesa, logisticamente complicada, e, também, sem aparentar ter alguma riqueza espetacular para os invasores. Já os defensores tinham todo o interesse em rechaçar o ataque, e empreenderam resistência feroz.

O Japão teve um empurrãozinho dos deuses da guerra: em ambos os ataques, tempestades destruíram a esquadra chinesa no mar. Daí, surgiu o termo “Kamikaze”, o vento divino, o mesmo termo utilizado pelos soldados suicidas japoneses na Segunda Grande Guerra.

Este evento marcou o início do declínio da dinastia Yuan, também com diversos outros problemas: a rivalidade de outros descendentes mongóis, rebeliões chinesas, etc.

Há várias citações à Kublai Khan na cultura popular, além de Marco Polo.

O poema “Kubla Khan”, de Samuel Coleridge, é muito famoso:

In Xanadu did Kubla Khan
A stately pleasure-dome decree:
Where Alph, the sacred river, ran
Through caverns measureless to man
Down to a sunless sea.

Baseado nisso tudo, tem a música “Xanadu”, do Rush. Eu não conhecia, foi indicação do meu amigo Vinícius Ribeiro.

https://www.youtube.com/watch?v=SEuOoMprDqg

Há uma série da Netflix chamada “Marco Polo”, mas ela é bem ruim – não à toa, foi cancelada na primeira temporada!

Por fim, Xanadu é o nome de uma startup canadense, cuja missão é “To build quantum computers that are useful and available to people everywhere.”. Ela usa fotônica como arquitetura de computação. Confira aqui: http://www.xanadu.ai

Arnaldo Gunzi, Abril 2021

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia:

https://ideiasesquecidas.com/

Veja também:
https://ideiasesquecidas.com/2017/10/31/%e2%80%8bbagda-a-mais-bela-cidade-de-todos-os-tempos/

Revolução à vista: BC libera WhatsApp Pay

O pagamento por celular será uma mudança disruptiva na forma com que convivemos com pagamentos e bancos.

Na China, o Ali Pay e o WeChat Pay já são realidade há uns 5 anos. TODO mundo usa pagamento por celular. Para comprar na vendinha de produtos, no táxi, no restaurante, tudo. Algumas vantagens: taxas mais baixas, facilidade no envio de dinheiro entre pessoas (como o tradicional presente de ano novo chinês). Novos produtos: microempréstimos, microdoações. Uma quantidade enorme de chineses nem tem cartão de crédito, mas tem o Ali Pay.

Até os mendigos chineses aceitam o Ali Pay!

Só turistas utilizam cartão de crédito. A maioria das lojas nem aceita cartão. Numa vez que tentei usar, o atendente nunca tinha visto um cartão de crédito!

Os grandes bancos que se cuidem!

https://www.techtudo.com.br/noticias/2021/03/whatsapp-pagamentos-banco-central-libera-servico-no-brasil.ghtml

Alan Turing é homenageado na nova nota de 50 libras

Para quem gosta de matemática e computação, Alan Turing é um dos nomes mais importantes da história, com contribuições que perduram até hoje.

Turing abstraiu o conceito de computação, e provou que é possível criar uma “máquina de Turing universal”. Ao invés de ter um dispositivo específico para cada operação, o mesmo dispositivo poderia ser programado para fazer as mais diversas operações imagináveis.

Os computadores modernos são máquinas de Turing universais em sua essência.

A tese de Turing-Church, de que todas funções computáveis podem ser computadas por máquinas de Turing universais, continua um problema aberto até hoje.

Ele foi um dos pioneiros da inteligência artificial, com o teste de Turing, uma espécie de jogo da imitação: será que quem escreveu este texto foi uma pessoa ou uma máquina?

Finalmente, ajudou a salvar centenas de milhares de vidas de soldados aliados, ao decifrar o Enigma, código criptográfico nazista. Não é exagero. Por exemplo, os códigos decifrados deram a segurança de que os nazistas não sabiam onde seria o local do desembarque, no Dia D.

Apesar de tudo isso, Turing foi perseguido por ser homossexual, e tirou a própria vida em decorrência de um tratamento forçado a que fora submetido.

Um dia vou conseguir uma nota dessas, só para deixar na carteira como homenagem à este grande gênio da humanidade.

Recomendação de filme: O Jogo da Imitação, no Prime Video:

https://amzn.to/31qsfhG

Veja também:

thttps://ideiasesquecidas.com/2020/11/21/codigos-genetica-e-puzzles/

Detalhes e detalhes

Os gênios mostram atenção aos detalhes. Steve Jobs garantia que o computador Apple tivesse até os botões perfeitos. Telê Santana exigia que cada passe fosse o melhor possível.

Por outro lado, algumas pessoas ficam perdidas em inúmeros detalhes, e não saem do lugar.

Qual a diferença?

A diferença é que os gênios sabem os detalhes que importam.

Fazendo analogia com um mapa. Há vários níveis possíveis de zoom. Um zoom out vai te dar a visão do todo, perdendo detalhes. Já um zoom in vai dar detalhes, perdendo o todo.

Alguém que analisa cada detalhe do mapa vai ficar eternamente analisando tudo, sem chegar a conclusão alguma.

O gênio saberá traçar uma rota numa visão macro, dar zoom nos detalhes principais, mapear os pontos de atenção e conseguir alcançar seus objetivos.

Como diz a sabedoria popular, “O diabo está nos detalhes”.

Baseado em comentário do newsletter de James Clear (https://jamesclear.com/), e conversas com alguns amigos.

Veja também:

Aos amigos, tudo, aos inimigos, o rigor do estatuto

Nos meus tempos de engenheiro da Aeronáutica, conheci um tiozinho cujo lema era

“Aos amigos, tudo, aos inimigos, o rigor do estatuto”.

Ele era uma espécie de office boy, e, para tudo o que a gente pedia, ele repetia a frase acima. O sentido que ele queria dar era de que éramos amigos. Ou talvez querendo cobrar o favor futuramente, sendo que nem favor era, era o trabalho dele.

Eu sempre odiei essa frase, supostamente atribuída a Getúlio Vargas. Na minha visão do mundo, talvez draconiana demais, todos deveriam seguir o estatuto, amigos ou não. Talvez seja até o contrário, os amigos é que deveriam dar o exemplo. Ao invés de cortar a fila, entrar no final dela, como todo mundo.

“Aos amigos e aos inimigos, igualmente o rigor do estatuto”, seria uma frase melhor.

Se a lei estiver irreal, que se mudem a lei, ao invés de gerenciar com base na exceção aos amigos.

Em países europeus e de primeiro mundo, isso é bem mais evidente. Se a bilheteria do trem fecha as 18h, não adianta chegar lá 18:01h e pedir para comprar, dar um jeitinho. Já era. Ponto final. A contrapartida é que a bilheteria vai estar aberta até as 18h, não vai fechar 17:30h porque o atendente quer sair mais cedo.

É até ingenuidade pensar assim, estando no país do jeitinho brasileiro, onde o bom é ser malandro e quem é certinho é bobo. Aqui, temos dois pesos, duas medidas. A lei que vale para um, não vale para outro. Se a pessoa tiver influência suficiente, pode até mudar as leis para se beneficiar. Estamos no país onde até o passado é incerto.

“As leis são como as teias de aranha que apanham os pequenos insetos e são rasgadas pelos grandes.” Sólon, legislador ateniense.

Felizmente, até hoje, quase 20 anos depois, nunca precisei lançar mão de “amizade” para cortar caminho. Talvez por sorte, talvez por não estar em situação que obrigue tal artifício.

Por fim, tenho que agradecer por isso, por existirem muitas pessoas corretas e processos que funcionam.

Veja também: