Percepção, realidade e o Pareto a posteriori

Todas as vezes que escrevo algum texto, ou entrego algum projeto de forma geral, faço internamente uma avaliação: “este trabalho ficou muito bom, vai longe”; ou “não gostei muito, não acho que o alcance seja grande”.

Em geral, a previsão não se confirma. A nossa percepção da realidade é muito diferente da realidade.

Aliás, há uma assimetria, na verdade. Trabalhos ruins, ou textos ruins no caso do blog, certamente terão desempenho ruim – a correlação é de 100%.

Separando apenas os trabalhos bons, aí sim, não é possível saber se vai ser sucesso ou não.


Alguns exemplos.

Gostei muito de escrever o Índice X-Men de inflação. É algo que uma versão mais jovem de mim mesmo adoraria ler. Este texto teve um bom desempenho, mas pontualmente.

O índice X-Men de Inflação (ideiasesquecidas.com)

Já uma surpresa. O texto a seguir é muito simples, apenas uma ilustração do poder de uma série geométrica. Eu não sei bem o motivo, mas está com um bom index no Google, sendo constantemente um dos maiores views deste site.

Todos os grãos de arroz num tabuleiro de xadrez (ideiasesquecidas.com)

Um exemplo misto é sobre o dodecaedro mágico. Dentre os inúmeros métodos possíveis, eu criei este método, notação, tutorial, então é de se esperar que o conteúdo original tenha valor. E, realmente, até hoje é uma página muito acessada.

Como resolver o dodecaedro mágico? – Introdução (ideiasesquecidas.com)

Porém, fiz exatamente o mesmo para outros puzzles, como o cubo Sweb. Alguns puzzles mais simples e outros mais complexos – sem o mesmo sucesso.

Como resolvi o cubo Skewb (ideiasesquecidas.com)

Em termos de projetos também. Tem planilhas minhas rodando até hoje em diversos locais da empresa. Por outro lado, há trabalhos extremamente mais complexos e ambiciosos que serviram por um tempo, mas já foram substituídos.

Sabe o Princípio de Pareto, aquele de que 20% do trabalho vai gerar 80% dos resultados? Uma forma de interpretar é focar nos 20% que dá resultado, e abandonar 80%.

O Pareto é verdade, porém, a posteriori. Vendo o resultado pronto, é possível apontar o dedo e dizer: “olha só, isso não deu em nada”. Os mais chatos até acrescentam o “eu falei”, do alto de sua arrogância.

Contudo, a priori, não é possível dizer se o trabalho ficará nos 20% que dará frutos ou nos 80% que não dará em nada.

A minha solução é tentar sempre entregar o melhor trabalho possível. Revisar, ouvir o cliente, tentar atender especificações e prazos. E também, é melhor fazer o trabalho e testar logo na vida real, do que ficar eternamente aperfeiçoando na teoria.

A nossa informação sobre o mundo é extremamente limitada, de forma que não saberemos o que vai vingar e o que não vai – se soubéssemos, seria como uma bola de cristal, um oráculo de Delfi, bastaria confiar em nossa percepção e teríamos 100% de acerto!

Um último exemplo, e a trilha sonora deste post: Asa Branca.

Após compor a música, Humberto Teixeira achava que ela iria explodir nas paradas musicais. Já Luiz Gonzaga, tinha opinião contrária. Seria apenas mais uma música em seu portfolio…

Resultado: uma das mais belas canções já escritas em língua portuguesa.

O cubo mágico bola puzzle

Este puzzle é bastante simples.

São 10 bolinhas numa esfera, que podem se movimentar por 11 casas.

Cada casa tem uma cor diferente, e cada bolinha tem a mesma cor da casa.

Basta pressionar a bolinha em direção ao espaço vazio para movimentar.

O jogo é colocar todas as bolinhas em posições aleatórias e depois arrumar tudo: cada bolinha em sua casa.

É um puzzle fácil. Tendo um espaço vazio, eu sempre consigo trocar duas bolinhas. Então, um algoritmo guloso, de ir resolvendo casa por casa, é suficiente.

As minhas filhas de 6 e 9 anos conseguem resolver.

É um puzzle simples, com um grau mínimo de dificuldade para ficar divertido.

Fica a dica.

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Veja também:

Cubos Mágicos (ideiasesquecidas.com)

https://ideiasesquecidas.com/2015/10/18/como-resolver-o-dodecaedro-magico-introducao/

A guerra do cálculo

Pense num matemático. Um gênio solitário, sem um tostão no bolso, porém com a cabeça repleta de equações. Alguém sem vaidades, cuja missão final é encontrar a verdade universal, desapaixonada, independente dos créditos. Ledo engano.

Não é a paixão financeira que move as arenas intelectuais, porém, se o dinheiro não é a moeda mais importante, o crédito pelas ideias ocupa parte deste papel.

“A guerra do cálculo” narra a batalha de dois dos maiores gênios da humanidade, Isaac Newton e Gottfried Leibniz, pela autoria do cálculo – uma das maiores conquistas da matemática e o pesadelo de todo o universitário de exatas.

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Hoje em dia, há um consenso de que ambos descobriram o cálculo de forma independente. Apesar de Newton ter “vencido” a guerra, foi o legado de Leibniz que ficou. Até hoje, utilizamos a notação deste último, e vários outros matemáticos (Bernoulli, L’Hôpital) derivam de Leibniz.

É uma história de vaidades, intrigas, duelos, acusações injustas, bullying, conspirações, poder e sexo selvagem (ok, este último ponto não é verdade, só coloquei para exagerar).

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Sobre Newton na Casa da Moeda:

Ele estudou todas as partes do processo de cunhagem – máquinas, homens, métodos – e se tornou um especialista em tudo, de testar ouro e prata a processar falsificadores.

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Newton era o tipo de gênio que trabalhava dia e noite, esquecendo de comer, se lavar, e negligenciava tudo a seu redor exceto os livros e notas do seu interesse no momento.

A imagem que temos de jovem Newton como um cientista louco superdedicado funciona porque é verdade.

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Diferenciais são pequenos incrementos ou decrementos momentâneos em quantidades variantes, e integrais são somas de intervalos infinitesimais de curvas ou formas geométricas.

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Os antigos tinham calculado a área de formas geométricas através do que chamamos hoje de método da exaustão – preenchendo uma área com triângulos, retângulos, ou alguma outra forma simples de calcular. Arquimedes, utilizando tal método, determinou a área das parábolas e segmentos esféricos.

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Bonaventura Cavalieri, um amigo de Galileo e professor de matemática em Bolonha, considerou a linha um infinito de pontos; uma área, uma infinidade de linhas; um sólido, um infinito de superfícies.

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Newton foi o primeiro a descobrir um sistema geral que o permitia analisar este tipo de problema – o cálculo, ou o método das fluxões, como Newton chamava.

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Leibniz descobriu o cálculo durante os anos prolíficos que ele passou em Paris, entre 1672 e 1676. Apesar de ser um advogado sem treinamento formal em matemático, ele mostrava uma incrível propensão ao tema.

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O termo “cálculo” foi criado por Leibniz – um cálculo sendo uma pedra que os romanos utilizavam para contar.

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Na época que Newton publicou “Sobre a quadratura das curvas”, no apêndice de Ótica em 1704, Leibniz estava à sua frente fazia duas décadas (Newton descobriu o cálculo primeiro, em 1666, porém somente publicou os estudos muito tempo depois).

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Sobre Leibniz

Aos 8 anos, foi permitido a Leibniz entrar na biblioteca do pai. Ele encontrou livros de Cícero, Plínio, Sêneca, Heródoto, Xenofonte, Platão e muitos outros, e ele estava livre para estudar os clássicos latinos, discursos metafísicos, e manuscritos teológicos. Ele devorou os livros com avidez.

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É muito comum cientistas trabalhando separadamente no mesmo problema chegar a soluções semelhantes na mesma época. É a teoria da inevitabilidade da descoberta. Sem dúvida, o cálculo era inevitável – não fosse Newton ou Leibniz, outro o teria feito.

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A grande inspiração de Newton foi ver a geometria em movimento. Ele viu quantidades fluindo, geradas pelo movimento.

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Se Newton tivesse publicado o De Analysi quando o escrevera, ele teria poupado um monte de problemas e não haveria uma guerra do cálculo.

Há algumas razões para Newton não ter publicado. Uma delas foi um incêndio em Londres, que afetou tremendamente o mercado de publicações, prejudicando matemáticos como Newton.

Outro fator é que Newton queria apresentar os trabalhos sobre ótica primeiro. Ele começaria apresentando aos membros da Sociedade Real uma de suas grandes invenções: um telescópio reflexivo.

Ele corajosamente propôs que a luz não era uma onda, mas sim formada de partículas. Uma multitude de corpúsculos de luz inumeravelmente pequenos viajando através do espaço.

Outro fator que pesou para Newton postergar publicações foi a rivalidade com Robert Hooke. Hooke era a autoridade em ótica na Inglaterra da época, e ele era extremamente crítico às obras de seus contemporâneos.

Hooke era uma pedra no sapato, sempre clamando para si o crédito de boas ideias e minimizando a contribuição de outros. Ex. em 1676, Hooke declarou que o trabalho de Newton sobre a luz foi feito a partir de seu próprio trabalho, Micrografia.

Devido aos problemas com Hooke, Newton perdeu a vontade de publicar por muito tempo.

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Sobre Leibniz na sociedade de alquimistas.

Leibniz era um desconhecido, que queria entrar na sociedade de alquimistas da Europa. Ele criou um plano: consultou os mais difíceis livros de alquimia da época, e escreveu as palavras mais obscuras que encontrara, num artigo que era ao mesmo tempo impressionante e sem sentido algum. Acabou agradando os alquimistas, que o receberam. Tempos depois, ele abandonou a sociedade, chamando-os de fraternidade de fazer ouro.

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A máquina de calcular de Leibniz

Leibniz inventou uma máquina de madeira e metal, com uma manivela mecânica, um precursor de calculadora.

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Naquela época, as correspondências demoravam muito tempo para encontrar o destinatário. Uma carta de Newton de 1676 só alcançou Leibniz um ano depois, porque quando foi enviada, ele já tinha deixado Paris e ido para Hanover.

Para Lebniz, Newton tinha um método de resolver o problema e ele tinha outro.

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Hoje em dia, há poucos argumentos sobre o fato de que Newton e Leibniz fizeram o trabalho independentemente um do outro, porque as notas de Leibniz existem desde 1675, muitos meses antes de ver qualquer coisa vinda de Newton.

Newton escreveu a Leibniz cartas em anagramas codificados. Era uma forma de mostrar que sabia alguma coisa, porém sem revelar o segredo. Ex. uso uma cifra de César para codificar “casa”: “dbtb” – troco uma letra pelo sucessor. Porém, esse tipo de cifra é muito fácil de decifrar, então além disso, ele fazia um anagrama: “tbbd”. Assim, dificultava tremendamente qualquer tentativa de decifrar a mensagem, sem a chave correta.

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Sobre Halley (que hoje é conhecido pelo cometa).

Edmond Halley estava em busca do movimento dos planetas. Nessa jornada, ele se encontrou com Newton, que respondeu imediatamente: uma elipse. A órbita dos planetas ao redor do sol segue a lei do inverso do quadrado, e o caminho é elíptico. Essa simples resposta mudaria a vida de ambos para sempre.

Impressionado com os resultados de Newton, Hooke o convenceu a publicar um dos maiores livros de todos os tempos – o Principia (de onde vêm as três leis de Newton).

Halley até arcou com as despesas da publicação, em 1687, porque a Sociedade Real não tinha fundos para tal.

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Se Leibniz tivesse escolhido atacar Newton na última década do séc. XVII, ele certamente venceria a guerra do cálculo. Newton não estava ainda na sua posição de máximo poder como presidente da Sociedade Real.

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Em 1696, um dos irmãos Bernoulli lançou o “problema da braquistócrona” e apenas 5 matemáticos foram capazes de resolver o problema: Leibniz, Newton, L’Hôpital, e os irmãos Bernoulli.

Experimento da braquistócrona

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Fatio, o “chimpanzé” de Newton, foi um dos primeiros que começaram a atacar Leibniz, ao destacar que Newton era o precursor do cálculo. Leibniz recusou a se envolver, por não ter grande respeito pelo rapaz.

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Uma das inspirações para Newton publicar o seu trabalho foi uma publicação de um matemático chamado Cheyne, “Sobre o inverso do método das fluxões”, em que ele tentou explicar o cálculo newtoniano para o mundo. Porém o material ficou tão ruim que inspirou Newton a publicar a sua própria versão, no apêndice de Ótica, “sobre a quadratura das curvas”.

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Anos depois do primeiro ataque de Fatio, um outro matemático chamado Keill fez alegações semelhantes. Leibniz pediu para a Sociedade Real arbitrar sobre o assunto, convencido de que ele não tinha plagiado ninguém, e de que teria apoio dela.

O plano deu muito errado, pois Newton era o presidente da Sociedade Real. Esta apontou um comitê, em 1712. No papel, a disputa era de boa fé e visava decidir sobre a disputa. Na verdade, o comitê era na maioria amigos de Newton – pessoas como Halley, e alguns outros de fora para manter a aparência de neutralidade.

A conclusão do documento, sem surpresa alguma, dava ganho de causa a Newton e condenava Leibniz. Neste foram anexadas diversas evidências, como correspondências entre ambos e outras publicações. Isto fez com que Newton fosse considerado o maior matemático dos últimos 50 anos, e relegou Leibniz ao ostracismo.

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Leibniz passou o resto da vida tentando revidar, mas nunca conseguiu.

Algo que piorou a posição de Leibniz foi ele tentar atacar as leis da gravidade descobertas por Newton – que não tinham relação alguma com o cálculo. Na época, a força à distância da gravidade era algo difícil de engolir.

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Leibniz faleceu sem grandes honras. Já Newton, era o gênio do século XVIII, como Einstein foi do século XX.

Voltaire colocou simplesmente: “Newton foi o maior homem que já viveu”.

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Leibniz, como pessoa, perdeu a guerra do cálculo. Porém, é o legado de Leibniz que ficou.

Matemáticos britânicos foram proibidos de usar a notação de Leibniz, que era utilizada em todo o resto da Europa, até que finalmente tiveram que ceder no começo do século dezenove. Foi no meio do séc. XIX que Leibniz começou a ser redimido, e colocado como co-criador do cálculo.

Meme enviado pelo leitor Pedro Arka

Veja também:

Lab. Matemática (ideiasesquecidas.com)

Braquistócronas, tautócronas e cicloides (ideiasesquecidas.com)

Além do bem e do mal – em 40 frases

O livro “Além do bem e do mal”, do explosivo filósofo alemão Friedrich Nietzsche, questiona o que é o “bom” e o que é o “mal”. Segundo ele, essas definições variam de acordo com a moral utilizada.

Ele introduz o conceito de “moral dos senhores” e “moral dos escravos”. O que é “bom” para o senhor é “ruim” para os escravos, e vice-versa. Ele defende que as civilizações começaram com a moral dos senhores, até o surgimento da moral dos escravos.

É como pegar uma tabela de valores e preencher os campos bons e maus. A moral dos escravos vira a tabela de cabeça para baixo, é uma inversão completa de todos os valores.

É uma leitura densa, pesada, demorei vários meses para conseguir terminar o livro, apesar de ter menos de 200 páginas. As frases resumidas abaixo correm o risco de simplificar demais os pensamentos polêmicos do autor. Então, fica a recomendação do livro, antes das 40 frases (mais ou menos).

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É um livro que causa fascínio em uns e repulsa em outros. É encantamento ou desespero, sem meio-termo!

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Supondo que a verdade seja uma mulher – não seria bem fundada a suspeita de que todos os filósofos entendem pouco de mulheres?

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Com o risco de desagradar a ouvidos inocentes eu afirmo: o egoísmo é da essência de uma alma nobre; aquela crença inamovível de que, a um ser “tal como nós”, outros seres têm de sujeitar-se por natureza e a ele sacrificar-se.

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Toda elevação do homem foi, até o momento, obra de uma sociedade aristocrática – e assim será sempre: de uma sociedade que acredita numa longa escala de hierarquias e escravidão em algum sentido.

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Digamos, sem meias palavras, de que modo começou na Terra toda sociedade superior! Homens, bárbaros em toda terrível acepção da palavra, homens de rapina, ainda possuidores de energias de vontade e ânsias de poder intactas, arremeteram sobre raças mais fracas, mais polidas, mais pacíficas, raças comerciantes ou pastoras. A casta nobre sempre foi, no início, a casta de bárbaros: sua preponderância não estava primariamente na força física, mas na psíquica.

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Numa perambulação pelas muitas morais, encontrei traços que se revelam dois tipos básicos. Há uma moral dos senhores e uma moral de escravos; acrescento que em todas as culturas superiores aparecem também tentativas de mediação entre as duas morais. No primeiro caso, os dominantes determinam o conceito de “bom”. A oposição “bom” e “ruim” significa tanto quanto “nobre” e “desprezível”. Despreza-se o covarde, o medroso, o mesquinho, o que rebaixa a si mesmo, o adulador que mendiga, e sobretudo o mentiroso.

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É diferente com o segundo tipo de moral, a moral dos escravos. Supondo que os violentados, oprimidos, prisioneiros, sofredores inseguros e cansados de si moralizem: o que terão em comum seus valores morais? Uma suspeita pessimista de toda a situação. O olhar do escravo não é favorável às virtudes do poderoso: é cético e desconfiado.

As propriedades que servem para aliviar a existência dos que sofrem são colocadas em relevo: a compaixão, a mão solícita e afável, o coração cálido, a paciência, a diligência, a humildade.

Aqui, “bom” e “mau”, no que é mau se sente poder e periculosidade, o “mau” inspira medo. O “bom”, é um homem inofensivo: é de boa índole, fácil de enganar, talvez um pouco estúpido, ou seja, um bom homem.

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A degeneração global do homem, descendo ao que os boçais socialistas veem hoje como o seu homem do futuro – como o seu ideal, essa degeneração e diminuição do homem, até tornar-se o perfeito animal de rebanho. Essa animalização do homem em bicho anão de direitos e exigências iguais é possível, não há dúvida!

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O amor ao próximo é sempre algo secundário, em parte convencional e ilusório, em relação ao temor ao próximo.

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Sobre a convicção do filósofo:

Adventavit asinus

Pulcher et fortissimus

[chegou o asno

belo e muito forte]

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Tudo o que ergue o indivíduo acima do rebanho é doravante denominado mau. A mentalidade modesta, equânime, submissa, a mediocridade dos desejos obtém fama e honra morais. 

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Os judeus, o povo eleito entre as nações, realizaram esse milagre da inversão dos valores, graças ao qual a vida na Terra adquiriu um novo e perigo atrativo por alguns milênios. Os seus profetas fundiram rico, ateu, mau, violento e sensual numa só definição. Nessa inversão dos valores, onde cabe utilizar a palavra pobre como sinônimo de santo e amigo, reside a importância do povo judeu. Com ele começa a rebelião escrava na moral.

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Demonstramos profunda incompreensão do animal de rapina e do homem de rapina (César Bórgia, por exemplo), incompreensão da natureza, ao procurar por algo doentio no âmago desses mais saudáveis monstros e criaturas tropicais, ou mesmo por um inferno que lhes seria congênito, como sempre faz todo moralistas.

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Sempre, desde que existem homens, houve também rebanhos de homens (clãs, comunidades, tribos, povos, Estados, igrejas) e sempre muitos que obedeceram, em relação ao pequeno número dos que mandaram -, é justo supor que, via de regra, é inata em cada um a necessidade de obedecer, como uma espécie de consciência formal que diz, você deve absolutamente fazer isso, e se abster daquilo.

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O surgimento de Napoleão é a história da superior felicidade que este século alcançou em seus homens e momentos mais preciosos.

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Todo espírito profundo necessita de uma máscara: mais ainda, ao redor de todo espírito profundo cresce continuamente uma máscara, graças à interpretação perpetuamente falsa de cada palavra.

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Como podem ser maldosos os filósofos! Não conheço nada mais venenoso do que a piada que Epicuro fez às custas de Platão e os platônicos: chamou-se de dionysiokolakes. Significa, em primeiro lugar, “aduladores de Dionísio”, ou seja, clientes de tiranos e puxa-sacos servis; além de tudo quer dizer que “são todos atores, nada neles é autêntico” (pois dionysokolax era uma denominação popular para ator).

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Independência é algo para poucos: é prerrogativa dos fortes. Quem procura ser independente sem ter a obrigação disso, demonstra que é não apenas forte, mas temerário além de qualquer medida. Ele entra num labirinto, multiplica mil vezes os perigos que o viver já traz consigo, se isola e é despedaçado por algum Minotauro da consciência.

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É inevitável que nossas mais altas intuições pareçam bobagens, delitos, quando chegam indevidamente aos ouvidos daqueles que não são feitos para elas.

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As religiões soberanas estão entre as maiores causas que mantiveram o tipo homem num degrau inferior. Destroçar os fortes, debilitar as grandes esperanças, tornar suspeita a felicidade da beleza, dobrar tudo que era altivo, viril, conquistador, dominador, todos os instintos próprios do mais elevado e mais bem logrado tipo homem, transformando-os em incerteza, tormento de consciência, autodestruição, mais ainda, converter todo o amor às coisas terrenas e ao domínio sobre a Terra em ódio a tudo terreno – esta foi a tarefa que a igreja se impôs.

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Foi uma sutileza que Deus aprendesse grego quando quis se tomar escritor – que o aprendesse melhor.

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Um povo é um rodeio que a natureza faz para chegar a 6 ou 7 homens.

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Tudo que é grande talvez tenha sido loucura no início.

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Ouço, com prazer, que o nosso Sol se dirige velozmente à constelação de Hércules: espero que o homem desta Terra siga o exemplo do Sol.

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Entre os chineses existe um provérbio que as mães ensinam às crianças de berço: “Faz pequeno o teu coração!”. Esta é, de fato, a tendência fundamental das civilizações tardias: não tenho dúvida de que a primeira coisa que um grego antigo observaria em nós, europeus modernos, seria também a autodiminuição.

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O homem que aspira a uma coisa grande considera todo aquele que lhe cruza o caminho, ou como um meio, ou como um obstáculo, ou descanso temporário.

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Os maiores acontecimentos e pensamentos são os últimos a serem compreendidos. As gerações que vivem no seu tempo não vivenciam tais acontecimentos – passam ao largo deles.

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Todo pensador profundo tem mais receio de ser compreendido do que de ser mal compreendido. Neste caso talvez sofra sua vaidade; mas naquele sofrerá seu coração.

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Devemos nos despedir da vida como Ulisses de Nausícaa – bendizendo mais que amando.

Nota: Referência à Odisseia. Ulisses parte para o caminho de casa, agradecendo à bela Nausícaa, princesa de um reino na qual ele se abrigou após um naufrágio.

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A loucura é algo raro em indivíduos – mas em grupos, partidos, povos e épocas é a norma.

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Apesar daquele filósofo que, como autêntico inglês, tentou difamar o riso entre as cabeças pensantes – “o riso é uma grave enfermidade da natureza humana, que toda cabeça pensante se empenharia em superar” (Thomas Hobbes) – eu chegaria mesmo a fazer uma hierarquia dos filósofos conforme a qualidade do seu riso, colocando no topo aqueles capazes da risada de ouro.

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Eu, o derradeiro iniciado e último discípulo do deus Dionísio, talvez eu pudesse enfim, caros amigos, lhes dar de provar um pouco dessa filosofia, tanto quanto me é permitido.

Nota. Dionísio (ou Baco, para os romanos) é o deus grego do vinho, natureza, fertilidade e alegria. Representa o Caos, o êxtase, embriaguez… Nietzsche sempre se diz discípulo de Dionísio. Afinal, é do caos que nasce uma estrela.

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Posfácio

O livro “Além do bem e do mal” foi recusado por várias editoras, sendo publicada às custas do próprio autor, em 1886. A tiragem foi de 300 exemplares. Em um ano, apenas 114 tinham sido vendidos, e 66 enviados para jornais e revistas. Talvez por isso, Nietzsche tenha dito que “somente encontraria leitores por volta do ano 2000”.

Hoje, este é considerado um dos grandes livros do Século XIX, segundo o crítico Walter Kaufmann; e Nietzsche, um dos mais polêmicos filósofos de todos os tempos.

Para mais conteúdo explosivo, vide:

https://ideiasesquecidas.com/2020/04/09/o-martelo-fala/

https://ideiasesquecidas.com/2018/06/03/o-anticristo-de-nietzsche-em-40-frases/

https://ideiasesquecidas.com/2017/12/13/o-crepusculo-dos-idolos-em-40-frases/

O segredo dos Dabbawallas, o melhor delivery do mundo

Na Índia, cinco mil dabbawallas (badda = caixa) entregam 200 mil marmitas, preparadas na mesma manhã na residência das pessoas e entregues no local de trabalho. À noite, a logística reversa: os dabbawallas devolvem as marmitas.

Na média, as marmitas percorrem 60 km, de bicicletas, trens, carrinhos ou a pé, envolvendo cerca de seis entregadores diferentes. Cada entregador carrega 65 kg!

Erros são inferiores a 1 em 6 milhões!

O segredo não é tecnologia. Não precisam de camadas complicadas de gerentes, nem de computadores com softwares avançados. Ninguém fez Design Sprint para desenhar o processo. Não há palestras motivacionais. O serviço existe há mais de 100 anos, com a mesma eficiência, utilizando cores e símbolos, já que boa parte dos entregadores não sabe ler.

O segredo é o comprometimento! O cliente é rei, já que entregar uma marmita errada é imperdoável, algo que mancha a imagem não só do entregador, mas do processo de entregas e da vila da onde vêm os entregadores (são quase todos do mesmo local de origem).

Um ponto que sempre comento. Muita gente sempre aponta sistemas computacionais como a solução. Para mim, é o exato oposto. O processo tem que ser bom, e depois puxar o sistema.

Processo >>> Sistema.

Links:

The secret to Mumbai’s dabbawalas | Financial Times (ft.com)

How dabbawalas became the world’s best food delivery system | The Independent | The Independent

Utter | From Dabbas to Facts! 10 Unknown Facts of Dabbawallas! | Utter (bewakoof.com)

Como resolver os Anéis Húngaros (parte 2)

Vide também Como resolver os Anéis Húngaros (parte 1) (ideiasesquecidas.com.

Vimos movimentos básicos no post anterior. Vamos ver algumas combinações mais avançadas.

A sequência 2R L | R L | 2R L | 2R L (não esquecer de desfazer os movimentos) tem o efeito mostrado na figura abaixo, de mover dois grupos de peças somente nas laterais.

Note o padrão. Se ao invés de 2, girar 3, a sequência vai atingir a casa inicial, a primeira adjacente e a terceira, conforme figura a seguir.

Para a sequência 3R L | 2R L | 3R L | 3R L, as casas iniciais, 2 e 3 serão atingidas.

O padrão continua válido para outras combinações deste tipo. Se eu inverter, L R, a mesma coisa é válida, porém espelhando o resultado.

Uma sequência especialmente importante é o seguinte, que troca 5 peças.

Ela é muito útil no final, quando podem ocorrer alguns “becos sem saída” de paridade.


Rotina da apoio

Apesar de ser possível explorar esses movimentos no braço, ou utilizando pedrinhas coloridas, dá muito trabalho.

Escrevi uma macro de apoio, no Excel, para testar o efeito da combinação de movimentos.

Apesar de não estar tão bonitinho, em dois anéis, é a mesma coisa – imagine que corto o anel no meio, e estico em duas fitas paralelas. Afinal, fiz isso para mim, e não para o público geral, rs. O mesmo está disponível em asgunzi/AneisHungaros (github.com).


Resolvendo os anéis húngaros

De posse de todo esse conhecimento, o procedimento é o seguinte. Resolver o terceiro anel, o que é tranquilo.

Depois, resolver as laterais dos 2 anéis restantes. Arrumar umas 9 peças ou mais. Isso é relativamente tranquilo também.

Ir resolvendo as laterais, via os movimentos básicos.

Resolver as peças centrais inferiores, a seguir. Uma combinação dos métodos básicos, e dos avançados descritos são suficientes. De vez em quando, é necessário virar o tabuleiro de cabeça para baixo, e aplicar o movimento de paridade (troca 5 peças), para arrumar.

As casas restantes também podem ser resolvidas com os métodos descritos. Quando surgirem posições “impossíveis” (todas as casas de cima estiverem com a mesma cor, por exemplo), usar o movimento de paridade, para ir arrumando o resultado.

A sugestão é treinar bastante os movimentos básicos, entender como eles funcionam, e aí passar para os mais avançados.

É um pouco mais simples de enxergar as causas e efeitos, em relação ao Rubik tradicional.

Bom divertimento.

Para cubos mágicos e outros puzzles combinatórios, vide:

Cubos Mágicos (ideiasesquecidas.com)

Homenagem a Marcos Gabriel

É com muito pesar que recebo a notícia do falecimento do amigo Marcos Gabriel Braz de Lima, com apenas 24 anos. Era um jovem extremamente curioso, que corria atrás para fazer acontecer e tinha um futuro brilhante pela frente.

Tudo começou quando me chamaram para ver a entrevista dele. “É uma pessoa fora da curva, dá uma olhada” – disse meu amigo Felipe Faria. E, realmente, ele tinha um brilho nos olhos ao ouvir sobre os trabalhos que fazíamos.

Ele acabou indo para a unidade de Santa Catarina, e ajudou a melhorar os trabalhos ali. Ele fez uma rotina em Python que automatizava um processo manual que eles faziam, por exemplo.

Era um jovem com muitas dúvidas, sobre vida, carreira. Sempre tive diálogos de alto nível com ele. Reproduzo alguns pontos abaixo, para imortalizar a sua memória.

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Sobre habilidades soft x hard.

Ele tinha ouvido uma palestra, que enfatizava a importância do soft skill. Porém, na visão dele, toda a sua trajetória até então tinha sido voltada mais para o hard skill.

Minha resposta foi que tem lugar para todo tipo de gente no mundo. Ele tem que ser fiel à si mesmo, não adianta tentar emular outra pessoa.

Há habilidades principais e acessórias. O núcleo tem que ser o que ele é melhor, o seu ponto mais forte. Se for hard, que seja. Tem trabalhos necessariamente muito hard skills. Uma otimização combinatória pesada, vai ser hard, não tem jeito.

Ex. Se a pessoa é nota 7 em hard e 3 em soft, é melhor tentar ser 10 em hard e 5 em soft (o mínimo para passar de ano), do que tentar focar só no soft. Vai acabar com 5 em hard e 5 em soft, ou seja, será alguém mediano.

Habilidades acessórias são importantes para complementar a formação, ter o mínimo.

Habilidades importantes que recomendo para todo mundo são de comunicação e negociação. Há vários cursos gratuitos na internet sobre ambos. Todo mundo precisa dessas duas habilidades.

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Sobre estudos.

“Sempre gostei de aprender coisas novas. Meus amigos acham que eu sou um pouco doido porque estudo muito. Costumo passar férias e finais de semana estudando coisas novas. Mesmo na faculdade, com carga horária muito pesada, quando aparecia uma folga, eu ia estudar alguma coisa que tinha muito interesse, pelo simples prazer de aprender mesmo.”

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Sobre projetos.

Ele estava gerenciando um projetinho de RPA (robot process automation), e estava se perguntando quando chegaria a fazer projetos grandes, de nível nacional.
“Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas. Até porque são elas que nos movem, né? Respostas são importantes, mas nem tanto assim…”

Minha resposta foi que o mundo é cíclico e não-linear.

Você faz um excelente trabalho puramente técnico hoje, daqui a pouco vai estar fazendo trabalhos maiores e maiores. De repente, vai estar dando saltos, gerenciando projetos enormes, sem nem perceber.

Então, faça o melhor possível, seja o trabalho pequeno ou grande. Aprenda com o projeto pequeno, pense em formas de escalar o mesmo.

Ajude os outros a evoluir, isso volta para você de alguma forma, um dia.

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Sobre filosofia.

Sendo alguém muito curioso, ele gostava de estudar economia, ciências, tudo. Naturalmente, a filosofia é o tema final, do sentido das coisas. Estudar filosofia é muito bom, mas a pessoa tem que ter alguma bagagem, tem que ter passado por algumas etapas da vida. Na minha visão, todo mundo deveria estudar filosofia ao completar 40 anos.

A última mensagem que tenho do Marcos Gabriel é:
“Não vejo a hora de completar meus 40 anos para começar a estudar filosofia.”

Obrigado por tudo, Marcos.

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https://ufla.br/noticias/institucional/14214-nota-de-falecimento-estudante-marcos-gabriel-braz

https://www.sitedelinhares.com.br/noticias/policia/jovem-que-desapareceu-apos-a-morte-da-mae-e-encontrado-morto-e-irmao-confessa-crime

Como resolver os Anéis Húngaros (parte 1)

Eu ganhei da minha esposa o puzzle abaixo. O fabricante (Gemini) chamou o mesmo de “Anéis II”, provavelmente porque a versão “Anéis I” tem dois anéis, enquanto “Anéis II” tem três anéis.

Uma informação preliminar. Podem ter 3 anéis ou 200, que dá na mesma. É muito fácil resolver os anéis adicionais, recaindo na versão original, com 2 anéis.

Esquematicamente:

(nota: colori só as peças que interessam para entender os algoritmos a seguir)

Posteriormente, fiquei sabendo que o puzzle é conhecido como “Anéis húngaros”.

Bagunçado, fica assim:

Segue a minha resolução, em duas partes. Uma nota: não sei qual a notação nem a solução “oficial”. Eu gosto de explorar e criar as minhas soluções, que não serão necessariamente as melhores nem as mais elegantes. Porém, gosto de registrar o passo-a-passo do raciocínio envolvido. Para outros puzzles combinatórios, vide Cubos Mágicos (ideiasesquecidas.com).

Notação

Chamo de R o movimento horário do anel da direita, e L o anti-horário da esquerda.

Analogamente, R’ (ou S) e L’ (ou M), para os inversos dos movimentos.

Movimentos simples

Neste tipo de puzzle, é interessante fazer e desfazer os movimentos e anotar os resultados.

Começando do mais simples possível: faço RL – e depois, desfaço – SM.

Seis bolinhas são afetadas, três na parte superior e três na inferior. A superior ‘gira’ no sentido horário, e a inferior, no anti-horário.

A foto ilustra o movimento RL.

O segundo movimento mais simples é o 2R 2L – ou seja, duas rotações da direita e duas da esquerda. Depois, desfazer tudo.

Note que há um padrão. São seis bolinhas também, o grupo de cima girando no sentido horário e o segundo, no anti-horário. A diferença é que as bolinhas afetadas estão espaçadas em duas casas.

Seguindo o padrão, o 3R 3L vai afetar de 3 e 3.

Foto do movimento 3R 3L:

A lógica continua a mesma para 4R 4L, e outros. E também, se eu fizer o inverso (LR, ou 2L2R), as casas envolvidas serão as mesmas, porém, vai ‘girar’ no sentido oposto.

O caso 5R 5L é patológico. Não segue o padrão acima. Isso porque o 5R 5L faz coincidir a casa atingida pelo anel direito e a casa atingida pelo anel esquerdo.

O efeito é mapeado a seguir.

Movimentos assimétricos

Evoluindo dos movimentos mais simples mostrados acima, é possível fazer uma gama de movimentos assimétricos (número de giros à direita e à esquerda diferentes).

O mais simples é o R 2L.

Note o padrão. Girei R uma vez, então teve a casa na distância 1 atingida. Girei L duas vezes, então a casa na distância 2 foi atingida.

Foto do movimento R 2L.

O mesmo padrão continua valendo para outras combinações.

Exemplo. R 3L:

Foto do R 3L.

São muitas combinações possíveis: 3L 2R, 4R 3L, etc…

O que deve ficar claro é o padrão.

E é esse o espírito deste tipo de puzzle. Movimentos que vão e vêm, e identificar padrões.

Somente com os movimentos acima, é possível (quase) resolver os anéis húngaros.

No próximo post, como elencar esses movimentos todos, e alguns mais avançados, principalmente para problemas de paridade.

Link da parte II:

Como resolver os Anéis Húngaros (parte 2) (ideiasesquecidas.com)

“Guns, Germs and Steel” and Lean

Por que Francisco Pizarro conquistou o império inca, e não o inverso (o império inca conquistou a Europa?). O meu amigo Diego Piva faz uma análise, baseado no livro “Armas, Germes e Aço”, de Jared Diamond.

Aprende e passa

O livro Guns, Germs, and Steel – Jared Diamond, é um clássico que discorre sobre os motivos pelos quais povos de determinadas regiões do globo dominaram o planeta inteiro, extinguindo outras sociedades, línguas, costumes…

Em determinado momento do texto é feito um questionamento que chega a dar um nó na mente. Após descrever como aconteceu a conquista de Francisco Pizarro sobre o império Inca a pergunta feita foi, mas por quê ao invés disso não tivemos Atahuallpa (imperador Inca) invadindo a Europa?

A primeira resposta é que os Europeus possuiam:

  • Germes – eram vetores de diversas doenças às quais os indígenas não possuíam resistência, levando-os assim a morte ou debilitando-os em batalhas;
  • Armas de fogo, espadas e armaduras – que eram muito mais eficientes em batalha que as armas Incas.

Mas por que os Europeus possuíam e os Incas não? Algo que o autor já deixa bem claro é que…

Ver o post original 293 mais palavras

5 regras para a vida

Cada um de nós é livre para escolher as regras que melhor cabem para guiar a sua vida.

Neste começo de ano, escolha as suas próprias regras.

Regras para a vida, de Arnaldo Gunzi.

1 – O mundo é cíclico
2 – Resultados são não-lineares
3 – O longo prazo chega um dia
4 – A felicidade está no caminho
5 – Somos feitos do que pensamos


1 – O mundo é cíclico


O mundo é cíclico. Causas geram consequências, talvez não imediatamente, mas um dia, de alguma forma, as sementes geram frutos.

É como empurrar água numa banheira: ela vai, bate na borda e retorna em seguida.

Jogamos jogos iterativos, uma, duas, centenas de milhares de vezes, com outras pessoas que habitam este planeta.


2 – Resultados são não-lineares

Ações são lineares, porém resultados são não-lineares.
Só conseguimos agir linearmente – ou seja, um pouco por dia. Mesmo fazendo muita coisa por dia, o limite é de 24h.

No entanto, esse um pouco por dia, por vários dias, num mundo cíclico, gera o efeito dos juros compostos.

Já dizia Einstein que os juros compostos são a força mais poderosa do universo. Juros sobre juros, resultados sobre resultados, crescendo exponencialmente.

O efeito é que os resultados serão invisíveis no dia-a-dia, por muito tempo, fazendo-o questionar: “Para que tanto esforço?”

Até que, um dia, os resultados chegam. É como se fosse uma função não-linear, descontínua, aos saltos.

Ciclos podem ser virtuosos ou viciosos. Ciclos virtuosos são para cima. Em geral, é muito difícil subir, temos a gravidade se opondo.

Ciclos viciosos são o oposto, para baixo. Novamente, o resultado não virá no dia, mas no acúmulo dos dias, meses e anos. Quando a pessoa percebe, está numa armadilha difícil de sair. É extremamente mais fácil descer do que subir. Tais ciclos devem ser interrompidos imediatamente, sob o risco de se tornarem intransponíveis com o tempo.

Sub-tópico: Alavancagem. Alavancar é tomar emprestado a força de outros, seja na forma de trabalho (terceirização, por exemplo), dinheiro (investimento) ou know-how. A alavancagem acelera os ciclos, é como se o expoente fosse um número maior (para bem ou para o mal).

Como disse Arquimedes: “Dê-me uma alavanca e moverei o mundo”.

Sub tópico: as regras não estão escritas. Não há um livro que contenha as regras absolutas do que vai dar certo e o que não vai.


3 – O longo prazo chega um dia


Neste mundo cíclico e não-linear, ficamos impacientemente esperando pelos resultados. Estes não virão a curto prazo, só a longo prazo.

O longo prazo pode ser vários anos. Ou décadas, muitas décadas.

No xadrez, o ser humano tem capacidade de analisar algumas poucas jogadas à frente. Já um computador pode analisar centenas de jogadas. O ser humano faz uma jogada que maximiza o resultado de curto prazo. Já um bom software pode fazer jogadas estranhas a curto prazo, porém boas a longo prazo. Hoje em dia, nenhuma pessoa consegue vencer os computadores no xadrez.

Ganhos de curto prazo podem satisfazer o nosso ego, encher os nossos receptores de prazer e satisfação. Tal como uma “escapadinha” pode gerar satisfação momentânea, porém problemas conjugais e filhos rejeitados, que se perpetuarão pelos anos vindouros.

No longo prazo, os resultados do mundo cíclico são exponenciais.


No final do dia, o longo prazo é que conta de verdade.

4 – A felicidade está no caminho


Trabalhamos, estudamos e nos esforçamos tanto para conseguir o nosso lugar ao Sol neste mundo.

O que não percebemos é que não é conquistar isso tudo que nos trará felicidade.

É como se estivéssemos escalando uma montanha, e após conseguir, avistamos outra montanha, maior ainda, e outra, e outra.

Passar pelo colégio, depois pela graduação, conseguir uma boa colocação, família, outra colocação melhor, viajar para fora, pós-graduação, resolver problemas de saúde, resolver problemas na família. São inúmeros pratos girando, e se todos estiverem ok, procuramos mais pratos para girar, até o ponto em que algum deles começa a cair.

O mito grego de Sísifo remete a um condenado pelos deuses a rolar uma pedra morro acima. É uma pedra enorme, e Sísifo faz um esforço tremendo para conseguir o feito. Porém, no exato momento em que ele consegue o objetivo, a pedra rola para baixo, para o ponto inicial, obrigando-o a começar tudo de novo, todos os dias, todas as décadas, eternamente.

O escritor francês Albert Camus reinterpretou o mito de Sísifo, acrescentando um final um pouco diferente: nota-se um leve sorriso em Sísifo, no momento em que ele está concentrado, rolando a pedra morro acima.

A felicidade está no caminho percorrido, e não no final. O momento é aqui, e agora.


5 – Somos feitos do que pensamos

Assim como o nosso corpo é constituído daquilo que comemos, a nossa mente é feita do que consumimos.

O fast-food da mente são a mídia vazia que invade as múltiplas telas de nossos lares: aquele vídeo sensacionalista, a foto da comida do restaurante bacana que o primo postou, o boato atacando x ou y, a fofoca que não melhora o mundo em nada, os famosos que mostram a bunda em troca de likes…

Consumas desgraças e serás apenas desgraça. Consumas futilidade, serás outra.

Assim como uma alimentação de qualidade necessita de tempo e esforço na preparação, bons pensamentos exigem uma quantidade enorme de trabalho para serem selecionados e digeridos. Bons livros (em papel ou digitais), bons professores, grandes nomes para seguir, bons grupos para entrar.

É como se o software modificasse o hardware. Os pensamentos (software) vão alterando as redes neurais, um pouquinho por vez, até o momento em que o cérebro todo (hardware) está reconectado com a nova realidade.

Sub tópico. Diga-me com quem andas, e direi quem és. A boa frase continua tão válida hoje quanto no passado, aliás será válida para todo o sempre. Não se associe ao vampiros emocionais que vão sugar a sua energia. Não se associe à sociopatas que querem o seu trabalho em troca de nada. Não se associe àqueles que têm satisfação em ver o outro para baixo (porque, dessa forma, sentem-se superiores). Não se associe à cínicos, pessimistas crônicos, ou pessoas de mau caráter. Associe-se a quem vai te jogar para cima.


Conclusão. O grande filósofo Friedrich Nietzsche disse algo assim. É como se estivéssemos numa margem de um rio enorme, e tivéssemos que atravessar para o outro lado. Há algumas pontes construídas ao longo do rio. Porém, utilizar a ponte tem um pedágio, e o preço é a sua alma…


Construa o seu próprio barquinho para realizar a jornada.

Recomendações: o Estado independente e o Lápis

Duas recomendações de mídia.

  1. A incrível história da Ilha das Rosas

É a história de um engenheiro excêntrico (para não dizer totalmente maluco), que criou uma plataforma de 400 m² no mar, a 12 Km da cidade de Rimini, alguns metros além do limite territorial italiano.

A seguir, ele se autoproclamou presidente deste estado independente, e tentou conseguir reconhecimento das Nações Unidas. Em pouco tempo, centenas de pessoas começaram a visitar a ilha, e até a pedir cidadania neste país sem leis! O engenheiro acabou causando uma confusão enorme com as autoridades italianas… Vejam o filme para saber o final da história.

Apesar de completamente surreal, o filme é baseado numa história verdadeira!

Trailer:

Disponível na Netflix.

Imagem da plataforma real da Ilha das Rosas. Fonte: Mar sem Fim

Aventuras na História · Micro-nação no mar: a verdadeira saga por trás de ‘A Incrível História da Ilha das Rosas’, da Netflix (uol.com.br)

2) Eu, Lápis.

Nenhuma pessoa sozinha é capaz de fazer um lápis.

Para fazer um simples lápis, necessitamos de diversos materiais: madeira, grafite, borracha, metal.

“Imagine um cedro nascido da semente que cresce no nordeste da Califórnia e no estado do Oregon. Agora visualize todas as serras e caminhões e cordas e outros incontáveis instrumentos usados para cortar e carregar os troncos de cedro até a beira da ferrovia. Pense em todas as pessoas e suas inumeráveis capacidades que concorreram para minha fabricação: a escavação de minerais, a fabricação do aço e seu refinamento em serras, machados, motores: todo o trabalho que faz com que as plantas passem por vários estágios até se tornarem cordas fortes e pesadas; os campos de exploração de madeira com suas camas e refeitórios, a cozinha e a produção de toda a comida para os lenhadores. Milhares de pessoas têm participação em cada copo de café que os lenhadores bebem.”

Eu, Lápis, é um pequeno conto de Leonard Read. A animação abaixo tem 6 minutos e resume bem o texto, destacando a enorme especialização do trabalho dos dias atuais, e a não-existência de uma entidade central coordenando tudo.

https://www.mises.org.br/article/810/economia-em-um-unico-artigo%E2%80%94eu-o-lapis

Ficam as dicas, para esse recesso de fim de ano!

Naval sobre Educação

Fechando a série de postagens das ideias do empreendedor Naval Ravikant, uma reflexão sobre Educação.


A educação gratuita é abundante, por toda a Internet. É o desejo de aprender que é escasso.

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EDUCAÇÃO ATUAL


Os supereducados são piores do que os subeducados, tendo trocado o bom senso pela ilusão do conhecimento.


Qual é o propósito do nosso sistema educacional atual?

Não há dúvida, é completamente obsoleto. O sistema educacional é um resultado caminho-dependente da necessidade de cuidado intensivo. Da necessidade de prisões para homens universitários que de outra forma invadiriam a sociedade e causariam muitos estragos.


Faculdade e escolas vêm de uma época em que livros eram raros. O conhecimento era raro.
O que importava para as escolas era cuidar das crianças enquanto os pais iram trabalhar.

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O que mudou desde então que tornou o nosso sistema educacional atual obsoleto?

Agora temos a Internet, que é a maior arma de conhecimento já criada, completamente interconectada. É muito fácil de aprender. A capacidade de aprender, os meios de aprendizagem, as ferramentas de aprendizagem, são abundantes e infinitas. É o desejo que é incrivelmente escasso.
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Não havia tal coisa como aprendizagem autodidata. Agora, se você realmente tem o desejo de aprender, tudo está na Internet. Você pode ir na Khan Academy. Você pode obter palestras do MIT e Yale online. Você pode ler blogs de pessoas brilhantes. Você pode ler todos os grandes livros.

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Qual o valor que nosso sistema educacional atual fornece, se houver?

O único benefício da escola hoje é a socialização. Isso cria a socialização porque as crianças querem estar ao redor de seus pares e querem aprender a agir na sociedade.

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O que precisa mudar sobre como aprendemos?


Em uma era de Google e smartphones, a memorização é obsoleta. Por que você deveria estar memorizando a Batalha de Trafalgar? Nós ainda colocamos peso indevido sobre isso, porque era assim quando vivíamos em um mundo pré-Google.

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Gosto de pensar que se eu estivesse na escola hoje, minha resposta a muitos testes seria “Deixe-me pesquisar isso para você…”

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O que precisa mudar sobre o que aprendemos?

Eu acho que aprender deve ser sobre o básico em todos os campos e usá-los muito bem.

A vida é principalmente sobre aplicar o básico e apenas fazer o trabalho avançado nas coisas que você realmente ama, e onde você entende o básico de cima para baixo. Não é assim que nosso sistema é construído.

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No que você se concentraria, se estivesse criando um currículo escolar?

Eu provavelmente otimizaria para felicidade, nutrição e exercício.

Mostre-lhes respostas para “Como você constrói bons hábitos?” “Como você quebra maus hábitos?” “Como você tem bons relacionamentos?” “Como você constrói habilidades básicas?”

Eu provavelmente gostaria que eles dirigissem uma barraca de limonada ou uma pequena empresa e ganhariam dinheiro para que eles possam entender como isso funciona. Peça-os trabalhar em algo relacionado à caridade, ou levá-los para o terceiro mundo e mostrar-lhes sofrimento, sofrimento verdadeiro, para que eles possam obter algum contexto. Eu provavelmente ensinaria eles a falar em público, escrever negócios, persuasão básica.

Talvez um pouco de programação em cima de leitura, escrita e aritmética.

Eu provavelmente eliminaria pedaços de geografia, história, e honestamente até mesmo segunda ou terceira línguas. Música, a menos que tivessem inclinações musicais. Eu sei que isso vai aterrorizar algumas pessoas, mas a questão é, “O que você enfatiza?” Inicialmente não é bom educar todas as crianças em cada coisa. Você tem que descobrir, “Qual é a aptidão delas?”

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Muita literatura na sociedade moderna, mas não matemática suficiente.

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Codificação é a nova alfabetização.

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Como podemos criar escolas mais eficazes?

“As escolas substituem a curiosidade pela conformidade.”


Quando eu penso na minha própria educação, muito disso foi, “Sente-se.” “Cale a boca”. “Levante a mão para ir ao banheiro.” “Não, você deve memorizar isso, mesmo que não faça sentido para você agora.”

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Com as crianças, você só tem que alimentar a curiosidade deles. Todas as crianças realmente inteligentes que conheço são essencialmente autodidatas, auto-aprendizes. Você não pode forçar uma criança a ser uma auto-aprendiz, tudo que você pode fazer é alimentar sua curiosidade. Por exemplo, se eles querem pegar o violão, pegue um violão. Se eles querem ir para uma aula de futebol, tenha uma aula de futebol. Se eles não querem jogar futebol, não os force a jogar futebol.

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Por que a curiosidade é tão importante?

Um dos maiores problemas que tenho com o sistema educacional é quando as pessoas se formam na faculdade, elas param de aprender. Não é culpa delas. é só que elas têm sido ditos todos os anos, todos os meses, “leia isso, faça esse dever de casa, faça esse assunto, agora cubra isso”.

Então, de repente, tudo isso é tirado, e muito traumaticamente você é jogado na força de trabalho e diz: “Agora levante-se de manhã, você tem que estar acordado às 8, você não pode sair de suas mesas até 6 ou 7, se você acha que é bobagem e você não está aprendendo nada.”
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Seguindo em frente desde a educação infantil, quais são seus pensamentos sobre o ensino superior, faculdades e universidades?


Temos essa ideia legada: a única maneira de ser devidamente educado é a universidade.

Na verdade, não sou um grande fã do sistema universitário atual, pelo menos em termos do custo que ele impõe a vocês tanto em termos de custos de oportunidade e custos financeiros. Em troca, você tem credenciamento e uma rede de ex-alunos, mas você passou quatro anos de sua vida e uma enorme quantidade de dinheiro.

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Universidade é sobre filtrar pessoas inteligentes e credenciá-las para que um empregador possa dizer: “Oh sim, essa pessoa foi para uma boa universidade, eles provavelmente são muito inteligentes.” Eles meio que aceitam ser uma classe de elite.

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É possível fazer tudo sozinho?

Pelo menos no ambiente de programação, você pode ficar por conta própria até certo ponto.

Uma rede de ex-alunos seria um pouco difícil de construir, mas se você conseguir um bom estágio ou um bom emprego, você pode apenas querer cair direto nisso. Mas, obviamente, isso só se aplica a pessoas excepcionais.

Então, se você vai para a universidade, a primeira regra é: aprender coisas que você não pode aprender sozinho. Porque a maioria das coisas você pode aprender sozinho em casa.

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Qual foi sua experiência na faculdade, e o que você faria diferente se fosse para a faculdade hoje?

Fui para Dartmouth, estudei Ciência da Computação e Economia. Comecei em Física, mas foi muito difícil. Então eu mudei para inglês e história. Minhas notas eram fantásticas, foi muito fácil. Disseram-me que eu devia ser professor de inglês.

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A realidade é que eu poderia ter feito isso por diversão. Eu poderia ter lido esses livros no meu tempo livre. Não há necessidade de ir à escola para isso. Se você vai para a faculdade, aprenda algo que não pode aprender sozinho.
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O que as pessoas devem aprender na faculdade hoje, que não podem aprender sozinhas?

Para a maioria das pessoas, isso significa matemática, programação, física. Significa ter acesso às ferramentas, pessoas, rigor, disciplina e exercícios para aprendê-las bem.

Aprendam matemática, crianças. Falar a língua da natureza é o superpoder final.

Agora, se você está no nível onde você pode aprender as disciplinas acima por conta própria, então você pode não precisar ir para a universidade. Além disso, você não pode obter treinamento médico de alta qualidade por conta própria em seu quintal. Então você tem que ir para a escola para alguns, mas é um conjunto bastante estreito de coisas.


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Para a maioria, você não precisa ir para a escola. Eu amo filosofia, metade dos livros que estou lendo a qualquer momento são essencialmente livros de filosofia, mas eu não estaria estudando filosofia na escola.

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Estudamos ciências para aprender a conseguir o que queremos. Estudamos filosofia para saber o que querer em primeiro lugar.

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Dado o valor que muitas pessoas ainda colocam para obter um diploma universitário, você vê uma alternativa?


Temos que separar a credencial da educação. Filtragem, credenciais e educação são coisas diferentes.

Qualquer um deve ser capaz de fazer um teste que prove que eles são bons o suficiente e obter um selo; Não importa se eles foram para Harvard, ou eles foram para a escola local, ou eles não foram para a escola. Você precisa desse tipo de sistema para emergir. Isso vai começar a resolver o problema da universidade.


Se o objetivo principal da escola era a educação, a Internet deveria torná-la obsoleta. Mas a escola é principalmente sobre credenciamento.

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Ainda hoje, o que estudar e como estudar são mais importantes do que onde estudar e por quanto tempo.

Os melhores professores estão na internet. Os melhores livros estão na Internet. Os melhores pares estão na Internet.


As ferramentas para o aprendizado são abundantes. É o desejo de aprender que é escasso.

Credenciais educacionais são crachás que admitem um para a classe de elite. Espera-se que as elites se esforcem poderosamente para justificar o sistema atual.
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Eventualmente, a maré da Internet e empregadores racionais e auto-interessados criarão e aceitarão credenciamento eficiente…

As universidades limitam artificialmente o número de graduados, mantêm os preços das mensalidades altos e fornecem ajuda financeira suficiente para se qualificarem como organizações sem fins lucrativos.

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FUTURO DA EDUCAÇÃO


A Internet vai obsoleto o sistema de educação industrial, assim como está obsoleto todos os outros fornecedores físicos de bens de informação.


Deixe-me fazer uma experimento mental:


Suponha que todos no mundo tinham o máximo de conhecimento prático. Todo mundo poderia ir criar hardware e robôs. Todo mundo pode escrever código, todo mundo poderia investir dinheiro, e todos nós poderíamos fazer matemática. Então, se fomos todos educados, então o que acontece?

Acho que dentro de cinco anos, os robôs farão todo o trabalho manual, e todos nós faremos um trabalho criativo.

Acreditar que a tecnologia criará desemprego permanente é o mesmo que acreditar que as pessoas não podem ser educadas para construir tecnologia.
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A tecnologia torna obsoleto empregos, mas não há limites superiores em número de empregos tecnológicos em si. Deslocamento temporal, não permanente.
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Qual é a habilidade mais importante para as pessoas ganharem hoje para maximizar seus conhecimentos práticos?

As pessoas que não são tecnicamente alfabetizadas estão sendo deixadas para trás. Acho que uma das maiores coisas de caridade que podemos fazer hoje é descobrir como retreinar as pessoas para se sentirem confortáveis com a tecnologia. O computador é a ferramenta mais poderosa para a criatividade, o mais poderoso multiplicador de força inventado desde o machado de pedra. E você não precisa da permissão de outro humano para usá-lo.

Algum dia, não ser proficiente com computadores será considerado uma forma de analfabetismo.

Tecnologia é a aplicação do conhecimento para controlar o mundo natural. É o maior motor da prosperidade humana e da nossa capacidade de auto-aniquilação.

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O aumento do preço do petróleo nos deu fracking (gás de xisto). O aumento do preço do trabalho não qualificado nos dará robôs. A educação é difícil, mas a única saída.

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Você tem alguma ideia de produto própria para criar uma alternativa nova ao sistema atual?

Para isso, o que eu adoraria fazer é criar um tablet Android muito barato, de baixo custo, muito robusto, facilmente alimentado e barato, difícil de destruir, e basicamente distribuí-los ao redor do mundo com aplicações de aprendizagem pré-instaladas, para que você possa literalmente ligar um e ele funciona com você interativamente. Em 30 segundos, ele descobre em que língua você fala e em que nível de aptidão você está. Você é um aluno da 3ª série, aluno da 5ª série? Claro, varia de acordo com a disciplina. Então ele permite que você mergulhe e deixe você aprender qualquer coisa que você quiser que vai tornar sua vida melhor.


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Essencialmente, você poderia conectar todos os professores do mundo e todos os alunos do mundo usando tablets e fazê-lo no ritmo e nível onde ele é essencialmente personalizado para cada criança. Eles aprenderão as coisas que têm um resultado prático em suas vidas.

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Imagine uma escola online onde os melhores cientistas ensinam um milhão de crianças a custo marginal zero. Adicione testes rigorosos, diplomas. Adeus faculdade.

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Para todos dizendo que a faculdade é sobre conexões e coisas suaves – claro, mas há maneiras de fazer isso sem US$ 200 mil e 4 anos.

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Coisas como história, geografia, até literatura — você pode ler isso por conta própria. Há uma tonelada de literatura incrível que recomendamos que você leia nas horas vagas, quando você está enrolando em um sofá.

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Há uma demanda ilimitada por grandes programadores. O conjunto de programas úteis e complexos é quase infinito.

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A escola ideal ensinaria saúde, riqueza e felicidade.


Seria livre, auto-acelerado, e disponível para todos.

Mostraria ideias opostas e os alunos auto-verificariam a verdade.

Sem notas, sem provas, sem diplomas – só aprendendo.

Na verdade, você já está aqui.

Cuidado com quem você segue.

Mais autodidatas brilhantes existem hoje, graças à Internet, do que em qualquer outro momento da história humana.

Veja mais:

Como ficar rico (sem ter sorte) (ideiasesquecidas.com)

Naval sobre saúde, morte e meditação (ideiasesquecidas.com)

Naval sobre riqueza e felicidade (ideiasesquecidas.com)

Naval sobre startups (ideiasesquecidas.com)