Divulgando iniciativa dos amigos da BR Quantum

Fontes – Advanced Analytics e AI

Compartilhando algumas boas fontes de Advanced Analytics e AI que utilizo, e solicito ajuda de vocês, para indicar outros links legais e pessoas a seguir.

O Exponential View envia um newsletter com gráficos extremamente bonitos e análises diversas.
https://www.exponentialview.co/

Na plataforma Medium, é possível ler e escrever sobre temas de interesse. Esses artigos são reunidos em revistas, com uma excelente curadoria de conteúdo. https://medium.com/

John D. Cook tem um blog e twitter de alto nível, sobre matemática e programação https://www.johndcook.com/blog/

Instituições: A brasileira SOBRAPO (https://sobrapo.org.br/) e a americana Informs (https://www.informs.org/) são referência em eventos e publicações de Pesquisa Operacional, um pouco mais tradicionais. Já a Association For The Advancement Of Artificial Intelligence é voltada à IA https://www.aaai.org/.

Sobre Quantum computing:

Para fechar, é claro, sigam o meu blog de Ideias Técnicas com uma pitada de filosofia: https://ideiasesquecidas.com/

Fiquem à vontade para sugerir outras fontes.

O Poder da Geografia – Austrália

Para os amigos que se interessam por Geografia e História, uma recomendação: “O Poder da Geografia”, de Tim Marshall, um dos maiores especialistas do mundo sobre o tema.

Neste livro, ele aborda a Austrália, Sahel, Grécia, Turquia, UK, Irã, Etiópia, Arábia Saudita, Espanha e o Espaço.

Segue um pequeno resumo sobre a Austrália.

A Austrália foi de lugar nenhum para ponto estratégico na história.

Perto da China, acesso aos EUA e ao Oceano Pacífico.

De ilha de prisioneiros a nação de primeiro mundo, multicultural.

Área desértica ocupa mais de 70 por cento da ilha. Todos os rios juntos tem vazão menor que Yang Tsé, por exemplo.

Sobre ondas de imigração. A primeira carga de prisioneiros chegou em 1788. Muitos brancos britânicos, depois aceitação maior de outros habitantes. A corrida do ouro ajudou a aumentar a imigração. Hoje, aumento da participação de asiáticos, como chineses, até pela proximidade.

A Austrália está sofrendo com mudanças climáticas. Seca, propensão a incêndios florestais, como um que ocorreu em 2009, piorando a poluição do ar.

Para piorar o impacto ambiental, a tendência é ir de 25 para 40 milhões de habitantes no futuro.

Sobre energia. Por ser muito plano, não há potência hídrica. Mas há abundância de carvão, que é uma indústria importante. Porém, isso agrava problemas climáticos.

Há diversos grupos de aborígenes. Desde as primeiras colônias, houve aniquilação de aborígenes, que mal eram considerados humanos, luta que continua até hoje.

A Austrália sempre se aliou a potências. UK. EUA. Agora, ascensão da China. Estudantes chineses na Austrália, são mais de 30 por cento do total. 1/3 das exportações são para a China. O futuro da Austrália pode ser cada vez mais chinês.

Links da Amazon:

O Poder da Geografia https://amzn.to/2XpbO6l

Prisioneiros da Geografia https://amzn.to/3CrmOzf

Senos de inteiros

Padrões interessantes surgem, quando plotamos a função seno para números inteiros [sin(1), sin(2), sin(3), …, sin(N)].

Painel interativo aqui:
https://asgunzi.github.io/Senos-inteiros/index.html

Para N = 500, aparecem alguns hexágonos.

Para N = 1000, fica mais evidente.

Para N = 2000:

Para N= 5000:

A mesma coisa, mas com o eixo X em escala logarítmica.

Achei bonito o padrão formado, e resolvi fazer os gráficos.

Este post é baseado em artigo de John Cook, referenciado abaixo.

Veja também:

O time de 1 bilhão de euros e o funil estreito

Pep Guardiola é o técnico do Manchester City, time avaliado em 1 bilhão de euros. (Obs. 1 libra = 1,17 euros).

https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2021/08/17/city-lidera-lista-de-clubes-com-os-elencos-mais-valiosos-psg-e-o-3.htm

Já ouvi comentários do tipo: “com 1 bilhão de euros, até eu sou técnico”. Isso pode até ser verdade, um time desses joga praticamente sozinho. Porém, a pergunta de verdade a se fazer é exatamente a contrária.

Imagine o grupo de acionistas de um patrimônio tão enorme. A quem eles confiaram o comando do time? A um aventureiro qualquer? Ao Joel Santana? Ou ao Guardiola? Obviamente, o escolhido será quem já provou entregar resultados em alto nível.

É o mesmo para CEO de grandes empresas, posições importantes, etc…

Porém, isso cria um funil estreito: só tem a posição quem já entregou resultados, porém, para entregar resultados é preciso ter a posição.

Como o funil é estreito, salários e atenção da mídia tendem a focar nesses superstars, embora sempre haja uma equipe grande e talentosa “jogando sozinha”. Quanto mais estreito o funil, maior o destaque, é um efeito do tipo power law, o vencedor-leva-tudo.

É por isso que Guardiola é o técnico do time mais valioso do mundo, e não um aventureiro qualquer.

Veja também:

Prova visual da aproximação de raiz (a + b)

A expressão a seguir fornece uma aproximação da raiz (a + b), quando b<<a (b muito menor que a):

Dá para interpretar facilmente a aproximação, pensando em áreas.

A raiz quadrada de a é o lado do quadrado que tem área a.

Suponha que queremos a raiz de a + b, e o quadrado a seguir tenha exatamente as dimensões desejadas.

Como fazer para encontrar o valor desconhecido x?

Se a área verde é igual a b, metade dela será b/2, e essa área é aproximadamente igual a raiz(a) * x, desprezando a “quina” que não faz parte do retângulo.

Assim, temos x = b/(2*raiz(a)), e a dedução da fórmula citada.

Note que o erro equivale à parte em vermelho do diagrama.

E o erro será menor tanto quanto b for menor do que a.

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/laboratorio-de-matematica

Números Triangulares

Números triangulares são aqueles que formam um triângulo, fazendo jus ao próprio nome.

1

3 = 1 +2

6 = 1 +2 + 3

10 = 1 +2 + 3 + 4

Fiz uma animaçãozinha para demonstrar. Para visualização interativa: https://asgunzi.github.io/NumerosTriangulares/

Cada número triangular é a soma da progressão geométrica 1+2+3+…+N, ou seja, podemos usar a fórmula da PG para calcular um número triangular qualquer.

Vide também:

WD40 e persistência

O extremamente eficaz WD40, utilizado para lubrificar e desingripar peças, tem uma história interessante. A sigla de seu nome significa “water displacement 40”, onde o número indica a quadragésima tentativa de criar algo útil.

Ou seja, foram 39 tentativas fracassadas… porém, a que deu certo, continua com a mesma fórmula (secreta) até hoje.

Não desista na primeira tentativa, nem na segunda. Às vezes, são necessárias mais de 40.

Gancho: Todas as vezes que você utilizar o WD-40, lembre-se da história acima.

Veja também:

Prevendo Cisnes Negros (e errando a previsão)

Um dos maiores pensadores de nosso tempo é Nassim Taleb, autor de livros como “A lógica do Cisne Negro” e “Antifrágil”.

Algumas de suas ideias vêm se tornando jargão comum nos negócios e na sociedade, e como sempre acontece nesses casos, há muita gente que faz mau uso dos conceitos envolvidos. Leram e não entenderam. Ou pior, nem devem ter lido e propagam sem entender minimamente.

Dois exemplos:

1 – O meu feed de notícias mostra o seguinte artigo: “Por que eventos inesperados são chamados Cisnes Negros e como a ciência está trabalhando para predizê-los.”https://marketresearchtelecast.com/why-unexpected-events-are-called-black-swans-and-how-science-is-working-to-predict-them/151508

A chamada do artigo não faz nenhum sentido. O que Taleb afirma é exatamente o oposto: há eventos de baixa probabilidade e altíssimo impacto, impossíveis de prever.

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Não é colocando mais ciência ou mais estudos econômicos que os Cisnes Negros serão previstos, muito pelo contrário: confiança cega qualquer área do conhecimento é exatamente uma das causas de eventos extremos. Taleb é extremamente crítico a economistas, acadêmicos e consultores que sabem tudo.

A chave é reconhecer que não entendemos o mundo em que vivemos, e por isso, não deixar empresas, governos e economia tomarem proporções complexas demais, alimentando futuramente um risco catastrófico.

Não por acaso, o subtítulo de um dos livros é “Como viver num mundo que não conhecemos”.

2 – Usar “Antifrágil” no sentido de autoajuda: “Seja cada dia mais antifrágil”, “Somos uma empresa antifrágil” ou algum chavão do tipo, que não faz sentido algum.

Primeiro, uma definição. Qual o oposto de frágil? Seria “robusto”?

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Porém, “robusto” tem um problema. Se “frágil” é algo que quebra após um estresse, para o “robusto” não acontece nada. O oposto de “frágil” é algo que fica melhor após o estresse, daí o termo “Antifrágil”, criado por Taleb.

Exercícios físicos são estressores, que tornam o corpo mais forte, por exemplo. Ou o sistema imunológico do corpo humano.

Outro exemplo: as pessoas, como sociedade e não como indivíduo. O indivíduo é frágil: se ele tentar empreender e fracassar, é ele que vai arcar com boletos atrasados. Já a sociedade se beneficia da fragilidade dos indivíduos, porque aqueles que conseguirem triunfar vão gerar valor para o todo continuar evoluindo.

Qual a relação do problema do Cisnes Negros e Antifragilidade? Quanto maior o Cisne Negro, quanto maior o risco, mais frágil é o sistema. Já riscos menores, distribuídos, orgânicos, são bons, porque tornam a sociedade como um todo antifrágil.

A antifragilidade não é uma frase de motivação. Muito pelo contrário. É um convite a abraçar o caos, a empreender, é um convite ao sacrifício de arriscar e assumir as consequências dos erros na própria pele.

Para fechar, algumas frases de Taleb, no seu livro “A cama de Procusto”, ao seu estilo provocador:

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“É muito mais fácil enganar pessoas prometendo bilhões do que apenas milhões”

“Vi um painel com o economista Edmundo Phelps, que obteve o Nobel por escritos que ninguém leu, teorias que ninguém aplica e aulas que ninguém entende”.

“A imaginação do gênio vastamente supera seu intelecto; o intelecto do acadêmico vastamente supera a sua imaginação.

“O pior estrago é causado por pessoas competentes tentando fazer o bem; as boas melhorias são feitas por incompentes que não tentar fazer o bem”.

“Uma empresa tem muito a se preocupar quando o cabeça dela vem a público dizer que não há nada a se preocupar”.

“O que eles chamam de risco, eu chamo de oportunidade; mas quando eles dizem oportunidade de baixo risco, eu digo armadilha de perdedor”

“Para se tornar um filósofo, comece a andar bem devagar”.

“Felicidade: não sabemos como medir ou obter, porém sabemos como evitar tristeza”

“Acham que inteligência é sobre notar o que é relevante; num mundo complexo, inteligência consiste em ignorar o que é irrelevante”.

“Conhecimento é subtrativo, não aditivo – subtraímos o que não funciona, o que não fazer”.

Veja também:

Por falta de um prego

O poema “Por falta de um prego” existe há vários séculos, e mostra que o efeito composto de diversas pequenas causas pode gerar consequências gigantescas.

Por falta de um prego, perdeu-se a ferradura.

Por falta de uma ferradura, perdeu-se o cavalo.

Por falta de um cavalo, perdeu-se o cavaleiro.

Por falta do cavaleiro, perdeu-se a batalha.

E assim, o reino foi perdido.

Tudo por falta de um prego.

Em inglês, o poema chama-se “For want of a nail”.

For want of a nail the shoe was lost,
for want of a shoe the horse was lost,
for want of a horse the knight was lost,
for want of a knight the battle was lost,
for want of a battle the kingdom was lost.
So a kingdom was lost—all for want of a nail.

Alguns interpretam o poema como a necessidade de um planejamento meticuloso e atenção aos detalhes, já que um único detalhe pode fazer toda a diferença.

Gosto de ver de outra forma, complementar: não deixe faltar pregos! Estar sempre um pouquinho a favor da segurança. Nos dias de hoje, ter excesso de estoque é ruim, porém, as consequências devem ser analisadas: se faltar um prego, o efeito será pior do que ter um prego em excesso?

Para finalizar, um vídeo engraçado, ilustrando o efeito borboleta.

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia: https://ideiasesquecidas.com/

Euclides e a prova visual dos primos

Um dos resultados mais belos da Matemática é a prova de Euclides, sobre a infinitude dos números primos, escrita há mais de 2.300 anos atrás.

Um número é primo se pode ser dividido apenas por 1 e por si mesmo, sem deixar resto.

A prova é por contradição. Primeiro Euclides supôs que o número de primos fosse finito: {p1, p2, …, pN}.

Para ilustrar, suponha que o conjunto de todos os primos seja formado apenas pelos três primeiros, {2, 3, 5}:

A seguir, Euclides afirmou que existe pelo menos um primo maior do que todos os primos finitos conhecidos: p1p2…*pN +1, ou seja, o produto de todos os primos + 1. Tal número não é divisível por nenhum dos primos anteriores, já que restaria 1 na divisão.

No caso do exemplo, tal número seria igual a 2 * 3 * 5 + 1 = 31.

Visualizando, o novo primo não é divisível por 2:

Nem por 3:

Nem por 5:

Sempre vai restar 1 na divisão.

Portanto, como sempre é possível encontrar esse primo adicional para um conjunto de primos finito, a conclusão é a de que o conjunto dos números primos é infinito.

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2021/08/25/poligonos-e-conexoes/

As piores frases de Nietzsche

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), é, segundo suas próprias palavras, “Dinamite pura”. É um escritor cuja pena é um martelo, que usa para derrubar ídolos, e por isso, é amado e odiado com a mesma intensidade. Descubra o motivo, na coletânea a seguir.

Atenção: conteúdo explosivo.

Que importa que a vida seja longa! Que guerreiro quer ser poupado?

Deus está morto!

Não enfrentes monstros sob pena de te tornares um deles. Se contemplas o abismo, a ti o abismo também contempla.

O ser humano é um erro de Deus? Ou Deus é um erro do ser humano?

Todos os criadores são em verdade duros. E venturança precisa parecer-vos imprimir a vossa marca sobre milênios como sobre cera.

Totalmente duro solitariamente é o que há mais nobre. Esta nova tábua, ó meus irmãos, coloco sobre vossas cabeças: tornai-vos duros!

Supondo que a verdade seja uma mulher – não seria bem fundada a suspeita de que todos os filósofos entendem pouco de mulheres?

Com o risco de desagradar a ouvidos inocentes eu afirmo: o egoísmo é da essência de uma alma nobre; aquela crença inamovível de que, a um ser “tal como nós”, outros seres têm de sujeitar-se por natureza e a ele sacrificar-se.

Toda elevação do homem foi, até o momento, obra de uma sociedade aristocrática – e assim será sempre: de uma sociedade que acredita numa longa escala de hierarquias e escravidão em algum sentido.

A casta nobre sempre foi, no início, a casta de bárbaros: sua preponderância não estava primariamente na força física, mas na psíquica.

O olhar do escravo não é favorável às virtudes do poderoso: é cético e desconfiado.

O amor ao próximo é sempre algo secundário, em parte convencional e ilusório, em relação ao temor ao próximo.

Sobre a convicção do filósofo: chegou o asno, belo e muito forte.

Demonstramos profunda incompreensão do animal de rapina e do homem de rapina (César Bórgia, por exemplo), incompreensão da natureza, ao procurar por algo doentio no âmago desses mais saudáveis monstros.

Sempre, desde que existem homens, houve também rebanhos de homens (clãs, comunidades, tribos, povos, Estados, igrejas) e sempre muitos que obedeceram, em relação ao pequeno número dos que mandaram.

O surgimento de Napoleão é a história da superior felicidade que este século alcançou em seus homens e momentos mais preciosos.

Independência é algo para poucos: é prerrogativa dos fortes. Quem procura ser independente sem ter a obrigação disso, demonstra que é não apenas forte, mas temerário além de qualquer medida.

É inevitável que nossas mais altas intuições pareçam bobagens, delitos, quando chegam indevidamente aos ouvidos daqueles que não são feitos para elas.

As religiões soberanas estão entre as maiores causas que mantiveram o tipo homem num degrau inferior. Destroçar os fortes, debilitar as grandes esperanças, tornar suspeita a felicidade da beleza, dobrar tudo que era altivo.

Um povo é um rodeio que a natureza faz para chegar a 6 ou 7 homens.

Tudo que é grande talvez tenha sido loucura no início.

Ouço, com prazer, que o nosso Sol se dirige velozmente à constelação de Hércules: espero que o homem desta Terra siga o exemplo do Sol.

O homem que aspira a uma coisa grande considera todo aquele que lhe cruza o caminho, ou como um meio, ou como um obstáculo, ou descanso temporário.

Os maiores acontecimentos e pensamentos são os últimos a serem compreendidos. As gerações que vivem no seu tempo não vivenciam tais acontecimentos – passam ao largo deles.

Todo pensador profundo tem mais receio de ser compreendido do que de ser mal compreendido. Neste caso talvez sofra sua vaidade; mas naquele sofrerá seu coração.

A loucura é algo raro em indivíduos – mas em grupos, partidos, povos e épocas é a norma.

Tenho uma predileção por perguntas para as quais ninguém hoje tem a coragem, a coragem para o proibido.

O que é bom? Tudo o que eleva o sentimento de poder, a vontade de poder, o próprio poder no homem.
O que é mau? Tudo o que vem da fraqueza.
O que é felicidade? o sentimento de que o poder cresce, de que uma resistência é superada.

Os fracos e malogrados devem perecer: primeiro princípio de nosso amor aos homens.

O cristianismo tomou partido de tudo o que é fraco, baixo, malogrado, transformou em ideal aquilo que contraria os instintos de conservação da vida forte; corrompeu a própria razão das naturezas mais fortes de espírito, ensinando a perceber como pecaminosos os valores supremos do espírito.

O cristianismo é chamado de religião da compaixão. A compaixão se opõe aos afetos que elevam a energia do sentimento de vida: ela tem efeito depressivo.

A compaixão se opõe à lei da evolução, que é a lei da seleção.

A compaixão é a prática do niilismo. É instrumento multiplicador da miséria e conservador de tudo o que é miserável – a compaixão persuade ao nada.

Nem a moral nem a religião, no cristianismo, têm algum ponto de contato com a realidade. São causas imaginárias (Deus, alma, livre-arbítrio) e efeitos imaginários (pecado, salvação, graça, castigo). Um comércio entre seres imaginários (Deus, espíritos). Um mundo de pura ficção, que falseia, desvaloriza e nega a realidade.

Eles não se denominam fracos, denominam-se “bons”. Deus-de-gente-pobre, Deus-de-pecadores, Deus-de-doentes.

Cristão é o ódio ao espírito, ao orgulho, coragem, cristão é o ódio aos sentidos.

Quanto às três virtudes cristãs, fé, amor e esperança, eu as denomino três espertezas cristãs.

O conceito de Deus falseado, o conceito de moral falseado. Os sacerdotes traduziram em termos religiosos o próprio passado de seu povo.

Simplificaram a psicologia, reduzindo-a à fórmula de “obediência ou desobediência a Deus”.

O sacerdote formula até as taxas a lhe pagar, não esquecendo os mais saborosos pedaços da carne, pois o sacerdote é um comedor de bisteca.

Deus perdoa quem faz penitência – em linguagem franca: quem se submete ao sacerdote.

Nada de conceito de “gênio” tem algum sentido no mundo de Jesus. Falando com o rigor do fisiológico, caberia uma outra palavra – a palavra “idiota”.

A palavra “cristianismo” é um mal-entendido. No fundo, houve apenas um cristão, e ele morreu na cruz. O “evangelho” é o oposto do que ele viveu, um “disangelho”.

Paulo era o gênio em matéria de ódio, na lógica implacável do ódio. Simplesmente riscou o ontem, inventando uma história. Falseou a história de Israel para que ela aparecesse como pré-história: todos os profetas falaram do seu “Redentor”.

O cristianismo é a revolta de tudo o que rasteja no chão contra aquilo que tem altura: o evangelho dos “pequenos” torna pequeno.

Que resulta disso? Que convém usar luvas ao ler o Novo Testamento.

O sacerdote conhece apenas um grande perigo: a ciência – a sadia noção de causa e efeito.

O pecado foi inventado para tornar impossível a ciência, a cultura, toda elevação e nobreza do homem; o sacerdote domina mediante a invenção do pecado.

O bem-aventurado não é provado, mas apenas prometido: a bem-aventurança é ligada à condição de “crer” – a pessoa deverá ser bem-aventurada porque crê.

A fé não desloca montanhas, mas coloca montanhas onde elas não existem.

Não nos enganemos: grandes espíritos são céticos. Zaratustra é um cético.

A necessidade da fé, de um sim ou não, é uma necessidade de fraqueza.

A “Lei”, a “vontade de Deus”, tudo apenas palavras para as condições sob as quais o sacerdote chega ao poder e o sustenta.

As convicções são inimigos mais perigosos da verdade do que as mentiras.

A desigualdade dos direitos é a condição para que haja direitos.

Uma cultura elevada é uma pirâmide. Pode erguer-ses apanas num terreno amplo, tem por pressuposto uma mediocridade forte, sadiamente consolidada.

O cristianismo foi o vampiro do Império Romano.

Eu condeno o cristianismo, faço à Igreja cristã a mais terrível das acusações que um promotor já teve nos lábios. Ela é, para mim, a maior das corrupções imagináveis.

A Igreja cristã nada deixou intacto com seu corrompimento, ela fez de todo valor um desvalor, de toda verdade uma mentira, de toda retidão uma baixeza de alma.

No mundo há mais ídolos do que realidades.

Este pequeno escrito é uma declaração de guerra, não se trata de ídolos contemporâneos, mas de ídolos eternos.

Posso fazer perguntas com o martelo e, talvez, ouvir como resposta aquele famoso som oco que fala das entranhas infladas – quão agradável para aquele que possui ouvidos por trás dos ouvidos, ante ao qual precisamente aquilo que gostaria de permanecer em silêncio, tem de ser ouvido alto e em bom tom.

Sócrates e Platão são sintomas de declínio, instrumentos da dissolução grega.

Sócrates pertencia ao povo mais baixo: Sócrates era plebe. Sabe-se inclusive quão feio ele era. Os antropólogos entre os criminalistas nos dizem que o típico criminoso é feio: monstro de aspecto, monstro de alma.

Em tudo Sócrates é exagerado, bufão, caricatura, e oculto, de segundas intenções, subterrâneo.

Com Sócrates, o gosto grego se modifica em favor da dialética. O gosto aristocrático é vencido com isso; a plebe ascende ao primeiro plano com a dialética.

Sua apavorante feiúra o exprimia para todos os olhos: ele fascinou ainda mais intensamente como resposta, como aparência de cura para esse caso.

Outra idiossincrasia dos filósofos não é menos perigosa: ela consiste em confundir o último e o primeiro. Eles põem no início, como início, aquilo que vem no final – infelizmente!

A doutrina da vontade foi essencialmente inventada com a finalidade de punir, isto é, de querer encontrar um culpado.

O cristianismo é uma metafísica de carrasco.

Conhece-se minha exigência ao filósofo de colocar-se para além do bem e mal. Não existem absolutamente fatores morais. Moral é apenas uma interpretação de certos fenômenos, uma interpretação equivocada.

Em todas as épocas, se quis “melhorar” os seres humanos, a isso se chamou moral.

Da escola de guerra da vida – O que não me mata me fortalece.

Ajuda-te a ti mesmo, e então todos ainda te ajudarão. Princípio do amor ao próximo.

Quão pouco se precisa para a felicidade! O som de uma gaita de fole. A vida seria um erro sem música.

Tu és autêntico? Ou apenas um ator?

Procurei pelos grandes seres humanos, e sempre encontrei apenas os macacos do seu ideal.

Fontes e Link da Amazon:

O Anticristo: https://amzn.to/38DgMP5

Assim falou Zaratustra: https://amzn.to/3jLkg8S

Crepúsculo dos ídolos: https://amzn.to/3tcz2bM

Além do bem e do mal: https://amzn.to/3DOxXvJ