Hangzhou

A foto a seguir foi tirada em Hangzhou, há cerca de um ano.

Hangzhou é uma cidade que fica a uns 150 km de Shanghai, a grande metrópole da região, com seus 20 milhões de habitantes. Eu imaginava que a relação seria algo como São Paulo e Jundiaí, a metrópole versus uma cidade muito menor.

Qual nada! Hangzhou é uma cidade gigantesca, com uns 8 milhões de habitantes. Ela é também a sede da gigante de comércio eletrônico AliBaba.

A foto não ficou boa, mas queria capturar o seguinte. Vi um prédio imenso, habitacional, sendo construído. Depois, notei outro, igualzinho. Depois, mais um, mais outro e outro… eram dezenas de prédios habitacionais imensos, em construção, enfileirados!

Já dizia Napoleão Bonaparte. “A China é um dragão adormecido. Deixemos assim, porque quando ela acordar, vai sacudir o mundo”. E sacudindo o mundo ela está.

Tik Tok e o ecossistema chinês de inovação

Uma nova rede social vem surgindo fortemente no Brasil. uma tal de Tik Tok.

Há mais de um ano, esta já era febre na China. São vídeos muito curtos, de 6 a 15 segundos. É só deslizar o dedo na tela e trocar para outro vídeo. Como são vídeos muito curtos, o foco é humor .

O modelo chinês é o de proteger o seu mercado, e normalmente há uma cópia chinesa para cada grande serviço americano original: o WeChat no lugar do Whatsapp, a Didi no lugar do Uber, o AliBaba no lugar da Amazon, a Xiaomi no lugar da Apple, etc…

Porém, com a Tik Tok é o oposto, é ela que está desbravando um território novo.

Visitei a ByteDance, fabricante da Tik Tok, há um ano, no programa Missão China da StartSe. Vi uma empresa de tecnologia gigantesca – uns 50 mil funcionários e 4 bilhões de dólares de receita, utilizando maciçamente inteligência artificial para fazer reconhecimento de imagens e melhorar os algoritmos de recomendação.

O resultado está aí.

O futuro é asiático.

Recomendações de livros sobre a cultura e história da China

É bastante difícil entender a cabeça de um povo com 5000 anos de história, tão distante e com um framework mental completamente diferente do nosso. Não basta apenas saber algo sobre a linguagem, entender um pouco da cultura é muito mais sutil e extremamente mais poderoso.

Um exemplo. Na família, o chinês chama o avô materno de um nome específico, o avô paterno com outro nome – enquanto por aqui é só avô e pronto, tanto faz se é da parte do pai ou da mãe. Outro exemplo, o irmão mais velho tem uma denominação, o segundo irmão tem outro nome, o terceiro, outro, etc… Para efeito de comparação, aqui temos um nome para o primeiro (primogênito) e o último (caçula). Isso tudo não é por acaso, e sim porque a hierarquia é bastante importante na cultura confuciana, e o avô por parte do pai é mais importante do que o avô por parte da mãe.

Divido os oito livros em duas seções: uma da cultura chinesa e outra sobre a história da China.

Parte 1 – Sobre cultura

1) O Romance dos Três Reinos. É um dos maiores clássicos da literatura chinesa e o meu livro favorito disparado desta lista. É um romance épico, uma espécie de Ilíada chinesa.

A história se passa quando a China era dividida em três reinos, cada qual guerreando com os outros pela dominação total da China e pela própria sobrevivência. É uma trama enorme, repleta de alianças, traições, reviravoltas, armadilhas, espionagem e contraespionagem, vitórias e derrotas.

Na China, conversei sobre este com algumas pessoas, e perguntaram qual o meu personagem favorito (lá, todo mundo tem um). O meu é o estrategista Zhuge Liang Kong Ming, que liderou várias das histórias mais épicas deste conto. A pessoa com quem conversei disse que a dela era o Cao-Cao.

Existem várias versões e interpretações do livro, em filmes, jogos, séries. Um que gosto muito é uma versão em mangá, adaptado por um autor japonês, por isso o nome Sangokushi (https://ww2.mangafox.online/sangokushi).

2) Os Anacletos de Confúcio. O confucionismo dominou a cena na China por vários milênios. Provas para concursos públicos eram baseados nas obras de Confúcio, um sábio que viveu há 2500 anos atrás.

Os Anacletos permeiam vários dos tópicos da sabedoria de Confúcio, entre eles respeito às tradições, ao imperador, aos governantes, aos pais, aos mais velhos – nesta ordem, daí a importância da hierarquia. Era por isso que os imperadores gostavam do confucionismo, porque dava uma razão moral para a sua própria atuação.

Um outro pilar é a importância dos estudos – e até por isso, os cargos públicos da era imperial deixaram de ser por aristocracia hereditária, para ser um concurso público por provas. Até hoje, tanto chineses quanto japoneses dão um valor enorme aos estudos, a ponto de exaustão física e emocional, para não dizer suicídio, ao tentar ingressar nas melhores faculdades.

Felizmente, podemos ler os Anacletos sem decorar palavra-por-palavra, letra-por-letra o que está escrito, porque eram assim as provas dos períodos imperiais: se trocasse a ordem de uma palavrinha, estava errado!

3) Jornada a Oeste. Outro livro épico da literatura chinesa. Conta a história de um macaco que faz uma jornada épica, onde encontra aliados, inimigos, passa por desafios, sempre permeado por mitologia, religião: taoísmo, confucionismo, budismo.

Também há dramatizações diversas, desenhos, mangás e outros.

Se o Romance dos Três Reinos é uma Ilíada, esta Jornada a Oeste parece uma Odisseia. Traduzindo, a Ilíada conta a história da Guerra de Troia contra os gregos, e a Odisseia, a jornada de Ulisses para voltar para casa.

4) O Tao-Te-Ching. O Tao é tudo. O Tao é nada. O Tao é um. Do Tao fez-se o Ying e o Yang, o positivo e o negativo, o cheio e o vazio, o tudo e o nada.

Uma casa é feita de algo, de paredes sólidas, mas ela só tem valor por casa do nada, do espaço vazio que ela contém.

O Tao-Te-Ching é um livrinho bem curto, cheio desses enigmas paradoxais, cheios de sabedoria.

5) A Arte da Guerra. Este é o livro mais famoso desta lista, e é muito conhecido no Ocidente. Contém lições valiosas sobre foco, planejamento, timing, importância da informação. Também é um texto bastante curto, no original (algumas versões ocidentais enchem com um monte de exemplos e divagações inúteis, ao invés de conservar a essência do texto).

É no estilo do Tao, dando importância aos métodos indiretos, e escrito também em forma de textos curtos, enigmáticos e paradoxais.

Um dos maiores generais de todos os tempos, Napoleão Bonaparte, era profundo estudioso da Arte da Guerra de Sun Tzu.

Parte II – Livros de História

6) The fall and rise of China. Brilhante série de aulas, do prof. Richard Baum, sobre a história da China, desde os primórdios até os dias atuais. Permeia passado e presente, pontuando os principais pontos da história, como o Grande Salto para Frente, a Revolução Cultural. Também inclui relatos pessoais, como a sua visão quando ocorreu o incidente da Praça da Paz Celestial.

O prof. Baum é extremamente didático, e esta é a minha recomendação para conhecer a história da China.

7) China’s Economy. O prof.  Arthur R. Kroeber fala da China, porém sob uma perspectiva mais econômica – porém também é necessário tocar nos assuntos de história que afetam e explicam a economia, como a política do filho único.

O legal também é que é um livro mais atual, então cita programas atuais como o Made in China 2025 e o Belt and Road, e problemas, como a supercapacidade produtiva ociosa, a necessidade de um “pouso suave”.

8) China in 10 Words. Relato pessoal do autor, um chinês, relatando o que ele viveu na pele quando criança e adolescente, e só passou a compreender muitas décadas mais tarde, adulto. Coisas pequenas, como um caso em

ele relata estar vacinando dezenas de pessoas com a mesma agulha amassada, costuradas com a explicação do contexto em que a China vivia na época (de novo, e nem ele sabia na época).

É um livro extremamente interessante, porém é necessário ter um bom background da história da China primeiro, para captar a essência do que o autor relata.

Conclusão

Dada a vastidão histórica e cultural da China, há uma quantidade infindável de bom material que ficou de fora (e que nem consegui conhecer).

Algumas dicas adicionais.

O Youtube chinês é o Youku https://www.youku.com/. O problema é que a pessoa tem que saber chinês.

Ninguém usa Whatsapp, todo mundo lá usa WeChat.

Ninguém aceita cartão de crédito.

10 tópicos sobre a China.

Um Cisne Negro paira sobre a China.

A Xiaomi e os novos tempos

Fui hoje ao Shopping Ibirapuera, em São Paulo.

Vi uma fila enorme, virando a esquina do quarteirão. Hoje é a inauguração da loja da Xiaomi no Brasil. Marca chinesa, com celulares top a um preço bem abaixo de um iPhone.

A China começou copiando, entregando produtos falsificados ou pouco sofisticados a uma fração do preço dos americanos. Porém, há uma teoria econômica que diz que, quem faz muito, acaba dominando o processo de produção e aprendendo a inovar – foi assim com o Japão e os tigres asiáticos. Além disso, as empresas chinesas (e o governo, é indissociável) investem um caminhão de dinheiro para desenvolvimento de produtos, contratação das melhores cabeças e compra de empresas de ponta.

O Xiaomi Mi 9 tem especificações assombrosas: três câmeras, uma com 48 megapixel (!!), 64/128 GB de armazenamento (!!), tela 6.39 polegadas Amoled com resolução Full HD…

Pergunta: será que a Xiaomi já é melhor que iPhone?

Outro sinal dos tempos: A Saraiva MegaStore do Shopping Ibirapuera, o motivo pelo qual fui lá, fechou as portas.

Pra que um livro físico, se hoje é possível ler um digital num Mi 9 de ponta?

https://noticias.uol.com.br/tecnologia/noticias/redacao/2019/06/01/com-direito-a-fila-e-fas-animados-xiaomi-inaugura-a-sua-1-loja-no-brasil.htm

A Rappi vai concorrer com o Itaú

A placa abaixo, numa Starbucks da Av. Paulista, chamou a minha atenção.

É um pagamento pelo celular, utilizando um e-wallet. Serviço dentro do aplicativo da Rappi, o RappiPay.

Por que chamou a atenção? Porque já vi isto antes, na China, o país que não aceita cartão de crédito.

Na China, tudo quanto é pagamento é por QR code. Restaurante, paga com WeChat. Táxi, WeChat. Até os mendigos aceitam WeChat.

Qual a vantagem de um e-wallet sobre o cartão de crédito? Essas soluções tendem a ser bem mais baratas do que os cartões tradicionais. A transferência entre pessoas físicas no RappiPay, por exemplo, é gratuita.

O problema é virar hábito. Na China, as pessoas não tinham cartão, mas tinham celular. No Brasil, todo mundo usa cartão de débito ou crédito. Toda loja tem uma maquininha de cartão. Como é que um WeChatPay vai pegar no Brasil?

Esta é uma belíssima tentativa de responder a esta pergunta. A Rappi já é um sucesso, para entrega do almoço. Ao aplicativo normal, eles adicionaram vários outros serviços, como o patinete elétrico da Grin, passeio de cachorros, supermercado, etc…  Com o pagamento incluso no ecossistema, quem segura?

O WeChat é gigante na China. Fintechs abocanharam um fatia importante dos lucros dos bancos.

Te cuida, Itaú.


Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/

Vide também:

https://ideiasesquecidas.com/2018/10/29/testamos-o-servico-do-rappi-o-servico-de-entregas/

Como usar o VPN na China

Este post é um adendo às notas sobre cultura e economia da China.

Quase nenhum aplicativo do ocidente funciona na China. Tudo é bloqueado, incluindo o Google e seus serviços (como e-mail e maps), Facebook, Whatsapp, Uber, etc…

O governo chinês bloqueia esses serviços. Um primeiro motivo é facilitar que a China tenha os seus similares (Baidu para o Google, Tencent para o Facebook, AliBaba para a Amazon, WeChat para o Whatsapp, Didi para o Uber). Outro motivo é poder monitorar o conteúdo (exemplo, o WeChat é monitorado!), o que seria impossível se o app não fosse chinês.

De qualquer forma, é necessário utilizar um VPN (Virtual private network) para acessar os serviços.

E isto ajudou muito. Imagine andar sem o Google Maps no meio de Shanghai!

Eu utilizei dois VPNs, o Express VPN e o VPN Mestre.

Paguei a versão full do primeiro por um mês, e usei a trial do segundo.

É necessário baixar e acessar da primeira vez de fora da China, para funcionar. Se baixar de dentro da China, não vai dar certo.

O VPN faz o celular parecer estar acessando o site de outro país, liberando os acessos desejados.

É bem simples de usar. Vou focar no Express VPN, que foi o que mais usei, mas a ideia é similar.

Para usar, basta escolher um país na lista, e tentar acessar. Pode ser que não seja possível, por ter muita gente acessando o mesmo servidor, daí é necessário escolher outro local. A versão paga obviamente tem prioridade sobre a versão gratuita, em caso de fila.

Uma vez o VPN rodando, o ícone do aplicativo fica com o mundo coberto.

Para desfazer a conexão, é só desconectar – e o mundo fica descoberto no ícone.

Uma coisa interessante é que, acessando a internet do celular via roaming internacional, os serviços funcionam normalmente.
Só quando usando o wi-fi do hotel ou da empresa é necessário ativar o VPN.

Tudo muda muito rápido na China. Uma canetada do governo fortemente centralizado e tudo muda.

Mas sei que os apps funcionam, pelo menos até hoje, março de 2019.

Trilha sonora: Beyond the sea – Rod Stewart.




Links:

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia:

https://ideiasesquecidas.com/

10 Tópicos para entender a China

China, o país das contradições

Um rolezinho no Maglev chinês

O passeio de trem mais legal que já fiz na minha vida foi no Maglev, que parte do Aeroporto de Shanghai e vai até a cidade.

 

IMG_1013.JPG
Não foi pela paisagem, nem por passar em lugares exóticos, nada disso. Foi apenas pela tecnologia, o que se pode esperar de um blog nerd como este (vide também, posts sobre a China aqui e aqui).

 
O Maglev é um tipo de trem que levita sobre os trilhos. O conceito básico é muito simples. Um ímã atrai ou repele outro ímã, dependendo da polaridade. O negativo atrai o positivo, os negativos se repelem, assim como os positivos.

 

 

Colocando os ímãs para repelir, e com energia suficiente, é possível fazer um trem inteiro levitar. Sem o atrito com o solo, é possível fazer uma viagem a velocidades extremamente altas, gastando menos energia, com menos ruído e trepidação…

 

 

É claro que um ímã para colar um lembrete na geladeira é uma coisa, um ímã para levitar um trem inteiro, controlar velocidade e trepidação, garantir a segurança das pessoas, é algo extremamente mais caro e difícil.

 

IMG_1012.JPG
Viajei de Beijing a Shanghai. Pesquisando sobre como ir do aeroporto de Pudong até a cidade, descobri que tinha um trem Maglev, e fiz questão de pegá-lo.

 

 

E, quando digo que fiz questão de pegá-lo, é isso mesmo. O avião até Shanghai atrasou mais de duas horas. Pousei lá depois das 22h. Saí correndo do terminal até a estação do maglev. Felizmente, não havia fila e foi muito fácil comprar o ticket (50 yuanes, uns 30 reais), e peguei o último maglev do dia, às 22:40h.

 

 

Fiz este vídeo do interior do trem. Ele chega a uma velocidade máxima de 300 km/h. Tem um nível de trepidação mais ou menos parecido com a de um trem comum. O maglev não tem rodas, só os magnetos. Porém, como a plataforma dele é fechada, não dá para ver o mecanismo. Se não dissesse que é um maglev, não dá para distinguir se é ou não, somente do ponto de vista do passageiro.

 

 
Pelas pesquisas que fiz, parece que esta versão de trem consegue chegar até o dobro da velocidade, uns 600 km/h. Porém, não faz sentido chegar a esta velocidade no trecho citado, porque a distância entre o aeroporto e o destino final é muito pequena, apenas 30 km. A viagem como um todo dura 8 minutos.

 

IMG_1016.JPG
Detalhe da velocidade máxima

 

É mais ou menos assim: demora uns dois minutos para chegar a 300 km/h, anda uns 4 minutos nesta velocidade, depois começa a desacelerar para chegar ao destino. Nem dá tempo para desfrutar do “voo de cruzeiro”.

 
Outro problema é que o destino final fica numa cidade vizinha à Shanghai (provavelmente porque seria inviável financeiramente cruzar o rio entre as cidades). Tem um ramal do metrô até Shanghai, mas devido ao horário, estava fechado.

 

 

Procurei um táxi. E, quando encontrei o ponto de táxi, descobri que este fechava as 23h, exatamente no momento em que eu tinha chegado! Tive que pegar um transporte meio clandestino, esquisito, onde paguei mais de 100 yuanes, o dobro do preço comum. Seria muito mais simples sair do aeroporto e pegar um táxi direto ao destino, mas o espírito da coisa não era ser turista, e sim explorar a cidade o máximo possível.

 

 

O projeto do maglev de Shanghai como um todo não faz sentido. Um trem convencional talvez não chegue a uma velocidade tão absurda, mas digamos, a 80 km/h, faria o mesmo trecho em 20 e poucos minutos. Doze minutos de diferença. Talvez um trem convencional pudesse chegar direto à cidade de Shanghai e integrar ao espetacular sistema de metrô, o que é muito mais útil do ponto de vista do usuário.

 
Outra pergunta. Se a tecnologia maglev é tão superior assim, porque esta não é mais comum? Na verdade, o custo do CAPEX é monstruoso. Imagine o tanto de energia para levitar um trem. Para isto, deve-se construir uma rede elétrica dedicada, só para começar. Além disso, toda a infraestrutura tem que ser específica para o maglev, porque não dá para aproveitar a estrutura de um trem comum. Outro fator é que, se o trecho for muito curto, como no caso do aeroporto, não vale a pena, e se for muito longo, também não vale a pena, porque um avião vai ser muito mais efetivo. No final das contas, é mais barato e garantido aperfeiçoar o sistema de trems comuns.

 

 

Tanto é que a linha do maglev do aeroporto não dá lucro. Tem que ser subsidiado, para a conta fechar.

 

Mas, de alguma forma, esta tecnologia pode sim ser muito útil em algum momento no futuro.

 

E, já que deu tanto trabalho pegar o maglev, que este vire pelo menos um post divertido!

 

 


 

Links:

 

https://www.railway-technology.com/features/will-maglev-ever-become-mainstream/

https://en.wikipedia.org/wiki/Maglev

https://pt.wikipedia.org/wiki/Maglev
https://www.travelchinaguide.com/cityguides/shanghai/getting-around.htm

https://www.theguardian.com/technology/2018/may/29/maglev-magnetic-levitation-domestic-travel