O ratinho ansioso e a ratinha persistente

Um ratinho ficou preso num barril.

 

 

Oak-wine-barrel-at-toneleria-nacional-chile.jpg

 

Desesperado, tentou roer a parede de madeira. Roeu, roeu, e pouco avançou.

 

O ratinho ficou irritado e tentou roer a parede em outro lugar, na esperança de encontrar um ponto fraco. Após alguns minutos de pouco avanço, trocou de lugar e recomeçou de novo. 

 

Este ciclo de tentativa – recomeço repetiu-se dezenas de vezes, até que o ratinho, esgotado, sucumbiu sem energias para fugir.

 


 

Outro dia, uma ratinha caiu num barril. Ela passou a roer uma das paredes. Só que, ao contrário do ratinho, ela insistiu em roer no mesmo lugar, progredir lenta mas constantemente, ao invés de procurar avanços extraordinários.
A ratinha ficou algumas horas roendo a parede do barril no mesmo lugar, e finalmente abriu um buraco. Enfim, conseguiu a liberdade! 

Um progresso lento, mas consistente e focado é melhor que tentativas rápidas e tresloucadas!

Foco

Multitask?
Nos tempos atuais, é comum ver pessoas conversando e olhando e-mails, em reunião presencial mas mexendo no whatsapp, facebook, twitter, telegram, etc.

whatsapp.jpg

Ter nas mãos o poder de fazer tanta coisa ao mesmo tempo dá uma impressão de grande ganho de produtividade. Mas será que é assim mesmo?

A curto prazo, estamos otimizando uma série de tarefas pequenas, como responder e-mails e mensagens que seriam lidas em algum momento. Mas, a longo prazo, estamos prejudicando o foco em trabalhos grandes e importantes ao ficar conferindo o celular a cada 5 minutos. Ou seja, entrego mais besteiras em menos tempo, postergando a entrega de trabalhos importantes.

O cérebro é um recurso escasso, um supercomputador que demorou milhões de anos para ser desenvolvido, e é caro (consome 25% da energia do corpo humano). O cérebro não é multitask, é monotask. Não é possível contar de 0 a 100 e ao mesmo tempo conversar com alguém prestando atenção.  Só consigo fazer um item importante por vez.


O Presente

Uma lição do prof. Carlos Viveiro: qual o momento mais importante e quem é a pessoa mais importante?

 

timenow

 
O momento mais importante é o presente. O passado já foi, o futuro vai chegar. As ações têm que ser feitas agora, no presente.
A pessoa mais importante é a pessoa que está conversando contigo agora, neste momento. Porque esta é a única que consigo ajudar agora, neste momento.

Viver no futuro causa ansiedade, e viver no passado causa depressão.

Que tal viver plenamente o presente? Que tal dedicar plena atenção a quem está em sua frente?

https://ideiasesquecidas.com/2015/06/28/seja-pleno-em-tudo-o-que-fizer-mesmo-com-multas-de-transito/


Foco

O foco é como um raio laser: a luz concentrada pode cortar até aço.
Foco significa alocar grandes porções de tempo a um trabalho importante, desligando e-mail, telefone, interrupções. Deixe isto tudo para um período pré-determinado, digamos 10 min a cada 2 horas.

O foco é tão importante que dois dos maiores estrategistas da história falam dele.


Sun Tzu

O autor de “A Arte da Guerra” dedica um capítulo a falar de Energia. O “Chi” é a energia potencial focada.

Art-of-War-Sun-Tzu.jpg

Ele diz coisas como: “Na defesa, seja impassível como uma montanha. No ataque, atue como uma águia ataca uma presa.” Ou seja, um ataque rápido, preciso, focado.

“A energia é como o retesar de uma besta. A decisão é como apertar o gatilho.” – a energia é acumulada com os preparativos, estudos, planejamento. Quando a energia é liberada, novamente, é rápida, precisa, focada.


 

Clausewitz

Carl Von Clausewitz foi um grande estrategista militar nascido na Prússia, e escreveu um clássico chamado “Sobre a Guerra”. Um de seus conceitos é o de centro de gravidade: é aquilo que o oponente tem de mais importante, mais valioso, é o cerne dele. É análogo ao conceito de centro de gravidade em física.

clausewitz.jpg

A recomendação de Clausewitz é a de fazer um ataque preciso, firme e concentrado no centro de gravidade do oponente, a fim de realmente atingir onde vai causar estragos.

 


 

 

Portanto, que tal atingir o centro de gravidade do problema, ao invés de atingir o whatsapp do problema?

 

Arnaldo Gunzi

Fev 2016

 

Mapa do Site

 

Foco x Visão 360 graus

Mais ou menos em 2009, quando Eike Batista estava no auge, eu li o livro dele, chamado “O X da questão”.

Conta a historinha básica da vida de todo vencedor: que começou cedo, começou vendendo de porta em porta, etc. Este tipo de biografia é sempre enviesado a puxar a sardinha para o lado do biografado. Até aí, tudo bem.

Achei o livro interessante. Mas tinham dois itens que me incomodaram bastante.

O primeiro: ele citou que o controle de risco incluía desistir da “mão-podre” antes que contaminem o resto, ou seja, abandonar projetos que fracassaram sem dó nem piedade. Pensei: Mas e os tantos acionistas minoritários que entraram junto nesta empreitada, vão ficar com o prejuízo? Anos depois, a resposta: vários negócios foram vendidos, dívidas foram convertidas em ações, credores assumiram empresas, minoritários foram diluídos em 90%…

 

O segundo ponto que me incomodou muito foi a tal “Visão 360 graus”. É a filosofia dele que dizia que tinha que se preocupar com TODOS os aspectos à sua volta: logística, economia, jurídico, engenharia, etc. Em resumo, olhar para todos os lados, estar preparado para se defender de tudo. Parece bonito, mas é uma típica bravata de valentão querendo se impor na força.

Lembrei imediatamente de Sun Tzu, o estrategista autor da Arte da Guerra. “Se o inimigo se defender à direita, ele estará vulnerável à esquerda, se ele se defender à esquerda, estará vulnerável à direita. Se ele se defender em todos os pontos, estará vulnerável em todos os pontos”.

Não é possível ao ser humano estar atento a tantas direções ao mesmo tempo.Ele deve focar naquilo que sabe bem, e contar com alianças com outras pessoas naquilo que estes têm de melhor. Deve fazer o básico, o arroz com feijão primeiro, para depois construir os outros aspectos relevantes. Afinal, de que adianta um poço de petróleo com marketing, engenharia, portos, navios, advogados, cientistas da computação, etc, se o poço não tem petróleo?