Ressonância

Ressonância é o efeito físico em que diversas ondas pequenas, juntas e na mesma fase, criam um sistema com amplitude maior ainda.

Um sistema em ressonância é como um barco com diversas pessoas remando ao mesmo tempo: o mesmo vai para frente, numa grande velocidade. Quando não há ressonância, cada um rema do seu jeito, e por mais que individualmente cada um deles possa se esforçar, o barco vai perder do concorrente. Qualquer um que trabalha numa grande empresa sabe que é extremamente complicado fazer todos remarem sincronizadamente, dados interesses particulares divergentes e conflitantes.

Uma das razões pelas quais gasto energia escrevendo, neste e em outros meios, é para encontrar pessoas semelhantes, em que as ideias aqui contidas tenham ressonância positiva.

Numa transmissão de rádio, ondas eletromagnéticas são propagadas pelo espaço todo, porém, somente aqueles cujos receptores estão sintonizados na mesma frequência vão receber a mensagem.

“Todos não são clientes”, diz Seth Godin, para enfatizar que clientes são alguns.

Para a mensagem ser boa, ela deve agregar valor. Apresentar ideias que vão gerar resultados efetivos no mundo real se executadas, agregar valor de verdade.

E, ao sincronizar, é importante ter em mente as pessoas. Não fazemos conexões com empresas ou marcas e sim, com as pessoas que ali trabalham e tomam decisões. Outro ponto importante é olhar para a pessoa, não para o cargo que ocupa. Cargos vem e vão, pessoas trocam de empresa, mas se o rádio continuar na mesma frequência, a ressonância continua.

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2022/04/02/o-melhor-do-mundo-tira-nota-zero-em-quase-tudo/

O melhor do mundo tira nota zero em quase tudo

Especialista x generalista?

É uma discussão eterna, e que não tem resposta certa. Vai depender do contexto, momento, pessoas.

Indo pelos extremos:
É impossível ser especialista em tudo. Nosso tempo é finito, e o tempo gasto para especialização em algo significa menos tempo para qualquer outro assunto. Aprender a consertar um carro é muito diferente de estudar biologia, por exemplo.

É a Lei do Sacrifício, de Al Ries e Jack Trout. Para obter algo, temos que abrir mão de outro algo. Mesmo tendo habilidades inatas para dois temas, o gargalo será o tempo.

E também é inútil ser generalista em tudo sem saber nada em profundidade. Alguém que sabe um pouco de tudo de forma rasa, SEMPRE vai perder para quem tem um foco estreito. O hobbista que conserta carros no fim de semana não vai competir com mecânico especialista em motores, por exemplo, quando o problema for o motor.

Uma forma de pensar, no meio do caminho, é uma pirâmide com base larga e pico estreito.

Assumir que pouco ou nada sabemos sobre quase tudo, o que seria equivalente a tirar nota zero em uns 60% dos assuntos do cotidiano.

Tirar uma nota suficiente para passar em uns 30% de outros assuntos, daqueles que têm uma relação próxima do que é útil para o nosso bem viver.

Ser extremamente especialista em 9,99% no tema que melhor dominamos. Conhecer mais, ser apaixonado pelo tema e tudo o que diz respeito a isso, etc.

E ser um dos melhores do mundo em 0,01%. Perseguir o tema febrilmente, participar de conferências, dar aulas, etc.

Isso porque o melhor do mundo sempre vai vencer o sabe-tudo que sabe-nada.

A Deusa da Fortuna pode ou não sorrir para esses melhores do mundo, isso está fora do alcance de todos nós. Porém, a Deusa da Fortuna nunca vai sorrir para o sabe-tudo.

Veja também:

O que uma única pessoa pode fazer?

Vira e mexe, fico me perguntando: o que uma única pessoa pode fazer?

Diante do tamanho do mundo, da quantidade de problemas, pouco, talvez nada. Porém, num ambiente propício, com pares qualificados, ele pode fazer toda a diferença.

Duas reflexões para ajudar: o laser e a teoria das janelas quebradas.

O Raio Laser

Laser significa “amplificação da luz por emissão estimulada de radiação” – uma explicação que mais atrapalha do que ajuda.

Trocando em miúdos, significa: “ampliação de luz Maria-vai-com-as-outras”.

Um átomo é colocado num estado de alta energia. Um estímulo, uma fóton inicial, faz que o átomo libere fótons na mesma frequência e mesma fase da onda inicial.

Uma lanterna pode ter tanto fótons quanto o laser, porém, eles estarão sem foco.

O poder do laser vem de fótons coerentes e sincronizados. Foco e ressonância.

A Teoria das Janelas Quebradas

Numa vizinhança limpa e arrumada, uma única janela quebrada não vai fazer a diferença.

Acrescente, duas, três, mais janelas quebradas. Vai chegar um “ponto da virada” em que menos e menos pessoas se importarão, atraindo mais janelas quebradas. Um círculo vicioso.

A solução é quebrar o círculo, arrumar as suas janelas e incentivar outros a fazerem o mesmo. A teoria das janelas quebradas foi popularizada pelo escritor Malcolm Gladwell.

Ciclos virtuosos

Tanto o laser quanto as janelas quebradas são exemplos de ciclos de feedback. Ciclos podem ser virtuosos (quando são bons) e viciosos (quando são ruins).

É difícil sair de um ciclo vicioso. O único jeito é começar a plantar as sementes do ciclo virtuoso, dedicar muito tempo e energia, e contar com a ajuda de outras pessoas semelhantes.

Uma única pessoa, sozinha, pouco vai mudar. Porém, ela pode ser o fóton inicial do raio laser, ou aquele que arrumou a sua janela. Se a sua energia e entusiasmo conseguirem contagiar outras pessoas, para que trabalhem na mesma vibração, em pouco tempo, um grupo, uma área inteira da empresa estará melhor, tempos depois, a empresa inteira.

No fim do dia, uma lanterna apenas ilumina, mas o laser pode cortar aço.

O método Pomodoro

Uma dica para a quarentena: o método Pomodoro.

Nesta quarentena forçada, um dos maiores desafios é manter o foco em meio a inúmeras distrações (filhos, snacks, Twitter, e-mail, etc).

O método Pomodoro é muito simples. É inspirado num timer de cozinha, daqueles que podem vir na forma de um tomate.

Coloque o timer num tempo razoável (digamos, 25 minutos), e defina a tarefa a ser realizada neste tempo – um trabalho grande deve ser dividido em pedaços exequíveis no intervalo.

Acione o timer e foque em realizar a tarefa proposta. É proibido fazer outra coisa nos 25 minutos.

Quanto o timer zerar, faça um intervalo.

Para quem não tem um timer, há apps e cronômetro do celular.

Fiz um timer simples em Excel, se alguém preferir esta opção. Link para download: Timer.xlsb

Links:

Não use o celular em reuniões!

Uma dica simples e útil.

Não fique olhando o celular no meio de reuniões. Desligue esse negócio.

Principalmente nas importantes (aliás, aprender também a recusar ou delegar as não importantes).

O celular vicia, torna-se um hábito, e quando menos esperamos, estamos enviando mensagens no whatsapp, respondendo a e-mails, ou fazendo alguma outra coisa vazia que poderia ser feita em outra hora (ou nem precisaria ser feita).

Com tantas inúmeras distrações, o FOCO talvez seja o bem mais escasso dos dias atuais.

Dê às pessoas a atenção que elas merecem.

Canivetes suíços são inúteis

Sempre achei canivetes suíços muito interessantes, até que comprei um. Carreguei o mesmo por um ano, sem o utilizar uma vez sequer, e cheguei à conclusão que são inúteis! Ao invés de virar um MacGyver, não mudou em nada a minha vida…

Um canivete suíço é a imagem de algo multifuncional. Serve para tudo: faca, saca-rolhas, tesoura, abridor de latas, abridor de garrafas, chave de fenda e até funções que ninguém conhece (removedor de anzol?).

O grande problema é que o canivete suíço não faz bem nenhuma das funções. O saca-rolhas dele é pequeno e fraco, o que torna extremamente difícil abrir um vinho. Uma chave de fenda de verdade é infinitamente melhor do que a chave de fenda do canivete. O abridor de latas de verdade, idem. Ou seja, o canivete suíço é um tipo de pato de metal: voa, nada e anda, mas não faz nada disto direito!

Neste experimento de um ano, imagine a situação. Preciso de uma faca: vou à cozinha pegar uma faca. Preciso de uma tesoura: tenho alguns tipos de tesoura na escrivaninha. O “JOB” a ser feito, segundo o pesquisador Clemente Nóbrega, já está ocupado por alguma ferramenta especializada.

Um dos primeiros ensinamentos do livro “Marketing de Guerra”, de Al Ries e Jack Trout, é imaginar que a cabeça do cliente é uma montanha, e o primeiro que efetivamente ocupar a montanha terá a vantagem. Por exemplo, “sabão em pó” traz a marca “OMO” à mente. “Saca-rolhas” traz à mente um saca-rolhas que comprei para vinhos e que está guardado na terceira gaveta da cozinha – o canivete suíço nunca ocupou este espaço.

Nota: não necessariamente o primeiro que chegar na montanha terá a vantagem, e sim, o primeiro que tomar posse efetivamente deste território. Não adianta se afobar para entregar um trabalho antes, mas sim, entregar um trabalho efetivo, que resolva os problemas de forma consistente.

A lição é que não adianta ser mediano em tudo. É melhor ser muito bom em algum assunto específico, e minimamente bom nos demais assuntos. É melhor o seu produto ou serviço responder a um JOB to be done específico.

A não ser que a pessoa seja um MacGyver: aí ele consegue fazer um balão com pano, chiclete e jornal velho!

Nota: Fazendo justiça ao canivete suíço, ele ocupa alguns nichos em que o seu uso pode ser muito útil, como camping e para sobrevivência na selva, por exemplo.

Link recomendado:

http://colunas.revistaepocanegocios.globo.com/ideiaseinovacao/2012/01/13/o-blackberryo-canivete-suicoo-radio-relogio-e-o-ultrabook/

O ratinho ansioso e a ratinha persistente

Um ratinho ficou preso num barril.

 

 

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Desesperado, tentou roer a parede de madeira. Roeu, roeu, e pouco avançou.

 

O ratinho ficou irritado e tentou roer a parede em outro lugar, na esperança de encontrar um ponto fraco. Após alguns minutos de pouco avanço, trocou de lugar e recomeçou de novo. 

 

Este ciclo de tentativa – recomeço repetiu-se dezenas de vezes, até que o ratinho, esgotado, sucumbiu sem energias para fugir.

 


 

Outro dia, uma ratinha caiu num barril. Ela passou a roer uma das paredes. Só que, ao contrário do ratinho, ela insistiu em roer no mesmo lugar, progredir lenta mas constantemente, ao invés de procurar avanços extraordinários.
A ratinha ficou algumas horas roendo a parede do barril no mesmo lugar, e finalmente abriu um buraco. Enfim, conseguiu a liberdade! 

Um progresso lento, mas consistente e focado é melhor que tentativas rápidas e tresloucadas!

Foco

Multitask?
Nos tempos atuais, é comum ver pessoas conversando e olhando e-mails, em reunião presencial mas mexendo no whatsapp, facebook, twitter, telegram, etc.

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Ter nas mãos o poder de fazer tanta coisa ao mesmo tempo dá uma impressão de grande ganho de produtividade. Mas será que é assim mesmo?

A curto prazo, estamos otimizando uma série de tarefas pequenas, como responder e-mails e mensagens que seriam lidas em algum momento. Mas, a longo prazo, estamos prejudicando o foco em trabalhos grandes e importantes ao ficar conferindo o celular a cada 5 minutos. Ou seja, entrego mais besteiras em menos tempo, postergando a entrega de trabalhos importantes.

O cérebro é um recurso escasso, um supercomputador que demorou milhões de anos para ser desenvolvido, e é caro (consome 25% da energia do corpo humano). O cérebro não é multitask, é monotask. Não é possível contar de 0 a 100 e ao mesmo tempo conversar com alguém prestando atenção.  Só consigo fazer um item importante por vez.


O Presente

Uma lição do prof. Carlos Viveiro: qual o momento mais importante e quem é a pessoa mais importante?

 

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O momento mais importante é o presente. O passado já foi, o futuro vai chegar. As ações têm que ser feitas agora, no presente.
A pessoa mais importante é a pessoa que está conversando contigo agora, neste momento. Porque esta é a única que consigo ajudar agora, neste momento.

Viver no futuro causa ansiedade, e viver no passado causa depressão.

Que tal viver plenamente o presente? Que tal dedicar plena atenção a quem está em sua frente?

https://ideiasesquecidas.com/2015/06/28/seja-pleno-em-tudo-o-que-fizer-mesmo-com-multas-de-transito/


Foco

O foco é como um raio laser: a luz concentrada pode cortar até aço.
Foco significa alocar grandes porções de tempo a um trabalho importante, desligando e-mail, telefone, interrupções. Deixe isto tudo para um período pré-determinado, digamos 10 min a cada 2 horas.

O foco é tão importante que dois dos maiores estrategistas da história falam dele.


Sun Tzu

O autor de “A Arte da Guerra” dedica um capítulo a falar de Energia. O “Chi” é a energia potencial focada.

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Ele diz coisas como: “Na defesa, seja impassível como uma montanha. No ataque, atue como uma águia ataca uma presa.” Ou seja, um ataque rápido, preciso, focado.

“A energia é como o retesar de uma besta. A decisão é como apertar o gatilho.” – a energia é acumulada com os preparativos, estudos, planejamento. Quando a energia é liberada, novamente, é rápida, precisa, focada.


 

Clausewitz

Carl Von Clausewitz foi um grande estrategista militar nascido na Prússia, e escreveu um clássico chamado “Sobre a Guerra”. Um de seus conceitos é o de centro de gravidade: é aquilo que o oponente tem de mais importante, mais valioso, é o cerne dele. É análogo ao conceito de centro de gravidade em física.

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A recomendação de Clausewitz é a de fazer um ataque preciso, firme e concentrado no centro de gravidade do oponente, a fim de realmente atingir onde vai causar estragos.

 


 

 

Portanto, que tal atingir o centro de gravidade do problema, ao invés de atingir o whatsapp do problema?

 

Arnaldo Gunzi

Fev 2016

 

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Foco x Visão 360 graus

Mais ou menos em 2009, quando Eike Batista estava no auge, eu li o livro dele, chamado “O X da questão”.

Conta a historinha básica da vida de todo vencedor: que começou cedo, começou vendendo de porta em porta, etc. Este tipo de biografia é sempre enviesado a puxar a sardinha para o lado do biografado. Até aí, tudo bem.

Achei o livro interessante. Mas tinham dois itens que me incomodaram bastante.

O primeiro: ele citou que o controle de risco incluía desistir da “mão-podre” antes que contaminem o resto, ou seja, abandonar projetos que fracassaram sem dó nem piedade. Pensei: Mas e os tantos acionistas minoritários que entraram junto nesta empreitada, vão ficar com o prejuízo? Anos depois, a resposta: vários negócios foram vendidos, dívidas foram convertidas em ações, credores assumiram empresas, minoritários foram diluídos em 90%…

 

O segundo ponto que me incomodou muito foi a tal “Visão 360 graus”. É a filosofia dele que dizia que tinha que se preocupar com TODOS os aspectos à sua volta: logística, economia, jurídico, engenharia, etc. Em resumo, olhar para todos os lados, estar preparado para se defender de tudo. Parece bonito, mas é uma típica bravata de valentão querendo se impor na força.

Lembrei imediatamente de Sun Tzu, o estrategista autor da Arte da Guerra. “Se o inimigo se defender à direita, ele estará vulnerável à esquerda, se ele se defender à esquerda, estará vulnerável à direita. Se ele se defender em todos os pontos, estará vulnerável em todos os pontos”.

Não é possível ao ser humano estar atento a tantas direções ao mesmo tempo.Ele deve focar naquilo que sabe bem, e contar com alianças com outras pessoas naquilo que estes têm de melhor. Deve fazer o básico, o arroz com feijão primeiro, para depois construir os outros aspectos relevantes. Afinal, de que adianta um poço de petróleo com marketing, engenharia, portos, navios, advogados, cientistas da computação, etc, se o poço não tem petróleo?