O Super-Homem é uma mala sem alça

Ele é o mais forte do mundo, voa à velocidade da luz, tem visão de raios-X, é bonitão, namorada perfeita, nenhuma falha de caráter. Não há um único traço que o desabone. Ou seja, é insosso, boring, almofadinha, chato para dedéu.

Mais interessante é o Wolverine. Tosco, baixinho, tem um lado sombrio e tomou vários foras da Jean Grey.

Todos queremos nos vender como super homens – capazes de entregar os trabalhos mais difíceis, através de esforço sobre-humano, sem contrapartidas. Entretanto, não há nada mais humano do que assumir os seus pontos fracos – isto, pelo contrário, destaca as poucas qualidades que realmente temos em relação à média.

Aristóteles já dizia, em sua Poética, que o herói deve ter uma falha, cometer um erro e sobrepujar as dificuldades, para a história ser memorável.

O próprio Super-Homem é assim. Para a história ficar interessante, os roteiristas inventaram um ponto fraco, a Kriptonita.

Na verdade, é o contrário. A Kriptonita não é o ponto fraco do Super-Homem, e sim, o que o torna humano.

Porque super homens não existem.

Música tema – Superman – por John Williams.

Veja também:

A entrevista do jovem Fênix

Bônus: Sun Tzu, A Arte da Guerra. “Se o inimigo se defender à direita, ele estará vulnerável à esquerda, se ele se defender à esquerda, estará vulnerável à direita. Se ele se defender em todos os pontos, estará vulnerável em todos os pontos”.

Negocie como se sua vida dependesse disso

Segue uma recomendação, do livro mais útil que li nos últimos anos.

O que você faria se tivesse que negociar, em um minuto, a vida de reféns com terroristas islâmicos?

Apesar do título dramático, o livro é muito bom. O autor, Chris Voss, é um negociador de reféns do FBI. Ele narra detalhes de impasses com terroristas, como se fosse uma partida de xadrez, lances dignos de filme.

As mesmas técnicas também são efetivas no mundo dos negócios.

Algumas dicas:

  • A empatia é um elemento importante – e empatia não é ceder, é entender a perspectiva do outro lado. Para tal, ouvir. Ouvir com atenção, sem viés confirmatório, ou seja, sem encaixar o discurso do outro lado com a sua própria interpretação (não é nada fácil).

  • Comece com um “NÃO”. A técnica mais comum é fazer o outro lado dizer sucessivos “sim” para perguntas simples, para então chegar na pergunta que realmente importa. Porém, é muito provável que seja um “sim” falso, só para se livrar da pergunta (vide o odioso telemarketing, por exemplo). Voss defende que o “não” é mais sincero, faz com que o outro lado se sinta melhor.

  • Não forçar a solução, e sim perguntar. Fazer perguntas abertas. Tente espelhar a outra pessoa, para criar laços. Isto, e começar com “não”, faz eles sentirem que estão no controle.

  • Não é um jogo olho por olho. Deve-se ter coragem para fazer perguntas sem a pretensão de dar ou receber nada em troca.

  • 7% da comunicação é baseada nas palavras, 38% no tom de voz, e 55%, na linguagem corporal – por isso, estar presente na negociação faz muita diferença.
  • Por fim, a carta na manga. O momento “Cisne Negro”. Coloque um ponto bastante positivo ou negativo para o outro lado, a fim de alavancar a negociação.

Chris contrasta as técnicas aprendidas, através de sucessos e erros, com estratégias acadêmicas de Harvard – eu sou mais ele, que efetivamente tinha a pele no jogo em negociações tensas.

Recomendo ler e reler o livro, para aprender as poderosas técnicas ensinadas:
https://amzn.to/2DoHfUm

Aperitivo: TED Talks
https://www.ted.com/talks/chris_voss_never_split_the_difference

Veja também:
https://ideiasesquecidas.com/2018/03/23/as-36-estrategias-secretas-chinesas/

https://ideiasesquecidas.com/2018/01/21/%e2%80%8brecomendacoes-de-livros-para-recem-formados/

https://ideiasesquecidas.com/2017/08/09/a-teoria-dos-cisnes-negros/

O software que muda o hardware

O neurocientista Daniel Amen mostra conclusões de mais de 83 mil imagens do cérebro, neste impressionante TED talks.

Algumas comparações, sendo a imagem da direita um cérebro saudável:

Olhe o que as drogas fazem ao cérebro:

O que você faz da sua vida, os seus hábitos, o que você pensa, o que você consome, vão literalmente esculpindo quem você é.

O cérebro não é como um computador eletrônico, em que o hardware vem pronto e não muda mais. O cérebro se modifica com o uso.

O mundo funciona em ciclos. Ciclos virtuosos, com boas iniciativas levando a bons resultados e mais boas ações, e ciclos viciosos, com iniciativas ruins levando a resultados ruins e mais ações ruins.

É extremamente difícil sair de ciclos viciosos, uma vez imerso nele. É como se fosse uma armadilha.

Ciclos de feedback são como juros compostos. Um pouco por dia, tão pouco que a gente nem nota, com efeito composto = resultados exponenciais a longo prazo. E o longo prazo chega um dia.

Quando jogamos com os juros compostos a nosso favor, estamos com ampla vantagem. Esforço, dedicação, disciplina, contato com outras pessoas com integridade moral, disciplina e paciência. Não há atalhos e não é fácil.

Porque o software pode mudar o hardware.

Ted Talks – Daniel Amen

https://ideiasesquecidas.com/2019/03/21/e-melhor-ser-um-burro-esforcado-ou-um-genio-preguicoso/

https://ideiasesquecidas.com/2020/02/29/como-ficar-rico-sem-ter-sorte/

Empreendedorismo e currículo acadêmico

Participei de um workshop on-line sobre inovação, e a pergunta mais interessante que recebi foi:

“Sou estudante de engenharia e percebo um déficit nas universidades em conteúdos voltados para o empreendedorismo e tecnologias. Gostaria de pedir dicas para ir além dos pré-requisitos.”

Sim, há um déficit enorme no currículo acadêmico. Professores que estão rapidamente ficando obsoletos. Currículo distante da realidade. Mas acredito que o básico é ensinado.

Algumas dicas: 

– Faça o melhor trabalho possível na faculdade, sem dúvida é o arroz-com-feijão

– Abra um perfil no LinkedIn e contate profissionais interessantes, ou siga-os, há muito conteúdo bom. Tenha curiosidade, vá atrás, peça conexões na cara de pau.

– Há muitos cursos on-line excelentes hoje. Coursera, Udacity, EDX, além de workshops e lives. Depende da área que você quer seguir.

– Gosto de uma frase do Naval Ravikant. Empreendedorismo não é uma habilidade ensinável. Não é um plano de negócios que vai tornar alguém empreendedor. É coragem, é prática, é muita tentativa e erro.

Não há um caminho pronto, um roteiro a ser seguido. Se existisse, estaria obsoleto amanhã.

Como diz Nietzsche, você é o único responsável por criar o seu próprio caminho. E o mundo recompensa quem corre atrás, busca, desbrava novos caminhos.

Gostaria que profissionais desta desta rede também comentassem sobre o tema.

Empreendedorismo e currículo acadêmico

Participei de um workshop on-line sobre inovação, e a pergunta mais interessante que recebi foi:

“Sou estudante de engenharia e percebo um déficit nas universidades em conteúdos voltados para o empreendedorismo e tecnologias. Gostaria de pedir dicas para ir além dos pré-requisitos.”

Sim, há um déficit enorme no currículo acadêmico. Professores que estão rapidamente ficando obsoletos. Currículo distante da realidade. Mas acredito que o básico é ensinado.

Algumas dicas: 

– Faça o melhor trabalho possível na faculdade, sem dúvida é o arroz-com-feijão

– Abra um perfil no LinkedIn e contate profissionais interessantes, ou siga-os, há muito conteúdo bom. Tenha curiosidade, vá atrás, peça conexões na cara de pau.

– Há muitos cursos on-line excelentes hoje. Coursera, Udacity, EDX, além de workshops e lives. Depende da área que você quer seguir.

– Gosto de uma frase do Naval Ravikant. Empreendedorismo não é uma habilidade ensinável. Não é um plano de negócios que vai tornar alguém empreendedor. É coragem, é muita tentativa e erro.

Não há um caminho pronto, um roteiro a ser seguido. Se existisse, estaria obsoleto amanhã.

Como diz Nietzsche, você é o único responsável por criar o seu próprio caminho. E o mundo recompensa quem corre atrás, busca, desbrava novos caminhos.

Gostaria que profissionais desta desta rede também comentassem sobre o tema.

Qual o futuro dos livros?

Hoje em dia, é possível encontrar informação sobre virtualmente tudo, de graça, na tela de um computador com internet. A informação virou commodity. Barreiras físicas inexistem. Livros, revistas, jornais, cursos e até a grade educacional atual têm de ser revistas, urgentemente.

Contudo, até há poucos anos, não era assim. Na era pré-internet, a informação era limitada ao que conseguia ser impresso e lido num pedaço de papel.

Este texto tem dois tópicos:

  • Quanto custaria um livro manuscrito, nos dias de hoje?
  • O futuro da pirataria

Quanto custaria um livro manuscrito, hoje em dia?

Na era pré-Gutenberg, copiar um livro significava transcrever, manualmente, letra por letra do livro. Na Idade Média europeia, os monges copistas eram famosos por fazer este serviço.

Digamos que um copista consiga escrever 5 páginas por dia. Lembrando que os livros manuscritos da Idade Média eram numa caligrafia bonita (não o garrancho que você escreve no caderno), o que demanda tempo. Além disso, os monges tinham o cuidado de minimizar o erro na transcrição.

Se ele trabalhasse por 20 dias num mês, daria para transcrever 100 páginas mensalmente.

Pagando um salário mínimo para ele, R$ 1.000 nos dias de hoje: R$ 1.000 a cada 100 páginas.

Um livro como a República de Platão tem 300 páginas com letras miúdas.

Assumindo que a caligrafia do copista caiba nas mesmas 300 páginas, o livro custaria R$ 3.000.

Além disso, há outros custos como o gerenciamento, armazenagem, frete (a cavalo na época), impostos. Digamos, poderia chegar a R$ 5.000, facilmente.

Certamente, não era para qualquer um. Somente os mais ricos poderiam se dar ao luxo de comprar um livro. Até por isso, a grande maioria da população (uns 80%) era analfabeta na época.

Pós Gutenberg, estimativas falam que o custo reduziu por 10. Ainda havia um trabalho enorme para criar os tipos móveis, juntar e fazer as impressões. Erros de impressão obrigavam algumas revisões a caneta, por exemplo.

Portanto, o mesmo livro custaria de R$ 300 a R$ 500. Bem melhor, porém, ainda assim um item da elite, classe média alta.

Mesmo após Gutenberg, a profissão de copista não desapareceu da noite para o dia. Primeiro que, para imprimir um livro com prensa, necessita de escala. Se for para copiar um único livro específico, era melhor usar o monge.


Além disso, um livro copiado à mão, com a bela caligrafia do copista, era um sinônimo de status.

De lá para cá, houve uma curva contínua de melhoria da antiga prensa.

O mesmo livro, em papel, hoje em dia custa menos de R$ 50. Neste, estão vários outros custos, como a editora e a livraria, digamos que a faixa de custos seja de R$ 30 a R$ 50, para manter a divisão por 10.

A seguinte tabela resume o preço de copiar um livro:

Na era pós internet, o custo por letra transmitida caiu a zero. Zero. Se este texto que você está lendo for compartilhado uma vez, ou compartilhado um milhão de vezes, não vai ter custo incremental algum para o autor.

Atenção: não é o custo de criar o livro, que inclui o homem-hora do autor, pesquisas, o editor, etc… O custo acima é relativo ao custo de COPIAR a informação contida no livro e transmitir.

O futuro da pirataria

Há uns 15 anos atrás, importei um livro americano de Otimização Combinatória (meu assunto favorito), via Amazon. Daria o equivalente hoje a uns 250 reais, considerando o preço em dólar e o frete internacional.

Antes da Amazon, era mais difícil, senão impossível, encontrar e comprar um livro importado. Estávamos na mão dos grandes varejistas (Saraiva, Siciliano, Liv. Cultura), que importavam e disponibilizavam o seu catálogo.

Hoje em dia, com o custo de copiar informação igual a zero, a pirataria é ilimitada. É possível obter uma quantidade infindável de informação (livros, música, filmes). Basta uma pesquisa no Google, ou um sistema do tipo torrent.

O pdf do Combinatorial Optimization vai estar a um clique de distância (porém, ilegalmente).

Um efeito da digitalização é o de quebrar os intermediários (as livrarias físicas faliram, as editoras estão tendo que se reinventar).

É inútil lutar contra a pirataria pelos meios tradicionais: derrubando sites, prendendo pessoas, ameaçando o usuário.

Entretanto, o futuro não é tão sombrio assim.

Ainda existe a necessidade de criar e consumir conhecimento novo.

Imagino que ocorra com os livros algo como ocorreu com a música. Apesar de ser possível piratear sem restrições, pago mensalmente a assinatura do Spotify, e também comprei várias músicas da loja da Apple: porque estão a custos acessíveis, e principalmente, porque tais serviços agregam um valor enorme. O Spotify tem um catálogo gigantesco de músicas, e faz recomendações de músicas fantásticas que eu nunca encontraria sozinho.

Vejo alguns caminhos para os livros e meio impresso:

  • Remuneração direta dos autores. Com a evolução dos meios de pagamento, é possível comprar ou doar valores bem pequenos por artigo. Por exemplo, quem acha que o presente texto agregou valor pode remunerar o autor em R$ 0,50 via PicPay, utilizando o QR code abaixo. Quando o Whatsapp Pay estiver rodando, mesma coisa. É uma alternativa interessante. Um livro impresso tem que ter um tamanho mínimo, digamos 100 páginas, para valer o trabalho de edição e impressão, mesmo que o conteúdo útil seja de 5 páginas. Com remuneração direta, é possível apenas disponibilizar o que interessa, melhorando o conteúdo e baixando custos para todo mundo.
Estou fazendo um teste.
  • Revistas eletrônicas muito bem curadas, com assinatura. Mais ou menos como os jornais vêm fazendo. Uma parte do conteúdo é livre, o acesso ao conteúdo completo é pago. O interessante é efeito Cauda Longa: podem surgir nichos à vontade, em temas de interesse específico ao invés de informação de massa como jornais.

  • Microlivros: O Tik Tok faz sucesso por vídeos curtos, que não tomam muito tempo e são bem feitos. Vejo espaço para um serviço de microlivros, talvez de 10 páginas, com uma curadoria muito bem feita. Hoje em dia, o problema é o excesso de informação, não a escassez, daí o valor de uma curadoria de qualidade. E, sabendo que os textos são curtos, bons e diretos ao ponto, o leitor verá valor. Microlivros com versão áudio podem ser melhores ainda.

Johannes Gutenberg causou uma revolução, nos anos 1400. Popularizou a produção de livros e baixou custos – em última essência, foi Gutenberg que permitiu o grande salto de conhecimento europeu nos séculos seguintes. A internet vem causando outra revolução. Quase toda a informação está disponível a quase todo mundo a um custo muito baixo.

Seja como for, vão continuar existindo autores e leitores, professores e alunos. Os custos caíram drasticamente. Os intermediários vão ter que agregar valor de forma diferente ao que fazem hoje – talvez até algum marketplace monopolize a distribuição, tal como a Amazon no caso de produtos.

Vamos ver o que vem pela frente.

Trilha sonora: Palavras ao Vento – Cássia Eller

Palavras apenas
Palavras pequenas
Palavras, momento

Palavras, palavras
Palavras, palavras
Palavras ao vento

Links:

https://ideiasesquecidas.com/2018/06/24/sobre-livros-e-livrarias/

https://ideiasesquecidas.com/2018/01/21/%e2%80%8brecomendacoes-de-livros-para-recem-formados/

https://www.dw.com/pt-br/o-misterioso-gutenberg/a-42432157

https://super.abril.com.br/historia/gutenberg-primeiras-impressoes/

https://educacao.uol.com.br/biografias/johannes-gutenberg.htm

https://www.britannica.com/topic/printing-publishing/The-Gutenberg-press

Não tenha medo de ensinar os seus truques

Existe algo contra-intuitivo no mundo, relativo ao medo de ensinar outras pessoas.

Conhecimento é uma forma de poder: “se muita gente souber o que faço, não consigo me diferenciar da média”.

Entretanto, o que vejo é exatamente o contrário: quanto mais você ensina os outros, melhor.

Primeiro, você aprende fatos e truques novos ensinando os truques antigos.
Segundo, passando a bola para outros, é como se você conseguisse novos braços para fazer o trabalho.
Terceiro, dá para pedir a ajuda do colega, quando for a sua vez de não ter o conhecimento.

Existem pessoas que vão apenas sugar e não vão contribuir. Não se alie a sanguessugas, cínicos e quem só quer atrapalhar. Alie-se a quem coopera.

A longo prazo, a cooperação sempre vence o individualismo.

O autor Richard Dawkins criou o termo “meme”, em alusão ao gene. O gene é uma unidade de informação genética, o meme seria uma unidade de ideia, que é transmitida entre pessoas.

Se a ideia é meme, este texto é como se fosse um vírus: um invólucro de informação que carrega o código genético.

Ensinar as pessoas seria como replicar parte do seu DNA. Transmitir as ideias que você considera corretas e fazer elas sobreviverem além de si mesmo.

A reinvenção da roda, dos relógios e dos radinhos de pilha

Nos últimos dias, fiz um programinha em Excel (e em Python) de um Teleprompter – aqueles textos rolantes para auxiliar o pessoal da televisão.

Pediram para eu gravar um vídeo. Ao invés de improvisar, escrevi um texto para ler. E surgiu a ideia de criar um teleprompter simples. Está disponível aqui https://github.com/asgunzi/Teleprompter

Um comentário que surgiu, e é pertinente: “Há vários softwares deste tipo na web, é só procurar e baixar. Para que reinventar a roda?”

Algumas respostas: para aprender a criar. Primeiro, as rodas básicas. Depois, rodas cada vez melhores. Quem sabe, até superar o design original. Outro motivo: Uma roda sua é infinitamente mais legal que uma roda de alguém.

Meu pai conta uma história engraçada.

Na faculdade, um dos colegas de quarto gostava de ouvir o seu rádio de pilha (devia ser anos 60). Como o volume do rádio era alto, incomodava quem queria sossego para estudar.

Por outro lado, tinha outro colega que adorava desmontar relógios e dispositivos para saber como funcionavam as coisas. O detalhe é que ele sabia desmontar, porém, nunca conseguia fazer algo voltar a funcionar.

Um dia, o rádio do primeiro colega parou de funcionar.

Meu pai teve uma ideia. Sugeriu que o segundo colega desse uma olhada. “Ele vai desmontar o rádio e quebrar de vez, nunca mais volta à vida”, pensou.

Qual foi sua surpresa, no dia seguinte, quando o radinho estava estridente, vivo e alegre.

Não é que, de tanto fuçar e mexer em tudo, o desmontador de relógios finalmente conseguira consertar algo!

Reinvente a roda, sempre que possível!

Trilha sonora: J. S. Bach, Little Suite from The Anna Magdalena Notebook

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2019/06/06/recado-para-os-loucos-e-desajustados/

Texto sobre as bicicletas motorizadas de Soichiro Honda: https://ideiasesquecidas.com/2015/09/29/bicicletas-motorizadas-e-que-se-dane-a-crise/

A mentalidade do caranguejo

Coloque um monte de caranguejos num balde. Eles vão tentar escapar, escalando as paredes. Nisso, um caranguejo se engancha no outro, puxando para baixo o que está acima. No final, ninguém consegue sair do balde.

Daí deriva o termo “mentalidade de caranguejo” para descrever comportamento similar: fofocas e puxadas de tapete para derrubar aquele que se destaca, em especial nas corporações. “Se eu não posso, você também não pode”.



Outra história sobre caranguejo. A segunda missão de Hércules era derrotar a Hidra de Lerna, o terrível monstro de muitas cabeças. Ao cortar uma cabeça, surgiam duas no lugar.

Para ajudar a Hidra, Hera enviou um caranguejo. Este ficou atazanando Hércules na já difícil batalha contra a Hidra.  


Hércules deu um pisão no caranguejo, que se despedaçou todo.

Hera, em homenagem ao caranguejo, criou a constelação de Câncer.

Moral da história: Não seja um caranguejo. Quando aparecer algum, dê um chega-pra-lá nele.

Salário médio aumenta durante pandemia

Um excelente artigo, a seguir.

Aprende e passa

Esta é uma daquelas notícias que mostram como é importante escolher o indicador certo e olhar mais de um indicador antes de pular direto para conclusões. Um leitor menos atento ou um gestor mal intencionado pode escolher quais verdades mostrar, não é mentira, mas também não é toda verdade.

Esta notícia, no mínimo estranha e aparentemente positiva é real. Em abril, o valor pago por hora trabalhada nos Estados Unidos (mas tenho certeza que se aplica também ao Brasil e a boa parte do mundo) aumentou. E por que isso seria ruim?

Matemática simples, valor médio pago por hora trabalhada é o somatório do valor pago dividido pelo somatório de horas trabalhadas. Acontece que em abril muita gente que ganhava pouco perdeu o emprego e passou a ganhar nada, ao passo que profissionais melhor remunerados não foram afetados, aumentando assim a média da hora trabalhada.

A matéria do link abaixo…

Ver o post original 88 mais palavras

A era dos cursos presenciais acabou!

Em termos de custo, qualidade e praticidade, cursos on-line vencem com facilidade. A única real desvantagem é a falta de networking entre os alunos.

Seguem algumas indicações.

Bolsa da Amazon e a Udacity, de introdução a machine learning. Vai até Julho.
https://sites.google.com/udacity.com/aws-machine-learning/home

Sobre Power BI, a EDX tem o curso a seguir – gratuito para visualização
https://www.edx.org/course/analyzing-and-visualizing-data-with-power-bi-2

A Kaggle é uma plataforma de desafios de data science. Já participei de alguns, e é num nível bem alto, com equipes do mundo todo e prêmios para os melhores colocados. https://www.kaggle.com/

Há opções mais completas (e pagas). Seguem algumas:

Nanodegree em Python, análise e visualização de dados na Udacity
https://www.udacity.com/course/data-analyst-nanodegree–nd002

Python básico, voltado para análise de dados, na EDX
https://www.edx.org/course/analytics-in-python

Para profissionais de Supply Chain, a indicação abaixo é do amigo Marcelo Tescari, um dos maiores especialistas no tema.
https://www.edx.org/micromasters/mitx-supply-chain-management

Há um universo muito maior a ser explorado, em business, finanças e outros ramos do conhecimento. Favor deixar outras indicações nos comentários.

Navegar é preciso

De todos os trabalhos que fiz, uns 50% não serviram para nada – só para gastar tempo e energia.

Outros 30% até serviram para alguma coisa, mas não tiveram impacto.

Já os 20% restantes, estão rodando até hoje, com grande impacto. É como se fossem a descoberta de uma nova rota para as Índias, em meio à tantas tentativas em vão.

É impossível saber, a priori, qual trabalho dará resultados. Um projeto promissor pode dar em nada – cometemos erros, ou não temos a competência necessária, ou simplesmente não é o momento dele. Por outro lado, um trabalho menor pode gerar inúmeras oportunidades. Só saberemos a posteriori.

O caminho é sempre fazer o melhor trabalho possível: transformar os projetos ruins em aceitáveis, os aceitáveis em memoráveis. Mesmo assim, sempre haverá os que não darão certo, e aí, bola para frente.

Depois, tratar com bastante carinho e orgulho aqueles que melhor performaram.

No fim do dia, podemos nos perguntar: Valeu a pena?

Fernando Pessoa tem a resposta:

Tudo vale a pena se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador,

tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

mas nele é que espelhou o céu!

Ter ou não ter, eis a questão

Interessante reflexão do velho Aristóteles (e põe velho nisso, cerca de 2300 anos atrás), em sua obra Ética a Nicômaco. Ele, já naquela época, dizia que o valor a ser pago numa transação deve ser definido a priori, ou seja, antes do comprador ter o produto ou serviço. Outra alternativa seria a posteriori: o comprador ter o serviço primeiro (digamos, uma aula), e depois, avaliar o valor a pagar.

Argumento: o ser humano dá enorme valor antes de ter algo, e pouco valor após obter o mesmo. Isso é válido inclusive para serviços que tenham gerado enorme valor, digamos, uma aula importante. Quantas são as coisas que temos em casa, guardadas inutilmente em algum canto do armário? Quantos são os bons trabalhos realizados, que por conta de já terem sido feitos, parecem muito fáceis para quem apenas consome os resultados?

Outra reflexão, agora baseado no psicólogo Daniel Kahneman. Perder algo que temos é mais doloroso do que se nunca tivéssemos tido. Ele chama isto de Efeito Dotação. Um experimento simples: um colecionador de selos paga R$ 100,00 num selo exótico – que vai ficar guardado, paradinho, em sua coleção. Um amigo dele oferece R$ 150,00 no mesmo selo. Um caminho seria ele vender e embolsar o lucro, porém, dificilmente ele o vai fazer. Ele vai ponderar o valor emocional e o trabalho que teve para conseguir o selo, a dificuldade de obter outro igual, e a conclusão é a de que não vai vender – é preferível ter o mesmo pegando poeira em sua coleção do que se desfazer.

Pior ainda, imagine outra situação, em que o amigo conseguiu comprar o selo um minuto antes dele!

Ou seja, o ser humano dá valor à algo quando não o tem, e quando o perde – e nunca quando efetivamente o tem!

Dá até para pensar num gráfico:

Por essas e outros, o autor Robert Cialdini elenca a Escassez como um dos fatores de influência. Quanto mais rara e importante alguma coisa, maior o interesse das pessoas. Ser um excelente profissional é bom, porém, ser um excelente profissional demandado pelo mercado é melhor ainda!

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2016/10/07/insights/

https://ideiasesquecidas.com/2018/01/21/%e2%80%8brecomendacoes-de-livros-para-recem-formados/