Notas sobre Tribos

Transcrevo aqui notas sobre o livro Tribos, do autor Seth Godin. Ele escreve sobre marketing e business em geral, e sempre tem bons insights.

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O que é um tribo?
É um grupo de pessoas conectadas umas com as outras, com um líder e uma ideia comum.

Nós pertencemos a várias tribos.

Tribos fazem nossa vida melhor.

A Internet eliminou a geografia, atualmente podemos ter tribos globais.

 

A oportunidade: encontrar ou criar uma tribo, e liderá-la.

 

Alguns exemplos:
Joel Spolsky está mudando o mundo, ensinando como conduzir uma pequena companhia de software.

Mohamed Yunus e Al Gore criaram tribos para as suas causas, de microcrédito e de preservação do ambiente.
Os vários seguidores apaixonados do TED Talks formam uma tribo.

 

O que é necessário?
Para criar uma tribo, é necessário um interesse comum e uma forma de conexão, como itens principais.
Além disso, deve-se motivar, conectar e alavancar:

  • Transformar o interesse comum numa paixão
  • Fornecer ferramentas para melhorar a comunicação
  • Alavancar a tribo para ganhar novos membros

 

Sobre a falta de líderes
Precisamos de você. Pela primeira vez espera-se que todos liderem. O mercado está recompensando quem muda coisas e cria produtos e serviços memoráveis.

 

Crie um movimento

Criar um movimento é mais do que dizer o que fazer. Grande líderes empoderam as pessoas a se comunicar. Estabelecem as fundações para a conexão entre as pessoas.

 

Fãs verdadeiros
Mil fãs verdadeiros é o suficiente. Eles darão atenção e suporte suficiente, eles formam uma tribo.

As organizações prezam demais por números, ao invés de fãs.

 

Medo

Por que nem todos criam um movimento? Por conta do medo.

Revisitando o princípio de Peter. Todos são promovidos até o nível em que são paralizados pelo medo.
Preste atenção no medo, a fim de superá-lo.

 

Memorável

Um produto memorável é como uma vaca púrpura (em referência ao livro anterior de Godin, Purple Cow).

Vacas marrons são chatas. Vacas púrpuras são memoráveis.

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Voluntários

Tribos são voluntárias. Grande líderes não tentam agradar a todos.

Um grupo motivado e conectado é melhor que um grupo apenas maior.

 

Medo, fé e religião

Pessoas que desafiam o status quo fazem algo difícil. A fé é necessária para superar o medo.

Religião é uma série de crenças impostas, como a religião do MBA ou o código de valores de uma grande companhia.
A fé é subestimada, e a religião, superestimada.

 

Hereges
A gerência moderna quer hereges. Estes desafiam o status quo, fazem as mudanças antes que as mudanças aconteçam.

 

Espalhar a palavra
Mostre este texto para mais alguém ler. Divulgue o movimento.

 

O segredo da liderança
Faça o que você acredita. Pinte uma imagem do futuro e vá em busca deste. As pessoas seguirão.

Precisamos de sua liderança.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cuidando do jardim

O meu amigo Diego Oliveira questionou se este site tem como objetivo obter uma renda passiva.

A resposta é não, não tem como objetivo monetizar. O objetivo é expressar ideias, aprender muito com isto, e devolver parte do conhecimento para a sociedade.

 

Aliás, “site” pode ser traduzido como sítio, e como num sítio, tenho que cuidar do jardim.

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Ter um blog como este é como cuidar de um jardim. Um esforço de algumas horas por semana, trabalhando, plantando sementes de ideias, aparando as palavras, tirando ervas daninhas… mais vale a constância a longo prazo do que o entusiasmo de curto prazo, como na história da tartaruga e do coelho. E a recompensa de ter um jardim bonito é a satisfação pessoal, não há monetização nisto.

 


 

Sobre monetização. Como é muito fácil publicar algo na internet atualmente, há uma avalanche de artigos, textos, vídeos, saturando a cabeça das pessoas. E como sempre acontece com o ser humano, o que realmente faz sucesso são vídeos de humor e entretenimento, ou conteúdo de nicho, para crianças por exemplo.

Vide pesquisa abaixo, dos canais brasileiros com mais inscritos no Youtube.

Whinderson Nunes – Comédia
21,8 milhões de inscritos

Kondzilla – Música
15,7 milhões de inscritos

Porta dos Fundos – Comédia
13,3 milhões de inscritos

Felipe Neto – Entretenimento
12,2 milhões

5inco Minutos – Comédia
10,7 milhões

Authentic Games – Games
10,2 milhões

Canal Nostalgia – Entretenimento
9,5 milhões

(http://www.meioemensagem.com.br/home/midia/2017/07/31/canais-de-comedia-lideram-audiencia-do-youtube.html)

 

E isto reflete bem o que faz sucesso na TV aberta, no rádio, em revistas, etc… O mesmo ocorre em qualquer lugar do mundo, o ser humano é igual.

Vide o maior ibope da Globo, agora de abril/2018

  • NOVELA III – O OUTRO LADO DO PARAÍSO
  • FLASH JORNAL DA GLOBO VIVO NOT
  • FUTEBOL REGIONAL VES
  • JORNAL NACIONAL
  • FUTEBOL
  • BIG BROTHER BRASIL

(https://www.kantaribopemedia.com/dados-de-audiencia-nas-15-pracas-regulares-com-base-no-ranking-consolidado-0204-a-0804/)

Bom, pelo menos tem o Jornal Nacional entre novela, futebol e Big Brother…

 

Outro conceito que sempre uso aqui é que o mundo é Pareto, exponencial. É o efeito vencedor-leva-tudo, 20% das pessoas têm 80% da riqueza, 20% dos autores têm 80% das vendas. Num mundo cada vez mais globalizado, o Pareto não será em nível local, mas em nível global – os ricos cada vez mais ricos. A monetização vale mais para os tops do que para os pobres do mundo digital. Talvez até dê para monetizar um site pequeno de alguma forma, mas não sei como fazer, este nunca foi o objetivo.

 

Escrevo aqui simplesmente porque tenho uma paixão por ideias. Escrevo apenas quando há algo de valor a acrescentar, uma experiência, um ponto de vista, ou traduzir algo complicado para uma linguagem mais simples. A Internet é um grande ctrl+c ctrl+v, com muitas ideias copiadas e pouco conteúdo autêntico de verdade, com muito joio e pouco trigo, muito ruído e pouco sinal.

Ou, como diria Nietzsche, estas palavras estão aqui por paixão, a tinta da minha pena é o meu sangue, e os leitores não devem ler com os olhos, mas sim com a alma.

E vamos lá, cuidando do meu pequeno jardim…

 

 

 

 

 

Força x Persistência

Nos tempos de faculdade, muitas pessoas varavam a noite na véspera de uma prova.

Eu fazia o oposto. Estudava com vários dias de antecedência, dava uma revisada na véspera, e ia passear, sossegado.

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Isto é do estilo de cada um, o desempenho dos que varavam a noite não era necessariamente melhor ou pior.

Talvez tenha aí um pouco da minha herança oriental – pensar no futuro, poupar, valorizar o longo prazo.

Paciência no lugar de pressa. Ir devagar e continuamente, ao invés de ir aos saltos.
Isto continua até hoje. Nos projetos em que participo, prefiro trocar força e intensidade por persistência e paciência.​

Mais ou menos como o conto de Esopo, da tartaruga e do coelho.
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Vejo muitos trabalhos de consultoria que são intensos e pontuais, um deus-nos-acuda de trabalho em pouquíssimo tempo, como uma marretada. Depois que a consultoria faz o ppt, vira as costas e vai embora, tudo volta a ser como era antes. E daí, a diretoria contrata outra marretada, depois outra, até que alguma coisa quebra no meio do caminho.

 

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A alternativa à marreta seria uma prensa, que vai constantemente pressionando, com força gradativamente maior, sem tirar a pressão.

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Não dá para dizer que uma característica é sempre melhor que a outra, depende do contexto… mas já vi várias tartarugas devagares e sempre superando coelhos que pulam para a frente e depois estacionam sem avançar…

Algumas palavras sobre Inovação

Reflexões sobre inovação, após vários trabalhos participando, executando, tentando mudar… A maioria das frases é óbvia, porém, é mais fácil falar do que fazer.

 

Inovar por inovar não quer dizer nada. O objetivo final deve ser agregar valor de verdade ao processo, produto ou serviço. Se não agregar valor, serão apenas palavras bonitas que todos querem ouvir.

Ter ideias é relativamento fácil. O gargalo está na execução: desenvolver as ideias, fazer acontecer de verdade, os 99% transpiração x 1% de inspiração de Thomas Edison.

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​Inovação pode ser algo tão pequeno quanto uma mudança simples no processo. Não é necessariamente ligado a tecnologias ou empresas futurísticas.

 

Erre sempre. Mas os erros devem ser pequenos e rápidos. O erro nunca pode ser fatal. E, obviamente, devemos aprender com os erros, corrigir a rota para o resultado final. Erros são inerentes ao processo de inovação. Neste sentido, gosto muito do conceito de prototipagem rápida do Design Thinking. O protótipo é uma forma simples, rápida e fácil de testar conceitos, serve como um MVP (minimum viable product).

A inovação está nos olhos de quem sente. Pode ser algo conhecido no mundo todo, mas se melhorou o processo da pessoa, é uma inovação para ela.

Quase nenhum grande invento veio de um inovador solitário. Normalmente, são redes de inovação: muitas pessoas, trabalhando em vários aspectos da cadeia de suprimentos ao mesmo tempo. Até mesmo o exemplo da lâmpada elétrica, que é atribuída a Edison, na verdade contou com centenas de colaboradores, um network de inovação.

Somente as inovações dentro do possível adjacente são possíveis. São aquelas que estão na fronteira, à sombra, do que já existe atualmente e do que temos domínio. Estão a apenas um passo de onde estamos – não tente dar um passo maior do que a perna, ou dois passos de uma só vez.

O computador eletrônico já tinha um protótipo, 100 anos atrás, construído por Charles Babbage. Mas de nada adiantou, já que não existiam fornecedores, nem técnicos. A ideia tem que estar madura para ser colhida.

Uma forma de ter boas ideias é ter muitas ideias, e um network que consiga filtrar, discutir e melhorar as mesmas.

 

O inesperado é uma grande fonte de inovação. Se esperávamos um comportamento, e na prática encontramos outro, esta pode ser uma grande fonte de oportunidade. Um fracasso inesperado, um sucesso inesperado. Ao invés de tentar justificar o que deu certo ou errado, devemos aproveitar a oportunidade que se abre.

Peter Drucker lista sete fontes de inovação:

  1. Inesperado
  2. Incongruências
  3. Necessidades de processo
  4. Estruturas da indústria e mercado
  5. Mudanças demográficas
  6. Mudanças na percepção
  7. Conhecimento novo

 


Algumas fontes:
· De onde vêm as boas ideias, Steven Johnson
· Inovação Operacional – Robson Quinello
· Innovation and Entrepreunership – Peter Drucker

 

Crédito = Acreditar

A palavra “crédito” vem do latim creditum, “algo emprestado, objeto passado em confiança a outrem”, ou seja, acreditar, confiar.

Para emprestar algo a alguém, tenho que confiar que este irá devolver.

Em japonês, crédito é traduzido como shinyo.

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Em chinês, é o mesmo ideograma, com a leitura shinyong.

Em ambos os casos, o significado é verdadeiro, acurado, confiança.

 


 

A confiança é o ativo mais importante que uma pessoa pode ter numa sociedade.

Quem tem confiança tem as portas abertas para novos empreendimentos.

O “quem diz” é muito mais importante do que “o que é dito”, na vida real. O teste do olho-no-olho é o que conta no final.

A confiança é mais ou menos como emprestar dinheiro para um recém-conhecido. Este começa com um pouco de crédito, não muito, e pode ir ganhando ou perdendo crédito à medida em que entrega ou não o prometido.

 


Dois exemplos

O Burro esforçado.  Conheço uma pessoa que discursa muito mal, não é um bom vendedor no sentido usual da palavra. Porém, seu histórico em correr atrás e fazer acontecer é o seu lastro – todos sabem que algo de bom vai sair, ou que ele pelo menos vai trabalhar com afinco para conseguir. Sempre dá vontade de ouvir as suas considerações, por menores que sejam.

 

O Papagaio executivo. Em contraste, conheço outra pessoa que discursa muito bem, utiliza as frases feitas que todos querem ouvir, porém tem um histórico péssimo de nunca entregar o prometido. O crédito deste é tão baixo para mim que, assim que começa a falar, penso “esse papo de novo?”, por mais que às vezes as palavras façam sentido. Dá vontade de jogar o “bingo corporativo”.

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Conclusão: Não seja o papagaio executivo.

 

Veja também:

A associação dos burros esforçados

Por que há tantas pessoas fiéis à Apple?

 

 

 

Buracos negros, o início do tempo e o cérebro aprisionado

Repostando em homenagem ao grande Stephen Hawking.

Forgotten Lore

Uma breve história do tempo

Existe um cérebro, aprisionado num corpo inválido, que sonhou com o começo do universo.


No início, houve uma explosão, um Big Bang, que deu origem ao espaço e ao tempo.

BigBang

O universo começou a se expandir e a resfriar. Do resfriamento da energia, começou a surgir a matéria. Da matéria, surgiram as estrelas e planetas.

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As estrelas têm um ciclo de vida. Elas começam pequenas, e vão crescendo até virarem gigantes vermelhas, onde é o seu ápice. Daí, começa a decadência, se transformando em anãs vermelhas, depois em anãs brancas, até morrerem agonizantes, se transformando em um buraco negro. A morte de uma estrela é tão poderosa que suga tudo o que estiver ao redor. Nem a luz escapa.

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Isto não é um delírio qualquer. É uma teoria extremamente respeitada, escrita por um dos maiores cientistas dos últimos tempos.

E o cérebro aprisionado num corpo inválido é…

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​ O olho da sabedoria

O deus máximo da mitologia nórdica é Odin, e ele é cego de um olho.

Como Odin perdeu o olho?

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Odin sempre buscou obsessivamente a sabedoria.

Nesta busca, ele chegou ao poço de Mimir, aos pés da árvore da vida YggDrasil. Lá vivia Mimir, um ser que tinha todo o conhecimento do cosmos, conseguido devido à água do poço.

Odin pediu para beber a água do poço da sabedoria. Mimir respondeu que havia um preço extremamente alto a ser pago.

“Qual o preço?”, perguntou Odin.

“Um de seus olhos”, disse Mimir.

Odin não hesitou. Arrancou um de seus olhos, sem se importar com a dor, e bebeu a água da fonte da sabedoria…

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Como conseguir o olho da sabedoria?

A sabedoria vem somente após muitos sacrifícios.

O mundo real não existe, existem interpretações do mesmo.

Quem enxerga o mundo com o olho da sabedoria enxerga muito além do que os olhos podem alcançar.

Com o olho da sabedoria vemos as linhas do código-fonte que formam a matrix de nosso mundo.

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Odin pelo mestre Jack Kirby

Vemos cadeias de relações causa-efeito, causa-efeito, a níveis profundos.

Vemos o presente, entendemos o passado e projetamos o futuro.

Vemos que há situações que não conseguirmos prever, para os quais é bom ter precauções, como seguros e opções.

Compreendemos o que as pessoas realmente pensam e o que querem.

Vemos o mundo em nível global e a longo prazo.

Qualquer um de nós pode conseguir o olho da sabedoria, mas o preço é alto, extremamente alto. É necessário muito mais do que o sacrifício de um olho. É necessário o sacrifício de sua vida.

Obter sabedoria significa uma busca incessante por novos conhecimentos: inúmeras horas estudando, lendo, procurando boas fontes de inovação.

Obter sabedoria significa trabalhar eternamente para gerar valor no mundo real, interagindo com dezenas de pessoas, ajudando, aprendendo e ensinando.

Obter sabedoria envolve inumeráveis tentativas e erros, empreender, ser bem-sucedido e falhar, cair e levantar, reconhecer erros, pedir desculpas e evoluir.

Odin perdeu um olho físico, mas ganhou um olho metafísico.

Com tal olho, ele enxergava mais do que qualquer outra criatura da face da Terra.

Em terra de caolho, quem tem dois olhos é rei.

Trilha sonora: assim falou Zaratustra, Richard Strauss

 


 

Fontes:

https://norse-mythology.org/tales/why-odin-is-one-eyed/

https://www.audible.com/pd/History/Great-Mythologies-of-the-World-Audiobook/B013KRSIVC?ref=a_a_search_c3_lProduct_1_2&pf_rd_p=e81b7c27-6880-467a-b5a7-13cef5d729fe&pf_rd_r=BZY0SQ8RHE1VHZPCR6R9&

​O timing correto

Uma águia passa horas planando até que todas as condições estejam favoráveis. Quando chega o momento, o seu ataque devastador ocorre em segundos.
 
Rolar uma grande rocha morro acima é feito aos poucos, com paciência, centímetro a centímetro. Quando a rocha cai morro abaixo, salve-se quem puder.
 
Energia cinética = Energia potencial, segundo a lei da conservação de energia.

 

Para liberar em um segundo uma explosão de energia cinética, é necessário muito tempo acumulando energia potencial.
 
Vencer uma luta em um minuto requer meses de preparativos.
 
Realizar um excelente trabalho em poucos dias requer anos de excelência no assunto.
 
O impaciente vai liberar energia cinética sem potencial suficiente.
 
Vence aquele que tiver a capacidade de dominar a arte do timing correto.
 
Vence aquele que tem a paciência e a dedicação de acumular energia potencial: estudar além do que escola oferece, trabalhar com excelência, testar inovações, errar e aprender.
 
Vence aquele que sabe aplicar o potencial acumulado.
 
Vence aquele que pensa a longo prazo.
 
“A energia é como o retesar de uma besta. A decisão é como apertar o gatilho” – Sun Tzu, a Arte da Guerra.

 

​Skin in the Game (Pele no Jogo), de Nassim Taleb

Nassim Taleb é a mente destoante dos tempos modernos, o Nietzche de Wall Street. Ele é daquelas pessoas polarizantes: ou você ama muito ou você odeia muito.

Ele é libanês, radicado nos Estados Unidos, tendo trabalhado como trader por muitos anos, e testado suas ideias sobre o que (não) conhecemos sobre risco. O novo livro de Nassim Taleb, Skin in the Game, segue na esteira das ideias do Cisne Negro e de Antifrágil.

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Está tudo interligado. Um Cisne Negro é um evento de baixa probabilidade e alto impacto, e a questão é que tal evento tem mais chance de acontecer do que os nossos modelos conseguem medir. O conceito de antifragilidade é que há organismos que ganham com a desordem, e conseguem sobreviver e até se beneficiar de cisnes negros.

Hoje em dia, com o mundo esta ficando cada vez mais complexo, o que significa Cisnes Negros cada vez maiores. E essa complexidade é ainda mais forte por haver tantas pessoas sem a pele no jogo: o burocrata que decide intervenção no Iraque, o político que entende somente as consequências de primeira ordem, as corporações que são “grandes demais para falhar” e usam dinheiro público para sobreviver. Se der tudo certo, ok, venci. Se der errado, grito “foi um cisne negro” e com isso justifico socializar as perdas.

Seguem algumas ideias, sem muita ordem.

Ter a pele no jogo obriga a pessoa a passar no teste do tempo, como na natureza.

Via negativa: normalmente não sabemos o que funciona, mas sabemos o que não funciona. Não dá para saber de antemão se algo vai funcionar ou não, mas dá para testar, e vamos saber o que não vai funcionar. O que não funciona é o que não passa no teste de sobrevivência, o teste do tempo.

Cicatrizes do mágico. Taleb viu um show em que o mágico usava um picador de gelo. Após o show, ele percebeu gotas de sangue caindo da mão do mágico: é um indício de que ele realmente se arriscou ao fazer o papel, de que não foi algo fake. O mágico passou a ter o respeito do autor.

Trump é Antifrágil. Os jornalistas o atacam por ele ser um empresário e ter tido prejuízo da ordem de milhões de reais. Ora, mas assim como no caso do mágico com cicatrizes, é exatamente por isso que ele é respeitado pelas pessoas comuns: ter a coragem de empreender (com o seu dinheiro, não dinheiro dos outros), falhar. Perder milhões é como mostrar as cicatrizes de ter empreendido no mundo real.

A ordem em que as coisas acontecem conta muito. Um funcionário público que ficou rico é completamente diferente de um rico que virou funcionário público. O primeiro não teve a pele no jogo, e provavelmente se beneficiou do próprio sistema para tal. O segundo sobreviveu ao teste do tempo, que com todas as ressalvas é um bom indício, e só então foi ao serviço público.

Nunca atravesse um rio com profundidade média de 0,5 metro. Porque não é só a média que importa, mas também a variância. Um rio de 0,5 m de profundidade vai ter trechos muito mais profundos e outros bem rasos.

Sobre a “regra de prata”. A “regra de ouro” é algo como “faça aos outros somente o que você faria a si mesmo”. A “regra de prata” é a versão via negativa, mais robusta do que a primeira: “não faça aos outros o que você não faria a si mesmo”. É interessante porque realmente eu não sei o que o outro quer, mas certamente sei o que o outro não quer. Taleb aproveita para dar uma espetada no filósofo Immanuel Kant, dizendo que o seu imperativo categórico é complicadíssimo e não funciona na prática…

Jornalistas: ter o reconhecimento de jornalistas produz o oposto do que se espera. O ideal é ser ignorado, ou até mesmo odiado pelos jornalistas, aí sim é um indício de que o trabalho é bom e vai sobreviver ao teste do tempo.

O efeito Lindy. Surgiu numa cafeteria chamada Lindy, em que o pessoal da Broadway se reunia. Eles brincavam que, se uma peça já está há um mês em cartaz, ela vai durar mais um mês. A expectativa de vida é igual ao tempo já sobrevivido. E esta é uma heurística muito boa. Trabalhos clássicos dos filósofos gregos de 2 mil anos atrás vão durar muito mais do que um livro qualquer lançado hoje.

A academia virou uma competição atlética, em que o participante quer uma medalha – tendo ou não alguma utilidade prática. É um meio auto-contido, em que as referências cruzadas aos próprios trabalhos são a medida de sucesso. E uma dessas medalhas é o prêmio Nobel, que para Taleb, era melhor que não existisse, para que os pesquisadores se concentrassem em procurar soluções de verdade.

Sour grapes. Há relatos de que as pessoas, ao não conseguirem alcançar as uvas que estavam longe, imaginavam que as mesmas deveriam estar verdes. Isto inspirou o conto de Esopo, posteriormente.

A falha do Behavior Economics é modelar os tendências de comportamento de um indivíduo, sendo que isto não necessariamente vai se refletir no comportamento de um grupo de indivíduos. Taleb ataca com todas as letras Richard Thaler, que para piorar ganhou um prêmio Nobel. Mas, de forma não coerente, Taleb poupa Daniel Kahneman, o fundador da Economia comportamental, prêmio Nobel também, porém amigável às ideias do libanês.

Entre dois médicos, um todo almofadinha, com roupas caras, diplomas na parede, e outro desarrumado, gordo, barba por fazer, parecendo um açougueiro, sem diploma algum na parede, qual escolher? Para quem conhece Taleb, é claro que é o segundo, sem dúvida. Isto porque se o segundo apresenta todas as desvantagens citadas, e ainda assim está no mercado há um bom tempo, é porque este sobreviveu ao teste do tempo, e tem talento real. O primeiro pode ter aparência, mas terá competência real? A natureza não está ligando nem um pouco para a aparência física e sim para performance no mundo real.

A ditadura da minoria. Imagine um grupo de pessoas, onde uma delas não abre mão de ir para a praia, e os outros todos têm uma leve preferência a ir às montanhas. O grupo todo acaba indo para a praia, já que aquele único fulano não abre mão deste resultado. O mais intolerante vence, acaba levando o grupo todo junto.

Ser papa garante bons médicos. Quando o papa João Paulo II foi baleado, ele foi levado ao melhor hospital da região e tratado pelos melhores médicos. Ora, porque não levaram ele para uma capela, para rezar?

Já dizia Aristoteles, a inveja vem dos semelhantes, do mesmo grupo. Alguém muito pobre vai invejar o seu primo que tem um tênis novo, e não um multibiliardário como Bill Gates. É mais provável um socialista que come caviar na França falar de desigualdade social do que a classe trabalhadora, que quer mais é viver o dia-a-dia.

O intelectual idiota: são aqueles que aplaudem quando o povo vai na mesma linha deles, mas quando não entendem o resultado, dizem que é populismo. São os que não compreendem como alguém como Trump pode ter vencido as eleições. Tem um monte de intelectual idiota por aí.

Conclusão

Sinto ao ler Taleb o mesmo que ao ler Nietzsche: com um martelo, ele ataca as fundações de barro de todos os ídolos do mundo atual (os acadêmicos, os economistas, os jornalistas, os intelectuais idiotas), e os demole, um a um. Ele também prefere o êxtase de Dionísio (no caso um malandro das ruas chamado Tony Gordo, ou um médico açougueiro) ao mundo ordenado de Apolo (para Taleb, um matemático quantitativo com phD chamado Dr. John ou um médico almofadinha com diplomas na parede).

Fiel ao seu estilo, Taleb ataca tudo quanto é celebridade intelectual do nosso tempo. Steven Pinker, Richard Thaler, Thomas Piketty, Paul Krugman, usando sem parar a palavra “bullshit”. Ele também se envolveu em polêmica com Mary Beard, ao meu ver, de forma exagerada e injusta – mas este é o estilo dele, opiniões fortes, críticas e discussões.

Estes conflitos geram um monte de inimigos, mas esta é justamente a tática de Taleb. Melhor o livro ser avaliado de forma ótima por alguns e péssima por vários outros, do que todos darem uma nota média. Ele pratica a antifragilidade no mundo real.

Algumas recomendações finais envolvem colocar a pele no jogo, empreender no mundo real.

Taleb é mais fácil de ler do que praticar. Porque praticar o que ele diz envolve esforço real, significa literalmente ter a pele no jogo, e muito poucos têm coragem para tal.

Como apresentar a sua ideia em 30 segundos ou menos

O período médio de atenção do indivíduo é de 30 segundos. É por isso que os comerciais de TV têm 30 segundos.

 
“Mas eu não conseguiria expor meu pensamento em 30 segundos”. Ora, a TV faz isso o tempo todo!
 
Para criar o seu discurso:
 
1. Ter um objetivo claro, bem definido, para a mensagem.
2. Saber com quem está falando, conhecer o público alvo.
3. Definir a abordagem, como chegar lá, a estratégia para passar a mensagem.
4. Procurar um gancho: algo que prenda a atenção, incomum, inusitado, interessante, dramático.
5. Peça o que você quer: no final da mensagem, faça uma exigência de ação direta ou indireta.
 
O trabalho final deve ser como um quadro: pintar uma imagem na cabeça do ouvinte, com clareza e tocando o seu coração.
 
Treino: uma mensagem de trinta segundos pode precisar de semanas de treinamento. Ou, de outra forma, é preciso muita preparação para passar uma mensagem cativante em pouco tempo.
 
O “quem diz” é muito mais importante do que o “o que se diz”. Postura, linguagem corporal, primeiras impressões, estilo, são sempre levados em conta pelo ouvinte.
 
Quero mais… deixe sempre um gostinho de “quero mais” na boca do consumidor.
 
Ação: tente seguir tais técnicas em seu próximo discurso de elevador.
 
Veja também:
 
Fonte: Como apresentar as suas ideias em 30 segundos ou menos – Milo O. Frank.

Pedir ajuda

Pedir ajuda é uma excelente forma de inovar, e também de criar novas conexões.

Em geral, as pessoas gostam de ajudar, contanto que esta ajuda seja pontual, humilde por parte do solicitante e de alto nível técnico.

A primeira lei de Newton, da ação e reação, vale aqui:

– Se a pessoa se sentir explorada, obviamente ela não vai gostar.
– Se for com um tom de obrigação, a ajuda vai ser somente o mínimo necessário para responder a questão.
– Se for algo de alto nível técnico, engrandecedor para quem ajudar, a resposta também será de alto nível.

O ideal é que a ajuda extrapole a pergunta: indique novas oportunidades de aplicação, abra novas portas, dê novas ideias.

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A inovação que funciona de verdade vem de networks: várias pessoas (competentes, diga-se de passagem), colocando novas aplicações e elementos que contribuem para o sucesso do trabalho.

Por fim, quando o trabalho estiver concluído, agradeça pela ajuda, por menor que esta tenha sido.

Ação: peça ajuda, mesmo se não precisar. Mas saiba pedir.

 

Três contos sobre o Trabalho

Os dois comerciantes

Um conto budista sobre o diálogo de dois comerciantes, o normal e o esforçado, no meio de uma longa jornada para comprar os produtos para revender posteriormente.

Normal: Que trabalhão, ter que atravessar essa montanha imensa, carregando tantos fardos! Queria que a nossa jornada fosse mais simples.

Esforçado: Pois eu queria que a montanha fosse maior, o caminho fosse mais tortuoso, e os perigos maiores.

Normal: Ah é? Mas por que motivo?

Esforçado: Se a jornada fosse mais árdua, menos pessoas se prestariam a tal. Desta forma, os frutos do meu trabalho seriam mais valiosos, e por consequência, a recompensa seria maior!

Leia também: a Associação dos Burros Esforçados.


Hermes e o trabalho

Um conto de Esopo

Zeus, após criar os seres humanos, designou Hermes para ensiná-los a sobreviver de seu trabalho na Terra.

Hermes os levou até Gaia, a Terra, e ensinou-os a labutar.

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A Terra, porém, não gostou nem um pouco. Hermes obrigou-a, dizendo que Zeus tinha ordenado. Ela retrucou: podem cavar a terra, mas terão que pagar caro por isto.

Este é o motivo pelo qual temos que trabalhar tanto para sobreviver neste mundo…


Os dois sapatos

Este conto é meu mesmo.

Numa vila, haviam dois sapateiros, um mediano e um excelente.

O sapateiro mediano colocou 10 horas de trabalho para fazer um sapato também mediano: costuras imperfeitas, pés desiguais, pontas sobrando.

O sapateiro excelente fez um sapato excelente: costuras perfeitas, acabamento bem feito, detalhes bem pensados. Utilizou 15 horas para tal.

Um cliente comprou um par do sapateiro mediano e um par do sapateiro excelente, pagando algo proporcional a 10 e a 15 moedas, respectivamente.

O sapato mediano incomodava o pé do cliente, e estava cheio de falhas. O cliente voltou para ajustes ao sapateiro mediano mais três vezes antes de desistir do mesmo – mas no total ele gastou muito mais tempo e dinheiro do que o preço original.

Já o sapato excelente funcionou perfeitamente, sem necessidade de retorno para ajustes. Obviamente, o cliente passou a comprar sapatos apenas com o sapateiro excelente.

Entregar um bom trabalho requer uns 50 por cento a mais de tempo, esforço e concentração do que um trabalho ruim, na primeira vez em que é realizado.

A diferença é que o trabalho ruim vai voltar para ser refeito o triplo de vezes do que o trabalho bom, na melhor das hipóteses.

No final das contas, vale muito mais fazer um excelente trabalho desde o início.