O círculo de ouro

A ideia do círculo de ouro do autor americano Simon Sinek é muito simples, porém ao mesmo tempo é um modelo esclarecedor.

Imagine três círculos, o Por quê?, o Como? e O quê?

Todas as empresas e pessoas têm, de alguma forma ou outra, os três. Até aí, é óbvio.

Porém, uma empresa comum começa do que sabe, do O quê?

Um comercial da Dell: temos um notebook com 16 giga de memória RAM, com placa de vídeo última geração e preço competitivo, que vai aumentar a sua produtividade, etc…

Já uma Apple começa do Por quê?. Queremos desafiar o status quo, deixar uma marca no universo, pensar diferente. Para isso, projetamos produtos simples de usar, com design elegante, e que, no final das contas, são também os melhores computadores do mundo.

Comece pelo Por quê.

Simples e óbvio, porém todo bom insight é óbvio a posteriori.

Amazon lockers, Amazon Bookstore e valores da empresa

Como fiquei pouquíssimos dias na Califórnia, usei o Amazon Prime para fazer algumas compras e entregar no mesmo dia. A impressão foi excelente, realmente entregaram o produto em 24h. Imagine a logística para tal…

Por lá há uma opção chamada “Amazon locker”. São vários armários espalhados pelas principais cidades, onde a Amazon faz a entrega. É tipo uma caixa postal, mas da Amazon. No meu caso específico, o locker estava localizado num seven-eleven.

Os armários não aceitam objetos muito grandes ou muito frágeis. E os produtos têm prazo, têm que ser retirados em três dias.

Quando o produto é entregue, a Amazon informa via e-mail um código.

No locker, é só digitar o código, que a caixinha correspondente ao pedido abre. Simples, rápido, confiável, muito bom para quem está em viagem.

Outro empreendimento da Amazon em San Jose, Califórnia. O Amazon bookstore é uma livraria física da Amazon. Ela, que começou 100% online, agora faz o contrário, passa para o offline. Este O2O – online to offline – é uma tendência em várias empresas. Já que devem fazer mesmo a entrega física do produto de alguma forma, porque não fazer parcerias ou abrir uma lojinha como ponto de apoio?

Porém, devo confessar que a Barnes & Noble é infinitamente mais sensacional (como livraria offline).

Para fechar, os 5 valores principais da Amazon, segundo o livro “The Everything Store”:

  • Obsessão pelo consumidor
  • Frugalidade
  • Tendência à ação
  • Ser o dono
  • Alto nível para talentos

E um sexto dogma, acrescentado depois: Inovação.

Não à toa, é a empresa mais valiosa do mundo no momento.

Links:

https://www.cnbc.com/2019/01/07/amazon-passes-microsoft-market-value-becomes-largest.html

https://ideiasesquecidas.com/2019/05/24/o-vortex-digital/

https://ideiasesquecidas.com/2019/05/21/waymo-o-carro-autonomo-do-google/

O que é “Antifrágil”?

Tenho visto o uso do termo “antifrágil” por aí. Ainda são poucas as pessoas que a usam, porém, a frequência vem aumentando, o que é legal. O único problema é que a conotação está completamente errada…

Em termos simples, “Antifrágil” é o contrário de “frágil”.

Mas o contrário de “frágil” não é “robusto”? Ou “resiliente”, algo assim?

Não, porque os termos “robusto” ou “resiliente” denotam algo que resiste, sem melhorar ou piorar. O Antifrágil melhora ante a estresses, dentro de um certo limite.

  • Quando algo é frágil, ele quebra, há um impacto negativo.
  • Quando algo é robusto, ele não quebra, o impacto é nulo.
  • E quando algo fica mais forte quando atacado? Este é o antifrágil, o oposto exato do frágil.

O termo Antifrágil foi criado pelo pensador libanês Nassim Taleb, autor dos livros “A lógica do Cisne Negro”, “Antifrágil – coisas que se beneficiam com o caos” e “Pele no Jogo”.


Qual a interpretação errada?

Muita gente está utilizando antifrágil como um termo de autoajuda, e isto está errado, muito errado.

Exemplo: você deve ser antifrágil, ficar mais forte a cada pancada que recebe. Sua empresa deve aprender a ser antifrágil, crescer quando todo mundo está na crise…

Só que este tipo de frase vazia não representa o conceito real por trás do termo. Se o Mike Tyson vier me bater, eu não vou ficar mais forte, e sim parar no hospital…

A ideia principal da antifragilidade é a exposição a riscos. Por um lado, proteger-se de riscos catastróficos, e por outro, expor-se a riscos positivos, que geram um impacto benéfico. Acima de tudo, assumir as consequências dos riscos assumidos.

Cisnes Negros

Um Cisne Negro é um evento de baixíssima probabilidade, porém, impacto devastador. Os Cisnes Negros são o tema central dos trabalhos de Nassim Taleb, que argumenta que estes são subestimados pelo ser humano. Não há modelo matemático que consiga prever um Cisne Negro, por eles serem tão raros – como tirar informação da onde não existe?

Um Cisne Negro é uma não-linearidade. Um atentado de 11 de setembro, uma crise mundial de 2008, um rompimento de barragem (no caso do BR, dois) – algo que muda fortemente a direção da história.

Taleb argumenta que o mundo atual está cada vez mais propenso ao surgimento de Cisnes Negros. O mundo tem empresas cada vez maiores, com foco em otimização a curto prazo. Essas otimizações reduzem as instabilidades pequenas, porém aumentam o risco de uma grande instabilidade (quanto mais alto, maior a queda).

Um elefante é toneladas maior do que formigas, porém experimente jogar um elefante do primeiro andar de um prédio. Ele vai quebrar a perna. Em termos evolutivos, o elefante está muito mais propenso à extinção do que as formigas.

Too big to fail

Taleb faz duras críticas ao sistema financeiro, que cria bancos e outras instituições “too big to fail”. Elas cresceram consolidando bancos menores, são otimizadas para gerar ganho atrás de ganho, varrendo para debaixo do tapete os riscos. Enquanto dá tudo certo, os executivos recebem bônus milionários. Quando ocorre algum problema grande, e todos os riscos ocultos vêm à tona cobrando o seu preço com juros e correção monetária, eles gritam “foi um Cisne Negro” e passam a conta para o Estado pagar. São antifrágeis à custa dos outros – à custa dos pagadores de impostos, de toda a grande massa de pessoas mais pobres, de todos nós.

Por outro lado, em sistemas orgânicos, o caos controlado e pequenos estresses geram o efeito da via negativa. Os muitos erros têm o efeito de eliminar do sistema os bancos e instituições que não sabem controlar os seus riscos, ao invés de bonificá-los pelo arranjo atual. O sistema não aprende acertando, e sim, eliminando. A evolução se dá por agressiva tentativa e erro, sendo o erro o aprendizado.

Os empreendedores são os heróis ocultos da nação. São os que passam anos tendo rendimento muito abaixo da média para, talvez um dia, alguns poucos conseguirem sucesso. A grande maioria fracassa, sentindo os efeitos na própria pele, sendo eliminados no cenário econômico e esquecidos para sempre nos anais da história.

Note a assimetria. O empreendedor individual é frágil, podendo facilmente fracassar, entretanto, o sistema como um todo aprende, torna-se antifrágil com o sacrifício destes. Já no caso dos bancos “too big to fail”, a instituição é invulnerável, às custas do sistema como um todo ser frágil.

Conclusão

A antifragilidade não é uma frase de motivação. Muito pelo contrário. É um convite a abraçar o caos, a empreender, é um convite ao sacrifício de arriscar e assumir as consequências dos erros na própria pele.


Veja também:

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/administracao/antifragil-42272607

https://ideiasesquecidas.com/2017/08/09/a-teoria-dos-cisnes-negros/

https://ideiasesquecidas.com/2019/01/25/cisnes-negros-e-gestao-de-riscos/

https://ideiasesquecidas.com/2018/03/02/%e2%80%8bskin-in-the-game-pele-no-jogo-de-nassim-taleb/

E depois?

Li uma história do Mula Nasrudin, cujo original não consigo encontrar, mas era mais ou menos assim.

Estava o Mula Nasrudin a dormir em sua rede debaixo de uma árvore, no meio da tarde, após pescar quantidade suficiente de peixes para o dia.

Um graduado em administração com MBA em Harvard estava passando pelo local, quando resolveu questioná-lo.

  • Por que você está aí, ocioso, ao invés de utilizar todo o seu dia para trabalhar?
  • Porque já pesquei o suficiente para hoje.

  • Por que você não continua pescando, para gerar um excedente de peixes e ter lucro vendendo-os no mercado?
  • O que vou fazer com o lucro?

  • Você pode acumular o lucro para comprar um barco maior e equipamentos de pesca melhores.
  • E depois?

  • Você pode aumentar a sua produtividade e pescar mais peixes em menos tempo, aumentando o seu EBITDA.
  • E depois?

  • Com aumento de sua margem EBITDA, você pode conseguir investimentos ou se associar a outros empreendedores, para comprar mais barcos e contratar mais pescadores, maximizando os ativos obtidos.
  • E depois?

  • Com o sucesso deste empreendimento inicial, você pode criar uma frota de barcos pescadores, aumentando o seu share e até chegando a dominar o mercado.
  • E depois?

  • A sua companhia pesqueira pode crescer tanto ao ponto de se tornar uma empresa global, e quem sabe, abrir o capital na bolsa de SP.
  • E depois?

  • Aí você será um homem rico. Poderá passar férias num lugar paradisíaco como este, e dormir sossegado numa rede debaixo de uma árvore, sem preocupações…
  • Então eu não preciso de nada do que você falou. Eu já estou fazendo isto.

O Mula Nasrudin convidou o graduado a se sentar, tomar uma água de côco de frente para o mar, e ficaram lá o resto da tarde, até contemplar o pôr do Sol.

PDCA japonês x brasileiro

Vi este post no LinkedIn, e não posso deixar de concordar e recompartilhar.

É tanto tempo para apagar incêndios que não sobra tempo para planejar!

Post original de Carlos Mendonça

https://www.linkedin.com/feed/update/urn:li:activity:6530199642502676481/?commentUrn=urn%3Ali%3Acomment%3A(activity%3A6530011876212948992%2C6530199578556325888)

O corpo fala

Segue uma das dicas que mais ajudaram no meu desenvolvimento pessoal.

Mais da metade de uma comunicação efetiva é devida à linguagem corporal.

Uma pessoa consegue disfarçar as palavras, mas dificilmente disfarça o que o corpo diz.

Recomendo o excelente livro “O corpo fala”, de Pierre Weil. Este é ilustrado com inúmeros exemplos didáticos, de fácil compreensão.

Exemplo. Na China, é muito comum enganarem turistas. Uma vez, dei uma nota de 100 yuanes. A atendente não falou nada, ficou enrolando para contar notas, deu o troco sem fazer contato visual, com os ombros caídos. Desde o começo fiquei prestando atenção, e sabia que ela estava devolvendo menos do que o devido. Dei uma olhada bem feia para ela, que percebeu. E então, disse: tome, fique com esses cartões postais de brinde.

Guardo os cartões na minha estante, em homenagem à linguagem corporal.