Pedir ajuda

Pedir ajuda é uma excelente forma de inovar, e também de criar novas conexões.

Em geral, as pessoas gostam de ajudar, contanto que esta ajuda seja pontual, humilde por parte do solicitante e de alto nível técnico.

A primeira lei de Newton, da ação e reação, vale aqui:

– Se a pessoa se sentir explorada, obviamente ela não vai gostar.
– Se for com um tom de obrigação, a ajuda vai ser somente o mínimo necessário para responder a questão.
– Se for algo de alto nível técnico, engrandecedor para quem ajudar, a resposta também será de alto nível.

O ideal é que a ajuda extrapole a pergunta: indique novas oportunidades de aplicação, abra novas portas, dê novas ideias.

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A inovação que funciona de verdade vem de networks: várias pessoas (competentes, diga-se de passagem), colocando novas aplicações e elementos que contribuem para o sucesso do trabalho.

Por fim, quando o trabalho estiver concluído, agradeça pela ajuda, por menor que esta tenha sido.

Ação: peça ajuda, mesmo se não precisar. Mas saiba pedir.

 

Três contos sobre o Trabalho

Os dois comerciantes

Um conto budista sobre o diálogo de dois comerciantes, o normal e o esforçado, no meio de uma longa jornada para comprar os produtos para revender posteriormente.

Normal: Que trabalhão, ter que atravessar essa montanha imensa, carregando tantos fardos! Queria que a nossa jornada fosse mais simples.

Esforçado: Pois eu queria que a montanha fosse maior, o caminho fosse mais tortuoso, e os perigos maiores.

Normal: Ah é? Mas por que motivo?

Esforçado: Se a jornada fosse mais árdua, menos pessoas se prestariam a tal. Desta forma, os frutos do meu trabalho seriam mais valiosos, e por consequência, a recompensa seria maior!

Leia também: a Associação dos Burros Esforçados.


Hermes e o trabalho

Um conto de Esopo

Zeus, após criar os seres humanos, designou Hermes para ensiná-los a sobreviver de seu trabalho na Terra.

Hermes os levou até Gaia, a Terra, e ensinou-os a labutar.

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A Terra, porém, não gostou nem um pouco. Hermes obrigou-a, dizendo que Zeus tinha ordenado. Ela retrucou: podem cavar a terra, mas terão que pagar caro por isto.

Este é o motivo pelo qual temos que trabalhar tanto para sobreviver neste mundo…


Os dois sapatos

Este conto é meu mesmo.

Numa vila, haviam dois sapateiros, um mediano e um excelente.

O sapateiro mediano colocou 10 horas de trabalho para fazer um sapato também mediano: costuras imperfeitas, pés desiguais, pontas sobrando.

O sapateiro excelente fez um sapato excelente: costuras perfeitas, acabamento bem feito, detalhes bem pensados. Utilizou 15 horas para tal.

Um cliente comprou um par do sapateiro mediano e um par do sapateiro excelente, pagando algo proporcional a 10 e a 15 moedas, respectivamente.

O sapato mediano incomodava o pé do cliente, e estava cheio de falhas. O cliente voltou para ajustes ao sapateiro mediano mais três vezes antes de desistir do mesmo – mas no total ele gastou muito mais tempo e dinheiro do que o preço original.

Já o sapato excelente funcionou perfeitamente, sem necessidade de retorno para ajustes. Obviamente, o cliente passou a comprar sapatos apenas com o sapateiro excelente.

Entregar um bom trabalho requer uns 50 por cento a mais de tempo, esforço e concentração do que um trabalho ruim, na primeira vez em que é realizado.

A diferença é que o trabalho ruim vai voltar para ser refeito o triplo de vezes do que o trabalho bom, na melhor das hipóteses.

No final das contas, vale muito mais fazer um excelente trabalho desde o início.

Haikais (ou quase)

Em resposta à provocação do meu amigo José Antônio Espíndola, seguem algumas palavras sobre Haikais.

Haikai, ou Haiku, são poemas japoneses simples, de 17 sílabas (poéticas), divididas em três linhas: 5 – 7 e 5 sílabas.

Um exemplo, do mestre Matsuo Basho (1644 – 1694):

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Cansei da viagem
hoje faz quantos dias?
Vento de outono.

São poemas bastante simples, que podem ter relação com a natureza ou estações do ano.

Borboletas e
aves agitam voo:
nuvem de flores.

Versos simples e bonitos

Entretanto, como em tudo na cultura japonesa, há várias regras chatas para criar um simples haiku de verdade: o tema, a métrica, etc.

Não sou nenhum especialista em haikus, portanto não vou arriscar a quebrar regras que nem conheço direito.

O que vou fazer é escrever alguns fake-haikus. Haikus em versão livre.

Cronos

O Passado volta,
O Presente não é vivido,
O Futuro clama!

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Leve

Pássaro feliz.
Ar, vento, liberdade.
Eterno Azul.

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O Vaso

Vaso imóvel.
Esbarrão… gravidade,
Cacos voando…

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Três filhas

A Haru graceja.
A Hikari canta e dança..
A Hiromi brinca…

(Tenho três filhas, chamadas Haru, Hikari e Hiromi)

Deixe o seu Haikai nos comentários.


Links

http://www.revistaprosaversoearte.com/matsuo-basho-dez-haikais/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Haiku

https://en.wikipedia.org/wiki/Matsuo_Bash%C5%8D

Drucker e Sun Tzu sobre Planejamento

Peter Drucker, no livro “O Executivo Eficaz”

Ter um plano de ação é uma das tarefas de um executivo eficaz.

Napoleão disse que nunca uma batalha seguiu o seu plano de ação.
Entretanto, Napoleão foi, de longe, o general que mais meticulosamente planejava as suas batalhas.

Planos de ação não são camisas-de-força que obrigam o seu cumprimento exato. Estes são guias para orientar a ação, e devem ser flexíveis para adequar imprevistos negativos ou oportunidades que surgirem.

Tais planos servem para alocação de recursos: pessoas e tempo. O tempo é o item mais escasso de um executivo, sem dúvida. E pessoas competentes são o item escasso de qualquer organização.

E, finalmente, planos de ação devem ser medidos, pelo menos duas vezes até o seu fim, comparando o esperado e o que ocorreu no final das contas.

 

Sun Tzu, a Arte da Guerra
O general que vence uma batalha faz muito planejamento em seu quartel. O general que perde uma batalha faz pouco planejamento de antemão. Portanto, muito planejamento leva à vitória, pouco planejamento leva à derrota, o que dirá não haver planejamento algum!

Pela dedicação a este ponto, posso prever quem deve vencer ou perder.

 

 

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​Recomendações de livros para recém-formados

Após o post anterior, várias pessoas (como o meu amigo Marco Lima) vêm pedindo para eu colocar as minhas recomendações de livros para pessoas em início de carreira. São livros introdutórios, mas certamente servem para profissionais já bem estabelecidos também.

Também são muitos livros, mas tentarei dividir em áreas de interesse.

Aviso: gosto muito da recomendação do prof. Kokei Uehara.

São 4 fases de um profissional: o técnico, o administrador, o economista e o filósofo. Na primeira década após formado, o profissional deve dedicar-se à parte técnica, dominar muito bem o seu ramo de atividade, seja engenharia, contabilidade, o que for.

Portanto, nesta primeira fase, deve-se procurar especialização em áreas de interesse, continuar a estudar academicamente, montar as suas fundações.

A segunda fase é o do administrador. O profissional já tem domínio suficiente do que faz, e começa a administrar outras tantas pessoas. Também é uma fase em que deve-se abrir a cabeça para muitos outros assuntos além de sua área de atuação.

A terceira fase é a do economista. Compreender a relação causa-efeito do que acontece no mundo, escassez de recursos, compreender as fundações do sistema.

A quarta fase é a do filósofo. Uma vez que se sabe as fundações do sistema, podemos começar a questionar as mesmas. O mundo não é tão compreensível assim, a ciência não responde todas as perguntas, os prós e contras das religiões. É necessário ter uma boa vivência para realmente compreender a essência das ideias discutidas neste tópico. É o ápice e também o declínio, porque é onde descobrimos que há respostas mas estas não são absolutas, que podemos tentar muito mas mesmo assim nunca vamos descobrir tudo.


Administração

1 – Peter Drucker – Introdução à Administração

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O meu autor preferido na área de administração é Peter Drucker. Autor austríaco do início dos anos 1900, começou como economista, mas naquela época, com o surgimento da linha de produção em lugares como a Ford e a GM, estava sendo necessário um outro tipo de conhecimento: a Administração. A diferença é que a administração é mais humana, trata de temas como liderança, administração de pessoas, eficácia versus efetividade.

Ele criou o termo “trabalhador do conhecimento”: não o operador de macacão azul que trabalha na linha de montagem, mas aquele responsável por pensar, gerenciar outras pessoas, responder as respostas corretas e estudar até o fim da vida.

A Introdução à Administração é uma versão resumida da obra máxima de Drucker, “Management, Tasks, Responsabilities, Practices”, de leitura fácil e com ideias que já utilizei diversas vezes e utilizo até hoje.

 

2 – Peter Drucker – O Gestor Eficaz

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Um livro direto, rápido, com muitas recomendações para que um executivo seja eficaz. Note que o título é “eficaz” e não “eficiente”.

Eficiente é fazer muito bem alguma coisa. Por exemplo, digitar sem erros é ser eficiente.

Mas a eficiência não serve para nada sem a eficácia – que significa saber o que deve ser feito. Melhor digitar com erros, mas saber qual a mensagem a ser escrita, do que digitar sem erros uma mensagem inútil.


História

3 – Sapiens, uma breve história da humanidade

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O livro de Yuval Harari conta a história do ser humano desde a pré-história até os dias de hoje. Livro muito bem escrito, que prende a atenção. Inclui muitos conceitos e teorias bastante interessantes. Um exemplo é a mega-fauna (tatus gigantes, preguiças gigantes) que foi extinta com a chegada do homem moderno. Outro exemplo: o politeísmo surgiu naturalmente como uma explicação dos fenômenos do mundo (deus do trovão, deus do Sol), mas foi suplantado pelo monoteísmo. Um fator que contribuiu é que os monoteístas são muito mais fanáticos que os politeístas, pela própria natureza da crença de que há um e apenas um deus correto, os demais são heresia. Conclusão: é um livro rico em ideias e teorias.

 

4 – Guns, Germs, and Steel

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O trabalho de Jared Diamond tenta responder a uma pergunta. Por que as potências ocidentais são tão ricas? A teoria dele é que as pessoas são iguais, porém a geografia fez uma enorme diferença. A agricultura permitiu ao ser humano sustentar uma população cada vez maior. Entretanto, de milhares de espécies de plantas da natureza, apenas uma dúzia delas é domesticável: trigo, milho, soja, laranja, etc. Quanto aos animais, a mesma coisa, somente alguns são domesticáveis e têm valor comercial: vaca, carneiro, cavalo, etc. A seleção artificial do ser humano vem aumentando a produtividade, os melhores morangos são selecionados, os carneiros mais dóceis sobrevivem, etc. A questão é que essa meia dúzia de plantas e animais se concentram totalmente nas latitudes de sorte, que são o primeiro mundo atual. Em locais muito frios, muito quentes, muito secos, muito altos, não é possível plantar e não há tantos animais domesticáveis.

É uma leitura interessante, embora sofra do efeito retrospectiva, ou seja, a teoria se adequa aos fatos que ocorreram.

 

5 – Maus, a história de um sobrevivente

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Gostaria de indicar um livro sobre a Segunda Grande Guerra, que influencia até hoje os rumos da humanidade. Maus é uma boa recomendação. Na verdade, é uma história em quadrinhos. Art Spiegelman, o autor da história, narra a história de seu pai, Vladek, que sofreu na pele a perseguição aos judeus alemães na Segunda Guerra. Os judeus foram desenhados como ratos (daí o título: maus em alemão = mouse = rato), os nazistas como gatos, os americanos como cachorros.

O autor, Art, nasceu depois da guerra, mas é cheio de traumas com comportamentos estranhos de seu pai, entre eles a concorrência virtual com um irmão, que morreu na guerra. São histórias descritas com muitos detalhes e com a sinceridade de um sobrevivente. É uma história escrita com a alma, em que o autor fica pelado emocionalmente, mostrando aquele lado que gostaríamos de deixar escondido.

 


Economia
6 – Freaknomics

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Livro que populariza conceitos de economia, com explicações cotidianas. Economia lida com escassez de recursos, portanto com a utilização racional deste. Isto influi nas decisões das pessoas. Partindo disto, o livro explica porque um terrorista suicida faria seguro de vida, ou porque um traficante de drogas tende a ser pobre e morar com a mãe (embora a imagem que temos seja o contrário, alguém rico e rebelde). Explica entranhas de partidas de sumô arranjadas, e, talvez o ponto mais controverso, a correlação negativa entre aborto e criminalidade – quanto mais liberado é o aborto, menos bebês indesejados vêm ao mundo, e com isso o nível de criminalidade 20 anos depois tende a cair.

De qualquer forma, é um trabalho interessante de Steven Levitt e Stephen J. Dubner, com várias sequências, como toda série de sucesso.

 

7 – Economics in one lesson

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Henry Hazzlit sintetiza os pontos mais importantes que a economia deve se preocupar, em poucas páginas, somente o essencial. E são dois os pontos: visão a longo prazo, e a nível global. É muito fácil criar uma falácia econômica. É só restringir a realidade a curto prazo e a nível local. Exemplos:

Falácia a curto prazo: os aposentados de hoje vão receber menos do que os aposentados de ontem se a reforma da previdência passar. Análise a longo prazo: se não houver reforma, ninguém vai receber nada porque o país vai quebrar.

Falácia a nível local: os carros autônomos vão destruir o emprego dos motoristas. Análise a nível global: os transportes serão mais eficientes, gerando ganho global de bem-estar, e os trabalhadores serão realocados para outros setores.

É muito fácil conseguir um ganho de curto prazo e local, basta sacrificar o longo prazo e o global: deixar de fazer investimentos, garantir o ganho de uma classe em detrimento das pessoas em geral (exemplo protecionismo econômico). O problema é que, um dia, a conta chega, e ela é salgada, muitas vezes superior ao que poderia ser.

 

8 – The Black Swan

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Um Cisne Negro é um evento de baixíssima probabilidade, mas impacto devastador. Por serem de probabilidade de ocorrência tão baixa, as pessoas desprezam tais eventos em seus modelos.

A grande contribuição de Nassim Taleb é afirmar que, embora tenham teoricamente probabilidade tão baixa, tais eventos ocorrem, e com muita frequência. Nossos modelos estatísticos, que olham para o passado, não conseguem capturar a real magnitude de um evento assim, que jamais ocorreu (porém, que pode acontecer), tornando a matemática inútil contra eventos desta natureza.

Para a proteção contra um futuro incerto, a receita de sempre: seguros, estoques, redundância, plano B, alternativas abertas.
Porém, seguro custa dinheiro, estoques empatam capital, pessoas a mais são caras. Neste mundo cada vez mais imediatista, em que a palavra da ordem é corte de custos e EBITDA trimestral, tende-se a confiar cada vez mais em modelos estatísticos e cortar seguros, estoques, alternativas. Isto dará espetacularmente certo, até o dia em que dará espetacularmente errado, jogando por terra todos os ganhos obtidos anteriormente.

Taleb é uma espécie de Nietzsche de Wall Street. Enquanto o mundo está cada vez mais quantitativo, como o deus Apolo, ele ataca as fundações de barro desse ídolo, mostrando as suas fraquezas, e confiando em seu oposto, Dionísio. Aliás, Taleb tem a sua própria versão de Apolo x Dionísio, que é Dr. John (um phD em métodos quantitativos) x Tony Gordo (alguém formado nas ruas, com conhecimento empírico).

 

9 – Thinking Fast Slow

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Amos Tveski e Daniel Kahneman deram um tapa na cara do mundo dos economistas com este trabalho. Uma das hipóteses básicas dos modelos econômicos é que o ser humano toma decisões racionais. A dupla mostrou que não, muitas decisões são completamente irracionais. Evoluímos tendo que sobreviver neste mundo. Isto exige decisões rápidas. Não dá tempo de avaliar a situação, obter todos os dados, antes de tomar a decisão de correr ou não de um leão. Eles simplificam didaticamente o cérebro humano em dois modos, um rápido que toma decisões baseadas em heurística, e um devagar, que realmente pensa, reflete e analisa.

Eles descrevem muitas tendências do ser humano. Efeito de enquadramento: a moldura do quadro importa. Ancoragem: um ponto de referência, mesmo que seja um número aleatório, influi na decisão. Disponibilidade: o que está mais fresco na memória surge mais rápido. Aversão à perda é mais forte do que perspectiva de ganho.

 

 

10 – Saga Brasileira

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Miriam Leitão conta a difícil situação do Brasil dos anos 80, marcado por hiperinflação, planos econômicos bizarros (congelamento de preço, Plano Collor), troca de moeda todo ano, até que finalmente conseguimos encontrar o nosso caminho com o Plano Real. Quem não viveu esta época não tem noção do quão sofrido é viver numa terra sem moeda. Já escrevi sobre isto, da minha forma: o Índice X-Men de Inflação.

 


Estratégias de Guerra

11- A Arte da Guerra

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A obra de Sun Tzu é concisa, profunda e importante. Contém estratégias que podem ser utilizadas na nossa vida, e conhecimento que deriva de milhares de anos de batalhas da China antiga. Quando na defensiva, seja impassível como uma montanha. Quando na ofensiva, ataque como um falcão ataca a sua presa.
Quem protege o lado direito, deixa o lado esquerdo desprotegido. Quem protege o lado esquerdo, deixa o lado direito desprotegido. Quem tenta se proteger em todos os pontos, será vulnerável em todos os pontos.
A guerra consiste em enganar o oponente.

 

12 – 36 estratégias de guerra

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Outro clássico chinês, em complemento ao acima citado. Contém estratégias como “Bater na grama para espantar a cobra”, “esconder uma adaga atrás de um sorriso”, “aliar-se a um reino distante ao atacar um reino próximo”. Vale a leitura.


 

Filosofia

Este é o meu tema favorito, porque é a fronteira do pensamento, é o momento em que pegamos todo o conteúdo acima e o jogamos fora para construir de novo. Embora seja tentador recomendar Nietzsche, Platão, Aristóteles, Camus e Sartre, vou colocar apenas duas recomendações introdutórias (mas não deixe de ler os autores citados, depois disso).

 

13 – O Mundo de Sofia

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A obra de Jostein Gaarder narra sobre as principais correntes filosóficas, a partir da personagem Sofia, uma menina curiosa sobre o mundo. É uma boa introdução.

 

14 – Breve História da Filosofia

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Livro muito bem escrito por Nigel Warburton, conta um pouco sobre os principais pensadores que moldaram o nosso mundo. Não é muito grande, e é de fácil leitura.

 

15 – História da Filosofia

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Do mesmo nível, tem a História da Filosofia de Will Durant. Will Durant é um excelente escritor e historiador, na verdade recomendo todas as obras dele, incluindo a colossal e magnífica História da Civilização.


Outros

16 – Moonwalking with Einstein

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É um livro sobre memorização. Um repórter, tão comum quanto qualquer um de nós, treinou com afinco, participou e ganhou um campeonato de memorização. Técnicas de memorização são extremamente úteis, minha vida seria mais fácil se eu soubesse dessas técnicas antes. Por exemplo, uma técnica é associar um número a uma ação (tipo moonwalking do Michael Jackson), e outro número a uma pessoa (digamos Einstein), e imaginar Einstein fazendo moonwalking ao som de Michael Jackson. Impossível esquecer.

Aliás, a minha recomendação de verdade é fazer um curso de memorização e leitura dinâmica, vale muito a pena.

 

17 – Think and grow rich

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A obra de Napoleon Hill não é tão profunda nem tão instrutiva quanto as citadas acima, mas é muito motivadora. Fala de um objetivo final definido, desejo de vencer, esforço, persistência. É uma obra que me influenciou bastante.

 

 

Boa leitura.

Pessoas requerem tempo

 

Bebendo um pouco da sabedoria de Peter F. Drucker, não consigo reproduzir o texto com a mesma maestria, mas ele disse mais ou menos isso.

 

O trabalhador do conhecimento precisa de atenção.

 

Pessoas não são processadores que recebem um input e geram um output. Não são máquinas que recebem um salário e por isso devem entregar um resultado – se fossem, poderiam ser substituídas por autômatos.

 

Pessoas querem ser ouvidas, compreendidas e terem importância dentro da organização. Muito do trabalho do administrador requer o gerenciamento de pessoas. Pessoas requerem tempo, muito tempo e dedicação.

 

E a única diferença real entre uma organização e outra é a performance das pessoas.

 

 

Recomendações de livros para um jovem em início de carreira

Alguns livros para um jovem em início de carreira, pelo engenheiro Marcos Gomes de Melo. O Melo é engenheiro mecânico, da turma de 1969 do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). Ele possui um vasto conhecimento, uma longa e bem sucedida carreira e vale muito a pena ouvir suas recomendações.

Por outro lado, vários dos meus colegas são formados muito recentemente, e falta neles um lastro de conhecimento mais profundo.

Minha sugestão: colocar na lista de livros a ler em 2018.

Livros

1. Carta de Antônio Paiva ao filho Gustavo Paiva que emigrou de Portugal para o Brasil e, posteriormente, veio a ser industrial em Alagoas;

Link do Google Drive: https://drive.google.com/open?id=1MgJ_M1JHRCfgqT3xl917rdzQV0js3vcg

Transcrição aqui.

2. Cartas de um executivo a seu filho; G. Kingsley Ward

 

3. Understanding Media; Marshall Mac Luhan;

4. Administração: responsabilidades, tarefas e práticas; Peter Drucker;

5. História da civilização; Will Durant; leitura obrigatória pelo menos do Volume 1 que trata da nossa herança oriental;

 

6. Sobre a China; Henry Kissinger;


7. A primeira aldeia global; Martin Page;

8. O Gene egoísta: Richard Dawkins;


9. Sapiens; Yuval Noah Harari;

10. Homodeus; Yuval Noah Harari;

 

Razões descritas pelo Melo:
1. Carta tem um poder de síntese de recomendações de um pai para um filho que parte para ganhar a vida em território desconhecido distante.

2. O livro contém várias cartas de um executivo canadense bem sucedido que ao enfrentar um país em guerra sentiu necessidade de prover seu filho com conselhos que aprendeu com a experiência, e sentiu necessidade de transmitir o aprendizado. A leitura é fácil e cada período merece reflexão demorada. Um livro que presenteei meus filhos quando se formaram.

3. O livro de Mac Luhan tem tradução em português, mas muito mal feita, distorcendo conceitos. O principal conceito de Mac Luhan expresso no livro é que os meios são extensões do ser humano transformando-o em um novo ser. Desta forma um homem e seu martelo é um ser humano diferente do homem sem martelo e que nem conhece martelo. O livro mostra ou pretende mostrar como as diversas ferramentas transformaram o ser humano: linguagem falada; linguagem escrita; linotipo (livro); rádio; telégrafo; ferrovia; carro; TV; telefone; internet (o livro foi escrito em 69 no mesmo ano em que a internet foi inventada mas profeticamente Mac Luhan previu vários de seu efeitos, com p.ex. que cada pessoa poderia produzir seu canal de TV ou de rádio); A tradução foi feita pelo publicitário Décio Pignatari que colocou mais ênfase nas “media” como “mídia” meios de comunicação e não como “ferramentas” como extensões do ser humano. O homem é ele e suas ferramentas, “cyborg”. Entender como ele muda, comportamento e relacionamento com outros seres humanos, ao ter novas ferramentas, é o que importa a leitura deste livro.

4. O livro seminal de Peter Drucker ao racionalizar e sintetizar conceitos sobre Gerenciamento (management) que foi traduzido como administração, e a meu ver não traduz a força que Drucker deu à ciência do Management. Importante para entender as responsabilidades, tarefas e práticas de um gerente numa empresa. Especialmente para um jovem em início de carreira.

5. História da Civilização é um livro obrigatório para conhecer a história da Civilização. O volume I é sobre a Civilização de origem oriental: chinesa, japonesa, etc. e mais importante para nós que conhecemos pouco destas civilizações. O nosso ensino de história só nos passa, um pouco, da história da Civilização ocidental: greco-romana, européia.

6. O livro do Kissinger preenche bem a lacuna de conhecermos a história da China e entendermos como ela se tornou a potência que é hoje. O que o futuro da China nos reserva e como o mundo será modificado doravante: o livro ajuda a pensar no tema. Fazer previsões (forecast) é uma atividade nobre e inerentemente humana.

7. Uma síntese da história de Portugal muito importante para entender o Brasil e os brasileiros. Importante porque apesar de sermos descendentes de portugueses pouco conhecemos de sua história e especialmente que eles já foram um império, donos dos Oceanos.

8. O gene egoísta de Dawkins, é uma releitura da teoria da evolução de Darwin, onde o Dawkins exprime pela primeira vez o conceito de memes que seria algo similar ao gene para efetivar transmissões culturais, e que a competição/cooperação não seria entre as espécies mas entre os genes. O livro desperta-nos para pensar sobre a vida e sua evolução e como os genes são eternos.

9 e 10. Dispensa comentários.

 


 

Alguns links:

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/comunicacao/understanding-media-598064

https://www.amazon.com.br/Administra%C3%A7%C3%A3o-Responsabilidades-Pr%C3%A1ticas-Peter-Drucker/dp/B004TI7V4W/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1514596581&sr=8-1&keywords=Administra%C3%A7%C3%A3o%3A+responsabilidades%2C+tarefas+e+pr%C3%A1ticas%3B+Peter+Drucker%3B

https://www.livrariacultura.com.br/busca?N=0&Ntt=Hist%C3%B3ria+da+civiliza%C3%A7%C3%A3o%3B+Will+Durant

 

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/ciencias-sociais/ciencias-politicas/relacoes-internacionais/sobre-a-china-22957132

https://www.livrariacultura.com.br/p/ebooks/historia/a-primeira-aldeia-global-17542464

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/ciencias-biologicas/filosofia-da-ciencia/o-gene-egoista-2271351

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/historia/historia-mundial/sapiens-uma-breve-historia-da-humanidade-42865102

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/historia/homo-deus-46351043

 

Feliz ano novo em VBA

Cartão de ano novo em VBA. Um presente para os leitores deste espaço.

Baixe do Google Drive e clique em “gerar”, para ver a mensagem. As macros devem estar ativadas.

https://drive.google.com/open?id=1AlmxLJCevUlJkMa52aWoOauLxJPzA5-8

Do meu blog de Excel-VBA.

Um cartão de ano novo com flores e imagens bonitas é para os fracos.

Bom mesmo é um cartão em Excel VBA. Baixe a planilha no link abaixo, e clique em “Gerar” para ver a mensagem. As macros devem estar ativadas. https://drive.google.com/open?id=1AlmxLJCevUlJkMa52aWoOauLxJPzA5-8

via Cartão de ano novo em VBA — Ferramentas em Excel-Vba

Não é assim que as coisas funcionam

Recado para aqueles que esperam serem ordenados para fazer alguma coisa.

Não é assim que as coisas funcionam.

Para fazer alguma coisa acontecer, tem que ter iniciativa.

O estado natural dos processos tende à entropia, à desordem. É a segunda lei da Termodinâmica.

Sair da entropia e colocar ordem exige esforço, trabalho, concentração.

O negócio é agir, ao invés de esperar;

E puxar, ao invés de ser puxado.

O melhor governo

O melhor governo é aquele que deixa as pessoas viverem.

O pior governo é o do salvador da pátria, que diz que vai consertar todos os problemas do mundo.

 

Vejamos o que a sabedoria do Tao Te Ching já dizia, há 2 mil anos:

Quando um Grande Soberano governa,
o povo mal sabe que ele existe.

Os menos grandes são amados e louvados,
os ainda menores são temidos,
os mais inferiores ainda são desprezados.

Os negócios seguem o seu curso e as pessoas pensam: “Somos livres”

Tao Te Ching, verso XVII

 

 

Sobre a métrica correta

Outro dia, vi um post de alguém que dizia ter mais de 1000 views diários de seu perfil profissional no LinkedIn. Ela dava dicas de como ter “sucesso” na rede – possivelmente venda e lucre com isso também.

Ora, o meu perfil no mesmo tem menos de 1 view por dia. Isto não faz a menor diferença, não me torna um profissional melhor ou pior. Não é a métrica correta: views no perfil tem zero correlação com um bom trabalho profissional em sua área de atuação.

Algumas métricas melhores: Estou feliz com que faço? Tenho harmonia no mundo profissional e isto não perturba a harmonia em casa? Agrego valor de verdade com o meu labor? O que fiz vai retornar para a sociedade, direta ou indiretamente? Estou com a consciência limpa? No final do dia, valeu a pena?

 


 

Poema em linha reta – Fernando Pessoa

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,

Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,

Indesculpavelmente sujo,

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo

Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,

Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

 
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

 

O valor das flores de plástico

Quando eu era criança, eu achava as flores de plástico mais bonitas do que as flores de verdade. Elas eram bem feitas, não envelheciam, não murchavam, não morriam… talvez um dia, todas as flores do mundo fossem substituídas por suas versões infinitas.

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Entretanto, logo descobri que as flores de verdade valem muito mais do que as artificiais. É simples fazer um teste. Tente dar um buquê de flores de plástico para uma moça. Ela vai tacar a mesma na sua cabeça.

O valor das flores do mundo real vem exatamente do fato de que elas duram pouco. Murcham rapidamente, envelhecem e morrem. São efêmeras.

O ser humano se comunica através de sinais, implícitos e explícitos.

Um buquê de flores de verdade sinaliza que o galã teve que comprar o mesmo recém-cortado, portanto caro, e manusear com muito cuidado até entregar à moça.

É um sinal difícil de falsificar.

Neste caso, o que vale é a sinalização. Não a beleza.

 


 

Diplomas e certificados

O que é um diploma? Ou um certificado de alguma habilidade específica?
É como o caso das flores, uma sinalização. Sinaliza que fulano fez algo muito difícil, e de muito valor.

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Na prática, uma pessoa sem certificação pode fazer o mesmo, ou até melhor, do que alguém certificado, ainda mais nos dias de hoje, com a disseminação do conhecimento pela internet.

O problema é que, num mundo com bilhões de pessoas, é muito difícil distinguir as habilidades de centenas de potenciais candidatos. As certificações servem como um filtro para o processo de avaliação. Não conheço totalmente a pessoa, mas conheço e dou valor à certificação.

Porém, assim como no caso das flores de plástico, o diploma perde totalmente o seu valor se ele começar a ser falsificado, ou banalizado. Todo mundo ter curso superior é o mesmo que ninguém ter curso superior. O mercado não é bobo, ele entende e se adapta facilmente aos sinais. Não por coincidência, hoje em dia é necessário ter curso superior para ser auxiliar de ajudante de analista de contabilidade júnior.

 

Quando não se conhece as pessoas, as certificações são um filtro. Entretanto, depois que a pessoa é conhecida, e tem o trabalho avaliado após alguns meses e anos, o jogo é outro. A sinalização é pela confiança. Um diretor prefere trabalhar com alguém de confiança, que ele sabe que vai dar conta do trabalho, do que um desconhecido cheio de certificados.

Num mundo repleto de certificações banalizadas, a indicação boca-a-boca, tanto de profissionais quanto de serviços, tem um valor muito grande: “Sei que esse cara manda bem demais”, “Fulano foi o responsável pelo sucesso do projeto”, etc.

A indicação boca-a-boca sincera é um sinal muito difícil de falsificar.

 

Em resumo. Não confundir o valor real com certificações.

E, cuidado. Atualmente, as certificações estão virando flores de plástico.