A era dos cursos presenciais acabou!

Em termos de custo, qualidade e praticidade, cursos on-line vencem com facilidade. A única real desvantagem é a falta de networking entre os alunos.

Seguem algumas indicações.

Bolsa da Amazon e a Udacity, de introdução a machine learning. Vai até Julho.
https://sites.google.com/udacity.com/aws-machine-learning/home

Sobre Power BI, a EDX tem o curso a seguir – gratuito para visualização
https://www.edx.org/course/analyzing-and-visualizing-data-with-power-bi-2

A Kaggle é uma plataforma de desafios de data science. Já participei de alguns, e é num nível bem alto, com equipes do mundo todo e prêmios para os melhores colocados. https://www.kaggle.com/

Há opções mais completas (e pagas). Seguem algumas:

Nanodegree em Python, análise e visualização de dados na Udacity
https://www.udacity.com/course/data-analyst-nanodegree–nd002

Python básico, voltado para análise de dados, na EDX
https://www.edx.org/course/analytics-in-python

Para profissionais de Supply Chain, a indicação abaixo é do amigo Marcelo Tescari, um dos maiores especialistas no tema.
https://www.edx.org/micromasters/mitx-supply-chain-management

Há um universo muito maior a ser explorado, em business, finanças e outros ramos do conhecimento. Favor deixar outras indicações nos comentários.

Navegar é preciso

De todos os trabalhos que fiz, uns 50% não serviram para nada – só para gastar tempo e energia.

Outros 30% até serviram para alguma coisa, mas não tiveram impacto.

Já os 20% restantes, estão rodando até hoje, com grande impacto. É como se fossem a descoberta de uma nova rota para as Índias, em meio à tantas tentativas em vão.

É impossível saber, a priori, qual trabalho dará resultados. Um projeto promissor pode dar em nada – cometemos erros, ou não temos a competência necessária, ou simplesmente não é o momento dele. Por outro lado, um trabalho menor pode gerar inúmeras oportunidades. Só saberemos a posteriori.

O caminho é sempre fazer o melhor trabalho possível: transformar os projetos ruins em aceitáveis, os aceitáveis em memoráveis. Mesmo assim, sempre haverá os que não darão certo, e aí, bola para frente.

Depois, tratar com bastante carinho e orgulho aqueles que melhor performaram.

No fim do dia, podemos nos perguntar: Valeu a pena?

Fernando Pessoa tem a resposta:

Tudo vale a pena se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador,

tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

mas nele é que espelhou o céu!

Ter ou não ter, eis a questão

Interessante reflexão do velho Aristóteles (e põe velho nisso, cerca de 2300 anos atrás), em sua obra Ética a Nicômaco. Ele, já naquela época, dizia que o valor a ser pago numa transação deve ser definido a priori, ou seja, antes do comprador ter o produto ou serviço. Outra alternativa seria a posteriori: o comprador ter o serviço primeiro (digamos, uma aula), e depois, avaliar o valor a pagar.

Argumento: o ser humano dá enorme valor antes de ter algo, e pouco valor após obter o mesmo. Isso é válido inclusive para serviços que tenham gerado enorme valor, digamos, uma aula importante. Quantas são as coisas que temos em casa, guardadas inutilmente em algum canto do armário? Quantos são os bons trabalhos realizados, que por conta de já terem sido feitos, parecem muito fáceis para quem apenas consome os resultados?

Outra reflexão, agora baseado no psicólogo Daniel Kahneman. Perder algo que temos é mais doloroso do que se nunca tivéssemos tido. Ele chama isto de Efeito Dotação. Um experimento simples: um colecionador de selos paga R$ 100,00 num selo exótico – que vai ficar guardado, paradinho, em sua coleção. Um amigo dele oferece R$ 150,00 no mesmo selo. Um caminho seria ele vender e embolsar o lucro, porém, dificilmente ele o vai fazer. Ele vai ponderar o valor emocional e o trabalho que teve para conseguir o selo, a dificuldade de obter outro igual, e a conclusão é a de que não vai vender – é preferível ter o mesmo pegando poeira em sua coleção do que se desfazer.

Pior ainda, imagine outra situação, em que o amigo conseguiu comprar o selo um minuto antes dele!

Ou seja, o ser humano dá valor à algo quando não o tem, e quando o perde – e nunca quando efetivamente o tem!

Dá até para pensar num gráfico:

Por essas e outros, o autor Robert Cialdini elenca a Escassez como um dos fatores de influência. Quanto mais rara e importante alguma coisa, maior o interesse das pessoas. Ser um excelente profissional é bom, porém, ser um excelente profissional demandado pelo mercado é melhor ainda!

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2016/10/07/insights/

https://ideiasesquecidas.com/2018/01/21/%e2%80%8brecomendacoes-de-livros-para-recem-formados/

A Vaca Roxa

O livro da “Vaca roxa” faz reflexões importantes sobre produto e marketing.

Durante uma viagem à Suíça, o autor comenta que a paisagem era linda. Porém, com o passar do tempo, ficou chato. Todas as vacas eram iguais. Algumas brancas, outras malhadas, porém, nada de diferente. Seria espantoso ver uma vaca roxa, pensou.

É melhor ser notável do que ser chato. Entretanto, muitos produtos tendem a serem chatos, não correr riscos. Entretanto, neste mundo em que temos mais opções do que conseguimos testar, produtos chatos serão esquecidos.

O autor, o prolífico escritor Seth Godin, divide as eras do Marketing em três:

  • Antigamente, era o produto que contava, e o marketing era no boca-a-boca.
  • A era das grandes propagandas nos meios de massa trouxe relevância ao marketing. Com dinheiro suficiente, era possível expor qualquer produto.
  • Nos tempos atuais, há uma infinidade de canais de comunicação possíveis, além da mídia social. A grande propaganda voltou a ser o boca-a-boca (não físico, mas virtual), e o produto, o diferencial.

A primeira edição do livro foi nos anos 2000, e de lá para cá a tendência descrita só aumentou: quem assiste televisão nos dias de hoje?

Em marketing, fala-se dos 4P’s: Produto, Preço, Praça e Promoção. O Purple Cow é o quinto “P”.

O próprio livro se tornou o ícone que tenta vender. Não apresenta nenhuma grande ideia nova, porém, posiciona-se de forma inesquecível.

No lançamento, o livro vinha com uma caixa de leite. Inevitavelmente, a caixa chamava a atenção de quem não conhecia o livro, tornando-se uma peça criativa de marketing.

Em resumo:

  • Seja memorável
  • O seguro é arriscado
  • O design de um grande produto importa


Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2018/04/21/notas-sobre-tribos/

Link do livro na Amazon:

https://amzn.to/35sdjAB

Preparados para o risco

 “Preparados para o risco”, do autor alemão Gerd Gigerenzer, nos ensina a questionar os números, e com isso, tomarmos boas decisões.

Quatro highlights abaixo.

1 – Pergunte pelo significado.

“Amanhã, tem 30% de chance de chuva”. O que isso significa?

O 30% pode ter várias interpretações. 30% do dia vai chover. Há chance 30% de alguma chuva. No estado todo, vai chover em 30% da área…

Sem uma clara definição, não dá para saber o significado.

Exemplo: As manchetes dos últimos dias dizem que “a taxa de isolamento está em 49% e o ideal é 70%, segundo o governo”. O número é calculado a partir de rastreamento de celulares.

Mas, o que significa essa taxa de isolamento?

Se eu ficar em casa o dia inteiro, mas der uma voltinha, vai contar que estou furando o isolamento ou não?

2 – Pergunte pelos números relativos e absolutos

O autor cita uma manchete espalhafatosa: “Segunda geração de pílula anticoncepcional aumenta casos de trombose em 100%”.

A informação acima levou uma geração inteira de mulheres a evitar a pílula (e assim, aumentar a chance de gravidez).

Investigando o caso a fundo, num universo de 7.000 mulheres, os casos de trombose tinham aumentado de 1 para 2! Realmente, era um aumento de 100% nos casos, porém, são tão poucos casos que não há significado estatístico na conclusão citada. Ou seja, não havia motivo algum para o pânico gerado.

Como diz uma piada, “Estatística é a arte de torturar os números até que eles confessem.”

3 – Regras de bolso podem ser úteis.

Num mundo cada vez mais complexo, as pessoas têm a impressão de que necessitamos de soluções igualmente sofisticadas. Porém, não há sistema que consiga levar em conta tantas incertezas de um número enorme de variáveis possíveis.

Nesses casos, heurísticas simples e robustas são mais eficazes. Exemplo. O avião que pousou no rio Hudson, em 2009, usou a regra do polegar. Fique de olho na torre, se ela sumir do para-brisa, não há como chegar à pista. Decidiram pousar no rio Hudson.  

Menos é mais. Faça o simples. Utilize regras simples em ambientes complexos.

Da mesma forma, não compre produtos financeiros que não entenda. 

4 – Falsos positivos e falsos negativos podem ocorrer.

Gigerenzer ensinou mais de 1000 médicos em sua carreira, e estima que 80% não entendem o que um exame médico positivo significa, por não entenderem o que é um falso positivo e um falso negativo.

Uma recomendação é refazer um exame diversas vezes, não acreditar puramente no primeiro resultado.

Uma consequência é a chamada “medicina defensiva”. Por receio de que os pacientes o processem, os médicos acabam tomando medidas superprotetoras, o que leva a procedimentos médicos desnecessários.

Uma heurística simples: Não perguntar ao médico o que fazer. Perguntar ao médico o que ele faria, se estivesse no seu lugar.

Conclusão: o livro apresenta questionamentos bastante válidos e cases interessantes. O mundo não sabe falar a linguagem dos riscos de forma adequada, e todos deveriam estudar mais o assunto.

Um exemplo final. Risco é diferente de incerteza. Para mensurar o risco (exemplo, risco de perder na loteria), tenho que ter um alto grau de certeza. Por outro lado, podemos estar despreocupados com o risco de algo incerto (digamos, uma epidemia mundial), até que, finalmente, esta acontece.

Agradecimento ao amigo Flávio Deganutti por me emprestar o livro e pelas discussões.


Links:

Link da Amazon para o livro https://amzn.to/3aqVxP2

A lógica do Cisne Negro

Blinklist, 12 min e Instalivros

Nesta quarentena forçada, estou testando a fundo os serviços de resumo de livros Blinklist, 12 min e Instalivros.

A proposta deles é semelhante. Fazer resumos de livros, principalmente ligados a negócios, e disponibilizar no aplicativo. Além da versão texto, todos têm versão áudio, o que eu gosto bastante.

Como o próprio nome sugere, são textos de 12 minutos, ou microlivros.

Eles evoluíram absurdamente nos últimos anos. Hoje, eles têm um acervo enorme – o Blinklist, por exemplo, tem mais de 2.500 resumos. A forma com que esses são feitos também evoluiu: resumos bons, dinâmicos, chamam atenção.

Uma grande vantagem é dar uma pincelada em 10 livros no mesmo tempo em que você leria 1. Porém, resumos têm uma utilidade reduzida. Vou listar alguns pontos do que é e do que não é este serviço.

1 – O que é:

  • O resumo é uma bela introdução ao livro.
  • Com o resumo, é possível decidir o que ler e o que não ler, uma triagem mais profunda.
  • Há assuntos que não fazem parte da nossa competência principal, e não queremos aprofundar. Para esses, o resumo pode ser suficiente.
  • É útil relembrar pontos principais de livros já lidos.
  • Alguns livros têm muita enrolação e pouco conteúdo, neste caso, um resumo bem feito pode até substituir a leitura toda.
  • Assim como em áudiolivros, a versão áudio dos resumos pode ser acelerada para reproduzir em velocidades maiores.

2 – O que o serviço não é:

  • Não substitui a leitura do livro original, por não ter a profundidade do mesmo.
  • Por ter foco em business, não vai ter assuntos técnicos, como matemática ou física.
  • A qualidade depende muito da equipe que fez o resumo. Se ela fizer um resumo ruim, ou focar mais num ponto do que outro, estaremos perdendo conteúdo relevante do livro.
  • Não é uma avaliação crítica, nem uma interpretação do livro. É apenas um resumo.
  • Após a leitura, noto que a retenção de informação é menor do que num livro normal. Para aumentar a retenção, é necessário tomar notas, ouvir de novo, fazer um resumo do resumo, etc.

Outras questões:

O Instalivros é em português. Os demais em inglês.

Custos. Os preços deles estão na mesma ordem de grandeza. Há períodos trial – o do Blinklist, estou utilizando 30 dias. O 12 min, tinha 7 dias.

Dica de ouro: mesmo depois do período de avaliação, todos os serviços liberam um livro grátis por dia. Instalando os três, mesmo sem pagar nada, é possível percorrer três resumos por dia!

Além dos serviços citados, há outros concorrentes com proposta parecida. Há também podcasts de resumos (já ouvi alguns e não gostei de nenhum, por enquanto). Quem tiver outras recomendações, favor postar nos comentários.

Na verdade já lidamos com resumos desde sempre. Nunca li os Lusíadas de cabo a rabo. Nem o Guarani. Como caía no vestibular, o que sei desses é um resumo, no caso feito por um professor. Acho que li Dom Casmurro, mas o que ficou gravado mesmo foram as aulas e as discussões – Capitu traiu Bentinho ou não?

Aliás, uma forma excelente de aumentar a retenção é vendo filmes (quando existem) ou versões em quadrinhos – gostei muito deste abaixo:

Bons resumos!

O computador quântico que sabe tudo

Computação e Informação Quântica

O prof. Scott Aaronson, da Univ. de Texas em Austin, é um dos maiores especialistas em computação quântica da atualidade.

Este artigo é sobre um post divertido em seu blog (https://www.scottaaronson.com/blog/?p=4740)

Ele fora consultado por um jornalista chamado Ben Lindbergh, sobre uma minissérie chamada Devs – um thriller de ação sobre uma companhia do Vale do Silício que desenvolve um computador quântico capaz de reconstruir o passado e prever o futuro.

A missão do prof. Aaronson era comentar sobre a acuracidade dessas afirmações (ahahah).

Ele diz que a série não é sobre computadores quânticos. Este foi apenas um buzzword para fazer o papel de algo que já era conhecido desde a Grécia antiga, o Oráculo de Delfos.

O oráculo era a entidade que predizia o seu destino. Mesmo querendo fugir do destino profetizado, de alguma maneira, ele sempre ocorria no final! (Exemplo: Édipo)

A série contém uma…

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