Conheça o maior proprietário de terras agrícolas dos EUA

Em janeiro, a revista americana The Land Report, maior publicação sobre o mercado das terras nos Estados Unidos, revelou que Bill e Melinda Gates acumularam o maior portfólio de terras agrícolas privadas dos Estados Unidos.

Link: https://revistapegn.globo.com/Administracao-de-empresas/noticia/2021/04/bill-gates-explica-motivo-de-ser-o-maior-proprietario-de-terras-agricolas-nos-eua.html

Segundo Gates, o motivo foi a ciência de sementes e biocombustíveis, em linha com suas iniciativas de sustentabilidade ecológica.


Uma reflexão. Bill Gates pode até ter comprado terras para desenvolver sementes  superprodutivas, como afirma. Porém, assim, ele também maximiza o impacto do próprio nome. Daqui a 100 anos, talvez 200 anos, ainda vamos estar ouvindo sobre a fundação Bill Gates.

Fosse a preocupação só desenvolver sementes, ele poderia ter arrendado terras, por exemplo.

Propriedade de terras é como a força da gravidade. Em curta distância, perde facilmente para força elétrica. Mas, a longas distâncias, a gravidade continua atuando, regendo o movimento das estrelas e galáxias.

Com terras, a mesma coisa. A curto prazo, investimentos outros ganham, a longo prazo, você vai estar podendo plantar em cima da terra daqui a 100 anos.

Análise de risco, do jeito que a gente faz, só funciona a curto prazo. A médio e longo prazo, fica cada vez mais impossível prever. Essas análises passam a ser mais qualitativas do que quantitativas.

E o pior, a curto prazo, fazendo as contas, vai dar que temos que vender a terra para ficar com o dinheiro.

Uma empresa movida a EBITDA trimestral nunca vai conseguir justificar um investimento que vai demorar dezenas ou centenas de anos para se pagar, embora seja exatamente essa a chave para sobreviver dezenas ou centenas de anos.

Ser movido a curto prazo vai dar certo por um bom tempo, até chegar o dia em que vai dar errado…

Como diz o ditado, “Quem compra terra, não erra”.

Veja também:

Sigam me no Twitter

Faz tempo que tenho uma conta no Twitter, mas pouco a uso.

Os meus textos são longos para caber em 280 caracteres.

Mesmo resumindo, ou fazendo threads, sempre ficava ruim. É incompatível. Para algo ficar bom em uma frase, ele tem que ser pensado em uma frase, não dá para resumir e ter o mesmo efeito.

Ultimamente, pensei num jeito de usar o Twitter: como um repositório de frases interessantes, que vou colecionando ao longo do tempo, e outras frases que saem da minha cabeça.

Será um conteúdo não correlacionado com o deste sítio.

Segue a minha conta, e alguns dos tweets. São temas meio aleatórios, conforme o interesse do momento.

“Será o homem um erro de Deus, ou Deus um erro do homem?” – Friedrich Nietzsche

“Ao escrever a manchete, você gasta 80 centavos do seu dólar” – David Ogilvy

“NY é bom, mas é uma merda.
O Rio é uma merda, mas é bom”.
Tom Jobim

“Conhecimento é poder” – Francis Bacon

“Nosso conhecimento de qualquer evento passado é incompleto. A maioria da história é adivinhação e o resto é preconceito. O historiador sempre simplifica demais.”

Will Durant

“O gênio sabe os detalhes que importam” – Arnaldo Gunzi

Divirtam-se!

Detalhes e detalhes

Os gênios mostram atenção aos detalhes. Steve Jobs garantia que o computador Apple tivesse até os botões perfeitos. Telê Santana exigia que cada passe fosse o melhor possível.

Por outro lado, algumas pessoas ficam perdidas em inúmeros detalhes, e não saem do lugar.

Qual a diferença?

A diferença é que os gênios sabem os detalhes que importam.

Fazendo analogia com um mapa. Há vários níveis possíveis de zoom. Um zoom out vai te dar a visão do todo, perdendo detalhes. Já um zoom in vai dar detalhes, perdendo o todo.

Alguém que analisa cada detalhe do mapa vai ficar eternamente analisando tudo, sem chegar a conclusão alguma.

O gênio saberá traçar uma rota numa visão macro, dar zoom nos detalhes principais, mapear os pontos de atenção e conseguir alcançar seus objetivos.

Como diz a sabedoria popular, “O diabo está nos detalhes”.

Baseado em comentário do newsletter de James Clear (https://jamesclear.com/), e conversas com alguns amigos.

Veja também:

Eficiência, eficácia e pré-configurações

Pensei numa analogia interessante entre câmeras e eficácia.

A câmera de um bom celular tem várias pré-configurações. Modo panorama, para tirar fotos abertas. Um modo retrato, para focar em uma pessoa a 2 metros de distância (e uma IA para identificar pessoas). Modo noturno, especialista em tirar fotos à noite.

Além dos modos pré-configurados, existe uma opção manual: ajuste de foco, ISO e outras opções avançadas.

As configurações pré-programadas existem para serem rápidas e, ainda assim, muito boas. O usuário não tem que entender nada mais profundo, bastam algumas poucas decisões, e pronto, ele terá uma foto de excelente qualidade.

O modo manual existe para aqueles que entendem muito de fotografia. Imagine uma situação nova, que não se encaixa em nenhuma das pré-configurações. O especialista vai saber encaixar os parâmetros e tirar uma foto num nível superior ao que seria possível somente com situações pré-programadas.

O outro lado: se ele não souber o que está fazendo, a foto ficará pior do que a pré-configurada.

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Quem deve ser eficiente e eficaz numa organização?

Citando o pai da Administração, Peter Drucker:

– Eficiência é fazer bem algum trabalho.
– Eficácia é saber qual é o trabalho a ser realizado.

Numa empresa, o pessoal operacional deve ser extremamente eficiente: dominar a tarefa que lhe é atribuída, fazer rapidamente e muito bem algo rotineiro. É como a fotografia com pré-configurações. Ou um robô, que executa com perfeição e velocidade uma única tarefa.

Já a camada gerencial deve ser eficaz: saber o que deve ser feito, qual a coisa correta a fazer. Saber quando as pré-configurações devem ser mudadas. É quem consegue fazer diferente, inovar para melhor. É quem manda nos robôs.

A exemplo da fotografia, se o gestor não souber o que está fazendo, também pode pôr abaixo os resultados do trabalho…

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Três frases correlatas:

“Não há nada mais inútil do que fazer com grande eficiência algo que não deveria ser feito” – Peter Drucker

“Os homens que podem gerenciar outros homens administram os homens que só podem gerenciar as coisas. Os homens que podem gerenciar o dinheiro gerenciam tudo.” – Will Durant

“O que você vai fazer de diferente na segunda-feira, após ler este post?” – lição de casa, inspirada em Drucker.

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Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2014/05/09/effective-executive-parte-1/

https://ideiasesquecidas.com/2021/03/14/licoes-da-historia-will-durant/

Como funciona a criptografia RSA de forma simples

Explicação didática sobre o método de criptografia RSA.

Computação e Informação Quântica

A criptografia consiste em enviar uma informação cifrada, de modo que apenas o recipiente consiga decifrar.

Alice envia para Bob um texto cifrado.

Ação a fazer: Texto normal -> Texto cifrado

Um espião, Eva, não pode ser capaz de decifrar a mensagem enviada.

Bob, e apenas Bob, deve ser capaz de decifrar, ou seja, realizar a operação:

Texto cifrado -> Texto decifrado

No caso do exemplo acima, foi utilizada uma cifra de substituição simples, a Cifra de César (porque é usada desde o Império Romano). Esta consiste apenas em substituir uma letra do alfabeto por outra, e é extremamente frágil para métodos criptográficos modernos (não use a mesma para criptografar sua senha do banco!).

A mensagem decriptada é “boa tarde para todos!”.

Para baixar o código desta cifra simples, vide https://ferramentasexcelvba.wordpress.com/2020/10/19/pequena-rotina-de-criptografia/


Métodos simétricos e assimétricos modernos

Dá para separar os métodos de criptografia em:

– chaves simétricas: as chaves de…

Ver o post original 1.313 mais palavras

O teste do Marshmallow no país dos malandros

O teste do Marshmallow Original

Um marshmallow é oferecido à crianças, e é feita uma proposta. Ou ela come o marshmallow agora, ou espera 15 min sem comer e ganha mais um.

Há vídeos engraçados deste experimento. Algumas crianças comem o doce, outras ficam se esforçando e fazendo caretas para resistir à tentação.

O experimento original é dos anos 70 e foi conduzido em Stanford pelo prof. Walter Mischel, com 600 crianças. Estas foram acompanhadas por várias décadas. A conclusão: há uma correlação entre autocontrole e maior sucesso na vida. Os que conseguiram se conter no experimento demonstraram maior capacidade de suprimir o desejo imediato de curto prazo, e buscar recompensa maior a longo prazo.

O experimento do Marshmallow com desconfiança

Recentemente, a Universidade de Rochester refez o estudo, adicionando uma variante.

Primeiro, as crianças eram submetidas à uma atividade de artes. Porém, o material de apoio fornecido era medíocre. O adulto, supervisor da turma, prometia trazer um material melhor.

As turmas foram separadas em duas (sem elas saberem). Na primeira, o adulto dava uma desculpa qualquer e não trazia o material novo. Na segunda, o adulto trazia uma boa quantidade de material conforme combinado.

A seguir, as crianças eram submetidas ao teste do Marshmallow.

Resultado: Na primeira turma, apenas uma de 14 crianças esperou os 15 min para consumir o doce, enquanto na segunda, mais da metade o fez.

A decisão das crianças foi completamente racional. Houve uma queda brutal na confiança, e nesses casos, antes um pássaro na mão do que dois voando.

Quando as pessoas estão num ambiente onde o longo prazo e a confiança não existem (digamos, alta inflação, malandros que não vão entregar o que prometeram, caos nas ruas), elas tendem a maximizar o ganho de curto prazo.

Um país de malandros não passa no teste do Marshmallow!

https://www.washingtonpost.com/news/wonk/wp/2012/10/13/the-marshmallow-test-revisited/

https://ideiasesquecidas.com/2015/06/16/pequeno-experimento-com-o-dilema-do-prisioneiro/

https://ideiasesquecidas.com/2017/09/19/jo-rodrigo-caio-maquiavel-e-kant/

Trilha sonora: Cássia Eller – Malandragem

Programa de Associados da Amazon: faça dinheiro do nada!

O desafio 2 da lista de desafios propostos (https://ideiasesquecidas.com/2021/02/04/lista-de-alguns-pequenos-desafios/) é o de fazer 1 real pela internet. Quero compartilhar uma dica.

O programa de associados da Amazon (há outras também) é uma forma de fazer dinheiro a partir do nada! Este funciona remunerando as pessoas pelas indicações.

Não é necessário ter os produtos, nem estoques, nem saber programação para criar uma loja na internet. Mágica? Nem tanto. Há uma série de “poréns”… Confira a seguir.


Como fazer?

O primeiro passo é entrar em https://associados.amazon.com.br/ e criar uma conta – que estará vinculada à sua conta principal da Amazon, se tiver.

O programa de associados remunera indicações. Basicamente você deve indicar alguma coisa a outras pessoas. Se algumas das pessoas indicadas comprar o produto, um percentual entra para você de comissão.

Digamos que eu queira divulgar o link do excelente livro “Antifrágil”, de Nassim Taleb.

Na página de associados, procuro pelo livro que quero indicar.

Depois, em link, para obter o caminho para o livro:

A seguir, é só divulgar o link para amigos, colocar no blog, etc. Confira, clicando a seguir.

https://amzn.to/3drWEDw

Clicando no link, redireciona para a página da Amazon, onde o cliente pode escolher a versão em papel ou Kindle, o tipo de capa, etc. Importante notar, na URL, que tem um “ref=…”.

A Amazon espera acumular um valor mínimo de R$ 30,00, e deposita o valor no cartão de crédito cadastrado. Simples, fácil, não é preciso fazer nada.

Além de livros, é possível divulgar qualquer coisa existente na Amazon, digamos, um produto de beleza, um eletrônico,

um funko pop do Einstein: https://amzn.to/3bkLNIM,

o prime vídeo: https://amzn.to/3dpmU10, etc.


E quais as contrapartidas?

A primeira contrapartida é que não é tão fácil assim. O link pode ter muitos cliques, mas só um ou dois efetivamente se convertem em compra.

Outra, é que a comissão é bem baixa (afinal, você não tem o produto, não fez a loja, não se responsabiliza por problemas de pagamento, etc).

Você basicamente agregou valor fazendo o marketing, um marketing de indicação.

Da experiência deste blog. Nos últimos 30 dias, ocorreram 164 cliques em produtos, a partir de indicações minhas. Dessas, duas comissões, somando R$ 13,64… não é isso que vai deixar alguém milionário! Ou seja, o programa funciona melhor para quem é muito popular!

Comecei o mesmo no ano passado, e o programa rendeu uns R$ 150,00 em 2020. Não é nenhuma fortuna, mas paga o custo do domínio. E, se ajuda pouco, pelo menos não atrapalha. É uma renda passiva, já que o link da recomendação estará para sempre nos artigos publicados.

Outra dicas. Não fazer recomendações por fazer, visando essas magras comissões. Fazer recomendações por realmente acreditar que o livro, o produto, vai agregar valor às pessoas. Eventuais comissões são bônus, apenas isso.

O Magazine Luiza também tem um programa similar. Lá, dá até para criar uma loja virtual. Parece interessante, mas nunca testei.

https://www.parceiromagalu.com.br/

Sobre o programa de associados, é isso.

Sobre o desafio de fazer R$ 1,00 pela internet, além da dica citada, há inúmeras outras formas:

  • Vender livros usados pela Amazon (https://ideiasesquecidas.com/2020/10/18/o-que-aprendi-vendendo-livros-pela-amazon/)
  • Vender produtos pelo Mercado Livre – é possível até pensar em comprar algo e revender
  • Criar um blog, página do Youtube – e ganhar pelo adsense (eu não gosto de propagandas, note que o blog não tem anúncios)
  • Escrever um e-book e vender
  • Dar aulas, ou vender alguma outra forma de serviço

Cada vez mais, será necessário entender formas alternativas de interagir, dada a revolução que a Internet vem proporcionando!

Ficam as dicas!

“The Economist” sobre 2021

O que está por vir em 2021, em 20 pontos da revista “The Economist”.

1 – Os humanos querem se socializar novamente, mas o trabalho remoto basicamente permanecerá o mesmo. Vamos continuar a trabalhar online a partir de nossas casas cada vez mais adaptadas e com reuniões em lugares diferentes todos os meses para socializar e conectar.

2 – Escritórios vão fechar com uma porcentagem muito alta e esse modelo retrógrado será tomado por tecnologias disruptivas. A cada dia teremos mais assistentes digitais para trabalhar de forma eficiente. As grandes corporações serão sempre lembradas como os enormes mamutes de 1980-2020 em extinção.

3 – Os hotéis de trabalho desaparecem em pelo menos 50%. Viagens, congressos ou reuniões de trabalho nunca voltam a ser como eram, se puderem ser feitos online. O turismo de trabalho praticamente desaparece. As chamadas se tornam chamadas de vídeo.

4 – As casas tornam-se mais tecnológicas e adaptadas ao trabalho diário. Muitas empresas se dedicarão a resolver as necessidades de trabalhar em casa. Hoje você pode morar fora de uma cidade grande, trabalhar da mesma forma e gerar o mesmo valor.

5 – A produtividade não depende mais de um chefe que te vê, agora é por meio de plataformas que te ajudam a medir resultados, KPIs e tempos eficientes. A forma de contratação de pessoal é repensada. Contratar os melhores do mundo hoje é mais fácil, barato e eficiente. Não haverá diferença entre contratar pessoal local e estrangeiro. Hoje somos todos globais.

6 – Tudo o que é repetitivo torna-se virtual e em regime de assinatura. Igrejas, arte, academias, cinemas, entretenimento. Poucos lugares podem manter estruturas físicas como antigamente.

7 – Empresas que não investem pelo menos 10% em novas tecnologias irão desaparecer. A empresa tradicional chegou ao fim em 2020. Resta esperar sua morte final. Uma empresa de tecnologia, fresca e nova hoje, pode substituir outra que tem feito o mesmo nos últimos 50 anos.

8 – O turismo para entretenimento retorna plenamente fortalecido no segundo semestre de 2021, sempre acompanhado de muita tecnologia na sua operação, desde a compra, a operação e as experiências a serem recebidas. As pessoas apreciam mais do que nunca visitar o natural mas com soluções altamente tecnológicas. Locais mais remotos, experiências mais autênticas suportadas com assistência digital 24 horas por dia, 7 dias por semana.

9 – O tratamento de dados pessoais torna-se mais delicado e as grandes plataformas vão mudar. As pessoas voltam a pagar assinaturas devido ao senso de transparência que isso envolve. Eles preferem pagar a doar seus dados. As grandes marcas hoje valem sua credibilidade. Tudo pode ser copiado ou replicado, exceto prestígio.

10 – A força de trabalho será drasticamente reduzida e muitas operações simples serão fornecidas por IA. Em 2024, a IA já lidará com operações complicadas em milhões de locais. Uma grande temporada global de demissões está chegando. O desemprego ocorre por motivos multifatoriais e não apenas por causa da crise econômica.

11 – A educação nunca mais será igual. Cada um pode estudar o que precisar. Estudar offline e online será normal. Escolas e universidades são transformadas em um esquema híbrido para sempre. Serão aceitos candidatos sem formação universitária para cargos de menor importância, que tenham a experiência necessária.

12 – O sistema médico será adaptado com tecnologia remota para sempre. Uma consulta médica por teleconferência será normal. A vacina da COVID é muito rápida, mas você encontrará grandes desafios ao longo do caminho. Grandes hospitais repensam seu funcionamento devido às crises econômicas que sofreram com a Covid 19. As pessoas ficam menos doentes com vírus, bactérias e doenças devido ao manuseio inadequado dos alimentos, graças à limpeza recorrente do indivíduo comum.

13 – A economia pessoal se contrai, novas formas de gerar transações comerciais são utilizadas e as pessoas economizam mais. Uma alta porcentagem dos gastos da família vai para atividades que antes não tinham demanda e vice-versa. A compra de itens como roupas elegantes é substituída por roupas casuais.

14 – E-commerce continua a crescer, players como Facebook, Tik-Tok e YouTube entram para competir com a Amazon. Fechamento de 50% das lojas físicas globais. As lojas sobrevivem graças ao fato de serem experiências e showrooms, mas o comércio real no final de 2024 será maior online do que presencial em muitas áreas. Os grandes shoppings ficarão presos no tempo. Poucos sobreviverão a longo prazo.

15 – Mudanças climáticas serão um tópico muito discutido e apoiado. As grandes indústrias continuarão a se transformar com apoio da IA. A adoção da bicicleta como principal meio de transporte continuará crescendo graças à transformação das cidades. Vamos passar da questão Covid para a Mudança Climática como a questão principal.

16 – Novos modelos de informações e notícias por assinatura com mais transparência ajudarão a disponibilizar conteúdo sem tantas fake news. Credibilidade e transparência serão a pedra angular de todas as empresas. As pessoas estão cansadas de tanta informação e preferem interagir com alguns seletos provedores de informação.

17 – A saúde mental torna-se um tema recorrente. Grandes plataformas ajudam as pessoas a enfrentar as situações de agressividade, solidão e angústia que vivenciaram durante o isolamento. Há muito a repensar. As crises de liderança nas empresas serão mais comuns a cada dia.

18 – Os grandes problemas como educação, saúde, energia, segurança, política, destruição da classe média, ganham destaque. Grande capital é investido para fazer o bem, enquanto os problemas globais são resolvidos. Empreendedorismo social no seu melhor, com resultados financeiros muito substanciais.

19 – Tudo vai para o natural e saudável. Alimentos, experiências e forma de interação. 100% natural, produzir a própria comida, meditar e se exercitar, passa a fazer parte do dia a dia. Ser mais saudável é o “novo luxo”. Produtos suntuosos perdem valor e justificativa. A reciclagem está voltando muito mais forte depois de um ano de desperdício incontrolável, agora com grandes tecnologias que realmente resolvem os problemas gerados no passado.

20 – O mundo está vendo este ano como um novo começo. Um renascimento. As pessoas vão repensar seus objetivos pessoais, de trabalho, saúde, dinheiro e espirituais. Grandes oportunidades estão surgindo para satisfazer todos esses requisitos e mudanças de pensamento. Acumular, consumir e viver pelo material vai para o lado negativo. A inovação, a tecnologia, o pensamento natural e lateral são a base da nova realidade. Todos estão a tempo de encontrar novos caminhos. Você apenas tem que encontrar as novas rotas pessoais ou comerciais.

Fonte: The Economist

Obs. Recebi uma versão por Whatsapp, porém estava tão mal traduzida e redigida que resolvi reescrever e resumir.

Veja também:

The World In 2021 | The Economist

Um pouco de Sapiens, de Yuval Harari

https://ideiasesquecidas.com/2020/12/13/sapiens-o-nascimento-da-humanidade/

Sobre Cisnes Negros, de Nassim Taleb

https://ideiasesquecidas.com/2017/08/09/a-teoria-dos-cisnes-negros/

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/

Amazon, a loja de tudo

Na semana em que Jeff Bezos deixa o comando da Amazon, um resumo do livro “A loja de tudo”.

Bezos é descrito como um homem de ação, agressivo, ambicioso.

Blue Origin founder Jeff Bezos speaks after receiving the 2019 International Astronautical Federation (IAF) Excellence in Industry Award during the the 70th International Astronautical Congress at the Walter E. Washington Convention Center in Washington, DC on October 22, 2019. (Photo by MANDEL NGAN / AFP) (Photo by MANDEL NGAN/AFP via Getty Images)

Ele queria uma empresa voltada a consumidor, de longo prazo. Walmart como modelo.

A empresa começou com livros, mas desde o início queria ser uma loja de tudo. Primeiro, livro sobre caiaques, depois o caiaque, subscrições de corridas de caiaque, reservas de viagens para andar em caiaques – uma loja de tudo.

O nome “Amazon” é por conta do maior rio do planeta – antes o nome era “Kadabra”.

Nos primórdios da Amazon, eles não tinham estoques e faziam pedidos em outras editoras.

Um de seus pilares era conhecer o consumidor e coletar o máximo possível de informação.

Bezos sempre fez tudo para contratar as pessoas mais inteligentes possíveis.

Eram jornadas de trabalho intensas, mais de 60h por semana. Se alguém citasse algo como “qualidade de vida” na entrevista, era eliminado de cara.

5 valores principais e mais 1:

  • Obsessão pelo consumidor
  • Frugalidade
  • Tendência à ação
  • Mentalidade de dono
  • Alto nível para talentos
  • Inovação

Um fato que pode parecer estranho, a Amazon começou a vender livros usados no marketplace, podendo potencialmente canibalizar suas próprias vendas. O motivo é o foco no cliente.

A Amazon passou por vários anos de prejuízo.

Há aqueles que buscam meios de cobrar mais, e os que buscam meios de cobrar menos. Ponto final.

Uma forma inteligente de ver o frete:

  • Frete grátis para quem pode esperar mais
  • Frete expresso para quem não pode esperar

Ao invés de terceirizar o armazenamento, eles o consideraram como o mais importante da companhia, e o reinventaram. Armazéns tem barcodes nos produtos, funcionários, empilhadeiras.

Bezos era pesado com funcionários.

Sobre o Amazon Prime: a conta não fechava. Valor nos EUA: 79 dólares por ano. Mas Bezos insistiu, porque incentivava o usuário a comprar mais. E daria para desafiar logística, para baixar custos.

Outras apostas de risco: o turco mecânico, o web services, o search engine próprio.

Foi uma das primeiras empresas que tinha um “Chief algorithm office”, algo como um diretor de algoritmos.

O AWS surgiu da capacidade computacional que estava sobrando.

O Kindle foi outro passo estranho, ir para hardware, porém Bezos insistiu.

Um exemplo ilustra a agressividade. O que é negociação? Dois lados felizes? Resposta errada. Para Bezos, era ganhar tudo.

Pressão forte nos editores para digitalizar livros para o Kindle.

A loja Kindle oferecia livros a $ 9,99. Para tal, exprimiu fornecedores e fez Amazon ganhar marketing share.

Amazon x Zappos

Houve guerra de preços, e a crise de 2009 afetou a Zappos. Acabou sendo vendida para a Amazon.

A frugalidade é tanta que o funcionário recebe mochila e notebook ao chegar, e ao sair da empresa, pedem até a mochila de volta. A frugalidade é para gerar valor ao cliente final, o consumidor.

Não há uma vantagem competitiva única. São várias vantagens competitivas pequenas, dia a dia.

Hoje, 2021, a Amazon é uma das maiores empresas do mundo, e Bezos é considerado o homem mais rico do planeta.

Link do livro na Amazon:

https://amzn.to/3tlgBBh

Veja também:

Tony Hsieh – Satisfação Garantida (ideiasesquecidas.com)

4 biografias nota 10 (ideiasesquecidas.com)

Meta: ser rejeitado 100 vezes!

Que tal pedir para jogar bola no quintal de uma pessoa aleatória? Pedir um dia de emprego numa empresa qualquer? Pedir para pilotar um avião?

Jia Jiang, um chinês radicado nos EUA, sonhava em ser empreendedor quando criança. Porém, ele nunca conseguia tirar suas ideias criativas do papel.

Até que, aos 30 e poucos anos, casado e com uma filha pequena, ele pediu demissão de um bom cargo numa empresa top 500 da Fortune para tentar empreender. Contratou alguns bons programadores, investiu todas as forças e economias, para alguns meses mais tarde… ser rejeitado por um investidor de risco.

Jiang estava preste a desistir do empreendimento, quando tentou outra abordagem. A fim de se preparar para as repetidas rejeições futuras, ele começou a estudar o tema. Descobriu a “terapia da rejeição”, onde o objetivo é ser rejeitado diversas vezes seguidas.

Ele achou a terapia da rejeição original muito simples, e quis levar ao extremo. Bolou o desafio dos 100 dias de rejeição, com propostas bizarras para ser rejeitado e começou a filmar a curiosa experiência.

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No primeiro dia, ele perguntou a uma pessoa aleatória se ele poderia pegar 100 dólares emprestado.

O mesmo respondeu: “Não, por quê?”

Jiang estava tão tenso que não prolongou a conversa. Disse “Obrigado” e se foi. Pensando bem, ele poderia ter explorado melhor a conversa. Elaborado o pedido. Explicado a razão.

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No terceiro dia, algo incrível aconteceu.

Era na época das Olimpíadas, então ele pediu rosquinhas na forma dos anéis olímpicos. Para sua surpresa, a atendente entregou o pedido!

O vídeo viralizou. A atendente ganhou inúmeros elogios, e Jiang virou uma espécie de celebridade.

O seu objetivo era o “não”, e ele acabou com um belo “sim”, sem querer. Isso abriu a cabeça dele para um mundo de oportunidades.

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A rejeição atua no cérebro como uma dor física. Levar uma tijolada na cabeça é quase igual a levar um “não” rude, pelo menos para o cérebro.

As raízes disto são biológicas. No tempo do homem das cavernas, ser rejeitado por um grupo seria basicamente uma condenação à morte.

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Com o passar do tempo, Jiang começou a ficar melhor e melhor em sua técnica de negociação.

  • Ele pediu (e conseguiu) que um apresentador cantasse “brilha brilha estrelinha” para a filha; a dar boas vindas aos passageiros no avião; a jogar bola no quintal de uma pessoa.
  • Pediu para plantar flores numa casa aleatória. O proprietário disse “não”. Explorando o motivo, era porque o cachorro destruía todas as flores. Não era pela pessoa ou pelo comportamento, simplesmente ele não precisava da flor no quintal. O dono da casa recomendou a vizinha da frente, que aceitou e adorou a flor.
  • Ele pediu um emprego de um dia, e foi aceito na terceira tentativa.
  • Pediu para pilotar um avião, e conseguiu um experiência de voo incrível.

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Algumas lições que Jiang ensina.

  • O mesmo pedido bizarro causava reações completamente diferentes nas pessoas. A rejeição reflete menos você, e muito mais a outra pessoa. Tem muito haver com a opinião delas, e opiniões existem para tudo e para todos.
  • O bom humor ajuda na rejeição.
  • Após um número suficiente de “nãos”, alguém vai aceitar. Este é o papel da persistência. Quanto mais você é rejeitado, maior a chance de conseguir um “sim” em algum momento. O experimento mais bizarro que eu achei da lista foi dar maçãs para pessoas quaisquer na rua. Por incrível que pareça, até para isso teve uma pessoa que aceitou a maçã e saiu mordendo a mesma…
  • Perguntar “por quê”, buscar alternativas – algo que o autor Robert Cialdini, especialista em persuasão, chama de BATNA – best alternative to non-agreement. Jiang pediu o lanche de panqueca com ovos no McDonald’s à tarde, o que era impossível porque o maquinário é limpo após o período da manhã. Porém, conversando com o atendente, ele conseguiu um lanche alternativo, pão com ovos, tão bom quanto.
  • Outra estratégia é recuar e retornar com outro ângulo. Não se render, não desistir, mudar o pedido…
  • Treinar e se preparar para fazer o pedido.
  • Paciência, respeito, empatia, bom humor, ser direto e transparente, oferecer alternativas e concessões, saber o por quê.

Se você pedir, pode ser rejeitado ou pode conseguir. Se você não pedir, você mesmo está se rejeitando com 100% de probabilidade!

O livro é leve para ler, as premissas são simples, e a lição de vida é algo válido para todos. Seja rejeitado mais vezes!

https://amzn.to/39uM5gg

Jia Jiang tem um blog onde posta suas experiências:
https://www.rejectiontherapy.com/100-days-of-rejection-therapy

Tem o TED dele, nos links abaixo:
https://www.ted.com/talks/jia_jiang_what_i_learned_from_100_days_of_rejection

Ray Kroc e a fascinante história do McDonald’s

Raymond Kroc transformou o McDonald’s, de um pequeno restaurante regional ao gigantesco império que conhecemos hoje.

O filme “Fome de poder” retrata Kroc como um vilão. O homem ambicioso, que desrespeita acordos e passa a perna nos irmãos McDonald.

Como tudo na vida tem dois lados, a visão de Ray Kroc consta no livro autobiográfico “Grinding it out” – algo como “Moendo tudo”. Nesse, vemos que ele, aos 52 anos, hipotecou a casa e colocou cada centavo que tinha e que conseguia pedir emprestado no empreendimento, mudanças de layout eram necessárias para cada loja (e foram os irmãos que dificultaram as autorizações), e que os irmãos tinham vendido a mesma franquia para outros concorrentes (obrigando Kroc a firmar acordo com estes).

Mais do que isso, o livro mostra os passos árduos percorridos para erguer esse império do fast food. É uma lição de vida, envolvendo riscos, brigas, dedicação a serviços, melhoria contínua, paixão ao trabalho e, principalmente, parceria com dezenas de associados, franqueados, fornecedores e investidores.

Segue um resumo das minhas notas sobre o livro.

Link da Amazon para o livro.

https://amzn.to/3a2fLAJ

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Depois de dezessete anos vendendo copos de papel para a empresa Lily Tulip e subindo ao topo de vendas da empresa, eu vi a oportunidade aparecer na forma de uma máquina de milk shake chamada multimixer. Não foi fácil desistir da segurança de um trabalho bem remunerado para sair sozinho.

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Eu estava sempre alerta para outras oportunidades. Eu tenho um ditado que diz: “Enquanto você estiver verde, você está crescendo, assim que você estiver maduro, você começa a apodrecer”.

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Um dia um dono de um restaurante em Portland, Oregon, disse: “Quero um daqueles seus misturadores como os irmãos McDonald têm em San Bernardino, Califórnia”. Quem eram esses McDonalds?

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Fiz algumas verificações e fiquei surpreso ao saber que o McDonald’s não tinha um Multimixer, nem dois ou três, mas oito! A imagem mental de oito Multimixers agitando quarenta shakes ao mesmo tempo era demais para acreditar.

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(Kroc foi verificar o restaurante dos irmãos)

Era um dia quente, mas notei que não havia moscas se espalhando pelo lugar. Homens vestidos de branco estavam mantendo tudo limpo enquanto trabalhavam. Isso me impressionou muito, porque sempre fui impaciente com a falta de limpeza, especialmente em restaurantes.

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Fiquei fascinado pela simplicidade e eficácia do sistema que descreveram naquela noite. Cada passo na produção do cardápio simples foi redefinido em sua essência e realizado com um mínimo de esforço. Eles vendiam hambúrgueres e cheeseburguers apenas. Os hambúrgueres eram um décimo de meio quilo de carne, todos fritos da mesma forma, por quinze centavos. Você tem uma fatia de queijo nele por quatro centavos a mais.

(Nota: Outros restaurantes ofereciam um pouco de tudo na época. Os McDonalds fizeram um Pareto, focando somente nos poucos itens que tinham alto giro, e se aperfeiçoaram em serem extremamente eficientes nestes.)

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Kroc foi um dos primeiros a usar o KISS (keep it simple, stupid) como um lema, baseado na simplicidade do menu do McDonald’s.

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À noite, muitos pensamentos sobre o que eu tinha visto durante o dia. Visões de restaurantes McDonald’s por todo o país desfilaram pelo meu cérebro.

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As batatas do McDonald’s estavam em um nível superior. Eles dedicavam bastante atenção nisto. Eu não sabia disso na época, mas a batata frita se tornaria quase sacrossanta para mim, sua preparação seria um ritual a ser seguido religiosamente.

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Um problema comum com batatas fritas é que elas eram fritas em óleo que tinha sido usado para frango ou para algum outro alimento. Qualquer restaurante negará, mas quase todos eles fazem isso. Um escândalo muito pequeno, talvez, mas um escândalo. É apenas um dos pequenos crimes que deram à batata frita uma má reputação, enquanto arruinavam o apetite de inúmeros americanos. Não havia uso múltiplo do óleo para as batatas fritas do McDonald’s.

(Nota: Hoje qualquer fast food tem as batatas crocantes que conhecemos, e é até difícil entender a afirmação acima. Para ter uma ideia do que Kroc diz, tente fazer batatas fritas comuns em casa. Vai sair empapada, feia, muito longe da versão McDonald’s.)

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Eu estive nas cozinhas de muitos restaurantes e drive-ins vendendo Multimixers, em todo o país. Eu disse a eles, nunca vi nada que iguale o potencial deste seu lugar. Por que vocês não abrem uma série de unidades como esta? Seria uma mina de ouro para vocês e para mim também, porque cada uma aumentaria as vendas do multimixer.

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(Os irmãos McDonald não queriam preocupações)

Temos nossa casa e nós amamos isso. Sentamos na varanda à noite e vemos o pôr-do-sol da nossa casa aqui. É pacífico. Não precisamos de mais problemas. Estamos em posição de aproveitar a vida agora, e é exatamente o que pretendemos fazer.

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(Ray Kroc se propôs a assumir a responsabilidade pelas franquias, e firmaram um contrato para tal)

Quando voei de volta para Chicago naquele fatídico dia em 1954, eu tinha um contrato recém-assinado com os irmãos McDonald na minha pasta.

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Nunca fui um grande leitor quando era garoto. Os livros me entediavam. Eu gostava de ação. Mas passava muito tempo pensando nas coisas. Imaginava todos os tipos de situações e como lidaria com elas.

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Copos de papel não foram fáceis de vender quando cheguei às ruas com minha amostra da Lily Cup em 1922. Os donos de restaurantes imigrantes que eu me aproximava com meu discurso de vendas balançavam a cabeça e diziam: “Não, eu tenho copos de vidro, e são mais baratos”.

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Eu era guiado pela ambição. Eu odiava ficar ocioso por um minuto. Eu estava determinado a viver bem e ter coisas boas.

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(Sobre a Grande Depressão de 1929)

Jornais e revistas no final dos anos 20 estavam cheios de anúncios para cursos de correspondência que garantiam ajudá-lo a ficar rico rapidamente em imóveis.

(Alguma semelhança com pessoas vendendo cursos de enriquecimento rápido no Youtube hoje em dia?)

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(Sobre asseamento e aparência)

Enfatizei a importância de uma boa aparência, um terno bem passado, sapatos polidos, penteados de cabelo e unhas limpas. Olhar afiado e boa atitude, eu disse a eles. A primeira coisa que você tem que vender é você mesmo. Quando você fizer isso, será fácil vender copos de papel.

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Sobre a saída da empresa de copos de papel para vender o multimixer.

Ethel (a esposa) ficou incrédula com a ideia de que eu desistiria da minha posição na Lily Tulip e sairia para isso.

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Não há nada que você não possa realizar se você definir sua mente para isso.

Eu disse isso a um grupo de estudantes de pós-graduação no Dartmouth College em março de 1976. Eles me pediram para falar sobre a arte do empreendedorismo, como ser pioneiro em um empreendimento de negócios. Você não vai conseguir de graça, eu disse, e você tem que correr riscos. Isso não significa ser imprudente, isso é loucura. Mas você tem que correr riscos, e em alguns casos você deve ir para a falência. Se você acredita em algo, você tem que estar nele até o fim. Correr riscos razoáveis é parte do desafio. É divertido.

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(Sobre dívidas acumuladas)

Não acho que ela (Ehtel) tenha superado o choque de descobrir que tínhamos quase $100.000 em dívidas. Ela não podia.

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Eu me recusei a me preocupar com mais de uma coisa de cada vez, e eu não deixaria que um problema, não importa o quão importante, me impedisse de dormir. Isso é mais fácil falar do que fazer.

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Em 7 de dezembro de 1941, entramos em guerra pelo ataque japonês a Pearl Harbor, e fui expulso do negócio de multimixers. Os suprimentos de cobre, usados para enrolar os motores da Multimixer, foram restritos pelo esforço de guerra.

(O negócio retornou após a guerra)

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(Sobre um funcionário que tentou passar a perna em Kroc, e anos depois pediu uma chance no McDonald’s)

Eu não pude ouvir por um momento, quando ele ligou mais tarde para implorar por uma chance de entrar no McDonald’s. Um bom executivo não gosta de erros. Ele permitirá aos seus subordinados um erro honesto de vez em quando, mas ele nunca vai tolerar ou perdoar a desonestidade.

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Era um restaurante restrito ao mínimo em serviços e menu, o protótipo do que seria o fast-food, que mais tarde se espalharia por toda a terra. Hambúrgueres, batatas fritas e bebidas eram preparados em uma linha de montagem, e, para espanto de todos, Mac e Dick incluídos, a coisa funcionou! Claro, a simplicidade do procedimento permitiu que os McDonald’s se concentrassem na qualidade em cada passo, e esse era o truque.

(Nota: Maurice e Richard eram os irmãos McDonald)

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No decorrer desta conversa, soube que os irmãos tinham licenciado outros dez drive-ins, incluindo dois no Arizona. Eu não tinha interesse nisso, mas eu teria o direito de franquia de suas operações em todos os outros lugares nos Estados Unidos.

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A reunião foi extremamente cordial. Confiei neles desde o início. Essa confiança mais tarde se transformaria em suspeita eriçada. Mas eu não tinha noção dessa eventualidade.

O acordo me deu 1,9% das vendas brutas dos franqueados. Eu tinha proposto 2%. Os McDonalds disseram: “Não, não, não! Se você disser a um franqueado que você vai levar 2%, ele vai recusar.

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(Sobre simplesmente copiar a ideia e criar um concorrente do zero)

Os irmãos tinham equipamentos que não poderiam ser facilmente copiados. Eles tinham uma grelha de alumínio especialmente fabricada, e a configuração de todo o resto do equipamento estava em um padrão muito preciso, de economia de movimentos. Depois havia o nome. Eu tinha um forte senso intuitivo de que o nome McDonald’s estava exatamente certo. Não era possível copiar o nome. Mas para o resto, acho que a resposta real é que eu era tão ingênuo ou tão honesto que nunca me ocorreu que eu poderia pegar a ideia deles e copiá-la e não pagar-lhes um centavo sequer.

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Ethel ficou enfurecida com a coisa toda. Não tínhamos obrigações que seriam prejudicadas por isso; nossa filha, Marilyn, era casada e não dependia mais de nós. Mas isso não importava para Ethel; ela só não queria ouvir sobre McDonald’s ou meus planos.

Isso fechou a porta entre nós. Ela participou de reuniões do McDonald’s nos últimos anos, e era querida por operadores e por mulheres na equipe, mas não havia mais nada entre nós. Nossos trinta e cinco anos de sagrado matrimônio suportaram outros cinco em acrimonia profana.

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(Nota: O contrato feito exigia aprovação escrita dos irmãos, para qualquer alteração no layout do restaurante. O restaurante original dos irmãos era num lugar semi-desértico, e o primeiro restaurante de Kroc precisava de alterações, entre elas um porão.)

Liguei para os McDonalds e contei sobre o meu problema. “Bem, claro que você precisa de um porão, disseram. Então construa um”.

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Entretanto, os irmãos apenas autorizaram verbalmente, sem assinar nada – o que teria potencial de causar enormes problemas jurídico.

Isso teria funcionado, se os McDonalds fossem homens razoáveis. Em vez disso, eles eram obtusos, eles eram totalmente indiferentes ao fato de que eu estava colocando cada centavo que eu tinha e tudo que eu poderia emprestar para este projeto. Quando nos sentamos com nossos advogados presentes, os irmãos reconheceram os problemas, mas se recusaram a escrever uma única carta que me permitisse fazer mudanças.

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Era quase como se eles estivessem esperando que eu fracassasse. Esta foi uma atitude peculiar para eles, porque quanto mais bem sucedido o franchising, mais dinheiro eles ganhariam. Meu advogado desistiu da situação. Contratei outro e ele desistiu, também, dizendo que eu era louco para continuar nessas condições. Ele não poderia me proteger se os McDonald’s contestassem. Prossegui assim mesmo.

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Um assunto de preocupação muito maior para mim, no entanto, foi a batata frita.

Eu mostrei como descascar as batatas, deixando apenas um pouco da pele para adicionar sabor. Então eu as cortei em tiras e joguei em uma pia de água fria.

Então eu enxaguei completamente e coloquei em uma cesta para fritar em óleo fresco. O resultado foi uma batata marrom dourada perfeitamente fina que se aconchegava contra o paladar com um gosto estranho, como mingau.

Não eram as maravilhosas batatas fritas que descobrira na Califórnia. Falei ao telefone com os irmãos McDonald. Eles também não descobriram.

Entrei em contato com os especialistas da Associação de Batata e Cebola e expliquei meu problema a eles. Eles também ficaram perplexos, no início, mas então um dos homens do laboratório me pediu para descrever o procedimento de San Bernardino, e descobriu o problema.

Quando as batatas são escavadas, elas são principalmente água. Eles melhoram no sabor à medida que secam e os açúcares mudam para amido. Os irmãos McDonald tinham, sem saber, um processo natural de cura em seus depósitos abertos, o que permitiu que a brisa do deserto soprasse sobre as batatas.

Com a ajuda dos especialistas, eu criei um sistema de cura próprio. Eu tinha as batatas armazenadas no porão para que as mais velhas fossem sempre as próximas na fila para a cozinha.

Um ventilador elétrico deu às batatas uma exposição contínua de ar.

E as batatas eram fritas duas vezes.

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Um dos meus fornecedores me disse, Ray, você não está no negócio de hambúrgueres. Você está no negócio da batata frita. Eu não sei como você faz isso, mas você tem as melhores batatas fritas da cidade.

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Então todo o acordo travou diante de outro ato de desonestidade ou burrice, eu realmente não sei qual, por parte dos irmãos McDonald.

Eu tinha sido informado dos dez outros locais na Califórnia e Arizona que os irmãos tinham franqueado seus nomes, e nós concordamos que estava tudo bem. Eu ia ter todo o resto dos Estados Unidos. Mas havia outro acordo que eles não tinham me contado, e que era em Cook County, Illinois, onde eu tinha minha casa, meu escritório, e minha primeira loja. Os irmãos venderam Cook County para a Companhia de Sorvetes Frejlack!

Eu poderia culpar os Frejlacks, é claro, porém eles eram completamente inocentes e justos. Mas eu nunca perdoaria os McDonalds.

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A empresa nunca poderia ter crescido como cresceu sem a visão única de Harry Sonneborn.

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Nós trabalhamos como loucos, e nos últimos oito meses de 1956 abrimos oito lojas, apenas uma delas na Califórnia.

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De certa forma, acho que sou ingênuo. Eu sempre tomo um homem em sua palavra a menos que ele me dê uma razão para não fazer isso.

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Queríamos que McDonald’s fosse mais do que apenas um nome usado por pessoas diferentes. Queríamos construir um sistema de restaurantes que fosse conhecido por alimentos de qualidade consistente e métodos uniformes de preparação. Nosso objetivo, é claro, era garantir a repetição dos negócios com base na reputação do sistema e não na qualidade de uma única loja.

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Se eu tivesse um tijolo para cada vez que eu repetisse a frase QSC e V (Qualidade, Serviço, Limpeza – cleanliness –  e Valor), eu acho que seria capaz de fazer uma ponte sobre o Oceano Atlântico com eles.

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Fred Turner veio trabalhar em nosso escritório em janeiro de 1957, ano em que abrimos 25 novas operações do McDonald’s em todo o país.

(Nota: Fred Turner começou fritando hambúrgueres, e mais tarde se tornou o CEO da companhia, substituindo Kroc.)

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Grande parte do sucesso da minha organização tem sido resultado do tipo de pessoas que escolhi para cargos-chave. Minhas respostas não soam muito diferentes das regras que os alunos de administração de empresas encontram em seus livros didáticos básicos. É difícil chegar a respostas reais porque o peso do julgamento não está na regra, mas na aplicação.

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No início eram pães em cluster, o que significa que os pães estavam presos uns aos outros em aglomerados de quatro a seis, e eles eram apenas parcialmente fatiados. Fred apontou que seria muito mais fácil e rápido se tivéssemos pães individuais em vez de clusters e se eles viessem cortados.

Fred também trabalhou com um fabricante de caixas de papelão no design de uma caixa resistente e reutilizável para nossos pães. Manusear essas caixas em vez das embalagens habituais reduziu o custo da embalagem do padeiro, então ele foi capaz de nos dar um preço melhor nos pães.

(Nota: eles desenvolveram fornecedores para chegar às especificações ótimas. Kroc cita que o crescimento gigantesco do McDonald’s impulsionou junto os fornecedores.)

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As pessoas ficam maravilhadas com o fato de que eu comecei o McDonald’s aos 52 anos de idade, e então eu me tornei um sucesso da noite para o dia. Mas eu era como várias personalidades do show business que trabalham silenciosamente em seu ofício por anos, e então, de repente, chega o momento certo para torná-los grandes. Eu fui um sucesso da noite para o dia, mas trinta anos é uma longa, longa noite.

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Então, com o risco de parecer simplista, enfatizo a importância dos detalhes. Você deve aperfeiçoar todos os fundamentos do seu negócio se você espera que ele tenha um bom desempenho.

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Um hambúrguer é um pedaço de carne. Mas um hambúrguer McDonald’s é um pedaço de carne com caráter. A primeira coisa que o distingue dos outros lugares é que é tudo carne bovina.

O teor de gordura é de dezenove por cento e é rigidamente controlado. Há muito que poderia ser escrito sobre a história técnica do hambúrguer, os experimentos com diferentes métodos de moagem, técnicas de congelamento e conformações superficiais, a fim de chegar ao pedaço de carne mais suculento e saboroso que poderíamos produzir para o nosso sistema.

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(Sobre uma proposta de investimento para cobrir dívidas e ajudar na expansão)

Minha frugalidade lutou com a ideia de ceder qualquer parte das ações da empresa que eu tinha lutado tão desesperadamente para construir; no entanto, o apelo de US $ 1,5 milhão foi irresistível.

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(Sobre diferenças de visão com Harry Sonneborn)

Harry vê a corporação como apenas um negócio imobiliário, em vez de um negócio de hambúrgueres.

(Harry tinha proposto refranquear os locais após o término das licenças).

A expiração das licenças poderia acabar com a operação de todas as lojas. Eu não concordaria com isso. Nunca o fiz e nunca o farei. Isso não pode acontecer desde que minha influência e a de Fred Turner imponham a visão de que a corporação está no negócio de restaurantes de hambúrgueres, e sua vitalidade depende da energia de muitos proprietários-operadores individuais.

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Um dos nossos veteranos, Morris Goldfarb, de Los Angeles, disse na convenção de 1976 no Havaí que Ray Kroc fez mais milionários do que qualquer outra pessoa na história. Agradeço a visão de Morris, mas diria de outra forma. Prefiro dizer que dei a muitos homens a oportunidade de se tornarem milionários. Eles mesmos fizeram isso.

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McDonald’s não confere sucesso a qualquer um. É preciso coragem e poder para fazer isso com um de nossos restaurantes. Ao mesmo tempo, não requer qualquer aptidão ou intelecto incomum. Qualquer homem com bom senso, dedicação aos princípios, e um amor pelo trabalho duro pode fazê-lo.

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Os irmãos McDonald simplesmente não estavam na mesma sintonia. Eu estava obcecado com a ideia de fazer do McDonald’s o maior e o melhor. Eles estavam satisfeitos com o que tinham; eles não queriam ser incomodados com mais riscos e mais demandas.

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(Sobre as operações na Califórnia. Ele voltou horrorizado com a situação encontrada)

A loja dos irmãos em San Bernardino era praticamente o único McDonald’s. Outros mudaram o cardápio com coisas como pizza, burritos e enchiladas. Em muitos deles a qualidade dos hambúrgueres era inferior, pois eles estavam moendo corações na carne, com alto teor de gordura. Os irmãos McDonald viraram as costas para práticas tão ruins. Seus operadores se recusaram a cooperar comigo em compras de volume e publicidade.

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Minha maneira de lutar contra a competição é a abordagem positiva. Enfatize seus próprios pontos fortes, enfatize a qualidade, o serviço, a limpeza e o valor, e a competição se desgastará tentando acompanhar.

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O item mais importante nos meus planos para a empresa era terminar nosso relacionamento com os irmãos McDonald. Isso foi em parte por razões pessoais; Mac e Dick estavam começando a me irritar com o jogo de negócios deles. Por exemplo, eu os apresentei ao meu bom amigo e fornecedor de papel, Lou Perlman, e eles começaram a comprar todos os produtos de papel dele. Eles vieram a Chicago, visitaram Lou e pediram para ele levá-los para ver todos os McDonald’s da área, o que ele fez, mas eles nem mesmo me telefonaram; Lou me contou mais tarde, onde eles foram e o que eles disseram.

Mas a principal razão pela qual eu queria acabar o contrato com os McDonalds foi sua recusa em alterar qualquer termo do acordo que foi um empecilho para o nosso desenvolvimento. Eles culparam o advogado por essa falta de cooperação, e ele e eu certamente estávamos na mira da adaga o tempo todo; mas seja qual for a razão, eu queria estar livre de seu domínio sobre mim.

Então liguei para Dick McDonald e pedi para ele dar o preço deles. Depois de um dia ou dois ele fez, e eu deixei cair o telefone.

Eles estavam pedindo $2,7 milhões!

(Nota: Se um hambúrguer era 15 centavos e hoje é uns 3 dólares, dá mais ou menos 20x o valor. Ou seja, eles pediram o equivalente a 50 milhões de dólares dos dias de hoje, para uma operação que estava no início, com muitas incertezas ainda.)

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(Kroc correu atrás de financiamento para fechar o acordo, e conseguiu)

Foi um acordo extremamente bem sucedido. Todos os envolvidos estavam felizes.

Eu também estava feliz, exceto por uma parte do acordo que ficou na minha garganta como um osso de peixe. Foi a insistência de última hora dos irmãos McDonald em manter seu restaurante original em San Bernardino. Que maldito truque podre! Eu precisava da renda daquela loja.

Eventualmente eu abri um McDonald’s do outro lado da rua daquela loja, que eles tinham renomeado The Big M, e isso os tirou do negócio. Mas é por isso que não posso me sentir caridoso ou benevolente pelos irmãos McDonalds. Eles voltaram atrás em sua promessa, feita em um aperto de mão, e me forçaram a grunhir e suar como um escravo nas galerias para cada centímetro de progresso na Califórnia.

(Não há menção ao acordo de 0,5% do faturamento, que no filme é um acordo verbal não cumprido)

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(Kroc foi pioneiro em criar uma universidade corporativa)

Essa seria a primeira sala de aula para cursos que eventualmente se tornariam a Universidade de Hambúrguer.

A ideia de ter aulas para novos operadores e gerentes me ocorreu quando eu trouxe Fred Turner para a sede.

A Hamburger U também estava ajudando a testar e implementar procedimentos de treinamento em novos equipamentos que estavam sendo desenvolvidos pelo nosso Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento em Addison, Illinois.

Louis Martino havia iniciado o laboratório de P&D em 1961. Ele tinha vasta experiência na loja como operador em Glen Ellyn, Illinois, e viu a necessidade de equipamentos mecânicos e eletrônicos mais sofisticados para acelerar nossa linha de montagem de alimentos e tornar nossos produtos mais uniformes.

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(Sobre um dos anúncios publicitários após o acordo na Califórnia)

A campanha publicitária que montamos foi um sucesso. Trouxe os californianos aos nossos estacionamentos como se vendas tivessem sido removidas de seus olhos, e de repente eles podiam ver os arcos dourados. Foi uma grande lição para mim sobre a eficácia da televisão.

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Superamos todos os recordes anteriores de construção em 1963, construindo 110 lojas espalhadas por todo o país, e fizemos ainda melhor no ano seguinte, quando tivemos um lucro líquido de US $ 2,1 milhões em vendas de US $ 129,6 milhões.

Sempre acreditei que a autoridade deveria ser colocada no nível mais baixo possível. Eu queria que o homem mais próximo das lojas fosse capaz de tomar decisões sem buscar diretrizes da sede.

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A ideia de usar batatas fritas congeladas me atraiu muito. Poderia nos garantir um suprimento contínuo das melhores batatas, porque poderíamos comprar e processar um lote inteiro sem medo de estragar. Os custos de transporte seriam muito mais baixos, e as caixas quadradas de batatas congeladas seriam muito mais fáceis de manusear e armazenar do que sacos de 100 libras. Também eliminaria tarefas confusas e demoradas em nossas lojas (descascar, cortar).

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(Sobre o McFish)

Minha reação quando Lou abordou pela primeira vez a ideia do peixe para mim foi, “Inferno não!” Não me importo se o próprio Papa vier a Cincinnati. Ele pode comer hambúrgueres como todo mundo. Não vamos feder nossos restaurantes com nenhum dos seus malditos peixes velhos!

Começamos a vendê-lo apenas às sextas-feiras em áreas limitadas, mas recebemos tantos pedidos para isso que em 1965 disponibilizamos em todas as nossas lojas todos os dias.

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(Nem tudo deu certo)

Isso é o que aconteceu com o Hulaburger, que eu apostava que seria melhor do que McFish. O Hulaburger era feito de duas fatias de queijo com uma fatia de abacaxi grelhado em um pão torrado. Delicioso! Mas foi um fracasso gigante quando tentamos em nossas lojas.

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Há uma cruz que você deve suportar se você pretende ser chefe de uma grande corporação: você perde muitos de seus amigos no caminho para cima.

É solitário.

Nunca senti isso tão intensamente como quando Harry Sonneborn e eu tivemos nosso confronto final, e ele renunciou.

Harry tinha uma parte substancial das ações do McDonald’s, mas ele estava tão certo que a empresa iria para baixo quando saiu que ele vendeu tudo. Ele queria o dinheiro, disse, para entrar no negócio bancário. Mas é uma pena, porque embora a venda lhe desse alguns milhões de dólares na época, as ações posteriormente valeriam dez vezes mais. Se ele tivesse guardado, suas ações valeriam mais de 100 milhões de dólares. Então sua falta de fé em nós foi muito cara para ele.

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Diabos, quando os tempos estão ruins é que você deve construir!, eu gritei. Por que esperar as coisas melhorarem para que tudo custe mais? Se um local é bom o suficiente para comprar, queremos construir sobre ele imediatamente e estar lá antes da competição.

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No início de 1968 eu estava pronto para entregar o bastão para Fred Turner, e ele assumiu sem diminuir o passo. Como presidente e mais tarde diretor executivo, ele avançou com os programas que comecei e criou algumas variações dinâmicas.

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Eu acredito que se você pensar pequeno, você vai ficar pequeno.

O MiniMac inicial fez cerca de $70.000 brutos no primeiro mês. Mas depois de terem construído cerca de vinte e duas mini-unidades, algumas sem assentos e algumas com apenas 38 lugares, eles finalmente se cansaram dos meus gritos e cancelaram o programa. E é uma coisa muito boa que eles fizeram, porque esses minis foram convertidos em lojas regulares.

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Uma pessoa não precisa ser super inteligente ou ter mais do que o ensino médio, mas ela deve estar disposta a trabalhar duro e se concentrar exclusivamente no desafio de operar a loja.

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Alguns dias eu mal conseguia me locomover por causa da forma como a artrite estava distorcendo meu quadril. No entanto, a dor era preferível à ociosidade, e eu continuei me movendo apesar de Joni insistir em nos estabelecermos em nosso rancho. Ela adora lá. Eu também. Mas havia muitas coisas que eu queria fazer que não podiam ser realizadas a partir de uma cadeira macia.

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As pessoas às vezes me acusam de ser um tigre faminto por dinheiro. Isso não é verdade. Nunca fiz nada só por causa do dinheiro.

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Educação profissional, isso é o que este país precisa. Muitos jovens saem da faculdade despreparados para manter um emprego estável ou cozinhar ou fazer trabalho doméstico, e isso os deixa deprimidos. Não é de se admirar! Eles devem treinar para uma carreira, aprender a se sustentar e a desfrutar do trabalho primeiro.

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Outra área de interesse contínuo da empresa é o envolvimento da comunidade por meio de programas como a Ronald McDonald House, a Ronald McDonald Children, o apoio da Associação de Distrofia Muscular e uma campanha para prevenir o uso de drogas entre os jovens do país.

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Estou sonhando com coisas novas para as operações internacionais do McDonald’s. Steve Barnes, que dirigiu nosso crescimento no exterior, continua apresentando planos emocionantes, e pessoas do Japão à Suécia estão recebendo os Arcos Dourados.

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A realização deve ser feita contra a possibilidade de fracasso, contra o risco de derrota. Não é uma conquista andar em uma corda bamba colocada no chão. Onde não há risco, não pode haver orgulho na realização e, consequentemente, nenhuma felicidade. A única maneira de avançar é indo em frente, individualmente e coletivamente, com o espírito de pioneiro. Devemos correr os riscos envolvidos em nosso sistema de livre iniciativa. Não há outra maneira.

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 A felicidade não é uma coisa tangível, é um subproduto da realização.

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Desde que completou este livro em 1977 até morrer de insuficiência cardíaca em 14 de janeiro de 1984, aos 82 anos, Ray Kroc nunca deixou de trabalhar para o McDonald’s. Mesmo em seus últimos anos, quando estava confinado a uma cadeira de rodas, ele ainda ia ao escritório em San Diego quase todos os dias.

(Uma última nota. A história dos irmãos McDonald e Ray Kroc me lembra a comparação entre Steve Wozniak – o gênio técnico, capaz de projetar um computador – e Steve Jobs – o líder visionário capaz de mobilizar centenas de parceiros para produzir a Apple computers.)

Veja também:

Quarteirão com queijo (ideiasesquecidas.com)

Outros resumos:

Resumos Gratuitos (ideiasesquecidas.com)

Percepção, realidade e o Pareto a posteriori

Todas as vezes que escrevo algum texto, ou entrego algum projeto de forma geral, faço internamente uma avaliação: “este trabalho ficou muito bom, vai longe”; ou “não gostei muito, não acho que o alcance seja grande”.

Em geral, a previsão não se confirma. A nossa percepção da realidade é muito diferente da realidade.

Aliás, há uma assimetria, na verdade. Trabalhos ruins, ou textos ruins no caso do blog, certamente terão desempenho ruim – a correlação é de 100%.

Separando apenas os trabalhos bons, aí sim, não é possível saber se vai ser sucesso ou não.


Alguns exemplos.

Gostei muito de escrever o Índice X-Men de inflação. É algo que uma versão mais jovem de mim mesmo adoraria ler. Este texto teve um bom desempenho, mas pontualmente.

O índice X-Men de Inflação (ideiasesquecidas.com)

Já uma surpresa. O texto a seguir é muito simples, apenas uma ilustração do poder de uma série geométrica. Eu não sei bem o motivo, mas está com um bom index no Google, sendo constantemente um dos maiores views deste site.

Todos os grãos de arroz num tabuleiro de xadrez (ideiasesquecidas.com)

Um exemplo misto é sobre o dodecaedro mágico. Dentre os inúmeros métodos possíveis, eu criei este método, notação, tutorial, então é de se esperar que o conteúdo original tenha valor. E, realmente, até hoje é uma página muito acessada.

Como resolver o dodecaedro mágico? – Introdução (ideiasesquecidas.com)

Porém, fiz exatamente o mesmo para outros puzzles, como o cubo Sweb. Alguns puzzles mais simples e outros mais complexos – sem o mesmo sucesso.

Como resolvi o cubo Skewb (ideiasesquecidas.com)

Em termos de projetos também. Tem planilhas minhas rodando até hoje em diversos locais da empresa. Por outro lado, há trabalhos extremamente mais complexos e ambiciosos que serviram por um tempo, mas já foram substituídos.

Sabe o Princípio de Pareto, aquele de que 20% do trabalho vai gerar 80% dos resultados? Uma forma de interpretar é focar nos 20% que dá resultado, e abandonar 80%.

O Pareto é verdade, porém, a posteriori. Vendo o resultado pronto, é possível apontar o dedo e dizer: “olha só, isso não deu em nada”. Os mais chatos até acrescentam o “eu falei”, do alto de sua arrogância.

Contudo, a priori, não é possível dizer se o trabalho ficará nos 20% que dará frutos ou nos 80% que não dará em nada.

A minha solução é tentar sempre entregar o melhor trabalho possível. Revisar, ouvir o cliente, tentar atender especificações e prazos. E também, é melhor fazer o trabalho e testar logo na vida real, do que ficar eternamente aperfeiçoando na teoria.

A nossa informação sobre o mundo é extremamente limitada, de forma que não saberemos o que vai vingar e o que não vai – se soubéssemos, seria como uma bola de cristal, um oráculo de Delfi, bastaria confiar em nossa percepção e teríamos 100% de acerto!

Um último exemplo, e a trilha sonora deste post: Asa Branca.

Após compor a música, Humberto Teixeira achava que ela iria explodir nas paradas musicais. Já Luiz Gonzaga, tinha opinião contrária. Seria apenas mais uma música em seu portfolio…

Resultado: uma das mais belas canções já escritas em língua portuguesa.