O valor das flores de plástico

Quando eu era criança, eu achava as flores de plástico mais bonitas do que as flores de verdade. Elas eram bem feitas, não envelheciam, não murchavam, não morriam… talvez um dia, todas as flores do mundo fossem substituídas por suas versões infinitas.

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Entretanto, logo descobri que as flores de verdade valem muito mais do que as artificiais. É simples fazer um teste. Tente dar um buquê de flores de plástico para uma moça. Ela vai tacar a mesma na sua cabeça.

O valor das flores do mundo real vem exatamente do fato de que elas duram pouco. Murcham rapidamente, envelhecem e morrem. São efêmeras.

O ser humano se comunica através de sinais, implícitos e explícitos.

Um buquê de flores de verdade sinaliza que o galã teve que comprar o mesmo recém-cortado, portanto caro, e manusear com muito cuidado até entregar à moça.

É um sinal difícil de falsificar.

Neste caso, o que vale é a sinalização. Não a beleza.

 


 

Diplomas e certificados

O que é um diploma? Ou um certificado de alguma habilidade específica?
É como o caso das flores, uma sinalização. Sinaliza que fulano fez algo muito difícil, e de muito valor.

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Na prática, uma pessoa sem certificação pode fazer o mesmo, ou até melhor, do que alguém certificado, ainda mais nos dias de hoje, com a disseminação do conhecimento pela internet.

O problema é que, num mundo com bilhões de pessoas, é muito difícil distinguir as habilidades de centenas de potenciais candidatos. As certificações servem como um filtro para o processo de avaliação. Não conheço totalmente a pessoa, mas conheço e dou valor à certificação.

Porém, assim como no caso das flores de plástico, o diploma perde totalmente o seu valor se ele começar a ser falsificado, ou banalizado. Todo mundo ter curso superior é o mesmo que ninguém ter curso superior. O mercado não é bobo, ele entende e se adapta facilmente aos sinais. Não por coincidência, hoje em dia é necessário ter curso superior para ser auxiliar de ajudante de analista de contabilidade júnior.

 

Quando não se conhece as pessoas, as certificações são um filtro. Entretanto, depois que a pessoa é conhecida, e tem o trabalho avaliado após alguns meses e anos, o jogo é outro. A sinalização é pela confiança. Um diretor prefere trabalhar com alguém de confiança, que ele sabe que vai dar conta do trabalho, do que um desconhecido cheio de certificados.

Num mundo repleto de certificações banalizadas, a indicação boca-a-boca, tanto de profissionais quanto de serviços, tem um valor muito grande: “Sei que esse cara manda bem demais”, “Fulano foi o responsável pelo sucesso do projeto”, etc.

A indicação boca-a-boca sincera é um sinal muito difícil de falsificar.

 

Em resumo. Não confundir o valor real com certificações.

E, cuidado. Atualmente, as certificações estão virando flores de plástico.

 

 

 

​Desista, nunca vai dar certo!

Todas as vezes em que um especialista disser que não vai dar certo, lembre-se desses cases.

 


Os Beatles

Em janeiro de 1962, os ainda desconhecidos Beatles foram rejeitados pela Decca Records, com a seguinte nota:

“Grupos de guitarra estão em franca decadência”, e “os Beatles não têm futuro no show business”.

Ledo engano, os Beatles se tornaram a banda de maior sucesso da história!

 


 

Fedex

Fred Smith é o fundador da Fedex, uma das maiores transportadoras de carga do mundo. Num dos trabalhos da faculdade, ele colocou a ideia de transportes de cargas através de um hub central.

Diz a lenda que ele recebeu um C- pelo trabalho, com a explicação de que o mesmo deveria ser minimamente viável na prática para receber uma nota melhor!

 


 

O Telefone

Graham Bell, o inventor do telefone, ofereceu os direitos de produção à Western Union, que respondeu:

“Que espécie de uso teria este brinquedo elétrico?”


 

Albert Einstein – Lazy dog

O grande cientista alemão Albert Einstein não era um bom aluno. Muito pelo contrário. Ele odiava a rotina de ter que estudar assuntos que lhes eram impostos, ao invés de seguir a própria imaginação.

 

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Por isso, um de seus professores de matemática o chamou de “Cachorro preguiçoso”, e profetizou que ele nunca faria algo de útil na vida!

 


 

Links

https://ideiasesquecidas.com/

https://en.wikipedia.org/wiki/The_Beatles%27_Decca_audition

https://www.bloomberg.com/news/articles/2004-09-19/online-extra-fred-smith-on-the-birth-of-fedex

How Einstein Went from ‘Lazy Dog’ to Nobel Prize Winning Scientist

http://blog.historyofphonephreaking.org/2011/01/the-greatest-bad-business-decision-quotation-that-never-was.html

 

Planejamento de longo prazo

Palavras do grande mestre Peter Drucker, sobre o planejamento de longo prazo.

 

O futuro requer decisões – agora. Impõe riscos – agora. Demanda ação – agora. Necessita de alocação de recursos, em especial, recursos humanos – agora. Demanda trabalho – agora.

O longo prazo é feito de decisões de curto prazo. A menos que o longo prazo seja construído por ações de curto prazo, o planejamento de longo prazo é um exercício de futilidade.

Longo prazo e curto prazo não são uma questão de período de tempo: anos, décadas. O que interessa é o quão efetivo é o período de tempo sobre o qual o plano é efetivo.

Ação: Desenvolva um plano estratégico que tenha decisões presentes. Estabeleça responsabilidades pela implementação e monitoramento dessas decisões.

 

Comentário meu: a coisa mais comum de acontecer é um sonho bonito de longo prazo, acompanhado de ações completamente opostas no curto prazo. O exemplo clássico é a pessoa que traça um plano para emagrecer, mas não resiste à visão de um chocolate no supermercado. O mesmo ocorre quando o fechamento do EBITDA trimestral sacrifica um desempenho de longo prazo da empresa. 

Duas alternativas

Entre duas alternativas, a primeira já conhecida, e outra desconhecida, porém potencialmente melhor, escolha a segunda.
Novos conhecimentos vêm de experiências descorrelacionadas com experiências passadas.
Entre um livro original em inglês e sua tradução em português, escolha sempre o em inglês, para treinar uma segunda língua.
Entre um restaurante conhecido, e um desconhecido, escolha o segundo.
Uma vez fui até Quebec, no Canadá, e almocei no McDonalds. Que perda de oportunidade! Poderia ter almoçado em qualquer lugar, menos num restaurante que tem em qualquer esquina de São Paulo.
Numa reunião ou festa, tente falar com pessoas desconhecidas, não com a mesma panelinha de sempre.
Esta é uma forma simples de treinar o hábito de assumir riscos controlados.

Elogio ao ócio

algo de podre nos valores do mundo atual. Elogiamos aqueles que trabalham muito, fazem horas acima do combinado e usam fins de semana para se preocupar com o que ocorre na semana.

O teletrabalho só levou a preocupação para casa. Ao invés do pensamento idealizado de que era possível trabalhar na praia, a realidade é que, mesmo de férias na praia, o trabalho vem a tiracolo.

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Não raro, surgem problemas atrelados a este comportamento: estresse, remédios para dormir de noite, estimulantes para não dormir durante o dia, doenças físicas e mentais.

O ser humano original, da época do neandertal, foi feito para liberar adrenalina em casos esparsos: ao caçar a sua comida, para ele mesmo não virar comida, e para fins sexuais. O neandertal não ficava alerta 24h por dia, atormentado infinitamente.

Vem à cabeça a imagem de Íxion, condenado pelos deuses gregos a ficar eternamente girando, preso à uma roda em chamas:

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E, por outro lado, estamos num país com 13 milhões de desempregados. Tal número seria muito maior se o índice de desemprego levasse em conta aqueles que desistiram de procurar trabalho formal.

Com o aumento da tecnologia e da produtividade, é possível produzir mais com menos. Com o aumento de produtividade, esperava-se que sobrasse mais tempo para todos, como no antigo desenho dos Jetson, em que o trabalho dele era apertar um botão e ficar olhando.

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O tiro saiu pela culatra. Com o aumento da produtividade, aumentou a responsabilidade de quem toma conta do processo. E o efeito foi tirar do mercado quem não acompanhou a mudança.

Ou o fulano trabalha demais ou não tem emprego.

Será possível chegar num meio termo?

 


 

O trabalho é uma virtude supervalorizada

Um artigo de 1935, “Elogio ao ócio”, do filósofo e matemático Bertrand Russell, traz um questionamento sobre o tema.

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Suponha uma fábrica de alfinetes, que tinha 8 funcionários full-time. Digamos que o aumento de produtividade faz com que sejam necessário apenas 4 para fazer o mesmo serviço. Ao invés de os 8 funcionários trabalharem meio-período, o que acontece é que 4 trabalham full-time, e 4 ficam fora da indústria de alfinetes. Esta é a “Moralidade do estado escravo”.

 

Russell aponta que o lazer é essencial para a civilização. Em tempos antigos o lazer de poucos era possível devido ao trabalho de muitos. Mas o labor era valioso, não porque trabalhar é bom, mas porque o lazer é bom.

Deveríamos aprender a aceitar um lugar para o prazer em nossas vidas, o que somente é possível com tempo livre. E deveríamos gastar mais tempo em educação, num sentido geral: utilizar o tempo de forma construtiva.

Historicamente, a pequena classe que tinha tempo ocioso desfrutou de vantagens injustas, entretanto esta pequena classe contribuiu com quase tudo o que chamamos de civilização. Ela cultivou a arte e as ciências, escreveu livros, inventou as filosofias, e refinou as relações sociais.

Hoje em dia as universidades são supostamente responsáveis por produzir, de forma mais sistemática, o que a classe ociosa produzia por acidente e sub-produto. Mas as universidades têm vários problemas. Da sua torre de marfim, não estão cientes das preocupações e problemas do homem comum.

Acima de tudo, haverá felicidade e desfrutar da vida, ao invés de nervos destroçados, cansaço e indigestão. O trabalho será suficiente para fazer o lazer agradável, mas não o suficiente para causar exaustão. Uma pequena porcentagem usará este tempo para perseguir temas de interesse pessoal, e produzir trabalhos de importância pública. E isto fará as pessoas mais ternas e menos atormentadas. A vida boa é resultado de facilidade e segurança, não de esforço árduo.

Deveria ser moralmente elogiável permitir que as pessoas trabalhassem 20 horas por dia, o suficiente para obter uma renda satisfatória.

 


O nativo preguiçoso

Este situação lembra a piada do Dr Livingstone e o nativo preguiçoso na rede.

O Dr. Livingstone, famoso explorador da África, uma vez encontrou um homem deitado numa rede, em pleno dia. Ele perguntou:
– Você não deveria estar trabalhando?
– Mas para que trabalhar?
– Para juntar dinheiro
– E para que dinheiro?
– Com dinheiro você pode comprar uma boa casa
– E para que uma casa?
– Você pode montar uma rede e descansar tranquilamente na sua casa, quando estiver de férias
– Mas já estou numa rede, descansando na minha casa!

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Comentário

É impressionante que o texto de 100 anos atrás de Russell continue tão atual.

Mais ou menos na mesma linha, há o livro “Ócio criativo”, do pensador italiano contemporâneo Domenico de Masi. Certamente é um livro mais citado pelo título do que lido de verdade, porque é denso e prolixo.

Certamente, ambos os trabalhos são mais ideais teóricos do que formas práticas de  colocar tais ideias em ação.

Na minha opinião, a própria natureza humana não permite que trabalhemos menos; entre dois funcionários, um que quer trabalhar 4h e outro que quer trabalhar 8h, a escolha óbvia do empregador é o segundo. Por outro lado, se é possível que eu trabalhe 20h por semana por metade do salário, ou 40h com o dobro do salário, certamente a minha escolha é a segunda.

A conclusão é de que o texto de Russell vai continuar atual por mais 100 anos. Vamos continuar neste ciclo de poucos trabalharem cada vez mais, seja no escritório ou fora dele, e outros tantos ficarem de fora deste processo. É da natureza humana buscar o máximo para si mesmo… até o ponto em que isto ficará insustentável. Alguma coisa continua errada.

“Há algo de podre no reino da Dinamarca” – Hamlet, de William Shakespeare.

 

“Esta cova em que estás com palmos medida
É a conta menor que tiraste em vida
É de bom tamanho nem largo nem fundo
É a parte que te cabe deste latifúndio”

“É uma cova grande pra tua carne pouca

Mas a terra dada, não se abre a boca”

João Cabral de Melo Neto – Morte e Vida Severina


 

Notas

O exemplo da fábrica de alfinetes é uma clara referência ao trabalho clássico de Adam Smith, “A riqueza das nações”, em que ele usa uma fábrica de alfinetes para exemplificar o ganho de produtividade devido à separação do trabalho.

 

 

Texto completo, In praise of idleness:

http://www.zpub.com/notes/idle.html

 

Conhecimento Tácito x Explícito

Para cada unidade de conhecimento explícito em livros, há 1000 unidades de conhecimento tácito, não escrito em lugar algum.

O conhecimento está nas pessoas – e pouquíssimas pessoas têm o talento, a paciência e dominam os meios para se comunicar de forma explícita, seja por texto, vídeo ou artigo.

As ideias estão no ar.  

Um erro comum é achar que as ideias explícitas inspiraram as ações efetivas. Na verdade é o contrário. Normalmente, a ação inspira o registro.

Muitos dos grandes pensadores da história são bons escribas e bons analistas.

Não foi depois que Adam Smith escreveu “A riqueza das nações”, em 1776, que as economias do mundo passaram a enfatizar o livre-mercado, a mão invisível e a divisão do trabalho. Tudo isto já estava acontecendo, e Smith foi o primeiro que analisou e registrou o mesmo.

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O mesmo ocorre com o pensador italiano Nicolau Maquiavel, nos anos 1500. Não foi ele que inventou o conceito de que “Os fins justificam os meios”. Ele era um grande estudioso e pesquisador histórico, e se baseou fortemente nos poderosos de sua época (como César Bórgia) e de épocas antigas para escrever os seus tratados políticos.

Os acadêmicos se fecham em seu mundo do conhecimento explícito, deixando para trás um universo de informações tácitas, do mundo real.

 


 

A espiral do Conhecimento

 

Gosto muito do ciclo SECI de gestão do conhecimento, de 2003, dos autores Ikujiro Nonaka e Hirotaka Takeuchi. Este ciclo reflete quase exatamente as ideias acima.

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Eles dividem o conhecimento em quadrantes.

  • Tácito – Tácito: Uma pessoa ensinando outra, ou uma pessoa aprendendo com a convivência num meio. Aprendemos a falar imersos numa sociedade, e não através da leitura dos livros de gramática.
  • Tácito – Explícito: são os Adam Smiths que reportam o conhecimento tácito de forma explícita. Ou os consultores de empresa que analisam um business e geram relatórios e planos de ação. Ou os professores que escrevem os livros didáticos.
  • Explícito – Explícito: é o mundo das combinações e informação, gerando outras informações e insights. Manuais, livros, planos. O mundo acadêmico mora aqui.
  • Explícito – Tácito: é a internalização do conhecimento, estudar, ler, aprender.

 

Na verdade não é apenas um ciclo. É um ciclo virtuoso, é uma espiral – a espiral do conhecimento.

Conhecimento tácito sendo externalizado, explicitado, possibilitando a combinação de outras análises, facilitando que outras pessoas internalizem o  mesmo, gerando um conhecimento tácito melhor e mais avançado, e assim sucessivamente, e de forma crescente.

A minha contribuição é no tamanho dos quadrantes. O quadrante tácito-tácito é muito maior do que os demais. Representá-lo com a mesma área no quadro subestima o tamanho e a importância do conhecimento tácito.

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O mundo explícito-explícito é o domínio do deus Apolo,  da ordem, do conhecimento perfeito, da beleza, do rigor exato.

Já o tácito-tácito é  o domínio do profeta Dionísio, o do caos, o das combinações esparsas, da embriaguez, do bate-papo informal. É onde nasce uma supernova, parafraseando o grande Friedrich Nietzsche.  É no tácito-tácito onde realmente ocorrem as revoluções.

 Para fazer revoluções, mergulhe no mundo tácito.

 

 

 


Anexo: A biblioteca de Lucien

A biblioteca de Lucien contém todos os livros não-escritos do mundo. Todas as ideias que nunca foram para o papel, todos os sonhos que desapareceram da memória, todos os projetos engavetados.

 

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Um único detalhe: esta biblioteca existe apenas no reino dos sonhos, do personagem Sandman, de Neil Gaiman.

HumanZés e Zés

HumanZés são criaturas geradas a partir do cruzamento entre um ser humano e um chimpanzé. Parece (e é) uma doideira, mas foi um experimento real, realizado pelos cientistas de Joseph Stálin (tinha que ser…), na União Soviética dos anos 1920.

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A ideia de Stálin era criar uma raça de super-homens. Semi-humanos com a força e a resistência de um macaco. Criar um ser que trabalhasse muito, fosse insensível à dor e que aceitasse comer qualquer coisa. Não precisava ser muito inteligente. Na verdade, tinha que ser inteligente o suficiente para fazer as tarefas que lhe fossem designadas, mas burro o bastante para não reclamar. Os cientistas utilizaram chimpanzés nos experimentos, por serem próximos geneticamente de nós: 99% dos nossos genes são iguais. Uma breve introdução à genética neste post.
Um cientista russo chamado Ilya Ivanov liderou uma expedição à África, cujo objetivo era inseminar chimpanzés fêmeas com esperma humano. Não deu certo. Anos depois, ele tentou fazer o oposto, impregnar voluntárias humanas com esperma animal.

Felizmente, os experimentos nunca deram certo, e o mundo nunca viu essas aberrações andando por aí.


 

Avançando 100 anos, notamos que os humanzés não existem. Mas é como se existissem, em outro grau de especialização.

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Um anúncio de emprego típico dos dias de hoje:

Vaga para analista de negócios. Graduação em Administração, Economia ou Engenharias. Desejável mestrado, doutorado e MBA. Inglês fluente, desejável espanhol e vivência no exterior. Mandarim é um diferencial. Disponibilidade para viagens e trabalho aos sábados. Pelo menos três anos de experiência na função. Conhecimento de SAP, Microsoft Office, Estatística, KPI, PMBOK, certificação Black Belt. Facilidade de comunicação, resiliência, capacidade de trabalhar em grupo, visão estratégica. Contratação CLT.

Salário: 1 mil reais e vale-refeição…

Claro que está meio exagerado, mas é por aí. Humanzés para quê?

 


Save the orangotan

Aproveitando o post para divulgar um trabalho bem legal, de proteção aos orangotangos.

http://savetheorangutan.org

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Links:
“O polegar do violinista”, Sam Kean

https://www.saraiva.com.br/o-polegar-do-violinista-e-outras-historias-da-genetica-sobre-amor-guerra-e-genialidade-5186918.html

https://en.wikipedia.org/wiki/Humanzee

http://g1.globo.com/platb/espiral/2009/05/08/o-humanze-e-os-bolcheviques-a-tentativa-de-mandar-a-igreja-pros-infernos/

Deixa a vida me levar

O estilo Zeca Pagodinho de gerenciamento é o “deixa a vida me levar, vida leva eu”. Se tudo der certo, fico feliz. Se der errado, não ligo. Estou à deriva, leve, flutuando ao sabor do destino. Aliás, a música é um sambinha agradável, simples e cheio de ritmo.

“Sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu”.

 

O estilo Michael Porter de administração é o oposto: Criar o próprio caminho. Ser o dono do seu futuro. Ter um planejamento estratégico para saber exatamente onde chegar daqui a 10 anos. Estabelecer metas duras de longo e curto prazo. Ter disciplina pesada para cumprir uma rotina que leve ao destino desejado. Ser o timoneiro do seu navio. Conduzir a própria vida, danem-se os deuses e o destino.

O problema do segundo método é que a vida não necessariamente vai colaborar. Mesmo fazendo tudo certo, planos não serão seguidos e metas não serão atingidas. O universo às vezes conspira a favor, às vezes conspira contra… na verdade, o universo não está dando a mínima bola para mim.

 


O que você vai ser quando crescer?

A frase mais ouvida por toda criança é “O que você vai ser quando crescer?”

Peter Drucker, o grande mestre da administração, dizia: Estou com mais de 60 anos, e ainda não sei o que vou ser quando crescer.

Eu também não tenho a menor ideia do que estarei fazendo daqui a 10 anos e nem do que vou ser quando crescer.

Em um futuro não tão distante, talvez uma guerra mundial perturbe todo o equilíbrio atual. Talvez eu ganhe na loteria. Talvez uma nova doença nos obrigue a mudar de estado. Talvez o futuro seja muito feliz. Talvez nada mude. Talvez eu nem esteja vivo…

O Destino é sempre muitas ordens de grandeza maior do que as minhas forças.

 


 

O barquinho a deslizar, no macio azul do mar

 

É como se estivéssemos em alto-mar, dentro de um barquinho.

Alguns barquinhos são maiores, outros são minúsculos. Alguns têm vela, remos, boia salva-vidas. Outros, têm nada.

 

Com a nossa força minúscula a movimentar os remos, e nosso know-how de como navegar com a vela, damos alguma direção ao barquinho. Nos casos em que o mar permite e temos sucesso, ficamos tão orgulhosos: “Viram? Consigo domar os mares e ser dono do meu próprio caminho”.

Entretanto, o mar salgado é muito mais poderoso do que nós.

Os gregos antigos oravam a Posseidon (Netuno, para os romanos), deus dos mares, para chegar ao seu destino.

Estes povos antigos atribuíam tudo o que fosse além de nossa força aos deuses. Se tivessem êxito, era porque Posseidon permitiu a navegação nos mares, Atena ajudou a ler as estrelas, e Zeus não atrapalhou. Nunca era apenas a força humana.

Coitado de quem desafiasse os deuses, como fez Ulisses, na Odisseia. Ele desrespeitou Posseidon, ao cegar o único olho e zombar do Cíclope Polifemo, filho do deus dos mares. Por isso, o heroi grego pagou muito caro: demorou 10 anos e percorreu uma jornada árdua para retornar à sua casa.

Enquanto Zeca Pagodinho flutua pelos mares, Michael Porter tenta impor sua vontade sobre o mesmo.

Navegadores antigos tinham frase gloriosa: “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Fernando Pessoa.


 

Vida leva eu

A conclusão é a de que Zeca Pagodinho estava certo.

Temos que batalhar muito para percorrer o nosso caminho.

Entretanto, temos que ter a humildade de nos curvar aos caprichos do Destino. Talvez as correntezas estejam atrapalhando. Talvez a jornada seja um passeio agradável. Nunca se sabe o que virá. Vida leva eu.

Se tudo der certo, fico feliz. Se der errado, não ligo. Sou feliz e agradeço por tudo o que tenho.

Se não tenho tudo que preciso, com o que tenho, vivo. De mansinho lá vou eu.

 


 

Bônus. O Barquinho.

Dia de luz, festa de sol
Um barquinho a deslizar no macio azul do mar
Tudo é verão, amor se faz
Num barquinho pelo mar que desliza sem parar
Sem intenção, nossa canção
Vai saindo deste mar e o sol

O barquinho vai, a tardinha cai…

 

 

O Barquinho – Maysa Matarazzo.

Composição: Roberto Menescal / Ronaldo Bôscoli

Os juros compostos são mais poderosos do que o VPL

Plantar x Colher

Existe uma assimetria importante entre plantar e colher. E o que está no meio da assimetria é um fator extremamente pesado, que se chama Tempo.

Esta semana, eu e equipe envolvida estamos completando um trabalho muito importante. Mas este trabalho não começou ontem. Começou há mais de dois anos atrás, na forma de uma ideia amplamente debatida. Esta ideia gerou os primeiros passos, que envolviam obter e tratar dados. Este primeiro passo sozinho consumiu mais de 6 meses de trabalho só para deixar tudo corretamente encaminhado.

Um segundo passo foi a criação de um protótipo que fizesse exatamente o que a gente queria. E lá se foram mais alguns meses desenvolvendo, e outros tantos testando. Por fim, finalmente traduzir este trabalho para uma plataforma mais completa, final, que envolveu outros tantos meses pensando, trabalhando, aperfeiçoando.

As pessoas chegam e saem no meio do caminho. E, quem não sabe, pode dar o crédito somente ao elo final do trabalho. Mas, para tal elo final existir, foram necessários muitos elos básicos, desde o início até o fim.

Pode-se vender a mesma ideia para duas pessoas, mas ter resultados completamente diferentes no final das contas. As coisas que dão certo, não são por acaso. Não se pode olhar apenas para o resultado final.

 


 

O EBITDA trimestral

O mundo está cada vez ficando imediatista. Mede-se o desempenho do presidente de uma empresa pelo EBITDA trimestral, da mesma forma que se mede um técnico de futebol pelo placar da rodada: se perder três jogos seguidos, troca-se o técnico. Desta forma, contanto que o EBITDA continue bom, tudo está correndo bem, mesmo que uma empresa mal intencionada esteja empurrando para debaixo do tapete uma bola de neve de adversidades que vão cobrar o seu preço num futuro não tão distante.

O grande problema do tempo é que quem planta não é necessariamente quem colhe. Aliás, os melhores investimentos são os de longo prazo, onde certamente quem colhe não é o mesmo que plantou.

O Brasil de Lula colheu os resultados do Plano Real de Fernando Henrique Cardoso, que domou o dragão da hiperinflação e finalmente colocou o país no rumo que ele merece trilhar. O Brasil de hoje, que quase saiu dos eixos, é fruto de 13 anos de políticas populistas, imediatistas e sem fundamento. Neste exato momento, estamos novamente entrando nos eixos, aos poucos, com um gestão muito mais responsável.

Brasil árvore frutos FHC Lula Dilma

 

O ser humano tem extrema dificuldade de conviver com o tempo. Nós valorizamos muito mais o presente do que o futuro. Isto é bastante justificável, uma vez que não existe o longo prazo para quem não sobreviver ao curto prazo. O homem de neandertal precisava comer hoje, ao invés de guardar para um inseguro amanhã. Quem garantiria que o neandertal iria sobreviver para viver o amanhã? E quem garantiria que um lobo não acharia a refeição escondida? Quanto mais incerto o futuro, mais valor tem o presente.

O economista John Keynes diria que, a longo prazo, todos nós estaremos mortos.

 


VPL

A ferramenta matemática que comprova o poder do tempo presente é o tal do Valor Presente Líquido. Uma maçã hoje vale muito mais do que uma maçã amanhã. Tanto maior a taxa de desconto, mais vale o presente ao futuro.

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Quanto maior a inflação, menos consigo saber o valor do dinheiro no futuro, portanto mais ênfase no agora. Quanto mais violenta a sociedade, menos ênfase no futuro – para que investir em estudos e num trabalho honesto, se tudo pode acabar de uma hora para outra? Melhor desfrutar do presente.

Mas o VPL não mede tudo. E o prazo de tempo além do VPL? E todo o resto que não está na conta?


 

Juros Compostos

Foi justamente a capacidade do ser humano de conseguir planejar o futuro que fez dele o que é hoje. A capacidade de poupar em tempos bons para sobreviver a tempos adversos, a capacidade de se sacrificar no presente para obter quantidades muito maiores no futuro. Estudar hoje para agregar mais valor amanhã. Um trabalho honesto e compassado ao invés de um atalho perigoso e incerto. Investir em tecnologia, sofrer um bocado por um tempo, para obter resultados muito melhores. Plantar hoje para colher amanhã.

Em contraponto ao pobre do VPL, a ferramenta que demonstra o poder do longo prazo são os Juros Compostos. Novamente, o Tempo, aquele elemento tão difícil de domar.
Os juros compostos dão retorno exponencial. Um pouquinho melhor hoje, um pouquinho melhor amanhã, passos pouco perceptíveis. Depois de um tempo, teremos um resultado centenas de vezes melhor do que aquele que ficou parado.

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Admiro muito a filosofia oriental, japonesa e chinesa, de dar muita importância ao longo prazo. Eles preferem uma solução que dê resultados melhores no futuro, mesmo sendo mais cara hoje. Eles não se importam com perdas pequenas, contanto que isto esteja alinhado com o objetivo final de longo prazo da empreitada.

Segue um pequeno texto de Akio Morita, fundador da Sony, sobre o tema Longo Prazo.

Espera-se que os gerentes mais jovens fiquem vinte ou trinta anos na empresa. Por isso, os executivos estão sempre pensando no futuro. Se a alta direção despreza os níveis baixos e médios da gerência, pressionando-os para que mostrem lucros neste ano ou despedindo-os quando não alcançam os níveis esperados, este tipo de procedimento pode acabar com o futuro da empresa. Se o gerente de nível médio diz que o seu plano não vai dar resultados agora, mas será bom para a companhia daqui a 10 anos, ninguém vai ouvi-lo, e ele corre até mesmo o risco de ser demitido.
Este estímulo de longo prazo apresentado por nosso pessoal, de cima ou de baixo, oferece grande vantagem ao nosso sistema de trabalho. Podemos criar uma filosofia de trabalho. Os ideais da companhia não mudam.

Para uma comparação, um executivo americano assumiu a direção de uma companhia americana, fechou várias fábricas, demitiu milhares de empregados e foi elogiado por colegas como um grande executivo. No Japão, este comportamento seria considerado lastimável. Acreditamos que fechar fábricas, despedir empregados e mudar bruscamente os rumos da empresa pode até ser bom para o balanço trimestral, mas certamente vai destruir o espírito da companhia a longo prazo.

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Os juros compostos são tão poderosos que sobrepujam a condição inicial, dado tempo suficiente. Um burro esforçado pode se dar muito melhor do que alguém inteligente, mas preguiçoso.

Keynes está muito errado. O longo prazo inevitavelmente chega. No longo prazo, nossos filhos colherão os frutos que estamos plantando hoje.

Resumo em uma fórmula:

1,01^100 >>>  0,99 ^100

 

Resumo em uma frase:

Os juros compostos são a força mais poderosa do universo – Albert Einstein.

Que tal ser pontual nas reuniões?

O costume brasileiro de chegar atrasado é uma das maiores fontes de improdutividade que conheço.

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Um caso bem característico ocorreu comigo há poucos dias.

Fui convidado a representar a minha empresa numa reunião, com umas 15 outras empresas.

O horário do convite marcava início às 14:15h e fim às 16:30h. Obviamente, marcaram 14:15h para começar às 14:30h, sabendo que todo mundo chega atrasado mesmo.

O otário aqui chegou pontualmente às 14:15h, na verdade até uns minutos adiantado. Fui o segundo a chegar. Naquele momento, metade da própria equipe organizadora do evento ainda não tinha aparecido…

Os minutos do relógio foram passando. Às 14:30h as pessoas começaram a chegar de verdade, já que era óbvio que este era o horário desejado do início. E muita gente continuou a chegar.

Uns vinte minutos depois, quase 15h, finalmente o evento começou.

Teve uma apresentação dos organizadores, depois algumas rodadas de discussão. Falamos sobre 2 de 3 temas da pauta. Por volta de 17h, meia hora depois do combinado, os organizadores (será que merecem este nome?) deram o evento por encerrado, porque tinha gente com voo marcado, porque o tempo é curto para o tema, etc.  Inclusive, algumas pessoas já tinham saído da reunião.

Das 3h em que estive presente, somente 2h foram aproveitadas para a finalidade do encontro, produtividade de 66%.

Se a maioria fosse organizada, o evento poderia começar e terminar nos horários combinados, e daria para discutir os três temas da pauta. A sinergia viria da sincronização de 100% dos esforços de 100% das pessoas no período de tempo combinado.

É justo mobilizar pessoas de vários cantos de SP e do país, para desperdiçar o curto tempo delas?

No Japão e em vários outros países de primeiro mundo, o costume é exatamente o oposto. As pessoas chegam adiantadas à reunião. Chegar atrasado é um desrespeito aos colegas. Começar atrasado é um desrespeito a quem está presente. Terminar atrasado é um desrespeito aos compromissos seguintes.

 

O grande Peter Drucker já dizia. Ou você se reúne, ou você trabalha.

Isso porque ele não conhecia o jeitinho brasileiro. Senão, ele diria, “Ou você se reúne, ou fica esperando as pessoas chegarem, ou você trabalha”.

Chegar atrasado é atraso de vida.

 

 

 

 

Sobre sorte e oportunidades

Todos os dias, leio um capítulo do livro “The Daily Drucker”. O livro tem um texto curto de Peter Drucker para cada dia do ano.

O do dia de hoje (14/08) é sobre sorte e oportunidades.

 

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A oportunidade está onde você a encontra – não é a oportunidade que te encontra.

 

A sorte sempre afeta o negócio e qualquer outra atividade humana. Mas a sorte sozinha nunca construiu um empreendimento.

 

Perigos e fraquezas indicam onde olhar para descobrir o potencial do negócio. Converter problemas e oportunidades traz um retorno extraordinário.

 

Faça as seguintes perguntas para encontrar oportunidades:

 

– Quais são as restrições e limitações da empresa?

– Onda há desbalanceamento de processos?

– Quais as ameaças ao negócio?

 

 

Eu, como consultor, tenho uma frase assim: a melhor situação é onde a grama está alta – qualquer ganho gerado será um ganho significativo.

Três lenhadores

Dois lenhadores, um fortão e um velhinho sábio, fizeram uma competição para ver quem derrubava mais árvores.

O fortão ficou o tempo todo firme nas machadadas. Não parava de trabalhar. E, vira e mexe, olhava para o lado, e lá estava o lenhador velhinho parado, como se estivesse descansando.

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No final das contas, o velhinho ganhou. “Como?”, o fortão pensou?

“É que eu não estava parado à toa, eu estava afiando o machado“, respondeu o mesmo.

Moral da história: De tempos em tempos, temos que parar para afiar o machado.


 

Aos dois lenhadores da história, acrescento um terceiro, o lenhador acadêmico.

Este lenhador, ouvindo a história acima, partiu para uma outra estratégia.

Desafiou o lenhador sábio, e lá foi ele competir.

O lenhador velhinho alternava o trabalho de cortar a madeira com o ato de afiar o machado. Já o lenhador acadêmico ficou 80% do tempo disponível afiando o machado. Quando ele finalmente foi para o trabalho, para cortar a primeira tora, o que aconteceu? O fio do machado se quebrou, de tão desgastado que estava, e agora o machado estava cego. O lenhador acadêmico perdeu não só do sábio, mas do fortão trabalhador também, na verdade, não produziu uma única tora.

Moral da história: Afiar demais o machado também é ruim.