Machine-learning-não-resolve-tudo-sua-besta

Hoje em dia, Inteligência Artificial e Machine Learning estão na moda – e realmente são métodos extremamente poderosos.

Porém, não são os únicos: estatística tradicional, classificadores lineares e pesquisa operacional da década passada resolvem muita coisa.

Além disso, o gargalo hoje são os dados. Dados ruins, bases que não falam com outras, ou simplesmente ausência de informação são comuns no mundo real. O IoT está chegando para cobrir esta lacuna, mas ainda vai demorar um tempo para baratear e popularizar (inevitavelmente vai ocorrer).

Eu diria aos startupeiros para não citar em vão o Machine learning, e sim quando realmente fizer sentido. E, quando os dados forem o gargalo, recomendar que as empresas dêem um passo para trás, a fim de coletar e estruturar a informação.

Porcaria na entrada = porcaria na saída, não há inteligência alienígena que resolva.

https://images.app.goo.gl/Hx1DrBcEVKc4hEaDA

As aparências importam

O vídeo a seguir mostra um violinista numa estação de metrô de Nova Iorque, como tantos outros.

Alguns poucos param para ouvir as 6 peças de Bach tocadas. Algumas moedas são colocadas. Em 45 min, ele arrecadou US$ 32.

Entretanto, este é um experimento do jornal Washington Post. O violinista em questão é Joshua Bell, um aclamado músico, com um violino Stradivarius de US$ 3 milhões. Alguns dias antes, um ingresso para o seu show não saia por menos de 100 dólares.

A moldura faz parte do quadro. As aparências importam.

Ou, em bom português: As pessoas julgam um livro pela capa.

Os heróis invisíveis

Os heróis invisíveis não aparecem nas capas de revistas de negócios, nem nos jornais. Não são famosos, não ganham prêmios e nem têm milhares de seguidores em redes sociais.

Eles são os que plantam sabendo que outros irão colher. São os que evitam acidentes ou mitigam grandes riscos futuros, mesmo que ninguém fique sabendo. São os que entregam um trabalho acima da qualidade, mesmo que ninguém perceba.

Não sabemos os seus nomes. E nem precisamos saber. Porque o herói invisível se contenta com o seu excelente trabalho.

(Inspirado em conversa com o amigo Valmir Calori)

Educação e o colapso das sociedades complexas

“Estamos emprestando dinheiro que não temos para jovens que não conseguem pagar de volta e que estão sendo treinados para carreiras que não existem mais”.

Este excelente tweet resume fortemente o que vem ocorrendo no mundo moderno.

Link do vídeo citado: https://www.ted.com/talks/mike_rowe_learning_from_dirty_jobs?language=pt-br

É um efeito do aumento da complexidade da sociedade, conforme descrito anteriormente neste espaço. Um crescimento inicial é bom para todo mundo, porém o aumento da complexidade traz necessidade de novos (e mais complexos) mecanismos de controle, e assim sucessivamente, com retornos decrescentes.

https://ideiasesquecidas.com/2019/06/19/o-colapso-das-sociedades-complexas

É um ciclo em que a complexidade gera a necessidade de mais complexidade, e assim sucessivamente..

Fazer doutorado atualmente é saber profundamente sobre quase nada. Professores, com décadas estudando e lecionando, estão cada vez mais obsoletos. Perguntei para um grupo de graduandos se eles conheciam o que é S&OP (sales & operations planning) e se tinham tido aula de Python, e eles não entenderam nem a pergunta..

No mundo atual, é cada vez mais difícil (e caro) desenvolver novos medicamentos. Gastos militares exponencialmente caros, capazes de falir um país.

Seremos engolidos pela complexidade?

Trilha sonora: Led Zeppelin, Starway to Heaven

Finalistas do Edelman 2020

Forgotten Math

Parabéns aos finalistas do Prêmio Edelman 2020, promovido pela Informs!

São eles Amazon, Carnival PLC (maior empresa de cruzeiros do mundo), Deutsche Bahn (empresa de ferrovias alemã), IBM, Intel e Walmart. Só gigantes!

Ver o post original

A Meta – de Eliyahu Goldratt

Ganhei este livro do CEO da Klabin, Cristiano Teixeira, e gostaria de compartilhar aqui a indicação.

O livro “A Meta” é um clássico da administração. Diferente dos livros tradicionais, este ensina conceitos numa narrativa em forma de ficção. Alex Rogo é o gerente de uma fábrica em dificuldades, prestes a ser fechada por conta de péssimos resultados. Algumas frases:

Esta fábrica tem 4 níveis de prioridade: quente, muito quente, incandescente e faça AGORA!

(Quando o diretor ligou para a sua casa e ele não atendeu) Devido às circunstâncias, não posso dizer que tenho uma vida pessoal.

A cada seis meses a matriz aparece com um novo programa que é a nova panaceia para nossos problemas.

Eu costumava achar que trabalhar duro poderia resolver qualquer coisa.

Ele encontra um mentor, que guia em sua jornada:

(Após dizer que robôs tinham aumentado a produtividade de uma área). É mesmo, 36%? Então quer dizer que a sua empresa está ganhando 36% a mais com a instalação de alguns robôs?

Qualidade e eficiência são belas palavras. Entretanto, porque a Douglas não continuou fabricando o ótimo DC-3 para sempre?

A fábrica não foi construída para ter prejuízo. A empresa existe para ganhar dinheiro.

Estas e outras considerações fazem parte da Teoria das Restrições, explicada no livro.

“Tubarão”, um filme trash de Sessão da Tarde

O filme “Tubarão” (Jaws), de 1975, é um dos mais aclamados de todos os tempos. Contudo, poderia ter sido apenas uma produção tosca, um filme de terror B, se tivesse saído conforme planejado. 

Por ironia do destino, o que salvou o filme foram os inúmeros problemas ocorridos com o tubarão mecânico.

Foi um dos primeiros filmes do diretor Steven Spielberg, então com 27 anos.  O orçamento de 4 milhões de dólares já tinha estourado, assim como o prazo de 55 dias. Mesmo assim, a produção não conseguia fazer funcionar o tubarão mecânico, uma engenhoca complicada, comandada por roldanas a partir de outro barco, e que quebrava a todo instante. Houve dias que só aproveitaram segundos de filmagem. O filme, por pouco, não saiu. “Jaws” foi apelidado por “Flaws” (falhas) e o departamento de efeitos especiais foi chamado de departamento de Defeitos especiais.

Como fazer um filme de tubarão sem tubarão?

Spielberg teve que se virar com o que tinha. Inspirado por outro grande cineasta, o mestre do suspense Alfred Hitchcock, ele decidiu fazer um filme de tubarão sem tubarão: apenas sugerir a sua presença, minimizando a sua aparição – acompanhado de um tema musical aterrorizante e inesquecível – relembre abaixo.

Uma visão clara do tubarão só ocorreu após os primeiros 80 minutos do filme.

O poder da sugestão na cabeça das pessoas é tão grande, que o filme foi um sucesso.

Jaws é considerado o primeiro filme Blockbuster (arrasa-quarteirão) da história, um grande sucesso de crítica e de bilheterias. Conseguiu o maior faturamento até então (sendo superado, em 1977, por Star Wars).

Portanto, fica a lição. As dificuldades insuperáveis podem nos tornar melhores do que somos, se tivermos a coragem e a ousadia de enfrentá-las de modo inteligente.

Algumas curiosidades:

O compositor da trilha de Tubarão, John Williams, deveria ser lembrado para sempre na história. Ele criou várias outras trilhas icônicas e imortais: Star Wars, Indiana Jones, Super-Homem, etc…

“Você vai precisar de um barco maior”, é um bordão que virou clássico.

Spielberg não compareceu à gravação final do filme, por temer que a equipe o atiraria para dentro da água assim que ouvissem o último “corta”.

Havia três tubarões mecânicos, um só com o lado direito, outro só com o lado esquerdo, e um completo.

Spielberg apelidou o tubarão como “Bruce”, em homenagem a seu advogado, um tubarão dos tribunais.

“Fazer Tubarão me traumatizou por anos”, diz Spielberg.

Algumas fontes:

https://www.rottentomatoes.com/m/jaws

Click – como resolver problemas insuperáveis – David Niven

https://www.mentalfloss.com/article/64548/25-incisive-facts-about-jaws

https://www.newyorker.com/culture/culture-desk/the-unassuming-greatness-of-jaws