Lei de Gérson

Comentário de colega meu: “No Brasil, você faz o certo, e é trouxa por causa disso. Lei de Gérson total.”

O que é essa tal “Lei de Gérson”?

Quem é mais novo não vai conhecer, mas Gérson foi um dos grandes jogadores da Copa de 1970, no México, da qual o Brasil foi campeão mundial. Excelente meia-armador, fazia lançamentos longos e precisos, era o “canhotinha de ouro”.

Eu não vi o Gérson jogar, mas vi ele comentar jogos de futebol na década de 90 em diante. Também tinha o apelido de “papagaio”, porque falava bastante.

Pois bem, o jogador protagonizou um comercial, nos anos 1970, em que dizia gostar de levar vantagem em tudo.

Da Wikipedia (https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_G%C3%A9rson).

O entrevistador pergunta por que Gérson escolheu os cigarros Vila Rica. Ao iniciar a resposta, Gérson saca um maço de Vila Rica e oferece um cigarro ao entrevistador. Enquanto o entrevistador fuma seu cigarro Vila Rica, Gérson explica os motivos que o fizeram preferir aquela marca.

“Por que pagar mais caro se o Vila me dá tudo aquilo que eu quero de um bom cigarro? Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também, leve Vila Rica!”.

Mais tarde Gérson se disse arrependido por ter associado sua imagem ao anúncio, visto que qualquer comportamento pouco ético foi sendo aliado ao seu nome nas expressões Síndrome de Gérson ou Lei de Gérson.

Gérson continua sua carreira de comentarista, até os dias de hoje. Infelizmente, ele foi só um ator num comercial infeliz, sua postura na vida não lembra em nada a “Lei de Gérson”.

Eu, particularmente, acho a “Lei de Gérson”, o “jeitinho brasileiro”, algo ruim: dar um jeito de furar a fila, conseguir piratear algo e ainda se orgulhar disso, esse tipo de coisa.

Conheci uma pessoa que repetia, à exaustão: “Aos amigos, tudo, aos inimigos, o rigor do estatuto”, como se fosse algo bom. O correto seria exatamente o oposto, ter bons estatutos, e todos seguirem o mesmo, sejam amigos ou não – e é exatamente assim que acontece nos países desenvolvidos, o certo é certo, o trem sai exatamente às 18:15h, sem “quebrar o galho” de um amigo atrasado.

A frase a seguir não vai pegar nunca, mas vamos lá: “Bons estatutos para amigos e inimigos”.

Veja também:

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/lei-de-gerson-como-surgiu-lei-da-vantagem-atribuida-ao-jogador.phtml

Ressonância

Ressonância é o efeito físico em que diversas ondas pequenas, juntas e na mesma fase, criam um sistema com amplitude maior ainda.

Um sistema em ressonância é como um barco com diversas pessoas remando ao mesmo tempo: o mesmo vai para frente, numa grande velocidade. Quando não há ressonância, cada um rema do seu jeito, e por mais que individualmente cada um deles possa se esforçar, o barco vai perder do concorrente. Qualquer um que trabalha numa grande empresa sabe que é extremamente complicado fazer todos remarem sincronizadamente, dados interesses particulares divergentes e conflitantes.

Uma das razões pelas quais gasto energia escrevendo, neste e em outros meios, é para encontrar pessoas semelhantes, em que as ideias aqui contidas tenham ressonância positiva.

Numa transmissão de rádio, ondas eletromagnéticas são propagadas pelo espaço todo, porém, somente aqueles cujos receptores estão sintonizados na mesma frequência vão receber a mensagem.

“Todos não são clientes”, diz Seth Godin, para enfatizar que clientes são alguns.

Para a mensagem ser boa, ela deve agregar valor. Apresentar ideias que vão gerar resultados efetivos no mundo real se executadas, agregar valor de verdade.

E, ao sincronizar, é importante ter em mente as pessoas. Não fazemos conexões com empresas ou marcas e sim, com as pessoas que ali trabalham e tomam decisões. Outro ponto importante é olhar para a pessoa, não para o cargo que ocupa. Cargos vem e vão, pessoas trocam de empresa, mas se o rádio continuar na mesma frequência, a ressonância continua.

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2022/04/02/o-melhor-do-mundo-tira-nota-zero-em-quase-tudo/

Como a maçã virou abóbora

No livro “After Steve: How Apple Became a Trillion-Dollar Company and Lost Its Soul”, o jornalista Tripp Mickle, do Wall Street Journal, investiga o que vem acontecendo com a Apple pós Steve Jobs: virou uma máquina de fazer dinheiro, mas perdeu a magia.

O livro foca em duas pessoas: o criativo designer Jony Ive e o eficiente novo CEO Tim Cook, e como o primeiro acabou definhando em importância até a sua saída.

A Apple, com Jobs, destacou-se por estar na intersecção artes e tecnologia.

Nenhum nome representa tanto o lado “arte” da Apple quanto Jony Ive, que era considerado como o “parceiro espiritual” de Jobs. Ele começou trabalhando com Jobs no projeto do iMac. Se deram muito bem, desde então. Se a Apple precisava de um hit, Ive entregava, independente de custos: o design na frente das finanças.

Jony Ive acabou sendo a segunda pessoa mais importante da Apple. Respondia direto a Jobs. Ive complementava Steve. Paciente, focado, ao contrário do chefe. Teve papel importante no segundo ato da Apple, ao se envolver no design do iPhone, iPod, iPad entre outros.

Com Jobs e Ive, o design era maior do que a engenharia. Com Tim Cook, o oposto.

É de conhecimento geral que Tim Cook é o atual CEO da Apple, e após um período de desconfiança, fez a empresa se tornar a mais valiosa do mundo, tendo atualmente inimaginável valor de mercado de 1 trilhão de dólares.

Cook teve a habilidade de navegar no mundo pós-Jobs. Entre outras ações, abriu caminho para Apple na China, e teve uma participação maior no mundo da política.

A Apple de Cook começou a deixar o design de lado, e ser guiada cada vez mais pelos números. Eficiência, baixos custos, ganhos de escala, supply chain. Negociadores em destaque, espremendo fornecedores e garantindo centenas de milhões a cada contrato. Finanças na frente do design.

A Apple continuou tentando inovar, porém sem o mesmo impacto do iPhone. Alguns produtos pós-Jobs.

  • Apple Watch. Uma das apostas da empresa é em wearables, como o relógio. Destaca-se a mudança de foco, de tecnologia para moda chique com relógios caros e personalizados. Ao invés de ser tecnologia premium, o mais barato produto de amanhã, agora concorria no setor de moda.
  • Aquisição do Beats e desenvolvimento dos fones sem fio Airpod.
  • O Apple Maps, clone do Google Maps, foi um fracasso.
  • Apple Music. O iTunes, na sua concepção original, foi um divisor de águas. Porém, o surgimento do streaming de música, com um acervo infinito por uma mensalidade pequena, fez a Apple lançar o seu próprio serviço. Onde Jobs inventava, agora Cook copia. Não há nenhum diferencial importante que torne a Apple Music superior ao Spotify, por exemplo. Apesar disso, atingiu fatia importante do mercado.
  • Carro autônomo da Apple, com grande expectativa? Vem sendo um experimento sem fim.
  • Outra ideia é uma versão Netflix da Apple – se vai vingar ou não, não sabemos.

A Apple de Cook é eficiente. Com as vendas do iPhone estáveis, como ele poderia fazer para extrair mais dinheiro dos já convertidos? Houve uma guinada, de produtos para serviços, aproveitando o ecossistema de fãs da Apple. Icloud, Music, App store.

Com Cook, houve aumento de importância das áreas operacionais, e Jony Ive ficou sendo apenas mais um no time. Uma hora decidiu sair. Para evitar publicidade negativa, a Apple ofereceu a ele o título de Chief Design Officer, e ocupação de meio período, mas na prática, ele estava exausto.

Ive foi sendo cada vez mais escanteado, até finalmente pedir as contas, em 2019.

A Apple de Cook, eficiente, lucrativa e chata, está cada vez mais parecida com a Microsoft. Os rebeldes viraram o sistema. 1984 cada vez mais parecida com 1984. Os piratas viraram a marinha.

Bateu o relógio da meia-noite, e a magia acabou. A maçã virou abóbora.

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Trilha sonora: Joan Baez, Love Minus Zero/No Limit

Veja também:

O tesouro da pinhata

Quando eu tinha uns 7 anos, eu estava numa festinha de aniversário de algum colega.

O ápice da festinha era uma pinhata. Não uma pinhata de verdade, uma imitação, um balão enorme cheio de doces a ser explodido. Chamaram todas as crianças para ficar debaixo da pinhata. Lembro que estava todo mundo ansioso, tentando pegar o melhor lugar.

Eu nem sabia o que era aquilo e nem o que as outras crianças estavam fazendo, por isso, fiquei longe do centro. Quando o adulto explodiu o balão, vi que as crianças se agacharam, a fim de pegar os doces. Eu até tentei ir na onda, porém, estava pessimamente posicionado, e não havia espaço para entrar na muvuca.

Parei para observar ao redor, ver se não havia nenhuma bala que tinha voado longe. Para a minha surpresa, o fundo do balão tinha caído pelas redondezas, e tinha sido ignorado pelas crianças. O fundo do balão estava cheio de doces – por esses se acumularem no fundo – mais ou menos como o da foto a seguir.

Se eu tentasse fazer como todos, ficaria em desvantagem – por ser menor, mais fraco, menos informado. A minha sorte e sagacidade foi parar, analisar os arredores e pensar – um verdadeiro OODA loop, décadas antes de eu conhecer o conceito.

Portanto, não vá com a onda. Observe, oriente, decida e aja!

Três asiáticos que fizeram sucesso no mundo corporativo americano

Três indicações de livros de asiáticos que fizeram sucesso no mundo corporativo americano.

1) Dave Liu é descendente de chineses nos EUA. Além disso, ele nasceu com um defeito no lábio. Neste livro, ele conta como conseguir ascender no meio hiper competitivo e ganancioso de Wall Street, mesmo com as barreiras acima.

The Way of the Wall Street Warrior:

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2) Tony Hsieh. Fundador da Zappos, uma varejista conhecida pelo extremo cuidado com o cliente. A Zappos foi comprada pela Amazon, uns anos atrás, numa transação bilionária.

Tony era descendente de taiwanês nos EUA, e infelizmente faleceu há poucos anos atrás.

Livro: Satisfação garantida


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3) Akio Morita, o lendário fundador da japonesa Sony. Ele escreveu um livro chamado “Made in Japan”. Conta uma série de histórias muito bacanas. Exemplo, de como a Sony utilizou transístores para fazer rádios, antes mesmo que qualquer empresa americana descobrisse o potencial deste. Morita sabia que deveria entrar nos EUA para conquistar o mundo. No livro, ele também conta um
pouco do choque cultural (ex. nos EUA tem 4x mais advogados que engenheiros, no JP é o contrário).

Como é um livro da década de 80, não está mais em circulação, então deixo um link com alguns highlights.

Quem tiver outras indicações, favor postar nos comentários.

Um zoom out para ver mais longe

Um dos pensadores que mais admiro é Will Durant, autor de uma série de livros sobre a história da humanidade.

Num desses, ele dá um “zoom out” na história, e comenta que “imortais” não são imortais. Os clássicos da humanidade, digamos Shakespeare, podem parecer imortais na cabeça de nossa sociedade, mas essas obras têm apenas algumas centenas de anos. Uma Ilíada de Homero, uns poucos milhares, o que é quase nada perto da evolução do ser humano até os dias de hoje (uns 400 mil anos), e um traço desprezível perto da história do planeta – os dinossauros foram extintos há 300 milhões de anos atrás, e antes disso reinaram na Terra por 100 milhões de anos, só para efeito de comparação.

É como se Durant desse um zoom out no Google Maps, lembrando o quão pequena é a nossa escala: enquanto estamos olhando para as ruas, ele olha para os países e continentes.

Algumas ponderações.

  • O Ocidente tem a tendência de ser imediatista, valorizar o que é jovem e traz resultado agora. Mais interessante é a visão de países orientais, como o Japão e a China, que olham para o longo prazo.
  • Existe algo mais curto prazista do que o Ebitda trimestral? Ficar cobrando resultados trimestrais causa distorções estruturais, já que é sempre mais importante mostrar o resultado agora do que arrumar definitivamente algum problema. No Oriente, é o oposto, o pensamento é em termos de gerações, como se fôssemos apenas uma etapa: o bastão está conosco, mas será entregue para outros em futuro próximo;
  • 35 destaques menores do que 35. Vira e mexe, alguma revista tem um jovenzinho numa capa como essa, valorizando conquistas meteóricas e possivelmente efêmeras. Como diria o autor Austin Kleon, prefiro uma lista de 80 destaques acima de 80 anos;
  • Numa empresa, cargos vão e vêm, são ilusões. O que interessa, no final do dia, é a capacidade real de gerar valor. Um habilidoso funcionário vai ter facilidade de se recolocar bem em outro lugar e performar com excelência, independente de cargo nominal;
  • Podemos controlar o processo, mas não o resultado. Sun Tzu: A invencibilidade está na defesa; a possibilidade de vitória, no ataque. Ou, como diz a sabedoria popular, o ataque ganha um jogo, mas a defesa ganha o campeonato;
  • CEO do ano: as revistas adoram eleger super-heróis, mas esses não existem. Por trás da figura da capa, há uma série enorme de profissionais invisíveis, que realmente fazem um organismo complexo como uma empresa ou um governo funcionarem;
  • Motivação x Disciplina. A motivação dura pouco tempo. É só a ignição. Para obter resultados sustentáveis, é necessário transformar a motivação em rotina, e criar disciplina para perseguir o objetivo. O estudo deve ser constante, a dieta não deve deslizar, o treino às 5 da manhã não pode durar apenas uma semana.

Os juros compostos vão fazer toda a diferença no final. Seja a tartaruga do conto de Esopo.

Olhe para o global, para o longo prazo. Dê um zoom out em sua vida.

Veja também:

Maratona x Corrida de 100m

Sempre prefira correr maratonas ao invés de corridas de 100m.

A longo prazo, a disciplina é maior do que a motivação, a tartaruga vence o coelho.

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/

Como aplicar a Teoria das Janelas Quebradas nos negócios?

No dia 26 de novembro de 2012, não houve um único crime violento na cidade de Nova Iorque, algo que surpreendeu até a força policial.

A causa é atribuída à Teoria das Janelas Quebradas, popularizada pelo autor Malcolm Gladwell, porém proposta anos antes pelos cientistas sociais James Wilson e George Kelling.

Numa vizinhança limpa e arrumada, alguém quebra uma única janela. Por algum motivo, ninguém conserta.

Acrescente, duas, três, janelas quebradas. Vai chegar um “ponto da virada” em que menos e menos pessoas se importarão, atraindo mais janelas quebradas. Um círculo vicioso.

Eu mesmo, já joguei lixo sobre um monte de lixo acumulado na calçada, mas não o faria se estivesse tudo arrumado.

Tendo como base a teoria, a polícia de NY tinha, uma década antes, começado uma ação para coibir até mesmo crimes menores, como pixação e evasão de pagamento do metrô.

O mundo é cíclico

O mundo é cíclico. Causas geram consequências, sementes geram frutos.

Jogamos jogos iterativos, uma, duas, centenas de milhares de vezes, com outras pessoas que habitam este planeta.

A teoria das janelas é nada mais, nada menos que um ciclo vicioso em ação. E a forma de combater um ciclo vicioso é com um círculo VIRTUOSO.

Como podemos utilizar ciclos positivos a nosso favor?

Uma única pessoa, sozinha, pouco vai mudar. Porém, ela pode ser aquele que arrumou a sua janela e pediu para o vizinho arrumar a dele. Se a sua energia e entusiasmo conseguirem contagiar outras pessoas, para que trabalhem na mesma vibração, em pouco tempo, um grupo, uma área inteira da empresa estará melhor, tempos depois, a empresa inteira.

Identifique a janela quebrada e aja para consertá-la. Não seja apenas um espectador. Ataque problemas, por menores que sejam.

Dê o seu melhor e contagie os demais, através do exemplo. Somos a média das 5 pessoas com quem mais convivemos – por outro lado, contribuímos para aumentar a média delas. Eleve o nível das pessoas ao seu redor (vide também: https://ideiasesquecidas.com/2022/04/13/adendo-a-lei-da-osmose-cole-em-quem-manja/).

Uma única pessoa pode fazer toda a diferença.

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Por que o Chief Data Officer dura tão pouco nas empresas?

Tom Daveport começa com uma questão. Por que o Chief Data Officer (o executivo chefe de dados) dura tão pouco tempo nas empresas?

– Atualmente, a duração no cargo é de cerca de dois anos, dois anos e meio;

– A lua de mel acaba depois de 18 meses, depois vêm as cobranças;

– Pela demanda estar em alta, eles acabam encontrando espaço em outras empresas, onde recomeçam o mesmo ciclo;

– Alguns CDOs incorporam também a parte de Analytics e Inteligência Artificial.

Alguns problemas:

– O escopo do trabalho e prioridades são mal definidos desde o início;

– Há uma alta expectativa para o cargo, porém além de implementar Analytics, são necessárias mudanças transformacionais grandes sobre organizações com grande legado. Há enorme necessidade de change management;

– Os CDOs têm dificuldades de vender o trabalho para os seus pares C-Level. Mesmo quando há ganhos, estes são relativamente invisíveis e difíceis de mensurar. Embora os CDOs tenham experiência no tema, podem não ter experiência política do cargo;

Dicas e projeções para o futuro:

– Começar com uma conexão clara com a estratégia de negócios e casos tangíveis;

– Após os projetos piloto, os CDOs devem implementar produtos escaláveis e sustentáveis para agregar valor às unidades de negócio, assim como balancear quick-wins com iniciativas estruturantes;

– Liderar as transformações organizacionais, tomando o cuidado de não ficar relegado a ações de back office;

-Nos próximos 5 – 10 anos as companhias vão continuar evoluindo em termos de habilidades e conhecimento e veremos uma crescente aceitação do papel de CDO.

Artigo original:

Aforismos diversos no trabalho

Algumas frases que falei nos últimos dias, sob um contexto ou outro.

Nunca tive um projeto reprovado por falta de dinheiro. Sempre foi porque a ideia era ruim.

Numa empresa, a carreira é sua. Não é o RH que vai gerar uma trilha a seguir. Não é o seu chefe. É você que deve criar o seu próprio caminho. Se você não se preocupar com você mesmo, não é outra pessoa que vai.

“Não baixe a régua” – Ray Dalio

A “digitalização” tão falada nos dias de hoje, nunca vem sozinha. Sempre há uma necessidade de melhorias de processo e de pessoas. A gente usa a bandeira de digitalização quase como uma justificativa para melhorar o todo.

“Seja impaciente com ações, paciente com resultados” – Naval Ravikant

Peter Drucker dizia que uma empresa do conhecimento é como uma orquestra, e o líder, o maestro. Numa orquestra, cada um é especialista no seu instrumento. O maestro não tem que ensinar cada um a tocar a sua parte, e sim, organizar e sincronizar o todo.

Hábitos são como fios. Adicionando um pouquinho todos os dias, temos uma corda poderosa. Processos são os hábitos das organizações.

“O prêmio maior de uma vitória é triunfar por meio de estratagemas” – Sun Tzu, A Arte da Guerra

“DEDIQUE-SE ao seu negócio. Acredite nele mais do que qualquer outra pessoa.” – Sam Walton, do Walmart

“A Lei do Sacrifício – Você deve desistir de algo para obter algo” – Al Ries e Jack Trout

Veja também:

O melhor do mundo tira nota zero em quase tudo

Especialista x generalista?

É uma discussão eterna, e que não tem resposta certa. Vai depender do contexto, momento, pessoas.

Indo pelos extremos:
É impossível ser especialista em tudo. Nosso tempo é finito, e o tempo gasto para especialização em algo significa menos tempo para qualquer outro assunto. Aprender a consertar um carro é muito diferente de estudar biologia, por exemplo.

É a Lei do Sacrifício, de Al Ries e Jack Trout. Para obter algo, temos que abrir mão de outro algo. Mesmo tendo habilidades inatas para dois temas, o gargalo será o tempo.

E também é inútil ser generalista em tudo sem saber nada em profundidade. Alguém que sabe um pouco de tudo de forma rasa, SEMPRE vai perder para quem tem um foco estreito. O hobbista que conserta carros no fim de semana não vai competir com mecânico especialista em motores, por exemplo, quando o problema for o motor.

Uma forma de pensar, no meio do caminho, é uma pirâmide com base larga e pico estreito.

Assumir que pouco ou nada sabemos sobre quase tudo, o que seria equivalente a tirar nota zero em uns 60% dos assuntos do cotidiano.

Tirar uma nota suficiente para passar em uns 30% de outros assuntos, daqueles que têm uma relação próxima do que é útil para o nosso bem viver.

Ser extremamente especialista em 9,99% no tema que melhor dominamos. Conhecer mais, ser apaixonado pelo tema e tudo o que diz respeito a isso, etc.

E ser um dos melhores do mundo em 0,01%. Perseguir o tema febrilmente, participar de conferências, dar aulas, etc.

Isso porque o melhor do mundo sempre vai vencer o sabe-tudo que sabe-nada.

A Deusa da Fortuna pode ou não sorrir para esses melhores do mundo, isso está fora do alcance de todos nós. Porém, a Deusa da Fortuna nunca vai sorrir para o sabe-tudo.

Veja também:

A sedutora Deusa da Fortuna

Muito interessante a discussão de Virtù e Fortuna, a partir da obra de Nicolau Maquiavel (1469-1527).

“Fortuna”, no sentido de sorte, destino. A ideia vem da deusa romana da sorte, a Deusa da Fortuna.

E “Virtù”, está mais para habilidade, ações a fazer, não como a virtude que conhecemos. Envolve habilidade e trabalho no sentido bom do termo, mas, também tem um outro lado. A moral de Maquiavel é comumente resumida pela frase “Os fins justificam os meios”, e a “Virtù” pode até envolver atos desagradáveis como usar a força para conter uma ameaça ao Príncipe (lembre-se de que Maquiavel escrevia olhando o ponto de vista do poder). Para o resto do texto, vamos nos ater ao lado bom da Virtù.

A seguir, Maquiavel acrescenta que dependemos de 50% da Fortuna e 50% da Virtù. A Virtù é aquilo que podemos fazer a partir de nossa própria capacidade, e Fortuna engloba tudo o que está além de nosso controle.

Seria como numa partida de poker, a Fortuna seriam as cartas que recebemos neste jogo da vida, e a Virtù a capacidade de usar as cartas que temos na mão da melhor forma possível.

Às vezes, alguém pode fazer tudo errado, mas com o sorriso da Deusa da Fortuna, ainda assim alcançar resultado interessante. E, vice-versa, alguém pode fazer exatamente tudo certo, mas ficar sem receber o beijo da Deusa da Fortuna. É como num jogo de probabilidades.

Essa discussão também lembra, de certa forma, a noção de “Burro esforçado” e de “Gênio preguiçoso”. Devido à minha formação, acabei encontrando ambos os casos ao longo da minha vida. E, posso dizer, que já vi muitos burros esforçados superando gênios preguiçosos, a longo prazo. O melhor dos mundos é ter boas cartas vindas da Fortuna, e além disso, ser alguém extremamente estudioso e batalhador.

De qualquer forma, não temos acesso à poderosa Deusa da Fortuna. As cartas já estão dadas e não cabe lamentar o que está fora do nosso controle. A parte que nos cabe é apenas a Virtù. O que vejo é que, com trabalho duro, a longo prazo, e com juros compostos a favor, aumentam as probabilidades de seduzir a bela Deusa da Fortuna.

Alguns links:

Trilha sonora:
Soldiers of Fortune – Deep Purple

O livro “Thinking in Bets”, de Annie Duke, tem temática semelhante.
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