Séries, Podcasts e Quadrinhos sobre Ditadores

Segue uma indicação bastante interessante de podcast sobre história: a série “Ditadores”, no Spotify. É excelente para quem gosta de áudiolivros, como eu.

Ela narra a história de alguns dos piores ditadores da história recente, de maneira bastante didática e em português:

  • Adolf Hitler
  • Benito Mussolini
  • Joseph Stálin
  • Kim Il Sung
  • Kim Jong Il

Para cada um, há dois episódios de uns 45 minutos. A série ainda está em andamento, com um lançamento por semana, sempre às terças-feiras.


Outras indicações:

Sobre Hitler, há inúmeros filmes, documentários e livros.
Sobre os demais, há um número bem menor de fontes.

1) O documentário Hitler, uma carreira, disponível na Netflix, se destaca por conter vídeos da época.

Muito interessante é ouvir o discurso real de Hitler. Mesmo sem saber alemão, é possível ler a linguagem corporal e o tom de voz da figura.

Apesar do discurso ter palavras fortes, Hitler tem um jeito afeminado. É paradoxal. A imagem que eu tinha era de um ditador tosco, um valentão – mas a imagem das filmagens é a de um político, não muito diferente dos políticos que conhecemos. Talvez por isso, muita gente não tenha levado a sério o discurso, e tenha votado nele apenas como um protesto contra a ordem vigente.


2) Hitler’s Circle of Evil.

O foco aqui é no círculo interno de Hitler, as pessoas que o ajudaram a chegar e a manter o poder. Alguns deles viriam a ser figuras chave no Terceiro Reich: Hermann Göring, Heinrich Himmler, Joseph Goebbels e outros menos conhecidos, como Dietrich Eckart (escritor que lançou as bases ideológicas do nazismo).

São 10 episódios, e conta com detalhes a história deste período.


3) Vale indicar também a propaganda mais sensacional de todos os tempos, da Folha de São Paulo de 1987.

“Este homem pegou uma nação destruída, recuperou sua economia e devolveu o orgulho a seu povo…


4) A série “Trótski”, na Netflix, mostra a trajetória de Leon Trótski e seu papel na Revolução Russa de 1917.

A série retrata Tróstski como alguém impiedoso, disposto a sacrificar a tudo e a todos – e é o que acaba ocorrendo, a todos à sua volta.

É uma obra controversa.


5) A morte de Stálin. É uma obra em quadrinhos. Mostra episódios das últimas horas de Stálin. Retrata fortemente o medo que as pessoas ao redor sentiam.

6) Sobre a Coreia do Norte, há pouca informação. Uma fonte surpreendente é o romance gráfico PyongYang.

O desenhista Guy Deslile viveu por um tempo na Coreia do Norte. Ele era o desenhista chefe de um grupo de desenhistas norte-coreanos, na produção de animações para a TV francesa. A razão de contratarem desenhistas norte-coreanos era o custo baixo.

Guy descreveu inúmeras situações que viveu na Coreia. O fato de todas as paredes terem retratos dos grandes líderes Kim Il Sung e Kim Jong Il. Um tradutor coreano o acompanhar para todos os lugares que ia (e ele não poderia ir para qualquer lugar, somente os lugares autorizados). O fato de quase não haver iluminação nas ruas.

Ele era um dos pouquíssimos estrangeiros no país. Havia somente dois hotéis para estrangeiros, e no que ele estava, somente um dos andares funcionava.

São ilustrações belíssimas. Vale muito a pena.
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O Ártico é um monte de gelo inútil?

A quem interessaria a fria e inóspita região do ártico, com seus ursos polares?

Resposta: à Rússia, que fincou uma bandeira no fundo do mar e há décadas reivindica a posse de largas extensões territoriais, nesta verdadeira Terra de Ninguém. O ártico tem recursos naturais estimados em 90 bilhões de barris de petróleo, 1700 trilhões de pés cúbicos de gás, minerais como cobre e níquel, além de fazer fronteira com países de outros continentes (Canadá, Noruega, Suécia).

Os efeitos de aquecimento global tendem a derreter parte do gelo e aumentar a importância da corrida ao Ártico.

A Rússia mantém bases militares e já sugeriram renomear a região como “Mar Russo”.

Os EUA estão vários passos atrás dos russos. Um exemplo ocorreu anos atrás, em que um navio quebra-gelo russo resgatou um navio americano – um feito de colaboração entre países, porém também um indicativo de quem dá mais prioridade à área.

O ártico é um dos capítulos de “Prisioneiros da Geografia”, de Tim Marshall. O autor fala sobre geopolítica, incluindo EUA, China, Índia, África, América do Sul, explica efeitos da geografia e história dessas regiões.

Foi o livro mais interessante que li nesta pandemia. Fica a indicação.

Link Amazon: https://amzn.to/2yjSkns

Versão áudiolivro:
https://www.audible.com/pd/Prisoners-of-Geography-Audiobook/B06XQ4SFN8?qid=1590034595&sr=1-2&ref=a_search_c3_lProduct_1_2&pf_rd_p=e81b7c27-6880-467a-b5a7-13cef5d729fe&pf_rd_r=744A5SATE6HSMHK38ZF8

https://www.bbc.com/portuguese/reporterbbc/story/2007/08/070802_russia_articorg.shtml

Winston Churchill: o Destino de uma nação.

Recomendação de filme: “O Destino de uma nação” retrata um período crítico (e põe crítico nisso) da história.

Em 1940, a Alemanha nazista de Hitler tinha conquistado quase toda a Europa continental. A imparável máquina de guerra alemã tinha invadido a França. Todo o exército britânico estava encurralado em Dunquerque (França).

A Inglaterra tinha duas opções: ou negociava a paz com Hitler, ou continuava a guerra. Durante a crise, Winston Churchill foi eleito primeiro-ministro.

Churchill era favorável a continuar a guerra. Ele recebeu uma quantidade enorme de críticas dos moderados e isentões, que falavam da quantidade de soldados e civis que perderiam a vida num confronto com a Alemanha. Ele quase foi derrubado do cargo, mas prevaleceu. Bateu no peito, assumiu a responsabilidade pelas vidas que seriam perdidas, e o Império Britânico continuou na guerra.

Era o correto a ser feito: matar o mal pela raiz.

O resgate de Dunquerque foi feito, utilizando cada tonelada de aço que tivesse condições de atravessar o Canal da Mancha. O filme termina neste ponto.

“O Destino de uma nação” está disponível na Amazon Prime Vídeo, entre outras plataformas.

Um pouco de história e digressão minha: A Inglaterra estava sozinha, na época. Toda a Europa continental tinha sido tomada: Polônia, Bélgica, França. A Itália de Mussolini era aliada de Hitler. EUA e Rússia não tinham entrado na guerra. A Alemanha tinha um pacto de não-agressão com a Rússia de Stálin.

Invasões alemães até 1940

Na época, não é exagero dizer que a Alemanha tinha vencido a guerra continental. Por isso, Hitler queria a paz com a Inglaterra. Há quem diga que Hitler poupou o exército britânico em Dunquerque, como um gesto para negociar a paz.

Se, ao invés de Churchill, alguém moderado estivesse no comando inglês, este teria feito as pazes com Hitler. A história seria muito diferente. Não haveria Segunda Guerra Mundial.

Com a paz no ocidente em 1940, Hitler ganharia vários meses ou anos para se preparar para a próxima guerra e consolidar o seu poder na Europa, nos territórios da França, Polônia, Bélgica e outros países europeus.

Poucos anos depois, Hitler invadiria a Rússia. Sem a pressão da guerra em duas frentes, provavelmente venceria a guerra, ou pelo menos anexaria boa parte da Rússia. Talvez a Alemanha coordenasse ações com o Japão, que atacaria a Rússia e não os EUA – assim, seria a Rússia a ter que defender duas frentes de ataque.

Se não fosse por Churchill, talvez tivéssemos o Terceiro Reich até os dias de hoje. Seria uma superpotência nazista.

A Inglaterra pagou o preço pela ousadia. Londres sofreu terríveis bombardeios pela força aérea nazista. O Império Britânico deixou de ser um Império. Após a entrada dos EUA e da Rússia, a maré virou, e os aliados venceram o eixo, livrando o mundo do nazismo de Hitler.

Vide também:

https://ideiasesquecidas.com/2017/11/26/a-previsao-do-tempo-que-salvou-o-dia-d/

https://ideiasesquecidas.com/2017/11/19/%e2%80%8b-o-destruidor-de-mundos/

Amazon Prime Video

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O filme Dunkirk é sobre o resgate dos soldados britânicos na França. https://amzn.to/3eg4eia

O futuro não é mais como era antigamente

O corona vírus vai passar. Vai demorar alguns meses, mas vai passar. O mundo pós-pandemia será imensamente diferente.

Algumas reflexões:

O isolamento forçado será o prego no caixão de vários negócios. Livrarias não fazem sentido. Shopping center. Entretenimento, como teatros e cinemas, vão sofrer mais ainda. Tudo isto já vinha mal das pernas. O vírus acelerou o fim.

Educação on-line. Há cursos de alta qualidade, flexíveis e mais baratos que um curso presencial. Não faz sentido cursar 5 anos 100% presenciais. A única real vantagem de um curso presencial é o networking.

Trabalho remoto. Não faz sentido perder meio dia viajando para trabalhar, toda semana. Viagens devem diminuir, e trabalho remoto, aumentar. Para isto, o framework mental tem que mudar. O pessoal operacional deve ter cada vez mais capacidade analítica e responsabilidade não só de tocar a operação, mas de melhorá-la.

Pessoas mais qualificadas na operação também devem ter nível de salário e treinamento maior. Além do investimento em pessoal, as empresas devem fazer investimento em estrutura de hardware e software equivalentes.

Muitos perdedores, e alguns poucos vencedores: e-commerce, cursos on-line, entretenimento digital (Netflix, streaming em geral). Nas indústrias, necessidade de automação, robotização de processos, IoT, trabalho remoto, TI.

Gostaria de mais opiniões. Quais outros produtos e serviços nunca mais serão os mesmos?

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Algumas previsões

“É difícil fazer previsões, especialmente em relação ao futuro”, dizia o célebre técnico de baseball Yogi Berra.

Ele está certo. Fazer previsões corretas é muito complicado.

Contudo, ouso fazer algumas previsões aqui neste espaço. Não são previsões de verdade, são apenas algumas macrotendências.

1 – O mundo está muito esquisito, e uma grande crise mundial (talvez do tamanho daquela de 2008) se aproxima para um futuro próximo (provavelmente após a reeleição de Trump).

2 – O Brasil está saindo de vários anos ruins, e começará a decolar de novo nos próximos anos (no contra ciclo do mundo).

3 – Carros autônomos são uma questão de tempo. Começarão funcionando em nichos muito específicos, aos poucos ganharão a confiança das pessoas. Porém, demora ainda uns 10 anos para começar a fazer parte do nosso cotidiano, e uns 15 ou 20 para serem comuns no dia-a-dia.

4 – A China terá um PIB maior do que os EUA, daqui a uns 10 anos.

5 – A Índia será a terceira maior economia do mundo.

6 – A computação quântica continuará inútil por mais uns 40 anos. Até que, finalmente, terá alguma aplicação em algo que ninguém nunca imaginou hoje.

7 – Não será necessário aprender inglês ou chinês para conversar. Os tradutores eletrônicos ajudarão a derrubar esta barreira. Entretanto, ainda assim continua válido estudar mais da cultura, porque há barreiras que tradutor algum consegue quebrar.

Não vou detalhar muito cada uma delas, porque ninguém sabe se será por aí.

Daqui a uns 5 anos, vou revisitar esta lista, e ver se realmente fez sentido (ou não).

Dia dos solteiros x Black Friday

Está chegando, neste mês de novembro, uma mega promoção do comércio. É o… Dia dos Solteiros! Também tem aquela outra, a Black Friday.

O dia dos solteiros é uma tradição chinesa. Ocorre dia 11/11 (data com mais “1” no ano). A ideia é a pessoa se presentear, já que está sozinha mesmo. Este ano, o AliBaba (AliExpress por aqui), promete fazer uma mega operação no Brasil, com descontos agressivos. Ano passado, o dia dos solteiros movimentou US$ 30 bilhões, em um único dia!

A Black Friday é uma tradição americana. O Dia de Ação de Graças é um feriado importante nos EUA, e ocorre na quarta quinta-feira do mês de novembro. A Black Friday ocorre no dia seguinte. Este ano, será no dia 29/11, e promete muitos descontos!

Em comum, ambas são tradições estrangeiras que estão vindo recentemente para o país. Poderio econômico vem acompanhado de tradições culturais, de forma proposital ou não. A tendência é vermos cada vez mais uma invasão cultural chinesa no mundo, da mesma forma que já temos muitas tradições americanas em nosso dia-a-dia.

Boas compras!

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Reportagens – Joe Sacco

Joe Sacco é um jornalista gráfico, se é que existe este termo. Ele faz reportagens e as publica na forma de história em quadrinhos.

Duas recomendações de leitura: Reportagens e Palestina.

Sacco cobriu algumas guerras. O livro “Reportagens” é uma compilação de relatos de guerra dele.

No Brasil existe um preconceito de que histórias em quadrinhos são coisa de criança. Porém, definitivamente, as reportagens mostradas não são para crianças. Há relatos bem pesados sobre a guerra nos balcãs (Sérvia – Bósnia), treinamento dos soldados no Iraque e a terrível situação dos refugiados da Chechênia, entre outros.

Muito impressionante é uma reportagem sobre o sistema de castas na Índia, onde ele acompanhou as enormes dificuldades que uma pessoa das castas mais inferiores enfrentam.

Basicamente, eles estão presos a uma armadilha de pobreza: todo o mínimo necessário (como educação) lhes é negado, pessoas de castas superiores sentem-se no direito de usar e abusar do trabalho e liberdade destes. Se lhes é dada terra em algum programa de reforma agrária, eles não conseguem a manter na prática, sob a coerção de quem detém o poder real.

Uma hora, Sacco notou que a mera presença dele como jornalista era uma ameaça à segurança dos párias da sociedade indiana, e ele teve que se retirar do local.

Outra obra do mesmo autor é sobre a Palestina.

Ele acompanha ambos os lados – israelense e palestino, conversando com as pessoas, vivendo ao lado delas. Uma das histórias é sobre uma pessoa que tinha uma casa perto da fronteira entre territórios. Sob a justificativa que a casa tinha sido utilizada como base para disparar para o lado israelense, o exército israelense derrubou não só a casa desta pessoa, mas toda uma fileira de casas adjacentes! Em outra reportagem, ele mostra um colono judeu que tem a casa alvo de tiros com muita frequência, e o medo constante vindo daí.

Felizmente o Brasil, apesar de todos os problemas, é um país em paz com os vizinhos e num estágio de desenvolvimento que permite uma vida decente à maior parte de sua população.

Links:

https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=65050

https://www.minhavidaliteraria.com.br/2016/10/18/resenha-reportagens-joe-sacco/

https://www.amazon.com.br/Palestina-Joe-Sacco/dp/857616471X

https://en.qantara.de/content/joe-saccos-palestine-authentic-depiction-of-life-in-the-time-of-intifada

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/

Fernando Collor de Melo, 1989

O momento atual do Brasil me faz lembrar o Brasil do final de 1989, logo após a eleição de Fernando Collor de Melo à Presidência da República.

 

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A semelhança é por ter sido um momento de euforia. Um candidato outsider desconhecido batia o candidato da esquerda, Lula, e havia uma enorme esperança de renovação e combate à corrupção na parte do eleitorado que tinha votado nele.

 

Eu tinha 10 anos na época, e me lembro muito bem do noticiário, jornais e revistas da época.

 


 

Eleições 1989

 

Em 1989, ocorreram as primeiras eleições diretas para presidente depois de muito tempo. O período da ditadura militar tinha acabado, o presidente era o (péssimo) José Sarney e o país estava numa hiperinflação terrível.

 

Essa eleição teve dezenas de candidatos. O maior partido da época era o PMDB, com o grande Ulisses Guimarães. O PSDB era recém-nascido, e seu candidato era o Mário Covas, também um grande político. O famigerado Paulo Maluf também era candidato. O veterano Leonel Brizola também. Outros nomes conhecidos, como Enéas Carneiro, Guilherme Afif Domingos, Fernando Gabeira. E muitos outros. Eram 22 candidatos, segundo esta fonte.

 

Até o Silvio Santos estava no páreo, mas melaram a candidatura dele no tapetão. Ele nunca mais se reaproximou da política, e seria um interessante “o que aconteceria se” ele tivesse sido candidato.

 

“Sílvio Santos já chegou”

 

Os analistas da época diziam que o Brasil não sabia se organizar para uma eleição, e tantos candidatos assim eram a prova disto.

 

 

Fernando Collor era um outsider. O seu partido era um tal de PRN, numa frente chamada “Movimento Brasil Novo” – não é de hoje que todo político quer um Brasil Novo. Ser um outsider era ótimo, porque o brasileiro estava cansado dos políticos tradicionais (pena que os outsiders da época viraram os políticos tradicionais de hoje).

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Collor era conhecido como o “Caçador de Marajás”. Tinha cortado privilégios de vários marajás de seu estado Alagoas. Prometia varrer a corrupção, e dar um tiro na inflação. Além disso era jovem (40 anos na época), atlético, boa-pinta.

 

 

O seu principal adversário era Lula, que disputava a sua primeira eleição a presidente.

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Era um candidato muito mais radical do que aquele que venceria as eleições anos depois, em 2002. Este Lula tinha feito fama junto aos sindicatos da época, organizando greves.

 

 

Ele dizia abertamente que apoiava a reforma agrária, e que não pagaria a dívida externa, por exemplo. Era o Lula “raiz”, até na aparência, mal cuidada, agressiva, sindicalista (parece o Boulos de hoje), organizador de greves puro (também muito diferente da versão ‘paz e amor’ de 2002). Isto assustava demais a classe média que temia os efeitos nefastos de um regime em direção ao socialismo / comunismo.

 

 

 

 

O segundo turno foi entre Collor e Lula, dando Collor no final das contas, 53% a 47%, resultado apertado demonstrando a força da popularidade e carisma de Lula.

 

 

No período entre a vitória de Collor e o primeiro dia de sua posse, os jornais eram só empolgação. O desgoverno Sarney já tinha acabado, não havia mais nada a oferecer de esperanças. Todos os dias, falavam de ministros que estavam sendo cogitados para as

 

pastas, especulações sobre como seria o futuro. Zélia Cardoso de Melo na Economia. Rogério Magri no Trabalho.

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Zélia Cardoso de Melo

 

 

O brasileiro contava os dias para a posse de Collor…

 

 

Infelizmente, tanta expectativa se realizou acompanhada do pior programa econômico da história da Brasil, o plano Collor. Ao invés de congelar só o salário dos políticos, como era a propaganda, ele congelou o Brasil inteiro, confiscando a poupança de quem tinha o equivalente a mais de R$ 5.000,00 de hoje.

 

 

 

Foram sonhos destruídos, anos de trabalho confiscados, empresas quebradas. Ao invés de dar um tiro na inflação, o tiro acertou o povo brasileiro. E o dragão da inflação não morreu, continuou a castigar o Brasil de forma tão intensa quanto antes. Só o plano Real deu um jeito definitivo na inflação, como ilustra este link.

 

Sabemos que o período Collor não acabou bem, nem metade dos 1753 dias do jornal da posse. O Brasil deu um jeito de impichar o Collor, por algum motivo qualquer, sendo o motivo verdadeiro os péssimos planos econômicos.

 

 

De lá para cá, são 28 anos, em que os políticos e economistas aprenderam bastante, e e eleitor também aprendeu bastante.

 

 

Não é possível prever o futuro, de 2019 em diante. Só resta desejar que o próximo presidente tenha responsabilidade para conduzir o país e faça um bom governo. Cabe a nós ajudarmos a escrever a história deste país.

 


 

Links:

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Collor_de_Mello

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%A3o_presidencial_no_Brasil_em_1989

O “intelectual idiota”

Destaco, a seguir, um trecho resumido do livro “Skin in the Game”, do pensador libanês Nassim Taleb. É extremamente válido no contexto político e mundial em que vivemos.

skinGame


O intelectual idiota


O que estamos vendo no mundo todo, da Índia ao Reino Unido e aos EUA, é a rebelião contra os que não-tem-a-pele-no-jogo, contra jornalistas e semi-intelectuais que querem ditar ao resto do mundo 1) o que fazer 2) o que comer 3) como falar 4) como pensar… e 5) como votar.


Esses membros da “inteligentsia” não conseguem achar um coco na ilha dos Cocos. Não são inteligentes o suficiente para definir inteligência, portanto caem em circularidades – sua principal habilidade é passar em exames escritos por outros como eles.


O intelectual idiota critica outros por fazer coisas que ele não entende, sem se dar conta que é o seu próprio entendimento do mundo que é limitado. Ele acha que sabe o melhor jeito com que as pessoas devem agir. Quando os plebeus fazem algo que faz sentido para ele, é “democracia”, e quando esses ousam votar num modo que contradizem sua preferência, é “populismo”.

Ele fala de “igualdade de raças” e “igualdade econômica”, mas nunca saiu para beber com alguém da minoria, como um motorista de táxi aleatório (de novo, não tem a pele no jogo de verdade). A pobreza é um conceito abstrato para ele.


O intelectual idiota é um produto da modernidade. Isto tem se acelerado desde a metade do século vinte, até atingir hoje o máximo local, junto com a extensa categoria de pessoas sem-a-pele-no-jogo que têm invadido muitos aspectos da vida. Por quê? Simplesmente, na maioria dos países, o papel do governo é entre cinco e dez vezes o que era um século atrás.

O intelectual idiota parece ubíquo hoje em nossas vidas, mas ainda é uma pequena minoria e é raramente visto fora de grupos especializados, think tanks, a mídia, e universidades – a grande maioria das pessoas tem um emprego de verdade e nestes não há vagas para intelectuais idiotas.


O intelectual idiota entende a lógica de primeira ordem corretamente, porém não os efeitos de segunda ordem ou maior, mas acha que entende a complexidade do mundo real. Do conforto de sua casa com 2 vagas na garagem nos Estados Unidos, ele advoga pela “remoção” de Kadafi porque “ele é um ditador”, sem entender que isto traz consequências (alguém pior que ele pode assumir). De novo, sem a pele no jogo, ele não paga pelo resultado.


(O capítulo foi escrito antes da eleição nos EUA, e este postscript foi adicionado depois). A eleição de Trump foi tão absurda para eles, não encaixava em sua visão de mundo por uma margem tão larga, que eles falharam em encontrar instruções de como reagir em seus manuais.

Vide original em:
https://medium.com/incerto/the-intellectual-yet-idiot-13211e2d0577
Notas:

Imagino que a eleição de Jair Bolsonaro no Brasil tenha o mesmo efeito nos nossos intelectuais idiotas…

A versão em português deste livro foi lançada no Brasil pouco tempo atrás, mas como eu já tinha o ebook em inglês faz muitos meses, esta é a minha tradução livre do original.

Exemplo: o livro traduz “intelectual yet idiota” como “intelectual porém idiota”. Prefiro a minha tradução, mais direta: “intelectual idiota”.

Bolsonaro 17

Declaro voto em Jair Bolsonaro.

 

Numa casa infestada de ratos, a primeira coisa a fazer é desratizar a mesma. Depois a gente se preocupa em consertar a janela, arrumar o banheiro, etc.

 

Isto não deve mudar o voto de ninguém, porque cada um tem a sua opinião. Mas, não gosto de ficar em cima do muro, neste momento tão importante. E, pelas regras da democracia, cada um vota em quem quiser.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quem está no ranking mundial de educação?

A educação é a base para que todo o resto da sociedade evolua. É uma condição necessária, porém, não é suficiente, para um desenvolvimento econômico sustentável.

 

Nos países asiáticos, as pessoas estudam por longas horas e com uma dedicação extrema. O objetivo não é passar de ano, é tirar nota 10. É um comportamento cultural, deriva de tradições milenares como o confucionismo.

 

O reflexo disto é o ranking abaixo.

 

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É da PISA – programa de avaliação de estudantes do segundo grau.

 

No topo da lista, asiáticos como Singapura, Hong Kong, Japão, China, Coreia, Taiwan. Depois, países europeus de primeiro mundo.

 
O ranking é de 2015. Se fosse feito hoje, a China estaria melhor, pelo passo frenético em que ela anda.

 

 
O Brasil, infelizmente, no fim da lista. E, infelizmente de novo, se o ranking fosse feito hoje, provavelmente não estaria muito melhor.

 

Abre o olho, brasileiro!

 
Alguns links:

 

https://exame.abril.com.br/revista-exame/o-melhor-ensino-do-mundo

https://www.businessinsider.com/pisa-worldwide-ranking-of-m…

10 tópicos para entender a China

Confesso que colei

 

Para que serve o segundo turno das eleições?

Eleições na Banânia 2018

 

Imagine um país chamado Banânia, que vai passar por eleições presidenciais no ano de 2018.

 
 

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Imagine também que há apenas três candidatos, o Molusco, o Chuchu e o BolsoMinion.
Os três candidatos estão praticamente empatados nas pesquisas.

 

Após a eleição em turno único, o resultado é Molusco, com 34,5% dos votos, Chuchu com 33,5% e Minion com 32%. Molusco é eleito presidente da Banânia!

 

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O problema é que o Molusco tinha a rejeição completa dos outros 66% que não votaram nele. Se houvessem apenas dois candidatos, o Chuchu e o Molusco, o Chuchu venceria por herdar os votos do Minion.

 

Como pode um candidato rejeitado por 66% da população ser eleito em primeiro lugar? Este é o paradoxo de Condorcet.

 


Paradoxo de Condorcet

 

Este paradoxo foi notado pelo marquês de Condorcet, no século XVIII.

 

Embora seja uma eleição democrática, ela pode levar à uma situação em que a maioria vai rejeitar.

 

Levando a situação ao extremo, imagine que há 100 candidatos, cada um com exatamente 1/100 dos votos e um deles com um único voto a mais. Este seria eleito com apenas 1% dos votos!

 

Para evitar este tipo de situação, existe o segundo turno. Os dois melhores colocados no primeiro turno passam por nova votação.

 

Com o segundo turno, o Chuchu será eleito presidente!

 

Eleições em dois turnos no Brasil é algo mais ou menos recente. Foi instituído na constituição de 1988.

 


Impossibilidade de Arrow

 

Chama-se de “voto útil” quando os eleitores deixam de votar no seu favorito, que não tem chance de ganhar, para votar no candidato menos ruim que tem chance de ganhar. Ex. Os eleitores do Minion votarem no Chuchu no turno único, por este ter mais chances de vencer.

 

Entretanto, mesmo com dois turnos, o “voto útil” vai continuar existindo. Imagine vários candidatos fragmentando a esquerda, por exemplo. Pode haver voto útil para que o melhor candidato da esquerda vá para o segundo turno.

 

Em suma, eleições em dois turnos não são perfeitas. Nem em três, nem em quatro. Sempre é possível pensar em situações onde o paradoxo do voto ainda ocorre. E este é basicamente o Teorema da Impossibilidade de Arrow:  não existe sistema de votação que seja 100% perfeito.

 

E assim, neste mundo imperfeito, vamos vivendo com os Moluscos, Chuchus e Minions da vida.