A Guerra Fria dos Chips está ocorrendo. Por que você deve ser preocupar com isso?

Vale do Silício? Cloud? Metaverso? Pessoas capacitadas? Software de ponta? Esqueça, isso é a ponta do iceberg. O verdadeiro gargalo da computação e da AI é o hardware sofisticado.

Os semicondutores permitiram a revolução computacional das últimas décadas, e estão presentes desde a máquina de lavar até o rastreamento e controle de mísseis avançados.

A Lei de Moore diz que o poder computacional dobra a cada 18 meses a um custo constante. Nas últimas décadas, foi esse ganho de eficiência que permitiu o avanço computacional exponencial que vivenciamos. A Lei de Moore traduz uma predição, um comportamento, não é uma lei física.

A menor unidade de computação é o bit, o dígito binário 0 ou 1. Cada bit equivale a um transístor, um componente semicondutor.

Atualmente, um transístor tem cerca de 5 nanômetros. Para dar uma ideia do quão pequeno é, isso equivale a 1/20 do tamanho de um vírus de COVID!

Porém, nos tempos atuais, a Lei de Moore está chegando ao seu limite! O limite é o tamanho de um átomo, onde outros fenômenos de física quântica começam a despontar.

Por ser uma tecnologia de tanta precisão, há um claro gargalo: apenas um punhado de empresas domina a produção de chips avançados!

Todos os semicondutores do seu iPhone vêm da Taiwan Semiconductor Manufactuing Company – TSMC, que produz 92% de todos os chips avançados do mundo, num prédio, em Taiwan, a fábrica mais cara da história.

A Apple não produz os chips – só faz o projeto delas.

  • 63% dos chips são produzidos em Taiwan
  • 17% na Coréia do Sul

Se a gente somar a China, 85% no sudeste asiático!

Imagine o efeito de um terremoto, tsunami… ou de uma guerra…

São locais de potencial instabilidade geopolítica!

China e Taiwan têm um potencial claro de conflito, assim como Coréia do Norte x Sul.

Atualmente, está havendo uma “Tech cold war”, para assegurar o acesso a esse recurso estratégico vital para, entre outras coisas, vencer guerras.

É estratégico para uma nação avançada dominar essa tecnologia o máximo possível, mas isso está longe de ser fácil.


Um breve histórico

Em 1947, o transístor é inventado na Bell Labs – potencialmente melhor, mais rápido e com consumo menor de energia que válvulas elétricas utilizadas anteriormente.

Nota. Fiz técnico em eletrônica, e lembro de colocar transístores no protoboard para criar circuitos, juntamente com resistores, capacitores, indutores e fios para todo lado!

Nos 1950, Jack Kilby na Texas Instruments e Bob Noyce na Fairchild, inventaram o circuito integrado – o famoso chip – e isso potencializou um ganho enorme – ao invés de montar componente a componente, temos um bloco todo montado de forma consistente.

O chip é um conjunto de componentes eletrônicos, esculpido em blocos de material semicondutor.

Aplicações começaram logo depois, com radinhos, o walkman, memória, calculadoras.

Por volta da década de 80, a Sony e outras empresas japonesas despontavam como grandes fabricantes de eletrônicos baseados em semicondutores.

Nesse meio tempo, os EUA incentivaram alternativas (Taiwan, Coréia do Sul) com mão de obra barata, a fim de conseguir concorrer com o Japão.

Dois movimentos por volta da década de 90: estagnação econômica do Japão e o surgimento de computadores pessoais, da qual, empresas como a Intel conseguiram retornar ao protagonismo.

Importante passo é a técnica de litografia. A principal empresa é a Advanced Semiconductors Materials Lithography (ASML), Holanda.

Imagine um microscópio. Agora, imagine um microscópio ao contrário, projetando laser numa placa, que esculpirá o circuito utilizando químicos fotossensíveis.

Esta é uma tecnologia complicadíssima: para produzir um chip desses, a empresa deve ter cadeia de fornecedores superespecializados, investimento de bilhões de dólares, know-how de dezenas de anos e produção em escala para justificar os custos.

O processo de fabricação é tão complicado que não basta espionar ou colocar dinheiro para reproduzir.

A União Soviética, na época da Guerra Fria, não conseguiu replicar o sucesso em desenvolver chips de forma eficiente, apesar de esforços de espionagem.

Nos tempos atuais, a China vem despejando uma gama enorme de recursos a fim de conseguir dominar essa tecnologia.

Recentemente, a Huawei recebeu 75 bilhões de dólares em subsídios, o que levou o governo Trump a implementar uma série de sanções à companhia.

Em Ago 2022, o governo Biden anunciou o “Chips and Science Act”, a fim de tornar a cadeia de semicondutores americanos mais resiliente à China, incluindo:

  • 150 bilhões de investimento na indústria americana
  • Restrições de exportação de produtos e tecnologias avançadas à China e alguns outros países
  • O ato inclui também outras tecnologias avançadas, como IA e computação quântica

O efeito deste gargalo, no nosso dia-a-dia recente, é o aumento dos custos dos chips, a crise dos chips.


Conclusões e Forecasts

A Lei de Moore estagna. Preços sobem, como estão subindo – ou deixam de baixar.

Os chips de propósito geral são mais caros e ineficientes do que chips de propósito específico. Faz cada vez mais faz sentido ter chips de propósito específico (desenhados para executar apenas uma função). Exemplos são as GPUs e TPUs, dentre várias outras possibilidades. Os poucos que dominarem essa tecnologia serão as próximas Apples, Nvidias e Intels.

Alternativas estão sendo estudadas, como menristores, computadores quânticos e computadores biológicos. Isso tudo pode ter aplicações interessantes no futuro.

Exemplo do uso de tecnologia na guerra Rússia – Ucrânia. Pesados tanques são abatidos por drones e armamento de precisão, guiados por geolocalização, laser e dispositivos de comunicação. Por trás de tudo isso, semicondutores produzidos por uma empresa de Taiwan ou Coréia do Sul.

Taiwan continua tendo um papel estratégico gigantesco, com o domínio dessa tecnologia avançada – e ninguém quer uma guerra nessa região (neste momento).

A Guerra Fria dos Chips vai se intensificar, numa corrida para dominar uma tecnologia chave para a próxima onda de evolução tecnológica, científica e econômica.

Quem vencer essa guerra dominará as próximas décadas!

Links

Artigo bem legal, da Superinteressante, sobre a máquina de litografia: https://super.abril.com.br/tecnologia/a-maquina-mais-valiosa-do-mundo/amp/

https://www.hindustantimes.com/technology/how-biden-is-expanding-tech-ban-on-china-s-quantum-computing-ai-101666327797064.html

https://itrexgroup.com/blog/bidens-national-ai-strategy-impact-on-government-business-society/

https://www.edn.com/tsmc-approaching-1-nm-with-2d-materials-breakthrough/

https://www.whitehouse.gov/briefing-room/statements-releases/2022/08/09/fact-sheet-chips-and-science-act-will-lower-costs-create-jobs-strengthen-supply-chains-and-counter-china/

Livro Chip War, de Chris Miller

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Três reflexões sobre política: fogo contra fogo, cui bono e chimpazés

Moriori x Maori: a história de um massacre

A importância de combater fogo com fogo.

O povo Moriori ocupava a ilha de Chatam, tendo iniciado a colonização da mesma por volta de 1500.

Uma população de cerca de 2000 pessoas, em 9 tribos. Eles convergiram para ser uma comunidade pacífica, onde a não-violência imperava – era a Lei de Nunuku.

Em 1835, cerca de 900 invasores de um povo Maori chegaram à ilha, em duas ondas. Eles estavam fugindo de uma derrota em sua ilha natal. Os invasores chegaram armados com facas, porém, ainda assim estavam em menor número.

Os Moriori chegaram a fazer uma assembleia, com os mais novos querendo se preparar para a guerra. Porém, no final das contas, prevaleceu o pacifismo da Lei de Nunuku: tentariam dar apoio e conviver com os invasores.

Resultado: os Maori destroçaram os nativos – cerca de 300 morreram nas guerras iniciais, centenas morreram com abusos posteriores. Sobreviventes foram escravizados e proibidos de se reproduzir.

Foram como ovelhas servidas a lobos. É uma advertência de que devemos responder à altura quando necessário.


Cui bono

“Cui bono” é uma expressão em latim, que significa “A quem isso beneficia?”.

Os jogos do poder sempre são sempre difusos. Não se deixe levar pelas aparências, por palavras bonitas ou gestos falsos. Sempre se pergunte: “quem se beneficia?”

– Robert Green – Daily Laws


Chimpanzés e política

Um capítulo do livro “Estratégia: Uma História”, conta que chimpanzé são seres políticos, quase tanto quanto o ser humano.

Enquanto há abundância de recursos, não há muitos problemas. Mas, quando há escassez de alimentos, assimetria de recursos naturais ou disputa por fêmeas, há conflitos.

Há sempre um cálculo de risco de ataque x ganho da recompensa.

Um chimpanzé sozinho, por mais forte que seja, consegue vencer apenas um ou dois chimpanzés. Não se compara à força de um bando de dezenas de indivíduos. O chimpanzé que consegue liderar os outros é o que vai triunfar.

O comportamento do líder político é similar ao de sua contraparte humana, que segura e beija bebês no meio da multidão. Este deve agradar seus aliados, apaziguar partes conflituosas e coordenar ações.

Alguns links.

https://en.wikipedia.org/wiki/Moriori_genocide

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Armas, Germes e Aço https://amzn.to/3fA2Vje

Estratégia: Uma História https://amzn.to/3fr3njX

Algumas boas ofertas do Amazon Book Friday

O Amazon Book Friday 2022 vai do dia 18/08 ao dia 22/08, com ofertas em livros diversos.

Seguem algumas recomendações.

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Por fim, Storytelling com dados, de Cole Knaflic


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Todos os livros acima são excelentes, e já comentei de boa parte deles neste espaço.

Boa leitura!

Veja também:

Winston Churchill, o homem que mudou o mundo 

Adolf Hitler quase venceu a Segunda Guerra Mundial. Em 1940, a Alemanha tinha invadido a Polônia, Bélgica, Holanda. A França tinha caído, e as tropas inglesas que haviam ajudado na defesa estavam evacuando em Dunkirk (tem até um filme a respeito). 

Os EUA não tinham entrado na guerra. A Rússia tinha um pacto de não-agressão com a Alemanha. A Itália era aliada da Alemanha.  

A única oposição real ao poderio alemão era a Inglaterra. Um homem, Winston Churchill, se opôs ferrenhamente a Hitler, e levou a nação-ilha a resistir, até a situação mudar. 

Era o homem certo no momento certo no lugar certo. 

Ele entendeu, desde sempre, que era inútil negociar com Hitler. Ele também entendeu que deveria modernizar o exército, com tanques e aviões. Por tudo isso, foi taxado de extremista, nacionalista, beligerante.  

Churchill tinha um vasto conhecimento e imaginação. E habilidade para criar a partir de seu conhecimento. Ele era tão letrado que podia citar Lord Byron e Shakespeare de cabeça. Estudava história, tinha paixão. 

Churchill usava palavras como bombas. Incendiava a paixão do povo britânico, através de discursos como o “The finest hour” e o “sangue, suor e lágrimas”. 

Também teve os seus erros, como subestimar o Japão, ou confiar demasiadamente em Stalin, por exemplo. 

Como Churchill mudou o mundo e o que podemos aprender com ele? 

O começo

O jovem Winston sempre achou que estava destinado à grandeza. Modéstia não era parte de sua característica. Impaciência para alcançar a grandeza. Tinha certeza de que a fortuna estava com ele. 

Escreveu 5 livros ainda na faixa dos 20 anos, participou da guerra dos Boers, e protagonizou uma fuga épica nesta, tornando-o famoso. 

Falhou duas vezes no vestibular, porque seu interesse maior era em inglês e história, não em matérias como latim. Entrou na terceira tentativa, mas seu pai o considerava uma pessoa de pouco valor. 

Veio de uma família aristocrata, de duques britânicos. 

Buscou abertamente riscos que o pudessem colocar na rota da grandeza esperada. 

Fazia treinamento exaustivo de seus discursos. Decorava o discurso todo, podia recitar de trás para frente. Além disso, devorava um estante de livros para escrever artigos e discursos. 

“Estude história, estude história. Na história, jaz todos os segredos da política de estado.” 

“Política é tão excitante quanto a guerra. Porém, na guerra, você só pode morrer uma vez, na política, várias vezes.” 

Ao invés de esperar por sua vez no congresso, desde o começo atacava oponentes mais poderosos como Neville Chamberlain, um político da época. 

Brilhante, com 30 e poucos anos já era parlamentar em ascensão. Ele ia para onde poderia ter oportunidades de agir. 

Como Almirante da Marinha 

Churchill se tornou almirante da marinha, com 36 anos. Missão de modernizar marinha britânica, ante a evolução da marinha alemã. 

Deu dois passos ousados, antevendo o futuro. Navios mais rápidos a óleo ao invés de carvão, e armamentos maiores. 

Porém, havia um risco. A Inglaterra não tinha acesso confiável a petróleo, para os navios a óleo. Isso foi resolvido com aumento da participação na companhia Anglo Persa de petróleo, que hoje é a British Petroleum, BP. 

O segundo problema, era que o armamento de 50 polegadas não existia, era inovador demais. Se fosse esperar todo o ciclo de testes, isso significaria dois anos a mais de atraso. A solução foi crer que funcionaria, e projetar os navios já com o novo armamento. 

Ele pensava grande e ousava, quando a maioria não o faria. 

Para tal, também tinha que se livrar dos oficiais incompetentes e ficar com os mais competentes. 

Influência do almirante Fisher: “Ataque primeiro, ataque pesado, continue atacando. Sem piedade, implacável, sem remorso. Se você odeia, odeie; se você luta, lute.” 

Outra inovação arriscada, à época (cerca de 1915), também era utilização de aviões (só para comparação, o famoso voo de Santos Dumont foi em 1906). Churchill estava sempre à frente da curva.

 

Primeira grande guerra

Diante de indecisão dos políticos, assumiu a frente. Tinha juventude, energia e experiência militar. 

A marinha, armada anteriormente, estava pronta e ajudou a vencer a guerra. 

Ocorreu um erro de seu mentor, Fisher, ao atacar o estreito de Dardanelos, ao buscar vitórias fáceis que não mudam o jogo. A Inglaterra não foi bem sucedida em Dardanelos, e o erro caiu na conta de Churchill. 

Após uma ascensão meteórica, agora ele caia. 

O custo político foi abdicar da posição de almirante, e foi enviado a ocupar um cargo menor, burocrático. Em poucos meses, abdicou do cargo. Não queria uma aposentadoria remunerada de pouca importância. 

Voltou ao exército, e foi à guerra, como major. Churchill foi ridicularizado, como alguém que tinha sido chefe da Marinha poderia se rebaixar a oficial subalterno? 

Esse episódio mostra que Churchill tinha a pele no jogo. Gostava de liderar não só com palavras, mas com o exemplo. 

Outro exemplo de visão. Ele defendeu tanques, outra inovação, para se contrapor aos alemães, que estavam se armando. Na época, a infantaria ainda usava cavalos. 

Novas oportunidades 

Churchill esperou pacientemente por uma posição. 

Nesse meio tempo, ele voltou a escrever. 

Ele escreveu um livro sobre a Primeira Guerra Mundial, incorporando muito de sua visão e experiência. Ele, que gostava tanto dos livros de história, agora estava escrevendo história. 

Nota: Churchill tinha tanta capacidade narrativa que ganhou prêmio Nobel em 1953. 

E o lado escritor ajudou a carreira política. Churchill assumiu como chanceler, e uma das grandes decisões da época foi a volta ao padrão ouro. 

Era uma época de trauma da primeira guerra. Pacifismo e desarmamento estavam na mente das pessoas.  

Em contrapartida, Churchill queria se armar, ante ameaças crescente de Hitler e Stalin. 

Perante a opinião pública, Hitler projetava imagem de pacifista moderado, amante da paz, que só queria se proteger e apenas reivindicava o que era de direito. Um pensamento da época era que a Alemanha, tão maltratada depois da primeira guerra, agora para compensar poderia se armar. 

Nessa época, outra inovação era o avião Spitfire, moderno, para fazer frente à Força Aérea alemã. Episódio curioso é que houve uma campanha de doações, chegando à casa de 500 milhões dólares (atuais) para salvar o projeto. Este avião foi imprescindível na Segunda Guerra. 

O avanço de Hitler e a Segunda Guerra 

A Alemanha de Hitler avançou sobre a Áustria, e depois ameaçava a Tchecolosváquia. 

Nessa época, o primeiro-ministro britânico da época, Neville Chamberlain, encontrou Hitler três vezes, para discutir a paz. 

Hitler queria os sudetos tchecos, e tinha como justificativa proteger os alemães da região e voltar à fronteira pré-Primeira Guerra. 

Chamberlain e Hitler chegaram a um acordo, cedendo os sudetos. Chamberlain voltou à Inglaterra saudando a paz, e convicto de que Hitler pararia por aí. Mas foi um total desastre. 

Hitler anexou os sudetos, e meses depois, a Tchecolosváquia toda. Depois, partiu para a Polônia. 

Com a Rússia, a Alemanha assinou um pacto de não agressão, essencialmente partilhando a Polônia. 

Churchill, que sempre fora crítico à política de apaziguamento de Chamberlain e de outros políticos da época, estava certo.  

A agressão alemã continuou: Finlândia, Bélgica, e isso derrubou Chamberlain. Churchill assumiu, como Primeiro-Ministro inglês, aos 65 anos. 

Após a queda da linha Maginot e da França, ele sabia que seria o próximo alvo. Liderou as preparações, como concentrar os spitfires. 

Os ingleses refutaram os alemães, após resistir aos bombadeios, na famosa “Battle of Britain”. 

Após a tentativa frustrada de conquistar a Inglaterra, Churchill sabia que Hitler compensaria indo para leste. Conhecia o inimigo. 

Joseph Stalin não era confiável. Mas como inimigo dos alemães, faria exatamente o necessário, tinha objetivos alinhados. 

A ameaça de invasão passou, mas daí em diante, começou o cerco. Submarinos, navios patrulhando as fronteiras da Inglaterra. O quanto uma ilha pode sobreviver? 

A maré virou com a entrada dos EUA na guerra, após os ataques japoneses a Pearl Harbor. 

O presidente americano, Franklin Roosevelt, era como um par de Churchill, alguém com trajetória e pensamentos semelhantes. 

Agora, o grande império britânico tinha ficado pequeno com o esforço de guerra, e com a Rússia e os EUA no jogo. Churchill sabia que seu ápice tinha passado, seu grande desafio tinha sido nos anos anteriores: segurar Hitler sozinho e trazer aliados para a guerra. 

Era uma questão de tempo até os Aliados vencerem o Eixo. 

Pós Segunda Guerra 

Stalin foi um dos grandes vencedores da Segunda Guerra: Rússia ocupando leste europeu e quebrando acordos. Uma reflexão era que Hitler tinha caído, porém Stalin estava mais forte do que nunca. O mundo tinha trocado um ditador por outro. 

Após a guerra na Europa, a Inglaterra tinha dificuldades de manter a marinha. Estavam exaustos. Numa geração, duas guerras mundiais. O cidadão comum queria comida na mesa, não combater o restante da guerra no oceano Pacífico. 

Como reflexo, o partido de Churchill perdeu as eleições após a guerra. 

O primeiro-ministro seguinte foi o oposto a Churchill. Alguém sem grande destaque, nada de liderança forte. Povo queria sossego, não entrar na história. 

Fora do governo, aos 70 anos, Churchill voltou a ser escritor. Escreveu a História da Segunda Guerra. Novamente, sendo um dos protagonistas, escrevendo e participando da história. 

Após a guerra e com liderança do Partido Trabalhista inglês, não houve êxito na Inglaterra ao implantar o estado de bem-estar social. Em 1947, houve racionamento de comida e de energia. Cotas de carvão, comida, fábricas fechando, cotas de roupa. Até o sabão em falta. 

Algumas causas de problemas: empréstimos e gastos demais. 

Isso levou Churchill a pronunciar, famosamente, “O capitalismo concentra riquezas, socialismo reparte misérias”. 

Tal situação levou Churchill de volta ao cargo de Primeiro-Ministro, em 1951, ficando mais seis anos, até se licenciar por problemas de saúde. 

Conclusões

Se Churchill nunca tivesse existido, talvez a Inglaterra não estaria preparada para encarar Hitler. Talvez tivesse feito um tratado de paz em 1940, dando tempo e recursos para a Alemanha consolidar os territórios conquistados na Europa e marchar para leste sem a preocupação de dividir o seu exército. Os EUA não teriam entrado na guerra, ou entrariam muitos anos depois. O mapa geográfico da Europa seria outro, e talvez o Terceiro Reich existisse até hoje… 

Churchill atingiu seu ápice ao encarar Hitler, praticamente sozinho, e manejar a situação até conseguir virar o jogo. 

Sir Winston Churchill morreu em 24 de janeiro de 1965, aos 90 anos. 

O que a história de Churchill pode nos ensinar? Algumas pequenas reflexões. 

– Estudar muito. Ter um background literário e histórico imenso ajudou Churchill a escrever discursos, entender os inimigos e estratégias. 

– Manter a posição que acredita, de forma coerente. A maré vira a favor e contra, e houve tempos em que Churchill estava em baixa (era taxado de retrógrado, armamentista, beligerante). Porém, no final ele estava certo, e se destacou por isso. 

– Coragem para ousar e buscar riscos. Inovações como navio a óleo, o avião spitfire e tanques, valiosos tanto na Primeira quanto na Segunda Guerra, demorariam anos a mais não fosse a visão e coragem de Churchill. 

– Aliados. Grande parte do sucesso de Churchill dependeu de alianças. Ele não poupou esforços ao voar para a Rússia de Stálin e os EUA de Roosevelt, para costurar alianças, e isso, com quase 70 anos! 

– Não ter vergonha de dar passos para trás. Churchill preferiu abandonar um cargo burocrático e sem importância para assumir um cargo menor na marinha, sendo ridicularizado por muitos. O conhecimento de campo e a pele no jogo mostraram-se de enorme valia no futuro. No final das contas, Churchill mudou o mundo, os que o ridicularizaram, não. 

Por fim, uma última mensagem de Winston Churchill: “Nunca, nunca, nunca desista”. 

Este conteúdo é um resumo baseado em “How Winston Churchill changed the world”, da série “The Great Courses”, além de outras fontes. 


Veja também: 

Churchill, o destino de uma nação: https://amzn.to/3aWCZHw 

O filme Dunkirk é sobre o resgate dos soldados britânicos na França. https://amzn.to/3eg4eia 

The Gathering Storm, filme sobre Churchill na HBO. 

Ray Dalio, por que nações são bem sucedidas e fracassam

É sempre interessante ouvir sobre o que Ray Dalio, bilionário fundador da Bridgewater, tem a dizer. Ainda mais, quando é de graça, como neste podcast, intitulado “Why nations succeed and fail”.

Ele cita vários temas de seu último livro, “Principles for Dealing with the Changing World Order”, como ciclos econômicos, ascensão da China, possibilidade de guerra.

A seguir, highlights em alguns parágrafos.

Pergunta: Por que estudar projeções num futuro tão distante? Normalmente gestores financeiros se preocupam por trimestres ou poucos anos.

Dalio: As principais ocorrências de minha vida foram de coisas que não aconteceram dentro de espaço de tempo de uma vida humana. Porém, são fatos que se repetem de tempos em tempos na história da humanidade: grande depressão, por exemplo. A situação que vivemos atualmente nunca ocorreram antes, no espaço de uma vida: quantidade de criação de débito e consequente impressão de dinheiro; magnitude de conflito interno, decorrente de desigualdades econômicas e problemas políticos; e a ascensão de uma nova potência, a China.
Como gestor, devo ser realista e acurado, mesmo para as coisas ruins.

  • Há vários paralelos dos dias de hoje com a época pré Segunda Guerra Mundial: enorme débito, gaps econômicos, potências em ascensão e outras em decadência.
  • Os vencedores de revoluções, ao invés de redistribuir igualmente o poder, acabam tomando tudo para si. Isso se repete muitas vezes na história
  • Imprimir dinheiro não aumenta a riqueza (aumentar a produtividade, sim), só gera inflação, que acabam com qualquer ganho. Desigualdades econômicas podem se tornar irreconciliáveis.
  • Há 5 tipos de guerra. Comercial, tecnológica, geopolítica, financeira e militar.

  • Enquanto o Ocidente está cada vez mais preocupado com resultados de EBITDA trimestrais de suas empresas, países orientais como o Japão e a China pensam a longo prazo, ao longo de gerações. Um efeito são políticas de curto prazo (como imprimir dinheiro) em detrimento de ações estruturantes como educação, infraestrutura em geral, internet para pessoas carentes, que têm um grande retorno sobre investimento a longo prazo.
  • Dalio expõe 18 indicadores de países, como condições financeiras, conflitos internos e externos, inovação, educação e outros, que servem como um indicador da saúde do país. É uma analogia à saúde de uma pessoa, com indicadores como peso, exame de sangue, etc, e ele utiliza isso para balizar forecasts dos próximos 10 anos.
  • Um conflito interno aumenta a probabilidade de ocorrer conflito externo, pela nação estar mais fraca e vulnerável à ataques externos, e, por outro lado, pelo líder do país em questão querer polarizar o nacionalismo para manter o poder.
  • Taiwan continua sendo uma bomba relógio armada. Rússia e China historicamente se unem quando há inimigos comuns. A Ucrânia é a Taiwan da Rússia.
  • A diferença de poder entre China e EUA vem diminuindo.
  • Todo gestor tem dois portfolios: tudo vai correr bem x pode haver problema grande.
  • Há 30% chance de uma guerra militar com a China nos próximos 10 anos, assim como há 30% chance de ocorrer alguma guerra civil nos EUA.
  • Se coletivamente tivermos a visão clara desses problemas, podemos colaborar, usar nossos recursos, para evitar esses forecasts que se desenham.

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Veja também:

Dr. Strangelove e o erro de cálculo nuclear

O clássico filme “Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb”, de 1964, é uma comédia sem graça, extremamente sem graça, porém genial. Genial como tudo o que Stanley Kubrick fez. É um alerta que continua válido, ainda mais para os dias de hoje, de conflito militar com uma potência detentora de armas nucleares. No Brasil, o título é “Dr. Fantástico”.

Em linhas gerais, o filme conta a história de um general americano (o general Ripper) que ordena, por si só, o lançamento de uma bomba atômica de hidrogênio na União Soviética, através de um bombardeiro B-52 subordinado a ele. O general segue todos os procedimentos para designar a missão, e os códigos para os aviadores armarem a bomba, incluindo cortar comunicações com o mundo externo, exceto se recebessem um código secreto.

Outros oficiais notam o plano, e ordenam o general Ripper a abortar a missão: porém, ele se tranca em seu escritório e comete suicídio para não revelar o código.

Nessa situação, as autoridades máximas dos EUA e URSS se comunicam em suas respectivas salas de guerra, tentando encontrar meios de parar o lançamento da bomba. O Dr. Strangelove é um ex-cientista nazista, agora conselheiro do presidente americano (foi inspirado em pelo menos 4 cientistas da vida real).

No final, há um problema no lançamento da bomba, e o aviador caubói (!!) tenta de todos os jeitos lançar a bomba de hidrogênio na URSS. Será que ele conseguiu? Não vou contar, veja o filme.

Apesar de ser uma sátira, com uma série de piadinhas infames, há uma série de conceitos sérios e imensamente provocadores.

  • Era o auge da Guerra Fria EUA X URSS, com a ameaça de uma guerra nuclear pairando no ar (eita sensação de ‘deva ju’)
  • A doutrina do “MAD”, de “destruição mútua assegurada”, foi cunhada por John Von Neumann, brilhante matemático. Como tanto os EUA quanto a URSS possuem bombas atômicas, um único ataque de qualquer um dos lados causaria retaliação imediata do outro lado, e assim sucessivamente, escalando a guerra até a destruição total de ambas as potências – e do resto do planeta, em consequência
  • Esse balanço de poderes é um dos temas principais da Teoria dos Jogos, ramo de conhecimento que lida com decisões entre dois ou mais jogadores, e teve o próprio Von Neumann como um dos fundadores
  • Uma forma assustadora de quebrar esse equilíbrio é o com “First Strike”. Um primeiro ataque, completamente devastador de um dos lados, de forma a aniquilar o inimigo, nocautear, não deixar pedra sobre pedra. Aliás, essa era a hipótese do General Ripper: dar o primeiro passo e, diante da certeza do lançamento da bomba inicial, obrigar os EUA a fazer um superataque e destruir a URSS

Interlúdio: no espírito das piadinhas sem noção do filme, o First Strike lembra o lema do Cobra Kai, os vilões do Karatê Kid: “Strike first, strike hard, no mercy”!

  • Outro conceito importante é o do “erro de cálculo”. Embora as grandes autoridades de ambos os países tenham consciência da doutrina MAD, pode ser que haja algum erro de cálculo no caminho. Alguém como o General Ripper pode burlar o sistema de forma a lançar a bomba por si só, ou algum outro problema do tipo. Por incrível que pareça, não é uma hipótese tão improvável assim. Quem garante que armas nucleares de dezenas de anos atrás, da extinta URSS, estejam em boas mãos nos dias de hoje? E quem garante que experimentos nucleares na Coréia do Norte de hoje não estão sujeitos a erros de cálculo?

O filme, além de ser um sucesso de crítica e público, teve o efeito de alertar autoridades dos EUA e de outros países, que acabaram reforçando os sistemas de segurança dessas armas capazes de mudar o mundo.

Trivia:

  • Como era usual, Kubrick fez uma pesquisa extremamente detalhada para retratar fidedignamente aeronaves, bombas e procedimentos de segurança
  • A fim de instigar o ator George Scott a fazer cenas engraçadas, Kubrick o enganou. Disse para performar exageradamente, porque seriam só treinos antes da versão final – porém, foram exatamente essas as cenas utilizadas. Scott, enfurecido, prometera nunca mais trabalhar com o diretor
  • Kubrick entrou com processo para atrapalhar um filme rival, Fail Safe, que tinha temáticas semelhantes. Deu certo, Dr. Strangelove foi lançado 9 meses antes de Fail Safe, que não teve muita repercussão
  • Kubrick é o meu cineasta favorito. O extraordinário “2001, Uma Odisseia no Espaço”, é o meu filme favorito de todos os tempos, mesmo tendo assistido dezenas de outras produções modernas, na era da Netflix. Gênio, obssessivo, perfeccionista.

Veja também:

O mundo é não-linear. Erros de cálculo ou alguns poucos eventos súbitos podem mudar o rumo de todo o futuro. Vide dois exemplos abaixo.

Sobre MAD e First Strike:

https://en.wikipedia.org/wiki/Pre-emptive_nuclear_strike#:~:text=First%20strike%20capability%20is%20a,left%20unable%20to%20continue%20war.

https://en.wikipedia.org/wiki/Mutual_assured_destruction

O sistema de Putin

Recomendação de documentário para o fim de semana: O sistema de Putin.

Este documentário, de 2007, mostra a história e ascenção ao poder do temível Vladimir Putin.

Início da carreira:

  • Começou como oficial da KGB, chegando a tenente-coronel
  • Viveu a dissolução da URSS em 1991, para ele, a “maior catástrofe geopolítica do século 20”
  • Passou a exercer cargos públicos a partir de indicação de aliados

Após a dissolução da URSS:

  • Atuou com privatizações e abertura a bancos estrangeiros
  • A Rússia de Bóris Yeltsin tornou-se dominada por oligarcas ricos a partir das privatizações, “a família”
  • Por volta de 1999, quando ficou claro que Bóris Yeltsin não conseguiria mais se reeleger devido à idade e saúde, a “família” estava à procura de alguém inofensivo e jovem, para servir de marionete
  • Putin parecia um bom candidato: era muito eficiente, não tinha tido um cargo alto à KGB, era fiel aos seus superiores… ledo engano

Primeiro-Ministro e Presidente:

  • Yeltsin nomeou Putin primeiro-ministro, após este ajudar a tirar de cena um inimigo político
  • Putin era desconhecido de todos em 1999
  • Um de seus primeiros atos foi culpar a Chechênia por ataques terroristas, e ordenar um ataque ao país
  • Ele utilizou as estatais de energia (petróleo e gás) como arma para financiamento de campanhas e para atacar inimigos
  • A partir de então, utilizou a máquina pública para se eleger presidente e não parou mais
  • Expurgou oligarcas como Bóris Berezovsky (o mesmo da obscura parceria com o Corinthians), mostrando quem mandava de verdade

O documentário é de 2007 apenas, e de lá para cá muita água rolou. Ele essencialmente comanda a Rússia até hoje, alternando entre presidente e primeiro-ministro. É, na prática, o czar da Rússia, assim como Xi Jiping é o imperador da China – o mundo dá voltas, mas a história se repete.

Putin sempre deixou claro o seu objetivo de criar uma grande Rússia. É um sujeito frio, gélido, e extremamente eficaz: promete e cumpre. Ele joga um xadrez político-militar, se preparando pacientemente o momento certo – enquanto o ocidente não está nem perto de ter a mesma capacidade.

Um trecho do documentário diz algo como “o ocidente não conhece Putin. Vai conhecer um dia, e quando isso acontecer, será tarde demais”. Palavras proféticas.

Disponível na Amazon Prime Video.
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Duas ótimas fontes de dados

1)      O site “Our World in Data” é uma das melhores fontes de informação do mundo, sobre dados econômicos.

Our World in Data

Este site também conta com gráficos interativos bem legais, como o seguinte. How much energy do countries consume when we take offshoring into account? – Our World in Data

Outro exemplo, dados de produção agrícola.

Global Food Explorer – Our World in Data

2 –  Um site excelente, sobre a população mundial, é o seguinte.

Population of WORLD 2019 – PopulationPyramid.net

Vejamos o Brasil de 1965. Eram 83 milhões de habitantes, e uma típica pirâmide de idades.

O Brasil atual já não tem mais o formato de pirâmide: menor natalidade, maior expectativa de vida.

Essa tendência é bem mais acentuada em países de primeiro mundo, chegando ao ponto da baixa natalidade representar um problema real para o futuro.

Ficam os links.

https://ourworldindata.org

https://www.populationpyramid.net

“Veni, vidi, vici” – Júlio César

Veja também:

Arábia Saudita – o Poder da Geografia

Minhas notas, capítulo sobre a Arábia Saudita, do livro “O Poder da Geografia”, de Tim Marshall.

O nome do país é composto de duas partes, Arábia e Saudita.

Saud é o nome de uma família, que controlava uma região menor. A região foi vastamente expandida há uma centena de anos. Se o país é o nome de uma família, o que acontece a quem não é da Casa de Saud?

Os Saudis fazem a política, e outro grupo, Wahabis, a religião. Ambos expandiram região de influência, agregandos outros emirados menores. Isso explica a tensão que existe atualmente.

Atualmente, há 34 milhões de pessoas, religião islâmica sunita.

A Arábia Saudita cobre grande parte da península arábica. Não há muito mais do que petróleo e areia. É uma área desértica, que chega a 50 graus na sombra. É o país com a maior extensão do mundo sem um rio. Terras altas a leste, onde ficam cidades mais importantes. Ao sul, montanhas.

Nos anos 1700, a família Saud transformou o berço do estado saudita em um mercado florescente, ganhando força regional.

Fizeram um pacto com o clã Wahab. Saud domina a política, Wahab, a religião.

Para cimentar relações, casamentos.

A aliança foi se expandindo, conquistando outras regiões.

É uma das sociedades mais restritas do mundo moderno.

Perderam controle após invasão dos otomanos, em 1818. O reinado foi destruído, e foi sendo reconstruído até a retomada de Riad, em 1824.

Outra ponto baixo foi em 1890, ao perder o controle de Riad, para família Rashid. Desapareceriam da história, não fosse Abdulaziz bin Abdul Rahman Al Saud. Em 1901, sucedeu o pai, como líder da família Saud. Depois, liderou a reconquista da região e fundou o estado da Arábia Saudita em 1932.

Após a descoberta de óleo, acordos com britânicos garantiram a posição dos Saud.

Ele também arranjou casamentos com representante de todos emirados, da onde nasceram centenas de filhos, e uma rede de familiares que domina a região até hoje.

Na época da Segunda Guerra, os sauditas fizeram um acordo com os EUA. Os EUA teriam acesso ao petróleo, e a Arábia Saudita teria apoio americano para garantir as fronteiras.

Após uma rebelião com a tomada de um mosteiro em 1979, houve um encrudescimento em ativismo religioso. Aumento da participação da religião, wahabismo reforçado, mulheres com menor participação na vida social.

O petróleo financia um enorme estado de bem estar social. O óleo fundamenta as relações modernas da Arábia Saudita.

Há uma preocupação enorme no que fazer após o petróleo.

Alguns projetos incluem uma cidade autônoma, para 2030. Diversificação de investimentos: investem em startups, como a Tesla.

O maior consumo de energia é com ar condicionado. Estimativa de ser responsável por 70 por cento da energia.

Estimativa de 4/5 de uso da água, que deve acabamos em 2030. Óleo subsidia, mas sem água não tem como. Plantas de dessalinização precisam de muita energia. O fundo soberano está comprando áreas em outros países.

Como investir equilibrando os polpudos subsídios de hoje?

O que será da Arabia saudita quando acabar o petróleo?

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O Poder da Geografia – Irã

Minhas notas do capítulo sobre o Irã, do livro “O Poder da Geografia”, de Tim Marshall.

Na história, o Irã sempre foi conhecido como Pérsia, mas foi renomeada em 1935 para tentar representar minorias não persas.

Formado por áreas montanhosas e desérticas.

Persas são a maioria da população, mas há curdos, azerbaijãos, armênios, árabes e outras minorias.

Tendência a ter governo central forte para reprimir esses vários grupos.

Sobre área desértica, outra característica é a falta de água. Há apenas um rio navegável.

O Irã possui a quarta reserva de óleo do mundo. Porém, os equipamentos existentes são extremamente ineficientes, com a dificuldade adicional de existirem sanções internacionais ao país.

A energia, petróleo, é a principal produto de exportação.

O Irã atual é cheio de problemas, mas a sua história é gloriosa. A Pérsia era uma nação líder em tempos antigos.

O primeiro império persa envolveu figuras como Ciro, Dário e Xerxes, que provocaram guerras com a Grécia.

Depois disso, houve uma série de invasores, alternando impérios persas. Alexandre, o Grande. Roma. Mongóis de Gênghis Khan. Tamerlão. Turcos otomanos. Russos. Britânicos.

Após a descoberta de óleo, na Primeira Guerra, os britânicos se asseguraram de que teriam preferência para exploração, o que levou a várias trocas de poder no local – e foi essa a época da troca do nome para Irã.

Depois da Segunda Guerra, russos e britânicos exploraram a região, assegurando o óleo.

Na época da Guerra Fria, os EUA e britânicos ajudaram uma das facções iranianas a chegar ao poder, temendo que este se tornasse um país comunista.

Na revolução que ocorreu em 1979, o Aiatolá Khomeini chegou ao poder, perseguindo adversários, minorias, tolhendo liberdades.

Após a revolução, os EUA deram preferência ao Iraque, criando um estado xiita à leste do Irã (que é sunita).

A guerra Irã-Iraque, nos anos 80, durou 8 anos, 1 milhão de mortes e terminou sem alterar nada.

Após a morte de Khomeini, os sucessores continuaram a governar com mão de ferro.

Mais atualmente, o presidente Mahmoud Ahmadinejad continuou turbulência política. Aumento de isolamento e piora econômica.

Nos últimos 40 anos, também é relevante citar o desprezo a judeus e a Israel.

Atualmente, a economia continua afundando, com inflação e desemprego em alta.

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O Poder da Geografia – Austrália

Para os amigos que se interessam por Geografia e História, uma recomendação: “O Poder da Geografia”, de Tim Marshall, um dos maiores especialistas do mundo sobre o tema.

Neste livro, ele aborda a Austrália, Sahel, Grécia, Turquia, UK, Irã, Etiópia, Arábia Saudita, Espanha e o Espaço.

Segue um pequeno resumo sobre a Austrália.

A Austrália foi de lugar nenhum para ponto estratégico na história.

Perto da China, acesso aos EUA e ao Oceano Pacífico.

De ilha de prisioneiros a nação de primeiro mundo, multicultural.

Área desértica ocupa mais de 70 por cento da ilha. Todos os rios juntos tem vazão menor que Yang Tsé, por exemplo.

Sobre ondas de imigração. A primeira carga de prisioneiros chegou em 1788. Muitos brancos britânicos, depois aceitação maior de outros habitantes. A corrida do ouro ajudou a aumentar a imigração. Hoje, aumento da participação de asiáticos, como chineses, até pela proximidade.

A Austrália está sofrendo com mudanças climáticas. Seca, propensão a incêndios florestais, como um que ocorreu em 2009, piorando a poluição do ar.

Para piorar o impacto ambiental, a tendência é ir de 25 para 40 milhões de habitantes no futuro.

Sobre energia. Por ser muito plano, não há potência hídrica. Mas há abundância de carvão, que é uma indústria importante. Porém, isso agrava problemas climáticos.

Há diversos grupos de aborígenes. Desde as primeiras colônias, houve aniquilação de aborígenes, que mal eram considerados humanos, luta que continua até hoje.

A Austrália sempre se aliou a potências. UK. EUA. Agora, ascensão da China. Estudantes chineses na Austrália, são mais de 30 por cento do total. 1/3 das exportações são para a China. O futuro da Austrália pode ser cada vez mais chinês.

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Pirâmide demográfica

Um dos sites mais interessantes que conheço é o Population Pyramid, sobre demografia mundial:

Population of WORLD 2019 – PopulationPyramid.net

Seguem alguns dos gráficos.

A superpopulosa China está envelhecendo, em parte devido à política do filho único iniciada 40 anos atrás (observe o “dente” na faixa dos 40 anos do gráfico).

O pico populacional será por volta de 2030, com aproximadamente 1,5 bilhão de pessoas.

A Índia, outro gigante mundial, ainda tem a pirâmide populacional parecendo levemente uma pirâmide, mas o número de filhos vem diminuindo. O pico ocorrerá por volta de 2055, com 1,6 bi de habitantes! Ou seja, a Índia será mais populosa do que a China, em futuro próximo.

E o Brasil?

Pelo gráfico, vem envelhecendo, aos poucos. Vai manter por bastante tempo em torno de 200 milhões de habitantes.

Os EUA têm um perfil esbelto, e vai continuar crescendo segundo as projeções.

A África tem o gráfico parecido com um pirâmide. Populações com menor desenvolvimento econômico apresentam perfil semelhante.

Já a Europa, envelhecida:

O site também permite voltar para o passado e ir para o futuro. Vejamos o BR. Nota-se claramente o efeito de envelhecimento da população.

Muito estranho é o caso de países asiáticos, como o Japão, onde as pessoas estão tendo menos filhos do que o número mínimo de reposição. Ou seja, a tendência é de envelhecimento e diminuição da população!

No Japão de hoje, já existem situações de escolas vazias por falta de alunos.

O mesmo ocorre com a Coreia do Sul, envelhecendo e decrescendo populacionalmente.

O grande Peter Drucker dizia que demografia o futuro que já aconteceu, é como uma bomba-relógio!

Quase todo o mundo desenvolvido terá que conviver com populações envelhecidas e poucos filhos.

E, por fim, o mundo como um todo deve continuar crescendo continuamente, até estabilizar perto de 10 bilhões de pessoas em 2100!