O purgatório das provas de conceito

Provas de conceito são pequenos testes, que fazemos para testar uma nova tecnologia, ou um novo sistema. É como um aperitivo, uma pequena amostra, sem compromisso para necessariamente escalar e se transformar na solução principal da empresa. Exemplos diversos, válidos segundo o setor de atuação, mas para citar alguns: sensor de Internet das Coisas para monitorar umidade do solo; tecnologia de transmissão de dados via “rede mesh”; tecnologia de portal RFID (tecnologia consolidada, a dúvida era se o sinal era captado dentro de uma bobina de papel de 2 toneladas), etc.

Nos últimos anos, com o fortalecimento de setores de inovação nas empresas privadas, e também com incentivos governamentais, em geral ficou muito fácil realizar provas de conceito – pelo menos para as grandes empresas, que têm orçamento para bancar.

Mas da Prova de Conceito (doravante POC) para a realidade, ainda tem um gap enorme.

75% das provas de conceito industriais de inovação falham – estimativa baseada em conversa com pares do setor.

Alguns motivos:

– Falta de escala

– Falta de oportunidade de alavancagem

– Falta de perenidade da solução

– Foco das empresas em retornos de curto prazo

Este é o “purgatório das POCs”.

O “Purgatório das POCs”

Uma coisa é uma startup fazer um protótipo de um sensor, com peças impressas numa impressora 3D e componentes eletrônicos vindo da China. Outra coisa é produzir em escala, digamos 500 mil sensores com qualidade industrial.

Para tal, a startup necessita de alavancagem – uma quantidade de financiamento de entidades que realmente acreditam na ideia. Para aquelas que sem dúvida são promissoras, não há muito problema, porém, para aquelas que podem ser promissoras mas não é tão evidente, é muito mais complicado.

A perenidade é outra barreira. É muito legal e muito simples vender algo novo, porém, à medida que o tempo passa, o custo de manutenção da solução é capaz de se tornar proibitivo, se o trabalho não estiver muito bem embasado. Esse custo, quase oculto em termos de mão de obra despendida e manutenção, não é sexy, não vai causar frisson no ppt – é apenas custo, e por isso, é tão impactante.

Todas as empresas buscam fechar as contas com lucro. Para nenhuma delas, o objetivo é promover inovação a qualquer custo. As soluções existentes, com processos existentes, funcionam, de forma que é o desafiante que deve provar o seu valor, lutar uma luta ladeira acima.

Dificilmente uma POC sozinha vai se pagar, se não for olhada como um programa.

Algumas soluções discutidas, para sair do purgatório das POCs:

– Capacitar gestores e analistas em tecnologias da indústria 4.0

– Formar talentos, a fim de que gestores e analistas consigam enxergar aplicações além das imediatas

– Não fazer POCs apenas por hype, mas quando há oportunidade real de gerar valor

– Ter dedicação de pessoas ao tema

– Ficar atento a programas de incentivo à inovação e parcerias com universidades

O impacto virá em temas tão diversos quanto:

– Economia circular

– Transformação digital

– Biotech / Bioeconomia

– Digital Health

– Transição para energia limpa

Vamos trabalhar nos tópicos citados, e torcer para um futuro mais produtivo e sustentável!

Veja também:

Aprenda a usar o método de Monte Carlo para estimar o valor de Pi

O método de Monte Carlo foi criado por Stanislaw Ulam e John Von Neumann, no esforço de criar a bomba de Hidrogênio, na época da Segunda Guerra.

Consiste em fazer amostras aleatórias do que queremos simular, segundo propriedades e restrições desejadas, e mensurar os resultados. Surgiu numa época em que os computadores também estavam sendo inventados, o que foi uma boa combinação: computadores são excelentes em tarefas simples e repetitivas, como esse tipo de simulação.

Vamos fazer um pequeno exercício, no Excel.

Imagine um círculo de raio 1, que tem área pi*r^2. Este círculo, inscrito num quadrado de lado 2 (área 4).

A razão entre a área do círculo e a área do quadrado é de pi/4 = 0,78539…

Se eu “disparar” um número de tiros aleatórios neste alvo, e contar quantos pontos ficaram dentro do círculo versus o total de pontos, a proporção tem que ir convergindo para a fórmula calculada. Assim, com um número infinito de tiros, consigo estimar o valor de Pi.

Computacionalmente é fácil fazer a conta. Basta um gerador de número aleatórios.

No Excel, a função “=ALEATÓRIO()” dá um valor entre 0 e 1. Quero um valor entre -1 e 1, então faço apenas uma continha para reparametrizar o resultado: “=2*(ALEATÓRIO ()-0,5)”.

Sorteio os valores x e y, utilizando a fórmula acima.

A seguir, calcular se x e y são menores do que 1 ou não.

A fórmula do círculo é x^2 + y^2 = 1; se x^2 + y^2 for menor que 1, está dentro do círculo, senão, está fora.

=SE(RAIZ(B4^2+C4^2<=1);”Sim”;”Não”)

Conto quantos pontos ficaram dentro e quantos ficaram fora, e vejo a proporção.

Quanto maior o número de amostras, mais próximo de pi/4  = 0,78539 devo chegar.

Para o exemplo abaixo, a estimativa é de 3,153.. (valor real Pi = 3,14159…)

Teclando F9, o Excel sorteia novamente os números aleatórios, dando outro cenário de resultados.

Vide arquivo no drive MonteCarlo_pi.xlsx.

O Método de Monte Carlo e derivados tem aplicações práticas extremamente valiosas para a indústria, nos dias de hoje. Simulação de eventos discretos, em geral, ajudam a dimensionar o número ótimo de atendentes de um help desk, o tamanho de pátios de armazenagem, número de empilhadeiras de um armazém, e assim sucessivamente.

Lição de casa.

Ao invés de um círculo, aplicar o mesmo método para um losango.

Siga o template em anexo.

Dica: para um losango como o mostrado, abs(x) + abs(y) <=1.

Veja também:

O Clube de Troca de Livros

Ganhei, do meu bom amigo @Igor Queiroz, essa fantástica edição comentada das Meditações, do imperador romano Marcus Aurelius.

Mais do que o conteúdo, queria destacar uma boa prática: só esse ano, já presenteei e/ou recebi 11 livros. Faço questão de ler e comentar todos, já que foram cuidadosamente escolhidos por pessoas tão estimadas.

Ação: comece agora o seu próprio clube do livro. E provoque discussões sobre o conteúdo. Todo mundo sai ganhando.

Os 5 desafios das equipes – Resumo

“A maior vantagem competitiva é o trabalho em equipe” – Patrick Lencioni.

Os 5 desafios das equipes é um livro curto, escrito em linguagem simples, que fornece um modelo para a montagem de um time de alto desempenho.

Escrito na forma de uma fábula corporativa. Um time altamente qualificado tecnicamente e bem intencionado de forma individual, mas que não consegue funcionar como um time. A nova CEO assume a empresa, e passa a trabalhar os pontos de melhoria para a equipe.

Quais são os 5 desafios?

1 – Confiança. Na base da pirâmide, confiança mútua entre membros da equipe. Ninguém quer abrir seus erros e fraquezas aos outros, de forma que não existe base de confiança.

2 – Medo de conflitos positivos. Sem o item anterior, confiança mútua, não há conflitos positivos. Evitar conflitos abertos vai fazer com que problemas sejam ignorados ou empurrados com a barriga, e que surjam comentários pelas costas.

3 – Falta de comprometimento. Pelos membros não discutirem, não se sentirão ouvidos, e daí também não haverá real comprometimento, já que eles não concordam/ não se sentem envolvidos.

4 – Evitar responsabilizar os outros. Por não haver os itens acima, mesmo os membros mais comprometidos evitam chamar a atenção de colegas em relação à atitudes contraproducentes.

5 – Falta de atenção aos resultados. Não cumprir os itens acima torna propício um ambiente em que o funcionário coloca desejos pessoais (ego, posição, destaque dentro e fora da empresa) acima das necessidades da equipe e do time.

É interessante colocar na abordagem positiva, como uma boa equipe deve ser:
1 – Eles confiam um nos outros
2 – Eles se envolvem em conflitos saudáveis
3 – Eles se comprometem com decisões e planos de ação
4 – Eles chamam a atenção dos colegas quando esses agem contra os planos estabelecidos
5 – Eles têm como foco objetivos coletivos

Na prática, como um líder pode agir?

Sugestões de exercícios para acabar com as disfunções expostas.

1 – Confiança:

  • Exercício de histórias pessoais: número de irmãos, cidade natal, desafios da infância, hobby, primeiro emprego e pior emprego
  • Limites. Tive um gestor que sempre perguntava quais os limites de cada um. Sem saber quais são os limites, fica difícil respeitar
  • Perfis de personalidade, como o teste Myers-Briggs
  • Programa de feedback 360

2 – Conflitos:

  • Mineradores de conflito. Alguém que tenha coragem e capacidade para tocar em temas sensíveis e trabalhar com o time
  • Permissão em tempo real. Lembrar aos participantes que é importante não se retirar de um debate saudável

3 – Comprometimento:

  • Mensagem em massa. Rever as decisões do grupo e decidir em conjunto o que deve ser comunicado ao resto do time
  • Estabelecer prazos e responsáveis para as ações

4 – Chamar a atenção dos outros:

  • Publicar objetivos e padrões
  • Revisão de progresso
  • Princípios: gosto da ideia de ter Princípios claros, algo como Ray Dalio faz

5 – Resultados:

  • Declaração pública de resultados desejados
  • Recompensas com base em resultados

Na fábula do livro, alguns dos funcionários que não se encaixavam saíram ou foram demitidos, outros encontraram o equílibrio em posição que melhor desempenhavam, até que, finalmente, a empresa conseguiu gerar os resultados esperados.

“Se você conseguir colocar todos os funcionários de uma empresa remando na mesma direção, poderá dominar qualquer indústria, em qualquer mercado, em qualquer época”.

Agradeço ao amigo Guilherme Lessio pelo livro.

Link da Amazon: https://amzn.to/3cWc4lt

Veja também:

Produtividade em áudio

Como ler uma centena de livros e artigos por ano? Um método que faço, e sempre recomendo, é utilizando audiolivros. Ou podcasts, ou resumos, ou Ted Talks, há inúmeras opções disponíveis nos dias de hoje.

Algumas dicas / recomendações:

Algo que gosto de fazer é andar pelas ruas da cidade, ouvindo audiolivros. Isso porque alia duas coisas que gosto de fazer: andar em ritmo moderado e ler livros. Andar muito rápido ou correr é ruim nesse sentido, porque o foco passa a ser a parte física, e atrapalha a concentração no conteúdo.

Um bom serviço de audiolivros é o Audible, da Amazon, em inglês, mas há outras boas fontes também.
Link do app: https://amzn.to/3cMOHe6

Qual a velocidade ideal de reprodução? A resposta é que depende da velocidade que nossa mente está girando também. Se estou a mil por hora, dá para aumentar para 2x ou mais. Se é um assunto mais complicado, ou se já estou cansando, melhor diminuir a velocidade de reprodução. Não adianta se enganar, passando o conteúdo rápido demais sem aproveitar nada.

Temas muito complexos, com argumentos longos (digamos, a República de Platão), não ficam bons em áudio. Ou temas que envolvem fórmulas, como matemática e física. Nesses casos, é melhor pegar o livro mesmo, ou o livro + o áudio para dar cadência.

Outros serviços interessantes:

  • Resumo de livros: Blinklist, 12 Minutes, Instalivros e outras. Tem um link abaixo explicando este tema.
  • Plataformas de ensino, como Alura, EDX, Coursera, há várias opções que também contam com aplicativos de celular. Há conteúdos grátis, mas a grande maioria é paga.

A grande maioria dos serviços é em inglês. Ao invés de procurar conteúdo em português, eu acho muito mais válido aprender inglês. Isso é como um passe que desbloqueia o resto do mundo para nós.

É interessante às vezes utilizar recursos como text-to-speech e speech-to-text. É possível ouvir trechos em texto, e também ditar para o computador escrever, como se fosse uma secretária dos tempos antigos.

Por fim, uma última recomendação. Para realmente entender o conteúdo, nada melhor do que ir anotando os pontos principais, fazer um resumo e publicar o mesmo em um blog ou ensinar a alguém, além de testar essas ideias na prática. É o que faço, e muito do que há neste espaço é fruto desta técnica.

Veja também:

Um pouquinho melhor todos os dias

Visualização da semana.

Um pouquinho melhor todos os dias x um pouquinho pior todos os dias.

Para quem quiser baixar o arquivo ppt com a visualização:

Um pouquinho melhor.pptx

Veja também:

Horse sense, procurando um cavalo para montar

Este é um livrinho dos anos 90, dos que mais gosto. Foi escrito por Al Ries e Jack Trout, dois gênios do marketing (também escreveram “As 22 Leis do Marketing” e “Marketing de Guerra”).

A ideia principal é que, além de ter habilidade, devemos também ter oportunidades, um cavalo a montar. Pode ser uma empresa, um sócio, um patrocínio, um cargo governamental. Ninguém consegue triunfar sozinho. Sempre precisamos de aliados.

Donald Trump teve diversos sucessos (e fracassos) em seus empreendimentos. O que ele pouco conta é que veio de família rica, e já no primeiro empreendimento, pegou um cheque de 50 milhões de dólares dos pais.

O melhor jóquei não é necessariamente o mais leve, esperto ou forte. Ele também precisa do melhor cavalo. É necessário aliar habilidade com oportunidades.

Quais as chances de sucesso, de diversos cavalos?

Os autores classificam em três grupos.

1) Estes têm menores chances.

Trabalho duro. 1 para 100
Inteligência. 1 para 75
Educação. 1 para 60
Empresa. 1 para 50

Trabalhar duro por trabalhar vai esgotar o seu tempo e sua força, sem necessariamente mudar alguma coisa de forma significativa. É necessário trabalhar de forma inteligente. Ganhar escala.

2) Chances médias

Criatividade. 1 para 25
Hobby. 1 para 20
Geografia (local onde está). 1 para 15
Visibilidade. 1 para 10

Trabalhos mais criativos e que possibilitem alguma visibilidade são melhores, mas tem outros mais interessantes ainda.

3) Maiores chances.
Produto. 1 para 5
Ideia. 1 para 4
Outra pessoa. 1 para 3
Parceria. 2 para 5
Esposa. 1 para 2
Família. 2 para 3

A seguir, Ries e Trout detalham alguns desses cavalos com mais chance de sucesso. Destaquei apenas dois, para exemplificar.

O cavalo empresa:

  • Seja early bird (que pega a onda de crescimento inicial da empresa)
  • Seja político. Ser um clone (ir de acordo com as normas sociais explícitas e implícitas), encontrar patrocinador e estar na lista do “fast track”.
  • Fazer exposição de trabalhos
  • Be a hero (estar junto a produtos bem-sucedidos e com visibilidade)

O cavalo da Ideia:

  • É algo pioneiro?
  • É corajoso?
  • É óbvio? (se for algo óbvio que poucos tenham feito, é bom)
  • É simples?
  • Está no momento certo?

Portanto, estude muito, trabalhe muito, pratique muito. E procure um bom cavalo para montar.

Infelizmente, o livro está esgotado. Para saber mais, somente procurando sobre comentários na internet.

Veja também:

Veja também, um podcast do Roberto Shiniashiki, falando sobre o Horse Sense.

https://podcasts.google.com/feed/aHR0cHM6Ly9hbmNob3IuZm0vcy9jNGEzZDFjL3BvZGNhc3QvcnNz/episode/MWRjZThiZjAtNmRlMS00YTQ1LTkzY2QtZjc4ZDdiNzI4Nzc4?ep=14

Perguntas certas, Ideias no Ar e Competição

Perguntas certas

Fazer perguntas é a parte essencial de qualquer melhoria. Primeiro, perguntas mais gerais, e ir testando respostas. Depois, afunilar para perguntas cada vez mais específicas e precisas.

Em geral, quanto mais técnica é a pessoa, mais ela vai precisar de uma pergunta bastante específica: “teste quanto a propriedade x do produto varia se a entrada estiver num range entre a e b”.

São raras as pessoas que conseguem fazer as perguntas corretas e guiar o time técnico para dar as respostas necessárias.

Como dizia Pablo Picasso: “Computadores são inúteis. Só dão respostas”.

Ideas are in the air

Uma grande ideia, um resultado expressivo no conhecimento humano, nunca vem sozinho. É preciso toda uma evolução global de pensamento, para permitir esses pequenos saltos na fronteira do que existe: essa é a teoria do Possível Adjacente.

As ideias estão no ar, e se não fosse um cientista a fazer a descoberta, outro a faria, cedo ou tarde. Basta ver que há uma enorme quantidade de inovações que tiveram pelo menos duas pessoas perseguindo, em paralelo:

  • Darwin x Wallace: Darwin entrou para a história com a Teoria da Evolução, mas Alfred Wallace quase vence a corrida. Ele tinha desenvolvido uma teoria similar. Wallace foi cavalheiro, ao saber da teoria de Darwin: o procurou e ambos publicaram seus trabalhos concorrentes praticamente juntos. Darwin entrou para a história, e ninguém conhece Wallace, hoje em dia.
  • Einstein x Hilbert: a Teoria da Relatividade Geral, de Einstein, teve a concorrência de David Hilbert, um dos matemáticos mais brilhantes do século passado. Fosse um problema puramente matemático (e não físico), Hilbert venceria com certeza, pois era um matemático de ponta.
  • Watson x Pauling: na corrida para desvendar a estrutura do DNA, quem venceu foi James Watson (e com controvérsias, como ter tido acesso não autorizado às fotografias de Rosalin Franklin). Havia outro gigante atrás do prêmio: Linus Pauling, vencedor de dois prêmios Nobel. Talvez não fosse esse “atalho” citado, não teríamos os livros de ciência citando Watson & Crick, atualmente.
  • Santos Dumont x Irmãos Wright: essa é uma polêmica conhecida. Os americanos e parte do mundo dizem que os Wright inventaram o avião. Brasil e França, que foi Santos Dumont. Na verdade, centenas de engenheiros anônimos do mundo todo ajudaram a aperfeiçoar o avião, peça a peça, de modo que a “inovação estava no ar”, o avião era a bola da vez.

Idem para eletricidade (Edison x WestingHouse), automóveis (Ford x GM), e assim sucessivamente.

Trilha sonora: John Paul Young – Love Is In The Air
https://www.youtube.com/watch?v=NNC0kIzM1Fo

Competição entre cadeias

Will Durant disse, em seu livro “Lições da História”, que a natureza é competição. Existe cooperação entre grupos, só que a finalidade é que o grupo se sobresaia sobre outros.

Concorrência entre os indivíduos. Então foi ampliado, entre famílias. Depois foi ampliado, entre as comunidades. E assim por diante: concorrência entre empresas, entre cadeias de suprimento.

Nessa linha, é interessante notar que diversos grupos humanos têm “moeda” diferente, mas continua havendo a competição.
Nos negócios, a moeda é dinheiro. No meio acadêmico, reconhecimento e fama. No meio político, poder. Numa guerra, força bruta. Para indivíduos numa empresa, cargos e orçamento.

Um professor e aluno não concorrem, pela diferença de idade. É mais provável que se aliem, como um grupo maior, e que a concorrência seja individualmente entre professores da mesma área, alunos, e como grupo.

Veja também:

Como tornar o seu produto mais valioso através da escassez e da curadoria

Um fenômeno curioso e nada intuitivo aconteceu comigo, nos últimos meses, e isso pode ser utilizado como alavanca para melhorar os seus produtos ou serviços.

Como eu já divulguei diversas vezes neste espaço (vide aqui e aqui), sou usuário frequente de serviços de resumo de livros, ou microlivros. São áudios de cerca de 12 a 20 minutos, sobre diversos assuntos, geralmente não-ficção. São boas introduções a assuntos relacionados à negócios, economia, produtividade e temas correlatos.

Dois serviços que mais gosto são o 12 min e o Blinklist.

Ambos podem ser encontrados como aplicativos de celular, e são em inglês (é a língua universal dos dias de hoje, quem quiser dar saltos evolutivos deve necessariamente dominar inglês).

Tanto o 12 min quanto o Blinklist fornecem uma amostra de seus serviços, através de 1 único áudio resumo liberado por dia.

Se você tiver disciplina suficiente, pode ler mais de 300 resumos por ano, de graça e de forma legal.

Pois bem, o fenômeno curioso citado no começo do texto foi que:


1) Eu comprei a assinatura vitalícia do 12 min, numa promoção,
2) Passei a ter acesso a todo o conteúdo do 12 min e,
3) Paradoxalmente, eu passei a usar mais o concorrente, o Blinklist.

Uma explicação é a escassez. Imagine que tenho pouco tempo por dia, 30 a 40 min, disponível para a atividade de ouvir resumos. Como o Blinklist libera apenas um áudio free, e ele expira no final do dia, eu sempre prefiro começar por este, ao invés de começar com o 12 min – já que o acesso é ilimitado e posso ouvir depois.

Porém, o problema é que o passo acima se repete todos os dias. Contabilizando, utilizo mais o Blinklist do que o 12 min, numa proporção de 3 para 2.

A Escassez é um dos seis fatores de influência, de Robert Cialdini (vide aqui).

Outro fator é a curadoria. Os áudios liberados pelo Blinklist são muito bons. Há variedade nos temas e pouca repetição de títulos liberados de graça. A excelente curadoria do Blinklist faz, como o próprio termo indica, a gente se sentir cuidado. Este espaço também procura liberar conteúdo de qualidade, bem curado e que agregue valor ao leitor.

Paradoxalmente também, o serviço prestado pela Blinklist é melhor assim, na versão gratuita, do que na versão paga – vai que eu gasto dinheiro, acabo com a escassez e deixo de usar?

Conclusões e recomendações:

  • Resumos de livros são excelentes, é uma bom hábito ler (ouvir) um por dia,
  • A Escassez de um produto de qualidade tem um poder imenso,
  • A boa Curadoria faz toda a diferença.

Veja também:

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/

As 10 regras de ouro de Sam Walton

O que o fundador do Walmart tem a nos ensinar?

Fiz um infográfico, para ilustrar, e também coloquei no formato de planilha bizurada.

Planilha bizurada:

Link para download:  
https://1drv.ms/x/s!Aumr1P3FaK7jn2qhEBa5Cl6JJaCT

Veja também:

Kaizen e a arte do pensamento criativo de Shigeo Shingo

Uma das minhas maiores inspirações, em 15 anos de trabalho em engenharia industrial, é Shigeo Shingo, do Sistema Toyota de Produção.

Questionar o porquê inúmeras vezes, verificar assimetrias, trocar a ordem de produção, paralelizar. O mestre Shingo ensina estes e outros princípios, no livro Kaizen e a arte do pensamento criativo.

O livro original é dos anos 1960, mas os princípios continuam válidos até hoje.

Seguem alguns cases.

Sobre comunicação precisa

Numa fábrica de discos de vinil (os mais novos nem sabem o que é isso), ele indagou ao operador sobre o que ele estava inspecionando.

“Várias coisas”, disse ele.

Shingo continuou indagando. Após mais uma rodada de respostas evasivas, o operador finalmente respondeu:

“Verifico se há poeira nos discos”. Após a resposta, o consultor prosseguiu: “E o que mais?”

“Também vejo se há algum arranhão”.

Ou seja, “várias coisas” na verdade se traduzia em apenas duas, poeira e arranhões. É importante ter clareza e transparência para efetiva comunicação.

Separar por diferença de propriedades

Em outro caso, a peça vinha carregada de limalhas de ferro, que se acumulavam. O projeto foi reformulado com uma calha feita com tela, para que a limalha fosse separada durante o processo de transporte da peça. Para tal, a pergunta foi “qual a diferença entre propriedades da peça e da limalha?” A resposta: peso, dimensões. Com isso, ficou fácil imaginar uma forma simples de fazer a separação.

Otimizar o fluxo de trabalho

Shingo, durante uma visita a seu médico, verificou que a maca, armário e instrumentos de desinfecção estavam em lados opostos da sala. Sua sugestão foi reconfigurar o layout, de modo a otimizar o fluxo de trabalho.

Serial x Paralelo

Uma peça era produzida de forma sequencial: furo na parte de cima, depois furos laterais, etc.

Cada furo era independente dos demais, de modo que seria possível paralelizar o trabalho e ganhar tempo com isso.

A forma encontrada de operacionalizar de forma eficiente foi utilizar uma mesa giratória, como a da foto.

O livro mostra uma série de princípios, com casos ilustrativos como os citados.

Outro conceito genial desenvolvido por Shingo foi o Poka-Yoke: sistema à prova de falhas. É para evitar erros humanos, como enfermeira injetar o vaselina ao invés de soro. O método consiste em fazer com que peças só encaixem se forem as corretas, digamos, o bico do pacote de vaselinatriangular, e o do soro comum, em formato de estrela.

Shigeo Shingo, Kaizen e a arte do pensamento criativo

Link da Amazon: https://amzn.to/3woTkjR

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2014/06/21/eng-industrial-em-uma-fabrica-de-salsichas/

Faça menos, viva mais

Diagnosticado com uma doença crônica, agora ele só conseguia ser produtivo 1 hora por dia. Como ser o máximo efetivo possível, em tão pouco tempo?

Less doing, more living, do autor Ari Meisel

As dicas se tornaram livro, palestras, e assim ele vem ajudando as pessoas a salvarem tempo.

Direto para algumas boas dicas:

  1. Otimizar
  2. Automatizar
  3. Terceirizar

Registrar: Registre o que você faz. Lei de Pareto. Foque nos 20% relevantes. Registrar a sua vida vai ajudar a otimizar depois.


Algumas dicas para rastrear. Há aplicativos como o Rescue Time, que ajudam a rastrear o uso da vida online.

Para saúde, o velho e bom bloco de notas. (Dica minha, Arnaldo: uma planilha Excel 365 em cloud). Anote o peso, o número de passos por dia (smartwatches ajudam), pressão arterial.

Depois, otimizar. Exemplo é a Ikea, onde cada manual é totalmente otimizado.

Cérebro externo, como One Note, Evernote (Dica Arnaldo: como sou muito desorganizado, tenho este blog como um grande bloco de notas).

Qual o melhor horário de trabalho? No que você é melhor? Quais os gargalos? Uma excelente ideia é ter rotinas, como responder e-mails somente na segunda metade da hora, ao invés de ficar respondendo toda hora.

Quanto a finanças, também tenha rastreado e em ordem. Há ferramentas como o True Bill e Bill Shark, que ajuda a fazer esse tracking.

Terceirizar trabalhos, desde pequenos até maiores. Exemplo do autor. Ele teve a ideia de criar um suporte personalizado para o Macintosh. Pagou um designer para projetar a peça, e pagou uma empresa para imprimir. Além de ter o produto final, ele usou a internet para vender a peça, tendo um modesto lucro no final.

Mensagem final do livro: Não se esqueça, o aplicativo final é a sua saúde.


Um “segredo”: nunca comprei este livro. Este é um resumo de um resumo. “Less doing, more living” é o livro grátis do dia de hoje, do Blinklist, serviço de audiolivros.

https://www.blinkist.com/

Link do livro na Amazon: https://amzn.to/3AzrEta

Veja também: