Design perturbador: zíper de catchup

Mais uma da série “designs horríveis”. Acredito que a maioria das pessoas já se deparou com um zíper de embalagens de alimentos tão ruim, mas tão ruim, que era impossível abrir a embalagem!

No exemplo acima, o “rasgue aqui” de nada servia, porque não havia o rasgo inicial para facilitar a abertura. E aí, você puxa, tenta rasgar, sem sucesso. Vira do outro lado, tenta de novo, e nada. Procura alguma faca para fazer o rasgo – e nota que só tem uma faca de plástico descartável, que não corta nada. Afinal, apela para abrir com os dentes…

Extremamente mal projetado – ou mal executado, não interessa. Para o consumidor final, o efeito é ter uma experiência ruim.

O pior é que não é só com catchup, tem inúmeros produtos com zíperes que não funcionam.

Veja também:

Design ruim: Prime Music

A Amazon acabou de lançar uma nova feature do Prime Music. Agora, assinantes Prime têm acesso a 100 milhões de músicas no modo básico (incluso na assinatura normal). Houve um bom ganho, porque antigamente eram 2 milhões de títulos disponíveis (no plano não Unlimited).

Fui testar o novo Prime Music, já que sou assinante Amazon Prime desde muito tempo.

O que acontece é que tem uma pegadinha. Realmente, temos acesso às 100 milhões de músicas, o que faz uma diferença enorme em relação ao plano anterior. Porém, não podemos escolher a música que queremos!

Digamos, eu seleciono a música “My Way”, do Frank Sinatra, e o app vai gerar uma playlist em ordem aleatória que CONTÉM a música desejada, no meio de uma seleção de músicas semelhantes gerada automaticamente.

Ou seja, podemos acessar 100 milhões de músicas, mas não podemos ouvir aquela que queremos! Vai entender…

Outras features que não podemos fazer: baixar a música, retroceder a música da playlist e ouvir de novo. Tem um limite de músicas que podemos avançar também. Temos pouquíssimo controle sobre o que podemos fazer, parece uma rádio.

Essas chatices são para dar alguma vantagem ao assinante Prime Music Unlimited.

Só que ficou muito ruim, muito esquisito. Parece que fizeram isso só para chamar atenção para o Prime Music mesmo, em relação à forte concorrência do streaming de música.

Meu forecast: daqui a pouco, o Prime Music básico muda o formato para algo mais convencional.

Eu fico alternando entre as promoções dos streamings de música, Spotify, Deezer, Prime Unlimited. Cancelo um, fico meio ano com outro, até surgir alguma promoção do tipo “volte para nós e ganhe 2 meses grátis”. Qualquer um dos três, nos planos pagos, são muito bons.

Veja também:

Design horrível de cabo

Estou lendo um livro, “The design of everyday things”, que tem uma série de projetos bons e ruins de produtos.

Isso me inspirou a criar minha própria coleção. Vira e mexe, vejo ideias boas e ruins, que acabam perdidas por não registrar.

Para começar, vi vendendo esse cabo aqui da foto. A caixa, muito feia, mas principalmente dois pontos chamaram a atenção.

Primeiro: “Fast” escrito errado, como “Fest”.

Segundo: 1000 mm, ao invés de escrever 1 m.

Esse do 1000 mm é uma tentativa deliberada de confundir, como se 1000 mm fosse muito maior e mais poderoso do que 1 m .

Isso tudo é forte indicativo de não-compra de um produto desses.

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/

Obrigada por economizar no Walmart (!?)


Na saída do Walmart, quando a gente coloca o tíquete que abre a cancela do estacionamento, uma voz feminina diz: “Obrigada por economizar no Walmart”.

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Sempre achei esta frase bastante hipócrita. É para agradecer ou para fazer propaganda? Se fosse para agradecer, um “Obrigada por comprar no Walmart” seria infinitamente mais sincero.

Não adianta tentar enganar. O ser humano percebe facilmente este tipo de intenção por trás de uma mensagem.

Outro exemplo são as garrafinhas de plástico com água, de 500 ml, aquelas que são tão finas que, se apertar, amassa a garrafa toda. Quando lançaram isto, há uns anos atrás, a mensagem da publicidade era proteger o meio ambiente, com menos plástico por garrafa, etc… até pode ser, mas, ao mesmo tempo, diminui custos na produção da garrafa – esta parte não é colocada na propaganda. Será que ser sincero é pedir demais? Dizer que, além de beneficiar o meio ambiente, também reduz custos?

Ou cobrar sacolas plásticas no supermercado. Ora, se o problema é que o plástico é ruim para o meio ambiente, eles que arrumem uma sacola biodegradável. Entretanto, a parte de reduzir custos para o mercado não é citada na propaganda.

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Uma das piores de todas é no avião. De um ano para cá, a bagagem despachada é cobrada (mais ou menos R$ 60 por mala), o que faz com que todo mundo prefira usar uma mala de mão. De preferência, a maior bagagem de mão possível dentro dos limites. Só que muita gente anda com a mala e também com uma mochila, para carregar o notebook de trabalho. Assim, todo mundo tende a colocar a mala e a mochila no compartimento de bagagem, para poupar o minúsculo espaço entre poltronas.

img/noticias/Anac libera redução de espaço entre poltronas em aviões

Se todo mundo colocar mochila no bagageiro, pode faltar espaço para outras tantas malas – típico dilema do prisioneiro, quem colocar primeiro se beneficia, porém o todo fica pior.

Assim, tem uma companhia que tem a extrema cara-de-pau de dizer: “Para o seu conforto, guarde bagagens menores, como bolsas e mochilas, debaixo do assento à sua frente”.

Ora, como assim “para o meu conforto”? Este ato de boa-fé, pensando mais no coletivo do que em si mesmo, é tudo menos para o conforto de quem faz isto. Seria algo muito mais sincero um “Agradecemos a colaboração dos que puserem a mochila à sua frente”.

Nota: a própria companhia deve ter percebido o quão ridícula era a mensagem, e a trocou. Agora, pedem para colocar a mochila debaixo do banco para não atrasar o embarque. Certamente um motivo bem melhor, sem dúvida.

Não adianta tampar o sol com a peneira. As pessoas podem ser enganadas uma vez, não mais do que isso.

Obrigado por ler este blog e obter uma sapiência além do comum ao fazê-lo!