A guerra das gillettes

O aparelho de barbear surgiu na época da Segunda Guerra. Antes disso, era na navalha mesmo, com os inconvenientes de ter que ir ao barbeiro, ou fazer em casa e se cortar todo.

Desde então, a Gillette vem aperfeiçoando as suas lâminas. Aparelhos descartáveis, baratos e seguros. Aliado a um marketing pesado, “gillette” virou sinônimo de lâminas de barbear.

Lembro de um depoimento do megainvestidor Warren Buffett, uns 30 anos atrás, em que ele dizia preferir empresas como a Gillette, porque o homem vai continuar se barbeando no futuro.

E, realmente, todo homem deve se barbear de tempos em tempos, para não ter a aparência de um homem das cavernas… o modelo de negócios da Gillette era perfeito.

Por volta dos anos 90, a Gillette introduziu uma inovação brilhante: duas lâminas. Isso permitiria um barbear melhor, mais suave. Todo homem que não seja um homem das cavernas sabe que o ato de se barbear pode fazer pequenos cortes no rosto, deixando a pele irritada pelo resto do dia.

Em meados dos anos 2000, com sua alta tecnologia em aparelhos aliado a um marketing pesado, a Gillette lança o Mach 3: três lâminas, assegurando um corte melhor e mais suave, e também mais lucro para a companhia. Só um supersônico atinge a velocidade Mach 3, dando a ideia de poder e velocidade, testosterona pura. Em resumo, outro sucesso.

Mas daí, a Gillette viu um concorrente passar-lhe a perna: a Schick lançou 4 lâminas antes da Gillette! Ou seja, a empresa gastou milhões de dólares educando o consumidor com a ideia de quanto mais lâminas melhor, aí chega outro e apresenta primeiro a sua inovação. Se, nos anos 2000 pouca gente dominava a tecnologia de criar lâminas boas e em escala, 10 anos depois isso já não era tão exclusivo assim.

Como foi a resposta da Gillette? Ora, simples: dobrar a aposta, nos mesmos moldes. Lançaram antes de todo mundo o aparelho de 5 lâminas, acompanhado de um caminhão de marketing!

E o que viria depois? 6 lâminas? 7? 10? Chega uma hora que o consumidor nota que não faz o menor sentido pagar uma fortuna em aparelhos sofisticados, sendo que os mais simples já são bons o suficiente.

Enquanto a Gillette batalha em frentes cada vez mais complexas, outros modelos de negócio atacam os seus flancos.

A BIC, a fabricante de canetas que domina tecnologia de plástico, foi na direção oposta: lançou modelos de barbeadores extremamente simples e baratos. Ironicamente, era esse o posicionamento original da Gillette em relação às navalhas.

Para efeito de comparação: o Bic Comfort custa R$ 13, já o Mach 3, R$ 49, refil com 3 unidades (ref. Julho 2021)

Já o Dollar Shave Club tem um modelo de negócios completamente diferente: distribuição on-line. Ao invés de fabricar lâminas, eles fazem a curadoria. Enviam ao consumidor as lâminas, em frequências pré-definidas, com modelos que o consumidor quiser. Isso é uma boa ideia, porque pessoas como eu só percebem a hora de trocar a gillette quando o barbear começa a irritar demais, literalmente sentindo na pele os efeitos de uma lâmina ruim. Receber uma lâmina nova antes da velha ficar ruim é um valor agregado pela startup.

A Gillette continua sendo uma companhia lucrativa, porém o seu share caiu devido à esses ataques pelos flancos e outros concorrentes.

É a Lei da Extensão de Marca, de Al Ries e Jack Trout: Há uma pressão irresistível para estender o alcance de uma marca. E exatamente por estender demais, há margem para ataques.

O genial Warren Buffett já recuperou o seu investimento na Gillette, mas será que ele apostaria nela por mais 30 anos?

Nota: No texto utilizei gillette minúscula como sinônimo de aparelho, e maiúsculo quando é relativo à empresa. O título correto deveria ser “A guerra dos aparelhos de barbear”. Porém, “A guerra das gillettes” é muito mais sonoro, tipo um Mach 3.

Este texto é baseado em case contado pela profa. Rita McGrath, em evento promovido pela Visagio Engenharia de Gestão.

Veja também:

Livro “Inflexão estratégica”, de Rita McGrath:

Inflexão Estratégica

Sobre o Market Share: https://www.wsj.com/articles/online-upstart-harrys-razor-jumps-into-gillettes-turf-1478707250

Os livros que viraram cachorros

No metrô de SP, antigamente tinham umas vending machines de livros. Hoje em dia, tem de comida para cachorros – essa é uma máquina da Petz. Sinal dos novos tempos.

Lembro de ter visitado um shopping, onde também uma livraria tinha dado lugar a uma loja de pets.

Nada contra, realmente acho que os livros tornaram-se digitais (ou podcasts, vídeos, cursos on-line, blogs como este), e a população está tendo menos filhos e mais cachorros. É apenas uma constatação destes tempos modernos, não uma crítica. Aliás, é bastante criativa a iniciativa da Petz.

Trilha sonora: Tempos modernos – Lulu Santos

Inovação e computação quântica

Bati um papo sobre computação quântica com o Rafael Veríssimo, fundador da startup Brazil Quantum.

A computação quântica é uma forma fundamentalmente diferente de fazer computação. Ao invés dos tradicionais bits (0 ou 1), temos qubits, utilizando propriedades quânticas como sobreposição e emaranhamento.

Não são todos os problemas em que há ganho em usar tal abordagem. Algumas das aplicações possíveis são: simulação de moléculas químicas, criptografia (tanto quebrar a criptografia atual quanto criar uma criptografia indecifrável por natureza) e otimização combinatória.

É uma tecnologia potencialmente disruptiva, que talvez se torne uma realidade nos próximos 10 anos.

Também falamos do projeto que estamos fazendo na empresa: o Trim Quântico. Como modelar o algoritmo do Trim, que roda em todas as empresas de papel, utilizando as técnicas citadas. A Klabin é pioneira na indústria nacional ao estudar este tipo de tecnologia.

Festival #InovaKlabin.

IA e computação baseada na natureza

No festival #InovaKlabin, bati um papo sobre IA e computação baseada na natureza, com um dos maiores cientistas do Brasil, o prof. Leandro de Castro.

São só 15 min, e está disponível no YouTube (por enquanto, não sei se vão tirar).

Criar algo do nada

“Criar algo do nada” é a estratégia 7, das 36 estratégias chinesas de guerra. Seguem dois exemplos.

Criar uma linhagem nobre do nada

O grande unificador do Japão, Toyotomi Hideyoshi, já tinha conquistado militarmente todo o território. Porém, no Japão, a autoridade do Imperador era muito respeitada como uma figura divina – pense no Imperador como um Papa, ao invés da noção usual de grande conquistador.

Para legitimar a sua autoridade, Hideyoshi precisava de um cargo equivalente a Primeiro-Ministro, ou regente, do Japão. Porém, sendo de origem camponesa, ele não tinha uma linhagem nobre para assumir o papel.

Assim, ele passou a cortejar a nobre família Fujiwara, oferendo mimos e paparicos. Depois de um tempo, surpreendentemente “descobriram” uma relação de antepassados antiga entre Hideyoshi e os Fujiwara. Com isso, Hideyoshi conseguiu ser nomeado regente do Imperador, legitimando a posição de domínio sobre todo o Japão.

Outro exemplo é a história da sopa de pedra. Um viajante, sem nada, chega numa cidade e fala que vai fazer sopa de pedra. Os habitantes, intrigados, lhe fornecem água, panelas e fogo. O viajante começa a cozinhar uma pedra, sem pressa, sob os olhares curiosos. Com o fervor da água, ele começa a pedir alguns ingredientes básicos: cenoura, sal. Depois, outros ingredientes mais elaborados: macarrão, carne, até que consegue uma excelente “sopa de pedra”.

O carro-multa e inteligência artificial

Desde o começo de 2021, na cidade de São Paulo, um curioso veículo cheio de câmeras circula pelas ruas da cidade: é o “carro-multa” da CET.

Objetivo: multar quem não pagou a taxa de estacionamento na Zona Azul.

O veículo é equipado com GPS, para detectar os locais onde há Zona Azul, pelo menos 4 câmeras e um algoritmo de inteligência artificial para reconhecimento de placas. A Zona Azul em papel não existe mais, agora também é digital. Com isso, é possível facilmente cruzar as informações e multar o infeliz que estacionou no local.

Este tipo de algoritmo é uma das aplicações mais simples possíveis da IA no estágio atual, que combinada com técnicas tradicionais de reconhecimento de imagens, tornam-se uma ferramenta extremamente efetiva.

Para aprender algoritmos de reconhecimento de dígitos: https://www.kaggle.com/c/digit-recognizer

Portanto, pague a Zona Azul ao parar nela! A CET e a Inteligência Artificial estão contra você!

A internet é um lugar vasto

Pouca gente entendeu o poder da internet.

A internet não liga para o seu status. Seus títulos, sua idade. Sua aparência, sexo.

E está só começando. Cerca de 50% das pessoas do mundo estão conectadas, e este número só tende a aumentar, em número de conexões e também no tempo de conexão das que já estão conectadas.

Não há mais fronteiras físicas.

Há milhares de oportunidades (e perigos), no vasto mundo da internet.

Há algumas dezenas de anos atrás, li um história em quadrinhos sobre a Unimente. Um povo alienígena, com uma inteligência coletiva superior, extremamente maior do que a soma das inteligências individuais. Eles se comunicavam por telepatia, e cada um contribuía um pouquinho para o todo.

Pois bem, a internet é a nossa unimente. Ao invés de telepatia, temos wireless.

Segue um desafio: Fazer um real pela internet.

Aforismos sobre limites, virtude e inovação

Estabelecer limites claros

Eu tenho um colega, que sempre ao início de um novo projeto com uma nova equipe, expõe os seus limites e pede para todos do grupo fazerem o mesmo.
Não temos que estar disponíveis 100% toda hora. Eu falei, por exemplo, que não gosto de trabalhar após as 19h (prefiro começar cedo, 5h da manhã por exemplo). Saber os limites de cada um liberta, ao invés de restringir. Podemos avançar limites de vez em quando, porém, o acúmulo desses incomoda. É melhor saber os limites de cada um de antemão.

Inovação

“Inovação não tem a ver com quantos dólares se dedica a pesquisa e desenvolvimento. Quanto a Apple apareceu, a IBM estava gastando pelo menos 100 vezes mais em P&D. Não tem nada a ver com dinheiro. Tem a ver com as pessoas que temos, como nos conduzimos e quanto entendemos do assunto” – Steve Jobs

“Quem tem o por quê pode suportar o como”

Friedrich Nietzsche

Porque reinventar a roda:

“O que não consigo criar, não consigo entender” – Richard Feynman, brilhante físico americano.

A recompensa da virtude é a própria virtude

A felicidade está no caminho, e aqui e agora.

A recompensa do trabalho bem feito é o próprio trabalho.

Os produtos japoneses são extremamente bem feitos. Vide carros como a Toyota, que não quebram.
Tenho uma garrafa térmica há uns 15 anos, de uma marca chamada Zojirushi. Ela é simples e bonita. O encaixe da tampa é perfeito: entra só de um jeito e para exatamente onde a marca indica para parar – nem a mais nem a menos. E funciona bem demais. Simples e perfeita.


Ninguém nunca vai chegar para os projetistas e operários que fizeram a minha garrafa térmica e dizer “Bom trabalho, sua garrafa funciona até hoje”. A recompensa de um bom trabalho é o próprio trabalho.

Clubhouse para Android

A rede social de áudio, ClubHouse, acabou de ser lançada para Android.

Eu estava na lista de espera, e o mesmo baixou automaticamente de ontem para hoje.

Eu gosto de ver o mesmo como uma plataforma de conferências em áudio, sobre temas bastante especialistas. Seja Blockchain, Startups, Economia, sempre tem algum grupo interessante para acompanhar.

É puramente áudio, o que para mim é sensacional – não aguento mais reuniões por Zoom ou Teams.

Tenho uns 5 convites, para quem quiser experimentar. Update: não tenho mais convites, acabaram rapidinho.

A planilha do Chicão

Participei de um projeto que tinha como alvo eliminar a “Planilha do Chicão”. Uma planilha de decisão: sentava muita gente numa mesa, cada um falava o que planejava fazer, e era tudo consolidado de forma semi-estruturada nesta. Simples, rápida, e não muito precisa.

O trabalho envolveu criar uma ferramenta superior: coletar informações, criar indicadores, propor soluções ótimas e voltar o resultado para análise. Tudo OK.

Anos depois, retorno para ver como o trabalho está. Realmente, a ferramenta de otimização está rodando, com melhorias aqui e acolá. Porém, lá no finalzinho do processo, na palavra final da decisão, quem eu encontro? A planilha do Chicão, firme e forte.

O Chicão já se aposentou faz anos também, então não é resistência à mudança. Talvez, no final das contas, a decisão seja realmente dos seres humanos, diante de inúmeras variáveis impossíveis de prever.

Moral da história: não subestime a planilha do Chicão.

Lições da História, Will Durant

Will e Ariel Durant são autores de uma das coleções de história mais aclamadas do mundo: A história da civilização, com 11 volumes e mais de 10 mil páginas!

“Lições da história” é um pequeno livro, com cerca de 100 páginas. É um resumo das principais conclusões dos autores, analisando 100 séculos de história.

Este começa com uma mea-culpa, dizendo que o historiador sempre vai se basear em opiniões e dar destaque ao extraordinário, e não à vida comum das pessoas.

Depois, vários insights interessantes sobre civilização, evolução, democracia.

O livro é de 1968, e os autores viveram no meio do século passado. Portanto, muitas de suas opiniões seriam consideradas politicamente incorretas nos dias de  hoje.

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Nosso conhecimento de qualquer evento passado é incompleto. A maioria da história é adivinhação e o resto é preconceito.

O historiador sempre simplifica demais.

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A história não pode ser uma ciência, apenas uma indústria, uma arte e uma filosofia. Uma indústria, analisando os fatos. Uma arte buscando ordem no caos. Uma filosofia buscando perspectiva e compreensão.

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Perspectiva total é uma ilusão de ótica. Devemos operar com conhecimento parcial.

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Só um tolo tentaria comprimir 100 séculos em 100 páginas de conclusões. Nós continuamos.

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A história é uma combinação dos crimes e absurdos da humanidade. Isso permitiu que cada geração prosseguisse com um patrimônio maior do que a anterior.

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Exemplo de aposta tecnológica: a invenção de aviões redefine totalmente o mundo do comércio e do comércio. Anteriormente, a água era o principal modo de comércio e ditava quais nações chegavam ao poder (aquelas com grandes margens costeiras como a Grécia e a Itália).

Então, de repente, aviões mudaram o poder para nações com enormes massas terrestres em comparação com suas costas (EUA, China, Rússia).

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A lição da história é que o homem é duro.

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A influência dos fatores geográficos diminui à medida que a tecnologia cresce. O homem, não a terra, faz civilização.

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Ideia: A tecnologia domina o meio ambiente com o passar do tempo. Essa tendência começou assim que o homem foi capaz de projetar ferramentas, uma forma de tecnologia.

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Geografia é a matriz da história. Se você vive na costa, você quase inevitavelmente se tornará um viciado do mar.

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A primeira lição biológica da história é que a vida é competição.

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A cooperação é real e se expande à medida que as tecnologias evoluem, mas principalmente por ser uma forma de competição. Cooperamos dentro do nosso grupo, família, comunidade e nação para tornar nosso grupo mais poderoso.

A cooperação é a última forma de competição.

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A segunda lição biológica da história é que a vida é a seleção.

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Do ponto de vista da natureza, todos nascemos livres e desiguais.

A natureza adora a diferença porque é o que permite que a seleção se concentre nos fortes e elimine os fracos.

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Liberdade e igualdade são inimigos eternos. Quando um falha, o outro morre.

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Só o homem abaixo da média deseja igualdade. Aquele que está consciente de estar acima da média deseja liberdade. No final, a habilidade superior tem o seu caminho.

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A terceira lição biológica da história é que a vida deve procriar.

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A natureza gosta de grandes ninhadas e da luta pela sobrevivência que acaba selecionando os poucos mais fortes.

Os recursos naturais do meio ambiente e o talento é limitado. Competição é a lei básica.

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Muito do que chamamos de inteligência é o resultado da educação individual, oportunidade e experiência.

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A concorrência costumava ser entre os indivíduos. Então foi ampliado, entre famílias. Depois foi ampliado, entre as comunidades. E assim por diante.

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As pessoas gostam de pensar que são especiais. Sem esse pouco de vaidade, podemos achar mais difícil avançar. De certa forma, a ilusão é um motivador.

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Em geral, os pobres têm os mesmos impulsos que os ricos, mas com menos oportunidade ou habilidade para implementá-los.

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A maioria imitativa segue a minoria inovadora. A história é em grande parte a batalha de algumas minorias, a qual o vencedor é então elogiado como o vencedor pela maioria.

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De cada 100 ideias novas, 99 provavelmente serão inferiores à alternativa tradicional que foi proposta para substituir.

É bom que novas ideias sejam ouvidas para o bem de poucos que podem ser usados. Mas também é bom que novas ideias sejam testadas e questionadas.

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É possível que as coisas que são vícios hoje já foram virtudes.

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É muito perigoso para um indivíduo pensar que mesmo com 30 ou 40 anos de estudo ele pode julgar e superar a sabedoria coletiva da raça humana. Velhas ideias são muito poderosas.

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Uma visão interessante sobre por que o declínio da religião é muito ruim: se a religião é a crença compartilhada que unifica uma civilização e esse sistema de crença morre, então o que manterá a civilização unida?

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Em todas as idades, as forças do indivíduo parecem ser mais importantes que as forças do grupo. Quando tudo falhar, as pessoas farão o que lhes serve melhor. Eles farão o que garantir sua sobrevivência.

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Com o passar do tempo, os filósofos tornaram-se as forças motrizes por trás das mudanças sociais em vez da igreja. E então, eventualmente, a ciência roubou esse trabalho da filosofia.

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Os homens que podem gerenciar outros homens administram os homens que só podem gerenciar as coisas. Os homens que podem gerenciar o dinheiro gerenciam tudo.

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Normalmente, os homens são julgados por sua habilidade de produzir. Exceto na guerra, quando eles são classificados com base em sua capacidade de destruir.

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A concentração de riqueza em uma pequena parcela da população é um padrão que se repete ao longo da história. Os talentos e habilidades mais valiosos estão confinados a algumas pessoas, o que significa que a riqueza mais valiosa está confinada a poucos também. Esse padrão aparece de novo e de novo.

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A liberdade é possível quando a segurança foi alcançada, mas até lá você está enfrentando a concorrência. Foi só por causa da concorrência que desenvolvemos a capacidade de criar liberdade.

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A primeira condição de liberdade é a limitação. Se a liberdade é absoluta, então ela morre no caos. A principal tarefa do governo é estabelecer a ordem.

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Pax Romana foi talvez a maior conquista da história da governança.

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Se a maioria das habilidades está contida dentro de uma minoria de homens (isto é, se algumas pessoas têm habilidades mais valiosas do que a maioria das outras), então uma regra minoritária é tão inevitável quanto uma concentração desproporcional de riqueza.

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Todo o trabalho de consumo é geralmente o preço da genialidade.

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A sanidade do indivíduo reside na continuidade de suas memórias. A sanidade do grupo reside na continuidade de suas tradições. Separe-se de qualquer um muito rápido e o caos se segue.

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Você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo, mas você pode enganar o suficiente deles para governar um grande país.

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A democracia fez menos mal e mais bem do que qualquer outra forma de governo.

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O objetivo da democracia não é tornar todos os homens iguais, mas tornar seu acesso à oportunidade mais igual. O ideal não é elevar cada homem ao poder, mas dar-lhe acesso a cada ponto de entrada onde sua aptidão e habilidade podem ser testadas. Em outras palavras, a esperança da democracia é oferecer um campo de jogo equilibrado para começar e deixar que seus talentos o levem onde puderem.

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Em que ponto a liberdade se torna excessiva? Em que ponto se torna desordem?

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A guerra parece ser uma constante entre todas as civilizações e tempos. É resultado da competição entre os grupos, assim como os indivíduos competem também.

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Se o progresso é real, não é porque somos mais ricos ou mais sábios do que os do passado, mas porque nascemos em um nível mais alto e mais acima do pedestal de nossa herança. Nascemos com os frutos de uma porção maior da herança humana.

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A natureza humana permanece a mesma. As pessoas simplesmente mudam com a revolução e voltam aos mesmos padrões subjacentes.

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Todas as gerações se rebelam contra a anterior. Em muitos aspectos, é natural e desejável.

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Quando todos são donos de tudo, ninguém cuida de nada.

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Você não pode fazer os homens iguais aprovando leis.

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A história econômica é o batimento cardíaco lento do organismo social. Não importa quem esteja no poder, os ganhos gradualmente se acumulam para os mais inteligentes e talentosos. Então, eventualmente, há alguma fratura da ordem, uma nova minoria sobe ao poder, e o padrão se repete.

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Cada vida, cada sociedade, e cada espécie é um experimento. Tudo acaba em morte eventualmente.

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Ideias são as coisas mais fortes de todas na história. Até uma arma era originalmente uma ideia.

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Na velhice, você entende como é bom que haja radicais e como é bom que haja conservadores. Os radicais fornecem o gás e os conservadores aplicam os freios. Ambas as funções são indispensáveis. Essa tensão é necessária para uma sociedade em funcionamento.

Veja também:

A história da filosofia: https://amzn.to/3eAj4Tx

Novo livro de Bill Gates: Como evitar um desastre climático (ideiasesquecidas.com)

Outros resumos de livros: Resumos Gratuitos (ideiasesquecidas.com)

O ClubHouse é genial.

Eu gostei bastante do ClubHouse, a tal nova rede social de podcasts.

Podcasts normais têm um problema. Dá um trabalho enorme fazer, editar, manter. Imagine um especialista em Bitcoin, por exemplo. Ele gosta do tema, manja tecnicamente, mas não vai ter paciência para criar um podcast.

O ClubHouse é muito mais do que podcast. Ele dá voz à milhares de especialistas do mundo inteiro. É como se fosse uma conferência no Zoom, porém apenas áudio, onde entusiastas sobre o tema podem participar. Há salas onde ocorrem essas conferências, e participantes podem levantar a mão e serem chamados para falar sobre seu ponto de vista.

Não tem edição. Não tem enrolação, vinhetas, click bait, videozinhos bonitos e vazios como no Youtube, nada disso. É conteúdo puro, ao vivo.

Há uma quantidade enorme de grupos de interesse, e podem ser bastante nichados. Economia comportamental. Startups. Bitcoin. Teoria do Caos. Física quântica. Inteligência artificial. Hoje eu estava numa sala sobre Geometria Diferencial, com 877 pessoas ouvindo. Nunca haveria um podcast normal sobre o tema.

É possível seguir personalidades referência. Bill Gates. Elon Musk. Naval Ravikant. Lex Friedman.

Uma contrapartida é que nem toda discussão é interessante (é só sair da sala) e também, como não tem edição, não dá para garantir a qualidade do som ou do discurso de quem estiver falando.

Dá para aprender e ensinar muito utilizando essa ferramenta. Ainda é só para IPhone, imagino que esta vá explodir quando tiver para Android, se não surgir algum concorrente que ocupe o espaço antes.

Agradeço ao amigo Cláudio Franco pelo convite.