​ O maior trote científico da história

“Treino é treino, jogo é jogo”, já dizia o ditador popular futebolístico.
 

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Num treino ninguém tem o mesmo nível de seriedade, de stress, de um jogo de verdade.

 

Agora, imagine um time que tem um jogo a cada dez anos. Mas este jogo pode ocorrer a

 

qualquer momento, inesperadamente. Ou seja, para ganhar tem que estar preparado. Mas como se preparar só treinando, sem jogar?

 

É mais ou menos isso que acontece em alguns eventos da vida real. Uma oportunidade de uma vida surge em um momento, e quem estará preparado para tal?

 


 
LIGO
 
O mesmo problema aconteceu num dos maiores projetos do mundo contemporâneo: o Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory (LIGO), que detectou as ondas gravitacionais de Einstein. A história completa encontra-se neste link: http://nautil.us/issue/42/fakes/the-cosmologists-who-faked-it, pelos pesquisadores Jonah Kanner e Alan Weistein, e a solução deles é surpreendente.

 

O projeto LIGO foi construido para capturar as tais ondas gravitacionais de Einstein. Elas tinham sido previstas há 100 anos, mas até o momento ninguém havia conseguido construir equipamentos sensíveis o suficiente para captá-las.
 
O LIGO consiste em 2 detectores gigantescos em formato de L com braços de 4 km, mantendo vácuo interno, e com espelhos refletindo raios laser, ao custo de alguns bilhões de dólares.

 
 
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Portanto, imagine o problema. Um equipamento gigantesco, projetado para capturar onduletas minúsculas a bilhões de anos-luz de distância, sem que ninguém saiba exatamente se elas serão mesmo capturadas, quando aparecerão, e qual o formato delas… É a situação descrita, de treinos eternos por dezenas de anos, até que um dia pode (ou não) ter o jogo real.
 


O “trote”
 
A solução: aplicar um “trote” em si mesmos.
 
Em 2009, os pesquisadores criaram um mecanismo na qual uma equipe pequena (5 pessoas) poderia criar um evento falso. Eles poderiam adicionar secretamente um sinal simulando a tal onda gravitacional, e enganar o resto do time. Esta equipe secreta deveria manter sigilo absoluto nesta operação, sendo que nem a alta gerência poderia saber se a informação detectada era fake ou não.
 
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Toda a equipe de pesquisa sabia que havia a possibilidade de sinais falsos serem propositalmente gerados, mas não saberiam se um sinal específico era verdadeiro ou falso. Este mecanismo é muito bom, porque obriga que os pesquisadores façam um check duplo, triplo, quádruplo, em todas as hipóteses imagináveis: erro nos sensores, ruído vindo de alguma outra fonte, problemas mecânicos nos equipamentos, erros de interpretação, etc… Seria uma forma de policiar a si mesmos, já que é muito fácil cometer um erro nesta situação.
 
Eis que, em setembro de 2010, o LIGO captou um sinal. Era um sinal diferente de todo ruído terrestre até então captado. Os pesquisadores se movimentaram, concluíram que era um evento estranho, e passaram a investigar o mesmo a fundo. Chamaram este sinal de “Cachorro Grande”, por esta ter ocorrido na direção da constelação de “Canis Major”.
 
Assim, pelos próximos 6 meses os pesquisadores diretamente ligados ao LIGO, e uma rede de mais de 700 pesquisadores ao redor do mundo, passaram a investigar todos os detalhes do evento “Cachorro Grande”. Seria um erro de medida? Seria isto real? Haveria problemas no hardware? Erro de interpretação? Como fazer para tanta gente assim concordar com as conclusões de uma investigação tão fora da realidade quanto esta?
 
Em março de 2011, após infindáveis discussões, eles tinham fechado um artigo descrevendo o evento de detecção de ondas gravitacionais. Um grupo de mais de 300 cientistas se reuniu num hotel na Califórnia, com mais algumas centenas conectados pela internet, e votaram a submissão do artigo para uma revista científica. Após inúmeros discursos, contestações, divagações, eles finalmente aprovaram a publicação do artigo.
 
Então o diretor do Laboratório LIGO, Jay Marx, tomou o palco. Ele estava carregando um envelope no seu bolso havia seis meses. O envelope continha a verdade, sobre os dados serem falsos ou não. Seria a diferença entre um prêmio Nobel ou alguém rindo da cara deles. E, finalmente, ele abriu o envelope, para dizer que esses dados eram falsos, injetados artificialmente.
 
Os pesquisadores abriram champanhe, assim mesmo. Se o jogo não foi jogado, pelo menos tinha sido um treino da mais alta intensidade, capacitando-os para um futuro jogo real.
 


O Jogo Real
 
Cinco anos depois, no final de 2015, os detectores do LIGO captaram um sinal diferente de tudo o que já tinham visto antes.
 
Eles tomaram como base o checklist e os questionamentos do trote de 5 anos atrás, para a checagem de tudo o que seria possível. E o sinal passou por todos os critérios. Desta vez, não era um trote programado. Eram as ondas gravitacionais, com nível de confiança de 99.9999 porcento.
 
Cinco meses depois, eles tinham plena confiança de que finalmente tinham conseguido detectar as tais ondas gravitacionais. Após algumas dezenas de publicações, (https://www.ligo.caltech.edu/page/detection-companion-papers), eles anunciaram publicamente a descoberta das ondas gravitacionais (e o ponto alto de suas carreiras é que ganharam um post neste blog, sobre as ondas gravitacionais, clicando aqui).
 
Como se preparar para um grande jogo, que acontece esporadicamente ou nem venha a acontecer? Uma das formas é com simulações do jogo, assim como fazemos simulados de cursinho para o vestibular.

  

Não podemos errar x Precisamos errar mais

Num projeto de inovação, um colega tem a opinião de que “não devemos errar”. “Tudo deve ser perfeito, para não causar problemas”. E usa este argumento para exigir um mapeamento completo do processo, desenvolvimento pleno da solução antes de testar, etc…

Sou da opinião contrária. Devemos errar. Devemos tentar e errar muito. E estarmos sempre dispostos a resolver rapidamente os problemas.
Na prática é impossível não errar. O único jeito de não errar é não fazer. Não podemos deixar que o medo de errar paralize a inovação.
Resumindo em uma frase: O ótimo é inimigo do bom.

O erro deve ser rápido, barato e fácil de consertar rapidamente. E, para isto, a metodologia do Design Thinking é uma boa aliada.
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Seus pilares são Empatia, Colaboração e Prototipagem rápida. Empatia é entender o que o cliente realmente quer. Colaboração entre áreas distintas e antagônicas para buscar ideias de diversas visões possíveis. E prototipagem rápida para testar conceitos, e permitir  aprendizado a baixo custo e em pouco tempo.
O protótipo pode ser algo tão simples quanto uma planilha Excel estruturada, um vídeo, uma página na internet somente com os pontos principais, uma ideia de produto feita de Lego ou canudos de construir.
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Erros
Já dizia Peter Drucker, o pai da Administração: “Aqueles que se arriscam cometem dois grandes erros por ano. Aqueles que não se arriscam, também cometem dois grandes erros por ano”.

O Grande Prêmio de Nevada de veículos autônomos

Este post é um resumo do que aconteceu no Grande Desafio de veículos autônomos (veículos sem motorista, driverless cars, self driving cars) da DARPA, em 2005, tomando como referência o documentário da agência que consta nos links ao final deste texto.

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O desafio consistia em construir um veículo totalmente autônomo, para fazer um percurso de 230 quilômetros no terreno irregular do deserto de Nevada, em menos de 10 h. A recompensa, US$ 2 milhões.

A DARPA é a agência de projetos de pesquisas avançadas do departamento de defesa dos Estados Unidos.

Na verdade, esta história começa um ano antes. Em 2004, houve o primeiro desafio de veículos autônomos da Darpa. Mesmo percurso, mesmas regras. Só que ninguém terminou o trajeto. O veículo que foi mais longe foi o Sandstorm, da equipe Vermelha, da Universidade de Carnegie Melon: apenas 11 quilômetros. Todos os veículos tiveram algum problema: quebraram, tombaram após sair do caminho, pegaram fogo, etc.

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Sandstorm

Alguns veículos participantes:

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Como o desafio do ano de 2004 foi meio que um fracasso, a DARPA decidiu fazer outro desafio em 2005, um ano e meio depois. E agora, os times estão determinados a vencer.

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Veículo tombado no desafio de 2004

O Grande Desafio de 2005

Conheça os participantes.

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A Equipe Vermelha é a comandada por Red Whitaker, da Universidade Carnegie Mellon. Ele é um veterano da robótica, tendo feito trabalhos brilhantes em automação. Whitaker é um homem ambicioso, duro, agressivo. Quer ser o primeiro, e não vai medir esforços para tal. Chama o time Vermelho de “Exército Vermelho”. Ele lidera um pavilhão de engenheiros, mecânicos e programadores, e exige cada gota de suor de seu time.

Para aumentar a chance de vencer a corrida, Whitaker vai correr com dois carros: o veterano Sandstorm, do desafio do ano anterior, e o novo veículo Highlander.

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Highlander
  • O filho mais novo tem a mesma personalidade do pai: agressivo, forte, grande. Malvadão.
  • Já o veterano é mais fraco, mais prudente. Projetado para ao menos terminar a corrida.

Um problema que ocorrera no ano anterior foi que os sensores conseguiam enxergar de perto, mas não tinham muita condição de ver um pouco mais longe. Então, para este ano, a equipe vermelha incorporou sensores de longa distância para compensar esta falha.

Whittaker comanda um batalhão de mais de 100 pessoas, com um orçamento de 3 milhões de dólares, e tem como objetivo vencer a corrida com um dos dois carros.

O segundo grande concorrente é Sebastian Thrun, da Universidade de Stanford.

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Sebastian Thrun

Ele é calmo, dócil, bem intencionado e genial. Foi parceiro de Red Whittaker por muito tempo, na Universidade Carnegie Melon. É especialista em aprendizado profundo de máquinas, e desenvolveu robôs inteligentes que ajudam velhinhos, pegam bolas de tênis, exploram o fundo do mar.

Obviamente Thrun quer vencer a corrida, mas principalmente quer contribuir para o avanço da tecnologia.

O foco de Thrun é o software, não o hardware, ao contrário da equipe vermelha que tem um grupo focado só na mecânica e outro só nos sensores. O cérebro, não os músculos. Thrun conseguiu com a Volkswagen um veículo cheio de servo-motores controláveis por computador, e o batizou de Stanley, que é um diminutivo de Stanford.

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Stanley

Stanley tem os sensores mais simples possíveis. Não tem nenhum sensor que se move, para não quebrar.

Nem todos os veículos são carros. A máquina mais leve da competição é a motocicleta autônoma “Ghost Rider”, criada por um cara chamado Anthony Lewandowiski (será que é parente do juiz do STF?).

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Motocicleta autônoma Ghost Rider

Aliás, Ghost Rider é um bom nome. Para quem não sabe, o Motoqueiro Fantasma da Marvel Comics é um sujeito com cara de caveira, todo dark e cheio de correntes, numa motocicleta em chamas. Toda essa pose radical, e ele é bonzinho por dentro. O Motoqueiro Fantasma olha para os bandidos e faz eles se arrependerem de seus atos ruins, haha.

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O caminhão autônomo, um monstro comparado aos outros, é criação do time Terramax.

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Caminhão autônomo Terramax

O time é formado por um fabricante  de caminhões para situações extremas, para fins militares. Por exemplo, um caminhão anfíbio, que entra na água e vai embora.

Fora esse pessoal, a competição teve mais 19 finalistas, cada um com o seu veículos, suas técnicas, os seus sonhos de glória.


Corrida classificatória

O primeiro dia é classificatório. Os veículos devem percorrer uma pista de obstáculos, e o tempo do circuito define o grid de largada do dia seguinte.

A equipe Vermelha, com o Highlander, é o que teve menor tempo e vai largar na pole-position.

O Stanley, é o segundo. Stanley foi o único veículo que não cometeu nenhuma falha no percurso.

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Stanley na corrida classificatória

O Sandstorm, da equipe vermelha, é o terceiro do grid de largada.

Ghost Rider foi eliminado, quando entrou num túnel com pouca luz e perdeu a estabilidade.

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Veículo autônomo passando pelos obstáculos

O Grande Prêmio de Nevada

Afinal, o grande dia!

Duas horas antes da corrida, o comitê organizador divulga para os times o percurso a ser seguido.

A equipe do Stanley simplesmente inputa o percurso no software do carro.
Já a equipe vermelha coloca o seu batalhão para pré-calcular as velocidades ideais de todos os trechos do trajeto. Red Whittaker acredita que, quanto mais informação para os seus carros, melhor.

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A corrida tem início. Os carros são lançados com um intervalo de 5 min entre eles. Primeiro, o Highlander. Depois, o Stanley de Stanford, depois o Sandstorm da equipe Vermelha.

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Equipes na largada

Highlander vai muito bem. Consegue performar uma grande velocidade, e abre vantagem sobre os demais carros.

TerraMax foi o último a partir. Anda como a tartaruga do conto de Esopo: devagar e sempre.

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Highlander continua abrindo vantagem sobre o segundo colocado, Stanley.

Dezoito veículos conseguem ultrapassar a marca de 11 quilômetros. Ou seja, em um intervalo de 1 ano, o pior competidor performou melhor do que o primeiro colocado do desafio de 2004! Uma evolução considerável.

Highlander estava muito bem. Porém, de repente, Highlander começou a ficar esquisito. Parou na estrada. Parecia estar perdido. O carro prosseguiu viajar após a empacada, mas numa velocidade muito menor.

Enquanto isto, Stanley continuou no seu ritmo, se aproximando.

Os demais carros participantes começaram a quebrar. Sensores quebrados, problemas mecânicos, carros perdidos no deserto… um a um, foram caindo fora da competição.

A equipe Vermelha estava vendo que algo estava errado com o Highlander. Mas, nesta corrida, não havia pit stop para dar uma arrumada. Eles nada podiam fazer, estava tudo nas mãos de Highlander (computador tem mãos?). Aparentemente, o sensor laser de longa distância, que tinha partes móveis, parece quebrado.

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Um ponto azul surgia no espelho retrovisor de Highlander. Stanley se aproximava mais e mais.

Stanley se aproximando. O carro atrás do Stanley é de supervisores da corrida.

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E, o inevitável acontece! O momento mais épico da história dos carros autônomos! A primeira ultrapassagem de carros autônomos já ocorrida no planeta! Stanley ultrapassa Highlander! Ayrton Senna ultrapassa Alain Proust. Rubens Barrichelo ultrapassa Michael Schumacker! (Ops, isto nunca aconteceu).

Algum tempo depois, o veterano Sandstorm também consegue ultrapassar Highlander. O patinho feio superou o irmão mais jovem.

A posição relativa não mudou mais até o final da corrida.

Finalmente, a linha de chegada. Após 6 horas e 53 minutos, com uma velocidade média de 30 e poucos kilômetros por hora, Stanley cruza a linha de chegada. É o grande vencedor do GP de Nevada.

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Onze minutos depois, Sandstorm cruza a linha de chegada, e mais 9 minutos depois, Highlander, apesar de todos os problemas, consegue fazer todo o percurso. Note que uma diferença de 10 minutos em 7 horas é muito pequena, o que mostra que qualquer problema casual poderia ter mudado completamente esta ordem.

Stanford é o primeiro. O time Vermelho emplaca o segundo e terceiro lugares.

Mais dois competidores conseguiram completar a prova: o Kat-5, em quarto lugar, e o Terramax (o caminhão), em quinto. O Terramax demorou 12 horas para fazer o percurso, sendo eliminado pelo limite de tempo de 10 horas. Mas foi um feito incrível, um monstrengo desses conseguir percorrer sozinho 230 quilômetros no deserto.

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Equipe KAT-5, chegou em 4o lugar

O quarto lugar é um carro tão feio que me lembra algo pré-histórico. É como se fosse os irmãos do Capitão Caverna, na Corrida Maluca.

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Para quem é muito novo, há muito tempo atrás existia um desenho chamado “Corrida Maluca”.

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Tinha o Dick Vigarista e o cachorro dele, o Barão Vermelho…

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Nesta corrida de carros autônomos, só faltou a Penélope Charmosa.

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Conclusão

O Grande Desafio de 2005 foi um marco na história de carros autônomos. Dirigir é uma das tarefas mais chatas que existe, na minha opinião. Ficar horas olhando para a estrada, fazendo movimentos rotineiros durante quase todo o tempo. Tarefas rotineiras são a especialidade de robôs e computadores.

O mundo precisa de mais gente como Thrun e Whittaker. Caras que revolucionem o software e o hardware. Que desenvolvam aplicações práticas para o mundo.

Me espantou muito o desempenho do Terramax. Talvez uma das principais aplicações de carros autônomos seja em áreas industriais e de alto risco para um ser humano. Por exemplo, o Pentágono planeja que pelo menos um terço dos veículos de guerra sejam autônomos no futuro.

Sebastian Thrun foi para o Google. O carro autônomo do Google tem o DNA de Stanley. Depois de vários anos no Google, Thrun fundou a plataforma de treinamento on-line Udacity. Ele acha que tem mais a contribuir ensinando, e desenvolvendo um carro autônomo open-source, do que trabalhando numa plataforma fechada.

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E é por causa da visão de Thrun que escrevo este post. Sou uma das primeiras pessoas do mundo a começar o nanodegree de carros autônomos da Udacity (https://www.udacity.com/drive). Isto merece um post em especial, mas foi através deste curso que fiquei sabendo do vídeo descrito.

Red Whittaker continua na Universidade Carnegie Melon. A equipe vermelha ganhou o Grand Challenge seguinte, em 2007: carros autônomos na cidade, ao invés de no deserto.

Agora, Whittaker quer conquistar a Lua: está na competição “Google Lunar X Prize”, que tem o objetivo de fazer uma espaçonave robótica ir até a lua, andar 500 metros e transmitir vídeo de alta definição para a Terra.

Vamos ver (e ajudar a escrever) as cenas dos próximos capítulos.

Arnaldo Gunzi

Dez 2016


Links

Vale muito a pena ver o vídeo original, sem as “interpretações” do meu post:

Outros links:

Como ser um engenheiro de veículos autônomos

https://en.wikipedia.org/wiki/DARPA_Grand_Challenge#2005_Grand_Challenge

https://en.wikipedia.org/wiki/Google_Lunar_X_Prize

https://en.wikipedia.org/wiki/Red_Whittaker

​ A Revolução 3D

Lá pelos anos de 1992, quando eu ainda era pré adolescente, o primeiro computador a que tive acesso foi um IBM PS/1, similar ao da foto. Este não tinha hard disk. Para dar o boot, tinha que inserir um disquete, esperar um pouco, depois inserir outro disquete. O DOS carregava e dava para mexer no computador: criar arquivos texto, criar e deletar pastas. Acho que tinham algum tipo primitivo de word e de dbase (banco de dados). E um ou outro joguinho. Fora isso, não servia para muita coisa.
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Eu não tinha a menor ideia das aplicações futuras do computador pessoal, mas sabia que isto tinha o potencial de revolucionar o mundo.
Tive a felicidade de acompanhar a evolução exponencial dos hardwares e softwares computacionais, desde então.

Impressoras 3D
Tenho a mesma sensação, de estar vendo surgir algo novo, com as impressoras 3D. Isto será certamente uma das tecnologias disruptivas que moldarão o futuro.
Acabei de ganhar uma impressora 3D do meu amigo Marcos Melo. Uma Printrbot Simple. Tem uns três anos de fabricação. Vide a foto desta belezinha.
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A estrutura dela é bem simples, até rústica. Placas de madeira, suportando os motores e peças metálicas. Conexões à vista.
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Detalhe da visão traseira e de um dos motores (Z)
Um motor para cada eixo (X, Y e Z). Mais um motorzinho para puxar o filamento. Os motores movimentam o bico extrusor para qualquer posição.
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Detalhe da entrada do filamento, e o motor que controla o fluxo do mesmo.
Um extrusor, para derreter o filamento. Do extrusor, sai um fiozinho de plástico derretido. Na ponta, um ventilador para ajudar a esfriar o plástico.
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Bico do Extrusor e ventilador
O material do filamento é um tipo de plástico chamado PLA. É um material que tem a propriedade de derreter a 200 graus, e endurecer à temperatura ambiente.
A impressão é feita em camadas. O extrusor vai depositando os fiozinhos de plástico, na posição ajustada pelos motores.
Fiz um vídeo para demonstrar o funcionamento. Como o vídeo ficou meio ruim, e o wordpress não aceita vídeos, transformei num gif animado, com auxílio do site http://ezgif.com. Pode demorar um pouco para carregar:
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O software para controle da impressora é o Repetier. É um software open source. Tem que instalar um driver para comunicação com a impressora, e configurar um montão de coisas.
Baixei alguns modelos da internet. Em programação, o primeiro programa é tradicionalmente algo que mostra um “Hello World”.
Eis o meu “Hello 3D Printer World”:
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Vista de outro ângulo. Considerando que foi a primeira peça, está ótimo.

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Agradecimento especial ao Marcos Melo. No dia em que ele me entregaria a impressora, ele sofreu uma tentativa de assalto. O bandido, aparentemente armado, o abordou no farol. Este tentou abrir a porta, que estava destrancada. Melo puxou de volta a porta, desequilibrando o elemento, e estragando o estofamento. Nisto, o Melo aproveitou, engatou o carro e deu no pé. Foi uma manobra muito arriscada, nos dias tensos de hoje.

Bom, o melhor jeito que tenho para agradecer é fazendo coisas criativas com a impressora, difundindo o conhecimento (já mostrei as peças para um monte de gente na empresa) e ajudando de alguma forma a desbravar o futuro com a nova tecnologia 3D.

Um novo paradigma de aprendizado: aprender por osmose

Um dia, há muito tempo atrás, eu estava ensinando matemática a uma pessoa que tinha passado pelo método de ensino Kumon.

Para quem não conhece, o método Kumon consiste em repetir as operações básicas (digamos 5 x 7) infinitas vezes, por inúmeras horas, e ir aumentando a dificuldade gradativamente. A pessoa, de tanto olhar para os números, acaba virando uma calculadora humana.

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E o meu aluno era literalmente uma calculadora humana. Fazia contas de cabeça num piscar de olhos, mais rápido do que se eu digitasse numa calculadora eletrônica.

 

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Entretanto, ele não sabia o mais importante de tudo: qual a conta a fazer. Ele sabia apenas a mecânica das operações, mas não dominava os conceitos do que tinha que ser feito para chegar na resposta correta.

Por isso, sempre fui muito crítico ao método Kumon, que se baseia na memorização e repetição. Preferia que a pessoa aprendesse a pensar, aprendesse a racionar por si só, ao invés de decorar um método de solução.

Mas hoje, mudei de ideia, ao ler o excelente artigo de Bárbara Oakley, na revista Nautil.us.

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Aprender por osmose

Bárbara Oakley conta que nunca gostou da área de exatas. Ela tinha uma dificuldade enorme com matemática no ensino básico. Por isso, ela fez letras – russo – em sua graduação. Mas um dia chegou à conclusão de que saber russo não era o que ela realmente queria, e decidiu seguir o caminho da Engenharia.

Sendo alguém que não tinha a menor capacidade de entender o raciocínio das derivadas e integrais de um curso pesado de engenharia (engenharia de produção não conta, rs), ela usou as únicas armas que tinha: memorização e repetição. Memorização e repetição. Memorização e repetição. Memorização e repetição…

Digamos que cada pedacinho de conhecimento matemático que ela conseguia dominar separadamente fosse um “bloco de informação”.

Pouco a pouco, a partir do arsenal de “blocos de informação” que ela tinha, ela foi unindo o quebra-cabeça destes pedaços e começando a compreender o todo.

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Repetindo este mesmo processo arduamente, em alguns anos ela conseguiu remodelar o cérebro para a área de exatas.

A explicação de Oakley faz muito sentido para mim. Pensando bem, nem tudo o que aprendi estudando foi puramente raciocínio logo de início. Teve muita coisa que guardei para mim, sem entender direito o significado, e só depois de muito tempo consegui sacar a lógica deste “bloco de conhecimento”.

O cérebro humano não é um computador eletrônico, em que a informação é colocada e não muda mais. O cérebro precisa de prática, muita prática. Precisa de tempo para processar a informação. Precisa de memorização, mesmo sem saber direito para que serve. Precisa de repetição para internalizar conceitos. Precisa entender o raciocínio, mas também precisa exercitar, senão esquece.


Síntese

Como tudo na vida, não há paradigma eterno.

O filósofo alemão George Hegel (1770 – 1831) afirmava que o processo de evolução do conhecimento, a dialética, era formada da tríade Tese – Antítese – Síntese.

A minha Tese era a de que devemos entender o raciocínio, a lógica do conhecimento.

A Antítese, de Bárbara Oakley, mostrou que memorização e repetição são igualmente importantes para o aprendizado.

A Síntese é que para o aprendizado ser efetivo, devemos entender o raciocínio, mas também treinar, memorizar, e repetir este ciclo inúmeras vezes até internalizar o conhecimento.

Aprender por osmose não é tão ruim assim. Na verdade, talvez o cérebro humano só aprenda mesmo por osmose…

 

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Novela sobre japoneses sem japoneses? E daí?

A novela “Sol Nascente”, da rede Globo, tem como tema central descendentes de japoneses no Brasil. O detalhe é que não tem ator principal de ascendência japonesa no elenco…
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A bela Giovanna Antonelli interpreta uma japonesa, pelo que entendi.
Qual a minha opinião sobre este fato, como sansei (descendente de terceira geração de japoneses)?
Minha opinião: E daí? Tanto faz. Dane-se. Não é preconceito, racismo, nada. É uma decisão puramente econômica, baseada na estratégia de líder do setor.
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Esse velhinho ao lado da Giovanna também é japonês, na novela. Talvez o cara segurando a haste também seja.

 


A estratégia da Globo
A Rede Globo é uma empresa privada, que toma decisões baseada em suas décadas de experiência no setor audiovisual. Ela tem os seus paradigmas. Um deles é que Globo arrisca pouco.

A Globo prefere que os atores ou novos formatos de programa despontem em canais menores. Somente se, e quando, der certo é que Globo vai lá e contrata o ator ou o programa. Digamos, Caldeirão do Huck é um caso desses: Luciano Huck fez muito sucesso na Bandeirantes, antes de mudar para a Globo. Outro caso: Angélica, esposa do Huck, ficou muitos anos na extinta TV Manchete antes de ir para a Globo.

Outro paradigma é de que toda novela de ponta da Globo precisa ter astros famosos nos papeis principais. Os astros de ponta alavancam a audiência, mesmo se o enredo for uma porcaria. No caso da novela Sol Nascente, não encontraram astros de ponta nipônicos e não apostaram num desconhecido.
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A Daniele Suzuki não serviu para o papel principal
A Globo é como um gigante forte, porém lento e inflexível: arrisca pouco, tende a agradar a maioria e quer manter o monopólio.
As estratégia de “líder” do setor incluir comprar a transmissão do tênis para não passar na Tv aberta. Ou colocar o futebol às 22h para esperar a novela acabar. Ou ter contratos com atores famosos, mas não usá-los – deixá-los na geladeira.
Durante anos, tais estratégias funcionaram. E agora?

O resultado será puramente econômico
Se a estratégia da Globo é puramente econômica, o resultado também o será.
Quem se sentiu ofendido com os atos acima, simplesmente não assista. Não haverá sentimento em deixar a Globo para assistir outro canal.
O mundo está mudando. Dois dos principais concorrentes da Globo não são a Record e o SBT, mas sim o YouTube e a Netflix.
Uma série na Netflix pode ser algo extremamente bem feito, sobre um tema específico para um nicho específico. Não precisa ser um arrasa-quarteirão para agradar a maioria do público.
Centenas de canais no YouTube não têm a mesma qualidade da Globo, porém exploram a “cauda longa” de milhares de assuntos possiveis, sendo produzidos por pessoas comuns, contando com atores não globais.
O monopólio do Golias gigante Globo está sendo quebrado por milhares de ágeis Davis.

A estratégia da Globo está correta?
Não é a choradeira, discursos de discriminação ou similares que vão dizer se a Globo está correta ou não. Será o Tempo e o Mercado.

 

 

​ Comprar um disco por uma faixa

Há 200 anos, assistir a uma ópera era algo caro, demorado e restrito à nobreza. Imagine ter que sair de casa, colocar roupas pomposas, viajar por várias horas até chegar ao teatro, onde os músicos performavam ao vivo.
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Por isso, o espetáculo tinha que ter uma quantidade razoável de tempo. Durava umas 3, 4 horas. Não fazia sentido uma ópera durar 3 minutos, mesmo que a única música legal dela seja esta de apenas 3 minutos.
O avanço da tecnologia permitiu um enorme barateamento da distribuição de informação. Com o surgimento dos discos LP, e depois CD, qualquer plebeu poderia ter acesso à música.
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Mas mesmo assim, era preciso produzir o disco, e tê-lo fisicamente. Mesmo que a única música legal do disco tivesse 3 minutos, o disco vinha com 40 minutos.
Com a internet, não é mais necessário ter um cd físico. É possível comprar somente a faixa de 3 minutos que era o que o consumidor queria mesmo.
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Em física, há o Princípio da Inércia, formulado por Isaac Newton. Um objeto em repouso tende a continuar em repouso, e um objeto em movimento tende a continuar em movimento. Para sair do repouso para o movimento, deve-se aplicar uma força (proporcional à massa e à aceleração), e para parar o movimento, idem.
A tecnologia diminiu a inércia das transações, no sentido de sair de um estado (não tenho música) para outro estado (tenho música).

Com os livros é exatamente igual. Para justificar o custo de R$ 80,00 de um livro (impressão, transporte, exposição na livraria) este deve ter umas 300 páginas, mesmo que somente 10 páginas sejam o cerne do conteúdo inteiro.
Isto está mudando também. Com blogs que custam muito pouco para produzir, é possível expor somente o conteúdo essencial do trabalho, sem enrolações e encheções de linguiça.

Um filme no cinema deve durar umas 2 horas, para justificar o tempo gasto indo ao cinema, esperando na fila, etc. Mas um filme no youtube pode ter apenas o tempo necessário, porque não é necessário ir a um cinema para assisti-lo.

Na faculdade, uma aula presencial tem que mobilizar alunos e professores. Com o tempo que se perde no início e distrações, a aula tem 50 minutos. Mas uma aula no YouTube pode
conter somente os 20 minutos de conteúdo real.

O expediente padrão de 8 ou mais horas de trabalho também tem uma série de distrações. Ninguém consegue ficar todo o tempo ligado, concentrado. O tempo líquido é muito menor. E grande parte do trabalho poderia ser à distância, e focado no que realmente é efetivo.

Aulas e expediente de trabalhos ainda são muito tradicionais para mudar. Pode-se argumentar que é legal para o ser humano ter estes contatos não produtivos. Mas é legal até um certo ponto. O jeito atual é 100% rígido. A tendência é que muito do que fazemos hoje seja mais flexível e rápido, direto e produtivo, devido à redução da inércia provocada pela tecnologia.

Uber – Again

Desde o surgimento do Uber, já o utilizei inúmeras vezes. O serviço é melhor do que o do táxi comum, e a tarifa é mais barata.

Por exemplo, hoje fiz um trajeto até o Aeroporto de Congonhas, que custou R$ 14,54. O preço que pagaria com táxi seria certamente mais de R$ 20,00.

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Outro exemplo. Estava em Curitiba, e peguei um Uber para o Aeroporto Afonso Pena. A corrida saiu R$ 34,00, quando o preço normal é o dobro disto, no mínimo R$ 75,00  (táxi cobra uma tarifa extra por mudar de município).

Sempre me perguntei, “a conta fecha?”. A resposta, aparentemente, é “não”.

Foi divulgado há alguns dias o balanço do Uber no mundo. Prejuízo de US$ 1,2 BILHÃO no primeiro semestre, dada a sua política agressiva de expansão.É algo como, cresço primeiro e lucro depois. Garanto a minha posição na mente do consumidor, e depois vejo como lucrar. Ou seja, a tarifa é barata porque o Uber está me financiando. Ou melhor, capitalistas de risco estão colocando milhões no Uber, apostando no modelo, e financiando os consumidores, por enquanto.

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Nestas viagens com o Uber, às vezes eu perguntava para o motorista o que ele fazia antes disto. Todos os que entrevistei trabalhavam de alguma forma com transporte. Dois deles eram manobristas, que deram entrada no carro e estavam ganhando mais do que ganhavam anteriormente. Um deles era caminhoeiro. Outro trabalhava com transporte de pessoas, e alternava com o do Uber. Um deles falou que tem milhares de pessoas na fila de espera para ser motorista do Uber.

 

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Um arranjo assim, de grandes capitalistas financiando o consumidor, só podem ocorrer com o livre mercado, onde qualquer empresa nova pode entrar copiando a mesma ideia sem barreiras. Se o Uber vai dar certo ou não, não se sabe, e também não interessa. Várias outras rivais já surgiram e podem surgir, atendendo a nichos diferentes do mercado.

Se o Uber continuar com preço baixo, vai jogar para fora do mercado vários concorrentes. Porém, quando subir os preços, vai torná-los atrativos para que os concorrentes entrem novamente.

 

Bom, melhor para o consumidor, e melhor para os motoristas que conseguiram subir na vida. Pior para os taxistas já estabelecidos, que agora têm uma concorrência pesada e eficiente. Viva o mercado!

 

 

 

 

 

Um passeio pelo Google Campus

Que tal trabalhar por um dia no Google Campus?

O Google Campus é um espaço voltado para empreendedores. Para ser mais exato, é um edifício de 6 andares, próximo ao metrô Brigadeiro, em São Paulo.

Dos 6 andares, 4 são ocupados por start-ups escolhidas pelo Google. Os andares 5 e 6 são livres, disponíveis para qualquer um que quiser ir lá, usar as dependências para trabalhar um pouco, de graça. Também tem uma cafeteria, que tem alguns lanches no cardápio.

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Como fazer? Basta se cadastrar no site https://www.campus.co/sao-paulo/pt e levar um documento com foto para retirar o crachá. O crachá é válido por tempo indeterminado.

Fizemos uma visita lá, e seguem algumas curiosidades.


 

Os visitantes não têm acesso aos andares das startups. Somentes aos andares 5 e 6. Estes têm alguns ambientes diferentes: terraço, café, área do silêncio.

 

Cada ambiente tem móveis e decoração diferentes. Por exemplo, o ambiente da foto é ao ar livre, e tinha um monte de gente em reuniões, com muito barulho.

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Já a área do silêncio era bem sisuda, um monte de gente concentrada. As cabines telefônicas ao fundo servem para pessoas que quiserem fazer ligações sem perturbar os outros.

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O Google Campus oferece wi-fi banda larga, aberto para quem estiver lá. Funciona muito bem.


 

Detalhe: tinha umas vacas penduradas no teto. Talvez para estimular a criatividade… e para combinar, tinha umas cadeiras com tecido malhado, como as vacas.

Em post anterior, escrevi como um cara da IDEO pendurou uma bicicleta no teto do escritório, só porque deu na cabeça dele que deveria fazer isto.

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Note também que o teto não tem forro, deixando aparente a tubulação.

Esta é outra característica do prédio. É altamente tecnológico, mas altamente sustentável: torneiras com pressão reduzida, luzes que apagam sozinhas se não tiver movimento, materiais recicláveis nas divisórias dos banheiros, ausência de luxo ou de acabamento onde não é necessário.


 

Outra característica do Google é ter áreas de lazer. De vez em quando, aparecia gente jogando aí.

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A escadaria com as plantas suspensas sobe para o sexto andar. Há vários cartões pendurados. Qualquer um que quiser pode pendurar o seu cartão.

 

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Note o assento: é um orelhão reciclado como assento. Hi-tech com reciclagem. Imagine alguém dizendo: “Estou falando de um orelhão! Mas sentado no orelhão!”.

 

Detalhe do mural, com cartões e mensagens.

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A cafeteria tem lanches, sucos, café. E é o lugar onde as pessoas estão mais descontraídas, ideal para um networking.

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Eventos

Tem um auditório no prédio, e há uma agenda de eventos programada. Basta acessar o site. Mas é quase impossível se inscrever neles. Procurei e todos os eventos estão lotados.

 


 

Nota sobre a segurança

Não deixei de notar que, em todos os andares, tinha pelo menos um segurança observando o movimento. É fácil notar, eles destoam completamente dos visitantes, em termos de postura. Eles são bem rígidos em segurança, exatamente pelo espaço ser a princípio aberto para qualquer um.

Logo na entrada, barraram um visitante que não tinha documento com foto. O sujeito tentou argumentar, mas não teve jeito, ele ficou de fora. Dica: não esqueça de levar documento no dia.

Um dos seguranças me barrou porque o crachá não estava aparente. Tive que colocar a cordinha e deixar o crachá exposto no peito.

E, na saída, o mesmo segurança deu um pito numa moça, que tentou sair pela catraca errada.

Bom, imagino que o Google não quer que uma iniciativa tão legal tenha problemas como roubo ou alguma outra confusão. Ponto para eles.

 


 

Conclusão

É um espaço bem legal, tudo funciona muito bem. Devo marcar reuniões, ir trabalhar mais vezes por lá, para quebrar o ritmo e ter novas ideas.

 


Digressão

“O Google faz este tipo de coisa porque pode fazer”, muita gente diz. Para mim, é exatamente o oposto. É por ter iniciativas mente aberta deste tipo que o Google é o Google. Das milhares de empresas do Brasil, muitas delas bilionárias, quantas têm um espaço assim?

Na fantástica cidade de São Paulo há outros lugares muito bons para se trabalhar, como o Centro Cultural São Paulo, que é espaçoso, bonito, legal… mas não tem wi-fi, até onde eu sei. Ouvi dizer que a biblioteca onde ficava o presídio do Carandiru é moderna, grande, bonita e é um bom espaço para trabalhar. Mas, sendo eu do tempo em que via o presídio todas as vezes que tomava o metrô até zona norte, tenho aversão a este lugar.

Também é possível trabalhar numa Starbucks ou em outras cafeterias, mas estes são estabelecimentos comerciais, é meio chato ficar o dia inteiro lá usando recursos sem pagar a mais por isso.

Além disso, nenhum desses lugares tem pebolim, vacas penduradas no teto, seguranças em todo lugar, wi-fi banda larga e um público maluco por tecnologia.

 

 

 

 

 

 

Audiolivros, livros e epistemologia

 

Muita gente me pergunta como consigo escrever sobre tantas coisas. O segredo é simples, estudar muito, ler muito, conversar com pessoas qualificadas.

Mas como ler muito, estudar muito se passo a maior parte do tempo trabalhando ou cuidando da família?

Algumas dicas são o uso de audiobooks, livros digitais e ensinar outras pessoas.

 


 

Audiolivros

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Audiolivros são livros lidos e gravados em áudio digital. O Audible (ww.audible.com) tem um catálogo grande sobre diversos assuntos. Ouço quando estou indo trabalhar de transporte público (e por outro lado me forço a andar de transporte público para estudar), andando na rua ou quando estou sem paciência para ler. Os audiobooks são em inglês, e isto é melhor ainda, para treinar o idioma.

 


Livros digitais

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Livros digitais, via Kindle, Kobo reader ou qualquer outro, baixaram o custo de comprar um livro pela metade ou menos do custo do livro em papel. Uso e abuso de livros digitais, carregando comigo uma verdadeira biblioteca nele. Tudo em inglês, é claro. Leio numa fila de espera do consultório médico, no aeroporto, no avião, em casa. É claro que o livro em papel ainda é superior, mas o digital tem evoluído demais.

 


Ensinar

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Mas a mais poderosa dica é a de ensinar. A melhor forma de aprender é ensinando. Porque quem ensina tem que saber o que está fazendo. Vejo diversos erros em argumentos quando estou explicando ideias para outras pessoas. E este espaço é basicamente isto, estou ensinando muitas coisas, mas também estou aprendendo muito. E, quanto mais qualificada é a pessoa com quem dialogo, mais eu ganho.

Numa fórmula, ficaria assim:

Ensinar = Aprender^2

 

Leitura e estudo são a base de conhecimento, sobre a qual acrescento ideias próprias baseadas em vivência e teste das ideias apresentadas, aceitando ou rejeitando ideias e gerando novo conhecimento. Esta é a minha epistemologia.
O mundo é um ciclo. Quanto mais conheço, mais fácil fica conhecer ainda mais. Quanto mais tenho ideias próprias, mais capacidade tenho de gerar novas ideias. Vide post relacionado.

 
Tudo o que escrevi é simples de se explicar, mas muito difícil de fazer. Que tal começar a praticar agora?

 

Uma ideia sua = 1000 ideias de outros

Ter ideias próprias é muito difícil.

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Normalmente, as pessoas “Originais” criam as ideias, e as pessoas “Refletoras”, que são a grande maioria da população, apenas as repetem.

 


 

Uma pessoa original cria um novo tipo de sorvete, digamos a tal de paleta mexicana. Pouco tempo tempo, começam a surgir em todo lugar concorrentes desta paleta, e pululam na internet receitas do mesmo. É como um vírus, um vírus de ideias, que é criado por alguém e se espraia por todo lugar.

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O teórico de evolução Richard Dawkins chamou este pedacinho de ideia que se reproduz de “meme”, em analogia ao “gene”. O criativo marketeiro Seth Godin chamou o meme de “ideiavírus”, décadas depois.

 


 

Senso comum?

Aliás, o pessoal de marketing e de ideologia é muito bom em criar argumentos fortes que servem para influenciar os outros. O que é senso comum hoje pode ser sido formado pela opinião de meia dúzia de pessoas.

Vide o fenômeno recente que vem ocorrendo no Brasil. Um partido, que não quer deixar o poder, repete à exaustão algumas ideias, como “não vai ter golpe”, “Impeachment é golpe”. Depois, eles perceberam que não colou, porque o impeachment está na constituição. Remendaram a frase: “Impeachment sem crime de responsabilidade é golpe”, para ficar mais difícil alguém contra-argumentar. Esta é uma “Zika IdeiaVírus”.

Definição

Zika IdeiaVírus: Argumentos criados por ideologia e repetidos à exaustão, que podem ou não ter lógica.

 

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O próprio sistema de ensino induz as pessoas a não pensar. Num livro didático, há a sua resposta e a “resposta correta” no final do livro. Então, a sua resposta nunca vai ser a correta, a menos que seja igual ao que está no livro. Com o tempo, o aluno já olha direto para as respostas, sem nem questionar.

Num mestrado acadêmico, primeiro temos que ficar meses estudando a bibliografia de dezenas de pessoas antes de começar a escrever nosso próprio trabalho. Proponho que seja o contrário, primeiro desenvolvemos a ideia, e se der tempo, damos uma olhada nas respostas existentes.

A Internet piorou as coisas. Agora é muito mais fácil procurar as “respostas corretas”, sem pensar. E ficou muito mais fácil para “formadores de opinião” profissionais criarem ZikaIdeiaVíruses.


 

Dicas para forçar a criação de ideias originais:

  1. Não “Ver a resposta”. Primeiro, procurar resolver por si só.
    Ex. Todos os algoritmos dos cubos mágicos aqui deste site foram desenvolvidos por mim. Vide post: Dodecaedro mágico e X-Cube. Certamente não são os mais eficientes do mercado, mas são originais.
  2. Tente criar novas palavras e conceitos, isto é bem divertido. Há algumas novas palavras e conceitos neste texto.
  3. Criar a sua própria arte: poesia, música, desenho, um blog na internet…
  4. Fazer, ao invés de teorizar. Quanto a isto, vide post: 1 Kg ação = 1 ton de teoria

 

Megaminx

Arnaldo Gunzi

 

 

English as first language

This post is exceptionally written in english.
 
The japanese company Rakuten (http://global.rakuten.com/en/) is an online marketplace similar to Ali Express.
 
Rakuten uses English as the first language, instead of japanese, inside the company. Official documents, reports, e-mails, everything is written in english.
 
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In the long term, this is great for the company, because it increases the workers proficiency in english and facilitates business with the rest of the world. It is also good for workers, because they will develop this important skill in an increasingly connected world.
 
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But, of course, in the short term Rakuten faced a lot of problems and resistance. Take a look on their challenges:
 

 

In Brazil

 
In Brazil, for large companies, I believe something similar is impossible. The illiteracy in english is the rule in Brazil.
 
But we can try this with our friends and people we know can understand english. We can communicate with them only in english, at least in e-mails.

 

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 Try this. From now on, for at least one year, select some friends and close colleagues and use only english in the communication with them. It is a worth exercise.
 
Arnaldo Gunzi