O futuro não é mais como era antigamente

O corona vírus vai passar. Vai demorar alguns meses, mas vai passar. O mundo pós-pandemia será imensamente diferente.

Algumas reflexões:

O isolamento forçado será o prego no caixão de vários negócios. Livrarias não fazem sentido. Shopping center. Entretenimento, como teatros e cinemas, vão sofrer mais ainda. Tudo isto já vinha mal das pernas. O vírus acelerou o fim.

Educação on-line. Há cursos de alta qualidade, flexíveis e mais baratos que um curso presencial. Não faz sentido cursar 5 anos 100% presenciais. A única real vantagem de um curso presencial é o networking.

Trabalho remoto. Não faz sentido perder meio dia viajando para trabalhar, toda semana. Viagens devem diminuir, e trabalho remoto, aumentar. Para isto, o framework mental tem que mudar. O pessoal operacional deve ter cada vez mais capacidade analítica e responsabilidade não só de tocar a operação, mas de melhorá-la.

Pessoas mais qualificadas na operação também devem ter nível de salário e treinamento maior. Além do investimento em pessoal, as empresas devem fazer investimento em estrutura de hardware e software equivalentes.

Muitos perdedores, e alguns poucos vencedores: e-commerce, cursos on-line, entretenimento digital (Netflix, streaming em geral). Nas indústrias, necessidade de automação, robotização de processos, IoT, trabalho remoto, TI.

Gostaria de mais opiniões. Quais outros produtos e serviços nunca mais serão os mesmos?

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Lavar as mãos e quebra de paradigma

É impressionante o poder de lavar as mãos. Tão simples, tão eficaz.

Nem sempre foi assim. O médico que propôs isso morreu desacreditado num hospício…

Na década de 1840, Ignaz Semmelweis notou que a taxa de mortalidade de mães que eram tratadas por médicos era maior do que as por parteiras.

Os hospitais eram sujos. Segundo relatos, havia uma mesa de madeira manchada com traços dos corpos que haviam passado por ali, enquanto o chão estava coberto de serragem para absorver o sangue que escorria.

Semmelweis estudou cuidadosamente a diferença entre os médicos e parteiras, e propôs que os médicos lavassem as mãos antes de qualquer procedimento cirúrgico.

Todos os hospitais que adotaram a prática de lavar as mãos conseguiram diminuir significativamente o número de mortes por infecção, mas, mesmo assim, a teoria não foi unânime.

Semmelweis foi bastante desacreditado pelos colegas. Sua teoria não “pegou” no mainstream médico.

Hoje, sabemos que existem microorganismos que causam infecções. Na época, não havia uma teoria clara.

Somente após a teoria corpuscular de Loius Pasteur, a comunidade médica foi convencida da importância de lavar as mãos.

https://www.bbc.com/portuguese/geral-49817726

Como saber inglês ajudou Jack Ma

Jack Ma, o fundador do AliBaba, tem inglês fluente. Vide qualquer vídeo dele.

Sendo de família pobre, vivendo na pior época da China, como pode ter conseguido a fluência?

Jack conta que, aos 9 anos, ficava na frente de um hotel internacional, e se oferecia gratuitamente para guiar turistas. Nessas interações, ele conheceu muita gente. Teve um casal australiano que o ajudou a pagar os estudos e a fazer uma viagem à Austrália.

Na China, era ensinado que ali era o melhor lugar do mundo. Ir à Austrália o fez compreender que ele deveria ter suas próprias crenças e não acreditar em tudo que é dito.

Jack, anos depois, trabalhou como professor de inglês. Uma viagem (como tradutor) aos EUA, o fez conhecer a internet.

Anos depois, ele foi escalado para falar com Jerry Yang, co-fundador do Yahoo. Jack guiou Yang à Grande Muralha da China, e fazia perguntas incessantes sobre a Internet.

Pouco depois, Jack fundou o AliBaba. Yang, ao saber que aquele guia cheio de energia tinha fundado uma companhia, foi um dos primeiros investidores.

É claro que só saber inglês não basta, porém, é uma barreira a menos no que realmente interessa, o networking.

Tem muita gente que diz, “ah, não preciso de inglês no meu trabalho”. Se o objetivo for fazer a mesma coisa sempre, sim, realmente não interessa.

Se for para desbravar o mundo, conhecer outras pessoas e criar novas realidades, o inglês é essencial.

Alguns links:

https://ideiasesquecidas.com/2020/02/25/recomendacao-ai-superpowers/

https://ideiasesquecidas.com/2020/02/29/como-ficar-rico-sem-ter-sorte/

Xiaomi – a Apple chinesa

Uma fila imensa, dobrando o quarteirão, aguardando o lançamento de um produto de alta qualidade. Um público fiel, amante de tecnologia. Um produto com bela interface e ótimo desempenho.

Estamos falando da Apple?

Poderia ser, mas, no caso, é a Xiaomi, fabricante chinesa de celulares e outros produtos de tecnologia.

Talvez ela seja mais parecida com a Sony. Nos anos 60, o Japão era considerado um mero copiador barato dos originais americanos. A empresa de Akio Morita foi uma das primeiras a querer mudar isto, e o seu produto mais notável foi o walkman – na qual eles usaram o recém-criado transístor numa aplicação que nem os seus inventores tinham sonhado em fazer.

A Xiaomi também se espelha na Amazon. Pontos: enorme eficiência em custos e foco no cliente, para fornecer produtos a preços competitivos e com qualidade.

A Xiaomi foi fundada em 2010, por um grupo de pessoas que já tinha grande experiência na indústria de eletrônicos. Ela começou como uma empresa de software, apenas criando versões personalizadas e melhoradas do Android. Uma característica forte da empresa sempre foi interagir e ouvir muito o cliente, em especial os early adopters viciados no produto.

Logo, eles passaram a concorrer também no difícil mercado de hardware, contra dezenas de outros fabricantes.

Uma característica é que a Xiaomi não tem um produto altamente inovador, que muda o mercado em pouco tempo. Ela tem uma evolução contínua forte, que leva a um produto final de alta performance, user-friendly e com custo competitivo, passo-a-passo, gradualmente.

A loja da Xiaomi, no Shopping Ibirapuera em SP, tem de tudo: luzes inteligente, abajures, sensores de abertura de portas e janelas, speakers bluetooth, mochilas, squeeze de água, escova de dentes elétrica, guarda-chuva, patinete elétrico e até pote dobrável de água para cachorro!

Balança de bioimpedância da Xiaomi: mede peso e estima gordura visceral e idade óssea.

Quem compraria um guarda-chuva só porque é da Xiaomi? Os fãs da marca!

Ouvi um deles dizendo, espontaneamente: “a Xiaomi só faz coisa boa”.

A contar por essa paixão dos fãs, a Xiaomi tem tudo para ser a Apple da China.

Nota: Eu comprei um cubo mágico Xiaomi. Esta tem um clique viciante ao girar. É quase terapêutico. Nunca pensei que alguém fosse inovar num cubo mágico!

Links:

Sobre a Sony: https://ideiasesquecidas.com/2017/03/18/muro-de-tijolos-x-muro-de-pedras/

https://olhardigital.com.br/noticia/confira-os-produtos-mais-curiosos-a-venda-na-loja-da-xiaomi-no-brasil-atualizado/86419

Edital de inovação e coragem

No último edital de inovação industrial do Senai – Klabin, um grupo chamou a atenção.

Três pós-graduandos cruzaram o país (de ônibus), com a cara e a coragem, para participar da fase do pitch day.

Eles não tinham cases anteriores, não tinham equipamentos próprios e nem resultados concretos. Contudo, tinham um plano de trabalho que fazia muito sentido, know-how (pelo menos o teórico) e vontade de fazer acontecer.

Não cabe a mim dizer se eles vão para a próxima fase ou não, mas gostei da coragem, e fica o exemplo para todos nós.

Os gêmeos e o Bitcoin

Quando estive no frio de Chicago, em Nov de 2019, vi um anúncio curioso no metrô: uma empresa chamada Gemini, convidando o cidadão comum a comprar e vender criptomoedas como o Bitcoin.

Guarde a informação acima, e passemos para outra. Aproveitei os poucos dias em que estive lá para visitar livrarias. As livrarias brasileiras faliram. Não há muitos títulos interessante nas poucas que sobraram. As livrarias americanas também estão indo no mesmo caminho, diante do mundo digital, porém, elas ainda são infinitamente melhores do que as daqui.

Numa Barnes & Noble, além dos puzzles e cubos mágicos, um livrinho me chamou a atenção: Bitcoin Billionaires. Li a contra-capa, e era algo sobre os irmãos Winklevoss e o mundo das criptomoedas.

Os irmãos Winklevoss ficaram mundialmente famosos no filme “A Rede Social”. Cameron e Tyler Winklevoss, irmãos gêmeos de quase 2 metros de altura, competidores olímpicos de remo, de família rica, foram superados por um pirralho nerd, Mark Zuckerberg, na criação do Facebook. Para quem não assistiu ainda, sugiro fortemente.

O livro começa da onde terminou a participação dos Winklevoss junto ao Facebook: nos tribunais, com os irmãos tentando fechar um acordo com Mark Zuckerberg. O acordo (de US$ 65 milhões) acontece após muitas mágoas e negociações.

Após finalmente colocarem uma pedra neste episódio, eles estão em busca de novas oportunidades de negócio no Vale do Silício… apenas para serem rejeitados pelas empresas dali. Isso era estranho, qual startup diria “não” a milhões de dólares de funding? A questão era que as empresas do Vale queriam fazer negócios com o Facebook, o gigante da época (era mais ou menos 2010). Se os Winklevoss eram as pessoas mais odiadas por Zuckerberg, e a startup queria fazer negócios com o Facebook, era melhor evitar qualquer contato com os gêmeos!

Depois de idas e vindas, os Winklevoss acabam conhecendo alguns gênios desajustados que lhes apresentaram o mundo do Bitcoin.

Após estudarem muito o assunto, consultarem professores de Harvard (esses não tinham nem ideia do que estavam falando, o que era um sinal positivo), os gêmeos decidem entrar de cabeça no negócio. Um negócio de potencial altíssimo e risco igualmente imenso – exatamente o que eles queriam.

O Bitcoin é o representante mais famoso das criptomoedas. É o início da Internet do dinheiro.

Convencidos de que o investimento valia o risco, os gêmeos passam a comprar milhões de dólares de Bitcoin, com 1 Bitcoin a 10 US$.

Além de comprar a moeda, eles investiram numa startup para intermediar transações, o BitInstant. A lógica é que ninguém fica rico apostando. Quem fica rico é sempre a banca.

Com o aumento do preço da moeda, que chegou a 20 mil dólares, os Winklevoss se tornaram os primeiros bilionários de Bitcoin do mundo.

O livro cobre outros pioneiros do Bitcoin. Nem todos lucraram. Um deles é um libertário radical que lutava por uma moeda livre da interferência do estado, e acabou preso. Outro, um jovem que controlava o site Silk Road, e foi condenado à duas prisões perpétuas.

Após o BitInstant, os Winklevoss fundaram a Gemini (gêmeos em latim), incorporando as lições aprendidas. A Gemini é uma instituição que segue a legislação americana. Tem muita compliance além da tecnologia. Ela quer passar segurança a quem quer transacionar criptomoedas. Além disso, eles querem popularizar a sua adoção: não é mais necessário ser um nerd de computador ou um investidor de alto risco, mas uma pessoa comum, que anda de metrô!

Tyler e Cameron Winklevoss

Uma coisa é líquida e certa: criptomoedas vieram para ficar. Você também usará alguma criptomoeda em futuro próximo, talvez 10 anos, talvez 20 anos, não se sabe (nota: não necessariamente o Bitcoin).

Este texto não é uma recomendação de investimento. Embora haja um potencial imenso, há muitos problemas com o Bitcoin.

Listei alguns abaixo:

– Possível interferência governamental.

– Imensa volatilidade (chegou a passar de 20 mil US$ para menos de 7 mil).

– É difícil de lidar diretamente, sendo a pessoa comum obrigada a confiar em instituições como a Gemini dos Winklevoss (no Brasil, há várias similares surgindo).  Como confiar que tais empresas são idôneas?

– Imagine se alguém descobrir uma falha não descoberta até agora, a confiança no sistema por cair a zero.

– Existe sempre a concorrência de outras criptomoedas.

– Surgimento de uma tecnologia superior. Computação quântica pode ser uma delas, porém está a muitos anos de maturar.

Notas aleatórias:

Tyler e Cameron são gêmeos espelho. Gêmeos univitelinos, vieram de um mesmo óvulo que se separou após alguns dias de gestação. Um é o espelho do outro. Se um tem uma marca de um lado do corpo, o outro tem a mesma marca do lado oposto. Um é destro, outro é canhoto, um é racional, outro é emocional.

A constelação de Gêmeos é em homenagem aos personagens gregos Castor e Polideuces. Ambos são irmãos da Helena de Troia (aquela que provocou a Guerra de Troia). Ambos eram gêmeos, porém tinham pais diferentes: Castor era um simples mortal, Polideuces era filho de Zeus. Eles viveram muitas aventuras, uma delas foi fazer parte da tripulação da Argonáutica. Após a morte de Castor, Polideuces pediu que ambos partilhassem da imortalidade, e eles se transformaram na constelação de Gêmeos.

Prometeu e Epimeteu eram irmãos (não eram gêmeos). Prometeu tinha o dom da antevisão, e o Epimeteu, o dom da visão retrospectiva. Prometeu criou os seres vivos, e Epimeteu deu aos animais habilidades (garras, asas, etc). Chegando a vez do ser humano, o estoque de habilidades tinha acabado… Prometeu apiedou-se e deu ao ser humano o poder de planejar o futuro, e roubou o fogo dos deuses para dar aos homens.

Links:

https://ideiasesquecidas.com/2017/12/31/%e2%80%8bprometeu-e-epimeteu/

https://ideiasesquecidas.com/2017/12/17/o-que-e-dinheiro-para-mim/

https://ideiasesquecidas.com/2018/08/25/dinheiro-e-termodinamica/

Livro na Amazon: https://amzn.to/2wzILzP

O Dilema do Inovador

O mundo da inovação, tão em voga atualmente, deve muito ao professor de administração Clayton Christensen, falecido há poucos dias.

Ele abriu os olhos do mundo em relação ao Dilema do Inovador, resumido no gráfico a seguir.

Uma empresa tradicional apresenta uma performance, obtida de muitos anos de trabalho e desenvolvimento. Uma tecnologia potencialmente disruptiva, em seu início, não vai entregar resultados tão atraentes.

A empresa olha para a tecnologia concorrente, dá de ombros, e prefere ficar com a tecnologia madura, já consagrada, sem riscos. Isto abre espaço para que pequenas startups explorem esta brecha, e, talvez, disruptem o mercado.

Este é o dilema do inovador. É justamente em seu melhor momento que as grandes empresas tradicionais devem se desafiar e disruptar a si mesmas.

Exemplos práticos não faltam. Christensen cita a Kodak em seu livro, superada pelas máquinas digitais (e todo ppt de inovação o faz desde então). Mas a própria câmera fotográfica digital foi superada, hoje o celular tem câmeras tão poderosas que só profissionais precisam de uma câmera fotográfica. Outro exemplo é a indústria fonográfica, que teve o iTunes da Apple mudando toda a lógica dela, e atualmente, streaming como o Spotify destronando o iTunes.

https://epocanegocios.globo.com/Mundo/noticia/2020/01/morre-clayton-christensen-inventor-do-conceito-inovacao-disruptiva.html

https://exame.abril.com.br/blog/david-cohen/o-enorme-legado-de-clayton-christensen