Por que alguém pagaria US$ 1 milhão numa imagem de um macaco (feio)?

Resumo baseado em artigo do amigo Mateus Magalhães Bastos, no link ao fim do texto.

– NFT é um “token não fungível”. Isto significa registrar a propriedade de um ativo digital numa blockchain e tornar ele único – como um assento num vôo, um ingresso para um jogo, uma propriedade de uma música. 

– Se eu pagar 1 milhão de doletas numa das imagens do Bored Ape, eu serei o proprietário dela, registrado em uma espécie de cartório descentralizado chamado blockchain. Uma vez dono desta imagem, posso fazer uso comercial: abrir um bar com o tema, vender camisetas, etc.

– É claro que qualquer um pode dar um print screen na tela e copiar a imagem do macaco, mas somente eu seria o dono de fato, garantido pela blockchain. Guardadas as devidas proporções, qualquer um pode abrir um bar temático do Darth Vader, copiando o estilo, porém somente a Disney tem os direitos autorais.

– Há outras vantagens. Além de ser dono de uma imagem, você está entrando num projeto maior. É como um ingresso para um clube restrito: receber brindes, ganhar outros NFTs, convites para eventos fechados e participar de uma comunidade exclusiva de donos desses macacos entediados.

– Um terceiro motivo pode ser especulação mesmo. Alguns Bored Apes que valem milhões hoje foram lançados por meros 190 dólares. Sabendo que a Yuga Labs (o império das NFTs) está lançando diversos projetos (desde outros NFTs até terrenos no metaverso), é bom estar perto do ela vem fazendo.

Confesso que me sinto como a minha avó tentando entender como um computador funciona. Nada disso faz muito sentido, a princípio. Porém, há ideias realmente boas que podem vingar futuramente, em meio a tantas outras que vão naufragar.

O texto do Mateus tem muito mais detalhes, para quem gostar do tema:

Crie imagens arficiais no Mini DALL·E

O DALL·E é uma inteligência artificial que cria imagens realísticas a partir de textos. Você digita um texto qualquer, ele interpreta e cruza imagens de forma a montar uma versão baseada no seu texto.

Esta IA tem 12 bilhões de parâmetros, e foi desenvolvida pela empresa Open AI.

Mortais comuns não têm acesso ao DALL·E, porém, uma alternativa mais simples é o “Mini DALL·E”, disponível neste link (https://huggingface.co/spaces/dalle-mini/dalle-mini). Não é tão poderosa assim, mas dá para criar fotos divertidas.

Exemplos:

“The thing fantastic four inside toothpaste”

“Einstein correndo contra uma tartaruga” gerou imagens como:

“Homem de Ferro dançando com cachorro”

“Wolverine eating pizza”: ele entendeu o wolverine animal (carcaju)

Com “Wolverine X-Men”, fica um pouco melhor, mas nem tanto.

Experimente o Mini DALL-E, é bem divertido.

Links:

https://huggingface.co/spaces/dalle-mini/dalle-mini

https://openai.com/dall-e-2/

Glossário – Indústria 4.0

Para fechar a série de posts sobre Indústria 4.0 e a Feira de Hanover, um glossário de termos chave.

Tentei explicar com minhas palavras e ser o mais direto possível. Há muito mais termos específicos, porém, espero que o glossário ajude a dar uma ideia geral.

OT: Operations technology, tecnologia de automação e controles fabris, em contraste ao IT (information technology em geral)


Convergência IT – OT: A OT é completamente diferente de IT tradicional. Devido ao aumento do número de dispositivos e de aumento de integração, há uma demanda enorme de convergência entre esses mundos


IOT: Internet das coisas. Dispositivos pequenos capazes de fazer medições (temperatura, vibração, umidade, etc) e enviar dados para a nuvem periodicamente

Cobots: Robôs colaborativos. A diferença é que o cobot não substitui o ser humano, e sim, funciona integrado


Dark Factory: Fábrica totalmente automatizada, sem a presença de pessoas

RPA: Robot process automation. Ao invés de robôs que fazem movimentos físicos, são algoritmos que automatizam processos (extração de dados, manipulação, preenchimento de informações, etc)

Closed loop of information: Informações de ponta a ponta da cadeia disponíveis para tomada de decisão

Zero trust security: Em cybersegurança, arquitetura em que o usuário deve ser continuamente autenticado, validado, para cada aplicação e dados

Chart of trust: grupo de fornecedores e reguladores em cybersegurança, para troca rápida de informação

Advanced Analytics: camada de Analytics que foca em aplicações complexas de otimização, simulação computacional, AI, tomada de decisão na cadeia, etc

Digital Twin: modelo de simulação que reflete acuradamente um processo físico, e com alimentação de dados em tempo real e feedback de tomada de decisão

Edge computing: computação feita nas pontas, próximo à aplicação, com computadores pequenos – lembra um Raspberry Pi ou Arduíno, com a diferença de que estes últimos são caseiros.

Manutenção preditiva: manutenção baseada em previsão e probabilidade de falhas, a partir de medições feitas em tempo real. Contrasta com manutenção corretiva (depois que deu problema) e preventiva (feita periodicamente, em prevenção)


Manufatura aditiva: impressoras 3D, onde o material é adicionado filamento a filamento. Contrasta com manufatura subtrativa (material é retirado) e técnicas tradicionais de usinagem

ML Ops: machine learning and operations. Conjunto de práticas para desenvolver e operacionalizar rapidamente modelos de machine learning. Isso porque um dos erros mais comuns que existem é criar uma prova de conceito onde tudo funciona, mas não é escalável para a operação, seja por problemas de licença, infraestrutura, ou skill necessário

Revisão: Bruno Cambria.

Veja também:

Impressoras 3D – Feira de Hanover

No bloco sobre peças e materiais, da Feira de Hanover 2022, havia uma série de expositores com peças tradicionais e estudos diversos de materiais.

Um destaque interessante foram as impressoras 3D, que tiveram uma evolução enorme nos últimos anos.

Também é chamada de Manufatura Aditiva, pelo material ser adicionado filamento a filamento. Contrasta com Manufatura Subtrativa (onde o material é retirado, também tem o nome CNC – controle numérico por computador) e técnicas tradicionais de usinagem.

Materiais diversos utilizados como filamento: kevlar, fibra de vido, aço. Foto tirada na feira de Hanover

Algumas notas:

•Evolução forte de impressoras 3D nos últimos anos

• Atualmente é possível utilizar materiais como fibra de vidro, kevlar e até metais como aço, cobre e alumínio. Uma aplicação possível é em peças de reposição. Ao invés de ter estoques, imprimir a peça. Há fornecedores que já entregam a peça com o desenho.

Cubo mágico feito em 3D – Foto tirada na Feira de Hanover

•Aplicação em prototipagem rápida e em estoque de peças

•Não basta comprar, é necessário ter especialistas em desenho das peças e técnicos para as impressoras

•Podemos escanear uma peça qualquer para usar? Quem tem os direitos autorais do design?

Protótipo de snowboard – Foto tirada na Feira de Hanover
Peças impressas em 3D – Foto tirada na Feira de Hanover

•Foco inicial em peças de baixo valor agregado, por questão de qualidade e confiabilidade

•Concorre com técnicas tradicionais de manufatura de peças

Carro de corrida impresso em 3D – havia um vídeo mostrando como cada peça foi feita – Foto tirada na Feira de Hanover

Até agora, impressoras 3D foram utilizadas a princípio para prototipagem inicial. Agora, cada vez mais, a mesma vem sendo capaz de realmente produzir peças para operação de verdade.

Veja também:

Destaques de Hanover 2022 – Cybersegurança

Cybersegurança é extremamente importante no mundo de hoje, e foi um dos temas quentes abordados na feira de Hannover 2022. Seguem algumas reflexões:

  • Ocorre um cyberataque a cada 39 s, e houve aumento de 300% durante pandemia
  • 85% mais Malwares atualmente (Wanna Cry, Log4J)
  • Evolução diária, difícil prever
  • Além da segurança em IT, mais dois elos frágeis: OT e supply chain. 2/3 dos ataques ocorrem via supply chain
  • Arquitetura Zero trust. Antigamente, era só uma barreira externa, quem passasse tinha acesso a todo o sistema. Agora, mesmo com acesso permitido, o escopo de atuação é limitado e há constante checagem de acesso
Sobre zero trust network. Natalia Oropeza, Chief Cybersecurity Officer, Siemens

  • Chart of trust: grupo de fornecedores e reguladores, para troca rápida de informação sobre ataques
  • A maioria das empresas não possui um plano de respostas a incidentes. Quando possui geralmente não há procedimentos claros contendo as responsabilidades de cada área, pessoas treinadas ou ferramentas para auxiliar na análise e investigação
  • Muitas vezes se compram ferramentas tecnológicas para atender solicitações de acionistas, clientes, etc. Porém não se sabe como e quando usar essas ferramentas

Tendências:

  • Corrida evolutiva do tipo predador-presa. A evolução de ataques está sujeita à Lei de Moore, daí tomar cuidado
  • Fronteiras OT-IT aumentando (dispositivos na nuvem, edge computing, IOT), por consequência aumenta a necessidade de ferramentas e processos de proteção
  • O primeiro passo é fazer o gerenciamento de riscos
  • Depois, conhecer bem a topologia do seu sistema e ter um inventário dos ativos
  • Ter definida de forma clara as responsabilidades de cada área / pessoas
  • Em caso de um incidente a empresa precisa ser proativa e saber onde e como coletar as evidências para melhorar na investigação
  • Possuir empresas parceiras para consultoria, implementação de SIEM (Security Information and Event Management) e outras ferramentas de análise

By Arnaldo Gunzi / Guilherme Bittencourt

Veja também:

Entendendo as células de hidrogênio com química do segundo grau

Um dos destaques da Feira de Hanover 2022 (vide aqui) foram as células de hidrogênio.

O mundo vem procurando desenvolver alternativas viáveis aos combustíveis fósseis, devido à crescente preocupação com sustentabilidade do planeta. As células de hidrogênio são uma dessas alternativas.

O princípio básico é bem simples – tão simples quanto aulas de química do segundo grau.

O hidrogênio é o primeiro elemento químico da tabela periódica. É o mais leve elemento, além de ser altamente reativo – tanto que dificilmente ele vai ser encontrado no formato puro, mas sim, vai estar sempre ligado à alguma outra molécula.

O hidrogênio na forma comum é composto de um próton e um elétron, não tem nem nêutron.

Através da eletrólise, que consiste em passar uma corrente elétrica pela água, é possível decompor a água em gás hidrogênio e oxigênio:

2H20 -> 2H2 + 02

O hidrogênio, que pode ser utilizado como combustível, é o mesmo que compõe a água!

O hidrogênio é o primeiro elemento químico da tabela periódica. É o mais leve elemento, além de ser altamente reativo – tanto que dificilmente ele vai ser encontrado no formato puro, mas sim, vai estar sempre ligado à alguma outra molécula.

O gás hidrogênio, na presença de oxigênio e de uma faísca, vai queimar, gerando energia:

2H2 + 02 -> 2H20

O produto da reação é água. Ou seja, com uma célula de hidrogênio, produzimos energia para movimentar um carro, e o resultado é água, dá até para beber!

É possível produzir energia elétrica a partir da reação acima, através de uma chamada célula de energia com uma membrana chamada PEM (vide aqui). Note a simetria: uso eletricidade para separar o hidrogênio, e agora, recupero a eletricidade – e isso torna o hidrogênio muito interessante para carros elétricos.

(Veículo movido a hidrogênio – Foto tirada na feira de Hanover)

Bom demais para ser verdade, não? Se olhar só para a segunda parte do ciclo, sim, é isso mesmo. A “pegadinha” é o ciclo completo. Não temos no planeta imensas reservas de gás hidrogênio esperando para serem extraídas (se tivesse, ou esse explodiria facilmente ou evaporaria para fora da Terra, por ser leve). Devemos gerar o hidrogênio, e a principal forma de fazer isso é através da eletrólise.

Ora, mas se utilizarmos carvão ou petróleo para gerar energia para a eletrólise, não vai adiantar de nada – a conta não vai fechar.

Por isso, uma solução melhor seria utilizar uma fonte renovável (eólica, solar) + para gerar energia elétrica. A usina eólica produz eletricidade, a energia é armazenada em células de hidrogênio, para serem utilizadas posteriormente em veículos elétricos ou qualquer outra aplicação que utilize eletricidade – note a versatilidade da solução.

É por isso que na feira, tinha um pavilhão inteiro com essas três tecnologias: células de hidrogênio, energia eólica e motores elétricos.

Outros pontos de pesquisa e desenvolvimento:

O gás deve ser comprimido, para poder ser armazenado de forma eficiente – e quando o gás é comprimido à muita pressão, vira líquido (das aulinhas de física). Por isso, tinham fornecedores de compressores de hidrogênio na feira.

(Compressor de hidrogênio – Foto tirada na feira de Hanover)

Para armazenar, é necessário um tanque parrudo – tipo um botijão de gás gigante – e também havia fornecedores com os mesmos. Aliás, essa é uma desvantagem do veículo a hidrogênio, carregar esse peso extra.

(Tanque para armazenar hidrogênio – foto tirada na feira de Hanover)

Para reabastecer o hidrogênio, havia uma espécie de posto de combustível – porém, a vedação e pressão do mesmo são extremamente maiores do que o do posto de gasolina comum!

(Conceito de bomba de abastecimento de hidrogênio – foto tirada na feira de Hanover).

Além disso, pesquisas de catalisadores para otimizar a reação, filtros diversos para retirar impurezas nesses processo, institutos de pesquisa mostrando trabalhos, etc…

Note que tudo isso é química e física. Não há nada de “digital”. Células de hidrogênio não seguem a Lei de Moore, portanto, não podemos comparar esta tecnologia ao desenvolvimento de computadores, por exemplo. Tanto é que as primeiras ideias de células de hidrogênio são da década de 60. Essa tecnologia vai evoluir a seu modo.

O quão próximo da realidade está? A tecnologia existe, a química básica não é tão complicada. O problema é realmente a cadeia toda ser eficiente a ponto de valer a pena.

Será que um dia a conta vai fechar, e veremos uma base imensa de veículos a hidrogênio? Não sei, vamos torcer para que sim, e ir acompanhando a evolução do mesmo.

Veja também:

https://www.hannovermesse.de/en/expo/exhibitor-media-library

Guten Tag, Hannover!

I’m attending the #hannovermesse2022, in Germany. It is the most important industrial fair of the world, with more than 5.000 expositors and 200.000 visitants from all around the world, including we, from Brazil.

Some technological trends and curiosities:

– Every year there is a partner country. This year is Portugal

#iot is not only sensors anymore. Current solutions integrate sensors, transmission, data storage in cloud, also training algorithms, in order to have an almost plug and play solution

– Energy and #sustainability continue to be very hot topics, and Germany takes if very seriously. In the route between Frankfurt and Hannover, I saw at least a dozen wind turbines, for example

– A closed loop of information is a trend: seamless integration of several internal and external sources of information, to facilitate data mining and insights. Also, integration of information along the supply chain

– The noble area of #operationsresearch is also present: Google showed a case of optimization of data centers. Modern data centers are estimated to consume around 1,8% of the energy of the world. There are huge fluctuations in the demand and also in weather conditions, affecting costs and sustainability. Using OR techniques, they’re able to double the energy efficiency of their data centers.

– Hannover is a wonderful city, with a mix of green areas, modern city and historical architecture. With less than 1 million inhabitants, it has a fairly good structure of trains, easy even for tourists like us.

Danke, Hannover!

See also:

Como a maçã virou abóbora

No livro “After Steve: How Apple Became a Trillion-Dollar Company and Lost Its Soul”, o jornalista Tripp Mickle, do Wall Street Journal, investiga o que vem acontecendo com a Apple pós Steve Jobs: virou uma máquina de fazer dinheiro, mas perdeu a magia.

O livro foca em duas pessoas: o criativo designer Jony Ive e o eficiente novo CEO Tim Cook, e como o primeiro acabou definhando em importância até a sua saída.

A Apple, com Jobs, destacou-se por estar na intersecção artes e tecnologia.

Nenhum nome representa tanto o lado “arte” da Apple quanto Jony Ive, que era considerado como o “parceiro espiritual” de Jobs. Ele começou trabalhando com Jobs no projeto do iMac. Se deram muito bem, desde então. Se a Apple precisava de um hit, Ive entregava, independente de custos: o design na frente das finanças.

Jony Ive acabou sendo a segunda pessoa mais importante da Apple. Respondia direto a Jobs. Ive complementava Steve. Paciente, focado, ao contrário do chefe. Teve papel importante no segundo ato da Apple, ao se envolver no design do iPhone, iPod, iPad entre outros.

Com Jobs e Ive, o design era maior do que a engenharia. Com Tim Cook, o oposto.

É de conhecimento geral que Tim Cook é o atual CEO da Apple, e após um período de desconfiança, fez a empresa se tornar a mais valiosa do mundo, tendo atualmente inimaginável valor de mercado de 1 trilhão de dólares.

Cook teve a habilidade de navegar no mundo pós-Jobs. Entre outras ações, abriu caminho para Apple na China, e teve uma participação maior no mundo da política.

A Apple de Cook começou a deixar o design de lado, e ser guiada cada vez mais pelos números. Eficiência, baixos custos, ganhos de escala, supply chain. Negociadores em destaque, espremendo fornecedores e garantindo centenas de milhões a cada contrato. Finanças na frente do design.

A Apple continuou tentando inovar, porém sem o mesmo impacto do iPhone. Alguns produtos pós-Jobs.

  • Apple Watch. Uma das apostas da empresa é em wearables, como o relógio. Destaca-se a mudança de foco, de tecnologia para moda chique com relógios caros e personalizados. Ao invés de ser tecnologia premium, o mais barato produto de amanhã, agora concorria no setor de moda.
  • Aquisição do Beats e desenvolvimento dos fones sem fio Airpod.
  • O Apple Maps, clone do Google Maps, foi um fracasso.
  • Apple Music. O iTunes, na sua concepção original, foi um divisor de águas. Porém, o surgimento do streaming de música, com um acervo infinito por uma mensalidade pequena, fez a Apple lançar o seu próprio serviço. Onde Jobs inventava, agora Cook copia. Não há nenhum diferencial importante que torne a Apple Music superior ao Spotify, por exemplo. Apesar disso, atingiu fatia importante do mercado.
  • Carro autônomo da Apple, com grande expectativa? Vem sendo um experimento sem fim.
  • Outra ideia é uma versão Netflix da Apple – se vai vingar ou não, não sabemos.

A Apple de Cook é eficiente. Com as vendas do iPhone estáveis, como ele poderia fazer para extrair mais dinheiro dos já convertidos? Houve uma guinada, de produtos para serviços, aproveitando o ecossistema de fãs da Apple. Icloud, Music, App store.

Com Cook, houve aumento de importância das áreas operacionais, e Jony Ive ficou sendo apenas mais um no time. Uma hora decidiu sair. Para evitar publicidade negativa, a Apple ofereceu a ele o título de Chief Design Officer, e ocupação de meio período, mas na prática, ele estava exausto.

Ive foi sendo cada vez mais escanteado, até finalmente pedir as contas, em 2019.

A Apple de Cook, eficiente, lucrativa e chata, está cada vez mais parecida com a Microsoft. Os rebeldes viraram o sistema. 1984 cada vez mais parecida com 1984. Os piratas viraram a marinha.

Bateu o relógio da meia-noite, e a magia acabou. A maçã virou abóbora.

Link da Amazon https://amzn.to/3sw4r9S

Trilha sonora: Joan Baez, Love Minus Zero/No Limit

Veja também:

Use a IA só na máquina de lavar

Há 15 anos, num dia como hoje, eu estava tendo aulas de redes neurais no mestrado em Eletrônica, na Coppe UFRJ.

Naquela época, a melhor redes neural que conseguíamos fazer tinha 3 camadas e uma dúzia de neurônios por camada. Entretanto, já era um campo promissor, para visionários.

Perguntei ao meu professor: “Você confiaria numa rede neural para dirigir um carro ou fazer uma operação médica?”

A resposta foi algo como: “Colocar IA numa máquina de lavar, sem problemas. Agora, para situações importantes, não”.

A IA teve uma evolução exponencial desde então. Saiu do inverno para o verão, com avanços em pacotes computacionais (PyTorch, TensorFlow), novas técnicas (convolucional, transformer), e até em hardware (como GPU e TPU).

Entretanto, a resposta continua valendo.

A IA atual é uma caixa-preta: entra um monte de dados e sai uma decisão. Talvez seja uma caixa mais poderosa, mas a essência é a mesma.

O problema de uma caixa-preta é que ela vai funcionar extremamente bem, uns 98% dos casos, até o dia em que vai dar problema. E, se o dispositivo controlado for numa grande indústria, ou um carro autônomo, será um problema catastrófico, daqueles que põe em risco a confiança no trabalho todo.

Tanto é que uma das linhas de pesquisa mais importantes dos dias de hoje é o Explainable AI: abrir um pouco da caixa, entender de alguma forma o que está acontecendo, mesclar o poder da rede neural com regras explícitas.

E outra linha quente de pesquisas é a Ética em IA: de quem será a culpa, no caso de um atropelamento? Do fabricante? Do usuário que confiou no veículo? Da caixa-preta que ninguém sabe interpretar? Do engenheiro que treinou o algoritmo? Haverá auditoria de algoritmos, por parte do governo? São perguntas difíceis de responder.

De qualquer forma, é melhor seguir o conselho do meu professor: utilize AI em processos não críticos, no seu equivalente da máquina de lavar.

https://ideiasesquecidas.com/

O tesouro da pinhata

Quando eu tinha uns 7 anos, eu estava numa festinha de aniversário de algum colega.

O ápice da festinha era uma pinhata. Não uma pinhata de verdade, uma imitação, um balão enorme cheio de doces a ser explodido. Chamaram todas as crianças para ficar debaixo da pinhata. Lembro que estava todo mundo ansioso, tentando pegar o melhor lugar.

Eu nem sabia o que era aquilo e nem o que as outras crianças estavam fazendo, por isso, fiquei longe do centro. Quando o adulto explodiu o balão, vi que as crianças se agacharam, a fim de pegar os doces. Eu até tentei ir na onda, porém, estava pessimamente posicionado, e não havia espaço para entrar na muvuca.

Parei para observar ao redor, ver se não havia nenhuma bala que tinha voado longe. Para a minha surpresa, o fundo do balão tinha caído pelas redondezas, e tinha sido ignorado pelas crianças. O fundo do balão estava cheio de doces – por esses se acumularem no fundo – mais ou menos como o da foto a seguir.

Se eu tentasse fazer como todos, ficaria em desvantagem – por ser menor, mais fraco, menos informado. A minha sorte e sagacidade foi parar, analisar os arredores e pensar – um verdadeiro OODA loop, décadas antes de eu conhecer o conceito.

Portanto, não vá com a onda. Observe, oriente, decida e aja!

O jogo de Atari de Steve Jobs

Jogue aqui, direto no browser, o jogo de Atari do Steve Jobs.

https://elgoog.im/breakout/

Trata-se de um joguinho muito simples. Manipulamos uma espécie de raquete, que deve rebater a bolinha quicante, e eliminar todos os blocos acima.

Nada muito sotisficado, comparado aos dias de hoje. Porém, em 1974, era o supra sumo que a tecnologia nascente de computadores pessoais poderia oferecer.

Eu mesmo tive um Atari na década de 80, e era a melhor coisa do mundo.

Em 1974, Steve Jobs tinha 19 anos. Um dia, ele apareceu na sede da Atari, em Los Gatos, California, e disse que não sairia dali até ser contratado.

Alguns trechos, retirados das referências abaixo:

“Temos um garoto no saguão. Ele tem alguma coisa ou é maluco.”

Jobs, na época, vivia numa dieta vegetariana estranha, e não tomava banho, porque acreditava que a dieta o manteria puro, livre de odores.

“Ele era um garoto realmente nojento”, Alcorn disse certa vez ao historiador de videogames Steven Kent. “Acho que disse: ‘Devíamos chamar a polícia ou falar com ele.’ Então eu conversei com ele.”

O garoto Steve acabou contratado pela Atari. Um de seus trabalhos foi simplificar o circuito do jogo Breakout, citado acima. Explico. Na época, o console do Atari era metade do videogame. A outra metade eram os cartuchos, que deveriam ser comprados e plugados ao console para jogar. E os cartuchos tinham verdadeiros circuitos ali dentro, era hardware. Simplificar a configuração do circuito mantendo a jogabilidade significaria menos custo variável para o mesmo preço final.

Steve topou o desafio. A questão é que ele não manjava tanto assim de eletrônica – aí ele fez o que o futuro Steve Jobs fazia de melhor: terceirizar a tarefa para quem manjasse de verdade, no caso, o amigo Steve Wozniac, 5 anos mais velho e engenheiro da HP na época.

“Jobs nunca fez um pouquinho de engenharia em sua vida e ele me derrotou”, disse Alcorn mais tarde. “Demorou anos até eu descobrir que ele estava fazendo Woz ‘entrar pela porta dos fundos’ e fazer todo o trabalho enquanto ele recebia o crédito.”

Jobs sempre foi fascinado pela simplicidade dos jogos de Atari. Era um joystick e um botão apenas, o jogo vinha sem manual de instrução algum – era tudo muito intuitivo. Fico imaginando o quanto essas experiências anteriores o inspiraram a criar o iPhone, com um único botão e autoexplicativo, décadas mais tarde.

No tempo livre, Jobs e Woz começaram a projetar o Apple I. Depois, o Apple II foi oferecido inclusive à própria Atari – que recusou. Imagine como o mundo poderia ser diferente, se a Atari tivesse aceitado!

Veja também:
https://observatoriodegames.uol.com.br/destaque/tbt-gamer-como-foi-a-vida-de-steve-jobs-trabalhando-na-atari

Três asiáticos que fizeram sucesso no mundo corporativo americano

Três indicações de livros de asiáticos que fizeram sucesso no mundo corporativo americano.

1) Dave Liu é descendente de chineses nos EUA. Além disso, ele nasceu com um defeito no lábio. Neste livro, ele conta como conseguir ascender no meio hiper competitivo e ganancioso de Wall Street, mesmo com as barreiras acima.

The Way of the Wall Street Warrior:

https://amzn.to/3Ks5pKC

2) Tony Hsieh. Fundador da Zappos, uma varejista conhecida pelo extremo cuidado com o cliente. A Zappos foi comprada pela Amazon, uns anos atrás, numa transação bilionária.

Tony era descendente de taiwanês nos EUA, e infelizmente faleceu há poucos anos atrás.

Livro: Satisfação garantida


https://amzn.to/3vRi706

3) Akio Morita, o lendário fundador da japonesa Sony. Ele escreveu um livro chamado “Made in Japan”. Conta uma série de histórias muito bacanas. Exemplo, de como a Sony utilizou transístores para fazer rádios, antes mesmo que qualquer empresa americana descobrisse o potencial deste. Morita sabia que deveria entrar nos EUA para conquistar o mundo. No livro, ele também conta um
pouco do choque cultural (ex. nos EUA tem 4x mais advogados que engenheiros, no JP é o contrário).

Como é um livro da década de 80, não está mais em circulação, então deixo um link com alguns highlights.

Quem tiver outras indicações, favor postar nos comentários.