O Ecossistema faz toda a diferença

Ecossistema é uma palavra misteriosa, porque é o somatório de indivíduos, espécies, ambiente.

É maior do que eu, ou a minha empresa. É o TODO.

Porém, ao mesmo tempo, o ecossistema é NADA: é cada indivíduo, cada organização, são as empresas, o governo, a academia.

O melhor exemplo de ecossistema são os recifes de corais.

Uma conchinha vive a sua vida, e depois serve de abrigo a um pequeno peixe, que faz parte de uma cadeia maior, e assim sucessivamente.

Um grande ecossistema depende de todos, mas também, de cada um de nós: fazer bem o nosso trabalho, entregar valor para sociedade, e a sociedade retornar valor para nós, num eterno ciclo virtuoso…


Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/

Regra: não ter regras!

Para mim, a melhor coisa que aconteceu nos últimos anos foi a chegada da Netflix. O catálogo de filmes, as séries, o conteúdo original, colocou em nossas mãos um catálogo infindável de opções.

A Blockbuster teve a oportunidade de comprar a Netflix, por uma mixaria, no ano 2000.

Reed Hastings, o fundador da empresa, conta no recém lançado “A Regra é não ter Regras”.

A Blockbuster tinha 9 mil locadoras em todo o mundo, faturando US$ 6 bi.

A Netflix, na época um serviço de envio de DVDs pelo serviço postal, tinha 100 funcionários, 300 mil assinantes, e perdas anuais de US$ 57 mi!

A Blockbuster sabia que o negócio seria afetado por uma internet rápida no futuro. A proposta: ela compraria a Netflix, que criaria seu braço de aluguel e vídeos online.

Porém, a Blockbuster recusou categoricamente, após ouvir o preço de US$ 57 mi.

Hoje, a Netflix é o maior serviço de streaming do mundo, com mais de 180 milhões de assinantes em 190 países. A Blockbuster, está nos livros empoeirados de história.

Por que uma gigante como a Blockbuster não conseguiu criar o próprio serviço de streaming, sabendo que isso seria importante?

Uma das respostas: a cultura da empresa. A Netflix destaca: densidade de talentos, feedback sinceros e poucos controles. Regra: não ter regras. Inovação na veia.

Para entender a cultura da Netflix, recomendo o recém lançado livro de Hastings:


Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

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𝗦𝗮𝗯𝗲𝗿 𝘂𝘀𝗮𝗿 𝗼 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗼𝗹𝗲 𝗿𝗲𝗺𝗼𝘁𝗼 é 𝘂𝗺𝗮 𝗶𝗻𝗼𝘃𝗮çã𝗼?

Quando falamos de inovação, logo vem à cabeça empresas como a Apple ou o Google. O problema é que essas estão muito longe de nossa realidade. O que eu posso fazer?

Resposta: Há muito a ser feito. A inovação está nos olhos de quem vê.

Usar um simples controle remoto pode ser uma inovação.

Há mais ou menos um ano, quando eu estava saindo, vi a porta da vizinha aberta. Uma senhora, deve ter quase 80 anos. Ela estava esperando o zelador, e me vendo, pediu ajuda.

Ela tinha mexido em algo, e a entrada da televisão tinha saído da antena para HDMI…

Para todos nós, é banal usar o controle. Para ela, foi uma grande descoberta saber quais os botões a apertar. Agregou valor à sua vida.

Não precisamos mudar o mundo. Basta melhorar a vida de uma única pessoa. Melhorar um único processo, aperfeiçoar um único produto. Rapidamente, a solução escala, e, quando a gente percebe, estamos mudando o mundo.

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2018/09/16/por-que-segredo-da-inovacao-esta-no-ecossistema/

https://ideiasesquecidas.com/2020/07/12/6-livros-sobre-inovacao/


Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

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Eliminar o desnecessário, mesmo que seja a própria posição

Um colega meu foi contratado para uma posição de planejamento operacional. Após seis meses, a sua conclusão era de que a própria cadeira era dispensável! Uma parte do trabalho poderia ser feita pelo horizonte de planejamento superior, outra parte poderia ser automatizada.

A sua função poderia ser eliminada. E ele, faria o que?

Ora, alguém com visão e iniciativa de se autogerir a esse ponto tem uma valor inestimável em qualquer organização! Ele rapidamente começou a tocar outros projetos.

O trabalho agrega valor? Pode ser automatizado? Pode ser terceirizado para alguém que faz melhor e mais barato? É mesmo necessário?

Como diz uma frase antiga, uma máquina pode fazer o trabalho de 50 pessoas comuns. Máquina alguma pode fazer o trabalho de uma pessoa incomum.

Veja também: https://ideiasesquecidas.com/2015/05/30/muri-mura-muda/

A revista de 125 anos

Em 1895, um produtor de equipamentos agrícolas lançou a revista “The Furrow”. O conteúdo: novas técnicas agrícolas, dicas úteis, cases interessantes ao fazendeiro.

The Furrow

A revista foi um sucesso. Em meados de 1900, já tinha 4 milhões de leitores.

O nome da empresa: John Deere. Uma dos maiores do mundo no setor. E a publicação, “O sulco” em português, existe até hoje.

A revista não era um catálogo de produtos nem tinha conteúdo viesado para a empresa. Não era egoísta. O objetivo era agregar valor ao produtor rural. Daí o seu sucesso.

Quanto mais uma empresa colabora com a sociedade ao seu redor, melhor o resultado para ela mesma e para todos.

Alguns links:

https://www.deere.com.br/pt/publica%C3%A7%C3%B5es/o-sulco/

Dica de inovação: eliminar a parte chata

Aqueles um pouquinho mais velhos lembram-se da Blockbuster.

Era uma experiência boa pegar o carro e ir à loja, sempre bonita, com a namorada, escolher um filme para o fim de semana. Tinha até pipoca para microondas e doces, como uma sala de cinema.

A parte ruim era devolver o DVD no dia seguinte. Desviar o rumo do trabalho ou da escola, perder meia hora de um dia cheio só para entregar o filme de volta…

Assistir o DVD é legal, devolver o DVD é chato.

Tem uma empresa americana que atacou a parte chata do problema. Que tal só devolver quando fosse pegar outro? E se a cobrança fosse por mensalidade?

A empresa é a Netflix, a mesma que hoje é onipresente. Ela demorou muitos anos para dar certo, porém, a mentalidade inovadora existia desde o começo.

Fazer compras é legal. Ficar numa fila enorme, para pagar, é chato. Que tal acabar com as filas? A Apple Store não tem fila. Qualquer atendente pode finalizar a compra.

Ficar entrando em diversos sites de companhias aéreas e hotéis para combinar opções de voos, horários e tarifas é chato. Os sites do tipo Decolar.com, que aglomeram informações, atacam este problema.

No cotidiano: Tarefas repetitivas são chatas. Hoje em dia, há softwares de automação de processos (RPA) que podem fazer a mesma tarefa em segundos.

Tarefas burocráticas são chatas. Que tal perguntar se são mesmo necessárias, ou sugerir mudança de procedimento?

Reuniões são chatas. Todas elas realmente precisam da sua presença?

Receber um e-mail com textão mal escrito é chato. Que tal caprichar na comunicação?

Todas as vezes que você se deparar com algo chato, lembre-se: eis uma grande oportunidade!

Um poeminha para fechar: Opportunity, de Berton Braley
https://www.poemhunter.com/poem/opportunity-43/

Sobre a história da Netflix:

https://www.bbc.com/portuguese/geral-38348864

Coma não-comida para salvar o mundo da aniquilação total*

Hoje fiz um teste com o Not Milk. Pedi para as minhas filhas experimentarem, falando que era leite com chocolate normal…

O Not Milk é um leite feito à base de plantas, com o propósito de ser muito parecido com o leite normal.

Com o mesmo espírito, há um punhado de startups desenvolvendo carne, frango, sorvete, maionese, tudo à base de vegetais.

Pergunta: Como alimentar um planeta com quase 8 bilhões de pessoas, sujeito à mudanças climáticas e fatores socioeconômicos imprevisíveis?

Algumas respostas: aumentando a produtividade das plantações. Melhorando a logística de distribuição. Trocando a matriz de alimentação.

Trocar a matriz de alimentação é especialmente interessante. Uma vaca tem que viver uns 3 anos para o abate. Ou o gado ocupa uma área de pastagem gigantesca, ou é alimentado com ração, sendo soja o principal componente. Para produzir a soja, o produtor deve ocupar largas extensões de um terreno fértil, num lugar que tenha sol e chova bastante. Basta um passeio de carro no Paraná para visualizar centenas de quilômetros de plantações de soja.

E se as pessoas consumirem diretamente a soja, ao invés da carne do gado que consumiu a soja?

O problema é que carne de soja é ruim. Horrível. Enquanto o churrasco é unanimidade nacional, não conheço uma pessoa que seja fã de carne de soja.

É aí que entram startups como a NotCo, Fazenda do futuro, Impossible Foods… Desafio: produzir carne de vegetais indistinguível de carne normal. Leite de plantas indistinguível de leite de vaca. Tudo isso a custo acessível.

A carne vegetal apresenta 90% a menos de emissão de gases, consumo de água e ocupação de terra, segundo a fonte https://www.labcriativo.com.br/creative-life/analise-compara-o-impacto-ecologico-da-carne-vegetal-com-o-da-carne-bovina/

Hoje, em 2020, elas já deram um avanço impressionante. O Not-Milk é fabricado no Brasil, e encontrei a caixinha num supermercado perto de casa.

O preço do not-milk: R$ 16,00 o litro, contra R$ 4,00, o leite comum. Ainda caro, 4 vezes o preço da solução tradicional.

As não-comidas hoje ocupam um espaço de nicho. Potenciais consumidores hoje são pessoas alérgicas, defensores dos animais ou quem está numa dieta específica.


Resultado do teste do Not Milk

  • Minha filha mais nova (3 anos), gostou e até pediu mais (talvez por ter paladar menos apurado nessa idade)
  • As filhas de 5 e 9 anos odiaram

O Not Milk tem um gosto meio leite de soja, meio alguma coisa aguada. É esquisito ainda.

Provei um burguer vegetal há uns meses atrás. Tinha gosto de um hambúrguer ruim. Fosse um teste cego, não daria para dizer que é vegetal, mas não chega perto de um bom sanduíche do Madero, por exemplo.

Ainda há muito a evoluir.

Algum evento extremo (frio, calor, pragas, meteoro) futuro pode mudar o equilíbrio do balanço alimentar atual, e acelerar a adoção de não-comidas como uma alternativa.

Potencialmente, as não-comidas podem ganhar uma escala gigantesca, abocanhar uma fatia bilionária do mercado alimentício, serem mais baratas e ainda ajudar a preservar os recursos de nosso planeta. Vamos torcer para que eles realmente consigam atingir esses objetivos!

*Desculpe o título dramático. É só para chamar atenção, click-bait total.

Viagem ao fundo do mar

Uma bela notícia esta semana: HC transforma sala de ressonância para crianças em ‘viagem ao fundo do mar’.

(vide https://jovempan.com.br/programas/jornal-da-manha/hc-transforma-sala-ressonancia-criancas-viagem-fundo-mar.html)

Uma vez fiz ressonância. Tive que refazer mais duas vezes, porque eu tinha me mexido no procedimento. Agora, imagine uma criança ficar imóvel, dentro de um aparelho frio, escuro e assustador?

Com a viagem ao fundo do mar, a tarefa fica um pouco mais lúdica.


A ideia é baseada em uma iniciativa de alguns anos atrás, de um pessoal de Design Thinking:

https://ideiasesquecidas.com/2015/02/15/ressonancia-magnetica-divertida/

gepirata

“Doug Dietz era designer de produtos da General Eletric.

Ele tinha orgulho das máquinas de ressonância magnética que ele tinha projetado, eram as mais avançadas do mundo. Mas, acompanhando alguns procedimentos reais, ele notou que as crianças ficavam aterrorizadas com o equipamento. Era um túnel frio, sombrio, estranho. 80% das crianças tinham que ser sedadas para fazer os exames.

Doug resolveu testar outra solução. Procurou pessoas da área educacional, e transformou a máquina de ressonância magnética em uma aventura na ilha pirata, conforme as fotos acima.

Funcionou. A taxa de crianças sedadas passou a ser de 10%. Algumas até achavam a aventura divertida, e queriam voltar outro dia.”

Parabéns aos hospitais pelas iniciativas!

Qual a utilidade de uma inovação?

James Maxwell apresentou sua teoria do eletromagnetismo em 1864, predizendo que campos elétricos e magnéticos poderiam viajar pelo espaço numa onda eletromagnética.

Em 1882, a academia de ciências de Berlim propôs um prêmio, para quem conseguisse bolar um experimento que comprovasse as teorias de Maxwell.

Anos depois, Heinrich Hertz bolou um transmissor e receptor de ondas, provando ao mundo a existência das ondas eletromagnéticas.

Perguntaram qual a utilidade. Ele respondeu: “Não tem utilidade nenhuma. É apenas um experimento científico, uma curiosidade”.

O experimento sem utilidade de Hertz abriu caminho para a transmissão de ondas de rádio, as telecomunicações e todo o mundo moderno, nas décadas seguintes.

Uma inovação recém-nascida não tem utilidade imediata. É preciso tempo e cuidado para que esta mature e comece a gerar resultados, superando a geração atual.

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2020/01/25/o-dilema-do-inovador/

Empreendedorismo e currículo acadêmico

Participei de um workshop on-line sobre inovação, e a pergunta mais interessante que recebi foi:

“Sou estudante de engenharia e percebo um déficit nas universidades em conteúdos voltados para o empreendedorismo e tecnologias. Gostaria de pedir dicas para ir além dos pré-requisitos.”

Sim, há um déficit enorme no currículo acadêmico. Professores que estão rapidamente ficando obsoletos. Currículo distante da realidade. Mas acredito que o básico é ensinado.

Algumas dicas: 

– Faça o melhor trabalho possível na faculdade, sem dúvida é o arroz-com-feijão

– Abra um perfil no LinkedIn e contate profissionais interessantes, ou siga-os, há muito conteúdo bom. Tenha curiosidade, vá atrás, peça conexões na cara de pau.

– Há muitos cursos on-line excelentes hoje. Coursera, Udacity, EDX, além de workshops e lives. Depende da área que você quer seguir.

– Gosto de uma frase do Naval Ravikant. Empreendedorismo não é uma habilidade ensinável. Não é um plano de negócios que vai tornar alguém empreendedor. É coragem, é prática, é muita tentativa e erro.

Não há um caminho pronto, um roteiro a ser seguido. Se existisse, estaria obsoleto amanhã.

Como diz Nietzsche, você é o único responsável por criar o seu próprio caminho. E o mundo recompensa quem corre atrás, busca, desbrava novos caminhos.

Gostaria que profissionais desta desta rede também comentassem sobre o tema.

Empreendedorismo e currículo acadêmico

Participei de um workshop on-line sobre inovação, e a pergunta mais interessante que recebi foi:

“Sou estudante de engenharia e percebo um déficit nas universidades em conteúdos voltados para o empreendedorismo e tecnologias. Gostaria de pedir dicas para ir além dos pré-requisitos.”

Sim, há um déficit enorme no currículo acadêmico. Professores que estão rapidamente ficando obsoletos. Currículo distante da realidade. Mas acredito que o básico é ensinado.

Algumas dicas: 

– Faça o melhor trabalho possível na faculdade, sem dúvida é o arroz-com-feijão

– Abra um perfil no LinkedIn e contate profissionais interessantes, ou siga-os, há muito conteúdo bom. Tenha curiosidade, vá atrás, peça conexões na cara de pau.

– Há muitos cursos on-line excelentes hoje. Coursera, Udacity, EDX, além de workshops e lives. Depende da área que você quer seguir.

– Gosto de uma frase do Naval Ravikant. Empreendedorismo não é uma habilidade ensinável. Não é um plano de negócios que vai tornar alguém empreendedor. É coragem, é muita tentativa e erro.

Não há um caminho pronto, um roteiro a ser seguido. Se existisse, estaria obsoleto amanhã.

Como diz Nietzsche, você é o único responsável por criar o seu próprio caminho. E o mundo recompensa quem corre atrás, busca, desbrava novos caminhos.

Gostaria que profissionais desta desta rede também comentassem sobre o tema.

𝐎𝐮𝐯𝐢𝐫 𝐦ú𝐬𝐢𝐜𝐚 𝐜𝐨𝐦 𝐚𝐬 𝐩𝐞𝐫𝐧𝐚𝐬

Que tal ouvir música assim: sons graves nas pernas, guitarra na barriga?

Essa é a proposta de Mick Ebeling, fundador da Not Impossible.

A ideia é ajudar pessoas surdas a curtir um show de rock, com wearables projetados para transformar sons em vibrações.

𝐎 𝐄𝐲𝐞𝐖𝐫𝐢𝐭𝐞𝐫

Ao ouvir a história de um artista com o corpo totalmente paralisado, ele juntou uma equipe para projetar um dispositivo inspirado no que Stephen Hawking usava.

Eles adaptaram um óculos e câmera para detectar o movimento dos olhos. Dessa forma, pela primeira vez, o artista conseguiu voltar a desenhar, usando apenas os olhos!

𝐎 𝐏𝐫𝐨𝐣𝐞𝐭𝐨 𝐃𝐚𝐧𝐢𝐞𝐥

Daniel perdeu ambos os braços aos 14 anos, vítima de um bomba, no Sudão.

Ebeling juntou uma equipe de técnicos e médicos para projetar uma prótese biônica, numa impressora 3D, a uma fração do custo de uma prótese normal.

Patrocinadores cederam equipamentos e treinamento à comunidade local, para que o trabalho continuasse.

A mensagem é que ele fez isso para ajudar uma única pessoa: Daniel, o artista.

Não é preciso mudar o mundo. Podemos começar ajudando uma única pessoa.

O impossível não é impossível.

Mick Ebeling fez esta apresentação extremamente inspiradora na Expert XP 2020: