Cisnes Verdes e Inova Klabin

Tecnologia da Automação / Projetos Analíticos marcando presença no #InovaKlabin 2022!

Tema: #Sustentabilidade.

Foram cinco trilhas de imersão em experiências, desde a floresta até novos produtos, para clientes, fornecedores e amigos.

Destaque para a palestra de John Elkington, sobre “Cisnes Verdes”.

O meu autor favorito dos tempos modernos é Nassim Taleb, que popularizou o termo “Cisnes Negros”: eventos de baixa probabilidade, porém com impacto enorme. Tendemos a subestimar este tipo de evento e, a retrospecto, dizer que era totalmente previsível – vide crise de 2008.

Quando falamos “cisne negro”, vem à cabeça um evento negativo. Um cisne verde é similar, porém, é um evento positivo do ponto de vista ambiental: tecnologias e métodos que podem se desenvolver de forma sustentável, progresso exponencial na forma econômica, social e ambiental.

Uma única empresa de carros elétricos, por exemplo, não é um “cisne verde” – este conceito é mais global e geral. As empresas e instituições assim são um “patinho feio” – inspirado no conto de Andersen, sobre patinhos feios virarem belos cisnes.

Etapas para chegar aos cisnes verdes: Rejeição (isso não vai funcionar nunca), Responsabilidade por novas soluções, Replicação em larga escala, Resiliência da nova solução e Regeneração (sistema de consumo de recursos totalmente circular).

Veja também:
https://ideiasesquecidas.com/2017/08/09/a-teoria-dos-cisnes-negros/

Você prefere confiar no Google ou nos seus olhos?

Um caso interessante aconteceu comigo.

Estava com um colega, procurando por um restaurante, numa dessas viagens.

Nos dias de hoje, colocamos o endereço no Google Maps para nos guiar. Chegando lá, o lugar estava fechado, talvez por ter encerrado atividades, ou algum outro motivo qualquer.

O meu colega, indignado. “Que estranho, aqui no Google está dizendo que o restaurante está aberto”.

Meio grosseiro, mas disparei: “Você prefere confiar no Google ou no que você está vendo?”

No fundo, essa é uma crítica à dependência por tecnologia. O melhor metaverso possível é a vida real…

A Lei de Gall

Sabe aquele sistema perfeito, pensado nos mínimos detalhes para resolver todos os problemas de alguma área da empresa? Pois é, ele nunca vai existir. Muito menos, se for construído do zero.

“Um sistema complexo desenhado do zero nunca funciona e não pode ser remendado para fazer funcionar” – John Gall, no livro Systemantics.

Um sistema complexo (que funciona) necessariamente evoluiu de um modelo simples que funciona.

E esses modelos simples são simples porque necessariamente focam em aspectos mais relevantes do negócio e deixam outros de fora, ou a serem resolvidos por outros, ou com regras sub-ótimas.

Sempre penso em algumas situações que corroboram a Lei de Gall:

  • Sistemas que só funcionam em PPT, e na prática o analista roda o resultado que quer por fora (ex. tinha um de roteirização que conheço assim, por conta de várias restrições não mapeadas no software). Mas, no PPT e no discurso, é o supersistema que está rodando
  • Gente (principalmente TI) criticando as minhas inúmeras planilhas simples (que bem ou mal rodam até hoje e estão evoluindo)
  • Antigamente, existia um desejo de colocar tudo dentro do SAP ou o sistema ERP equivalente. Hoje, migrou o foco para a nuvem, e aí vem esse desejo de ter tudo na nuvem. Nem tudo precisa ser dentro do SAP ou da nuvem, principalmente sistemas simples em processos em evolução
  • Como saber o que funciona ou não, o que realmente é importante ou não? O que detalhar a fundo e o que deixar mais geral? O melhor jeito é testando contra a realidade, e deixando os resultados falarem por si

Juntando camadas e camadas de modelos simples, depois de um tempo, temos um modelo bastante complexo e funcional.

A Lei de Gall está em enorme acordo com a visão que tenho da realidade, e contra PPTs de consultorias estratégicas, startups que querem redesenhar o mundo inteiro.

Um último exemplo é a evolução das espécies. O ser humano não foi projetado desde o início para ser como é hoje. Foi um processo evolutivo, gradual de descobertas e adaptações simples, passo a passo, excruciantemente longo, até chegar aos dias atuais – e continua evoluindo.

Portanto, tenha a Lei de Gall como referência para trabalhos futuros.

Veja também:

O “startupeiro foda” quebrou

O “startupeiro foda” era um sujeito que começava os seus pitches pedindo para que pessoas disruptivas levantassem a mão. Se não conheciam disruptivos, agora iriam conhecer vários. Ele dizia que a sua startup era foda, formada só por caras foda, com conselheiros muito fodas.

O produto também era foda demais. Lindo, mágico. O cliente que não reconhecesse isso era muito burro. Talvez o cliente tivesse que mudar o seu processo e suas prioridades para encaixar essa solução foda e mágica na sua empresa, e não o contrário. E talvez o cliente tivesse que pagar em dobro pelo privilégio de ter tal produto fodástico em suas mãos.

E os concorrentes? Tudo fraquinho. Ninguém mais nesse mundo todo tem a mesma competência, mesmo acesso a recursos e pessoas de alto nível do que o nosso querido “startupeiro foda”.

Prejuízo desde sempre? Isso não importa. Estavam ganhando mercado, e um dia, seriam maiores do que todas as empresas do Brasil juntas.

Pois bem, recentemente, o “startupeiro foda” quebrou. Se f.

Sabedoria das vovós: humildade e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

(Meu primeiro contato com o dito cujo:
https://ideiasesquecidas.com/2019/04/14/o-pitch-do-startupeiro-foda/)

Vídeo em homenagem ao “startupeiro foda”

Scott x Amudsen: a conquista do Polo Sul

Recomendação de podcast, com dois gigantes: Malcown Gladwell (Outliers, David e Golias) e Tim Harford (O Economista Clandestino).

O tema: a corrida pela conquista do Polo Sul. De um lado, o britânico Robert Scott, de outro, o norueguês Roald Amudsen, no começo dos anos 1900.

Expedição de Amudsen – Fonte: https://www.scientificamerican.com/article/south-pole-discovered-december-14-1911/

Os exploradores tinham abordagens completamente diferentes.

  • Scott, herói badalado pela mídia, cheia de inovações mirabolantes (como utilizar pôneis)
  • Amudsen, low profile, pouco conhecido, chegou a dizer que ia ao Polo Norte para despistar atenção

Gladwell cita a semelhança de Scott com startup badalada do Vale do Silício, cheia de ideias e com enorme financiamento.
Porém, o dinheiro não vem sozinho. Com isso, opiniões, interferências, pressão. Exemplo é que o navio quase afundou, de tanta carga que levava.

Já Amudsen apenas queria chegar ao Polo Sul da maneira mais simples e eficiente possível – como se fosse um empreendedor desconhecido. Utilizou os tradicionais cães, para transporte de trenós, por exemplo.

Quem seria estúpido o suficiente para utilizar pôneis (morreram todos) no Polo Sul, quando o tradicional é utilizar cães? Talvez os mesmos que hoje proclamem as vantagens do blockchain para problemas que um banco de dados simples resolveria.

Amudsen venceu a corrida, no final das contas. Eu achei a analogia interessante, ainda mais vindo de dois grandes nomes do pensamento da atualidade.

Link: Podcast Cautionary Tales:
https://omny.fm/shows/cautionary-tales-with-tim-harford/how-would-you-dine-with-scott-or-amundsen-malcolm

Veja também:

Por que alguém pagaria US$ 1 milhão numa imagem de um macaco (feio)?

Resumo baseado em artigo do amigo Mateus Magalhães Bastos, no link ao fim do texto.

– NFT é um “token não fungível”. Isto significa registrar a propriedade de um ativo digital numa blockchain e tornar ele único – como um assento num vôo, um ingresso para um jogo, uma propriedade de uma música. 

– Se eu pagar 1 milhão de doletas numa das imagens do Bored Ape, eu serei o proprietário dela, registrado em uma espécie de cartório descentralizado chamado blockchain. Uma vez dono desta imagem, posso fazer uso comercial: abrir um bar com o tema, vender camisetas, etc.

– É claro que qualquer um pode dar um print screen na tela e copiar a imagem do macaco, mas somente eu seria o dono de fato, garantido pela blockchain. Guardadas as devidas proporções, qualquer um pode abrir um bar temático do Darth Vader, copiando o estilo, porém somente a Disney tem os direitos autorais.

– Há outras vantagens. Além de ser dono de uma imagem, você está entrando num projeto maior. É como um ingresso para um clube restrito: receber brindes, ganhar outros NFTs, convites para eventos fechados e participar de uma comunidade exclusiva de donos desses macacos entediados.

– Um terceiro motivo pode ser especulação mesmo. Alguns Bored Apes que valem milhões hoje foram lançados por meros 190 dólares. Sabendo que a Yuga Labs (o império das NFTs) está lançando diversos projetos (desde outros NFTs até terrenos no metaverso), é bom estar perto do ela vem fazendo.

Confesso que me sinto como a minha avó tentando entender como um computador funciona. Nada disso faz muito sentido, a princípio. Porém, há ideias realmente boas que podem vingar futuramente, em meio a tantas outras que vão naufragar.

O texto do Mateus tem muito mais detalhes, para quem gostar do tema:

Crie imagens arficiais no Mini DALL·E

O DALL·E é uma inteligência artificial que cria imagens realísticas a partir de textos. Você digita um texto qualquer, ele interpreta e cruza imagens de forma a montar uma versão baseada no seu texto.

Esta IA tem 12 bilhões de parâmetros, e foi desenvolvida pela empresa Open AI.

Mortais comuns não têm acesso ao DALL·E, porém, uma alternativa mais simples é o “Mini DALL·E”, disponível neste link (https://huggingface.co/spaces/dalle-mini/dalle-mini). Não é tão poderosa assim, mas dá para criar fotos divertidas.

Exemplos:

“The thing fantastic four inside toothpaste”

“Einstein correndo contra uma tartaruga” gerou imagens como:

“Homem de Ferro dançando com cachorro”

“Wolverine eating pizza”: ele entendeu o wolverine animal (carcaju)

Com “Wolverine X-Men”, fica um pouco melhor, mas nem tanto.

Experimente o Mini DALL-E, é bem divertido.

Links:

https://huggingface.co/spaces/dalle-mini/dalle-mini

https://openai.com/dall-e-2/

Glossário – Indústria 4.0

Para fechar a série de posts sobre Indústria 4.0 e a Feira de Hanover, um glossário de termos chave.

Tentei explicar com minhas palavras e ser o mais direto possível. Há muito mais termos específicos, porém, espero que o glossário ajude a dar uma ideia geral.

OT: Operations technology, tecnologia de automação e controles fabris, em contraste ao IT (information technology em geral)


Convergência IT – OT: A OT é completamente diferente de IT tradicional. Devido ao aumento do número de dispositivos e de aumento de integração, há uma demanda enorme de convergência entre esses mundos


IOT: Internet das coisas. Dispositivos pequenos capazes de fazer medições (temperatura, vibração, umidade, etc) e enviar dados para a nuvem periodicamente

Cobots: Robôs colaborativos. A diferença é que o cobot não substitui o ser humano, e sim, funciona integrado


Dark Factory: Fábrica totalmente automatizada, sem a presença de pessoas

RPA: Robot process automation. Ao invés de robôs que fazem movimentos físicos, são algoritmos que automatizam processos (extração de dados, manipulação, preenchimento de informações, etc)

Closed loop of information: Informações de ponta a ponta da cadeia disponíveis para tomada de decisão

Zero trust security: Em cybersegurança, arquitetura em que o usuário deve ser continuamente autenticado, validado, para cada aplicação e dados

Chart of trust: grupo de fornecedores e reguladores em cybersegurança, para troca rápida de informação

Advanced Analytics: camada de Analytics que foca em aplicações complexas de otimização, simulação computacional, AI, tomada de decisão na cadeia, etc

Digital Twin: modelo de simulação que reflete acuradamente um processo físico, e com alimentação de dados em tempo real e feedback de tomada de decisão

Edge computing: computação feita nas pontas, próximo à aplicação, com computadores pequenos – lembra um Raspberry Pi ou Arduíno, com a diferença de que estes últimos são caseiros.

Manutenção preditiva: manutenção baseada em previsão e probabilidade de falhas, a partir de medições feitas em tempo real. Contrasta com manutenção corretiva (depois que deu problema) e preventiva (feita periodicamente, em prevenção)


Manufatura aditiva: impressoras 3D, onde o material é adicionado filamento a filamento. Contrasta com manufatura subtrativa (material é retirado) e técnicas tradicionais de usinagem

ML Ops: machine learning and operations. Conjunto de práticas para desenvolver e operacionalizar rapidamente modelos de machine learning. Isso porque um dos erros mais comuns que existem é criar uma prova de conceito onde tudo funciona, mas não é escalável para a operação, seja por problemas de licença, infraestrutura, ou skill necessário

Revisão: Bruno Cambria.

Veja também:

Impressoras 3D – Feira de Hanover

No bloco sobre peças e materiais, da Feira de Hanover 2022, havia uma série de expositores com peças tradicionais e estudos diversos de materiais.

Um destaque interessante foram as impressoras 3D, que tiveram uma evolução enorme nos últimos anos.

Também é chamada de Manufatura Aditiva, pelo material ser adicionado filamento a filamento. Contrasta com Manufatura Subtrativa (onde o material é retirado, também tem o nome CNC – controle numérico por computador) e técnicas tradicionais de usinagem.

Materiais diversos utilizados como filamento: kevlar, fibra de vido, aço. Foto tirada na feira de Hanover

Algumas notas:

•Evolução forte de impressoras 3D nos últimos anos

• Atualmente é possível utilizar materiais como fibra de vidro, kevlar e até metais como aço, cobre e alumínio. Uma aplicação possível é em peças de reposição. Ao invés de ter estoques, imprimir a peça. Há fornecedores que já entregam a peça com o desenho.

Cubo mágico feito em 3D – Foto tirada na Feira de Hanover

•Aplicação em prototipagem rápida e em estoque de peças

•Não basta comprar, é necessário ter especialistas em desenho das peças e técnicos para as impressoras

•Podemos escanear uma peça qualquer para usar? Quem tem os direitos autorais do design?

Protótipo de snowboard – Foto tirada na Feira de Hanover
Peças impressas em 3D – Foto tirada na Feira de Hanover

•Foco inicial em peças de baixo valor agregado, por questão de qualidade e confiabilidade

•Concorre com técnicas tradicionais de manufatura de peças

Carro de corrida impresso em 3D – havia um vídeo mostrando como cada peça foi feita – Foto tirada na Feira de Hanover

Até agora, impressoras 3D foram utilizadas a princípio para prototipagem inicial. Agora, cada vez mais, a mesma vem sendo capaz de realmente produzir peças para operação de verdade.

Veja também:

Destaques de Hanover 2022 – Cybersegurança

Cybersegurança é extremamente importante no mundo de hoje, e foi um dos temas quentes abordados na feira de Hannover 2022. Seguem algumas reflexões:

  • Ocorre um cyberataque a cada 39 s, e houve aumento de 300% durante pandemia
  • 85% mais Malwares atualmente (Wanna Cry, Log4J)
  • Evolução diária, difícil prever
  • Além da segurança em IT, mais dois elos frágeis: OT e supply chain. 2/3 dos ataques ocorrem via supply chain
  • Arquitetura Zero trust. Antigamente, era só uma barreira externa, quem passasse tinha acesso a todo o sistema. Agora, mesmo com acesso permitido, o escopo de atuação é limitado e há constante checagem de acesso
Sobre zero trust network. Natalia Oropeza, Chief Cybersecurity Officer, Siemens

  • Chart of trust: grupo de fornecedores e reguladores, para troca rápida de informação sobre ataques
  • A maioria das empresas não possui um plano de respostas a incidentes. Quando possui geralmente não há procedimentos claros contendo as responsabilidades de cada área, pessoas treinadas ou ferramentas para auxiliar na análise e investigação
  • Muitas vezes se compram ferramentas tecnológicas para atender solicitações de acionistas, clientes, etc. Porém não se sabe como e quando usar essas ferramentas

Tendências:

  • Corrida evolutiva do tipo predador-presa. A evolução de ataques está sujeita à Lei de Moore, daí tomar cuidado
  • Fronteiras OT-IT aumentando (dispositivos na nuvem, edge computing, IOT), por consequência aumenta a necessidade de ferramentas e processos de proteção
  • O primeiro passo é fazer o gerenciamento de riscos
  • Depois, conhecer bem a topologia do seu sistema e ter um inventário dos ativos
  • Ter definida de forma clara as responsabilidades de cada área / pessoas
  • Em caso de um incidente a empresa precisa ser proativa e saber onde e como coletar as evidências para melhorar na investigação
  • Possuir empresas parceiras para consultoria, implementação de SIEM (Security Information and Event Management) e outras ferramentas de análise

By Arnaldo Gunzi / Guilherme Bittencourt

Veja também:

Entendendo as células de hidrogênio com química do segundo grau

Um dos destaques da Feira de Hanover 2022 (vide aqui) foram as células de hidrogênio.

O mundo vem procurando desenvolver alternativas viáveis aos combustíveis fósseis, devido à crescente preocupação com sustentabilidade do planeta. As células de hidrogênio são uma dessas alternativas.

O princípio básico é bem simples – tão simples quanto aulas de química do segundo grau.

O hidrogênio é o primeiro elemento químico da tabela periódica. É o mais leve elemento, além de ser altamente reativo – tanto que dificilmente ele vai ser encontrado no formato puro, mas sim, vai estar sempre ligado à alguma outra molécula.

O hidrogênio na forma comum é composto de um próton e um elétron, não tem nem nêutron.

Através da eletrólise, que consiste em passar uma corrente elétrica pela água, é possível decompor a água em gás hidrogênio e oxigênio:

2H20 -> 2H2 + 02

O hidrogênio, que pode ser utilizado como combustível, é o mesmo que compõe a água!

O hidrogênio é o primeiro elemento químico da tabela periódica. É o mais leve elemento, além de ser altamente reativo – tanto que dificilmente ele vai ser encontrado no formato puro, mas sim, vai estar sempre ligado à alguma outra molécula.

O gás hidrogênio, na presença de oxigênio e de uma faísca, vai queimar, gerando energia:

2H2 + 02 -> 2H20

O produto da reação é água. Ou seja, com uma célula de hidrogênio, produzimos energia para movimentar um carro, e o resultado é água, dá até para beber!

É possível produzir energia elétrica a partir da reação acima, através de uma chamada célula de energia com uma membrana chamada PEM (vide aqui). Note a simetria: uso eletricidade para separar o hidrogênio, e agora, recupero a eletricidade – e isso torna o hidrogênio muito interessante para carros elétricos.

(Veículo movido a hidrogênio – Foto tirada na feira de Hanover)

Bom demais para ser verdade, não? Se olhar só para a segunda parte do ciclo, sim, é isso mesmo. A “pegadinha” é o ciclo completo. Não temos no planeta imensas reservas de gás hidrogênio esperando para serem extraídas (se tivesse, ou esse explodiria facilmente ou evaporaria para fora da Terra, por ser leve). Devemos gerar o hidrogênio, e a principal forma de fazer isso é através da eletrólise.

Ora, mas se utilizarmos carvão ou petróleo para gerar energia para a eletrólise, não vai adiantar de nada – a conta não vai fechar.

Por isso, uma solução melhor seria utilizar uma fonte renovável (eólica, solar) + para gerar energia elétrica. A usina eólica produz eletricidade, a energia é armazenada em células de hidrogênio, para serem utilizadas posteriormente em veículos elétricos ou qualquer outra aplicação que utilize eletricidade – note a versatilidade da solução.

É por isso que na feira, tinha um pavilhão inteiro com essas três tecnologias: células de hidrogênio, energia eólica e motores elétricos.

Outros pontos de pesquisa e desenvolvimento:

O gás deve ser comprimido, para poder ser armazenado de forma eficiente – e quando o gás é comprimido à muita pressão, vira líquido (das aulinhas de física). Por isso, tinham fornecedores de compressores de hidrogênio na feira.

(Compressor de hidrogênio – Foto tirada na feira de Hanover)

Para armazenar, é necessário um tanque parrudo – tipo um botijão de gás gigante – e também havia fornecedores com os mesmos. Aliás, essa é uma desvantagem do veículo a hidrogênio, carregar esse peso extra.

(Tanque para armazenar hidrogênio – foto tirada na feira de Hanover)

Para reabastecer o hidrogênio, havia uma espécie de posto de combustível – porém, a vedação e pressão do mesmo são extremamente maiores do que o do posto de gasolina comum!

(Conceito de bomba de abastecimento de hidrogênio – foto tirada na feira de Hanover).

Além disso, pesquisas de catalisadores para otimizar a reação, filtros diversos para retirar impurezas nesses processo, institutos de pesquisa mostrando trabalhos, etc…

Note que tudo isso é química e física. Não há nada de “digital”. Células de hidrogênio não seguem a Lei de Moore, portanto, não podemos comparar esta tecnologia ao desenvolvimento de computadores, por exemplo. Tanto é que as primeiras ideias de células de hidrogênio são da década de 60. Essa tecnologia vai evoluir a seu modo.

O quão próximo da realidade está? A tecnologia existe, a química básica não é tão complicada. O problema é realmente a cadeia toda ser eficiente a ponto de valer a pena.

Será que um dia a conta vai fechar, e veremos uma base imensa de veículos a hidrogênio? Não sei, vamos torcer para que sim, e ir acompanhando a evolução do mesmo.

Veja também:

https://www.hannovermesse.de/en/expo/exhibitor-media-library

Guten Tag, Hannover!

I’m attending the #hannovermesse2022, in Germany. It is the most important industrial fair of the world, with more than 5.000 expositors and 200.000 visitants from all around the world, including we, from Brazil.

Some technological trends and curiosities:

– Every year there is a partner country. This year is Portugal

#iot is not only sensors anymore. Current solutions integrate sensors, transmission, data storage in cloud, also training algorithms, in order to have an almost plug and play solution

– Energy and #sustainability continue to be very hot topics, and Germany takes if very seriously. In the route between Frankfurt and Hannover, I saw at least a dozen wind turbines, for example

– A closed loop of information is a trend: seamless integration of several internal and external sources of information, to facilitate data mining and insights. Also, integration of information along the supply chain

– The noble area of #operationsresearch is also present: Google showed a case of optimization of data centers. Modern data centers are estimated to consume around 1,8% of the energy of the world. There are huge fluctuations in the demand and also in weather conditions, affecting costs and sustainability. Using OR techniques, they’re able to double the energy efficiency of their data centers.

– Hannover is a wonderful city, with a mix of green areas, modern city and historical architecture. With less than 1 million inhabitants, it has a fairly good structure of trains, easy even for tourists like us.

Danke, Hannover!

See also: