O segredo dos Dabbawallas, o melhor delivery do mundo

Na Índia, cinco mil dabbawallas (badda = caixa) entregam 200 mil marmitas, preparadas na mesma manhã na residência das pessoas e entregues no local de trabalho. À noite, a logística reversa: os dabbawallas devolvem as marmitas.

Na média, as marmitas percorrem 60 km, de bicicletas, trens, carrinhos ou a pé, envolvendo cerca de seis entregadores diferentes. Cada entregador carrega 65 kg!

Erros são inferiores a 1 em 6 milhões!

O segredo não é tecnologia. Não precisam de camadas complicadas de gerentes, nem de computadores com softwares avançados. Ninguém fez Design Sprint para desenhar o processo. Não há palestras motivacionais. O serviço existe há mais de 100 anos, com a mesma eficiência, utilizando cores e símbolos, já que boa parte dos entregadores não sabe ler.

O segredo é o comprometimento! O cliente é rei, já que entregar uma marmita errada é imperdoável, algo que mancha a imagem não só do entregador, mas do processo de entregas e da vila da onde vêm os entregadores (são quase todos do mesmo local de origem).

Um ponto que sempre comento. Muita gente sempre aponta sistemas computacionais como a solução. Para mim, é o exato oposto. O processo tem que ser bom, e depois puxar o sistema.

Processo >>> Sistema.

Links:

The secret to Mumbai’s dabbawalas | Financial Times (ft.com)

How dabbawalas became the world’s best food delivery system | The Independent | The Independent

Utter | From Dabbas to Facts! 10 Unknown Facts of Dabbawallas! | Utter (bewakoof.com)

Sobre o MuZero


A Deepmind é a empresa que criou o AlphaGo, a inteligência artificial que derrotou Lee Seidel, mestre do jogo Go, em 2016. É um dos marcos da evolução da IA na história, pelo Go ser ordens de grandeza mais complexo do que o xadrez.


A evolução do AlphaGo inclui o AlphaGoZero (que derrotou o anterior por 100 x 0) e o AlphaZero (este também inclui Xadrez e Shogi, e bateu o AlphaGoZero por 60 x 40).


A última evolução da família é o MuZero, capaz de aprender a jogar Go, Xadrez, Shogi (um xadrez japonês) e Atari, com desempenho top level, e sem ter as regras explicitamente ensinadas.

https://deepmind.com/blog/article/muzero-mastering-go-chess-shogi-and-atari-without-rules

Fonte: Blog do DeepMind

Seria como aprender a jogar xadrez sem ninguém ensinar. Aprender a jogar jogando, deduzindo as regras e perdendo milhares de partidas até entender as boas jogadas e desenvolver por si só a estratégia de jogo!

O DeepMind é uma empresa que dá prejuízo de uns 600 milhões de dólares por ano. Os custos incluem os computadores e o time de pesquisadores, pessoas caras, de altíssimo nível e bastante cobiçadas pela indústria.
A receita do DeepMind tende a zero, já que os projetos são em nível de pesquisa aplicada. A empresa só sobrevive por ser bancada pelo Google.


A inovação, nesse nível de liderança mundial, é assim. Bilhões de dólares investidos, muitos anos e os melhores cérebros. Além do alto risco.

Porém, são essas as empresas que constroem o futuro.


Daqui a alguns anos, estaremos utilizando ferramentas derivadas deste tipo de pesquisa aplicada. E vamos ficar pensando, “por que o Brasil não consegue chegar nesse nível?”

Veja também:

AlphaFold, dobramento de proteínas e origami (ideiasesquecidas.com)

𝗗𝗲𝗲𝗽𝗠𝗶𝗻𝗱 (ideiasesquecidas.com)

O presente é digital. O futuro será analógico.

Muito se fala do mundo digital de hoje, mas, se o presente é digital, o futuro será analógico.

Primeiro. a Computação quântica utiliza as propriedades quânticas dos átomos, como superposição e emaranhamento. Esta tem o potencial de quebrar toda a criptografia do mundo atual.

É como se eu pegasse todas as alternativas de um problema, computasse cada uma delas em paralelo e viesse apenas com a resposta correta.

Analógico x Digital (Fonte: Wikipedia)

Segundo: computação neuromórfica. Hoje em dia, temos um software digital imitando redes neurais humanas. A nova técnica procura ir direto ao ponto, criar um hardware, o memristor, que imita um neurônio biológico.

As vantagens seriam em consumo de energia e tamanho várias ordens de grandeza menores.

Todas essas pesquisas estão engatinhando, porém, o futuro é promissor.


E a terceira e melhor tecnologia analógica de todas: Cérebro humano.

Somos capazes de projetar coisas, criar as mais belas músicas, imaginar histórias, ensinar outras pessoas.

E fazer o futuro tecnológico, porém humano, acontecer.

Trilha sonora:

(98) Pink Floyd – Wish You Were Here – YouTube

De onde vêm as boas ideias – Steven Johnson

Um breve resumo do livro “De onde vêm as boas ideias”, de Steven Johnson. Este é um clássico no tema “Inovação”, popularizando termos como “possível adjacente” e “slow hunch”.

Temas:

  • Possível adjacente
  • Intuição lenta
  • Redes líquidas
  • Serendipidade
  • Ecossistema

Possível adjacente: a evolução ocorre passo a passo. De uma molécula simples que se junta à outra, formando células e depois organismos, até chegar nos seres vivos.

Uma ideia muito à frente do seu tempo não funciona. Se o Youtube tivesse surgido em 1995, não teria dado certo, já que nem internet de banda larga existia. Outro exemplo é o computador mecânico de Charles Babbage, 100 anos à frente dos computadores eletrônicos: não funcionou, por não ter os elementos necessários para tal.

Por outro lado, ocorrem múltiplas descobertas simultâneas,quando a invenção está no seu momento. Quem inventou o avião, Santos Dumont ou os Irmãos Wright? A relatividade geral é trabalho de Einstein, porém outros como Henri Poincaré também estavam chegando à mesma conclusão. Quando a inovação está “madura” para surgir, ela vai surgir.

Palpite lento. Não há momento “Eureka”. Ideias demoram tempo para amadurecer. Charles Darwin ficou décadas elaborando sua teoria da evolução.

Serendipidade para cruzar com outras ideias. Tentativa e erros, reciclagem e combinação de ideias antigas. Grandes palpites surgem à partir da colisão de pequenas ideias.

Por isso, a necessidade de redes líquidas. Redes de colaboração, lugares para ideias fluírem livremente.

Cidades são boas nisso. Os cafés e salões no iluminismo são um ótimo exemplo de espaço para ideias cruzarem e incubarem.

Ecossistema. Por fim, uma plataforma completa de inovação. Empresas, universidades formando mão-de-obra especializadas, regulação, capital de risco, tudo influencia de forma direta ou indireta.

Recifes de corais são o grande exemplo de ecossistema de inovação. Os corais envolvem dezenas de milhares de formas de vida diferentes. Cada forma de vida modifica o ambiente e possibilita que outras formas de vida surjam, nas suas cascas vazias ou consumindo os seus subprodutos.

Não dá para competir individualmente. A competição tem que ser sistêmica, como um ecossistema competindo com outro. Neste quesito, o Brasil está muito atrás.

Veja também:

Link da Amazon: https://amzn.to/3rd12dO

https://ideiasesquecidas.com/2020/07/12/6-livros-sobre-inovacao/

https://ideiasesquecidas.com/2018/09/16/por-que-segredo-da-inovacao-esta-no-ecossistema/

https://ideiasesquecidas.com/2018/03/25/algumas-palavras-sobre-inovacao/

Shark Tank – tubarões engolindo peixinhos

Assisti a alguns episódios de Shark Tank Brasil. O meu amigo Cláudio Galuchi já tinha recomendado faz tempo, mas eu nunca tinha assistido.

Tem coisa ali que não faz sentido para mim. A principal, é ter os “sharks” comprando 50% das startups.

Num dos episódios, um dos “tubarões” barganha agressivamente, dizendo que vai colocar o marketing, o conhecimento, e por isso, não entra por menos de 50%. Em pelo menos duas ocasiões, os tubarões se uniram para ter 60% da empresa!

Baby shark…

Pior ainda, isso numa rodada “seed”. Não sobra nada para uma próxima rodada de investimentos, virtualmente limitando o crescimento de algo que deveria escalar tremendamente ao longo do tempo. Ou o negócio não era escalável mesmo, contrariando a própria definição de startup dada pelo programa.

Ter mais de 50% do negócio transforma o empreendedor em um empregado. Uma coisa é eu ter um negócio, a pele no jogo de fazer isso acontecer. Outra coisa é ter o “tiburón” ganhando mais do que eu, e podendo tomar todas as decisões. Essa atitude mata o “olho do dono”.

Ainda mais, para o “tubarão”, a startup é só um negócio pequeno. Não vai sobrar tempo, paixão e recursos para tomar conta do negócio, não com a mesma intensidade dos fundadores originais. É a armadilha do “dilema do inovador”.

Na verdade, parece que o objetivo dos “sharks” ali é outro: engolir as “sardinhas” que aparecem, eliminando a concorrência…

Veja também:

O Dilema do Inovador (ideiasesquecidas.com)

Algumas palavras sobre Inovação (ideiasesquecidas.com)

AlphaFold, dobramento de proteínas e origami

O DeepMind, a mesma empresa da inteligência artificial que venceu os mestres do jogo Go, surpreende o mundo novamente.

Ela acaba de vencer o CASP – Critical Assessment of Protein Structure Prediction, uma competição para prever a estrutura de proteínas, com o seu algoritmo AlphaFold.

O CASP existe faz anos, e sempre tem um vencedor. Qual a diferença?

A diferença é que o AlphaFold foi muito superior aos demais, atingindo um nível de acurácia nunca antes visto, e rivalizando com técnicas laboratoriais (como o Raio-X) extremamente mais demoradas e caras.

O que é dobramento de proteínas?

Muito se fala do famoso DNA, a molécula em dupla-hélice que é o livro da vida. Entretanto,o DNA sozinho não faz nada. A informação contida neste, através de suas bases (A,G,C,T), tem que ser transcrita e levada ao ribossomos, onde são transformadas em proteínas.

Um conjunto de três bases forma um aminoácido. O conjunto se dobra em estruturas 3D complexas, que aí sim, tem função no organismo – um hormônio, um anticorpo, etc.

Proteínas são os blocos constituintes da vida, existentes em seres humanos, animais, plantas.

É como dobrar um origami de um cisne. O DNA é o papel desdobrado, onde somente as marcas de dobra são visíveis.

O problema é: a partir das marcas das dobras, como montar o origami completo, dadas as interações físicas e químicas entre os aminoácidos. O problema é extremamente complexo, porque a cadeia pode ter milhares de aminoácidos, e todos influenciam em todos.

O DeepMind é famoso por utilizar redes neurais profundas do começo ao fim, porém, dessa vez, a abordagem foi mista.

Utilizaram: 1- redes neurais de atenção para chegar em fragmentos candidatos; e 2 – algoritmos clássicos (Gradient Descent) para otimização global.

Também esperava-se um esforço computacional gigantesco, fosse puramente redes neurais profundas, mas a abordagem descrita utilizou apenas ~200 GPUS, algo relativamente modesto nos dias de hoje.

Obviamente, fizeram uma quantidade gigantesca de pesquisa para chegar nessas soluções, dentre as inúmeras outras arquiteturas possíveis.

Aplicações do dobramento de proteínas: entender doenças e projetar remédios.

Os métodos atuais permitem obter a estrutura de uma proteína ao cabo de um ano e com um custo de 120 mil dólares. O AlphaFold fornece o resultado em meia hora.

Ainda há um longo caminho a percorrer, para tornar o AlphaFold capaz de resolver problemas de verdade. O CASP é basicamente um jogo controlado, e o algoritmo funciona bem apenas no contexto do desafio proposto.

Mas o futuro é promissor. Na palavra de um dos pesquisadores, “o AlphaFold vai mudar tudo”.

Referências.

https://news.efinancialcareers.com/uk-en/325021/google-deepmind-pay

https://deepmind.com/blog/article/alphafold-a-solution-to-a-50-year-old-grand-challenge-in-biology

https://www.businessinsider.com/deepmind-google-protein-folding-ai-alphafold-technology-2020-12

https://www.kdnuggets.com/2019/07/deepmind-protein-folding-upset.html

https://visao.sapo.pt/exameinformatica/noticias-ei/ciencia-ei/2020-12-02-inteligencia-artificial-da-deepmind-faz-descoberta-cientifica-revolucionaria/

Tony Hsieh – Satisfação Garantida

O mundo dos empreendedores lamenta a perda de Tony Hsieh, fundador da Zappos, negócio de venda de sapatos e roupas pela internet. A Zappos foi vendida à Amazon por $ 1 bi.

Descendente de taiwaneses nos EUA, os valores da família o obrigavam a perseguir nota 10 na escola, uma carreira reconhecida ou o domínio de um instrumento musical. Apesar de tirar notas altas e de ter trabalhado na Oracle, ele queria mesmo era a liberdade de empreender.

Um de seus primeiros negócios, ainda adolescente, foi criar um serviço de transformar fotos em broches. Era tudo pelos correios. O serviço foi sendo passado para os irmãos mais novos, e durou muitos anos.

Na faculdade, começou um negócio de pizzas. Tinha um colega que sempre encomendava muitas pizzas, em quantidade sobre-humana: duas, três pizzas grandes de pepperoni. Tempos depois, Tony descobriu que o rapaz (Alfred Lin) revendia as pizzas, por pedaço, no alojamento, ganhando uma grande margem sobre o produto. Alfred acabou virando CFO da Zappos, anos depois.

Tony fundou o LinkExchange, vendido à Microsoft por $ 265 mi, antes de fundar a Zappos.

Na Zappos, ele não estava preocupado com a eficiência, e sim, em gerar o melhor valor possível ao cliente. Ex. nos sites comuns, é extremamente difícil encontrar um telefone para ligar. Na Zappos, o número estava sempre visível. A tecnologia revolucionária era o velho telefone, o atendimento ao cliente.

Não por acaso, o seu livro tem o título “Delivering happiness”. Na versão em português, “Satisfação garantida”.

Tony faleceu devido a um incêndio em sua casa, aos 46 anos.

“Eu decidi parar de perseguir o dinheiro, e comecei a perseguir a paixão” – Tony Hsieh.

Livro “Satisfação garantida” na Amazon:

https://amzn.to/3fOMImr

Links:

Tony Hsieh, criador e ex-CEO da Zappos, morre aos 46 anos | Mundo | G1 (globo.com)

Tony Hsieh, dead at the age of 46, after injured in house fire | Las Vegas Review-Journal

Os médicos atenciosos

Um grupo de médicos recém formados estava lutando por seu lugar ao sol, na cidade de New York.

Diferentemente de seus pares mais experientes, eles não tinham clientela, nem capital para investir em marketing ou consultoria.

Eles resolveram o problema de forma criativa: passando mais tempo com o paciente, verificando se eles realmente entenderam as recomendações, fazendo uma ligação na semana seguinte para acompanhar o tratamento.

Os médicos normais tratam os pacientes como se fossem uma linha de produção: quanto mais rápido o giro, maior o ganho. Já esses recém-formados, traduziram o maior tempo livre em cuidado, gerando valor aos pacientes.

Não é preciso dizer que, pouco tempo depois, eles já tinham a sua clientela fiel.

Case contado no livro “Leap – how to thrive in a world where everything can be copied”.

No posto próximo à minha casa, os frentistas adotaram uma estratégia semelhante. Diante do menor movimento na pandemia, ao invés de dispensar pessoal, eles aumentaram os serviços: um abastece e verifica pneus, óleo, outro limpa os vidros dianteiros e traseiros, e, de vez em quando, um terceiro vem limpar o espelho retrovisor! No mínimo, ganham uma gorjeta um pouco maior.

O mundo é cíclico: gerando valor primeiro, as recompensas vêm depois.

Veja também:

𝗦𝗮𝗯𝗲𝗿 𝘂𝘀𝗮𝗿 𝗼 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗼𝗹𝗲 𝗿𝗲𝗺𝗼𝘁𝗼 é 𝘂𝗺𝗮 𝗶𝗻𝗼𝘃𝗮çã𝗼? (ideiasesquecidas.com)

O seu maior crítico se torna seu maior aliado (ideiasesquecidas.com)

O seu maior crítico se torna seu maior aliado

Pouca gente sabe, mas o físico Albert Einstein ganhou o Prêmio Nobel de Física pelo Efeito Fotoelétrico, e não pela famosa Teoria da Relatividade.

Ele teve uma ajuda incomum. Robert Millikan, físico americano, era o maior crítico às ideias de Einstein, tanto que ele bolou uma série de experimentos detalhados, a fim de provar que o “quanta de luz” não existia.

Entretanto, após anos de experimentos minuciosos, Millikan chegou à conclusão de que… Einstein estava correto!

A confirmação de Millikan contribuiu para o Nobel de Einstein. Anos depois, o próprio Millikan ganhou um Nobel, por suas contribuições à física.

As grandes rivalidades elevam o nível de ambos competidores. Messi x Cristiano Ronaldo, Ayrton Senna x Alain Proust, Kasparov x Karpov.

Moral da história: tenha rivais do porte de Millikan e Einstein.

Robert Millikan: “Passei 10 anos da minha vida testando a equação de Einstein de 1905, e ao contrário de todas as minhas expectativas, cheguei à conclusão inequívoca de que o experimento concorda com a teoria, por mais desarrazoada que ela seja, já que ela parece violar tudo que sabemos sobre a interferência da luz”.

Veja também:

https://jornal.usp.br/atualidades/vencedor-do-nobel-robert-millikan-questionava-teoria-de-einstein-sobre-fotons/

https://www.bbvaopenmind.com/en/science/physics/millikan-the-first-physicist-to-see-the-electron/

https://ideiasesquecidas.com/2020/08/19/qual-a-utilidade-de-uma-inovacao/

https://ideiasesquecidas.com/2018/06/29/sobre-atomos-e-vazio/

O Ecossistema faz toda a diferença

Ecossistema é uma palavra misteriosa, porque é o somatório de indivíduos, espécies, ambiente.

É maior do que eu, ou a minha empresa. É o TODO.

Porém, ao mesmo tempo, o ecossistema é NADA: é cada indivíduo, cada organização, são as empresas, o governo, a academia.

O melhor exemplo de ecossistema são os recifes de corais.

Uma conchinha vive a sua vida, e depois serve de abrigo a um pequeno peixe, que faz parte de uma cadeia maior, e assim sucessivamente.

Um grande ecossistema depende de todos, mas também, de cada um de nós: fazer bem o nosso trabalho, entregar valor para sociedade, e a sociedade retornar valor para nós, num eterno ciclo virtuoso…


Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

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Regra: não ter regras!

Para mim, a melhor coisa que aconteceu nos últimos anos foi a chegada da Netflix. O catálogo de filmes, as séries, o conteúdo original, colocou em nossas mãos um catálogo infindável de opções.

A Blockbuster teve a oportunidade de comprar a Netflix, por uma mixaria, no ano 2000.

Reed Hastings, o fundador da empresa, conta no recém lançado “A Regra é não ter Regras”.

A Blockbuster tinha 9 mil locadoras em todo o mundo, faturando US$ 6 bi.

A Netflix, na época um serviço de envio de DVDs pelo serviço postal, tinha 100 funcionários, 300 mil assinantes, e perdas anuais de US$ 57 mi!

A Blockbuster sabia que o negócio seria afetado por uma internet rápida no futuro. A proposta: ela compraria a Netflix, que criaria seu braço de aluguel e vídeos online.

Porém, a Blockbuster recusou categoricamente, após ouvir o preço de US$ 57 mi.

Hoje, a Netflix é o maior serviço de streaming do mundo, com mais de 180 milhões de assinantes em 190 países. A Blockbuster, está nos livros empoeirados de história.

Por que uma gigante como a Blockbuster não conseguiu criar o próprio serviço de streaming, sabendo que isso seria importante?

Uma das respostas: a cultura da empresa. A Netflix destaca: densidade de talentos, feedback sinceros e poucos controles. Regra: não ter regras. Inovação na veia.

Para entender a cultura da Netflix, recomendo o recém lançado livro de Hastings:


Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

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𝗦𝗮𝗯𝗲𝗿 𝘂𝘀𝗮𝗿 𝗼 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗼𝗹𝗲 𝗿𝗲𝗺𝗼𝘁𝗼 é 𝘂𝗺𝗮 𝗶𝗻𝗼𝘃𝗮çã𝗼?

Quando falamos de inovação, logo vem à cabeça empresas como a Apple ou o Google. O problema é que essas estão muito longe de nossa realidade. O que eu posso fazer?

Resposta: Há muito a ser feito. A inovação está nos olhos de quem vê.

Usar um simples controle remoto pode ser uma inovação.

Há mais ou menos um ano, quando eu estava saindo, vi a porta da vizinha aberta. Uma senhora, deve ter quase 80 anos. Ela estava esperando o zelador, e me vendo, pediu ajuda.

Ela tinha mexido em algo, e a entrada da televisão tinha saído da antena para HDMI…

Para todos nós, é banal usar o controle. Para ela, foi uma grande descoberta saber quais os botões a apertar. Agregou valor à sua vida.

Não precisamos mudar o mundo. Basta melhorar a vida de uma única pessoa. Melhorar um único processo, aperfeiçoar um único produto. Rapidamente, a solução escala, e, quando a gente percebe, estamos mudando o mundo.

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2018/09/16/por-que-segredo-da-inovacao-esta-no-ecossistema/

https://ideiasesquecidas.com/2020/07/12/6-livros-sobre-inovacao/


Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

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