Ray Dalio sobre a Nova Ordem Mundial, a China e Previsões para o Futuro

Ray Dalio é o gestor do maior fundo de investimentos do mundo, a Bridgewater, tendo começado do zero. Ele é considerado o “Steve Jobs das finanças”.

Dalio publicou no final de 2021 o livro “Principles for Dealing with the Changing World Order”, sobre ciclos econômicos e a nova ordem mundial que está surgindo, incluindo alguns forecasts para o futuro.


Ele começa estudando a história econômica dos últimos 500 anos, em especial impérios como China, Grã-Bretanha, Holanda e EUA – o livro é também um amplo trabalho de pesquisa histórica.

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É com certeza o melhor livro publicado em 2021, obrigatório para quem lida com economia e finanças. É fantástico para entender em que pontos estamos no mundo e para onde provavelmente estamos indo.

Seguem alguns highlights, anotações minhas sobre poucos pontos, dentre o calhamaço de mais de 500 páginas. Para a visão completa, comprar o livro, que é repleto de gráficos e tabelas com suporte quantitativo às afirmações feitas no texto.

Sobre ciclos

Os grandes ciclos oscilam entre 1) períodos prósperos de grande produtividade e 2) depressões, revoluções, guerras. Os períodos de paz duram muito mais do que os de guerra, tipicamente uma razão de 5:1, por isso é possível dizer que os períodos de guerra são uma transição entre períodos de paz e criatividade.

Três grandes forças que modelam ciclos econômicos:

  1. O ciclo do débito de longo prazo e mercado de capitais. Em nenhum momento de nossas vidas as taxas de juros estiveram tão baixas ou negativas. Em 2021, mais de 16 trilhões de dólares de débito estavam em taxas de juros negativas e uma quantidade unusualmente alta de novo débito adicional será vendido para financiar déficits. Isso pode ser novo para nossas vidas, mas já aconteceu em outras ocasiões da história. O país que tem o poder de imprimir a reserva de moeda do mundo tem uma posição privilegiada. Atualmente, os EUA ocupam este posto, mas já isso já mudou várias vezes ao longo da história.
  1. O ciclo de ordem e desordem interna. Desigualdades de riqueza e valores estão no maior ponto, durante a minha vida. Estudando os anos 1930s e outras eras, a polarização alta e a economia em baixa antecendem conflitos de como dividir o bolo.
  2. O ciclo de ordem e desordem externa. Pela primeira vez na minha vida, os EUA encontram um rival de poder equivalente de verdade. A China se tornou um poder rival aos EUA e está se tornando mais forte e a um ritmo mais acelerado. Se a tendência continuar, a China se tornará mais forte nos aspectos que tornam um império dominante.

O débito é grande demais para ser pago em hard money, haverá impressão de dinheiro.

Nos próximos anos, o business cycle (períodos de bancos centrais estimulando e esfriando a economia) será a dinâmica mais importante.

O próximo problema econômico grande deve em menos tempo, uns 5 anos.

O desconhecido é muito maior do que o conhecido.

Sobre o futuro

Olhar para o passado ajuda a:

  • Estimar o que provavelmente vai acontecer
  • Proteger a mim e aqueles de que sou responsável no caso de eu estar errado

Sobre mexer com futuro, deve-se:

  • Perceber e adaptar
  • Definir probabilidades
  • Saber o suficiente para se proteger

Verificar situações similares, mesmo que não perfeitamente iguais.

Extrapolando o passados dos últimos 100 anos, por exemplo, é razoável estimar que nos próximos 10 anos:

  • população mundial 10% ~15% maior do que hoje
  • produtividade por pessoa 20% maior
  • riqueza por pessoa 30% maior
  • expectativa de vida 7.5% maior

Em 20 anos:

  • população mundial 20%~25% maior
  • produtividade por pessoa 45% maior
  • riqueza por pessoa 70% maior
  • expectativa de vida 15% maior

Processar tanta informação é muito para uma boa mente humana, mas não para humanos + computadores.

Existe forecasts que não dão certo, há mudanças de paradigma que ocorrem. Mesmo assim, pode ser útil para distinguir uma mudança de verdade ou apenas uma moda.

Sobre EUA X China

Todos impérios declinam e surgem outros para sucedê-lo.

Há 5 tipos de guerra:

  • Econômica / comercial
  • Tecnológica
  • Capital
  • Geopolítica
  • Militar

A maior rivalidade atual é entre EUA X China, utilizando os parâmetros acima. Ambos estão claramente nas 4 primeiras guerras listadas acima. Ainda não estão em guerra militar. Pelos estudo do passado, conflitos dessa natureza precedem guerras militares em 5 ~10 anos.
Uma guerra militar entre essas duas potências seria devastadora.

Por enquanto, EUA são mais poderosos, com a China crescendo. Para a China, qualquer movimento nesse sentido é melhor em momento futuro. A doutrina da Destruição Mútua Assegurada preveniu grandes conflitos entre potências nas últimas décadas, e deve demorar muito tempo para que a China tenha vantagem tão grande a ponto de não ser destruída também num conflito. Uma guera militar é devastadora tanto para perdedores quanto vencedores.

China é uma força irredutível em relação à Taiwan e EUA irredutível também em relação à Taiwan. É o maior ponto de risco entre ambos, olhando para 10 anos.

A tendência é a China intensificar desenvolvimentos econômico / comercial, tecnológico, capital e geopolítica. Gastos militares vem aumentando.

Risco de grande guerra militar é de 35% nos próximos 10 anos, segundo cálculo de Dalio.

Como colocar apostas nesse contexto?

Sucesso vem de saber lidar com o imprevisto, ao invés do que já conhece.

  1. De todas as possibilidades, conhecer o pior cenário e verificar formas de eliminar o intolerável.
    Não ser nocauteado em caso de problemas. Calcular as necessidades básicas, de forma a saber o quanto seria necessário. Como se proteger para garantir esse mínimo?
  1. Diversificar. É possível reduzir riscos em 80% sem reduzir retorno, com diversificação correta. É uma estratégia de vida, ter opções a adotar em caso de necessidade. Outra é colocar gratificação futura mais relevante do que gratificação presente. Outra é testar discussões de ideias com as pessoas mais inteligentes possíveis.

Sobre tecnologia e computadores

A tecnologia atualmente ajuda o homem a pensar.

Combinação entre computadores e humanos pode gerar melhorias em todas as áreas da vida.

Não ser capaz de ler código de computador vai ser equivalente a não saber ler e escrever.

Avanços e aumento de aplicações em computação quântica e inteligência artificial levarão a avanços inimagináveis em taxas de aprendizado e melhorias e trarão mudanças de riqueza global e poder. Serão mudanças em taxas diferentes nos próximos 5 a 20 anos, e serão uma das maiores fontes de mudança em riqueza e poder que o mundo já viu.

Computação quântica e inteligência artificial serão superiores aos computadores tradicionais tal como o computador é em relação ao ábaco.

Sobre outras tecnologias promissoras:

  • AI e Robótica
  • Health care
  • Edição de genes
  • Vacinas de RNA
  • Nutrição e remédios

Bastante otimista quanto ao futuro.

EUA no topo de métricas de inovação, seguido de perto pela China, que vem avançando a passos rápidos. Quem vencer corrida tecnológica também vence a corrida econômica e militar.

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Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/

Um Einstein vale mais do que uma legião de PhDs robóticos

Excelente reflexão de Naval Ravikant (https://nav.al/einstein).

A China está formando mais graduados em ciência do que os EUA e qualquer outro país no mundo.

Porém, isso não significa necessariamente que estão saindo inovadores, muito pelo contrário.

A cultura chinesa em estudos é fortemente baseada em estudar o que já existe e memorizar de cabo a rabo, na verdade destruindo a criatividade e criando imitadores.

Criatividade vai de 0 a 1.

Um Einstein vale mais do que uma legião de PhDs robóticos.

Podcast do Naval:

Veja também:

Kaizen e a arte do pensamento criativo de Shigeo Shingo

Uma das minhas maiores inspirações, em 15 anos de trabalho em engenharia industrial, é Shigeo Shingo, do Sistema Toyota de Produção.

Questionar o porquê inúmeras vezes, verificar assimetrias, trocar a ordem de produção, paralelizar. O mestre Shingo ensina estes e outros princípios, no livro Kaizen e a arte do pensamento criativo.

O livro original é dos anos 1960, mas os princípios continuam válidos até hoje.

Seguem alguns cases.

Sobre comunicação precisa

Numa fábrica de discos de vinil (os mais novos nem sabem o que é isso), ele indagou ao operador sobre o que ele estava inspecionando.

“Várias coisas”, disse ele.

Shingo continuou indagando. Após mais uma rodada de respostas evasivas, o operador finalmente respondeu:

“Verifico se há poeira nos discos”. Após a resposta, o consultor prosseguiu: “E o que mais?”

“Também vejo se há algum arranhão”.

Ou seja, “várias coisas” na verdade se traduzia em apenas duas, poeira e arranhões. É importante ter clareza e transparência para efetiva comunicação.

Separar por diferença de propriedades

Em outro caso, a peça vinha carregada de limalhas de ferro, que se acumulavam. O projeto foi reformulado com uma calha feita com tela, para que a limalha fosse separada durante o processo de transporte da peça. Para tal, a pergunta foi “qual a diferença entre propriedades da peça e da limalha?” A resposta: peso, dimensões. Com isso, ficou fácil imaginar uma forma simples de fazer a separação.

Otimizar o fluxo de trabalho

Shingo, durante uma visita a seu médico, verificou que a maca, armário e instrumentos de desinfecção estavam em lados opostos da sala. Sua sugestão foi reconfigurar o layout, de modo a otimizar o fluxo de trabalho.

Serial x Paralelo

Uma peça era produzida de forma sequencial: furo na parte de cima, depois furos laterais, etc.

Cada furo era independente dos demais, de modo que seria possível paralelizar o trabalho e ganhar tempo com isso.

A forma encontrada de operacionalizar de forma eficiente foi utilizar uma mesa giratória, como a da foto.

O livro mostra uma série de princípios, com casos ilustrativos como os citados.

Outro conceito genial desenvolvido por Shingo foi o Poka-Yoke: sistema à prova de falhas. É para evitar erros humanos, como enfermeira injetar o vaselina ao invés de soro. O método consiste em fazer com que peças só encaixem se forem as corretas, digamos, o bico do pacote de vaselinatriangular, e o do soro comum, em formato de estrela.

Shigeo Shingo, Kaizen e a arte do pensamento criativo

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Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2014/06/21/eng-industrial-em-uma-fabrica-de-salsichas/

Indicação de série para os amantes de tecnologia

Indicação de série computacional para o fim de semana. Na Netflix, “The Billion Dollar Code” conta a história de um hacker e um artista, na Alemanha pós queda do muro de Berlim, que se uniram para criar um antecessor do Google Earth, 10 anos antes deste.

Eles imaginaram o super-homem, voando pelo planeta a grandes altitudes, e dando zoom nas regiões a serem visitadas. O software foi batizado “Terra Vision”, e mostrado em feiras no mundo todo.

Eles acusam uma pessoa da Silicon Graphics de ter copiado a ideia e pontos principais do código, para desenvolver o Google Earth. Anos depois do sucesso do Earth, os criadores do Terra Vision resolvem processar a gigante de tecnologia, e uma batalha jurídica se segue.

É uma batalha de Davi x Golias, contada pelo lado fraco da história.

Temos o costume de celebrar a visão, criatividade e persistência dos vencedores, dos Gates, Jobs e Zuckenbergs da vida. Entretanto, há centenas de empreendedores igualmente visionários, criativos e persistentes que ficam pelo caminho, por diversas circuntâncias.

Como é difícil inovar! Não basta ter uma ideia brilhante e capacidade técnica de desenvolvimento.

É preciso estar no timing correto. O Terra Vision surgiu anos antes da Internet se popularizar, muito cedo.

É preciso escalar. Na Alemanha da época, eles tinham acesso a pouquíssimo capital de risco e estrutura, de forma que não conseguiram fazer um produto de alcance mundial.

Concorrentes: existe uma teoria de que as ideias estão no ar, e quando chega o momento delas, mais de uma pessoa tem a mesma visão. Inúmeros casos: Santos Dumont x Irmãos Wright, Edinson x Westinghouse, Darwin x Wallace. Mesmo Einstein, não fosse ele a criar a Teoria da Relatividade, teriam outros (como o matemático David Hilbert). Se não fosse o Google Earth, seria o Terra Vision ou alguma concorrente.

E quem ganhou o processo, no final das contas? Veja na série.

A guerra das gillettes

O aparelho de barbear surgiu na época da Segunda Guerra. Antes disso, era na navalha mesmo, com os inconvenientes de ter que ir ao barbeiro, ou fazer em casa e se cortar todo.

Desde então, a Gillette vem aperfeiçoando as suas lâminas. Aparelhos descartáveis, baratos e seguros. Aliado a um marketing pesado, “gillette” virou sinônimo de lâminas de barbear.

Lembro de um depoimento do megainvestidor Warren Buffett, uns 30 anos atrás, em que ele dizia preferir empresas como a Gillette, porque o homem vai continuar se barbeando no futuro.

E, realmente, todo homem deve se barbear de tempos em tempos, para não ter a aparência de um homem das cavernas… o modelo de negócios da Gillette era perfeito.

Por volta dos anos 90, a Gillette introduziu uma inovação brilhante: duas lâminas. Isso permitiria um barbear melhor, mais suave. Todo homem que não seja um homem das cavernas sabe que o ato de se barbear pode fazer pequenos cortes no rosto, deixando a pele irritada pelo resto do dia.

Em meados dos anos 2000, com sua alta tecnologia em aparelhos aliado a um marketing pesado, a Gillette lança o Mach 3: três lâminas, assegurando um corte melhor e mais suave, e também mais lucro para a companhia. Só um supersônico atinge a velocidade Mach 3, dando a ideia de poder e velocidade, testosterona pura. Em resumo, outro sucesso.

Mas daí, a Gillette viu um concorrente passar-lhe a perna: a Schick lançou 4 lâminas antes da Gillette! Ou seja, a empresa gastou milhões de dólares educando o consumidor com a ideia de quanto mais lâminas melhor, aí chega outro e apresenta primeiro a sua inovação. Se, nos anos 2000 pouca gente dominava a tecnologia de criar lâminas boas e em escala, 10 anos depois isso já não era tão exclusivo assim.

Como foi a resposta da Gillette? Ora, simples: dobrar a aposta, nos mesmos moldes. Lançaram antes de todo mundo o aparelho de 5 lâminas, acompanhado de um caminhão de marketing!

E o que viria depois? 6 lâminas? 7? 10? Chega uma hora que o consumidor nota que não faz o menor sentido pagar uma fortuna em aparelhos sofisticados, sendo que os mais simples já são bons o suficiente.

Enquanto a Gillette batalha em frentes cada vez mais complexas, outros modelos de negócio atacam os seus flancos.

A BIC, a fabricante de canetas que domina tecnologia de plástico, foi na direção oposta: lançou modelos de barbeadores extremamente simples e baratos. Ironicamente, era esse o posicionamento original da Gillette em relação às navalhas.

Para efeito de comparação: o Bic Comfort custa R$ 13, já o Mach 3, R$ 49, refil com 3 unidades (ref. Julho 2021)

Já o Dollar Shave Club tem um modelo de negócios completamente diferente: distribuição on-line. Ao invés de fabricar lâminas, eles fazem a curadoria. Enviam ao consumidor as lâminas, em frequências pré-definidas, com modelos que o consumidor quiser. Isso é uma boa ideia, porque pessoas como eu só percebem a hora de trocar a gillette quando o barbear começa a irritar demais, literalmente sentindo na pele os efeitos de uma lâmina ruim. Receber uma lâmina nova antes da velha ficar ruim é um valor agregado pela startup.

A Gillette continua sendo uma companhia lucrativa, porém o seu share caiu devido à esses ataques pelos flancos e outros concorrentes.

É a Lei da Extensão de Marca, de Al Ries e Jack Trout: Há uma pressão irresistível para estender o alcance de uma marca. E exatamente por estender demais, há margem para ataques.

O genial Warren Buffett já recuperou o seu investimento na Gillette, mas será que ele apostaria nela por mais 30 anos?

Nota: No texto utilizei gillette minúscula como sinônimo de aparelho, e maiúsculo quando é relativo à empresa. O título correto deveria ser “A guerra dos aparelhos de barbear”. Porém, “A guerra das gillettes” é muito mais sonoro, tipo um Mach 3.

Este texto é baseado em case contado pela profa. Rita McGrath, em evento promovido pela Visagio Engenharia de Gestão.

Veja também:

Livro “Inflexão estratégica”, de Rita McGrath:

Inflexão Estratégica

Sobre o Market Share: https://www.wsj.com/articles/online-upstart-harrys-razor-jumps-into-gillettes-turf-1478707250

Os livros que viraram cachorros

No metrô de SP, antigamente tinham umas vending machines de livros. Hoje em dia, tem de comida para cachorros – essa é uma máquina da Petz. Sinal dos novos tempos.

Lembro de ter visitado um shopping, onde também uma livraria tinha dado lugar a uma loja de pets.

Nada contra, realmente acho que os livros tornaram-se digitais (ou podcasts, vídeos, cursos on-line, blogs como este), e a população está tendo menos filhos e mais cachorros. É apenas uma constatação destes tempos modernos, não uma crítica. Aliás, é bastante criativa a iniciativa da Petz.

Trilha sonora: Tempos modernos – Lulu Santos

Inovação e computação quântica

Bati um papo sobre computação quântica com o Rafael Veríssimo, fundador da startup Brazil Quantum.

A computação quântica é uma forma fundamentalmente diferente de fazer computação. Ao invés dos tradicionais bits (0 ou 1), temos qubits, utilizando propriedades quânticas como sobreposição e emaranhamento.

Não são todos os problemas em que há ganho em usar tal abordagem. Algumas das aplicações possíveis são: simulação de moléculas químicas, criptografia (tanto quebrar a criptografia atual quanto criar uma criptografia indecifrável por natureza) e otimização combinatória.

É uma tecnologia potencialmente disruptiva, que talvez se torne uma realidade nos próximos 10 anos.

Também falamos do projeto que estamos fazendo na empresa: o Trim Quântico. Como modelar o algoritmo do Trim, que roda em todas as empresas de papel, utilizando as técnicas citadas. A Klabin é pioneira na indústria nacional ao estudar este tipo de tecnologia.

Festival #InovaKlabin.

IA e computação baseada na natureza

No festival #InovaKlabin, bati um papo sobre IA e computação baseada na natureza, com um dos maiores cientistas do Brasil, o prof. Leandro de Castro.

São só 15 min, e está disponível no YouTube (por enquanto, não sei se vão tirar).

Criar algo do nada

“Criar algo do nada” é a estratégia 7, das 36 estratégias chinesas de guerra. Seguem dois exemplos.

Criar uma linhagem nobre do nada

O grande unificador do Japão, Toyotomi Hideyoshi, já tinha conquistado militarmente todo o território. Porém, no Japão, a autoridade do Imperador era muito respeitada como uma figura divina – pense no Imperador como um Papa, ao invés da noção usual de grande conquistador.

Para legitimar a sua autoridade, Hideyoshi precisava de um cargo equivalente a Primeiro-Ministro, ou regente, do Japão. Porém, sendo de origem camponesa, ele não tinha uma linhagem nobre para assumir o papel.

Assim, ele passou a cortejar a nobre família Fujiwara, oferendo mimos e paparicos. Depois de um tempo, surpreendentemente “descobriram” uma relação de antepassados antiga entre Hideyoshi e os Fujiwara. Com isso, Hideyoshi conseguiu ser nomeado regente do Imperador, legitimando a posição de domínio sobre todo o Japão.

Outro exemplo é a história da sopa de pedra. Um viajante, sem nada, chega numa cidade e fala que vai fazer sopa de pedra. Os habitantes, intrigados, lhe fornecem água, panelas e fogo. O viajante começa a cozinhar uma pedra, sem pressa, sob os olhares curiosos. Com o fervor da água, ele começa a pedir alguns ingredientes básicos: cenoura, sal. Depois, outros ingredientes mais elaborados: macarrão, carne, até que consegue uma excelente “sopa de pedra”.

O carro-multa e inteligência artificial

Desde o começo de 2021, na cidade de São Paulo, um curioso veículo cheio de câmeras circula pelas ruas da cidade: é o “carro-multa” da CET.

Objetivo: multar quem não pagou a taxa de estacionamento na Zona Azul.

O veículo é equipado com GPS, para detectar os locais onde há Zona Azul, pelo menos 4 câmeras e um algoritmo de inteligência artificial para reconhecimento de placas. A Zona Azul em papel não existe mais, agora também é digital. Com isso, é possível facilmente cruzar as informações e multar o infeliz que estacionou no local.

Este tipo de algoritmo é uma das aplicações mais simples possíveis da IA no estágio atual, que combinada com técnicas tradicionais de reconhecimento de imagens, tornam-se uma ferramenta extremamente efetiva.

Para aprender algoritmos de reconhecimento de dígitos: https://www.kaggle.com/c/digit-recognizer

Portanto, pague a Zona Azul ao parar nela! A CET e a Inteligência Artificial estão contra você!

A internet é um lugar vasto

Pouca gente entendeu o poder da internet.

A internet não liga para o seu status. Seus títulos, sua idade. Sua aparência, sexo.

E está só começando. Cerca de 50% das pessoas do mundo estão conectadas, e este número só tende a aumentar, em número de conexões e também no tempo de conexão das que já estão conectadas.

Não há mais fronteiras físicas.

Há milhares de oportunidades (e perigos), no vasto mundo da internet.

Há algumas dezenas de anos atrás, li um história em quadrinhos sobre a Unimente. Um povo alienígena, com uma inteligência coletiva superior, extremamente maior do que a soma das inteligências individuais. Eles se comunicavam por telepatia, e cada um contribuía um pouquinho para o todo.

Pois bem, a internet é a nossa unimente. Ao invés de telepatia, temos wireless.

Segue um desafio: Fazer um real pela internet.