O projeto de mercados, e como a matemática pode salvar vidas

A palestra de encerramento do Informs 2022 foi de Alvin Roth, professor da Harvard Business School e Prêmio Nobel de Economia 2012. Foi uma aula espetacular, com direito a um case extremamente interessante sobre transplante de rins, da qual faço um resumo aqui.

O tema de estudo de Roth é “Como criar regras para bons mercados?”. Ele estudou e ajudou a desenhar marketplaces diversos, em sua carreira.

Características a serem consideradas do mercado:

– Espessura

– Congestionamento

– Segurança

– Simplicidade

A espessura diz respeito ao número de participantes. O marketplace da Amazon, com milhares de vendedores e compradores, é muito mais interessante do que um marketplace de amigos da escola, que será muito menor.

O congestionamento diz respeito a diversos gargalos, seja tempo de transação, restrições diversas, que tornam o mercado ineficiente.

A segurança me lembra os primórdios do e-commerce, meados dos anos 2000. Poucos estavam acostumados com cartão de crédito. Além disso, quem garantiria que o comprador entregaria o produto, após o pagamento? O feedback com a reputação do vendedor, ou o marketplace garantindo devolução ajudaram a dar segurança aos participantes.

Simplicidade é o que o próprio nome sugere. Um mercado simples e direto é melhor a um mercado complicado.

Exemplo. No início, o trigo era negociado por cada comprador para cada vendedor. Uma revolução ocorreu quando houve a padronização de qualidades de trigo como commodity. Com isso, houve aumento da espessura do mercado (mais compradores poderiam comprar de mais vendedores o trigo da mesma qualidade), além de segurança (rating confiável de qualidade) e simplicidade (ao invés de combinações de compradores e vendedores, todo mundo no mesmo mercado).

Com o café etíope, algo similar. Após a implementação de teste cego de qualidade e commoditização, o mercado cresceu, melhorou em qualidade e simplicidade.

Mercado de rins

O “mercado” de rins não é um “mercado”, no conceito de troca de órgãos por dinheiro, até porque isso é ilegal e imoral na maior parte do mundo.

Há uma fila de 100 mil pessoas e 20 mil mortes por ano. É muito comum a pessoa que necessita de um rim ter um doador da família (a mãe, o pai, irmão). Porém, nem sempre o doador vai ser compatível com o paciente – tipo sanguíneo e outros testes analisam essa compatibilidade.

É possível fazer uma doação cruzada: o doador de um paciente ser compatível com outro paciente, e vice-versa.

Aqui, uma nota. Para uma doação cruzada, é necessário ter 4 salas cirúrgicas simultâneas (duas para retirar e duas para transplantar). Isso porque um atraso entre as cirurgias pode fazer um possível doador “mudar de ideia” nesse meio tempo, tornando a vida do outro paciente um pesadelo (além de continuar com o problema nos rins, perdeu o seu doador).

É aqui que entra a matemática. Que tal formar cadeias cada vez mais longas? Há um limite para tal, por conta da necessidade de salas simultâneas, mas teoricamente é possível.

Há doadores e receptores mais universais que outros, que são “fáceis” de encaixar e promover trocas. Há os mais difíceis também, de modo que é claramente um problema de matching, resolvível via programação inteira. É como ter um grafo direcional, com a função objetivo de formar a maior quantidade de conexões possíveis.

Nota: o próprio Roth citou que as técnicas e solver modernos facilitam muito a análise matemática. Na época em que o estudo começou, esse problema era um desafio bem maior do que é hoje.

Outro desafio é o acesso à informação. Hospitais são instituições privadas, que, a seu modo, concorrem por pacientes. É tentador fechar doações “fáceis” no próprio hospital, e deixar as “complicadas” para o pool nacional de doações.

Adicionalmente, há doadores externos. Como temos dois rins, é possível doar um e continuar a vida (só não pode beber muito). Esses doadores altruístas não precisam da doação de um rim, de modo que eles podem iniciar uma cadeia de doações. Antigamente, o rim dele era doado ao primeiro compatível da fila. Hoje, é doado a quem conseguir iniciar o gatilho da cadeia de cirurgias mais longa possível. Além disso, há o benefício adicional de que não é necessário ter operações simultâneas – é possível esperar um tempo entre cirurgias. Não há muito prejuízo se alguém “quebrar o link”, porque o paciente continua como antes, na fila, e com o seu doador intacto.

Roth cita que houve uma cadeia de 30 doações em 2012, o que não seria possível sem o seu trabalho.

Além do trabalho citado, há diversas outras questões. Por exemplo, expandir o banco de dados de países para troca de rins é bom, porque engrossa o mercado. Porém, o Irã permite a compra de órgãos por dinheiro. Quem garante que alguém rico o suficiente não compre um rim no Irã e inclua no pool americano para se beneficiar? São questões éticas que geram inúmeros debates.

Conclusões

O trabalho de Alvin Roth é um trabalho aplicado, muita mão na massa, para ajudar as pessoas de verdade – seja no caso dos rins, seja em outros mercados que ele ajudou a melhorar. Ele mostrou, nas palestras, fotos dele acompanhando cirurgias reais, a fim de dimensionar melhor a cadeia de trocas.

Para mim, é muito inspirador, no sentido de utilizar muita técnica, pesquisa operacional, e ter resultado prático direto na vida das pessoas.

Recomendação de livro: “Como funcionam os mercados”, de Alvin Roth.

https://amzn.to/3TyRUxT

Veja também:

A Lei de Goodhart

“Uma métrica, quando se torna uma meta, deixa de ser uma boa métrica.” Essa é a Lei de Goodhart.

Uma métrica é um indicador, um número que mede alguma coisa: performance, nível econômico, termômetro indicando temperatura etc.

E uma meta é um objetivo claro, com prazos e responsáveis: atinja tal performance, chegue a tais indicadores até o fim do ano…

A Lei de Goodhart tem como pilar uma outra lei básica da economia: pessoas respondem a incentivos.

Além disso, nenhuma métrica consegue capturar todas as informações do mundo real. Uma métrica é apenas uma simplificação de alguns aspectos da realidade, possíveis de medir. A temperatura do corpo é um indicador importante e uma aproximação para a saúde de uma pessoa, mas nem toda doença causa febres no corpo.

E é esse o problema: se eu tenho incentivos para perseguir uma meta, e tenho uma medida para ela, eu vou atingir essa meta, independente das consequências de segunda e terceira ordem. Dessa forma, a sua métrica deixa de ser uma boa métrica.

Exemplos:

O atendente “burro”: um dia, comprei um pacote de leite que tinha 10 unidades. Notei que a atendente pegou uma caixa e passou o código de barra da mesma 10 vezes seguidas, ao invés de digitar 10 no computador e passar uma só vez. Perguntei por que razão ela fez isso. Resposta: “Sou medida pela velocidade com que passo os produtos, e essa é uma forma de aumentar a pontuação”. Ou seja, ela responde a incentivo (velocidade medida), só que a métrica acaba sendo ruim para o consumidor final (vou perder mais tempo na fila), de forma que essa meta deixou de ser uma boa métrica.

Criação de cobras: na Índia sob o comando dos britânicos, estava havendo um crescente problema com cobras. O governo então criou um programa para pagar pelo quilo de cobras mortas entregues pela população. Resultado: alguns indianos passaram a criar cobras em cativeiro, para vender ao governo. Quando as autoridades entenderam a fraude, acabaram com o programa. Sem incentivo, os criadores de cobra soltaram as mesmas na natureza, piorando o problema.

Uma métrica simples pode ser fácil de medir, porém vai deixar de fora inúmeros aspectos importantes da realidade. Já uma métrica complexa demais pode ser tão complicada de medir que não será atualizada, perdendo a razão de existir.

Há uma infinidade de incentivos perversos deste tipo, cujos resultados saem exatamente o oposto da intenção original. O link do apêndice conta vários casos.

Pesquisa de satisfação: em diversas compras que fazemos, vem depois uma pesquisa de satisfação, que é uma forma de medir a qualidade do serviço prestado. Um dia, recebi um e-mail mais ou menos assim: “Você receberá uma pesquisa de satisfação. Avalie o meu serviço, a minha remuneração variável está atrelada à sua nota”. Só faltou ela me ameaçar para que eu assinalasse nota 10.

Uma fábrica de pregos na era soviética era cobrada pela quantidade de pregos produzida. Passaram a produzir pregos cada vez menores e mais finos, inúteis para construção civil, na prática. O governo passou a cobrar pelo peso – e aí, passaram a produzir pregos cada vez maiores e mais gordos, tanto que também eram inúteis para a construção.

Na minha visão, indicadores são úteis, mas não são absolutos. É bom ter uma gama de indicadores medindo a realidade de formas diferentes. É como dirigir um carro, olhando para diversas informações no painel: velocidade, temperatura do motor, entre outros. Mas sempre tem que ter um fator humano para ponderar quais indicadores são importantes ou não, para guiar o carro pela estrada afora.

Veja também:

https://en.wikipedia.org/w/index.php?title=Perverse_incentive

Princípios Para a Ordem Mundial Em Transformação: Por que As Nações Prosperam e Fracassam

Estive numa livraria, no fim de semana, e vi, finalmente, o novo livro de Ray Dalio traduzido para o português:

Link da Amazon: https://amzn.to/39GaaUu

Como grande fã dos Princípios do maior gestor do mundo, altamente recomendo a leitura.

Quem acompanha este espaço já viu uma resenha deste livro, 6 meses atrás, quando nem existia a versão em português: https://ideiasesquecidas.com/2022/01/06/ray-dalio-sobre-a-nova-ordem-mundial-a-china-e-previsoes-para-o-futuro/


Reproduzo aqui os principais trechos:

Ray Dalio é o gestor do maior fundo de investimentos do mundo, a Bridgewater, tendo começado do zero. Ele é considerado o “Steve Jobs das finanças”.

Dalio publicou no final de 2021 o livro “Principles for Dealing with the Changing World Order”, sobre ciclos econômicos e a nova ordem mundial que está surgindo, incluindo alguns forecasts para o futuro.


Ele começa estudando a história econômica dos últimos 500 anos, em especial impérios como China, Grã-Bretanha, Holanda e EUA – o livro é também um amplo trabalho de pesquisa histórica.

É com certeza o melhor livro publicado em 2021, obrigatório para quem lida com economia e finanças. É fantástico para entender em que pontos estamos no mundo e para onde provavelmente estamos indo.

Seguem alguns highlights, anotações minhas sobre poucos pontos, dentre o calhamaço de mais de 500 páginas. Para a visão completa, comprar o livro, que é repleto de gráficos e tabelas com suporte quantitativo às afirmações feitas no texto.

Sobre ciclos

Os grandes ciclos oscilam entre 1) períodos prósperos de grande produtividade e 2) depressões, revoluções, guerras. Os períodos de paz duram muito mais do que os de guerra, tipicamente uma razão de 5:1, por isso é possível dizer que os períodos de guerra são uma transição entre períodos de paz e criatividade.

Três grandes forças que modelam ciclos econômicos:

  1. O ciclo do débito de longo prazo e mercado de capitais. Em nenhum momento de nossas vidas as taxas de juros estiveram tão baixas ou negativas. Em 2021, mais de 16 trilhões de dólares de débito estavam em taxas de juros negativas e uma quantidade unusualmente alta de novo débito adicional será vendido para financiar déficits. Isso pode ser novo para nossas vidas, mas já aconteceu em outras ocasiões da história. O país que tem o poder de imprimir a reserva de moeda do mundo tem uma posição privilegiada. Atualmente, os EUA ocupam este posto, mas já isso já mudou várias vezes ao longo da história.
  1. O ciclo de ordem e desordem interna. Desigualdades de riqueza e valores estão no maior ponto, durante a minha vida. Estudando os anos 1930s e outras eras, a polarização alta e a economia em baixa antecendem conflitos de como dividir o bolo.
  2. O ciclo de ordem e desordem externa. Pela primeira vez na minha vida, os EUA encontram um rival de poder equivalente de verdade. A China se tornou um poder rival aos EUA e está se tornando mais forte e a um ritmo mais acelerado. Se a tendência continuar, a China se tornará mais forte nos aspectos que tornam um império dominante.

O débito é grande demais para ser pago em hard money, haverá impressão de dinheiro.

Nos próximos anos, o business cycle (períodos de bancos centrais estimulando e esfriando a economia) será a dinâmica mais importante.

O próximo problema econômico grande deve em menos tempo, uns 5 anos.

O desconhecido é muito maior do que o conhecido.

Sobre o futuro

Olhar para o passado ajuda a:

  • Estimar o que provavelmente vai acontecer
  • Proteger a mim e aqueles de que sou responsável no caso de eu estar errado

Sobre mexer com futuro, deve-se:

  • Perceber e adaptar
  • Definir probabilidades
  • Saber o suficiente para se proteger

Verificar situações similares, mesmo que não perfeitamente iguais.

Extrapolando o passados dos últimos 100 anos, por exemplo, é razoável estimar que nos próximos 10 anos:

  • população mundial 10% ~15% maior do que hoje
  • produtividade por pessoa 20% maior
  • riqueza por pessoa 30% maior
  • expectativa de vida 7.5% maior

Em 20 anos:

  • população mundial 20%~25% maior
  • produtividade por pessoa 45% maior
  • riqueza por pessoa 70% maior
  • expectativa de vida 15% maior

Processar tanta informação é muito para uma boa mente humana, mas não para humanos + computadores.

Existe forecasts que não dão certo, há mudanças de paradigma que ocorrem. Mesmo assim, pode ser útil para distinguir uma mudança de verdade ou apenas uma moda.

Sobre EUA X China

Todos impérios declinam e surgem outros para sucedê-lo.

Há 5 tipos de guerra:

  • Econômica / comercial
  • Tecnológica
  • Capital
  • Geopolítica
  • Militar

A maior rivalidade atual é entre EUA X China, utilizando os parâmetros acima. Ambos estão claramente nas 4 primeiras guerras listadas acima. Ainda não estão em guerra militar. Pelos estudo do passado, conflitos dessa natureza precedem guerras militares em 5 ~10 anos.
Uma guerra militar entre essas duas potências seria devastadora.

Por enquanto, EUA são mais poderosos, com a China crescendo. Para a China, qualquer movimento nesse sentido é melhor em momento futuro. A doutrina da Destruição Mútua Assegurada preveniu grandes conflitos entre potências nas últimas décadas, e deve demorar muito tempo para que a China tenha vantagem tão grande a ponto de não ser destruída também num conflito. Uma guera militar é devastadora tanto para perdedores quanto vencedores.

China é uma força irredutível em relação à Taiwan e EUA irredutível também em relação à Taiwan. É o maior ponto de risco entre ambos, olhando para 10 anos.

A tendência é a China intensificar desenvolvimentos econômico / comercial, tecnológico, capital e geopolítica. Gastos militares vem aumentando.

Risco de grande guerra militar é de 35% nos próximos 10 anos, segundo cálculo de Dalio.

Como colocar apostas nesse contexto?

Sucesso vem de saber lidar com o imprevisto, ao invés do que já conhece.

  1. De todas as possibilidades, conhecer o pior cenário e verificar formas de eliminar o intolerável.
    Não ser nocauteado em caso de problemas. Calcular as necessidades básicas, de forma a saber o quanto seria necessário. Como se proteger para garantir esse mínimo?
  2. Diversificar. É possível reduzir riscos em 80% sem reduzir retorno, com diversificação correta. É uma estratégia de vida, ter opções a adotar em caso de necessidade. Outra é colocar gratificação futura mais relevante do que gratificação presente. Outra é testar discussões de ideias com as pessoas mais inteligentes possíveis.

Sobre tecnologia e computadores

A tecnologia atualmente ajuda o homem a pensar.

Combinação entre computadores e humanos pode gerar melhorias em todas as áreas da vida.

Não ser capaz de ler código de computador vai ser equivalente a não saber ler e escrever.

Avanços e aumento de aplicações em computação quântica e inteligência artificial levarão a avanços inimagináveis em taxas de aprendizado e melhorias e trarão mudanças de riqueza global e poder. Serão mudanças em taxas diferentes nos próximos 5 a 20 anos, e serão uma das maiores fontes de mudança em riqueza e poder que o mundo já viu.

Computação quântica e inteligência artificial serão superiores aos computadores tradicionais tal como o computador é em relação ao ábaco.

Sobre outras tecnologias promissoras:

  • AI e Robótica
  • Health care
  • Edição de genes
  • Vacinas de RNA
  • Nutrição e remédios

Bastante otimista quanto ao futuro.

EUA no topo de métricas de inovação, seguido de perto pela China, que vem avançando a passos rápidos. Quem vencer corrida tecnológica também vence a corrida econômica e militar.

Veja também:

Ray Dalio sobre a Nova Ordem Mundial, a China e Previsões para o Futuro

Ray Dalio é o gestor do maior fundo de investimentos do mundo, a Bridgewater, tendo começado do zero. Ele é considerado o “Steve Jobs das finanças”.

Dalio publicou no final de 2021 o livro “Principles for Dealing with the Changing World Order”, sobre ciclos econômicos e a nova ordem mundial que está surgindo, incluindo alguns forecasts para o futuro.


Ele começa estudando a história econômica dos últimos 500 anos, em especial impérios como China, Grã-Bretanha, Holanda e EUA – o livro é também um amplo trabalho de pesquisa histórica.

Link da Amazon: https://amzn.to/3332jMQ

É com certeza o melhor livro publicado em 2021, obrigatório para quem lida com economia e finanças. É fantástico para entender em que pontos estamos no mundo e para onde provavelmente estamos indo.

Seguem alguns highlights, anotações minhas sobre poucos pontos, dentre o calhamaço de mais de 500 páginas. Para a visão completa, comprar o livro, que é repleto de gráficos e tabelas com suporte quantitativo às afirmações feitas no texto.

Sobre ciclos

Os grandes ciclos oscilam entre 1) períodos prósperos de grande produtividade e 2) depressões, revoluções, guerras. Os períodos de paz duram muito mais do que os de guerra, tipicamente uma razão de 5:1, por isso é possível dizer que os períodos de guerra são uma transição entre períodos de paz e criatividade.

Três grandes forças que modelam ciclos econômicos:

  1. O ciclo do débito de longo prazo e mercado de capitais. Em nenhum momento de nossas vidas as taxas de juros estiveram tão baixas ou negativas. Em 2021, mais de 16 trilhões de dólares de débito estavam em taxas de juros negativas e uma quantidade unusualmente alta de novo débito adicional será vendido para financiar déficits. Isso pode ser novo para nossas vidas, mas já aconteceu em outras ocasiões da história. O país que tem o poder de imprimir a reserva de moeda do mundo tem uma posição privilegiada. Atualmente, os EUA ocupam este posto, mas já isso já mudou várias vezes ao longo da história.
  1. O ciclo de ordem e desordem interna. Desigualdades de riqueza e valores estão no maior ponto, durante a minha vida. Estudando os anos 1930s e outras eras, a polarização alta e a economia em baixa antecendem conflitos de como dividir o bolo.
  2. O ciclo de ordem e desordem externa. Pela primeira vez na minha vida, os EUA encontram um rival de poder equivalente de verdade. A China se tornou um poder rival aos EUA e está se tornando mais forte e a um ritmo mais acelerado. Se a tendência continuar, a China se tornará mais forte nos aspectos que tornam um império dominante.

O débito é grande demais para ser pago em hard money, haverá impressão de dinheiro.

Nos próximos anos, o business cycle (períodos de bancos centrais estimulando e esfriando a economia) será a dinâmica mais importante.

O próximo problema econômico grande deve em menos tempo, uns 5 anos.

O desconhecido é muito maior do que o conhecido.

Sobre o futuro

Olhar para o passado ajuda a:

  • Estimar o que provavelmente vai acontecer
  • Proteger a mim e aqueles de que sou responsável no caso de eu estar errado

Sobre mexer com futuro, deve-se:

  • Perceber e adaptar
  • Definir probabilidades
  • Saber o suficiente para se proteger

Verificar situações similares, mesmo que não perfeitamente iguais.

Extrapolando o passados dos últimos 100 anos, por exemplo, é razoável estimar que nos próximos 10 anos:

  • população mundial 10% ~15% maior do que hoje
  • produtividade por pessoa 20% maior
  • riqueza por pessoa 30% maior
  • expectativa de vida 7.5% maior

Em 20 anos:

  • população mundial 20%~25% maior
  • produtividade por pessoa 45% maior
  • riqueza por pessoa 70% maior
  • expectativa de vida 15% maior

Processar tanta informação é muito para uma boa mente humana, mas não para humanos + computadores.

Existe forecasts que não dão certo, há mudanças de paradigma que ocorrem. Mesmo assim, pode ser útil para distinguir uma mudança de verdade ou apenas uma moda.

Sobre EUA X China

Todos impérios declinam e surgem outros para sucedê-lo.

Há 5 tipos de guerra:

  • Econômica / comercial
  • Tecnológica
  • Capital
  • Geopolítica
  • Militar

A maior rivalidade atual é entre EUA X China, utilizando os parâmetros acima. Ambos estão claramente nas 4 primeiras guerras listadas acima. Ainda não estão em guerra militar. Pelos estudo do passado, conflitos dessa natureza precedem guerras militares em 5 ~10 anos.
Uma guerra militar entre essas duas potências seria devastadora.

Por enquanto, EUA são mais poderosos, com a China crescendo. Para a China, qualquer movimento nesse sentido é melhor em momento futuro. A doutrina da Destruição Mútua Assegurada preveniu grandes conflitos entre potências nas últimas décadas, e deve demorar muito tempo para que a China tenha vantagem tão grande a ponto de não ser destruída também num conflito. Uma guera militar é devastadora tanto para perdedores quanto vencedores.

China é uma força irredutível em relação à Taiwan e EUA irredutível também em relação à Taiwan. É o maior ponto de risco entre ambos, olhando para 10 anos.

A tendência é a China intensificar desenvolvimentos econômico / comercial, tecnológico, capital e geopolítica. Gastos militares vem aumentando.

Risco de grande guerra militar é de 35% nos próximos 10 anos, segundo cálculo de Dalio.

Como colocar apostas nesse contexto?

Sucesso vem de saber lidar com o imprevisto, ao invés do que já conhece.

  1. De todas as possibilidades, conhecer o pior cenário e verificar formas de eliminar o intolerável.
    Não ser nocauteado em caso de problemas. Calcular as necessidades básicas, de forma a saber o quanto seria necessário. Como se proteger para garantir esse mínimo?
  1. Diversificar. É possível reduzir riscos em 80% sem reduzir retorno, com diversificação correta. É uma estratégia de vida, ter opções a adotar em caso de necessidade. Outra é colocar gratificação futura mais relevante do que gratificação presente. Outra é testar discussões de ideias com as pessoas mais inteligentes possíveis.

Sobre tecnologia e computadores

A tecnologia atualmente ajuda o homem a pensar.

Combinação entre computadores e humanos pode gerar melhorias em todas as áreas da vida.

Não ser capaz de ler código de computador vai ser equivalente a não saber ler e escrever.

Avanços e aumento de aplicações em computação quântica e inteligência artificial levarão a avanços inimagináveis em taxas de aprendizado e melhorias e trarão mudanças de riqueza global e poder. Serão mudanças em taxas diferentes nos próximos 5 a 20 anos, e serão uma das maiores fontes de mudança em riqueza e poder que o mundo já viu.

Computação quântica e inteligência artificial serão superiores aos computadores tradicionais tal como o computador é em relação ao ábaco.

Sobre outras tecnologias promissoras:

  • AI e Robótica
  • Health care
  • Edição de genes
  • Vacinas de RNA
  • Nutrição e remédios

Bastante otimista quanto ao futuro.

EUA no topo de métricas de inovação, seguido de perto pela China, que vem avançando a passos rápidos. Quem vencer corrida tecnológica também vence a corrida econômica e militar.

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Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/

Recomendações: o Estado independente e o Lápis

Duas recomendações de mídia.

  1. A incrível história da Ilha das Rosas

É a história de um engenheiro excêntrico (para não dizer totalmente maluco), que criou uma plataforma de 400 m² no mar, a 12 Km da cidade de Rimini, alguns metros além do limite territorial italiano.

A seguir, ele se autoproclamou presidente deste estado independente, e tentou conseguir reconhecimento das Nações Unidas. Em pouco tempo, centenas de pessoas começaram a visitar a ilha, e até a pedir cidadania neste país sem leis! O engenheiro acabou causando uma confusão enorme com as autoridades italianas… Vejam o filme para saber o final da história.

Apesar de completamente surreal, o filme é baseado numa história verdadeira!

Trailer:

Disponível na Netflix.

Imagem da plataforma real da Ilha das Rosas. Fonte: Mar sem Fim

Aventuras na História · Micro-nação no mar: a verdadeira saga por trás de ‘A Incrível História da Ilha das Rosas’, da Netflix (uol.com.br)

2) Eu, Lápis.

Nenhuma pessoa sozinha é capaz de fazer um lápis.

Para fazer um simples lápis, necessitamos de diversos materiais: madeira, grafite, borracha, metal.

“Imagine um cedro nascido da semente que cresce no nordeste da Califórnia e no estado do Oregon. Agora visualize todas as serras e caminhões e cordas e outros incontáveis instrumentos usados para cortar e carregar os troncos de cedro até a beira da ferrovia. Pense em todas as pessoas e suas inumeráveis capacidades que concorreram para minha fabricação: a escavação de minerais, a fabricação do aço e seu refinamento em serras, machados, motores: todo o trabalho que faz com que as plantas passem por vários estágios até se tornarem cordas fortes e pesadas; os campos de exploração de madeira com suas camas e refeitórios, a cozinha e a produção de toda a comida para os lenhadores. Milhares de pessoas têm participação em cada copo de café que os lenhadores bebem.”

Eu, Lápis, é um pequeno conto de Leonard Read. A animação abaixo tem 6 minutos e resume bem o texto, destacando a enorme especialização do trabalho dos dias atuais, e a não-existência de uma entidade central coordenando tudo.

https://www.mises.org.br/article/810/economia-em-um-unico-artigo%E2%80%94eu-o-lapis

Ficam as dicas, para esse recesso de fim de ano!

O Ecossistema faz toda a diferença

Ecossistema é uma palavra misteriosa, porque é o somatório de indivíduos, espécies, ambiente.

É maior do que eu, ou a minha empresa. É o TODO.

Porém, ao mesmo tempo, o ecossistema é NADA: é cada indivíduo, cada organização, são as empresas, o governo, a academia.

O melhor exemplo de ecossistema são os recifes de corais.

Uma conchinha vive a sua vida, e depois serve de abrigo a um pequeno peixe, que faz parte de uma cadeia maior, e assim sucessivamente.

Um grande ecossistema depende de todos, mas também, de cada um de nós: fazer bem o nosso trabalho, entregar valor para sociedade, e a sociedade retornar valor para nós, num eterno ciclo virtuoso…


Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/

Resumo da entrevista de Paulo Guedes, na Expert XP 2020

Highlights

Reforma tributária:

– imposto sobre transação: estudando base ampla

– imposto dividendos: sim

– imposto renda pessoa jurídica: vai diminuir

Retomada à vista

Renda Brasil ao final do auxílio emergencial

Acelerar programa de privatizações

Fica até o final do mandato? Só sai abatido à bala.

Reforma tributária

Está pronta. O plano era entrar no começo do ano, o COVID atrapalhou.

Tem imposto sobre valor agregado – IVA.

O esforço na calamidade pública do COVID foi do tamanho de 10% do PIB.

A democracia brasileira andou. Talvez um pouco lenta, mas andou. Recursos foram disponibilizados. Não faltaram recursos para a saúde.

Sobre Retomada

Há sinais interessantes:

– consumo de energia elétrica só 4% abaixo de junho do ano passado

– notas fiscais eletrônicas 70% acima de junho do ano passado

– exportações praticamente iguais no primeiro semestre

– construção civil contratando 5.000 pessoas

– deve vir boom imobiliário de uns 10 anos, por conta de baixos juros. Outro efeito é o alongamento de prazos, atualmente 20, 30 anos para financiar imóvel, pode subir para 40, 50 anos

– melhor mês para Caixa Econômica Federal, em liberar recursos para construção

– o consumo em geral, bens duráveis, voltando

Sobre velocidade de recuperação

É muito cedo para ser pessimista.

Com COVID, caiu rápido, mas deve ter retomada constante, um pouco mais lenta. Um símbolo como o da Nike, V da vitória.

Ele vê crédito finalmente chegando e destravamento de investimentos.

O programa social de R$ 600 deve diminuir, até se consolidar no programa Renda Brasil.

Pergunta sobre impostos de transação

Na reforma política, existe a economia e a política. Os tempos são diferentes para cada.

Tem que começar sobre o que une a política, e não sobre o que desune.

Os impostos atuais são terríveis, mal formulados, regressivos. Ele quer imposto sobre valor adicionado.

Impostos sobre transações eletrônicas: é o setor que mais cresce, é interessante.

Pergunta: qual a sustentabilidade da dívida?

É um tema muito importante. Compromisso com controle de gastos. O descontrole levou à desindustrialização, juros enormes, corrompeu e estagnou a economia.

Este foi um ano excepcional por conta do combate à pandemia.

Ano que vem volta ao normal.

As três principais despesas foram derrubadas: privilégios da previdência, os juros da dívida, salários do funcionalismo congelados por dois anos.

Historicamente, a parte fiscal era frouxa, levando Brasil a se endividar como uma bola de neve.

Também foi feita uma desalavancagem dos bancos públicos.

Tudo isso levou os juros a desabarem.

A relação dívida PIB reduziu de 76,5% para 75,8% no primeiro ano.

Os gastos ano que vem estão relativamente contidos.

Tem que mostrar ano que vem. O que vai destravar a economia é o investimento privado.

Sobre Renda Brasil

A ajuda da pandemia atinge 38 milhões de pessoas.

No máximo 10 milhões serão incluídos no Renda Brasil.

Este vai pegar vários programas e focalizar num só. Atualmente o Bolsa Família é de R$ 30 MM, o Renda Brasil já encontrou recursos para R$ 50 MM.

Ex. de programas canalizados para o Renda Brasil: isenção para gastos de classes alta, desonerações.

Tem muito ralo em Brasília, escapa muito dinheiro em programas duplicados e defasados.

O congresso quer fazer, extremistas são minoria.

Tributação de dividendos? Mudança no imposto de renda PJ?

Desce imposto de renda pessoa jurídica, sobe imposto de dividendos.

O imposto de renda pessoa jurídica chega a 34%. As empresas desistem de criar empresas e vão para fora do BR. O país cresce quando há acumulação de capital e educação.

– imposto transação: estamos estudando ampla base

– imposto dividendo: sim

– imposto renda pessoa jurídica: vai cair

Sobre teto de gastos

Fizeram o teto e não fizeram as paredes.

Várias despesas indexadas: salários, benefícios da previdência, gastos de alguns ministérios.

O piso sobe todo ano. Com o teto fixo, vamos ser esmagados entre o piso e teto.

Duas alternativas. Ou sobe o teto ou não sobe o piso.

Se sobe o teto, causa inflação descontrolada, conforme já vimos antes.

Ou quebra o piso. E é bom, porque alocação de recursos é a essência da atividade política.

Atualmente, 96% estão carimbados, os políticos só decidem sobre 4%.

Brasil é gerido por um software, que somente corrige as despesas todos os anos.

As paredes são a reforma da previdência, administrativa, controlar trajetórias futuras e funcionalismo público.

É difícil, ministros e parlamentares querem manter recursos, tem gente defendendo furar o teto.

Sobre privatizações

Não basta apenas a vontade econômica, tem o lado político.

Vai acelerar nos próximos 90 dias, para não desmoralizar o programa de privatizações. O objetivo é aprovar 3 ou 4 grandes privatizações.

Se puder pegar o dinheiro das privatizações, vender reservas, isso ajuda a quebrar a dinâmica, a bola de neve de dívidas.

Não tem essa de toma lá dá cá, aparelhamento do centro. É uma agenda de reformas. A crise exige reformas.

Paulo Guedes fica até o final do governo?

Só sai a bala, abatido à força. Ele tem uma missão a cumprir.

A agenda da centro direita é liberal democrata. Não quer aumentar impostos, prefere regular os gastos.

Ampliar a base para mais gente pagar, porém, pagar menos.

Hoje em dia, há R$ 300 MM em desonerações. Quem tem poder político consegue ser desonerado.

Quem tem poder econômico vai para o contencioso: prefere pagar R$ 100 MM para advogados do que R$ 1 BI de impostos.

O BR historicamente é o paraíso dos burocratas, contenciosos, rentistas, e isso tem que acabar.

Enquanto tiver a agenda, ele continua.

Se o Presidente e o Congresso não quiserem a agenda, não tem o que fazer, aí ele vai para casa.

Tesla vale mais do que a Toyota?

De um lado, a Tesla. Fabricante revolucionária de veículos elétricos, inovadora, com o top de tecnologia disponível no mercado. Começou a dar lucro recentemente.

Do outro, a Toyota. Veículos tradicionais, com matriz energética convencional. Carros de altíssima qualidade e durabilidade, diga-se de passagem.

O valor de mercado da Tesla, que vem subindo enormemente faz alguns anos, superou o da Toyota neste mês.

A Tesla com valor de mercado de US$ 190 bilhões, e a Toyota, US$ 180 bi.
Receita anual da Tesla: US$ 7 bi. Toyota: US$ 250 bi.

A Tesla fabrica 360.000 veículos por ano. A Toyota, 10.000.000 de veículos por ano.

Seria este um sinal do valor da inovação e tecnologia em nossas vidas?

Ou seria uma bolha especulativa do mercado financeiro, inflada pelos sucessivos quantitative easings desde 2008, e juros abaixo de zero no mundo todo?

Eu sou do tipo chato, cético, mala, retranqueiro.

Essa injeção de dinheiro não virou hiperinflação, como alguns pregavam. Mas criou bolhas.

O mundo está muito esquisito. Algumas bolhas estouraram, como a do WeWork. A pandemia mudou o jogo de diversos negócios. Porém, ainda existem diversas distorções.

Não se sabe como será o futuro.

Talvez a Tesla quebre todas as montadoras tradicionais num futuro elétrico.

Talvez não.

https://insideevs.uol.com.br/news/428094/tesla-mais-valiosa-mundo/

Algumas previsões

“É difícil fazer previsões, especialmente em relação ao futuro”, dizia o célebre técnico de baseball Yogi Berra.

Ele está certo. Fazer previsões corretas é muito complicado.

Contudo, ouso fazer algumas previsões aqui neste espaço. Não são previsões de verdade, são apenas algumas macrotendências.

1 – O mundo está muito esquisito, e uma grande crise mundial (talvez do tamanho daquela de 2008) se aproxima para um futuro próximo (provavelmente após a reeleição de Trump).

2 – O Brasil está saindo de vários anos ruins, e começará a decolar de novo nos próximos anos (no contra ciclo do mundo).

3 – Carros autônomos são uma questão de tempo. Começarão funcionando em nichos muito específicos, aos poucos ganharão a confiança das pessoas. Porém, demora ainda uns 10 anos para começar a fazer parte do nosso cotidiano, e uns 15 ou 20 para serem comuns no dia-a-dia.

4 – A China terá um PIB maior do que os EUA, daqui a uns 10 anos.

5 – A Índia será a terceira maior economia do mundo.

6 – A computação quântica continuará inútil por mais uns 40 anos. Até que, finalmente, terá alguma aplicação em algo que ninguém nunca imaginou hoje.

7 – Não será necessário aprender inglês ou chinês para conversar. Os tradutores eletrônicos ajudarão a derrubar esta barreira. Entretanto, ainda assim continua válido estudar mais da cultura, porque há barreiras que tradutor algum consegue quebrar.

Não vou detalhar muito cada uma delas, porque ninguém sabe se será por aí.

Daqui a uns 5 anos, vou revisitar esta lista, e ver se realmente fez sentido (ou não).

Giro um simples compasso com todos os aviões do mundo

O aplicativo Flight Radar é bastante útil, para quem viaja de avião frequentemente.

Este apresenta todos os aviões do mundo em tempo real, na palma do seu celular. Numa folha qualquer eu desenho um avião de partida…

Por exemplo, a figura mostra um avião partindo do Aeroporto de Guarulhos, em SP. Entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená..

A grande utilidade para o usuário é que dá para ver quais aviões estão realmente chegando no seu aeroporto. Isso é uma informação excelente, porque a companhia aérea nem sempre é transparente com a informação dos voos (principalmente se vai atrasar muito).


É lúdico dar um menos zoom e olhar o Brasil todo. Mesmo sendo muito cedo (7 da manhã de sábado, momento do print), há muito movimento aéreo no eixo Rio-SP, Brasília, e outros estados como MG, PR, SC, alguns no nordeste, etc.

Focando na Venezuela, nota-se nenhum voo indo para Caracas, sua capital, o que demonstra o “sucesso” do socialismo do séc. XXI.

Passando de uma América a outra num segundo, a do Norte parece um formigueiro, tão repleta de aviões.

Voando, contornando a imensa curva norte-sul, viajando Havaí, Pequim ou Istambul, passamos pela África e pela Europa. A discrepância econômica entre tais continentes é notória.

Giro um simples compasso e num círculo chegamos ao leste asiático, com intenso movimento no eixo Oriente Médio – Índia – Indonésia – China – Japão, e menos movimento na Ásia Central e arredores.

Um zoom nas Coreias do Sul e do Norte. A do Sul é um dos países mais desenvolvidos do mundo, o que reflete no intenso tráfego aéreo com a China, Japão, Taiwan e arredores.

A do Norte é o espaço vazio entre a Coreia do Sul e a China. Nem um único avião, o que demonstra o “sucesso” do socialismo do séc. XX.

Chegamos ao fim de nossa volta ao mundo num segundo. E o trecho da música que eu mais gosto mesmo é o seguinte:

“Numa folha qualquer
Eu desenho um navio de partida
Com alguns bons amigos
Bebendo de bem com a vida”

Trecho de Aquarela – Toquinho e Vinícius



Ideias técnicas com uma pitada de filosofia: https://ideiasesquecidas.com

Forgotten Math: https://forgottenmath.home.blog/

A próxima crise do Euro

A próxima crise a chegar, a da Itália, pode dar um fim definitivo ao sonho da moeda única europeia.

Vide por exemplo:

https://www.express.co.uk/news/world/1037766/italy-financial-crisis-recession-credit-crunch-budget-brussels-eu-euro-eurozone

https://www.express.co.uk/news/world/1038293/Eurozone-news-latest-growth-figures-italy-crisis-EU-news

 


 

Para mim, o Euro nunca fez sentido. É uma utopia, tanto quanto o estado de bem estar social. Utopias funcionam por um tempo, mas não a longo prazo.

 

Embora bonito, como toda utopia, há falhas seríssimas no conceito.

 

Os bancos centrais de cada país perdem consideravelmente sua independência, em termos de taxas de juros, possibilidade de desvalorizar a moeda, gerar inflação.

 

 

A Grécia, que tem uma economia minúscula, quase levou o Euro ao fim, em 2010.

 

 

A Itália, uma das maiores economias do mundo, precisará de um esforço absurdo para equilibrar contas.

 

 

No final das contas, a economia a longo prazo é como se fosse a economia doméstica.

 
Algumas pessoas têm alta capacidade de produção, recebendo proporcionalmente a isto. Outras têm menos capacidade.

 
Quando o forte e o fraco se juntam num grupo, ocorrem distorções.

 
Se o padrão de salário é nivelado por baixo, todos ficam mais pobres.

 

 

Se o padrão de salário é nivelado por cima, o menos produtivo torna-se caro demais – o efeito é um desemprego elevado na Itália, Espanha, Grécia.

 

 

O fraco acaba em débitos constantes até que um dia está em vias de não pagar a conta do aluguel e do restaurante.

 
Então o forte diz para o fraco: vou emprestar dinheiro, mas você tem que gastar menos, viver na austeridade. Parar de ir na pizzaria e tomar vinho. Passar a comer pão velho amassado e água torneiral. Mas vai continuar sem emprego porque os salários vão continuar altos para alguém tão improdutivo quanto você.

 

 

Em relação à taxa de juros, é como pegar dinheiro emprestado. O forte não precisa de dinheiro, então vai pagar poucos juros. Já o fraco precisa de dinheiro para investir em algo novo e sair do ciclo vicioso, então vai prometer juros maiores. Mas, se os juros estiverem atrelados ao forte, o fraco não vai conseguir crédito no mercado.

 

 

Efeitos: o forte fica fulo da vida por emprestar o seu suado dinheiro, e o fraco também fica fulo da vida por comer pão velho e continuar sem saída deste ciclo vicioso.

 
Se o mundo tiver sorte, o Euro acaba agora, com consequências terríveis no curto prazo, mas voltando ao que sempre deveria ter sido.

 

 

Se o mundo tiver azar, dão um jeito de remendar o Euro, via emissão de dinheiro, empréstimos, promessas de austeridade. Isto vai dar um alívio no curto prazo, mas vai empurrar o problema com a barriga, numa bola de neve que um dia vai explodir muito feio.

 
O meu palpite é que o Euro não vai acabar agora, porque vão dar um jeito de salvar.

 

É como um casamento. Brigam, mas a separação é muito forte para ocorrer de fato.

 

Porém vão continuar brigando e brigando por um bom tempo, pelos motivos diversos.

 

Por trás de tudo isto, está que a Europa está cada vez menos relevante, principalmente os países periféricos – onde falta pão, todos ralham sem ninguém ter razão.

 
Nota: Este é um tema confuso, e é claro que muita gente não concorda com os pontos acima (como o amigo Marcos Melo, que tem mais otimismo no Euro).

Mas, de qualquer forma, o mundo está numa fase estranha, desconhecida para todos.

Que fase…

 

 

Testamos a Rappi, o serviço de entregas

Cheguei em casa, já na hora da janta, e a fralda do nenê tinha acabado.

Em outros tempos, seria necessário pegar o carro, ir a algum supermercado ou farmácia e torcer para que tenha o produto, já que não sabemos mais viver sem fraldas descartáveis…

Hoje, eu testei o Rappi (https://www.rappi.com.br/).

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O conceito deste é bem interessante: entregar tudo.

É algo como Uber de motoboys + varejo online. Vira em mexe, tem algum motoboy com uma caixa de entregas laranja berrante pelas ruas de SP. O interessante é que já vi várias pessoas de bicicleta também.

Baixei o app do Rappi, criei minha conta, cadastrei o cartão.

Escolhi a fralda exatamente nas especificações de tamanho e marca que a minha esposa recomendou (óbvio que não sei nem o tamanho nem a marca).

O Rappi mostrava em tempo real os passos do motoboy: está se dirigindo à farmácia,

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Está realizando a compra,

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Está indo entregar o pedido…

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Em uns 40 minutos, terminado o jantar, a fralda estava em casa.

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Deixei um real de gorjeta pelo aplicativo e mais dois reais em moedas. Bastante eficaz.

Não à toa, o Rappi é um unicórnio (que tem valuation maior do que US$ 1 bilhão)…

Na China existe um conceito parecido. Alguns serviços (como a do supermercado Hema) entregam tudo em qualquer lugar em pouquíssimo tempo. Para tal, contam com um exército logístico: veículos, motoboys, ciclistas, etc…

Essas são as marcas da nova economia, em especial, o novo varejo.

 

Vide também:

 

https://ideiasesquecidas.com/2019/03/21/a-rappi-vai-concorrer-com-o-itau

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/