​ O que é a “Tragédia dos comuns”?

Resumo em uma frase: “O que é de todos, é de ninguém”.

É um termo muito comum em economia, e descreve a situação em que um bem público (que é de todos) acaba completamente esgotado exatamente por ser de todos – e consequentemente, de ninguém em particular.
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O exemplo clássico é um campo de pastagem, livre para que vários pastores a usem livremente. Como o uso é liberado, o incentivo de cada pastor é usar o máximo possível do campo para as suas ovelhas e gastar o mínimo possível de seu tempo na manutenção do campo. Todos acabam fazendo o mesmo, e o campo acaba completamente devastado. O ganho é privado, as despesas são compatilhadas.
O paradoxo da situação é que, se é público e é de todos, todos deveriam cuidar do mesmo. O que acontece, entretanto, é o exato contrário: ninguém vai cuidar do bem público como se fosse o seu próprio.
Ilustra dois conceitos fundamentais da Economia:
  • Escassez, e
  • Pessoas respondendo a incentivos.
Foi inicialmente proposto com este nome pelo ecologista Garrett Hardin (1915 — 2003), num artigo de 1968.

Posts da série Iniciantes – aproveitando que a Wikipédia já não explica nada de forma simples e objetiva.

​Por que não peço descontos?

Uma regra informal neste mundo em que vivemos é: compre o máximo possível de coisas, sempre tentando obter o máximo pelo mínimo de gastos – e isto inclui sempre pedir descontos na hora do compra.
Exemplo:
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Permita-me subverter esta regra. Eu compro somente o necessário, prezando a qualidade, e, por gostar dos bons fornecedores que prestam o inestimável serviço de disponibilizar os poucos produtos de que gosto, nunca solicito desconto.

 


Fluxos
Pensando num fluxo de energias, comprar é como passar a informação ao mercado de que este produto ou serviço é útil para alguém, e de que vale a pena a cadeia de fornecedores alocar sua energia nisto.
O dinheiro “não existe”, é apenas um intermediário, que materializa a troca de serviços entre as partes. No final das contas, somos pessoas trocando serviços entre pessoas.
Se uma loja de que gosto não tem receitas suficientes para se manter, as pessoas que nela trabalham vão alocar o seu tempo em outra atividade.
Querer somente o mais barato é uma corrida para o fundo do poço: ganha aquele que fornecer o produto mais barato, que pagar mal seus funcionários, sufocar os fornecedores, não prestar um bom pós-vendas, cometer irregularidades legais e ambientais, por fim, prejudicando a todos.
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Exigir qualidade, e pagar o preço justo, cria um ciclo virtuoso: estimula que as pessoas talentosas continuem no mercado, boas práticas sejam mantidas, e que a cadeia como um todo se aprimore.
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Alguns pensam: “ah, mas a empresa tal já ganha muito”.
Porém, quero sim que o empreendedor do trabalho que admiro tenha muito sucesso, ganhe muito dinheiro, e com isso consiga financiar produtos ou serviços cada vez melhores.
Ação: ao invés de pedir descontos, peça qualidade.

 

O seu Raul entende muito de economia

O seu Raul é um tiozinho que vende pacotes de amendoim na saída de uma das fábricas em que trabalho.

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O preço do pacotinho permaneceu em R$ 2,50 por um bom tempo, até que, um dia, ele aumentou para R$ 3,50.

– O que houve, seu Raul?
– É a inflação, meu filho. É a inflação.

Na semana seguinte, o preço caiu para R$ 3,00.

– O que houve, seu Raul?
– Eu não estava vendendo nada. É o livre-mercado, meu filho. O mercado.

Tenho certeza que o seu Raul entende muito mais de economia do que muito economista formado!

 

“I é letra de índio que todos julgam iletrado, mas índio é mais sabido do que muito doutor formado” – Mário Quintana.

Incentivos e cigarros

Existem crenças generalizadas, exploradas politicamente, mas que não são tão eficazes assim na realidade.

cigarro

Uma dessas é a ideia de que empresas de bebidas alcóolicas e tabaco devem ser sobretaxadas, para desestimular o consumo dos mesmos.

Acontece que empresas não pagam impostos. No final das contas, quem paga são as pessoas, os consumidores. Todos os impostos são necessariamente repassados para o consumidor, senão a empresa quebra. Enquanto houver demanda e enquanto houver quem pague o preço, sempre haverá indústria. E, da mesma forma, processar e multar essas empresas só tem o efeito de enriquecer advogados, servir de discurso polítiico e penalizar o consumidor (ao invés de ajudar).

Outra coisa: empresas de tabaco e álcool já são pesadamente taxadas hoje em dia. Ocorre na prática que, a empresa brasileira exporta o cigarro para o Paraguai, da onde contrabandeam o cigarro de volta para o Brasil, e ainda sai mais barato que o mesmo produto legalizado.

No caso extremo, proibir totalmente cigarro e álcool só vai fazer surgir uma máfia de contrabando. A Lei Seca dos Eua e o surgimento de Al Capone não são coincidência.

Os economistas Jeremy Bullow e Paul Klempere estudaram esse sistema de impostos e incentivos, e fizeram algumas propostas interessantes. A mais interessante é a de nacionalizar a produção desses produtos. Como tudo o que é estatal, rapidamente a bebida e o fumo perderiam muito de seu charme..