O Anticristo, de Nietzsche, em 40 frases

Resumo em uma frase

O próprio subtítulo já diz tudo: “Maldição ao cristianismo”

Anticristo.jpg

 

Introdução

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), é, segundo suas próprias palavras, “Dinamite pura”. É alguém que faz filosofia com o martelo. E, neste livro, ele martela o cristianismo, com frases como “as três virtudes cristãs são as três espertezas cristãs”, e “o sacerdote gosta mesmo é do pedaço mais saboroso da bisteca”.

O Anticristo foi publicado em 1888, na Alemanha.

Nietzsche afirma o diametralmente oposto do senso comum: a compaixão é ruim, o cristianismo é fraqueza, o cristianismo inverteu todos os valores da sociedade (transvaloração de todos os valores).

 

Independente de concordar ou não, esta é a opinião de Nietzsche. Por despertar fortes emoções assim, ele ganhou uma legião de admiradores, e também uma legião de inimigos.

 

Seguem alguns trechos do livro, para serem amados ou odiados, sem meio-termo. Conteúdo explosivo a seguir, que não representam necessariamente a opinião deste espaço. Mas, lembrando, “As convicções são inimigos mais perigosos da verdade do que as mentiras.”

 

 

Resumo em 40 frases (mais ou menos)

 

Este livro é para pouquíssimos. E talvez eles não existam. Apenas o depois de amanhã é meu. Alguns nascem póstumos.

 

 

Tenho uma predileção por perguntas para as quais ninguém hoje tem a coragem, a coragem para o proibido.

 

 

  • O que é bom? Tudo o que eleva o sentimento de poder, a vontade de poder, o próprio poder no homem.
  • O que é mau? Tudo o que vem da fraqueza.
  • O que é felicidade? o sentimento de que o poder cresce, de que uma resistência é superada.

 

Os fracos e malogrados devem perecer: primeiro princípio de nosso amor aos homens.

 

O que é mais nocivo do que qualquer vício? A ativa compaixão por todos os malogrados e fracos – o cristianismo.

 

O cristianismo tomou partido de tudo o que é fraco, baixo, malogrado, transformou em ideal aquilo que contraria os instintos de conservação da vida forte; corrompeu a própria razão das naturezas mais fortes de espírito, ensinando a perceber como pecaminosos os valores supremos do espírito.

 

O cristianismo é chamado de religião da compaixão. A compaixão se opõe aos afetos que elevam a energia do sentimento de vida: ela tem efeito depressivo.

 

A compaixão se opõe à lei da evolução, que é a lei da seleção.

 

A compaixão é a prática do niilismo. É instrumento multiplicador da miséria e conservador de tudo o que é miserável – a compaixão persuade ao nada.

 

O sucesso de Kant é apenas um sucesso de teólogo, ele foi um freio a mais na retidão alemã.

 

Kant inventou uma razão expressamente para o caso em que não é preciso preocupar-se com a razão.

 

Nem a moral nem a religião, no cristianismo, têm algum ponto de contato com a realidade. São causas imaginárias (Deus, alma, livre-arbítrio) e efeitos imaginários (pecado, salvação, graça, castigo). Um comércio entre seres imaginários (Deus, espíritos). Um mundo de pura ficção, que falseia, desvaloriza e nega a realidade.

 

Eles não se denominam fracos, denominam-se “bons”. Deus-de-gente-pobre, Deus-de-pecadores, Deus-de-doentes.

 

Antes ele tinha apenas seu povo, seu “povo eleito”. Ele partiu em andança para o exterior, até estar em toda parte.

 

Cristão é o ódio ao espírito, ao orgulho, coragem, cristão é o ódio aos sentidos.

 

Quanto às três virtudes cristãs, fé, amor e esperança, eu as denomino três espertezas cristãs.

 

O conceito de Deus falseado, o conceito de moral falseado. Os sacerdotes traduziram em termos religiosos o próprio passado de seu povo.

 

Simplificaram a psicologia, reduzindo-a à fórmula de “obediência ou desobediência a Deus”.

 

O sacerdote formula até as taxas a lhe pagar, não esquecendo os mais saborosos pedaços da carne, pois o sacerdote é um comedor de bisteca.

 

Deus perdoa quem faz penitência – em linguagem franca: quem se submete ao sacerdote.

 

(Um estudioso da época chamou Jesus de “gênio”).
Nada de conceito de “gênio” tem algum sentido no mundo de Jesus. Falando com o rigor do fisiológico, caberia uma outra palavra – a palavra “idiota”.

 

A palavra “cristianismo” é um mal-entendido. No fundo, houve apenas um cristão, e ele morreu na cruz. O “evangelho” é o oposto do que ele viveu, um “disangelho”.

 

Paulo era o gênio em matéria de ódio, na lógica implacável do ódio. Simplesmente riscou o ontem, inventando uma história. Falseou a história de Israel para que ela aparecesse como pré-história: todos os profetas falaram do seu “Redentor”.

 

O cristianismo é a revolta de tudo o que rasteja no chão contra aquilo que tem altura: o evangelho dos “pequenos” torna pequeno.

 

 

Paulo foi o maior dos apóstolos da vingança.

 

Que resulta disso? Que convém usar luvas ao ler o Novo Testamento.

 

O sacerdote conhece apenas um grande perigo: a ciência – a sadia noção de causa e efeito.

 

O pecado foi inventado para tornar impossível a ciência, a cultura, toda elevação e nobreza do homem; o sacerdote domina mediante a invenção do pecado.

 

O bem-aventurado não é provado, mas apenas prometido: a bem-aventurança é ligada à condição de “crer” – a pessoa deverá ser bem-aventurada porque crê.
A “prova da força” é, no fundo, apenas fé.

 

A fé não desloca montanhas, mas coloca montanhas onde elas não existem.

 

O cristianismo necessita da doença, como a cultura grega necessita de uma abundãncia de saúde.

 

Todos os caminhos retos, honestos, científicos têm de ser rejeitados como caminhos proibidos pela igreja. “Fé” significa não querer saber o que é verdadeiro.

 

Não nos enganemos: grandes espíritos são céticos. Zaratustra é um cético.

 

A necessidade da fé, de um sim ou não, é uma necessidade de fraqueza.

 

A “Lei”, a “vontade de Deus”, tudo apenas palavras para as condições sob as quais o sacerdote chega ao poder e o sustenta.

 

As convicções são inimigos mais perigosos da verdade do que as mentiras.

 

A desigualdade dos direitos é a condição para que haja direitos.
Uma cultura elevada é uma pirâmide. Pode erguer-ses apanas num terreno amplo, tem por pressuposto uma mediocridade forte, sadiamente consolidada.

 

O cristianismo foi o vampiro do Império Romano.

 

Todo espírito no Império Romano era epicúrio, então surgiu Paulo… Paulo, o ódio chandala a Roma, ao “mundo”, feito carne, feito gênio, o judeu.

 

Com isso chego ao final e pronuncio a minha sentença. Eu condeno o cristianismo, faço à Igreja cristã a mais terrível das acusações que um promotor já teve nos lábios. Ela é, para mim, a maior das corrupções imagináveis. A Igreja cristã nada deixou intacto com seu corrompimento, ela fez de todo valor um desvalor, de toda verdade uma mentira, de toda retidão uma baixeza de alma.

 

Guerra mortal ao vício: o vício é o cristianismo.

 

Link do livro:

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/filosofia/o-anticristo-30247451

 

Veja também

O Crepúsculo dos ídolos em 40 frases

O veneno da víbora não afeta um dragão

 

O Crepúsculo dos Ídolos em 40 frases

O Crepúsculo dos ídolos, é um livro do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, publicado em 1889.

https://images-na.ssl-images-amazon.com/images/I/51OO4wlyfwL._SX323_BO1,204,203,200_.jpg

O subtítulo “ou Como se filosofa com o martelo” já diz tudo: ele usa o martelo para atacar a filosofia, a razão, a moral, os costumes, destruir tudo.
“Ídolo com pés de barro” se refere a uma história bíblica: uma estátua, um ídolo, com a cabeça de ouro, peito de prata, pernas de ferro e pés de barro. Apesar de todo o seu resplendor, uma pedrinha rolando morro abaixo atingiu o seus pés de barro, e derrubou o ídolo. E é isto que Niezsche mais gosta de fazer: derrubar ídolos atacando os seus pés de barro, principalmente os maiores ídolos de seu tempo.

Gosto muito de Nietzsche, por ele ser provocativo e politicamente incorreto.

Segue abaixo alguns excertos do livro.

 


 

Prólogo

No mundo há mais ídolos do que realidades.

Este pequeno escrito é uma declaração de guerra, não se trata de ídolos contemporâneos, mas de ídolos eternos.

Posso fazer perguntas com o martelo e, talvez, ouvir como resposta aquele famoso som oco que fala das entranhas infladas – quão agradável para aquele que possui ouvidos por trás dos ouvidos, ante ao qual precisamente aquilo que gostaria de permanecer em silêncio, tem de ser ouvido alto e em bom tom.

 


Parte 1. O problema de Sócrates

Sócrates e Platão são sintomas de declínio, instrumentos da dissolução grega.

Sócrates pertencia ao povo mais baixo: Sócrates era plebe. Sabe-se inclusive quão feio ele era. Os antropólogos entre os criminalistas nos dizem que o típico criminoso é feio: monstro de aspecto, monstro de alma.

Em tudo Sócrates é exagerado, bufão, caricatura, e oculto, de segundas intenções, subterrâneo.

Com Sócrates, o gosto grego se modifica em favor da dialética. O gosto aristocrático é vencido com isso; a plebe ascende ao primeiro plano com a dialética.

Ele trouxe uma variante no combate entre homens jovens e adolescentes. Sócrates também era um grande erótico.

Sua apavorante feiúra o exprimia para todos os olhos: ele fascinou ainda mais intensamente como resposta, como aparência de cura para esse caso.

Sócrates fez da razão um tirano, e não é pequeno o perigo disto.

O modo com que Sócrates fascinava: ele parecia ser um médico, um salvador. É engano dos moralistas achar que é possível sair da decadência ao fazer guerra contra ela. Sair da decadência está fora de sua força, é novamente a mesma expressão de decadẽncia.

 


 

Parte 2: A “razão” na filosofia

Tudo o que há séculos os filósofos manejaram foram conceitos-múmia, nada de efetivamente vivaz veio de suas mão.

Outra idiossincrasia dos filósofos não é menos perigosa: ela consiste em confundir o último e o primeiro. Eles põem no início, como início, aquilo que vem no final – infelizmente!

Quatro teses:
1 – As razões pelas quais este mundo foi classificado como aparente fundamenta, muito mais, sua realidade. Uma espécie diversa de realidade é absolutamente indemonstrável
2 – As características que se deu ao “verdadeiro ser” das coisas são características do não ser, do nada. O mundo é aparente na medida em que é apenas ilusão ótico-moral.

3 – Fabular sobre “outro” mundo distinto deste não tem absolutamente qualquer sentido.

4 – Dividir o mundo em “verdadeiro” e “aparente”, seja da maneira do cristianismo, seja da maneira de Kant é apenas uma sugestão de decadência.

 


 

Como o “mundo verdadeiro” se tornou fábula

Abolimos o mundo verdadeiro: Que mundo restou? Talvez o mundo aparente? Mas não! Com o mundo verdadeiro abolimos também o mundo aparente!

 


 

Moral como contranatureza

Todas as paixões possuem uma época em que são meramente nefastas, em que puxam para baixo suas vítimas com o peso da estupidez.

Atacar as paixões pela raiz significa atacar a vida pela raiz: a práxis da Igreja é hostil à vida.

O que é mais venenoso contra os sentidos não foi dito pelos impotentes, mas pelos ascetas impossíveis, por aqueles que haviam tido a necessidade de serem ascetas.

Para uma nova criação, como o novo Reich, ter inimigos é mais necessário que amigos: somente no antagonismo ele se torna necessário.

É ingenuidade dizer “assim e assim o ser humano deveria ser”.


Os quatro grandes erros

Não há erro mais perigoso do que confundir a consequência com a causa: é a autêntica corrupção da razão.
A fórmula mais universal que está na base de toda religião e moral, reza: “faz isso e aquilo, não faça isso e aquilo”. Este é o grande pecado da razão, a mortal irracionalidade.

Erro do espírito como causa, confundido com a realidade! E convertido em medida da realidade! E denominado Deus.

Erro das causas imaginárias – partir do sonho a uma determinada sensação, imputa-se retrospectivamente uma causa.

A doutrina da vontade foi essencialmente inventada com a finalidade de punir, isto é, de querer encontrar um culpado.

O cristianismo é uma metafísica de carrasco.

 

Qual é a nossa teoria? Ninguém dá ao ser humano suas características, nem Deus, nem a sociedade, nem seus pais e antepassados, nem ele próprio. Ninguém é responsável pelo fato de existir. Nós negamos a Deus, negamos a responsabilidade em Deus: somente dessa forma é que redimimos o mundo.


Os “melhoradores” da humanidade

Conhece-se minha exigência ao filósofo de colocar-se para além do bem e mal. Não existem absolutamente fatores morais. Moral é apenas uma interpretação de certos fenômenos, uma interpretação equivocada.

Em todas as épocas, se quis “melhorar” os seres humanos, a isso se chamou moral.


Sentenças

É preciso ser um animal ou um deus para viver sozinho – diz Aristóteles. Falta o terceiro caso: é preciso ser ambos – um filósofo…

Da escola de guerra da vida – O que não me mata me fortalece.

Ajuda-te a ti mesmo, e então todos ainda te ajudarão. Princípio do amor ao próximo.

Torna-se caranguejo quando se procura pela origem. O historiador olha para trás; por fim, acaba acreditanto também no para trás.

Desconfio de todos os sistemáticos e fujo do caminho deles. A vontade de sistema é uma falta de retidão.

Quão pouco se precisa para a felicidade! O som de uma gaita de fole. A vida seria um erro sem música.

O psicólogo tem de afastar a vista de si mesmo para poder enxergar algo.

Tu és autêntico? Ou apenas um ator?

Procurei pelos grandes seres humanos, e sempre encontrei apenas os macacos do seu ideal.

És alguém que só olha? Ou que se põe ao trabalho? Ou alguém que desvia o olhar, pondo-se de lado?

Queres caminhar junto? Ou à frente dos outros? Ou seguir o próprio caminho? É preciso saber o que se quer e que se quer.

O ser humano é um erro de Deus? Ou Deus é um erro do ser humano?


 

O MARTELO FALA

“Por que tão duro!” -falou ao diamante um dia o carvão: “não somos afinal parentes próximos?”
Por que tão frágeis? Ó meus irmãos, assim vos pergunto: vós não sois afinal – meus irmãos?
Por que tão frágeis, tão prontos a ceder e a amoldar-se? Por que há tanta negação, tanta renegação em vossos corações?
Tão pouco destino em vossos olhares? E vós não quereis ser destino e algo inexorável: como poderíeis um dia vencer comigo?
E se as vossas durezas não querem relampejar e cortar e despedaçar: como poderíeis vós criar comigo?
Todos os criadores são em verdade duros. E venturança precisa parecer-vos imprimir a vossa marca sobre milênios como sobre cera, –
Venturança de escrever sobre a vontade de milênios como sobre bronze – como sobre algo mais duro do que o bronze. Totalmente duro solitariamente é o que há mais nobre.
Esta nova tábua, ó meus irmãos, coloco sobre vossas cabeças: tornai-vos duros! –


 

Nota: Resumos têm uma utilidade resumida. Recomendo a leitura do livro inteiro para uma visão mais completa.

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/filosofia/filosofos/nietzsche/crepusculo-dos-idolos-46580797

 

 

Conhecimento Tácito x Explícito

Para cada unidade de conhecimento explícito em livros, há 1000 unidades de conhecimento tácito, não escrito em lugar algum.

O conhecimento está nas pessoas – e pouquíssimas pessoas têm o talento, a paciência e dominam os meios para se comunicar de forma explícita, seja por texto, vídeo ou artigo.

As ideias estão no ar.  

Um erro comum é achar que as ideias explícitas inspiraram as ações efetivas. Na verdade é o contrário. Normalmente, a ação inspira o registro.

Muitos dos grandes pensadores da história são bons escribas e bons analistas.

Não foi depois que Adam Smith escreveu “A riqueza das nações”, em 1776, que as economias do mundo passaram a enfatizar o livre-mercado, a mão invisível e a divisão do trabalho. Tudo isto já estava acontecendo, e Smith foi o primeiro que analisou e registrou o mesmo.

Image result for wealth of nations

O mesmo ocorre com o pensador italiano Nicolau Maquiavel, nos anos 1500. Não foi ele que inventou o conceito de que “Os fins justificam os meios”. Ele era um grande estudioso e pesquisador histórico, e se baseou fortemente nos poderosos de sua época (como César Bórgia) e de épocas antigas para escrever os seus tratados políticos.

Os acadêmicos se fecham em seu mundo do conhecimento explícito, deixando para trás um universo de informações tácitas, do mundo real.

 


 

A espiral do Conhecimento

 

Gosto muito do ciclo SECI de gestão do conhecimento, de 2003, dos autores Ikujiro Nonaka e Hirotaka Takeuchi. Este ciclo reflete quase exatamente as ideias acima.

Image result for https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/administracao/recursos-humanos/gestao-do-conhecimento-5069655

 https://www.12manage.com/images/picture_nonaka_seci_model.gif

Eles dividem o conhecimento em quadrantes.

  • Tácito – Tácito: Uma pessoa ensinando outra, ou uma pessoa aprendendo com a convivência num meio. Aprendemos a falar imersos numa sociedade, e não através da leitura dos livros de gramática.
  • Tácito – Explícito: são os Adam Smiths que reportam o conhecimento tácito de forma explícita. Ou os consultores de empresa que analisam um business e geram relatórios e planos de ação. Ou os professores que escrevem os livros didáticos.
  • Explícito – Explícito: é o mundo das combinações e informação, gerando outras informações e insights. Manuais, livros, planos. O mundo acadêmico mora aqui.
  • Explícito – Tácito: é a internalização do conhecimento, estudar, ler, aprender.

 

Na verdade não é apenas um ciclo. É um ciclo virtuoso, é uma espiral – a espiral do conhecimento.

Conhecimento tácito sendo externalizado, explicitado, possibilitando a combinação de outras análises, facilitando que outras pessoas internalizem o  mesmo, gerando um conhecimento tácito melhor e mais avançado, e assim sucessivamente, e de forma crescente.

A minha contribuição é no tamanho dos quadrantes. O quadrante tácito-tácito é muito maior do que os demais. Representá-lo com a mesma área no quadro subestima o tamanho e a importância do conhecimento tácito.

NewSECI.JPG

O mundo explícito-explícito é o domínio do deus Apolo,  da ordem, do conhecimento perfeito, da beleza, do rigor exato.

Já o tácito-tácito é  o domínio do profeta Dionísio, o do caos, o das combinações esparsas, da embriaguez, do bate-papo informal. É onde nasce uma supernova, parafraseando o grande Friedrich Nietzsche.  É no tácito-tácito onde realmente ocorrem as revoluções.

 Para fazer revoluções, mergulhe no mundo tácito.

 

 

 


Anexo: A biblioteca de Lucien

A biblioteca de Lucien contém todos os livros não-escritos do mundo. Todas as ideias que nunca foram para o papel, todos os sonhos que desapareceram da memória, todos os projetos engavetados.

 

https://creativecontrol2.files.wordpress.com/2012/04/lucien.jpg?w=473&h=673

Um único detalhe: esta biblioteca existe apenas no reino dos sonhos, do personagem Sandman, de Neil Gaiman.

O veneno da víbora não afeta um dragão

Um conselho de Nietzsche para aqueles que se incomodam com provocações alheias.


 

A picada da víbora

Um dia dormitava Zaratustra debaixo de uma figueira, pois fazia muito calor e com o braço cobria o rosto. Veio uma víbora e mordeu o seu pescoço, e ele lançou um grito de dor. Quando tirou o braço do rosto, olhou a serpente. Então a serpente reconheceu os olhos de Zaratustra, retorceu-se e quis fugir.

– Não, exclamou Zaratustra. Ainda não te agradeci! A tempo me despertaste. Grande ainda é meu caminho.

– Teu caminho agora é curto – disse tristemente a víbora – meu veneno mata.

Zaratustra pôs-se a rir.

– Quando matou a um dragão o veneno de uma serpente? -disse. Retoma o teu veneno, não és rica para dá-lo a mim. Então a víbora tornou a enroscar-se no seu pescoço e lambeu a ferida.

 

Quando Zaratustra contou esta história a seus discípulos, estes lhe perguntaram:

– E qual é, Zaratustra, a moral do conto?

Zaratustra respondeu:

– Os bons e os justos me chamam de destruidor da moral, meu conto é imoral. Mas, se tendes um inimigo, não lhe devolvais bem por mal, porque se veria humilhado: demonstrais, ao contrário, que lhe fizeste um bem. E em vez de humilhar, encoleriza-vos. E quando vos maldigam, não me agradas que queiras bendizer. Maldizei vós também!

 

Assim Falava Zaratustra – Friedrich Nietzsche.

 

Nietzsche e van Gogh: loucos geniais

O pano de fundo deste espaço são telas de Vincent van Gogh. Isto não é mero acaso.
https://i0.wp.com/www.wallpaperawesome.com/wallpapers-awesome/wallpapers-famous-painting-artist-painter-brush-oil-on-canvas-awesome/wallpaper-vincent-van-gogh-bridge.jpg
Tela: Ponte Langlois
Gosto muito dos traços fortes e cores vívidas de suas paisagens. Quando olho para uma tela de van Gogh, não deixo de pensar: “uma obra bonita… e muito louca”.
https://www.thetapestryhouse.com/media/transfer/img/fa195_starry_night_van_gogh_large.jpg
Tela: Noite estrelada
O mesmo acontece com Friedrich Nietzsche. Ideias fortes, sem meio-termo. Provocações que fazem, no mínimo, refletir.
“Deus está morto”. “A fé não desloca montanhas, mas coloca montanhas onde elas não existem”,
– em críticas ao cristianismo.
“Sou um discípulo do profeta Dionísio”,
– em alusão à dualidade ordem-caos, em que ele prefere o lado do caos.
“Sócrates é feio. Em tudo Sócrates é exagerado, bufão, caricatura, e oculto, de segundas intenções, subterrâneo”,
– fazendo filosofia com o martelo, como ele mesmo diz.
“A desigualdade dos direitos é a condição para que haja direitos. Uma cultura elevada é uma pirâmide. Pode erguer-se apenas num terreno amplo, tem por pressuposto uma mediocridade forte, sadiamente consolidada”,
– criticando a democracia.
“Não enfrentes monstros sob pena de te tornares um deles. Se contemplas o abismo, a ti o abismo também contempla”,
– não sei o que significa esse negócio de abismo, mas é uma frase bem legal.
Não deixo de pensar: “uma obra bonita… e extremamente louca”.
Nietzsche
Há várias semelhanças na vida desses dois gênios.
Foram contemporâneos. Ambos viveram na Europa do final do séc. XIX. Nietzsche na Alemanha, van Gogh na Holanda, e morreram jovens e insanos mentalmente. Os pais de ambos eram pastores, e a família, religiosa.
Ambos dedicaram períodos imensos de suas vidas ao trabalho, mas tiveram zero sucesso em vida: van Gogh vendeu um apenas um quadro. Vincent van Gogh não parava em emprego algum. Ele foi sustentado financeiramente pelo seu irmão mais novo Theo, a vida toda.
A man is scattering seeds in a ploughed field. The figure is represented as small, and is set in the upper right and walking out of the picture. He carries a bag of seed over one shoulder. The ploughed soil is grey, and behind it rises a standing crop, and in the left distance, a farmhouse. In the centre of the horizon is a giant yellow rising sun with emanating yellow rays. A path leads into the picture, and birds are swooping down.
Tela: O semeador
Nietzsche foi professor na Universidade da Basileia, mas se aposentou muito cedo por motivos de saúde. Passou o resto da vida ganhando um salário bastante modesto, e tendo uma vida também muito humilde. Ele dedicou vários anos escrevendo as suas obras, mas ninguém quis publicá-las. Ele bancou as próprias publicações, mas não obteve reconhecimento algum.
https://mydailyartdisplay.files.wordpress.com/2012/01/vincent_van_gogh_00191.jpg?w=811&h=669
Tela: A colheita
O amor também lhes foi negado.
Van Gogh apaixonou-se algumas vezes, mas recebeu respostas como “nunca, nunca, nunca”. O mais próximo de casamento que chegou foi com uma prostituta chamada Sien, que já tinha uma filha grande e estava grávida de outro filho.
A obra “Sorrow” (tristeza)
Van Gogh fez vários desenhos dela.
Sien tomando conta do bebê
Porém, a família de van Gogh rejeitou este relacionamento, e eles romperam alguns anos depois.
Nietzsche interessou-se por algumas mulheres, mas nunca foi correspondido. Uma, em especial, lhe foi muito cara. Lou Salomé foi a mulher que mais se aproximou de Nietzsche. Ela tinha um nível intelectual muito alto, e talvez fosse a única que compreendesse a profundidade de seu pensamento. Passavam horas caminhando e discutindo filosofia.
https://i2.wp.com/oltreuomo.com/wp-content/uploads/2014/06/filosofi-e-donne-nietzsche.jpg
Entretanto, o interesse dela era pelo filósofo, não pelo homem. Nietzsche tomou um fora da qual nunca se recuperou direito.
 
Dizem que van Gogh cortou a própria orelha, após um acesso de fúria. Outros dizem que ele cortou a orelha porque não estava conseguindo pintá-la em seus quadros. De qualquer forma, van Gogh passou vários anos em hospitais psiquiátricos, onde ficava o dia inteiro pintando.
Van Gogh morreu aos 37 anos, com um tiro no peito – talvez causado por ele mesmo, talvez não.
Image result
Já Nietzsche perdeu completamente a sanidade ao tentar impedir um homem de chicotear o seu cavalo. Viveu os 11 anos seguintes completamente louco, alheio à realidade, sob os cuidados da irmã – esta era partidária do partido nazista e reinterpretou várias das obras de Nietzsche sob a sua ótica particular. Morreu aos 55 anos.
Image result for nietzsche insane
Tanto van Gogh quanto Nietzsche tiveram casos de sífilis, provavelmente por conta de bordéis baratos.  Muitos atribuem os problemas mentais de ambos à sífilis.
Prefiro pensar que a genialidade deles era maior do que qualquer cérebro humano poderia suportar. E que eles viveram o tempo mínimo suficiente para deixar as suas marcas: eles estavam à frente de seu tempo.
Alguns homens já nascem póstumos – Friedrich Nietzsche.

 


Links

É do caos que nasce uma estrela

“Sou um discípulo do profeta Dionísio” – Friedrich Nietzsche

 

Recomendações da TI sobre estrutura de dados: quanto mais estruturado, limpo e padronizado, melhor. Aumenta a produtividade, aumenta a organização. Menor será o retrabalho, menor será a confusão com dados. Planilhas em Excel são a pior coisa do mundo, porque o usuário vai criar colunas, inserir linhas vazias, mudar o cabeçalho: vai dar tudo errado.
 
Parece perfeito.

 

Mas, também como discípulo do profeta Dionísio, digo que NÃO.
     

  • Quanto mais caótico o banco de dados, melhor.
  • Quanto mais sujo, melhor.
  • Quanto mais o usuário bagunçar, melhor.

 


Apolo x Dionísio

 

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche tinha a notável capacidade de aliar ideias filosóficas com um estilo poético. Uma de suas metáforas mais conhecidas é o contraste entre os deuses gregos Apolo e Dionísio.

 

Apolo_de_belvedere_-_vaticano.jpg

 

Apolo é o deus do Sol, da Harmonia, da Medicina. Ele representa a Ordem: o deus bonito, alto, forte, simétrico, organizado. É o deus das artes, dando formas precisas às esculturas, colocando ordem no caos.

 

Cornelis-De-Vos-The-Triumph-of-Bacchus-2-.JPG
Tela: o triunfo de Baco

 
Dionísio é o deus do vinho. Representa o Caos. Baixinho, gordo, feio, bêbado, torto, tudo de ruim. Representa a êxtase, embriaguez. Nascido da fome e da dor, renasce a cada primavera e espalha alegria por onde passa.

 


Ordem x Caos

 

Parece bom ter ordem ao invés do caos. Mas o fato é que podemos ordenar apenas um pedaço muito pequeno do mundo. O universo, infinitamente maior, nunca será conhecido pelo ser humano.

 

Imagino os dois deuses como dois braços: um braço do caos e outro da ordem, se complementando. Devemos ordenar o mundo tendo a humildade de reconhecer que há premissas que sempre estarão fora de qualquer modelo.

 

Tenho um lado apolônio muito forte, pela minha formação em engenharia, olimpíada de matemática, etc. Mas também tenho um lado dionisíaco muito forte, o que me leva ser muito cético com tudo o que quer organizar demais, otimizar demais, dando pouca margem a imprevistos.
 


Por que gosto de estruturas de dados caóticas?

 

Trabalho bastante com inovação, no sentido de criar novas ferramentas, novos processos, novas ideias.
 
Quando trabalhamos com um novo projeto, o cliente não tem a mínima ideia do que quer. Ele sabe apenas o sintoma (digamos, os analistas perdem tempo demais para gerar o relatório), e assume que sabe a solução (gerar um relatório automaticamente).

 

Mas qual o problema real? Ninguém sabe, este deve ser descoberto.

 

Às vezes, ele nem precisa do relatório que ele achava que precisava. De qualquer forma, em 100% dos casos, não adianta estruturar bases de dados para tentar resolver com eficiência o problema errado.

 

Como diria Peter Drucker:

 

Não há desperdício maior do que resolver com grande eficiência um problema que não precisava ter sido resolvido.

 

A recomendação das bases de dados estruturadas serve somente para processos maduros, já estabelecidos e que vão mudar pouco.

 

Para inovações, quanto mais protótipos, melhor. Quanto mais quick-wins, simples,  rápidos, flexíveis e portanto, caóticos, melhor. Quanto mais excel sujo, melhor. Quanto mais o usuário bagunçar, melhor.

 

Nenhuma nova música surge da ordem. Nenhum novo quadro surge da ordem. Nenhuma nova ideia surge da ordem. Somente do caos.

 

“É do caos que nasce uma estrela” – Friedrich Nietzsche

 
cosmos.jpg

Gigantes não reconhecidos

Conheci uma pessoa que não parava de vociferar, “Se a empresa investisse em mim, eu me dedicaria mais”, “Um minuto que fico a mais é um minuto não remunerado”, “por que eu tenho que tirar do meu bolso para estudar, e não a empresa pagar?” e coisas do tipo. Talvez ele se achasse um “gigante não reconhecido”.
 

Ora, por que a empresa investiria um centavo nesse sujeito? Fosse eu o responsável por alocar um investimento escasso, este seria para aquele que se destacasse mais, e não para quem reclamasse mais.
A minha visão de realidade é diametralmente oposta. Citando Napoleon Hill,
 
“Se você nunca faz além do que lhe é pedido, nunca receberá um tostão além do que foi combinado”.

 

E há tantas pessoas que fizeram muito mais do que o pedido! Alguns dos grandes trabalhos da humanidade sequer foram remunerados ou reconhecidos! Há tantos exemplos, que é fácil escolher alguns.
 


O pintor Vincent Van Gogh (cujos quadros ilustram a figura de capa deste blog) vendeu um único quadro durante a sua vida. Morreu achando-se um pintor fracassado. Hoje qualquer obra dele sua vale milhões, mas ninguém ofereceu milhões para que ele fizesse a sua obra.

 

the-langlois-bridge-at-arles-with-women-washing-1888-1.jpg

 

Quando os livros do grande Friedrich Nietzsche foram reconhecidas como geniais, ele já estava mentalmente insano. Ele mesmo já tinha escrito: “algumas pessoas já nascem póstumas”, “minhas obras são para todos e para ninguém”.

 

Nietzsche.jpg
 
J. R. Tolkien, das mega obras O Senhor dos Anéis e O Hobbit, sequer publicou tais livros em vida. Ele viveu a sua vida como alguém normal. Os manuscritos foram editadas e publicadas por um de seus filhos, após a sua morte.

 

O-Senhor-dos-Aneis-a-Sociedade-do-Anel-Volume-1-J-R-R-Tolkien-52452.jpg
 

Ignaz Semmelweis, médico alemão, percebeu em 1847 que uma medida muito simples, lavar as mãos, poderia salvar milhares de vidas. Os médicos da época não tinham o costume de lavar as mãos, porque acreditavam que isto não influenciava na melhora ou piora dos pacientes. Semmelweis foi duramente criticado por todos os lados, entrou em depressão e morreu antes de ter a sua teoria amplamente aceita.
 
Os Concertos de Brandenburgo são uma das séries musicais mais bonitas da humanidade, autoria de Johan Sebastian Bach, em 1718.

 

Brandenburg-Concertos-Violin.jpg

 

Naquela época, como hoje e sempre, conseguir um bom emprego era uma tarefa difícil, então Bach fazia as obras em homenagem a uma pessoa influente, na tentativa de colher algum dividendo com isso. No caso, em homenagem a um certo Comandante de Brandenburgo, que nem sequer agradeceu – as obras foram engavetadas e esquecidas.

 

A gente acha que uma pessoa como Bach era alguém super conceituado, com uma orquestra sinfônica de alto nível do seu lado. Mas não, ele era um mestre de capela, fazia música com o que tinha – e isto não o impediu de criar algumas das melodias mais harmônicas do universo.
 
Para fechar uma curiosidade: A série “The Great Courses” engloba algumas das melhores aulas do mundo, sobre assuntos tão diversos como história e economia. Todas as aulas do curso começam com 30 segundos do Concerto de Branderburgo número 2, reproduzido abaixo, como a trilha sonora deste post.
 
 

O velho homem voador

O texto “O novo homem voador” recebeu alguns bons elogios.

Escrevi um texto semelhante, porém muito mais simples, há uns 15 anos atrás. Na época, eu estava me desatando de algumas amarras – e me atando a outras – e me imaginei como seria alguém totalmente livre. Provavelmente poderia voar, de tão livre que seria. Então, do alto, veria que todas as pessoas estão presas por amarras.

Recentemente pensei em reescrever a história após ler uma frase de Nietzsche.

O pensador alemão Friedrich Nietzsche tem um estilo poético, aliado a ideias demolidoras, o que o faz ter citações memoráveis.
Não consigo reproduzir o estilo poético, mas ele disse algo mais ou menos assim.

bridge.jpg
Na nossa vida, temos que atravessar um rio. Na beira do rio, há a oferta de várias barcaças e várias pontes guardadas por semi-deuses. Mas o preço da passagem é a sua alma.

A conclusão de Nietzsche. Não siga por ponte alguma. Você é responsável por construir a sua própria ponte.

Para fechar, um comentário espontâneo do meu amigo Diego Piva, ao ouvir esta história: “Mas atravessar o rio, no braço, também é osso, hein”. Pura verdade…

 

 

​Por que escrevo tão bem?

Prelúdio. Por que escrevo tão bem?

Mas que sujeito arrogante! Afirmar que escreve tão bem!

Na verdade, a frase acima é da autoria do grande filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Ele tem um estilo poético, aliado a ideias contundentes. É um artista que usa uma martelo, e cuja habilidade é a de destruir as mais profundas convicções que temos: a moral, a bondade, a filosofia, o cristianismo.

ecceHomo

Nietzsche escreveu capítulos como “Por que sou tão inteligente” e “Por que escrevo bons livros”, num livro autobiográfico chamado “Ecce Homo”. Ecce Homo vem do latim, algo como “Eis o homem”. Em bom português, imagino que ele quis dizer “Esse é o cara”. Nota-se que Nietzsche é alguém para ser extremamente amado ou extremamente odiado, não tem meio-termo.

O título real deste ensaio seria “Por que escrevo este blog”.


Ato 1. Por que escrevo este blog

Por que escrevo este blog, e por que escrevo tão bem (adotando a provocação de Nietzsche)? Há algumas respostas. Uma delas: tenho algo a dizer.

Há tantas ideias porcarias espalhadas por este mundo, que as pessoas às vezes podem se deixar levar por elas, somente pelo fato de não terem a chance de ouvir ideias antagônicas.

lighthouse

Ideias são como faróis luminosos. Há faróis grandes e brilhantes, que alcançam um grande número de pessoas. E há faróis retransmissores, menores, menos brilhantes, que têm menos alcance. Até mesmo o maior e mais brilhante farol precisa da ajuda desses retransmissores, porque a luz se dissipa no tempo e no espaço. Cada um de nós é um desses faróis, temos o nosso valor ao retransmitir ideias que valem a pena ser compartilhadas.


Ato 2. Ensinar e aprender

Outro motivo para escrever é o de aprender. A melhor forma de aprender não é estudando, mas sim fazendo, praticando, ensinando. E a minha forma de ensinar é através da palavra escrita.

Para tentar criar bons argumentos, tenho um checklist. Alguns dos critérios:

  • Sempre agregar valor em textos curtos
  • Inserir alguma história que aconteceu comigo ou alguma ideia minha, para criar um ponto de vista inédito
  • Criar um “Flow”, um fluxo, um encadeamento natural de ideias do início ao fim.

Citando o grande professor Otávio Manhães (do ITA):

“Se eu não conseguir ensinar física quântica para uma empregada doméstica, não sou um bom professor”.


Ato 3. Ilhas de conhecimento

Minhas anotações em cadernos sempre foram tão bagunçadas que não serviam para nada. Ao contrário, escrever aqui é uma forma de organizar e registrar ideias. Indexar conhecimento.

Cada texto é como se fosse uma ilha, uma ilha de conhecimento. E cada comentário das pessoas que leem esses textos são novas ilhas de conhecimento. Conectar ilhas diferentes leva a novos insights. Com isso, estarei preparado quando preciso. Por exemplo, quando surgiu um convite da revista Opiniões (aqui neste link) para falar sobre planejamento florestal, eu já tinha um texto-base para guiar o texto final.

Eu gosto da imagem de ilhas de conhecimento, se conectando através de pontes de imaginação, formando novas ilhas de aplicações e continentes de inovações. Já o pesquisador Steven Johnson criou o termo “possível adjacente”. A ideia é que inovação não ocorre em saltos, mas expandindo os limites do conhecimento existente.

adjacent-possible


Epílogo.

Para fechar, uma citação adaptada de Carl Sagan, dedicada às pessoas com quem discuti conceitos, ideias, teorias, percepções, aplicações.

Diante da imensidão do tempo e da vastidão do espaço, foi um prazer encontrar cada um dos meus amigos nesta época, neste planeta.