Mitologia Nórdica

Mais algumas recomendações de leitura: Mitologia Nórdica, de Neil Gaiman, e várias histórias do Thor, de Walter Simonson.


  1. Mitologia Nórdica

Hoje em dia, temos os filmes da Marvel, porém, milênios antes de existirem telas de cinema e histórias em quadrinhos, os antigos povos escandinavos contavam histórias, ao redor de fogueiras, sobre as incríveis façanhas de Thor, o Deus do Trovão; Odin, o pai de todos os deuses; Loki, o traiçoeiro, e tantos outros.

As lendas nórdicas antigas são recontadas pelo maior tecedor de histórias da atualidade: Neil Gaiman, da série Sandman, também autor de Deuses Americanos, Stardust e Good Omens.

As histórias incluem:

  • Como o muro de Asgard foi construído? (Loki enganou um gigante do gelo para isso)
  • Por que o martelo de Thor tem um cabo tão curto? (também tem manipulação do Loki na história)
  • O casamento de Freya (a mais bela das asgardianas) com um gigante do gelo. Essa história é especialmente cômica, porque Thor se disfarça de Freya (a contragosto, plano de Loki, óbvio), e Loki vai passando a conversa no gigante até o dia do casamento.

O próprio Neil Gaiman narra trechos deste conto, em (71) Neil Gaiman reads “Freya’s Unusual Wedding” – YouTube.

  • Como Odin perdeu o seu olho?
  • A morte de Balder. O personagem Balder não aparece em nenhum dos filmes da Marvel, mas nos quadrinhos, sim, e eu gostava muito dele: um deus nobre, bastante querido por todos. Um deus diferente dos demais.
  • A história de Fenris, o terrível cão com poder de causar o Ragnarok. Na mitologia, Fenris é filho de Loki. Hela também é filha de Loki (só coisa ruim vem dele). O conto mostra como os deuses enganaram o cão, prendendo-o até o fim dos tempos (spoiler: um dos deuses teve que ceder o braço por isso). Fenris aparece em um dos filmes do Thor, porém o original da mitologia é infinitamente mais perigoso.

Gaiman sempre incorporou inúmeros elementos da mitologia nórdica (e também egípcia, grega, japonesa e de diversas outras culturas) em suas histórias. Este compilado de contos, apesar de não serem originais (afinal, são lendas de milênios), tem a pitada do gênio do autor: história bem narrada do início ao fim, linguagem contemporânea, com muito humor e drama.


2. Thor, de Walter Simonson

O meu contato com Mitologia Nórdica foi com os quadrinhos do Thor, da Marvel, nos anos 90. Foi uma fase muito boa, porque tais histórias foram escritas por Walter Simonson, um dos melhores escritores e desenhistas de quadrinhos de todos os tempos.

Ouso a dizer que, sem Simonson, o Thor da Marvel seria um personagem tão sem graça quanto o Homem Formiga.

Algumas histórias do Thor de Simonson, abaixo. Hoje em dia, não sei como encontrar no formato HQ de anos atrás, porém segue a indicação assim mesmo:

A Saga de Surtur: Originalmente, o Thor era só um ser humano que se transformava em Thor – tipo um Clark Kent que vira Superman. Foi Simonson que fez com que ele fosse realmente o Thor da mitologia, e começou a introduzir vários elementos das antigas histórias, como Surtur e outros personagens das lendas.

Bill Raio Beta: Um alienígena digno de levantar o martelo de Thor! É um arco de histórias tão interessante que pode facilmente ser adaptado ao cinema ou à alguma minissérie.

Simonson é responsável por uma das cenas mais icônicas desta fase.

O Executor, Skurge, sempre foi um personagem de segunda linha, eternamente apaixonado (e usado como capacho) pela bela Encantor.

Thor, Balder e o exército asgardiano tiveram que descer ao Hel (Inferno), a fim de resgatar algumas almas presas injustamente. Na fuga, estavam todos encrencados com as hordas do Hel.

Skurge se ofereceu para ficar para trás, sacrificando-se para segurar as hordas por tempo suficiente para a fuga de seus companheiros. Com isso, ele ganhou o respeito de todos, inclusive de Hela, a deusa do Inferno.

Por fim, uma história sem noção, mas divertida: Simonson transformou o Deus do Trovão em sapo!

A mitologia é muito divertida, quando aliada à outros elementos lúdicos e numa linguagem contemporânea.

Boa leitura!

Veja também:

​O olho da sabedoria (ideiasesquecidas.com)

O índice X-Men de Inflação (ideiasesquecidas.com)

Códigos, genética e puzzles

Algumas recomendações de livros, para quem gosta da parte de exatas.

  1. O livro dos códigos, Simon Singh.

Conta a história da criptografia, desde os primórdios até os dias de hoje.

Especialmente interessante é uma descrição detalhada de como o Enigma funcionava. O Enigma era o dispositivo de criptografia dos alemães, na Segunda Grande Guerra, e era considerado indecifrável.

Um grupo de cientistas ingleses, incluindo Alan Turing, conseguiu decifrar o Enigma, dando aos aliados uma vantagem estratégica enorme (eles conseguiram ter a confiança de que o Dia D ocorreria sem grandes problemas, por exemplo)

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  1. Genética e DNA em Quadrinhos, Mark Schultz.

Eu gosto bastante do poder de simplificação e visualização de temas complexos em quadrinhos.

O livro é uma introdução divertida à genética, incluindo Gregor Mendel, Charles Darwin e a famosa dupla hélice do DNA, descoberta pela dupla Watson e Crick.

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Aproveitando, na mesma linha, Química em Quadrinhos, de Larry Gonick:
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  1. Mania de Matemática, Ian Stewart.

O matemático Ian Stewart é autor de vários livros populares sobre matemática.


Neste livro, ele descreve com bastante detalhe alguns puzzles. O nível é bem alto, são puzzles difíceis.

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Um exemplo é a “Quadratura do Quadrado”: como cobrir um quadrado com quadrados menores, de tamanhos diferentes?

Como a “quadratura do quadrado” é um problema difícil demais, ataquei a “quadratura do retângulo” no link a seguir.

https://ideiasesquecidas.com/2019/11/15/quadraturas-do-retangulo/

Na mesma linha, tem o Mania de Matemática II:

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Boa diversão!

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2016/06/19/calculo-em-quadrinhos-bioquimica-em-quadrinhos/

https://ideiasesquecidas.com/2020/09/18/nietzsche-em-quadrinhos/

Adaptações de Sapiens, 1984 e Sandman

Algumas recomendações de lançamentos que ocorrerão nos próximos meses:

1 – Adaptação em quadrinhos do livro Sapiens, de Yuval Harari. Serão 4 edições, a primeira a sair no meio de novembro. Apesar de muito tentador, é em inglês, e cotada em dólar, então já aviso que vou esperar lançarem em reais.

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2 – Adaptação em quadrinhos de 1984, a icônica obra de George Orwell. Introduziu termos como o Grande irmão (Big Brother), duplipensar, novilíngua.

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3 – A cultuada série Sandman, de Neil Gaiman, ganhará uma adaptação na Netflix! Bom, espero que não estraguem a história do Senhor dos Sonhos.

Outros links:

https://www.ynharari.com/pt-br/book/graphicnovelsapiens/

https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/204471-neil-gaiman-filmagens-serie-sandman-netflix.htm

https://canaltech.com.br/entretenimento/sandman-na-netflix-o-que-esperar-da-adaptacao-da-melhor-obra-de-neil-gaiman-163760/

Strand, Borders, Cultura e a Livraria de Lucien

Ontem, sábado, fiz provavelmente a última visita da minha vida à outrora magnífica Livraria Cultura, da Av. Paulista.

O espaço continua semelhante, fora alguns anexos que fecharam. O conteúdo, mais pobre. Antigamente, as estantes bombavam de novidades, com muito mais vida. Hoje, vários dos títulos expostos são os mesmos de anos atrás. Livros hoje lembram os discos de vinil, algo que teve a sua época, mas passou. Vão sobreviver, assim como existem discos de vinil até hoje, porém, somente em volumes menores e para consumidores de nicho.

É uma questão de tempo, para fechar de vez. Ela não conseguiu se adequar aos tempos modernos. O mesmo ocorre com a Saraiva e tantos outros. O varejo agora é digital. Amazon, Magazine Luiza, Mercado Livre são os novos titãs do pedaço.

Este é um fenômeno mundial. Hoje, vejo a notícia que a outrora magnífica livraria Strand, de Nova Iorque, também está numa situação terrível (vide links abaixo).

Fiz visitas a ela nas duas vezes em que fui passear na cidade. Era o maior sebo de livros usados do mundo. E coloca grande nisso! Era possível ficar horas ali, percorrendo as estantes, folheando passagens diversas em busca de conhecimento esquecido e de barganhas. Foi ali que comprei um livro muito especial, a biografia de Steve Jobs por Walter Isaacson, que tenho até hoje.

Foto minha na Livraria Strand, em 2008

Os tempos modernos já fizeram outras vítimas. A Borders, uma espécie de Saraiva americana, já se foi faz tempo. Tenho excelente lembrança dela, pois tinha uma Borders em Brisbane, na Austrália, onde fiquei por três meses.

A mais magnífica livraria de todas que já visitei foi a Barnes & Noble da 5ª avenida. Uma loja imensa, com corredores intermináveis. Eu me senti na biblioteca de Lucien.

Lucien é um personagem da série Sandman. É o bibliotecário do reino dos sonhos, e ele toma conta de uma biblioteca infinita.

A biblioteca de Lucien tem todos os livros escritos e não-escritos do mundo. Contém todos os tópicos já imaginados, desde os mais ingênuos até os mais profanos, por todas as pessoas que já existiram e sonharam na face da Terra…

A loja Barnes & Noble da 5a avenida fechou faz tempo. A rede Barnes & Noble ainda existe. Da última vez que visitei uma, na Califórnia, vi que ela tinha se reinventado, incorporando brinquedos, papelaria, quebra-cabeças ao seu repertório. Porém, mesmo assim ela deve ter sentido o baque da pandemia e a perda do market share para o digital.

Contudo, Strand, Borders, Cultura, Saraiva e muitas outras continuarão existindo, para todo o sempre, nas nossas lembranças. A infinidade de corredores delas será incorporada à Biblioteca de Lucien, e todos os livros estarão ali, disponíveis para todo o sempre, no mundo dos sonhos.

Trilha sonora: Meditação – Maysa Matarazzo (letra: Tom Jobim)

Veja também:

https://www.theguardian.com/us-news/2020/oct/24/the-strand-bookstore-new-york-plea-for-help

https://www.dn.pt/cultura/a-ultima-livraria-da-4-avenida-luta-pela-sobrevivencia-12958918.html

https://sandman.fandom.com/wiki/Lucien

https://ideiasesquecidas.com/2020/10/18/o-que-aprendi-vendendo-livros-pela-amazon/

Recomendações de livros sobre geografia

Duas recomendações de livros, sobre o tema “Geografia”.

O Livro “Prisioneiros da Geografia”, de Tim Marshall, já foi citado antes neste espaço (https://ideiasesquecidas.com/2020/05/21/o-artico-e-um-monte-de-gelo-inutil/).

A diferença é que foi lançada essa versão, para adolescentes. Contém 12 mapas, com um resumo dos conceitos explicados no livro.

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Um dos mapas:


A segunda recomendação é o livro mais recente do autor Jared Diamond. Ele tem uma série de excelente livros sobre geografia e evolução, como Armas, Germes e Aço, e o Terceiro Chimpanzé.

No livro “Reviravolta”, ele conta a história passada e presente de algumas nações que ele conhece bem.

Um exemplo é a Austrália: décadas atrás, era como se fosse uma Inglaterra em outro continente. Hoje em dia, devido à proximidade e força da China, há uma influência extremamente forte desta, tanto culturalmente quanto demograficamente.

https://amzn.to/37e3edy


Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2019/06/26/jared-diamond-e-geografia/

https://ideiasesquecidas.com/2015/10/31/os-japoneses-originais/

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/

Relembrando alguns posts notáveis

Cinco postagens antigas que estiveram recentemente entre os mais acessados, e valem uma releitura.

Eu sou o Mestre do meu Destino, eu sou o Comandante da minha Alma – palavras impressionantes de William Ernest Henley
https://ideiasesquecidas.com/2015/08/11/eu-sou-o-mestre-do-meu-destino-eu-sou-o-comandante-da-minha-alma-2/

Ethos, Pathos e Logos: elementos da persuasão, segundo o grande Aristóteles. É a arte de escolher o melhor argumento a cada caso com o fim de persuadir.

https://ideiasesquecidas.com/2018/09/07/ethos-pathos-e-logos/

Sobre o poema Morte e Vida Severina, e a versão musicada de “Funeral de um lavrador“.
https://ideiasesquecidas.com/2018/10/14/funeral-de-um-lavrador/

Algumas reflexões sobre o famoso “negativo x negativo = positivo”.

Corolário. Um pouco da “Tabajara álgebra”, onde negativo x negativo = negativo.


https://ideiasesquecidas.com/2016/05/15/negativo-x-negativo-positivo-por-que/

Sobre Cisnes Negros. Eventos de baixa probabilidade e alto impacto, que surgem em nossas vidas. Nassim Taleb é o autor que mais admiro no mundo moderno.


https://ideiasesquecidas.com/2017/08/09/a-teoria-dos-cisnes-negros/

Nietzsche em quadrinhos

O explosivo filósofo alemão Friedrich Nietzsche é amado e odiado por suas ideias polêmicas e linguagem poética.

“Deus está morto”,

“Moral é apenas uma interpretação equivocada de certos fenômenos”

“É do caos que nasce uma estrela”

“Quando se olha muito tempo para o abismo, o abismo olha para você.”

“Aqueles que veem a dança são considerados insanos por quem não está ouvindo a música”

A seguir, três recomendações de quadrinhos sobre o filósofo.

1 – Assim falava Zaratustra. Baseado no livro homônimo. Tem uma bela arte, é um resumo e ao mesmo tempo uma interpretação artística do livro.

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2 – Nietzsche Nº 1. É uma biografia do filósofo, narrando um pouco de seus pensamentos e sua vida. A arte do desenho é extremamente bonita aos olhos.

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3 – Assim falou Zaratustra. É uma história num formato mangá. É apenas inspirado no livro. Narra uma história imaginada pelo autor, com algumas citações e personagens de sua vida (como Lou Salomé), mas não é nem um pouco fiel ao livro homônimo, e a história nem é muito legal.

Esta indicação só está aqui porque tem uma referência ao ultraviolento filme “Laranja Mecânica”.

A cena em que Alex DeLarge e sua gangue de “drugues” espancam um mendigo num córrego é adaptada para o mangá: o delinquente Zaratustra e sua gangue fazem o mesmo.

Ou seja, o mangá consegue unir dois trabalhos icônicos, de duas cabeças brilhantes (Nietzsche e Kubrick) e transformar numa história ruim… por isso mesmo, é imperdível.

Veja também.

https://ideiasesquecidas.com/2018/06/03/o-anticristo-de-nietzsche-em-40-frases/

https://ideiasesquecidas.com/2017/12/13/o-crepusculo-dos-idolos-em-40-frases/

Negocie como se sua vida dependesse disso

Segue uma recomendação, do livro mais útil que li nos últimos anos.

O que você faria se tivesse que negociar, em um minuto, a vida de reféns com terroristas islâmicos?

Apesar do título dramático, o livro é muito bom. O autor, Chris Voss, é um negociador de reféns do FBI. Ele narra detalhes de impasses com terroristas, como se fosse uma partida de xadrez, lances dignos de filme.

As mesmas técnicas também são efetivas no mundo dos negócios.

Algumas dicas:

  • A empatia é um elemento importante – e empatia não é ceder, é entender a perspectiva do outro lado. Para tal, ouvir. Ouvir com atenção, sem viés confirmatório, ou seja, sem encaixar o discurso do outro lado com a sua própria interpretação (não é nada fácil).

  • Comece com um “NÃO”. A técnica mais comum é fazer o outro lado dizer sucessivos “sim” para perguntas simples, para então chegar na pergunta que realmente importa. Porém, é muito provável que seja um “sim” falso, só para se livrar da pergunta (vide o odioso telemarketing, por exemplo). Voss defende que o “não” é mais sincero, faz com que o outro lado se sinta melhor.

  • Não forçar a solução, e sim perguntar. Fazer perguntas abertas. Tente espelhar a outra pessoa, para criar laços. Isto, e começar com “não”, faz eles sentirem que estão no controle.

  • Não é um jogo olho por olho. Deve-se ter coragem para fazer perguntas sem a pretensão de dar ou receber nada em troca.

  • 7% da comunicação é baseada nas palavras, 38% no tom de voz, e 55%, na linguagem corporal – por isso, estar presente na negociação faz muita diferença.
  • Por fim, a carta na manga. O momento “Cisne Negro”. Coloque um ponto bastante positivo ou negativo para o outro lado, a fim de alavancar a negociação.

Chris contrasta as técnicas aprendidas, através de sucessos e erros, com estratégias acadêmicas de Harvard – eu sou mais ele, que efetivamente tinha a pele no jogo em negociações tensas.

Recomendo ler e reler o livro, para aprender as poderosas técnicas ensinadas:
https://amzn.to/2DoHfUm

Aperitivo: TED Talks
https://www.ted.com/talks/chris_voss_never_split_the_difference

Veja também:
https://ideiasesquecidas.com/2018/03/23/as-36-estrategias-secretas-chinesas/

https://ideiasesquecidas.com/2018/01/21/%e2%80%8brecomendacoes-de-livros-para-recem-formados/

https://ideiasesquecidas.com/2017/08/09/a-teoria-dos-cisnes-negros/

É bom ter Platão do seu lado

Durante a atual quarentena, adquiri o hábito de ler 20 min (pelo menos) de um livro de filosofia por dia. O faço logo que acordo, utilizando o método Pomodoro: coloco um timer, e foco atenção total no tema.

Livros de filosofia são densos, difíceis de entender, portanto tamanha concentração. Nos últimos dias, estava lendo Immanuel Kant. Se entendi 10%, foi muito.

Uma das minhas metas é ler todos os diálogos de Platão em um ano. Os livros, já tenho do meu lado.

Platão tem um estilo poético. Os seus Diálogos, com personagens diversos entrando e saindo, lembram uma peça de teatro.

É como se Platão estivesse escrito a sua Odisseia. Sócrates seria Ulisses, numa jornada no mar, enfrentando diversos tipos de monstros (o Cíclope, Circe, as sereias, no caso de Sócrates, os sofistas Menôn, Górgia, Protarco), cada qual em sua especialidade (retórica, política, virtude).

Sobre Górgia, é o diálogo mais interessante que li até agora. Górgia é um aristocrata da época, versado na arte da Retórica.

Tem um momento que Sócrates e Polo (discípulo de Górgia) começam a discutir sobre Poder.

  • Polo defende que o Poder é sempre algo bom.
  • Sócrates, que tiranos e oradores que têm poder, na verdade são os que têm o menor poder.

  • Polo defende que é invejável ter poder. Poder fazer o que pessoas comuns não conseguem. Poder praticar injustiças e não ser punido.
  • Sócrates retruca, não devemos invejar quem não merece. Quem tem o poder e o usa injustamente, é objeto de pena. É um miserável, digno de compaixão.

Durante o diálogo, eles citam um poderoso da Grécia antiga. Imagine um Joesley Batista, um Marcelo Odebrecht, nos dias de hoje. Alguém que enriqueceu com acordos injustos feitos diretamente com a cúpula do governo.

Boa parte dos recursos que foram para os seus projetos (e seus bolsos), poderiam ter destinação diferente, mais nobre, digamos em hospitais e treinamento de médicos, que seriam úteis hoje, uns 10 anos depois. Uma diferença é que Joesley e os outros foram presos e confessaram parte dos crimes.

Imagine uma situação em que o poderoso nunca tivesse sido punido, pelo contrário, estivesse até hoje prosperando. Ele teria a sua fortuna bilionária. Seria responsável por imenso conglomerado (e as vidas que dependem destes). Apareceria continuamente em capas de revistas de business e de fofocas, com as mais belas amantes em sua casa de férias paradisíaca na Tailândia.

  • Polo diz que prefere praticar injustiças do que sofrer injustiças.
  • Sócrates defende que prefere sofrer injustiças, mas continuar ser uma pessoa de princípios, do que praticar injustiças.

Polo prefere ser o poderoso.

Sócrates prefere ser a pessoa virtuosa, mesmo que vítima da falta de hospitais.

Eu e a maioria das pessoas que conheço, sem dúvida alguma, prefere a posição de Sócrates.

Este texto não muda nada na vida das pessoas. Mas é bom saber que uma das maiores mentes de todos os tempos também faria o que eu e a maioria das pessoas que conheço faz: viver uma vida honesta, justa, dentro das leis.

É bom ter Platão do seu lado.

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O Ártico é um monte de gelo inútil?

A quem interessaria a fria e inóspita região do ártico, com seus ursos polares?

Resposta: à Rússia, que fincou uma bandeira no fundo do mar e há décadas reivindica a posse de largas extensões territoriais, nesta verdadeira Terra de Ninguém. O ártico tem recursos naturais estimados em 90 bilhões de barris de petróleo, 1700 trilhões de pés cúbicos de gás, minerais como cobre e níquel, além de fazer fronteira com países de outros continentes (Canadá, Noruega, Suécia).

Os efeitos de aquecimento global tendem a derreter parte do gelo e aumentar a importância da corrida ao Ártico.

A Rússia mantém bases militares e já sugeriram renomear a região como “Mar Russo”.

Os EUA estão vários passos atrás dos russos. Um exemplo ocorreu anos atrás, em que um navio quebra-gelo russo resgatou um navio americano – um feito de colaboração entre países, porém também um indicativo de quem dá mais prioridade à área.

O ártico é um dos capítulos de “Prisioneiros da Geografia”, de Tim Marshall. O autor fala sobre geopolítica, incluindo EUA, China, Índia, África, América do Sul, explica efeitos da geografia e história dessas regiões.

Foi o livro mais interessante que li nesta pandemia. Fica a indicação.

Link Amazon: https://amzn.to/2yjSkns

Versão áudiolivro:
https://www.audible.com/pd/Prisoners-of-Geography-Audiobook/B06XQ4SFN8?qid=1590034595&sr=1-2&ref=a_search_c3_lProduct_1_2&pf_rd_p=e81b7c27-6880-467a-b5a7-13cef5d729fe&pf_rd_r=744A5SATE6HSMHK38ZF8

https://www.bbc.com/portuguese/reporterbbc/story/2007/08/070802_russia_articorg.shtml

A Vaca Roxa

O livro da “Vaca roxa” faz reflexões importantes sobre produto e marketing.

Durante uma viagem à Suíça, o autor comenta que a paisagem era linda. Porém, com o passar do tempo, ficou chato. Todas as vacas eram iguais. Algumas brancas, outras malhadas, porém, nada de diferente. Seria espantoso ver uma vaca roxa, pensou.

É melhor ser notável do que ser chato. Entretanto, muitos produtos tendem a serem chatos, não correr riscos. Entretanto, neste mundo em que temos mais opções do que conseguimos testar, produtos chatos serão esquecidos.

O autor, o prolífico escritor Seth Godin, divide as eras do Marketing em três:

  • Antigamente, era o produto que contava, e o marketing era no boca-a-boca.
  • A era das grandes propagandas nos meios de massa trouxe relevância ao marketing. Com dinheiro suficiente, era possível expor qualquer produto.
  • Nos tempos atuais, há uma infinidade de canais de comunicação possíveis, além da mídia social. A grande propaganda voltou a ser o boca-a-boca (não físico, mas virtual), e o produto, o diferencial.

A primeira edição do livro foi nos anos 2000, e de lá para cá a tendência descrita só aumentou: quem assiste televisão nos dias de hoje?

Em marketing, fala-se dos 4P’s: Produto, Preço, Praça e Promoção. O Purple Cow é o quinto “P”.

O próprio livro se tornou o ícone que tenta vender. Não apresenta nenhuma grande ideia nova, porém, posiciona-se de forma inesquecível.

No lançamento, o livro vinha com uma caixa de leite. Inevitavelmente, a caixa chamava a atenção de quem não conhecia o livro, tornando-se uma peça criativa de marketing.

Em resumo:

  • Seja memorável
  • O seguro é arriscado
  • O design de um grande produto importa


Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2018/04/21/notas-sobre-tribos/

Link do livro na Amazon:

https://amzn.to/35sdjAB

Blinklist, 12 min e Instalivros

Nesta quarentena forçada, estou testando a fundo os serviços de resumo de livros Blinklist, 12 min e Instalivros.

A proposta deles é semelhante. Fazer resumos de livros, principalmente ligados a negócios, e disponibilizar no aplicativo. Além da versão texto, todos têm versão áudio, o que eu gosto bastante.

Como o próprio nome sugere, são textos de 12 minutos, ou microlivros.

Eles evoluíram absurdamente nos últimos anos. Hoje, eles têm um acervo enorme – o Blinklist, por exemplo, tem mais de 2.500 resumos. A forma com que esses são feitos também evoluiu: resumos bons, dinâmicos, chamam atenção.

Uma grande vantagem é dar uma pincelada em 10 livros no mesmo tempo em que você leria 1. Porém, resumos têm uma utilidade reduzida. Vou listar alguns pontos do que é e do que não é este serviço.

1 – O que é:

  • O resumo é uma bela introdução ao livro.
  • Com o resumo, é possível decidir o que ler e o que não ler, uma triagem mais profunda.
  • Há assuntos que não fazem parte da nossa competência principal, e não queremos aprofundar. Para esses, o resumo pode ser suficiente.
  • É útil relembrar pontos principais de livros já lidos.
  • Alguns livros têm muita enrolação e pouco conteúdo, neste caso, um resumo bem feito pode até substituir a leitura toda.
  • Assim como em áudiolivros, a versão áudio dos resumos pode ser acelerada para reproduzir em velocidades maiores.

2 – O que o serviço não é:

  • Não substitui a leitura do livro original, por não ter a profundidade do mesmo.
  • Por ter foco em business, não vai ter assuntos técnicos, como matemática ou física.
  • A qualidade depende muito da equipe que fez o resumo. Se ela fizer um resumo ruim, ou focar mais num ponto do que outro, estaremos perdendo conteúdo relevante do livro.
  • Não é uma avaliação crítica, nem uma interpretação do livro. É apenas um resumo.
  • Após a leitura, noto que a retenção de informação é menor do que num livro normal. Para aumentar a retenção, é necessário tomar notas, ouvir de novo, fazer um resumo do resumo, etc.

Outras questões:

O Instalivros é em português. Os demais em inglês.

Custos. Os preços deles estão na mesma ordem de grandeza. Há períodos trial – o do Blinklist, estou utilizando 30 dias. O 12 min, tinha 7 dias.

Dica de ouro: mesmo depois do período de avaliação, todos os serviços liberam um livro grátis por dia. Instalando os três, mesmo sem pagar nada, é possível percorrer três resumos por dia!

Além dos serviços citados, há outros concorrentes com proposta parecida. Há também podcasts de resumos (já ouvi alguns e não gostei de nenhum, por enquanto). Quem tiver outras recomendações, favor postar nos comentários.

Na verdade já lidamos com resumos desde sempre. Nunca li os Lusíadas de cabo a rabo. Nem o Guarani. Como caía no vestibular, o que sei desses é um resumo, no caso feito por um professor. Acho que li Dom Casmurro, mas o que ficou gravado mesmo foram as aulas e as discussões – Capitu traiu Bentinho ou não?

Aliás, uma forma excelente de aumentar a retenção é vendo filmes (quando existem) ou versões em quadrinhos – gostei muito deste abaixo:

Bons resumos!