Data Science, Skills, Super-Homem

Seguem algumas reflexões, baseadas em um bate-papo que fiz, com alunos de data science da VAI Academy.

Zoom out histórico de data science

Sempre gosto de dar um “zoom out” histórico, para entender as coisas em perspectiva.

A contabilidade tem uns 5000 anos, desde o surgimento dos números. Na verdade, houve um motivador fortíssimo para o surgimento dos números, que foram os impostos. Como registrar quem pagou ou não, e quanto pagou? É muito verdadeira a frase: “Nada é certo, exceto impostos e a morte”.

A construção civil também tem uns 5000 anos, desde o início das civilizações estamos aperfeiçoando nossas casas.

A matemática tem uns 2000 anos, desde Euclides, Pitágoras.

Fast forwarding no tempo, o computador pessoal tem uns 40 anos, desde os primeiros computadores da Apple, IBM, os primeiros sistemas operacionais da Microsoft, etc…

Data Science e Analytics, da forma que conhecemos hoje, tem uns 5 anos. Antes disso nem existia o termo “data science”, ou “data engineer”. Há razões para isso, como o volume e qualidade de dados, capacidade de processamento.

Hoje em dia, temos sensores diversos nos maquinários, custos de IOT (internet das coisas) caindo, e capacidade de comunicação wireless disso tudo. E também temos a internet, possibilitando o compartilhamento de inúmeras informações de fontes diversas. Há não muito tempo atrás, digamos uma década, tudo isso era mais caro e difícil. Há duas décadas e meia, mal tínhamos comunicação celular.

Além do volume de dados, temos avanços em hardware (via Lei de Moore) e software. Lembro que, antigamente, tínhamos que escrever todas as linhas de um algoritmo do zero, na raça. Hoje temos uma gama de pacotes prontos, de altíssimo nível.

A finalidade disso tudo é a de otimizar o uso de recursos, diminuir desperdícios, acertar previsões, prevenir problemas no maquinário, etc.

As perspectivas futuras são boas. Mesmo hoje, a Statista estima que 60% dos dados industriais não são nem coletados. E, da parte coletada, menos de 50% é realmente utilizada para algo útil. Há ainda um enorme oceano azul a ser explorado, para quem conseguir embarcar nessa onda.

Sobre Super-Homem, hard e soft skills

Pela área de Data Science envolver muita matemática e programação, naturalmente o analista deve ter uma tendência a exatas, hard skills. Buscar conhecimento técnico, ser bastante curioso. Naturalmente, acaba virando poliglota em várias linguagens, até porque a melhor linguagem depende da aplicação, e as tecnologias avançam de tempos em tempos.

Não menos importante são os soft skills. Saber conviver com as pessoas, saber ouvir, entender os problemas. Também faz parte conseguir transmitir informações, ser didático ao apresentar. Ensinar aos outros, desde o leigo que pouco sabe até aquele que tem maior bagagem. Saber negociar e vender.

O antigo dito, “as pessoas são contratadas pelo hard skill e demitidas pelo soft skill”, é muito verdadeiro.

Ora, então a pessoa tem que ser um super-homem? Saber tudo de tudo, ser bom em tudo?

Conforme comenta o meu amigo Igor Queiroz, antigamente as descrições de vagas para essas áreas de Data Science era assim, altamente técnicas em tudo e também pedindo vários soft skills, quase um super-homem. Felizmente, hoje as coisas estão mais equilibradas, exigindo mais de parte técnica quando precisa, ou mais de itens gerenciais.

Como vejo um equilíbrio possível entre hard x soft?

A gente tem que performar excelentemente bem na área que é nossa competência principal, seja lá qual for. Como quem gosta dessa área normalmente é exatoide, em algum hard skill. Ser nota 10 nesse skill específico, seja banco de dados, otimização, arquitetura de dados, etc…

Quanto aos soft skills, todos nós temos a capacidade de melhorar, acima de um mínimo aceitável. Nunca vamos chegar no nível de quem tem o dom para a coisa, mas podemos performar de forma razoavelmente boa, respeitando a nossa forma de ser. Tirar uma nota 6 em tudo quanto é soft skill. Por exemplo, logo que saí da faculdade, eu era muito horrível em apresentações. Fui trabalhando no tema, treinando, e hoje consigo transmitir as mensagens que quero, sem grandes problemas. Nunca vou chegar no nível de um Steve Jobs, por exemplo, mas foi uma evolução considerável em relação ao que era.

Nossa energia é finita, não adianta tentar tirar 10 em tudo. Então, é assim que acho ser um bom equilíbrio.

Dicas de livros / links

– Thomas Davenport, autor de diversos livros com Analytics

– John Thompson, autor de “Building Analytics teams”

– Storytelling com dados, uma aula de como utilizar dados para gerar informação relevante

– Nassim Taleb, não tem tanta relação com Analytics, mas sempre recomendo. Autor de livros como “A lógica do Cisne Negro” e “Antifrágil”

– Evento: o Informs é a mais relevante associação do mundo em Operations Research, e, anualmente, organiza eventos internacionais

– Seguir gente interessante no LinkedIn, sempre aprendemos alguma coisa

– Há uma série de cursos online, para os mais variados públicos: VAI academy, Coursera, EDX, Youtube, Data science academy

– Newsletters como Exponential view

– Pegar um tema do seu interesse e criar Google Alert, para receber um e-mail diário com notícias que aparecem na mídia

– Participar de desafios do Kaggle

Ficam as dicas. Aproveite.

Veja também:

BibliOn, os Lusíadas e os deuses romanos

Estou testando o BibliOn, a biblioteca virtual de São Paulo, lançada há poucas semanas. Confira em https://www.biblion.org.br/.

É um aplicativo de celular que permite o empréstimo de e-books e audiobooks, após um cadastro. Podemos pegar emprestado um número finito de títulos por vez (dois, no momento), e ficar com este por 15 dias, após a qual, é devolvido automaticamente. Dá para pegar emprestado de novo, porém, respeitando uma fila – se outras pessoas já tiverem reservado, a prioridade é delas – como se fosse numa biblioteca com livros físicos.

É gratuito, afinal é uma biblioteca pública. Teoricamente é só para os moradores do estado de São Paulo. Não sei como ele faz essa verificação do local – talvez por IP? De qualquer forma, como moro em SP mesmo, estou dentro da norma.

Tem uma gama interessante de títulos, e em Português. Segundo o site, 15 mil livros. Em livro virtual, peguei “O fantástico mundo dos números”, de Ian Stewart, de matemática popular.

Sobre audiolivros, as opções são menores, uns 400 títulos. Peguei “Os Lusíadas – versão anotada”, como teste. O app funciona bem, está sendo uma boa experiência.

Tinha uma vaga lembrança dos Lusíadas. Estudei no segundo grau, e em época de vestibular. Como a gente é muito jovem nessa época, não tinha percebido alguns detalhes da obra, que quero explorar a seguir.

(Print da tela do app)

Algumas reflexões sobre os Lusíadas

“Os Lusíadas”, de Luiz de Camões, é o épico português mais conhecido da história. Cheio de elementos míticos, como Dom Sebastião e o gigante Adamastor, canta sobre o desbravamento dos mares por Vasco da Gama e os bravos portugueses, o povo lusitano.

As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

Camões viveu por volta de 1500 e pouco, que também coincide com o momento da glória portuguesa nas grandes navegações.

Logo no início dos cantos, Camões cita um conselho de deuses do Olimpo, entre eles Júpiter, Vênus, Marte, Baco. Vênus toma partido dos portugueses, Baco, defensor do oriente, o oposto.

Ei, peraí. No ano 1500, a Europa toda é cristã. Ou muçulmana, no Oriente Médio. Esse negócio de deuses gregos e romanos já tinha acabado faz muito tempo. O imperador Constantino converteu o Império Romano ao cristianismo no ano 313 d.C. Ou seja, fazia mais de mil anos que ninguém dava bola para Júpiter, Netuno, Baco.

Mais uns capítulos para frente na obra, Camões cita que os portugueses foram recebidos em Moçambique pelos mouros. Apesar de cristãos, foram confundidos por muçulmanos até Baco induzir os nativos a descobrir a fé deles e os hostilizar.

Que salada. Mistura cristãos, muçulmanos, e a antiga fé pagã, greco-romana. Por que Camões faria isso?

Uma interpretação bastante utilizada é que Camões vivia o Renascimento na Europa, onde estava na moda resgatar os antigos valores clássicos greco-romanos. Além disso, os Lusíadas foi fortemente influenciado pelos antigos clássicos homéricos. Na Ilíada, alguns dos deuses, como Atena, ficam do lado dos gregos, outros como Ares tomam o partido dos troianos. Na Odisseia, que também é um épico de viagem marítima, a deusa Atena ajuda Ulisses, ao passo que Posseidon quer se vingar do herói, por ele ter cegado seu filho – o Cíclope.

A diferença é que, na época em que a Ilíada e Odisseia ocorreram (estima-se uns 700 a.C.), os deuses citados eram realmente deuses das crenças dos gregos, enquanto religiões como o cristianismo nem existiam.

Em resumo, imagine que os Lusíadas é um épico como a Ilíada, mas com portugueses como protagonistas e 2000 anos depois, e está tudo certo.

A história de Portugal e Inês de Castro

O canto prossegue, cantando sobre a história gloriosa de Portugal: reis antigos, feitos que ficaram na história, etc.

Achei muito interessante a história de Inês de Castro, que mistura romance, traição, horror e morte. Lembrava de ter vagamente ouvido sobre isso na época do vestibular, mas não dos detalhes.

O infante Pedro I era o princípe herdeiro de Portugal, e estava casado com Dona Constança. A Inês de Castro era de uma família nobre, e era dama de honra de Dona Constança. Só que Pedro gostava mesmo era da Inês, ao invés de sua esposa oficial, e todo mundo sabia que ele se encontrava com ela às escondidas.

Quando a esposa oficial, D. Constança, faleceu no parto do futuro rei D. Fernando I, o infante Pedro aproveitou a chance para se juntar com Inês de Castro, para desgosto do pai de Pedro, Dom Afonso IV, que não gostava da relação.

D. Afonso tentou casar Pedro, que rejeitava as propostas, enquanto Inês continuava a gerar filhos de Pedro (foram 4). Isso criava um problema futuro de sucessão – será que os filhos bastardos não poderiam tentar usurpar o trono do herdeiro oficial, no futuro? Game of Thrones total.

O rei D. Afonso tentou remediar a situação executando Inês de Castro, numa ocasião em que Pedro estava em viagem.

Obviamente, Pedro não gostou nada, e foram meses de conflito até tudo voltar mais ou menos à normalidade.

Alguns anos depois, em 1357, Pedro se tornou rei de Portugal. A primeira coisa que fez foi perseguir quem ajudou a executar sua amada Inês – mandou arrancar o coração dos algozes, enquanto ele assistia. Depois, mandou exumar o corpo de Inês, a vestiu como a sua rainha e fez o rito completo de coroação dela. Imagine uma grande festa, com um cadáver sentado na cadeira ao lado do rei, e com os convidados tendo que beijar a mão da rainha já falecida há anos. Daria um bom filme na Netflix.

Até hoje, utilizamos a expressão “agora Inês é morta”, para indicar que já foi, não adianta mais.

Os Lusíadas é o mais conhecido poema da literatura portuguesa, uma obra fantástica para ler e extremamente bela e inspiradora. Vale a pena ler e reler.

“Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.”

BibliOn: https://www.biblion.org.br/

O texto integral pode ser baixado em:

http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000162.pdf

Veja também:

http://www.dominiopublico.gov.br

https://pt.wikipedia.org/wiki/In%C3%AAs_de_Castro

https://pt.wikipedia.org/wiki/Os_Lus%C3%ADadas

Cisnes Verdes e Inova Klabin

Tecnologia da Automação / Projetos Analíticos marcando presença no #InovaKlabin 2022!

Tema: #Sustentabilidade.

Foram cinco trilhas de imersão em experiências, desde a floresta até novos produtos, para clientes, fornecedores e amigos.

Destaque para a palestra de John Elkington, sobre “Cisnes Verdes”.

O meu autor favorito dos tempos modernos é Nassim Taleb, que popularizou o termo “Cisnes Negros”: eventos de baixa probabilidade, porém com impacto enorme. Tendemos a subestimar este tipo de evento e, a retrospecto, dizer que era totalmente previsível – vide crise de 2008.

Quando falamos “cisne negro”, vem à cabeça um evento negativo. Um cisne verde é similar, porém, é um evento positivo do ponto de vista ambiental: tecnologias e métodos que podem se desenvolver de forma sustentável, progresso exponencial na forma econômica, social e ambiental.

Uma única empresa de carros elétricos, por exemplo, não é um “cisne verde” – este conceito é mais global e geral. As empresas e instituições assim são um “patinho feio” – inspirado no conto de Andersen, sobre patinhos feios virarem belos cisnes.

Etapas para chegar aos cisnes verdes: Rejeição (isso não vai funcionar nunca), Responsabilidade por novas soluções, Replicação em larga escala, Resiliência da nova solução e Regeneração (sistema de consumo de recursos totalmente circular).

Veja também:
https://ideiasesquecidas.com/2017/08/09/a-teoria-dos-cisnes-negros/

O Clube de Troca de Livros

Ganhei, do meu bom amigo @Igor Queiroz, essa fantástica edição comentada das Meditações, do imperador romano Marcus Aurelius.

Mais do que o conteúdo, queria destacar uma boa prática: só esse ano, já presenteei e/ou recebi 11 livros. Faço questão de ler e comentar todos, já que foram cuidadosamente escolhidos por pessoas tão estimadas.

Ação: comece agora o seu próprio clube do livro. E provoque discussões sobre o conteúdo. Todo mundo sai ganhando.

Box Essencial da Estratégia

Divulgando um box que está em grande promoção (R$ 18,33, pelo menos para quem é membro Amazon Prime).

Box da estratégia, com:

  • O Príncipe, de Nicolau Maquiavel
  • O Livro dos Cinco Anéis, de Miyamoto Musashi
  • A Arte da Guerra, Sun Tzu

Link da Amazon: https://amzn.to/3BeX7mL

Todos esses já foram citados neste espaço. Vide:

Recomendação de livro: Personal MBA

Ou “O manual do CEO”, na versão em português, de Josh Kaufman.

O autor fez um trabalho espetacular ao condensar uma centena de livros diversos nesse manual. Ele tem uma capacidade excelente de ir direto ao ponto e amarrar numa estrutura coerente tópicos tão diversos. Não à toa, o livro é um best seller, tendo vendido quase 1 milhão de cópias.

É como se fosse um grande resumão, somente dos highlights e pontos que interessam, de temas que vão de finanças até estratégia, passando por marketing, negociação, desenvolvimento humano e diversos outros tópicos.

O livro já é um resumo, mas segue um resumo do resumo, que ficou bem legal:
https://medium.com/stefans-book-summaries/the-personal-mba-summarized-282619217a58

É claro que não dá para entrar profundidamente em cada um desses tópicos, então o livro serve mesmo como um grande apanhado geral, para dar uma ideia, relembrar conceitos de forma rápida e ter como guia de consulta.

Seguem alguns links:

O site do autor, com amostras do conteúdo e outras dicas.
https://personalmba.com

Reading list de Josh Kaufman
https://personalmba.com/best-business-books/

Manual do CEO
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Veja também:

Os 5 desafios das equipes – Resumo

“A maior vantagem competitiva é o trabalho em equipe” – Patrick Lencioni.

Os 5 desafios das equipes é um livro curto, escrito em linguagem simples, que fornece um modelo para a montagem de um time de alto desempenho.

Escrito na forma de uma fábula corporativa. Um time altamente qualificado tecnicamente e bem intencionado de forma individual, mas que não consegue funcionar como um time. A nova CEO assume a empresa, e passa a trabalhar os pontos de melhoria para a equipe.

Quais são os 5 desafios?

1 – Confiança. Na base da pirâmide, confiança mútua entre membros da equipe. Ninguém quer abrir seus erros e fraquezas aos outros, de forma que não existe base de confiança.

2 – Medo de conflitos positivos. Sem o item anterior, confiança mútua, não há conflitos positivos. Evitar conflitos abertos vai fazer com que problemas sejam ignorados ou empurrados com a barriga, e que surjam comentários pelas costas.

3 – Falta de comprometimento. Pelos membros não discutirem, não se sentirão ouvidos, e daí também não haverá real comprometimento, já que eles não concordam/ não se sentem envolvidos.

4 – Evitar responsabilizar os outros. Por não haver os itens acima, mesmo os membros mais comprometidos evitam chamar a atenção de colegas em relação à atitudes contraproducentes.

5 – Falta de atenção aos resultados. Não cumprir os itens acima torna propício um ambiente em que o funcionário coloca desejos pessoais (ego, posição, destaque dentro e fora da empresa) acima das necessidades da equipe e do time.

É interessante colocar na abordagem positiva, como uma boa equipe deve ser:
1 – Eles confiam um nos outros
2 – Eles se envolvem em conflitos saudáveis
3 – Eles se comprometem com decisões e planos de ação
4 – Eles chamam a atenção dos colegas quando esses agem contra os planos estabelecidos
5 – Eles têm como foco objetivos coletivos

Na prática, como um líder pode agir?

Sugestões de exercícios para acabar com as disfunções expostas.

1 – Confiança:

  • Exercício de histórias pessoais: número de irmãos, cidade natal, desafios da infância, hobby, primeiro emprego e pior emprego
  • Limites. Tive um gestor que sempre perguntava quais os limites de cada um. Sem saber quais são os limites, fica difícil respeitar
  • Perfis de personalidade, como o teste Myers-Briggs
  • Programa de feedback 360

2 – Conflitos:

  • Mineradores de conflito. Alguém que tenha coragem e capacidade para tocar em temas sensíveis e trabalhar com o time
  • Permissão em tempo real. Lembrar aos participantes que é importante não se retirar de um debate saudável

3 – Comprometimento:

  • Mensagem em massa. Rever as decisões do grupo e decidir em conjunto o que deve ser comunicado ao resto do time
  • Estabelecer prazos e responsáveis para as ações

4 – Chamar a atenção dos outros:

  • Publicar objetivos e padrões
  • Revisão de progresso
  • Princípios: gosto da ideia de ter Princípios claros, algo como Ray Dalio faz

5 – Resultados:

  • Declaração pública de resultados desejados
  • Recompensas com base em resultados

Na fábula do livro, alguns dos funcionários que não se encaixavam saíram ou foram demitidos, outros encontraram o equílibrio em posição que melhor desempenhavam, até que, finalmente, a empresa conseguiu gerar os resultados esperados.

“Se você conseguir colocar todos os funcionários de uma empresa remando na mesma direção, poderá dominar qualquer indústria, em qualquer mercado, em qualquer época”.

Agradeço ao amigo Guilherme Lessio pelo livro.

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Veja também:

Napoleon Hill em 40 frases

Napoleon Hill é um escritor do início do século passado, porém, suas palavras continuam tão atuais quanto sempre foram.

A seguir, frases de seus livros “The Law of Success” e “Think and Grow Rich”, em (mais ou menos) 40 frases.

Mais ouro foi minerado do cérebro humano do que de todas as minas da Terra.

Tudo que a mente humana pode imaginar e acreditar, pode atingir.

Há sempre abundância de capital para aqueles que podem criar planos práticos de utilizá-lo.

Sempre haverá espaço no mundo para aqueles que produzem mais do que recebem. Produza mais do que recebe, e em breve você será pago mais do que produz.

Toda grande invenção começou na imaginação de uma pessoa.

Seja você quem for, onde estiver, qualquer seja sua ocupação, há espaço para você se tornar mais produtivo e agregar mais valor à sociedade, utilizando sua imaginação.

Você pode fazer se você acreditar que pode!

Qual o seu Propósito Principal Definitivo?

Não tema a oposição. Lembre-se de que a pipa do Sucesso sobe contra o vento da adversidade.

Desenvolva o seu próprio Master Mind (grupo de aliados com o mesmo objetivo, com habilidades complementares e em harmonia, na mesma frequência).

Não existe alguma coisa por nada. No longo prazo, você consegue exatamente o que você paga, seja comprando um automóvel ou um pedaço de pão.

Quando um homem deseja algo tão profundamente a ponto de trocar todo o futuro por um único número na roleta da vida, ele certamente vencerá.

Uma enciclopédia com todo o conhecimento do mundo é tão inútil quanto uma duna de areia, até ser organizada e expressa em termos de ação.

Tenha o hábito de tomar uma ação todos os dias, que vai te levar um passo a mais em direção ao seu Propósito Principal Definitivo.

Tudo que você construir deve ser baseado na Verdade e na Justiça.

A melhor compensação por fazer acontecer é a habilidade para fazer mais.

Qualquer um pode começar, porém somente os persistentes conseguem terminar.

Você é feliz se aprendeu a diferença entre derrota temporária e fracasso. A semente do sucesso está dormente em cada derrota temporária que você experimentar.

Você sempre pode ser a pessoa que você gostaria de ser.

O único homem que não comete erros é aquele que nada faz.

Você é um magneto humano e você está constantemente atraindo pessoas cujas personalidades harmonizem com sua própria.

Pense bem antes de falar, pois suas palavras podem plantar a semente do sucesso ou fracasso na cabeça de outra pessoa.

Desenvolva o hábito de tomar a iniciativa. Fale iniciativa, pense iniciativa, coma iniciativa, durma iniciativa e pratique iniciativa.

Todo dia é uma chance de prestar algum bom serviço.

Aqueles que trabalham apenas por dinheiro, e que recebem apenas dinheiro, serão sempre mal pagos, não importa a quantidade que recebem. Os maiores prêmios da vida não são medidos em dólares e centavos.

Comece hoje a agir e fazer o dia valer a pena. O ontem já foi, e o amanhã pode nunca chegar.

Se você tem um talento, use da melhor forma possível. Não desperdice isso.

Sonhe. Tenha grandes sonhos.

As grandes conquistas são resultado de grande sacrifício, e nunca resultado de egoísmo.

Entuasiasmo é uma força vital que você pode domesticar e utilizar.

Uma pessoa feliz é aquela que sonha com as conquistas ainda não atingidas.

Ninguém consegue expressar em palavras ou ações algo que não está em concordância com suas próprias crenças.

Reputação é o que outras pessoas acreditam ser, caráter é o que as pessoas são.

Ouse se destacar na multidão e seguir o seu caminho.

A sorte não é aleatória – é trabalho.

Quem sabe exatamente o que quer da vida já está a meio caminho de conseguir atingir.

“Sobrevivemos com o que ganhamos. Mas só temos uma vida pelo que doamos” – Winston Churchill

“Faça o que você ama e não terá que trabalhar o resto da vida” – Confúcio

Uma personalidade atraente usa a Imaginação e a Cooperação.

Separe fatos de convicções, e o que é importante do que não é importante.

Um grande líder é aquele que faz outras pessoas fazerem grandes coisas.

Uma pessoa decidida não consegue ser parada!

O Tempo é, no final, a única moeda real que temos.

“Somos feitos da matéria de nossos sonhos” – Príncipe Próspero, a Tempestade de Shakespeare

A Lei do Triunfo
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Pense e enriqueça
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Veja também:

Como a maçã virou abóbora

No livro “After Steve: How Apple Became a Trillion-Dollar Company and Lost Its Soul”, o jornalista Tripp Mickle, do Wall Street Journal, investiga o que vem acontecendo com a Apple pós Steve Jobs: virou uma máquina de fazer dinheiro, mas perdeu a magia.

O livro foca em duas pessoas: o criativo designer Jony Ive e o eficiente novo CEO Tim Cook, e como o primeiro acabou definhando em importância até a sua saída.

A Apple, com Jobs, destacou-se por estar na intersecção artes e tecnologia.

Nenhum nome representa tanto o lado “arte” da Apple quanto Jony Ive, que era considerado como o “parceiro espiritual” de Jobs. Ele começou trabalhando com Jobs no projeto do iMac. Se deram muito bem, desde então. Se a Apple precisava de um hit, Ive entregava, independente de custos: o design na frente das finanças.

Jony Ive acabou sendo a segunda pessoa mais importante da Apple. Respondia direto a Jobs. Ive complementava Steve. Paciente, focado, ao contrário do chefe. Teve papel importante no segundo ato da Apple, ao se envolver no design do iPhone, iPod, iPad entre outros.

Com Jobs e Ive, o design era maior do que a engenharia. Com Tim Cook, o oposto.

É de conhecimento geral que Tim Cook é o atual CEO da Apple, e após um período de desconfiança, fez a empresa se tornar a mais valiosa do mundo, tendo atualmente inimaginável valor de mercado de 1 trilhão de dólares.

Cook teve a habilidade de navegar no mundo pós-Jobs. Entre outras ações, abriu caminho para Apple na China, e teve uma participação maior no mundo da política.

A Apple de Cook começou a deixar o design de lado, e ser guiada cada vez mais pelos números. Eficiência, baixos custos, ganhos de escala, supply chain. Negociadores em destaque, espremendo fornecedores e garantindo centenas de milhões a cada contrato. Finanças na frente do design.

A Apple continuou tentando inovar, porém sem o mesmo impacto do iPhone. Alguns produtos pós-Jobs.

  • Apple Watch. Uma das apostas da empresa é em wearables, como o relógio. Destaca-se a mudança de foco, de tecnologia para moda chique com relógios caros e personalizados. Ao invés de ser tecnologia premium, o mais barato produto de amanhã, agora concorria no setor de moda.
  • Aquisição do Beats e desenvolvimento dos fones sem fio Airpod.
  • O Apple Maps, clone do Google Maps, foi um fracasso.
  • Apple Music. O iTunes, na sua concepção original, foi um divisor de águas. Porém, o surgimento do streaming de música, com um acervo infinito por uma mensalidade pequena, fez a Apple lançar o seu próprio serviço. Onde Jobs inventava, agora Cook copia. Não há nenhum diferencial importante que torne a Apple Music superior ao Spotify, por exemplo. Apesar disso, atingiu fatia importante do mercado.
  • Carro autônomo da Apple, com grande expectativa? Vem sendo um experimento sem fim.
  • Outra ideia é uma versão Netflix da Apple – se vai vingar ou não, não sabemos.

A Apple de Cook é eficiente. Com as vendas do iPhone estáveis, como ele poderia fazer para extrair mais dinheiro dos já convertidos? Houve uma guinada, de produtos para serviços, aproveitando o ecossistema de fãs da Apple. Icloud, Music, App store.

Com Cook, houve aumento de importância das áreas operacionais, e Jony Ive ficou sendo apenas mais um no time. Uma hora decidiu sair. Para evitar publicidade negativa, a Apple ofereceu a ele o título de Chief Design Officer, e ocupação de meio período, mas na prática, ele estava exausto.

Ive foi sendo cada vez mais escanteado, até finalmente pedir as contas, em 2019.

A Apple de Cook, eficiente, lucrativa e chata, está cada vez mais parecida com a Microsoft. Os rebeldes viraram o sistema. 1984 cada vez mais parecida com 1984. Os piratas viraram a marinha.

Bateu o relógio da meia-noite, e a magia acabou. A maçã virou abóbora.

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Trilha sonora: Joan Baez, Love Minus Zero/No Limit

Veja também:

O instinto da fé

Alguns highlights sobre o livro “The Faith Instinct”, de Nicholas Wade.

O ponto principal do autor é que religiões representam uma vantagem evolutiva para a espécie humana – não pensando como indivíduo, mas pensando como grupo.

Há traços de religião desde 50 mil anos atrás, mostrando que o instinto da fé está desde então embutido no cérebro do ser humano.

Algumas vantagens: esperança em tempos difíceis, possibilidade de vitória mesmo sendo um oprimido (afinal, o último na Terra será o primeiro no paraíso), círculos mútuos de confiança, atividade comuns como dança.

A religião ajudou na seleção natural? Se não fosse importante, teria sido eliminada, entretanto todas as nações do mundo têm religião de alguma forma. E se isso acontece, é porque há benefícios para a sociedade.

É similiar à linguagem. Todos os povos do mundo têm linguagem. Cada uma evoluiu de forma diferente, porém, há predisposição mental do ser humano para ser capaz de se comunicar através de linguagem (ao contrário de leitura e escrita, ou matemática, que devem ser aprendidos por um longo tempo na escola). Tanto a linguagem quanto a religião só fazem sentido em um contexto social, em grupos.

Há maior coesão em grupos com religião comum. O indivíduo tem uma razão a mais para lutar pelo grupo. Há um paradoxo: o indivíduo perder a vida e a oportunidade de passar os genes adiante – porém, existe a teoria de que passar os genes de semelhantes do seu grupo é tão importante quanto.

Ao invés de seleção natural, pensar em seleção de grupos.

Em contextos de guerras, colheita ou obras, é necessária uma enorme uma coesão social para coordenar esforços e dividir recompensas. A religião pode ajudar a aumentar a coesão, a superar medo da morte e da insegurança em geral.

Não sabemos exatamente como decisões morais são tomadas. Não dá para mudar opinião da pessoa através de raciocínio puro.

Danos ao cérebro podem fazer pessoas agirem com menos moral. Ex. Chocolate em forma de cocô vai ser repugnante para muitos, exceto pessoas com distúrbio em uma determinada região do cérebro – o que mostra que há alguns gostos pré-programados.

Charles Darwin, junto à teoria da evolução das espécies, também especulou sobre teoria moral. Juntos, animais conseguem combater ameaças maiores. Porém, os membros do grupo não devem atritar entre si. O seguidor deve ter naturalmente um grau de submissão ao líder. Há uma hierarquia de poder – há posição social até em macacos. Há também troca de informação constante – pessoas em vilarejos fofocam sem parar.

Por que existem rituais exigentes em religiões? Para seguir a religião, há a necessidade de fazer sinais custoso em termos de tempo e sacrifício. Um dos objetivos é evitar aproveitadores, que só querem tirar vantagem sem contribuir. Outra, é estimular quem já está no grupo. Deve ser sinalização difícil de falsificar, ir para Meca, vestir indumentárias desconfortáveis. Existe um grau ótimo de exigência x benefícios.

A música também é um fator presente em todas as culturas, promove coesão e sincronia entre pessoas.
Até o Talebã, que baniu boa parte das religiões, permite cânticos musicais.

Também existe um link entre música e capacidade de atração sexual – desde o passarinho cantando até o rock star dos nossos tempos.

Religiões envolvem música, dança, linguagem.

Será que o autor está certo? Outra possibilidade é a diametralmente oposta: a religião é sub-produto da evolução, com pouco efeito no resultado final.

Seja como for, a religião é parte constante da humanidade, desde a idade das pedras até os dias de hoje!

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Agradeço ao amigo Cláudio Ortolan por emprestar o livro.

Veja também:

Três asiáticos que fizeram sucesso no mundo corporativo americano

Três indicações de livros de asiáticos que fizeram sucesso no mundo corporativo americano.

1) Dave Liu é descendente de chineses nos EUA. Além disso, ele nasceu com um defeito no lábio. Neste livro, ele conta como conseguir ascender no meio hiper competitivo e ganancioso de Wall Street, mesmo com as barreiras acima.

The Way of the Wall Street Warrior:

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2) Tony Hsieh. Fundador da Zappos, uma varejista conhecida pelo extremo cuidado com o cliente. A Zappos foi comprada pela Amazon, uns anos atrás, numa transação bilionária.

Tony era descendente de taiwanês nos EUA, e infelizmente faleceu há poucos anos atrás.

Livro: Satisfação garantida


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3) Akio Morita, o lendário fundador da japonesa Sony. Ele escreveu um livro chamado “Made in Japan”. Conta uma série de histórias muito bacanas. Exemplo, de como a Sony utilizou transístores para fazer rádios, antes mesmo que qualquer empresa americana descobrisse o potencial deste. Morita sabia que deveria entrar nos EUA para conquistar o mundo. No livro, ele também conta um
pouco do choque cultural (ex. nos EUA tem 4x mais advogados que engenheiros, no JP é o contrário).

Como é um livro da década de 80, não está mais em circulação, então deixo um link com alguns highlights.

Quem tiver outras indicações, favor postar nos comentários.

Recomendação de livro: Hacking Digital

Quando falamos de transformação digital, 99% dos livros atuais focam na parte técnica. Este livro é diferente, é voltado à implementação numa grande empresa. Há uma diferença enorme entre fazer uma prova de conceito funcionar e convencer a empresa a mudar processos e sistemas para adotá-la em escala!

Estamos chegando numa era em que o conhecimento técnico está dominado. Não faltam boas e novas ideias. Os especialistas estão se formando em universidades e cursos complementares (embora ainda em número insuficiente). Agora o gargalo está sendo colocar em prática, integrar e escalar de forma coerente essas soluções inúmeras.

Este é um guia pragmático, vindo de gente que realmente tem know-how sobre o tema.

Alguns highlights:

  • Em 2023, gastos com transformação digital chegarão a US$ 2,3 tri.
  • A transformação digital é difícil. Apesar do que podem pregar alguns consultores, não é fácil. Acreditem.
  • 87% dos programas de transformação digital falham em atingir as expectativas originais!

Dá para dividir a transformação em três fases: Iniciação, Execução e Ancoragem.

  • A Iniciação envolve construir uma fundação sólida: criar momentum, estabelecer objetivos e entender o panorama da empresa.
  • A Execução responde por 70% do esforço, e envolve construir (portfólio balanceado, governança) e integrar esforços digitais com outras áreas (operações, TI, RH).
  • A última fase, de ancoragem, representa os 20% finais, e é a fase de embutir os sistemas digitais no processo, de modo que o digital se incorpore no negócio.

Sobre patrocínio, governança e TI tradicional

  • A duração média de um Chief Digital Officer é de 2,5 anos.
  • Evite objetivos complicados demais.
  • Alinhe com a direção da empresa para a transformação digital.
  • A governança é chave para o sucesso da transformação. Há prós e contras em ter times separados x integrados ao restante da organização – na prática, é sempre um modelo híbrido que depende do contexto. Seja claro em responsabilidades e tenha boas métricas.
  • Como fazer Digital e TI trabalharem juntos? A TI tradicional e a área de mudanças digitais geralmente têm conflitos relacionais. A TI tradicional cuida do legado, do que está rodando, segurança, garantia de estabilidade e qualidade. Já soluções digitais têm foco em velocidade, experimentação, desenvolvimentos novos e centrados em dados e analytics.

Sobre portfólio e áreas internas e externas

  • O portfólio de trabalhos deve ser balanceado, em termos de riscos, horizontes de tempo, habilidades necessárias e complexidade.
  • Internamente, é importante despertar a consciência digital, desenvolver skills e também criar urgência nas soluções digitais. Aumentar o QI digital e desenvolver as habilidades analíticas necessárias para o negócio são o desafio chave da transformação.
  • Externamente, focos citados são parceiros e ecossistemas, além de cuidados em questões sociais e ambientais.

Diversos dos pontos citados são mais fáceis de apontar do que fazer de fato – por isso a necessidade de alinhamento com lideranças, consciência digital e o alto esforço na execução (70%).

Quando a transformação digital virar o negócio como usual, você terá chegado lá.

Por fim, a transformação digital não é um projeto, mas sim, uma longa jornada. E uma longa jornada começa no primeiro passo, como já dizia um velho provérbio chinês.

Agradeço ao amigo Octaciano Neto pelo livro.

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Hacking Digital, por Michael Wade e outros profissionais do International Institute for Management Development (IMD).

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