Como a maçã virou abóbora

No livro “After Steve: How Apple Became a Trillion-Dollar Company and Lost Its Soul”, o jornalista Tripp Mickle, do Wall Street Journal, investiga o que vem acontecendo com a Apple pós Steve Jobs: virou uma máquina de fazer dinheiro, mas perdeu a magia.

O livro foca em duas pessoas: o criativo designer Jony Ive e o eficiente novo CEO Tim Cook, e como o primeiro acabou definhando em importância até a sua saída.

A Apple, com Jobs, destacou-se por estar na intersecção artes e tecnologia.

Nenhum nome representa tanto o lado “arte” da Apple quanto Jony Ive, que era considerado como o “parceiro espiritual” de Jobs. Ele começou trabalhando com Jobs no projeto do iMac. Se deram muito bem, desde então. Se a Apple precisava de um hit, Ive entregava, independente de custos: o design na frente das finanças.

Jony Ive acabou sendo a segunda pessoa mais importante da Apple. Respondia direto a Jobs. Ive complementava Steve. Paciente, focado, ao contrário do chefe. Teve papel importante no segundo ato da Apple, ao se envolver no design do iPhone, iPod, iPad entre outros.

Com Jobs e Ive, o design era maior do que a engenharia. Com Tim Cook, o oposto.

É de conhecimento geral que Tim Cook é o atual CEO da Apple, e após um período de desconfiança, fez a empresa se tornar a mais valiosa do mundo, tendo atualmente inimaginável valor de mercado de 1 trilhão de dólares.

Cook teve a habilidade de navegar no mundo pós-Jobs. Entre outras ações, abriu caminho para Apple na China, e teve uma participação maior no mundo da política.

A Apple de Cook começou a deixar o design de lado, e ser guiada cada vez mais pelos números. Eficiência, baixos custos, ganhos de escala, supply chain. Negociadores em destaque, espremendo fornecedores e garantindo centenas de milhões a cada contrato. Finanças na frente do design.

A Apple continuou tentando inovar, porém sem o mesmo impacto do iPhone. Alguns produtos pós-Jobs.

  • Apple Watch. Uma das apostas da empresa é em wearables, como o relógio. Destaca-se a mudança de foco, de tecnologia para moda chique com relógios caros e personalizados. Ao invés de ser tecnologia premium, o mais barato produto de amanhã, agora concorria no setor de moda.
  • Aquisição do Beats e desenvolvimento dos fones sem fio Airpod.
  • O Apple Maps, clone do Google Maps, foi um fracasso.
  • Apple Music. O iTunes, na sua concepção original, foi um divisor de águas. Porém, o surgimento do streaming de música, com um acervo infinito por uma mensalidade pequena, fez a Apple lançar o seu próprio serviço. Onde Jobs inventava, agora Cook copia. Não há nenhum diferencial importante que torne a Apple Music superior ao Spotify, por exemplo. Apesar disso, atingiu fatia importante do mercado.
  • Carro autônomo da Apple, com grande expectativa? Vem sendo um experimento sem fim.
  • Outra ideia é uma versão Netflix da Apple – se vai vingar ou não, não sabemos.

A Apple de Cook é eficiente. Com as vendas do iPhone estáveis, como ele poderia fazer para extrair mais dinheiro dos já convertidos? Houve uma guinada, de produtos para serviços, aproveitando o ecossistema de fãs da Apple. Icloud, Music, App store.

Com Cook, houve aumento de importância das áreas operacionais, e Jony Ive ficou sendo apenas mais um no time. Uma hora decidiu sair. Para evitar publicidade negativa, a Apple ofereceu a ele o título de Chief Design Officer, e ocupação de meio período, mas na prática, ele estava exausto.

Ive foi sendo cada vez mais escanteado, até finalmente pedir as contas, em 2019.

A Apple de Cook, eficiente, lucrativa e chata, está cada vez mais parecida com a Microsoft. Os rebeldes viraram o sistema. 1984 cada vez mais parecida com 1984. Os piratas viraram a marinha.

Bateu o relógio da meia-noite, e a magia acabou. A maçã virou abóbora.

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Trilha sonora: Joan Baez, Love Minus Zero/No Limit

Veja também:

O instinto da fé

Alguns highlights sobre o livro “The Faith Instinct”, de Nicholas Wade.

O ponto principal do autor é que religiões representam uma vantagem evolutiva para a espécie humana – não pensando como indivíduo, mas pensando como grupo.

Há traços de religião desde 50 mil anos atrás, mostrando que o instinto da fé está desde então embutido no cérebro do ser humano.

Algumas vantagens: esperança em tempos difíceis, possibilidade de vitória mesmo sendo um oprimido (afinal, o último na Terra será o primeiro no paraíso), círculos mútuos de confiança, atividade comuns como dança.

A religião ajudou na seleção natural? Se não fosse importante, teria sido eliminada, entretanto todas as nações do mundo têm religião de alguma forma. E se isso acontece, é porque há benefícios para a sociedade.

É similiar à linguagem. Todos os povos do mundo têm linguagem. Cada uma evoluiu de forma diferente, porém, há predisposição mental do ser humano para ser capaz de se comunicar através de linguagem (ao contrário de leitura e escrita, ou matemática, que devem ser aprendidos por um longo tempo na escola). Tanto a linguagem quanto a religião só fazem sentido em um contexto social, em grupos.

Há maior coesão em grupos com religião comum. O indivíduo tem uma razão a mais para lutar pelo grupo. Há um paradoxo: o indivíduo perder a vida e a oportunidade de passar os genes adiante – porém, existe a teoria de que passar os genes de semelhantes do seu grupo é tão importante quanto.

Ao invés de seleção natural, pensar em seleção de grupos.

Em contextos de guerras, colheita ou obras, é necessária uma enorme uma coesão social para coordenar esforços e dividir recompensas. A religião pode ajudar a aumentar a coesão, a superar medo da morte e da insegurança em geral.

Não sabemos exatamente como decisões morais são tomadas. Não dá para mudar opinião da pessoa através de raciocínio puro.

Danos ao cérebro podem fazer pessoas agirem com menos moral. Ex. Chocolate em forma de cocô vai ser repugnante para muitos, exceto pessoas com distúrbio em uma determinada região do cérebro – o que mostra que há alguns gostos pré-programados.

Charles Darwin, junto à teoria da evolução das espécies, também especulou sobre teoria moral. Juntos, animais conseguem combater ameaças maiores. Porém, os membros do grupo não devem atritar entre si. O seguidor deve ter naturalmente um grau de submissão ao líder. Há uma hierarquia de poder – há posição social até em macacos. Há também troca de informação constante – pessoas em vilarejos fofocam sem parar.

Por que existem rituais exigentes em religiões? Para seguir a religião, há a necessidade de fazer sinais custoso em termos de tempo e sacrifício. Um dos objetivos é evitar aproveitadores, que só querem tirar vantagem sem contribuir. Outra, é estimular quem já está no grupo. Deve ser sinalização difícil de falsificar, ir para Meca, vestir indumentárias desconfortáveis. Existe um grau ótimo de exigência x benefícios.

A música também é um fator presente em todas as culturas, promove coesão e sincronia entre pessoas.
Até o Talebã, que baniu boa parte das religiões, permite cânticos musicais.

Também existe um link entre música e capacidade de atração sexual – desde o passarinho cantando até o rock star dos nossos tempos.

Religiões envolvem música, dança, linguagem.

Será que o autor está certo? Outra possibilidade é a diametralmente oposta: a religião é sub-produto da evolução, com pouco efeito no resultado final.

Seja como for, a religião é parte constante da humanidade, desde a idade das pedras até os dias de hoje!

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Agradeço ao amigo Cláudio Ortolan por emprestar o livro.

Veja também:

Três asiáticos que fizeram sucesso no mundo corporativo americano

Três indicações de livros de asiáticos que fizeram sucesso no mundo corporativo americano.

1) Dave Liu é descendente de chineses nos EUA. Além disso, ele nasceu com um defeito no lábio. Neste livro, ele conta como conseguir ascender no meio hiper competitivo e ganancioso de Wall Street, mesmo com as barreiras acima.

The Way of the Wall Street Warrior:

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2) Tony Hsieh. Fundador da Zappos, uma varejista conhecida pelo extremo cuidado com o cliente. A Zappos foi comprada pela Amazon, uns anos atrás, numa transação bilionária.

Tony era descendente de taiwanês nos EUA, e infelizmente faleceu há poucos anos atrás.

Livro: Satisfação garantida


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3) Akio Morita, o lendário fundador da japonesa Sony. Ele escreveu um livro chamado “Made in Japan”. Conta uma série de histórias muito bacanas. Exemplo, de como a Sony utilizou transístores para fazer rádios, antes mesmo que qualquer empresa americana descobrisse o potencial deste. Morita sabia que deveria entrar nos EUA para conquistar o mundo. No livro, ele também conta um
pouco do choque cultural (ex. nos EUA tem 4x mais advogados que engenheiros, no JP é o contrário).

Como é um livro da década de 80, não está mais em circulação, então deixo um link com alguns highlights.

Quem tiver outras indicações, favor postar nos comentários.

Recomendação de livro: Hacking Digital

Quando falamos de transformação digital, 99% dos livros atuais focam na parte técnica. Este livro é diferente, é voltado à implementação numa grande empresa. Há uma diferença enorme entre fazer uma prova de conceito funcionar e convencer a empresa a mudar processos e sistemas para adotá-la em escala!

Estamos chegando numa era em que o conhecimento técnico está dominado. Não faltam boas e novas ideias. Os especialistas estão se formando em universidades e cursos complementares (embora ainda em número insuficiente). Agora o gargalo está sendo colocar em prática, integrar e escalar de forma coerente essas soluções inúmeras.

Este é um guia pragmático, vindo de gente que realmente tem know-how sobre o tema.

Alguns highlights:

  • Em 2023, gastos com transformação digital chegarão a US$ 2,3 tri.
  • A transformação digital é difícil. Apesar do que podem pregar alguns consultores, não é fácil. Acreditem.
  • 87% dos programas de transformação digital falham em atingir as expectativas originais!

Dá para dividir a transformação em três fases: Iniciação, Execução e Ancoragem.

  • A Iniciação envolve construir uma fundação sólida: criar momentum, estabelecer objetivos e entender o panorama da empresa.
  • A Execução responde por 70% do esforço, e envolve construir (portfólio balanceado, governança) e integrar esforços digitais com outras áreas (operações, TI, RH).
  • A última fase, de ancoragem, representa os 20% finais, e é a fase de embutir os sistemas digitais no processo, de modo que o digital se incorpore no negócio.

Sobre patrocínio, governança e TI tradicional

  • A duração média de um Chief Digital Officer é de 2,5 anos.
  • Evite objetivos complicados demais.
  • Alinhe com a direção da empresa para a transformação digital.
  • A governança é chave para o sucesso da transformação. Há prós e contras em ter times separados x integrados ao restante da organização – na prática, é sempre um modelo híbrido que depende do contexto. Seja claro em responsabilidades e tenha boas métricas.
  • Como fazer Digital e TI trabalharem juntos? A TI tradicional e a área de mudanças digitais geralmente têm conflitos relacionais. A TI tradicional cuida do legado, do que está rodando, segurança, garantia de estabilidade e qualidade. Já soluções digitais têm foco em velocidade, experimentação, desenvolvimentos novos e centrados em dados e analytics.

Sobre portfólio e áreas internas e externas

  • O portfólio de trabalhos deve ser balanceado, em termos de riscos, horizontes de tempo, habilidades necessárias e complexidade.
  • Internamente, é importante despertar a consciência digital, desenvolver skills e também criar urgência nas soluções digitais. Aumentar o QI digital e desenvolver as habilidades analíticas necessárias para o negócio são o desafio chave da transformação.
  • Externamente, focos citados são parceiros e ecossistemas, além de cuidados em questões sociais e ambientais.

Diversos dos pontos citados são mais fáceis de apontar do que fazer de fato – por isso a necessidade de alinhamento com lideranças, consciência digital e o alto esforço na execução (70%).

Quando a transformação digital virar o negócio como usual, você terá chegado lá.

Por fim, a transformação digital não é um projeto, mas sim, uma longa jornada. E uma longa jornada começa no primeiro passo, como já dizia um velho provérbio chinês.

Agradeço ao amigo Octaciano Neto pelo livro.

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Hacking Digital, por Michael Wade e outros profissionais do International Institute for Management Development (IMD).

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Moby e Mocha Dick

Duas recomendações de histórias fascinantes para o feriadão: Moby Dick e Mocha Dick.

Todo mundo já ouviu falar da baleia Moby Dick, clássico de 1851 do escritor americano Herman Melville, mas poucos efetivamente leram o livro ou viram algum conteúdo mais profundo sobre o mesmo. Uma recomendação é o filme “Moby Dick” de 2011, disponível na Amazon Prime.

Moby Dick é uma baleia cachalote albina, enorme, com testa enrugada e o corpo repleto de arpões. Ao contrário das baleias comuns, esta revida a ataques, destruindo os baleeiros e caçando os que o atacaram.

Nesse contexto, temos o fanático capitão Ahab em sua caça, extrapolando todo o bom senso possível e contrariando seu imediato Starbuck, aos olhos do narrador Ismael e seu colega, o indígena Queequeg.

É impressionante ver a vastidão do mar, os homens em seus navios de madeira movidos pela força do vento, atrás de leviatãs maiores do que qualquer animal outro na face da Terra.

Algo a notar é que as baleias são lentas e desajeitadas – sem predadores naturais, evoluíram de forma a nem dar bola para inimigos que possam caçá-las. Quando atacadas, tendem a fugir, o que explica: 1) como alguém tão menor como o ser humano conseguia caçar baleias em 1850, e 2) porque causava surpresa quando uma baleia reagia, destruindo barcos e matando pessoas.

Pela pesquisa que fiz, o livro Moby Dick não foi um sucesso imediato – por algum motivo, demorou mais de cem anos para a obra ser apreciada.

Outro ponto: Moby Dick é ficcional, mas baseado em relatos diversos, como o naufrágio de um barco chamado Essex e também de uma baleia chamada Mocha Dick.

E aí entra a segunda recomendação: a graphic novel Mocha Dick, de Gonzalo Martínez.

O autor, chileno, conheceu a história de Moby Dick e de Mocha Dick. Esta última tem esse nome por conta de ser vista sempre próxima à ilha de Mocha, no Chile, da onde surgiram alguns dos relatos que levaram Melville a escrever o romance famoso. E daí veio o projeto de contar a pouco famosa história de Mocha Dick.

Esta também é uma narrativa interessante, envolvendo a baleia albina que ataca barcos, lendas indígenas da região que a veem como uma protetora, personagens cativantes e uma bela arte retratando a época e o cenário.

Curiosidade. Eu comprei uma edição econômica de Moby Dick em 1998, numa pequena livraria de promoções no centro de S. José dos Campos. Lembro disso porque o dono do lugar me tratou super mal, porque pedi desconto – estava no primeiro ano da faculdade e não tinha dinheiro algum. Apesar disso, a edição custou R$ 1,50, barato mesmo para a época.

Mocha Dick:
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Moby Dick
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Três dicas de “Mostre o seu trabalho”

“Mostre o seu trabalho”, de Austin Kleon, é um livro pequeno e cheio de bons insights (assim como outros trabalhos do autor, como “Roube como um artista”).

Seguem apenas três dicas, retiradas aleatoriamente.

  • Faça mais trabalhos para você. Não ligue para quem diga que você é um “vendido” por ter ambição. Seja ambicioso. Mantenha-se ocupado. Pensei maior. Expanda o seu público.
  • Passe adiante. Ajude quem o ajudou. Seja tão generoso quanto o possível, mas egoísta o suficiente para fazer o seu trabalho.
  • Não pare. Apenas continue. Você tem que jogar até os 45 do segundo tempo e os acréscimos.

Este é um livrinho que gosto de ter à mão, para inspiração ocasional.

“Não fazemos filmes para ganhar dinheiro, nós ganhamos dinheiro para fazer mais filmes” – Walt Disney

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Ray Dalio, por que nações são bem sucedidas e fracassam

É sempre interessante ouvir sobre o que Ray Dalio, bilionário fundador da Bridgewater, tem a dizer. Ainda mais, quando é de graça, como neste podcast, intitulado “Why nations succeed and fail”.

Ele cita vários temas de seu último livro, “Principles for Dealing with the Changing World Order”, como ciclos econômicos, ascensão da China, possibilidade de guerra.

A seguir, highlights em alguns parágrafos.

Pergunta: Por que estudar projeções num futuro tão distante? Normalmente gestores financeiros se preocupam por trimestres ou poucos anos.

Dalio: As principais ocorrências de minha vida foram de coisas que não aconteceram dentro de espaço de tempo de uma vida humana. Porém, são fatos que se repetem de tempos em tempos na história da humanidade: grande depressão, por exemplo. A situação que vivemos atualmente nunca ocorreram antes, no espaço de uma vida: quantidade de criação de débito e consequente impressão de dinheiro; magnitude de conflito interno, decorrente de desigualdades econômicas e problemas políticos; e a ascensão de uma nova potência, a China.
Como gestor, devo ser realista e acurado, mesmo para as coisas ruins.

  • Há vários paralelos dos dias de hoje com a época pré Segunda Guerra Mundial: enorme débito, gaps econômicos, potências em ascensão e outras em decadência.
  • Os vencedores de revoluções, ao invés de redistribuir igualmente o poder, acabam tomando tudo para si. Isso se repete muitas vezes na história
  • Imprimir dinheiro não aumenta a riqueza (aumentar a produtividade, sim), só gera inflação, que acabam com qualquer ganho. Desigualdades econômicas podem se tornar irreconciliáveis.
  • Há 5 tipos de guerra. Comercial, tecnológica, geopolítica, financeira e militar.

  • Enquanto o Ocidente está cada vez mais preocupado com resultados de EBITDA trimestrais de suas empresas, países orientais como o Japão e a China pensam a longo prazo, ao longo de gerações. Um efeito são políticas de curto prazo (como imprimir dinheiro) em detrimento de ações estruturantes como educação, infraestrutura em geral, internet para pessoas carentes, que têm um grande retorno sobre investimento a longo prazo.
  • Dalio expõe 18 indicadores de países, como condições financeiras, conflitos internos e externos, inovação, educação e outros, que servem como um indicador da saúde do país. É uma analogia à saúde de uma pessoa, com indicadores como peso, exame de sangue, etc, e ele utiliza isso para balizar forecasts dos próximos 10 anos.
  • Um conflito interno aumenta a probabilidade de ocorrer conflito externo, pela nação estar mais fraca e vulnerável à ataques externos, e, por outro lado, pelo líder do país em questão querer polarizar o nacionalismo para manter o poder.
  • Taiwan continua sendo uma bomba relógio armada. Rússia e China historicamente se unem quando há inimigos comuns. A Ucrânia é a Taiwan da Rússia.
  • A diferença de poder entre China e EUA vem diminuindo.
  • Todo gestor tem dois portfolios: tudo vai correr bem x pode haver problema grande.
  • Há 30% chance de uma guerra militar com a China nos próximos 10 anos, assim como há 30% chance de ocorrer alguma guerra civil nos EUA.
  • Se coletivamente tivermos a visão clara desses problemas, podemos colaborar, usar nossos recursos, para evitar esses forecasts que se desenham.

Recomendação de leitura:
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Veja também:

Dica simples e efetiva de negociação: ouvir atentamente ao interlocutor

Segue uma dica simples e brilhante de negociação, por Chris Voss, negociador do FBI e autor de livros sobre o tema.

Ouça atentamente ao outro lado.

Só isso. Parece simples, mas não é. Quantas vezes nos vemos pensando na resposta a dar ou elaborando a próxima pergunta? Ouça de verdade o interlocutor. Tenha a curiosidade de escutá-lo com atenção, de realmente ouvir suas palavras e querer entender o seu ponto de vista, ao invés de querer impor o seu.

É uma dica tão importante que vou deixar um desenhinho para ilustrar.

A mesma dica também vale para reuniões de negócio, onde temos pessoas importantes do outro lado da tela (nesses tempos de reuniões remotas) ou mesmo cara-a-cara.

Esses dias, estive conversando com um fornecedor de serviços via Teams, e notei que, enquanto eu estava falando, ele estava mexendo no computador. Dava para perceber pelas luzes que refletem, e também pelo olhar. Achei desrespeitoso, é como estar conversando pessoalmente com alguém e este estar mexendo no celular.

Agora, uma razão científica para a dica. Através de equipamentos modernos de ressonância magnética, é possível verificar a atividade do cérebro. E um resultado é que a atividade aumenta com a palavra “eu”. A pessoa de quem mais gostamos no mundo somos nós mesmos. E, portanto, se estamos dedicando tempo de nossa vida para falar, nada melhor que o recipiente da mensagem esteja ouvindo!

Recomendação:

Negocie como se sua vida dependesse disso – Chris Voss

O livro contém essa e outras técnicas de negociação importantes para o mundo dos negócios e também no cotidiano.

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Os números não mentem, de Vaclav Smil

Vaclav Smil é um dos autores favoritos de Bill Gates. Smil é um grande especialista em energia, e também um polímata que escreve sobre diversos assuntos aleatórios, sempre embasado com muitos, muitos números.

O livro “Os números não mentem – 71 histórias para entender o mundo” contém uma série de artigos curtos e cheios de insigths sobre a sociedade, energia e meio-ambiente.

Quatro pontos ilustrativos do livro, em poucas frases, só para dar uma ideia do conteúdo.

  1. A Lei de Moore é uma bênção e uma maldição. A Lei de Moore, aquela que diz que o poder computacional dobra a cada 18 meses, mantidos os custos constantes, é o que está por trás da evolução exponencial da computação que vimos nas últimas décadas. Entretanto, existe a parte “maldição”: aumentar as expectativas de todo desenvolvimento tecnológico, quando na verdade, outras tecnologias têm o seu próprio passo. Onde estão os carros elétricos e autônomos, a cura individual do câncer, os dispositivos que leem comandos diretamente do nosso cérebro?

Gosto muito da postura de Smil. Sou bastante realista. Não sou advogado de “toda inovação é exponencial” de caçadores de unicórnios imaginários, como o pessoal da StartSe e de pensadores tipo Ray Kurtzweil.

  1. Vidros isolantes. Nos EUA e União Europeia, edifícios são responsáveis por 40% do consumo de energia. Aquecimento e ar-condicionado respondem por metade deste consumo. Uma solução simples é utilizar janelas com duas ou três camadas de vidro, preenchidos por um gás como argônio, reduzindo a transferência de energia da janela de 6 watts por m² para cerca de 0,6 – 1,1.

É uma solução simples, que aumenta o conforto dos habitantes e diminui consumo de energia. Melhor ainda, pode ser feito hoje, sem grande tecnologia – porém tão simples que não entra no radar de grandes inovações do Vale do Silício, à caça de milhões de dólares em financiamento para salvar o mundo.

  1. Navios elétricos. Grande parte do que temos em casa veio de algum outro lugar do mundo, provavelmente por transporte marítimo. Por que não temos navios porta-contêineres elétricos?

Existe um navio elétrico previsto para entrar em operação, o Yara Birkeland. Porém, este terá capacidade para apenas 120 TEUS (unidade de volume), enquanto navios modernos convencionais carregam de 200 a 400 vezes mais do que isso!

Para efeito de comparação. Um navio moderno queima 4.650 toneladas de combustível para uma viagem de 31 dias. Um navio elétrico equivalente, com as melhores baterias possíveis, teria que carregar 100 mil toneladas só de baterias, tornando inviável esse tipo de operação.

A densidade de energia das baterias teria que melhorar mais do que 10 vezes para começar a entrar numa faixa viável. Porém, em 70 anos, a densidade de energia nem sequer quadruplicou, o que mostra que vamos ter que conviver com o diesel por muito tempo!

  1. Amônia. Os químicos no final do séc. XIX descobriram que o nitrogênio é o macronutriente mais importante no cultivo agrícola. Outros são fósforo e potássil, além de vários micronutrientes. Uma forma de incorporar os macronutrientes no solo era através da compostagem (folhas, dejetos humanos e animais) ou através da rotação de culturas, com plantas que contém bactérias capazes de fixar nitrogênio no solo.

O processo Harber-Bosch, meados de 1930, possibilitou a criação industrial de amônia (NH3) através de alta pressão e alta temperatura – nitrogênio do ar, com gás natural, além de muita energia, que também pode vir do gás natural. Desde então, a produção de amônia passou de 5 milhões de toneladas/ano para 150 milhões nos dias de hoje! Sem fertilizantes, seria impossível aumentar a produtividade agrícola – de 650 milhões de ton de cereais/ano para 3 bilhões de ton.

Atualmente, é preocupante a perda de nitrogênio não utilizado (cerca de 47%) através de volatilização e lixiviação.

Ainda será necessário muito nitrogênio para as safras futuras, e soluções propostas são aumentar eficiência de fertilização e reduzir desperdício de alimentos, entre outros.

Conclusão

Além dos tópicos citados, há vários outros extremamente interessantes, como mortalidade infantil como indicador, o ano de 1880 da eletricidade, óleo diesel, energia eólica. Conforme ilustrado, Smil escreve sobre diversos temas com senso crítico e propriedade, sempre amparado por números e estimativas. É uma mente brilhante, que vale a pena acompanhar.

“Eu aguardo o próximo livro de Vaclav Smil como quem espera o próximo filme de Star Wars” – Bill Gates.

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Previsivelmente Irracional – Infográfico e resumo

Temos a tendência de sermos procrastinadores e de superestimarmos a nós mesmos. Gostamos de abrir diversas opções, e somos levemente desonestos. Apesar da aparência racional, temos pontos irracionais – na verdade, previsivelmente irracionais, segundo o livro do psicólogo comportamental Dan Ariely.

Seguem alguns pontos resumidos do livro.

1 – As mentes humanas são preparadas para fazer comparações. É por isso que um combo do Big Mac é mais barato do que somente o lanche e o refrigerante – desde o começo, o objetivo do restaurante é empurrar o combo completo. Dica: coloque um produto com preço muito alto, para que outros pareçam baratos.

2 – Grátis é um forte gatilho emocional. Um experimento citado comparava uma promoção de um bombom a 15 centavos (boa qualidade) x 1 centavo (marca genérica), contra outra promoção de 14 centavos (boa qualidade) x grátis (marca genérica). No primeiro cenário, os consumidores preferiram o bombom de boa qualidade. No segundo cenário, pela força do “grátis”, os consumidores preferiram o bombom genérico. Se é para desembolsar, um centavo que seja, é melhor pegar o de qualidade. O grátis elimina a percepção de risco.

3 – Utilize a ancoragem como ponto de referência. Não temos clara noção do valor dos produtos, então utilizamos algum número dado como referência. Experimentos mostram que esse número pode até ser aleatório, que também vai servir como âncora. Dica: ancore um alto valor para os seus serviços.

4 – Supervalorizamos o que temos, e subvalorizamos o que não temos. O vendedor da casa vai valorizar cada detalhezinho irrelevante para o comprador. De posse de algo, o temor de perder é grande. Por outro lado, quando não conseguimos, é como a raposa do conto de Esopo, “não queria mesmo essas uvas azedas”.

5 – As expectativas moldam a experiência. Em um teste cego de sabor, a Pepsi batia a Coca. Porém, num teste onde os participantes sabiam a marca, a Coca ganhava e muito da Pepsi. Dica: a expectativa não pode ser alta demais, nem baixa demais, em relação à realidade.

6 – Existe uma propensão à pequena desonestidade. Em experimentos onde era simples trapacear e impossível sofrer alguma punição, as pessoas deram uma “roubadinha” leve, o suficiente para terem alguma vantagem, porém, não tanto a ponto de se verem como bandidos. As pessoas querem ter a consciência tranquila na hora de dormir ao final do dia.

7 – Gostamos de deixar opções em aberto, mesmo que o excesso de opções seja prejudicial. Seja em termos de alternativas românticas, ou opções de carreira, temos a impressão de que é bom ter várias alternativas: um diploma extra, não vender a casa, guardar o livro velho, tentar manter boas relações. Entretanto, manter alternativas demais pode ser custoso, e a solução pode ser fechar opções para focar em alguns poucos caminhos.

Ariely é do mesmo estilo de “Economia comportamental”, iniciado por Amos Tversky e Daniel Kahneman (de “Rápido e Devagar”) e também Richard Thaler (“Nudge” e “Misbehaving”). Embora as conclusões acima pareçam coerentes, é bom tomar cuidado: dependem do contexto e cada pessoa é diferente da outra – e é isso que torna a economia comportamental controversa.

Previsivelmente Irracional

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Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2018/09/07/ethos-pathos-e-logos

Como tornar o seu produto mais valioso através da escassez e da curadoria

Um fenômeno curioso e nada intuitivo aconteceu comigo, nos últimos meses, e isso pode ser utilizado como alavanca para melhorar os seus produtos ou serviços.

Como eu já divulguei diversas vezes neste espaço (vide aqui e aqui), sou usuário frequente de serviços de resumo de livros, ou microlivros. São áudios de cerca de 12 a 20 minutos, sobre diversos assuntos, geralmente não-ficção. São boas introduções a assuntos relacionados à negócios, economia, produtividade e temas correlatos.

Dois serviços que mais gosto são o 12 min e o Blinklist.

Ambos podem ser encontrados como aplicativos de celular, e são em inglês (é a língua universal dos dias de hoje, quem quiser dar saltos evolutivos deve necessariamente dominar inglês).

Tanto o 12 min quanto o Blinklist fornecem uma amostra de seus serviços, através de 1 único áudio resumo liberado por dia.

Se você tiver disciplina suficiente, pode ler mais de 300 resumos por ano, de graça e de forma legal.

Pois bem, o fenômeno curioso citado no começo do texto foi que:


1) Eu comprei a assinatura vitalícia do 12 min, numa promoção,
2) Passei a ter acesso a todo o conteúdo do 12 min e,
3) Paradoxalmente, eu passei a usar mais o concorrente, o Blinklist.

Uma explicação é a escassez. Imagine que tenho pouco tempo por dia, 30 a 40 min, disponível para a atividade de ouvir resumos. Como o Blinklist libera apenas um áudio free, e ele expira no final do dia, eu sempre prefiro começar por este, ao invés de começar com o 12 min – já que o acesso é ilimitado e posso ouvir depois.

Porém, o problema é que o passo acima se repete todos os dias. Contabilizando, utilizo mais o Blinklist do que o 12 min, numa proporção de 3 para 2.

A Escassez é um dos seis fatores de influência, de Robert Cialdini (vide aqui).

Outro fator é a curadoria. Os áudios liberados pelo Blinklist são muito bons. Há variedade nos temas e pouca repetição de títulos liberados de graça. A excelente curadoria do Blinklist faz, como o próprio termo indica, a gente se sentir cuidado. Este espaço também procura liberar conteúdo de qualidade, bem curado e que agregue valor ao leitor.

Paradoxalmente também, o serviço prestado pela Blinklist é melhor assim, na versão gratuita, do que na versão paga – vai que eu gasto dinheiro, acabo com a escassez e deixo de usar?

Conclusões e recomendações:

  • Resumos de livros são excelentes, é uma bom hábito ler (ouvir) um por dia,
  • A Escassez de um produto de qualidade tem um poder imenso,
  • A boa Curadoria faz toda a diferença.

Veja também:

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/

Os titãs dos quadrinhos

Recomendação de livros para o final de semana: as biografias em quadrinhos de Stan Lee e Jack Kirby, duas lendas que revolucionaram os quadrinhos nos anos 60 e 70!

Devemos à eles a criação de personagens como o Quarteto Fantástico, os Vingadores, os X-Men, o Homem-Aranha, Homem de Ferro, Dr. Estranho, os Vingadores e muitos outros.

Stan Lee é figura mais conhecida, devido às aparições frequentes em filmes do Universo Cinemático Marvel. É o velhinho simpático da foto, e de certa forma, o rosto da Marvel nos últimos quarenta anos.

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Já Jack Kirby é o gênio criativo por trás dos fantásticos desenhos que enchiam os olhos de milhões de crianças e adolescentes, este escriba incluso.

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Porém, a história real nunca é tão perfeita quanto na nossa imaginação. A “casa das ideias” da Marvel teve uma série de problemas. Listando rapidamente algumas curiosidades.

  • Jack Kirby criou o Capitão América, nos anos 40, com Joe Simon, em outra editora. Posteriormente, o Capitão foi incorporado à Marvel.
  • Os heróis de Stan Lee tinham a característica de serem humanos, falíveis e com pontos fracos. O Homem-Aranha, por exemplo, é um garoto franzino, azarado e que precisa trabalhar de fotógrafo freelancer para fechar as contas. Outra característica de Stan é muito humor.
  • Os heróis da geração anterior, sendo o Superman o mais emblemático, eram superhumanos beirando a perfeição. É reflexo do zeitgeist da época, que vai mudando com o tempo.
  • A Marvel ganhou uma fatia enorme de mercado nas décadas seguintes, mas o mercado é cíclico – concorrentes copiam a fórmula, outras mídias ganham espaço, etc…
  • Jack Kirby e Stan Lee tiveram a primeira grande contribuição juntos no Quarteto Fantástico.
  • Kirby, com o passar dos anos e com o sucesso dos personagens, começou a se incomodar com o método de Stan Lee. Ambos discutiam brevemente o enredo, Kirby idealizava e desenhava tudo, e Stan preenchia os diálogos. Kirby ficava com uma porção enorme do trabalho, mas os créditos eram sempre para Stan como escritor e ele como desenhista. Quanto ao pagamento, ele recebia apenas como desenhista, embora tivesse feito grande parte do roteiro.
  • Steve Ditko, o criador do Homem-Aranha junto com Stan, também ficava incomodado em estar fazendo quase todo o trabalho e levando pouco crédito. Ditko chegou a nem falar mais com Stan, e saiu da Marvel na primeira oportunidade que teve.
  • No começo, Kirby era uma explosão de criatividade, propondo personagens fantásticos e cenários os mais criativos possíveis. Exemplo: ele criou sozinho o Surfista Prateado, mas como sempre, o crédito foi para Lee indiretamente. Chegou uma hora que ele continuou criando, mas guardando os melhores para si mesmo, para usar em outra ocasião.
  • Finalmente, Kirby saiu para a rival DC, onde utilizou parte do material guardado anos antes para criar Os Novos Deuses, Darkseid e outros. Porém, Kirby passou poucos anos na DC e retornou à Marvel, em seu retorno criou Os Eternos (que virou filme recentemente).
  • O material de Jack Kirby sozinho é visualmente muito bonito, porém, nitidamente as histórias eram inferiores ao trabalho junto com Stan Lee – mostrando que realmente a amálgama entre ambos é que criava uma magia incomum.
  • Jack Kirby morreu em 1994, não chegou a ver suas criações nas telonas. Ele não tinha nenhuma porcentagem de royalties sobre os personagens, era amargurado por isso e chegou a passar mal ao ver brinquedos do Capitão América à venda. Kirby é relativamente desconhecido do grande público, ao contrário de Stan Lee, que tem até versões de si em action figure.

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  • Stan Lee virou editor, contratou uma série de novos roteiristas e desenhista, e em meados dos anos 80 dedicou muito tempo a ser a “cara” da Marvel, em palestras por todo o país. Um sujeito energético, engraçado, capaz de contar histórias que entretém multidões, e com um ego de alguém que gosta de aparecer.
  • Os X-Men originais nunca foram muito bem, e até tiveram a revista cancelada. Nos anos 70, com a internacionalização forte dos quadrinhos, os editores queriam um grupo com personagens de várias nacionalidades. O escritor Len Wein então reformulou os X-Men, com novos integrantes como o Noturno (Alemanha), Colossus (Rússia), Wolverine (Canadá) e Tempestade (África). Pouco após, foi com o escritor Chris Claremont que os X-Men ganharam histórias de altíssima qualidade, aumento expressivo de vendas e as características que conhecemos hoje e foram inspiração para o cinema.
  • Stan Lee continuou trabalhando em projetos diversos até o fim da vida, incluindo um com a DC Comics. Ele conseguiu fama e fortuna, ao contrário de Kirby e da imensa maioria dos roteiristas e desenhistas com quem trabalhou.
  • A Marvel Comics foi sendo comprada por inúmeras editoras, e estava perto de um beco sem saída, quando os filmes de seus superheróis começaram a fazer sucesso no cinema, notadamente o Homem-Aranha e os X-Men de meados do ano 2000. Após o sucesso inicial, filmes diversos começaram a surgir na sequência.

Um enorme OBRIGADO ao gênio criativo de Stan Lee, Jack Kirby e tantos outros, e vejamos as cenas dos próximos capítulos.