O Poder da Geografia – Austrália

Para os amigos que se interessam por Geografia e História, uma recomendação: “O Poder da Geografia”, de Tim Marshall, um dos maiores especialistas do mundo sobre o tema.

Neste livro, ele aborda a Austrália, Sahel, Grécia, Turquia, UK, Irã, Etiópia, Arábia Saudita, Espanha e o Espaço.

Segue um pequeno resumo sobre a Austrália.

A Austrália foi de lugar nenhum para ponto estratégico na história.

Perto da China, acesso aos EUA e ao Oceano Pacífico.

De ilha de prisioneiros a nação de primeiro mundo, multicultural.

Área desértica ocupa mais de 70 por cento da ilha. Todos os rios juntos tem vazão menor que Yang Tsé, por exemplo.

Sobre ondas de imigração. A primeira carga de prisioneiros chegou em 1788. Muitos brancos britânicos, depois aceitação maior de outros habitantes. A corrida do ouro ajudou a aumentar a imigração. Hoje, aumento da participação de asiáticos, como chineses, até pela proximidade.

A Austrália está sofrendo com mudanças climáticas. Seca, propensão a incêndios florestais, como um que ocorreu em 2009, piorando a poluição do ar.

Para piorar o impacto ambiental, a tendência é ir de 25 para 40 milhões de habitantes no futuro.

Sobre energia. Por ser muito plano, não há potência hídrica. Mas há abundância de carvão, que é uma indústria importante. Porém, isso agrava problemas climáticos.

Há diversos grupos de aborígenes. Desde as primeiras colônias, houve aniquilação de aborígenes, que mal eram considerados humanos, luta que continua até hoje.

A Austrália sempre se aliou a potências. UK. EUA. Agora, ascensão da China. Estudantes chineses na Austrália, são mais de 30 por cento do total. 1/3 das exportações são para a China. O futuro da Austrália pode ser cada vez mais chinês.

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Prevendo Cisnes Negros (e errando a previsão)

Um dos maiores pensadores de nosso tempo é Nassim Taleb, autor de livros como “A lógica do Cisne Negro” e “Antifrágil”.

Algumas de suas ideias vêm se tornando jargão comum nos negócios e na sociedade, e como sempre acontece nesses casos, há muita gente que faz mau uso dos conceitos envolvidos. Leram e não entenderam. Ou pior, nem devem ter lido e propagam sem entender minimamente.

Dois exemplos:

1 – O meu feed de notícias mostra o seguinte artigo: “Por que eventos inesperados são chamados Cisnes Negros e como a ciência está trabalhando para predizê-los.”https://marketresearchtelecast.com/why-unexpected-events-are-called-black-swans-and-how-science-is-working-to-predict-them/151508

A chamada do artigo não faz nenhum sentido. O que Taleb afirma é exatamente o oposto: há eventos de baixa probabilidade e altíssimo impacto, impossíveis de prever.

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Não é colocando mais ciência ou mais estudos econômicos que os Cisnes Negros serão previstos, muito pelo contrário: confiança cega qualquer área do conhecimento é exatamente uma das causas de eventos extremos. Taleb é extremamente crítico a economistas, acadêmicos e consultores que sabem tudo.

A chave é reconhecer que não entendemos o mundo em que vivemos, e por isso, não deixar empresas, governos e economia tomarem proporções complexas demais, alimentando futuramente um risco catastrófico.

Não por acaso, o subtítulo de um dos livros é “Como viver num mundo que não conhecemos”.

2 – Usar “Antifrágil” no sentido de autoajuda: “Seja cada dia mais antifrágil”, “Somos uma empresa antifrágil” ou algum chavão do tipo, que não faz sentido algum.

Primeiro, uma definição. Qual o oposto de frágil? Seria “robusto”?

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Porém, “robusto” tem um problema. Se “frágil” é algo que quebra após um estresse, para o “robusto” não acontece nada. O oposto de “frágil” é algo que fica melhor após o estresse, daí o termo “Antifrágil”, criado por Taleb.

Exercícios físicos são estressores, que tornam o corpo mais forte, por exemplo. Ou o sistema imunológico do corpo humano.

Outro exemplo: as pessoas, como sociedade e não como indivíduo. O indivíduo é frágil: se ele tentar empreender e fracassar, é ele que vai arcar com boletos atrasados. Já a sociedade se beneficia da fragilidade dos indivíduos, porque aqueles que conseguirem triunfar vão gerar valor para o todo continuar evoluindo.

Qual a relação do problema do Cisnes Negros e Antifragilidade? Quanto maior o Cisne Negro, quanto maior o risco, mais frágil é o sistema. Já riscos menores, distribuídos, orgânicos, são bons, porque tornam a sociedade como um todo antifrágil.

A antifragilidade não é uma frase de motivação. Muito pelo contrário. É um convite a abraçar o caos, a empreender, é um convite ao sacrifício de arriscar e assumir as consequências dos erros na própria pele.

Para fechar, algumas frases de Taleb, no seu livro “A cama de Procusto”, ao seu estilo provocador:

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“É muito mais fácil enganar pessoas prometendo bilhões do que apenas milhões”

“Vi um painel com o economista Edmundo Phelps, que obteve o Nobel por escritos que ninguém leu, teorias que ninguém aplica e aulas que ninguém entende”.

“A imaginação do gênio vastamente supera seu intelecto; o intelecto do acadêmico vastamente supera a sua imaginação.

“O pior estrago é causado por pessoas competentes tentando fazer o bem; as boas melhorias são feitas por incompentes que não tentar fazer o bem”.

“Uma empresa tem muito a se preocupar quando o cabeça dela vem a público dizer que não há nada a se preocupar”.

“O que eles chamam de risco, eu chamo de oportunidade; mas quando eles dizem oportunidade de baixo risco, eu digo armadilha de perdedor”

“Para se tornar um filósofo, comece a andar bem devagar”.

“Felicidade: não sabemos como medir ou obter, porém sabemos como evitar tristeza”

“Acham que inteligência é sobre notar o que é relevante; num mundo complexo, inteligência consiste em ignorar o que é irrelevante”.

“Conhecimento é subtrativo, não aditivo – subtraímos o que não funciona, o que não fazer”.

Veja também:

A vaca louca, príons e a história de um Prêmio Nobel

A doença da vaca louco todo mundo já ouviu falar, até pelo nome ser exótico: é uma doença que faz as vacas perderem o controle motor e pararem de se alimentar. É um mal neurodegenerativo, que faz buracos no cérebro, tornando-o parecido com uma esponja.

E o que diabos é um príon?
O príon é aquilo que causa a doença da vaca louca. O problema que esse tal de príon não é um vírus, nem uma bactéria, fungo, nada conhecido. O nome vem de “proteína infecciosa”, termo cunhado pelo pesquisador Stanley Prusiner, que ganhou o Prêmio Nobel de Fisiologia de 1997 pela descoberta. Essa definição de príon é tão controversa que até hoje há enorme contestação sobre o tema.

Nós temos a noção de que ciência é algo linear, direto, em que um pesquisador descobre algo, prova, e todo mundo concorda. Na verdade, é muito diferente disso, e o caso de Prusiner demonstra muito bem: é uma luta quase solitária contra o consenso, envolvendo enorme trabalho, priorização de recursos e até guerra de egos.

Stanley Prusiner escreveu um livro interessante sobre o tema: “Madness and Memory – The Discovery of Prions – A New Biological Principle of Disease”, que narra a história de sua pesquisa.

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Primeiro, descobertas anteriores chamaram a sua atenção. Algumas doenças, como a Creutzfeldt-Jakob Disease (CJD) e o Kuru (que ocorre em tribos na Nova Zelândia), pareciam ser infecciosas, porém não envolviam nenhum organismo que tinha DNA.

Ser infeccioso é mais ou menos simples de comprovar. Basta colocar o tecido de uma pessoa infectada em contato com uma cobaia não infectada (digamos, um chimpanzé). Um enorme problema aqui é o que o período de incubação pode passar de 10 anos, o que torna a relação causal mais complicada de detectar.

Uma suspeita bastante óbvia, era de que se tratava de um vírus. Ou um viróide, ou algo do tipo. Essa era a aposta de 10 entre 10 infectologistas da época. Stanley Prusiner mergulhou a fundo nas pesquisas, a fim de entender se realmente se tratava de um vírus.

O organismo causador da infecção não tinha DNA. Prusiner e time realizaram inúmeros testes, como o de jogar raios ultravioleta, que destroem a cadeia de DNA. E nada. Se utilizassem técnicas para desativar um vírus, o príon não era desativado, se o príon era desativado, não funcionava num vírus.

Sua conclusão é a de que era uma proteína com alguma deformação que a tornava infecciosa, não um vírus, um fungo ou algum outro microorganismo conhecido. Além disso, as vítimas morriam sem reações imunológicas normais (como febre). Realmente, deveria ser algo diferente.

Um episódio interessante é sobre o nome. Ele sabia que um bom nome ajudaria a fortalecer o conceito. Ele pensou em “proteína infecciosa”, que ficaria “proin”. Porém, “príon” soa melhor, além de que o “íon” dá uma cara de química.

A fim de proteger o sensível e poderoso cérebro, o organismo dos seres vivos possui uma série de filtros. Não é qualquer coisa que chega ao cérebro. Porém, doenças como o Kuru vêm por meio de ingestão, e atravessam todas as barreiras. Isso porque o príon deriva de uma proteína nativa do próprio cérebro, e por isso, passa por todas essas barreiras do corpo.

A doença Kuru, é degenerativa como a da vaca louca, mas em humanos. Nas tribos onde ocorria o problema, havia a tradição de canibalismo. Normalmente, eram as mulheres que comiam os adversários mortos – e, consequentemente, eram elas que sofriam de Kuru.

Sobre a doença da vaca louca, anos depois, algo semelhante. Ossos e gado não consumível ao ser humano (vacas doentes, por exemplo), eram processados, transformados em ração, e dados para alimentar o rebanho que estava crescendo. Animais herbívoros passaram a ser forçadamente canibais. O cérebro de vacas com os príons entrava na dieta, e com isso, atingia outros animais. É nesse contexto que, por volta de 1985, começaram a surgir os primeiros casos da vaca louca, atingindo o auge nos anos 90.

Conhecendo a origem e a forma de transmissão, ficou fácil estabelecer os meios para evitar o problema. O canibalismo deixou de ser praticado entre as tribos de Nova Guiné, e a farinha de ossos e carne foi proibida, inclusive se fosse feita de outros animais como galinha.

No livro, Prusiner narra como a ideia original de príon foi recebida com enorme ceticismo, e a sua luta para conseguir verbas para continuar a pesquisa. À medida que mais e mais evidências convergiam para seus estudos, também houve concorrentes o boicotando, tentando chegar à conclusões sem o citar ou evitando utilizar os seus dados – no meio acadêmico, há enorme guerra de egos.

Seja como for, Prusiner foi merecedor do Prêmio Nobel, pelo pioneirismo de suas ideias, pela curiosidade e ousadia em tentar entender algo que destoava do conhecimento comum.

O livro é muito interessante para quem tem algum conhecimento do que é um príon e do quão esquisito é esse conceito. Também é um documento que mostra o caminho trilhado por um grande cientista, as suas dúvidas, a incerteza de estar fazendo a coisa certa, e, enfim, o triunfo em ver sua pesquisa ajudar a combater um mal de alcance mundial, a doença da vaca louca.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4445594/

https://www.canalrural.com.br/sites-e-especiais/saiba-que-como-surgiu-mal-vaca-louca-10357/amp/

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Encefalopatia_espongiforme_bovina

https://www.audible.com/pd/Madness-and-Memory-Audiobook/B019R2MRSO

https://www.today.com/video/us-confirms-first-case-of-mad-cow-in-6-years-44513347830

Influência – Robert Cialdini – Planilha Bizurada

Os 6 princípios da Influência, de Robert Cialdini, são dicas importantes para 1) Influenciar outras pessoas 2) Evitar influências indesejadas. É, no mínimo, bom conhecer.

Coloquei as mesmas no formato de Planilha Bizurada.

Planilha para download aqui:

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Veja também:

Shakespeare em Quadrinhos

Seguem algumas recomendações para o fim de semana: As obras imortais de William Shakespeare, em quadrinhos!

Eu tenho várias dessas revistas. São leituras rápidas e divertidas.

Um primeiro grupo de adaptações é no formato mangá. É a coleção Mangá Shakespeare.

A Tempestade:

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Ricardo III – Outro clássico, com um personagem prá lá de maldoso e sinistro.

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Outro grupo de adaptações é a Coleção Shakespeare, pela Editora Nemo:

Romeu e Julieta, todo mundo conhece essa história.
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MacBeth é uma história sensacional. Tenho até medo de pensar que podem existir pessoas como os MacBeth.

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Fora esses, tem muitos outros títulos. O Mercador de Veneza, mais um clássico. O Rei Lear é muito bom também, inclusive aproveito para recomendar o filme Ran, de Akira Kurosawa, baseado na obra de Shakespeare.

É claro que Shakespeare original é muito mais profundo, mas o objetivo é só introduzir um pouco deste universo. São histórias clássicas num formato bastante atrativo para uma leitura simples.

Veja também:

Resumos

O Almanaque de Naval Ravikant – versão áudio

Naval Ravikant é empreendedor e investidor no Vale do Silício.

Recentemente, saiu uma versão áudio de sua coletânea de frases, compiladas por um seguidor.

Naval tem uma habilidade imensa para condensar conceitos em poucas palavras e gerar uma pérola de pensamento.

Podcast no Spotify – https://open.spotify.com/episode/4QOuLcq4zJzTH7AgHEOATX

Versão Audible: https://www.audible.com/pd/The-Almanack-of-Naval-Ravikant-Audiobook/1544517882

Dica: Leia o livro, ouça o áudio, coloque em prática, releia o livro, reouça o áudio, coloque em prática, quantas vezes quanto necessário.

Uma seleção de frases de Naval

Não é realmente sobre trabalho duro. Você pode trabalhar num restaurante 80 horas por semana, e não ficará rico. Ficar rico é sobre saber o que fazer, com quem fazer junto, e quando. É mais sobre entender do que puramente trabalho pesado.

Se você ainda não sabe no que deveria trabalhar, o mais importante é descobrir. Você não deveria fazer um monte de trabalho duro se não souber.


Fuja da competição através da autenticidade.

Basicamente, quando você está competindo com outros, é porque você os está copiando, está tentando fazer o mesmo. Porém, todo ser humano é diferente. Não copie.

O pior resultado desse mundo é não ter autoestima. Se você não se ama, quem irá fazê-lo?

Não se leve tão a sério. Você é apenas um macaco com um plano.

Para mim, a felicidade não é sobre pensamentos positivos. Também não é sobre pensamentos negativos. É sobre a ausência de desejo, especialmente a ausência de desejos externos.

O mundo apenas reflete seus próprios sentimentos de volta para você. A realidade é neutra. A realidade não faz julgamentos.

Sobre startups

Há demanda global ilimitada pela mentalidade de fundador.

As startups não morrem quando acaba o dinheiro, mas quando acaba a energia dos fundadores.

Na corrida olímpica das startups, o primeiro lugar consegue o monopólio, o segundo consegue uma medalha, e não há terceiro lugar.

Antes de procurar um produto ideal para o mercado, assegure que tem paixão pelo produto. É uma longa jornada.

Empreendedores procuram pela “ideia”, a isca que os prendem pelos próximos 5 anos. Em que prisão você gostaria de estar? O que você ama fazer?

Quando construindo uma startup, a microeconomia é fundamental e macroeconomia é entretenimento.

A realidade é que a vida é um jogo de um único jogador. Você nasceu sozinho. Você vai morrer sozinho. Todas as suas interpretações estão sozinhas. Todas as suas memórias estão sozinhas. Em três gerações, você e as lembranças de você se vão e ninguém se importa. Antes de você aparecer, ninguém se importou.

Sobre paz e felicidade

Cada segundo seu neste planeta é muito precioso, e é sua responsabilidade ter certeza de que você está feliz e interpretar tudo da melhor maneira possível.

Eu não ando com pessoas infelizes. Eu realmente dou valor ao meu tempo nesta Terra. Eu leio filosofia. Eu medito. Eu ando com pessoas felizes.

Se você não se vê trabalhando com alguém para a vida toda, não trabalhe com eles por um dia.

Não há legado. Não há nada para deixar. Todos nós vamos embora. Nossos filhos terão ido embora. Nossos trabalhos serão pó.

“Não tenho tempo” é apenas outra maneira de dizer “Não é prioridade”.

Para ter paz de espírito, você tem que ter paz de corpo primeiro.

Seja impaciente com ações, paciente com resultados.

Se há algo que você quer fazer mais tarde, faça agora. Não há “mais tarde”.

Na verdade, não há nada além deste momento. Ninguém nunca voltou no tempo, e ninguém nunca foi capaz de prever o futuro com sucesso de qualquer maneira que importa.

Valorize seu tempo. É tudo o que você tem. É mais importante que seu dinheiro. É mais importante que seus amigos.

Não gaste seu tempo fazendo outras pessoas felizes. Outras pessoas sendo felizes é problema delas.

Sobre riqueza

1) Busque riqueza, não dinheiro ou status. A riqueza é ter ativos que rendem enquanto você dorme. Dinheiro é como transferimos tempo e riqueza. Status é seu lugar na hierarquia social.

2) Você não vai ficar rico alugando seu tempo. Você deve possuir equities – um pedaço de um negócio – para ganhar sua liberdade financeira.

3) Você vai ficar rico dando à sociedade o que ela quer, mas ainda não sabe como conseguir. Ou seja, agregando valor de verdade. Em escala.

4) Escolha uma indústria onde você pode jogar jogos de longo prazo com pessoas de longo prazo.

5) A Internet ampliou maciçamente o possível espaço de carreiras. A maioria das pessoas ainda não descobriu isso.

6) Jogue jogos iterados. Todos os retornos na vida, seja em riqueza, relacionamentos ou conhecimento, vêm de juros compostos.

7) Escolha parceiros de negócios com alta inteligência, energia e, acima de tudo, integridade.

8) Não faça parceria com cínicos e pessimistas. Suas crenças são profecias autorrealizáveis.

9) Aprenda a vender. Aprenda a construir. Se você pode fazer as duas coisas, você será imbatível.

10) Não há esquemas ricos rápido. É só outra pessoa ficando rica usando você.

11) Não há uma habilidade chamada “negócios”. Evite revistas de negócios e aulas de negócios.

12) Conhecimentos específicos são muitas vezes altamente técnicos ou criativos. São aqueles que não podem ser terceirizados ou automatizados.

13) Alavancagem é um multiplicador de forças. A alavancagem dos negócios vem de capital, pessoas e produtos sem custo marginal de reprodução (ex. código e mídia).

14) Abrace a responsabilidade e arrisque os negócios com seu próprio nome. A sociedade irá recompensá-lo.

15) Trabalhe o máximo que puder. Com quem você trabalha e no que trabalha são mais importantes do que apenas trabalhar duro.

16) Defina um custo da hora do seu trabalho. Se um problema economizará menos do que seu custo horário, ignore-o. Se terceirizar uma tarefa custará menos do que sua taxa horária, terceirize-a.

17) A criação de riqueza ética é possível. Se você secretamente desprezar a riqueza, isso vai iludi-lo.

18) Torne-se o melhor do mundo no que você faz. Continue redefinindo o que você faz até que isso seja verdade.

19) Quando você finalmente for rico, você vai perceber que não era o que você estava procurando em primeiro lugar. Mas isso é para outro dia.

Veja também:

Os livros que viraram cachorros

No metrô de SP, antigamente tinham umas vending machines de livros. Hoje em dia, tem de comida para cachorros – essa é uma máquina da Petz. Sinal dos novos tempos.

Lembro de ter visitado um shopping, onde também uma livraria tinha dado lugar a uma loja de pets.

Nada contra, realmente acho que os livros tornaram-se digitais (ou podcasts, vídeos, cursos on-line, blogs como este), e a população está tendo menos filhos e mais cachorros. É apenas uma constatação destes tempos modernos, não uma crítica. Aliás, é bastante criativa a iniciativa da Petz.

Trilha sonora: Tempos modernos – Lulu Santos

O Estrangeiro, de Albert Camus

“O Estrangeiro” é um livro perturbador. Li há alguns anos, reli recentemente, e hesitei em colocar algum comentário neste espaço, porque a mensagem passada não é positiva. Apesar disso, são ideias profundas de um dos maiores nomes do século passado.

Albert Camus, escritor franco-argelino, escreveu este pequeno livro (por volta de 100 páginas) em 1942, e é um exemplo de sua filosofia do absurdismo.

Em poucas palavras, o absurdismo diz que a vida não tem significado, e é absurdo tentar criar significado onde não há… Ninguém está aqui para ser como o Neo, sair da Matrix e salvar o mundo. Só estamos aqui porque os nossos pais se relacionaram, a biologia cumpriu a sua parte, e nascemos.

A primeira frase do livro já mostra todo o contexto:

“Minha mãe morreu hoje. Ou talvez ontem, eu não sei. Recebi um telegrama do asilo”.

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O personagem principal, Meursault é um estrangeiro. Não por vir de algum país distante, nada disso. Ele é um estrangeiro por ser diferente das pessoas normais. Desapaixonado, não tem sentimentos, não tem ambições, é calado e indiferente.

Ele viaja ao asilo, conversa em tom monossilábico com o diretor da instituição e outros personagens. O zelador o convida a abrir o caixão e ver a mãe, e Meursault, friamente, não faz questão nenhuma de aceitar o convite.

Ele aceita um café do zelador, vela a mãe e acompanha o enterro, sem derramar uma lágrima, nem expressar qualquer palavra de nostalgia ou conforto.

No dia seguinte, o nosso herói do absurdo volta à rotina, e reencontra uma conhecida, com a qual começa a namorar.

Encontra um vizinho, que arruma briga com a amante – ele a agride fisicamente – e isso terá consequências.

Nesse meio tempo, o chefe de Meursault oferece uma vaga melhor, em Paris. O protagonista dá a sua resposta curta usual: “Não sei, tanto faz”. Afirma que a vida atual está OK, e se o chefe quisesse, ele iria, senão, está bom também.

A namorada nova também fala algumas vezes de casamento, e a resposta também é a mesma: “Não sei, tanto faz. Se você quiser eu caso.” – num tom nem feliz nem triste, completamente desprovido de emoções.

Depois de um tempo, ele, a namorada, o vizinho e mais um casal de conhecidos vai à praia. O vizinho é seguido pelo irmão da amante espancada anteriormente, chamado aqui simplesmente de “árabe”.

Após algumas confusões, Meursault atira e assassina o árabe, e por isso, vai a julgamento, meses depois.

No julgamento, os promotores chamam testemunhas do enterro da mãe, que narram como o personagem foi frio e nem chorou na ocasião.

Questionado porque ele tinha aceitado o café do zelador, sua resposta foi: “A viagem tinha sido cansativa”.

Meursault nunca negou que tinha atirado no árabe, e o promotor explorou a total falta de remorsos e emoções do réu.

Questionado sobre o motivo do assassinato do árabe, eis sua resposta: “Estava muito sol”.

Alguns dos amigos de Meursault o defenderam, sem muito sucesso. No final, ele foi condenado à morte.

Na prisão, à espera da decapitação e do resultado de um recurso, Meursault se recusa inúmeras vezes a ver um padre, mas um dia esse o visita assim mesmo.

Ao religioso, ele diz não acreditar em Deus, ao qual o padre responde que ele pode até se livrar da pena se tiver o recurso aceito, porém ele vai continuar se sentindo culpado diante de Deus.

Dessa vez, pela primeira vez na história toda, Meursault expressa alguma emoção: reage furioso. Diz que tem convicções próprias sobre a vida e a morte. Independente da causa, nada vai mudar o fato de que estamos condenados à morte. Essa vida é absurda. Ele é indiferente ao universo, o que tiver que ser, será, e ele estará feliz dessa forma….

Na mesma linha, Camus escreveu outro livro perturbador: o mito de Sísifo. É sobre o personagem grego condenado a rolar uma enorme pedra morro acima, só para ver ela desabar imediatamente após alcançar o topo.

Outro grande nome da época, Jean Paul Sartre, escreveu densas obras sobre existencialismo, na mesma linha.

Sartre é considerado o melhor filósofo, enquanto Camus, o melhor escritor.

A revista Le Monde fez uma lista dos 100 livros do século, e colocou “O Estrangeiro” em primeiro da lista.
https://en.wikipedia.org/wiki/Le_Monde%27s_100_Books_of_the_Century

Há uma versão em quadrinhos de “O Estrangeiro”: https://amzn.to/3dBuSDF

Albert Camus foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura de 1957, “por sua importante produção literária, que ilumina com seriedade e clareza os problemas da consciência humana em nosso tempo”. Ele faleceu num acidente de carro, em 1960. Tem um filme sobre Camus no Prime Video, que não é muito empolgante, mas mostra um pouco da vida deste grande autor. (https://www.primevideo.com/detail/Albert-Camus/0KRGSCG19GY8YOD47N31CFLJOL)

Desde Sartre e Camus, poucos pensadores se destacaram em filosofias existencialistas. Imagino que seja porque é um beco sem saída. Se nada faz sentido, o que faço aqui? Melhor arrumar algum sentido, é mais produtivo.

Veja também:

“Lições da história” – Will e Ariel Durant

“Lições da história”, de Will e Ariel Durant, é um dos meus livros favoritos. É pequeno, com cerca de 100 páginas, porém apresenta uma série de ideias contundentes e afirmações fortes.

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Este livro é um resumo das principais conclusões dos autores, analisando 100 séculos de história da humanidade. Eles escreveram uma das coleções mais aclamadas do mundo: A história da civilização, com 11 volumes e mais de 10 mil páginas!

Fiz um resumo no formato “cheat sheet”, uma planilha bizurada. Está disponível para download no link a seguir.

https://1drv.ms/x/s!Aumr1P3FaK7jnwzI1R3zqHUzUZGp

Veja também:

Recomendações de livros para um jovem em início de carreira (ideiasesquecidas.com)

​Recomendações de livros para recém-formados (ideiasesquecidas.com)

36 Estratégias de Guerra – Planilha bizurada

Coloquei as 36 estratégias de guerra chinesas no formato “cheat sheet”, ou “planilha bizurada”.

Link para download: https://1drv.ms/x/s!Aumr1P3FaK7jnwhuhLzdp5dSWWcA.

Seguem prints de telas. Clique na imagem para expandir.

Veja também:

As 36 Estratégias Secretas Chinesas

Resumos

Desvendando o Cosmo

Ian Stewart é um dos maiores divulgadores científicos da atualidade. Quando vi o seu novo livro, “Desvendando o Cosmo”, não tive dúvidas, comprei na hora!

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Stewart originalmente escreve sobre matemática, explicando equações complicadas através de linguagem simples. Neste livro, o tema é o universo e os seus infinitos mistérios.

Alguns tópicos abaixo.

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Shoemaker Levy 9

O cometa Shoemaker-Levy 9 mereceu grande atenção da mídia em 1994 (eu lembro bem disso).

Este foi descoberto pelos astrônomos que levam o seu nome em 1993: um cometa fragmentado, muito próximo à órbita de Júpiter. Eles calcularam que o mesmo teria entrado na órbita do gigante havia uns 20 anos, e o efeito da gravidade maciça teria despedaçado o corpo.

Ainda mais espetacular: calculando a trajetória, o cometa colidiria com o planeta em 1994! Seria a primeira vez na história que nós, meros terráqueos mortais, veríamos ao vivo uma colisão dessas!

E, tal qual um relógio, o cometa colidiu com a superfície de Júpiter. Cada um dos cerca de 20 pedaços causou um impacto maior do que todas as bombas atômicas do mundo juntas, e deixou cicatrizes enormes no planeta grandão. Um impacto de algo semelhante na Terra seria devastador.

Depois do Shoemaker-Levy 9, autoridades do mundo inteiro incentivaram o mapeamento de cometas próximos à Terra, a fim de tentar evitar que tenhamos o mesmo destino dos dinossauros.

Júpiter, ou Zeus para os gregos, é o maior deus do Olimpo, nome apropriado para o maior planeta do sistema solar.

Há até uma teoria controversa, de que o irmão maior Júpiter protege os planetas menores, ao atrair corpos celestes errantes com a sua gravidade esmagadora.


O Problema dos três corpos

As leis de Kepler preveem a órbita elíptica dos planetas, decorrentes da Gravidade de Newton. Correto, é isso mesmo, quando temos dois corpos (o Sol e o planeta). Porém, quando temos três corpos, o comportamento desses fica extremamente mais complicado, devido à equação ser não linear.

Uma forma de aproximar a resposta é simplificando, desprezando que os menores influenciem os maiores. Exemplo: “o problema dos dois corpos e meio”: dois corpos enormes (digamos o céu e um planeta) e o comportamento de uma poeirinha, uma espaçonave, sujeita à gravidade dos grandões!


Os Anéis de Saturno

Há uma série de mistérios envolvendo os anéis de Saturno, desde que Galileu apontou o seu telescópio e descobriu “orelhas” no planeta – equipamentos melhores mostraram estas serem os anéis.

O nome “Saturno” vem de “Cronos”, o tempo, o deus grego que devora os seus filhos. As “orelhas” de Saturno davam a impressão de que havia um corpo maior engolfando outros menores.

Uma das perguntas difíceis é sobre a largura dos anéis de poeira e gelo. Algumas delas são estreitas demais, o que seria instável. Uma das hipóteses é a das “luas pastoras”: duas luas guia, que por conta de seus efeitos gravitacionais, prenderiam as partículas dos anéis, tal qual cães-pastores controlam um rebanho. A Voyager 2, em Urano, mostrou um caso desses: um anel entre as luas Ofélia e Cordélia!


Cometa Halley

O livro não poderia deixar de mencionar um dos cometas mais famosos do mundo, o Halley. Em 1705 Edmond Halley pensou: Se planetas têm órbitas elípticas ao redor do Sol, por que corpos menores também não a teriam?

Ele mergulhou em registros esquecidos de cometas avistados, e notou a semelhança entre um especialmente brilhante, com uma cauda impressionante, visto por Petrus Apianus em 1531, Kepler em 1607, e próximo à era de Halley em 1682. Halley postulou que as três ocorrências eram do mesmo corpo, e previu que o cometa voltaria em 1758 – e acertou, na mosca.

Eu também tive o meu encontro com o Halley, é um velho amigo. Vide aqui:
https://ideiasesquecidas.com/2017/08/19/%e2%80%8bo-amante-halley/


O Efeito estilingue

Na primeira viagem do homem à Lua, a trajetória foi relativamente simples: sair da Terra, depois um “empurrão” direto até a Lua. Como não há resistência do ar, pela inércia a aeronave continua em movimento, até serem necessárias outras manobras.

Para a trajetória que minimiza o tempo, essa é a melhor estratégia. Porém, foi descoberto que é possível minimizar a energia (combustível), se a missão não se importar em perder mais tempo.

A ideia é utilizar o “efeito estilingue”. Quando a nave entra na órbita de um planeta, “pega carona” em seu movimento celestial. Quando a nave estiver na posição correta, ela pode gastar um pouquinho de energia para sair da órbita, e buscar um outro planeta para outro empurrãozinho. São cálculos complicadíssimos, mas que viabilizam missões impossíveis de serem feitas sem tal técnica.

É como se fosse uma rodovia espacial, feita com estradas de gravidade. As missões atuais, que não carregam pessoas, apenas equipamentos, usam e abusam dessa estratégia.


Como saber do que as estrelas são feitas?

A estrela é só uma luzinha no céu. Como saber do que ela é feita? A resposta: através de espectros de frequência.

É muito famosa a imagem de Isaac Newton e o seu prisma decompondo a luz.

Melhorando um pouquinho a técnica, temos decomposição espectral de uma fonte de luz.

Agora, aplicando a mesma técnica para compostos conhecidos (por exemplo, aquecendo um gás de hidrogênio e decompondo sua luz), temos uma assinatura espectral própria. Cada átomo absorve frequências diferentes de energia, de modo que, a partir da decomposição da luz, podemos ter uma ideia do que as estrelas são feitas!


Como sei a distância das estrelas?

Esta foi uma pergunta que sempre me fiz. Olhando para o céu, só vemos uns pontinhos. Como os astrônomos sabem que um dos pontinhos está a 1 milhão de anos-luz, e outro, a 100 milhões?

Uma das respostas é utilizando a mesma técnica que os antigos utilizavam para calcular a altura de uma pirâmide com o auxílio de um graveto e das sombras: trigonometria.

Pelo ângulo de diversas medições do mesmo pontinho, em diversos momentos (digamos, uma hoje e outra daqui a 6 meses, quando a Terra estiver no extremo oposto de sua órbita), temos uma estimativa da distância.

Não é a única forma de fazer a estimativa de distâncias. Há outras complementares, como estimar pelo brilho da estrela.


O livro também cita buracos negros (e buracos brancos), energia escura, a criação da Lua, o Big Bang, expansão do universo e inúmeros outros conceitos. São quase 400 páginas de diversão, para quem gosta de física, matemática e meta-física!

Veja também:

Bônus: Trilha Sonora por Rita Lee. Destaque para o trecho “Por você vou roubar os anéis de Saturno”

Preso no Pólo Sul por dois anos

Convido o leitor nesta semana a ficar preso numa placa de gelo, na imensidão no Polo Sul, sem comunicação com o mundo externo e a 40 graus negativos.

A incrível viagem de Ernest Shackleton ocorreu em 1914, e tinha como objetivo percorrer a região da Antártida. Só que eles não contavam com o mau tempo, que acabou prendendo o navio e congelando a imensidão de mar à sua volta.

O seu navio tinha um nome profético: “Endurance”, algo como “Resistência”.

Para sobreviver, eles tiveram que consumir os mantimentos que tinham, além de focas e pinguins. E, claro, os cachorros que faziam parte da expedição não tiveram final feliz.

Após meses no gelo, Shackleton conseguiu zarpar com uma equipe pequena, para pedir socorro. Meses depois, eles retornaram para buscar a equipe remanescente. Não houve nenhuma baixa na tripulação de 27 homens, o que torna a viagem ainda mais incrível.

Há muito material nas fontes listadas abaixo, para saber mais.

Link do livro na Amazon.

https://amzn.to/3aUpXMW

As imagens foram tiradas das seguintes fontes:

https://super.abril.com.br/especiais/a-incrivel-odisseia-de-ernest-shackleton-na-antartida/

https://www.coolantarctica.com/Antarctica%20fact%20file/History/Ernest_Shackleton_pictures.php

https://brasil.elpais.com/brasil/2014/01/04/sociedad/1388867097_208652.html