A sociedade limitada

Na história da humanidade, há uma série de inovações que permitiram um “salto” evolutivo. Inovações não só de produtos, mas de serviços e ideias também.

 

A invenção da sociedade limitada, nos meados dos anos 1850, foi uma dessas mudanças de mentalidade invisíveis que provocaram uma revolução social.

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A Sociedade de Responsabilidade Limitada é a dissociação da empresa com o indivíduo. A empresa é uma entidade que tem um nome, um CNPJ, e pode responder judicialmente por alguma coisa. Os indivíduos que detém o controle da empresa têm cotas de propriedade. E os indivíduos são independentes da organização. Os indivíduos têm seus próprios nomes, CPFs e vidas.

 

Nem sempre foi assim. Em tempos antigos, se uma empresa falisse, o dono da empresa tinha que arcar com o prejuízo, nem que fosse vendendo a sua casa e vendendo os seus bens pessoais, incluindo filhos. Portanto, empreender era algo de risco muito alto, capaz de arruinar não só a empresa, mas o indivíduo e a sua família.

 

Um exemplo claro é o Código de Hamurabi, de 1700 aC.

“Se um construtor edificou uma casa para um Awilum, mas não reforçou seu trabalho, e a casa que construiu caiu e causou a morte do dono da casa, esse construtor será morto”. (Imagina esta regra para as construtoras brasileiras da Lava-Jato)
 

Esta regra do indivíduo se responsabilizar pela empresa pode até parecer justa, a princípio. Mas, como os riscos são muito altos, envolvendo até a própria vida e da família, o efeito causado é que pouquíssimas pessoas, principalmente as mais honestas, se meteriam a empreender. Seria um vácuo de empreendedores, empresas e inovações. Muito pior, em termos globais.

 

 
A grande diferença foi a mentalidade das pessoas. Poder reconhecer estes indivíduos virtuais como se fossem indivíduos reais.

 

Hoje em dia, uma empresa como a Renault tem seus lucros, tem seus custos, encargos financeiros, impostos, e pode responder na justiça, mesmo sendo um indivíduo fictício. E também pode sobreviver por centenas de anos, vivendo mais do que os seus criadores.

 

As ideias aqui descritas foram recontadas a partir do excelente livro “Sapiens – Uma breve história da humanidade”, que já teve outra de suas ideias descritas aqui: https://ideiasesquecidas.wordpress.com/2015/05/03/preguicas-gigantes-tatus-gigantes/

 

O Meme de computador

O que é (ou deveria ser) um meme?

A grande maioria das pessoas acha que um “meme” é uma figura com alguma frase escrita sobre ela, com alguma finalidade humorística.

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Mas um “meme” é muito mais do que isto. A palavra “meme” foi criada pelo cientista Richard Dawkins, em seu livro de 1976, “O gene egoísta”.

 


Richard Dawkins é grande defensor do Darwinismo: a ideia de que as espécies animais passam pelo processo de evolução natural, em que as espécies mais bem adaptadas ao ambiente sobrevivem.
 

Uma dos grandes avanços da ciência foi a descoberta do DNA. É através da informação genética que as características dos pais são transmitidas a seus filhos. Está tudo codificado nos genes: cor do cabelo, formato das mãos, altura, etc.

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A ideia é que um “gene” transmite uma unidade de informação biológica do pai para o filho.
 

Já um “meme” é algo que transmite uma unidade de informação cultural de uma pessoa para outra.
 

Portanto, uma ideia que é transmitida de uma pessoa à outra é um meme: “Se é Bayer é Bom”, “rouba mas faz”, “pior que está, não fica”, “aqui é Corinthians”. São ideias virais, e o que é transmitido pelo “vírus” é o “meme”.
 

Esta ideia memética pode ser uma música, uma fofoca, uma ideia, uma figura, um vídeo, e até um… meme de computador!


 

Todos nós recebemos e transmitimos um monte desses memes de informação ao longo do dia. Somos uma composição dos memes que chegam a nós e que permitimos que sejam incorporados à nossa personalidade.

 
Portanto, um “meme de computador” é um “meme”, mas um “meme” engloba um conceito muito maior do que o de “meme de computador”.

 

Arnaldo Gunzi

Jul 2015
 

Preguiças gigantes, Tatus gigantes

Quando eu era criança, achava que o ser humano tinha convivido com os dinossauros. Um homem das cavernas, com uma clava na mão, correndo do tiranossauro. Mas isto não é verdade. O timing está errado. Os dinossauros desapareceram há mais de dois milhões de anos, enquanto o ser humano evoluiu de macaco há uns 100 mil anos.
 

Entretanto, o humanóide de milhares de anos atrás conviveu com uns animais bem esquisitos. Na América do Sul existiam Tatus gigantes, preguiças gigantes, elefantes sul-americanos (mastodontes).

 

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A isto, dá-se o nome de “Megafauna”.
 

Coincidentemente ou não, à medida que os humanóides foram chegando, esses megabichos foram desaparecendo. Uma das teorias existentes é que o ser humano deu uma forcinha para acabar com esta megafauna.

 
Olha só a linha de raciocínio. Na África, onde a evolução do humanóide começou há uns 500 mil anos, há megafauna até hoje: rinoceronte, hipopótamo, elefante. A fauna africana teve tempo de evoluir, de aprender que o humanóide com jeito de macaco era perigoso.
 

Mas o humanóide foi se espalhando pelo mundo, e onde ele chegou, esses bichos sumiram. Nesses lugares novos, os animais não tiveram tempo de evoluir para reconhecer o humanóide como uma ameaça.
 

Há uns 45 mil anos, existiam na Austrália cangurus gigantes e wombats (parece uma paca) do tamanho de rinocerontes. Imagina o ser humano, olhando para um monte de carne ambulante desses, praticamente indefeso…
 

Em ilhas do Pacífico, existiam aves gigantes que não voavam, que também foram extintos nesta época.
 

Na região da Sibéria, há uns 10 mil anos, os últimos mamutes foram extintos. Mamute era um tipo de elefante grande. E a Sibéria era o caminho do ser humano para chegar à América.
 

Chegando às Américas, há uns 10 mil anos, as preguiças gigantes, os tatus gigantes, os mastodontes sul-americanos, a megafauna foi sendo extinta mais ou menos quando os humanos chegavam.
 

Animais gigantes necessitam de um longo período de gestação (o elefante, por exemplo, tem gestação de dois anos), e têm uma vida muito mais longa do que os animais menores. E também estão no topo da cadeia alimentar, no sentido de que dificilmente algum animal ataca um elefante. Um elemento desequilibrante como o ser humano, que consegue atacar estes animais, pode comprometer toda a espécie mesmo se atacar somente um número pequeno de indivíduos.

 

Esta teoria de que o ser humano contribuiu decisivamente para a extinção da megafauna não é a única. Há a teoria de que a culpa foi de um período glacial de mudança climática. De qualquer forma, é uma teoria interessante, e não duvido da capacidade do ser humano.

 


 

Em 2009, estive na Austrália. Vi o ornitorrinco, o wombat, o canguru. O canguru, por exemplo, até hoje não se adaptou ao ser humano. O canguru não sabe atravessar a estrada: eles simplesmente vão pulando, como se não existissem carros. É bem comum ver cangurus atropelados. Aliás, cangurus pulando, só em desenho animado. Dá trabalho pular, então, em 90% dos casos, os cangurus se mexem rastejando.

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O Koala é um bicho preguiça com uma cara bonitinha. O Koala fica o dia inteiro dormindo. Deve ficar acordado umas duas horas por dia, mascando folhas de eucalipto. Quando se mexe, é mais devagar que uma tartaruga treinada pelo Barrichelo. Talvez o Koala tenha sobrevivido até hoje só por que é simpático, se fosse feio já estaria extinto faz tempo.

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O excelente livro “Sapiens, uma história da humanidade”, de Yuval Noah Harari, conta a história da evolução do ser humano e tem várias teorias interessantes.

Arnaldo Gunzi.
Maio/2015

Links úteis
http://www.amazon.com/Sapiens-Humankind-Yuval-Noah-Harari-ebook/dp/B00ICN066A/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1430643739&sr=8-1&keywords=sapiens
http://en.wikipedia.org/wiki/Megafauna#Examples
http://io9.com/5896262/the-last-mammoths-died-out-just-3600-years-agobut-they-should-have-survived
http://phys.org/news183924703.html

 


 

Carbono e Silício

O carbono e o silício são da mesma família, na tabela periódica de elementos.

Ambos tem 4 elétrons na última camada. Como os átomos precisam de 8 elétrons para estabilizar, eles têm que fazer o número máximo de combinações, 4.

Para o carbono, isto faz com que os tipos de combinações possíveis seja gigantesco. A vida toda é baseada no carbono, é a matéria prima para tudo que é orgânico. Seja DNA, proteínas, tudo tem o carbono como elemento chave para formar a vida. Você é feito de carbono.

Já o silício tem número atômico maior, é mais pesadão. Faz menos combinações do que o carbono. Mas mesmo assim, é capaz de fazer muitas combinações. Isto gera um produto interessante: semicondutores. Uma composição de materiais de silício, que permitem a passagem de eletricidade por uma direção, mas não por outra.

O semi condutor mais simples é o diodo, com duas camadas de semicondutores. Depois o transístor, que tem três camadas. O homem percebeu que o transístor poderia servir como filtro ou como amplificador. Daí para frente, aprendeu a domar a eletricidade e o mundo usando semicondutores.

Níveis de abstração maiores levaram ao circuito integrado, depois ao hardware. Você está lendo isto numa criatura de silício, o computador. E o resto é história. O Vale do Silício que o diga.

Enquanto a natureza aprendeu a domar o carbono, o engenhoso ser humano aprendeu a domar o silício, parente pesado do carbono.

Leitura recomendada: O polegar do violinista

Arnaldo Gunzi