Canivetes suíços são inúteis

Sempre achei canivetes suíços muito interessantes, até que comprei um. Carreguei o mesmo por um ano, sem o utilizar uma vez sequer, e cheguei à conclusão que são inúteis! Ao invés de virar um MacGyver, não mudou em nada a minha vida…

Um canivete suíço é a imagem de algo multifuncional. Serve para tudo: faca, saca-rolhas, tesoura, abridor de latas, abridor de garrafas, chave de fenda e até funções que ninguém conhece (removedor de anzol?).

O grande problema é que o canivete suíço não faz bem nenhuma das funções. O saca-rolhas dele é pequeno e fraco, o que torna extremamente difícil abrir um vinho. Uma chave de fenda de verdade é infinitamente melhor do que a chave de fenda do canivete. O abridor de latas de verdade, idem. Ou seja, o canivete suíço é um tipo de pato de metal: voa, nada e anda, mas não faz nada disto direito!

Neste experimento de um ano, imagine a situação. Preciso de uma faca: vou à cozinha pegar uma faca. Preciso de uma tesoura: tenho alguns tipos de tesoura na escrivaninha. O “JOB” a ser feito, segundo o pesquisador Clemente Nóbrega, já está ocupado por alguma ferramenta especializada.

Um dos primeiros ensinamentos do livro “Marketing de Guerra”, de Al Ries e Jack Trout, é imaginar que a cabeça do cliente é uma montanha, e o primeiro que efetivamente ocupar a montanha terá a vantagem. Por exemplo, “sabão em pó” traz a marca “OMO” à mente. “Saca-rolhas” traz à mente um saca-rolhas que comprei para vinhos e que está guardado na terceira gaveta da cozinha – o canivete suíço nunca ocupou este espaço.

Nota: não necessariamente o primeiro que chegar na montanha terá a vantagem, e sim, o primeiro que tomar posse efetivamente deste território. Não adianta se afobar para entregar um trabalho antes, mas sim, entregar um trabalho efetivo, que resolva os problemas de forma consistente.

A lição é que não adianta ser mediano em tudo. É melhor ser muito bom em algum assunto específico, e minimamente bom nos demais assuntos. É melhor o seu produto ou serviço responder a um JOB to be done específico.

A não ser que a pessoa seja um MacGyver: aí ele consegue fazer um balão com pano, chiclete e jornal velho!

Nota: Fazendo justiça ao canivete suíço, ele ocupa alguns nichos em que o seu uso pode ser muito útil, como camping e para sobrevivência na selva, por exemplo.

Link recomendado:

http://colunas.revistaepocanegocios.globo.com/ideiaseinovacao/2012/01/13/o-blackberryo-canivete-suicoo-radio-relogio-e-o-ultrabook/

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