Um rolezinho no Maglev chinês

O passeio de trem mais legal que já fiz na minha vida foi no Maglev, que parte do Aeroporto de Shanghai e vai até a cidade.

 

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Não foi pela paisagem, nem por passar em lugares exóticos, nada disso. Foi apenas pela tecnologia, o que se pode esperar de um blog nerd como este (vide também, posts sobre a China aqui e aqui).

 
O Maglev é um tipo de trem que levita sobre os trilhos. O conceito básico é muito simples. Um ímã atrai ou repele outro ímã, dependendo da polaridade. O negativo atrai o positivo, os negativos se repelem, assim como os positivos.

 

 

Colocando os ímãs para repelir, e com energia suficiente, é possível fazer um trem inteiro levitar. Sem o atrito com o solo, é possível fazer uma viagem a velocidades extremamente altas, gastando menos energia, com menos ruído e trepidação…

 

 

É claro que um ímã para colar um lembrete na geladeira é uma coisa, um ímã para levitar um trem inteiro, controlar velocidade e trepidação, garantir a segurança das pessoas, é algo extremamente mais caro e difícil.

 

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Viajei de Beijing a Shanghai. Pesquisando sobre como ir do aeroporto de Pudong até a cidade, descobri que tinha um trem Maglev, e fiz questão de pegá-lo.

 

 

E, quando digo que fiz questão de pegá-lo, é isso mesmo. O avião até Shanghai atrasou mais de duas horas. Pousei lá depois das 22h. Saí correndo do terminal até a estação do maglev. Felizmente, não havia fila e foi muito fácil comprar o ticket (50 yuanes, uns 30 reais), e peguei o último maglev do dia, às 22:40h.

 

 

Fiz este vídeo do interior do trem. Ele chega a uma velocidade máxima de 300 km/h. Tem um nível de trepidação mais ou menos parecido com a de um trem comum. O maglev não tem rodas, só os magnetos. Porém, como a plataforma dele é fechada, não dá para ver o mecanismo. Se não dissesse que é um maglev, não dá para distinguir se é ou não, somente do ponto de vista do passageiro.

 

 
Pelas pesquisas que fiz, parece que esta versão de trem consegue chegar até o dobro da velocidade, uns 600 km/h. Porém, não faz sentido chegar a esta velocidade no trecho citado, porque a distância entre o aeroporto e o destino final é muito pequena, apenas 30 km. A viagem como um todo dura 8 minutos.

 

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Detalhe da velocidade máxima

 

É mais ou menos assim: demora uns dois minutos para chegar a 300 km/h, anda uns 4 minutos nesta velocidade, depois começa a desacelerar para chegar ao destino. Nem dá tempo para desfrutar do “voo de cruzeiro”.

 
Outro problema é que o destino final fica numa cidade vizinha à Shanghai (provavelmente porque seria inviável financeiramente cruzar o rio entre as cidades). Tem um ramal do metrô até Shanghai, mas devido ao horário, estava fechado.

 

 

Procurei um táxi. E, quando encontrei o ponto de táxi, descobri que este fechava as 23h, exatamente no momento em que eu tinha chegado! Tive que pegar um transporte meio clandestino, esquisito, onde paguei mais de 100 yuanes, o dobro do preço comum. Seria muito mais simples sair do aeroporto e pegar um táxi direto ao destino, mas o espírito da coisa não era ser turista, e sim explorar a cidade o máximo possível.

 

 

O projeto do maglev de Shanghai como um todo não faz sentido. Um trem convencional talvez não chegue a uma velocidade tão absurda, mas digamos, a 80 km/h, faria o mesmo trecho em 20 e poucos minutos. Doze minutos de diferença. Talvez um trem convencional pudesse chegar direto à cidade de Shanghai e integrar ao espetacular sistema de metrô, o que é muito mais útil do ponto de vista do usuário.

 
Outra pergunta. Se a tecnologia maglev é tão superior assim, porque esta não é mais comum? Na verdade, o custo do CAPEX é monstruoso. Imagine o tanto de energia para levitar um trem. Para isto, deve-se construir uma rede elétrica dedicada, só para começar. Além disso, toda a infraestrutura tem que ser específica para o maglev, porque não dá para aproveitar a estrutura de um trem comum. Outro fator é que, se o trecho for muito curto, como no caso do aeroporto, não vale a pena, e se for muito longo, também não vale a pena, porque um avião vai ser muito mais efetivo. No final das contas, é mais barato e garantido aperfeiçoar o sistema de trems comuns.

 

 

Tanto é que a linha do maglev do aeroporto não dá lucro. Tem que ser subsidiado, para a conta fechar.

 

Mas, de alguma forma, esta tecnologia pode sim ser muito útil em algum momento no futuro.

 

E, já que deu tanto trabalho pegar o maglev, que este vire pelo menos um post divertido!

 

 


 

Links:

 

https://www.railway-technology.com/features/will-maglev-ever-become-mainstream/

https://en.wikipedia.org/wiki/Maglev

https://pt.wikipedia.org/wiki/Maglev
https://www.travelchinaguide.com/cityguides/shanghai/getting-around.htm

https://www.theguardian.com/technology/2018/may/29/maglev-magnetic-levitation-domestic-travel

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