Uber – Again

Desde o surgimento do Uber, já o utilizei inúmeras vezes. O serviço é melhor do que o do táxi comum, e a tarifa é mais barata.

Por exemplo, hoje fiz um trajeto até o Aeroporto de Congonhas, que custou R$ 14,54. O preço que pagaria com táxi seria certamente mais de R$ 20,00.

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Outro exemplo. Estava em Curitiba, e peguei um Uber para o Aeroporto Afonso Pena. A corrida saiu R$ 34,00, quando o preço normal é o dobro disto, no mínimo R$ 75,00  (táxi cobra uma tarifa extra por mudar de município).

Sempre me perguntei, “a conta fecha?”. A resposta, aparentemente, é “não”.

Foi divulgado há alguns dias o balanço do Uber no mundo. Prejuízo de US$ 1,2 BILHÃO no primeiro semestre, dada a sua política agressiva de expansão.É algo como, cresço primeiro e lucro depois. Garanto a minha posição na mente do consumidor, e depois vejo como lucrar. Ou seja, a tarifa é barata porque o Uber está me financiando. Ou melhor, capitalistas de risco estão colocando milhões no Uber, apostando no modelo, e financiando os consumidores, por enquanto.

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Nestas viagens com o Uber, às vezes eu perguntava para o motorista o que ele fazia antes disto. Todos os que entrevistei trabalhavam de alguma forma com transporte. Dois deles eram manobristas, que deram entrada no carro e estavam ganhando mais do que ganhavam anteriormente. Um deles era caminhoeiro. Outro trabalhava com transporte de pessoas, e alternava com o do Uber. Um deles falou que tem milhares de pessoas na fila de espera para ser motorista do Uber.

 

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Um arranjo assim, de grandes capitalistas financiando o consumidor, só podem ocorrer com o livre mercado, onde qualquer empresa nova pode entrar copiando a mesma ideia sem barreiras. Se o Uber vai dar certo ou não, não se sabe, e também não interessa. Várias outras rivais já surgiram e podem surgir, atendendo a nichos diferentes do mercado.

Se o Uber continuar com preço baixo, vai jogar para fora do mercado vários concorrentes. Porém, quando subir os preços, vai torná-los atrativos para que os concorrentes entrem novamente.

 

Bom, melhor para o consumidor, e melhor para os motoristas que conseguiram subir na vida. Pior para os taxistas já estabelecidos, que agora têm uma concorrência pesada e eficiente. Viva o mercado!

 

 

 

 

 

Evolução e dicionários

O Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa tem mais de 2000 páginas, onde mais de 150 mil verbetes se espremem, impressos em letras pequenas.

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Quando eu era criança, eu achava que os professores de língua portuguesa sabiam todas as palavras do dicionário.

Mas a verdade é que ninguém sabe todas as palavras do dicionário, e ninguém precisa saber.


Vejamos quantas palavras têm alguns dicionários:
Dicionário Aurélio: 150 mil palavras
Grande Dicionário da Língua Portuguesa: 306 mil verbetes
Dicionário Houaiss: 228 mil verbetes
Dicionário Oxford de Inglês: 290 mil verbetes
Dicionário Larousse da Língua Francesa: 93 mil verbetes
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Dizem que precisamos saber umas 15 mil palavras para falar fluentemente alguma língua, qualquer seja. O que acontece na prática é que, com muito menos palavras, digamos umas 5 mil palavras, já conseguimos entender muita coisa do contexto e formar combinações de palavras.

Mas se usamos 15 mil palavras, porque tem 300 mil palavras no dicionário?

Nas línguas ocidentais temos tantas palavras, mas somente 26 letras: a, b, c, etc. Mas quando se estuda uma língua como o chinês, há uma quantidade assustadora de caracteres: pelo menos 20 mil no chinês, 10 mil no japonês.

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De novo, não é necessário conhecer tudo. Sabendo uns 3 mil caracteres é suficiente para ser fluente (não significa que seja fácil decorar 3 mil caracteres).


Distribuição Exponencial
Saber 10% das palavras e 10% dos caracteres existentes indica que as línguas têm uma distribuição exponencial, um Pareto. Isto significa que uma pequena porcentagem das palavras responde por quase todo o uso cotidiano da linguagem. Poucos detêm tudo, enquanto muitos nada têm. É igual à economia, queiram ou não os socialistas utópicos.


Mas porque existem 300 mil palavras? Um palpite: Evolução.

A humanidade surgiu há uns 500 mil anos, e a linguagem é uma forma de comunicar a realidade numa comunidade. As palavras moldam o mundo em que vivemos, e têm que ser úteis hoje, agora.

Novas palavras surgem a cada vez que há uma nova necessidade. Ou a cada pequeno grupo de pessoas que têm uma necessidade específica. Ou a cada vez que há troca de ideias entre culturas diferentes.

Assim como na evolução das espécies, novas palavras surgem a todo momento. Algumas “pegam”, outras não, numa seleção natural. As palavras que usamos hoje não necessariamente serão usadas amanhã. As palavras antigas são descartadas da linguagem, no máximo se transformam num verbete esquecido num dicionário.


O nosso DNA também contém muitas palavras esquecidas. Cientistas estimam que 98 % do nosso DNA não serve para nada. É o que eles chamam de “junk DNA”. Talvez estes sejam pedaços de código que um dia serviram para alguma coisa, mas pela evolução foram deixados de lado em algum momento. Ou talvez nunca tenham servido para nada, mas é muito mais difícil subtrair algo que está pronto e rodando, do que simplesmente acrescentar uma funcionalidade a mais.
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Para os que escrevem códigos computacionais, a mesma coisa. Se um software evolui, ele vai deixar uma porção de “código legado”. Milhares de linhas de código ineficiente ou inútil, mas que um dia serviram para alguma coisa.
O tradeoff é o seguinte. Como tudo evolui, sempre surge a necessidade de alguma mudança, adequação, nova necessidade. Para fazer um puxadinho do sistema que está funcionando, o desenvolvedor vai gastar umas 40 horas. Para recomeçar tudo do zero, tornando todo o sistema o mais eficiente possível, o mesmo desenvolvedor vai demorar umas 500 horas, isso se não causar outros problemas.
Este mesmo comportamento é válido para as ideias, músicas (quantas músicas existem e quantas conhecemos?), filmes (quantos atores existem e quantos conhecemos?) e para quase tudo o que interessa neste mundo exponencial.

A linguagem ótima
Imagine que um acadêmico utópico invente uma linguagem otimizada. Somente as 15 mil palavras mais usadas, com regras gramaticais simples. E que o mundo inteiro adotasse essa linguagem: todos os outros dicionários de todas as línguas seriam apagados para sempre. O que aconteceria?
A sociedade não deixa de evoluir. Novos fenômenos teriam que ser descritos por novas palavras. Sei lá, um bando de pessoas criam uma religião chamada “barraquismo”, onde a missão deles é morar em barracas. E o mestre desta seita não é uma pessoa comum, não é um professor. É um “magnum barracão”.
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A tecnologia não deixa de evoluir. Certamente novas palavras surgiriam para descrever novas empresas, ideias, técnicas. Digamos, um wi-fi por satélite é um “sat-fi”.
As coisas são diferentes de um lugar para o outro. O pãozinho do Brasil é diferente do pãozinho do Tibet. Como diferenciá-los se o nome for o mesmo?
Ou seja, mesmo que a linguagem ótima universal tenha 15 mil palavras, a linguagem real sujeita à evolução vai criar mais e mais palavras com o tempo, até voltar para as 300 mil palavras e infindáveis dialetos do nosso mundo!
Portanto, não precisamos saber todas as palavras do dicionário. Devemos saber usar o dicionário, saber que a linguagem é dinâmica e que podemos criar novas palavras e novos mundos através dela.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dicion%C3%A1rio_Aur%C3%A9lio

http://www.streetsmartlanguagelearning.com/2013/02/how-many-words-does-average-native.html

Fontes: dicionarioegramatica.com.br

How much of our DNA is junk?

Quem dá bola para as Olimpíadas… de Matemática?

No mesmo mês em que o Brasil sedia as Olimpíadas esportivas, as Olimpíadas de conhecimento (Matemática, Astronomia) têm verba cortada.

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Como medalhista olímpico de Matemática (medalha de bronze na Olimpíada Brasileira de Matemática de 1997), tenho propriedade para dizer duas coisas sobre este corte:

1 – A matemática de ponta não será nem um pouco afetada.

2 – Entretanto, a se manter este quadro, os efeitos serão na matemática de base.


As Olimpíadas de Matemática

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Em 1996, fiz pela primeira vez na vida uma prova de Olimpíada de Matemática. Sempre gostei muito do assunto, e já tinha passado um bom tempo estudando matemática. Mas aquela matemática era diferente. Dezenas de vezes mais difícil. Eu não tinha a menor noção da onde começar para atacar as questões. Obviamente, não passei da primeira fase.

Mas participar das Olimpíadas gerou dividendos. Fiquei sabendo que o Colégio Etapa dava aulas gratuitas de preparação para as Olimpíadas. Era toda quinta a noite, aberto para o público.

Como era de graça, e com aulas de muita qualidade, me inscrevi. Na primeira semana, eu e mais umas 200 pessoas tivemos aula com o professor Edmílson Motta, um dos maiores especialistas em Olimpíadas de Matemática do Brasil. Era uma aula sobre paridade, e ele resolveu problemas aparentemente impossíveis com truques simples.

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Guardo até hoje os arquivos das aulas preparatórias

Na segunda semana, o público já tinha diminuído para umas 50 pessoas. Na terceira, umas 15 pessoas. Esta média, de umas 15 pessoas, se manteve até o final do curso.

A primeira dica, para quem quiser encarar: deve-se jogar fora o livro texto da escola, e estudar algo mais pesado. No meu caso, foram as 10 edições dos Fundamentos de Matemática Elementar. Cada livro aborda um tema da matemática com uma profundidade ordens de grandeza superior ao que se aprende na escola. Lembro que fui colecionando esses livros. Ia em sebos no centro de São Paulo procurar, e comprava por 10 reais na época.

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A segunda dica é que dominar toda a matemática do ensino médio não é suficiente. Não faz nem cócegas. Não chega aos pés do que é necessário. Isto porque as Olimpíadas, têm um foco muito forte em Teoria dos Números, o mais nobre (e possivelmente difícil) assunto de toda a Matemática. O prof. Edmílson e alguns outros, já na quinta ou sexta aula introduziram Teoria dos Números, e ficaram um bom tempo nisto.

 

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Eu era um dos mais despreparados nesta competição. Tinha gente que tinha aulas deste alto nível desde o primeiro ano do ensino médio, e duas vezes por semana – um privilégio dos alunos do Colégio Etapa. Tinha um colega da minha idade que já tinha ido para a Olimpíada Internacional de Matemática duas vezes, além das Olimpíadas Ibero-americanas, regionais, etc…

 

Portanto, as pessoas que realmente são top nesse negócio, e aspiram a alguma medalha, geralmente são de classe média para cima e já vem estudando matemática avançada de forma intensiva há muitos, muitos anos, e com colegas e professores do mesmo nível.

 

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O grande prejudicado com este corte de verba não é esse pessoal de ponta, mas sim os milhares de estudantes do ensino médio, que poderiam ter um contato maior com a matemática num nível mais elevado e evoluir com isto. Principalmente, aqueles que são mais pobres e que têm menos acesso à informação.

 

Quem sabe, se o Brasil sediasse as Olimpíadas Internacionais de Matemática, tivéssemos mais alunos que pudessem aprender uma fórmula a mais, que descobrissem que há problemas que não podem ser resolvidos com o arsenal que têm, que descobrissem que há colégios que dão bolsas para quem se interessa no assunto. Ou que encontrassem outras pessoas com a mesma paixão pela matemática. Quem sabe, talvez tivéssemos futuramente melhores profissionais, nivelando por cima o aprendizado.

 


 

Conclusão

Numa Olimpíada esportiva, o objetivo das pessoas que assistem não é se tornar um Michael Phelps ou um Usain Bolt. Mas sim, inspirar-se no exemplo deles para performar mais e melhor. Quem sabe, nadar com mais disciplina e determinação. Ou mudar o paradigma de que é impossível, para o de que pode ser possível, contanto que me esforce. Ou, quem sabe, de que é possível dominar este assunto rico, bonito e abstrato chamado Matemática.

 

 


 

Reflexão

Muitos me perguntam se eu uso o que aprendi nessas Olimpíadas.

Diretamente, pouco. As vezes, uso uma função módulo no Excel e ninguém entende.

Mas indiretamente, sim, bastante, demais. Não só pelo desenvolvimento no raciocínio. Se não fossem pelas Olimpíadas, talvez não tivesse conhecido o cursinho Etapa, talvez não tivesse ganhado uma bolsa de estudos integral nela. Sem isso, dificilmente entraria no ITA (vide post) ou em alguma outra faculdade de ponta. A minha carreira seria totalmente diferente da que é hoje.

Sou um grande fã das Olimpíadas de Matemática, e tenho convicção de que buscar o topo me fez alçar voos altos.

 
Premiados na Olimpíada Brasileira de Matemática de 1997:
http://www.obm.org.br/opencms/premiados/1997.html

 

 

O filósofo e o imperador

Após concluir a invasão da Grécia, Alexandre, o Grande, ouviu falar de Diógenes, um sábio filósofo que vivia na região portuária.
Alexandre era o imperador de todo o mundo conhecido, o homem mais poderoso da Terra.
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Diógenes desprezava todas as riquezas e luxos mundanos, e buscava a virtude.
Quando se encontraram, Alexandre perguntou:
Diga o que você quer, que eu te darei. Grandes extensões de terra, escravos, palácios, navios mercantes, qualquer coisa que você pedir.
Diógenes nem hesitou em responder:
Senhor, desejo apenas que saia da frente do meu sol.
Diante dos risos dos que estavam presentes, Alexandre teria dito:
“Se eu não fosse um Alexandre, seria um Diógenes”.
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Economia em uma única lição

No post anterior, comentei sobre como uma pessoa muito inteligente pode manipular as opiniões a seu favor.

Isto tem relação com os pensamentos do brilhante economista Henry Hazlitt, que em 1946 publicou o livro “Economia em uma única lição”. O grande mérito dele foi isolar o cerne de muitas falácias, que podem induzir ao erro quem está despreparado.

 

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E qual é esta única lição?

Em resumo, ao analisar um fato econômico, deve-se olhar para os seus efeitos em termos globais e no longo prazo.
As grandes falácias fazem o oposto: focam as vantagens localmente para um grupo em especial que é beneficiado, ou analisam apenas os efeitos de curto prazo e deixam de fora da conta os problemas do longo prazo.


Exemplo 1: Para defender uma lei impondo barreiras comerciais, a fim de proteger a indústria nacional de computadores, pode-se citar a defesa de milhares de empregos, a oportunidade de desenvolvimento da tecnologia nacional, etc. Ou seja, focar o discurso num grupo local, e deixar de fora todos os outros grupos: os consumidores finais desta indústria que vão pagar mais caro por produtos piores, o pouco incentivo a desenvolvimento pela falta de concorrência, aumentando o abismo entre a indústria nacional e a internacional.

 


Exemplo 2: É muito fácil gerar ganhos de curto prazo. Basta canibalizar o longo prazo: utilizar todos os melhores recursos produtivos hoje, não respeitar nem um pouco o meio-ambiente, nem a sociedade. Certamente a conta chegará um dia, e será infinitamente mais cara do que se respeitasse o longo prazo. Entretanto, mais e mais empresas são guiadas por metas agressivas, e metas de curto prazo, que podem levar à decisões míopes.

 


 

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O problema é que a conta direta, seja de empregos gerados, seja dos ganhos financeiros atuais, é fácil de se fazer. Entretanto, a conta dos efeitos dos custos ambientais, dos custos sociais e de longo prazo, são imensuráveis, quase especulativos, impossíveis de se fazer sem contestação.

O longo prazo um dia vai chegar. E, se não formos nós que vamos pagar a conta, algum outro vai o fazer.

Conclusão: deve-se pensar nos efeitos globais e de longo prazo das decisões atuais.

Hazlitt desmascara uma série de falácias no livro, que é simples e direto. É uma leitura recomendada.

 

 

 

Sabedoria x inteligência

Conheço uma pessoa muito, muito inteligente. Mas ela usa esta capacidade para beneficiar a si mesma, para vencer argumentações, obter ganhos locais. Ou seja, não usa sua habilidade de forma sábia. 

Se esta usasse a inteligência para obter ganhos globais, para reconhecer quando está errada em argumentações, para beneficiar o todo, construir o longo prazo, aí sim seria um sábio. 
Inteligência e sabedoria são coisas muito distintas. 

Um passeio pelo Google Campus

Que tal trabalhar por um dia no Google Campus?

O Google Campus é um espaço voltado para empreendedores. Para ser mais exato, é um edifício de 6 andares, próximo ao metrô Brigadeiro, em São Paulo.

Dos 6 andares, 4 são ocupados por start-ups escolhidas pelo Google. Os andares 5 e 6 são livres, disponíveis para qualquer um que quiser ir lá, usar as dependências para trabalhar um pouco, de graça. Também tem uma cafeteria, que tem alguns lanches no cardápio.

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Como fazer? Basta se cadastrar no site https://www.campus.co/sao-paulo/pt e levar um documento com foto para retirar o crachá. O crachá é válido por tempo indeterminado.

Fizemos uma visita lá, e seguem algumas curiosidades.


 

Os visitantes não têm acesso aos andares das startups. Somentes aos andares 5 e 6. Estes têm alguns ambientes diferentes: terraço, café, área do silêncio.

 

Cada ambiente tem móveis e decoração diferentes. Por exemplo, o ambiente da foto é ao ar livre, e tinha um monte de gente em reuniões, com muito barulho.

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Já a área do silêncio era bem sisuda, um monte de gente concentrada. As cabines telefônicas ao fundo servem para pessoas que quiserem fazer ligações sem perturbar os outros.

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O Google Campus oferece wi-fi banda larga, aberto para quem estiver lá. Funciona muito bem.


 

Detalhe: tinha umas vacas penduradas no teto. Talvez para estimular a criatividade… e para combinar, tinha umas cadeiras com tecido malhado, como as vacas.

Em post anterior, escrevi como um cara da IDEO pendurou uma bicicleta no teto do escritório, só porque deu na cabeça dele que deveria fazer isto.

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Note também que o teto não tem forro, deixando aparente a tubulação.

Esta é outra característica do prédio. É altamente tecnológico, mas altamente sustentável: torneiras com pressão reduzida, luzes que apagam sozinhas se não tiver movimento, materiais recicláveis nas divisórias dos banheiros, ausência de luxo ou de acabamento onde não é necessário.


 

Outra característica do Google é ter áreas de lazer. De vez em quando, aparecia gente jogando aí.

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A escadaria com as plantas suspensas sobe para o sexto andar. Há vários cartões pendurados. Qualquer um que quiser pode pendurar o seu cartão.

 

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Note o assento: é um orelhão reciclado como assento. Hi-tech com reciclagem. Imagine alguém dizendo: “Estou falando de um orelhão! Mas sentado no orelhão!”.

 

Detalhe do mural, com cartões e mensagens.

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A cafeteria tem lanches, sucos, café. E é o lugar onde as pessoas estão mais descontraídas, ideal para um networking.

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Eventos

Tem um auditório no prédio, e há uma agenda de eventos programada. Basta acessar o site. Mas é quase impossível se inscrever neles. Procurei e todos os eventos estão lotados.

 


 

Nota sobre a segurança

Não deixei de notar que, em todos os andares, tinha pelo menos um segurança observando o movimento. É fácil notar, eles destoam completamente dos visitantes, em termos de postura. Eles são bem rígidos em segurança, exatamente pelo espaço ser a princípio aberto para qualquer um.

Logo na entrada, barraram um visitante que não tinha documento com foto. O sujeito tentou argumentar, mas não teve jeito, ele ficou de fora. Dica: não esqueça de levar documento no dia.

Um dos seguranças me barrou porque o crachá não estava aparente. Tive que colocar a cordinha e deixar o crachá exposto no peito.

E, na saída, o mesmo segurança deu um pito numa moça, que tentou sair pela catraca errada.

Bom, imagino que o Google não quer que uma iniciativa tão legal tenha problemas como roubo ou alguma outra confusão. Ponto para eles.

 


 

Conclusão

É um espaço bem legal, tudo funciona muito bem. Devo marcar reuniões, ir trabalhar mais vezes por lá, para quebrar o ritmo e ter novas ideas.

 


Digressão

“O Google faz este tipo de coisa porque pode fazer”, muita gente diz. Para mim, é exatamente o oposto. É por ter iniciativas mente aberta deste tipo que o Google é o Google. Das milhares de empresas do Brasil, muitas delas bilionárias, quantas têm um espaço assim?

Na fantástica cidade de São Paulo há outros lugares muito bons para se trabalhar, como o Centro Cultural São Paulo, que é espaçoso, bonito, legal… mas não tem wi-fi, até onde eu sei. Ouvi dizer que a biblioteca onde ficava o presídio do Carandiru é moderna, grande, bonita e é um bom espaço para trabalhar. Mas, sendo eu do tempo em que via o presídio todas as vezes que tomava o metrô até zona norte, tenho aversão a este lugar.

Também é possível trabalhar numa Starbucks ou em outras cafeterias, mas estes são estabelecimentos comerciais, é meio chato ficar o dia inteiro lá usando recursos sem pagar a mais por isso.

Além disso, nenhum desses lugares tem pebolim, vacas penduradas no teto, seguranças em todo lugar, wi-fi banda larga e um público maluco por tecnologia.

 

 

 

 

 

 

Kiva reloaded

Em outubro de 2015, fiz um micro-empréstimo de 25 dólares a uma mulher do Tajikistão e outro de 25 dólares a um vendedor de bananas das Filipinas, através da plataforma Kiva – http://www.kiva.org. Na época, escrevi:

É uma forma de empréstimo peer-to-peer, um para um. Ela conecta qualquer pessoa no mundo disposta a emprestar uma quantia pequena para alguma outra pessoa que esteja precisando. Seja para financiar um negócio pequeno, seja para ajudar momentaneamente no orçamento, seja para começar um sonho.

Hoje, agosto de 2016, dez meses depois, como está a devolução deste empréstimo?

 

Ambos foram devolvendo aos poucos, tipo 3 dólares a cada 2 meses, 10 dólares depois de 3 meses, e assim sucessivamente.

Quando os dois juntos retornaram um pouco mais de 25 dólares, fiz outro empréstimo para uma pessoa que queria montar um salão de beleza no Líbano.

 

O balanço atual está assim.

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O site fornece um detalhamento, com o risco de não pagamento. A Ugiljon ainda tem mais 11 meses para pagar o empréstimo, no ritmo atual, parece tranquilo.

 

Ugiljon

Apesar de o Wenceslau ter pago 91% do empréstimo, ele tinha acordado em fazer isto em 8 meses, e já se foram 10.

Wenceslao

 

Para mim, não muda nada em relação ao escrito no post original.

Dinheiro é como se fosse uma energia, que posso armazenar, emprestar para outros, gastar. Um fundo ligado a títulos da dívida do governo talvez rendesse mais para mim, mas talvez algumas pessoas no mundo estivessem pior por não ter acesso a crédito.

 

Para mim, o mundo é cíclico. Os atos vão e voltam. Talvez um cara nas Filipinas, com acesso a esta energia citada, consiga empreender e tornar o mundo melhor, ou tornar a sua vida menos sofrida. Talvez sem o crédito, ele tenda a agredir mais o meio-ambiente, por exemplo, e trazer alguma consequência ruim para o mundo. Talvez mesmo com o crédito, dê tudo errado, torne o cara pior, mas não tenho a onisciência de saber o que dará certo ou não. Sei que uns dólares a mais ou a menos não fazem diferença para mim, neste momento, mas podem fazer para alguém.

Uma pessoa que fez micro-empréstimos de forma brilhante foi Mohammed Yunus, em Bangladesh. Pessoalmente, acredito que este tipo de iniciativa é muito mais efetiva do que uma simples doação, ou um bolsa-qualquer coisa, porque atrela o crédito a outro conceito extremamente importante: de que este não é de graça, tem um custo para alguém ou para a sociedade.

A conclusão é que continuarei colocando um pouco de energia neste tipo de iniciativa bacana e outras que surgirem.