Vales do Silício genéricas

Silicon_Valley

Imagine a seguinte fórmula: governos injetando bilhões de dólares em um pólo de desenvolvimento, principalmente catalisado por universidades, a fim de criar algo como uma cópia do Vale do Silício (notável pólo de inovação e criatividade). Vai dar certo? Minha resposta: Não.

Dinheiro do governo (ou seja, controlado por burocratas e cheio de burocracias) e universidades (onde se preza muito mais um artigo publicado nos anais de um jornal tailandês qualquer do que resultado de verdade) não é uma combinação fértil para empreendedorismo dinâmico e inovador de verdade (e não inovador só no papel). É mais provável que 50% do dinheiro seja desperdiçado no caminho burocrático (por incompetência, má fé ou burocracia mesmo),  uns 40% sejam mal direcionados (para publicar e pagar as viagens para o tal artigo na Tailândia, ou pior, para financiar algum empresário viciado em verbas públicas), e só uns 10% virem algo realmente efetivo (e esses 10% viram a justificativa de todo aparato acima). Quem trabalha em governo e universidade normalmente não gosta de riscos (se não não estariam lá), ao passo que empreendedorismo envolve muito risco, quebrar a cara.

Não por acaso, há uma incontável lista de empreendedores que abandonaram a faculdade (Steve Jobs, Mark Zuckerberg, Bill Gates)  ou que não tem instrução formal alguma (Thomas Edison – o inventor da lãmpada e de milhares de outros produtos, Silvio Santos).

 

Mais importante que políticas governamentais guiadas por universidades é a liberdade para criar e trocar ideias e experiências, proteção jurídica ao patrimônio material e intelectual e aos ganhos que se obtém com o empreendedorismo, pouca burocracia para diminuir os custos de empreender, cultura que permita muito risco de tentar e falhar na maior parte das vezes,  menor tradição de empregos públicos puxando as melhores cabeças para o governo.

 

Finalmente encontrei alguém que concorda comigo:

http://colunas.revistaepocanegocios.globo.com/ideiaseinovacao/2014/03/31/sucesso-consistente-so-vem-de-ambientes-que-incentivam-alta-performance/

Diz Clemente Nóbrega, no artigo acima:

“A Alemanha jogou fora US$20 bilhões tentando criar clusters de biotecnologia como os da Califórnia. Não dá certo porque tem de haver um ambiente que queira mais do que gerar patentes ou fazer P&D. “Geografia”, aqui, não é um lugar – é o ambiente de um lugar. Tem de querer ir para o mercado, vender e crescer. Universidades, em geral, não têm iniciativa para comercializar as ideias que geram. Seus pesquisadores ficam felizes em criar, mas não se excitam com “vender”.

Tecnologia não dá dinheiro, P&D não dá dinheiro, patentes não dão dinheiro. O que dá dinheiro são ambientes desenhados para incentivar risco acima da média.”

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