Escolha sempre a alternativa mais curiosa

O meu amigo Diego Piva, leitor deste espaço, fez um comentário de que eu gostei muito.

 

Diz ele que sempre senta em um lugar diferente em suas aulas de inglês, enquanto todos os outros ficam sempre nos mesmos lugares. Um dia, perguntaram o motivo disto. A resposta foi que ele gosta de ver as coisas sempre por um ângulo diferente.

 

Este é um tema recorrente aqui. É uma forma simples e barata de inovar, no sentido de adicionar novos conhecimentos, e sem muitos riscos.

 

– Entre duas alternativas, escolha sempre a mais curiosa.

– Entre duas máquinas de café, uma normal e outra que não conheço, vamos experimentar a que não conheço (aconteceu de verdade, no Chile, com outro amigo meu).

– Marcar encontro num restaurante desconhecido para ambas as pessoas.

– Quando alguém não entende a sua questão, a maioria das pessoas repete exatamente as mesmas palavras. Recomendo reformular a questão como um todo, sem mudar o significado.

– Mudar o caminho até o trabalho, seja uma rua, seja um outro meio de transporte (ônibus, metrô).

– Uma nova revista, novo livro, com temas interessantes mas desconhecido.

– Entre conversar com a mesma pessoa da mesma panelinha, conhecer outras.

– Novas músicas.

– Viagem para lugares diferentes.

 

 

São alterações pequenas, simples, mas que pode gerar um bom resultado.

 


 

Risco x Zona de conforto

 

Este é o caso de um conflito entre zona de conforto x risco. Um novo restaurante pode ou ser muito bom, ou ser muito ruim – afinal é desconhecido. O restaurante conhecido sempre vai ser bom – mas aqui o problema é o custo de oportunidade de não conhecer algum restaurante bom e diferente.

 

Em geral, costumo explorar essas novas alternativas quando há tempo e espaço disponíveis para tal. Quando a prioridade é chegar no horário, ou entregar um trabalho apertado, não há muita margem para divagar.

Em todo o caso, fica a dica.

 

 

Vales do Silício genéricas

Silicon_Valley

Imagine a seguinte fórmula: governos injetando bilhões de dólares em um pólo de desenvolvimento, principalmente catalisado por universidades, a fim de criar algo como uma cópia do Vale do Silício (notável pólo de inovação e criatividade). Vai dar certo? Minha resposta: Não.

Dinheiro do governo (ou seja, controlado por burocratas e cheio de burocracias) e universidades (onde se preza muito mais um artigo publicado nos anais de um jornal tailandês qualquer do que resultado de verdade) não é uma combinação fértil para empreendedorismo dinâmico e inovador de verdade (e não inovador só no papel). É mais provável que 50% do dinheiro seja desperdiçado no caminho burocrático (por incompetência, má fé ou burocracia mesmo),  uns 40% sejam mal direcionados (para publicar e pagar as viagens para o tal artigo na Tailândia, ou pior, para financiar algum empresário viciado em verbas públicas), e só uns 10% virem algo realmente efetivo (e esses 10% viram a justificativa de todo aparato acima). Quem trabalha em governo e universidade normalmente não gosta de riscos (se não não estariam lá), ao passo que empreendedorismo envolve muito risco, quebrar a cara.

Não por acaso, há uma incontável lista de empreendedores que abandonaram a faculdade (Steve Jobs, Mark Zuckerberg, Bill Gates)  ou que não tem instrução formal alguma (Thomas Edison – o inventor da lãmpada e de milhares de outros produtos, Silvio Santos).

 

Mais importante que políticas governamentais guiadas por universidades é a liberdade para criar e trocar ideias e experiências, proteção jurídica ao patrimônio material e intelectual e aos ganhos que se obtém com o empreendedorismo, pouca burocracia para diminuir os custos de empreender, cultura que permita muito risco de tentar e falhar na maior parte das vezes,  menor tradição de empregos públicos puxando as melhores cabeças para o governo.

 

Finalmente encontrei alguém que concorda comigo:

http://colunas.revistaepocanegocios.globo.com/ideiaseinovacao/2014/03/31/sucesso-consistente-so-vem-de-ambientes-que-incentivam-alta-performance/

Diz Clemente Nóbrega, no artigo acima:

“A Alemanha jogou fora US$20 bilhões tentando criar clusters de biotecnologia como os da Califórnia. Não dá certo porque tem de haver um ambiente que queira mais do que gerar patentes ou fazer P&D. “Geografia”, aqui, não é um lugar – é o ambiente de um lugar. Tem de querer ir para o mercado, vender e crescer. Universidades, em geral, não têm iniciativa para comercializar as ideias que geram. Seus pesquisadores ficam felizes em criar, mas não se excitam com “vender”.

Tecnologia não dá dinheiro, P&D não dá dinheiro, patentes não dão dinheiro. O que dá dinheiro são ambientes desenhados para incentivar risco acima da média.”