4 segredos do mundo corporativo prático

Algumas breves reflexões acerca do mundo corporativo.

1 – Um bom projeto não termina

Projetos, pela própria definição, têm começo, meio e fim. Ok, então isso quer dizer que vamos acabar o trabalho, entregar o projeto, e ficaremos desempregados? Sob essa ótica, então devemos postergar o máximo possível, correto?

Errado. Devemos entregar sempre o melhor trabalho possível e respeitar os prazos combinados.

Um bom trabalho entregue vai gerar inúmeros outros. Ideias de melhoria do próprio trabalho. Necessidade de mudanças devido à alguma atualização. Confiança do cliente para a contratação do próximo projeto. É um jogo colaborativo de longo prazo.

É muito satisfatório ver um trabalho rodando. Essa é a maior recompensa.

2 – Toda vantagem competitiva é temporária

Qualquer seja a vantagem competitiva que uma empresa, área ou indivíduo têm, elas serão temporárias.

Uma vantagem tecnológica dura muito pouco. Desde o surgimento até virar commodity, são poucos anos.

Vantagem em conhecimento de processo são mais duradouras. Porém, ou os processos mudam, ou as pessoas mudam, e as necessidades mudam.

Inovações de mercado podem tornar o que roda bem hoje obsoleto.

Isso quer dizer que:

  • Devemos explorar ao máximo as vantagens atuais. Por exemplo, o grande investidor Ray Dalio afirma que gasta algumas centenas de milhões de dólares por ano em estudos, e isso lhe dá uma vantagem mínima em frente ao mercado. Explorar essa vantagem mínima tornou o seu fundo de investimentos o maior do mundo.
  • Devemos estar em constante evolução. Sempre estudando, trabalhando forte, sempre em contato com as pessoas que rodam os processos.

Saiba que toda vantagem competitiva é temporária. Não se acomode sobre suas glórias, sempre busque evolução. Explore bem suas vantagens atuais, plantando sementes para vantagens futuras.

3 – Provas de conceito não servem para nada

Já que temos que inovar e evoluir, temos que testar um monte de alternativas e fazer várias provas de conceito, correto? Parcialmente. Realmente, temos que testar formas diferentes e melhores de trabalhar. Só que testar por testar não vai gerar resultado real.

Cansei de ver provas de conceito se tornarem o fim de si mesmas. Não é isso, as provas de conceito devem ter a finalidade de virarem inovação real, rodando na operação.

É muito fácil entregar provas de conceito envolvendo soluções novas, com as tecnologias da moda e prometendo ganhos acima dos atuais. É muito menos atrativo e extremamente mais trabalhoso entregar de fato algo que rode de verdade, mas é aí que realmente geramos valor.

4 – Não olhe para a posição formal, olhe para o que a pessoa faz na prática

Conheci um gestor de outra área que só dava bola para a posição das pessoas. Quanto maior o cargo, gerente, diretor, mais atenção ele dava, e desprezava completamente o corpo técnico e pessoal de apoio.

Essa abordagem tem vários problemas:

  • A chave para o sucesso ou fracasso do trabalho pode estar em alguém do corpo técnico ou de apoio, dado o conhecimento ou a competência real desses. E a competência real é o que importa, no final das contas
  • O mundo dá voltas, e quem hoje está numa posição subalterna pode ocupar um cargo diretivo futuramente
  • Não despreze as pessoas, isso é falta de educação básica

É como olhar só para a roupa que a pessoa está usando, e não para o que ela é. Tem um conto muito engraçado do mulá Nasrudin, sobre o tema: https://ideiasesquecidas.com/2020/07/10/os-amigos-do-cargo-e-os-amigos-da-pessoa/.

Uma dica é nem querer saber sobre essas relações formais de poder. Esquecer que existem cargos. Guiar-se totalmente pela execução real.

Bônus – Sobe e desce de profissões chiques

Lembro de uma época, uns 15 anos atrás, em que o petróleo do pré-sal tinha acabado de ser anunciado, a Petrobrás parecia ser a empresa mais atraente e inovadora do Brasil, e ser especialista em geologia ou em algo ligado ao tema “petróleo” era a profissão mais demandada do mundo.

A pessoa que começou a perseguir o tema quando estava no topo só acabou a especialização depois que o boom já tinha passado.

É como apostar no mercado financeiro olhando para notícias de jornal: todo ano uma empresa diferente está em alta e algumas empresas tradicionais estão em baixa. Aí o “sardinha” compra empresas no boom, vende empresas no vale, e sempre sai perdendo no timing.

Profissões quentes vêm e vão. Há poucos anos, era atrativo trabalhar em startups. Ganhar pouco, trabalhar muito, em busca de um sonho de valorização exponencial futuro, que pode ou não vir.

Minha sugestão é ignorar totalmente os modismos, e, usando a analogia do mercado financeiro, partir para a análise fundamentalista.

No que eu sou bom de verdade? O que gosto de fazer? É algo que terá uma demanda razoável no futuro? Este trabalho agrega valor de verdade à sociedade?

Não tentar adivinhar o topo. Fazer o trabalho que gosta, que é bom, de forma consistente e sempre em constante evolução. E, um dia, o topo chegará.

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